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Mais um dia amanhece em Konoha, mas dessa vez ele era mais agitado e cheio de tensão nervosa no ar. Era o tão esperado dia em que decidiria se os alunos da academia ninja iriam enfim conseguir se formar, para isso precisariam “apenas” fazer a prova em que seria julgado tudo que eles aprenderam durante os longos anos de estudos. Ou seja, era o dia mais aguardado, e temido, por todos os estudantes e seus familiares.Naruto, como todo bom jovem em véspera de um teste importante, havia ficado animado, mas também muito nervoso e ansioso, portanto tinha custado a conseguir dormir na noite anterior. Acorda piscando os olhos levemente sonolento, sorrindo ao se lembrar do dia que era. Contudo seu sorriso sumiu ao ver que hora era, o que o fez arregalar os olhos e tropeçar para fora da cama, com direito a cair no chão, quando foi pegar o relógio para conferir se seus olhos não o estavam enganando.- Ah, droga!! – o loiro grita desesperado e começando a pular pelo quarto catando roupas para se arrumar com pressa. Se perguntava se o relógio tinha algum problema pessoal com ele, já que sempre falhava consigo. Embora no fundo soubesse que o objeto havia sido vendido com defeito pra ele, assim como sempre que tentava trocar ou comprar um novo. -Estou muito, muito atrasado!Ele toma seu desjejum rapidamente e sai de casa correndo numa tentativa, praticamente inútil, de chegar na hora à aula onde Iruka-sensei esperava a todos para começar com a prova. Quando Naruto finalmente chega, infelizmente já estava 15 minutos atrasado. Então ele tem uma ideia: entrar na sala sem que seu sensei o veja... Porém, como sempre nessas situações, seu plano deu errado e ele deu de cara com um Iruka bravo com seu aluno problema. O que o fazia imaginar se o professor era capaz de farejar seu desconforto toda vez que chegava atrasado.-Ohayo, Iruka-sensei... –disse Naruto sorrindo sem graça pela sua situação.-Ohayo, Naruto... Por que está chegando hoje nesse horário se sabia que hoje tinha prova?!-questiona Iruka com o semblante sério, mas suspirando desapontado pelo seu dia já ter começado com o garoto causando problemas.-Gomen, Iruka-sensei... É que eu acabei perdendo a hora... Hehehe... -o mais novo respondeu, coçando a cabeça.-Você sempre perde a hora Naruto. - falou Iruka revirando os olhos, já acostumado com a desculpa do garoto, que acabou provocando risadas nos outros alunos da turma.- Não tem graça! –Naruto olha frustrado para seus colegas numa tentativa de fazê-los parar de rir. A culpa era dos malditos relógios não dele.-Vá para o seu lugar e espere ser chamado para fazer a prova. Até lá vê se não apronta nada, escutou? -perguntou Iruka, mas ordenado do que qualquer outra coisa, vendo que Naruto não estava prestando atenção.-Hã? Hai... – responde Naruto um pouco confuso por não ter escutado praticamente nada do que seu sensei tinha dito. Embora tivesse uma noção do que o mais velho havia falado, o de sempre “não causar mais problemas” e como funcionaria a prova, o que ele sabia pois já havia feito a prova final outras duas vezes.Naruto foi se sentar enquanto via seus colegas olhando pra ele e cochichando para os outros. Como odiava aquilo pensava lembrando-se de como a população da vila olhava e falava dele. ‘Não entendo porque eles me olham com tanto desprezo, como se eu fosse uma aberração ou sei lá o que. Mas um dia eu vou ser forte e o maior Hokage de todos os tempos, então eles terão de me respeitar! Tô certo!’ pensava tentando se passar confiança, como um mantra que havia criado para se tranquilizar. Afinal ninguém era mais respeitado do que o hokage.Algumas horas depois só faltava ele fazer a prova, todos os seus colegas já tinham feito e sido dispensados. Como quase todos tinham ido embora com uma expressão feliz e satisfeita, confiantes de terem passado o menino ficou com uma certeza que também conseguiria passar, que também se tornaria um gennin dessa vez. Ele ficou ali imaginando como seria a sua vida como um ninja e nem notou que tinha sido chamado.- Naruto... Naruto! Uzumaki Naruto, está me escutando?!- chamava Iruka, quase gritando para o menino distraído em seus pensamentos.-Ahh! – deu um pulo pelo susto que tivera. -Que susto, Iruka-sensei! -protesta o jovem nervoso.- Vem. É a sua vez. -disse Iruka enquanto conduzia o jovem para a sala de provas.Quando entraram Naruto ficou espantado com o tamanho da sala. Seu professor o levou para frente de uma mesa onde tinha dois lugares, um deles era ocupado por um velho com roupas vermelhas e brancas e um chapéu triangular das mesmas cores, o Sandaime Hokage (terceiro hokage). Alguém que o menino já conhecia bem, por mais que não fosse comum ele aparecer nessas ocasiões.-Vamos começar a avaliação? -perguntou o Hokage, abrindo um leve sorriso encorajador para o loirinho.-Sim... Naruto comece fazendo o jutsu de clonagem. -orienta Iruka.-Hai!... Kage bushin no jutsu! –disse Naruto.Quando o clone apareceu seus observadores logo notaram algumas diferenças entre o clone e o verdadeiro Naruto. O clone tinha um chakra maligno que não pertencia ao jovem, tinha olhos vermelhos e selvagens e as características marquinhas nas bochechas mais fortes. Isso deixou o hokage um pouco preocupado. Então Naruto curioso e confuso por causa das reações de seu sensei e do hokage se vira para olhar seu clone. ‘Não pode estar tão ruim...’ pensou.-Ahhhhhh! -gritou ao ver a aparência da “cópia”, pulando pra longe dela e para mais perto dos adultos. -E-Ele é o meu cl-clone?? -pergunta Naruto assustado, olhando para os mais velhos em busca de auxilio. ‘Não...Não pode ser ... Eu não sou assim... Eu não pareço um monstro, não é?’ pensava desesperado.-É... É sim... -o velho suspira, não esperava que algo assim fosse acontecer tão cedo. -Naruto, temo que precise lhe revelar uma coisa- diz o Hokage sério, olhando para os olhos apavorados do menino.
----- CHAPTER BREAK -----
Flash back: on-Ahhhhhh! -gritou ao ver a aparência da “cópia”, pulando pra longe dela e para mais perto dos adultos. -E-Ele é o meu cl-clone?? -pergunta Naruto assustado, olhando para os mais velhos em busca de auxílio. ‘Não...Não pode ser ... Eu não sou assim... Eu não pareço um monstro, não é?’ pensava desesperado.-É... É sim... -o velho suspira, não esperava que algo assim fosse acontecer tão cedo. -Naruto, temo que precise lhe revelar uma coisa. -diz o Hokage sério, olhando para os olhos apavorados do menino.Flash back: off-Revelar? -repete Naruto um pouco confuso, e com medo do que poderia ser, já que o tom do kage deixava meio implícito de que não seria uma boa notícia.-Tem certeza, Hokage-sama? –Iruka olha para o senhor ao seu lado. ‘Não acho que isso seja uma boa ideia, pra dizer a verdade...’ pensava, preocupado com a reação do menino e como ele iria lidar com a verdade.- Confie em mim, Iruka. -tranquilizou o sensei. -Mas primeiro, Naruto, desfaça o clone. – disse o Hokage ainda sério.- Hai! –tentou desfazer o clone, assim como havia sido pedido, porém nada aconteceu. -Nani?! Por que não estou conseguindo desfazê-lo? - questiona-se em voz alta não entendendo mais nada.- Como imaginava... – disse o Hokage pensando alto, ‘O clone não está sob o controle dele’, complementou internamente.- Isso não é bom... – concorda Iruka, incomodado com a situação.- Como assim?! Velhote, você não disse que ia me contar uma coisa? -pergunta Naruto pairando entre curioso e assustado.Um silencio desagradável se faz na sala. Até que o Hokage manda que Iruka acabe com o clone, assim começando uma curta batalha entre ambos. ‘Estranho, meu clone não luta da mesma forma que eu como deveria. Ele parece ter muito mais experiência que eu e luta de uma maneira selvagem e sombria que me assusta...’ pensava o menino, sem desviar o olhar dos movimentos do que deveria ser sua cópia. Quando, enfim, Iruka conseguiu acabar com o clone (o que levou uns 25 minutos) eles voltaram a conversar.- Naruto, creio que você tenha reparado que é um pouco diferente dos seus colegas de classe. -começa o Hokage.- Sim... – responde Naruto, não era muito difícil de perceber na verdade, já que parecia mais um pária dentro da vila. ‘Mas isso não explica ou justifica a forma de todos olharem pra mim!’ pensa indignado. -Mas não entendo o porquê, velhote.- Vou lhe explicar agora. Mas você não pode me interromper até eu acabar, entendido? -pergunta o Hokage vendo que Naruto estava muito curioso.- Tá bom... – concorda com o mais velho, afinal queria as respostas pra isso a muito tempo. O incidente com o clone só o deixou mais perdido. - Mas quando você acabar eu posso fazer perguntas, né? -pergunta Naruto.-Claro. -afirma sorrindo ao ver a natureza curiosa do mais novo aflorar. -Você sabe que há 10 anos uma raposa de nove caudas atacou a vila, não é? -recebeu um aceno positivo então continuou. -Naquele dia, além do Yondaime derrotar a raposa, como é contado nos livros e aulas, esse monstro foi selado dentro de uma criança recém-nascida. -o menino arregala os olhos e tem um calafrio com um mau pressentimento. -Existem outros seres gigantescos como a raposa espalhados pelo mundo. Esses monstros são conhecidos como bijuus e possuem uma grande quantidade de chakra, muito mais do que qualquer ser humano pode ter. Suas forças são classificadas de acordo com o número de caudas que vai até o nove. -dá uma pausa para ver se o garoto estava acompanhando. -As pessoas que têm dentro de si selado um bijuu são chamados de jinchuurikis. Desde muito tempo atrás as nações shinobis (ninjas) lutam para conseguirem capturar esses bijuus que por serem poderosos poderiam servir como uma excelente arma nas guerras. Porém eram muito perigosos para serem manipulados e a única maneira para isso era selá-los em pessoas para poderem controlá-los, assim surgiram os jinchuurikis. Pela população de suas vilas são vistos como os próprios monstros dentro deles, o que os deixa infelizes e muitas vezes os deixa com ódio. –conta o Hokage- Está entendendo, Naruto?- Hum... Um pouco... Mas o que isso tem haver comigo? -pergunta Naruto. ‘Estranho a forma que ele disse que as pessoas tratam os “jin” alguma coisa, parece a forma que as pessoas… A forma como me tratam...’ pensa cada vez mais desconfortável pela ideia que se formava em seu interior.-Você realmente não consegue descobrir? Pense: o que aconteceu no dia 10 de outubro 10 anos atrás? - fala o Hokage tentando ajudar o jovem a chegar na resposta-Velhote, você mesmo disse que nesse dia que a Raposa atacou a vila e... -vai falando Naruto até que se lembra de algo importante. -Peraí, esse... Esse foi o dia que eu nasci! -exclama. “Naquele dia esse monstro foi selado dentro de uma criança recém-nascida...” essa frase se repetiu em sua mente. -Bem... Nesse dia nasceu mais alguém além de mim, não é? -dava pra notar o tom de nervosismo em sua voz.-Não. Você foi o único que nasceu naquele dia... -respondeu Hiruzen. ‘Acho que agora ele está realmente começando a entender.’ pensava.-Então eu era o único recém-nascido da vila... -fala engolindo em seco. -Isso quer dizer que eu... Que dentro de mim es-está s-se-selada a raposa de nove caudas? -olha pra ambos os adultos tentando esconder seu desespero. ‘Isso explica a forma das pessoas me olharem e me tratarem... Mas, isso não pode ser verdade... Não, de jeito nenhum...’. -V-você só pode estar brincando, certo? -‘Por favor, diz que isso foi apenas uma brincadeira, por causa de tudo que eu apronto e aprontei na vila’ pensa, implorando internamente, enquanto os sentimentos contidos por muito tempo começavam a chegar em seu coração.- Sim, Naruto, você é o jinchuuriki da Kyuubi (Raposa demônio de nove caudas). -afirma o Sarutobi, sentindo um pesar ao ver o sofrimento do menino ao absorver a informação.-Por quê? Por que eu?! –questiona de cabeça baixa e punhos cerrados. -E ISSO NÃO É DESCULPA PARA AS PESSOAS DA VILA ME OLHAREM DAQUELA MANEIRA!! -grita com raiva, sentimentos saindo em cascata. - EU NÃO SOU NENHUM MONSTRO!! EU SOU UZUMAKI NARUTO!!!! -agora o ódio do jovem estava bem aparente, sua expressão estava começando a ficar igual ao do clone que tinha feito, embora com lagrimas nos olhos devido a quanto tudo aquilo havia doido nele saber. Após dizer tudo aquilo ele sai às pressas da sala e do terreno da academia ninja.-Aquele era o Naruto? -pergunta Rock Lee, após um vulto de laranja passar correndo por eles.-É o que parece... - diz Shikamaru. -Problemático...-Tinha um chakra estranho nele... -fala Neji com o Byakugan ligado.-Que problemático... – repete Shikamaru.-Você só sabe falar isso?! -Tenten olha pro garoto com rabo de cavalo arrepiado.-É. -Ino responde para a garota de dois coques, já que conhecia o Nara há anos devido a amizade de suas famílias. -Mas o que será que ele aprontou? -pergunta, voltando para o assunto do garoto loiro.Mal sabiam que o pobre Naruto não tinha feito nada, estava apenas correndo pra chegar no único lugar que ele conseguia pensar direito e que também era o seu favorito: O monumento dos Hokages. Apesar de agora lhe deixar em certo conflito depois de tudo que havia descoberto. Após algum tempo ele chega numa conclusão... Continua...
----- CHAPTER BREAK -----
Já era noite quando o pequeno Uzumaki retornou para seu solitário apartamento. Sua cabeça ainda estava cheia, devido aos acontecimentos de mais cedo. É claro, o tempo que passou no Monumento dos Hokages ajudou a esclarecer um pouco as ideias e ter uma noção do que faria dali em diante, mas ainda assim tudo era muito confuso. Não seria fácil pra ninguém descobrir que o monstro das histórias, que havia atacado a vila e que todos temiam estava bem dentro de si. Que todos os olhares e palavras de ódio sobre ele havia algum fundamento, por mais que ele mesmo não fizesse ideia do fato até o dia de hoje.Pela primeira vez na vida não tinha fome. Parecia que ela tinha sumido junto com toda a certeza que ele tinha sobre a vida. Sendo assim apenas largou a bandana que havia recebido mais cedo, ao passar na prova, em cima da cadeira e seguiu em direção ao seu quarto, se tacando, por fim, na cama. Não que fosse de fato dormir. Apenas não tinha nada a fazer, não sabia o que fazer. Já estava assim algum tempo quando ouviu leves batidas em sua porta.-Como você está? -pergunta o Hokage ao entrar no quarto do menino, que apenas havia se sentado.-... -o garoto apenas deu de ombros, não muito a fim de falar. O que fez o mais velho suspirar de pesar.-Precisamos conversar. -anunciou, ganhando mais atenção do outro. -Sobre amanhã... Supostamente você não vai entrar em nenhum time.-O que?! -o jovem loiro se alarmou. -P-por quê? -pergunta indignado.-Alguém como você... Um jinchuuriki precisa de um treinamento especial... -confessou.-Por que até nisso preciso ser diferente?! Por que sempre preciso ser excluído?! -grita o garoto, fazendo o Kage arregalar os olhos, fazia tempos que o menor não agia assim.-... -a pena no olhar do Sarutobi apenas o deixava pior. -Sinto muito.-Arg! -o menino apenas taca o travesseiro no ancião, que apenas desvia, em resposta.-Naruto. -chama mas o Uzumaki se recusava a olhar para ele. -Eu consegui um jeito para que não precise ser assim.-Como? -simplesmente pergunta, um pouco curioso.-Não me subestime. Eu sou o Hokage afinal. -fala o Hokage sorrindo de leve, tentando amenizar o clima. -Baka-velhote. -resmunga o loiro. -Do que você está falando afinal?-Você vai poder fazer parte de uma equipe como os outros. -contou, conseguindo lançar um pouco de esperança nos olhos do menino. -Com uma condição: ao mesmo tempo você irá passar e se comprometer com um treino apropriado.-Mas...!-Sem mas. -rebate. -É a única forma de contornar a situação, Naruto. -tenta amenizar, pois a revolta no olhar da criança estava de volta.-Não existe outra? -pergunta em tom de súplica. -Não. -o garoto suspira desanimado ao ouvir a resposta. -Vá dormir, amanhã será um novo dia. Você conhecerá seus colegas de time e seu sensei. -mandou, depois bagunçou os cabelos do menino e se virou pra partir.-Está bem...-E arrume essas coisas. -falou já na porta. -Sei que as coisas não estão legais agora, mas depois elas vão melhorar. Eu prometo. -sorriu pro jovem antes de partir.-E quando isso vai acontecer? Você sempre fala isso... -murmura Naruto, sem botar tanta fé nas palavras do mais velho quanto fazia antes.Naquela madrugada o garoto não conseguiu dormir direito. As lembranças da conversa com o Hokage e tudo o que havia acontecido o atormentou durante toda a noite, não deixando que conseguisse dormir em paz. Por resultado, naquela manhã acordou cedo. Se arrumou e foi para a cozinha, como sempre não havia muita comida disponível. Comeu um dos últimos ramens que tinha e tomar o resto do leite. Depois foi rápido para a academia, não que estivesse atrasado, porém não queria ver muito aqueles olhares nesse dia. Por isso teve que esperar até todos chegarem e então que o Hokage fizesse seu pronunciamento e anunciasse as equipes genin.-Primeiramente gostaria de parabenizar a todos por se tornarem a mais nova geração de ninjas de Konoha! -elogia o Hokage. –Vejo que todos estão com suas bandanas. Muito bem. Agora vamos ao que todos vocês esperavam! Inicialmente irei enumerá-los, mas depois estes serão conhecidos pelo nome do jonin responsável. Eles são:Time 1: Tenten, Hyuuga Neji e Rock Lee.Jonin responsável: Maito Gai.Time 2: Yamanaka Ino, Nara Shikamaru e Akimichi Chouji.Jonin responsável: Sarutobi Asuma.Time 3: Hyuuga Hinata, Aburame Shino e Inuzuka Kiba.Jonin responsável: Yuuhi Kurenai.Time 4: Tsuchigumo Megumi, Kurama Ryuji, Sai.Jonin responsável: Mitarashi Anko.Time 5: Haruno Sakura, Uchiha Sasuke e Uzumaki Naruto.Jonin responsável: Hatake Kakashi.Ao ouvirem quem seriam seus companheiros houveram inúmeras reações. Muitos nunca haviam se imaginado ficar junto com essas pessoas. Para alguns isso já era previsível, mas mesmo assim torciam pra não ficarem. Tinham até mesmo aqueles que mal haviam se falado durante todos os anos letivos. E, é óbvio que para alguns fazia tanto faz. Quando terminou de revelar os times o Kage recomendou que se agrupassem e esperassem seus senseis juntos.-Não vai se reunir com seus colegas? –questiona Iruka parando perto do Uzumaki que estava sentado em um balanço afastado de todos. –Você está muito quieto hoje. É por causa de ontem? –pensa em como achava que talvez não fosse a hora e a forma do garoto descobrir. Mas só obteve silencio. Sendo assim, obrigado a desistir. Portanto se afastou, indo em direção aos pais que queriam falar com ele.-Ei! –alguém disse perto dele, tentando chamar sua atenção. –Naruto! Você não ouviu o que o Hokage falou?!-Eu estou de saco cheio de escutar esse velhote. –resmungou baixinho.-O queee?! Você não pode chamar o Hokage assim! –protesta Sakura.-Eu posso fazer o que eu quiser. –rebate Naruto.-Trio. –são chamados exatamente por quem estão falando. –Kakashi está esperando por vocês na cobertura. Ele disse que se vocês demorarem muito ele vai embora.-Por que ele não veio nos chamar? –Sasuke pergunta.-Ele não estava muito animado de interromper a briguinha de vocês. –revela Sandaime rindo um pouco.-Ai meu Kami! Demos uma primeira impressão horrível! –treme a Haruno nervosa.-Vamos logo! –exclama o Uchiha, apressando o grupo. E assim eles começaram a correr.-Naruto. –chamou Sarutobi como um aviso e recomendação.-Eu sei! –respondeu brusco antes de correr atrás do resto do seu time.Por causa disso todos os três chegam no terraço arfando. Tinham corrido quase que nem desesperados com medo do jonin já ter ido embora. Mas felizmente para eles o Hatake estava esperando apoiado na grade lendo um livro.-Aí estão vocês. Sentem-se. –pronuncia o ninja guardando o que estava lendo e focando sua atenção nas crianças a sua frente. –Como foi dito pelo Sandaime, meu nome é Hatake Kakashi e serei o jonin responsável pelo time de vocês. Apresentem-se. Digam seus nomes, hobbies, o que gostam, o que não gostam e seus sonhos para o futuro. Comece você da direita.-Meu nome é Haruno Sakura. Meu hobby é... O que eu gosto é... Meu sonho é... E o que eu não gosto é do Naruto! –contou Sakura, sendo que a cada pausa ela olhava para o Uchiha.-Meu nome é Uchiha Sasuke. Meu hobby é treinar, principalmente shurikens. Eu gosto de treinar com meu irmão, mas não gosto quando ele diz que não pode. Meu sonho é me tornar um shinobi mais forte que o Nii-san! –revela Sasuke, com uma pontinha de orgulho e sem jeito por falar tanto.-Meu nome é Uzumaki Naruto. Meu hobby.... Acho que são pegadinhas. Eu gosto de ramen. Eu não gosto... –parou um tempo pensando nos olhares que recebia. –Não gosto de quando não tenho dinheiro pra comprar ramen. Meu sonho.... Acho que não tenho nada assim. –termina com voz baixa.Todos ficaram surpresos e confusos ao escutar isso. Ele não era o garoto que gritava aos quatro cantos que ia se tornar Hokage? Que ia superar todos os outros? Por que de repente ele dizia que não tinha sonhos? Qual seria a verdade?-“Parece que peguei um time complicado. Uma só pensa em garotos. Outro só pensa no irmão. E o último parece estar perdido. Será que eles vão dar certo?” –se perguntava. –Amanhã, pouco depois do sol nascer estejam no campo de treinamento 3. Teremos um pequeno teste.-Que? Por quê? Nós não acabamos de nos formar? –pergunta a rosada indignada.-Um teste? Pra que? –pergunta o moreno, indo direto ao ponto.-Vocês saberão amanhã. Fora isso, tratem como uma missão. –o de cabelos brancos deixa no ar. –Ah! Quase ia esquecendo! Não tomem café da manhã. –avisa antes de desaparecer em fumaça.-Ai céus, esse sensei... Dá pra acreditar nisso? –reclama Sakura balançando a cabeça, enquanto eles andavam indo embora.-Bem, já que não sabemos o que irá acontecer. Talvez fosse bom almoçarmos juntos, pra nos conhecermos melhor. Aí poderíamos pensar no que poderia acontecer amanhã e nos preparar. –sugere o Uchiha.-Verdade, Sasuke-kun! É uma ótima ideia! Não é à toa que você era considerado o melhor aluno da turma! –concorda a rosada animada com a proposta.-Onde vocês querem comer? –pergunta, tentando decidir o assunto de uma vez.-Eu passo. Vão vocês. –fala o Uzumaki indo em outra direção após saírem pelos portões da academia. Lá fora as pessoas os encaravam, analisando e estranhando o grupo. O garoto desconfortável preferia ir embora e assim o fez. Deixando rapidamente os outros dois pra trás.-O que tem de errado com ele? Ele podia pelo menos ficar mais um tempo com a gente. Somos um time agora afinal, caramba! –fala Sakura irritada com o comportamento do loiro.-Deixa pra lá, Sakura. Esse cara está estranho o dia inteiro. –intervém o Uchiha.-Verdade. Será que tem haver com o que aconteceu ontem? –se pergunta lembrando da estranha cena após a prova.-Não sei. Talvez. Olha como estão olhando pra ele. –o outro comenta, enquanto viam o terceiro membro se afastar abrindo caminho na multidão. Pela primeira vez observando como os outros olhavam para o loiro.Depois um tempo, quando já o tinham perdido de vista desistiram. E seguiram seus caminhos, já não tão animados a almoçarem juntos, indo por fim cada um pra sua casa após debaterem o que poderia acontecer um pouco pelo caminho. Já em casa o loiro se arrependia do leite que havia tomado. Estava estragado, só podia, pois estava passando mal. Aquele dia ele passaria todo no banheiro se remoendo disso.
----- CHAPTER BREAK -----
Naquela noite o garoto custou a dormir, mas acabou apagando por exaustão em algum ponto devido a anterior, em que ele dormiu muito mal. Apesar de estar exausto não foi exatamente um sono tranquilo. Pesadelos, dos mais terríveis, vieram assombrar os sonhos da criança, uma mistura de lembranças e ficção dos piores momentos que já viveu naquela vila com seus habitantes. Dentro do sonho eles o perseguiam, estava tudo escuro, sem lua no céu, todas aquelas pessoas ou tinham tochas em mãos ou pedras, clamavam vingança pelas pessoas que amavam, pessoas perdidas pelo ataque da besta.
“AGORA QUE VOCÊ JÁ SABE, ENTREGUE-SE E PAGUE PELAS VIDAS QUE TIROU! NÃO ADIANTA TENTAR NOS ENGANAR POIS VOCÊ É O MONSTRO!”
Com essas palavras Naruto acordou no susto sentando-se e curvando-se, ainda sentindo o medo da fuga daqueles loucos que o perseguiam em seu sonho. Demorou um pouco até conseguir se acalmar ao ponto de conseguir se mover. Levantou a cabeça e olhou em direção a janela, ainda era tarde da madrugada, mas a lua já estava bem mais baixa, indicando que ainda faltava pelo menos uma hora e pouco antes do sol nascer.
-... –o menino suspirou antes de levantar e desligar o despertador, agora inútil. –Pelo menos essa hora não deve ter ninguém nas ruas... –forçou um sorriso fraco enquanto terminava de se trocar e saiu, andando rapidamente pelas ruas até o campo de treinamento indicado no dia anterior.
Foi fácil chegar até lá, afinal conhecia praticamente toda a vila de cor. De tanto que já andou por ela na tentativa de despistar aqueles que o queriam mal ou apenas evitar vê-los mesmo, foi obrigado a aprender a não chamar atenção para poder sobreviver. Balançou a cabeça pra parar seus pensamentos, depois do que tinha sonhado era melhor evitar, precisava tentar manter a cabeça no lugar, tinha uma sensação ruim sobre o que quer que fosse o tal teste que o Sensei falara. E suas experiências de vida diziam que seus instintos eram umas das poucas coisas que podia confiar naquele mundo. Sabia que ainda iria demorar até os outros de seu time chegassem então foi até uma arvore mais afastada da vista do caminho até aquele lugar e se acomodou em um galho.
-Nossa, por que esse lugar é tão longe? E porque o Sensei não nos deu nenhuma instrução pra chegar aqui? –Sakura reclamava enquanto ela e o terceiro membro chegavam juntos na clareira do campo de treinamento
-Porque ninjas devem ser capazes de chegar em qualquer lugar com o básico de informação possível. Você devia saber disso. –o Uchiha respondeu, enquanto bocejava.
-Eu sei! Mas custava o Kakashi-sensei tentar pelo menos ser mais simpático? Poxa vida! –a menina continuou. Ela estava claramente revoltada, o que fez o colega ao lado soltar uma risada, que rapidamente abafou. –Não ria, Sasuke-kun! É sério! Minha mãe ficou até assustada quando me viu acordar esse horário.
-Imagino, afinal você estava tão zonza de sono que não conseguia nem andar em linha reta, inclusive estava girando em volta da praça que fica entre o caminho das nossas casas e esse lugar. –Sasuke zombou da garota com um sorrisinho superior. –Provavelmente ainda estaria lá se não tivesse me encontrado!
-Para, Sasuke-kun! –a garota gritou corada pelas provocações inesperadas do outro. –Falando em chegar, cadê os outros? Já está perto da hora, não?
-Hm, ainda não na verdade. –o moreno respondeu olhando o local de relance, Naruto se escolheu no meio da folhagem, não estava com vontade de falar com alguém.
-Sério? –a rosada riu sem graça. –Né, Sasuke-kun, pensou em alguma possibilidade do que pode ser esse teste? –iniciou o assunto do dia anterior. Eles ficaram bastante tempo debatendo o que poderia ser o tal misterioso teste de Kakashi. Mas mesmo assim não durou toda a espera, pois o sol já subia bem alto no céu e nada do Jounin.
-Está atrasado! –acusa Sakura ao ver o sensei chegando.
-Eu sei, mas tive que mudar de caminho porque um gato preto passou na minha frente e depois precisei ajudar uma velhinha necessitada... –desculpou-se o Hatake. –Então, estão todos aqui. Vamos começar?
-Mas, sensei, falta o Naruto! –contesta a Haruno, confusa com a afirmação.
-O Naruto? Serve aquele ali? –indicou onde o loiro estava, que coincidentemente caiu da arvore, pois havia cochilado e seu peso foi pra um único lado, causando a tal queda.
-Ah! É o Atrasildo-sensei. –comentou ao ver de cabelos brancos acinzentados. –E os dois inteligentes barulhentos. –caminhou até eles, deixando certas manchas escuras abaixo dos olhos visíveis, coisa que os outros 2 genins também tinham um pouco.
-Ué? Vocês três não conseguiram dormir por acaso? –perguntou Kakashi ao reparar. –Estavam ansiosos?
-Claro! –afirma Sakura emburrada.
-Também a forma que você falou sobre hoje não ajudou muito, sensei. –aponta o Uchiha com uma cara de tedio. Apesar de os colegas terem se expressado o Uzumaki apenas deu de ombros.
-Bem, já passou da hora de começarmos. –iniciou o Hatake, sendo encarado pelos 3 alunos que denunciavam de quem era a culpa. –Hoje faremos um exercício de sobrevivência.
-O que?! –todos os três quase caem pra trás com a descoberta, mas foi a de cabelos rosas que expressou verbalmente a surpresa. –Mas, Sensei! Já fizemos esse tipo de exercício várias vezes na academia! –protesta, sendo apoiada pelos colegas que afirmavam com a cabeça.
-Não como esse. Deixem me terminar de explicar. –exige silêncio enquanto pega um par de guizos de seu bolso. –O objetivo de vocês é pegar um desses guizos. Pensem neles como uma garantia de vida, caso de vida ou morte. Para pegá-los terão que vir sérios, como se para me matar. Somente se conseguirem que estarão aprovados. Ah! E quem não conseguir ficará sem comida. Vocês têm até 12:30.
-Mas, Kakashi-sensei... Só tem dois sinos... –fala Sakura juntando as duas mãos em nervosismo.
-Isso significa que só dois de nós irão passar? –questiona Sasuke confuso, mas o sensei só sorriu por baixo da máscara em resposta.
-Vamos começar? Prontos... Vão! –deu o sinal pra eles se dispersarem, nesse tipo de situação o correto era se afastar, se escondendo até a hora certa. O mais velho observou ao redor avaliando como eles haviam se saído até que notou algo errado. Tinha alguém que não havia feito exatamente isso. Na verdade, um eles estava se afastando, em alta velocidade. O Hatake arregalou os olhos e partiu em direção a esse fugitivo, fazendo os outros dois estranharem e o seguirem, mas a diferença de velocidade e distancia era grande.
Ao ouvir as circunstâncias e propostas do teste o pequeno Uzumaki notou que tinha algo errado, uma armadilha cruel, tanto que ele não esperava. Era claro que alguém não ia passar, era muito claro que em momento algum ele tinha tido alguma chance de fazer parte daquela equipe. O Hokage o tinha avisado. Porém não imaginava que o forçariam entender sua posição de tal forma, mesmo se fosse pra ele era cruel demais. Não queria fazer parte disso, se era assim era muito melhor ir embora. Desistir da esperança tola de ser aceito.
-...! –com a gigantesca experiência de fugir de alguém ele não demorou muito pra notar que estava sendo seguido. A raiva da armação estava bem presente, tanto que resolveu fazer uma pequena pegadinha pra se vingar daquele que o queria fazer de idiota e que provavelmente se sentia como todos em relação a ele.
-NARUTO! –chamou o jounin assim que avistou o loiro. –Se você ir embora todos serão reprovados. E será sua culpa. –avisou.
Quando o jounin alcançou o garoto, que surpreendentemente demorou um pouco mais do que esperava inicialmente, este já estava parado, provando que havia notado que o adulto estava vindo atrás de si a algum tempo. Estranhando e surpreso o mais velho se aproximou e tocou as costas do menino que se virou de cabeça baixa.
-Por quê? Por que você fez isso, sensei? –o jovem perguntou com voz baixa. –Isso não é um exercício. Você está nos separando... –acusa, sentido. Causando espanto no albino, ele notou o que ele realmente estava tentando fazer? –Você fez isso... –havia angústia e mágoa no tom que usava. –Você é como todos os outros, não é mesmo...? –levantou a cabeça manifestando estar com os mesmos traços que seu bushin no exame de graduação, traços bestiais com os olhos vermelhos.
-Nani?! –Kakashi automaticamente se afastou em posição de batalha, pronto pra atacar a qualquer momento.
-Eu sabia... –o outro estranhamente abriu um sorriso. Mas este era repleto de tristeza. –Você também me odeia. –afirmou com tom sério.
-Naruto eu... –o Hatake rapidamente se arrependeu, e novamente chegou perto tentando consertar o erro que fizera. Mas foi surpreendido com outro loiro surgindo e quase pegando os guizos presos em sua cintura, ele agarrou o pulso deste e olhou pro que estava a sua frente que voltou a sua forma natural, sorriu e desapareceu. Nesse instante de distração o outro pegou uma kunai na manga de seu braço livre quando este foi também foi bloqueado e segurando na parte da lamina, mas conseguindo cortar os guizos e chutá-los com o pé na direção dos outros dois que tinham acabado de surgir, que os pegaram na surpresa. O de olhos azuis olhou pro mais velho desafiador e com um sorriso de lado vencedor antes de desmaiar.
Ainda abalado o ninja experiente os levou até onde haviam 3 troncos, o mesmo campo que ele mesmo já havia feito essa mesma prova. Amarrou o garoto rebelde no do meio e entregou aos outros um bentô, dando permissão para comerem antes de se afastar para longe onde ficou os observando imerso em pensamentos. Como aquele moleque havia completar o objetivo do teste entregando os guizos pros outros? Ele havia realmente entendido a armadilha do teste. Impossível, nem os maiores gênios que passaram por esse teste o conseguiram.
Alguns minutos se passaram e Naruto acordou atordoado, ficando agitado ao perceber que estava preso.
-Ei, cara, calma aí. Se se mexer tanto vai se machucar! –avisa Sasuke ao notar que o colega havia despertado.
-O que aconteceu? –perguntou o loirinho.
-Depois de mandar os guizos na nossa direção você desmaiou, aí o sensei trouxe a gente pra cá. –explicam os outros dois.
-Hum... Foi ele que me prendeu aqui né? –resmungou Naruto.
-Sim. –Sakura confirmou e lembrou da comida em seu colo. –O Sensei disse que você não vai poder comer, como punição. Sinto muito...
-Tanto faz.–o garoto amarrado respondeu rude. Mas logo seu estomago roncou. –Não preciso disso. –reforçou. As outras duas crianças olhavam pra ele não muito convencidas, ficando tensas ao ver o outro ficando cada vez mais pálido e parecendo prestes a perder a consciência novamente.
-Naruto! –chama Sasuke. –Que não precisa o que! Você está passando mal de fome!
-A quanto tempo você não come?! –questiona Sakura, ela e o Uchiha agora prestavam completamente atenção no loiro.
-Não é da conta de vocês! –rosna. Mas era obvio o esforço que fazia pra falar.
-Toma! –Sakura estende uma porção de comida, mas o Uzumaki se recusou a comer virando o rosto.
-Eu não preciso da piedade de vocês! –Naruto gritou com olhos brilhando com raiva.
-Isso não importa! –o Uchiha perde a paciência e enfia um punhado de comida na boca do loiro quando está ainda estava aberta. –Coma! –mandou fuzilando o outro.
-O que vocês pensam que estão fazendo? –indaga Kakashi aparecendo repentinamente, fazendo os que estavam com a comida se lembrarem da ordem de não o alimentarem. –Vocês quebraram as regras.
-Ele estava passado mal. –respondeu Sasuke sério. Ele não tinha nada para se envergonhar ou se arrepender. Se ele não ajudasse um colega quando este mais precisava, sua mãe iria ficar muito decepcionada com ele quando soubesse disso.
-É! Não podíamos deixar ele assim! –fala a Haruno, seguindo o mesmo pensamento.
-... –o de cabelos cinzas olhou bem pra o trio, avaliando suas expressões, mantendo uma feição séria. –Vocês passaram. –anuncia, sorrindo.
-Quê? –os jovens exclamaram juntos pegos de surpresa.
-Está falando sério? –questiona Sasuke.
-Mas nem conseguimos pegar os guizos... –diz Sakura, se referindo a ela e o moreno.
-Você está brincando, não é? –pergunta Naruto com um olhar irritado e revoltado, ao contrário dos outros ele realmente duvidava do que havia ouvido.
-Não. Eu aceito vocês. Agora nós quatro oficialmente somos um time. –responde Kakashi, não entendendo a reação do garoto loiro. –Se eu aplicar outro teste você vai aceitar o resultado? –resolveu entrar no jogo pra ver o que aconteceria.
-... –o Uzumaki estreitou os olhos, que tipo de pegadinha era aquela? Aquilo tudo não havia sido o suficiente, precisava ser de forma pior?
-Não, sensei! –se alarma Sakura, passando a olhar de um pro outro como se fossem malucos de discutir isso.
-Vocês não podem estar sérios sobre isso... –Sasuke incrédulo, fazendo quase o mesmo gesto que a colega, só que muito menos obvio. Mas apenas quem respondeu a isso foi o mais velho, que deu um breve sorriso sob a máscara, o menino loiro apenas ignorou continuando a encarar o outro em desafio.
-Tarde demais. Agora todos terão que participar. –diz Kakashi. –Dessa vez será simples. Vocês apenas terão que me acertar um golpe direto. Valendo apenas na cabeça, tronco ou costas. Não conta aqueles defendidos ou de raspão. Somente os que não foram, de forma alguma, impedidos. E apenas o primeiro acerto valerá, independente de quem o faça. Mas isso apenas contará se vocês fizerem da forma certa, possuindo apenas uma. Fora esses detalhes as outras regras também se aplicam. –explicou. –Porém só aconteceria se todos estivessem livres...
-Se eu conseguir de bater vai me deixar ir embora? –o loiro pergunta, como se entediado e impaciente. Após receber um aceno positivo o menino força os braços pra frente, para conseguir fazer um selo, o que teria machucado bastante se ele não estivesse de casaco. –Kage bushin. –sussurrou, fazendo um clone surgir e rapidamente cortar as cordas com uma kunai. –Pronto.
-...! –os outros dois genins olhavam pra ele com os olhos arregalados, surpresos com uma técnica de clone físico. Mas o outro não entendeu o motivo da surpresa, ficando confuso, pois todos tinham aprendido técnica de clones na academia.
-Vamos lá então. –anuncia Naruto preparando pra correr na direção do ninja mais velho, que já havia se afastado um pouco.
-Ei! Você tem certeza que esta melhor? Não comeu quase nada! –lembra Sakura de repente.
-Verdade. Assim você será um empecilho pra gente. –diz Sasuke.
-Eu...! –o Uzumaki ia prontamente responder irritado, mas não pode terminar de falar pois segurou o que foi jogado pra ele.
-Eles têm razão. Comam, após disso começamos. –disse Kakashi indo se sentar sob um monumento de pedra ali perto e pegando seu livro.
-... –o loirinho fuzilou o mais velho antes de voltar sua atenção ao bentô, olhando-o desconfiadamente. E então pegou o da pessoa mais perto, entregando o que havia recebido.
-Naruto! –exclama o Uchiha ao notar a troca. –Por que fez isso? Devolve a minha comida!
-Por quê? Esse tem mais. –o garoto respondeu, comendo o que era o do moreno sem se importar. E quando o outro resolveu parar de discutir e estava terminando de comer, ele completou. –Além disso esse podia estar envenenado.
-E você avisa agora?! –se exalta Sasuke após cuspir a última porção que havia colocado na boca, indignado.
-Pff... –Naruto esconde a boca com a mão em punho, tentando abafar sua risada. O que desarmou o outro, já que até o momento o Uzumaki não havia mostrado nada parecido com sua personalidade usual. Mas não durou, quando este abriu os olhos novamente eles não mostravam nada dessa alegria momentânea. –Vamos terminar isso de uma vez. –declarou olhando pro sensei, logo indo em sua direção.
