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Formatacao Sem Backup

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Mingi só sabia que estava atrasado. Suas pernas se moviam com agilidade e sua mente era bombardeada de pensamentos intrusivos.Sua falta de controle era tanta que às vezes até tropeçava com a falta de concentração no mundo real.Mas tudo estava no padrão de uma segunda-feira para ele.Nas últimas semanas, com o acúmulo de trabalhos, seu notebook simplesmente travava. Demorava muito mais que o esperado para ligar e não abria os programas com eficiência. Cansado de ver o amigo sofrendo com isso, San indicou que levasse o aparelho para formatar.Passados alguns dias, Mingi finalmente lembrou de buscá-lo e agora estava apressado, com medo de estar atrasado demais.— Oi, eu sou o Mingi. — falou ofegante quando chegou no balcão. — Está pronto?
— Está sim. — um jovem rapaz de cabelos escuros e sorriso cativante falou. — Na verdade, estava pronto desde sexta, como avisei.
— É, desculpe, eu esqueci. — ele sorriu nervoso, pegando o aparelho da mão do atendente e ligando ali mesmo.Seu sorriso, mesmo que nervoso, se desfez no exato momento em que ele percebeu que não havia nenhuma de suas pastas ali. — Você salvou as pastas?
— Não... — o rapaz disse. — Você disse "uma formatação completa" e não "uma formatação com backup".
Essa não.
— As mixtapes... — ele disse para si mesmo. — Eu... eu esqueci.
— Nossa, eu sinto muito. — por mais que parecesse falso, o rapaz falava de coração.
— Algum problema? — um cara moreno de voz firme falou.
— Não, hyung, nada, ele só esqueceu de pedir o backup e acabou perdendo alguns arquivos.Mingi levantou a cabeça e pôde ler "Wooyoung" na plaquinha do funcionário um pouco mais baixo. Também leu "Jongho" na do rapaz que o estava atendendo.— Jongho, qualquer serviço a parte tem que ser feito fora daqui, já sabe. — o mais velho disse quase inaudível antes de se retirar.
— Então... sinto muito pelos arquivos. — Jongho disse, assistindo o desespero interno de Mingi.
— Eu esqueci de falar, sou mesmo um idiota! Minha vida tava nesse notebook, perdi os editores, as mixtapes...
— Olha, sobre os editores, eu posso baixar de novo, piratão pra você. Mas teria que esperar meu horário acabar.
— Sério? 
— Sim, trinta minutinhos, ok?Mingi se sentou em uma das cadeiras com o notebook no colo e começou a balançar a perna, esperando o tempo passar. Na última semana, parecia que fazia tudo errado e era extremamente difícil não se culpar. Pensava no rosto do colega de quarto quando avisasse que havia perdido todos os trabalhos do semestre e ainda as fotos da viagem em Jeju.— Vamos? — Jongho chamou.
— Pra onde?
— Pra minha casa.Ainda receoso com a proposta, Mingi acabou subindo na garupa da moto. Sua mãe já havia contado diversas historias sobre sequestros de jovens ingênuos, mas ele achava Jongho muito fofo para ser um assassino e estava desesperado demais para tentar amenizar a confusão que ele mesmo tinha feito.A kitnet era pequena e desorganizada, com vários pratos em cima do sofá e da mesa, cheirava um pouco chulé e um garoto loiro estava sentado no chão digitando freneticamente.Por que ele não tira os pratos para se sentar no sofá? Mingi pensou.Jongho levou Mingi até seu quarto - nessa hora ele quase achou que fosse realmente uma armadilha - mas assegurou que era o único lugar confortável para sentar. Jongho pegou um puff e colocou o notebook em cima, se sentando no chão e formando uma escrivaninha improvisada.O quarto era o lugar menos bagunçado da casa e Mingi considerou que o bagunceiro entre eles deveria ser o loiro. Havia alguns pôsters de bandas antigas e alguns mangás. Mingi conhecia todos, mas estava nervoso para puxar assunto.— Você quer algo para beber? Uma água, alguma coisa?
— Precisa pagar? — perguntou inocentemente.
— Não, Mingi. — ele sorriu, se lembrando do nome visto na tela inicial. — Vou pegar uma água, ok?Jongho saiu do quarto, deixando o processo de download rolando, e se deparou com Yeosang na cozinha.— O que é? — era sua maneira de perguntar "O que está acontecendo?"
