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Português brasileiro
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Published:
2021-02-20
Words:
185883
Chapters:
34/34

When You Met Me in

Entire Work

Work Text

WYMMID citará:• o uso de drogas e álcool • muitas palavras de baixo calão • coisas – terminantemente – proibidas de serem feitas nas escolas • uma cidade fictícia chamada Wassed• e muito anarquismo da parte de dois pestinhas Não me sinto confortável com comentários de desistência e também não me sinto confortável com citações à outras fanfictions. tenho outra fanfic chamada "mentiras temporárias contadas por você", ela ainda está em andamento. deem uma chance 🥺 Agradeço pela atenção :)  Os corredores estão lotados, os passos de tornam cada vez mais altos e incessantes, o falatório é ensurdecedor, tanto dos alunos e professores que finalizam a preparação do evento quanto dos estudantes que estão todos concentrados nos assentos do grande auditório estudantil.  Nas primeiras semanas do ano, a escola Wassed College planejava uma olimpíada entre as duas melhores escolas da cidade, Wassed e Hadpit (pública e privada, respectivamente) e, tal campeonato envolvia conhecimentos gerais, era um projeto criado por ambos diretores, que praticavam a mesma linha de ensino, tanto nos livros e apostilas quanto nas citações e ensinamentos dos professores.  A olimpíada tinha a intenção de medir os conhecimentos dos alunos, embora nunca realmente o fizessem.  Funcionava como um campeonato: todos os alunos, que estivessem cursando o ensino médio, interessados na olimpíada, se candidatavam a participar, eles eram selecionados por notas e, assim que escolhidos, passavam o dobro do tempo na escola, enfurnados na biblioteca, apenas estudando para a olimpíada.  Harry Styles odiava essa data com todas as suas forças, considerando que sua inscrição não foi aceita, pois o diretor o odeia desde que ele entupiu, propositalmente, todos os vasos sanitários do banheiro masculino.  Styles não se considerava totalmente rancoroso, seus atos eram medidos conforme a ação anterior que havia sido direcionada a si, qual é, era mancada total impedi-lo de participar da olimpíada por causa de um deslize... Tudo iria funcionar perfeitamente bem, mas seus cálculos deram errado.  Harry nunca fora uma criança realmente fácil de lidar, seus pais lhe pagaram professores particulares por um curto período, porém mesmo com essa condição, ele não absorvia conhecimento. Seus pais, então, pensaram que a escola seria a melhor opção para seu desenvolvimento... acontece que Harry Styles nunca foi bom em seguir regras. O código dos alunos de Wassed exigia que os garotos usassem cabelos curtos e penteados, assim como todos os itens do uniforme organizados conforme ilustrados no panfleto, que era entregue para cada um dos estudantes. Calças passadas, sem qualquer tipo de amasso, blusas sociais para dentro do cós das calças e paletós sem dobras nas mangas. Sapatos sociais eram obrigatórios também, era o único código que Harry seguia.  Seus cachos eram longos, ele os deixava crescer propositalmente, mas também gostava de seu cabelo longo, cheirava a coco e leite, sempre brilhoso e visivelmente macio, porém, às vezes, estavam desalinhados sobre seus ombros.  Suas calças estavam passadas de quando em quando, mas suas mangas sempre estavam dobradas, e suas camisas sempre para fora do cós de suas calças.  Desde sua chegada em Wassed Harry atrai olhares e, talvez, atenção demais. Ele gostava dos uniformes femininos, eram mais bonitos, mais bem desenhados, cuidados o suficiente para o atraírem. Seu histórico escolar não era um dos melhores, mas seus pais nunca pareceram se importar com o que ele fazia ou deixava de fazer, para si, era como um passe livre, ele poderia fazer o que quisesse pois não ficaria de castigo ou levaria bronca de seus pais, muito menos uma punição recebida pela escola.  E era por grande parte dessas motivações que Harry Styles descascava as fiações elétricas de iluminação. A mesma iluminação que estava clareando todo o auditório no momento.  Os alunos da escola rival tinham desavenças com os estudantes de Wassed, não era surpresa para ninguém. Na verdade, era perceptível os dois grupos sentados de maneira dividida no auditório, eles se encaravam com sangue nos olhos.  Harry sorriu consigo mesmo, sentindo gotas de suor escorrerem por sua testa, enquanto suas bochechas queimam e seus dedos são cortados pelo canivete em suas mãos. Todo cuidado era pouco, ele deveria estar atento aos fios desencapados, qualquer corte mal planejado poderia apagar as luzes e seu plano iria por água abaixo.  Sua ideia era simples: primeiramente, ele deveria retirar os fios escondidos atrás do púlpito, no intuito de dizer que estava os desembolando caso alguém lhe questionasse. Segundamente: descascar a capa dos mesmos fios. Terceiramente: os espalhar pelo corredor e na mesma linha da cortina vermelha. Quarto e último passo: aguardar e torcer para alguém pisar.  Haviam algumas carteiras espalhadas pelo corredor, que dava acesso ao palco, Harry sabia que os itens posicionados sobre elas chamariam mais atenção do que fios desencapados no chão.  Seu intuito era, sim, trapacear. Porque se ele não poderia participar, ninguém mais poderia. — O que você está fazendo aí? - Um garoto loiro questiona curioso ao ver Styles agachado no chão enquanto segura um canivete entre os dedos. Ele tem seu cenho franzido e seus fios dourados corretamente arrumados com gel, muito gel. O mesmo segura uma caixa de som, com microfones acoplados e entreabre seus lábios, aguardando o falar do cacheado.  Harry revira seus olhos, sorrindo ladinamente enquanto levanta seu olhar para o rosto do garoto parado em sua frente, o encarando como se ele devesse uma resposta à sua pergunta.  — Tentando achar um jeito de fazer os fios vibrarem 'pra enfiar na minha bunda. - Styles responde simples, tentando esconder o canivete, mas sabe que é em vão.  O garoto dá de ombros, deixando o local com cuidado para não tropeçar em qualquer item no chão, segurando a grande caixa de som, que parece atrapalhar totalmente seu campo de visão. Harry torceu mentalmente para que ele não pisasse nos fios. Não ainda.  Assim que decidiu estar tudo pronto, o cacheado retirou as mechas castanhas de cabelo grudadas em sua testa – essas mesmas mechas que o incomodavam –, e se levantou apressadamente, espalhando os fios pelo corredor, tentando os deixar alinhados com a barra da cortina.  — Edward Styles, tome seu assento imediatamente. - O diretor Carter surgiu enquanto Harry guardava os itens utilizados em sua bolsa, ele suspirou disfarçada e aliviadamente, observando o mais velho segurar seus pulsos atrás de seu corpo, o encarando com uma expressão rude e séria no rosto. — Por Deus. - Encarou o uniforme e os cachos do mais novo, pigarreando desgostoso com a situação.  — Styles, a camisa social estar dentro do cós da calça é obrigatório, assim como cabelos masculinos curtos. - Carter repete, encarando o esverdeado piscar de maneira preguiçosa, enquanto ajeita as alças da mochila em seus ombros tensos.  — Senhor Carter, sinto lhe informar mas eu não irei cortar o meu cabelo, tenho planos para deixá-lo crescer- — Arrume este uniforme, temos visitas na escola, não faça a sede passar mais vergonha. - O grisalho ralha, trombando propositalmente com o aluno, que lhe dá o dedo do meio antes de revirar os olhos e caminhar com pressa para fora do corredor.  Alguns alunos estão parados próximos a parede, em uma roda de conversa formada por no máximo nove pessoas, que conversando entre risadas, porém deixando de fazer suas atividades quando Harry adentra a roda, empurrando todos, já que seu feitio não era pedir licença, não para aqueles babacas metidos a jogadores.  — Hey putinha, 'tá nervosa por quê? - O mais alto questiona, segurando uma lata de energético, enquanto sorri divertido para a expressão raivosa de Styles. Harry daria de ombros, caso não estivesse com a resposta na ponta de sua língua.  — Por que você não enfia esse porra dessa lata no seu cu e se fode com ela, igual você pediu para a Tori fazer com você enquanto usava um cintaralho? - Questionou, encarando o mais velho com as mãos apoiadas na cintura. Rapidamente o sorriso que havia em seu rosto evaporou, e com isso surgiram as gargalhadas dos outros garotos que se encontravam ao seu lado. O cacheado se sentiu mal por alguns segundos, mas negou para si mesmo, deixando o local, ainda tendo seu sangue fervendo dentro de seu corpo.  Ao que entrou no auditório, percebeu todas as poltronas do fundo estarem ocupadas, o que era uma merda, já que sentar na frente o deixava propício às encaradas furiosas que o diretor direcionaria ao seu rosto.  Harry escolheu um lugar próximo ao corredor, deixando seus pés para fora do mesmo enquanto apoiava seus cotovelos em seus joelhos, torcendo mentalmente para que pisassem nos fios.  Os estudantes comiam salgadinhos e doces, gargalhando alto enquanto deixavam as embalagens jogadas no chão, e faziam poses obscenas com suas mãos, importunando a vida dos estudantes de Wassed.  Harry tinha plena noção de que não deixariam aquilo barato, mas não vinha ao caso no momento.  As cortinas vermelhas foram abertas vagarosamente, revelando a figura alta e sorridente do diretor Carter, que segurava um microfone em mãos e era recebido com uma salva de palmas – forçada pelos professores, diga-se de passagem.  — Boa tarde queridos alunos - Ele sorri, subindo ao púlpito e sendo cumprimentado pelas vozes mortais e preguiçosas dos estudantes presentes no auditório. — Mais um ano que é presenteado com nossa tão aguardada olimpíada de conhecimentos gerais, quem aí está animado?  Alguns levantaram suas mãos e outros gritaram, Harry apenas sorriu com aquilo, era hilário, quem gostava de sair de sua escola para assistir outros alunos debaterem?  — Vos apresento os participantes do ano. - O mais velho apontou para as cortinas, que foram abertas rapidamente desta vez, apresentando os alunos – nervosos – que participariam da olimpíada de dias horas.  Carter leu o nome de cada um, os indicando seus lugares nas carteiras, enquanto aplaudiam cada apresentação. Era tão, tão entediante.  Mas ao mesmo tempo deixava Styles nervoso, porque, aparentemente, ninguém havia pisado nos fios.  Suas mãos suavam, ele ainda as esfregava uma na outra, mordendo seu lábio inferior, aguardando a conclusão de seu plano. Aquela única parte pendente não dependia de si, e sim de qualquer idiota que pisasse nos fios desencapados.  Carter também parecia nervoso, considerando que ele chamou pelo nome de Louis William Tomlinson três vezes seguidas e em nenhuma das vezes ele foi correspondido. Harry poderia arrancar todos os seus pêlos de tanta raiva que sentia, se o tal garoto conhecido como Louis Tomlinson não aparecesse eles cancelariam a olimpíada, e foda-se o plano que Styles planejou durante a semana, havia sido em vão.  — Merda, merda, merda - Reclamou em sussurros nervosos, socando levemente sua testa contra a palma de sua mão. — Que merda. - Levantou seu olhar para o palco, ainda desacreditado que aquilo estava realmente acontecendo, assistindo o diretor descer do púlpito.  Antes que Carter pudesse dizer qualquer coisa, Styles pôde ver uma estranha movimentação atrás das cortinas e cerrou seus olhos, inclinando sua cabeça para que pudesse tentar enxergar com clareza o que estava acontecendo.  Havia uma pessoa deixando alguns itens sobre uma das carteiras espalhadas pelo corredor, e então as cortinas foram abertas por duas mãos apressadas.  Era um garoto que- Uau. Era um garoto que deixou Harry boquiaberto. Ele utilizava o uniforme de uma maneira diferente para os outros, mas não para Harry. As mangas estavam dobradas até seus cotovelos, revelando a pele bronzeada de seus braços. Sua camisa social tinha boa parte do tecido branco para fora do cós da calça, enquanto sua gravata estava totalmente desajustada em seu pescoço. Nos pés havia um All-Star Converse preto e encardido, com os cadarços amarrados no cano do tênis – aquilo era sexy 'pra caralho. O olhar curioso de Styles subiu para o rosto do garoto, que encarava o diretor com um sorriso prazeroso no rosto. Haviam ruguinhas aos lados de seus olhos conforme seu sorriso aumentasse, seus lábios eram incrivelmente avermelhados e as maçãs de seu rosto fascinaram Harry, eram definidas e arrebitadas, assim como seu nariz, levemente franzido.  O cacheado se surpreendeu quando pensou que ele não poderia ser mais bonito e percebeu os tempestuosos olhos azuis. Suas pálpebras cobriram seus olhos por vezes incessantes nas quais ele não conseguiu parar de piscar, mas parecia ser real, o garoto parecia ser real. Styles nunca o vira pelo colégio e, santa mãe de Deus, por que estudar de manhã só lhe deixava com opções desgostosas?  A análise de Harry não durou por mais de dois minutos, pois as luzes que iluminavam todo o auditório começaram a falhar, piscando ligeiramente, algumas lâmpadas estavam até mesmo queimando.  E não é que o idiota do Louis Tomlinson pisou nos fios... Harry sorriu, comemorando consigo mesmo, enquanto abraçava sua mochila contra seu peito e observava a situação orgulhoso.  O que ele não esperava era ouvir um grito forte e alto ao outro lado do auditório. — Estão nos trapaceando! - Um garoto, aluno de Hadpit alertou, e outro aluno da escola de Wassed se levantou o xingando, indignado pela acusação.  Quando um caderno voou por cima das cabeças – sentadas e curiosas – e atingiu um estudante de Wassed, Harry sorriu, porque sabia o que iria acontecer em seguida.  Uns atacaram aos outros, com socos, empurrões e chutes.  A coordenadora gritava pedindo para que eles parassem e, os monitores pareciam se divertirem com a situação, na verdade era realmente hilário de se ver. Eles não sabiam desferir golpes uns nos outros, pareciam marionetes controladas por mãos de crianças.  O que assustou Styles fora o som de explosão, vindo diretamente detrás das cortinas vermelhas.  — Fogo! - A coordenadora gritou desesperada, apontando para a chama nas cores amarela e laranja predominantemente.  Harry ficou boquiaberto a ver a expressão  de todos presentes no palco, fazendo de tudo para apagar o fogo, que se alastrava pelos fios. Eles retiraram o tecido que cobria as carteiras, derrubando as plaquinhas com os nomes dos participantes, e jogaram sobre o fogo, tentando o apagar. Sua intenção não era atear fogo na escola, ele estava nervoso, mesmo que não aparentasse, sua vida estava fodida por algo mal executado.  Quando a fumaça do fogo foi absorvida pelos detectores de fumaça, eles liberaram água por todos os detectores espalhados pelo auditório, molhando a maioria os alunos que ainda brigavam entre si.  Styles sentia seus cachos serem encharcados pela água, assim como todo o seu rosto, visivelmente tranquilo. Suas pulseiras – coloridas – de pano foram as primeiras a ficarem completamente molhadas, ele se sentiu mal, pois sabia que federiam depois de secas.  A água gelada que entrava em contato com sua pele lhe trazia certo conforto arrepiante, era assustador pensar que ele havia feito aquilo, mas não parecia tão amedrontador quando ele assistiu Louis acenar com a cabeça para si.  Talvez porque ele fosse o único sentado tranquilamente em sua poltrona no meio daquela "guerra". Sendo molhado pelos detectores de fumaça, enquanto seus cachos perdiam o formato ondulado conforme mais encharcados ficassem. Tudo que Harry não esperava era ter seu braço esquerdo puxado raivosamente pelo diretor Carter, que o arrastou até uma das salas em desuso e o trancou lá.  Mas ele também não esperava assistir Louis Tomlinson ser empurrado para dentro da sala de detenção.

----- CHAPTER BREAK -----

A sala estava sendo iluminada pela luz solar, que adentrava as janelas de vidro – fechadas – e clareava todo o cômodo fedido a mofo.As carteiras de madeira estavam empilhadas na parede do fundo – também mofadas –, mal cobertas por um pano branco e sujo. Haviam cadeiras espalhadas pela sala também, onde Harry se encontrava sentado no momento, encarando o ventilador pendurado por uma fita durex, pensando sobre como aquilo não parecia que iria o segurar por muito tempo. Seu braço ainda estava dolorido pelo puxão desnecessário que recebeu de Carter, mas não haviam hematomas, até porque se houvessem ele faria um escândalo. O odor de mofo o incomodava, suas roupas molhadas o incomodavam, os machucados em seus dedos o incomodavam. Estar ali o incomodava. Era difícil se concentrar em qualquer coisa quando se havia ateado fogo no placo do teatro. A mente de Harry alternava entre se culpar e tentar arrumar uma desculpa para se livrar da bronca. Mas também estava enfurecido o suficiente com o fato de ter sido dedurado pelo garoto loiro do cabelo lambido.Styles bufou descontente, se apoiando com brutalidade no encosto duro da cadeira, machucando suas costas e cruzando seus braços. Haviam um biquinho em seus lábios, seu cenho estava franzido e ele sabia que seu cabelo estava bagunçado, tudo pareceu desmoronar sobre sua cabeça desde o momento em que os fios começaram a pegar fogo. O esverdeado se assustou ao perceber a porta da sala ser aberta com raiva e arregalou seus olhos ao escutar o barulho da colisão, resultando na maçaneta descascando a tinta da parede pela forte batida. Ele assistiu Louis Tomlinson ser empurrado – para dentro do local – pelas mãos do diretor, que pigarreou algo antes de fechar a porta, a batendo outra vez.Harry observou o garoto jogar sua mochila ao lado de uma das cadeiras, sentando-se de má vontade na mesma e abrindo suas pernas, deixando suas coxas esparramadas pela madeira plana do assento. Sua camisa social branca estava quase transparente, colada em todo o seu torso. Ele tinha um belo corpo, Harry admitia subconscientemente, encarando o acastanhado puxar o tecido fino para longe de sua pele, na tentativa de "descolar".Louis suspirou de maneira entediada, abrindo sua bolsa e tirando um pacote de amendoins de lá, despejando um punhado em sua mãos e o guardando novamente. — 'Tá fazendo o que aqui? - Ele questiona se direcionando a Harry, que se surpreende com sua voz aveludada e melodiosa, ao mesmo tempo rouca e apressada. Louis tinha um sotaque britânico irreconhecível, Harry se pergunta como nunca o viu pelos corredores. — Me caguetaram 'pro diretor - Respondeu a contragosto, apoiando um de seus pés no apoio da carteira empilhada, deixando o outro pé ainda apoiado no assoalho de madeira. — Eu descasquei os fios de iluminação 'pra olimpíada ser cancelada. E você? Tomlinson sorriu nasalado e divertido, arremessando mais um caroço de amendoim para dentro de sua boca, enquanto encarava Harry curiosamente. — Me deduraram também - É o que ele responde, levantando-se preguiçosamente e arrastando sua cadeira para perto de Styles, sentando-se ao seu lado. — Eu derrubei meu cantil de vodka em cima da mesa. O líquido caiu no chão e o contato do álcool com a eletricidade provocou a explosão, alguém viu e contou para o Carter.— E por que você não evitou isso já que sabia? - Harry questionou com o cenho franzido, retirando seu pé do apoio da carteira e o bateu no chão. Que porra? Aquele garoto o fodeu propositalmente. — Ei, calminha aí, eu percebi que o cantil estava virado quando o fogo estava se alastrando e eu tive que sair do auditório. - O azulado revirou os olhos pela ação que Harry teve, voltando a comer seus amendoins. Styles bufou impacientemente, voltando a se encostar com brutalidade na cadeira, batendo a sola de seus sapatos no chão. Ele estava preocupado com a punição que receberia, em todas as vezes nas quais aprontou nunca havia ferido ninguém, muito menos ateado fogo no palco do auditório.Seus coração estava acelerado, a todo momento ele podia sentir o órgão pulsar rapidamente dentro de seu peito, enquanto suas mãos – ainda molhadas – suavam incessantemente e seus pés estavam inquietos.— Mas me diga, você é o "mascote-— Harry Edward Styles, é um prazer também, Louis William Tomlinson. - Sorri falsamente, sem dentes ou qualquer tipo de animação. O acastanhado sorri, jogando sua cabeça para trás, enquanto apoia seu pé em seu próprio joelho, parecendo cansado de tudo aquilo. — Não entendo o motivo pelo qual você decidiu trapacear a olimpíada, eu iria participar. — Não, você não iria. E se depender de mim no final do ano ninguém irá participar novamente. - Harry responde irritado, virando seu corpo – que gesticula junto às suas mãos – para o garoto ao seu lado, deixando visível o quão irritado ele estava com a situação em que se encontravam. Louis o encara com suas sobrancelhas arqueadas e questionadoras, parecendo querer sorrir das expressões de Styles. — E por que não? O que você tem contra as olimpíadas? — Não é do seu interesse. — Oh, você age como uma criança, entendi qual é a sua. - Tomlinson diz calmamente, despejando mais caroços salgados em sua mão, enquanto Harry parece estar à beira de um surto. — Você come merda? - Questiona ferozmente, dando um tapa na mão gélida do azulado, assistindo todos os amendoins se espalharem pelo assoalho da sala. — Você me conhece há menos de dez minutos para me julgar e me chamar de criança! — Você acabou de provar que não passa de uma criança mimada, que não sabe debater e muito menos negar amigavelmente. - Louis debochou, chutando os caroços para longe de sua cadeira.Harry estava indignado. — Ao menos somos amigos, sobre o que você está falando? — Qual é, garoto, seus pais são donos de franquias da Burberry, vocês limpam a bunda com dinheiro, o que você quer sabotando uma olimpíada escolar? Chamar atenção deles? - Perguntou retoricamente, sabendo que o cacheado não responderia. Louis voltou a mexer em sua bolsa, sem prestar atenção na feição chateada e passageira que Harry fez. Mesmo que inconscientemente, Styles vacilou, tanto em sua feição "inabalável" quanto em sua firme pose. Abrindo seus lábios almofadados para tentar dizer algo, enquanto seu peito parece diminuir cada vez mais e sua cabeça começa a latejar, por tanto pensar nas palavras do azulado. Styles negou com sua cabeça, sabendo que Tomlinson não estava o encarando, e expirou todo o ar concentrado em seus pulmões, prensando seus lábios um no outro e apertando seus dedos em seus braços, cobertos pelo tecido molhado de seu uniforme.Família era um assunto que ele evitava tocar, porque simplesmente o deixava ansioso. [...]Os garotos estavam exaustos de estarem ali, um na presença do outro, em absoluto silêncio. Apenas inspirando o odor nojento de mofo, enquanto aguardavam por algum tipo de resposta. Harry pensaria que estivessem os esquecido na sala sem supervisão, mas foi contrariado ao escutar a porta sendo aberta, enxergando o corpo alto e magro do diretor, que segurava canetas e papéis em mãos. Ele estava fodido. — Não quero ouvir desculpas, quero explicações concretas para a sua ação, seu garoto insolente metido a anarquista. - Carter ralha, literalmente cuspindo no rosto sonolento de Harry, que o encara com um sorriso presunçoso no rosto. — Você quase ateou fogo na minha escola, mau elemento! - O diretor parece estar raivoso, gritando com Styles, enquanto o mesmo seca a saliva nojenta do mais velho, que espirrara em seu rosto. — Isso mesmo, quase, não totalmente. As pequenas veias dos olhos de Carter ficam mais vermelhas ainda, mostrando o quão furioso ele está. Seu punho está cerrado e ele mantém uma distância segura do estudante. — Eu deveria ter retirado de sala todos os professores que votaram contra a droga da sua expulsão! - O grisalho gritou, batendo seu pé no chão, provocando a tremedeira do chão e o balançar dos vidros das janelas. Harry arregalou seus olhos, pois o diretor nunca havia ficado naquele estado ao lhe dar uma bronca ou advertência. — Comece a falar agora, Edward Styles. O esverdeado engole seco, procurando evitar a gagueira ao começar a se explicar, mas era óbvio que ele não contaria a verdade. — Um dos alunos me pediu para ver se a tomada estava com mal contato - Ele começou, falando em um tom de voz extremamente baixo, parecendo estar arrependido. — Eu achei que seria melhor desencapar os fios, e-eu— Me perdoe senhor Carter, eu não sou eletricista, não sabia o que estava fazendo, eu só estava tentando ajudar na organização. Pode perguntar para o garoto que lhe contou sobre o que eu estava fazendo. - Baixou seu olhar, brincando com seus dedos sobre seu colo, mordendo seu lábio inferior, tentando segurar seu sorriso. — A culpa não foi totalmente dele, caso o cantil não estivesse lá nada disso teria acontecido. Eu não sabia que havia líquido alcoólico dentro do objeto, eu estava atrasado para a olimpíada, mal percebi quando esbarrei naquilo, foi um susto muito grande quando as luzes começaram a piscar e houve uma explosão ao meu lado. O senhor deveria estar preocupado com o meu bem-estar, senhor Carter, não concorda? - Tomlinson pergunta sugestivo, se levantando com calma e parando na frente do diretor, permanecendo na mesma altura do mais velho. Harry os achava altos demais. Embora estivesse confuso, ele apenas assentia, tentando convencer o homem que estava arrependido pelo acontecimento, mantendo seu olhar baixo e seus olhos marejados de maneira artificial, enquanto fingia soluçar quase silenciosamente. — Eu pouco me importo com a situação de vocês, estou cansado de ouvir reclamações diárias dos professores, falando o quão péssimos vocês são! Você - apontou para Louis. — Você foi transferido para o turno matinal pois seus professores não te aguentavam mais em sala de aula, aprontando como uma criança desorientada. E você - Apontou para Harry. — Você passou de todos os limite.Styles assente, parecendo estar o ouvindo com atenção e arrependido. Louis concorda, segurando seus pulsos atrás de seu corpo, enquanto encara o fundo dos olhos de Carter.— Torçam para que não haja uma próxima vez, porque caso tenha, vocês deram permanente expulsos. Não conseguiram uma faculdade que preste e nem um emprego que sustente vocês. E me aguardem, porque se depender da minha pessoa e da minha diretoria, vocês serão expulsos antes do segundo trimestre do ano. - Carter esbraveja, quase berrando, enquanto gesticula com as mãos e amassa as folhas em suas mãos.Harry sente seu coração disparar, mas desacelera no mesmo segundo, como algum tipo de incômodo que o invade. O motivo provavelmente é: sua expulsão. Pode parecer mentira, mas era óbvio que ele gostaria de ser alguém na vida, cursar a faculdade de seus sonhos e ser feliz com seu próprio trabalho, mas parecia difícil quando nem mesmo seu diretor colocava fé em si. Afinal, quem colocaria fé em Harry? No entanto, sua expressão facial ainda era a mesma, a mesma que ele tinha no rosto enquanto desencapava os fios, a mesma que ele tinha no rosto enquanto assistia toda aquela confusão e, a mesma que ele tinha no rosto enquanto era puxado furiosamente por Carter.Louis o encara convidativo, arqueando suas sobrancelhas e sorrindo minimamente, enquanto o diretor apoia as folhas sobre a uma das mesas localizadas no meio da sala. — Conversei com os outros professores e monitores da instituição, foi decidido que vocês apenas entrarão na escola com a autorização dos seus pais ou responsáveis - O mais velho arrastou as folhas pela mesa, empurrando uma para cada lado, aguardando ambos garotos pegarem as mesmas. — Vocês também ficarão responsáveis pela organização da biblioteca da escola durante o contra turno, é indefinido o tempo o qual vocês trabalharão e, eu não aceito 'não' como resposta.Harry arregalou seus olhos, quase caindo para trás quando o ouviu dizer aquilo. Passar suas tardes enfurnado em uma biblioteca, arrumando livros empoeirados e velhos não passava nem perto de sua rotina mental. — Eu não posso ficar durante a tarde na escola-— Você pode, e você vai, Edward Styles. - Carter pressiona seus dentes uns nos outros, cerrando seus olhos enquanto apoia suas mãos na madeira. — Deveria ter vergonha de pensar em negar isso. Depois do que você fez, deveria faxinar todo o prédio escolar e pagar pelo prejuízo que você me deu. Mas eu não posso te colocar na linha pois, segundo os outros professores, você "é apenas uma criança que está aproveitando sua juventude de maneira errada". O mais novo engole seco, encarando seu diretor com o olhar firme, mas ainda sim abalado internamente. — Mais alguma coisa senhor Carter? - Louis questiona, puxando o papel, que estava colado na palma da mão do homem. — Estão liberados pelo resto do dia, assim como os outros alunos - Responde com certo nojo na voz, ainda inclinado sobre a mesa. — Essa instituição será melhor quando eu finalmente conseguir a expulsão de vocês, eu tenho certeza disso. - Carter deixa a sala, resmungando e reclamando sobre aquilo. Harry ainda tem seu cenho franzido e seus braços descansando em seu colo, enquanto uma de suas pernas balança cíclica e nervosamente. Ele fecha seus olhos, sentindo suas bochechas queimarem e arderem de maneira dolorida, provavelmente estão mais vermelhas e chamativas do que deveriam, assim como seu lábio, que agora tem um gosto metálico sobre sua língua. — Se você não tivesse derrubado aquela merda nada disso estaria acontecendo comigo. - Harry encara Louis, cerrando seus olhos e se levantando bruscamente da cadeira onde estava sentado. — Escute, Styles, como eu disse anteriormente, nós dois temos culpa nisso - Tomlinson se aproxima, ficando perto o suficiente do rosto do esverdeado, sentindo seu hálito doce e podendo perceber as sardinhas quase invisíveis salpicadas em seu rosto pálido, também visualizando a pequena fita de sangue se acomodar nos lábios carnudos e corados. Louis leva sua mão até as bochechas coradas de Harry, percebendo o quão quente elas estão ao tocá-las, apertando seus dedos na pele macia do mesmo, fazendo-o formar um biquinho inconsciente nos lábios. — Se você não tivesse sido idiota ao ponto de descascar fios nada disso estaria acontecendo, me entende? - Questiona calmo, assistindo as sobrancelhas de Harry se amarfanharem. — Fizemos merda, ambos carregamos a culpa, aceite isso. - Tomlinson tinha seus lábios próximos aos de Harry, as peles quase roçavam-se, e o cacheado se afastou com rapidez, segurando nos pulsos do maior e retirando suas bochechas dos dígitos dele. — Fale por você. - Styles segurou uma das alças de sua mochila, não fazendo questão de colocá-la em seus ombros, apenas para trombar a bolsa com todos os seus livros na perna do acastanhado. — Tenha um bom dia. Os corredores e as alas estavam vazias, todos os alunos já haviam deixado a escola, os ônibus de Hadpit já saíam pelos portões de entrada do prédio, enquanto alguns estudantes adentravam táxis e carros de aplicativo, com seus uniformes molhados e grudentos. Harry caminhou rapidamente pelos espaços solitários, cantarolando Levitating, enquanto apoiava sua mão na parede gelada e arrastava seus dedos pela tinta seca e envernizada. Haviam desenhos feitos em cima da tinta branca, todos de canetas ou lápis, a maioria feitos por Harry. O bebedouro estava interditado, pois alguém arrancou a torneira do mesmo, impossibilitando o resto dos estudantes de encherem suas garrafas d'água e os professores de encherem seus copos plásticos. O colégio era até maior que grande maioria dos particulares, contava com quatro andares e mais de cem salas de aula, sendo elas utilizadas diariamente ou não. A estrutura era legal, Harry gostava de caminhar até o último andar e se sentar na quadra abandonada, também gostava de subir lá para escorregar no corrimão das escadas, justamente por ter uma placa pregada na parede com letras grandes, formando a frase "proibido escorregar nos corrimãos".As salas eram grandes e espaçosas, porém as carteiras sempre estavam próximas umas das outras, os alunos não conseguiam passar meia hora longe de seus amigos. Contudo, os ventiladores estavam sempre pendurados por fitas durex e faziam barulhos infernais ao serem ligados.Boa parte das salas de aula se encontravam sem cortinas, ou elas estavam rasgadas ou estavam fora dos trilhos, o que realmente tirava a atenção dos alunos durante as explicações dos professores pois qualquer jogo inútil que estivesse tendo – seja de basquete ou futebol – os prenderia mais do que ouvir sobre literatura. Quando finalmente saiu pelo grande arco grego – despedaçado e judiado pelos impactos de chutes de bola –, Harry sentiu a luz do Sol machucar seus olhos, os fazendo doer e logo os mirou para o chão, observando seus passos rápidos e ouvindo baixos murmurinhos de outras pessoas que estavam por perto. — Quando eu pensava que você estava se comportando... - Daniel, o porteiro da escola, considerando um parceiro por Harry, se dirige à ele, segurando um molho de chaves enquanto acena para outros alunos que deixam o prédio. Daniel era novo até demais para trabalhar na escola, tinha vinte anos. Ele era bonito, Styles nunca negou aquilo. Seus cabelos eram ruivos e pouco ondulados, sua pele estava sempre vermelha por conta do Sol e seus olhos eram castanhos, tão claros que poderiam ser confundidos com um verde. — Você me vêm com mais essa. — Como ficou sabendo disso? - O menor pergunta curioso, colocando suas mãos na cintura e o observa com o olhar questionador, olhando em volta do pátio. — Quem te contou? — Notícias correm, sejam elas boas ou ruins. - Ele caminhou até a cabine onde passava boa parte de seus dias e chamou por Harry, lhe entregando um pacote de pipocas doces. — Não deveria estar te entregando isso, não depois do que você fez. O garoto podia perceber seus próprios olhos iluminarem após ver o pacote de pipocas nas mãos de Daniel. Você pode se perguntar em qual momento esses dois se tornaram amigos, mas é respondível. Foi no primeiro dia de aula, Harry foi obrigado a voltar para casa e retirar a saia do uniforme que usava, era claro que mais da metade dos meninos defenderam Harry, mas não foi o suficiente para Carter retomar sua decisão. Styles era um fracote – como ele mesmo se denomina – na época, então deixou a escola chorando como uma criança indefesa, enquanto soluçava e puxava a barra de sua saia, até que ela estivesse na altura de seus joelhos. Daniel o parou no portão, dizendo que ele não poderia deixar a escola daquela maneira, frisando o quão perigoso era andar totalmente alheio a tudo no meio da rua. O rapaz levou Harry até a sala onde haviam roupas e objetos guardados nos 'achados e perdidos', o entregando uma calça social do uniforme. Daniel era o cara que trancava a escola e os portões, era o cara que saia depois de todo mundo e bebia cerveja depois do seu expediente. Daniel era o cara que aguardava os pais de Harry o buscarem quando ele era esquecido na escola. Era engraçado porque ele sempre aconselhou Harry a não fazer merda, mas o garoto sempre acabava fazendo, era apenas uma maneira de canalizar seus sentimentos, era inexplicável, mas Styles não fazia questão de sequer tentar explicar algo à alguém. Não era do seu feitio, e não pretendia tornar. — Mas, Dani - Fez um biquinho, recolhendo o pacote de pipocas para si. — Eu não tive culpa total do fogaréu. - Pegou algumas unidades de pipoca, comendo rapidamente para que pudesse voltar a falar. — E nem foi algo mal executado, sabe? Só foi o destino querendo me foder... Mas dessa vez ele conseguiu. — Criança, você é inacreditável. - Ele sorri, desligando as câmeras e Styles sorri em retribuição, acenando para o ruivo antes de sair definitivamente do prédio escolar. Wassed era um ótimo vilarejo para se viver, contava com menos de vinte mil habitantes, mas tinha um enorme território verde, o que confortava Harry de certa forma. As pequenas ruelas eram constituídas por pedras naturais e pequenos restaurantes. Era realmente difícil encontrar ruas asfaltadas. As casas – muitas das vezes – revestidas por tijolos, acompanhando um estilo alemão e britânico, como se misturassem ambos. Haviam rios e lagos nas partes mais afastadas do centro, grandes áreas abandonadas pela população e praças, também esquecidas. As casas de luxo eram as mais próximas do centro, geralmente abrigavam quedas d'água e lagos dentro dos próprios terrenos, era o caso de Harry, mas ele nunca foi de gabar a si mesmo por conta disso. Muitas das residências eram construídas próximas ao mar, o que levava a terem seus fundos fazendo divisa com a água marítima, ou seja; sem terrenos. Harry gostava muito da maneira como funcionavam os restaurantes e lanchonetes. Todas as refeições das lanchonetes eram feitas na hora e passadas por cima do balcão, porém os habitantes não se sentavam para comer, apenas permaneciam sobre seus pés, deixando seus pratos em cima das mesinhas redondas enquanto espetam seus pedidos com um palito e conversam com seus amigos e colegas.As apresentações ao vivo eram frequentes semanalmente em restaurantes, porém muito apreciadas durante os finais de semana, era quando maior parte da população saia de casa para passear no centro do vilarejo, comprar roupas e itens para decorações. Não haviam portões protegendo as casas, mas haviam cercas, que serviam apenas para preservar os pequenos jardins. A caminhada de Styles não demorou mais de quinze minutos, ele já estava adentrando sua casa, segurando seu pacote de pipocas quase vazio em mãos, enquanto chamava por seus pais. — Eu cheguei. - Avisou, escorando-se no batente da porta e retirando seus sapatos, permanecendo com suas meias brancas. — Olá, Harry - Moretz o cumprimentou com um sorriso meigo no rosto. A mulher era a diarista da casa, mas praticamente vivia lá, Harry não se importava, tinha a companhia da mesma há mais de sete anos. — Seus pais tiveram de visitar a cidade vizinha, problemas com uma das franquias. - Ela alertou, franzindo o cenho ao encarar o estado do mais novo. Harry apenas arqueou suas sobrancelhas, nada surpreendido com aquilo. — O que houve? Por que está molhado, Edward? Não percebi a chuva. — Não foi chuva, caí na piscina de natação na escola. - Mentiu, deixando suas chaves na mesinha ao lado da porta, passando as mãos por seus cachos armados e desalinhados. — Estou indo tomar um banho, sem jantar hoje. - Jogou o pacote engordurado no lixo do corredor, não aguardando para saber qual seria a feição de Moretz, essa que deixou a casa sem falar mais nada. Harry abriu a porta de seu quarto, passando os olhos pelo cômodo e procurando pelo cabideiro, já que Moretz sempre o trocava de lugar.Seu quarto era planejado, então ele não poderia mexer em muitas coisas. Sua cama de casal estava localizada ao lado direito, com a cabeceira encostada na parede cinza, embutida com duas mesinhas, ao lado dessas mesmas mesas havia sua escrivaninha, rabiscada com a ponta de ferro de um compasso, tendo papéis espalhados e embalagens de remédios naturais jogados por cima dos lápis e canetas.Ao lado esquerdo se encontravam duas portas, banheiro e closet, respectivamente. A janela, quando aberta, dava para a sacada, mas Harry quase nunca caminhava até lá, geralmente ficava sentado nos puffs pretos ao lado de dentro, observando a movimentação da rua. Styles suspirou cansado, jogando-se na cama, exausto. Ele busca por seu celular, esperando verificar o horário, mas ele bufa ao ver mensagens de um de seus pais – Cillian –, brilharem na tela de seu celular, dizendo que voltariam para casa durante a noite, também lembrando que o garoto deveria estar dormindo. Era tão estranho morar na mesma casa que eles. Harry acha que se morasse sozinho não faria tanta diferença.Ele decide não responder, apenas larga o aparelho sobre a cama e encara seu teto, com pequenas estrelas grudadas no mesmo – elas deveriam brilhar –, pensando o quão cansativo seria o dia de amanhã. Ele não se sentia animado, mas também não preguiçoso... Falta de interesse era a palavra certa.Acontece que estar no mesmo ambiente que Louis o irritava, por algum motivo. E ele não gostaria de encontrá-lo no dia seguinte.