-Não ache que dessa vez vai me pegar despreparado. –avisou o Hatake, se referindo a quando o menino havia pegado os guizos, logo ao parar o soco do garoto com a mão.
Com uma das mãos presas, Naruto usou a mão esquerda para tentar um novo soco, mas também foi bloqueado. Já que agora não podia usar nenhuma mão ele tentou pegar impulso, pulando e girando para chutar a barriga de Kakashi, mas não deu certo novamente. Frustrado o menino olhou nos olhos cinzas do mais velho, os olhos azuis estavam ficando turvos, mas uma pequena chama de raiva começava a aparecer. Foi quando ele fez sua última tentativa, quase pegando o mais velho com uma cabeçada, que conseguiu reagir rápido e o jogou pra longe.
-'Kuzo...' -Naruto cerra o punho. –'Esse maldito sensei... Ele vai pagar por tudo isso...!' –frustrado com toda a situação, os sentimentos que estavam intensos desde a ultima prova da academia se misturam, fazendo-o querer descontar tudo em alguém. A ideia de perturbar alguém nunca pareceu tão atraente, o que fez um sorriso distorcido brotar em seu rosto. –Kage bunshin. –criou 8 clones, partindo em direção ao professor, se misturando enquanto corriam. Os ataques que se seguiram após isso não tinham padrão ou qualquer lógica aparente. Coisa que deu, incrivelmente, trabalho pro jounin, já que era imprevisível, já não tinha certeza do objetivo do ataque, até que um dos clones repentinamente se afasta, com um sorriso vitorioso no rosto.
-‘Selvagem.’ –resumiu o Hatake em pensamentos, sobre o menino, até que notou que um deles se distanciava. –‘O que ele está aprontando agora?’-mas arregalou os olhos ao ver o que este segurava.
-Tudo bem se eu destruir isso daqui, “Sensei”? –perguntou de olhos fechados, com tom de deboche na última palavra, seu sorriso havia mudado para um traiçoeiro, enquanto sacudia levemente o livro mais recente da coleção Icha Icha, que o ninja de colete, ainda não havia terminado de ler.
-‘Quando ele...?’ –se pergunta surpreso. –Pode destruir se quiser. Posso facilmente comprar outro. –blefou para descobrir o quão sério o menor estava.
-Ah é? –o loirinho olha pro livro. –Tudo bem. –segurou com força e começou a dar impulso pra direções opostas com as mãos pra rasgar o livro ao meio.
-! –o Hatake se alarmou ao ver isso e parte de si estava entrando em desespero pelo seu precioso livro.
-‘Uma abertura!’ –percebeu Sasuke, lançando várias shurikens que acertaram o sensei pelas costas, o que fez com que Naruto parasse o que estava fazendo e Sakura ficasse nervosa.
-Ele conseguiu! –sussurrou a rosada. –Kawarimi? –reparou ao ver o corpo atingido se transformar em um tronco de madeira.
-Isso é meu. –diz Kakashi ao aparecer atrás de Naruto e pegar o livro em sua mão que logo vira um clone e desaparece.
-Achou mesmo que ia ser fácil? –perguntaram todos os 8 Narutos restantes juntos, todos com livros na mão.
-‘Acho que isso realmente vai dar trabalho...’ –pensa ao observar a situação. –‘Naruto já provou que não liga de realmente destruir meu livro, e agora o pequeno Uchiha entrou na luta também, e em questão de técnicas ele está na frente, porém o outro é muito imprevisível pra ignorar...’ –tenta resolver o dilema que se formava em sua mente: dava prioridade pro livro ou pro seu teste?
-Katon: Goukakyuu no Jutsu! –Sasuke lança o jutsu, num aviso silencioso pra não o subestimar e ignorá-lo.
Os loiros e o Uchiha basicamente o haviam cercado, deixando apenas um caminho livre, que coincidentemente dava na Haruno. Logo quando o Hatake estava pensando em pegar o livro primeiro, para acabar com a distração, Naruto mudou sua postura novamente, guardando os livros e avançando na direção do albino. Se amontoando em cima dele, tendo agora bem mais que os 8 originais. Estranhamente depois de um tempo dois se afastam.
-Vencemos, Sensei. –um desses dois declara. Fazendo a concentração de Kakashi se voltar pra eles, se esticando no meio do amontoado de loiros pra olhar para esses dois. Que pouco depois se revelam sendo a Haruno e o Uchiha, fazendo o mais velho perceber que aqueles que ele achava ser os dois na verdade eram apenas clones ilusórios.
-‘Eles aproveitaram a minha distração com o Uzumaki pra colocar esse pequeno plano em ação. Não foi combinado, mas instintivamente eles usaram uns aos outros como apoio pra conseguir um objetivo. Talvez eles sejam mais promissores do que eu imaginava. O único problema é...’ –sua linha de pensamento foi cortada ao ter que se desviar de mais uma tentativa de golpe do loiro. –Já chega. Acabou. –disse sério, mas o garoto não parou, tentando se soltar do mais velho. –Naruto! –chamou, fazendo o outro olhar pra ele, e ele não reconheceu os olhos. A quantidade de raiva e revolta que havia ali, não era o que se esperava de uma criança que cresceu num momento sem guerras. Mas antes que ele pudesse analisar melhor o mais novo mudou o olhar, escondendo e aparentando que nada disso nunca existiu, e pego de surpresa levou um chute na canela antes de soltá-lo.
-Droga. Esse não vale. –o menino resmungou, referindo-se as condições dos golpes. –Eu perdi. Não tenho escolha a não ser aceitar, não é mesmo? –abaixou a cabeça, se distanciando do sensei. -Eu ainda bato em você, Kakashi. –declarou após jogar o livro que havia roubado, sem mais interesse nele.
-Ei! Naruto! Ele é nosso sensei. Não pode chamar ele assim! Tenha um pouco mais de respeito! –exclama Sakura indignada com a atitude do loiro. Que bufou indiferente, deixando-a mais irritada. –Seus pais não te deram educação?! –quando gritou, um flash de algo sombrio passou pelos olhos azuis antes dele se virar, acenando antes de ir embora.
-Isso foi cruel, Sakura. –comenta Kakashi olhando pra onde o garoto havia ido. Sakura os olha confusa. Mas rapidamente Sasuke complementa.
-Naruto não tem pais, Sakura. Ele é órfão.
----- CHAPTER BREAK -----
Naquele mesmo dia, em um ambiente diferente, o início do teste do ninja de cabelos platinados era observado por uma bola de cristal, na verdade bem antes de ele começar de fato. O usuário dela, um senhor com vestes vermelhas e brancas, estava contemplativo e atento aos eventos que se seguiam. Porém suas preocupações foram interrompidas por uma batida na porta.
-Entre. –Hiruzen levantou a cabeça para ver o visitante. –O que houve, Iruka?
-Eu gostaria de falar com o senhor... –o mais novo começa meio sem jeito.
-É sobre seu ex aluno problema? –o velho acerta na mosca. –Está preocupado com ele?
-Sim. Eu não acho que aquela tenha sido a melhor forma dele ter descoberto sua situação...
-Eu sei. –Sarutobi concorda olhando pela janela. –Mas naquela situação era o que devia ser feito, se mentíssemos seria pior quando descobrisse a verdade.
-O que vai acontecer com ele? –Iruka pergunta com curiosidade, embora ele não fosse próximo do menino, ninguém era.
-Ele vai ter que ficar forte. –o outro ninja balançou a cabeça assentindo, ambos sabiam que isso provavelmente não seria uma escolha.
-Por que você juntou eles? –o moreno pergunto olhando pra bola de cristal que ainda estava em efeito do jutsu, que mostrava o teste de Kakashi ao time.
-Por que a pergunta? –o mais velho quis saber.
-Não sei... Não parece que vai dar certo, eles... Sabe? –o de cabelos preso fala intercalando seu olhar pensativo entre a bola e o Sandaime.
-Sim, vai ser um time complicado de interagir. –concorda e volta a olhar para o que acontecia dentro do cristal, onde o conflito entre o de cabelos platinados e o menino loiro era mostrado.
-Então por que...? –o Chūnin questiona novamente.
-Exatamente por isso. –o mais senhor afirma fazendo o jovem se virar pra ele assustado. - Kakashi nunca mais foi o mesmo depois de perder os membros do seu time, um por um. Só foi piorando. Sasuke é mais na dele e orgulhoso, porém costuma ser gentil e se preocupar com aqueles próximos dele. Sakura tem bom coração apesar da vontade forte e ser levemente egocêntrica, pode ser quem manterá eles juntos. Naruto é extremamente rebelde e solitário, por isso tem dificuldade de aproximação, fora que apesar de não demostrar guarda grande rancor e mágoa em seu interior. Espero que eles se ajudem, acredito que são os únicos que podem salvar um ao outro. Se conseguirem, creio que serão uma combinação imbatível. –confessa Hiruzen, embora não se aprofundando tanto nos seus verdadeiros pensamentos.
-... –o de cabelos preso assente, sem falar muito, talvez por ter se surpreendido com a resposta do líder. Mas antes que sequer pudesse pedir para falarem mais sobre o assunto a porta do escritório foi aberta após uma leve batida e por ela entrou um ninja, que o Umino reconheceu como um dos que trabalhavam na torre.
-Hokage-sama, todos já estão esperando na sala para a reunião que o senhor convocou. –o shinobi avisa após um reverencia.
-Obrigado por avisar, Isao. Irei para lá agora mesmo. –Hiruzen diz para o homem que acenou e se retirou. –Foi bom conversar com você, Iruka.
-Foi uma honra, Sandaime-sama. –o mais novo se curvou e foi embora, provavelmente de volta para a academia.
-Está na hora hein? –diz pra si mesmo olhando uma ultima vez para o globo, vendo o menino de quem iam falar desmaiar nos pés do ninja copiador e ser levado para os troncos, antes de desfazer o jutsu e se retirar do cômodo indo em direção a sala de reuniões do conselho.
-Está atrasado, Hiruzen. –os seus dois conselheiros falam em coro quando este entrou a sala e foi para seu lugar a mesa.
-Eu sei. Sinto muito. Tive que resolver um último assunto antes de vir. –o Sarutobi explicou enquanto colocava seu chapéu de Hokage sobre a a mesa. –Vamos começar a reunião? –todos concordaram.
-Precisamos decidir como vamos lidar e o que faremos com Uzumaki Naruto a partir de agora. –se pronuncia Shimura Danzo, chamando atenção para si.
-Exatamente –Homura, o conselheiro homem, concorda prontamente.
- E já estava na hora! O tempo que ele tinha certa liberdade já acabou. –Koharu, a conselheira mulher se pronuncia em seguida. -A prova disso é que a raposa já começou a se manifestar, como foi relatado no exame de graduação.
-O selo está se deteriorando muito antes do previsto. –o outro conselheiro complementa, temeroso. -O selo usado por Minato deveria só ir enfraquecendo aos poucos sozinho daqui a pelo menos 3 a 4 anos. Só então a Kyuubi poderia se manifestar por conta própria, sem qualquer treinamento ou vontade do jinchuuriki.
-E o fato dele saber sua condição agora pode ser como uma lâmina de dois gumes, devido a personalidade imprevisível e instável. –a conselheira pondera, olhando para os papeis a sua frente, mais especificamente o que relatava a prova do garoto.
-Essa personalidade dele sempre foi um grande problema. Nunca se dá para saber exatamente o que ele está pensando. -concorda Mitokado, fazendo o mesmo, porém também olhando para o histórico.
-Você criou uma bomba que pode explodir a qualquer momento, Sarutobi. –Koharu declara, com uma certeza inegável, sendo apoiada por seu companheiro. –Com a forma que insistiu que ele crescesse.
-O que vocês queriam? Preferiam que ele não possuísse nenhum sentimento? Como os anbus NE? –questiona Hiruzen.
-Seria melhor do que esse caso. –argumentam os conselheiros, se revezando claramente na hora de falar. –Ele é um jinchuuriki, deveria saber se portar como tal.
-Por Kami, ele é apenas uma criança...
-Ele nunca foi uma criança, nem será. Você sabe disso. –os conselheiros fuzilam o Hokage com o olhar.
–Você se lembra, não é? Do quão rápido o menino consegue mudar ou esconder o que seus olhos demostram. –relembra Danzo.
-Nenhum humano já nasce possuindo uma habilidade dessa. Apenas a conseguem quando ensinados. –Homura Mitokado, afirma, deixando subentendido o quão não humana eles consideravam a “criança”.
-... –Hiruzen ficou em silencio.
-Fora que a população não está satisfeita com a situação, desde o princípio. –afirma a única mulher presente. –Deixar o menino solto por aí trouxe vários problemas.
-Deixamos que fosse como queria até agora. E como o acordado a partir de agora, com o despertar da Raposa, as coisas serão resolvidas unicamente com o foco o bem da vila e da nação.
-Precisamos resolver isso logo. Não tenho a tarde toda. –Homura reclama, já sem paciência para enrolações. –Temos que decidir o tutor responsável por um treinamento adequado para o jinchuuriki.
-Eu pensei em Jiraya. Por ser um sannin e ter o modo sábio dos sapos do Monte Myōboku conseguiria lidar bem com esse caso.
-Exceto que ele já poderia estar lidando com isso a anos, já que deveria ter ficado responsável pelo menino após a morte do Yondaime. Mas mesmo assim não retornou a vila ou se responsabilizou. O que mudaria agora? –aponta a mulher sem qualquer piedade.
-Nós conversamos enquanto lhe aguardávamos. Danzo se dispôs a ficar encarregado dele, assim como anos atrás. –anuncia o conselheiro, deixando claro no seu tom sua opinião sobre o tema.
-Seria o ideal alguém de punho mais firme e centrado ficasse ao encargo disso. –aponta Koharu, olhando para o Hokage.
-Eu não acho que... –Hiruzen não gostava da ideia. Ele sabia o quão rígido o outro era e não queria, nunca quis isso pro garoto, por isso sempre adiou essa conversa.
-Por que não fazemos à sua maneira e deixamos o garoto escolher? –sugere o Shimura de maneira imparcial, encurralando o Sarutobi contra o próprio orgulho e decisões.
-Assim será então. –todos concordaram e mandaram alguém para chamar o jovem.
·De volta ao presente...
Passos apressados ecoavam em meio as arvores. Mas logo pararam. Afinal por que a pressa se não tinha nada pra fazer o resto do dia nem alguém em casa esperando? O pequeno garoto suspirou e se fez continuar andando, mais calmo dessa vez. Pensando em que caminho ele deveria seguir, afinal ele ontem viu o quanto a vila gostou de ele ter se tornado um genin.
-Uzumaki Naruto. –escutou alguém o chamar, o que era um bom sinal, afinal as ameaças não falavam com ele, então levantou o olhar. Era um Anbu, muito mais alto que ele e com uma máscara de ave. –O Hokage-sama mandou lhe chamar a sua sala. –continuou ao receber atenção.
-Ah... –sua espinha gelou ao relembrar sua situação atual. Não esperava que o Hokage ia falar do tal treinamento tão rápido. Engoliu em seco, nervoso. –Está bem. Depois eu passo lá.
-Você deve ir lá imediatamente. –o mais velho rebateu.
-Não dá. Estou ocupado agora. –começou a criar uma desculpa, ele apenas não queria ter que escutar o que quer que o cara de chapéu fosse falar agora. Então começou a olhar em volta, buscando alguma coisa que pudesse dar alguma ideia. Foi quando viu uma cabeleira rosa e uma morena vindo em sua direção. Bem isso serviria. –Eu já tinha combinado de ir comer com meu time. Só estava esperando eles. Hehehe... Tenho que ir! –mentiu e praticamente correu em direção a dupla os arrastando com ele. –Só colaborem. –pediu quando um deles ia perguntar o que estava acontecendo.
-Você aprontou alguma coisa não foi? –Sasuke, pergunta, deduzindo o que devia ter acontecido, após eles pararem já com os prédios da cidade a vista.
-Provavelmente. –Naruto responde, o que fez os colegas começarem a pensar como seria a vida deles tendo um membro rebelde no time. Mas resolveram não se envolver, afinal não haviam escutado que o Hokage o havia chamado, se não o mandariam ir lá na mesma hora.
-Naruto... Eu queria pedir desculpas por antes... –se pronuncia a Haruno, sem graça.
-Por quê? Não foi nenhuma mentira afinal. - Naruto olha pra ela sem entender, fazendo-os ficarem confusos.
-Mas não foi legal da minha parte! Sinto muito! –a menina insistiu.
-Tá... –agora o loiro parecia achar que ela era estranha. O que ela havia feito de errado pra estar se desculpando afinal? Ele não entendia. –Onde vamos comer? –perguntou, surpreendendo a dupla, pois o mesmo tinha recusado comer com eles anteriormente.
-Tem uma loja de dangos aqui perto. –sugeriu o Uchiha, se lembrando que seu irmão sempre dizia que comer dangos era a melhor forma de criar laços.
-Doce? –Sakura, sussurra pra si mesma, não acreditava no que havia escutado. ‘Quer dizer que o Sasuke-kun gosta de doces? Nunca teria imaginado... Shanaroo!’. –Pode ser! –concorda apesar de na verdade não ser muito fã disso.
-Eu nunca provei... –Naruto falou após o colega o encarar querendo uma resposta a sua proposta.
-O que? Como? –Sasuke surpreso encara o outro como se tivesse brotado outra cabeça nele.
Assim foram andando rindo, descobrindo que o menino sequer sabia o que eram dangos e falando que tinham que apresentar a ele as “coisas boas da vida”. Esse foi um dos primeiros bons momentos que o loiro passou com alguém da mesma idade. Embora ele não tivesse falado muito de fato, mantendo a guarda alta, pouco a vontade e, principalmente, sem saber o que fazer. Graças a sua atenção estar na conversa ele não ficou prestando tanta atenção às pessoas a sua volta e como o olhavam.
-Eeeei! –escutaram uma voz feminina gritando. –Não ouse me ignorar, Testuda! –alguém pula em cima da Haruno.
-Ah! Uma porca. –a rosada fala olhando pra loira, estranhamente calma.
-Sua...! –a loira praticamente rosna pra outra e as faíscas eram quase visíveis.
-Yo! –acena Shikamaru se aproximando junto com Choji. Os olhos do mesmo percorreram o grupo, cruzando os mesmos com os de Naruto, ele logo notou que algo estava estranho, mas antes que conseguisse analisar está anomalia desapareceu.
-Estavam com o Sensei de vocês? –Choji pergunta, parando do lado do amigo com um pacote de batatas em mãos.
-Sim, o mesmo pra vocês certo? –diz Sasuke, recebendo um aceno positivo.
-Você é mais quieto do que eu me lembrava. –o Akimichi comenta olhando pro Uzumaki.
-Estou com fome demais pra fazer qualquer outra coisa. –conta Naruto coçando a cabeça.
-Eu entendo! Também fico assim quando estou com fome. Também estou faminto. Estávamos a caminho da churrascaria agora, porque não vem com a gente, pessoal? –convida. Logo todos os meninos estavam indo e deixando as meninas pra trás que ainda estavam olhando uma pra outra irritadas.
-Não nos deixem pra trás! –ambas gritaram ao perceber e saíram correndo atrás, causando risadas ao grupo. Quando chegaram escolheram um lugar e esperaram ser atendidos enquando ouviam os milhares de elogios do menino Akimichi ao “maravilhoso e divino” churrasco e a carne que ali era servida.
-Bem-vindos! O que gostari... –a atendente parou de falar assim que percebeu a presença do menino loiro. –Com licença. –se retirou rapidamente deixando todos confusos. Logo uma agitação começou no restaurante.
-O que ele está fazendo aqui? –disse uma voz repentina, fazendo-os olharem em direção a ela. Era a dona do lugar.
-O que? –pergunta Ino não entendendo.
-Ele não é bem-vindo aqui. –a mulher falou firme.
-Gomen. Eu esqueci completamente... Hehehe...–Naruto se pronuncia, só então fazendo-os notar que a moça falava dele, coçando a nuca com um sorriso sem graça no rosto. –Eu devo bastante dinheiro a você não é mesmo? –o menino se levantou indo em direção a senhora e tirando uma grande quantia da carteira e entregando a ela, era mais dinheiro do que o necessário pra pagar o almoço do grupo todo.
-I-isso mesmo. Agora vá embora! –a mulher logo concordou.
-Hai, hai... –o menino se virou e começou a caminhar na direção da saída depois de acenar para os colegas se despedindo.
-Ah! Gomenasai! –ouviram um grito de uma das atendentes e o barulho de coisas caindo. O grupo de genins que ainda estava parada em choque se esticaram na sua cabine pra espiar o que havia ocorrido. Aparentemente havia acontecido um acidente e alguns copos caíram em cima do Uzumaki. Contudo a voz da mulher continha nojo. Mas o garoto apenas agiu como se realmente tivesse sido um acidente dizendo que estava “Tudo bem” com o costumeiro e famoso sorriso no rosto antes de ir embora, derrubando a placa que estava na entrada e dando a língua pra mulher antes de correr.
-Esse garoto... –a mulher tinha muito desgosto em seu tom antes de se virar pro grupo. –Vocês ficaram no mesmo time que ele? Deviam ir pedir pro Hokage pra mudar. E deviam ficar longe dele, todos vocês. Ele só atrai azar. –disse antes de se afastar indo falar com a primeira atendente pedindo pra colocar algumas ervas aromáticas pra fazer a limpeza do ambiente.
Naruto estava com o cabelo encharcado e cheirando a chá verde. Estava surpreso com ele mesmo por achar que ia ficar em paz aquele dia. Andava sem rumo por entre as pessoas quando foi chamado por uma voz que conhecia.
-Naruto! –o grito saiu de dentro da loja de ramen, do senhor Teuchi Ichiraku dono do estabelecimento que o chamava, insistentemente para entrar. –Fiquei sabendo que você conseguiu se formar! Parabéns!
-Parabéns, Naruto-kun! É melhor que você não tenha ido comer em nenhum lugar além daqui hein? –diz Ayame surgindo atrás do balcão, cumprimentando o mais novo e brincando com o “cliente n° 1” como seu pai o chama.
-Arigato... –sorriu de leve, enquanto se secava com uma toalha entregue pela mesma. –Mas...
-Sem mais! Vai ser por conta da casa! – senhor insistiu, já junto da filha. –Afinal é a terceira vez que fez a prova de graduação e enfim conseguiu. É pra se comemorar!
-Yo! Você não disse que ia comer com a gente? –diz Sasuke entrando dentro da loja junto com Sakura e o outro time.
-É, nos deixou pra trás e ainda vai começar sem a gente? Isso é golpe baixo, Naruto. –a Haruno complementa.
-Não se esqueça da gente! –diz Ino se sentando também. O senhor sorriu pra cena e olhou pro loiro, como se perguntasse se eram seus amigos.
-São o meu time e colegas da academia que se formaram também. –respondeu baixinho.
-É TUDO POR CONTA DA CASA! –declara começando a cozinhar, surpreendendo todos. Na verdade, ele estava feliz pelo menino loiro que pela primeira vez não ia comer completamente sozinho. Naruto corou e baixou a cabeça escondendo o rosto após o mesmo piscar pra ele, entendendo as palavras não ditas.
Todos saborearam os ramens com gosto, quase todos se perguntando por que nunca haviam parado pra comer ali. Para o espanto deles, em algum momento quase virou uma competição de quem comia mais, o loiro ou Choji, já que todos pararam em uma ou duas tijelas e a dupla já estava na nona. Estava um clima agradável quando levaram um susto com um Anbu que apareceu repentinamente.
-É melhor você vir agora mesmo, Uzumaki Naruto. –o mesmo Anbu de mais cedo falou na direção do garoto.
-Está bem. –o mesmo se levantou e se virou para o pai e a filha. –Arigato. –mas mal pode se despedir dos outros antes de ser arrastado pelo ninja mascarado.
----- CHAPTER BREAK -----
Após chegarem na torre Hokage o Anbu, que praticamente o havia arrastado até ali, apenas lhe informou que o Sandaime aguardava na sala de reuniões do concelho antes de desaparecer. Naruto andava pelos corredores vazios, sozinho, a cada passo ficando mais tenso, era como se estivesse ficando encurralado, sem nenhuma opção ou escolha. Ele não gostava daquilo, não gostava nem um pouco. E estava assustado, com medo do que o aguardava ali pra frente. Mas não tinha o que ele pudesse fazer, todas as outras opções pareciam ainda piores. A única forma que ele via como uma possível solução seria ficar mais forte, precisava disso para proteger ele mesmo, e não havia muitos caminhos para isso.Para sua surpresa havia alguém fora da sala, aparentemente o esperando do lado da porta. Era um senhor usando vestes escuras, uma bengala e tinha um olho, e parte do rosto, tapado por bandagens, ele não lhe era estranho, mas não se lembrava dele. O menino parou um pouco afastado, aguardando o que o mais velho se pronunciasse, dissesse o que queria falar com ele. Além de que era uma ótima desculpa para enrolar o entrar naquela sala e escutar o que seria feito.-Uzumaki-kun. –o homem falou em tom neutro, o que aguçou a curiosidade da criança.-Eu. -respondeu olhando para o rosto do mais alto.-Imagino que você saiba que ali será decidido quem irá treiná-lo a partir de agora. –o desconhecido falou, basicamente afirmando.-... -Naruto piscou algumas vezes e analisou o mais velho, afinal este cara não o tratou como se esperasse que ele fosse um completo idiota, como todos acreditavam que era. –Sim... E...?-Eu acredito que você tenha direito de saber suas opções. Hiruzen planeja sugerir que você escolha Jiraya, um homem de sua confiança e que foi seu discípulo. -o estranho contou, olhando fixamente para o menino, que até agora havia confiado, quase cegamente, no Hokage. -O que não é ruim, porém esse mesmo homem era para ser seu padrinho. Ter cuidado de você no lugar de seus pais. -revelou e explicou pois era visível no rosto do garoto que ele não reconhecia a denominação ou o que ela significava.-O que? Por quê? -o loirinho perguntou, assim que assimilou as palavras, de olhos arregalados.-Esse homem é um grande shinobi, um dos mais fortes da vila, mas ninguém sabe o porquê de ele não ter vindo por você quando nasceu e perdeu seus pais. -o senhor falou com um tom e expressão quase beirando a decepção, embora o menino tenha reparado que tinha muito mais por trás disso.-Entendi... -Naruto murmurou ainda olhando meio desconfiado das intenções do mais velho, mas não ignorando as informações. Afinal o velho basicamente disse que havia alguém que deveria ter cuidado dele, ser sua família. E agora, só agora, ele iria aparecer, ainda por cima pra treiná-lo para virar a arma da vila? Era isso que um padrinho, uma família era e faria? Se fosse, ele nunca seria sua família, se fosse assim ele não precisava de uma família. E a cada pensamento a sua raiva crescia e o senhor olhava, sem o menino perceber, satisfeito.-Venha. Estávamos esperando por você. -chamou indicando a porta com a cabeça antes de desaparecer em fumaça, deixando o garoto um pouco chocado antes de respirar fundo, reunindo coragem, para enfim abrir a porta e entrar no cômodo.-Aí está você, Naruto. -Hiruzen o cumprimenta acenando de leve pra ele e dando um breve sorriso.-Ele realmente teve a audácia de ignorar o primeiro chamado e teve que ser arrastado pra cá. -um senhor de óculos e cabelos brancos comentou sussurrando, mas o menino foi capaz de ouvir, não que eles estivessem tentando esconder realmente.-Já passou da hora de discipliná-lo mais rigidamente. -a senhora a frente dele falou de volta olhando pro garoto com certo desprezo e superioridade. -Você sabe o porquê está aqui, não é? Vamos andar logo com isso. -olhou pro hokage o apressando, já estavam ali a um tempo, já que o Uzumaki havia sido chamado a quase meia hora atrás.-Como já havia falado, além das atividades como um genin você também receberá um treinamento apropriado para um jinchuuriki. Nós o chamamos aqui para que você pelo menos tenha a chance se escolher seu tutor. -o Sarutobi explicou com um tom sereno, mas onde também havia certa apreensão. -A primeira opção é Jiraya, um dos meus pupilos que é um dos sannin lendários.-Shimura Danzo, também se voluntariou para treiná-lo. Ele é o encarregado por uma parte da Anbu e um forte shinobi da nossa geração, também integrante do conselho da vila. -a conselheira falou indicando um outro homem, sentado em frente ao hokage, que se revelou sendo o homem que tinha encontrado fora da sala.-É um prazer conhecê-lo, Uzumaki-kun. -Danzo olhou pro jovem com um breve sorriso.-Essas são suas opções, garoto. Agora escolha. -o conselheiro que usava óculos fala sério e impaciente. Logo todos ali o encaravam em expectativa, exceto o Shimura que parecia inabalável e, como havia sido dito, forte. O que fez o menino naquele momento desejar ser como ele, se sentir como ele, já que se sentia assustado e acuado. E olhou para o rosto conhecido do velho Sandaime, que muitas vezes já havia proferido palavras de consolo ou para acalmá-lo. Um conhecido que havia feito muitas promessas que não haviam se cumprido e tinha segredos que quando descobria o machucava, magoava. E com essa dor, ele levanta o olhar pra eles se revoltando pela primeira vez contra a vontade daquele que confiava.-Ele. -é tudo que diz enquanto apontava pro senhor com um olho tapado por faixas.-Tem certeza disso, Naruto? -Hiruzen logo se pronuncia espantado, abalado que o menino tivesse escolhido justamente o que menos queria.-Ele já fez sua escolha, Hiruzen. -os conselheiros falaram juntos. -Assim como você queria que ele tivesse a possibilidade de fazer.-Deve respeitar a vontade dele. -Danzo se pronuncia em apoio, finalizando o protesto do kage e se levantando para ficar de frente para, agora, seu mais novo aprendiz. -Vou começar a planejar seu treinamento e assim que estiver pronto para começarmos irei mandar te chamar até o lugar onde lhe ensinarei tudo o que precisará para ser um ninja poderoso. -disse sinalizando para o garoto que estava liberado por enquanto, que apenas assentiu em silêncio antes de ir embora. ·Enquanto isso com os genins de Konoha... O grupo ainda estava no Ichiraku em silêncio, chocados com a forma que o garoto loiro havia sido levado dali. Principalmente seu time, que estava seriamente preocupado com o que o colega havia aprontado dessa vez e quão ruim deveria ter sido pra um Anbu ter vindo buscá-lo.-Vocês vão ficar bem com um rebelde como o Naruto no time de vocês? -Ino se virou pra dupla. -Vocês podem ser prejudicados por causa disso.-Mas com a vida ninja ele não vai ter mais tempo ou teria coragem de continuar fazendo essas coisas, né? -a rosada olhou esperançosa pro colega de time que deu de ombros.-Bem, nem durante a academia ele parou e olha que tinha dias que eram puxados. -Choji falou terminando de comer sua última tigela muito satisfeito.-Parece que vocês terão problemas para evoluir como shinobis, testuda. -a loira provocou a amiga que lhe enviou um olhar mortal.-Ei, você comentou algo sobre o Naruto já ter feito a prova antes? Isso é verdade? -Shikamaru perguntou pro dono do restaurante, já que isso o havia intrigado assim que alcançaram o loiro após terem saído da churrascaria atrás do garoto. Os acontecimentos de antes deixaram o Nara pensativo.-Pelo que me lembro ele já comentou de fazer ela outras duas vezes. -Teuchi respondeu sem pensar muito, mas logo voltando a trabalhar e se afastando dos garotos.-Isso não faz sentido. Ele tem nossa idade como poderia ter feito a prova algumas vezes e antes? -o do rabo de cavalo falou confuso.-Meu irmão conseguiu se formar antes da turma dele, mas ele é um gênio. -Sasuke ponderou. -A performance do Naruto na academia nunca foi muito brilhante, ele nem parecia interessado nas aulas.-Gente será que o senhor não se confundiu? Tipo o Naruto pode ter comentado de fazer a prova do final do ano, para ver se era aprovado pro seguinte. -a Yamanaka sugeriu.-Talvez. -Shikamaru assentiu. -Mas mesmo assim tem algo problemático nisso. Pelo que me lembro essa barraquinha existe aqui a anos, ele já deve ter ouvido coisas parecidas pra se confundir assim…-Tem razão. Ela está aqui desde que me lembro por gente. -comenta Choji parando pra pensar pouco depois de se despedirem do dono e saírem do estabelecimento, já que provavelmente conhecia todos os lugares onde vendia comida, numa lista interna pra todos que teria que ir comer um dia. -Acho que meu pai já comentou de vir comer aqui com os colegas dele antes mesmo de nascermos. -complementa, o que foi suficiente pra eles acreditarem que a possibilidade de ser um engano ser muito baixa.-Ainda acho que essa confusão pode muito bem ter sido causada pela forma que o Naruto falou. Ele sempre foi bastante exagerado e barulhento. -Ino pontua novamente, recebendo acenos de concordância da amiga.-E não tem a mínima chance de ele ter tentado se formar antes, por que os professores deixariam isso afinal? Ele era o pior da turma afinal. -Sakura fala com certa certeza.-Exato! Lembra das peças e confusões que ele arrumava? -a garota loira ri. -Tenho pena do Iruka-sensei até hoje. Com a quantidade de castigo e detenção que ele pegou é uma surpresa ele ter se formado na verdade.-Realmente. Imagino como deve ter sido o teste dele, ele sempre fracassava nos exercícios práticos. -foi a vez da rosada de rir. Elas ficaram um tempo conversando e se relembrando das artes do loiro de cabelos arrepiados enquanto o resto do grupo permanecia em silencio, exceto com algumas participações do Akimichi aqui e ali. Após um tempo o Nara parou, lembrando de um detalhe que nunca havia pensado muito, o que fez todos também pararem e olharem pro mesmo.-Será que… -arregalou os olhos. -Por que eu nunca reparei nisso antes? -exclamou em voz alta, recebendo olhares completamente perdidos dos outros.-O que você nunca reparou? -o melhor amigo deste pergunta curioso, afinal eram poucos momentos em que o moreno agia assim. Já que apesar da sua preguiça o de rabo de cavalo sempre ficava perdido em pensamentos.-O nome dele. -o garoto respondeu, dessa vez recebendo olhares confusos, mas achando que talvez ele tivesse pensado tanto que tinha queimado os neurônios, afinal todos conheciam o nome do loiro. -Eu ainda não tenho certeza, mas podemos nos encontrar na biblioteca pra conferir. -falou com um animo que nenhum deles resolveu contrariar e concordaram de se encontrar no local pela manhã. Tentando colocar um pouco de fé nos pensamentos do mesmo já que ele praticamente gabaritava as provas teóricas.No dia seguinte eles já estavam reunidos na biblioteca pouco tempo depois dessa ser aberta. Todos curiosos com o que poderiam descobrir, o que não era grande surpresa já que esse traço era clássico em crianças então não podiam impedir a vontade de satisfazerem sua curiosidade e procurar respostas para suas perguntas. Logo seguiram Shikamaru até uma seção especifica e o observaram pegar um livro, rapidamente folheando até achar uma informação específica.-Aqui. -virou o livro para os colegas verem, o que os fez arregalarem os olhos e entenderem a frase dita pelo mesmo no dia anterior: não havia sentido eles nunca terem reparado e pensado nisso.-Caramba! -exclama Ino, sendo a primeira a falar após a surpresa inicial.-Será? Tipo o Naruto… -Sakura começou a dizer algo.-Eu o que? -ouviram alguém perguntar de repente fazendo-os levarem um baita susto. Ao tentarem localizar a voz eles acabaram olhando pra cima encontrando o garoto de quem falavam deitado em cima da estante os olhando curioso. Nenhum deles fazia a menor ideia de quando o menino havia chegado ali, não haviam escutado nada e nem o motivo dele estar no alto da estante. -O que estão fazendo? -o Uzumaki pula da estante, pousando suavemente no chão perto das outras crianças.-Estávamos pesquisando sobre você. -foi Choji quem respondeu. O loiro olhou pra eles como se estivesse se perguntando o porquê diabos estarem pesquisando sobre ele, numa biblioteca inclusive.-Sobre seu sobrenome. Uzumaki. -Sasuke explicou ao notar que o outro não fazia ideia do que eles esperavam encontrar sobre ele ali.-Meu sobrenome? -repetiu ainda mais incrédulo e confuso.-É, tipo, sabe? Uzumaki, tipo o Clã Uzumaki. -Sakura falou, nenhum deles entendendo a confusão do outro.-Clã? -Naruto repetiu mais uma vez o que eles tinham falado antes de arregalar os olhos. -Eu tenho um clã? -murmurou baixinho claramente em choque com a nova informação, não pela primeira vez nos últimos dias. Algo que ele não estava gostando nem um pouco.-Você não sabia? -Ino olha pra ele confusa, afinal o clã Uzumaki havia sido citado algumas vezes quando aprenderam sobre a história da vila e das guerras anteriores.-É o Naruto, Ino. Acha mesmo que ele prestava atenção nas aulas pra lembrar de algo assim? -a rosada revirou os olhos como se fosse obvio. O menino loiro a olhou indignado, o que fez todos rirem para seu descontentamento. Não era culpa dele, não era tão simples. Mas ele tinha certeza que se lembraria se estivesse escutado algo a ver com seu nome, não era como se ele não tivesse interesse em saber mais sobre ele mesmo.-O clã Uzumaki vinha de um país chamado “Uzu”, o país do redemoinho. Eles eram aliados de Konoha, tanto que quando ele e o país foram dizimados nossa vila começou a usar o símbolo deles, um redemoinho vermelho, nos coletes dos ninjas chunin e jounin como demonstração da amizade entre eles. -Shikamaru explicou pacientemente, observando o mais novo. Naruto quase riu ao escutar isso, mas conseguiu não expressar isso fisicamente, então sua expressão facial não mudou muito. Se ele realmente fosse parte desse clã, o que a vila sentia por ele, com certeza, não era nada perto de amizade.-Eles também eram conhecidos por terem cabelos vermelhos, então o seu nome pode ser apenas uma coincidência ou você ser um mestiço ou descendente. -a Haruno pontua.-Você sabe de quem herdou esse nome? De qual dos seus pais? -Choji perguntou curioso. O loiro franziu a testa, por que diabos eles estavam tão interessados nele agora? E sobre o assunto de pais? Era literalmente a segunda vez que algum deles mencionava o tópico.-Não sei. -respondeu brevemente.-Você não se lembra dos nomes deles? -Sakura questionou descrente.-Não. -dessa vez a voz do garoto saiu quase um resmungo.-Não? Como não? Tipo, eles eram seus pais! -Ino exclamou, como alguém podia não se lembrar dos próprios pais dessa forma?-Eu nunca os conheci! -a conversa estava ficando desconfortável pra ele. Foi a vez dos outros genins olharem pra ele incrédulos, alguns até chegaram a abrir a boca para perguntar como isso era possível. -Até onde sei eles morreram no mesmo dia que eu nasci. -os cortou antes de que pudessem verbaliza-la enquanto sua cara se fechava cada vez mais um pouco, os sinais de espontaneidade, energia, relaxamento e o costumeiro sorriso sumindo.-Mas você não sabe quem eles... -os olhos do garoto brilharam em um aviso silencioso. Eles estavam passando do limite e esse não era um assunto o qual ele gostava de retornar. Não havia como ele saber disso se ninguém o contasse e a muito tempo tinha aprendido que de nada adiantaria insistir no assunto. Ninguém lhe diria nada, nem mesmo o Hokage. O silêncio reinou enquanto todos se encaravam, mas isso foi interrompido quando uma figura surgiu por trás do loiro e colocou a mão em seu ombro e apertou, o que fez seu corpo tensionar instantaneamente com o contado.-O que você pensa que está fazendo aqui? -a bibliotecária indaga num tom ácido, fazendo a atenção do grupo se voltar pra ela.-O que parece? -respondeu com um sorriso sarcástico enquanto indicava o grupo segurando um livro.-Você sabe que não é bem-vindo aqui. -a mulher diz o olhando com desgosto, como se o que estivesse a sua frente fosse uma espécie de praga. Seu aperto no ombro do jovem se intensificou ao ponto de começar a machucar, ela começava a querer arrastá-lo dali.-Eu tenho direito a estar aqui. Eu sou um ninja de Konoha. -Naruto retruca ao sentir começar a ser puxado.-Não importa. -a indiferença dela a sua afirmação o fez estremecer. Não importava que ele agora fosse um ninja? Isso não fazia nenhuma diferença pra eles? A resposta o fez ficar tão desorientado que esqueceu de lutar contra a ação da mulher, só voltando a si quando reparou que era puxado com mais força, já havia passado metade do caminho até a saída.-Me solta! -protestou, seu rosto não era mais visível claramente para as outras crianças, que observavam atônitas. Mas nem o próprio garoto sabia o que seu rosto demostrava naquele momento.-Até parece que alguém iria querer encostar nessa coisa. -ela replicou num murmúrio com nojo no tom sem seque olhá-lo estava focada em tirá-lo dali, mas ele sabia que estava falando dele. -Como se eu fosse permitir você vir aqui como bem entender, você destrói tudo o que toca! -exclamou irada ao ver que o jovem ainda tentava fazer ela o soltá-lo. A jovem geração de ninjas olhavam de olhos arregalados o colega ser carregado. A bibliotecária acreditava que ele era uma ameaça pros livros e informações ali contidas? Tudo por causa das famosas pegadinhas do mesmo? Seus pensamentos se interromperam quando o loiro foi empurrado porta a fora e teve que se equilibrar pra não cair pela violência utilizada no ato.-Ei! -gritou, se virando em direção a porta por onde foi jogado. Ele não estava realmente pensando na quantidade de atenção que estava ganhando com a cena toda. Não quando ainda estava aprendendo a processar a forma que os aldeões não se importavam em tratá-lo assim na frente daqueles que, até onde sabia, não sabiam de nada. Mas não tinha coragem de olhar para o rosto deles agora, mesmo que conseguisse ver que eles olhavam em sua direção. Já se sentia humilhado o suficiente sem isso, então apenas encarou com certa raiva quem o havia expulsado do prédio uma última vez antes voltar seu olhar para o chão, deixando que o cabelo escondesse parte de seu rosto e mordendo seu lábio numa tentativa de se conter.-Nunca mais ouse colocar seus pés imundos aqui! -gritou antes de bater a porta na cara dele, voltando-se para dentro batendo as mãos para limpá-las quando o grupo de crianças disparou em direção da mesma e a abriu.-Naruto! -chamaram olhando em volta o procurando, mas não havia qualquer sinal do loiro.-Ele sumiu... -Sakura constatou o óbvio, abismada com o fato dele ter sumido tão rápido já que mal havia se passado um minuto.-Ei, por que fez isso? -o Uchiha se virou pra mulher que havia expulsado o terceiro membro da sua equipe.-Porque a entrada dele aqui é proibida. -responde como se fosse algo de conhecimento comum.-Por quê? -perguntam não entendendo.-Vocês não entenderiam. -a mais velha revirou os olhos. Eles podiam ver alguns outros acenando a cabeça concordando com a mesma.-É por que ele é um Uzumaki? Por que ele é um delinquente? -Shikamaru questiona, também tentando obter alguma explicação.-Pode-se dizer que sim. -replicou não sendo muito específica sobre qual das opções e suspirou como se o assunto a cansasse. Mas complementou ao ver pelo olhar deles que não entendiam e que iam fazer ainda mais perguntas, coisas que ela não queria falar e que nem poderia. Gostando ou não o jovem Uzumaki era um segredo da vila. - Olhe, vocês são novos demais pra saber e entender tudo que ele fez a vila. Se eu fosse vocês eu me envolveria o menos possível com ele, ele só vai metê-los e trazê-los problemas. -aconselhou antes de se virar e voltar ao seu trabalho. Deixando pra trás um grupo de recém-formados intrigados com a certeza dela de que o loiro era uma ameaça pros livros da biblioteca e encucados com o conselho dela. Afinal eles sabiam que o garoto adorava fazer pegadinhas pela vila, mas ele era um shinobi agora, ele não poderia continuar com isso, então não tinham motivos pra se preocuparem, não é? O conselho não fazia o menor sentido pra nenhum deles. Frustrados eles desistiram de continuar pensar nisso e foram pra suas casas, todos queriam aproveitar e estar preparados pois, em breve, o tempo livre acabaria e as missões começariam.