— Tô baixando uns negócios no notebook dele.
— Devia ter avisado, olha a bagunça disso!
— Não é minha culpa, né? — Jongho deu de ombros, enchendo o copo de água. — Relaxa, ele nem repara.Ah, ele reparou, sim.Mingi queria roer a unha de tanta ansiedade que sentia. Bebeu a água em apenas um gole e o que mais desejava no momento era ir embora. Tinha medo que a qualquer momento aparecesse um homem mascarado e fizesse alguma coisa com ele, mas felizmente, nada disso aconteceu.— Prontinho! — o mais baixo disse, entregando o aparelho.
— Quanto é?
— Nada, fica como cortesia por ter feito a formatação sem o backup.
— Ah... muito obrigado. Me desculpa de novo.
— Sem problemas! Qualquer coisa me avisa._ San parecia uma mãe rígida quando Mingi chegou em casa três horas depois do esperado. O bombardeou de perguntas sobre onde estava e porque havia aceitado aquela proposta. Depois de parecer bastante chateado com a notícia que todos os trabalhos estavam perdidos, San explicou que sempre guardava uma versão em seu próprio notebook, para evitar esse tipo de situação. Aliviado, Mingi pôde dormir em paz com a sensação que não havia estragado tudo, pelo menos não dessa vez.A rotina de Mingi parecia muito básica, em terceira pessoa: acordar, ir para a aula, almoçar, realizar as atividades, descansar ou fazer algo de seu interesse e dormir. Mas nesse meio tempo, ele precisava se preocupar em: não perder os próprios materiais, estar atento à explicação do professor, não se atrapalhar com os prazos das atividades, interagir com vários desconhecidos e lidar com a insônia. Não era tão básica.Parecia que ele sempre estava sobrando, não entendia como as pessoas conseguiam conversar tão abertamente mesmo se conhecendo em pouco segundos ou resolver as coisas gritando. Mingi odiava gritos e era por isso que tentava evitar o máximo de interação que podia. Porém isso estava fora de seu controle já que era amigo da pessoa mais extrovertida que conhecia.San arrastou o amigo nos primeiros meses de faculdade para o clube de produção musical, onde conheceu Hongjoong e Seonghwa, dois compositores que já estavam avançados em produção e ensinaram muitas das coisas que Mingi sabia agora. No início, não foi fácil para ele e ainda não era, porque interagir com os dois significava estar no meio do fogo cruzado. Mingi não entendia como eles eram tão amigos se viviam brigando.— Claro que não, Hongjoong! Já disse que tá no frigobar. — Seonghwa falou irritadiço naquela manhã.Eles já tinham brigado sobre a harmonização das vozes, a letra que Hongjoong escreveu e agora estavam discutindo se alguém havia bebido ou não a lata de pepsi. Mingi apenas observava montando um roteiro para dar a grande notícia.— Gente, eu formatei meu notebook. — ele disse. — E eu meio que... sumi as nossas mixtapes.
— Não vou falar o que você espera que eu diga, mas você precisa ser mais atento, Mingi. — ele disse tão calmo que por um instante o Song desejou que ele elevasse a voz. Ele já esperava por isso.Na verdade, ninguém nunca esperava nada extraordinário vindo dele. Era como se tivesse atingido o ponto máximo da sua vida, sempre mediano e medíocre. Quando se atrapalhava, as pessoas corrigiam seus erros como se já esperassem por isso. Ele nunca era confiável, porque não era digno de confiança.Mingi se sentia pior todas as vezes que algo assim acontecia._  Chegando em casa, obedeceu ao pedido de Seonghwa: orientou que continuasse com sua parte enquanto ele corrigiria a letra. Seonghwa era uma pessoa muito metódica que só valorizava a própria opinião. Mingi e Hongjoong eram mansos demais para enfrentar o mais velho, por isso sempre cediam.Depois de alguns minutos trabalhando, o rapaz se sentiu desperso e buscou um pacote de Doritos no armário. Comer sempre recuperava seu foco.Quando voltou à mesa, San estava na frente do notebook rindo como se tivesse um palhaço em sua frente.— O que foi? — ele perguntou com a boca cheia.