----- CHAPTER BREAK -----

—> comentários são sempre bem-vindos 💕Boa leitura! •••Harry realmente esperava acordar com os chamados de seus pais, que o aguardavam para tomar café da manhã, mas não aconteceu e ele não entende o porquê ficou surpreso quando percebeu que nem Cillian nem Scott haviam chegado durante a noite como prometeram. Seus pais não eram bons em cumprir com suas promessas, Harry os achava sem palavra, nunca confiava totalmente no que diziam, mas sempre havia aquela ponta de esperança, que ele decidia tentar não perder. Moretz havia lhe preparado café, feito um pequeno rosto com os bacons sobre a omelete e preparado suco de limão, porque sabia que era o favorito dele. A mulher estava no jardim, ajoelhada enquanto mexia nas plantações de alface, usando um avental branco e sujo de terra. A queda d'água já estava ligada, derramando litros no pequeno lago artificial e cristalino do terreno. Harry se sentou na cadeira almofadada e arrastou a mesma pelo chão de madeira, até que estivesse próximo o suficiente da mesa, para que ele pudesse apoiar seus cotovelos no vidro sonolentamente e bocejar nas mangas de seu pijama, tentando manter seus olhos abertos.O garoto ajeitou seus cachos atrás de suas orelhas, enquanto observava as cortinas de pano balançarem conforme o vento assoprasse nas mesmas. As grandes janelas estavam abertas, dando-lhe visão da rua movimentada na qual morava. Pessoas caminhavam com pressa pelas calçadas, usando óculos de Sol e camisetas de panos finos, algumas falavam ao telefone e outras corriam para a parada de ônibus logo na esquina. Ele podia perceber as janelas da casa vizinha abertas também, tendo visão da residente, que estendia um pano de prato na soleira da janela e deixava uma torta ali. Harry voltou sua atenção para o prato decorado à sua frente, recolhendo alguns pedaços de bacon e bebendo metade de seu suco.Ele voltou a observar sua casa atentamente, percebendo como o conceito aberto a deixava iluminada. O garoto sabia que se comportava de maneira diferente em casa e na escola, até porque era perceptível pela organização de cada cômodo e das paredes limpas. Harry era totalmente inquieto, ele não gostava de permanecer parado em apenas um lugar, passar três aulas sentado antes do intervalo é literalmente sufocante. Ele precisa ter sua atenção focada em algo, alguma coisa que o entretenha e faça ele esquecer do quão ruim é permanecer parado e em silêncio. Porém em casa ele parecia melhor, de alguma maneira, talvez porque não estivesse alguém por perto. — Ei, Moretz - Ele se levanta rapidamente, batendo seu quadril na mesa de vidro e xingando alto. Styles caminha até a porta de vidro da cozinha, fechando seus olhos – de imediato – por conta da claridade que os invadia. Harry usou uma de suas mãos para apoiar em sua testa e sombrear sua visão. — Avise aos meus pais que eu não tomei café da manhã.Styles não permaneceu parado aguardando a mulher o responder, apenas se virou para dentro da casa novamente e subiu as escadas, adentrando seu quarto e caminhando até seu próprio banheiro.Seu rosto ainda estava inchado pelo tanto que dormiu, ele sentia o peso de suas pálpebras o incomodarem conforme ele piscasse, mas aquilo foi resolvido com um punhado de água gelada da torneira. Harry escovou seus dentes sorrindo sozinho para o espelho a sua frente, literalmente como uma criança, franzindo seu nariz e dando-se por satisfeito quando escovou a língua. Ele retirou todos os seus livros de dentro da mochila, colocando apenas os que "utilizaria" durante o dia de aula, guardando seu celular e dinheiro, por segurança. Harry deixou a casa com um pressentimento estranho, e quanto mais próximo ele chegasse da escola, mais estranho parecia. Era angustiante, o incomodava, porém ele não podia fazer nada além de seguir com sua vida.— Bom dia, criança - Daniel sorriu, abrindo a outra banda do portão. Havia protetor solar não espelhando em sua bochecha, e Styles sorriu com aquilo. — O que você está aprontando para o dia de hoje? — Nada na verdade... - Observou o pátio pensativo, assistindo alguns alunos jogarem basquetes e outros apenas assobiarem e aplaudirem as cestas, e negou com a cabeça em seguida. — É, nada. — Seu parceiro no crime já chegou, senhor Carter quer que vocês o esperem na escadaria. - Daniel avisa, voltando a caminhar para dentro de sua cabine e Harry bufa. Parceiro no crime? É sério isso?O cacheado chacoalhou sua cabeça de leve e propositalmente, deixando seus cachos bagunçados e pouco selvagens. Ele sorriu provocador acenando para Ethan. Ethan era o típico cara que trocava de turno a cada mês, mas Harry nunca perdia a oportunidade de provocar ele e seu timezinho de basquete. Ethan era bonito, tinha traços japoneses e um corpo invejável, ele era o melhor no que fazia, mesmo que parecesse desleixado, suas notas eram incrivelmente boas, Harry o invejava às vezes.Quando percebeu que o garoto acenou positivamente, Styles virou-se para frente, caminhando com rapidez até a escadaria, encontrando um Louis encostado no corrimão, enquanto lia um livro e tinha seus fios lisos de cabelo completamente bagunçados. Ele não parecia estar legal, mas aquilo era bom, sim? Ele não encheria o saco de Harry. — Oi. - O menor cumprimenta, sentando-se aos pés de Louis, apoiando suas costas na perna do mesmo. — Moleque você é folgado, hein? - Tomlinson franziu o cenho, retirando sua perna e se afastando do esverdeado. Harry arregalou minimamente seus olhos, ele estava surpreso por Louis ter tido aquela reação, ele não esperava que aquilo fosse acontecer. Para ser sincero, Harry se sentiu rejeitado. Mas aquilo foi bom para ele levar um toque e parar de ser invasivo. — Vejo que por enquanto ainda não destruíram nada - Diretor Carter chega com um sorriso genuíno estampado em seu rosto. Seu bigode parece estar alinhado hoje, seu terno amarronzado está devidamente passado e há um broche de ferro furando o tecido de seu paletó, nele diz "melhor palestrante de Wassed" e Harry coloca suas mãos sobre a boca, tentando controlar seu sorriso. — Vou estar sorrindo igual a você quando estiver lhes expulsando da minha instituição. Styles sentiu algo incomodar suas costas, e percebeu ser a sola do All-Star de Louis. Ele se virou quase de imediato, encarando o maior com uma careta em seu rosto, enquanto se perguntava o porquê de Tomlinson ter feito aquilo. — Ficou maluco? - Questionou se levantando, seu cenho estava amarfanhado e seus punhos estavam cerrados. O azulado fechou seu livro, encarando Harry como se fosse uma criança, mas logo foram afastados pelas mãos do diretor, que entrou no meio da futura confusão e pigarreou irritado.— Autorizações. Agora. Na minha mão. - Carter estendeu suas duas mãos, deixando as palmas das mesmas abertas, enquanto olhava para frente, evitando contato com os alunos. Harry abriu sua mochila sem nenhum tipo de cuidado, puxando o zíper com raiva e retirando de lá um papel amassado, o embolando o mesmo na mão de Carter. Era claro que aquela autorização não estava assinada pelos pais de Harry, eles ao menos estavam em casa no dia anterior. Acontece que de tanto ver seus pais assinarem contratos, Harry acabou por decorar as assinaturas de ambos, então não foi tão dificultoso copiar em uma folha. — Garoto, você- Styles queria lhe dar o dedo do meio, mas deu de ombros, fingindo não estar escutando as ofensas do diretor dirigidas a si. O cacheado caminhou até a entrada principal do colégio, adentrando o lugar e correndo para sua primeira aula, cuja seria filosofia, única matéria que desperta sua atenção. — Chegando cedo, Edward Styles? Que surpresa, fico lisonjeado com a sua presença. Espero que não destrua a minha sala. - O professor deixa seu livro sobre a mesa, enquanto os outros alunos permanecem em silêncio e ele sorri com a própria brincadeira. Harry tenta não se importar com aquilo e apenas nega com a cabeça, respondendo um firme "eu não vou", e caminha para a última mesa, onde sempre se senta sozinho enquanto os outros alunos estão em duplas. A aula começa de maneira arrastada, até porque sempre há aquele aluno que não deixa o professor em paz e precisa mostrar que sabe mais do que o educador. Styles perdeu as contas de quantas vezes revirou seus olhos nos últimos dez minutos. — Em compensação ao Styles tem você. - O professor resmunga ao escutar a porta sendo aberta. Todos encaram a figura parada no batente, inclusive Harry. Era Louis. Louis estava parado na porta, segurando seu livro cheio de marcações em mãos e uma garrafa térmica na outra. — Sente-se ao lado de Styles - O homem aponta, caminhando até Tomlinson e fechando a porta atrás do rapaz. — Ja que ninguém nunca senta lá. Harry suspira exausto de ouvir aquele professor, também querendo explodir de raiva ao perceber Louis caminhando até sua mesa. Seu coração palpitava, ele sentia uma das veias de sua cabeça pulsar e suas mãos começarem a suar desenfreadamente, aquilo só podia ser raiva, não havia outra explicação. Realmente não.Louis se sentou na ponta do banco, chutando sua mochila para debaixo da mesa e se acomodou no lugar, completamente espaçoso, encostando seu joelho no de Harry, deixando suas pernas abertas no banco. Ele se inclina na mesa de madeira, apoiando seus cotovelos na mesma e vira sua cabeça para a direita, na intenção de ver o rosto de Harry. — Até que você sabe falsificar uma assinatura. - Ele sorri sincero e o menor amarfanha suas sobrancelhas, arqueando seus ombros enquanto questiona um baixo "o que quer dizer?". — Ah, Styles, acha mesmo que eu acreditaria que você pediu para os seus pais assinarem uma advertência acoplada com uma autorização? Mas relaxa, eu não estou te julgando, eu fiz o mesmo. — Como você é estranho - O cacheado desvia seu olhar para a parede, apagando os desenhos recentes com a borracha no topo de seu lápis. — Há poucos minutos atrás você estava me tratando como um lixo e agora vem puxar assunto.— Não lhe tratei como um lixo. Você lembra, Edward, que ontem você estapeou minha mão? Lembra que você me insultou quando eu lhe chamei de criança? Eu não tenho a obrigação de te agradar. Você saiu batendo a sua mochila em mim e agora vem forçar intimidade? Eu não 'tô entendendo qual é a sua. Louis falava de maneira séria, sua expressão – além de tudo – era serena. Ele mantinha sua cabeça erguida e sua postura alinhada, enquanto sequer desviava o olhar do rosto de Harry. O esverdeado sentiu suas bochechas queimarem, ele estava envergonhado pois ninguém nunca o tratou de tal maneira e, pela primeira vez, ele não sabia como respondê-lo. Pela primeira vez seu coração palpitava nervosamente dentro de seu peito ao discutir com alguém.— Não é problema meu que você se magoe com tão pouco. - Deu de ombros, soltando seu lápis suado dentro de seu estojo enquanto puxava o elástico de seu pulso, juntando suas mechas de cabelo e fazendo um rápido coque, que refrescou sua nuca. — Não estou magoado - Ele nega sorrindo, observando o livro de filosofia de Styles ainda fechado sobre a mesa. — Só acho o seu comportamento estranho. - Louis deu de ombros, observando o professor desenhar algo com o giz amarelo na lousa.Ele realmente achava o comportamento de Harry estranho, mas também sabia que o garoto era incrivelmente ágil e inteligente ao colocar suas ideias em práticas, era notável pela forma como ele agia e falava, e Louis admite, realmente, se não fosse seu desastre com o cantil de vodka ele teria conseguido fazer com que todos fossem embora e provavelmente não teria sido descoberto. As três primeiras aulas se passaram rapidamente, considerando que Louis cabulou todas elas no banheiro, conversando por mensagens de texto com seus amigos, que estudavam em outra escola na cidade. Tomlinson apenas decidiu sair da cabine quando escutou o sinal do intervalo tocar e as vozes se tornarem cada vez mais altas no corredor. Ele teria ficado trancado dentro do banheiro durante o intervalo também, caso não escutasse os gemidos nojentos na cabine ao lado da sua. Enquanto andava pelo corredor, segurando seu celular em uma das mãos e sua garrafa térmica na outra, ele avistou Harry caminhar até um grupo de garotos, que deixaram de conversar no mesmo instante e encararam o menor entre eles. Harry chupava um pirulito enquanto conversava Ethan – Louis já havia discutido com esse cara –, sorrindo divertido e ficando na ponta dos pés para beijar a bochecha do mesmo, esse que desferiu um tapa na bunda de Styles antes do cacheado deixar a roda.Tomlinson engoliu seco, expressando facilmente sua confusão com a cena que acabara de assistir. Eles ficavam ou algo assim? Bem, aquilo não era do interesse de Louis, ele não deveria estar tão curioso ou incomodado com o que viu. Durante o resto do intervalo ele perdeu Harry de vista. Louis se considerava observador até demais, e não se importaria em observar Styles durante o tempo que fosse necessário para compreendê-lo, até porque aquele garoto era curioso o suficiente para si. Era no mínimo estranho alguém aprontar tanto sozinho, sem a ajuda ou a companhia de algum amigo. Mas também parecia palpável, considerando que Harry parecia ser alguém extremamente insuportável para uma aproximação. [...]Quando as outras três aulas acabaram, todos caminharam para a saída, inclusive Louis, que pretendia almoçar em qualquer lanchonete de rua e ir para sua casa, mas ele avistou Harry sentado na escadaria, ao lado do porteiro do colégio, enquanto ambos comiam algo em uma embalagem de isopor. Seria completamente injusto deixá-lo sozinho arrumando uma biblioteca inteira quando ambos tem a culpa do que aconteceu. Tomlinson suspirou duvidoso – o observando sorrir minimamente, enquanto cobria seu sorriso com as mangas do paletó e voltava a conversar com o homem ruivo ao seu lado –, e deixou a escola. Ele caminhava em passos rápidos pelas ruas de pedras naturais, segurando nas alças de sua mochila enquanto ela pesava em seus ombros.Louis comprou uma porção de batatas fritas e comeu no estabelecimento, mesmo que de pé e de costas para a rua, ele sempre procurava ver o que estava acontecendo atrás de si. Ele deveria começar a cobrar o seu almoço para o diretor, já que o mais velho decidiu deixá-lo arrumando a porra de uma biblioteca mofada e fedida.  — Pensei que não fosse vir, eu já estava indo embora. - Harry diz ao vê-lo subir as escadas da entrada do colégio, enquanto toma um gole de energético. — Você se foderia porque eu não lhe faria companhia na biblioteca? Pensei que fosse mais esperto, Styles. - O maior sorri presunçoso, caminhando ao lado do esverdeado, que permanece em silêncio, provavelmente pensando no que dizer em seguida.— Na verdade eu vou ser expulso de qualquer forma, não faria diferença, você é só um extra. - Respondeu seu encará-lo, jogando a lata no lixo do corredor e cruzando seus braços em seguida, ainda caminhando na mesma velocidade do acastanhado. — Um extra - Sorri divertido, subindo as escadas para o segundo andar. — Deixa eu adivinhar, você tem tesão em humilhar as pessoas? — Na verdade eu tenho tesão em ser humilhado na cama. - Soltou a frase risonho, dando pequenos saltos pelo corredor, enquanto Louis o observava um tanto quanto curioso. O acastanhado sorriu, abrindo a porta de correr da biblioteca, adentrando o lugar e inspirando profundamente, conseguindo sentir o cheiro das folhas em decomposição dos livros antigos. A bibliotecária os encarou com seus óculos travados na ponta de seu nariz, e logo se levantou, recolhendo seu jaleco e sua bolsa, deixando a biblioteca com pressa. Harry abriu a porta apenas para lhe desejar uma boa viagem até sua casa, e não, ele não estava sendo gentil ou educado.Louis caminhou até o balcão, vendo o computador ligado, aberto 'numa página de receitas para almoço de domingo. Ele fez uma careta antes de arrastar seus dedos pela madeira e enchê-los de poeira. Tomlinson assoprou seus dedos, os passando em sua calça social logo após isso, virando-se para trás e procurando por Harry, que chutava uma caixa de papelão para o canto da sala. — E agora? O que faremos aqui? - Questionou se sentando sobre a mesa, levantando um de seus pés e deixando em cima da madeira também.— Temos que verificar na tabela em qual prateleira cada um desses livros fica e... Recepcionar os alunos? — Será que alguém já transou aqui? - Styles descarta tudo o que Louis disse e questiona pensativo, franzindo seus lábios ao pensar na possibilidade de estar sentando onde alguém teve um orgasmo.Louis o encara com um sorriso confuso no rosto, enquanto tenta alcançar a tabela por cima do balcão. Harry parece levar aquilo à sério, já que não esboça nenhum sorriso. Tomlinson percebe que é pouco estranho conviver com o cacheado, considerando que Louis ainda não o conhecia o suficiente para diferenciar suas brincadeiras de assuntos sérios. — Provavelmente. - Respondeu, pousando a tabela plastificada sobre os livros empilhados, os puxando para seu peitoral e usando a força de seus braços para levantá-los. Ele caminhou até a mesa onde Harry se encontrava e os deixou sobre ela, assistindo o garoto se aproximar e passar seus olhos pelo papel. — Isso vai demorar tanto, essa biblioteca é imensa. - Bufou impaciente, analisando a quantidade de livros e apertando seus dedos na própria cintura. Louis o observa com atenção, percebendo o quão irritado ele está em ter que ajudar na biblioteca. Por mais que sua expressão seja intimidante para qualquer um, Louis acha fofo, quase inofensivo. Seria uma comparação besta se Tomlinson pensasse que, entre um leopardo e um gato, no momento Harry estava a parecer um gato. Ele batia freneticamente um de seus pés no chão, fazendo com que o solado de seu sapato fizesse um barulho irritante mas agradável ao mesmo tempo. Seus braços estavam cruzado e, por pouco, ele não tem suas bochechas cheias de ar.Louis sorri ladinamente, tocando no braço esquerdo de Styles, fechando seus dedos ali e o puxa para perto. O acastanhado pode sentir a fragrância doce que o garoto exala, algo como morangos frescos e baunilha, havia um pouco de coco também e, por Deus, parecia tão comestível...Harry se assusta com o toque repentino, mas não diz nada, apenas o encara com seus lábios entreabertos, pronto para questioná-lo, porém resolve aguardar, até que o maior resolva dizer algo. — Vou dividir os livros, ganharemos tempo. - É a única coisa que o acastanhado fala antes de contar os livros e deixar metade deles na frente de Styles. O tempo demora a passar, ambos admitiam, mas agindo da forma que estavam não poderia ser diferente. Eles estavam em absoluto silêncio, como dois fantasmas habitando o mesmo lugar. Era um tanto quanto estranho puxar assunto um com o outro. O que escutavam eram apenas o som da porta sendo aberta e dos passos dos alunos, que escolhiam seus livros e sentavam-se nas mesas vagas, também permanecendo em completo silêncio. Enquanto lia o título dos livros em ordem alfabética, Louis percebeu um grande espaçamento entre as capas na prateleira. Harry estava no corredor à sua frente, concentrado em guardar os livros no local correto, mas ainda assim tendo uma carranca irritada em seu rosto. Sua bochechas ainda estavam coradas e seu cenho ainda estava amarfanhado. Louis colocou seu rosto no espaço entre os livros, sussurrando um baixo "ei", assustando o garoto, que por pouco não joga os últimos livros que segurava em seu rosto. Styles revira seus olhos, arqueando suas sobrancelhas e prensando seus lábios um no outro, piscando lentamente com seus longos cílios, enquanto Louis aponta para o final do corredor. Ambos guardam o resto dos objetos em suas mãos e caminham até a janela vitral de vidros coloridos. Tomlinson assiste o menor se aproximar – quase timidamente – e percebe a luz solar refletir nos vidros coloridos e colorir a pele branca de Harry, deixando seu rosto parecer uma pintura moderna, ou seja lá como chama isso hoje em dia. O acastanhado ainda segura um "Código de alunos: edição de Wassed", Styles parece ler o título, considerando que o questiona sobre o porquê d'Ele estar carregando aquilo consigo.— O que você quer? - Harry questiona, se aproximando de Louis, esse que apoia o livro na soleira da janela e arranca duas das páginas, fechando-o novamente. Ele deixa as folhas sobre a capa dura e procura sua mochila, jogada atrás de si – no chão.O maior se agacha, puxando o pano pela alça e apoiando na soleira também. Louis retira um pacote transparente de dentro de seu caderno e escuta o cacheado sorrir alto. — Você trouxe maconha 'pra escola!? Imagina se o Carter te pega? Você ia estar tão fodido - Styles comenta, ainda tendo seu olhar preso nos movimento de Louis, entretido pelas mãos rápidas do mesmo, que espalham a erva pelas folhas. — Cala a boca - Ele franze suas sobrancelhas, incomodado pelo tom de voz do garoto. — Tem sorte de estarmos afastados das mesas. Harry bufa descontente, abrindo as janelas e pegando com cuidado a folha, passando suas língua na extremidade do papel e enrolando seu cigarro. Louis faz o mesmo, acendendo o cigarro de maconha de Harry com seu isqueiro e acende o seu em seguida, guardando o objeto em sua mochila, a jogando em seus pés e se inclinando para fora da janela.Tomlinson sente seus sentidos desacelerarem. Ele prende sua respiração por longos segundos, fechando seus olhos e aproveitando a sensação, escutando um distante zumbido lhe atrapalhar. — Pare de soltar a fumaça no meu rosto. - Harry reclama com uma feição nojenta estampada em sua face, enquanto traga seu cigarro e observa o bosque que se encontra atrás do colégio. — O vento está levando a fumaça para o seu rosto, eu não posso fazer nada em relação a isso. - Ele comenta calmo, apoiando seu braço na janela e descansando seu queixo em sua mão. O dia já está escurecendo, há uma nuvem carregada e passageira sobre o bosque. O céu está banhado pelas cores laranja, roxo e azul, o Sol já não está mais tão visível e o cansaço toma conta de todo o corpo de Louis. — Eu já vou indo - Alertou tragando uma última vez, jogando seu cigarro pela janela e encaixando sua mochila em seus ombros. — Você vem? Harry assente, deixando o cigarro entre os dentes e segurando a alça de sua mochila.— Não vai jogar isso fora? - Questionou se referindo ao cigarro, caminhando a frente do cacheado. — Não. O Carter já foi embora, o máximo que vai acontecer é alguém me parar e perguntar se eu tenho outro desse. Louis dá de ombros, preferindo ficar quieto. Ele sai pela porta de entrada da biblioteca, andando em passos rápidos pelo corredor, inconscientemente esperando por Harry, esse que vinha logo atrás de si, cantarolando alguma música desconhecida enquanto se entretinha em algo que visualizava no celular.Quando ambos chegam ao portão da escola, Harry para na cabine do porteiro, cumprimentando o ruivo animadamente e saindo de lá com um pacote de pipocas. Ele não oferece pipocas à Louis.— Para que lado você mora? - Tomlinson questiona casualmente, enquanto ambos caminham desconfortavelmente em silêncio, ainda assim lado a lado. — Zona Norte, é perto. - Styles continua com sua atenção presa na embalagem de pipocas. — Está de noite, quer que eu te acompanhe?— Não precisa - Dá de ombros, parando na esquina da calçada do colégio, encarando o maior e acenando com a cabeça. — Até amanhã, William Tomlinson. — Até amanhã, Edward Styles. - Ele sorri, virando-se de costas para o esverdeado, caminhando para o outro lado da rua, seguindo o caminho de sua casa. Por algum motivo ele sentia que esse seria um longo ano.

