Work Text
O bom de ter uma família rica, uma casa grande, é que Nix sempre podia se esmerar por uma das salas cheias de vozes, de roupas cintilantes, e se perder por entre os corredores, como se ele nunca tivesse morado ali antes.Aos 13, 14 anos era o que ele fazia. Jovem o suficiente para não ter que acarcar com certas responsabilidades, ele fugia entre convidados e garçons quando festas eram organizadas na casa de seus pais, principalmente nas festas de fim de ano. Seus pais não faziam conta de seu sumiço por um bom tempo, e quando faziam, mandavam um empregado o procurar.Nix era avisado de seu sumiço - como se ele não soubesse - e sumia entre as folhas das medianas árvores daquele protótipo de jardim monumental. Ninguém, a não ser sua babá, procurava-o entre as folhas, sobre a terra molhada, fofa, quase movedissa.Mas a pobre, boa mulher já era velha para essas corridas de meninice. Então eles fizeram um trato, ela fingia que não o achava, ele voltava antes da meia-noite. Era um contrato razoável, Nix pensava, fumando encostado num banco de concreto que cercava uma das maiores árvores do terreno.Havia chovido não muito antes, o cheiro forte de terra molhada enchia seus pulmões com alívio e um pouco de esperança para o futuro. Não é que a vida dele era ruim - era demais que ele dissesse isso a si mesmo. Sua família era podre de rica, irritante mesmo. Mas ele sabia que a solidão fazia parte da sua identidade, pelo menos até aqui.A maior parte das companhias que ele tinha eram nada como o nome podia presupor. Ele se sentia só com ou sem elas. Não havia remédio. Pelo menos, não que ele havia descoberto por enquanto.A noite estava fresca, mas cada vez mais fria. Seus braços se fecharam contra seu corpo ainda estranho, adolescente. Sua mão encontrou o meio de suas pernas. A mão fechando sobre o zipper. Ele respirou fundo, sentindo o desejo de se tocar antes de dormir. Pelo menos antes de dormir. Ele se sentia inexplicavelmente duro ali e se tocar o ajudava. Diminuia a pressão que ele sentia.Ele era muito jovem para entender muito bem o que aquilo significava. Logo após se sentar no concreto úmido, ele se levantava em irritação, derrubando o cigarro no chão."Merda!" ele disse, olhando pro chão.Deve estar na hora, ele pensou, assistindo o barulho diminuir ainda mais daquela distância. Era hora dele cumprir sua parte do trato.