----- CHAPTER BREAK -----
Era mais um dia normal que começava na Vila da Folha, seus aldeões aos poucos saiam de suas casas para iniciarem suas rotinas, comerciantes abrindo suas lojas, pessoas gradualmente enchendo as ruas. E é claro, como esta era uma aldeia shinobi não era nenhuma surpresa que houvessem ninjas correndo de um lado pro outro cumprindo as mais variadas missões. Principalmente seus recém-formados que estavam em suas primeiras, aquelas mais básicas. Em uma das matas que haviam em sua extensão era possível ouvir passos ecoando entre suas árvores, provavelmente algum genin atrás de alguém ou algo. -Aqui é Onix na posição B. O alvo não está em nenhum lugar visível. -uma voz infantil e séria soou no rádio de comunicação. -Aqui é Cereja. O alvo acabou de passar no ponto A, mas perdi ele de vista. -outra voz rapidamente relatou. -Aqui é Safira. Avistei o alvo, ele está indo pro distrito comercial. Estou indo atrás dele. -uma terceira voz falou, sem esperar por uma resposta antes de ir persegui-lo. Assim a terceira criança foi sozinha atrás do que eles estavam perseguindo, que era claramente ágil e veloz o suficiente pra escapar deles. E eles estavam o perseguindo a pelo menos meia hora. Por coincidência e sorte, ou não, esse terceiro membro da equipe, uma criança de cabelos loiros e arrepiados, era provavelmente o mais rápido deles. Então não foi tão difícil para ele ficar na traseira deste até que enfim conseguisse encurralar e capturar o maldito gato fugitivo. -Até que enfim peguei você, Tora! Não acredito que você me fez seguir você até aqui em cima. -Naruto falou pro bichano levantando o mesmo com as mãos e olhando pra baixo do terraço onde estava. -Ai! Ei, isso machuca! -reclamou enquanto o gato brigava e o arranhava pra escapar novamente. Distraído com o felino não notou que havia alguém por trás dele, quando viu desligou o microfone de seu comunicador e abraçou o animal, ignorando as garras que eram enfiadas em seus braços. -O que foi? -perguntou para as pessoas em sua frente, tentando passar indiferença apesar de estar alerta. -O que pensa que está fazendo aqui? -o homem na dianteira falou o olhando com desdém. Os outros do grupo o olhando com igual repulsa. -Você sabe que não é bem-vindo aqui. -outro acrescentou. O Uzumaki franziu o rosto, qual era o problema de todos atualmente? Por que eles agora insistiam em dizer que não o queriam ali? Qual era a novidade disso? Estava com a breve impressão que a atenção que estava ganhando por ter se graduado só iria piorar, e pelos olhos deles ele sabia que a chance de deixarem sua vida ainda mais difícil era grande, quase uma certeza na verdade. -Estou apenas cumprindo uma missão. -se fez responder hesitante, sinceramente torcendo pra que aceitassem isso e o deixassem em paz. Inconscientemente dando um passo pra trás. -Sua presença está atrapalhando nossas vidas e perturbando o comércio. -outra pessoa declarou hostilmente. -Eu não...! -ele devia saber melhor do que confrontá-los diretamente. -Suma da nossa frente, aberração! -o primeiro o empurrou. A última coisa que viu no rosto deles foi um sorriso enquanto caia do prédio. Ele se encolheu e usou seu corpo pra proteger o gato, nesse meio tempo pressionando o botão do microfone sem querer, então o resto do seu time escutou o barulho da sua queda, felizmente um pouco amortecida por algumas caixas vazias que tinham naquela viela. -Naruto? Está tudo bem? -o Hatake pergunta pelo rádio. “Não” era o que o garoto queria responder, mas também não queria falar sobre isso. Qual era o ponto se todos os adultos sabiam que a vila o odiava? Qual o ponto se aparentemente nada que ele fizesse ia mudar isso, já que o motivo era algo que nem era culpa dele nem estava sob seu controle? Kakashi sabia o que ele era, ele não podia esquecer a forma que ele reagiu quando usou aquele truque nele no teste. Ele podia confiar nele? Grunhiu antes de responder, sua cabeça e o corpo doendo. -Estou bem. Só caí. -respondeu por fim, parte de sua atenção voltada pro gato que estava imóvel em seus braços. Felizmente o bichano estava bem, suspirou aliviado. -Nós escutamos, dobe. -Sasuke comentou meio dividido em achar a situação cômica ou ficar preocupado com um desastrado no time. -Você tem que tomar mais cuidado, Naruto! -Sakura estava tendo exatamente o mesmo problema. -Você pegou o Tora pelo menos? -É. -o loiro concordou. Ele baixou muito a guarda, ter virado um ninja não havia mudado nada. “Não importava” pra eles. -Estou com ele. Encontro vocês perto da torre? -perguntou se levantando. Em poucos minutos eles estavam juntos, indo reportar a missão concluída. -Tem certeza que não se machucou, Naruto? -o professor perguntou olhando o garoto dos pés à cabeça. -Se eu estivesse machucado eu não estaria andando, sensei. -o mais novo revirou os olhos como se fosse obvio, já o adulto não estava muito convencido como se suspeitasse que o menino não tivesse os parâmetros normais para essas questões, não que não fosse verdade no caso. -O que você fez com o pobrezinho pra ele estar tão quieto? -a Haruno perguntou olhando pro bichinho curiosa. -Ele é conhecido por arranhar qualquer um que tente pegar ele quando ele foge. -Eu não sei. Mas também não ia querer machucar quem caiu de um prédio comigo. -Naruto falou. -Bem, ele tem um ponto. -o moreno concordou com a lógica. -Você caiu de um prédio com ele?! -a rosada gritou espantada e batendo na cabeça do colega irresponsável, que se encolheu de leve com o golpe. -Eu tropecei. -...depois de me empurrarem o Uzumaki completou mentalmente, lutando com a vontade de suspirar. -E você ainda se diz um ninja? -os colegas o olharam incrédulos. -Ninjas não são perfeitos, sabiam? Ninguém é! -o loiro se defendeu, sentindo pequenas labaredas de raiva percorrerem seu corpo. Vontade de gritar que não havia sido culpa dele, então fez questão de trancar a mandíbula pra garantir que não falaria nada. -Vamos, trio. Quanto antes resolvermos isso mais cedo volto a ler meu livro. -o sensei falou levemente desinteressado na discussão das crianças antes de guiar o grupo pra dentro da sala. -Tora-chan! Oh, Tora-chan! Estava tão preocupada com você! -uma senhora se aproximou ao ver o felino nos braços do menino. Naruto tensionou inconscientemente com a aproximação, ele tendia a não confiar em adultos. E quase tinha certeza de que nunca havia tido boas experiencias com a metade feminina dessa parcela da população. Elas tendiam a ser um pouco protetoras com suas famílias e, por consequência, mais cruéis com ele. Já que ele era um d... Parou os pensamentos por ali, ele não estava sozinho, não era seguro. Então, com uma facilidade treinada, abriu um sorriso pra mulher. -Aqui está. -falou no máximo de educação que podia, já que era claro por suas vestes que ela não era uma pessoa qualquer. A esposa do Daimyō do País do fogo, sua mente forneceu depois de ver um símbolo familiar que ela vestia orgulhosamente: o símbolo do país que Konoha servia e que só a realeza do país podia ostentar. Seus olhos a vasculharam novamente procurando uma indicação, o que estava começando a virar uma paranoia. Ela sabia? Ela era adulta. Ela sabe? Crianças não sabem. Ela? Mas ela não é da vila. Será que ela sabe? Mas ela é da realeza, até o velhote tinha que obedecer a eles, shinobis eram seu poder militar. Ele é poder militar da vila, de mais formas que outros. Mordeu o interior da bochecha com força, só reparando quando sentiu o gosto metálico de sangue na boca. Se forçou a parar de pensar novamente. -Ele está bem. -garantiu estendendo o gato pra dona, franzindo a testa ao sentir as garras desse fincarem em seus braços, como se não quisesse voltar pra posse dela. Com mais dificuldade do que esperado conseguiu entregar o animal, que se esperneava pra tentar fugir dela novamente. Ele ficou olhando para ambos enquanto ele e o resto do time esperavam pelo sensei acabar com os procedimentos e receberem seus pagamentos. Seu silencio continuou mesmo após a dupla ir embora, ele podia sentir seus colegas olhando pra ele. Provavelmente estranhando sua quietude, já que isso com certeza não fazia parte de sua personalidade usual. Mas ele não sabia o que estava sentindo, o que aquela cena com o gato havia causado nele. Mas sabia que isso tinha mexido com ele. E eles não podiam julgá-lo, com certeza eles também não estariam agindo no “normal” se estivessem no lugar dele, não com tanta coisa acontecendo, não com o que sabia agora. O pensamento amargo quase o fez rir. Ele foi puxado de volta a realidade quando seu time foi dispensado, mas o Hokage o pediu pra permanecer. -Danzo me pediu pra te entregar isso quando suas atividades de hoje fossem encerradas. -o Sarutobi falou indicando um simples pergaminho cinza em frente dele. -Sobre o início do treinamento? -o loiro perguntou apesar de saber a resposta óbvia. -Sim. Ali contém o local e os horários onde serão as sessões. -o mais velho falou, o garoto assentiu e pegou o pergaminho. -Entendi. É só isso? -Naruto olhou pro mais velho que o observou com tristeza e um pouco de desapontamento. A relação deles, que era o mais perto de um laço que o garoto havia tido até ali, ficava cada vez mais estranha desde a revelação. ‘É isso que você ganha por esconder coisas e mentir pra mim’, a criança pensou com certa raiva. -É sim. -Hiruzen confirmou por fim, se sentindo levemente derrotado. Depois que o garoto havia se virado pra sair o senhor perguntou baixo, mas o suficiente pra que o garoto ouvisse. -Você vai continuar irritado comigo? – ‘Você vai me perdoar?’ ele não disse. -Não sei. -respondeu no mesmo tom sem se virar pra olhar pro outro. ‘Você que me traiu primeiro, Jiji.’ completou mentalmente antes de sair pela porta. Do lado de fora, para sua surpresa Kakashi e os outros o esperavam. -Você não aprontou nada dessa vez, não é? -Sakura perguntou nervosa. O Uzumaki negou com um balançar de cabeça. -O que é isso? -o Uchiha perguntou indicando o pergaminho na mão do colega. -Não sei. Provavelmente algum conjunto de exigências absurdas do proprietário do prédio que eu moro. -a mentira saiu fácil de seus lábios, e pior que era algo que com certeza poderia acontecer contando que todos evitavam contato com ele se possível. E deu de ombros ao olhar inquisidor do platinado, ele não tinha nenhuma obrigação de falar nada da sua vida pro sensei. -Ele provavelmente teria um dia ocupado e quis ter certeza de que eu receberia isso ou sei lá o que. -acrescentou ao ver que eles ficaram confusos do porquê deixariam algo assim com o Hokage ao invés de deixar na caixa de correio ou na porta. -Temos mais alguma coisa hoje? -mudou de assunto. -Não, por hoje estão livres. Amanhã começaremos uma hora mais cedo, nos encontraremos mesmo lugar de hoje. -o adulto respondeu. -Ok. Vou ir pra casa, ler essa coisa e ver se por acaso eles aumentaram meu aluguel de novo. -falou antes de ir embora, sendo o primeiro. -Aluguel? -a Haruno repetiu um pouco chocada. -Aluguel é algo que as pessoas pagam pra morar num lugar que elas não são donas. -Sasuke olhou pra ela como se ela fosse idiota por não saber. -Eu sei! Mas ele paga aluguel? -olhou pro único adulto presente. -Naruto mora sozinho há alguns anos até onde sei, Sakura. -o Hatake respondeu e desaparecendo antes que a dupla pudesse fazer mais alguma pergunta. Por que Naruto, uma criança como eles, morava sozinho? Era mais uma pergunta sem resposta que era colocada numa lista que começava, aos poucos, se formar. • Após descobrir para onde tinha que ir o jovem Uzumaki se dirigiu até o campo de treinamento onde o Shimura o aguardava. Este se localizava em um local ligeiramente isolado, em cima da montanha, bem depois do monumento dos Hokages. Um lugar que poucos sabiam que existia, possivelmente. Ou que tinham se venturado até lá, já que muitos habitantes acreditavam que ali só havia os rostos esculpidos, os arquivos e o abrigo construído ali dentro. -Era um teste? Ver se eu conseguiria chegar aqui? -o menino questionou olhando e se aproximando do senhor parado no centro de uma ampla clareira. O documento que este havia deixado pra ele só dava um guia básico. -Você conhece a vila melhor que muitos. Até dos nossos shinobis. -foi a resposta que conseguiu, sentindo o olhar do conselheiro o medindo. -Você tem potencial. -declarou, o que desestabilizou Naruto. Não esperava por isso, quantas vezes já havia ouvido isso? Alguém alguma vez falou isso? -Isso é, com o refinamento adequado. O que pretendo alcançar. -Potencial? Eu? -repetiu abobado. -Sim. Foi tão desperdiçado... -balançou a cabeça decepcionado. -Você sabe melhor que ninguém que a academia não funcionava com você. -Como...? -Naruto perguntou com os olhos se arregalando com surpresa. -Sempre estive observando você. -o ninja mais experiente admitiu, sem tirar os olhos do garoto. Satisfeito que havia capturado sua atenção. -Anos com dificuldade de dominar um jutsu de clonagem, com professores negligentes e incompetentes que eram incapazes de cumprir seus deveres apropriadamente. -balançou a cabeça em reprovação. -Uma simples correção de jutsu resolveria tudo. -Correção? Do que você está falando? -o garoto olhou pro mais velho intrigado, esperando por mais explicações. -O motivo pelo qual você sempre lutou com esse jutsu é porque você tem chakra demais pra realizar um jutsu rank E. Por isso que suas tentativas acabavam em fracasso, você tem muito chakra e pouquíssimo controle sobre ele. Querer que você consiga fazer jutsu que precisam de pouco chacka é impossível caso não te ensinem a controlar isso primeiro. -explicou paciente pro menor claramente chocado e um pouco confuso. -Por que...? -começou meio sem saber o que queria perguntar exatamente antes de desistir e mudar o foco. -Como você sabe disso? -Conforme já falei antes, eu sempre observei você. Quando vi você falhar nisso pela segunda vez resolvi que era necessário intervir. -falou. -Não podia deixar você reprovar de novo quando eu podia mudar o jutsu pra um semelhante que você poderia aprender. -Então o jutsu de clones que eu faço não é o Bunshin no Jutsu? -perguntou, já que até então achava que era o mesmo. -Não, o jutsu que você usa na verdade é o Kage Bunshin. -esclareceu. -Um jutsu rank C que permite o usuário a criar clones físicos ao contrário dos meros ilusórios do outro. -Isso não se ensina na academia? -questionou mesmo já sabendo a resposta pela forma que estava sendo falado. -Isso explica o porquê meus colegas de time ficaram confusos quando o meu clone cortou as cordas. -observou mais pra si mesmo que para o outro. -Exatamente. -o outro assentiu, satisfeito com o processo de pensamento do mais novo, uma indicação que ele não era estupido como muitos declaravam, apenas pouco incentivado. -Os clones que possuem corpo físico são capazes de te ajudar durante uma batalha. Algo que você empregou muito bem durante o teste dos guizos. -Eu? Fiz bem? -pisca algumas vezes, parando pra conferir mentalmente se havia escutado certo, afinal as duas coisas praticamente nunca ficavam na mesma frase. O adulto acenou com a cabeça confirmando. -A academia apenas dá algumas dicas de como e em que contexto histórico as situações se foi possível fazer o uso de clones. Devo comentar que você os usou com extrema habilidade. Principalmente por nunca ter usado a técnica fora das provas. -elogiou sem parar de observar o garoto, que claramente não sabia o que fazer receber algum comentário positivo, antes de completar. -É por isso que afirmo que você tem potencial, quase inexplorado. -E isso é bom? -o mais novo pergunta. -Depende. Significa que você vai melhorar muito com o treino certo, porém é ruim pois ter isso negligenciado até hoje te coloca em uma posição desfavorável em relação aos seus colegas. -Eles sempre estiveram na minha frente. -comenta sem pensar, particularmente pra ninguém. -Não por muito tempo. -o senhor rebateu mesmo não tendo sido direcionado a ele. -Sério? -o loiro arregala os olhos pela afirmação inesperada que recebeu do nada. -Se você se dedicar no treinamento, posso te garantir que vai ficar forte. -respondeu olhando nos olhos do menor. -E o que vamos fazer hoje? -pergunta, confuso por um instante, eles estavam ali pra isso não era? Por que o homem estava conversando com ele? -Será algo simples. Vamos medir suas habilidades físicas sem o uso de chakra para usarmos de referência para comparação no próximo dia. -Danzo explicou calmamente enquanto pegava um item dentro de uma bolsa de armazenamento que carregava. -Esse bracelete foi feito com selos que irão emitir luz caso note que o usuário está usando chakra. -rapidamente demonstrou colocando-o no pulso e fazendo um clone, o que instantaneamente fez o acessório brilhar. -Vamos usar isso para ver se você usa seu chakra em algum momento sem perceber, entendeu? -completou entregando o item pro garoto que, após um breve momento de insegurança, colocou no pulso. -Hã? -o garoto exclamou já que praticamente imediatamente o objeto começou a brilhar. -Eu tinha minhas suspeitas, mas parece que realmente seu chakra fica ativo o tempo todo. -Danzo falou contemplativo, mas logo continuou pois sabia o que o menor ia perguntar ou estava curioso. -É algo que acontece às vezes, algumas devido a quantidade que o indivíduo possui. As vezes pode até ser resultado de gerações usando chakra ativamente ou o treinamento começando bem cedo, como no caso dos clãs shinobis. Em teoria até mesmo um instinto forte pode causar isso. Podemos chamá-lo de chakra passivo. -Entendi... -responde o loiro intrigado com a explicação e se perguntando qual das opções seria seu caso. Talvez instinto? Ele sempre tentava confiar nele afinal de contas. Mas logo suas ponderações foram interrompidas com a explicação das atividades do dia e com um segundo bracelete visando bloquear o chakra temporariamente. Os exercícios que se seguiram foram básicos e físicos para testar velocidade (corrida), agilidade e reflexo (desviar de objetos), destreza e força (lançamento de shurikens e kunais). Todos com níveis variados de intensidade e dificuldade, que positivamente também serviram para medir o nível de estamina do garoto. No final acabou durando toda a tarde, felizmente pra ele o seu novo instrutor deu pausas e lanches durante pequenos intervalos depois de alguma atividade mais intensa. -Vamos parar por hoje. Na próxima sessão iremos refazer eles com seu chakra liberado e comparar os resultados. - o Shimura declarou. -Agora tire os braceletes e me diga se sente algo diferente. -assim que o fez o menino arregalou os olhos, pela primeira vez ele sentiu chakra percorrendo seu corpo de forma tão nítida. Tal reação fez o mais velho sorrir satisfeito. -Você sentiu, não é? -perguntou retoricamente. -É como aquele ditado popular “só sentimos falta quando não temos mais algo”. Exceto que a forma mais correta de descrever e comparar seja pelos sentidos terem se aguçado devido a perda de um deles, como em alguns casos a audição pode se tornar mais acurada devido a perda da visão. -Uau... -foi tudo que conseguiu dizer ainda surpreso com a sensação. -Como você se empenhou tanto e foi muito bem na nossa primeira lição vou recompensá-lo com algo que talvez ache interessante e que acho que ainda não percebeu. -falou rapidamente ganhando a atenção do loirinho. -Faça um kage bunshin, deixe-o aqui, depois se afaste ao ponto de não me escutar mais e desfaça o clone quando eu acenar. -instruiu, rapidamente sendo acatado, já que a curiosidade totalmente venceu o garoto. -Eu consigo lembrar do que o clone viveu??! -o Uzumaki se exaltou abismado após todas as etapas concluídas, como ele não notou algo tão útil antes? Bem não é como se ele tivesse usado tanto a técnica assim ou em situações que isso seria óbvio. -Sim. E se você for tão bem quanto hoje na nossa próxima lição eu irei te mostrar mais coisas interessantes sobre o jutsu. -prometeu e propositalmente reforçou o elogio. Deu mais alguns breves avisos e após isso o dispensou. Em casa, Naruto notou que havia algumas sacolas com alguns mantimentos, já que o Shimura queria que ele tivesse uma dieta mais adequada. Ele receberia mantimentos referentes a um dia sempre após os treinamentos, que por enquanto aconteceriam a cada 2 dias, mas poderia mudar de acordo com a necessidade no futuro. Claro, o que ele receberia não seria o suficiente para todos os dias e ele deveria tentar manter a dieta por conta própria. ‘Um bom shinobi não deve depender de ninguém’, era o que era pregado. Não que independência fosse um conceito desconhecido por ele. -... –olhou para os alimentos exausto, ponderando se ia comer ou não, principalmente já que teria que preparar alguma coisa. Suspirou e guardou as coisas. A cama era o que era mais atraente no momento. Não fazia ideia que ter o chakra circulando fazia tanta diferença no nível de cansaço que alguém sentiria. No dia seguinte ele tomou um bom (e saudável!) café da manhã, algo que ele não se lembrava de já ter feito. Também foi a primeira vez em dias que tinha tido uma noite de sono relativamente pacifica, graças à exaustão física da véspera. Então parte dele esperava um bom dia, pela sorte até o momento. Pena que a vila parecia estar empenhada a lhe provar o oposto. A missão que haviam de completar era a limpeza de um orfanato. Algo completamente básico, como todas as missões D. Mas a matrona e todos que ali trabalhavam conheciam ele, pois é claro que tinha que ser o orfanato que o Sandaime quis colocar ele quando era pequeno. Não que ele contasse ou soubesse com precisão quantos Konoha possuía, mas considerando a quantidade de órfãos ele podia chutar que não era só um. O que importava era que eles haviam recusado a mera ideia de tê-lo ali após notarem as marcas em suas bochechas, o que todos rapidamente associavam a raposa. E agora ele sabia o porquê. Então quando ela se negou a deixa-lo entrar com o resto do time ele não ficou surpreso. Seus colegas ficaram completamente confusos pela cara que fizeram. Como já estava relativamente acostumado com os comportamentos dos aldeões de o querer o mais longe possível, ele se “voluntariou” a tirar as ervas daninhas do jardim com ajuda de clones pra ser mais rápido. Isso enquanto refletia sobre o comportamento contraditório da vila em fuzilar ele com olhares e desejarem que ele desaparecesse. Era algo ou outro, as duas coisas não davam. Ele preferia só a segunda opção, era menos incomodo que os olhos deles o tempo todo. E ele teria que ir fazer compras mais tarde, se quisesse manter a alimentação que definiram pra ele. O que provavelmente seria complicado já que desde que se formara a vila parecia ter entrado em complô contra ele e decidido quase coletivamente ser bem mais vocal sobre seu descontentamento. Não que isso fosse mudar alguma coisa pra qualquer um deles, exceto perturbar o loiro. Mas não tinha como ficar pior que isso, certo?
Continua na parte 2!
----- CHAPTER BREAK -----
Alguns dias depois... Era um dos dias em que o time se reunia, onde Kakashi tentava ensinar a eles estratégias e testar possíveis formações para eles. Porém naquele dia o loiro não apareceu, mesmo com o professor se atrasando como o usual e esperando um pouco com os outros dois. -Sensei, eu não acho que o Naruto vai vir hoje... -Sakura olhou pro adulto confusa, sem saber o que fariam. -Parece que não... -o prateado respondeu suspirando e voltando sua atenção para a equipe presente. -Vocês lembram da lição que sempre repito? -Sobre quem abandona seus companheiros ser pior que lixo? -os dois estudantes responderam. -Exato. -o mascarado sorriu com o olho visível. - No futuro isso será importante, vão precisar contar uns com os outros. Então acho que essa é uma boa oportunidade de vocês começarem. Vamos até o Naruto e descobrir o que aconteceu. O ninja mais velho sinalizou pra eles o seguirem e começou a guiar a dupla pela vila até pararem em frente à um prédio, relativamente no centro da vila, com aparência meio desgastada e descuidada. Os dois genins trocaram olhares meio incertos e engoliram em seco, nervosos, nenhum deles sabia o que esperar, afinal nenhum deles tinha ido a algum lugar assim ou na casa de alguém da idade deles que morava sozinho. Eles subiram até o último andar e até a última porta. Novamente a dupla se olhou e acenaram um pro outro, era agora ou nunca, eles não iam se acovardar só porque eles nunca fizeram isso antes. Assim que o jounin abriu a porta eles ouviram um barulho de algo caindo no chão e passos na direção deles. Logo foram saudados pela visão do loiro. -Naruto...? -o garoto parecia estar mal se aguentando em pé, oscilando um pouco, rosto ruborizado, olhos semi-turvos e semialertas e respiração entrecortada. Pareceu que demorou alguns instantes pro mais novo reconhecer eles e em seguida colapsar pro chão, o que fez o adulto se aproximar dele e colocar a mão na testa, o que causou o menino recuar de leve. -Você está queimando de febre. -o prateado constatou, retirando a mão, mas não se afastando muito. -Não diga, nem tinha notado. -Naruto falou com um misto de riso amargo e grunhido, o que pegou todos de surpresa. -Por que saiu da cama? -Kakashi perguntou levando o garoto de volta para o quarto, os outros dois o seguindo olhando tudo em silêncio. -Alguém estava entrando na minha casa. -o menor apontou. -O que estão fazendo aqui? -Viemos ver por que você não foi hoje. -Sasuke explicou, mas a cara de confuso do outro não mudou muito. -Hoje... -parou pensativo, como se tivesse esquecido que dia era. Mas ao se lembrar ele arregalou os olhos e alguma emoção muito rápida pra ser nomeada passou por eles antes dele abaixar a cabeça deixando a franja escondendo o rosto. -Por quê? -Aqueles que abandonam seus companheiros são piores que lixo. Você já devia saber, Naruto. -o mais velho recitou, já que era uma moral que realmente queria que os estudantes adotassem. Mas o loiro só assentiu em silêncio e se cobriu com a coberta. -Quando começou a passar mal? Está sentindo algo além da febre? -De madrugada? Eu acordei passando mal, não sei a hora... Acho que é mais febre mesmo, estou com bastante sono também e enjoado. -respondeu após um instante pensando. -Comeu algo hoje? -o loiro olhou pro sensei como se estivesse dizendo que a pergunta era idiota. -Tem alguma comida para se cozinhar aqui? -Acho que só pra uma refeição. Eu ia fazer compras depois do treino hoje. -o garoto respondeu. O adulto assentiu e foi em direção a cozinha conferir e ver o que poderia ser feito. Pouco tempo depois ele voltou com uma cara séria. -Descobri o que te fez mal. Sua água tá envenenada. -Kakashi contou examinando o rosto do mais novo. -Envenenada?! -exclamou Sakura meio horrorizada com a ideia e se virou pro companheiro de equipe como se ele fosse cair morto ali mesmo. -Quem iria envenenar minha água? -Naruto rebateu -Naruto... -Pode ser porque os canos estão velhos ou esqueceram da manutenção da caixa d’água, as vezes isso acontece por aqui. -sugeriu interrompendo e mantendo o olhar no mais velho. -Não é nada sério. -Você foi envenenado! Não devíamos levar ele pro hospital? -retrucou Sasuke, chocado com o descaso do loiro com a própria saúde. -Não! -o garoto negou rapidamente. -Eu tô bem! Não é como se eu estivesse morrendo também. -Naruto, seu idiota... -o moreno olhou pra ele indignado. -É só uma febre! Eu vou ficar bem se eu descansar um pouco. Amanhã não devo ter mais nada. -o loiro revirou os olhos. -Ok, por que vocês dois não vão até o mercado e compram alguns suprimentos pra ele? -Kakashi interrompe entregando uma lista pro Uchiha, que não fazia ideia de quando o adulto parou pra escrever ela. Após alguns protestos da dupla eles foram cumprir o que havia sido pedido deles, deixando os outros dois sozinhos. -Não é a primeira vez que algo assim acontece, é? -E que diferença isso faz? -o loiro se vira pra janela. -Não é como se isso fosse mudar alguma coisa. -deu de ombros, ele estava relutantemente começando a aceitar isso. O Hatake apenas suspirou. -Você tem certeza de que vai ficar bem? -perguntou então. -Claro. Eu sobrevivi todos esses anos sozinho, não é como se eu precisasse da ajuda de vocês agora. -o garoto respondeu sério, mais sério que o professor já havia visto ele ficar. Mas não é que ele estivesse mentindo, por mais que doesse o mais velho admitir, ele realmente havia crescido dependendo de si mesmo apenas. O adulto sabia que ainda demoraria para o garoto se acostumar (e aceitar) a ideia de que pessoas se importariam e ajudariam ele. Então deixou a conversa ficar por ali mesmo, não havia motivo ou pressa pra interferir. Principalmente essa independência dele não era algo ruim de se nutrir em um shinobi, algo que provavelmente o sensei teria que insistir mais com os outros dois. Por enquanto resolveu que tentaria ficar de olho pra ver se a situação do Uzumaki iria se escalar ou talvez fosse melhor pensar em interferir nas missões, escolher algumas que necessitavam de pouca interação com a vila. Foi o que decidiu fazer por enquanto. Então quando os outros voltaram eles apenas fizeram algo e comeram com o loiro, fazendo um pouco de companhia a ele, pois isso era algo que ele precisava se acostumar. Kakashi obviamente só não esperava que isso dar tão errado. Após mais algumas missões onde era claro, não sabia como não havia reparado antes ou como as pessoas achavam que estavam sendo discretas com seu desgosto pela criança loira, mas estava basicamente escancarado que eles não o queriam ali ou sequer minimamente perto deles. O ninja de cabelos prateados não se lembrava de isso ser tão ruim assim antes, nem nos relatórios que recebeu e leu antes de assumir o comando do time. Então, com as melhores das intenções, ele decidiu que era hora de levar o assunto até o hokage e pedir por missões mais afastadas do centro da vila para deixar as coisas se acalmarem, deixar as pessoas se acostumarem com a ideia de que ele agora era um shinobi. A missão havia começado simples, estava tudo bem. Era algo fácil, nas extremidades do vilarejo, ajudar a colheita de uma fazenda. O dia havia se passado bem, sem quaisquer incidentes, tanto que eles já estavam finalizando. Portanto não esperavam que na vez dele de levar um fardo pro galpão, o último que faltava, o Uzumaki não fosse voltar. Conforme o tempo foi se passando e nada dele aparecer o adulto logo ficou preocupado e dividiu o time para que cada um buscasse em uma direção. Alguns minutos procurando, o Hatake viu uma pequena comoção na borda da mata, era um grupo de 4 pessoas em volta de algo caído no chão, gritando pra isso e falando palavras incoerentes. Mas antes mesmo de processar o que estava sendo dito o shinobi reconheceu o amontoado de laranja aos pés deles. Num pulso de fúria ele liberou uma onda de instinto assassino sem sequer notar. E correu até o menino ao invés de usar um shushin para evitar assustá-lo. Mas quando se aproximou os covardes já haviam se corrido. Brevemente ele se repreendeu por ter deixado suas emoções levarem o melhor nele, pois cego pela raiva nem sequer viu o rosto dos aldeões. Porém mais tarde se preocupava com isso, a prioridade era conferir o menor. -Naruto? Você está me escutando? Está ferido? -perguntou com a voz mais calma que conseguia reproduzir naquele momento. -Kakashi-sensei? -o garoto olhou pra ele mais chocado por sua presença ali que qualquer coisa. -Eu estou bem, eles estavam bêbados demais pra acertar golpes realmente. -deu de ombros. -Só estou mais sujo mesmo, eles puxaram meu casaco pela gola e me derrubaram, fazendo que eu rolasse até aqui. O bom senso e os instintos me fizeram me encolher e proteger caso eles começassem a recorrer a violência. -explicou vendo que o que iniciou dizendo não era o suficiente. -Os chutes deles só jogaram terra pra cima de mim e teve um idiota que tacou a bebida dele em mim. Eu odeio cheiro de álcool. -Você realmente não está machucado? -checou novamente, não sabendo se o garoto estava sendo completamente sincero ou não. -Eu estou bem! -repetiu frustrado. Mas antes de qualquer um deles pudesse falar mais alguma coisa os outros membros do time os encontraram. -Naruto! -Sakura exclama ao ver o estado do outro. -Você está bem? -Sasuke pergunta analisando o colega. -Estou. -já estava ficando farto de ter que responder a mesma coisa várias vezes nos últimos minutos. -O que houve? Por que está assim? -foi a vez da rosada. -Um bando de bêbados me atacou. Não, eles não me machucaram, só chutaram o chão. Para vocês terem noção de como a mira deles estava boa e o estado deles. Acho que eles me confundiram com alguém, ou algo assim. -explicou resumidamente enquanto as outras duas crianças o olhavam abismadas com a história. Com quem diabos eles confundiram uma criança loira? Nem era uma cor de cabelo muito comum por ali, fora os Yamanakas e alguns poucos indivíduos. Somente o adulto entendeu a quem o menor se referia e teve que lutar contra uma careta, pela forma quase casual que o menino se referiu ao assunto. -E você não fez nada? -Você queria que eu fizesse o que? Lutasse com eles? Você sabe que ninjas não podem lutar contra civis da vila, Sakura. Fora que se eu tentasse mesmo em pura defesa eles iam me acusar de atacar eles, e quem sairia punido seria eu. -replicou, o que fez todos ficarem meio confusos com o nível de paranoia do mais novo do grupo. Se perguntando de onde havia saído esse lado dele que ninguém nunca havia visto antes. -Por que acha que seria você? -Sasuke inquiriu meio sem saber o que mais perguntar. -Por que não seria? Quando algo que dá errado nessa vila não é minha culpa? Eu sou o delinquente da vila afinal. -rebateu sem sequer piscar, com certo amargor na voz. Ao reparar no deslise ele rapidamente mudou de assunto. -Nós íamos acampar pra voltar amanhã? Não temos que arrumar as coisas? Daqui a pouco o sol vai se por. -saiu caminhando na frente deles, obviamente encerrando a conversa, deixando os três meio atordoados, mas eles atribuiriam o mal humor do loiro com o prévio acontecimento, então deixaram passar dessa vez, acreditando que era algo momentâneo. O grupo seguiu o loiro até a área que iam acampar, onde o loiro foi direto para sua mochila e rapidamente arrumou seu saco de dormir e pegou uma barra de sabão e uma muda de roupas e foi em direção a um riacho ali perto. Poucos minutos depois ele volta com a roupa suja lavada e vestindo um par idêntico ao anterior. Após pendurar suas roupas numa arvore perto de onde havia deixado sua cama, ele voltou pra perto dos colegas e guardou o sabonete. -Você tem vários desses conjuntos? -Sakura estava curiosa, já que o outro sempre usava essas roupas laranjas. E por que laranja de todas as cores? Tudo bem que ela não podia exatamente julgar escolha de cor já que a dela era quase vermelho, mas chamava bem menos atenção que o laranja dele, ela achava. -Vocês não? -olhou pros outros confuso, isso não era o mais prático para um ninja? Se uma peça estragasse você não teria que se preocupar se o resto ia combinar ou não. -Nunca pensei que ia dizer isso, mas... Ele tem um ponto. -Sasuke concedeu, seguindo a mesma linha de pensamento. Esse tipo de pensamento pragmático havia sido ensinado a ele desde pequeno. Só que sua fala o fez receber uma careta do outro garoto. -Bem, durante o dia vocês coletaram as coisas que pedi para fazerem o jantar? -Kakashi perguntou ao grupo, que imediatamente acenou positivamente e retiraram dos bolsos pergaminhos de armazenamento que o mais velho havia entregado mais cedo quando determinou as tarefas de cada um. Esses pergaminhos e seu uso com certeza eram uma das coisas mais uteis que aprendiam na academia, todos concordavam. A Haruno entregou os galhos que havia recolhido para montarem a fogueira, o Uchiha os peixes que iriam cozinhar e o Uzumaki as ervas que usariam pra temperar. -Sensei, por que você mandou o Naruto pegar as ervas? -se virou pro adulto. -Ei, eu sei o que pode ser usado em comida ou não! -protestou o loiro. -Você tem certeza? Você nunca prestava atenção as aulas! -justificou a rosada. -Exercícios de sobrevivência sempre foram meu forte! Só não é tão glamoroso quanto a trindade ninja! -rebateu indignado. -E eu moro sozinho a anos, eu sei cozinhar e quais temperos usar! Já tive que colher coisas frescas na floresta antes! -todos resolveram não perguntar o motivo, uns por distração e outros por não quererem saber da resposta no momento. -Você foi pra mata junto com ele, Sakura. Qualquer coisa a ele podia perguntar pra você. -o Uchiha comentou, lembrando-se de mais cedo. -Nós fomos pra direções diferentes. -a rosada negou. -E como eu ia saber? Não é como se eu ficasse prestando atenção em você. -se virou pro loiro. Todos ali sabiam em quem ela ficava prestando atenção nas aulas, e não era o professor. Kakashi não sabia se achava a interação das crianças bonitinha e engraçada ou se suspirava de frustração. Quem foi que o inscreveu pra tomar conta de um bando de uns 10 anos mesmo? Ele sabia que com certeza não foi completamente por vontade própria - não foi - (Sim, ele estava pensando em você, terceiro hokage. Ele estaria muito bem ainda na ANBU.) mas aqui estava ele agora. Então desviou a atenção deles pra tarefa ao invés de falar, com certeza eles estavam com fome o suficiente pra focar em fazer isso rápido para irem dormir. Amanhã voltariam cedo para entregar o relatório da missão. Que era obrigatório mesmo em miseras nível D, os genins precisavam treinar para missões maiores afinal. Dias se passaram e mais mini ocorrências foram se acumulando. O Sensei estava surpreso com a quantidade delas e pela ousadia, isso era certeza. O time já havia completado diversas missões e aprendido o básico das formações que o Hatake havia ensinado pra eles. Haviam começado a se aprofundar mais nas habilidades táticas e de luta do que era ensinado na academia. Já que com o tempo o professor havia começado a entender melhor o que poderia combinar melhor com quem. Após terminarem mais uma missão, ao entrarem na sala eles descobrem que o gato da Senhora Feudal havia fugido novamente. E sendo a primeira equipe de genins que ela viu, ela rapidamente implorou para eles recuperarem o felino o mais rápido possível e acabar com o sofrimento dela. Era uma mulher famosa no País do Fogo por seu apego extremo aos seus felinos, sendo conhecida por sempre viajar junto com seu favorito, que mudava basicamente quase a cada geração de genin. Então recuperar o gato dela era quase um rito de passagem que todos, desde que ela havia assumido a posição, passavam. O próprio time de Kakashi já havia recuperado o pobre gato algumas vezes, então eles assumiam que os outros que se formaram com eles também já haviam. A parte engraçada é que o gato se recusava a ser segurado por qualquer um que não fosse o loiro desde o acidente com a queda. -Ei, Tora? Por que você foge tanto? -Sakura olha cansada pro gato que o colega estava segurando, incomodada pois já queria ter voltado pra casa. -Talvez porque aquela senhora o aperte demais. Eu que não queria estar no lugar dele. -foi Sasuke que sugeriu, se arrepiando só de imaginar a vida do coitado do gato. -Eu sei que dá pena dele, mas por mais que seja uma missão pequena é importante pra manutenção da relação entre Konoha e o Daimyo. Então o gato deve ser devolvido a dona dele, independentemente de como nos sentirmos sobre isso. -o de cabelos platinados explicou calmamente. Apesar de toda a lição sobre companheiros era importante que os jovens entendessem a importância de cumprir as missões que lhes foram dadas. Quando voltaram a mesma sala de mais cedo, para entregar o animal para a dona, este não queria sair dos braços do Uzumaki por nada no mundo. O felino miava, se esperneava e se segurava com todas as forças no garoto. O desespero do gato era tão claro que, por um breve momento, o mais novo o segurou mais forte. Mas a realidade voltou um segundo depois e ele se forçou a participar mais ativamente na tarefa de desentrelaçar Tora dele. -Desculpa. -pediu ao soltar as garras dele. Para quem ele está se desculpando ninguém tinha certeza. Embora o Hokage tivesse uma sensação nefasta de que o menino estava começando a fazer paralelos entre eles. -Tora-chan parece que realmente gostou de você, menino. -a adulta riu, desconsiderando totalmente a fala do menor e todo o comportamento de seu pet. -Me sinto honrado, senhora. -respondeu respeitoso. Mas toda sua atenção estava no gato e nas sensações estranhas que só aumentavam a cada interação com ele. Um quê de impotência de não poder fazer nada e desespero. Era isso que ele era para a vila? Ele realmente em algum momento teve alguma escolha ou seu caminho havia sido traçado pra ele sem nem mesmo ele saber? Sua espiral de pensamentos foi interrompida, felizmente, pelo sensei que chamou o time. Nesse meio tempo em que o menor estava distraído ele havia conversado com o Kage sobre uma próxima missão, algo diferente do usual. Ao anunciar a notícia o trio rapidamente se animou, todos estavam cansados das nível D, além de chatas eles estavam cercados de azar independente de sempre concluírem todas com sucesso. Enquanto explicava sobre o que se tratava a dessa vez, foram interrompidos por um abrir da porta, com alguém entrando assim que foi chamado pra entrar. -São esses pirralhos que irão me escoltar de volta para a Ilha das Ondas? -o homem claramente vestido como um pescador que entrou questionou com certo descaso, avaliando as crianças com o olhar. -Eles não são muito pequenos pra isso? -Eu te garanto que meu time é capaz de realizar essa missão nível C com sucesso apesar de serem novos. Idade não é sinônimo de capacidade no mundo ninja. -Kakashi assegurou. -Hum... Está bem. Desde que cumpram pelo o que eu paguei está tudo bem. Vou acreditar nas suas palavras, Jounin. -aceitou sem levantar uma briga e parando pra tomar um gole da garrafa de bebida que carregava. -Quando iremos sair? -tinha certa impaciência em sua voz dessa vez. -Partiremos assim que terminarmos de arrumar nossas coisas. Nos encontraremos no portão da vila em 1 hora no máximo. -o Jounin anunciou e encorajou todos a irem se organizar o mais rápido possível. Os genins se apressaram pra suas casas e arrumar suas mochilas para viagem. Era a primeira vez que sairiam de dentro da vila, não sabiam se ficavam nervosos ou animados. Tudo que sabiam que esta seria a primeira de muitas aventuras fora dali. Era uma nível C! Prova de que a capacidade deles como time estava sendo reconhecida! Tinham certeza que nesse ritmo estavam destinados a fazer missões grandes e importantes em pouco tempo, pensavam inocentemente, mal imaginavam o que o futuro em si guardava para eles.