----- CHAPTER BREAK -----

— Como andam as coisas na escola? Cillian questiona, preparando torradas na torradeira enquanto Harry caminha até a geladeira, em busca da garrafa fresca de leite, deixada em sua porta durante a madrugada. O garoto estava com um bom humor, não negaria, era claro que a presença de seus pais tinha grande influência nos seus sorrisos repentinos e em seu rosto animado. — 'Tá uma porra. - Responde simples, servindo seu copo e caminhando até a mesa, procurando pela lata de achocolatado. Scott, que lê jornal em silêncio, retira seus óculos e abandona as folhas na cadeira vaga ao seu lado, observando o filho misturar o chocolate em pó no leite gelado. — Que linguajar horrendo - A voz de Scott é arrastada, pouco fina e prejudicada, Harry já é acostumado. — Não lhe ensinamos isso. Cillian indica a cadeira com o dedo, tocando levemente nos ombros do filho e o aguardando sentar para que caminhe até seu lugar. — Por que a escola está... Péssima? - Cillian questiona, com sua voz rouca e direta. Harry estremece mas dá de ombros para respondê-lo. — Porque eu não consigo me adaptar àquela merda de lugar - Apoiou suas mãos na mesa, assistindo seus pais o encararem confusos. — Já faz três anos e a única pessoa próxima de mim é o porteiro. — Há um motivo para ser apenas o porteiro, não? - Cillian questiona, direcionando seu olhar para o celular em seu colo, franzindo o cenho ao ler algo no mesmo. — Há sim. E é pelo Harry se comportar dessa maneira - Scott encara o mais novo, com seus cachos bagunçados e a expressão não tão feliz mais —, como se fosse um ser ineducável, andando com o uniforme todo fora do código escolar, com esses cabelos esvoaçados e os sapatos impolidos. Harry franze seu cenho, irritado com a situação. Lhe falta ar, 'pra caralho, há algo preso em sua garganta e tudo o que ele faz é: chutar os pés – calçados por um sapato social – de Scott e se levanta em um solavanco da mesa. Seus olhos estão ardendo, e se ele conseguisse chorar, seria de raiva. — Você não é o meu pai! - O cacheado esbraveja, apontando para o loiro sentado à sua frente, segurando os talheres entre os dedos e mantendo sua postura ereta.Scott tem sua pele vermelha, não suportava ser desrespeitado pelo filho. Ele engole seco, soltando – sem nenhum cuidado – os talheres sobre a louça pousada na mesa. — Fique quieto, Edward. - Cillian agarra em seu braço, o chamando atenção enquanto prensa seus dentes uns nos outros, indicando sua irritação. — Já é a segunda vez no mês que você faz isso. — Faria mais vezes se vocês dois parassem em casa - Proferiu, quase cuspindo suas palavras. Ao se virar em direção a escada, seu braço foi agarrado novamente e ele suspirou fundo, tentando se acalmar. — O que é? — Me dê o seu celular, você está de castigo. - Scott para ao lado de Cillian, esticando sua mão para que Harry deixe o aparelho ali, mas ele não o faz. — Vocês fodem com tudo - Ele solta seu braço do aperto dos dedos de seu pai, correndo para a sala com seu rosto em chamas – de tanto que ardia – e recolhe sua bolsa pousada no sofá. Harry sequer olha para trás antes de abrir a porta de casa e sair pela mesma, com a vontade de nunca mais querer voltar. Ele achava incrível a forma como desde o dia anterior, durante a noite, eles mal perceberam que o próprio filho estava chegando mais tarde da escola. Styles não ficaria bravo se fosse alguns minutos mais tarde, mas porra, eram horas. Ele costumava chegar antes do almoço e agora chega antes do jantar. Qual era o problema deles? Harry adorava seus pais, obviamente sim, até porque se não adorasse não estaria feroz como está no momento, após ter discutido com eles.A cada dia que se passava dizer que os amava se tornava mais difícil, mais complexo, quase impossível. É estranho dizer "eu te amo" para alguém que, visivelmente, não se importa com você. E era por isso que Harry não dizia "eu te amo" para ninguém. Por mais que ele não entendesse o conceito de toda aquela merda resumida a paixões, sentimentos e emoções, Harry tinha certeza de que dizer que ama alguém não poderia ser constituído por palavras vazias e momentâneas. É estranho dizer "eu te amo" para duas pessoas que não dizem isso a você há quase cinco anos. E ele não queria chorar – como está fazendo – porque o que houve na mesa do café da manhã era frequente, não deixaria de ser, chorar não mudaria nada em sua vida, em sua família ou em sua casa. Styles soluçou, sentindo seu peito doer após tal ação, e secou as lágrimas salgadas e quentes que molhavam todo o seu rosto, arrastando com força as palmas de suas mãos por sua pele fervente. Ele xingava tudo e todos em sua mente agora. Seus passos haviam diminuído consideravelmente. Ele ainda estava nervoso, era claro, sua respiração pesada e a expressão facial denunciavam isso.Ele podia sentir seus cílios relando em suas sobrancelhas amarfanhadas, suas unhas machucavam as palmas de suas mãos, considerando que ele as forçava contra pele macia e suada, no momento não parecia doer. Ao avistar Daniel sorrindo enquanto conversava com uma das monitoras, Harry agradeceu ao universo por não ter que cumprimentá-lo. Mas parece que seu agradecimento não foi o suficiente.— Ei, Harry - Ele sorriu acenando e a moça se virou, encarando o esverdeado, segurando seu cotovelo com uma das mãos. Harry revirou os olhos, sabendo que seu rosto inchado ainda o denunciava. Daniel fez sinal para a garota esperar e caminhou até o mais novo, o observando questionador. — Está tudo bem?Styles desviou seu olhar por milésimos de segundo, o voltando para o rosto de Daniel em seguida. — Sim. Estou entrando, até depois. O ruivo arqueia seu cenho desacreditado, mas apenas o deixa ir, voltando a conversar com a monitora que ainda o esperava. Harry caminha em passos apressados para dentro da escola, percebendo Ethan parado em um dos pilares gregos do colégio, comendo uma espécie de caroço, provavelmente castanhas. Ele se virou de imediato, cobrindo seu rosto com as mãos e desejando que Ethan não estivesse o visto. Harry realmente não tinha cabeça para conversar com ninguém no momento, imagine com Ethan. Styles tinha seu coração disparado, ele se sentia angustiado, de certo modo, sempre havia algo lhe incomodando internamente, sempre, e ele nunca sabia exatamente o quê. Sua respiração, antes apressada, agora estava entrecortada. Seu rosto estava suando e não fazia calor no momento. — Porra. - Sussurrou para si mesmo, andando de um lado para o outro no meio da quadra. — Heyy - Era a voz de Ethan. Caralho. — Nem me cumprimentou. - Sorriu beijando a bochecha de Harry.— Você tem algo salgado? — Oh... Isso é um novo jeito de- — Não porra, acho que minha pressão está baixando. - Ele se afasta, questionando com os olhos fechados, a luz o incomodava. — Hum, eu tenho biscoitos salgados na minha mochila - Respondeu desinteressado, abrindo um dos zíperes e pressionando a pequena embalagem contra o peito do menor, que apenas recolheu o pacote e saiu, comendo o biscoito enquanto caminhava, sentindo-se trinta por cento melhor. Styles adentrou o colégio, jogando o que sobrou no lixo ao lado do bebedouro e se apressou para chegar em seu armário. O corredor era pouco movimentado, já que os estudantes se concentravam nas quadras externas e não nos armários, como costumam fazer no inverno. Harry observa as grandes janelas estarem abertas, revelando a área verde da escola, onde a maioria dos alunos se reuniam 'pra fumar antes das aulas. Alguns estavam deitados no gramado seco, parecendo bêbados ou mortos, enquanto outros estavam encostados em troncos de árvores, lendo seus livros ou mexendo em seus celulares. Ele sente seus fios de cabelo o incomodarem, fazendo cócegas em seu nariz, só então ele se dá conta do quão bagunçado devem estar seus cachos. O esverdeado coloca seu dedo entre o chaveiro de guitarra de suas chaves, e tenta arrumar seu cabelo, o jogando para o lado e ajeita uma mecha para trás de sua orelha, sentindo-se satisfeito com aquilo. Styles tenta abrir seu cadeado, mas ele parece duro o suficiente para não deixar a chave ao menos virar. O garoto bateu o objeto contra o aço vermelho do armário, fazendo com que ele abrisse. Harry sorriu minimamente, satisfeito.Ele bate a porta barulhenta contra o armário ao lado do seu, verificando seu horário e procurando pelos títulos nos livros malcuidados. Era foda que, por ser escola pública, os livros passavam de mãos em mãos por meses ou anos seguidos até que estraguem e a escola resolva comprar outros. Ou seja; Harry pode estar usando os livros de alguém que está concluindo a faculdade. Quando verificou todas as matérias, ele trancou seu armário novamente, percebendo a chave emperrar no cadeado. Não era possível.Antes mesmo que pudesse se estressar com aquilo, Harry sentiu uma mão agarrar seu braço, com certa força, assim como sentiu outra mão segurar sua cintura com pressão, aquilo foi o suficiente para fazê-lo morder os lábios e prender sua respiração. Quando o aperto se tornou não-tão superficial, ele sentiu seu corpo ser virado, e suas costas se encontraram com o aço amassado dos armários atrás de si. Ele franziu o cenho ao perceber ser Louis. Seu coração parecia ter desistido de bombear sangue por poucos instantes, ele sentia o hálito fresco e quente de mente atingir seu rosto e, por algum motivo, Tomlinson ainda segurava seu braço e sua cintura. — Por que você contou para o Carter que eu trouxe maconha 'pra escola, Styles? Sua voz não estava nem um pouco calma, como costuma ser, pelo contrário, ele parecia estar prestes a cuspir no rosto de Styles. Harry, por sua vez, amarfanhou seu cenho, forçando seus dentes contra seu lábio inferior e o machucando, sentindo o filete metálico de sangue ser absorvido por sua língua. Ele realmente estava puto da vida. Porra, Louis mal o conhece para acusá-lo de tal maneira. Eles fumaram juntos, que porra estava passando na cabeça daquele garoto? Qual seria o sentido de o dedurar?Tomlinson observou o rosto do garoto se tornar vermelho demais e sentiu as mãos de Harry se agarrem em seu paletó, em uma tentativa de rasgá-lo. O que, aparentemente, deu certo. Styles puxou os botões do paletó azul-marinho de Tomlinson para baixo, fazendo com que eles se descosturassem e a força que havia em suas mãos rasgasse o uniforme do acastanhado. Logo o Styles o empurrou para trás com força, enfurecido o bastante 'pra Louis ter certeza de que não foi ele. Harry jogou os botões no chão, mal se importando com o valor que era aquele uniforme.— Eu fumei com você, seu imbecil do caralho - O garoto parecia tentar controlar sua voz. — Como você me acusa de uma porra assim? Sem mais nem menos? Eu não consigo expressar o quanto eu estou repudiando essa sua cara no momento. - Harry lhe aponta o dedo, parecendo querer chorar e, por Deus, pelo pouco que Tomlinson conhecia dele, ele deveria estar debochando da situação.— Tudo bem que você pode me julgar pelas minhas ações, mas porra, você já vem me encurralado e me acusando disso, qual é o seu problema? - Questionou com lágrimas nos olhos, Louis estava em estado de confusão. Literalmente. Ele admitia que havia errado com Harry ao agarrá-lo daquela forma, sabe que não foi certo, se desculparia mais tarde por isso. — Só tínhamos nós dois na biblioteca- — Você não sabe! Estávamos na puta que pariu da biblioteca! Eu devo ter falado alto demais e alguém escutou, mas é mais fácil vir me acusar, não é? Até porque o diretor ia mesmo acreditar que eu estaria contando para ele que você trouxe maconha. Idiota. - Harry segurou as alças de sua mochila, as apertando com força em sua mão, saindo rapidamente. Louis segurou seu braço com cuidado, ainda tendo seu cenho franzido e seus lábios entreabertos. — Desculpa, eu errei em fazer isso - Admitiu sincero. — Mas, Harry, você 'tá legal?— Estaria legal se você não tivesse me acusado de ter te caguetado 'pro Carter. - Sua voz parecia ser magoada, era o que Tomlinson pensava, ou talvez estivesse apenas trêmula demais. Porra, ele tinha feito Harry chorar? O quão ruim ele era 'pra fazer aquele merdinha chorar? (Louis não está o xingando ao pensar "merdinha" tá? kkkkkkkkkk)Quando Carter o recebeu com gritos no portão da escola, o fazendo passar vergonha, seu rosto literalmente aqueceu de tanta raiva. E ele simplesmente não podia retrucá-lo. A única pessoa que veio em sua mente foi Harry, pelo quase-grito que ele soltou ao ver Louis retirar o pacote de dentro de sua mochila. Porém ele não ficaria arrumando desculpas esfarrapadas para tentar se livrar daquilo, ele estava errado em ter, literalmente, encurralado Harry. Mas estava se questionando sobre as reações de Styles, por que o garoto parecia tão vulnerável? Louis não deveria atribuir sentimentos às pessoas, deveria?Ele deu de ombros, suspirando fundo e observando a situação que se encontrava seu paletó. Ele parecia com um morador de rua, levando em conta o quão encardido estava seu par de All-Star.Tomlinson caminhou até o armário de Harry, retirando a chave emperrada do cadeado e verificando se estava realmente trancado. Ele sentia que deveria ir atrás dele, se desculpar e explicar o fato de ter achado que foi ele, mas ao que tudo indicava, Styles precisava de espaço. Louis não invadiria isso.  Harry, por sua vez, não acreditava que havia chorado na frente de Tomlinson. Por Deus, ele o acharia tão idiota. Mas do que valia o achismo de Louis? Muitas pessoas acham muitas coisas de Styles e nem por isso ele se percebe chorando pelos cantos de Wassed. — Seja bem-vindo a classe, você está oito minutos atrasado - A professora o encara entrando em sala de aula, ele ainda sem secar suas lágrimas e ainda tem sua respiração chiante. — Sente-se no seu lugar, Edward, estou no meio de uma- — 'Tô indo. - Bate a porta atrás de seu corpo. E a professora arregala os olhos. Harry sabe que ela o ofenderia de alguma forma, como todos fazem. — Espero que você se comporte na minha aula, Edward, eu não tolero malcriação, você está indo para a faculdade agindo como uma criança.Ele apenas a encara, sem dizer nada. Alguns olhares ainda estão sobre sua pele, outros evitam olhá-lo e outros concordam com a professora. Aquilo era tão rotineiro que Harry ao menos fez questão de se importar. As coisas não caiam assim sobre seu colo, elas não caiam pesadamente, era mais como "pausadamente". Porém hoje parecia ter sido o dia para Styles pagar por todos os seus pecados. Ele aguarda todos voltarem à seus afazeres para abaixar sua cabeça e a deitar sobre seus braços na mesa. Harry escuta boa parte da explicação da professora,até mesmo discute consigo sobre alguns tópicos citados, mas acaba por dormir, já que havia encontrado uma posição confortável naquele banco duro de madeira.Os professores parecem gostar de quando ele dorme durante as aulas, já que ninguém nunca o acorda, nem mesmo para lhe dar uma bronca.Ninguém se importava realmente com as notas ou o desempenho escolar de Harry, nem ele mesmo, aparentemente. Considerando que, sempre que ele acha estar prestando atenção em algo que os professores dizem, automaticamente ele está perdido em seu próprio mundo. Enquanto dormia e a única coisa que o incomodava era o vento do elevador, esfriando seu corpo, ele sentiu alguém tocar em seu ombro e lhe chamar – não pelo nome que ele gostaria, mas pelo menos pareciam ter esquecido do apelido "escória da humanidade". Um garoto do período da tarde pedia para que Harry saísse de seu lugar, alertando que o professor já estava chegando para dar aula. Harry ficou envergonhado, porque percebeu que todos o conhecessem, principalmente os professores do turno da tarde. Ele não gostaria, mas correu para a biblioteca, desejando que Louis não estivesse lá, embora soubesse que era quase impossível não estar. E mesmo que estivesse, seria melhor estar junto à ele do que estar em sua própria casa.Ele sorriu, pensando o quão foda era receber críticas em cada sala que entrasse, nem todo mundo tinha esse previlégio. Alguns eram amados por todos os professores, outros eram amados por metade, Harry era odiado por todos eles e, veja, o melhor de tudo: era recíproco. Ao abrir a porta de correr, ele encontrou a biblioteca vazia, não havia ninguém sentado nas mesas, ou nas prateleiras procurando por livros, nem mesmo a bibliotecária estava ali. Ele inspirou o cheiro de livros, aliviado por não encontrar ninguém. Deixando sua bolsa nas prateleiras exclusivas para isso e caminhou até o balcão, sentando-se na cadeira giratória e apoiou seus pés no chão, os forçando contra o assoalho e girando seu corpo de um lado para o outro, enquanto lia uma pesquisa já aberta no computador.Harry formou um biquinho em seus lábios, não aguentando ficar girando por muito tempo, ele tateou seus bolsos, e encontrou um isqueiro colorido dentro do bolso de sua calça. O acendendo e colocando sua língua para fora, ele sentia cócegas, mas rir o fez queimar seus lábios. — Você é algum tipo de suicida ou algo assim? - A voz de Louis se tornou próxima, e Harry o assistiu sair do quartinho onde guardavam livros ainda não etiquetados. Ele segurava uma caixa, parecia estar pesada pela cor que suas mãos estavam, mas ele não demonstrava aquilo. Styles revirou seus olhos, evitando o olhar por muito tempo, já que não gostaria de se sentir um merda. — Ei? - Louis tenta sua atenção de alguma maneira, mas Harry continua tentando evitá-lo, acendendo e apagando o isqueiro. Styles derreteu boa parte das laterais das teclas, era quase invisível, somente perceptível para ele pois o mesmo moldou as extremidades amolecidas das teclas com o fundo do isqueiro, as deixando mais arredondadas.— Harry, qual é, eu já me desculpei. - Tomlinson se aproxima do balcão onde o cacheado está. Harry se irrita, jogando o objeto sobre a madeira e cruza seus braços, fitando Louis com certo debochar. — Me desculpa, de verdade, eu não sei o que fazer 'pra você me desculpar até porque a gente se conhece há menos de uma semana e eu não te conheço. Você tem razão, é mais fácil te acusar. Então só... Me desculpa. Agi de cabeça quente, estou admitindo isso. Eu deveria saber o quão ruim é ser julgado por algo que não fez... Harry baixa seu olhar, encarando seus pés, os mesmos que ele bate freneticamente no piso de madeira. — O diretor quase me agrediu na entrada - Ele sorriu, se apoiando no balcão e observando as bochechas infladas do cacheado. — Foi nojento, ele fala cuspindo. Ele me insultou tanto, Edward - Sorriu nasalado —, nunca fui tão xingado em toda minha vida... Mas, eu não trouxe hoje, então eu só discursei sobre ele estar me acusando de algo sem quaisquer provas, e Carter pareceu aceitar aquilo. O quão irônico isso é? Eu cometi o mesmo erro que ele depois. Styles levantou seu olhar para o rosto suave de Louis, o assistindo desenhar algo com o indicador no balcão, parecia entretido. — Você não quer falar comigo, tudo certo, eu te entendo. - Ele aceita, endireitando sua coluna e procurando por algo nos bolsos de sua calça. Styles percebe o rasgo que fez em seu paletó e sorri para si mesmo com aquilo. — Guardei suas chaves, seu armário está trancado, não se preocupe quanto à isso. Ele joga as chaves para Harry, que as recolhe por seu reflexo, apertando as mesmas contra seu peito. — Vou etiquetar as capas, já imprimi os adesivos e dividi os livros, você tem que ajudar. - Ele aponta para o monte de livros ao seu lado. Harry apenas lhe dá o dedo do meio, sentindo raiva dele. Harry odiava receber ordens. Percebeu que a raiva que sentiu de Louis não era momentânea ou passageira. Tudo o que ele fez foi deixar Louis sozinho. E tentar discutir novamente com seus pais em casa. Mas ele não conseguiu. Nem mesmo uma palavra trocaram com o filho.Harry odiava aquilo. O machucava por algum motivo, ele não gostava de saber que estavam o ignorando propositalmente, apesar de fazerem isso todos os dias, Harry tem certeza de que não é proposital, eles são apenas ocupados demais. Pelo menos Scott o chamou para jantar. Ele se pergunta o que seria de si caso chorasse todas as vezes nas quais discutisse com seus pais ou todas as vezes que sofresse com aquela merda de silêncio. Ele não precisava daquilo, não precisava chorar 'pra canalizar o que quer que estivesse sentindo, ele poderia fazer outras coisas, como: desenhar, ou... Quase furar as folhas com a ponta de sua caneta. Então no início da madrugada, Harry encarava as estrelas brilhantes coladas no teto de seu quarto, elas estavam quase se apagando por conta do tempo em que estão coladas ali. Ele tinha seu corpo todo desenhado com caneta preta em gel, os desenhos não haviam sentindo algum. Uns eram mais macabros que os outros. Outros eram mais fofos que uns, e assim sucessivamente, até toda a sua barriga estar desenhada e vermelha, assim como seu rosto. Totalmente borrado de tinta preta, e vermelho, de tanto Harry esfregar sua pele, na tentativa de apagar um desenho malfeito. Ele sabia que levaria mais de dois meses 'pra que as coisas se consertassem totalmente em sua casa. E era uma merda, principalmente quando faltavam menos de duas semanas para seu aniversário de dezoito anos.

----- CHAPTER BREAK -----

Com o passar dos dias as coisas melhoraram gradativamente. Até porque os pais de Harry passaram três dias o torturando com silêncio até que ele decidisse pedir desculpas. O que foi muito difícil. Harry passou alguns minutos ponderando sobre fazer aquilo ou não, ele não estava errado, não mesmo. Scott deveria pedi-lo desculpas, não ele fazer isso para com seus pais. Enquanto pensava sobre o assunto, ele rabiscava seu caderno, apoiando sua cabeça em uma de suas mãos, enquanto sussurrava "desculpa", tão baixo que nem ele mesmo conseguia se ouvir dizendo aquilo. Quando decidiu que seria melhor pedir desculpas do que ficar sendo ignorado, ele caminhou até o quarto de seus pais, batendo algumas vezes na porta, enquanto já usava seu pijama xadrez – o tecido modelo da Burberry – e tinha um coque ajeitadinho no topo de sua cabeça. Ao que Cillian abriu a porta e observou o filho parado ali, ele apenas arqueou as sobrancelhas, talvez surpreso pela ação do mais novo. — Fala 'pro meu pai que eu pedi desculpas 'pra ele, tchau. - Harry atropelou as palavras, ele não era acostumado a fazer isso mas o nervosismo tomou conta de si e, Deus, ele se sentia um bosta.Cillian o chamou firmemente, ainda parado na porta e o cacheado se virou para seu pai, desfazendo o coque e caminhando até ele. — Entre aqui e peça desculpas para o seu pai. Quem errou com ele foi você. - O mais velho abriu espaço para Harry, que pisou no carpete, tal que cobria todo o chão do quarto, e avistou Scott deitado ao lado esquerdo da cama, mexendo em seu celular enquanto uma de suas mãos estava apoiada no óculos em seu rosto. O esverdeado inflou suas bochechas e fechou seus olhos, para então soltar: — Pai me desculpa, não quero que vocês me ignorem mais. Scott assentiu apenas, Harry encarou Cillian, que o empurrou com cuidado para fora do quarto. — Ele está chateado, têm criado você junto a mim pelos últimos anos, você errou e a próxima vez ninguém vai querer ouvir desculpinhas não, ok? — Uhum. - Harry responde, percebendo que aquilo não adiantou de nada, mas pelo menos seu pai dirigiu a palavra a si depois de quase quatro dias completos. Ele adentrou seu quarto, não estava com raiva mais, talvez um pouco estressado, até porque era nítida a dificuldade que o garoto tinha em de desculpar, principalmente por coisas desnecessárias. Se fosse assim, ele também deveria receber desculpas de seu pai, não é? Por tê-lo ofendido na mesa do café da manhã. E aquilo era tão rotineiro e normal, Harry não conseguia acreditar que estava se sentindo mal por coisas tão fúteis como aquelas. Styles bufou, fechando e trancando a porta, fazendo o mesmo com suas janelas e cortinas. Era questão de segurança, considerando que a sacada do garoto seria praticamente na rua, caso não fosse o primeiro andar do sobrado. A televisão estava ligada, por incrível que pareça, a programação local não era tão péssima, havia um canal que tocava apenas música durante um dia específico da semana. Harry prestaria atenção no clipe que passava, no entanto, recebeu uma notificação em seu celular, indo verificá-la de imediato. Era uma solicitação de amizade de William_Tommo, que merda? Harry não o aceitaria.Eles ao menos estavam conversando. Se Louis acha que Harry o desculpou, ele está completamente errado. Até porque Harry vem evitando olhar para o rosto de Louis, prestes a ter uma crise de raiva ao ouvi-lo dizer qualquer mínima palavra.Era plausível o motivo d'Ele estar irritado com a situação que Tomlinson o meteu. E aquele garoto o irritava, parecia ser proposital. Louis andava atrás de si, discutindo – mesmo que sozinho – sobre os livros que havia lido durante o longo dos anos, sentando ao seu lado nas aulas onde ninguém quer a presença de Harry, deixando ele descansar na biblioteca enquanto faz o serviço diário e caminhando até a esquina do colégio consigo.Mas era diferente porque, Louis não parecia estar desesperado pela atenção de Harry, mas também não agia como se fosse obrigado a estar acompanhando o cacheado para onde quer que ele fosse. Louis parecia gostar? Era estranho. Louis era estranho. Harry não o suportava. Não suportava vê-lo fumar nos fundos da biblioteca e sorrir para si ao ir embora. Ele também não entendia o porquê Tomlinson continuava insistindo naquilo quando Harry o empurrava para longe e dizia que não aguentava mais ouvi-lo e vê-lo. Styles sacudiu sua cabeça, voltando sua atenção para o celular em seu colo, entrando no perfil de Louis e clicando na primeira foto, onde o garoto tinha seus fios acastanhados escorridos e molhados, estavam uma bagunça. Ele usava um óculos de Sol, e não olhava para a câmera. A foto estava tremida, provavelmente não era 'pra ter sido tirada, mas ele gostou e postou.Na outra ele estava sem camisa. Harry observou seu abdômen definido e seus braços também, a pele de Louis parecia mais bronzeada ainda quando exposta ao Sol. Seus olhos estavam extremamente claros e ele estava sentado em uma almofada no barco motorizado. Louis fazia hang loose com as duas mãos e, Deus, seus sorriso era tão largo. Harry desceu o olhar para as coxas grossas, esparramadas na almofada, ocupando todo o espaço da bermuda. Em menos de um segundo Harry tinha um travesseiro em seu rosto e sentindo-se envergonhado por estar fazendo aquilo. Ele voltou a rolar as fotos, parando em uma na qual Louis tinha uma guitarra em mãos, segurando a mesma contra seu abdômen, ele segurava uma garrafa de cerveja na outra, enquanto abraçava o ombro de um garoto moreno com a mesma. Ambos sorriam, e o garoto, esse que se chamava Zayn – Harry descobriu pela marcação da foto –, segurava um baixo. Havia outro, chamado Calvin, aparecia somente seus olhos na foto, pelo visto era ele quem estava tirando a selfie. Harry mal percebeu a semi-ereção formada entre suas pernas enquanto rolava as fotos do perfil aberto de Louis. Porra, ele não faria aquilo, ele não podia.O garoto deixou seu celular sobre sua mesinha de cabeceira, e fechou suas pernas, esfregando uma na outra, na tentativa de aliviar um pouco da dor que sentia. Ele tinha suas bochechas fortemente coradas, sua cabeça estava afundada no travesseiro macio e seus olhos estavam fechados. Harry estava extremamente envergonhado. Era como se ele nunca tivesse feito aquilo. Ele se sentiu pior ainda quando levou sua mão direita para dentro de sua calça. Era péssimo, ele não entendia, não ficou envergonhado quando conheceu Daniel e bateu uma 'pra ele. Styles alcançou sua fenda sensível e melada de pré-gozo, massageando o local com a ponta de seu polegar gelado. Ele se arrepiou com o toque, apertando mais ainda seus olhos e mordendo seu lábio inferior, já machucado, tentando não fazer nenhum som que o comprometesse após isso. De início, Harry bombeou a base de seu pau sem pressa alguma, revirando seus olhos e contraindo seus dedos dos pés em resposta ao toque. Sentindo e ouvindo cada batimento de seu coração pulsante –em sintonia com a bateria da música –, e cada inspiração sôfrega durante o ato.Ele passou bombear mais rápido, porque queria acabar com aquilo logo, não gostava da ideia de estar batendo punheta para o garoto que conhece há menos de duas semanas. O único som audível era o de sua mão úmida indo de encontro com suas bolas inchadas e necessitadas, e dos soluços cortados que saíam de sua garganta. Uma onda de calor atingiu seu corpo e ele sentiu uma fina camada de suor escorrer por sua testa. Haviam desenhos fofos e sem significados em sua mão direita, ele não podia imaginar o quão ridículo o que estava fazendo era.Mas ele não negava, aquilo era bom. Tão bom que Harry estocou sua própria mão por vezes seguidas, fazendo pressão com seus dedos na base de seu pau e o apertando ali. Talvez se sua mão estivesse dormente seria melhor... Harry gemeu alto quando sentiu que viria, sua barriga de contraiu involuntariamente, a sensação de ser descoberto o excitou mais ainda, e ele passou a se acariciar devagar, provocando a si próprio. E porra, a pressão que ele fazia era boa demais para que ele acabasse com aquilo rapidamente. Quando as fotos de Louis retornaram à sua mente, não precisou de muito para Harry iniciar uma série de gemidos necessitados e tapar sua boca, sentindo o líquido viscoso e quente escorrer por suas mãos e por sua cueca, enquanto seu corpo todo espasmava. Suas pernas fraquejam e ele retira sua mão da boca, se permitindo respirar com facilidade, enquanto seu peito o denuncia sofregamente. Harry se levanta sonolento, ainda mais do que se sentia antes de stalkear Tomlinson, e caminha de maneira desconfortável até o banheiro, se despindo e pendurando suas roupas no gancho ao lado da porta. Ele toma uma ducha rápida, mas que o deixa com um ótimo cheiro de morango. Styles evitar molhar seus cachos, considerando que havia lavado seu cabelo horas mais cedo. O esverdeado esfrega sua boxer embaixo d'água morna, ainda desacreditado no que havia feito, se culpando de várias formas diferentes. Por Deus, ele havia acabado de bater uma para Louis. Louis!— Tsc. - Estala a língua no céu da boca, irritado com seus pensamentos, desligando o registro do chuveiro e torcendo o tecido da boxer em sua mão. Ele seca seu corpo com cuidado observando o mesmo no grande espelho do banheiro, percebendo as cicatrizes esbranquiçadas e em relevo espalhadas por sua barriga, peito e costas. Haviam algumas em sua cabeça, mas seus cachos grossos e pesados as escondiam. Harry as odiava, ele sabia que mostravam o quão forte ele havia sido, mas as odiava, porque depois delas, tudo pareceu piorar em sua vida. Ele chacoalhou sua cabeça, afastando seus pensamentos, enquanto vestia rapidamente seu pijama novamente e tomava sua toalha do gancho, deixando o banheiro calçando pantufas enquanto caminhava silenciosamente para o andar debaixo, chegando ao lado de fora e estendendo os tecidos no varal.Harry volta para seu quarto, acomodando-se sob suas cobertas e se conforta entre a pilha de travesseiros em volta de todo o seu corpo. Ele se sentia seguro e protegido com todos aqueles amortecedores ali, ou talvez ele apenas se lembrasse da época quando dormia no meio de seus pais, sentindo-se em um pequeno ninho. [...]— Bom dia. - Cillian o cumprimenta, deixando o pote de cream cheese sobre a mesa. Harry já está corretamente uniformizado, seus pés estão calçados por um Converse branco – não totalmente – e seu cabelo está preso em um pequeno rabo de cavalo. — Oi. - Harry se senta ao lado de Scott, tentando olhá-lo mas se envergonha ao pensar que ele não o responderia. — Vão viajar essa semana? — Sim, amanhã. - Scott o responde, passando geleia de morango em sua torrada. Harry murcha no mesmo momento, tensionando seus ombros e deslizando seus lábios para um beicinho. — O meu aniversário é na sexta-feira. - Ele comenta passageiro, lembrando seus pais enquanto ambos permanecem em silêncio. — Chegaremos na tarde de quinta-feira, não se preocupe quanto a isso. - Cillian sorri, lhe entregando uma caneca de chocolate quente. — Compraremos bolo de chocolate para o seu aniversário, é o seu preferido. - Scott não o encara, mas não parece estar bravo com o filho mais. — O meu bolo preferido é o de morango. — Chocolate e morango então - Cillian tenta contornar a situação, mas o clima na mesa permanece completamente desconfortável. Harry realmente não sabe o que fez para merecer isso. Porra, eles ao menos sabiam qual era o seu sabor favorito de bolo. Por que Cillian o tratava assim? Por que seu pai fazia aquilo consigo? Por que as coisas haviam mudado tanto? Ele apenas não entendia. Talvez as coisas estivessem além de sua compreensão. — Eu já vou indo, até depois. - Styles se levanta, ao menos tocando em seu café da manhã. Nenhum de seus pais o impede de sair, apenas permanecem em silêncio, porque é a única coisa que ambos sabem fazer de melhor para com Harry. Styles recolhe sua mochila, do sofá, pousando a mesma sobre seus ombros e deixando sua casa.Às vezes ele se considerava uma pessoa ruim por quase nunca chorar quando seus pais o tratam mal, igual todos os outros jovens fazem ou deveriam fazer. Mas essa não era a maneira que ele havia achado 'pra extravasar. Ele só... Era estranho pensar sobre isso. Após o ocorrido de quatro anos atrás, nada mais parecia atingir Harry de forma tão direta, era como se aquilo houvesse sido o ápice para sua mente. Esse foi um ótimo jeito de começar a semana, não? — Oi Dani - Harry o cumprimenta cabisbaixo, apoiando-se na soleira da janela da cabine, assistindo o mais velho configurar as câmeras ao lado de fora da escola. — Algo 'pra mim hoje? — Hey Harry. Apenas chicletes. Styles assentiu, esticando sua mão para que Daniel deixasse a caixinha ali, e ele o fez. — O que foi? Parece triste com algo. Alguém partiu seu coração? O cacheado franziu o cenho, quase fazendo uma careta, inclinado sua cabeça para trás e se engasgando com sua própria saliva. — Que merda é essa Dani? Não me envolvo romanticamente com ninguém, e caso fosse acontecer, eu tenho certeza que não seria eu a pessoa a se machucar na história. - Ele joga um quadradinho de açúcar de cereja dentro de sua boca, mascando o chiclete discretamente. — Tudo bem Senhor quebrador de corações, tenha uma boa aula.— Terei caso aquele imbecil não venha me avisar de mais alguma coisa. - Se refere à Louis, acenando para seu amigo e atravessando todo o pátio externo, enquanto fazia uma bola com seu chiclete, a estourando quando chegou em um tamanho razoável e recolhendo com sua língua. Os garotos paravam o jogo quando ele passava. Era engraçado. Sua fonte de serotonina.Ele sobe os degraus devagar, retirando sua mochila das costas e apertando o paletó em sua cintura propositalmente.Harry não sabe quais são as reações dos garotos, mas sorri consigo mesmo, caminhando até seu armário. Ele avista Louis na área verde, o garoto está sentado sob uma árvore, que sombreia todo o seu corpo, ele parece descansar suas costas no tronco, segurando um exemplar de "A arte da prudência", enquanto há um cantil pousado em seu colo. Styles observa o quão suave ele parece ao estar concentrado nas folhas amareladas do livro, o quão gracioso parece seu rosto ao ter o formato das folhas da árvore lhe protegendo da luz solar. Porra, ele não podia sequer pensar na possibilidade de querer se aproximar de Louis. Por mais que às vezes ache que está exagerando um pouco, levando em conta que, Louis o pediu desculpas mais de três vezes, mas Harry sabe, as pessoas cansam de insistir e somem, é o que sempre acontece, é o melhor para todos. Ele sabem que sim. Seus pais sabem que sim.O esverdeado apenas procura por seus livros em seu armário, o fechando com facilidade em seguida. Seu cadeado não parecia mais emperrar para fechar... Ele estranhou aquilo, mas não se aprofundou, apenas guardou as chaves em seu bolso e subiu as escadas em grandes pulos, adentrando a sala de geografia antes mesmo do professor chegar.E era claro que o homem implicou consigo, fingindo procurar defeitos na sala de aula para culpá-lo, dando a falsa desculpa de que era estranhamente medonho ter o garoto chegando mais cedo em suas aulas.Harry sorriu falsamente, encostando sua cabeça na parede, enquanto desenhava de caneta no pano de seu próprio estojo.Todos perceberam a mudança drástica de humor do garoto, ele estava quieto o bastante para a professora de literatura o questionar se estava tudo bem. Harry sentiu vontade de chorar quando a mulher veio até a sua mesa enquanto os outros alunos faziam suas redações, tocando em seu braço e perguntando se ele estava bem. Pela primeira vez ela não gritou ou o fez passar vergonha. Aquilo não fora o suficiente para ele simplesmente soltar o que aconteceu em sua casa, então sua única resposta foi "sim, tudo bem", e a mulher não insistiu mais.Inclusive Louis estava na sala, porém sentado ao outro lado, fazendo dupla com uma garota que não deixa os professores terminarem a explicação pois ela tinha quê mostrar que sabe de tudo e mais um pouco. Harry estava exausto, ele só gostaria de desenhar seu corpo e esconder todas suas marcas, era a única coisa que conseguia distraí-lo. Durante as aulas em que dividem a sala, Louis não insistiu em falar consigo, o que foi bom, já que Styles não estava nem um pouco a fim de papear. Mas foi diferente na biblioteca, Louis contava sobre o dia em que quebrou a cadeira de plástico da sala de química e o professor se sentou na mesma, prendendo parte da traseira de sua calça social entre o plástico e tentando disfarçar o rasgo que fora feito no tecido. Harry quis rir, mas continuou organizando os livros nas prateleiras, trocando o mínimo de palavras possível com Tomlinson. Ele não estava bravo mais, apenas chateado, não só com Louis, mas com tudo a sua volta. Nem mesmo sua cabeça o ajudava com formas divertidas de destruir o patrimônio escolar. Pelo menos ele assinou as últimas páginas de vinte e um livros, faria alunos passarem raiva sem saber o final e aquilo o fez sorrir sozinho e divertido. Por algum motivo Louis ainda caminhava atrás de si até a esquina do colégio, e atravessava a rua para ir embora assim que Harry virava à direita para caminhar até sua casa. Styles queria gritar para ele parar de segui-lo feito um cão com seu dono, mas era impossível, algo o impedia e o deixava com medo de dizer aquilo. Então ele apenas aceitava. — Cheguei - Ele deixa a chave sobre a mesinha, falando de maneira arrastada, enquanto pousa sua mochila no sofá e se assusta com seus pais já sentados à mesa. — Já estão jantando? — Oi, Hazza - Cillian o cumprimenta mesmo sem olhá-lo, cortando um pedaço de lasanha e deixando em seu prato. Harry franze seu cenho de imediato, sentindo como se uma descarga elétrica invadisse seu corpo e ele ficasse imóvel, sentindo aquela agonia incessante tomar conta de si. — Não me chame assim. Eu já disse que não quero que você me chame assim, por que você sempre faz isso? — Harry- Scott tenta. — Você sabe!, e você faz de propósito porque você gosta de quando eu fico vulnerável, é mais fácil lidar comigo assim, não é? Você sabe que eu não vou revidar os seus gritos! — Por Deus você acabou de chegar e está assim, o que aconteceu? Se meteu em briga por acaso? - Cillian o encara, questionando firmemente enquanto o garoto caminha depressa até a escada. — Me meti. Me meti 'numa briga do caralho. - Mentiu, assistindo Scott revirar os olhos e Cillian massagear suas têmporas, parecendo desejar por paciência. — Você não se cansa? Em menos de uma semana você completa dezoito anos, Harry. Você não se cansa? Me responda. - Cillian questionou, caminhando até o primeiro degrau da escada, parando ali, em uma distância segura do mais novo. — Enquanto eu estiver morando com vocês eu nunca vou me cansar. — Mimamos demais você, por isso se tornou o que é. - Scott diz, voltando a jantar tranquilamente, chamando pelo marido em seguida. — Não lhe deixarei de castigo pois viajaremos hoje à noite e caso você precise terá de nos ligar, mas quando voltarmos saiba que suas ações não ficarão impunes. — Mesmo se eu precisar vocês não vão atender. Querem o meu celular? Peguem. Está na minha mochila.Antes de subir, Scott o chamou dizendo que Moretz reclamou sobre o interior de suas roupas sempre estarem sujas de tinta preta de caneta, ordenando a ele parar de desenhar em seu corpo. Aquele talvez tenha sido o ápice para Harry se trancar em seu quarto. E passar os outros dois dias inteiros lá. Acordando apenas para beber água em sua garrafa e voltando a dormir, sem ao menos verificar as mensagens que recebia ou assistir tutoriais de traços artísticos. Sem ao menos tomar banho, ou se levantar para fazer qualquer outra coisa.Na quarta-feira ele parecia mais disposto, porém sequer apareceu na escola. Harry tomou um banho demorado, de no mínimo meia hora, lavando seus cachos com seu próprio shampoo e vestindo-se com um conjunto de moletom em seguida. Ele trançou seus cabelos, repartindo o mesmo no meio e fazendo duas trancinhas em cada lado. Harry era péssimo naquilo, se pegou sorrindo diversas vezes ao notar o engrenho que estava seus fios. Moretz apareceu também, mas ambos não se falaram, Harry preparou uma salada de frutas em silêncio – enquanto a mulher espanava os móveis da sala – e voltou para seu quarto. Ele passou a tarde desenhando em seu corpo, literalmente todo o seu corpo. Haviam desenhos nas extremidades de suas costas porque ele não alcança o meio delas. Haviam desenhos em seus pés e pernas, palavras desconexas escritas dentro de suas coxas, haviam desenhos em sua barriga, seus braços, seu pescoço, rosto e mãos. Harry borrou todos, arrastando as palmas de suas mãos por sua pele, ele gostaria de tirar fotos e enviar para seus pais, como uma prova de que não se importava com as ordens que recebia deles. Mas ele não gostaria de ser mais odiado por eles, então borrou os desenhos, na tentativa de desistir da ideia. O que, aparentemente, deu certo. A quinta-feira foi o dia que ele mais se sentiu são. Até mesmo acordou cedo e preparou seu café, assistindo um episódio unitário de Dawson's Creek, ele tomava as dores dos personagens, se alguém chegasse ali repentinamente, com certeza veria Harry brigando com um personagem da série. Ele pediu seu almoço, uma caixa de esfihas de queijo e calabresa, essas quais ele comeu sentado em um de seus puffs, observando o dia ensolarado e as pessoas caminharem pela rua movimentada. Algumas carregavam guarda-chuvas, se protegendo do Sol, enquanto outras passavam protetores em seus rosto e paravam sob as lonas das lojas. Embora parecesse estar, visivelmente, calmo, seu interior estava ansioso porque dali poucas horas seria seu aniversário. E não teria comemoração alguma. Harry queria evitar pensar sobre isso, então apenas tomou um remédio para sua dor de cabeça e se deitou, cobrindo-se com os lençóis frescos e procurando por algum filme interessante em seu notebook. A tarde de filmes acabou por volta das onze horas da noite, ele assistiu a maioria (senão todos) dos filmes de Leonardo DiCaprio, tendo 'O homem da máscara de ferro' como seu preferido até então.O calor que banhava a cidade de Wassed fazia ele se sentir suado durante todo o momento, o que ele odiava, então tomou uma ducha gelada e se cobriu com uma roupa casual. Harry caminhou para o andar de baixo, estranhando perceber as luzes todas apagadas. Considerando que seus pais disseram que voltaram na quinta-feira durante a tarde, eles já deveriam estar em casa.Ele as acendeu, servindo seu copo com suco de laranja e atravessou a cozinha até chegar à sala, sentando-se no sofá e bebericando o líquido doce, enquanto esperava por seus pais e batia a ponta das solas de seus sapatos no carpete da sala. Styles observava o relógio de quando em quando, mas evitava fazer aquilo. Ele até mesmo cochilou no braço do sofá. A ansiedade tomou conta de seu corpo as onze e cinquenta e nove, porque ele pensava que seus pais chegariam de surpresa. E ele não se importaria se fosse um bolo de chocolate sem quaisquer morangos. Meia-noite. E ele não pôde se importar porque eles não chegaram. Já passava da meia-noite e meia e eles não haviam chegado. Harry realmente não sabia como se sentir. Ele poderia fingir que está tudo bem e que não gosta de aniversários, mas para que fingir para si mesmo? 'Pra que fingir quando se está se sozinho e não há ninguém além de você? Ele não precisava segurar o choro agora. Porque ele estava sozinho. E era tão bobo chorar por não ter seus pais consigo no dia de seu aniversário quando ele podia chorar porque sequer mensagens de congratulações ele havia recebido. — Parabéns 'pra mim então... - Ele sussurrou entre os soluços doloridos que se formavam em seu peito e garganta, sorrindo forçadamente, mesmo que não precisasse, ele queria fingir que estava tudo bem, talvez seu cérebro acreditasse e produzisse um pouco de serotonina para o deixar pouco feliz com aquela situação ou fazer uma piada de mau gosto consigo mesmo.  Harry passou boa parte da madrugada acordado, com seu celular em mãos e os olhos atentos ao lado de fora. A única coisa que aconteceu foi o amanhecer do dia. Nada além disso. A manhã se tornou ensolarada e as pessoas deixavam suas próprias casas, apressadas para chegarem em seus trabalhos e suas escolas. Menos Harry, que havia até mesmo esquecido que existia aula.Era oficialmente dia. Sexta-feira. Primeiro de fevereiro e aniversário de dezoito anos de Harry Styles. Talvez ele estivesse começando a acreditar que realmente fosse um tipo de escória da humanidade.Seu sono era tanto que ele mal se importou em deitar sua cabeça em seu próprio pranto no braço do sofá e dormir, desejando que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo. [...]Eram quase onze horas da noite quando ele acordou e, caralho, ele nunca dormiu tanto em sua vida. Mas revendo a situação, continuar dormindo até que seu aniversário acabasse não era uma má ideia...Ele se assustou quando escutou o barulho alto de chaves batendo na porta, e se sentiu pior ainda quando viu seus pais adentrarem a casa com sorrisos no rosto e uma embalagem de bolo – comprado em qualquer mercado – em mãos. Harry não estava sendo ingrato, ele acha que não, porque se ambos tivessem chegado no dia anterior, com esse mesmo bolo, ele estaria feliz. — Hey! Feliz aniversário! Venha ver o que trouxemos. - Scott comentou de forma calma e animada ao mesmo tempo. Cillian o acompanhou, batendo palmas e se dirigindo até o filho, beijando sua testa quente, quase febril.— Parabéns, filho, você é oficialmente um adulto agora. - Ele sorriu, esperando que Harry retribuísse, o que certamente não ocorreu.— Vocês já viram que horas são? Ou vão dar a desculpa de que o fuso horário da cidade que vocês estavam é diferente? - Scott ficou boquiaberto enquanto cortava o bolo, parando o movimento de sua mão no mesmo instante, encarando Cillian. — Harry, estávamos trabalhando, não podíamos voltar enquanto não resolvêssemos tudo o que deveria ser resolvido. - O homem próximo de si explica, tentando se aproximar, mas Harry nega com a cabeça, se levantando e caminhando para longe de Cillian.— E fodase o meu aniversário, não é? Fodase eu passar meu aniversário sozinho porque vocês se importam mais com franquias de lojas do que com o filho. Fodase eu não receber nenhuma mensagem de parabéns, nem mesmo vinda de vocês. Fodase eu porque o trabalho é mais importante. - Harry esbraveja, gesticulando ferozmente com suas mãos enquanto seu rosto se torna cada vez mais vermelho e sua cabeça cada vez mais dolorida. — Eu não quero bolo, eu não preciso dos parabéns de vocês... Não mais. O garoto não encara seus pais, ele sabe que se olhá-los sentirá vontade de chorar e ele não quer fazer isso. Ele apenas deixa sua casa, caminhando pelas ruas de pedras irregulares, sentindo todo o seu corpo se arrepiar por conta do choque térmico repentino. Seu coração está acelerado dentro de seu peito, mas não é como se ele o sentisse bater como sempre o fez. Harry se sentia realmente alheio à tudo em sua volta. Ele realmente merecia isso? Ele realmente era tão ruim à ponto de merecer tudo isso? Styles se perguntava incansavelmente enquanto andava, abraçando seu próprio corpo e tentava se proteger do frio. O cacheado apenas parou de andar quando encontrou a praça que gostaria. Ela era pouco afastada do centro, mas ainda assim haviam lojas e conveniências vinte e quatro horas abertas, iluminando boa parte da ruela e da praça. Haviam estátuas de anjos e Deuses espalhadas pelo lugar, a maioria destruída e pichada, algumas tinham flores nascendo em suas sustentações, enquanto outras mal conseguiam se sustentar. Metade da praça estaria escura caso não houvesse um poste de iluminação pública localizado na calçada atrás de Harry. A mesma luz iluminava o mar, que estava calmo no momento, sem ondas fortes ou grande movimentação. Não existia proteção alguma ali, o mar estava próximo ao nível do concreto da calçada. Mas ninguém que prezava por sua vida se aproximava. Havia uma fonte em desuso ali também, alguns animais provavelmente faziam morada dentro da construção. Harry suspirou cansado, sentando-se no banco de madeira próximo a fonte, observando o mar e as folhas das árvores se inclinarem para o lado direito conforme o vento assoprasse, assim como os arbustos bem-cuidados. Ele fechou seus olhos, e inclinou sua cabeça para trás, inspirando todo o ar que seu oxigênio pudesse armazenar e o soltou com calma, tendo seus braços cruzados e sua pele gelada, sendo aquecida por sua mãos. A noite estava silenciosa, provavelmente não existia nada melhor do que aquilo. Styles abriu seus olhos, parecendo assustado, e fitou o céu acima de si. As estrelas pareciam brilharem mais do que o visível normalmente. A Lua se afastava da visão de Harry e ele poderia sentir seus olhos se apossarem de todas as estrelas ali. — Essa constelação se chama Órion. - O cacheado escutou uma voz familiar próxima, e em seguida o som de um isqueiro.Ele se assustou, colocando a mão em seu peito e, agora sim, podia sentir seu coração batendo. Louis vestia um conjunto preto, com listras brancas nas laterais de sua calça e mangas da blusa. Ele parecia calmo, como sempre, enquanto observava o céu junto ao esverdeado e segurava umcigarro entre os dedos.— Você está me seguindo? - Harry questionou arqueando uma de suas sobrancelhas, assistindo o outro sorrir e se encostar preguiçosamente em uma das estátuas. — Eu venho aqui 'pra fumar quando meu pai está em casa... Se considerássemos isso, você estaria me seguindo.— Mas eu não estou! — Tudo bem, não estou dizendo que você me seguiu. - Ele sorri, tragando gentilmente seu cigarro. — O que você está fazendo aqui? É tarde da noite, não deveria ficar saindo sozinho, é perigoso. — Eu sei me cuidar, William. - Harry retira o celular do bolso e o aperta entre suas mãos. — E eu não estou sozinho. Eu... Eu estou esperando minha mãe vir me buscar. — Oh, ela já está chegando? - Questionou preocupado. Bem, Styles acha.Harry não queria trazer a tona todo aquele assunto de acusação de volta em sua mente e tornar aquilo uma confusão infinita, seria melhor ele apenas esquecer e aceitar silenciosamente as desculpas de Louis.— Eu não sei. Eu espero que esteja. — Vou ficar aqui até ela chegar então. — Eu não sei se ela chega hoje durante a noite ou amanhã... Só estou esperando. - Comenta em um tom de voz baixo, realizando o aproximar cuidadoso de Tomlinson, que se senta ao seu lado. — Você 'ta legal? Não apareceu no colégio durante o resto da semana e eu não podia te mandar mensagens porque você não me aceitou no seu perfil. - Ele pergunta e Harry sente um bolo de formar em sua garganta. Seus olhos marejam e ele abaixa sua cabeça, assentindo suavemente. — Estou - Mentiu. — Faltei na escola porque quis mesmo. — Que vida boa. - Louis traga mais um vez, soltando a fumaça para o lado oposto do menor. — Faltei hoje principalmente porque é o meu aniversário. Tomlinson solta o cigarro no chão, o apagando com a sola de seu sapato e se levanta calmamente, ajuntando a bituca do mesmo e deixa a praça em passos arrastados. Harry não entende. Mas não deixa de se sentir um lixo.