— Mingi... — sua risada era contagiante, mas Mingi estava confuso. — Quem é... Mingi, quem é jonghogostosao@-
— Minha nossa! — ele deixou que o pacote caísse no chão e correu para minimizar a aba.Jongho havia logado no editor com a própria conta e isso acabou rendendo um momento constrangedor. Ainda envergonhado, ele abriu o email decidido a falar com ele. De: mingithemusic
Para: jonghogostosao
Assunto: Formatação e editorOi, Jongho, sou o Mingi, acho que se lembra de mim. Você logou com o seu e-mail no software que baixou. Por que não perguntou meu email? Eu poderia ter passado.  
De: jonghogostosao
Para: mingithemusic
Assunto: Achei que não fosse me contatarMingi! Estava pensando em você esses dias, achei que não fosse perceber. Se não tivesse logado com meu email, você não teria me achado rsrs 
De: mingithemusic
Para: jonghogostosao 
Assunto: ??? Você esperava que eu mandasse um email pra você? Uau, isso foi inesperado. Ou talvez eu entendi errado. Por favor, explique T.T 
De: jonghogostosao
Para: mingithemusic
Assunto: Já posso parar de fingir entãoSim, eu esperava que você mandasse um email! Mas agora você pode me passar seu número? Ou marcamos um encontro por aqui mesmo? Você quem sabe :) Mingi foi dormir naquela noite surpreso, tentando processar o que tinha acontecido. 
No dia seguinte tomou café apressado - porque achou que estivesse atrasado, mas não conseguiu se concentrar em nada que o professor dizia. — Aconteceu alguma coisa? — San perguntou durante o almoço. 
— Hum?
— Aconteceu alguma coisa? — ele repetiu.
— Não, nada. — respondeu, não muito presente naquele momento.
— Que dia você marcou com o psicólogo? — San perguntou e os olhos arregalados de Mingi seguido de um silêncio foi a resposta necessária. — Você esqueceu? — acusou. — Song Mingi, o que tá acontecendo que nas últimas semanas você só não esqueceu a cabeça porque é grudada no corpo?Mingi odiava quando diziam isso.— Desculpa.
— Não é pra mim que tem que pedir desculpas, isso é algo pra você. Eu só tô tentando te ajudar.Quando terminou o almoço, ainda com o clima atípico entre eles, Mingi recolheu os pratos e os copos, colocando-os no lava louça. Se encostou no balcão enquanto esperava e pegou o celular para ligar para o consultório, mas se deparou com mais um email de Jongho.Decidiu que iria ceder e ver o que aquele garoto queria._ Jongho não aguentava mais a personalidade áspera e intrometida de Yeosang. Eles tinham um contrato de 6 anos e ainda faltavam dois para a expiração, para o azar do Choi.Não que ele não lidasse com pessoas difíceis diariamente, poxa, atender clientes é uma tarefa que exige paciência, mas Yeosang não era apenas difícil. Às vezes ele era impossível.Além de ser espaçoso e bagunceiro, ele era muito irritante e se intrometia em tudo. Jongho gostava de sair às sextas com os amigos e quando as coisas davam certo, levava alguém para lá.
Não gosto que você fica trazendo esses desconhecidos aqui, e se eles roubarem alguma coisa?
Por que alguém roubaria uma casa que não vê uma vassoura faz uma década? Agora estava querendo saber mais sobre Mingi, e só Deus sabia o que ele faria com essas informações.— E aquele menino grande daquele dia? Nunca mais falou dele.
— Não tem porque eu falar dele com você.Seu tom era ríspido, mas Yeosang não se tocava. Ele com certeza era a pessoa mais incoveniente do mundo.Quando finalmente pôde conversar com Mingi por mensagens e não por email - ele se sentia no século XIX fazendo isso - percebeu como Mingi era fofo. E Mingi percebeu como Jongho era engraçado.Jongho não tinha assuntos comuns. Ele não perguntava sobre as aulas de Mingi e o que ele gostava de comer no almoço. Jongho perguntava sobre tipos de desodorante e como ele guardava as cuecas. Era tão inesperado que Mingi não conseguia parar de rir e o mais novo sempre imaginava como Mingi se parecia sorrindo.Não que Mingi se incomodasse com aquela excentricidade, mas ele sentia que não podia contribuir muito. Às vezes os diálogos pareciam monólogos, porque Jongho falava pelos cotovelos. De novo, ele não se incomodava, apenas sentia que não sabia como continuar a conversa, mas ele sempre escutava com atenção e ria bastante. Pelo menos San percebeu uma áurea diferente no amigo. Agora, sempre que passava em frente ao quarto, Mingi estava deitado na cama sorrindo alto. Ele nem fazia muitas perguntas, mas gostava de ver o amigo assim.As habilidades sociais de Mingi não eram das melhores e ele agradecia as interações por mensagens. Fazia quase três semanas que os dois conversavam todos os dias - ou melhor, todas as noites.Em uma tarde, inesperadamente, enquanto Mingi passava o aspirador de pó usando apenas uma camisa velha e um shorts, ouviu a notificação do celular. Jongho estava fazendo uma chamada. Uma chamada de vídeo.Mingi choramingou baixinho antes de antender, nervoso.— Oi! O que está fazendo? — Jongho perguntou. Mingi apoiou o celular num suporte improvisado na mesa e mostrou o aspirador com um sorriso amarelo, esperando que isso falasse por si só. — Ah, que organizado. Queria que meu colega de quarto fosse assim, mas se você jogar uma vassoura pra ele, ele xinga até sua 6° geração.  — Mingi sorriu.