----- CHAPTER BREAK -----
Em menos tempo do que a hora proposta, de alguma forma Kakashi não se atrasou, todos já estavam reunidos perto da saída principal da vila. O ninja mais velho estava conversando com os vigias e entregando os formulários de saída da vila da equipe, onde estava a permissão deles e o tempo esperado de que iam ficar fora. O construtor de pontes, seu cliente, estava um pouco afastado, ainda observando as crianças com suspeita que não fossem dar conta, o que os irritava muito. O trio, se segurando pra não arrumar briga com o cliente (isso não seria legal), resolveu abrir um mapa e ver o caminho que iriam percorrer até o destino. Ver o que de interessante teriam pra ver durante o trajeto. E como era uma missão de escolta eles estavam teorizando quais seriam os melhores lugares pra os (possíveis) bandidos fazerem uma emboscada. Algo que o sensei sugeriu que fizessem (ninjas devem sempre estar preparados!). De todos eles, o mais nervoso ali era Naruto. O garoto parecia esperar que em algum momento alguém fosse aparecer e falar que ele não podia ir. Danzo achava que era uma má ideia, mas que a experiencia o faria crescer, só reclamou que isso afetaria os planos de treino dele. O fez prometer que ia tentar meditar e focar no próprio chakra nos dias que estaria fora, já que um dos objetivos era fazer com que o controle do chakra do menino melhorasse. -Podemos ir. -o Hatake anunciou, chamando a todos. Nisso os mais novos guardaram o mapa e começaram a se dirigir ao portão junto com o construtor. Assim que estavam pra passar por ele notaram que faltava um membro. -Ei! Naruto, vamos logo! -grita Sakura, o grupo se virando para ver qual era o problema. O garoto piscou e voltou a realidade. -Já vou! -gritou de volta e correu até eles. A cada passo até o portão o loiro podia jurar que conseguia escutar cada batida do seu coração, sua boca secou de nervoso e tinha quase certeza que seus dedos estavam tremendo um pouco. Não sabia o que iria acontecer quando saísse pra fora. Quando faltava pouco ele parou novamente, hesitando um pouco. Então fechou os olhos, engoliu em seco, respirou fundo, pendeu o folego e correu para atravessar o portão. Assim que ultrapassou os muros e respirou novamente pareceu que o mundo parou ao seu redor e tudo ao seu redor explodiu em cores. Depois de andarem um pouco a rosada, que já que não havia nada interessante para se olhar no momento, resolveu puxar papo com o construtor, perguntando sobre o trabalho dele e a tal ponte que estava construindo e que eles deveriam proteger também. Sasuke andava escutando o que o homem dizia com curiosidade, apesar de tentar manter a face indiferente. De vez em quando a dupla parava para olhar o terceiro membro do time, que por algum motivo, olhava tudo em volta como se nunca tivesse visto uma arvore na vida. Algum tempo havia se passado, já haviam andado bastante, nem dava mais pra ver a vila. Estranhamente cruzaram caminho com umas poças de água, apesar de não chover a alguns dias e estar sol naquele dia. Imagina a surpresa deles quando delas saíram dois shinobis desconhecidos e prontamente atacaram e destroçaram o Jounin com as correntes presas a cada um. Sem nem terem tempo para respirar os inimigos foram para cima do alvo mais próximo, que por acaso era o loiro. -...! -por puro instinto o garoto deu uns passos para trás e evitou um golpe fatal, recebendo apenas um arranhão em uma das mãos que se ergueram para se proteger. Os inimigos pareceram meio surpresos por ele ter conseguido isso, pois parecia distraído, mas avançaram novamente. -Naruto! -Sasuke gritou e com precisão treinada conseguiu prender as correntes numa arvore com uma combinação de shuriken e kunai. -O que pensa que tá fazendo, idiota?! -empurrou o outro pra longe da ameaça enquanto chutava os dois. Ele só não esperava que estes fossem se soltar das correntes e irem na direção dos outros, onde Sakura e o construtor estavam, para o terror desta, que segurava uma kunai tremendo, mas determinada em cumprir sua tarefa de proteger o cliente deles. Felizmente um Hatake Kakashi surgiu intacto e impediu os dois, segurando-os e os imobilizando. Apenas parando para checar o estado dos outros com calma quando se assegurou que os dois shinobis estavam bem presos a uma arvore ali perto. Foi quando viu as caras surpresas e admiradas por ele ainda estar vivo e aparecido na hora certa (bem, quase na hora de acordo com Sasuke, o loiro quase morreu afinal de contas). Logo foi tratando dos assuntos por ordem de prioridade. -Naruto, você vai precisar fazer uma sangria nessa mão, as armas deles com certeza estavam envenenadas. -falou sério, olhando pro menor que empalideceu um pouco com a ideia. -Depois discutiremos sobre sua concentração aos seus arredores. Agora trate dessa mão imediatamente, antes que o veneno se espalhe. -E-está bem. -o menor pegou uma kunai de seu bolso e, em dúvida do quanto deveria cortar, enfiou a faca na mão com mais força que deveria realmente. Assustando a todos com a quantidade de sangue que saiu. -Naruto, seu idiota! -o moreno reclamou. -Não me assuste assim, baka! -queixou-se a rosada. -Você exagerou. -comenta o Hatake se aproximando pra conferir a ferida, que rapidamente se curava, o que não surpreendeu o mais velho devido a ciência sobre a raposa e a influência dela no corpo do loiro. -Mas vai ficar tudo bem. -disse mais pelo benefício dos outros. -Desculpa. -o garoto falou sem jeito, ele mesmo não sabia o que tinha acontecido nos últimos minutos, nem ao menos sabia como conseguiu desviar a tempo quando sua mente estava em branco. -Sasuke, Sakura vocês agiram muito bem. Parabéns. -elogiou a dupla, levemente orgulhoso das ações deles. -Obrigada, sensei! -Sakura reluziu com o reconhecimento, já Sasuke apenas se esticou e ajeitou a postura pomposamente. -Tazuna. Você está nos devendo algumas explicações. -virou-se severo para o construtor. -Aqueles ninjas estavam claramente focando em você. O que faz essa uma missão bem acima do nível que havia sido estabelecido e pelo que pagou. Proteção contra ninjas é algo nível B pra cima, totalmente diferente de proteção contra bandidos e ameaças mais simples. Não é uma missão feita para genins. -indicou a equipe dele. -Sua implicância inicial com eles serem pequenos agora faz mais sentido. -E-eu sei, só que... -começou a admitir meio hesitante. -Meu país está passando por dificuldades. O dinheiro que eu tinha para essa missão foi todo o dinheiro que pudemos recolher para pedir ajuda... -E a mentira e a vida dos meus alunos não importam por causa disso? -Não! Não foi isso que eu quis dizer! Eu realmente não esperava que Gatou fosse contratar ninjas para impedir que eu terminasse a ponte. Normalmente ele só tem bandidos e mercenários comuns ao seu dispor. -explicou rapidamente. -Gatou? Aquele mercante magnata famoso? -Kakashi para surpreso, não esperando o envolvimento dele. -Ele mesmo. -confirmou. -Ele se apossou do nosso país controlando as águas e o comércio marítimo. Agora quase todos que não são da nobreza ou tem alguma outra forma de obter alguma renda tem dificuldade de colocar comida na mesa. -viu que todos estavam prestando atenção no que dizia. -Ele sente que seu domínio está sendo ameaçado pela ponte então quer impedir que eu a conclua. Estamos quase acabando ela, falta só interligar as duas metades, foi por isso que estava no país do Fogo e vim pedir assistência de Konoha. Se vocês não nos ajudarem temo que ficaremos presos nas mãos tiranas dele eternamente. Por favor, não desistam da missão, só vai levar no máximo uma semana para concluir! -Sensei, nós não podemos abandonar ele assim. Nós podemos ajudar! -Sakura falou se virando para o platinado. -Se aparecerem mais ameaças como aqueles dois você é capaz de lidar com elas fácil, você é um Jounin de elite, já foi até um capitão da Anbu. É forte ao ponto que a maior parte desses oponentes não são nada para você. Meu irmão me contou. -Sasuke argumenta. -Se forem só bandidos nós damos conta, você não aceitaria a missão se não achasse isso. -Não precisamos voltar pra vila por causa de mim. Você mesmo disse que eu vou ficar bem, não estou sentindo nada estranho. Olha. -mostrou a ferida que já estava praticamente cicatrizada, para o choque dos colegas (e do cliente) que nunca viram alguém se curar tão rápido. -Vocês acham que podem dar conta se aparecerem mais ninjas? -Se trabalharmos em equipe podemos conseguir, se não no mínimo iremos segurar eles o suficiente pra você vir ajudar a gente. -a rosada prontamente respondeu, ela não ia deixar o medo paralisar ela, afinal tinha decidido se tornar uma ninja e entrou na academia para isso. -Foi para situações assim que você nos ensinou aquelas formações e nos fez revisar e corrigir o estilo básico de luta da academia, né? Tudo que precisamos fazer é seguir elas e um cuidar das costas do outro. Criar experiência é importante na carreira de um ninja. -o Uchiha apontou e deu de ombros tentando passar a impressão de indiferença apesar de que não queria perder a oportunidade de fazer uma missão de nível mais alto e poder se gabar pro irmão depois. -Eu não vou ser um peso morto de novo. Definitivamente! -o loiro declarou, também não queria saber o que aconteceria se voltassem pra Konoha agora, não sabia se queria voltar, se abandonar a missão teria alguma repercussão ruim ou algo assim. Ele queria explorar mais do lado de fora, não sabia quando e se teria a oportunidade novamente! E se nunca mais deixassem ele sair assim por causa do que ele era? -E você sempre fala sobre ser errado abandonar os companheiros de equipe, mas não seria o mesmo se abandonássemos alguém que está pedindo nossa ajuda? -encara o mais velho que ficou surpreso com as palavras. -Está bem. -sorriu, mas depois ficou sério. -Se algum momento vocês parecerem que não vão dar conta nós voltaremos na mesma hora. Não achem que a vida de vocês é descartável. -Muito obrigado! -o velho senhor falou extremamente grato com a decisão deles. Eles seguiram em frente após isso, retornando a viagem. Quando enfim chegaram a costa, havia um barco de um conhecido de Tazuna esperando por eles, para voltarem de forma mais discreta possível, longe das rotas oficiais e aproveitando a grossa névoa que estava àquela hora, tão densa que mal se dava para ver um palmo a sua frente. O pescador os guiou por puro hábito e conhecimento das águas que cercavam a ilha. Por coincidência eles passaram perto da ponte que estava sendo construída, ficando admirados pelo seu tamanho gigantesco. Nesse meio tempo ambos os moradores da ilha explicaram melhor como as coisas estavam com o controle de Gatou sobre eles. Como ele se aproximou com sua companhia por pura ganância e tomou o poder inicialmente através de tratados comerciais, que por se tratar de uma ilha era vivia puramente de comércio marítimo. E por isso a ideia de outras possibilidades que a ponte trazia era uma ameaça pra ele e por isso queria matar o engenheiro responsável pela obra, impedindo seu término. E por causa disso tinham que ir da forma mais imperceptível possível, para ganharem tempo e irem com mais segurança. Assim, o barco só atracou em um cais bem longe do porto, bem escondido e fora de vista, mas não óbvio ou não usado o suficiente para ser suspeito. -Obrigado, Isamu. Sua ajuda e coragem vai, com certeza, ajudar nosso país a sair dessa miséria em breve, meu amigo! -o construtor agradeceu. -Boa sorte com a ponte. Todos nós contamos com você para abrir o caminho! -o pescador respondeu de volta antes de se afastar e se mesclar com outros barcos a distância. -Se seguirmos por essa trilha chegaremos na sua casa em pouco tempo, certo? -o Hatake o olhou pra confirmar a direção a ser seguida. -Isso, se seguirmos ela minha casa ficará visível alguns minutos depois que passarmos das árvores. Minha casa fica perto do rio, então enquanto estivermos ouvindo o som de água correndo estaremos bem. Por favor, me leve de volta pra ela com segurança. Estou contando com vocês. -pediu para os ninjas a sua frente humildemente. Prontamente seguiram o caminho cautelosamente na tentativa de evitar outra emboscada. Naruto particularmente olhava pra todos os lados frequentemente, as vezes fazendo umas caras estranhas, o motivo disso ninguém sabia e escolheram não perguntar, pelo menos o ele estava prestando mais atenção do que antes. Até que em um momento ele, do nada, focou numa direção e atirou uma shuriken, dando um baita susto neles. -Naruto o que foi isso? -Sakura foi a primeira a falar algo. -Tem uma presença ali! -o loiro se defendeu, sem saber como explicar o que havia sentido. -É apenas um coelho branco. Que estranho. -o Uchiha, que tinha se aproximado para conferir, constatou. -Não saia atirando armas assim sem pensar direito. -Kakashi repreendeu, mas sem qualquer calor nas palavras. Parando pra analisar a bizarrice de ser um coelho branco sendo que essa espécie só ficava assim no inverno. -Fiquem em alerta. -falou baixo apenas para seus companheiros ouvirem, enquanto olhava em volta com mais cuidado, procurando a ameaça. -Pro chão! -gritou segundos antes de uma espada enorme vir voando e girando na direção deles. Parando quando fincou numa arvore na direção oposta da que veio, e num piscar de olhos um shinobi desconhecido estava em pé em cima do cabo dela. -Momochi Zabuza, nukenin da Vila da Névoa. -reconheceu do Bingo book, um livro que continha informações sobre nukenins, criminosos e inimigos da vila, cada uma tendo sua própria versão. Os genins tensionaram com o tom do jounin, era um obvio aviso para eles. -Hatake Kakashi, o famoso ninja copiador de Konoha. -o desconhecido, nomeado Zabuza, observou o de cabelos brancos com cuidado, conhecendo a fama e histórias que o outro possuía. -Independente disso devo avisar... A cabeça desse velho é minha. -Sasuke, Sakura, Naruto não tentem entrar na luta. Ele é totalmente outro nível comparado aos de antes. É um jounin como eu. -esclareceu enquanto ajeitava sua postura para o inevitável. -O objetivo e foco de vocês é apenas proteger nosso cliente, entenderam? -olhou rapidamente pros mais novos apenas para confirmar que eles entenderam, que acenaram positivamente e se posicionaram em volta de Tazuna em uma das formações que o mais velho havia ensinado para caso tivessem que entrar na defensiva. -Seu adversário sou eu, Zabuza. Deixe as crianças fora disso. -se preparou para levantar a bandana de seu olho e revelar seu outro olho. -Eu sou alguém digno de ter o sharingan logo de início assim? Me sinto honrado. -o inimigo falou, já virado na direção deles. -Sharingan? -Sasuke se assustou brevemente antes de se lembrar. - ‘Verdade, meu irmão me contou que ele possuía um olho, mesmo não sendo um Uchiha. Se me recordo certo meu pai falou que ele é um dos poucos com essa honra, que foi um presente que deve ser respeitado.’ -‘O nosso sensei possui um sharingan mesmo sem ser do clã do Sasuke? Eu não sabia disso! Que incrível!’ -a Haruno olhou pro professor admirada, ele era mais forte do que ela esperava. -‘Por que esse termo me deixa desconfortável agora?’ -o loiro pensa confuso, não era a primeira vez que escutava sobre os famosos olhos vermelhos com tomoes. -Me pergunto se todos os rumores sobre você são verdade. Você realmente copiou 1000 jutsus? -inquire curioso, ignorando totalmente os pirralhos. -Por que não paramos de falar e você vem descobrir por conta própria? -rebateu com um sorriso de olho, mas se mantendo totalmente alerta. -Tem razão eu preciso matar o velho. -concordou e em menos de um piscar de olhos ele já estava indo pra cima deles, forçando todos a recuarem e o som de lâminas se chocando ressoou na clareira. O Hatake havia intermediado a espada com uma kunai. -Mas primeiro terei que lidar com você. -foi para o rio e fez alguns selos com as mãos antes de declarar. -Ninpou: Kirigakure no jutsu! -num instante um nevoeiro se formou por toda a área, mais denso que o que haviam passado de barco mais cedo. -Todo mundo se abaixa! -Naruto exclama de repente empurrando o construtor junto com ele. -Parece que você tem instintos afiados, garoto. Que inconveniente. Terei de me livrar de você também. -chutou o garoto pro lado, mas os outros dois genins, já armados, se colocaram na frente do construtor. O adulto olhou pra cena com desdém antes de pegar a criança que havia jogado pra longe pelo pescoço. -Imagino o que vocês iriam escolher se tivessem que escolher entre suas vidas, da de quem estão protegendo e a do colega de vocês... -apertou um pouco o seu aperto no loiro que arfou com falta de ar e de dor, os outros dois olhavam para a cena com horror divididos com o que fazer. -Não toque nos meus alunos, seu maldito. -Kakashi surgiu entre eles, libertou o garoto empurrando-o pra segurança e apunhalou o fígado do sem camisa, que se dissolveu em água. O que logo escalou em um lutar com o outro, as vezes bloqueando as lâminas e as vezes apunhalando um ao outro antes de se frustrarem por ser uma substituição ou um clone de água, mas até então ambos não gastando muito chakra, esperando o adversário fazer isso primeiro. Vendo que a estratégia atual não estava funcionando ambos iniciaram uma troca de golpes de taijutsu, mas onde um atacava outro defendia, quando era o oposto o outro redirecionava o golpe. Enquanto um possuía mais força bruta o outro tinha agilidade e versatilidade para usar essa força contra ele. -O sensei não estava brincando. Eles estão completamente em outro nível. -Sakura comenta aproximando e ajudando o loirinho a se levantar, aproveitando da distração dos adultos. -Você está bem? -pergunta o moreno do time quando os dois se aproximaram. -Vou ficar, mas acho que isso vai ficar roxo. -falou meio rouco pela pressão que havia sido exercida na sua garganta, embora era capaz de sumir rápido também, ele nunca ficava machucado por muito tempo. -Acham que ele vai vencer? -a rosada olha para os companheiros nervosa, enquanto todos prestavam atenção da batalha a sua frente. -O Sharingan não devia ajudar ele a ter a vantagem na luta? O doujutsu não ajuda a prever movimentos? -recordou do que já leu em livros. -O Sharingan ajuda, ele copia e prevê os movimentos e técnicas usadas também. Mas não podemos esquecer que ele está lutando para nos proteger, então isso deve ser mais difícil que uma luta comum. Tanto é que ele tá evitando que qualquer dos ataques do nukenin venham em nossa direção. -o Uchiha explicou, mas não sabendo responder a primeira pergunta, ele só torcia que a resposta fosse sim. -Você tem sharingan? -Naruto perguntou pro moreno. -Ainda não despertou. Pelo que sei isso normalmente precisa de algum gatilho e sentimentos muito fortes. -contou um pouco frustrado, afinal com a idade dele o de seu irmão já tinha até todos os 3 tomoes! Com a intenção de surpreender o inimigo com o uso de seu próprio elemento, o Hatake quebrou a troca de golpes e pulou na direção do rio, mas assim que aterrizou percebeu que havia algo estranho, pois seu pé afundou na água quando com certeza não devia. E nesse milésimo de segundo de distração Zabuza surgiu do lado do ninja da Vila da Folha e o prendeu numa prisão de água, de onde o jounin era incapaz de sair se os olhos arregalados deste fosse alguma indicação. -Sensei! -os genins gritam aterrorizados, o que eles deviam fazer agora? O sensei sempre falou que não deviam abandonar os companheiros e que isso era muito importante, então por que ele estava sinalizando para eles fugirem e abandonar ele? -Hora de acabar com esse faz de conta de ser ninja. -decreta, sem se mover de onde segurava o grande orbe de água, fazendo um selo com a mão livre e criando outro Mizu bunshin, que foi na direção dos jovens ninjas. -Não! -Naruto nega. -Não estamos brincando! -Oh? Não? Então acham que podem me derrotar? -Não precisamos te vencer. Você só prendeu nosso sensei numa armadilha porque sabe que não vence dele. -Naruto tem razão. -Sasuke arregalou os olhos entendendo a ideia do colega. -Não precisamos vencer contra um jounin, só libertar o Kakashi-sensei. -falou baixo. -Plano A? -Naruto sugeriu, olhando pros dois com um breve sorriso, eles sorriram de volta pra ele e concordaram. -Tajuu Kage bunshin! -anunciou após fazer um selo e centenas de clones surgiram, cercando o clone do ninja renegado, que foi pego completamente de surpresa por um genin saber essa técnica e ser capaz de fazer tantos clones de uma só vez sem morrer no processo. Até os outros dois se espantaram, mas tinham que se focar no papel deles no plano. -Atacar! Após todos os loiros gritarem juntos, eles pularam pra cima do clone de água enquanto ele ainda estava surpreso. Quando os que estavam em cima dele foram jogados pra longe, cada um deles pegaram kunais, um imitando ao outro, e arremessaram na direção dele, que desviou de várias antes de ser novamente pego desprevenido quando algumas continham selos de explosão. O clone do adulto também estava confuso pelos outros dois aparentemente não estando fazendo nada, apenas parados e sorrindo pra ele por algum motivo, o que o deixava incomodado e irritado pela audácia de um bando de pirralhos. -Agora. -um dos loiros proclamou, para aproveitarem a poeira e a distração que a explosão causou. Dessa vez o alvo deles era o verdadeiro corpo do renegado, que não esperava tamanha coragem e inteligência das crianças. Com um selo ele criou e cuspiu uma bola de água na direção das kunais para diminuir a velocidade delas e desabilitar os papeis bomba. O que também destruiu vários dos clones que estavam mais perto da borda e que não haviam sido afetados pela explosão de antes. -Te... -...pegamos! -uma dupla de loiros proclamou surgindo de onde outras duas kunais estavam passando do lado dela, elas haviam sido jogadas e por causa que nem iam tocar nele, ele havia inorado. Uma segunda onda de fumaça um dos loiros se revelou o moreno enquanto ambos giravam pra chutar e apunhalar o nukenin que foi obrigado a soltar ninja de cabelos brancos. -Pirralhos malditos! -rosnou de raiva, principalmente por um deles ter conseguido arranhar ele perto do olho. -Mas acho que é minha culpa por subestimar vocês. Agora vocês vão morrer! -correu em direção ao loiro, que estava mais perto, e que havia sido o primeiro a atrapalhar ele pronto para descer a uma kunai na cabeça do garoto. -Não, Zabuza. Quem vai morrer é você. -Kakashi informou parando a arma com o próprio braço e enfiando outra no abdômen do oponente antes de chutar exatamente o mesmo lugar. -Ninguém ameaça o meu time. -Arg! -o renegado cuspiu sangue e atingiu uma arvore, mas antes que pudesse se recuperar, foi perfurado e preso nela com mais kunais, atiradas com força e precisão o suficiente pra o prender ali. Mas antes que o Hatake pudesse se aproximar pra dar o golpe fatal agulhas gigantes praticamente apareceram no pescoço do nukenin, de tão rápidas que elas foram jogadas. -Está certo. Ele precisava morrer. -anunciou um novo desconhecido com uma máscara de porcelana com o símbolo da Vila da Névoa. -Um Oinin de Kirigakure, um caçador de ninjas renegados. -Kakashi fala para o benefício dos genins que olhavam pro novato com desconfiança e apreensão, enquanto se aproximava para conferir se o outro estava mesmo morto. -Veio atrás da cabeça de Zabuza eu presumo. -acenou após confirmar. -Exato. Devo agradecer pela sua assistência no abate dele. -o garoto mascarado respondeu e num instante surgiu perto do corpo após o jounin se juntar com o próprio grupo. -Obrigado, mas agora devo partir para destruir o corpo. -desapareceu, de fato carregando o corpo junto, deixando para trás apenas o sangue no chão e na arvore como prova. -Sobrevivemos! -Sakura suspirou aliviada, ela foi a responsável de manter a guarda com uma ilusão do moreno enquanto os outros dois libertavam o professor. -Vocês foram bem. -Kakashi elogiou o grupo. -Mas a próxima vez que eu ordenar que fujam, é melhor obedecerem. -oscilou. -Kakashi-sensei? -Sasuke se aproximou olhando pro adulto preocupado. -Estou bem, o Sharingan só drenou muito do meu chakra, a perda de sangue e o tempo que fiquei sem respirar naquela bolha não ajudam realmente. -esclareceu com um sorriso para relaxar os menores. -Com um pouco de descanso ficarei bem. -Já estamos perto da minha casa. Vamos. -chamou o construtor que foi ajudar o adulto mais novo a caminhar até lá, pois era óbvio o esforço que fazia para se manter em pé e não assustar as crianças. Chegando na casa foram recepcionados pela filha dele, que estava claramente aliviada de ver o pai vivo e ainda por cima havia trago ajuda de ninjas. Nos próximos dois dias eles descansaram da viagem e batalha antes do professor decidir que era hora de treinar mais eles, pois seus instintos falavam que a situação ainda não havia sido totalmente resolvida e iriam precisar de todas as suas forças em breve.
----- CHAPTER BREAK -----
Eles estavam numa clareira não muito distante daquela que haviam enfrentado Zabuza, entretanto mais longe do rio e mais pra dentro do pequeno bosque daquela região da cidade portuária. O objetivo deles naquele dia era treinar e esclarecer algumas coisas que o jounin notou durante a viagem. Durante os dias que ficaram parados era evidente que algo de estranho estava acontecendo com o pequeno Uzumaki, desde que saíram de Konoha ele parecia mais distraído e sobressaltado que o normal, parecendo levar sustos de mínimos movimentos e presenças depois que a adrenalina dos ataques passou.
-Naruto. -chamou após se teletransportar com um shushin pro lado dele sem qualquer aviso, mesmo assim o garoto já tinha virado o rosto nessa direção e estava com os olhos enormes por ter acertado. O que confirmou a suspeita do platinado. -Você consegue sentir a presença dos outros não consegue?
-Eu... Eu não sei. Eu consigo sentir algo vindo na minha direção, mas... Mas também sinto tudo a minha volta. É como se mesmo com os olhos fechados tudo brilhasse, cada coisa com uma intensidade diferente, eu não sei... -falou meio incerto.
-Tudo? -foi a vez do mais velho arregalar os olhos. -Você sente a energia, o chakra de
tudo
?
-Eu só sei que meus sentidos estão gritando desde que saímos da vila. Eu nunca senti nada assim. -o garoto acrescentou depois de confirmar.
-Sensei, o que isso significa? -Sakura olhou pro professor curiosa com a troca.
-Significa que o Naruto é um sensor natural.
-Mas como se ele mesmo falou que nunca havia sentido nada parecido antes? -foi a vez de Sasuke perguntar, de alguma forma os dois inteligentes do grupo haviam caído nessa dinâmica sem mesmo perceber.
-Se a sensação é tão extrema como ele está descrevendo é capaz de ter suprimido inconscientemente para se proteger, já que seria provavelmente demais para ele, iria sobrecarregá-lo ficar um isso ativo numa vila ninja. -teoriza, enquanto pensava nas possibilidades e o que precisava conferir.
-Sobrecarregar como? -a rosada olhou pro colega meio preocupada.
-Na capacidade de se concentrar, paralisia por sobrecarga de sentidos, pode até causar dor em casos mais graves. -os genins fizeram caretas com a resposta tão alarmante. -Imagino que o motivo que Naruto demorou tanto para reagir e se machucou durante o ataque dos Irmãos Demônios foi por causa dessa sobrecarga.
-Faz sentido, ele estava realmente agindo estranho depois de que saímos da vila. -o Uchiha lembrou das caras aleatórias que ele fazia enquanto olhava em volta.
-Vocês também não estariam bem se tudo a sua volta do nada parecesse brilhar ao ponto de te cegar e até o ar ficar tão intenso que ficava difícil de respirar. -o menino se defendeu com uma pitada de mal humor, mas foi a forma dele falar que alarmou o prateado.
-Ainda está assim? Tudo a sua volta está te deixando mal?
-Está melhorando aos poucos, eu acho. Nas primeiras horas estava bem insuportável, as coisas estavam tão bizarras que parecia que eu não conseguia nem mais sentir ou ouvir o mundo a minha volta. -o menor ponderou.
-A tendencia é ir melhorando conforme vai se acostumando e treinando essa habilidade. -o professor falou e olhou de volta pro menino. -Mas temo que não temos muito tempo para te deixar o mais funcional possível novamente, creio que é possível que tenhamos sido enganados por aquele garoto shinobi que tecnicamente matou Zabuza.
-Como assim, Sensei? -perguntaram sem entender exatamente o que aquilo significava para eles.
-Os pontos vitais que as agulhas atingiram seriam perfeitos para induzir alguém a uma falsa morte e é suspeito que ele não tenha destruído o corpo ali mesmo, o que é normalmente o procedimento padrão para esse tipo de situação, para evitar possibilidades de um terceiro roubar o corpo. -explicou, já que sabia que os mais novos não tinham essa informação.
-Se você suspeitava disso então porque deixou eles escaparem? -Sasuke perguntou genuinamente confuso.
-O garoto não parecia hostil conosco e precisávamos da abertura para levar Tazuna até a casa. Fora que a luta usando o sharingan me deixou exausto, não conseguiria lutar com outro oponente naquele momento. Não esperava um segundo shinobi, o que me surpreendeu e foi um erro da minha parte que poderia ter custado nossas vidas. -o adulto admitiu, parte dele envergonhado e decepcionado consigo mesmo.
-Você só nos comprou mais tempo, basicamente. -o moreno entendeu.
-Exato, nesses dias espero conseguir ensinar algumas coisas que espero que possam ser uteis e que vão melhorar o controle de chakra de vocês, o que vai ajudar a fazê-los durar mais numa luta. -esclareceu. -Por isso é importante descobrir o nível de precisão da leitura de chakra e o quanto isso afeta você, Naruto. Essa habilidade pode ser um grande trunfo, já que diminui as chances de sermos pegos de surpresa.
-Eu lembro de ler que sensores são uteis, mas relativamente raros, é verdade? -foi Sakura que questionou, mas os outros dois também estavam curiosos, principalmente o loiro.
-Eles são, para ambos os quesitos. Nem todo ninja tem aptidão para sentir chakra com exatidão para ser um sensor. E um sensor bem treinado e capaz consegue sentir inimigos e camaradas a quilômetros de distância, ataques surpresas a base de chakra são sentidos possivelmente antes de alcançar o alvo e um genjutsu precisa ser extremamente poderoso para capturar e confundir o sensor. -os três ficam abismados com a informação, mas o mais velho sinalizou para que esperassem. -Contudo sensores, como qualquer um, não são perfeitos. Existem formas de enganar e sobrecarregar um sensor ao ponto dele se tornar inútil. Apenas 5% dos ninjas têm potencial para virarem sensores.
-Mas sensei, você falou que o Naruto é um sensor natural. O que isso significa? -olha pra ele confusa com o termo.
-Significa que ele tem naturalmente a habilidade de um sensor, só precisando de treino pra refinar. Somente 1% dos ninjas já nascem com essa aptidão. Mas pela descrição dele, ele também é capaz de sentir energia natural, vindas de plantas, animais e até a própria terra, o que, de fato, é extremamente raro e é o que acredito ser responsável pelo comportamento anormal dele nos últimos dias, já que ele literalmente sente
tudo
a volta dele, só consigo imaginar o quão atordoante é isso. Também foi o motivo dele ter sido capaz de sentir o coelho que algum dos ninjas usou na substituição, ele instintivamente entendeu que algo estava de errado e era uma ameaça. -os relembrou do momento.
-Energia natural? Isso é um tipo de chakra? -o loiro pergunta tentando digerir tudo, o mundo realmente estava gostando de encher ele de informação ultimamente e ele já estava com uma leve dor de cabeça por causa dessa história de ele ser um sensor.
-Pode se considerar que sim. É uma energia que quando absorvida pode ser usada como chakra, mas é extremamente difícil de se controlar. Os usuários conhecidos são muito poucos, pois pode ter efeitos negativos no corpo, casos extremos matam os iniciantes sem tutela. De Konoha somente 4 pessoas foram capazes de adquirir o Modo Sennin, como é chamado, e nem todas são capazes de controlar o modo dele completo. A primeira delas foi o Primeiro Hokage, teorias falam que foi graças a isso que ele foi capaz de criar o Mokuton mas ninguém sabe como ao certo, por isso ele foi o único usuário de madeira no mundo. Existe também alguma relação disso com a afinidade do tipo invocação e alguns afirmam que são as invocações que são capazes de guiar os usuários no processo. -os jovens estavam totalmente imersos nas palavras do adulto. -Voltando ao tópico, eu não espero que Naruto seja capaz de controlar isso imediatamente, talvez precise de anos pra alcançar todo seu potencial. Ele ser capaz de sentir chakra da natureza é um possível sinal de que ele pode um dia usar esse tipo de chakra. Mas o que tentaremos fazer é tentar ajudar ele a se adaptar, se acostumar com os nossos chakras e ser capaz de avisar quando alguém está perto.
-Isso significa que vou parar de sentir dor de cabeça o tempo todo por causa do chakra a minha volta? -Naruto olhou levemente esperançoso, os
últimos
dias haviam sido terríveis nesse quesito.
-Você tem sentido isso o
tempo todo
? -repetiu franzindo as sobrancelhas.
-Bem... Sim. Quando fomos atacados eu acho que diminuiu um pouco mas dizem que adrenalina afeta muito nosso corpo, né? -o adulto assentiu confirmando, não esperando que o menino fosse chegar nessa conclusão por conta própria. Mas a notícia em si era ruim, mostrava que ele era mais sensível do que imaginava e eles não tinham exatamente muito tempo.
-E por que você não falou nada? -era uma questão que o adulto nem sabia se queria a resposta sincera como no quadro do envenenamento, só mostrava o quanto haviam falhado com ele.
-Não pareceu importante e eu achei que ia passar logo. -sacudiu os ombros.
-Temos que aumentar sua resistência então. -decidiu com mais urgência. -Precisamos descobrir o seu limite atual. -logo chamou os outros 2 genins para perto pra um pequeno teste, eles todos iam ativar seus chakras ao mesmo tempo para ver como o loiro ia se sair. Assim que o fizeram o garoto só viu sua visão ficar completamente negra antes de acordar caído no chão, ele havia apagado brevemente. Após mais alguns testes, com dois deles repetindo o procedimento e alterando as duplas e depois sozinhos o acinzentado chegou numa conclusão. -Parece que por enquanto só consegue lidar com mais chakra quando está sob efeito da adrenalina. A proximidade de onde o chakra está também parece ser um fator importante, já que você só apagou quando fomos todos juntos e do seu lado. A quantidade de chakra que cada um tem muda o tipo de reação sua, o que é esperado.
-Ele vai ficar bem? -Sakura perguntou ainda surpresa pelo colega ter chegado a desmaiar, então era isso que o sensei tinha se referido quando disse que dava pra sobrecarregar um sensor?
-Ele vai. Podem ficar tranquilos. Só vamos precisar tomar cuidado com o exercício, fazendo um de cada vez para dar tempo de ele ir se acostumando.
-Sensei, você falou que o exercício ia ajudar no nosso controle de chakra. O que vamos fazer? -o Uchiha perguntou por fim.
-
Kinobori Shūgyō.
Vocês vão praticar subir em arvores. -foi encarado com caras confusas e incrédulas. -Mas só que sem usar as mãos. Assim. -demonstrou a técnica sem esforço algum, já era tão fácil quanto respirar pra ele.
-Uau! -a rosada exclamou impressionada e pensando em como algo assim podia ser util.
-O que terão que fazer é simples: levar e focar o chakra na sola dos pés de vocês enquanto estiverem subindo. A quantidade exata depende por pessoa, pois depende do biotipo, estrutura corporal e peso, então vai ser por tentativa e erro. -explicou após descer e entregar uma kunai para o menino moreno. -Você vai primeiro.
-Ok. -o Uchiha respirou fundo e correu na direção de uma arvore, dando alguns passos antes de escorregar pro chão. -De novo. -falou antes de correr novamente até a mesma arvore, mas dessa vez colocando chakra demais o que machucou a casca da pobre arvore. -Droga, esqueci de marcar até onde fui.