----- CHAPTER BREAK -----

Estar em choque não se resume somente a ter seus lábios entreabertos e expressão facial surpresa. Talvez acople seus batimentos cardíacos descontrolados, êxtase e uma imensa vontade de chorar, seja por estar feliz ou triste. Harry se sentia triste, mas não se permitiria chorar por conta do ocorrido. Qual é, ele e Louis não eram amigos, não era obrigação do outro lhe desejar feliz aniversário.Harry não era uma das melhores pessoas do mundo, não vinha tratando Louis com toda a gentileza e bondade existente, mas porra, precisava sair daquela maneira? Ele apenas cansou de ficar se martirizando sobre aquilo, e se levantou, depois de minutos em choque. O vento assoprava fortemente, provocando o barulho do entrelaçar das folhas presas às árvores e fazia com que as mesmas, que estivessem caídas sobre o solo, voassem, algumas pairando sobre o mar e outras sendo arrastadas até serem impedidas por algum objeto preso no chão. O vento também bagunçava seus cachos, os fazendo caírem em seus olhos e se movimentarem involuntariamente sobre seus ombros, lhe fazendo cócegas.Styles observou o céu pela última vez naquela noite, sorrindo fracamente quando fechou seus olhinhos e voltou a abraçar seu corpo, andando vagarosamente pelo gramado seco da praça onde passou o resto de seu aniversário. — Hey, hey, heyy? Onde você está indo? - A voz de Louis é alta agora, quase como um grito. Harry acha que é sua mente o pregando uma peça, e apenas chacoalha sua cabeça, xingando a si mesmo mentalmente por ser tão idiota. Ele continua caminhando, questionando se sua vida era algum tipo de entretenimento pessoal para o universo ou para Deus – ele ao menos sabia no que acreditava. Harry apenas não entende o porquê de pessoas virem à Terra sendo destinadas à passarem por coisas assim. Não era legal para quem estava sentindo. Até porque você nunca tem total consciência de algo antes de sofrer com aquilo.Quando ele pensou que seus pais não gostassem de si, ele não achava aquilo realmente, estava bravo com a situação pela qual passava no momento, mas revendo o agora... Ele tem certeza.— Harry? Venha aqui! - Tomlinson grita dessa vez – tirando Harry de seus devaneios, enquanto andava cegamente pelo local –, ele parece estar correndo e logo o cacheado sente seu pulso ser segurado com suavidade. Os dedos de Louis são quentes e grandes o suficiente para se fecharem em torno do pulso do garoto. É um toque gentil, não o machuca, pelo contrário. Styles até mesmo sente o dedo áspero do acastanhado acariciar rapidamente sua pele arrepiada.Harry não vira seu corpo por completo, apenas o observa por cima de seu ombro. Tomlinson se aproxima e o cacheado bufa irritadiço.— Por que estava indo? - Ele questiona, é notável que ele esteja sorrindo. Era só o que faltava, agora ele zombava da cara de Harry. — Por que eu deveria ficar? Não permaneceria ali sozinho, não faz o mínimo sentido. — Seu idiota - Louis agarra sua cintura, puxando o pano de sua camiseta com força e virando o corpo de Styles para sua frente. O esverdeado estranha a ação, mas não tem tempo para questioná-lo. Tomlinson retira a mão que escondia atrás de suas costas, revelando um pequeno cupcake de massa avermelhada e chantilly, com pequenas estrelas coloridas sobre a massa branca. Havia uma vela posta no meio dele, não parecia ser uma vela de aniversário, mas Harry mal notou aquilo. Louis sorria, parecia ser um sorriso culpado, e Styles – provavelmente – nunca se sentiu tão vulnerável em toda a sua vida. Harry não agradecia as pessoas, nunca fora de se sentir grato por nada, mas no momento... nesse exato momento, ele agradecia Louis mentalmente, e diversas vezes. Incontáveis vezes. Absurdas vezes. Tomlinson acendeu a vela com o isqueiro em sua mão, esticando o cupcake para perto dos lábios franzidos de Styles, que tinha sua garganta dolorida por segurar tanto seu choro. Seu coração provavelmente era o primeiro órgão a se fazer presente quando Harry sentia-se nervoso, ansioso e/ou próximo à Louis. — Vamos, assopre e faça um desejo antes que seu aniversário acabe. - Ele continua segurando a massa próxima à boca do menor, assistindo as chamas acesas na vela refletirem em seus olhos naturalmente lubrificados. Louis não sabia se era o fogo que fazia os olhos de Harry arderem e consequentemente lacrimejarem ou se ele estava realmente muito próximo de se desmanchar em lágrimas. Mas aquilo não era o foco no instante. Ambos estavam próximos um do outro, o fogo que acendia a vela aquecia seus rostos, e a chama da mesma era refletida nos olhos – agora – escuros e luminosos do cacheado. O hálito quente e cheiro de cigarro que saía da boca de Louis fazia com que Styles sentisse como se estivesse fumando junto ao garoto no instante. — E-Eu não acredito em desejos... — Eu não me recordo de ter lhe questionado se você acredita ou não. - Harry sorri gentilmente e revira seus olhos, ainda sem dizer nada. Ele encara seus pés – pouco tortos para dentro – e ajeita seus cachos atrás de suas orelhas, com o pensamento de afastá-los do fogo. Harry inspira lentamente o ar, sentindo o leve cheiro de fumaça invadir suas narinas e forma um biquinho em seus lábios, desejando ter alguém que se importe consigo, mesmo que essa pessoa vá embora depois, ele só deseja ter alguém que se importe. E assopra.— Faltam exatos dois minutos para o seu aniversário chegar ao fim. - Louis verifica em seu relógio de pulso, tocando levemente na mão gélida de Harry e deixando o cupcake ali. — Isso é bom - Ele murmura, tremendo de frio e caminhando até o banco onde estava sentado anteriormente. — É de morango? Tomlinson vem logo atrás de si, sentando-se ao seu lado e acenando positivamente para a pergunta. — Meu preferido. - Ele sorri tímido, suas bochechas esquentam repentinamente e ele pousa o bolinho em seu colo, retirando a vela do meio da massa e a deixa sobre a madeira do banco. — Quantos anos você fez? - Louis questiona, desviando seu olhar do rosto de Styles enquanto ele morde seu cupcake inocentemente, sujando seu nariz e bochechas. — Hum? - Harry se desatenta, virando-se para o azulado, esse que sorri o assistindo tentar limpar o seu rosto. — É o seu aniversário de quantos anos?— Dezoito. - Responde simples, voltando a mastigar a massa de morango, enquanto outro o observava com um sorriso no rosto. — Eu sou mais velho que você. — Eu duvido. — Faço dezenove em dezembro. - Harry permanece em silêncio, mordendo seu cupcake e percebe estar sentindo-se melhor. Talvez por não estar passando o que restou de seu aniversário sozinho ou talvez por estar comendo depois de passar mais de um dia sem se alimentar. — Você deve ter se entupido de doces e salgados, não é? Eu deveria ter trazido apenas uma vela. Styles quase se engasgou. Tossindo em seguida e afastando o bolinho de perto de si. Louis o encarou, deixando uma de suas sobrancelhas suspensa, enquanto decidia se ajudava ou não o garoto ao seu lado. — Aham. - Ele mente, agora mais calmo, ainda segurando um pedaço de cupcake em suas mãos. Seus olhos lacrimejam de tanto tossir e seu peito dói. — Você quer? - Oferece o bolinho e Louis apoia seus braços no encosto do banco. — Você não gostou? — Não, não é isso, eu só estou sendo educado, acho que hoje você merece conhecer esse lado de Harry Styles, o anarquista de Wassed bancado pelos pais. Tomlinson gargalha, jogando sua cabeça para trás, enquanto longas rugas se formam aos lados de seus olhos e eles são levemente e voluntariamente fechados. Harry não entendeu o porquê de tanta graça, mas acabou por sorrir junto. — Daria um ótimo nome de filme. - O mais velho revela, voltando a observar o mar sendo beijado pela Lua.— Filme de qual gênero? — Um terror comédia. Sabe? Aquelas paródias merdas de terrores pesados?— Ei? Que porra? Ambos sorriem, fitando o mesmo lugar, não era desconfortável como Harry pensou que seria, ele até estava gostando. Por mais que ainda sentisse ser estranho estar perto de Louis. — É legal saber que você não está mais bravo comigo. Tipo, não ter ninguém para conversar durante os contra turnos na biblioteca é uma merda de ruim. — A gente nem conversava seu otário. - Styles estica o cupcake, realmente querendo dividi-lo com Louis. — Pelo menos a gente fumou maconha na janela que tinha um padre desenhado no vitral. — Uau isso é tão íntimo, minha meta de amizade. - O acastanhado morde os lábios, revirando seus olhos e pega a forminha de papel embrulhando o cupcake das mãos de Harry. — Você gosta de acabar com qualquer prosa que a gente tenha, não gosta? O mais novo engole seco, apoiando seus cotovelos em seus joelhos e segurando seu rosto com as mãos. E então ele sorriu, tapando seus olhos com os dedos e negou. — É costume. — Eu entendo. - Uma forte passagem de ar frio gela seus corpos, fazendo até mesmo Louis se arrepiar e tremer seus lábios. Harry volta a abraçar seu corpo, pensando se é temperatura da água é morna ou fria. Haviam épocas do ano nas quais mesmo quando o tempo era frio, a água permanecia quente, Styles gostava de nadar quando as circunstâncias eram essas. O fenômeno era mais conhecido como El niño. Ele não termina de concluir seu pensamento. Harry sente algo aquecer suas costas e posteriormente aquecer seus braços arrepiados. Louis colocou sua blusa sobre o corpo trêmulo do mais novo e, ainda assim, continuou usando um casaco fino e acizentado, que vestia por baixo da mesma.Styles piscou atônito, mas Tomlinson não parecia se importar com sua reação, considerando que começou a explicá-lo sobre constelações e apontar para o mar, indicando onde o Sol nasceria pela manhã. O cacheado assentia para o que William dizia, ainda confuso enquanto encaixava seus braços corretamente nas costuras da blusa. A blusa havia ficado grande em seu corpo, as mangas cobriam quase toda a extensão de suas mãos, deixando apenas quatro de seus dedos visíveis. Não o incomodava. Inclusive blusas compridas estavam entre suas coisas favoritas. — Você não é do tipo que apronta então. - Harry divaga, tragando o cigarro e o devolvendo para Louis, suas mãos voltaram para o meio de suas pernas juntas, na tentativa de aquecê-las. — Depende, eu sou mais do tipo que só aparece em dia de prova. - Ele admite, curvando suas costas e apoiando seus cotovelos no joelho, deixando seu cigarro entre os dentes. — Você é um cagão. — Eu sou? - Tomlinson o encara com um sorriso presunçoso no rosto. Harry assente sem fitá-lo, ouvindo as ondas irem de encontro com o concreto e balançarem as folhas que planam na superfície da água salgada. — Mas não fui eu quem começou a mentir sobre o assunto dos fios desencapados. Louis comenta como quem não quer nada e Styles lhe cutuca seu braço com o cotovelo, negando timidamente enquanto suspira, ele passa os olhos pelo local, vendo a embalagem do cupcake pousada no colo do mais velho, enquanto ele solta a fumaça de sua tragada e descansa o cigarro entre seus dedos. — Eu preciso evitar minha expulsão até o final do ano letivo. E aquilo foi ótimo, eu sei como enganar as pessoas. — Se você precisa tanto evitar essa expulsão deveria parar de aprontar... Ou pelo menos ser mais discreto. — William, o meu plano era infalível. Literalmente infalível - Harry falou pausadamente, com a voz baixa e rouca, gesticulando com suas mãos enquanto Louis não tirava os olhos de si —, nada poderia estragá-lo porque eu desliguei até as câmeras do auditório, a pessoa que me fodeu foi aquele filho da puta do cabelo escorrido. O acastanhado gargalhou, tossindo em seguida enquanto passava a manga de seu casaco sobre sua boca. — Quem é esse garoto? O que você disse à ele? — Eu não o conheço, mas provavelmente ele ficou puto por ter perguntado o que eu estava fazendo e eu ter respondido que estava arrumando um jeito de fazer os fios vibrarem 'pra enfiá-los na minha bunda. Louis sorriu nasalado, esticando o cigarro para Styles, que recolheu o mesmo e sorriu antes de tragá-lo, assoprando a fumaça para longe, enquanto assistia o azulado esconder seu rosto com as mãos e contrair seu abdômen. — Caralho moleque, você é idiota. — Menos que você. — Nem nos seus melhores sonhos, Edward Styles. O silêncio se instalou no lugar logo após o som das risadas serem levadas junto ao vento gélido, Harry puxou as mangas da blusa para cobrirem todos os seus dedos gelados e quase imóveis, cruzando seus braços em seguida e escutando a voz de Louis. — Por que você quis sabotar a olimpíada de conhecimentos gerais? Digo, eu realmente não consigo pensar em nada que pudesse te motivar a isso. - Ele pergunta, cruzando seus tornozelos e acomodando suas costas no apoio desconfortável do banco de madeira. Harry pondera por poucos segundos, ele não sabe se pode confiar em Louis para contar sobre aquilo, mas também tem plena noção de que o garoto não se surpreenderá ao saber da maior parte da motivação. — O Carter me impede de participar de qualquer atividade que saia da grade horária normal desde o primeiro ano. Essa é a desculpa que ele tem 'pra não me deixar participar do concurso anual de Inglês ou da Olimpíada de conhecimentos gerais. Então como eu não deixaria isso baixo, ou eu participo ou ninguém participa. — Isso soa egoísta 'pra caralho, sabia? Harry franze seu cenho, entreabrindo seus lábios para soltar a resposta que tinha na ponta da língua, mas a voz de Louis o impede. — Não posso te julgar, você não está cem por cento errado.— Eu sei que não estou. — Mas esse seu pensamento é preocupante. — Ah Tomlinson, eu não quero ouvir essas merdas morais. - Estalou a língua no céu da boca, levantando-se de solavanco e abrindo o zíper do casaco para entregá-lo à Louis.O mais velho se levantou junto à Harry e aproximou-se do mesmo, levando suas mãos para a blusa e puxando o zíper para cima novamente. Ele encara o rosto vermelho do cacheado e sorri. — Está frio, se você for para a escola na segunda-feira você pode me devolver, senão, devolva outro dia. — Okay... Eu já vou indo, está tarde e não quero que meus pais briguem comigo. - Eles ao menos se importam do que eu 'tô falando? — Tudo bem, até mais. - Harry acena positivamente com a cabeça, colocando suas mãos nos bolsos de flanela e caminha em direção contrária à Louis. Querendo ou não, aquela havia sido sua melhor comemoração de aniversário depois de anos.