— É, eu tento, já que a bagunça sou eu que faço. Na verdade, meu amigo é bem organizado, sabia?
— Ah, sério? Queria. — suspirou.
— Por que não muda?
— Porque temos um combinado e faltam apenas dois anos. Já aguentei quatro, então dois é fichinha. — o acastanhado sorriu.
— E você não trabalha às quartas? — bingo! Era exatamente aí que ele queria chegar.
— Não, é meu dia de folga. — Mingi abriu um pouco a boca, surpreso por não ter pensado nisso. — Então, você está livre na próxima quarta?Com a pergunta, Mingi abriu um pouco mais a boca, procurando o que dizer. — Um almoço? Um sorvete? — Jongho pressionou.
— Tá. — foi tudo o que conseguiu dizer._ San chegou em casa e sorriu com o cheiro de limpeza. Não viu Mingi nem na sala nem no quarto, então ouviu o barulho do chuveiro.— Cheguei. — ele disse.
— San! — o mencionado ouviu e se virou. Mingi abriu a porta do banheiro, ainda com o chuveiro ligado, se mostrando completamente nu e molhado. — Preciso de uma ajuda.
— E de uma toalha. — San cobriu os olhos.
— É sério. — ele suspirou. — Uma pessoa me chamou pra sair e eu não sei se é um encontro ou um encontro.
— Tem diferença?
— Achei que eu fosse ruim nessas coisas. — comentou. — É que eu não sei se ele quer ser meu amigo ou algo além disso. Eu fico nervoso.
— Mingi, primeiro coloque uma roupa e depois conversamos sobre isso.O rapaz mais novo fez como foi orientado e acabou contando com mais detalhes enquanto comiam uma macarronada feita pelo próprio San.Mingi contou que o garoto já era um conhecido mas que ele não sabia exatamente sua intenção. Tinha medo dele querer se aproximar e ser um amigo e Mingi achar que ele estivesse flertando, ou pior, o garoto realmente estar flertando e Mingi dispensar achando que queria apenas uma amizade. Isso era desesperador.Jongho marcou o encontro numa sorveteria nova, o que contribuiu para a ansiedade de Mingi. San pesquisou fotos desse local na internet para que o amigo se sentisse seguro, mas ele só poderia saber quando realmente estivesse lá.Vestiu uma jaqueta jeans e deixou a franja molhada, saindo trinta minutos antes do combinado, para evitar atrasos. Como planejado, ele não se atrasou. Ficou parado balançando umas das pernas enquanto esperava o amigo, que também não tardou chegar.Os dois se sentaram numa mesa próxima a janela, o que deixou Mingi tranquilizado. Ele costumava perder o foco com facilidade e se acontecesse, pelo menos ele poderia usar a desculpa do movimento lá fora para contornar o constrangimento. O que não foi necessário.A conversa fluía tão bem que Mingi se esqueceu de tudo por algumas horas. Sentia apenas o sabor de flocos nos lábios e a vontade de sorrir o tempo todo. Jongho era engraçado sem ao menos tentar e seus assuntos eram muito variados.— Eu sei que todo mundo tem um copo preferido pra beber água, mas podemos falar sobre uma a panela preferida? Porque eu tenho uma panela preferida!
— Meu Deus... — Mingi disse sorrindo.
— Você não?
— Eu não sei! — ele sorriu ainda mais.
— Assim você faz parecer que eu sou estranho.
— Você não é estranho. Eu gosto, sabe, do seu jeito.