-Você vai ter que fazer isso depois. Sakura, sua vez. -falou após checar que o Uzumaki estava bem.
-Tá bom! Lá vou eu! -declarou e prontamente foi em direção a arvore, surpreendendo até a si mesma quando conseguiu de primeira. -Hã? -deu alguns passos mais devagar, pra cima e pra baixo antes de se sentar num galho. -‘Isso foi mais fácil do que imaginava. Eu sou incrível, shanaroo!’
-Naruto, agora você.
-Hai. -parou de frente para uma terceira arvore antes de hesitar. Ele sabia que tinha muito chakra e quase nenhum controle, esse era todo o ponto do treinamento atual com Danzo! Ele devia ir com tudo pra ter noção do que
não
fazer logo de cara? -Aqui vou eu! -pegou velocidade e foi pra cima, mas assim que começou a subir seu pé criou um buraco na arvore, o que fez ele cair no chão com força. Ao ponto de fazer sua bunda doer. Os outros 3 presentes olhavam pro dano causado meio incrédulos, embora o Hatake devesse imaginar algo assim vindo.
-Parece que os que vão precisar continuar treinando são Naruto e Sasuke. O que é esperado já que são os que possuem maior reserva de chakra. -os dois meninos se olharam surpresos. -Sakura, já que possui um talento natural para o controle de chakra, você irá supervisionar o construtor junto comigo enquanto eu te passo outro exercício para praticar. Conforme as coisas se desenvolverem a partir daqui vemos se conseguimos reforçar o taijutsu de vocês se sobrar algum tempo.
Como o Uzumaki precisava acostumar-se com o chakra deles foi decidido que os dois garotos iam treinar juntos, o que ajudaria a criar uma resistência no loiro pelas horas de exposição ao chakra do outro constantemente. Fora isso o professor decidiu que seria uma boa ensinar o loiro a meditar, também com o propósito de ajudar ele a se acostumar com os novos sentidos aguçados. Mas como esse também era um bom exercício para controle os três genins fariam juntos algumas vezes ao dia.
Os meninos só faziam pequenas pausas para algum lanche, água e recuperar o folego. Mas mesmo se esforçando por um dia inteiro pouco eles progrediram, então mais tarde Sasuke resolveu ignorar um pouco do seu orgulho e perguntou a colega como ela tinha conseguido tão fácil, com Naruto escutando igualmente intrigado. Eles também retornavam para a casa de Tazuna para as refeições, onde escutavam relatos da rosada de como estava a vila, agora que tinha visto com os próprios olhos. Ela nunca havia visto tanta pobreza e gente numa situação tão ruim.
No segundo dia Naruto notou que o jeito normal não estava funcionando com ele, visto que o Uchiha agora estava muito a sua frente na escalada. Então resolveu tentar algo diferente, algo mais parecido com o que estava aprendendo nas suas sessões com o Shimura. Durante elas, estava aprendendo que seu chakra funcionava de forma diferente da dos outros e por isso o que era simples para os outros não era para ele.
-‘Como era mesmo? Primeiro eu tenho que focar e sentir o meu chakra passando pelo meu corpo...’ -fechou os olhos se concentrando. Ficou alguns minutos só fazendo isso, o que atraiu olhares confusos do colega. -‘Agora vamos tentar fazer isso devagar e tentar guiar ele para meus pés e lembrar da sensação dele lá...’ -quando estava confiante que já tinha memorizado a sensação ele foi devagar na direção da árvore, somente nela ele conseguiria ver quanto ele deveria levar até lá. Ele foi sincronizando os passos com sua respiração, ficava mais fácil quando ele usava o ritmo de algo preexistente para guiar o chakra. Aparentemente estava dando certo e...
-O que você está fazendo? -Sasuke perguntou o fazendo abrir os olhos e se desconcentrar. Por pouco ele conseguiu marcar até onde tinha ido antes de cair.
-Eu estava tentando subir na arvore, até que você me distraiu! -fuzilou o outro com os olhos, levemente frustrado. O outro teve a decência de corar, já que esse não havia sido a intenção dele.
-É que você ficou um tempão parado e do nada quando se moveu você subiu mais do que antes. -
se explicou e indicou a arvore, onde realmente havia um considerável espaço entre as marcações anteriores e a mais recente. -Como conseguiu fazer isso? Você quase me alcançou agora pouco, sendo que estava com dificuldades mais cedo.
-Huh... Conseguindo? -respondeu pra frustração do outro.
-Não me venha com “conseguindo”! Você teve todo um processo de preparação antes de conseguir!
-Eu não sei explicar, ok? Meu chakra funciona de forma estranha. -falou sincero e dando de ombros.
-Como assim? -o Uchiha o olhou confuso.
-Você sabe explicar como você sabe respirar? -o outro negou com a cabeça, era algo instintivo até onde sabia. -É tipo isso, não dá pra explicar com palavras.
-Entendi... -falou sem entender realmente, mas entendendo a analogia.
Voltaram a treinar e passaram horas sem parar, passaram a noite fazendo isso sem nem perceberem. Ambos faltavam pouco pra chegarem no topo de suas respectivas arvores. Mas ainda iam precisar de mais tempo pra dominar a técnica completamente. Nesses dois dias o moreno notou que o Uzumaki possuía bem mais estamina que ele, demorava mais para sua respiração ficar falha com o exercício. E o garoto não se considerava alguém que se cansava rápido, então estava impressionado.
Será que isso tinha a ver com a possibilidade de ele fazer parte do clã Uzumaki realmente, como eles estavam suspeitando? Se ele se lembrava certo, era um clã que possuía alta vitalidade. Pelo menos era o que tinha sido documentado. Porém não abordou o outro sobre o assunto novamente. Não tinha esquecido de como o loiro havia reagido ao assunto quando falaram com ele aquele dia na biblioteca. Nunca havia visto o outro se fechar tanto. E agora com essa confusão de ele ser um sensor, Sasuke achou melhor não pressionar mais ele. Eles tinham mais com o que se preocupar e teriam muito tempo pra pesquisar sobre isso depois.
Depois que eles estavam basicamente exaustos resolveram enfim fazer uma pausa. Naruto se sentou encostado numa arvore num lugar onde estava sombra e decidiu que ia tentar meditar um pouco, coisa que ele estava basicamente fazendo sempre que podia já que estava ajudando com as dores de cabeça e se acostumar com o chakra dos outros. Quando o mais velho olhou pro colega novamente esse parecia que tinha caído no sono, então resolveu aproveitar e ir encher seu cantil de
água
. Estava pensando o quão pouco faltava pra dominar a habilidade no caminho de volta e se surpreendeu ao ver que tinha alguém se aproximando da forma adormecida do loiro com a mão estendida, tensionou imediatamente vendo que parecia estar indo na direção do pescoço. Porém antes de tocar no ombro do garoto, para a surpresa do Uchiha (e alívio), o Uzumaki abriu os olhos e o silencio se instaurou no local.
-Quem...? -foi interrompido pela pessoa desconhecida, que parecia ter por volta da idade deles.
-Você acordou, que bom! Nesse tempo se dormir do lado de fora pode pegar um resfriado ou algo pior. -a pessoa sorriu deixando os dois meio atordoados, parecia ser uma garota.
-Quem é você? -Sasuke fez a pergunta que ambos queriam saber.
-Oh! Ele não estava sozinho? -o outro garoto só mostrou o cantil de
água
como resposta a isso. -Meu nome é Haku, essa é a melhor hora para colher ervas medicinais então levei um susto ao ver alguém deitado por aqui.
-É isso que veio fazer? -Naruto perguntou esfregando os olhos pra espantar o cansaço.
-Sim, alguém importante pra mim está mal então quero ajudar ele se recuperar. -a garota sorriu pensativa, mas voltando a colher as ervas que havia ido buscar. -E vocês? O que fazem aqui tão cedo da manhã?
-Somos ninjas, então temos que treinar. -Sasuke respondeu orgulhoso, apontando para sua bandana, o olhar da outra parou ali mais tempo que o normal.
-Essas ervas... São para dor? -o loiro olhou para o que ela estava coletando. Claramente não eram as mesmas que tinham na vila, contudo eram bem parecidas.
-São sim, elas são boas contra infecções também. -se espantou que o garoto parecia saber um pouco do assunto. -Por que estão treinando tanto assim? -indicou para as roupas sujas dos meninos.
-Para ficar mais forte. -responderam juntos, o que fez ambos piscarem e se entreolharem.
-Por que querem ficar mais forte? -olhou pros dois com curiosidade. -É para proteger alguém? -com a sugestão o Uchiha parou o que ia responder confuso com a sugestão repentina, enquanto o Uzumaki franziu as sobrancelhas, como assim proteger alguém? Ele não tinha -
não precisava de
- ninguém!
-Que? -o moreno inclinou a cabeça pro lado.
-Uma pessoa só se torna realmente forte quando tem algo que queira proteger. Somente assim nos tornamos realmente fortes. -explicou enquanto os dois genins olhavam e paravam contemplativos. -Entendem.
-Sim. -Sasuke sabia o que era ter alguém importante para ele, amava sua família e queria ter força pra proteger eles como eles protegeriam a ele.
-Não. -o conceito era completamente alienígena para o loiro, ele sempre esteve sozinho, as pessoas sempre o deixavam sozinho.
-Que pena. -olhou pro menor deles. -Espero que encontre alguém algum dia, viver sem um propósito
é triste. -
se virou pro outro menino. -Você já está no caminho pra se tornar verdadeiramente forte.
-Huh... Obrigado, eu acho. -respondeu sem saber mais o que dizer enquanto o colega parecia atônito com a conversa, parando pra pensar ele andava vendo vários lados do loiro que não faziam muito sentido e totalmente diferente do que todos conheciam da academia.
-Nos veremos novamente. -se despediu, levantando-se e segurando a cesta com as ervas que tinha coletado durante a conversa. -A propósito, eu também sou um garoto. -falou mais para seu divertimento próprio com o espanto dos outros, que não esperavam isso já que a roupa que vestia era mais feminina. Mas era uma
ótima
forma de se disfarçar, as pessoas esperavam menos ameaça de garotas que se aparentavam frágeis afinal (a cara de quando se revelava para os outros era sempre impagável também).
-... -os dois ninjas de konoha ficaram parados enquanto processavam a informação e Haku ia embora. Quando eles enfim saíram do transe se viraram na direção da casa, onde esperavam que estivesse na hora do café da manhã, estavam famintos.
-Sasuke? -Naruto chamou depois de um tempo, o garoto se virou pro colega. -Acho que ele é um ninja.
-Por que acha isso? -perguntou antes de se sentir um idiota. -Você sentiu chakra nele?
-Sim. Eu não tinha certeza no início, mas depois de um tempo só isso faz sentido, porque treinar com você não me dá mais dor de cabeça. -informou após pensar em como explicar.
-Então você tem certeza que
é um chakra desconhecido. -Sasuke completou. -Chegando na casa temos que falar com o sensei.
-Sim. Temos. -concordou e percorreram o resto do trajeto em silêncio. Ambos pensativos com o que havia ocorrido naquela manhã e as palavras trocadas.
----- CHAPTER BREAK -----
Quando chegaram na casa a dupla informou ao jounin o que havia se passado e as suspeitas deles. Mas para a surpresa deles o adulto apenas mandou que eles comessem e ignorou o assunto temporariamente. Após eles terem colocado algum alimento no estomago o Hatake retomou o assunto, apesar de que a refeição não havia terminado.
-Então vocês acham que encontraram um ninja. -começou olhando para os meninos.
-Naruto disse que ele possuía chakra. -Sasuke disse, sabendo que o garoto explicaria melhor que ele nesse caso.
-E você tem certeza disso? -se virou para o loiro.
-Sim. -acenou positivamente, colocando seu copo de volta a mesa.
-Realmente? Você ainda não tem experiencia o suficiente para reparar nessas coisas tão rápido. -o esbranquiçado levantou uma sobrancelha.
-Eu sei. -o garoto encarou de volta, ele sabia que não tinha experiencia para isso, mas também não era idiota para não perceber que tinha algo estranho perto dele. -Eu tenho certeza, sensei.
-Quantos chakras você consegue sentir aqui? -perguntou sem quebrar o olhar, decidindo colocar a prova.
-9. -respondeu de olhos fechados e franzindo a testa com o esforço, já havia começado a ficar com dor de cabeça também. -3 são seus, 2 não estão conosco na mesa. -falou abrindo os olhos e olhando para o maior.
-Hm... Como sabe que são meus? -perguntou para conferir.
-São energias iguais e ninguém tem igual. -disse sem hesitar. -E você não deixaria a gente falar disso se você achasse que estávamos sendo observados por outras pessoas. -os outros dois membros da equipe olharam pro garoto surpresos com a análise.
-E os outros 6 chakras?
-São de todos dentro da casa, sem contar com você. Meu incluso. -acrescentou, caso não tenha sido claro.
-Nós temos chakra também? -Tsunami parou curiosa, seu pai e filho também não sabiam a resposta e esperavam curiosos.
-Bem... Chakra é um tipo de energia e... -Sakura prontamente ia explicar, mas foi interrompida pelo Uzumaki.
-Tudo tem chakra. -falou gesticulando pra tudo a volta deles. -Animais, árvore até o ar tem um pouco de energia. Tipo é diferente, mas tudo tem. Com pessoas é engraçado pois todo mundo tem chakra mas dependendo se é um civil ou o ninja a sensação é diferente, o chakra é mais ativo e tem mais força no nosso caso. -explicou bem, para o choque dos colegas que não estavam acostumados com um Naruto que sabia mais de algo que eles ou que pulava para dar respostas. O loiro sempre fugia de ter que responder nas aulas antes.
-Que interessante. Eu sempre achei que só ninjas podiam ter e usar chakra. -a mulher falou intrigada.
-O Naruto tá certo. Os ninjas só são treinados a moldar essa energia para utilizá-la em diferentes situações em combate. -Kakashi esclarece, virando seu olhar pro loiro satisfeito com a resposta já que ela também respondia o que ele havia questionado anteriormente.
-E que diferença faz se vocês vão todos morrer mesmo? -o menininho falou pela primeira vez, já que até então parecia evitar a todos eles.
-Inari! -a mãe dele logo repreendeu.
-Mas é verdade! Eles estão querendo dar uma de heróis e todos sabemos que heróis só morrem no final! -protestou indignado, batendo as mãos na mesa.
-
Heroís
? -alguém repetiu com enorme desprezo. Quando procuraram quem foi ficaram abismados ao verem que quem havia falado era Naruto, que estava com uma cara fechada e com os olhos brilhando de... Raiva? Como se a palavra tivesse pessoalmente ofendido a ele. -Quem diabos ia querer ser um? Quem sequer falou disso? Querer ficar forte pra sobreviver e vencer é completamente diferente de querer ser um maldito herói! -fuzilou o menino com os olhos. A atitude era tão inesperada que ninguém sabia como lidar. ‘Foi um
herói
que amaldiçoou minha vida!’ pensou com uma repulsa crescente contra aquele que o havia transformado em uma arma antes mesmo dele ter sequer uma chance de ser algo mais.
-‘O Sandaime falou que Naruto tinha uma raiva interna bem escondida no fundo dele, mas não gosto da direção pra onde isso está indo...’ -o Hatake pensou com pesar. -‘Sem saber da história toda não posso culpar ele de se ressentir do sensei, só que se isso continuar assim quando ele descobrir o resto não sei como ele reagirá.’
-Vocês vieram ajudar e estão tentando salvar todos aqui, isso tentar ser um herói! -o menino menor retrucou, quase gritando.
-Não, é não! Isso se chama cumprir a missão! -o loiro rebateu no mesmo tom que antes, mas era obvio que estava se exaltando também, perdendo qualquer paciência.
-Não, vocês são um bando de idiotas que acham que podem ser heróis! -gritou.
-E o que você sabe sobre heróis, pirralho?! -o Uzumaki confrontou irado.
-Eles morrem! -o menino respondeu prontamente.
-Exatamente! -bateu as mãos na mesa, pegando todos de surpresa por ter concordado com algo que o próprio menino internamente achava absurdo. -E eles não pensam o estrago que eles deixam pra trás ou o impacto que isso pode causar! -’Se é que eles se importam!’ completou mentalmente e se levantou. -Sensei, vou ir descansar. Perdi o apetite. -se virou e foi embora do cômodo deixando para trás uma audiência em silêncio, processando o que havia se passado ali.
-Inari! Isso foi rude e desrespeitoso da sua parte! Eles estão aqui pra nos proteger! -Tsunami repreendeu o filho seriamente que olhou pra ela indignado.
-Mas, mãe...!
-Sua mãe tem razão. Você não pode tratar os outros assim. -Tazuna olhou pro neto, que ia argumentar. -Independentemente de ter um motivo ou não.
-Mas eles nem são daqui e estão querendo se meter e... -foi interrompido pelo avô.
-Eles estão sendo pagos e tiveram a boa vontade do continuar e nos ajudar mesmo depois de descobrirem que a vida deles talvez possa correr perigo. -falou olhando pro menor sério.
-Você não pode e nem deve destratar nossos hospedes assim. -a mãe falou no mesmo tom e se virou para os ninjas. -Sinto muito pelo comportamento dele, não vai se repetir, não é? -olhou pro filho no final.
-Tudo bem. Naruto também exagerou um pouco no tom. -falou apaziguador, embora ainda estivesse preocupado com o jovem loiro.
-Não, não. Inari que não deveria ter abordado vocês dessa forma. Foi bom para ele aprender que toda ação tem uma reação pelo menos. -suspirou. -Nem pense que eu não percebi, termine de comer seus vegetais, sabe quanto seu avô se esforça para que tenhamos comida, por mais que estejamos melhor que muitos outros nem ouse desperdiçar comida! -falou rapidamente pro seu menino antes de voltar a atenção pro outro adulto. -Eu realmente sinto muito, vocês estão fazendo tanto por nós que o mínimo que podemos fazer é ser bons anfitriões, principalmente por já terem salvado a vida do meu pai duas vezes só para trazer ele de volta para nós intacto. Seremos eternamente gratos a vocês por isso. -sorriu genuinamente, apesar de estar falando isso para que o menino entendesse.
-Não é nada, como meu aluno mesmo disse: esse é nosso papel como ninjas numa missão. -sorriu pra ela. -Peço desculpa pelo comportamento do meu aluno também, ele tem passado por momentos difíceis ultimamente. -os dois colegas de time pegaram interesse com a fala, será que isso era o motivo do outro estar agindo diferente e meio estranho desde o teste da academia? Mas o que poderia ter acontecido? Por mais que quisessem perguntar eles sabiam que seriam ignorados e as respostas para isso não viriam agora.
-E o que ele sabe de dificuldades? -a criança perguntou fazendo pouco caso. -O que ninjas, que são
oh tão poderosos
sabem dos problemas de pessoas comuns? -a mãe dele suspirou frustrada e pronta pra repreendê-lo novamente.
-Naruto, ele... Ele é um
órfão
, virou um logo no dia em que nasceu num ataque que aconteceu na vila. Ele não tem ninguém pra chamar de família e praticamente criou a si mesmo. Ele mora sozinho desde os 5 anos, o que não é uma tarefa fácil pra nenhuma criança, até uma que é de uma aldeia ninja. Ele já passou por inúmeras dificuldades. Então sim, ele sabe muito bem. -disse para o menino mas Sakura meio se encolheu e olhou pra baixo meio envergonhada de que antes estarem no mesmo time seque se lembrava disso sobre o colega, sendo que obviamente era conhecimento comum já que mesmo o sensei que nem os conhecia antes parecia saber disso com detalhes, não lhe passou pela cabeça que poderia haver outros motivos.
-... -Inari abriu e fechou a boca, claramente não esperando uma resposta como essa nem o tom sério com que foi falada. -Não é como ser ele tivesse visto alguém que ele ama morto... -murmurou mas sua voz ainda dava para escutar bem. -Se nem deve lembrar deles, então não conta!
-Ei! -Sasuke foi quem protestou embora ambos estivessem igualmente ofendidos em prol do colega. -Isso não foi legal!
-Inari, seu luto por Kaiza não é motivo para agir como se ninguém mais tivesse problemas. Ele não lutou para que você pudesse depois agir de forma tão malcriada. -o construtor falou sério e o menino olhou pra ele com lagrimas nos olhos e um olhar traído, levantando-se novamente e jogando o prato, felizmente já vazio, no chão em protesto e raiva.
-Inari, pro seu quarto. Agora! -disse firmemente, o menino saiu correndo e bateu a porta na hora de fechar. -Papai, já conversamos sobre isso, não mencione esse nome na frente dele! Sabe como ele anda sensível desde que aquilo aconteceu.
-Quem seria Kaiza? -perguntou Kakashi após ter certeza de que o menino não estava mais escutando.
-Meu marido... Ele era o padrasto do Inari. -Tsunami revelou com tristeza e saudade na voz.
-Como... Como ele morreu? Você falou sobre lutar... -Sakura falou meio sem saber como perguntar um assunto como este, não queria ser indelicada com o sofrimento da família.
-Ele lutou para tentar salvar nosso país das mãos de Gatou. Liderou um grupo de rebeldes até a mansão dele para tentar convencer e forçar ele a ir embora. Mas como vocês podem notar e imaginar não deu muito certo. -o homem mais velho contou. -No dia seguinte todos foram expostos mortos nos muros da propriedade. Foram feitos de exemplo contra qualquer um que quisesse se revoltar. O que calou a maioria da população por medo. Até os poucos nobres que apoiavam a causa se calaram com medo de retribuição pois aqui não se tem qualquer poder militar. E depois daquele dia ficou bem claro que Gatou não se importava contratar mercenários e usar força.
-O povo foi perdendo as esperanças até meu pai começar a construir a ponte. Ela é nosso
último
ato de rebeldia e nossa maior esperança. Todos aqueles que estão ajudando são os rebeldes que não foram atacar aquela tarde e alguns se juntaram a causa depois. Todos ajudaram com o dinheiro que usamos pra contratar vocês. -a mulher acrescentou.
-Entendi. Sinto muito pela perda de vocês. Mas pelo que entendi, Kaiza era um homem de coração nobre e imensa coragem. Você tem direito de se orgulhar dele. -falou e olhou pra foto de família na parede que estava parcialmente rasgada. -Uma hora seu filho vai entender, quando o pior do luto passar.
-Isso tem acontecido a quanto tempo? -a rosada questionou.
-Meses.
-É uma surpresa ninguém saber de nada então. Principalmente porque essa ilha é perto da costa do País do Fogo e tem relações
comerciais com ele o tempo todo. -o Uchiha comentou.
-Pelo que sei ele manteve as relações comerciais operantes como se não estivesse acontecendo nada. E poucos podem sair do país ou conseguem sem ele notar. -Tazuna sacudiu a cabeça com pesar. -Eu tive sorte que consegui sair e construir a ponte até agora.
-Vocês resistiram bem. Agora deixe conosco a parte da segurança. Uma vez acabando essa missão vamos reportar Gatou para as autoridades do País do Fogo e eles vão lidar com isso e ajudar vocês. -Kakashi informou, era o mínimo que podiam fazer para ajudar.
-Não a Konoha? -Tsunami olhou confusa.
-Ah, as pessoas se confundem. Konoha é só um poder militar shinobi que defere ao Senhor Feudal. Nós não lidamos com questões políticas ou que afetem todo o país se isso não nos for ordenado através de uma missão. -o platinado esclareceu.
Isso terminou a conversa, não havia mais o que falar sobre o assunto a não ser pensar sobre o que escutaram e o que foi dito. Os moradores do local ficariam extremamente gratos com qualquer ajuda que recebessem, se conseguissem se livrar do tirano melhor ainda. Seria como receber um presente antes da data para eles.
A cada dia que se passava dava para sentir a tensão aumentando entre aqueles que participavam da construção, finalização praticamente, da ponte. Medo estava no ar, como se os capangas de Gatou fossem surgir das sombras a qualquer momento e atacar eles. Algumas pessoas, aqueles mais medrosos e que acreditavam que tinham mais a perder ficando ali estavam até pedindo desculpas e voltando para as suas casas e famílias, torcendo para que não soubessem do seu envolvimento na ponte e não virassem mais alvo.
Os ninjas da folha continuavam treinando, os meninos cada vez mais perto de chegarem no topo das arvores. Cada um do seu próprio jeito e usando sua própria forma para realizar a tarefa. O importante é que estavam pegando o jeito da coisa, praticamente não precisavam mais correr e pegar impulso pra começarem a subir. Mas se manterem presos, fixos nas arvores por muito tempo ainda se mostrava um obstáculo. Nesses dias em que o time estava separado, Kakashi estava treinando a terceira integrante, já que ela era melhor com controle de chakra.
-O que vamos fazer hoje, sensei? -olhou pro professor curiosa, será que iam continuar com o mesmo exercício?
-Por mais tentador que seja continuar com os mesmos exercícios e fazer você melhorar sua resistência, nada de caminhar sobre as águas hoje. -declarou o que fez a menor arregalar os olhos e o olhar com ansiedade e antecipação.
-O que vamos fazer então? -não se conteve de perguntar, já estava animada por estar na frente dos outros em relação a isso, mal podia acreditar que podia aprender algo mais!
-Como você sabe, você tem um ótimo controle sobre seu chakra. O que é impressionante para sua idade e vem naturalmente para você. Com isso você tem algumas opções do que pode fazer com esse controle, além de economizar chakra na hora de usar algum ninjutsu. O que eu recomendaria a você, justamente pelo nível e potencial que está apresentando, seria investir em genjutsu e Iryō ninjutsu. -riu um pouco da empolgação dela.
-Iryō ninjutsu?
-É um tipo de
ninjutsu feito para o uso medicinal, o uso de chakra para curar feridas, doenças e até mesmo envenenamento. -explicou.
-Uau, então eu posso virar uma Iryō-nin? -arregalou os olhos, isso parecia tão legal!
-Todos podem virar praticamente qualquer coisa com treinamento. É o que eu acredito. -sorriu pra mais nova. -Mas eu não sou bom com ninjutsus medicinais e eles são um pouco complexos de se aprender, voltando a Konoha você pode fazer uma aplicação para aprender isso no hospital da vila.
-Então isso quer dizer que você vai me ensinar genjutsu? -se lembrou da outra opção apresentada.
-Sim. Algo simples por enquanto, algo que você pode aprender em tempo suficiente para o ataque que com certeza virá em breve. -a garota com certeza pegava as coisas rápido. -Não acho que você terá problemas com ele.
-Como você pode ter tanta certeza? -perguntou intrigada e honrada pela confiança.
-Porque você tem talento com o henge. Eu reparei que você usou um henge para fingir que era o Sasuke depois que fez um bunshin simples de si mesma, pois achava que o inimigo iria primeiro até Sasuke pois ele era mais ameaça que você, então tentaria se livrar dele primeiro, o que manteria Tazuna a salvo por mais tempo. -contou. -Quando alguém tem talento pra henges
é um indício de que a pessoa pode se sair bem em
genjutsus.
-Entendi. E o que o jutsu que vai me ensinar faz? -acenou positivamente e sorriu orgulhosa de si mesma.
-Dependendo de como você for com esse, talvez te ensine um segundo que pode ser usado muito bem junto dele. -a menina pareceu quase brilhar com a ideia. -O primeiro jutsu funciona em uma a área de 5 metros a sua volta e é para esconder a presença e confundir o oponente sobre onde você e quem quer que esteja próximo está realmente, o nome é Genjutsu: Ocultação de presença.
-A ideia é usar o genjutsu para proteger o nosso cliente, né? Isso significa que eu ficarei de guarda de novo? -não sabia como se sentir sobre isso, se ficava desapontada ou honrada pela confiança.
-Exatamente. Eu posso confiar em você para essa função pois foi a que mais focou em protegê-lo desde que saímos da vila. Agiu bem em 2 situações de pressão. -falou sério, em tom de elogio. -Os meninos irão precisar trabalhar juntos contra o segundo ninja, mas não sei se eles vão ser o suficiente na verdade, enquanto eu luto contra Zabuza. E, claro que, alguém precisa ficar com o construtor, você é a melhor escolha, fora que como você já se provou capaz para ele, ele vai confiar em você e isso o deixará mais calmo. Um cliente surtando no meio da ação complicaria tudo.
-E o segundo jutsu? -recordou após aceitar o seu papel um pouco mais bem-humorada.
-É o Genjutsu: Falsa presença. O complemento ideal para o primeiro, já que ele funciona como uma mistura do
henge com o bunshin básico, só que sem a criação de fumaça. -falou. -Ambos são jutsus nível D, para genins, então são facilmente dispersados quando percebidos, mas compram algum tempo quando não estão esperando por eles ou quando não são bons em sentir o chakra a volta deles.
-Entendi. -acenou determinada. -Quando começamos? -isso era algo que o Hatake não podia reclamar sobre seus estudantes, eles sempre estavam
ávidos
para aprender coisas novas, tinha quase certeza de que todos os três eram um pouco competitivos, por mais que tentassem disfarçar.
Com isso os dias que faltavam para ambos o Jounins se recuperassem força total se passaram, a ferida no braço de Kakashi já estava curada e seu chakra completamente recuperado. Zabuza estava pronto também ele e Haku já planejando o próximo ataque com mais cuidado, sabendo que os ninjas de Konoha fariam de tudo pra atrapalhar eles. Os garotos já haviam dominado a escalada de árvore no dia anterior e já se juntavam com a patrulha na ponte. Só que o professor era esperto então nunca deixava a casa completamente sem defesa, caso alguém resolvesse atacar a família de Tazuna. Principalmente quando descobriu que o garoto sabia da utilidade máxima do kage bunshin.
Foi justamente o que aconteceu naquele dia, surgiram mercenários prontos e crentes de que seria uma tarefa fácil já que alguém tinha reportado ter visto todos os 4 ninjas na ponte. O que eles não sabiam é que o loiro da ponte era um clone, então tiveram uma grande surpresa quando tinha um ninja na casa e que partiu rapidamente para a defesa dos dois habitantes ali presentes. Com clones a disposição eles rapidamente foram subjugados.
-Você nos salvou. -Inari parecia genuinamente chocado com o acontecimento, como se realmente não acreditasse nisso.
-Muito, muito obrigada! -Tsunami agradeceu ainda abraçada firmemente ao filho dela, como se tivesse chance de ele desaparecer se ela soltasse.
-Não foi nada, só fiz o que devia fazer. -respondeu meio sem jeito, não estava acostumado com esse tipo de comportamento e gratidão vinda de outros pra ele.
-M-me desculpa por ter sido tão grosso com você! -o menininho falou chorando. -Obrigado por salvar minha mãe, n-não sei o que teria feito se tivesse perdido ela também. -Naruto acenou pro garoto que estava tudo bem, eles não tiveram o melhor início e ele não ligava muito pro menino em si, só era muita coisa acontecendo na vida dele agora. E já havia passado por momentos piores na vila.
-Está tudo bem, vocês vão ficar bem agora. Mas se fosse vocês eu me esconderia, sabe-se lá se vai vir mais gente e... -sua concentração foi interrompida quando sentiu o clone da ponte se dispersar.
A ponte estava sendo atacada.
----- CHAPTER BREAK -----
Na ponte o dia havia sido calmo até aquele momento. Calmo até demais. É como dizem: antes da tempestade vem a calmaria. E era perfeitamente o que descrevia aquele dia, já que estavam bem perto de concluir a ponte. Faltavam apenas uns 20 metros. Eles acreditavam que no dia seguinte já concluiriam ela. Os que haviam ficado até o final já estavam até conversando da festa que fariam no dia seguinte, mesmo com as pobres condições que tinham acreditavam que era um acontecimento digno de ser comemorado. Era a esperança voltando para a ilha, para a amada casa deles.
Os genins, ainda de mantendo atentos ao arredor como instruídos pelo jounin, olhavam para a alegria dos trabalhadores da ponte e sentiam uma pontada de felicidade e orgulho por terem escolhido continuar a missão. Aquelas pessoas não mereciam passar por tanta dificuldade por causa da ganância de um só homem, eles só queriam viver a vida deles em paz e serem felizes com suas famílias e amigos.
-Ei, não se distraiam. -Kakashi falou, chamando a atenção deles. -Até agora as coisas foram bem. Foram bem até demais, tenho certeza de que Zabuza já se recuperou completamente também. Então não baixem a guarda só porque as coisas parecem estar tranquilas até agora.
-Está bem. -o Uchiha respondeu, voltando a ficar com uma expressão séria e bem mais focada.
-Sakura, não perca Tazuna de vista, entendeu? Sasuke preste atenção de alguém estiver agindo suspeito ou se surgir ou sumir do nada.
-Pode deixar, sensei! -a de cabelos rosa respondeu acenando a cabeça.
-Naruto. -se virou para o clone. -Se conseguir notar algo de estranho, nos deixe saber. -falou um tom moderado, cauteloso para que apenas o time escutasse, mas sem chegar a sussurrar de fato. Como os clones eram cópias exatas do loiro nesse jutsu, eles carregavam com eles suas habilidades de forma limitada. Ou seja, eles conseguiam sentir o chakra a volta deles, mas o foco necessário pra isso era o dobro ou triplo do que o original precisava pra sentir alguma coisa.
Eles descobriram isso através de testes que fizeram quando o loiro já conseguia suportar bem a presença dos outros usando chakra sem tanto incomodo para ele. O objetivo original no início era explicar pro menino que o jutsu tinham outras possibilidades de uso, como pra aprendizado e obtenção de informação. Foi assim que o jounin teve a agradável (?) surpresa de que o garoto já sabia disso de alguma forma. Então eles apenas confirmaram a possibilidade de os clones conseguirem sentir o chakra e direções deles como o original ou não.
O momento foi bom para que os outros dois genins sanarem suas dúvidas sobre a técnica de clones físicos do outro. Já que não tinham se focado muito nisso desde o teste dos guizos, onde tiveram o primeiro contato com ele. Antes estavam muito focados nas missões e distraídos com as pequenas incoerências e mistérios do Uzumaki para lembrar de pesquisar ou perguntar. Por mais que o mais novo usasse o jutsu as vezes em missões que exigiam mais trabalho físico. Imagina a surpresa deles de que era um jutsu de rank B e que o outro aparentemente também conseguia desempenhar a sua variante de rank A.
-Okay. -respondeu prontamente, afinal tudo que qualquer um deles menos queria era cair uma armadilha por descuido ou algo assim. Porém antes mesmo que pudesse sequer piscar a ponte se viu coberta subitamente numa neblina.
Não precisou muito tempo pro time de ninjas reconhecesse a técnica e de seu usuário. Não fazia realmente muito tempo desde o
último
encontro para que tivessem realmente esquecido. Em questão de segundos se lembraram de seus papéis, localizaram o cliente e se colocaram uma posição defensiva após mandar todo o resto evacuar. Se ficassem seriam somente pesos mortos e atrapalhariam eles de realmente proteger o alvo do inimigo. Fora que não eram considerados importantes o suficiente para serem usados como reféns nessa situação. Aqueles que seriam estavam sendo vigiados e protegidos pelo loiro original, e o sensei duvidava que o inimigo enviaria ou teria mais shinobis para mandar atrás deles quando o maior obstáculo, ele mesmo, estava na ponte.
-Sakura. -falou em tom de ordem, ela sabia o que tinha que fazer. A garota apenas acenou, se aproximou mais do construtor e realizou os dois jutsus que apendeu em sequência. Ela não havia se dedicado e esforçado tanto para conseguir aprender ambos para não os usar. Ao ver isso, o plano entrando em movimento, e confirmar o estado de todos os outros o clone se dispersou. Para que o original soubesse da situação e viesse cumprir sua parte.
-A quanto tempo, Kakashi. -uma voz saudou do meio da névoa, tinha uma pitada de provocação nela. -Não achei que você tivesse coragem de expor seus preciosos alunos a um perigo de vida ou morte assim. Se bem que você tem tantas histórias e lendas no seu nome não é
à toa
. Elas sozinhas deviam ter me avisado que seu sangue é mais frio do que aparenta com suas palavras de consolo e segurança para eles.
-Zabuza. -foi tudo que o Hatake falou, reconhecendo a presença do outro sem sair de sua posição ou sequer parecer preocupado.
-Vejo que até ensinou um truque ou outro a eles. Já que a pirralha de cabelo rosa não está em nenhum lugar aparente, nem o velho, embora eu tenha certeza de que os vi na ponte antes de lançar o meu jutsu. -o nukenin continuou no mesmo tom. -Mas o que será que só dois de vocês podem fazer contra muitos? Como seu garotinho de cabelo loiro fez da
última
vez comigo. -dessa vez várias vozes soaram ao mesmo tempo, vindas de todas as direções circundando-os e se aproximando, logo chegando ao curto campo de visão deles.
-Sasuke. -o ninja de Konoha mais velho convidou o menor a agir. Que num piscar de olhos arremessou inúmeras shurikens em todos os Zabuzas visíveis todas em pontos vitais, isso sem qualquer hesitação visível da parte do moreno, que estava até então um pouco nervoso com o inevitável confronto mais conseguindo esconder até que bem para alguém da idade dele.
-Parece que você conseguiu prever que todos eram apenas clones de água, me pergunto se treinaram isso com a ajuda com coleguinha de vocês. -ponderou em voz alta. -Mas bem, pelo menos isso significa que meu pequeno ninja não vai ficar entediado ao lidar com esse pirralho. -nisso ambos Zabuza e o jovem ninja mascarado se aproximaram realmente o bastante para serem vistos.
-Eu lutarei com ele. Não me subestime! -falou a
última
parte especificamente pro menino mascarado, principalmente se as suspeitas que Naruto levantou estivessem corretas e fosse a mesma pessoa que encontraram no bosque. Só de lembrar do descaramento com que falou sobre verdadeira força e tudo mais com ele enquanto lutava com alguém que não parecia se importar com ninguém o irritava profundamente.
-Se é o que você deseja. -o menino falou antes de surgir na frente dele e com um chute poderoso o lançar para longe do jounin dele. Logo o menino Uchiha descobriu que além da prévia habilidade que eles conheciam do outro com senbons, ele também era extremamente rápido. Era até dificil se manter acompanhando o maior, a única coisa que ele tinha a favor dele é que estava relativamente acostumado a praticar com seu irmão mais velho sempre que era o possível e este era mais rápido que o inimigo, graças aos treinos com o primo deles, que era conhecido por sua velocidade ser tão grande que ficavam ilusões residuais dele onde estava antes. E seu irmão era paranoico o suficiente sobre sua segurança para sempre o incentivar a melhorar e ficar mais rápido.
Enquanto os dois meninos trocavam golpes com suas respectivas armas os dois jounins se encaravam na espera de quem faria o primeiro movimento e iniciaria a luta deles.
-Você realmente acha que seus bebês ninjas estão prontos para uma luta de verdade? Eles são capazes de fazer o que quer que seja necessário para vencer uma luta até a morte? Eles sequer entendem o que é isso? Crianças moles como eles nunca estão preparadas para sujar suas mãos. -o ex-shinobi da Névoa falou com uma pontada de curiosidade e descrença. Konoha não era exatamente conhecida por incentivar tal comportamento, apesar do seu histórico de vitórias e ir relativamente bem em guerras. Porém normalmente fazia isso puramente através de poder e habilidade.
-Um sensei tem o dever de preparar sua equipe e acreditar que eles vão sobreviver. -Kakashi respondeu, não expondo um pingo da sua preocupação interna, só ficaria um pouco mais tranquilo para focar em sua própria luta quando o Uzumaki chegasse para dar apoio a Sasuke.
Apesar de o garoto estar se saindo bem por conta própria até agora. Mas o Momochi sabia que Haku possuía a vantagem no local, devido sua kekkei genkai e a quantidade de água a volta deles. Foi o que o Uchiha logo descobriu quando o adversário, usando apenas uma mão para fazer diversos selos, o que surpreendeu até o Hatake, transformou essa água em agulhas de gelo e as mandou em sua direção. Sem ter pra onde fugir a tempo, por sorte se lembrou do treinamento que havia passado nos
últimos
dias e liberou bastante chakra para repelir as agulhas. Não era exatamente uma tática recomendável pois era um desperdício de chakra, mas era melhor que deixar as agulhas o acertarem. Daquela distância e com aquela velocidade eram capazes de incapacitar ele.
Os dois shinobis continuaram a ver a disputa por quem era mais ágil e veloz se escalar, mas sem parar de prestar atenção no adversário. Ambos os meninos pareciam querer provar um para o outro quem era o mais rápido, revezando no uso de armas e de taijutsu, quando enfim desarmaram o outro. Quando enfim o Uchiha parecia estar ganhando a vantagem, com o taijutsu de seu clã, o garoto de cabelo comprido realizou outra técnica usando a água em volta deles, dessa vez formando uma redoma grande em volta do genin da folha e então se solidificando em formato de muitos espelhos antes do usuário entrar em um deles.
-Já era pro seu garoto. Com esse jutsu ele está acabado.
-Sasuke! -Kakashi exclamou alarmado ao ouvir o menino gritar de dor após alguns segundos de silêncio. Mas o shinobi da névoa iria atacar e tentar achar onde o alvo dele estava e ele não podia se dar ao luxo de se preocupar ou fazer algo pelo Uchiha agora.