----- CHAPTER BREAK -----

Harry nunca se sentiu tão bem vingando uma ação. Ao chegar em casa na mesma noite em que Louis Tomlinson o surpreendeu com um cupcake de morango e uma velinha de aniversário, Harry encontrou seus pais ainda sentados nas cadeiras da mesa de jantar, tudo estava como antes. O bolo sobre a mesa, juntamente a faca que Scott usava para cortá-lo, as sacolas de supermercado estavam sobre a mesa também, e ambos mexendo em seus próprios celulares, enquanto tinham seus cenhos amarfanhados e os lábios franzidos. Eles tentaram conversar com o filho, embora tenha sido em vão. Harry apenas os ignorou, porque estava machucado o suficiente por seus pais. No entanto, aquilo não estava sendo fácil para si também, Harry nunca pensou que um dia ignoraria seus pais, sequer pensou em tal possibilidade, era como viver em um universo totalmente paralelo. Quase impossível de acreditar. E ele realmente cumpriu com sua promessa, descia para comer apenas nos horários quais tinha certeza de que eles não estariam sentados à mesa e jantava durante a madrugada. O mais surpreendente – nem tanto – eram suas reações. Eles não pareciam se importar com a distância do filho. Aquele provavelmente foi o pior final de semana da vida de Harry. Ele preferia os que ficava sozinho em casa. . . . — É impossível achar que Guns N' Roses é melhor banda de rock quando se tem Incubus. - Dizia o mais novo encostado na soleira da janela da cabine de Daniel. — Eu não gosto de coisas famosas. — Mentiroso. Com certeza você deve gostar de Nirvana e Red Hot Chili Peppers. - Ele sorri, digitando algo em seu celular enquanto Harry revira os olhos. — Gostar eu gosto, mas não vou dizer que são as melhores bandas. The Offspring 'tá aí 'pra isso. — O quê? — Ah, Daniel! - Franziu o cenho irritadiço, virando seu corpo para o rosto do homem e descansando suas mãos sobre sua cintura. — Tenha paciência, 'tô combinando um encontro. - O ruivo sorri para a tela do celular e Styles dá de ombros, girando seus calcanhares no chão e deixa a cabine. O Sol está o derretendo, ele sabe que seu rosto está mais vermelho do que nunca, o que o faz querer sorrir, porque ele gosta de chamar atenção. Seus longos cachos estão presos em um coque, pouco bagunçado, que mesmo assim, deixava boa parte de seu pescoço exposto. O paletó do uniforme está entre seus dedos, sendo apertado pelos mesmos – que agora suam incessantemente –, enquanto sua gravata está justa e suas mangas estão emboladas acima de seu cotovelo.Harry usava a mesma saia que usou no primeiro dia de aula em seu primeiro ano do ensino médio, estava curta, porém menos curta do que o usual entre as estudantes. Ele tinha uma meia branca em seus pés e calçava um par de All-Star branco. Ethan o encarava com um belo sorriso no rosto, tirando sua atenção dos jogadores que, provavelmente, bolavam um plano para ganhar do time adversário. O mais velho piscou, colocando sua língua entre os dentes e Styles sorriu, voltando a caminhar pacientemente até a escadaria da escola.Haviam alguns alunos sentados nos degraus, encostados no apoio dos corrimãos, aguardando até que o sinal soasse e os alertasse que deveriam ir para suas aulas. Harry passou os olhos pelo Hall de entrada, como se procurasse por algo, até mesmo ficou nas pontas de seus pés para enxergar para além da janela, mas não encontrou.Ele bufou descontente, andando com rapidez até o corredor onde se encontravam os armários. Era claro que ele percebia os olhares dirigidos a si, talvez as pessoas tivessem trazido sua reputação de "mascote" à tona novamente. Mas de que se importava? Ele não havia voltado a ser aquilo. Como Edward mesmo já concretizou em seu pensamento, "muitas pessoas acham muitas coisas de si", e ele não precisa explicar cada passo que dá para elas. Soa bobo, como alguém acabando de descobrir sua independência ou alguma merda assim, mas ele estava okay com isso. Embora parecesse extremamente tranquilo quanto àquilo, seu cenho estava amarfanhado e já havia uma carranca descontente em seu rosto, provando para ele mesmo o quanto odiava sequer pensar no assunto. Styles ficou alheio à tudo, a irritação visivelmente tomou conta de seu corpo enquanto pensava sobre aquilo. Ele mal percebeu Louis parado ao lado do bebedouro quando chegou em seu armário, à ponto de chutar os pés de aço do mesmo. — Tudo bem? - Escuta a voz do mais velho, ela é calma e pacífica, assim como Louis parece estar. Harry vira seu rosto corado de raiva para o mesmo, assistindo ele passear os olhos por seu uniforme e um leve tom carmesim tingir suas bochechas marcadas. As orbes azuladas se desviam vergonhosamente para o rosto de Styles, que parece menos irritado com a situação agora. — Sim. - Ele encaixa sua chave no cadeado, abrindo seu armário e jogando seu paletó junto aos livros, procurando por seu almanaque de literatura em seguida. — Caralho que bagunça - Tomlinson comenta ao analisar o armário do cacheado, que o encara sobre seus ombros, como um breve aviso de "já chega". — Do que você precisa? — Almanaque! A porra do almanaque de literatura! Ele não 'tá aqui! - Louis arregala seus olhos em resposta, enquanto Harry aumenta seu tom de voz e bagunça ainda mais seus livros no armário. — Procura na sua bolsa. — Não 'tá aqui, William - Ele nega com a cabeça, pegando a mochila em mãos e se senta no chão gelado, esquecendo totalmente de sua saia e esticando suas pernas no chão frio. — Ai porra! Harry estala a língua no céu de sua boca, levantando um pouco suas pernas, as desencostando do piso gélido, e abre o zíper de sua mochila rapidamente, vasculhando os livros guardados ali. Harry lembra-se de ter guardado o casaco de Louis antes de vir à escola, e por algum motivo, enquanto procura por seu almanaque, encontrar a blusa de Tomlinson o faz se acalmar brevemente. — Sua blusa. - O mais novo estica o tecido preto para Louis, que nega levemente com sua cabeça, cruzando seus braços e encostando seu ombro no aço de uma das portas dos armários. — Fica com ela, você vai precisar disso hoje. — O quê? Por quê? - Questionou curioso, franzindo seu cenho, como de costume, e aguardando a resposta do mais velho.— Eu tenho um plano 'pra ajudar você a "vingar" sua olimpíada não-arruinada. - Ele diz simples, e Styles se levanta no mesmo instante em que o escuta proferir tais palavras. — Duvido que seja algo realmente bom. — Certo, então eu estou indo para minha aula de História. Nos vemos por aí. - Louis parece realmente não se importar com aquilo, dando-lhe as costas e caminhando para o corredor que levava até as escadas.— Tomlinson! Eu quero saber! — E se não for "algo realmente bom"? - Ele fez aspas com as mãos, parando no meio da passagem de alunos. — Se você não contar eu não vou poder julgar o plano, idiota. — Você tem mania de xingar as pessoas, não é? - Louis revira seus olhos, voltando para perto de Styles. Louis abre o total da porta do armário, até que possa esconder seu rosto e o de Harry do resto dos alunos concentrados proximamente à eles. Tomlinson leva suas mãos para a cintura de Harry, o empurrando com gentileza para trás, encostando seus ombros no aço da porta vermelha. O mais novo arregala pouco de seus olhos ao sentir o toque repentino e, suspira duvidoso, mas prende todo o seu oxigênio dentro de seus pulmões ao sentir Louis se aproximar. — Eu preciso saber se você está de acordo com isso. - Styles assente, tendo seus lábios entreabertos e seu rosto queimando conforme os topázios azulados passeavam por ele. — Certo, a única coisa dependente de você que eu vou precisar é um compasso. — Eu tenho. Louis cheirava como baunilha e cobertores recém-lavados, havia algo identificável pelas narinas de Harry, que o fazia querer se viciar naquele cheiro. — Tudo bem. É o seguinte: eu pensei em atingirmos diretamente o diretor, o que certamente não é fácil, considerando que, se fizermos algo visível para ele estaremos sem vida acadêmica e provavelmente trabalharemos sem carteira assinada. Pensando nisso, eu trouxe tinta em spray. - Harry amarfanhou seu cenho, suspirando irritadiço enquanto Louis continuava a dizer: — Nós temos de faltar as primeiras aulas, por motivos posteriores, e subir até a sala do Carter- — Eu não vou entrar lá, ficou maluco? — Cala a boca, eu 'tô falando. - Harry arqueou suas sobrancelhas, o desafiando silenciosamente, enquanto o mais velho continua a falar. — Você vai desenhar com a ponta de ferro do compasso na porta dele, e se quiser pode pichar também-— Você esqueceu que ele fica rondando a escola? Ele vai ouvir a porra do compasso esculpindo a porta dele, vamos nos foder, William. — Harry - Louis suspira. — O diretor não está na escola, ele chega depois do almoço nas segundas-feiras, você deveria prestar mais atenção nas coisas se quiser atormentá-lo até o final do ano letivo. — Mas e se de repente hoje ele decide vir antes? — Você 'tá com medo de quê? Acha mesmo que ele já não teria vindo implicar com você por causa da saia? Puta merda às vezes você consegue ser ignorante, hein? — Sai de perto - Harry o empurra, batendo a porta de seu armário e a trancando. — E por que eu vou precisar do casaco? — Estamos faltando, nossos nomes não estão nas listas de presença das salas de aula, ele não vai poder nos culpar por ter feito aquilo sendo que ao menos comparecemos às aulas. O casaco serve 'pra você vestir - Sorriu divertido, e Harry mordeu os lábios, impedindo-se de sorrir com aquilo. — Coloque o capuz quando vesti-lo, caso alguém chegue não verá nossos rosto, considerando que não há câmeras nos corredores, não tem como isso dar errado. — É... Até que não é uma má ideia. Mas isso não supera a minha ideia. — Eu não ligo se isso supera a sua ideia ou não, você deveria ser grato à mim, estou te ajudando. - Louis retira o casaco de sua cintura, vestindo o tecido em seu corpo e indicando Harry à fazer o mesmo. — Vamos ter que esperar os dois sinais tocarem 'pra todo mundo estar em sala de aula e não precisarmos lidar com gente cagueta depois. - Tomlinson caminha em sua frente, como se fosse um guia, Harry odeia. — Claro, senhor, e o que eu devo fazer? Lhe seguir? — Certamente. Caso você queira algo bem executado. Caso não, pode ir 'pra sua sala de aula. — Você é irritante. — Você é bem infantil, eu já disse isso. - Louis abre a porta do banheiro masculino, fazendo uma careta quase de imediato. Aquele banheiro realmente era uma nojeira, Harry admitia.— Entra na última cabine, é a maior. - Tomlinson aponta e Styles caminha até a mesma, percebendo a blusa que vestia cobrir suas mãos e metade de sua saia. O lugar era totalmente desenhado e escrito com canetas. Haviam contas matemáticas e palavrões escritos com caligrafias estranhas. Haviam desenhos na porta e nas paredes. A privada estava entupida e Harry fechou seus olhos ao entrar na cabine, tapando seu nariz e cobrindo pouco de sua boca, para que pudesse respirar. — Vai sentir o gosto. - Louis brincou, adentrando o lugar e trancando a porta, enquanto o mais novo se afastava, para que ambos não ficassem tão próximos um do outro. Embora não fosse incômodo nenhum permanecer perto de Tomlinson.— Que nojo, eu não vou. — É sério, imagine as partículas de-— Ai que nojo, cala a boca, seu idiota! - Harry levou suas mãos até os lábios de Louis, prensando as mesmas contra a pele quente e o empurrando para trás, tendo visão apenas de seus olhos, pareciam arregalados mas em seguida eles se fecharam minimamente, Harry sabia que Louis estava sorrindo. O maior levantou suas mãos para o alto, indicando rendição e Styles se afastou, cruzando seus braços e fechando sua boca, irritado com a situação. Quando Harry não está irritado?— O primeiro sinal tocou enquanto estávamos entrando no banheiro, daqui - Verificou seu relógio, o afastando de seu rosto e sorrindo —, exatos três minutos tocará o segundo sinal e poderemos sair. — Que bom, porque eu não aguento mais ficar nesse banheiro imundo. Não tinha outro lugar não? Sei lá, a biblioteca? — A bibliotecária odeia a gente desde que descobriu que você estragou o teclado dela. — O quê? Como assim? Eu não soube de nada! — Você faltou a semana inteira, queria saber do quê? - Questionou intrigado, arqueando uma de suas sobrancelhas, assistindo o mais novo bater a sola de seu sapato no chão de maneira irritante. Ambos permaneceram em silêncio, trocando olhares constrangedores e tímidos, enquanto pequenos sorrisos surgiam involuntariamente em seus rostos corados. Eles estavam ansioso para colocar aquilo em prática, principalmente Harry, que se ausentou de seus afazeres durante as últimas semanas. Quando o segundo sinal ecoou pelo colégio, Tomlinson aconselhou ambos a permanecerem na cabine, aguardando alguns minutos até que realmente tenham certeza de que todos estavam presentes em salas de aula. Harry bufou quando o ouviu proferir aquelas palavras, desobedecendo o conselho do maior e destrancando a porta da cabine do banheiro. Antes mesmo de tirar seu corpo por completo do banheiro, ele avistou o professor de artes em frente ao espelho, lavando suas mãos enquanto cantarolava alguma música em um baixo tom de voz. Styles adentrou o banheiro novamente, com certa pressa ao caminhar para trás, pisando nos pés de Tomlinson e batendo a porta – sem querer. O mais velho colocou suas mãos na cabeça, se martirizando pelo ocorrido por meio das mímicas, sussurrando para Styles enquanto apontava para seus pés e fazia uma leve careta de dor.— Foi mal! - Sussurrou de volta. — Eu falei 'pra você esperar, filho da puta, se o professor te viu eu vou deixar você se foder sozinho. - Louis sussurrou ferozmente, assistindo o mais novo encarar o chão, provavelmente tentando ignorá-lo. — Ele não me viu, mas ouviu a porta batendo. — Ele vai perguntar quem 'tá aqui, você fodeu com tudo, seu lazarento, eu nunca mais te ajudo em nada. — Lazarento? Eu não ia ficar aqui nessa cabine fedorenta esperando mais tempo ainda. — Então vai lá, sai daqui sozinho, faz tudo sozinho, você é o bonzão mesmo, não é? - Louis apontou para fora, ainda sussurrando, mas Harry podia sentir o quão bravo ele estava.O mais novo engoliu seco, encarando o rosto irritado de Louis, enquanto tentava escutar algo atrás da porta. — O que faremos agora? — Não ouço mais nada, vamos sair daqui. - Tomlinson retoma sua fala em voz razoável, destrancando a porta da cabine e saindo primeiro, deixando a porta aberta para que Styles saísse em seguida. — Você 'tá pronto? - Questionou sem encarar o outro, abaixando-se no chão e deixando sua mochila sobre seus pés, a abrindo em seguida, em busca de algo. Quando Harry avistou a mão do mais velho segurar o spray vermelho e guardá-lo em seu bolso, ele sorriu, pensando que, aquela seria a primeira vez na qual teria um acompanhante. Louis se levantou calmamente, parando em frente ao espelho e colocando seu capuz. Harry o observou atentamente antes de chacoalhar sua cabeça e assisti-lo agarrar nas alças de sua mochila, as forçando para baixo, encarando o cacheado após isso. — Sim. - Responde, colocando seus cachos para dentro do capuz, percebendo o mais velho assentir.— Tudo bem, tente não levantar muito o rosto na hora de andar, certo? Olhe o máximo que você conseguir para o chão, estamos de acordo? Harry assentiu novamente, assistindo e ouvindo os passos de Louis seguirem para fora do banheiro. — Quando passar pelos vidros das salas você se abaixa. - Ele cochicha, ainda caminhando na frente de Styles. Harry de segura para não começar a rir descontroladamente ali mesmo, porque a situação na qual se encontravam era realmente hilária. — Por que deveríamos? Estamos com os rostos cobertos pelo capuz. — Prefiro me previnir de quaisquer flagras. - O mais novo dá de ombros, acompanhando os passos do acastanhado. — Por que você amarra o seu All-Star assim? Digo, no cano dele? - Harry perguntou curioso quando – finalmente – chegam na escadaria. — Eu aprendi amarrar assim quando criança, é hábito, eu acho. Tipo você, amarra assim porque aprendeu quando criança, não? — É, acho que sim. Louis curvou seus lábios em um mínimo sorriso quando viu Harry encarar seus próprios sapatos e parecer ponderar sobre aquilo. — A sala dele fica no último andar, temos que subir mais quatro lances de escadas, lembre-se de sempre olhar para o chão. — Me sinto um criminoso de filme fugindo da prisão. - Styles brinca, sorrindo divertido e voltando a caminhar atrás de Louis.— Por que de filme? Você não pode simplesmente ser um criminoso real? — Eu não estou brincando de ser um fugitivo, Tomlinson, já passei da idade. - Ambos sorriem nasalados, apoiando suas mãos no corrimão esquerdo da escadaria. O resto do caminho segue tranquilo, tirando os sustos desnecessários que Louis pregava em Harry, e o mais novo quase saía correndo por medo de ser descoberto. O último andar era sempre silencioso, onde haviam as salas dos professores, coordenadores e a tão temida sala do diretor, Harry já passou mais de duas horas lá, até que era bonita internamente, mas tinha um horrível odor de naftalina. — Será que há alguém na sala dos professores? - Styles questiona, ficando na ponta dos pés para olhar através do vidro. Tomlinson vem logo atrás de si, quase apoiando o queixo em seu ombro. — Não parece ter. - Ele sussurra próximo ao ouvido do cacheado, que se afasta antes mesmo de sentir seu corpo se arrepiar. — Vamos logo com isso, quero ver no que vai dar. - O mais novo caminha até a porta do diretor, analisando a madeira com os olhos cerrados e contornando um espaço vazio com seus dedos. Era o meio da porta, e seria lá onde eles desenhariam. — Eu vou ficar no corredor, caso alguém apareça a gente corre para a outra escadaria. - Louis alerta.— 'Tá bem. - Harry retira sua mochila das costas, procurando por seu compasso, o encontrando no fundo da mesma, perfurando o tecido. — Que merda. - Sussurra para si mesmo, tomando o compasso em mãos e o ajeitando entre seus dedos. A madeira da porta era velha, o que facilitava a ponta de ferro do compasso ser arrastada no material. Harry sorriu ao pensar no que desenharia, seria rápido, mas não deixava de ser ótimo.Ele mordeu seus lábios, cravando a ponta na madeira e a arrastando com força, podendo escutar o ruído que era feito ao puxar o compasso. — Louis? O spray! - Styles pede, e o mais velho o encara, franzindo o cenho enquanto pega o spray de seu bolso e inclina seus pescoço para ver o desenho. — O símbolo anarquista? É sério? - Pergunta com o cenho arqueado, arremessando a lata em Harry, que a recolhe com as duas mãos e sacode a mesma, escutando o barulho da pequena bola de metal se mexer no interior da lata. Ao abrir a tampa, ele pôde sentir o cheiro satisfatório da tinta que estava armazenada, mas logo espirrou a mesma em volta do desenho esculpido na porta, ainda tendo seu lábio inferior entre os dentes, segurando um sorriso presunçoso. — Harry? - Louis chamou se aproximando rapidamente. — O Carter 'tá vindo. — O quê? - Perguntou estático, escutando altos passos subirem os degraus. — Ele 'tá vindo caralho, pega as coisas logo. - Tomlinson retirou o spray de sua mão, o tampando e guardando em seu bolso novamente, enquanto Harry jogava seu compasso dentro da mochila e tentava fechá-la, mas o zíper havia emperrado. Deus, tinha tudo para dar errado.— Porra, porra, porra. - Sussurrou, puxando o zíper emperrado, ainda agachado no chão. — Não vai dar tempo, Edward, deixa essa merda aberta. - Louis sussurrou, alto, retirando a mochila das mãos de Styles e jogando a mesma em suas costas, entrelaçando seus dedos nos dedos do cacheado e o puxando para se levantar. Não era um momento apropriado para Harry sentir como se uma descarga elétrica estivesse tomando conta de todo o seu corpo, fazendo todos os seus sentidos e movimentos se tornarem involuntários, assim como a palpitação de um de seus principais órgãos dentro de seu peito. Sua mão suava, talvez fosse pelo sentimento de não saber se Carter estava logo atrás de si, o vendo fugir, ou se era pelo contato de sua mão com a mão de Louis, que apertava mais ainda seus dedos conforme corria pelo corredor. Ou talvez fosse ambos motivos. Seus passos eram altos, Harry tinha seus cachos espalhados por todo o seu rosto e, chegou a olhar para trás, avistando somente os pés e o abdômen de Carter. Ele não conseguiu ver mais nada porque Louis o puxou para descer os degraus da escada, ainda com as mãos entrelaçadas e os passos apressados.— Acha que ele nos viu? - Perguntou ainda correndo na escadaria. — Não, ele não nos viu, mas caso tenha o feito, só enxergou nossas costas. Louis assente, puxando Harry pelos corredores. Eles eram rápidos, seus passos firmes no chão e seus capuzes saíam de cima de seus cabelos que, automaticamente, se tornavam esvoaçados. Uma vez que ambos saem de dentro do colégio, Louis para próximo a um pilar grego, encostando-se no material e respirando sofregamente, apoiando uma de suas mãos em seus joelhos, enquanto a outra ainda permanece entrelaçada a de Harry. Styles percebe aquilo, e desfaz o enlaço, tirando sua mochila dos ombros de Tomlinson e coloca sobre os seus próprios. Ambos permanecem em silêncio, apenas escutando a respiração alheia, até que estejam recuperados o suficiente para caminharem até o final do gramado. Louis joga sua mochila para fora da escola, saltando no muro e apoiando suas mãos nos tijolos planos, arrastando seus pés na argamassa seca e se senta sobre o muro, observando Harry cruzar os braços e encará-lo com o cenho franzido. — Eu estou de saia. — Eu não vou olhar. - Ele pula para fora e Styles bufa, revirando seus olhos e arremessando sua mochila para fora da escola também. — Tomlinson. - Harry quase geme seu nome ao se segurar nos tijolo, arrastando as solas de seus tênis na argamassa seca do muro. Seus joelhos também se arrastam na massa acizentada, e ele sente a ardência em sua pele, formando um biquinho em seus lábios avermelhados. — O que foi? Nunca pulou um muro? — De saia não, seu idiota! Essa argamassa está arranhando minhas pernas. - Choraminga frustrado, fazendo força em seus braços e levantando seu corpo até estar sentado sobre o muro. — Pronto, pode pular. - Louis vira-se de costas, tapando seus olhos com as mãos em seguida, Harry sorri, ajeitando-se sob o muro e pulando após isso, ajeitando a parte de trás de sua saia quando seguro no solo. — Ah merda... - Suspirou frustrado ao ver seu joelho sangrando, recolhendo sua bolsa e percebendo o olhar de Louis sobre si. — 'Tá doendo? — Um pouco. — Senta aqui. - O mais velho aponta para uma pedra, e Harry o faz, considerando que a ardência se torna rapidamente um incômodo horrível. Tomlinson mexe nos bolsos laterais de sua mochila, tirando uma flanela azul-marinho de lá e se abaixa ao lado de Styles, amarrando a mesma flanela em seu joelho. — Só pra estancar o sangue enquanto você caminha. Vai ser difícil andar rápido mas a gente dá um jeito, tenho certeza que não está tão ruim à ponto de você estar mancando, não é? — Não está doendo tanto. Apenas me incomodando. — Okay... Eu posso te acompanhar até a sua casa. - Louis se levanta, ainda o encarando negar. — Tudo bem, eu não te acompanho então. — Eu não posso ir 'pra casa, William, meus pais estão lá e... - E eu não quero olhar 'pra eles. — Eles descobririam que eu estou cabulando aula. — Se fodeu. - Ele sorriu simples. Colocando suas mãos na cintura e franzindo seu cenho, provavelmente pensando no que fazer. — Bem... Eu moro ao outro lado da balsa. — O que eu tenho a ver com isso? — Você pode passar a tarde na minha casa até dar o horário de voltar para a sua, idiota. Harry não esperava por isso.