— Eu também gosto do seu jeito._ Duas semanas se passaram desde o encontro na sorveteria e a conversa da panela preferida. Mingi começou a reparar em hábitos únicos apenas para comentar com Jongho, porque ele amava. Em uma madrugada, os dois discutiram sobre formas de deitar na cama e organizaram uma ordem da melhor para a pior. Jongho também trouxe o tópico sobre tipos de cuecas, mas Mingi preferiu não comentar sobre, porque achou que seria exposição demais. De qualquer forma, ele sempre sorria, não importava quão absurdo o assunto fosse.Ele sabia que estava se apaixonando. Bom, não estavamente essa palavra, mas ele sabia que o sentimento estava mudando. Aos poucos, a vontade de estar com o Jongho era tanta que ele passava em seu trabalho apenas para dar oi ou entregar um bombom que ele comprava numa lojinha de conveniência. Ele também queria estar perto fisicamente - e foi esse o sinal mais alarmante, porque Mingi raramente queria que alguém o tocasse. Jongho era um exceção. O mesmo valeu para Jongho. Ele sabia que gostava de Mingi, mas só percebeu de fato quando notou o jeito desengonçado que o amigo ficava perto dele. As desculpas para se encontrarem em dias de semanas e os pretextos para que suas mãos se tocassem. Alguém teria que dar o primeiro passo. Jongho queria muito que fosse Mingi dessa vez._  San quase não estava mais ficando em casa graças ao grupo de pesquisa, o que deixava Mingi um pouco ansioso. Ele pensava em convidar Jongho para lá, mas pensava no que poderia acontecer. Ele não queria passar vergonha e dar esperanças que aquilo era uma desculpa pra outras coisas, ele só queria que os dois se aproximassem mais. você quer vir aqui qualquer dia?

sua casa?simpode ser hj?se vc quisereu já vou Mingi jogou o celular no sofá e foi para o quarto. Penteou o cabelo. Passou um protetor labial. Decidiu que faria um penteado diferente. Mas ficou com medo. Foi ao banheiro e lavou o rosto, retirando o protetor labial. Precisou voltar e passar outra vez. Ele ouviu a campainha.— Você é rápido. — o mais alto disse ao abrir a porta.
Ou talvez eu tenha demorado demais me arrumando.
Os dois se sentaram no sofá e ficaram alguns minutos em silêncio. Parecia tão constrangedor aquilo, mas nenhum dos dois sabia muito bem o que fazer.— Acho que agora é o momento que você começa a falar sobre um tópico aleatório.
— Você já beijou?Mingi sentiu o corpo congelar. Não era bem o assunto aleatório que ele esperava.— Não, mas não tenho problema com isso.
— Ah...
— Por que?
— É que... eu esperava que você me perguntasse como é a sensação. E aí eu te mostrava.
— Se eu perguntasse como é a sensação, como você me mostraria?
— Eu me aproximaria e seguraria seu rosto... — Jongho falou, se aproximando devagar e fazendo carinho em sua bochecha com o dedo. — E deixaria a mágica acontecer.Tudo foi em câmera lenta. Seus lábios se tocaram gradativamente, Jongho colocou a mão na nuca de Mingi e deixou que o instinto os guiasse. A princípio, Mingi ficou tenso, um pouco surpreso com o que estava acontecendo, mas deixou o corpo relaxar aos poucos. Eles não demoraram muito, na verdade, mas a sensação foi de ter durado horas.— Eu não... imaginei que...
— Você gostou? — Jongho perguntou.
— O que você quer que eu responda? Não quero que se sinta chateado.
— Eu quero que me diga a verdade. Não quero que seja desconfortável pra você porque não quero que se afaste de mim, gosto muito de você pra que isso aconteça.
— Você gosta de mim?
— Não é óbvio? — ele deu de ombros.
— Jongho, eu também gosto de você. — Mingi sorriu aliviado. Parecia que um caminhão havia sido tirado de suas costas.
— Você... você gosta de mim? — ele levantou do sofá aos pulos. — Você... Ah! — Jongho gritava de felicidade, como se tivesse triado um bilhete premiado. O mais novo se aproximou e deu um beijo em sua testa, ainda repleto de felicidade. — Você é tão inquieto, acho fofo.
— Ah, desculpa. Não sou muito de falar sobre isso, mas eu tenho TDAH.Mingi sorriu de canto. Ele sabia exatamente como era.

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