Sakura e Tazuna olhavam tudo nervosos e preocupados, mas não ousavam, eles não podiam, fazer um som já que podiam ser descobertos. A rosada só rezava para que seu colega de time e seu crush estivesse bem. Torcia para que o outro colega de time chegasse logo para que o moreno não precisasse continuar lutando sozinho. Por mais tentada que ela estivesse de jogar algo na direção do inimigo ela não podia, se o fizesse iria revelar a direção deles e colocar o cliente em risco. Tudo que podia fazer era olhar e esperar.
Sasuke tentou usar uma bola de fogo para derreter os espelhos depois de notar que não tinha como sair dali de dentro. Não funcionou, o gelo sequer parecia ter sido afetado, no máximo haviam ficado um pouco embaçados. O que atrapalhou um pouco Haku e o obrigou a diminuir a velocidade. Nisso uma chuva de kunais foi em sua direção, vinda do lado de fora. A maioria bateu contra o espelho onde estava, mas ele pegou uma para caso precisasse se defender. Um vulto laranja passou por ele e entrou na redoma.
-Ei, teme. Você está bem? -Naruto perguntou olhando para o Uchiha, que aproveitou a distração do inimigo para tirar as agulhas que o haviam perfurado.
-Você está atrasado. -resmungou tirano a
última
e jogando no chão.
-Eu sei, mas tive uns contratempos antes de vir. -o moreno rapidamente entendeu que isso significava que como eles haviam previsto realmente tinham ido atacar a família do construtor.
-Não se distraia. Ele é capaz de se mover entre os espelhos muito rápido e jogar agulhas de todas as direções. -contou a situação atual pra ele, o plano e sobre o cliente o loiro já sabia devido ao clone.
-Ok. -olhou em volta tentando sentir onde o inimigo estava. -Sasuke, cuidado. -gritou e jogou ambos pro lado, por pouco escapando de uma enxurrada de senbons.
-Huh? Conseguiu desviar? -o garoto mais velho comentou intrigado. -Parece até que conseguiu pressentir meu ataque. Vamos ver quanto mais consegue fazer isso. -agora que os espelhos desembaçaram dava para ele ver melhor e voltar a atacar. Em instantes os genins se viram obrigados a se esquivar a todo custo de agulhas que vinham de forma aleatória.
-Ora, ora... Até o garoto com instintos afiados chegou para a briga. Eu tenho que admitir, Kakashi, seus pirralhos até que são corajosos. Mas não são páreos para Haku. São muito novatos para isso. -se virou novamente para o jounin da folha, com um sorriso confiante.
-Isso nós veremos, Zabuza. Isso nós veremos. -com os dois meninos juntos ele já estava mais confortável de se focar na sua própria luta. -Acho que agora podemos parar de enrolar não acha?
-Vamos nessa. -o outro concordou, até então havia se divertido com provocações e vendo as reações do outro shinobi.
Kakashi rapidamente se pôs a fazer vários selos com as mãos e lançou um jutsu de água, deixando a
área
onde ambos estavam bem mais molhada, logo em seguida elevou onde ele estava com um jutsu
douton
e em seguida lançou um
raiton
, eletrificando toda a área de forma que imobilizaria o oponente na hora se alguém pisasse ali. Pena que o nukenin no momento que viu o jutsu o levantando teve o bom senso de pular dali também. Mas era sinal que o prateado levaria a luta a sério.
Quando a eletricidade acabou o Hatake avançou com intuito de impedir que o oponente sacasse sua espada, já que essa possibilitasse que este tivesse um alcance maior. Numa batalha de ninjutsu ele tinha relativamente mais vantagem por ter um arsenal bem maior e confiava no seu taijutsu, mas ele não tinha mais uma espada como quando era bem mais novo. Sem contar que a espada do outro era maior e mais pesada, digna de um ex-espadachim da Névoa. Tentaria não usar demais o sharingan dessa vez para não se exaustar tão rápido, principalmente porque ambos estavam mais empenhados em completar seus objetivos dessa vez.
-Você esqueceu que eu sou um gênio em assassinatos silenciosos? -o ninja com a máscara de faixas falou. -Acha mesmo que um genjutsu como esse de criança pode me impedir? -começou a se mover, mas foi impedido pelo platinado com o Sharingan a mostra, já que tinha precisado para rastrear o outro e chegar até ele a tempo.
-Sakura, mude para a posição D. Sua localização atual foi comprometida! -avisou elevando a voz, sabia que se mover com os genjutsu ativos e o levando junto ia custar a menina, mas eles pensaram sobre talvez isso ser necessário durante a luta. O barulho de uma bomba sonora foi a resposta positiva dela de que tinha entendido e usado isso para encobrir o barulho da movimentação. -Não esqueça que para chegar a eles vai ter que passar por cima de mim, Zabuza. Posso não ter sua audição e minha visão estar um pouco comprometida por causa da névoa, mas meu olfato é bom e pelo jeito precisarei de companhia para evitar que pense que consegue passar despercebido. -pulou para trás, enquanto o outro estava desnorteado com o barulho e invocou seus ninkens brevemente esclarecendo o que precisavam fazer em um instante. Fazia tempos desde que todos tiveram uma boa luta juntos. E eles possuíam uns combos bem legais em ninjutsu e taijutsus que faziam alguns anos desde puderam usar pela
última
vez.
-Você acha que o plano está comprometido? -Naruto perguntou pro companheiro após escutarem toda a situação do lado de fora enquanto tentavam cobrir a guarda um do outro, ficando de costas um para o outra e se proteger com kunais.
-O sensei não estaria tão calmo se estivesse. -negou e desviou de mais algumas agulhas enquanto outras pegavam de raspão. Embora eles ficarem presos numa cúpula de gelo com certeza não fazia parte do plano. Eles precisavam encerrar esse jutsu de alguma forma, ali estavam praticamente a mercê do garoto inimigo e o Uchiha detestava essa situação. -Fogo não funciona no gelo. Isso significa que é um tipo de kekkei genkai.
-Não esperava que você pegasse isso tão rápido. Você deve ser o inteligente do grupo. -Haku pausou momentaneamente. Era difícil manter uma conversa enquanto se transportava entre espelhos. E por algum motivo ambos os garotos o haviam intrigado na conversa que tiveram na floresta. Eram como opostos um do outro de alguma forma, não sabia explicar.
-Como o Sharingan dos Uchihas? -foi Naruto quem perguntou, sugerindo a comparação.
-Exatamente. Exceto que Konoha não é conhecida por exterminar seus clãs como Kiri é. O clã Yuki, meu clã, possuía a manipulação de gelo. Por isso quase todos foram caçados e mortos. -falou para os dois meninos que ficaram horrorizados com a história. Como algu
ém podia fazer isso? Eles eram famílias, crianças, pessoas queridas de alguém. Precisava de muito sangue frio para ordenar algo assim.
-Zabuza te resgatou não foi? Te salvou e te levou junto quando ele saiu da vila? -Sasuke assumiu, lembrando-se das palavras do outro sobre pessoas importantes.
-Zabuza-san me deu um motivo para viver. Eu seriei eternamente grato por isso. Por isso não me importo de ser apenas uma arma nos olhos dele. -o outro menino respondeu.
-Ele só está usando você! -Naruto reagiu imediatamente a ideia de alguém ser uma arma, nada mais. Desde aquele dia ele detestava essa noção.
-E está tudo bem. Eu devo minha vida a ele. -Haku respondeu calmo, pro horror dos dois garotos. Como ele podia aceitar algo assim tão facilmente?
-Isso é errado. -o Uchiha falou. Ele sabia que ninjas eram poder militar e que até certo ponto eles podiam ser considerados armas, mas eles eram pessoas também. Não objetos inanimados sem vontade própria e que podiam ser descartados.
-Isso não importa. O que é importante agora é que vocês estão no caminho do sonho dele e por isso, por mais que eu não queira, terei de eliminar vocês. Para que o sonho dele possa se realizar eu não posso hesitar. -o Yuki reforçou e voltou a sacar suas armas. -Sinto muito, não é nada pessoal. Mas vocês precisam morrer aqui. -ele parecia sinceramente arrependido de ter que fazer isso, ao mesmo tempo em que realmente parecia que não iria mudar de ideia sobre. Então lançou as agulhas em velocidade maior do que tinha feito antes, como se realmente só estivesse levando a ideia de seriamente feri-los agora.
O Uzumaki estava ainda distraído com as palavras trocadas e com a menção do outro ser uma arma então só notou que estavam vindo em sua direção tarde demais. Mas outra pessoa havia reparado com uma nitidez que não possuía antes e fez algo sobre isso. Com olhos arregalados ele viu em câmera lenta o menino moreno ao seu lado empurrá-lo e levar o dano em seu lugar.
-Sasuke! -Naruto falou em meio a um pânico vendo a quantidade de sangue que estava começando a sair das novas feridas enquanto o outro caía em seus braços, que tentou evitar que as agulhas entrassem mais e foi pro chão junto dele, ignorando completamente o quão vulnerável a posição os deixava. -Por quê...? Por que me protegeu?
-Porque você é meu companheiro de equipe, idiota. -falou tossindo um pouco de sangue, para a aflição do loiro. Já o moreno se recordava da primeira vez que sua mãe apontou pro outro garoto cuidadosamente, falou o quanto ele era solitário e incentivou que ele tentasse ser amigo dele. Sasuke não fazia ideia do motivo exato de sua mãe se importar tanto com o Uzumaki um ano antes deles serem sequer colegas de classe. Mas se prometeu que se eles sobrevivessem ia tentar descobrir mais e tentar de verdade ser amigo do outro, porque parecia que ela estava certa afinal. Naruto não possuía ninguém, ele mesmo havia admitido quando disse que não entendia a ideia de ficar forte para proteger alguém. Fechou os olhos enquanto pensava nessa promessa que havia feito e sua determinação de cumpri-la.
-Sasuke... Sasuke! -chamou novamente desesperado, sacudindo o outro de leve para ver se ele acordava, mas não forte o suficiente para piorar os ferimentos dele.
-Ele morreu para proteger um amigo. Ele é digno de respeito. -o mascarado falou após um minuto de silêncio.
-Cala a boca! -o Uzumaki gritou irritado. Quem o idiota pensava que era? Não fazia o menor sentido. Ele não sabia que ele faria mais falta para os outros que o próprio Naruto?
-Essa é a vida de um shinobi. Perdas e mortes. Cumprir ordens. Shinobis são armas que serão descartadas em algum momento.
-Não. Cala a boca. -repetiu.
-Shinobis são armas. -o mais experiente afirmou com firmeza.
-Não... Não! -berrou, o que ecoou pelo lugar, se recusando a escutar. Recusando a acreditar nisso. Ele não queria pensar nisso.
Conforme suas emoções foram se intensificando a sensação dentro da cúpula começou a mudar, para a confusão e choque do oponente que observava tudo dentro do espelho. O próprio ar parecia ter se alterado, como se uma nova presença estivesse se revelando, mas não havia nada de novo ali. Algo opressivo e ominoso com certeza estava presente. Vinha do menino loiro, Haku notou, que de alguma forma as feridas começavam a se fechar.
----- CHAPTER BREAK -----
Arma.
Ser uma arma.
Era algo que estava se tornando cada vez mais comum do loiro escutar ultimamente. Para sua crescente agonia e pavor. Parecia que o mundo fazia questão de relembrar e reforçar aquilo que ele mais queria esquecer e fingir que havia sido apenas um pesadelo. Seu status como um jinchuuriki. Seu status como uma arma da Vila da folha. Naruto não queria ser uma arma. ‘Nenhum deles queria’, algo em sua mente ecoou. -‘EU NÃO QUERO SER UMA ARMA!’ -gritou mentalmente, perfeitamente em sincronia com a voz misteriosa e estranha. A raiva dele com esse destino queimava em seu peito, o deixava com vontade de gritar pro mundo sobre isso e deixar claro o quanto odiava a ideia de ser obrigado a ser algo que não queria. Confuso levantou a cabeça, estava de olhos fechados para não encarar o corpo do Uchiha, estava calor. Jurava que antes estava bem frio por causa de todo aquele gelo. Foi quando notou a aura vermelha ao seu redor, redopiando em volta dele e subindo até o teto da cúpula. No alto formava a figura de algo que do seu pondo de vista não conseguia identificar exatamente. Mas uma coisa era certa seus sentimentos estavam uma bagunça. Naquele momento parecia que seus sentimentos não eram mais só dele. ‘Raiva’, a voz lembrou. Verdade, ele estava com raiva. Raiva da injustiça do mundo, das pessoas que queriam usar outras como armas sem se importar com nada, do idiota do Uchiha que resolveu dar sua vida por ele, do inimigo que tentou matá-lo. Seus olhos buscaram e se focaram no mascarado a sua frente. A intensidade no olhar fez Haku ter vontade de recuar. Aqueles não eram os mesmos olhos azuis de antes, tinha algo inumano neles. -O que é você...? -o garoto de cabelos longos perguntou, mas sua pergunta só fez a aura opressora se intensificar. A pior parte era que o loiro nem sequer sabia que estava exalando intenção assassina, pelo que podia reparar. E Naruto não tinha a menor intenção de responder aquela pergunta, responder significaria que tinha aceitado. Sem quebrar o silencio o garoto avançou com uma velocidade que não possuía antes, era a sua vez de atacar agora. Do outro lado da ponte, os dois jounins pararam sua própria batalha ao sentirem a presença sombria. Ambos com suas próprias dúvidas e assunções sobre o que estava acontecendo do outro lado. Somente um deles reconheceu o chakra maligno que já se havia espalhado por todo lugar e era impossível de não notar. Ele parecia demandar medo e respeito, era algo quase ancestral e definitivamente sobrenatural. -‘Esse chakra... Não pode ser.’ -Kakashi sentiu seu sangue gelar por um instante. -‘O selo se quebrou? Esse definitivamente é o chakra da raposa.’ -Ei, Kakashi, você claramente reconheceu esse chakra. -Zabuza olhou pra ele vendo o brilho de identificação nos olhos do ninja copiador. -Por acaso, um dos seus pirralhos também tem uma kekkei genkai? -assumiu, ‘Uma realmente obscura, já que a aura não mente’ o ex-ninja de Kiri pensou com uma careta, nem lhe passou pela cabeça a possibilidade de ali ter alguém com uma bijuu, afinal estas eram armas poderosas demais para serem usadas deliberadamente assim. ‘Me pergunto se Haku ainda tem chakra para combater algo assim, se não vai morrer numa morte inútil. Embora duvide que os pirralhos de Konoha tenham estomago pra matar por enquanto’ se forçou a lembrar, todos os shinobis começavam por algum lugar. -... -o de cabelos platinados olhou pro oponente brevemente antes de ignorar totalmente a pergunta, apesar da resposta ser um sim. Ele apenas retornou a sua linha de pensamento e análise. -‘Não. Se o selo tivesse se rompido completamente a sensação seria mais intensa e teria bem mais chakra e Ki no ar. Isso significa que o selo está ficando cada vez mais fraco, desde o teste da academia onde a raposa se manifestou nele pela primeira vez. Não faz tempo o suficiente para o selo ter enfraquecido o suficiente para o chakra vazar, pois não houve nenhum sinal disso antes. O que possivelmente aponta que deve haver alguma espécie de gatilho que fez com que facilitasse o chakra a se manifestar...’ -tentou se lembrar das possíveis situações que já ouvira seu sensei ou a esposa dele falando no passado, por mais que quaisquer memórias deles fosse desagradável de se pensar. -‘A Kyuubi tem acesso e influencia as emoções negativas do portador. Algo ruim deve ter acontecido. O que pode ter acontecido para as emoções do Naruto se agitarem tanto assim?’ -Tenha foco, Kakashi. -um pug falou do lado dele, Pakun, relembrando-o que não estava sozinho e nas prioridades do momento. -‘Droga, eu não posso fazer nada sobre isso agora. Preciso lidar com Zabuza ou Sakura e Tazuna estarão em perigo.’ -se xingou mentalmente e encarou o nukenin. -Preocupado com seu pupilo, Zabuza? -Hah! Haku não é nada disso. É apenas uma ferramenta. -falou dando os ombros, como sem qualquer preocupação no mundo. -Então não tem problema se meus alunos acabarem com ele? -indagou, sondando para entender melhor a relação dos dois e se tinha como explorar de alguma forma. -Bem, ele é uma ferramenta com habilidades únicas. -o que provava a teoria do garoto ter alguma habilidade de linhagem sanguínea. -Mas se ele morrer para meros genins recém-formados, como seus pirralhos parecem ser, isso prova que ele era mais fraco do que pensei e não vale o tempo e esforço que dediquei nele. -o Momoshi falou com o cuidado de parecer o mais indiferente possível, pois sabia que qualquer deslize percebido pelo outro poderia ser usado contra ele, isso era o básico do manual de um shinobi. -Que pena. Parece que a Névoa realmente não ensina aos seus shinobis quaisquer lições sobre companheirismo. Não é à toa que ela ganhou o apelido de “Névoa sangrenta” por seus métodos brutais de seleção de genins. -o Hatake falou com iguais medidas de provocação e repulsa. -Me pergunto sobre isso sobre você mesmo, ou os rumores são falsos, Assassino de amigos Kakashi? -Zabuza provocou de volta, tocando completamente num nervo que o outro sequer imaginava que ainda estava tão sensível assim. Kakashi avançou sem qualquer pingo de hesitação dessa vez, antes tinha pensado em capturar o outro vivo para ensinar uma lição ou outra para seus alunos sobre como lidar com nukenins de forma legal. Contudo mudara de ideia, um lixo como ele era melhor morto que vivo. Então seus ataques agora eram mais precisos e com mais intenção letal ou de atordoar o outro com jutsus mais barulhentos, já que descobrira que o oponente tinha uma audição aguçada e sensível para se locomover melhor dentro da névoa. Ele não precisava do sharingan então guardou ele em algum momento. Os cães atacavam em sincronia perfeita com o Hatake, algo que só era possível depois de anos de convivência, experiencia e treino. Quando o inimigo estava perto levou algumas mordidas, quando este tentava se esconder na densa névoa estes o localizavam com o cheiro e guiavam a ofensiva naquela direção. Apenas por sorte e reflexos afiados de um shinobi bastante veterano fizeram com que o sem camisa não perdesse mais sangue ou algum membro do corpo. Mas ele não fazia mais a menor ideia de onde sua espada havia ido parar, então estava limitado a kunais comuns e seus jutsus a base de água. No domo de gelo os dois garotos que ainda se mantinham em pé estavam numa perseguição. Onde Haku mudava de espelho em espelho numa tentativa de achar um ângulo ou brecha para poder atacar. Mas o Uzumaki o perseguia com diligência e precisão quase assustadoras, como um predador seguindo sua presa, procurando o melhor momento para atacar. Sua velocidade parecia estar aumentando a cada segundo junto com a quantidade de chakra exalada. A aparência do loiro também havia mudado um pouco. Suas marquinhas nas bochechas estavam bem mais sobressalentes, cabelos ainda mais arrepiados, pupila dos olhos quase em fenda, caninos mais preeminentes e unhas praticamente virando garras. Essas mudanças transtornavam o outro, que não sabia o que pensar daquilo. Nunca havia visto nada parecido. E se o garoto tinha esse poder todo por que não usou antes do companheiro ser atingido? Essa curta distração com os pensamentos o custou um pouco de velocidade o que permitiu que fosse atingido no rosto antes de conseguir entrar em um novo espelho. Ele saiu rolando para fora do domo, sua concentração e controle sob a técnica tão destruídos quanto a máscara que usava, os espelhos desmoronando ao redor dos ninjas de Konoha. -Arg...! -o Yuki se esforçou para levantar-se, os pedaços da máscara de porcelana que usava caindo de seu rosto e se espatifando ainda mais no chão. -‘Esse menino, não é mais o mesmo que encontrei na floresta. Sinto muito, Zabuza-san, mas acho que não serei capaz de vencer algo que parece ser mais uma força da natureza do que humano.’ -pensou enquanto via o mesmo partir em sua direção novamente, parando após derrubá-lo no chão de novo, segurando o pescoço dele com uma mão e a gola da roupa com a outra. -Você realmente é o garoto daquele dia na floresta. -Naruto falou quando realmente olhou pro rosto do outro, era bom saber que havia suposto certo. -Você sabia? -o outro arregalou os olhos pego de surpresa, a última coisa que esperava naquele momento era que o menino soubesse quem ele era. -Não é como se você tivesse tentado esconder seu chakra. -falou, sem se preocupar que o inimigo soubesse o que havia feito de errado. -Você é um sensor... -realizou alguns segundos depois da resposta. -Eu sou uma caixinha de surpresas, não acha? -o loiro falou com o humor ácido, já que esse aspecto só havia trazido dor de cabeça pra ele até então, algumas vezes bem literais. Tudo que menos queria era que aparecessem mais problemas. -Você não vai me matar? -questionou perplexo, depois de alguns minutos de silencio entre eles. Onde ficaram apenas se encarando. -Não sou que nem você. Não vou ser que nem você. -o Uzumaki respondeu com força, aumentando seu aperto no outro inconscientemente com a raiva retornando. Não havia se esquecido das palavras do outro. -Mas você não vai me soltar. -assumiu com certa certeza, a expressão do menino deixava isso bem claro, ele não estava feliz. Isso era um problema, ele ter perdido provava que não era mais uma arma útil para o nukenin. -Não. -Naruto concordou, balançando a cabeça. -Você matou meu... -pausou, ele não tinha amigos de verdade. -Você matou meu colega de time. Então não vai sair impune disso. Vai pagar por isso, de alguma forma. Tenho certeza de que o Kakashi-sensei vai pensar em algo, Sasuke havia dito algo sobre nosso professor ter sido parte da Anbu. -isso fez o de cabelos compridos empalidecer um pouco, tinha esquecido das histórias que mesmo o Zabuza o havia contado depois do primeiro encontro com os ninjas de Konoha. -Ele vai me matar então, talvez me torturar antes pra tentar extrair informação. -supôs com uma pontada de esperança, apesar de com certeza não gostar da ideia de tortura. -Por que você quer tanto morrer? -o loiro não entendia. -Porque eu não tenho mais utilidade para Zabuza-san. Como fui derrotado, meu propósito de vida agora não é mais válido. -Mas por que tudo tem que ser sobre ele? -franziu o cenho com a noção de viver por alguém dessa forma. -Porque ele me deu um motivo para existir nesse mundo, quando todo o resto me queria morto, simplesmente pelo sangue que possuo em minhas veias. -esclareceu e Naruto se arrepiou, parecia um pouco com a situação dele, embora no seu caso não fosse o sangue, até onde sabia. Mas ambos eram problemas que não tinham o menor controle sobre. -Por causa do seu Kekkei Genkai? -o Uzumaki perguntou e o outro assentiu. -Houve muitas guerras civis no País da Névoa, nelas os clãs que possuíam alguma linhagem sanguínea receberam má reputação devido a certas vantagens que ganhavam em lutas. Então aqueles que sobreviveram aos extermínios em massa se esconderam e fingiram não ter suas habilidades. Minha mãe era uma dessas pessoas. -continuou a contar. -E o que aconteceu? -Meu pai descobriu e então assassinou minha mãe. Ele tentou me matar também. Sem sequer pensar, minha linhagem se ativou para salvar minha vida e acabei matando meu pai naquele dia. -pausou um pouco, para respirar e ganhar força para continuar contando. Pois ainda eram memórias dolorosas. -Foi quando eu realmente entendi que nesse mundo pessoas como eu são desnecessárias. Mas Zabuza-san me quis e me trouxe pro seu lado apesar de tudo isso. -... -Naruto não sabia o que dizer, mas ele conhecia o sentimento do qual o outro estava falando, já havia se sentido assim e se perguntado a mesma coisa. -Você não tem mesmo ninguém assim para você? -o garoto loiro era um orfão, alguém tão solitário que sequer conseguia entender o conceito de querer proteger alguém precioso? -Eu... Foi naquele momento que ambos viram um clarão surgindo e o som de mil pássaros invadindo a ponte. Vinha na direção em que assumiam que os adultos estavam. Haku, sendo mais experiente, rapidamente assumiu que era um jutsu letal que iria na direção de sua pessoa preciosa. Já que sabia e conhecia o arsenal daquele que seguia e ele não possuía nenhum jutsu assim. Aproveitando que o loiro havia se distraído também ele usou as mãos pra pressionar os tendões do pulso do outro pra forçar a ser solto. Quando se libertou partiu instantaneamente na direção do barulho. Só que quando o Uzumaki o localizou novamente e chegou perto suficiente para conseguir ver alguma coisa, felizmente já conseguia usar a sua habilidade sensorial pra se guiar um pouco, foi chocado com a cena a sua frente. Ele não podia ter imaginado isso acontecendo, mesmo que devesse, pela forma que o outro garoto falava e tinha contado antes. A primeira coisa que ele viu foi o sangue começando a escorrer do buraco do peito do garoto, onde a mão do sensei havia atravessado, em câmera lenta. A segunda coisa foi o cheiro metálico de sangue bem mais forte do que já havia sentido em toda a sua vida, enquanto o outro cuspia e tossia sangue. Quando o Hatake tirou a mão, ele também havia ficado surpreso com a aparição repentina do jovem ninja na frente do Momoshi, Haku perdeu o suporte e sem forças nos joelhos caiu para trás, mas aquele que o protegeu não o pegou. -Meu destino é morrer, Kakashi? Parece que você estava errado sobre isso. -o outro riu enquanto passava pelo corpo caído, se colocando levemente na frente dele. Aparentemente continuando uma conversa que os dois adultos estavam tendo anteriormente, que os dois meninos pegaram no meio. -Bom trabalho, Haku. Você me serviu bem. -de onde estava Naruto viu o Yuki abrir um sorriso sangrento, mas genuíno, para sua raiva. Como ele podia estar feliz com isso? Com um final desses? Os jounins voltaram a lutar após o kiri-nin partir para cima do de Konoha tendo recuperado sua espada. Mas a maioria dos seus ataques acertavam o ar ou o de cabelos acinzentados desviava. Aproveitando a distração do inimigo maior o Uzumaki correu para perto do ex-mascarado e se ajoelhou perto. -Você... Por que se sacrificou por ele? Por que quer tanto morrer? -questionou desnorteado com a situação. -Porque viver sem um objetivo é pior que a morte. -Mas você poderia ser outras coisas! -rebateu, não aceitava aquela narrativa por nada. -Tem muito mais na vida. Tipo... Tipo... -não conseguia pensar em nada para exemplificar, pois nem ele mesmo sabia o que estava fazendo da vida no momento. -Eu fui útil. -tinha um êxtase na voz dele sobre a ideia que tinha conseguido ser útil de alguma forma até o fim que fez o estomago do loiro se contorcer e se sentir doente. A pior parte era ver o sorriso satisfeito e orgulhoso que este estava enquanto seus olhos perdiam o brilho e sua respiração parava. -Não, você está errado... Isso é errado... -balançou a cabeça em negação, murmurando isso de novo e de novo. -Naruto! -alguém sussurrou perto dele, o assustando. Pela voz e chakra era a Sakura, que também aproveitou a distração e o fato que o inimigo estava perdendo, ao ponto de perder o controle sobre a névoa que estava se dispersando rapidamente. -Cadê o Sasuke-kun? -tinha real preocupação e medo na voz dela. -Lá. -apontou a direção sem olhar para o lugar, ele não queria pensar nisso também. Que tinha presenciado duas mortes naquele dia. Lentamente a Haruno se dirigiu para lá junto de Tazuna, mantendo o genjutsu que estava começando a ficar demais pra ela. Não sabia o quanto mais conseguiria aguentar manter ele ativo. E no momento que chegou e viu o estado do primeiro amor dela ela quase gritou, antes de se conter e sentiu seus olhos enchendo de lágrimas. Naquele momento desejou que soubesse algum dos jutsus de cura que o sensei havia comentado enquanto treinava ela. Tudo que mais queria era tentar salvá-lo! -Sasuke-kun. Sasuke-kun, você não pode morrer! Nós começamos a nos conhecer e dar melhor agora! Isso não é justo. Você não pode morrer assim! -soluçou embora tentasse não cair no choro pois isso não era recomendado para um ninja. Ninjas não deveriam mostrar emoção, derramar lagrimas. O importante era a missão e cumprir ela. Foi o que sempre leu na academia. Mas nada havia preparado ela para momentos como esse. Sem pensar ela abriu uma de suas bolsas e se pôs a pegar todos os curativos e remédios que tinha de suprimento. Ela ia salvar ele. Ela ia conseguir! Quando começou a tirar as agulhas pra higienizar e enfaixar o ferimento ouviu um grunhido de dor e um arfar. De olhos arregalados olhou pro rosto do Uchiha que tinha contorcido o rosto de dor e entreabriu os olhos. -Sakura...? O que...? -parou confuso, ele não estava morrendo antes? -Sasuke-kun! Que bom que você está vivo! -dessa vez as lagrimas escorram, mas eram de completo alívio. Não se contendo e abraçando ele, esquecendo totalmente das senbons só se lembrando e afastando quando se espetou e ambos reclamaram de dor, principalmente o moreno. -D-desculpa! -falou envergonhada ficando vermelha de ter esquecido de algo tão importante quanto os ferimentos dos outros. -Já vou te ajudar com as a agulhas e tratar as feridas! -voltou a fazer isso com extremo cuidado pro garoto não sentir mais dor que o necessário. -Obrigado. -agradeceu sincero e então olhou envolta. -Cadê o Naruto e o mascarado? O que aconteceu. -Eu não consegui ver direito por causa da névoa, mas pelo que entendi o mascarado estava lutando contra Naruto antes de se jogar na frente do ninja que o sensei estava lutando pra protegê-lo e morreu no seu lugar. -se pôs a explicar todo que sabia até então. -Sakura... -o loiro chamou se aproximando parando em choque ao ver o outro colega de time de olhos abertos e vivo. Piscou algumas vezes para confirmar se aquilo que estava vendo era verdade. -Sasuke? Como...? -Não faço ideia. -o outro respondeu. -Eu acho que sei o porquê. Eu acho que o garoto que vocês lutaram não estava realmente tentando matar vocês, tipo ele não atingiu nenhum ponto fatal de verdade. -indicou as agulhas que tinha tirado e aquelas que faltavam. -Acredito que ele acertou lugares que fariam o Sasuke-kun perder a consciência e parecer morto, que nem ele fez com o Zabuza. -concluiu, e eram nesses momentos que se dava pra lembrar que ela sempre foi uma das melhores alunas da turma na parte teórica. Mas a explicação fazia sentido. O outro era mais habilidoso e poderia ter matado eles logo no início e facilmente. -Isso me lembra... Kakashi me mandou aqui, a ponte está sendo invadida. -A ponte já estava sendo invadida, baka! -Não por eles! Quem chegou agora foi o tal do Gatou e pelo menos uma centena de mercenários. -o loiro rebateu exasperado. -O sensei me mandou como reforço pra proteger Tazuna. -olhou pro construtor que havia observado tudo em silencio enquanto contemplava o que era realmente ser um ninja e o estilo de vida daquelas crianças. Era realmente uma vida que permitia que fossem crianças? Por quanto tempo? Logo a atenção deles foi para a entrada da ponte, onde estava o tal magnata ganancioso que havia dominado aquela ilha. Ele estava parado na frente dos seus subordinados, olhando tudo e todos com um olhar de repulsa, como se os considerasse abaixo dele de todas as maneiras. Até que seus olhos se focaram em Zabuza, que havia parado junto com Kakashi após a aparição repentina de seu contratante. -Eu acreditava que o Demônio da Névoa teria uma performasse melhor. Que decepcionante. -o mercante falou com desdém. -Bem pelo menos essa lutinha de vocês foi útil para exaustar vocês. Agora vai ser bem mais simples me livrar de vocês. -Se livrar de mim? -Zabuza não sabia se ficava surpreso, incomodado ou admirado pela coragem. -Exato, veja só, eu nunca pretendi pagar você realmente. Só usei você enquanto ainda tinha alguma utilidade para mim, mas vocês ninjas entendem bem disso não é mesmo? -sorriu para eles. -É uma pena que seu moleque já esteja morto, eu queria assistir ele tendo uma morte dolorosa para compensar a audácia que ele teve ao tocar em mim. Uma onda de irritação passou por todo o corpo do Uzumaki com a fala dele. O maldito também era daqueles que acreditavam que a vida deles era algo que se podia jogar fora como se fosse lixo. Cerrou os pulsos e se conteve para se manter parado e não falar nada. A falta de reação daquele que Haku morreu para proteger também colaboravam com sua raiva. Como o garoto tinha achado que valia a pena morrer por alguém assim? Ele nunca ia entender. -É. Ele já está morto. -o shinobi concordou apático. -Uma morte inútil eu aposto. -Gatou riu de descaso se aproximando do corpo abandonado, chutando e cuspindo. -Por que mantinha algo assim do seu lado por anos? Não foi uma perda de tempo no final? -O sangue dele era único e foi uma boa arma por anos. Usei ele até o fim. Como você quer fazer comigo. -respondeu, seus olhos não saindo do mais baixo, embora não acreditasse que fosse capaz, mesmo bem ferido do combate com o ninja de Konoha e com menos de um quarto do seu poder ele não acreditava que meros mercenários pudessem lhe matar. -Kakashi, parece que não tenho mais motivos para continuar com minha missão ou lutar com vocês. -E o que pretende fazer? -o Hatake perguntou, curioso com a virada dos acontecimentos. -Não vou deixar esse anão levar meu nome para a lama assim. -declarou, contendo a sua ira, ele não tinha se tornado um shinobi de elite caso não tivesse bom controle de seus sentimentos. E antigos hábitos não morriam fácil. -Kakashi, me faz um último favor e me empresta essa sua kunai? -apontou com o rosto para a mesma arma que lhe havia ferido e inutilizado quase totalmente um dos seus braços (os cachorros tinham praticamente feito o mesmo com o outro). Assim que pegou a kunai partiu pra cima do magnata em um piscar de olhos, este nem teve tempo de reagir antes de perder a cabeça, que saiu voando antes de cair em algum lugar. O Momoshi derrubou duas dezenas antes de descobrir que algumas das armas dos mercenários estavam envenenadas e sentir seu corpo falhando. Felizmente o resto dos mercenários se assustaram com o número que perderam pra uma única pessoa em poucos minutos, fora que a garantia de pagamento deles estava morta, e então se dispersaram e fugiram. Só quando eles todos haviam partido que o Kiri-nin se permitiu fraquejar e rastejou para onde o corpo do seu protegido estava. Para o completo choque do Uzumaki, ele viu o ninja que até então não demonstrara nada derramar lagrimas e pedir desculpas para o morto. Ele se arrependia de ter feito o menino viver como uma arma e acreditasse que era apenas isso até o final. Só que invés disso o deixar aliviado ele se sentiu pior, porque internamente ele sabia que sua situação não era a mesma. Quem o havia transformado nisso sequer estava vivo pra ele perguntar se ele se arrependia de ter sacrificado um recém-nascido. -Adeus, Haku. Se nos encontrarmos em uma próxima vida prometo tentar lhe tratar melhor. -se despediu antes dele próprio morrer. Depois foi descoberto que os habitantes da ilha haviam aprendido os mercenários com armadilhas e algumas armas improvisadas. Afortunadamente, no máximo alguns moradores ficaram bem machucados. Os criminosos foram entregues para as poucas autoridades da ilha, que depois os enviaria para o País do Fogo que era um aliado e tinha melhores condições de lidar com esse eles. Também recuperaram tudo que lhes fora tomado nos meses de domínio, invadindo a casa do tirano. -Sensei, por que enterramos eles? -Sakura olha pro professor. -Porque todos merecem um enterro decente para ter um bom repouso final. E eles foram honrados quando lutaram conosco. -Por que você deixou Zabuza matar Gatou? Não ia entregar ele para a guarda do Daimyō? -Sasuke questionou, a decisão não era meio contra produtiva? -Não precisávamos dele vivo para o denunciar os crimes dele pro Daimyō, com as provas que recolhemos da mansão temos mais do que o suficiente para o País do Fogo tomar o poder sobre as operações da empresa. -explicou facilmente. -Mas isso não vai deixar a ilha dependente do Fogo? -olharam pro sensei, querendo entender melhor. -Isso já ia acontecer de qualquer forma. Nosso país é a principal aliança daqui e eles já iriam depender dessa conexão para tentarem se recuperar de qualquer forma, a única coisa que muda é que agora o Fogo tem chances de ganhar maior soberania sobre aqui, dependendo de como as coisas de desenrolarem. Mas eles já sabiam que isso era uma possibilidade. -o adulto informou. -Sensei? Pelo que os meninos me contaram e pelo que escutei, todos falaram muito sobre ninjas serem apenas ferramentas. Isso é verdade? -foi a rosada que expressou a dúvida que todos eles tinham. O jounin suspirou, essa era uma pergunta difícil de responder, era algo bastante complexo para eles entenderem. -De certa forma é sim. -seus olhos foram para o loiro que claramente queria uma resposta e franziu o cenho ao escutar a frase. -Em épocas de guerra e conflito, ou missões de alto nível é esperado que se dê o melhor para cumprir as ordens, independente disso lhe custar a vida ou não. Atualmente não estamos em períodos tão turbulentos, então as chances de vocês se encontrarem nesse tipo de situação é bem mais baixo. Os três estudantes notaram que ele não falou que era impossível ou que isso não iria acontecer em algum momento. Mas o tempo deles pensarem nisso acabou, pois tinham que terminar de vigiar a ponte pois estavam concluindo-a. No dia da inauguração foi anunciado que o nome da ponte seria “A Chama da esperança”, em homenagem a ajuda que estavam recebendo do País do Fogo para a reestruturação. Após se despedirem de todos os ninjas de Konoha colocaram os pés na estrada para retornarem a sua vila. -Você ainda está pensando no que eles disseram, não é? -Sasuke chegou um pouco mais perto do Uzumaki. -Huh? -o loiro olhou pro de cabelos pretos confuso com a aproximação repentina. -Sobre as conversas com o mascarado. -esclareceu. -Ah... -desviou o olhar brevemente. -Por que acha isso? -Você está com um olhar distante desde a luta. Acho que piorou um pouco depois da conversa com o sensei. -Eu só não gosto dessa ideia de alguém ser uma arma. -Naruto falou, não era tão simples mas resumia um pouco pro outro. -Eu também não gosto. -o Uchiha concordou. -Acho errado tirar a humanidade de alguém assim. -É. -sorriu de leve, grato pelas palavras do outro. Não podiam dizer que ele não era humano, ele ainda podia sentir, isso que fazia alguém humano não era? Eles trocaram sorrisos e se focaram novamente no trajeto, em silencio. Mas ambos mais satisfeitos, por seus próprios motivos. Quando chegassem teriam muito a reportar. As missões mais paradas e chatas provavelmente voltariam depois que descansassem um pouco. Só que depois de passarem perigo real nessa missão, eles iriam aproveitar os momentos de paz melhor. E se prometeram dedicar mais com seu treinamento.
----- CHAPTER BREAK -----
Semanas se passaram desde a batalha contra os dois ninjas da Névoa. A notícia de que uma simples missão rank C havia bruscamente se tornado uma rank A se espalhou rapidamente entre os senseis. Todos preocupados com a segurança de seus genins, secretamente felizes que não foi com eles que isso havia acontecido. O procedimento para fazer o requerimento de uma missão se tornou mais estrito, para evitar que algo assim acontecesse novamente.
Todos os senseis começaram a treinar mais seus times, numa tentativa de prepará-los para possíveis situações em que uma missão saísse do controle. Principalmente Hatake Kakashi, tudo que ele menos queria era perder seu time tão prematuramente. Ele realmente não queria ter que passar por tal situação novamente. Então começou a colocar em prática um treinamento mais intenso de combate pra eles, com os estilos que ele achava que combinaria melhor com cada um e aprimorar as habilidades que já tinham o máximo possível antes de passar para próximas, além de sempre tentar melhorar o trabalho de equipe deles.
Mas não eram apenas os jounins que estavam aliviados que os genins estavam seguros, suas famílias também estavam. Aqueles que provinham de famílias civis sabiam que seus pais estavam extremamente aliviados de não teriam sido eles e eles estarem a salvo. Já aqueles que provinham de famílias ninjas sabiam que apesar de seus pais confiarem e treinarem eles desde pequenos também estavam felizes que sempre, até o momento, retornavam vivos para casa.
Em uma das casas de um distrito de um clã uma família estava tomando seu café da manhã calma e silenciosamente. Apesar de todos terem suas próprias rotinas e responsabilidades era praticamente uma regra da casa sempre ter pelo menos uma refeição juntos ao dia, exceto quando algum deles precisasse ir para fora da vila.
-Como estão indo suas missões, Itachi?
-Estão como sempre, Tou-san. -o filho mais velho respondeu serenamente, levantando seus olhos para o pai em sinal de respeito, como este gostava que fizessem ao respondê-lo. -Acho que talvez em breve consiga dar uma folga para descansar um pouco.