----- CHAPTER BREAK -----

Harry não sabia como reagir. Haviam inúmeros motivos para que ele estivesse totalmente estático e sem reação ao ser convidado para ir à casa de Louis.Bem, a primeira coisa era que, ele nunca havia sido convidado para ir à casa de nenhum tipo de colega ou amigo, aquilo era novo. Segunda coisa era: caralho, Louis morava ao outro lado da cidade e pegava balsa todos os dias? Terceira coisa: você convida uma pessoa para ir à sua casa quando você já tem uma certa intimidade, não? Eles não tinham isso... Ainda... Harry acha.— E então, vai querer ir ou vai ficar sentado aí até dar sete horas da noite? - Tomlinson questiona, pousando suas mãos em sua cintura, enquanto fita o rosto confuso e ponderativo do mais novo. — Acho que não tenho outra opção. - Harry dá de ombros, levantando-se com cuidado e parando ao lado de Louis, que assente levemente com sua cabeça e caminha vagarosamente, provavelmente na tentativa de deixar Styles o acompanhar com seu joelho esfolado. — Você já foi para o outro lado da cidade? - Questiona simples, quase uma pergunta retórica, Harry quase nunca o responde perguntas sérias com palavras. — Poucas vezes. Por quê? — É diferente daqui. Acho que, um pouco mais afetivo, se é que posso chamar assim - Ele coloca suas mãos nos bolsos do casaco, caminhando de maneira preguiçosa pelas calçadas. — Há festas nas ruelas, mas não chega a ser um grande tumulto, é algo legal, todos gostam de participar, geralmente porque as comidas nas barracas ficam mais baratas em dias de festa. - Harry o encara, sentindo o Sol atingir seu rosto e seus olhos, os fechando imediatamente, os percebendo doer após o encontro dos raios solares com suas orbes esverdeadas. — Isso não acontece aqui, só quando estamos em datas comemorativas ou festas de fim de ano. Mas não é algo grande. - Styles andava quase mancando, por conta do tecido que atrapalhava sua articulação no joelho direito. — Deve ser triste dormir no silêncio do centro alto. — Prefiro silêncio do que baderna, mil vezes melhor dormir assim. — Óbvio que não, você se sente confortável por saber que há pessoas se divertindo lá fora! — O quê? Você enlouqueceu? Quem caralhos fica confortável porque tem alguém se divertindo? - O mais novo franze seu cenho, avistando uma balsa lotada de pessoas encostar no cais. — Eu não sei te explicar, provavelmente há um nome para esse sentimento, eu já devo ter lido em algum lugar mas fugiu da minha mente no momento. — Você lê bastante, deveria ser exemplar na escola. - Harry desvia seu olhar do rosto de Louis, descendo da calçada, enquanto observa seus cadarços desamarrados se arrastarem no chão. Antes que pudesse se abaixar, Louis o puxa para trás, segurando em seu cotovelo e logo solta um palavrão. Harry volta em um solavanco para a calçada novamente, batendo a sola de seu tênis no gramado e quase cotovelando o abdômen de Tomlinson. — Você não sabe atravessar uma rua não? Queria ser atropelado, moleque?— Que susto, achava que era algo sério, porra! Tomlinson franze seu cenho, parecendo realmente surpreso e assustado, assistindo Harry atravessar a rua enquanto caminha atrás do mesmo. — Ser atropelado não é sério 'pra você? Eu não sei o que pode ser então. — Eu não quis dizer literalmente isso. Mas pelo puxão que você me deu achei que o carro estava em cima de mim. — Desculpe se eu me preocupo o suficiente para te puxar de volta para a calçada e evitar o seu atropelamento. Espera aí, O quê?Louis se preocupava? Que porra? Harry paralisou no mesmo instante em que o escutou dizer aquilo. Ele talvez só não estivesse pronto para escutar alguém dizer que se preocupa. Por mais que, visivelmente tenha sido da boca para fora, considerando que, quando Louis faz algo que deixa Harry nesse estado – coração palpitante e mãos suando incessantemente –, ele nunca percebe. Ou finge não perceber. — Você se preocupa? - Questionou sorrindo, voltando a caminhar, sua voz treme ao questioná-lo, ele torce para que não seja perceptível, sua visão de embaça, Harry não aceita que sejam lágrimas, por mais que a ardência em sua garganta confirme que seja exatamente isso. — Edward, você é o meu parceiro agora. Se você tivesse sido atropelado quem iria me ajudar a pichar a porta do diretor? Ou... Sei lá, quem liberaria os alunos mais cedo por quase incendiar um auditório?— Que merda. - O mais novo nega com a cabeça, adentrando a balsa e secando a lubrificação de seus olhos discretamente.— Sente-se aqui, você pode ver a cidade alta ficando cada vez mais pequena conforme a balsa acelera. - Louis aponta para um banco de madeira, pintado de azul, acoplado no metal. — Sinto o tecido grudar no sangue, vai ser difícil tirar isso, William. — Daremos um jeito. Com água sai. Harry o encara gentilmente, dessa vez ele tem seus lábios curvados em um sorriso sem dentes, pouco envergonhado, mas ele percebe Louis sorrir também, observando as pessoas adentrarem a balsa e se acomodarem ali. Os olhos de Louis estão mais claro do que o normal, é perceptível pela tonalidade pacífica, fundindo-se com a cor do céu azulado e ensolarado. Haviam pequenas e quase imperceptíveis pintinhas dentro das orbes. Assim como haviam pequenas e quase invisíveis sardas espalhadas por seu rosto. A pele de Louis parecia macia o suficiente para que Harry tivesse vontade de passar a ponta de seus dígitos, embora ele repreendesse seus pensamentos rapidamente. Quando a balsa estava para sair, o solavanco ao encostar no cais novamente fez com que Harry se desequilibrasse e apoiasse uma de suas mãos na coxa farta de Tomlinson. Por Deus, ele nunca se sentiu tão envergonhado em sua vida, não era do seu feitio de sentir assim.Quando seus dedos se afundaram na carne coberta pelo uniforme, ele sentiu suas bochechas arderem de imediato, o sangue se fazia presente ali ainda mais conforme elas esquentassem de maneira ligeira. Seu coração disparou em seu peito, literalmente o alertando sobre a situação. Seus lábios se entreabriram no mesmo momento e o mais novo se afastou, arrastando-se no banco e permanecendo em uma distância razoável de Louis. — F-Foi mal, eu nunca andei em um negócio desses. Louis, que tinha seus olhos arregalados, agora sorria alto, quase gargalhando pela reação que Harry teve ao sentir o solavanco da balsa. — Faça isso. - Tomlinson indicou, levando seus dois pés para as barras de ferro de proteção, essa qual Louis quase encostava seus joelhos. — Eu não posso. — Harry, por Deus, quanta frescura. - O mais velho retirou seu casaco, jogando por cima das pernas descobertas do mesmo. — Melhor assim? Agora você pode colocar seus pés nas barras e ter um apoio. Eu sei que minhas coxas são gostosas mas você não precisa ficar as agarrando.— Foi sem querer seu imundo! — Me senti ofendido. — Não ligo. - Harry inflou suas bochechas, ainda coradas, e cruzou seus braços, observando as pequenas ondas e espuma que o motor da balsa causava no mar. — Você é como a Regina George às vezes, só que sem praticar bullying com as pessoas. — Seus conceitos de personalidades são bem merdas. - Styles o responde, ainda observando o mar. — Um boto! Um boto! - Ele cutucou Louis, praticamente gritando o nome do animal duas vezes, fazendo com que as pessoas o encarassem assustadas ou com olhares julgadores. — Puta merda - Sorriu nasalado ao sentir os dedos do cacheado puxarem seu casaco. — Você mora perto do mar e nunca viu um boto? — Já vi de longe, mas nunca vi tão perto assim! Eles são tão feios! — Todo esse escândalo para chamá-los de feios? Sossega o facho.— Sim, eles são horrorosos, Tomlinson. Os golfinhos são bem mais bonitos, até a aparência deles é mais simpática. — Por Deus... - Louis está em negação.— 'Tá, você sabia que os golfinhos gostam de cutucar propositalmente os baiacus 'pra se aproveitarem da substância tóxica que eles expelem e meio que "se chaparem"? - O acastanhado questiona, observando o mais novo juntar seus cachos em um coque malfeito. Ele nega, há um ponto de interrogação em sua testa, enquanto ele abana sua nuca. — Como bichos são estranhos.— Eles são inteligentes. O cacheado permanece em silêncio, e assim continuam ambos até o final da viagem, quando chegam ao destino desejado. Harry segue Louis para descer da balsa, tendo que saltar de uma distância de centímetros entre a parte plana da calçada e o material da balsa. Ele observa algumas pessoas sentadas nas grandes pedras ao lado do cais, tendo caixas de isopores aos lados de suas cadeiras de praia. Essas mesmas pessoas pescavam e gritavam a casa vez que recolhessem um peixe do fundo do mar. Ele fez uma careta desagradável e voltou a caminhar, percebendo as casas coloridas e extremamente próximas invadirem seu ponto de vista. Louis não mentira quando lhe contou sobre as festas. A música alta e animada quase o ensurdecia, haviam bandas espalhadas pelas ruas e calçadas, alguns habitantes dançavam e outros batiam palmas, completamente bêbados, acompanhando as danças. As barracas de comidas estavam lotadas, não era de se esperar menos. Havia muito lixo jogado no chão, e aquilo fez Harry amarfanhar seu cenho, descontente. — Elas limpam a cidade no final do dia de domingo, por mais que estejam morrendo, quase caindo de tão bêbados. - Ele sorri se referindo às pessoas, cumprimentando alguns homens sentados na orla. — A minha casa é aquela, na rua sem saída. - O mais velho aponta para um sobrado amarelo, as janelas de madeira e a tinta se descascando indicavam que o imóvel era velho. — Tudo bem 'pra você ir até lá? Podemos ficar aqui no centro de quiser. — 'Tá de boa. — Já vou avisando que não tenho empregados nem mordomos ou diaristas. Harry dá de ombros, andando pelas ruas de pedras naturais e irregulares, cansando-se rapidamente na subida até o sobrado de Louis. Havia um pequeno cercado em volta do gramado na entrada, ele estava localizado na lateral direita do caminho que os levava até a porta, enquanto a garagem estava fechada à esquerda. Tomlinson destrancou a porta, girando a maçaneta e adentrando o lugar, deixando seus sapatos ao lado de fora, e pendurando seu casaco no cabideiro atrás da porta. Antes que pudesse olhar o lugar por completo, Harry fez o mesmo, sentindo um ótimo cheiro de limpeza ao adentrar o sobrado. Era visivelmente antigo, mas limpo e organizado. Havia uma mesa de jantar próxima a entrada, à sua direita, com cadeiras e bancos almofadados embutidos na parede. Tinha também uma porta em frente a mesa e ao seu lado um corredor, onde provavelmente ficava a escada, considerando que a luz do Sol refletia nos degraus e os sombreava. — Aqui é o banheiro. - Louis aponta para a mesma porta e Styles assente, ainda observando o local. Há um lugar onde tem uma poltrona e uma mesa faz companhia ao móvel. Em sua frente há uma mesa de madeira que suportava o peso do computador, e logo no fundo, uma sala, parecendo um cômodo separado por conta do baixo degrau que havia ali. As grandes janelas da sala são de vidro, estão mais para portas, e Styles pode enxergar uma varanda sem proteção alguma, apenas uma mesa de madeira pregada no chão, assim como as cadeiras. A varanda da visão para o que Harry pensou que nunca veria pessoalmente em uma casa, o mar. O mar. Louis não tinha medo de morar ali? — Com certeza não parece com a sua mansão, mas olha, não é tão ruim. - Louis diz, caminhando até perto da sala, mas adentra uma grande porta e Harry deduz ser a cozinha, já que escuta Tomlinson lavar suas mãos. — Essa casa é legal. Você mora com quem? — Meu pai. Mas eu não sei quando ele chega, então por enquanto eu moro sozinho. - Ele responde simplesmente, secando suas mãos em um pano de prato e o deixa sobre a pia, Harry enxerga ele abrir a porta e encaixá-la em algo no chão. — Viagem? — Talvez. — Hum - O cacheado não se contenta com a resposta, mas resolve não insistir. Louis não gostaria de todo aquele observar de Harry caso fosse semanas atrás, ele poderia facilmente pedir para ele parar porque soava como se Styles estivesse julgando sua casa, mas não é o que parece. O garoto mostra estar realmente curioso sobre o lugar.O mais novo observava os quadros nas paredes com seus olhos atentos, piscando e passeando rapidamente pelas telas, enquanto não deixava nenhum detalhe passar despercebido. Harry Styles ainda era uma incógnita para Louis Tomlinson, mas ele pretendia descobrir o seu valor o mais rápido possível.Suas variações de humor de um dia para o outro eram estranhas, seriam completamente normais – mas também depende – se Louis o conhecesse, porém o garoto parecia não querer lhe dar nenhum tipo de abertura, embora brincassem e conversassem, ainda era muito cedo para que ele pudesse ouvir algo pessoal sobre Harry, e ele entendia isso.— Eu acho que tem macarrão instantâneo no armário, você gosta? - Perguntou, saindo de seu transe, observando o esverdeado assentir quando questionado.— Tudo bem, eu vou preparar. Esse vai ser o nosso almoço de hoje. - Louis sorriu simpático, caminhando para a cozinha, percebendo Styles caminhar em passos curtos atrás dele. A cozinha era pequena, mas grande o suficiente para que ambos permanecessem ali. Harry não ajudou enquanto Tomlinson cozinhava, parecia mais interessante observar o lado de fora da janela, onde ficava o mar, do que ajudar o mais velho com as panelas quentes.Mas o acastanhado não se importava em responder as perguntas bobas que Styles fazia sobre morar tão perto do mar. — Tenho queijo ralado na geladeira, vou buscar. - Louis alertou, deixando a panela de macarrão sobre o pano de prato, para que não derretesse a toalha de plástico que forrava a mesa. Harry de sentou no banco almofadado, quase sorrindo ao se lembrar de quando ia ao Burger King com seus pais e corria para bancos como esses nos estabelecimentos. O azulado deixou o pacote de queijo sobre a mesa, deixando também os pratos e talheres. Harry se serviu primeiro, despejando queijo sobre a massa e experimentando em seguida. Tomlinson aguardou até que pudesse assistir sua reação para se servir. — Eu não sei se estou com fome ou se isso está realmente legal. — É macarrão instantâneo, não tem como não "estar legal".— É... Até que você não está errado. - O menor dá de ombros, enrolando o macarrão em seu garfo com cuidado, enquanto Louis estava em sua segunda garfada Harry ainda enrolava seu macarrão.A questão era que, Harry realmente demorava muito para comer. Tomlinson não sabia se ele não havia gostado, ou se estava realmente muito ruim, talvez ele estivesse desconfortável em comer na casa de uma pessoa quase estranha? Ele não sabia, mas tudo que fez foi deixá-lo sozinho, dizendo que lavaria seu prato e a panela, mas traria suco depois. Louis fez isso. Preparou suco de laranja natural e levou a jarra junto dos copos até a mesa, percebendo o prato de Harry quase vazio. — Posso retirar? — Sim, eu não como muito. — Okay, eu já volto, mas pode tomar suco se quiser. - Ele apontou para a jarra cheia, caminhando até a cozinha com o prato de Styles em mãos, o lavando e pousando no escorredor de louça. — O que você colocou nesse suco? — O quê? — Tem um gosto diferente. O que tem aqui? — Oh, é limão. - Respondeu indiferente, andando até o pequeno armário ao lado da porta do banheiro e tirando um kit de primeiros socorros de lá. — Você pode vir aqui na poltrona? — 'Tá. - O cacheado deixa seu copo de vidro sobre a mesa, caminhando até a poltrona laranja desbotada e sentando-se na mesma. Louis agacha-se em sua frente, sentando-se sobre seus calcanhares e abre a caixinha branca ao seu lado, no chão. O acastanhado desamarra a flanela com cuidado, encarando Harry por poucos segundo, mas o suficiente para vê-lo morder seus lábios e escutar o estalar de sua língua no céu da boca. — Posso puxar ou você quer que jogue água? — Puxa. — Tudo bem, depois não diga que eu não avisei- Ele não termina de falar, e puxa o tecido, arrancando a casca que havia se formado em volta do esfolamento da pele de Styles. Harry agora está emburrado. Louis sorri. O mais velho se levanta rapidamente, correndo até a cozinha e buscando um copo d'água, indo até o banheiro em seguida e trazendo consigo um sabonete fechado. Harry parece não entender os cuidados, considerando que observa tudo aquilo como se fosse estranho 'pra caralho. — Acho que não vai arder tanto quanto arderia quando recém feito. - William diz calmamente abrindo a embalagem do sabonete, mergulhando seus dedos na água e os ensaboando em seguida, esfregando pacientemente a pele machucada de Styles. — Estou certo? — Eu não sei, faz muito tempo que eu não me machuco. - Ele continuava segurando uma careta de dor, é perceptível, mas Louis continua quieto, deixando-o achar que consegue. O mais velho seca suas mãos em um pano, enxaguando o joelho de Styles após isso, o secando com pequenas e leves batidas. Tomlinson espirra o anti-séptico com calma, e logo coloca um bandaid para cobrir a ferida, sorrindo doce para Harry.— Pronto.O mais novo estica sua perna com cuidado, vendo o bandaid infantil posicionado corretamente sobre o esfolamento e sorri, negando com a cabeça. — Você tem irmãos? — Não, eu só acho fofo. Mas eu quase nem uso bandaid então já faz um tempinho que 'tá guardado. — Entendi. - Harry se levanta com cuidado, caminhando até a mesa e pegando seu copo de suco de novo. — Vamos lá fora, quero te mostrar o porto. - Louis acenou com a mão, caminhando até a sala de televisão e o mais novo o seguiu. Haviam algumas flores e folhas quase grudadas nas paredes, provavelmente estavam nascendo ali por conta da grande árvore do terreno vizinho, na mesa havia apenas um vaso de porcelana vazio. Styles se inclinou levemente, observando o interior do vaso, tentando achar algo, mas encontrou apenas água dentro do mesmo.— Olha, lá é o porto - Ele apontou para uma distância afastada, mas visível o suficiente para que Harry percebesse o quão grande eram os navios e containers. — A todo momento tem um navio chegando e saindo, de noite eles iluminam quase tudo ao redor. O cacheado parecia encantado com o reach stacker movimentando os containers até o interior do navio, seus olhos acompanhavam o R.S com curiosidade, e ele apertava o copo de suco contra seu peito.— O que tem dentro desses containers? — De tudo o que você imaginar. Arroz, soja, mercadorias do exterior que chegam e que vão para outros países também...— Eu acho que mesmo morando aqui eu nunca iria saber disso. Tipo, do porto eu sabia, mas não tinha noção de como funcionava. Louis permaneceu o ouvindo atentamente, mas sentou-se no banco de madeira pregado ao chão, enquanto escutava as divagações de Styles. — Essa água é apropriada 'pra banho? — Sim, inclusive, eles cercam e isolam o vazamento do óleo dos navios e separam ele para reutilizar depois. - Tomlinson o observa deixar o copo sobre a mesa e caminhar vagarosamente até a borda da varanda, provavelmente tentando ter uma noção da profundidade daquilo. — O que eu estou tentando dizer é: sim, a água é apropriada para banho, até porque o porto é distante daqui, mas é sempre bom se prevenir. Harry lhe encara com um olhar indecifrável, voltando a caminhar para perto da mesa, onde se semi-senta e cruza seus braços. — Você já entrou aí? - Questionou se referindo ao mar. — Sim. Não é tão fundo quanto parece, mas 'pra quem não sabe nadar é extremamente profundo. Styles não o responde. O silêncio prevalece no local, enquanto o vento sopra em ambos cabelos, os esvoaçando para a esquerda, Harry sorri, retirando os cachos longos que atrapalhando sua visão. O mais velho sorri ao vê-lo se atrapalhar com os fios de cabelo e se encosta no banco, o observando assistir a saída de um dos navios do porto. Ele parecia realmente se entreter com aquilo. Embora a tarde não tivesse sido tão animada quanto Harry esperava que fosse – não que ele tivesse alguma experiência em passar tardes com os amigos, mas, segundo os filmes que ele assistia, eles deveriam pelo menos fazer brigadeiro, não é?Acontece que Harry e Louis passaram a tarde toda quietos, no entanto, não era desconfortável. Tomlinson estourou pipocas e se sentou no carpete felpudo ao lado de Styles, enquanto ambos assistiam à um jogo de vôlei. Não parecia ser muito interessante visivelmente falando, mas o acastanhado achou uma forma de fazer aquilo se tornar legal. Ele narrava o jogo com uma voz engraçada, tendo um Harry sorridente ao seu lado, quase se engasgando com os caroços de pipoca, de tanto sorrir. O sorriso do garoto era o maior que Louis já havia visto, vindo dele. A gargalhada era acompanhada de alguns soluços, e o cacheado cobria sua boca com as mangas da blusa, ainda sendo a blusa de Tomlinson Os garotos passaram a tarde inteira assistindo à jogos, sejam eles de vôlei, basquete ou futebol. Louis não era um grande fã de esportes – tirando o basquete, ele já havia até mesmo praticado o esporte na escola, porém deixou o time – mas não negava que aquela tarde não estava sendo ruim. Uma vez que o Sol estava se pondo, Harry se levantou, parecia preocupado, verificando o horário em seu celular e questionando sobre os horários das balsas. — Tem duas balsas, a travessia dura menos de dez minutos e elas estão disponíveis vinte e quatro horas por dia. - Tomlinson respondeu, assistindo o mais novo tentar fechar sua mochila novamente, ele puxava o zíper com força, enquanto batia seu pé no chão e resmungava algo. — Sai daí. - Louis toma a mochila para si, puxando o zíper com cuidado para trás, e o arrastando novamente, fechando a mochila de Harry. — Por nada. - Sorriu simples ao entregá-lo, Styles pareceu dar de ombros, mas o azulado reconheceu aquela leve piscada como agradecimento. Antes mesmo que Harry pudesse caminhar até a porta para deixar a casa, ela foi aberta por Dave – o pai de Louis. O mais velho arregalou seus olhos ao ver a situação que seu pai se encontrava. Ele tinha seu casaco rasgado, e segurava uma garrafa de vodka em mãos. Dave estava visivelmente bêbado e Louis estava visivelmente preocupado. — Até amanhã. - Harry pareceu não se importar, colocando a mochila em suas costas e deixando a casa de Tomlinson.Dave deixou um espaço entre a porta e o degrau para que o garoto saísse da casa. O homem o observou e sorriu debochado em seguida, adentrando sua casa em passos curtos, se apoiando na parede e apontando para o filho. — Um garoto de saia? — Sim. Um garoto de saia. - Louis o respondeu, caminhando até a sala e ajuntando os caroços de pipoca que derrubou no chão junto à Harry. — Você quer algo para comer? — Não. Vá para o seu quarto, garoto. Desligue a televisão, não quero nada ligado. — Eu vou jantar. Estava te esperando para fazer isso, mas pelo visto você não vai comer nada hoje. — Não quero bagunça na minha casa. - Dave diz com a voz embolada, o álcool provavelmente estava em seu auge dentro do corpo do homem, e ele se apoia na estante próxima ao banheiro, ainda encarando Louis.— Não irá ter.Louis deu de ombros, ponderando se ajudava ou não seu pai subir os degraus, porém o homem pareceu bem o suficiente para chutar o rodapé da parede e xingar qualquer coisa à sua frente quem dirá subir a escada. As coisas eram assim há tempos, Tomlinson nem se dava o trabalho de se importar com o tratamento que recebia de seu pai, embora sinta falta do homem que Dave era antes tudo mudar em apenas uma noite. Uma única noite. A mesma que levou tudo o que Louis tinha. . . .— Eu odeio ler sagas. São desinteressantes 'pra porra. - Harry lia os títulos de Crepúsculo e os guardava em ordem de lançamento na prateleira de sagas completas. Louis etiquetava os livros de História enquanto observava Styles falar em voz alta, ficando nas pontas dos pés para encaixar os livros entre os outros. As aulas tinham sido desinteressantes na maior parte do tempo, menos Arte, onde Louis e Harry se sentaram juntos e participaram de uma dinâmica divertida. O professor quis os separar, é claro, mas Styles o respondeu com um "E quem gostaria de ser a minha dupla professor? Creio que ouvi você dizer há menos de quinze minutos que ninguém deveria ficar sozinho durante a dinâmica."Provavelmente eles receberiam nota baixa por birra do professor, mas ambos se divertiram fazendo a atividade e, à essa altura do campeonato, era tudo o que importava. — Eu duvido que você nunca assistiu os filmes dessa saga, Edward. Você tem cara de quem chora assistindo Dazed and Confused. — Você não pode estar citando esse filme. - Harry o encara com seu olhar cerrado, empurrando o último livro para a prateleira e sorri em seguida. Louis não entende. — E por que eu não poderia estar citando Dazed and Confused, Styles? — Esse filme é uma relíquia, é esquecido, ninguém lembra dele. É o meu favorito... — É o meu favorito também, embora não seja tão interessante, assisto quando estou entediado. - Ele dá de ombros, se levantando e entregando mais livros em suas mãos, enquanto caminha para seu próprio corredor. Harry era estranho. — Você é egoísta. Tomlinson não pôde vê-lo, nem assistir sua reação, porque ele estava escondido entre a madeira e as milhares de folhas no outro corredor. — E eu meio que entendo você gostar de coisas que não façam ou não tenham muito sucesso, você se sente no controle delas. Eu também me sinto assim com bandas, ou filmes. Acho que todo mundo se sente assim com algo ou alguém- — Suas pestes, eu vou provar para todos os educadores dessa instituição que foram vocês que vandalizaram a porta da diretoria! - Carter abriu a porta da biblioteca com força, batendo a mesma na parede, fazendo com que a maçaneta manchasse a tinta seca. — Vocês tem um minuto para assumirem a culpa. Louis queria sorrir, também gostaria de poder ver a reação de Styles, mas apenas abraçou os livros contra seu peito e engoliu seco, negando com sua cabeça após isso.— Não viemos para a aula ontem, Diretor. - Styles foi o primeiro a respondê-lo, caminhando para o corredor ao lado, e se acomodando ao lado de Louis. — Por que faltaram? Eu não verifiquei a lista de chamada, tenho certeza de que estão mentindo. Vocês são ótimos nisso, não são? Mas eu não caio mais nessa. — Harry e eu estávamos caminhando juntos para chegar à escola, Diretor Carter. Mas ele acabou por tropeçar e se machucar. Só o tempo de levá-lo para casa e fazer um curativo foi o tempo de fecharem os portões. Seria desnecessário caminhar até aqui de novo para não entrarmos. — Eu não acredito em vocês, seus moleques de quinta série. - Ele cuspiu suas palavras, apontando para os rostos dos alunos. Louis sentiu a mão do cacheado relar levemente na manga de seu paletó, mas fingiu não perceber, continuando a escutar o sermão do homem à sua frente.— É impossível que exista mais de uma pessoa tão sem noção quanto você, Styles. Impossível. Até mesmo esse moleque - Apontou para Louis. — Consegue ser mais racional do que você. Tomlinson franziu seu cenho, sentindo-se constrangido com aquelas palavras, mesmo que não estivessem sido dirigidas a si. Como poderia um diretor de uma escola pública tão popular entre as famílias por ter um incrível ensino tratar um dos seus estudantes assim? E Louis sabia que estava mais do que certo cobrar essa postura de Carter. Mesmo que Harry apronte e vire aquela escola de cabeça para baixo, o diretor não deveria ser tão baixo, até porque, por enquanto não existem provas de nada. — Diretor, quanta deselegância tratar um estudante assim. Poderíamos lhe processar, sabe disso, não? Está nos acusando de algo que não fizemos sem quaisquer provas, além de estar constrangendo um de seus alunos. Essa não é a postura correta de um diretor. Bem, pelo menos não é o que diz no livro dos códigos escolares de Wassed. O acastanhado lhe dirigiu a palavra com calmaria, seus braços estavam cruzados enquanto seus olhos não desviavam em momento algum do rosto do homem. Ele estava furioso, era visível. Mas quando Carter não estava furioso ao falar com Louis e Harry?O mais velho entre ambos suspirou, tremendo seus lábios, provavelmente pensando em dizer algo, mas o seu único feito foi levar dois dedos próximos de seus olhos e os virar para os rostos dos alunos depois. Como um breve aviso de "estou de olho em vocês". — Fiquem espertos. Estão dispensados. Ambos respiraram aliviados quando o homem fechou a porta novamente, gritando algo no corredor e espantando os alunos que se concentravam ali. Harry foi rápido ao caminhar até a cadeira, puxando sua mochila com certa força, enquanto seu rosto se tornava cada vez mais vermelho. E Louis sabia a causa daquilo, ele não era um idiota. Harry estava constrangido. Afinal, quem não ficaria? — Continuando, acho que todo mundo meio que quer que suas coisas favoritas permaneçam pequenas 'pra sempre, uma espécie de defesa, eu acho. Ninguém gosta de compartilhar aquilo que tem ciúmes, você não concorda comigo? Os movimentos do mais novo se tornaram vagarosos, ele pareceu esquecer tudo por milésimos de segundo, considerando que a coloração de seu rosto voltava ao normal aos poucos. — É, eu acho que sim. - Deu de ombros, caminhando para fora, sequer esperando por Tomlinson. O mais velho seguiu atrás de si, ele não gostaria de pagar de bobo, mas Harry ainda era uma incógnita para ele, no entanto, ele sentia que o garoto estava apenas tentando disfarçar que sentiu aquilo mais do que deveria, não era muito difícil visualizar Styles, embora ele consiga esconder isso muito bem quando quer. E agora ele não queria. — Está com fome? Podemos passar em um lugar ótimo que eu conheço, sou amigo do dona da barraca de cachorro-quente, tenho certeza que ele capricha no nosso lanche. — 'Tô de boa, não trouxe dinheiro hoje. - Continuou caminhando, sem olhar para trás. Louis sorriu, estalando sua língua no seu de sua boca, enquanto colocava suas mãos nos bolsos da frente de sua calça. — Eu pago 'pra você, se você quiser pode me dar o dinheiro depois. E Harry não o respondeu mais. Louis aceitou aquilo como um sim. O caminho até a barraca de cachorro quente foi silencioso, nenhum dos dois ousou puxar assunto. Louis vinha chutando uma pequena pedra, enquanto o outro caminhava emburrado, abraçando seu próprio estômago. Harry sempre parece de barriga vazia, e isso Louis realmente não entende. — Hey Jimmy! - Louis cumprimenta o homem de meia-idade, que acena para ele e sorri. — Como vão as vendas? — Ótimas, garoto, principalmente agora que as aulas voltaram e o centro lota de alunos. O azulado sorri, feliz por aquilo, pequenos comércios geralmente são os menos lucrativos. — Novo colega? Esse parece ser quietinho em compensação aos outros dois que você trás. Harry esboça um pequeno sorriso, e Louis nega, também sorrindo. — Ele 'tá quieto porque 'tá com fome. — Quais serão os pedidos de hoje, meu chapa? - Jimmy questiona animado, segurando as espátulas com suas duas mãos. — Dois tradicionais com duas salsichas, por favor. - Tomlinson retira a carteira do bolso, deixando o dinheiro sobre o balcão da barraca e caminha para perto de Styles, que está apoiado na alta mesa.— Eu não entendo o porquê de as mesas serem assim, digo, sem cadeiras, comer em pé é horrível. - Ele começa, assistindo o mais novo se debruçar ali e assentir. — Eu já estou acostumado. Você deveria estar também. — Nasci e morei muito tempo na Inglaterra, às vezes comer em pé ainda é novidade 'pra mim.— Entendi o porquê do sotaque. - O mais novo proferiu, com a voz arrastada, mas sorrindo nasalado quando se direcionou para Louis.— É forte, não é? Devo admitir que gosto do meu sotaque. - Harry parecia sonolento, ainda debruçado sobre a mesa, assentindo para a fala de Louis. — Ele é legal, você quase não pronuncia a letra "R" no final das palavras. Na verdade você quase não pronuncia essa letra. Ambos sorriem, se encarando com os olhares cansados pela tarde exaustiva que tiveram na biblioteca. Carregando caixas de livros para lá e para cá, os etiquetando e os guardando.Uma vez que seus cachorros-quentes estão prontos, eles comem em silêncio. Louis percebe que Styles é como uma criança comendo, porque todas as vezes ele se suja, ou derruba pouco do alimento em si. Tipo agora, que ele tinha sua bochecha suja de mostarda e sequer se importava com aquilo.— Você é igual criança, Edward. - Tomlinson puxa um guardanapo armazenado no porta-guardanapos, deixando seu cachorro-quente dentro da cesta de plástico e encara Harry.Seus dedos seguem para o rosto do cacheado, e ele aperta suavemente a carne de sua bochecha, trazendo o rosto de Styles para perto enquanto passa o guardanapo pela pele quente e sensível do outro. — Eu não sou igual criança. - Reclama amarfanhando seu cenho, com a voz abafada pelo beicinho em seus lábios, enquanto Louis o solta. — Tudo bem. - O acastanhado dá de ombros, jogando o guardanapo no lixo e voltando a degustar seu cachorro quente.  E pela primeira vez Harry não impede Louis de acompanhá-lo até sua casa. E porra, aquilo estava mais para uma mansão. Harry morava na parte mais rica da cidade. No centro alto, onde as pessoas iam aos finais de anos como uma viagem para outro estado. Louis se sentiu pequeno ali. Styles não fez nenhuma piada de despedida, também não xingou Louis quando ele comentou sobre Harry poder fazer um remake d'O Riquinho. Tomlinson passou todo o seu caminho de volta para casa pensando naquilo. Talvez fosse apenas a forma como o diretor o tratou que o chateou, mas Louis não gostaria de estar envolvido nessa desanimação de Styles, ele deveria parar de sufocá-lo, não? — Oi, você já 'tá em casa... - Comenta ao adentrar o sobrado, enxergando seu pai sentado na sala de televisão. — Estou. Esquente seu jantar e não faça barulho, estou com dor de cabeça. — Eu nunca faço. - Louis responde, deixando sua bolsa sobre a estante, caminhando para o banheiro e lavando suas mãos, antes de seguir para a cozinha. Ele não se entristecia com o tratamento que recebia do pai, pois como citado anteriormente, ele havia se acostumado, era normal. Mas sabia que nenhum pai tratava o filho daquela forma. Embora Dave não esteja totalmente errado...[...]Após o jantar, Louis seguiu para seu quarto, fazendo o mínimo de barulho possível, tomando seu banho em água morna enquanto lava seu cabelo, e os esfrega com cuidado. Quando já vestido – com roupas antigas como pijama – para dormir, Louis recebe uma notificação em seu celular, enquanto conversava com seus amigos no grupo. Era uma notificação de Harry. Duas notificações de HeStyles94. Uma delas era aceitando Louis em seu perfil. E outra era um rostinho sorridente, seguido de um "Valeu", em sua caixa de mensagens. Harry não postava muitas fotos pelo que Louis pôde ver, haviam apenas paisagens, coisas inúteis, desenhos, paletas com tinha seca e uma única foto de uma criança e uma mulher. Todo o seu feed era em preto e branco.Tomlinson o respondeu com: "Foi legal, você não pode negar isso." e não é respondido. O sorriso apenas desapareceu de seus lábios quando ele caiu em um sono profundo. Ele mal se lembraria na manhã seguinte mesmo.

----- CHAPTER BREAK -----

Harry nunca pensou que os dias se passassem tão rapidamente quando se está aproximando-se de alguém. Suas reclamações mentais sobre os dias se passarem um mais arrastado do que o outro eram constantes, e reclamava mais ainda porque sabia que, mesmo sem admitir para si mesmo, ele olhava para seus pais como se quisesse dizer: "Ei, eu ainda estou aqui. Vocês ainda gostam de mim?"Porém se afastar de seus pais, no momento atual, parecia ser bom o suficiente para mantê-lo na linha, racionalmente falando. Sem mais desenhos em seu corpo, já completariam duas semanas sem desenhar em toda a extensão de sua pele pálida, tão branca que facilmente era confundida com uma folha. Ele não sabia como se sentir com aquilo, era estranho, algo novo, e Harry não é acostumado a sentir coisas novas. Ele confessa que sente falta, mas também é bom ter a sensação de estar bem. Era diferente.Em compensação havia uma pilha de papéis sulfitedesenhados – com canetas pretas de pontas finas –, amassados e rasgados sob sua escrivaninha. Haviam traços humanos desenhados em cada um das folhas. Styles tinha plena consciência de que, se juntasse todos aqueles pedaços de papel algum dia, e colasse cada um deles em ordem, olho por olho, lábio por lábios, sobrancelha por sobrancelha, eles formariam o rosto de Louis Tomlinson. Mas ele nunca os juntaria. Provavelmente Harry os queimaria ou reutilizaria a parte de trás das folhas para fazer trabalhos escolares ou universitários, se ele não fosse expulso. — Bom dia. - O cacheado desce para o café da manhã, não há ânimo algum em sua voz, seus pais parecem estar na mesma. Embora ele esteja, sim, animado para sair de casa. Porém estar nela faz com que todas as suas energias positivas sejam sugadas pelas paredes bancas e mórbidas do sobrado. — Bom dia, Harry. Quase chega para o almoço. - Scott brinca, sua voz falha entre a frase e Cillian o encara preocupado. O cacheado não responde, apenas se senta ao lado de Cillian e serve sua xícara com café, mesmo que odeie a bebida. Recolhendo um pequeno salgado de massa folhada enquanto recebe o olhar analisador de seu pai, Cillian. — O que foi? - Pergunta o encarando de cima à baixo. Ele não entende, qual é o problema de apenas o questionar sobre o que quer saber? Por que eles tem de ficar o olhando com esses olhares? — Não seja malcriado. - Cillian limpa sua boca com um guardanapo, olhando para Scott e o percebendo assentir, como uma forma de permissão. Harry amarfanha seu cenho, tentando decifrar do que aquilo se tratava, mas logo ouviu a voz de Cillian novamente: — Queremos saber quem é aquele garoto que te traz aqui todas as tardes, você não disse que não tinha amigos? — Não somos amigos, somos colegas. Ele fica até mais tarde comigo na biblioteca. — Você não nos contou sobre essa história de biblioteca. — Vai completar um mês que eu estou chegando no horário do jantar e vocês nem perceberam. Mas eu já contei, foi sobre a briga que me meti, vocês lembram muito bem de quando eu contei. - Mente de maneira simples, passando manteiga em sua torrada e a mordendo em seguida, passeando seus olhos pelas expressões de seus pais. — Acha que acreditamos que você se envolveu em briga? Ninguém aqui em casa te incentiva a ser um vândalo. - Ele continua e Harry dá de ombros. — Eu já lhe disse, mimamos demais o Harry, por isso ele se acha no direito de ser mal educado conosco e dizer essas barbaridades na mesa do café da manhã. — O quê? Vocês perguntaram e eu respondi. Qual é o problema de vocês? - Styles os encara confuso, soltando a torrada sobre seu prato e levanta suas mãos na altura de seus ombros, questionando a si mesmo qual era o problema de seus pais. — E vocês não me mimam, vocês nem param em casa, a única coisa que fazem é: chegar aqui com roupas de marca dizendo que é um presente para mim. Eu preferia quando estavam viajando e eu podia tomar café em paz nessa merda. - Ele se levanta da mesa do café endurecido, batendo seu joelho no mármore e quase gritando de raiva. Suas bochechas estão coradas, como sempre, ele sente o sangue correndo por suas veias e o aquecer de sua pele, porque a única coisa que acontece na vida de Harry é se estressar com sua vida pessoal, principalmente com seus pais.— Volte já aqui. - Cillian o chamou em um grito nada calmo. — Harry Edward Styles. Styles não o obedeceu, porque estava cansando, cansado de sempre ter de passar pela mesma merda, cansado de todos os dias escutar a mesma coisa e cansado de estar ali. Ele não fazia questão de olhar para o rosto de seu pai. Harry não estava triste ou chateado, ele não estava tendo uma crise tão fodida a ponto de fazer desenhos por todo o seu corpo e borrá-los propositalmente depois, ele estava apenas com raiva. Raiva porque era difícil 'pra caralho acordar todos os dias em que eles estão em casa e nenhum desses dias serem pacíficos o suficiente à ponto de conseguirem tomar um café sem discutir.[...]— Oi. - Harry senta-se emburrado no banco da praça central. Não era a mesma na qual havia passado seu aniversário junto a Louis, embora fosse bem parecida, tirando o Mar e as estátuas abandonas pela população. Louis e ele haviam combinado de se encontrarem ali no sábado de manhã, por zero motivos, apenas porque Tomlinson o enviou uma mensagem questionando se ele gostaria de sair. Ou talvez tivesse obrigado a si próprio à fazer isso porque leu o poema sobre insuficiência que Harry publicou em seus storys do Instagram. A questão era que, subconscientemente, havia sido proposital, Harry sabia que tinha feito isso de propósito, mas nunca admitiria para si mesmo que gostaria de que Louis o chamasse para conversar, ou talvez o questionasse sobre o que estava acontecendo. Ele não falaria, era claro que não citaria sua relação com seus pais, mas provavelmente mudaria de assunto e se sentiria 0,1% feliz. Tomlinson, por sua vez, não se sentiu obrigado a chamá-lo para sair, afinal, era aquilo que amigos faziam e, convenhamos, Harry tinha menos de dez seguidores e ele sabia que Louis leria qualquer coisa que ele postasse. Então Styles não recusou o convite, porque ele realmente precisava ter uma companhia e sair para algum lugar consideravelmente distante de sua casa. Ele confessa que sentiu com medo por ser tão cedo da manhã e não ter quase ninguém na balsa. O Sol era ardente, ele se batia mentalmente por não ter passado protetor solar em seu rosto, sabia o quão vermelho ficaria depois e o quanto aquilo iria doer. No entanto, ele vestia um casaco, pois o vento era gélido. E ele odiava o clima de Wassed como nunca odiou nada em sua vida.Ao chegar no bairro ao outro lado da cidade, ele se encontra realmente perdido, por estar em um lugar onde esteve presente uma única vez e não decorou totalmente cada passo que deu ao chegar ali junto de Louis há alguns dias. Sua sorte foi receber uma mensagem de Tomlinson o avisando para descer no túnel ao lado do cais. Dizendo que a praça ficava depois do mesmo. — Já começa a manhã assim? - Questionou sorrindo, retirando um pequeno pacote de balas de seu bolso, oferecendo para o garoto em seguida. Harry não o responde, apenas toma a bala de sua mão e volta a encarar a pista de skate vazia com suas sobrancelhas amarfanhadas. — Edward, você já tomou café?— Uhum. - Ele mente, abrindo a embalagem do doce e jogando em sua boca, sem encarar o mais velho.— Poxa, que pena, eu não tomei café... Estava pensando em ir à uma padaria. — Ué, pode ir. — Quer ir junto? - Louis questiona, se levantando e batendo suas mãos em sua calça jeans, retirando os pequenos grãos de areia grudados na traseira de sua calça. Harry mal percebeu as roupas que o mais velho usava no dia de hoje. Ele vestia uma calça jeans preta colada ao seu corpo, uma camiseta, também preta, com a escrita "Skate Rough" em branco e por cima uma blusa cinza. Em compensação, Harry utilizava uma calça xadrez – vermelha e preta –, juntamente a um casaco preto. Ele estava literalmente de pijama.— 'Tá. - É a única coisa que ele diz antes de se levantar e caminhar atrás de Louis. O acastanhado pisa no tail do skate, o erguendo e encaixando entre sua cintura e seu braço.Harry o observa curioso, permanecendo quieto por alguns segundos, antes de tomar coragem o suficiente para lhe dizer:— Não sabia que você andava de skate. - Styles comenta, correndo em passos rápidos para perto do mais velho. — Eu sei fazer algumas manobras, mas não é algo admirável. - Responde simples, olhando para o garoto avermelhado ao seu lado. — Está com raiva?— Não. É o Sol, eu sou sensível ao Sol e não passei protetor solar. - Dá de ombros, enfiando suas mãos nos bolsos de sua calça do pijama, enquanto perceber o olhar analisador de Louis sobre sua expressão. Por que todo mundo faz essa porra? — Estava tão desesperado assim 'pra vir às festas do bairro que esqueceu até de passar protetor? - Pergunta divertido, sorrindo amplamente enquanto abaixa seu rosto para enxergar através dos cachos esvoaçados e cheirosos. Harry sorri pequeno, negando genuinamente, quando levanta seu rosto e percebe o quão perto se encontravam. O vento forte que vinha de encontro com seus rostos fez com que algumas folhas das árvores aos redores – que ambos passavam por baixo no momento – se deslocassem no ar e pairassem sobre os topos de suas cabeças, principalmente entre os cachos definidos de Styles. — Ah, que merda, odeio quando isso acontece. - Ele chacoalha sua cabeça, percebendo algumas folhas secas caírem, enquanto Louis recolhe cuidadosamente cada uma das folhas que se enroscaram em seu cabelo e as joga no chão novamente. O mais velho sorri, deixando seu skate no chão e ainda assiste Styles chacoalhar sua cabeça, com o intuito de retirar as folhas dentre seus cachos. Ele segura estupidamente fraco seu queixo aquecido, mas o suficiente para fazer com que Harry pare de se mexer e o encare surpreso, deslizando seu olhar para os lábios do acastanhado, que estão formando um pequeno sorriso.Tomlinson retira todos os pedaços de folhas que foram partidos entre os cachos de Harry, e os joga no chão, assim como fez com os seus, gargalhando pela reação do mesmo.— Você fica tão parado quando eu encosto em você, parece que eu te assusto. - Ele se vira calmante, fazendo com que seus fios lisos se bagunçados, e se abaixa para pegar seu skate. Harry nega, cruzando seus braços e caminhando ao lado de Louis. — Não é isso.— Tudo bem, não estou bravo ou algo do tipo. - O acastanhado mira seu olhar para o céu quando escuta o guinchar das águias no mesmo, fechando seus olhos com cuidado quando sente a luz solar invadir os mesmos e os faz doerem. — Assisti um filme que havia uma cena assim, a diferença é que os personagens estavam nos Alpes da Suíça. É como um dejá-vu, sabe? — Alpes suíços são bonitos. São frios, e acolhem muitas cabras. Eu quase fui atacado por uma. - O mais novo diz, parecia estar envergonhado, e realmente estava, por mais que aquilo não significasse nada ele apenas não era acostumado com toques e toda essa proximidade. Ele não era acostumado com aquilo. Tomlinson sorriu abertamente, deixando aparentes as longas ruguinhas aos lados de seus olhos. — Pare de rir - Harry pede, mesmo que estivesse sorrindo também. — Eu corri para perto da minha mãe e me escondi- Atrás dela. - Sua voz diminui a altura conforme ele termina a frase. Louis se lembra de algo, considerando que ele sorri animado e toca levemente no braço de Harry. — Sabe, lá em Doncaster neva bastante e durante o inverno, nas partes mais altas da cidade se encontram cavalos disponíveis para hipismo, é legal, mas para quem sabe praticar o esporte, coisa que eu não sei. Mas já cavalguei nas montanhas em outra cidade, é espetacular. A visão principalmente. — Já cavalguei em uma das minhas viagens com meus pais, mas não aqui em Wassed. Essa cidade é 'pra gente velha, eu não gosto daqui. — Wassed é uma ótima cidade, Styles, você não sabe aproveitá-la como deveria. Me diga, quantas vezes você pulou de uma pedra alta no mar? Quantas vezes você apostou corrida de barcos a remo com seus amigos? Há muito para fazer aqui. Há muito para descobrir. — Você parece um velho falando. É idiota. — Eu pareço? Vá se foder, estou te explicando que a cidade não é tão ruim quanto você pensa. - Louis o responde, deixando o skate ao lado da entrada da padaria. Harry adentra o lugar logo após Tomlinson. Seus olhos passeiam pela decoração antiga e pelas vitrines de doces e salgados, sentindo o cheiro de pães recém-assados, desviando o olhar rapidamente, o mirando na figura parada de Louis. — Vai querer algo? - Louis o questionou com os olhos fixos no cardápio do dia escrito em um quadro, pendurado na parede atrás do balcão. Styles nega timidamente, ele não sabe se Louis o viu negar, mas apenas deixa o lugar, procurando uma mesa para se sentar dentro do estabelecimento e para aguardar por Louis. Não demora muito para que Tomlinson se dirija até a mesa, segurando uma bandeja com duas pequenas caixas de achocolatado e dois pedaços de quiche. Harry arregala seus olhos quando vê aquilo através do vidro, escondendo suas mãos geladas entre suas coxas e desvia o olhar da janela, analisando os itens na bandeja e direcionando seu olhar para o rosto sorridente do acastanhado. — Você está realmente esfomeado 'pra comer tudo isso durante um sábado de manhã. - Ele diz apontando para a bandeja, ouvindo Louis gargalhar em seguida. Seu cenho é amarfanhado quase involuntariamente. Harry está confuso pela gargalhada repentina. — O que foi? 'Tá rindo de quê? — Isso tudo não é 'pra mim, idiota - Ele empurra o objeto para o meio da mesa, dando a entender que era para Harry também. Era claro que sua primeira reação foi ficar boquiaberto, apenas lábios entreabertos, tentando formular uma frase para recusar aquilo e procurando uma maneira de não gaguejar. Ele estava com fome porque, como sempre, havia deixado sua casa no horário de uma refeição, e é irônico porque esse é único horário que ele pode estar com seus pais, e mesmo assim eles resolvem colocá-lo contra a parede e julga-lo. — Você não parece ser do tipo que bebe café, então eu peguei o achocolatado, dá tempo de trocar ainda- — Não, eu não tomo café mesmo. - Harry conforta, suas mãos ainda estão inquietas entre suas coxas, ele se sente desconfortável porque sente que Louis sabe de algo, talvez ele tenha deixado isso muito aparente... — Na verdade eu não quero comer porque como eu já disse, eu tomei café antes de vir.— Oh - Os lábios de Louis se entreabrem, ele parece surpreso com a fala de Styles enquanto retira o canudo do plástico. — Eu vou devolver o que eu peguei em dobro então... — Aham. - O mais novo dá de ombros, o assistindo se levantar e caminhar até o balcão, enquanto aguarda a atendente recolher luvas para pegar o prato de quiche e colocá-lo com uma espátula na forma dentro da vitrine e deixar o achocolatado dentro da geladeira.Louis volta para a mesa com a expressão neutra, sentando-se à frente do garoto, que ainda observa os habitantes do local passearem pelas ruelas e seguirem em direção ao centro. — As festas começam cedo? - É a primeira coisa que Harry diz quando Louis retorna. — Sim, todos os finais de semana, começam cedo e vão até o anoitecer. Você ainda pode destruir algo e fugir sem ninguém perceber. - Ele brinca, fazendo Styles negar e se debruçar na mesa, apoiando seu cotovelos na madeira e fechar vagarosamente seus olhos, pelo sono que sentia no momento. O cheiro do quiche de queijo de Louis fazia com que fosse impossível controlar o roncar de seu estômago, pelo menos era algo inaudível, ele acha. — Só destruo a instituição do Carter. Aquele velho filho da puta merece. Todos os professores merecem. — Uh? Todos eles fizeram algo para você. Estou certo? — Todos eles me subestimam. Me resumem às minhas ações e mal deixam eu participar dos trabalhos em sala de aula, você sabe disso, você vê e ouve. Não vejo a hora de me formar e nunca mais olhar para a cara deles.— Qual foi a primeira coisa que você aprontou em Wassed? - Louis desvia um pouco do assunto, enquanto Harry relembra sua primeira ação amedrontada na escola.— Entupi todos os vasos sanitários do banheiro masculino. - Respondeu assistindo Louis retirar um pedaço de seu quiche e levar até sua boca. — Um garoto do time de basquete havia me desafiado - Louis quase se engasga ao ouvir aquilo, tomando rapidamente seu achocolatado. Harry não o entende, mas continuar a falar: — E eu confesso, fui um idiota em fazer aquilo porque eu realmente tinha pagado um boquete 'pro membro do time deles, eu não precisava tentar provar que não. Mas, convenhamos, antes daquilo eu não queria ter uma imagem de "mascote de time". Acontece que um daqueles babacas me caguetaram e o diretor começou a me perseguir desde então. Eu comecei a odiá-lo, e quebrei regra por regra, todas aquelas que estão escritas nos quadros das paredes. Principalmente a regra que proibia os alunos de se envolveram dentro da escola... Foi aí que começou a minha fama.— Esse não é um assunto muito favorável para o horário. - O mais velho sorri gentil, bebericando seu chocolate, enquanto Harry revira seus olhos e se encosta na madeira do assento, cruzando seus braços e desejando que Louis termine seu café logo. É torturante. — Você quem perguntou. - Deu de ombros. Voltando a observar através da janela. [...]Provavelmente Styles nunca viu tanta gente tumultuada em uma rua. Depois de passarem o resto do café em silêncio, Louis o levou até a pista de skate onde se encontraram, dizendo que estava muito cedo para ir ao centro e que algumas das lojas ainda não estavam abertas. Harry discordou quando verificou a rua das barracas coloridas e percebeu um mundaréu de pessoas andando por ali. — Acho que elas estão indo para o lado das bandas. - Tomlinson diz, correndo na pista e jogando seu skate em seguida. Harry se sentou em um dos bancos de madeira da praça, e apoiou seus cotovelos em seus joelhos, observando o mais velho fazer manobras – algumas falhas – com o skate. Era engraçado porque Louis tinha um hype de skatista, mas Harry admite. manobrar de calça jeans é uma bosta. — Você não sabe mandar o Ollie, que merda. - Styles sorri, debochando do outro, enquanto recebe um olhar arqueado, como se Louis o questionasse "ah, é?"— Então venha e faça, eu te empresto o skate. - O acastanhado pisou no tail, ainda assim tendo seu pé no nose, desacelerando a velocidade. Harry se levanta determinado deixando seu celular sobre o banco e corre até a pista, puxando o skate com seu pé e fazendo Louis se desequilibrar propositalmente. — Veja e aprenda, Tomlinson. - Styles se posicionou corretamente sobre a prancha de madeira, e apoiou um de seus pés no chão, lhe impulsionando para frente. Ele estava confiante quando dobrou seus joelhos e se agachou, ele pulou com o skate – mesmo que não houvesse nenhum objeto que o conciliasse no salto –, e chutou ao mesmo tempo para baixo. Ao que chutou, Harry ergueu seus joelhos próximos à altura de seu peitoral, seu pé deslizou sobre a lixa da prancha, e o cacheado alinhou seus pés ali, fazendo o mesmo com seus braços, tentando se equilibrar com eles. Quando caiu no chão com todas as rodas alinhadas, ele sorriu, jogando seu cabeça para trás, propositalmente ocasionando a saída de seus cachos da frente de seus olhos, e se acomodassem na parte de trás de sua cabeça. Louis permanecia no mesmo lugar, sorrindo com as mãos na cintura, enquanto Harry lhe mostra o dedo do meio e a língua, mordendo seus lábios em seguida  e se inclinando para trás, virando o skate para à esquerda. — Mil vezes melhor do que você! - Ele gritou, aumentando sua velocidade, percebendo o azulado gargalhar, ajeitando sua franja bagunçada, enquanto seus olhos se fechavam pelo amplo sorriso em seu rosto. Harry pôde visualizar uma pequena covinha no lado esquerdo da bochecha de Tomlinson.Styles estava se desequilibrando como nunca, e ele sabia disso. — Porra! - Ele pisou fortemente no tail, ouvindo a parte traseira do skate se arrastar na pista. Seus olhos se fecharam porque ele realmente não queria assistir a reação de Louis ao vê-lo cair. — Você não vai cair - Escutou a voz risonha de Louis. — Só vai subir na rampa. Harry abriu seus olhos, se sentindo aliviado conforme a velocidade do skate diminuía por si só. — É... Até que o seu Ollie foi bom.— "Até que"? - Questionou entregando o skate para o mais velho. — Foi foda 'pra caralho, eu caí com as quatro rodas no chão. Até o barulho foi bonito. — Você está se equivocando. Mas foi ótimo, Styles, eu sequer sabia que você andava de skate. - Ele sorriu, acenando com a cabeça para a rua. Harry caminhou até o banco para recolher seu celular e andou ao seu lado, sorrindo envergonhado ao se recordar de sua quase queda. Louis deixou seu skate escorado em uma das rochas próxima ao cais, fitando Harry com um sorriso bobo no rosto. O cacheado franziu seu cenho, questionando-se sobre aquilo, mas quando viu Louis correr rapidamente em direção à festa percebeu que aquilo se tratava de uma corrida não-apostada. Ele odiava correr. Odiava esportes e tudo relacionado à isso. Mas assistir Tomlinson correr e olhar para trás, como se o convidasse para segui-lo o fez acenar negativamente com sua cabeça, e inspirar todo o ar possível, para, enfim, seguir o acastanhado. — Você não me avisou! Uma corrida não é justa assim. - Harry gritou, tirando atenção de todos em sua volta, alguns que caminhavam para as feiras e barracas coloridas. — Você quem se enrolou para vir atrás de mim, Edward! - Louis retribuiu o grito, enfiando-se entre os visitantes e adentrando a ruela lotada. Styles suspirou, quase assustado por se lembrar de estar em um lugar onde não conhecia absolutamente nada nem ninguém além de Louis. Ele tentou seguir Tomlinson dentro da feira, mas se deu conta que havia o perdido de vista. — Filho da puta. - Reclamou entre dentes, cerrando seus punhos. O cacheado começou a andar pela feira. Escutando o falatório alto dos visitantes, assim como o violão e a voz chiada no microfone de algum cantor que se apresentava na feira. Os donos das barracas gritavam suas promoções, enquanto seu corpo era empurrado pelas pessoas apressadas, que gostariam de andar rapidamente pelo lugar. Harry queria agredir Louis. Seus olhos passearam pela feira e logo encontrou uma parte quase vazia, por conta do gramado interditado. Haviam algumas pessoas lá, elas estavam formando filas por algum motivo. Styles ficou nas pontas de seus pés, chegando a pular para enxergar o que estava acontecendo ali, enquanto alguns filmavam animadamente a atividade que ocorria no gramado esverdeado. E não é que o vagabundo do Louis está ali.  — Idiota. Eu não sei andar nesses lugares, William. — Oh, que pecado. - Debochou, fazendo um beiço proposital, apenas para irritar o menor.Harry franze seu cenho em desgosto, cruzando seus braços como uma criança emburrada em seguida, batendo a sola de seu All-Star no solo natural. — Vem, é a nossa vez. - Louis o puxa pelo cotovelo com cuidado. — Nossa vez de fazer o quê? — Tacar uma pedra o mais longe possível. — Oi? — Oi. - O mais velho aponta para a letra "X" em fita adesiva vermelha no chão, indicando Harry à ficar ali. — Fique aí. — Eu não estou entendendo, Tomlinson - Ele diz baixo, observando a cesta de pedras ao seu lado. — Por que estamos aqui?— Estamos apostando. - Harry arqueou seu cenho no mesmo instante, estava surpreso e confuso. — Quem arremessar uma pedra o mais longe possível vence. Só isso. São doze tentativas. Styles não teve tempo de responder, ele apenas escutou o apito de um organizador, sabendo que a partida havia sido iniciada. Ele mal sabia segurar uma pedra daquele tamanho. — Vai, Edward. - Tomlinson o provocou, posicionando seu braço ao lado de sua cintura, colocando sua língua entre seus dentes e arremessando uma das grandes pedras em uma das árvores distantes. — Qual é o objetivo disso? — Você pode provar ser melhor do que eu. Mas eu duvido que seja. — Vá à merda, porra! - Gritou fingindo estar irritado, escolhendo uma das pedras dentro da cesta, a arremessando com força, escutando e vendo a mesma colidir contra a pedra que Louis havia acabado de jogar. — Idiota, para de atrapalhar o meu jogo! — Você é péssimo nisso. Horrível, horrível decisão ter trazido você até aqui. - O acastanhado reclamou, fazendo uma careta descontente. Harry parou no exato momento, o encarando com sua expressão também desgostosa. — Então me ensine a fazer essa merda. Você só me puxou 'pra cá e disse que estávamos apostando. — Tudo bem. Pegue uma das pedras. - Apontou para a cesta, e Styles o fez, o entregando em seguida. — Eu não vou te mostrar como faz. Você vai fazer sozinho. — Eu não aprendo sem ver alguém fazendo. — Cala a boca. - Tomlinson caminha para perto, parando atrás de si e segura seu braço direito, o puxando para perto de sua cintura. Seu coração está palpitando, não é novidade. Ele faz com que Harry se sinta vivo, como se aquele momento fosse único e, não era algo tão importante, era?Louis cheira bem, sua voz é calma, fazendo os tímpanos de Styles vibrarem conforme indique o que fazer. — Você usa a sua força. E é claro que você tem de usá-la, mas porra, você vai se machucar e não vai conseguir jogar essa pedra numa distância maior que três metros. — Não estou entendendo. - Sussurrou enquanto sentia a respiração de Louis aquecer seu pescoço desnudo. — O que eu faço? — Incline o seu braço 'pra trás - Louis o puxou mais um pouco, era um toque delicado, porém Harry sentiu seus membros travarem com aquilo. — Não arremesse por cima, arremesse pelo lado, sempre tenha um ponto final, nunca jogue a pedra sem mira alguma. — Mas aí ela vai se arrastar no chão. — Não, Styles, ela não vai. - Tomlinson segurou o braço do cacheado com sua mão suada, tocando levemente nas costas da mão de Harry, apertando seus dedos ali. — Faça assim. - Ele segurou a cintura do mais novo, empurrando seu braço para frente e pedindo para ele soltar a pedra assim que tivesse em mente um ponto final. Harry estava desconcentrado, era óbvio que estava, o contato fazia ele se sentir assim. Ele tinha em mente ultrapassar a pedra de Louis que acertou a árvore. E conseguiu. — Você viu? Você viu? Eu passei o seu arremesso mais distante! - Styles comemora, ainda tendo suas costas apoiadas no peitoral de Louis, apontando para o gramado, enquanto alguns visitantes sorriam para a animação repentina do garoto de cachos. — Eu vi, eu te ajudei. - O mais velho sorri simpático, tirando sua mão da cintura de Styles e caminhando para a da posição. — Vamos lá, ainda temos uns sete arremessos. Harry sorriu animado, suas bochechas sentiam o final de seu sorriso conforme suas garganta emitisse o som de sua risada baixa e entrecortada. Eles continuaram jogando, o cacheado gritava de raiva quando as pedras colidiam ou quando seu arremesso era curto, Louis caçoava de suas feições e, é claro que Louis venceu. — Não é justo, você deve vir às festas há uma caralhada de tempo, deve jogar isso sempre, eu nunca arremessei uma pedra sequer. — Como você é mimado, não sabe perder. Eu até me enrolei 'pra favorecer você. — Eu não pedi 'pra você fazer isso, Tomlinson, fez porque quis. - Cruzou seus braços, virando seu rosto para o lado oposto do rosto do acastanhado. Seus olhos passearam por uma barraca de pulseiras coloridas artesanais, como as de pano que ele usava antes, as mesmas que estragaram por conta da água no dia da catástrofe no auditório. Um sorriso instantâneo se instalou em seus lábios, e ele mal prestou atenção no que Louis o dizia no momento. — Quanto custa? - Perguntou para a senhora que atendia a pequena loja, tocando nas diversas pulseiras coloridas de tecidos trancados. — Dois dólares. - Ele assentiu, procurando por uma que o agradasse, e escolheu a mais colorida, sorrindo enquanto a separava na parte vazia da mesa. Louis veio em seguida, observando as pulseiras sobre o pano de mesa e deixando suas mãos para trás de seu corpo, enquanto seu olhar alternava entre o rosto encantado de Styles, assim como seus olhos brilhantes e seus lábios entreabertos, quase formando um sorriso novamente e as pulseiras pela qual Harry passeava os dedos. — Pegue uma igual a sua para mim. — E você usa esse tipo de coisa? Achava que você repudiava a inveja, por causa dos seus papos filosóficos e inteligentes- — Não, idiota, não tem nada a ver. Somos amigos agora, usar pulseiras iguais vai ser nossa marca. - Ele brinca, cutucando o quadril de Harry com seu dedo. O mais novo tira seu sorriso do rosto imediatamente, engolindo seco e piscando incessantemente. Louis o encara confuso por alguns segundos, mas o assiste pagar pelas duas pulseiras e entregar uma delas para ele. Harry o dizia que havia de acompanhar seus pais em um jantar, enquanto caminhava – quase corria – entre os visitantes, colidindo seus corpos e se perdendo entre a multidão. Louis gostaria de tê-lo entendido. Mas dessa vez ele não conseguiu. Harry parecia tão simples de ser decifrado inicialmente, mas Louis percebeu que não, ele não era. . . . Harry – particularmente – odeia o domingo, principalmente quando o dia estava nublado e garoava de cinco em cinco minutos. Foi um dia realmente incomum em Wassed, considerando que o clima do lugar era resumido em calor, sol, praia e ar-condicionado vinte e quatro horas. Ele não havia dormido sequer meia hora na noite de sábado para domingo. Não com a voz de Louis dizendo que eles eram amigos rodeando sua mente. Poderia parecer tão pouco mas aquilo era muito, aquilo era algo grande 'pra caralho. Harry não conseguia tirar seu sorriso do rosto, embora ainda assim sentisse algo estranho reagir àquilo internamente. A pulseira estava justa em seu pulso, ele tocava no pano colorido a todo e qualquer segundo, enquanto ainda pensa em Louis dizendo que são amigos agora. Na segunda-feira, durante a manhã, ele recebeu uma mensagem de Louis enquanto tomava seu café em silêncio, assim como seus pais. William_Tommo: Prepare-se, malchik, Wassed nunca mais será a mesma depois de hoje. HeStyles94: ????William_Tommo: Apenas tenha em mente de que precisará correr se algo der errado, mas é quase impossível. HeStyles94: Meu Deus... Ok, eu acho.William_Tommo: :)— Com quem está conversando? - Cillian questiona, inclinando sua cabeça para o celular de Harry, esse que esconde o aparelho embaixo de sua coxa e permanece em silêncio. — Com o meu amigo... - Ele sorriu minimamente, quase orgulhoso da palavra. — O garoto que me traz em casa de vez em quando. — Espero que você não esteja andando com mal caminho. - Scott se intromete, entregando o copo de suco natural de maracujá para seu filho. — Não estou. E mesmo se estivesse, ele é meu amigo. Amigo.Harry quer falar e pensar nessa palavra sempre. — Você é impossível. - Cillian murmura, balançando seu jornal em mãos e virando a página de notícias. Harry dá de ombros, tomando seu suco enquanto pensa no que Louis quis dizer com a mensagem que enviou.[...]— É o seguinte - Louis bate a porta do armário de Styles quando chega, o assustando e recebendo um xingamento em resposta. — A aula de natação da turma C é a aula seguida do intervalo, a gente se encontra no corredor externo lateral. — Oi 'pra você também, Tomlinson. Sim, eu estou de acordo com o que você quer fazer, muito obrigado por questionar. - Harry revira seus olhos, retirando a mão de Louis da porta de seu armário e o abrindo novamente, procurando por seus livros entre aquela bagunça. — É uma surpresa. Sabe, acho que você vai gostar. Nem mesmo o seu plano de sabotar a olimpíada foi tão sagaz. — Veremos. — Veremos. - Louis repetiu em um sussurro, piscando um de seus olhos e deixando Harry só. Ele sorriu quando se encontrou sozinho porque Styles era realmente hilário e indecifrável. Talvez o seu pensamento de achar o garoto "insuportável para uma aproximação" estivesse totalmente errado. E seu julgamento tivesse sido precipitado 'pra porra. Depois de passar a maioria de seu tempo com Harry, Louis percebeu que ele era um garoto sozinho, não precisava de muito para visualizar isso. A forma como ele reage à toques, demonstrações e palavras o denuncia mais do que qualquer outra coisa. Louis, depois de muito quebrar sua cabeça com aquilo, teve noção do porquê o garoto reagiu daquela forma quando foi chamado de amigo. Tomlinson tinha em mente o porquê – ou talvez uma possibilidade – de Styles ser sozinho, não é como se ele realmente fosse fácil e/ou simpático ao se entregar de primeira. Mas ele só não entendia o porquê ninguém nunca fez questão de insistir no garoto. Ele caminhava pensativo, havia um exemplar de bolso de "A origem das espécies" dentro do bolso de sua calça. Louis podia sentir a capa do livro quando confortou suas mãos na abertura no tecido. Uma voz conhecida soou próxima aos seus ouvidos, e ele procurou pela mesma, encontrando Jordan e Ethan, junto aos seus colegas de time. Louis quis revirar seus olhos quando os encarou, e percebeu Jordan desviar seu olhar vergonhosamente. Ele só... Não entendia. Não é como se ele tivesse tentado o ajudar na época. Bem, ele espera que nada disso volte a acontecer, porque, dependendo de si, ninguém nunca mais saberá nada sobre sua vida pessoal. •— E então, vai me contar o que nós vamos fazer ou vou ter que te ajudar sem saber mesmo? - Harry questionou irritado, comendo pipoca doce enquanto cobria sua boca com a manga do paletó. — Você é um escandaloso de merda, não é, malchik? — Pare de me chamar de garoto em russo, porra. — Por quê? Tem tesão na língua? - Brincou enquanto caminhava em direção à escada embutida na parede. Harry se engasgou com a pipoca doce que comia. Louis se preocupou porque o rosto do garoto ficou vermelho em questão de milésimos, assim como seus olhos lacrimejantes. — Tudo bem? Ergue suas mãos para cima, vai ajudar. - Harry ainda tossia freneticamente, parecia estar ficando sem ar. Louis arregalou seus olhos quando o ouviu soluçar. — Harry? — Buceta do caralho - Se sentou no chão, ainda tossindo, enquanto secava suas lágrimas. — Eu odeio pipoca. O mais velho sorriu despreocupado, pegando sua garrafa de água e entregando para o mesmo. — Eu ainda não bebi nenhum gole, fique à vontade. O cacheado assente, bebendo a água pausadamente, ainda respirando ofegante pelo nariz.— 'Tá, eu 'tô melhor, vamos lá. - Ele entregou a garrafa para Louis novamente, se levantando com um pequeno sorriso em seu rosto inchado e avermelhado. Louis retribuí seu sorriso.— Vamos até a caixa de água da escola. Chegando lá eu explico. — Eu te odeio. Eu te odeio tanto, você não tem noção do quanto eu te odeio. - O mais novo brincou ao perceber que Tomlinson estava adiando a explicação novamente. O azulado gargalhou divertido ao escutar aquilo, enquanto agarrava os degraus de alumínio e subia até o terraço do prédio de natação. Ele praguejou alto quando percebeu as gotas de chuva molharem todo o seu e seu cabelo. Harry reclamava logo abaixo de si, literalmente. — Vamos ter de ser rápidos. - Louis diz pulando para o solo, aguardando Styles fazer o mesmo. — Tudo bem. Agora me conte. — Está vendo aquela caixa d'água? - Apontou para a maior delas e Harry assentiu, o assistindo curiosamente se agachar no chão e retirar algumas garrafas de litros de dentro de sua mochila. — Como você conseguiu carregar todo esse peso? E espera, que porra cor-de-rosa é essa dentro das garrafas? Louis sorriu pela reação esperada que Harry teria. — Isso é corante, e a gente vai só vai colorir um pouco o banho dos garotos no vestiário. — Como você sabe que isso não vai ir para os bebedouros? Ou para as torneiras do refeitório? — Não se faça de idiota, está colado na caixa d'água um aviso enorme escrito "vestiário/piscina". - Louis lhe lançou uma das garrafas, recolhendo as outras três em seus braços e caminham juntos até a caixa, subindo alguns degraus ali e abrindo a tampa da mesma. Louis comemorou internamente quando percebeu não estar totalmente cheia. — Eu vou ficar resfriado com essas porra de chuva, eu sei, mas cara, isso vai ser hilário. - Harry retirou seu paletó, cobrindo boa parte de sua cabeça com o tecido. Tomlinson ficou contente pela animação do mais novo ao abrir a garrafa e despejar todo o conteúdo na água. O acastanhado fez o mesmo, mordendo seus lábios enquanto a chuva engrossava cada vez mais e mais, misturando o corante com a água, favorecendo-nos. Quando Harry despejava a terceira garrafa e Tomlinson estava prestes a abrir a quarta e última, ele escutou gritos, alguns masculinos e outros nem tanto. Aquilo significava uma única coisa. E escutar a gargalhada de Harry, por algum motivo, foi gratificante. Seu nariz estava corado por conta da temperatura e da chuva fria que o atingia, seus lábios estavam umedecidos pela água, e mesmo assim permaneciam vermelhos e inchados. Seus olhos estavam abertos, mais esverdeados do que esmeraldas recém-polidas e ele não poderia parecer mais Harry. Em poucos minutos Tomlinson escutou os passos altos e os resmungos desgostosos de Carter no piso de madeira apodrecida corredor externo. Eles estavam fodidos. Fodidos 'pra caralho. Nada disso estava no plano de Louis. — O Carter, porra eu não acredito. - Ele sussurrou, para Harry, que arregalou seus olhos, enquanto Louis ainda despejava a garrafa de corante na água. O coração do acastanhado está palpitante, mas ele sabe que já esteve em situações mais desesperadoras. Sozinho. Agora ele tinha Harry, e não poderia ferrar consigo.— Tomlinson, não vai dar tempo, a gente vai se foder tanto, vamos sair daqui. Ele já deve ter chego ao vestiário! - Styles sussurrou de volta, visivelmente nervoso. — Não vai dar tempo mesmo, nós dois descendo naquela escada sem cuidado algum nesse temporal vai dar muita merda. - Harry assente, concordando com Louis, enquanto o encara com preocupação nítida em suas orbes esverdeadas e arregaladas. — Vai, Harry. Desce as escadas e vá para a sala- — O quê? Você enlouqueceu, William? Não vou deixar você se ferrar sozinho... — Foda-se, eu não 'tô perguntando nada. Só me obedece. - Louis franze seu cenho, passando a língua por seus lábios antes de voltar a falar. — Vá até a sala dos achados e perdidos, troque de roupa, se seque como pode, entendeu? Depois vá para a sua aula do horário, mesmo que esteja atrasado. Faça isso. — Mas, porra, Tomlinson- — Vai, caralho. - Louis aponta para a escada e Harry o xinga em um grito irritadiço, seguindo para a mesma, ainda tendo o paletó sobre sua cabeça. Por mais que estivesse furioso com Louis, Harry nao gostaria que ele fosse suspenso. Ele não gostaria que Louis perdesse todas as suas oportunidades por causa daquela merda malfeita. Porra, tinha tudo 'pra dar certo...Tomlinson estava tão fodido. Harry mal podia imaginar.