-Muito bem, você tem se esforçado pela vila. -o mais velho acenou aprovador e se voltou para o mais novo de todos. -E você, Sasuke? Rumores dizem que sua última missão foi complicada, mas não comentou muito dela desde que retornou.
-Eu tenho pensado bastante nela, Tou-san. -o menor olhou pra seu prato por alguns instantes antes de retornar o olhar para seu pai. -O garoto que enfrentamos... Ele tinha a filosofia de que era uma arma e que só por isso ele vivia. De que todo ninja na verdade é apenas uma ferramenta a ser usada.
-E você quer saber se isso é verdade? -o patriarca analisou o caçula.
-Sim. -o menor confirmou e aguardou ansiosamente qual seria a resposta dele, afinal já havia escutado a do sensei durante a missão.
-É uma pergunta complexa, Sasuke. Vai ter momentos em que você será uma ferramenta na mão dos outros e momentos em que será bem mais que isso. O importante é saber pelo que você está lutando. -observou o mais novo para conferir se ele estava acompanhando. -Nós, Uchihas, lutamos majoritariamente por 3 motivos. Para proteger a vila, que é nossa casa. Para proteger nosso clã, que é nossa família. E principalmente por aquilo que acreditamos estar certo.
-Então não importa se acham que somos ferramentas desde que tenhamos certeza do que estamos fazendo? -o Uchiha mais novo inclinou a cabeça com a dúvida, levemente confuso e surpreso com a resposta que conseguiu.
-Não importa o que os outros acreditam. A verdade é que tem que estar clara no seu coração, meu filho. -a matriarca respondeu abrindo um leve sorriso enquanto o marido concordava com a cabeça. -E eu sei que seu coração está no lugar certo.
-Mesmo que não tenha certeza das coisas agora você vai encontrar o seu caminho, Sasuke. Você é esperto assim, Otouto. -foi a vez de Itachi contribuir no tópico. -E sempre que estiver com incertezas estaremos aqui por você.
-E-eu sei disso. O-obrigado. -Sasuke se embolou com as palavras, emocionado com o afeto que estas carregavam. Mas seu coração se esquentou com elas de qualquer forma, cada um tinha sua própria maneira de demostrar preocupação e carinho, mas ele sabia que sua família o amava. Eles eram suas pessoas preciosas, sua fortaleza e sua força. Tudo que queria era deixá-los orgulhosos e ver seus sorrisos direcionados a ele. Mas nem todos tinham esse luxo, sua mente o lembrou no final da refeição. Então ele se ofereceu para ser quem ajudaria a mãe a tirar as coisas da mesa e arrumar tudo.
-Né, Kaa-san? -chamou.
-O que foi? -a mulher virou o rosto para o filho, sem parar de fazer o que estava fazendo. Eles já haviam tirado a mesa e agora estavam lavando a louça, o menor entregando a parte suja pra ela.
-Na missão... Nós encontramos o menino antes, eu e Naruto. Estávamos treinando no bosque perto da casa do cliente e ele surgiu para recolher algumas ervas medicinais. -começou a contar, a mais velha apenas cantarolou de leve para mostrar que estava prestando atenção. -Ele conversou um pouco com a gente. Sobre o que fazia alguém verdadeiramente forte.
-E o que era? -pausou um pouco para olhar para o garoto.
-Ter alguém importante e que se queira proteger. -falou e suspirou.
-E qual o problema? -perguntou, ela sabia que o filho dela entendia bem isso e que algo mais que o estava perturbando.
-O Naruto. Ele fez toda uma cara de confusão, como se as palavras não fizessem sentido para ele e que de alguma forma era uma ofensa.
-Ah... -Mikoto olhou pra baixo sentindo seu coração pesar e doer ao escutar isso. Sua mente se voltou para o passado e lembranças do sorriso que uma mulher de cabelos vermelhos tinha quando lhe contou a notícia da gravidez.
-Acho que você tinha razão, mãe. Ele realmente é alguém solitário, sem nenhum amigo. -foi a vez de ele pausar pensativo. -Ele sempre tinha um sorriso na cara na academia, mas desde que nos formamos ele tem sorrido cada vez menos. Não faz nem mais as clássicas piadas e pegadinha dele, pelas quais todos conhecíamos ele por fazer.
-E você acha que aconteceu algo, não acha? -falou após abrir um sorriso triste.
-Ele saiu correndo depois da prova, ele estava gritando algo, mas não lembro mais o que era. Só sei que ele estava aborrecido e no dia seguinte ele apareceu já estranho. Mais quieto e falou que já não sabe qual o sonho dele, mesmo ele sempre gritar pra vila toda que ia ser Hokage. -desde que haviam sido colocados no mesmo time, Sasuke só estava descobrindo que, na verdade, aparentemente ninguém conhecia o loiro de verdade.
-Você tem razão algo provavelmente aconteceu. Ninguém mudaria tanto sem um motivo. -concordou, ela tinha alguma ideia do que podia ter acontecido pra que o Uzumaki reagisse de forma tão negativa, mas não podia falar por ser um segredo de estado.
-Kaa-san? Por que você se preocupa tanto com ele? -perguntou enfim, ele sempre tivera essa dúvida só que até então nunca tinha tido motivo pra perguntar realmente. Mas desde que se lembrava por gente ele via sua mãe olhar pro loiro de longe, sempre preocupada e triste.
-Eu conhecia a mãe dele. -admitiu meio relutante se deveria falar ou não. Mas ela não gostava de mentir para o filho dela.
-Você conhecia a mãe... Você conhecia a mãe dele?! -Sasuke quase deixou cair o prato que estava em sua mão de tão inesperada que a resposta era. Mikoto não conseguiu se conter e riu um pouco da cara que o filho fez.
-Ela era minha amiga. Fui uma das primeiras a saber que ela também teria um filho, eu estava grávida de você na época. Ela estava tão feliz de que nossos filhos poderiam crescer juntos e serem amigos. -sem perceber seus olhos se encheram de lágrimas, como ela sentia falta da outra.
-Kaa-san... -o Uchiha menor olhou para sua mãe meio incerto do que fazer, nunca havia visto sua mãe tão emotiva. -Como ela era? A mãe dele? Quem ela era? -isso a trouxe de volta para a realidade.
-Não posso contar quem ela era. -negou com pesar. -Nem para você, nem para ele. Foi decidido que é melhor ele não saber.
-Por quê? -perguntou confuso, não entendia o porquê alguém não poder saber quem eram seus pais, não era um direito dele?
-É para a segurança dele, a família dele possui inimigos. Pessoas que se souberem quem ele é vão caçar ele por vingança. -explicou.
-Ele realmente é um Uzumaki então? -a Uchiha mais velha olhou para o mais novo chocada, não esperava por essa sugestão. -Shikamaru sugeriu isso algumas semanas atrás, mas pela forma que você está falando ele é um Uzumaki de verdade, não é? Sabendo disso não é possível achar as respostas sobre quem os pais dele são? Ele não merece saber?
-Você é esperto, meu filho. Sei que tem as melhores das intenções sobre isso, mas... Mas as vezes descobrir algo quando não estamos prontos pra isso pode acabar machucando. Isso tudo não vai ser mantido segredo dele para sempre, mas tem que ser dito no tempo certo. -fez carinho na cabeça dele, bagunçando um pouco seu cabelo. Como ela estava orgulhosa dele, do coração dele. -Se dependesse de mim eu contaria pra ele feliz. -se dependesse dela o garoto seria bem mais próximo da família deles.
-Então não há nada que possamos fazer?
-Eu acho que posso contar algumas histórias ou curiosidades sobre ela um pouco, coisas que não revelariam a identidade dela, mas que pelo menos ele saberia algo. Vamos chamar ele para almoçar aqui essa semana, como vocês estão no mesmo time isso não seria estranho. -ofereceu, após pensar um pouco se havia como contornar a lei.
-Ok! -concordou, embora confuso do porquê o outro ir lá sem esse contexto seria estranho. Mas ignorou por ora, ele estava curioso e ansioso pra saber mais sobre isso. Sobre a amizade entre a mãe deles, que aparentemente eram tão próximas que elas esperavam que fossem amigos desde pequenos. Será que se as coisas fossem diferentes e os pais do outro não tivessem morrido eles teriam sido assim?
Enquanto isso em outro lugar na vila outras pessoas estavam presentes a ter uma conversa sobre o mesmo tema da missão do time Kakashi. Era um campo de treinamento que estava sendo usado há algumas horas. Mas o mentor do treino não ficava facilmente satisfeito.
-De novo. -uma voz séria ordenou olhando o garoto ajoelhado no chão tentando recuperar o folego.
-... -tudo que conseguia sentir naquele momento era o cheiro de sangue, talvez fosse porque seu nariz estivesse sangrando devido ao esforço que estava fazendo ao tentar usar sua habilidade de sensor dentro da vila. Pelo menos agora a atividade não o fazia desmaiar, já que nas primeiras tentativas isso o apagava completamente. -E-espera um pouco...
-Às vezes é necessário ultrapassar seus limites para aumentá-los. Esse é um desses momentos, se você não o fizer sua habilidade será mais um empecilho do que um dom. -Danzo falou. -Agora levante-se e tente mais uma vez. Você terá tempo para descansar depois. Você me escolheu porque quer ficar mais forte, estou te mostrando o caminho para isso. Para isso precisa me escutar, entendeu?
-Está bem. -o mais velho tinha razão, isso era o que ele havia decidido. E ele precisava ficar mais forte, eles quase morreram naquela missão. Só não estavam mortos porque o inimigo teve mercê deles. O loiro faria isso por ele mesmo, ele nunca precisou de ninguém então porque começaria agora só porque Haku acreditava naquilo? Ele provaria que o outro estava errado sobre só ser forte se tivesse alguém e sobre ser uma arma também.
-Bom. Agora foque. Quantas presenças tem nas árvores cercando essa clareira? -perguntou, guiando o treino novamente. A cada tentativa a quantidade de clones a volta deles mudava, o padrão havia sido combinado com integrantes da NE assim que soube da nova habilidade do Uzumaki.
-4? 5? -o menino respondeu meio hesitante. Era tão mais difícil se concentrar e sentir chakras quando toda a vila estava cheia deles pra todo lado. No país das Ondas havia sido tão mais fácil, os chakras lá eram bem mais apagados, provavelmente por causa que lá não havia ninjas como Konoha tinha.
-São quatro. -o mais velho confirmou a primeira tentativa. O garoto tendia a errar pra mais devido à grande presença de chakra dentro da vila, mas o ninja mais experiente estava certo de que com o tempo e experiencia o jovem poderia ser extremamente preciso a grandes distancias. Se as reclamações iniciais dele de sentir toda a vila estivessem corretas. O Shimura não via tal talento sensorial havia algumas gerações. A ideia de treinar e ganhar a lealdade de alguém com tanto potencial... Era algo que ele não podia tomar decisões erradas e perder tão facilmente. Pra sua sorte recebeu o menino em seus cuidados logo quando este estava mais inseguro do mundo, graças a uma série de decisões alheias que levaram a tal situação. Mas isso era melhor do que qualquer coisa que poderia ter previsto no passado. Emoções eram perigosas por motivos assim afinal.
-Ah... -Naruto deu uma desanimada, fora que a dor de cabeça que já estava antes estava piorando novamente.
-Não se distraia. -o outro advertiu. -Quais as direções os chakras estão?
-Ali, pra lá, lá e... -saiu apontando, algumas com mais certeza que outras. Descobrir de onde estava vindo as presenças que sentia sempre era uma parte mais desgastante pra ele, cobrava demais de seu corpo no momento, já que já estava meio com os sentidos sobrecarregados. Já podia sentir sangue escorrendo de seu nariz novamente e sua consciência oscilando. Quando se deu por si novamente estava no chão de novo e vendo sangue pingar na grama.
-Acertou metade dessa vez e um terceiro passou bem perto. Foi bem melhor que as vezes anteriores. -Danzo anunciou. -Vamos dar uma pausa e depois treinaremos um pouco mais seu controle de chakra. Coma isso, vai ajudar com o desgaste que seu corpo teve durante essa parte do treino de hoje. -entregou uma pílula ao garoto, parecia uma pílula de soldado só que era verde clara.
-Nossa, que gosto forte. -fez uma careta, parecia que tinha engolido uma porção forte de wasabi. -Do que isso é feito?
-Apenas ervas que fazem bem para seu corpo. Mesmo que eu te disse seus nomes você não reconheceria ou conseguiria achar facilmente. -o adulto explicou.
-Ervas... -isso levou a mente do menino de volta para aquele dia em que encontraram Haku colhendo ervas para Zabuza. -Eu... Eu posso fazer uma pergunta? -olhou para o mais velho meio incerto, ele sabia que o propósito deles ali não era para coisas não relacionadas com o fato dele ser um jinchuuriki, quer que ele gostasse disso ou não.
-Pode. -o Shimura permitiu.
-Eu não sei se você sabe, mas na missão das Ondas meu time encontrou com outros ninjas... -começou pensando em como ia perguntar.
-Estou ciente disso. -o mais velho acenou positivamente com a cabeça confirmando.
-O garoto contra quem eu e Sasuke lutamos disse umas coisas... Sobre todos os ninjas serem armas e tals... -Naruto olhou pro chão enquanto falava antes de tomar coragem para olhar pro outro novamente.
-E você quer saber se é verdade?
-É...
-Não, você já sabe que é verdade. Você quer é que eu confirme, senão não teria perguntado para mim. -Danzo começou e o loiro recuou, ele não queria que fosse verdade. -Ele está certo, shinobis são armas. Criados e treinados para cumprir ordens e missões.
-Mas shinobis também são pessoas... -rebateu incerto.
-Isso não impede de eles também serem ferramentas. Um bom shinobi sabe o que é importante e não se importa com meros detalhes ou terminologias como esta.
-Oh... -ele não tinha como refutar a isso. Uma coisa realmente não impedia a outra, impedia?
-Não faça essa cara. Você me escolheu como seu mentor pois fui honesto com você e te contei algo que ninguém mais te disse a vida toda. Não vou mudar a verdade só porque seria mais fácil para você digerir só devido à sua idade. -o Shimura falou. -Fora que acredito que você seja tão ingênuo ao ponto de não poder escutar a verdade como ela é.
-... -Naruto não sabia se devia levar isso como elogio ou um insulto. A verdade é que ele nunca teve muita oportunidade para ser ingênuo como muitas crianças tiveram. Ele começou a morar sozinho aos 5 anos afinal, precisava aprender rápido se quisesse sobreviver. -Então eu sou o que? Duplamente uma arma? -as palavras deixavam um gosto amargo em sua boca.
-Quase. Seu status principal é como Jinchuuriki, e Jinchuurikis normalmente também são shinobis. -o mais velho se sentiu tentado a sorrir, o menino realmente entendia rápido.
-E qual a diferença? -estava confuso, na verdade tudo o que estava acontecendo atualmente o deixava mais e mais confuso.
-A vida de um Jinchuuriki é mais valiosa do que a de um shinobi comum, vale mais do que até centenas de shinobis. Pois por mais que existam aqueles que podem dar dano em área, nada supera o poder de destruição da Bijuu dentro do jinchuuriki. -o Shimura explicou calmamente. -Enquanto um shinobi particularmente poderoso pode lidar com dezenas de inimigos de uma só vez e as vezes destruir um ou mais bairros, o jinchuuriki tem o poder de destruir vilas inteiras, não necessariamente precisando chegar perto pra isso.
-Isso significa que eu sou...
-Uma arma de destruição em massa? -os olhos do menino se arregalaram, ninguém nunca havia dito esse detalhe pra ele antes, apenas que ele era uma arma da vila. -Sim, Uzumaki-kun, você é uma arma de destruição em massa. -repetiu pra reforçar o conceito para o menor.
-E se eu não quiser ser uma? -Naruto olhou pro chão, tentando processar o que havia escutado.
-Você não tem escolha. -o veterano rapidamente respondeu.
-Não podem colocar a raposa em outra pessoa? -questionou angustiado. -Por que eu?
-Porque não é qualquer um que pode se tornar um jinchuuriki. Existem requerimentos que precisam ser cumpridos. Ninguém mais possui uma reserva de chakra tão grande quanto a sua naturalmente é. Se a raposa tivesse sido selada em uma pessoa comum essa pessoa morreria praticamente instantaneamente. -fez um gesto pro garoto esperar mais um pouco antes de falar alguma coisa. -Morte também é a consequência de ter uma bijuu extraída de dentro de um jinchuuriki. Então não, esse não é um fardo que possa ser passado pra outra pessoa assim. E eu não acho que você queira morrer.
-Maravilha, então tem algo especial sobre mim que me fez virar um jinchuuriki pra início de conversa. Eu não tenho a menor escolha sobre o assunto e morte é o que me espera se alguém tentar tirar a raposa de mim? Simplesmente incrível! -Naruto nem notou a risada amarga que saiu dele e o tom pingando sarcasmo, ele estava tão indignado com tudo aquilo.
-Se você não tem mais perguntas, vamos voltar para seu treinamento. Primeiro revisaremos o que fizemos até agora e se seu progresso for adequado partiremos para a próxima etapa... -o resto daquele dia foi basicamente só melhorando seu controle de chakra. Já que aparentemente depois que voltou da missão com seus sentidos de sensor despertados o seu controle sobre chakra deu uma piorada novamente. Em teoria por causa do nível de concentração que precisava para evitar seus sentidos ficarem sobrecarregados com tanta informação a sua volta. Mas aos poucos estava se acostumando, nesse sentido os treinos com o chefe da Anbu NE estavam realmente ajudando apesar de o desgastar demais.
Quando chegou em casa aquele dia o jovem Uzumaki ficou pensando nas últimas palavras que Danzo havia lhe dito aquele dia: “Dessa vez ele havia conseguido sair da missão com as mãos limpas, mas isso não seria pra sempre. Ele devia estar preparado pra isso. Ele não teria escolha, pois a vida um shinobi era repleta de batalhas e sangue. Isso era algo destinado a acontecer, nenhum deles poderia escapar.”. Pelo jeito o número de coisas das quais ele não podia fugir só continuavam aumentando. Se perguntava se o mundo estava tentando bater um novo recorde com ele.
Não havia nada que podia fazer sobre isso agora, então apenas sacudiu a cabeça e se pôs a fazer o jantar. Kakashi havia marcado mais um treino com o time para o dia seguinte, portanto se quisesse estar minimamente disposto amanhã ele precisava tentar dormir mais cedo. Principalmente porque tinha a impressão de que teria pesadelos de novo, depois da conversa de mais cedo isso era praticamente garantido.
Como sempre, nesses dias, ele acordou cedo. Isso havia praticamente uma rotina desde que descobriu da raposa, ele não tinha a menor vontade de ver os olhos dos habitantes da vila. Após se alimentar foi para o campo de treinamento designado para seu time e se sentou sobre uma árvore meditando. Ele havia descoberto que além de ajudar a sentir e controlar seu chakra melhor a ação também ajudava a acalmar seus sentimentos, que só andavam um caos interno ultimamente.
-Bom dia. -Sasuke o cumprimentou quando chegou, por algum motivo o mesmo andava falando cada vez mais com ele. Ele só não fazia ideia do porquê, a única coisa diferente que havia acontecido entre eles foi que o Uchiha quase morreu por ele.
-Bom dia. -respondeu de volta, sem saber mais o que fazer. Aparentemente o outro também não fazia ideia de como prosseguir porque ambos ficaram se encarando em silêncio depois disso.
-Bom dia, Sasuke-kun! Bom dia, Naruto! -foi Sakura quem quebrou o silêncio quando chegou. -O que acham que vamos fazer hoje?
-Treinar...? -Naruto sugeriu o obvio primeiro, sendo fuzilado pelo olhar da garota pela resposta.
-Subir em mais árvores?
-Andar sobre a água?
-Mais trabalho de equipe e formações?
-Vamos fazer exatamente o último hoje! -Kakashi respondeu dando um susto em todos os genins, porque tinha literalmente acabado de aparecer ali.
-Naruto! Você é um sensor, é seu trabalho não deixar ele assustar a gente assim! -Sakura protestou olhando pro colega de time.
-Ei! Vocês sabem que ainda tô me acostumando com isso aqui na vila! -se defendeu.
-Mah, mah... Crianças não briguem! -o sensei interrompeu antes que isso virasse uma discussão. -Por que não começamos nossa sessão por hoje? Se vocês se comportarem, fico devendo a todos um lanche. -isso chamou a atenção deles, era raro o jounin oferecer levá-los pra comer. Isso era mais coisa do sensei do time Ino-Shika-Cho, Asuma, o filho do Hokage.
Com isso o treino começou normalmente, com o Hatake ensinando uma nova formação de ataque para o grupo. Nela o objetivo era cercar o alvo e atacá-lo de todos os lados. Eles iam repetir a estratégia com vários golpes contra o sensei, para ele julgar o que funcionaria e o que não funcionaria. Só que em uma dessas tentativas algo de estranho aconteceu.
O loiro estava focado em pular pra cima do sensei pelo alto quando sentiu seu chakra se comportar de maneira estranha. Inicialmente parecia que ele estava se movendo para atacar junto com ele, mas então a energia pareceu pausar antes de praticamente gritar que algo estava errado. Ele nem sabia que chakra era possível passar emoções e sensações, mas não tinha outra forma como descrever. Era como se o chakra dele estivesse tentando se comunicar com ele. Então em questão de segundos o único pensamento que se repetia em sua mente é que algo estava errado. Era como se seu chakra quisesse sair de seu corpo, fazer algo, só que não podia e isso era errado. Foi aí que ele sentiu algo explodir.
-Argh! -gritou caindo no chão se abraçando enquanto seu corpo todo doía. E o chakra se movia violentamente pelo seu corpo, parecia que considerava tudo a volta dele como inimigo, como uma ameaça.
-Naruto! -os colegas de time gritaram juntos ao ver o outro caído e com os pulsos e tornozelos sangrando bastante enquanto uma tempestade de chakra parecia se formar em volta do mais novo.
-Droga, Naruto! -Kakashi olhava pro que estava acontecendo sem entender o que se passava. Mas sua prioridade era ajudar o menino. Então, ignorando o perigo, ele entrou no meio da tempestade sem ligar pros cortes que o chakra do garoto estava fazendo em si e se ajoelhou para pegá-lo.
-Sensei? Tá doendo... -o Uzumaki tinha lagrimas nos olhos.
-Hey, vai ficar tudo bem... -tentou apaziguar o menor, mas pro seu desespero viu que o outro havia desmaiado. E com isso o chakra se acalmou, mas ele ainda estava sangrando. Com os outros genins o seguindo, ele partiu para o hospital. Onde exigiu que o loiro fosse tratado imediatamente, apesar de vários médicos e enfermeiros claramente não quisessem atendê-lo. Até que um pequeno grupo, que parecia conhecer o garoto, se os olhares cansados fosse alguma indicação, os guiou até um quarto.
Lá eles rapidamente trataram as feridas e enfaixaram, colocando o menino no soro só pela perda de sangue e porque não sabiam quando este iria acordar. Após perguntarem o que havia acontecido para que o jovem chegasse aquele estado eles recomendaram que fosse melhor que o Uzumaki não usasse chakra por alguns dias e depois disso só se monitorado.
-Sensei... O que aconteceu? -a Haruno perguntou ainda assustada, estavam do lado de fora do quarto pra não incomodarem o desacordado.
-Eu não sei, Sakura. Nunca vi chakra se comportar assim. -o platinado respondeu sincero, ele mesmo havia ficado apavorado com a cena.
-O chakra dele simplesmente explodiu. E depois agiu como se tivesse vida própria, quando ficou em volta do corpo dele, era como se tentasse protegê-lo. -Sasuke descreveu o que lembrava.
-Mas por que agiria hostil contra a gente? Nós somos o time dele! -a rosada protestou.
-Talvez por ele estar assustado com o que aconteceu e com dor. Ele não estava pensando. -o professor tentou amenizar as coisas. -Não é como se ele pensasse na gente como inimigos dele e... -foi quando eles escutaram uma comoção vindo do leito onde o loiro estava, entraram lá novamente.
No momento em que passaram pela porta e dava pra ver o que estava ocorrendo eles foram surpreendidos pelo que era. Ao contrário das previsões médicas que esperavam que ele fosse demorar para acordar, lá estava o loiro totalmente desperto. Ele havia se encolhido pra longe da enfermeira que tinha ido verificar ele e seus lábios estavam retorcidos como se estivesse tentado a rosnar pra ela ficar longe dele. Mas a parte que chamou mais atenção de todos foi o fato que os olhos dele pareciam estar quase brilhando, como se toda energia de antes tivesse passado para lá e tinha algo de afiado neles.
Ele não parecia muito com o que estavam acostumados a verem dele. Como se a presença tivesse mudado, tanto quanto sua expressão facial. Ele nem sequer parecia ter reconhecido a presença deles no cômodo. Estava totalmente focado na enfermeira e alerta. O movimento o fez lembrar das feridas, que voltaram a doer por causa dele.
-Se você quer ir embora logo só tome essa pílula de reposição de sangue e nos deixe checar como estão suas feridas. -a mulher falou claramente desconfortável na presença do menino e entregou o remédio para ele.
-... -Naruto hesitou para pegar e olhou brevemente desconfiado pro medicamento antes de colocar na boca e engolir.
-Ótimo. Vou chamar o médico responsável para fazer o check-up. -acenou satisfeita e se apressou pra fora do quarto, só então o menino relaxou um pouco e viu os outros presentes.
-Kakashi-sensei? Sasuke? E Sakura? -inclinou sua cabeça não entendendo o que eles estavam fazendo ali. Mas sua presença voltou imediatamente de volta ao normal, como se nunca tivesse mudado pra início de conversa.
-Como está se sentindo? -o sensei perguntou o que todos queriam saber.
-Vou ficar bem. Melhor quando não estiver aqui. -respondeu dando de ombros.
-Felizmente seu caso não vai precisar que fique internado. Dado seu histórico, feridas como essas não são o suficiente para incapacitar você. -o médico falou logo que entrou no quarto. -Bom ver você acordado, Uzumaki-san. Que tal checarmos você de uma vez para que possa ir embora?
-Okay... -suspirou antes de estender e apresentar os membros machucados. Que o médico experientemente desenfaixou e viu que já estavam praticamente fechados.
-Aparentemente, apesar da quantidade de sangue, não foi nada sério. Mas vai precisar deixar seu sistema de chakra descansar por uns dias por precaução. Não queremos mais acidentes como este, não é? -olhou sério para o menino. -Continue limpando e enfaixando as feridas até que cicatrizem completamente. Fora isso está liberado.
-Está bem. -o menino loiro concordou, não tinha escutado nada de novo também. Era apenas o óbvio. Embora tivesse certeza de que seu outro mentor não ia ficar satisfeito de terem que esperar alguns dias para voltarem a rotina normal.
-Algo assim já aconteceu antes? -Sasuke perguntou, enquanto esperavam o outro se calçar.
-Não, nunca. -Naruto negou.
-Alguma ideia do que pode ter causado isso? -foi a vez da Haruno.
-Não. -respondeu após pensar um pouco e desconsiderar falar da sensação estranha que teve. Não parecia certo falar com ninguém sobre isso. -Não faz exatamente muito sentido pra mim também não.
-Vamos tirar os próximos 2 dias de folga. Deve ser tempo suficiente para começar a voltar pra normalidade. -o Hatake anunciou e se despediu do grupo. A rosada também se despediu, hoje era um dia que ela ajudava a mãe a organizar algumas coisas na casa.
-Já que você está bem, mas tem que descansar... Quer ir almoçar na minha casa? -o Uchiha perguntou assim que saíram do terreno do hospital.
-Que? -se virou surpreso para o moreno, nem em mil anos imaginaria esse convite vindo.
-Quer almoçar lá em casa? -repetiu. -Minha mãe quer conhecer você. Ela disse que conhecia sua mãe.
-Minha mãe? -as palavras soavam alienígenas saindo da boca do outro, o loiro ficou tão desnorteado que até parou de andar. -Como assim?
-Eu descobri a esses dias também. -o menino moreno explicou. -Ela disse que pode te contar algumas histórias sobre ela para você.
-Sério? -a ideia de escutar sobre a família que ele não teve era extremamente tentadora, então seguiu o colega até chegarem perto do distrito Uchiha.
-Voltou mais cedo do treino hoje, irmãozinho? -ouviram alguém falar por trás deles.
-Nii-san! -o Uchiha mais novo abriu um sorriso ao ver o irmão.
-Trouxe um amigo pra almoçar dessa vez? Acho que é a primeira vez que você traz algum amigo pra casa. -Itachi comentou para o constrangimento do mais novo, que corou.
-Nii-san! -protestou. -Esse é meu colega de time, o Naruto.
-Ah, já ouvi falar dele. -o Uchiha mais velho se virou pro loiro, que ficou desconfortável com as palavras dele. -É um prazer conhecer você, Naruto. Meu nome é Itachi, sou o irmão mais velho de Sasuke. -estendeu a mão pro outro apertar.
-Prazer conhecer você também. -respondeu meio perdido, nunca tinha feito nada parecido antes (ainda estava chocado que havia aceitado o convite do outro!). Muito menos ser chamado de amigo de ninguém. O Sasuke o considerava um amigo? Desde quando? Ele estava tão confuso!
-É bom ver meu irmãozinho se dando bem com alguém. Ele sempre foi meio quieto e tímido, sabe? -sorriu carinhosamente pro mais novo antes de se voltar novamente pro loiro. -Espero que sejam bons amigos a partir de agora.
-Nii-san, chega! -Sasuke pediu corado como um tomate, o que fez o mais velho rir. -Ele pode ser assim, Naruto, mas saiba que, na verdade meu irmão é uma pessoa incrível! Ele ficou só um ano na academia e se formou! Ele é um gênio, é mestre com o Sharingan a anos! E com a nossa idade ele entrou pra Anbu! Ele é muuito forte! -contou entusiasmado pro colega, aproveitando a oportunidade para se gabar do irmão espetacular que possuía. Era a primeira vez que podia fazer isso pra um amigo!
-Sério? -o menino loiro arregalou os olhos e olhou pro adolescente levemente chocado com a informação. Tinha como se tornar um Anbu tão novo? Se lembrou da idade que ele mesmo se tornou o que era (e teve que lutar contra uma careta). Ele tinha certeza, pelo menos até onde sabia, que era uma posição que era conquistada e oferecida.
-O mundo ainda estava em guerra quando eu nasci, as coisas eram diferentes anos atrás. -o adolescente tentou argumentar.
-Nem vem, Nii-san! Nem tente ser humilde, você é um gênio! O orgulho do clã! -o Uchiha mais novo nem deu tempo por outro pensar em qualquer outra desculpa esfarrapada.
-‘Eles parecem ser bem próximos, é assim que irmãos são?’ -o Uzumaki se continha pra não rir, principalmente que não esperava nunca ver o colega de time agir tão casualmente e animado com alguém. Se bem que ele tinha dito que queria superar o irmão durante as apresentações que o Hatake havia pedido quando o conheceram. -‘Isso é o que é ter uma família?’ -pensou com uma pitada de inveja, o termo o fez lembrar da notícia que ele tinha um padrinho. Alguém que nunca havia aparecido sequer uma vez durante seus 10 anos de vida. ‘Mas ele voltaria pra me treinar pra ser uma arma.’ cerrou os punhos com a lembrança.
Pensar no assunto sempre o deixava mais sensível e consciente de tudo. Nesse momento o fez lembrar de seu status, seu corpo gelou como se alguém tivesse jogado um balde de gelo nele. Toda a diversão e curiosidade que tinha foi lavada de si junto com o sorriso que havia se formado em seu rosto. De repente se viu completamente ciente dos olhos em cima dele, dos sussurros a sua volta.
A vila sabia o que ele era. Apenas as crianças não sabiam. Isso significava que o irmão do Sasuke sabia também. Bem que ele se sentiu julgado brevemente quando o mais velho olhou pra ele quando falou que o conhecia. Ele já havia ouvido rumores, histórias estranhas sobre os Uchihas. Os aldeões costumavam a fingir que ele não existia então as vezes escutava algumas coisas. Algumas pessoas acreditavam que os Uchihas tinham feito algo errado para terem que mudar o distrito deles para terras menos privilegiadas na vila, apesar de ser um dos clãs fundadores. Algo ligado ao ataque da raposa, o sharingan podia controlar e manipular seres vivos afinal.
-E-eu acho que não vou conseguir almoçar com vocês. -cortou o debate deles sobre humildade. -Estou começando a me sentir cansado de novo, então acho que vou pra casa descansar. -se desculpou, dando alguns passos para trás. ‘Se eu me envolver com eles, eles podem ter problemas. Não quero causar problemas para o Sasuke e a mãe dele só porque estão tentando ser legais comigo.’ engoliu em seco, ele sabia que estava abrindo mão do que podia ser umas das poucas oportunidades de descobrir mais sobre aquela que lhe deu a vida.
-Você tem certeza? -o colega de time (seu amigo?) perguntou não entendendo a mudança repentina. -Quer que acompanhemos você? Não vai desmaiar de novo não, né?
-Não, eu estou bem. Conheço um atalho até minha casa. -abriu um sorriso para os outros, mentindo sem hesitar. -Vejo você depois, Sasuke. Quem sabe outro dia?
-É... -o jovem Uchiha deu uma desanimada. E ele estava tão ansioso para ouvir as histórias também! -Isso foi meio estranho.
-Acontece, Otouto. Com certeza ele tem seus motivos. -Itachi tentou consolar o irmão. ‘Ele é mais perspicaz do que imaginei. É surpreendentemente difícil ler ele, apesar de ele não aparentar fazer isso conscientemente.’ o jovem anbu analisou. -Quem vai ficar desapontada é a nossa mãe.
-Ugh, nem me lembre. -grunhiu. -Vou chamar ele outro dia, hoje foi um dia complicado, ele foi parar no hospital.
-Hospital? Por isso que ele estava enfaixado? O que houve? -a dupla seguiu seu caminho até a casa deles, com o mais novo explicando tudo no trajeto.
Enquanto voltava para seu apartamento o Uzumaki andava meio cabisbaixo. Ele queria ter ido na verdade, muito. Nunca havia tido uma oferta como aquela ou alguém realmente disposto pra falar qualquer coisa relacionada quem seus pais eram em toda sua vida. Mas não conseguir era bem a cara da sorte dele realmente. Ela só andava cada vez pior. E não tinha o que ele podia fazer sobre isso.
-E ela vai piorar mais. -murmurou pra si mesmo, já na casa dele, enquanto olhava o calendário preso na parede. Outubro havia chegado.
----- CHAPTER BREAK -----
O mês de outubro nunca foi um momento especial para Naruto. Talvez porque uma das primeiras coisas que aprendeu sobre o mundo foi sobre o Ataque da Raposa. Sobre o como havia sido uma tragédia terrível e que jamais deveriam permitir que ocorresse novamente. Somente depois ele foi descobrir que o dia em que as pessoas nascem era algo que era comemorado. Quando já estava morando sozinho e um dia viu uma família comemorando o aniversário do filho.
Mas não demorou muito para ele entender que como o dele caía numa data infeliz ele não deveria ser comemorado. Porque o dia sempre era um dia triste, pesado, um dia de luto. Pessoas visitavam o cemitério e relembravam aqueles que haviam perdido. Os sorrisos dados naquele dia sempre eram sorrisos de saudade e tristeza. Mesmo assim, com a ingenuidade de uma criança de 5 anos, ele havia tentado imitar o que havia visto as pessoas fazerem naquelas ocasiões e comemorar seu aniversário. Foi a primeira vez que sentira o descontentamento da vila com sua presença ali, pessoas o expulsaram do restaurante que tinha ido, alguns o perseguiram e espantaram para longe, com diversos graus de hostilidade. Sempre com olhares com repulsa (não que ele sabia o que era isso na época) e ódio. Lembrava que um bêbado havia lançado uma garrafa nele, mesmo não tendo terminado ela, atingindo sua cabeça. Foi a primeira vez que ficou tão assustado, ele se escondeu pelo resto do dia. Desde então ele nunca mais comemorou.
Deitado na cama o loiro suspirou, ele não sabia o que era pior: as memórias ou os pesadelos. Ele não fazia ideia de como seria agora, com ele sabendo o motivo de ser odiado e temido. A única coisa que tinha certeza é que os dias dele parado por causa do que aconteceu no treino seriam meio infernais. Tinham tantas coisas que ele não queria pensar. Nem os livros que seu mentor havia passado para ele ler ajudariam a escapar completamente da sua mente, isso ele sabia. Na verdade, seria milagre se conseguisse reunir foco para ler de fato, mas iria tentar. Ele
tinha
que tentar. Sabia que o mais velho iria cobrar isso dele.
Lembrar do seu mentor o fazia relembrar de uma conversa que tinha tido com ele antes. A parte que ele não queria lembrar. O jovem Uzumaki não gostou das respostas que tinha recebido, não importava que já haviam se passado alguns dias. E a pior parte é que a maior parte delas ele não conseguia nem contra-argumentar pra si mesmo, se convencer que na verdade estavam erradas. Que as coisas não funcionavam assim. O sentimento de que a cada nova informação que recebia mais descobria o quão pouco controle tinha de sua própria vida, do quão pouco sequer sabia sobre si mesmo voltou com força total. Sentia que cada vez mais apareciam mais correntes em volta dele que ele nunca nem imaginaria que existiam.
—Droga... —se revirou na cama e enfiou a cabeça no travesseiro, sentindo sua mente espiralar. Ele realmente não queria ficar pensando naquilo, não queria mesmo. Já era difícil engolir e aceitar que era o receptáculo da Kyuubi, mas aceitar que não tinha nenhuma escolha era demais. Seu sonho de infância de ser como os outros e ser aceito por todos estava cada vez mais distante. E pior, ele nem sabia se queria isso realmente. Ele não queria ser uma arma. Mas isso havia sido decidido por ele no momento em que nasceu. Eles sequer haviam pensado no peso que estavam colocando numa criança? Ou o Yondaime não havia pensado nisso quando pegou um órfão para ser o sacrifício? Qual era o preço de uma vida comparada à de milhares? Era isso que chamavam de destino? —Por que eu? —murmurou e sentiu seus olhos se encherem de lágrimas pela injustiça que era sua vida, fazia tempos desde que sentira tanta vontade de chorar, porque isso nunca resolveu nada. Isso o fez pensar no que seus colegas haviam sugerido pouco depois que entrou no time Kakashi, naquele dia na biblioteca. Ele foi escolhido por ser um Uzumaki? Ele realmente fazia parte de um clã? Por que era um descendente de um clã extinto? Alguém que ninguém ia se preocupar? A única coisa que tinha conseguido ler antes da bibliotecária o expulsar era sobre as grandes reservas de chakra que os membros do clã possuíam e isso batia com o fato de que ele tinha muito chakra, ao ponto de ser difícil controlar.
Sua situação era realmente parecida com a de Haku, se lembrou. O garoto também era um órfão de um clã com uma linhagem poderosa e que acabou virando uma arma nas mãos de alguém mais poderoso que ele. Mas ao contrário de Haku ele não ia aceitar esse papel forçado para cima dele de bom grado. Se recusava. Não era justo! Como podiam pedir isso dele? Não, eles não estavam pedindo. Era uma exigência. “Você não tem escolha,” as palavras ecoaram novamente em sua mente, fazendo-o se encolher.
—Mas eu quero ter escolha... —murmurou para si mesmo e parou pensativo. Como ele fazia para ter mais escolha? A imagem imponente do Hokage e de Danzo apareceram em sua mente. Realmente, no mundo shinobi o poder era a chave. O que eles aprendiam de história na Academia reforçava isso. Aqueles com mais poder ditavam a história e eram quem davam as cartas. Então se ele tivesse mais poder... Ele poderia decidir por si mesmo. Ganhar um pouco de controle de volta, pouco a pouco. Olhou para a pilha de livros que Danzo havia passado para ele ler. Ele tinha que começar de algum lugar. E se não podia treinar ele iria aprender de outra forma, e com certeza deveria ter algo útil entre as coisas que o mentor mandou. Ele não faria nada para desperdiçar o tempo deles, isso é algo que ele deixou claro logo no início.
Ler não era sua atividade favorita, ele tinha energia demais para ficar parado horas lendo e às vezes era difícil se concentrar. Mas conseguia fazer isso quando se propunha e se dedicava. Teve vezes que não conseguia ir para a aula por algum motivo e depois estudava por conta própria. Mesmo que na maioria das vezes depois descobria que os textos tinham sido alterados ou tivessem partes ilegíveis e incompletos.
O primeiro livro era sobre o chakra e como a meditação podia afetá-lo. O segundo sobre diversas formas de usar o chakra de forma criativa, como os usuários de marionete faziam. Foi um livro divertido de ler, embora ele duvidasse ter qualquer talento para usar marionetes. Depois tinham alguns livros sobre o molde de chakra, ninjutsu e genjutsu. Uma lâmpada se acendeu em sua mente. Será que ali teria alguma resposta para o que ele precisava? Para seus problemas?
Com isso em mente ele se empenhou para ler tudo o que lhe foi passado. Ele nunca leu tanto em toda sua vida em um período tão curto de tempo. Mas o sentimento que teve quando acabou tudo a tempo foi reconfortante, uma pontada de orgulho de si mesmo. E foi bom pois ao contrário do que esperava ajudou ele a se distrair enquanto tinha que se manter de repouso. Ele reportou tudo o que aprendeu e entendeu com o mentor assim que a próxima sessão de treino deles chegou (afinal era esperado que shinobis fizessem relatórios das missões), aproveitando também para tirar as dúvidas das partes que não havia entendido.
—E-eu posso pedir uma coisa? —começou meio inseguro, não acostumado a pedir coisas assim, principalmente por ainda estar se acostumando com o interesse que recebia do mais velho. O Shimura assentiu, intrigado com o que o garoto iria falar. —Existe algum jutsu que esconda a presença de alguém, que possa esconder quem eu sou de quem eu não quero que saiba? Você pode me ensinar? —pediu finalmente. Isso era algo que ele pensou bastante, um simples henge poderia servir para ele fingir ser outra pessoa, mas isso funcionaria contra todo mundo. E se os colegas o chamassem para sair de novo e ele não quisesse ser incomodado pelo preconceito dos habitantes da vila?
Ele com certeza não estava pensando na possibilidade de o Uchiha convidar ele novamente, não ele não estava.
—Existem alguns jutsus que se encaixam nessa categoria. Mas um em particular acho que pode funcionar bem para o que você quer. —Danzo sorriu satisfeito. —É um genjutsu nível C.
—Mas não se precisa de bom controle de chakra para genjutsus? —Naruto olhou por mais velho confuso, ele não achava que já tinha esse nível de controle. Não depois do que quer que tenha feito seu chakra se agitar naquele dia.
—Normalmente sim. Mas eu acredito que você tenha algum talento pra genjutsu. —ele viu que o garoto não estava conseguindo entender a lógica. —Um dos maiores sinais de que alguém tem talento para ser um usuário de genjutsu é a habilidade com o Henge. Uma técnica supersimples e classificada como ninjutsu, embora eu acredite que ela também seja um pequeno genjutsu, afinal é uma ilusão que toma forma física. E pelo que eu sei, de longe, seu melhor jutsu da academia. Afinal quantas pessoas saem da academia já tendo criado sua própria variante de um jutsu? —o Uzumaki corou ao ser lembrado.
—Mas o “Sexy no jutsu” é algo tão bobo... —o menino sabia, era uma técnica que tinha feito pois
sabia
que isso ia incomodar os outros. As revistas e livros que havia usado de referência normalmente eram escondidos e não algo falado ou demostrado abertamente.
—Talvez. Isso não quer dizer que ele não tenha seus usos e seus méritos. É um ótimo jutsu para distração, por exemplo. Mas sei que você sabe disso. Já usou ele assim.
—E—eu... É. —concordou embora meio chocado que o outro sabia de um detalhe assim. Se bem que o outro já havia comentado que observava ele a tempos, não deveria ser tão surpreendentemente assim. Ainda assim, alguém notar e
reconhecer
ele dessa forma...
—Bem... Vamos começar. Vejamos quanto tempo você vai precisar até aprender o jutsu. —o adulto falou após um momento olhando pra ele, propositalmente formulando como um desafio. O garoto não conseguiu conter o sorriso determinado que emergiu em seu rosto, era bom ter alguém que tinha alguma fé nele, no seu potencial. Que estava investindo tanto nele que concordou em treinar ele todos os dias para ele dominar a técnica o mais rápido possível.
A única condição que o Shimura colocou foi de que ele evitasse usar chakra fora dos treinos deles, por causa do episódio recente que o fez parar no hospital. Portanto ele arrumou uma desculpa para o sensei de sua equipe que ainda estava inseguro de usar o chakra dele depois daquilo e pediu para eles focarem em taijutsu por enquanto, algo que já estava dentro da rotina de treino deles, mas intercalado com outros aspectos. O sensei concordou sem pensar muito nisso, era uma habilidade importante e ele sempre podia reorganizar para que depois focassem por mais tempo no resto.
Era um dia comum até Sakura chegar um pouco mais atrasada que o normal (tipo até o Kakashi já estava lá há alguns segundos), mas saltitando de energia e com um olhar animado. A parte masculina da equipe olhou para ela esperando—a se pronunciar, o que todos sabiam que não ia demorar muito, conhecendo a personalidade da rosada.
—Então, no caminho pra cá eu esbarrei com a Ino. Hoje era o dia de folga dela então ela estava ajudando na floricultura da família dela, ela tinha saído para fazer uma entrega na verdade, por isso que nos encontramos. —começou a tagarelar sem um foco aparente e nenhum deles estava entendendo o motivo da animação. —Ela me contou que amanhã seria o aniversário da falecida mãe do sensei dela, o Asuma-sensei, ele é filho do terceiro Hokage. E que é tradição da família deles comemorar as lembranças que tinham dos momentos tiveram com ela e honrar a vida dela ao invés de só lamentar a morte. O sensei deles chamou o time deles para participar, algo sobre essa ser uma lição importante e o quanto mais cedo entendessem melhor. Aí ela já estava preparando um buquê com as flores favoritas da mãe dele, porque é claro que ela perguntou. E depois...
—Vá para o ponto, Sakura. —o Hatake pediu, o mais velho sabia bem como o mês era um mês doloroso para a maioria da vila, ele mesmo tinha seu período de luto e costumes (normalmente envolvendo visitar túmulos, passar o resto do tempo ignorando em que mês estavam e todas as suas falhas. Era isso ou iria reverter de volta para seus tempos na ANBU).
—Eles não querem que o mês seja marcado só com coisas tristes, principalmente porque esse mês é também o aniversário do sensei deles, dia 18. Então eles também estão preparando uma festa surpresa para comemorar isso. —ela falou pra contextualizar melhor. —Eu achei a ideia legal e pensei que podíamos comemorar os aniversários uns dos outros também, pelo espírito de equipe.
—Mah... É uma ideia realmente interessante. —a garota do time praticamente reluziu com o elogio.
—Quando é seu aniversário, sensei? —ela perguntou.
—Já passou. Foi dia 15 de setembro, no mês passado.
—Por que você não falou nada? —Sakura estava visivelmente chateada.
—Ora, não tinha como eu prever que vocês iriam querer comemorar comigo. —na verdade o adulto não comemorava a data a anos se algum de seus poucos amigos não literalmente o arrastasse pra isso. Normalmente quem sempre se achava encarregado disso era Gai, se nenhum deles estivesse em missão.
—Mas e agora? De quem é o próximo? Meu aniversário foi em março e o do Sasuke-kun em julho... Vamos ter que esperar outro ano para conseguir fazer isso? —começou a falar consigo mesma pensativa e meio amuada.
—Naruto? Seu aniversário não é esse mês? —Sasuke interveio e olhou para o membro da equipe que estava estranhamente quieto, e que o olhou de volta seriamente confuso sobre como o outro sabia disso.
—É isso mesmo? Seu aniversário é esse mês? —a rosada repetiu antes que o loiro sequer piscasse, os olhos agora completamente focados nele. —Por favor me diz que não passou ainda!
—Não. É dia 10. —o Uzumaki respondeu não sabendo lidar com a empolgação que estava vendo no rosto da garota.
—É isso! Perfeito! Vamos comemorar seu aniversário! —a Haruno estava praticamente vibrando no lugar por estar se esforçando para não sair pulando de animação. —O que você costuma fazer? O que quer fazer? O que você gosta? —questionou sem sequer parar para respirar entre cada pergunta.
—Ah… Eu… Eu… Eu não sei. E-eu nunca… —a cada fala a voz do loiro ficava mais baixa e incerta até que mal conseguiu admitir no final. Seu olhar desviando para o lado, evitando olhar para qualquer um deles.
—Você nunca comemorou seu aniversário? —o Uchiha franziu as sobrancelhas ao escutar a fala do outro, sem conseguir acreditar o no que tinha acabado de ouvir. —Nem enquanto ainda estava no orfanato? —o garoto mais novo apenas sacudiu a cabeça para negar, sem se dar trabalho de corrigi-lo.
—Eu sei que nos orfanatos não dá pra dá atenção pra todo mundo e se dedicar a cada criança e tals. Mas não nunca ter comemorado nada? —a garota sacudiu a cabeça claramente indignada. E então voltou sua atenção ao colega, determinada. —Temos que corrigir esse absurdo. Tipo, urgentemente! Relaxa, Naruto, você vai ter o melhor aniversário de todos! Ou não me chamo, Haruno Sakura!
—Okay…? —aceitou sem ideia de como responder ou reagir (isso estava
realmente
virando uma tendência com ele ultimamente não estava?). O que gerou alguns segundos estranhos com eles se olhando, que para a surpresa de todos foi interrompido quando o terceiro membro da equipe começou a rir.
—Desculpa! —Sasuke falou ainda rindo de leve, apesar de estar tentando se conter. —É que você falou igualzinho a forma quando o Naruto gritava para a vila que ia ser Hokage.
—Independente disso, pode acreditar que dessa vez seu aniversário não vai passar em branco. Vamos comemorar ele apropriadamente. Tipo, está meio em cima para organizar tudo, mas vai dar tudo certo! —sorriu encorajadora pro colega de time que ainda aparentava estar processando o que estava acontecendo.
—Isso tudo é muito lindo, muito fofo. Mas… Nós temos um treino para começar. —o Hatake interrompeu eles antes que o assunto se estendesse mais. Já acostumados com a rotina com o professor deles eles logo mudaram o foco para o mais velho. -Hoje vamos ver como estão as formas de vocês nos estilos de luta que passei para cada um, se tiverem dominado elas podemos passar para próxima etapa delas.
-Hai!
Algumas horas depois, assim que o treino terminou, aqueles do time que começavam com a mesma letra se despediram dos outros e foram buscar os colegas. Foi relativamente fácil achar o time Asuma comparado a quando começaram a se encontrar.
—Vamos precisar da ajuda de vocês! —a rosada exclama antes mesmo de que o outro grupo tivesse sequer chance de pensar em abrir a boca para cumprimentar eles. Coisa que deixou os dois garotos piscando levemente desnorteados por alguns segundos por não esperarem essa intensidade do nada, mas a loira abriu um sorriso que se expandiu proporcionalmente a velocidade da fala da outra garota.
—Vai querer a minha ajuda, testuda? —a Yamanaka obviamente não perdeu a chance de perturbar a rival.
—Ah, cala boca, Ino! Isso é importante! —pra surpresa da loira a Haruno não caiu na provocação.
—O que é tão importante assim? —Ino pergunta sem saber se se sentia ofendida por ser ignorada ou se se rendia a sua curiosidade e jogava seu orgulho de lado dessa vez.
—O Naruto nunca comemorou o aniversário dele! Precisamos mudar isso!
—O QUE? — a loira exclamou extremamente chocada.
—Né? Eu pensei a mesma coisa!
—É impressionante como elas se entendem, não é? —Sasuke comentou pros outros garotos.
—Não nos entendemos não! —as duas garotas protestam juntas e depois se fuzilam com os olhos por causa disso.
—Aham… —Shikamaru falou enquanto os outros tentavam não rir, pois sabiam como elas iriam reagir.
—Ok, gente. Foco! —Sakura pediu após bater palmas para chamar atenção. —O que podemos fazer para ser um aniversário inesquecível?
-O bolo é essencial. -Choji logo sugeriu. —Acho que ele vai gostar da experiência de soprar as chamas da sorte. Pelo menos eu sempre acho divertido.
-Sim, isso com certeza tem que ter. A tradição são velas vermelhas, então não acho que iremos achar laranjas para colocar. Fora que se queremos que ele tenha a experiência original elas
têm
que ser vermelhas! —a Yamanaka acrescentou.
—Temos que comprar uma lanterna de aniversário então também. Minha mãe sempre insiste na importância de soltar uma. —Sasuke se lembrou. —Onde vamos comemorar?
—Acho que não vamos comemorar no apartamento dele… Então no parque? Num dos campos de treino?
—Acho que são boas opções. De atividade, acho que o jogo de fósforos e fogos de artifício são clássicos. —o do rabo de cavalo comentou após pensar um pouco.
—Isso! -Ino abriu um sorrisão e começou a dar pulinhos animados. —O que foi? Eu amo jogos de aniversário! E esse é meu favorito!
—Ok, Ino, nós ficamos responsáveis pelo bolo e velas. E os garotos pelos jogos e lanternas.
—Podemos deixar tudo na floricultura da minha família e coletamos na hora da festa!
—Isso! Boa ideia, pode ser. —a rosada concordou.
—Vai ser só a gente ou está pensando em chamar mais alguém? —o Akimichi perguntou, intrigado pela ideia de comemorar um aniversário de alguém que nunca havia o feito.
—Estava pensando em chamar o resto da turma que se graduou com a gente. Nosso sensei reforça bastante o ponto de trabalho em equipe e saber como cooperar com os outros então acho importante todos mantermos contato, porque nunca se sabe quando vamos ter missões juntos. —começou a expressar o ponto dela, mas ao ver o Uchiha mandar um olhar preocupado e leve te tenso pra ela, a garota rapidamente acrescentou mais razões. —Acho que seria bom o ele ter mais interações positivas com os outros. E aí eles vão poder conhecer ele melhor também, ambos vimos o quanto nós não conhecíamos ele. E é natural chamar os conhecidos da mesma idade nos primeiros aniversários! Vai dar tudo certo e vai ser divertido!
—Espero que sim, Sakura. —o Uchiha aceitou por fim.
“Tudo que não precisamos é que a primeira festa dele seja traumática como nossa primeira missão fora da vila, principalmente quando ele já estava com azar aqui dentro.”
----- CHAPTER BREAK -----
Naruto já estava na frente do espelho em seu quarto há alguns minutos, encarando o casaco preto que tingiu e a única calça azul escura que possuía, tentando criar coragem. Ele já havia chegado se o genjutsu que havia aprendido estava funcionando, umas três vezes no mínimo. Ele sabia que estava tudo certo, mas mesmo assim estava paralisado no lugar. Os nervos a flor da pele com a ideia de sair hoje e encontrar os colegas. Porque ele havia dito a verdadeira data de aniversário dele? Ele devia ter falado que já havia passado. Ele estava bem ciente do histórico de sorte dele nesse dia, mas passar um tempo hoje com eles…—Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem… —se viu repetindo quase como um mantra, pra ver se se acalmava. Quando abriu os olhos novamente olhou na direção do relógio. —Eu realmente deveria ir logo. Eles já devem estar esperando.Após checar tudo uma última vez, ele saiu de casa. E sua assunção estava correta. Pois quando chegou na ponte que o seu time sempre se encontrava, local combinado para o dia, seus dois colegas de time, mais o time Asuma já estavam todos lá.—Não te entendo! Você podia muito bem espera na sua casa! Que é literalmente em cima da floricultura! —a Haruno gesticulava energeticamente pra outra.—E perder toda a fofoca desde o início? Tá maluca? —a Yamanaka fez uma cara que representava perfeitamente a última pergunta dela.—Que bom que você chegou, Naruto. -os garotos falaram aliviados, já que desde que chegaram as garotas estavam nessa meia discussão.—Desculpa a demora. Eu tinha esquecido que o meu relógio atual funciona bem e não roda mais rápido que deveria. —o garoto explicou coçando a cabeça meio sem jeito. Mesmo sabendo que ele estava mentindo o motivo.—Essas coisas só acontecem com você, Naruto. —Ino riu, e Naruto também riu mas com os olhos fechados, os dois colegas de time dele se entreolharam. —Se eu soubesse disso teria comprado um relógio de presente adiantado.—Presente? —o loiro olhou por um breve instante para seus colegas de time antes de voltar sua atenção para a outra loira no grupo. —Por que?—Porque é seu aniversário, bobinho! É claro que vai ganhar presentes! —a garota explicou gesticulando com um dedo e sorrindo animada. Ela provavelmente era a pessoa do grupo que mais gostava de socializar. —Eu sei disso! —ele podia nunca ter comemorado de fato, mas isso não quer dizer que ele não sabia nada! —Mas não precisam me dar presentes. —ele só não sabia se a ideia o incomodava por não gostar da possibilidade de dever algo aos outros ou por não fazer ideia de como reagir a isso.—Mas essa é uma das melhores partes de um aniversário! —Ino argumentou, tipo claro não era a única parte boa mas quem não gostava de presentes? O Naruto aparentemente. Mas por quê? Enquanto isso, o resto do grupo olhava eles discutindo, tentando decifrar o enigma que o ex-colega de classe estava cada vez mais se mostrando ser. Aqueles que não foram colocados na mesma equipe que o garoto estavam menos acostumados com o fato de que eles na verdade não conheciam o Uzumaki, não realmente. Já os colegas de time estavam ficando cada vez mais preocupados com o mesmo. —Gente, gente, melhor irmos indo né? Temos que encontrar o resto do pessoal e ir pegar as coisas! —Sakura resolveu intervir, e de qualquer maneira era algo que eles tinham que fazer, não podiam perder tempo se quisessem que o colega tivesse uma experiência completa. E alguma correria no dia fazia parte!—Verdade! Vamos logo! —a Yamanaka imediatamente voltou a focar no assunto mais importante do que qualquer discussão sobre se o garoto ia ou não aceitar os presentes (é claro que ele ia! Ela tinha deixado extremamente claro!). Os meninos reviraram os olhos e tentaram nao rir, mas o Uzumaki tenha ficado piscando por um tempo com a mudança repentina. Mas como ninguém protestou, todos começaram a ir na direção da floricultura da família dela.As meninas foram liderando o grupo na frente, seguidas, surpreendentemente, por Shikamaru e Choji, pois apesar de terem tentado ficar na retaguarda perderam a disputa de vontades para Naruto, sendo acompanhado por Sasuke. O Uchiha era o que o garoto mais ficava à vontade perto, prova do esforço do moreno para se aproximar do outro.—Nervoso?—Por que estaria? —o garoto virou a cabeça tão rápido que fez o Uchiha quase tropeçar devido ao choque. Os olhos do garoto quase pareciam perguntar se deveria estar e seus passos deram uma breve oscilada, como se naquele meio instante se perguntasse algo antes de se recuperar mas com certa cautela no seu caminhar.—É normal ficar ansioso ao tentar e fazer algo novo. —o Uchiha fez questão de explicar, pois vinha reparando que o colega (em algum momento ele iria conseguir se referir ao outro como amigo!) não tinha os mesmos parâmetros que os outros da idade deles. O que era meio estranho pois todos eram da mesma vila e tals.—Normal, né? —o Uzumaki murmurou em seguida fazendo um barulho que poderia ser um suspiro ou um riso, Sasuke não estava certo qual tinha sido por ter acontecido muito rápido.O resto do trajeto foi no silencio, escutando as garotas falando animadas na frente e as vezes Choji rindo de algo que haviam falado. Algumas vezes Shikamaru havia olhado pra trás, na primeira foi quase como se tivesse esquecido que estavam ali, depois mais algumas vezes chocado que estavam ambos calados. Na frente da loja estavam mais alguns colegas esperando.—Oi, gente! Aqui! —Tenten cumprimentou assim que os viu, sacudindo um braço pra chamar atenção inicialmente. —O resto deve chegar logo.—Ok. Ugh, a loja tá cheia hoje. Vocês se importam de esperar aqui fora enquanto eu e Sakura vamos pegar as coisas? Vai ser rapidinho! —a Yamanaka falou após conferir o negócio de sua família surpreendentemente lotado.—Não, Ino. Vai logo. —Shikamaru respondeu pelo grupo, fazendo um gesto pra espantar ela, que foi após mostrar a língua pra ele.—Ei, Naruto! Não éramos da mesma sala, mas parabéns! —Rock Lee foi o primeiro da nova parte do grupo a se virar pro aniversariante, os outros que ficaram logo se unindo a ele, Sasuke teve que olhar duas vezes para acreditar que o garoto ao seu lado ficou levemente tenso no momento que a atenção se virou pra ele. Shikamaru também reparou e ambos trocaram olhares confusos, o garoto não gostava de atenção? Não era por isso que ele era uma peste durante seus dias de academia?—Obrigado. —agradeceu depois de todos do segundo metade do grupo desejarem o mesmo que o ninja de verde. O sorriso que deu tinha algo que os dois que repararam que o outro estava um pouco estranho não conseguiam identificar ou distinguir exatamente dos que costumava dar mas algo ali os incomodava.A partir daí Lee assumiu o comando da conversa, não parando de falar sobre uma chama da juventude e que aniversários só deixavam ela mais forte, ou algo assim. Sasuke estava começando a achar que o loiro havia mentido quando falou sobre nervosismo mais cedo, pois o comportamento dele estava estranho. Mais do que o normal, e ele e Sakura já tinham definido que o Uzumaki estava diferente desde o dia que as equipes foram formadas. Hoje em específico o garoto estava extremamente mais quieto.—Ouch! —alguém passando esbarrou no loiro, com tal força que o virou de costas pro grupo. —Oh, me descul… —a senhora simplesmente parou de falar ao olhar pro menor, olhos arregalando e seu rosto começando a se contorcer. —Você! —pronunciou a palavra como se fosse uma maldição e agarrou com as mãos o que estava carregando mais forte, como se pensasse como prosseguir.Sem esperar pra ver o que ia acontecer ou sequer falar algo, Naruto se virou e saiu correndo sem olhar pra trás. Deixando a mulher murmurando xingamentos antes de também ir embora e os colegas sem entender nada. Chamar por ele não adiantou nada.—Ué? Cadê o Naruto? —Sakura pergunta olhando pro companheiro de time ao retornar com Ino, mas antes que o garoto conseguisse responder óbvio que foi justamente quando o resto deles resolveu chegar.—O que perdemos? —Kiba olhou confuso pro grupo maior, seu Niken se aproximando com Neji, Hinata e Shino.—Acabamos de perder o aniversariante. —Sai quem respondeu e Hinata arregalou os olhos e tampou a boca com suas mãos.—Como isso aconteceu? Pensei que iam tomar conta dele! —Ino gesticulou brava, pros garotos da primeira parte do grupo. O Uchiha e o Nara trocaram um olhar, Shikamaru deu de ombros e sobrou para Sasuke responder.—Foi tudo muito rápido. Ele correu antes mesmo que desse pra notar que ele ia fazer isso.—Ai, e agora? —a Haruno falou meio desanimada e preocupada. —Nós estamos com uma equipe de rastreadores aqui. Que tal pedir ajuda deles? —Shikamaru apontou e Akamaru latiu animado e abanou o rabo.—O Akamaru topa o desafio! Nós com certeza vamos achar ele com nosso faro!—Nós vamos ajudar. —Neji concordou com o pedido, seria um bom treino, algo útil naquele dia. Afinal tinha concordado de ir por causa de sua prima, que insistiu quando Tenten comentou que havia negado.Após guardarem as coisas da festa num pergaminho, oferecido por Tenten, o grupo começou a rastrear o colega fugitivo. Shino havia soltado seus insetos para buscar pela vila, garantindo que seus insetos tinham os chakras de todos que haviam estudado com ele já memorizados. Enquanto isso iam seguindo o Inuzuka, com os Hyuugas olhando em volta.—O cheiro dele vai nessa direção. —Kiba falou meio perplexo, parando e apontando na direção do Hospital.—Não estamos vendo ele ali dentro. —o Hyuuga mais velho falou depois de chegar, por educação, com a prima.—Por aqui. Meus insetos acharam ele. —Shino assumiu a liderança e os guiou até um prédio anexo atras da construção principal, um poderia assumir que era um antigo depósito ou algo do tipo, pois não parecia muito usado atualmente.—O N-naruto-kun está ali dentro. —Hinata confirmou baixinho, não acostumada a interagir com aquela quantidade de gente, principalmente ao mesmo tempo.—Naruto? —foram chamando seguindo o corredor até quase ao final, virando para uma porta entreaberta a esquerda. —Naruto?O garoto em si tomou um susto, claramente não tendo escutado eles vindo ou ser chamado. Seus colegas de time se entreolharam estranhando, pois ele era um sensor, mesmo que a vila sobrecarregasse ele as vezes ele deveria ter notado eles naquela proximidade.—Vocês vieram atrás de mim? —perguntou sem conseguir acreditar no que estava vendo.—É claro! Não vamos deixar você passar o dia de hoje sozinho! —Sakura respondeu séria, com Sasuke logo atrás apoiando e confirmando.—Por que correu? —o Uchiha questionou, evitando a palavra “fugiu” de propósito. Mas os minutos foram se passando com o mais novo se recusando a responder.—É que nem aquele dia na biblioteca? —Shikamaru sugeriu, aqueles que não estavam presentes no dia não entendendo. O Uzumaki ficou claramente tenso por um instante.—Tem pessoas que não gostam de mim. Eu prefiro evitar elas. —hesitou por um tempo antes de acrescentar num tom relativamente mais baixo. —E eu não costumo ter sorte hoje. —Compreensível! Essas pessoas tem que evitar mesmo. —a garota de coques concordou, numa tentativa de amenizar o clima estranho.—Eu não esperava que você fosse supersticioso. —o Inuzuka admitiu.—Não é como se nós conversássemos muito com ele na academia. —Sasuke respondeu para que aquele que gostaria de chamar de amigo não precisasse. Ele já parecia desconfortável o suficiente.—Que lugar é esse?—É o antigo anexo, ele foi abandonado faz uns anos.—Nossa, eu nem sabia que esse lugar existia. —Ino comentou olhando em volta. —Como você sabe disso tudo?—Eu conheço as coisas pela vila. —Naruto deu de ombros como se isso não fosse nada. Mas alguns notaram o quão evasiva era aquela resposta. —Meio que virou meu esconderijo secreto quando eu era pequeno. —confessou coçando a cabeça meio sem jeito e riu. E isso relaxou a atmosfera anormal que estava antes.—O que tem pra fazer por aqui? —o grupo começou a inspecionar o cômodo com os olhos e se espalhar mais.—Parece algum tipo de sala de exercícios. —Sai reparou.—Já sei, por que cada um não faz o percurso uma vez? Vamos testar nossas chamas da juventude! —Lee sugeriu vendo uma oportunidade de ouro na frente dele, e o que melhor para criar laços e interagir com os colegas do que uma competição amigável?O percurso em si não era extremamente complexo, mas era desconhecido e ia se ativando no trajeto, acionado por mecanismos que ainda não conseguiram decifrar. Só o fato de ter algo assim no prédio era um mistério, para que algo assim num hospital? Não que parecesse ter qualquer pista visível para essa dúvida, e o aniversariante só deu os ombros quando perguntado.Aquele que propôs o desafio foi o primeiro a ir testar. Eles tinham decidido que o vencedor seria aquele que completasse o trajeto em menor tempo. O que aparentemente significava que o time Gai estava na vantagem com a maior estamina e os melhores resultados até o momento. Os times Anko e Kurenai já haviam ido também e o time Asuma havia declarado que iam por último (Shikamaru torcia pra esquecerem dele). —Por que você não vai agora, Naruto? —Sakura sugeriu, após retornar de sua tentativa, havia sido a primeira do seu time por causa da provocação da Yamanaka que duvidava que ela tivesse melhorado algo desde a academia. —Hum? Ah, ok. —o loiro respondeu e se levantou. Ao se posicionar no início do percurso fechou os olhos e respirou fundo, se concentrando na atividade, se recusava a passar mais vergonha hoje.O Uzumaki começou o percurso ao abrir os olhos, ziguezagueando entre os primeiros obstáculos. Em sequência pulando para o primeiro bloco do caminho, eram uns 20, de alturas diferentes com espaço suficiente para somente um pé. E foi onde o garoto entrou num transe, seu corpo movendo-se no automático, pura memória muscular. Mas esse foi seu erro, pois aqueles desafios não foram feitos pensando em ninjas da idade deles, como haviam notado. Então não foi nenhuma surpresa quando logo no último ele errou, pisando no buraco que tinha logo depois e tropeçou na cerca que devia ser pulada depois.O erro ativou os mecanismos da próxima etapa de forma diferente, mais agressiva. O garoto só esquivou de uma kunai vindo em sua direção pois instintivamente havia rolado para recuperar da queda. Pegando uma das kunais caídas no chão de desafios anteriores e usando ela para se defender de algumas armas atiradas quando desviar causaria detrimento ao seu desempenho. Após mais alguns obstáculos, ainda com armas voando de ambos os lados do trajeto, o loiro bateu a mão no mecanismo que sinalizava que o percurso havia sido completado.—E… —Ino parou pra conferir o cronômetro, tendo se encarregado de ser a responsável por medir o tempo de todos. —1,12 minutos. Naruto passou a Tenten e está em terceiro lugar com uma diferença de 7 segundos.—Que? Como assim ele ainda conseguiu me passar? —Tenten se aproximou pra olhar o cronômetro incrédula com o resultado.—Tá tudo bem? Você pareceu meio perdido lá, antes de cair. —Sasuke sussurrou pro colega assim que ele se aproximou o suficiente, preocupado. A rosada também estava e olhava ansiosa aguardando a resposta, se inclinando do lado do Uchiha. Os dois haviam observado atentamente o colega de time, eles estavam fazendo isso mais nos últimos tempos.—Não foi nada demais, eu só me distraí, foi bobagem mesmo. —Naruto riu sem graça, principalmente com a atenção que estava recebendo. —É só isso mesmo? —a Haruno estreitou os olhos pra ele, dando seu melhor para reproduzir a expressão que sua mãe fazia quando duvidava dela e a fazia confessar.—É sim. —o loiro foi pego de surpresa e obviamente sabia menos ainda como lidar com isso. —Eu… Hoje está sendo diferente. Não esperava que tanta gente viesse também. —confessou baixinho.—E isso é ruim? —o Uchiha olhou preocupado. —Caso seja, desculpa! Não era minha intenção, eu só…—Relaxa. —o Uzumaki riu de leve, não deixando a outra terminar. —É só diferente. Os colegas se entreolharam e sorriram ao ver o riso do garoto, que era mais leve e suave que os que já tinham visto antes. Estavam tão envolvidos e concentrados que nem notaram que todos já tinham ido e terminado o percurso. O resultado não se alterando tanto desde a vez do mesmo: em primeiro estava Lee, seguido por Neji em segundo lugar e Naruto em terceiro. —Gente… Eu sei que estamos todos formados, mas o que vocês pensavam em ser quando crianças? Ninja não conta! —Tenten jogou no ar curiosa, enquanto eles descansavam, o clima relaxado. —Eu começo: eu queria ser uma ferreira como meu avô. Por isso, minha especialidade são armas. —sorriu nostálgica, afinal era a forma de carregar o legado do único membro da família que se lembrava, mesmo este tendo morrido quando começara a academia. —Eu queria ser a melhor florista do mundo! —Ino falou em seguida, rindo ao lembrar de sua determinação e esforço toda vez que se deparava com uma flor nova.—Com certeza provar e avaliar todas as comidas existentes. —Chouji falou, ficando com fome só de pensar.—Desempregado. —Shikamaru declarou num tom tão sério que fez todos caírem na risada.As vezes foram passando, cada um contando um sonho de infância e histórias para contextualizar, claro nem todos falavam ambos ou quiseram participar. Alguns até já tinham declarado que havia dado a hora deles e se despediram antes de irem embora. A cada sonho relatado, Naruto ficava mais chocado, na verdade ele estava assim desde a pergunta e relato inicial. Como assim? Era uma escolha que podiam ter? Ele desde pequeno… Suspirou e se levantou.—Já volto. Vou no banheiro. —avisou antes de se retirar do cômodo. Ele não realmente precisava ir, mas precisava sair dali um pouco. Sua mente andava espiralando com facilidade nos últimos tempos. Se olhou no espelho. —Está tudo bem. Não faz diferença. —reforçou pra si mesmo num sussurro. Deu uma descarga só para disfarçar e lavou as mãos, aproveitando pra jogar uma água no rosto.Quando já estava voltando, basicamente em frente da porta ele parou, uma sensação ruim, mas familiar, passando por seu corpo. O fazendo se virar bruscamente em direção da entrada do prédio. Seus colegas olharam pra ele confusos. A realização do que era foi como um balde de gelo repentinamente sendo jogado nele. “Tudo menos isso, não hoje!”. Numa decisão rápida ele correu em direção da entrada, ignorando os chamados dos amigos atrás dele, apenas gritando de volta para não irem atrás dele. E torcendo, quase rezando para que o escutassem, pelo menos dessa vez. Ao sair deu tempo de trancar a porta, com uma madeira, após sair, antes deles sequer fazerem progresso no corredor.—O que vocês querem? —o garoto questionou o grupo à sua frente. Eram umas 5 pessoas, 4 homens e uma mulher, todos claramente alterados. Naruto engoliu em seco, parte dele imediatamente se arrependendo de ter ido lá fora.—O que queremos? —um dos homens cuspiu as palavras de volta. —A audácia…!—Que você desapareça da nossa vila! —a mulher exclamou, parecendo pronta pra arrumar algo pra jogar nele, forçá-lo a ir embora.—Eu não estava visível na vila. Não hoje. —respondeu, um erro nas suas últimas palavras. —Como se alguém quisesse sua presença amaldiçoada aqui! —um segundo homem proclamou e riu como se o contrário fosse uma piada hilária.—Hoje? Você sabe o motivo, enfim? —algo na voz do mais novo no grupo, um homem que não aparentava nem 30 anos, que causou arrepios no menino. A novidade da situação fez com que sua reação, sua falsa confusão, viesse um instante mais demorada do que devia, mas o homem aparentemente reparou e abriu um sorriso.—VAMOS LEMBRAR A ELE QUE DEVE DESAPARECER! —o resto começou a falar em coro e tacar coisas, garrafas que alguns carregavam, pedras e madeiras.O Uzumaki entrou numa dança, ele desviou dos primeiros projéteis, e desviaria dos piores, mas a verdade é que ele sabia que se nada atingisse ele as coisas podiam piorar e escalar mais. Isso continuou até que alguém teve a ideia de tacar terra nos seus olhos. O obrigando a ficar de olhos fechados por um tempo, não muito pois sempre se recuperava rápido. Mas o suficiente para que alguém o jogasse contra a porta com força, o fazendo bater a cabeça na quina da placa de madeira que a mantinha fechada e o segurasse pelo pescoço. Para sua surpresa, quando abriu os olhos se deu de cara com olhos vermelhos e era tarde demais.—Você irá entender, criança amaldiçoada. —foi tudo que escutou antes de sua mente ser assolada com imagens do ataque da Raposa, da destruição, desespero e morte. E ele via cada cena de pontos de vistas diferentes, algumas vezes era espectador, outras a vítima, alguém vendo um ente amado morrer ou até mesmo aquele que matava. Sua mente se perdendo no meio de tanta dor, caos e ódio.Ele não fazia ideia de quanto tempo havia ficado dentro do genjutsu. Sua consciência aos poucos retornando após sair da visão inesperadamente, quando deu por si os estava rodeado por alguns ANBUs, seus atacantes sendo presos e levados embora. Foi olhando pra tudo a sua volta, sentimentos tumultuosos em seu peito, sem direção ou saber o que fazer, com o canto de olho viu que estavam tirando a madeira da porta mas sua atenção se prendeu no Hokage, parado e observando.Com uma velocidade que ninguém estava prevendo do garoto no chão ele se atirou contra o Kage. Seus sentimentos entrando em ebulição. O velhote sempre dizia que tudo ia ficar bem, mas quando isso ia acontecer? Quando esse momento ia enfim chegar? Por que ele precisava esperar? Por que sempre ele? Cada pergunta era um golpe que o idoso defendia, não reagindo muito além de o olhar com pena.Nos seus olhos, nos cantos, tinham lágrimas. Que parecia determinado em não deixar escapar, , lutando contra isso desesperadamente. Mas esse controle se perdeu quando um dos ANBUs o aplicou algo, com uma seringa, o deixando inconsciente. Quando seus olhos enfim se fecharam as lágrimas escorreram e pingaram no chão, ficando visível quando se viraram pra levá-lo para dentro do prédio novamente. Assim como os ferimentos que o garoto não pareceu ter notado.Os ninjas mais velhos não esperavam encontrar alguns genins ao abrir a porta. Eles estavam claramente inquietos por terem presenciado parte do acontecido, e confusos por não terem conseguido escutar nada claramente. A presença do Kage era uma surpresa para os jovens, eles não entendiam o porquê dele estar ali. Mas este prometeu falar com eles após conversar com Naruto.Então eles observaram o mais novo ser levado até um quarto e colocado numa cama, onde teve seus ferimentos tratados. O cômodo parecia um dia ter pertencido a uma criança, pelo tamanho da cama e livros numa estante, embora não houvessem muitos brinquedos. Era um espaço estranho, pois ao mesmo tempo era bem vazio e possuía uma janela de observação para o corredor, por onde olhavam. Após um tempo não muito longo o menino despertou, com o Hokage sentado num banco ao lado da cama.—Como se sente? —o mais velho perguntou, mas o menor se recusou a responder ou olhar pra cima, mesmo após se sentar. O adulto suspirou. —Eles vão ser punidos. —... —enfim levantou a cabeça, raiva em seu olhar. Suas mão em punhos segurando as cobertas onde deitava.—Você não pode guardar ressentimento. —isso agitou o garoto que abriu a boca mas o Sarutobi levantou a mão. —Eles não sabem o que estavam fazendo. Pessoas magoadas fazem coisas estúpidas quando embriagadas. Boas pessoas perdoam e não guardam rancor, Naruto. E eu sei que é um bom garoto. —fez carinho na cabeça do loiro. O menino levantou o braço e afastou a mão.—Eu quero descansar um pouco. — se deitou novamente e se virou de costas.—Melhoras. Qualquer coisa chame. —Hiruzen falou e se levantou, colocando um livro de fabula em cima do banco que se sentara, era um que o garoto lia bastante quando criança. Um sobre um filhote de Kitsune que queria amigos e fazer parte do mundo fora da floresta. Quando no corredor gesticulou para que o seguissem. Por ironia, ou talvez pelo número deles, eles voltaram para o mesmo cômodo onde passaram a tarde. —Primeiramente, queria dar parabéns pelo esforço de vocês no dia de hoje, apesar de ter terminado desta forma. Tenho certeza que a tentativa de vocês foi apreciada. Contudo, no seu entusiasmo e foco acabaram esquecendo de uma informação importante.—O que, Hokage-sama?—Pensem, o que aconteceu dia 10 de outubro, fora o nascimento do amigo de vocês?—Você mesmo disse… — o grupo empalideceu.—O ataque da nove caudas… Como podemos esquecer disso? — Shikamaru foi o primeiro a falar em choque. Não devia ser algo que deveriam ser capazes de esquecer.—Não é um dia associado com nascimento então é natural que as duas informações não se liguem em suas mentes. Não precisam se sentir mal por isso.—Mas porque isso é um um problema para a vila? —Sakura questionou. — Por que é um problema que o Naruto tenha nascido em um dia ruim? Não é culpa dele!—Tem razão, não é culpa dele. —o mais velho concordou e suspirou com pesar. —Pessoas são seres complicados. Quando coisas acontecem sem explicação tendem a surgir superstições e boatos na tentativa de justifica-las. Alguns habitantes da vila associaram o dia com uma maldição e, por ser o único nascido naquele dia, Naruto virou um portador de mau agouro nos olhos deles.—E só por isso atacaram ele? —Sasuke sentia raiva surgindo dentro de si, seu amigo era inocente, não tinha nada haver com a raposa, ele não merecia algo assim no próprio aniversário!—Aquelas pessoas estavam bêbadas, não pensando claramente e agindo por impulso. Estavam erradas mas não totalmente conscientes. E serão punidas por atacarem outro habitante da vila de tal forma e serão monitoradas.—E se fizerem isso novamente? -o Uchiha pressionou—Caso isso aconteça a punição será mais severa, incluindo algum tempo atrás das grades. —Hiruzen estava satisfeito e feliz de ver o laço que estava se formando entre os colegas de time. —Naruto sabe como evitar esse tipo de problema, não precisam se preocupar tanto. O acidente de hoje só aconteceu devido ao alinhamento de várias coincidências.—Não foi a primeira vez que algo assim aconteceu, foi? -a Haruno trocou olhares com o colega presente, querendo saber se esse era o motivo do loiro não comemorar.-Não é a mim que deve perguntar. Eu só sabia que algo estava errado pois ás vezes ele se esconde na torre, pois ninguém tentaria algo lá. Não que ele vá lá todo ano. Mas neste… —o Hokage suspirou, ele sabia que muitos estavam descontentes com a formatura do Uzumaki.
Plaft!
O barulho repentino os fez entrar em alerta, surpreendentemente, ou não, o Kage foi o primeiro a agir e foi em direção do quarto do garoto, parando no começo do vidro de observação, vendo que o livro que deixara agora estava jogado no chão.—Naruto! -Sasuke foi quem correu até a porta, o que fez o garoto pausar sua saída pela janela, agachado no peitoril. Ele brevemente olhou para trás, na direção do Sarutobi, de alguma forma encontrando seus olhos, antes de partir de vez.