----- CHAPTER BREAK -----

Louis estava entrando em desespero.Era óbvio que estava, quem não entraria em uma situação dessas? Seu coração lhe alertava sobre seu estado, seu cérebro fazia questão de lembrá-lo a todo segundo que ele estava fodido. Louis caminhou até sua mochila, até então seca por estar embaixo da tampa da caixa d'água, guardando as garrafas vazias dentro da mesma e chacoalhou sua cabeça por conta da água, que escorria para as pontas de suas mechas castanho-escuro. Tomlinson estava fodido. Seja lá o que ele resolvesse fazer deixaria sua situação na mesma merda que estava passando no momento, senão até pior. Ele desceu as escadas, escutando Carter parar para conversar com um monitor, esbravejando e salivando ao falar, como ele sempre fazia. O acastanhado comemorou aquilo internamente, talvez se ele fosse um pouco mais rápido conseguiria se safar. — Não é possível que esses infelizes subiram até a caixa d'água, Pergy... Ande, suba lá! - Carter ordenou o homem parado no corredor, sendo protegido pela lona, ele assentiu para o pedido do diretor, retirando seus óculos e os entregando para o mais velho. Louis desceu as escadas depressa, soltando suas mãos por um descuido escorregadio, apoiando seus pés e joelhos nos degraus, sentindo uma dor aguda afetar sua pele.— Merda. - Sussurrou, chacoalhando sua cabeça novamente e correndo sob a chuva, xingando mentalmente toda aquela situação. Ele não podia ser pego, não agora. Ele não podia deixar Harry sozinho na instituição.Louis procurou um lugar para se esconder, um lugar para que, pelo menos, pudesse se proteger da chuva, enquanto seus cílios pesavam pelas grandes gotas de chuva que os pequenos fios seguravam ali, tentando fazer com que a água não caísse em seus olhos. Não havia lugar algum para tentar escapar de uma merda posterior além do corredor. Carter ainda estava lá, impaciente, aguardando o monitor tomar coragem de sair na chuva e se molhar, apenas para verificar se havia alguém na caixa d'água. Tomlinson encheu seus pulmões de ar, resolvendo caminhar para a porta de alumínio do vestiário, tentando abri-la, mas percebendo a mesma estar trancada. — Porra, porra, que droga. - Ele socou a mesma, praguejado diversas vezes e se martirizando por ter certeza de que seria expulso da escola. Louis estava exposto, qualquer um poderia vê-lo ali, ao menos precisavam procurar, apenas um inclinar de cabeça e lá estava ele, como um animal indefeso sendo encharcado pela chuva fria e repentina que caía sobre a cidade de Wassed. — O que foi? O pessoal está tomando banho. - Um garoto abriu o vidro da porta, e Louis suspirou aliviado. — Me deixe entrar. — Não, caralho, ficou maluco? Você nem estava na aula. — Eu 'tô com vinte dólares na carteira. Abre logo essa porra enquanto o dinheiro não molha. — Se você não me pagar eu te deduro. - O garoto loiro abriu a porta, ele usava apenas uma toalha em sua cintura, deixando sua linha "V" aparente, até demais. Tomlinson, talvez, nunca se sentiu tão aliviado em sua vida. Mas quando as coisas parecem estarem dando certo. Elas decaem. O professor. Louis retirou o dinheiro – semi-molhado – de dentro de sua carteira, o entregando para o garoto, que sorriu e lhe deu leves tapas no ombro. — Muito bem, a aula foi cancelada por conta dessa besteira. - O professor adentrou o vestiário, batendo palmas para conseguir atenção de todos os alunos. — A água da piscina está se tornando cor-de-rosa. Caso alguém tenha alergia ao que parece ser corante, informe-me e eu encaminharei para a enfermaria. Enquanto o professor proferia suas frases, de acordo com o acontecimento, Louis guardava seu uniforme molhado dentro de um saco, e o enfiava dentro de sua mochila, despindo-se de suas roupa, totalmente, adentrando um dos chuveiros das cabines quando o falatório se tornou alto e a movimentação de alunos começou.— A aula foi cancelada graças a algum aluno - Carter adentrou o lugar, gritando, passando suas mãos pelo seu bigode esvoaçado, enquanto batia seu pé no chão, demonstrando sua raiva. — Ou alguns alunos.— Eu vou descobrir quem foi. E tenho certeza que foi aquele imprudente, ineducável e vândalo do Edward Styles. O sangue de Tomlinson ferveu no momento, ele não era o tipo de pessoa que rebatia ignorância com gritos, muito menos com xingamentos, mas escutá-lo culpar Harry daquela forma o incomodou. É óbvio que o incomodou. Por enquanto, não haviam sequer provas de que algum aluno havia pisado os pés no terraço, e como sempre, Carter havia colocado o nome de Harry no meio. Louis o entendia em partes, o garoto destruía a instituição aos poucos, mas o ouvir ofendendo o garoto – que ao menos estava ali para se defender – lhe deixava completamente incomodado. — Eu não acho que tenha sido o Styles, senhor - Ele sai de uma das cabines, enrolando a toalha branca em sua cintura, enquanto bagunça propositalmente seus cabelos, na intenção de seca-los. — Está chovendo, ele não se submeteria a esse papel. Louis diz, caminhando até a cesta de uniformes, a escola disponibilizava uniformes limpos em cada uma das salas de esportes ou atividades físicas, aquilo realmente favoreceu Louis de uma maneira inexplicável. Ele recolhe uma camiseta, vestindo-a e sentindo o cheiro forte de amaciante. — Esse indivíduo é capaz de qualquer coisa, William Tomlinson, não sei como você não está metido nesta covardia também. O azulado revira seus olhos, procurando por uma calça e a veste sob a toalha, enquanto fala:— Ora, diretor, simples então, o procure. Observe suas roupas. Se estiverem molhadas você saberá quem deixou a água dos chuveiros do vestiário e a água da piscina cor-de-rosa. - O azulado no momento torce fielmente – como nunca fez antes – para que Harry tenha o obedecido e trocado de roupa. — É, até que você serve para alguma coisa, Tomlinson. - Carter o responde, há certo nojo em seu dizer, Louis lhe dá os ombros, vestindo seus sapatos sem quaisquer meias, dizendo inúmeros palavrões em sua mente por estar sem cueca. Carter, então, deixa o vestiário, Louis segue atrás de si, com uma certa – e segura – distância, carregando sua mochila pela alça, ainda desejando que Harry tenha feito o que lhe foi pedido. O diretor parou no corredor, verificando o horário de aula de Styles, caminhando rapidamente para a sala de física. — Com licença, professora - Ele adentra a sala, sua licença era desnecessária, Carter sequer bate na porta para adentrar a aula. — Onde o Styles se encontra?A mulher aponta para a última cadeira. Louis para atrás do mais velho, tentando enxergar algo, vendo Harry totalmente vermelho, usando um uniforme três vezes maior que seu corpo e seus cachos completamente indefinidos. Louis sente seu coração disparar, mas é de alívio. Até mesmo o pesar e o tensionar de suas costas e ombros se tornam leves.— Acho bom. - O homem encara Harry, que tem seus braços cruzados, e parece não ter visto Louis, ainda. — Gostaria de informar que houve um pequeno acidente nas caixas d'água e podem estar contaminadas com algum tipo de corante, como é a última aula, decidi liberar os alunos alguns minutos mais cedo, peço perdão pela perda de conteúdo, professora. Os olhos de Styles se arregalam no mesmo instante, enquanto a mulher assente e os alunos guardam todos os seus materiais em suas mochilas, segurando sorrisos vitoriosos, que possivelmente se revelariam após deixarem a sala de aula.— Se vocês estiverem envolvidos nisso, eu juro por Deus que eu- Eu- O diretor aponta para Louis ao fechar a porta da sala novamente, cerrando seus pulsos e prensando seus dentes uns nos outros. — Expulsarei vocês dois. Farei questão de reclamar em uma extensa carta. — Estou despreocupado, senhor diretor. - O acastanhado sorri simpático, levantando suas mãos em rendição, se afastando do mais velho, que retorna à caminhar pelo corredor, pisando duramente no chão, resmungando sozinho. Ele para em outra sala, provavelmente para alertar sobre a liberação dos alunos. Os estudantes abrem a porta com força, praticamente correndo pelos corredores, tirando Carter do ponto de vista de Louis, o escondendo com seus corpos, que se apressavam para deixar a escola. Tomlinson observa cada uma das pessoas que saem do local, aguardando por Harry, que parece entretido quando sai de sala, ajeitando as mangas de seu paletó. — Ha! - O mais velho segura sua cintura fortemente, mal tendo tempo para assistir a reação do cacheado, recebendo logo um tapa ardente em sua bochecha. — Puta merda, caralho, o que eu te fiz? Harry arregala seus olhos, segurando-se nos pulsos de Louis, que ainda estavam próximos de sua cintura. — Porra foi mal, eu odeio sustos, não sabia que era você! Achava que tinha sido suspenso... Styles o observa com preocupação em suas orbes esverdeadas, que encaram sua bochecha esquerda diretamente. — Está doendo? — Não. 'Tá de boa, eu só me assustei com o tapa, foi repentino na verdade. - Ele sorriu, ainda sentindo a ardência estalada em sua pele. Não estava dolorido realmente, ardia mais do que doía. Harry sorriu, parecia aliviado, observando suas calças, que se arrastavam no chão. — Você pegou um tamanho três vezes maior do que o seu. - Louis o puxou pelo pulso para o canto lateral e externo da porta, abaixando-se enquanto apoiava seus joelhos no chão e dobrava as barras da calça social do uniforme que Styles usava. O mais novo o observava com as bochechas coradas em um tom carmesim, enquanto seus braços rodeavam seu tronco e seus cachos se definiam próximos às suas bochechas avermelhadas. — Valeu. - Ele murmurou, assistindo Tomlinson se levantar e dar de ombros, caminhando em sua frente. — Eu... Fiquei meio que preocupado. Pensei que realmente tivessem te expulsado da escola. - Harry mexe em sua pulseira, sem encarar o garoto – agora – ao seu lado. Louis sorri pequeno, mais como um puxão de lábios, enfiando suas mãos nos bolsos da calça, enquanto caminha – quase – de maneira arrastada. Seu cabelo está úmido e uma bagunça. Ele tem certeza de que seu nariz estava vermelho por conta do tempo que passou na chuva e pelo vento que colidia contra seu rosto no momento em que despejava as garrafas de corante na caixa d'água. Harry não está muito diferente, mas sua expressão é emburrada. Ele sempre está assim. Dessa vez Louis sorri. — Vamos comer em algum lugar. Lá eu te conto o que aconteceu. — Okay. [...]Harry caminhou com Louis até uma de suas cafeterias preferidas, era como uma taberna, havia uma banda que tocava músicas celtas ao vivo e o cacheado parecia realmente entusiasmado com aquilo. Louis o viu balançar sua cabeça de um lado para o outro enquanto batucava suas mãos em suas coxas e passava seus olhos pelo cardápio. Havia um pequeno sorriso em seus lábios, era perceptível seus olhos levemente fechados e o tom de voz baixinho que ele sussurra ao tentar acompanhar a música. O clima era confortável. Talvez por conta do alívio que ainda percorria o corpo todo de Louis, o fazendo relembrar do quão fodido estaria e do quão esperto foi ao fazer o que fez. Talvez fosse simplesmente pela maneira como Harry agia. Ele parecia realmente bem, e Tomlinson nunca havia sentido aquela energia vinda dele. A iluminação da cafeteria era branda e amarela, fazendo contraste com a madeira das paredes e do piso, assim como o balcão e as mesas. Havia uma lareira no final do estabelecimento, abaixo da televisão, essa mesma que passava algum filme de canal aberto nada interessante. — Olha, eu gosto do hambúrguer com bacon daqui, mas eu prefiro o tradicional com adicional de bacon. - Styles apontou para as pequenas letras no cardápio plastificado, mostrando para Louis. Sua voz era suave, e ele parecia animado por estar ali. — Eu prefiro o tradicional por causa do molho e da salada, mas não consigo comer sem bacon. O mais velho não queria estragar a animação do garoto ao dizê-lo que vivia indo à cafeteria com seus amigos, então apenas assentiu e pediu seu sanduíche igual ao do cacheado. — E então, me conta primeiro o que você fez depois de sair de lá. - Tomlinson pediu, enquanto o garçom deixava dois refis de coca-cola sobre a mesa. — Porque você parecia realmente muito irritado comigo. — Claro que eu estava irritado, seu idiota, você me leva para "um plano" onde nós dois executamos mas só você queria se foder no final de tudo, posso ser filho da puta mas não sou injusto. - Harry franziu seu cenho, parecendo se irritar novamente, segurando na alça de seu grande copo. — Porém eu corri para a sala dos achados e perdidos, torcendo 'pro Carter não estar lá. Eu ouvi o walkie-talkie dele sendo ativado e o monitor o avisando sobre o ocorrido, então me deixou mais tranquilo. Quando me escondi embaixo da escadaria eu o vi caminhar até o corredor lateral e aquilo foi a brecha para correr até o andar da diretoria e ir até a sala dos achados e perdidos. Louis assentiu, se recostando na almofada coberta por um tecido de couro, enquanto cruzava seus braços e aguardava Harry terminar sua fala. — Esse era o único uniforme que tinha lá, é claro que eu percebi o quão grande ele é, mas fazer o que, era minha única opção - Ele bebe mais um gole de seu refrigerante, tendo seus olhos avermelhados pelo gás. Louis acha fofo quando ele os fecha e aguarda até que esteja menos ardente para abri-los novamente. — Eu passei tanto a toalha no meu cabelo para seca-lo que virou essa juba. - O mais velho sorriu nasalado, ainda o encarando atentamente, vendo um minúsculo sorriso se instalar em seus lábios. — Então eu corri para a sala, e cara, foi um cagasso tão grande, eu juro 'pra você. Minha sorte foi que a professora se atrasou e entrou na sala com o batom borrado e ajeitando a saia. — Certeza que ela pega o professor de educação física... Mas isso não vem ao caso. - Louis divaga, puxando seu copo pela alça, molhando seus lábios no refringente, sentindo o gelo relar em sua carne quente, bebendo rapidamente o líquido. — Foi por pouco, Styles, na próxima nós não escapamos, e tenho dito. Harry sorri, fazendo um coque desajeitado no topo de sua cabeça, deixando alguns cachos indefinidos para fora do elástico que prende suas mechas de cabelo. Antes que Louis possa concluir sua fala, o garçom chega com seus pedidos, deixando os pratos de porcelana em frente aos garotos, lhes desejando um bom apetite. Louis o agradece, acenando com a cabeça, e aguarda Harry dar a primeira mordida em seu lanche para voltar a proferir. — Eu pensei que estava fodido de uma forma ou outra, entende? Eu realmente estava ferrado 'pra caralho, então eu pensei que, talvez, descendo do terraço as coisas se amenizariam - Ele segurou seu lanche aquecido em mãos, retirando o papel que o envolvia e o mordeu, assistindo Harry abrir uma pequena embalagem de maionese. — Hum - Limpou sua boca com um guardanapo — Eu ouvi o Carter conversando com um monitor e pensei "porra é agora", mas não foi. Eu tentei achar um lugar para me esconder, mas naquela escola não há nenhum tipo de cobertura que não seja a lona do corredor. Então eu fui para a cobertura da porta traseira do vestiário. — Harry, eu nunca fui tão esperto em toda a minha vida. - Louis o disse, realmente confiante, fazendo o garoto sorrir divertido. — Eu 'tô falando sério. Eu pedi 'pra um garoto abrir a porta, dizendo que o pagaria caso ele o fizesse, e o cara fez. Eu retirei minhas roupas e as guardei naqueles sacos que eles disponibilizam, sabe? Enfiei dentro da minha mochila e entrei dentro da cabine, me molhando naquela água rosa, tenho que gabar nosso trabalho, ficou ótimo. — Porra, eu não acredito. — Pois acredite, paren', e adivinhe? Deu certo. Eu o segui depois de vestir os uniformes limpos da cesta, sabia que ele iria atrás de você pela escola. - Louis omitiu a parte na qual Carter literalmente insultou Harry para que todos os alunos presentes no lugar escutassem, ele sabia como o garoto ficava ao ouvir aquele tipo de coisa, e, por Deus, o clima estava ótimo para quebrá-lo. — E no fim deu tudo certo.Styles entreabriu seus lábios gordurosos – pelo hambúrguer –, parecendo surpreso pelo que Louis disse, chocando o guardanapo contra sua boca, enquanto soltava seu lanche na louça de porcelana. — Eu podia jurar que daria tudo errado. De verdade, eu já estava pronto para me despedir de você. — Não é como se eu fosse morrer, Edward. Você ainda assim poderia continuar fazendo a travessia na balsa e indo me ver, ou vice-versa, não sei. - Toma um gole de seu refrigerante, observando Harry dar de ombros e desviar seu olhar para seu próprio copo. O resto do lanche foi quieto, embora não totalmente silencioso. De quando em quando Louis fazia brincadeiras idiotas, percebendo o mais novo cobrir seu sorriso com um guardanapo de papel enquanto pedia para ele parar com a desculpa de que estava comendo ainda.O fluxo da chuva havia aumentado consideravelmente, a janela de vidro estava totalmente embaçada, sendo visível somente a água, que escorria incessantemente pelo vidro. Ambos pagaram por seus lanches, permanecendo um bom tempo embaixo da lona na entrada da cafeteria, aguardando a chuva diminuir, o que – obviamente – não aconteceu. — Você não precisa me acompanhar, vai 'pra sua casa, até mais. - Harry retira seu paletó, o colocando sobre sua cabeça, enquanto tomava coragem para se molhar novamente. Ele encara Louis por uma última vez, sorrindo simpático – sentindo seu olhos se fecharem involuntariamente –, antes de pisar em uma poça de água escura e xingar alto, escutando a gargalhada divertida de Tomlinson atrás de si. Harry lhe mostra o dedo do meio sem encaralá-lo, correndo pelo concreto da calçada molhada, ensopando a barra da calça social, enquanto sorri involuntariamente por repassar em sua mente a situação pela qual passou com Louis há horas antes.O caminho para sua casa é rápido, principalmente por estar correndo, tentando evitar um resfriado posterior, mas Styles não acha que tenha escapado disso. — Olá, Moretz - Ele cumprimenta a mulher, que coloca as mãos na cintura e o encara com seus olhos estreitos, tentando visualizar algo a mais em sua expressão. — Huh?— Edward por que você sempre volta da escola na chuva? E os carros de aplicativo? - Ela pergunta, arqueando suas sobrancelhas, voltando a recolher seus pertences.— Ah, hoje foi diferente. — Estou indo. Diga aos seus pais que volto no final de semana para finalizar a limpeza do lado externo da casa. - Moretz alertou o garoto, colocando seu chapéu sobre sua cabeça, antes de sair e fechar a porta. Harry caminhou até a geladeira, pegando uma das maçãs guardadas na prateleira gelada e a lavou na pia, mordendo a fruta em seguida. Sua mochila estava jogada no chão, ao lado da porta, e ele mal fez questão de movê-la. O esverdeado sacudiu seus cachos, espalhando água pelas paredes e pelo piso, subindo os degraus vagarosamente, enquanto mordia sua maçã e desfrutava do sabor doce sendo degustado por sua língua. Ele realmente não esperava encontrar seus pais em seu quarto, sentados sobre sua cama, enquanto Scott tinha seus olhos cheios de lágrimas e Cillian segurava uma de suas mãos.— Err, oi? — Harry, eu vou te perguntar apenas uma vez, certo? - Cillian começa, ajeitando sua postura enquanto sentado no colchão.O mais novo amarfanhou seu cenho, confuso com aquilo, mas certamente sentindo seus batimentos cardíacos acelerarem de maneira inexplicável, era até compreensível, levando em conta que um de seus pais chorava e o outro não parecia nada calmo. — O quê? - Perguntou curioso, deixando sua maçã sobre os papéis utilizados em sua escrivaninha.— O que é isso. - Jogou o pacote de pó branco sobre a mesma escrivaninha esculpida – pelo compasso – de Harry. Seus lábios se abriram em choque. Ele se sentiu tonto, enquanto suas mãos suavam repentinamente. Harry engoliu seco, procurando algo explicável para que sua bronca fosse abdicada ou pelo menos não deixasse seus pais tão furiosos. Mas apenas por ver a situação de Scott, Harry sabia o quão fodido estava. — Cocaína. — E por que caralhos você está usando essa merda dentro da minha casa? - Cillian grita, apontando para o pequeno pacote esparramado na madeira envernizada, enquanto o cacheado caminha em passos curtos para trás, encostando suas costas no batente de sua própria porta. Como eles acharam aquela porra? Estava escondida dentro da embalagem de papel higiênico em seu armário. Dentro de seu banheiro. Harry havia conseguido ser tão transparente assim quando cheirava? Fazia tempo 'pra caralho, ele ao menos se lembrava que guardava aquela merda em seu banheiro. — Não é meu. - Sua voz saiu trêmula, ele socou a madeira da batente ao ouvir a si mesmo. — Edward - Ele sorri desacreditado. — Assuma os seus erros, suas consequências serão menores. — Eu tenho dezoito anos! - Esbravejou, franzindo seu cenho enquanto percebia Cillian recuar pelo susto. — Você vai fazer o quê? Me deixar de castigo? Tirar meu celular? — Não teste a minha paciência, Harry. Você passou de todos os limites estabelecidos nessa casa. Você pensa que você faz as regras, mas você não faz merda nenhuma! Você não passa de uma criança imatura, desobediente que pensa que está sendo legal usando esse tipo de coisa porque todo mundo usa, não é? Anda, me diga se eu estou errado. Os olhos do mais novo marejaram, e um nó dolorido se formou em sua garganta, fazendo com que a mesma ardesse e ele quisesse gritar com aquele homem. — Faz quanto tempo? - Scott questiona, ainda baixo, por não poder forçar sua voz. — E-Eu usei duas vezes. — Está vendo? Eu digo que esse garoto é um- — Cillian, por favor, vamos tentar ter uma conversa compreensível para todos? — Esse garoto não precisa de compreensão. Nós tentamos compreendê-lo e veja o que aconteceu. Estamos abrigando um viciado de merda, que usa esse tipo de droga embaixo do nosso próprio teto, enquanto nós trabalhamos para pagar o vício dele! — Eu não sou um viciado! Eu já disse que não sou. - Harry – literalmente – berrou, tirando a atenção de ambos para seu rosto irritado. — Eu não uso essa porra há tempos, a última vez que usei foi no dia em que completou 7 anos da morte dela... - O cacheado ouviu sua voz tremer, o que obviamente aconteceria, enquanto sentia suas lágrimas quentes escorrerem por suas bochechas. — Não coloque a sua mãe no meio dessa sua cagada! — Para. - O Styles mais novo pediu, secando suas lágrimas enquanto soluçava disfarçadamente. Seu coração estava em pedaços, havia muito tempo desde que ele falou sobre sua mãe em voz alta. Aquilo doía porque, porra, ela não estava mais ali. Ele não poderia recorrer para ela, não poderia simplesmente chamar por ela ou ligar para ela, tentando explicar alguma coisa. Arabella era a única que o entendia. A única que o apoiava e o protegia. Harry se sentia tão, tão pequeno longe de sua mãe...— Cillian- — Ela ficaria decepcionada em saber de todas as merdas que você anda fazendo. Eu não digo da boca para fora, Edward, você sabe que não. — Pare de falar sobre a minha mãe! - Caminhou até o homem, o empurrando – com toda a força presente em seu corpo – para trás, percebendo o quão fraco estava naquele momento, fazendo-o agarrar em seus pulsos. — Você não tem o direito de falar dela. - Harry proferiu em um sussurro enfraquecido, se desmanchando em lágrimas em seguida, sentindo seus braços tremerem e bambearem e suas mãos se apoiarem no peitoral de seu pai. Sua garganta doía a cada vez que ele soluçava. Sua visão estava totalmente embaçada, enquanto ele sentia seus olhos se incharem cada vez mais pelo choro. Seu peito latejava, e aquela conversa desencadeou memórias, que o deixam extremamente sensível a qualquer mínima coisa.— Cillian, o garoto não está bem, solte-o. - Scott pediu, tocando no bíceps do marido, que soltou o filho.— Eu odeio você. - Harry sussurrou quando sentiu o mais velho desfazer o aperto em que se apoiava. — Me odeia porque eu te coloco no seu lugar, não é, Edward? — Te odeio por querer que eu fique aqui. Por me obrigar a estar longe da minha mãe. Eles não chamaram por Harry quando o viram sair de casa, mesmo que na chuva. Eles não o impediram de levar o pequeno pacote consigo e, muito menos o questionaram para onde iria. Styles sequer se importou com a água gelada que molhava o uniforme – que talvez nunca mais fosse devolvido para a escola –, que gelava seu corpo todo e o fazia arrepiar-se. Seu rosto, mesmo que exposto ao frio, estava quente. As lágrimas eram facilmente confundidas com gotas de chuva, enquanto ele espalhava o pó pelas poças d'água no meio da ruela, pela qual passava.Ele havia sido desrespeitoso ao usar aquilo quando a morte de sua mãe completou sete anos? Fazia quase um ano, ele realmente não era um viciado. Por que nunca acreditavam em si? Doía, porque ele sabe que nunca ninguém vai acreditar nele. Até porque ele sempre é o errado e o causador de toda e qualquer coisa errada que há. •Louis observava a chuva agressiva através da janela de sua cozinha, enquanto se perguntava sobre onde estaria seu pai uma hora dessas. Ele preparava um chá, enquanto vestia um conjunto quente de moletom, cantarolando Strange da LP. Seus fios castanhos estavam úmidos ainda, mas agora cheiravam docemente. Em sua televisão passava algum filme desinteressante, o que fazia com que ele quisesse dormir antes mesmo de bater oito horas da noite. O mar estava agitado por conta da chuva, o assustava um pouco imaginar uma grande onda destruindo sua casa, então ele decidiu fechar as cortinas, para não ter que imaginar aquilo constantemente. Louis estava prestes a se sentar no sofá, quando escutou alguém bater em sua porta. Ele estranhou, mas possivelmente era seu pai, esquecendo a chave nos bares que frequentava, como sempre. O rapaz deixou sua caneca de chá sobre a mesinha de centro, bufando cansado enquanto caminhava até a porta do sobrado.Louis a abriu preguiçosamente, prestes a revirar seus olhos, quando enxergou o corpo encolhido e trêmulo de Styles, sorrindo tímido como uma pequena tartaruga.Deus do céu.

----- CHAPTER BREAK -----

Deus do céu. — Oi? 'Ta fazendo o que na chuva, malchik? - Ele franziu seu cenho, deixando um espaço entre a porta e o degrau para que Harry adentrasse seu sobrado.Styles entrou vagarosamente na casa, parando ao lado de Louis, quase agradecendo quando a porta é fechada e ele pode sentir o clima aquecido do lugar o acolher. — Hum? — Ah, eu- Eu esqueci minha chave dentro de casa e meus pais saíram, provavelmente só voltam amanhã e... Meio que você é meu único amigo. Assim, amigo que eu pensei que poderia contar com a ajuda, você entende? Não que eu- — Entendi. - Louis corta sua fala, caminhando até o banheiro e desdobrando uma toalha limpa, envolvendo o mais novo na mesma. — Você precisa de um banho, senão vai ficar gripado. - O mais velho alertou, enxergando os olhos inchados do outro, se questionando se ele havia chorado, o que parecia pouco claro. — Você está bem? Sabe, você pode me contar se algo te incomoda. — Nada me incomoda. Eu só passei muito tempo na chuva. Eu 'tô com frio.— Certo, eu vou pegar um roupa para você. Já volto. - O esverdeado assente para a fala de Tomlinson, correndo para o andar de cima e escolhendo seu pijama mais novo para emprestar ao garoto. Era apenas um conjunto de flanela, na cor verde-oliva com barras elásticas e mangas que continham botões. — Aqui. - Ele sacode as roupas em sua mão, abrindo a porta do banheiro para Styles, enquanto deixa os tecidos sobre a pia de vidro. Harry assente, caminhando rapidamente para o banheiro e se tranca no cômodo. Tomlinson permanece confuso, mas decide que não é uma boa hora para tentar adivinhar o que aconteceu. Ele apenas busca por um rodo junto a um pano, para secar a sala que Harry molhou com suas roupas. O barulho do chuveiro sendo ligado é escutado por Tomlinson, e um soluço entrecortado faz companhia para a água quente que vem do chuveiro elétrico. Louis se retira dali assim que termina de secar o piso da sala, achando invasivo permanecer próximo a porta. O rapaz caminha até sua cozinha, servindo mais uma xícara de chá e a deixando sobre o balcão. Enquanto buscava por cenoura e alface dentro de sua geladeira. Havia frango desfiado também, assim como seu molho rosé caseiro, coisas que o fazem comemorar internamente, já tendo em mente o que preparar. Louis pousou tudo sobre a tábua de madeira, cortando a alface em tiras, ralando a cenoura logo após, e guardando as mesmas em um pote de plástico. Em um prato ele misturou o molho e o frango, esquentando um pouco a mistura no microondas. Ele retirou o pão fatiado de dentro do armário, preparando quatro lanches com paciência, empilhando eles em um prato de vidro, sem sequer perceber a presença de Harry ali, vestindo seu pijama e até mesmo parecendo fofo dentro das roupas. — Espero que você goste do nosso jantar. - Louis sorri, entregando a xícara quente de chá para o cacheado, que assopra o líquido em seguida e o beberica. Ele parece cansado, então Louis decide não importuná-lo. — Já mandou mensagem para os seus pais dizendo que vai dormir fora? Eles devem achar que você 'tá em casa, malchik. - Tomlinson apontou para a sala, Harry caminhou para a mesma. — Eles já sabem. - O mais novo se sentou encolhido no canto do móvel almofadado, segurando sua xícara com as suas duas mãos, cobrindo todo o seu nariz ao beber o chá quente. Louis o observa preocupado, até porque normalmente Harry falaria que não se importa ou daria de ombros. — Você quer ficar aqui ou quer subir? Eu vou ligar o aquecedor que tem no meu quarto. — Por mim tanto faz. — Tudo bem, vamos para lá então. - O acastanhado acenou para o corredor da escada, sendo seguido por Styles, que apagou as luzes da sala e subiu os degraus atrás de si.Louis acende as luzes do corredor do primeiro andar, abrindo a última porta e deixando Harry adentrar seu quarto primeiro. As cortinas estão abertas, revelando o mar iluminando pelas luzes do navio silencioso. Porém as gotas de chuva que ainda batem no vidro mancham a visão nítida dos garotos. A cama de Louis está bagunçada, seus lençóis estão amarrotados e suas cobertas desdobradas nos pés da mesma. Sua guitarra vermelha está pendurada cuidadosamente acima de sua escrivaninha, enquanto há palhetas coloridas espalhadas pelo móvel de madeira. — Você toca? - Harry questionou em um sussurro, quase como se estivesse com medo de incomodar, fechando a porta atrás de si. Tomlinson deixa o prato de sanduíches sobre a mesinha de centro em seu quarto, e caminha até o aquecedor, o ligando e regulando a temperatura. Louis se senta logo em seguida, na poltrona estampada com itens que remetem à Londres. — Eu tenho uma banda na verdade. - O maior sorri preguiçoso, tomando um sanduíche em mãos, enquanto observa Harry se sentar com cuidado na ponta da cama e encarar a janela, juntando suas pernas e apoiando suas mãos em seus joelhos, erguendo sua cabeça para continuar observando a guitarra pendurada na parede. — Isso é... Wow. Tipo, eu nunca imaginei, na verdade. - Styles comenta, fazendo pequenos círculos com seus dígitos na calça do pijama de Tomlinson. — Qual é o nome da banda?— Dirty Smoke. — Oh, lembra nome de bandas de rock alternativo. É um nome legal.Há um tempo desde Louis vêm percebendo certas coisas em Harry. Como por exemplo: Ele não agradece, absolutamente nada, possivelmente não agradeceria com palavras caso você salvasse a vida dele. Harry não faz elogios, o máximo que ele diz é um "legal", como fez agora pouco. Harry pode ser mal educado quando quer, tipo, realmente mal educado. — Valeu. Nós já tocamos em um show de talentos da escola, sabia? Foi no ano passado, inclusive eu não te vi. - O mais velho empurra o prato para a ponta da mesa, assistindo Styles o encarar com os olhos cansados e lentas piscadas, antes de recolher um dos sanduíches e dar uma pequena mordida na massa do pão. — Carter não deixa eu participar de nenhuma atividade extracurricular. Não posso participar de nenhuma comemoração no contraturno, inclusive, não sei como ele permitiu me deixar assistir a olimpíada. - Disse vagarosamente, cobrindo sua boca com a mão enquanto falava. O pijama que vestia no momento tinha uma grande abertura no pescoço, Louis pôde enxergar cicatrizes em relevo e esbranquiçadas em sua clavícula, pareciam profundas e, aquilo o fez arregalar os olhos. Ele só... Não podia imaginar aquilo. Era preocupante 'pra caralho. Louis apenas nunca imaginou...— Harry, está tudo bem com você? De verdade? Aquela estória da chave não colou comigo mas se você quiser eu posso só fingir que acredito. - Harry o encarou assustado, com seus lábios entreabertos e seus olhos arregalados e brilhantes. Tomlinson não queria ter sido invasivo, mas não sabia como chegar no garoto e dizer: "hey, você pode desabafar comigo, somos amigos agora".— Está tudo bem, cara - Ele sorriu em seguida, voltando a comer seu sanduíche. — Inclusive, eu nunca comi lanche gelado. O acastanhado percebeu que ele não diria nada, então apenas aceitou a situação e se conformou com a informação de que ele estava ali consigo agora, aparentemente são e salvo. — Espero que esteja gostando, minha especialidade é essa. — Dá para o gasto. - O mais novo brincou, encostando suas costas na parede fria, enfiando seus pés sob os cobertores de Tomlinson, enquanto seus cachinhos – recém-formados – molhavam seus ombros e o tecido do pijama. — O que o Carter faz com você é inadmissível, sabia? Por mais que você destrua a instituição dele pouco a pouco, ele simplesmente não lhe dá um aviso, ele vai lá e faz. É como proibir a entrado do "réu" no próprio julgamento e condená-lo sem nenhum tipo de defesa da parte dele. — Eu não ligo, Louis. Além do mais, o que eu faria nessas atividades? Ficaria com a boca aberta igual um idiota perambulando pela escola enquanto as pessoas se divertiam com seus amigos e assistiam o show de talentos. - Ele dá de ombros, esfregando seus pés um no outro embaixo dos cobertores, o movimento é visível para Louis, que sorri com a sinceridade do garoto. — Por que eu nunca te vi? Você estudava à tarde, não é? — Eu quase reprovei por nunca ir à aula. Só ia em dias de treino, depois que mudei de turno eu conheci você e, saber que vamos aprontar algo juntos me faz querer ir à escola, mas mesmo assim, nós ainda cabulamos juntos. - Louis sorri descontraído, observando um sorriso surgir no rosto do mais novo também.— Mas então, quer assistir um dos covers que temos postado no Youtube? - O mais velho sugeriu, retirando seus pés de cima da mesa, quando conforta sua postura no encosto da poltrona. — Pode ser. - Styles o respondeu simples, deixando seu sanduíche no prato e sentando-se ao lado de Tomlinson na poltrona, quase em seu colo, considerando que o espaço na poltrona era extremamente pequeno e apertado.A coxa de Harry estava quase acima da sua, enquanto o braço do garoto roçava no seu e o mesmo abraçava seu próprio corpo, ainda friorento. Louis sentiu um estranho tipo de calor percorrer seu corpo enquanto permanecia parado, como uma corrente elétrica, lhe dando um choque antes de seu coração palpitar dentro de seu peito e o fazer prender sua respiração inconscientemente, enquanto Harry observava o celular pousado em sua mão. — Ok... Então, é um cover da música Anna Molly do Incubus, não sei se você conhece... (música da mídia :)— 'Tá de brincadeira? - O cacheado quase gritou em seu ouvindo. Tomlinson assistiu um grande sorriso surgir no rosto tristonho do mesmo, seus olhos se fecharam levemente enquanto ele sorria animadamente. — É uma das minhas bandas favoritas! Inclusive Anna Molly é a melhor deles, o instrumental é foda 'pra caralho, eu não posso acreditar nisso! - Harry gesticulava empolgado, ainda sorrindo. Louis sorriu junto ao garoto, feliz pela animação repentina do mesmo, sequer dando conta das coincidências em seus gostos musicais. O local do vídeo era a garagem de Zayn, eles ensaiavam no local com frequência, principalmente quando eram convidados a tocar em festas. Aquele era literalmente o lugar deles. Havia uma grande placa, parecia ser pichada, com o nome da banda, nas cores preta e vermelha. A caligrafia era diferente, Louis – particularmente – gostava dela, foi ele quem escreveu. Tomlinson apoiava suas mãos no microfone, encaixado no apoio, enquanto a fita que segurava a guitarra estava colocada de maneira transversal em seus ombros. Calvin estava na bateria, enquanto Zayn estava no baixo e Luke estava no piano e no toca-discos. Louis introduziu o som, sendo seguido dos outros integrantes da banda. Harry conhecia aquela música, ele estava prestes a cantar quando Louis começou e, Tomlinson se preocupou quando o esverdeado entrou em algum tipo de estado de choque ou transe. Seus olhos estavam vidrados na tela do celular, e sua mão – que antes estava próxima a sua boca, fingindo segurar um microfone – era abaixada aos poucos. O acastanhado se sentiu envergonhado, aquela não era – pelo menos não parecia ser – a reação de quem estava gostando de alguma coisa. I picture your face in the back of my eyesA fire in the attic, a proof of the prizeAnna Molly, Anna Molly, Anna Molly— Seja sincero, você não está gostando, né- — Cala a boca, eu 'tô ouvindo. - Ele cutucou fortemente o braço de Louis com seu cotovelo, deixando o local dolorido e o mais velho com uma careta de dor, porém internamente aliviado. O vídeo continuou, Harry estava entretido o suficiente para se preocupar em piscar. No cover Louis usava uma regata preta, quase transparente, acompanhada de uma skinny jeans e de vans surrados. Seu cabelo estava uma completa bagunça, os fios castanhos estavam grudados em sua testa suada, enquanto seus olhos pareciam mais azuis do que o usual.— Bem, essa é a minha banda. - O maior sorriu timidamente, desligando seu celular quando o vídeo chegou ao fim. — Isso é foda 'pra caralho, Louis! - Harry sorri diretamente para si, o olhando no fundo de seus olhos, havia sinceridade no sorriso e na fala do garoto, Louis sentiu-se feliz com aquilo, ele não negaria. — Tipo, porra, quando você começou a tocar e não errou nenhum dos acordes, eu me senti ouvindo eles tocarem. Sua banda é boa 'pra cacete! E sua voz caiu certinho em Anna Molly! Tomlinson quase não acreditou quando foi bombardeado com os elogios. Ele estava realmente surpreso com aquilo, principalmente vindo de Harry. — Uau! Obrigado. De verdade, é muito legal ouvir isso, especialmente depois de termos sido expulsos de um restaurante pelo dono. Na verdade é uma história engraçada. O esverdeado bocejou cansadamente ao seu lado, piscando lentamente enquanto ainda o fitava, provavelmente aguardando ele concluir a fala. — Vá se deitar, outro dia eu te conto. — Agora eu quero ouvir, durak! [idiota]— Hey, não me xingue, não vou te contar só de pirraça. — Louis! - Cruzou seus braços. Como se estivesse lhe chamando atenção. Provavelmente Harry gostaria de soar intimidante, mas tudo o que aconteceu foi: fazer Louis sorrir e pensar o quão fofo ele parecia agora. — Você é como uma criança mimada. - Se levantou da poltrona, ainda tendo um Harry de braços cruzados e uma face emburrada, sentado na mesma. — Eu vou buscar um colchão para dormir e te conto, já volto. Louis deixou o quarto sorrindo, abrindo a porta do quarto de seu pai, puxando o colchão – enrolado em uma corda – pelo corredor, até estendê-lo nos pés de sua cama. — Venha, ditya, me ajude a forrar a cama. - Brincou, acenando manualmente para o outro, que se levantou com certa raiva, o empurrando sobre o colchão. Tomlinson gargalhou ao perceber que aquela foi a reação de Harry ao ser chamado de criança em russo. Ele segurou na cintura do mesmo, procurando algum tipo de apoio quando foi empurrado. Styles gritou, apoiando suas mãos no colchão, ambas ao lado da cabeça do azulado, enquanto ele ainda segurava firmemente sua cintura. Seus rostos estavam próximos pela posição – nada favorável – em que se encontravam. Os lábios de Styles estavam próximos à pontinha do nariz de botão de Tomlinson, aquecendo a pele com seu hálito fresco, enquanto o mais velho segurava um sorriso. Ele inclina sua cabeça para frente, roçando a ponta de seu nariz contra a ponta do nariz de Harry, fazendo o mesmo fechar seus olhos pelo contato, se inclinando para trás. — Nunca mais me chame assim, seu bastardo do caralho. - Ele se levantou, andando até a cama de Louis e jogando o travesseiro do mesmo no colchão pousado sobre o solo de madeira. O mais velho sorriu com aquilo, forrando seu colchão sozinho e percebendo Harry deitar com a cabeça nos pés da cama, próximo ao seu colchão. O menor retira seu celular de dentro do bolso do pijama, o deixando próximo à sua barriga na cama do mais velho.Louis se levantou apenas para apagar as luzes, mas deixou o abajur ligado para enxergar Harry. — Nós não somos profissionais nem nada do tipo, sabe? Somos adolescentes - Louis explica, encarando o teto branco de seu quarto, escutando um "uhum" sussurrado de Styles. — Nosso contato está disponível em todas as nossas redes sociais, literalmente todas, então quem quiser pode entrar em contato conosco e nos chamar para alguma apresentação ou algo do gênero. Nisso, um gerente de um restaurante central nos ligou e questionou se a banda estava disponível para tocar em um domingo de feriado, mas o cara deve ter feito tudo na pressa porque, caralho, a gente chegou no restaurante e, Edward, o pessoal tava comendo escargot! É nojento 'pra caralho, tinha gente comendo caviar! Harry sorriu sonolento, enquanto seus cachos estavam esparramados pelo colchão e seu corpo totalmente coberto por um edredom. — Não gosto de escargot... - Comentou arrastado, Louis sorriu ao ouvi-lo, parecia um bêbado. — Mas caviar é bom...— Eww! - Fingiu golfar. — Então, nós recebemos aqueles olhares de desaprovação, mas mesmo assim nos posicionamos no local reservado para a banda e começamos a tocar os covers que ensaiamos especialmente para a noite no restaurante. O dono era francês e ele surtou em francês com a gente, Harry! - Ele contou sorrindo, ouvindo a gargalhada preguiçosa de Styles acima de sua cabeça.— Ele apontou para a saída e ao menos nos pagou aquele velho salafrário do caralho. - Reclamou emburrado, escutando Harry perguntar em um sussurro o que eles haviam feito depois da expulsão. — Nós tocamos Charlie do Red Hot Chili Peppers na frente do restaurante dele. Descolamos mais grana do que haviam oferecido por uma noite tocando naquela espelunca. — Por Deus. - Harry sorriu totalmente lento, parecendo algum tipo de drogado, aquilo fez Louis sorrir. — Você está com tanto sono, Styles. — Éééé... - Prolongou, sorrindo alto em seguida, como uma espécie de soluço, aquilo fez Louis gargalhar, ouvindo a risada do cacheado se sobressair e lá estavam eles, rindo como dois idiotas de absolutamente nada. — Mas e as apresentações bem-sucedidas? Elas são legais? - Harry perguntou, abrindo seus olhos com dificuldade enquanto encara o rosto de Louis ser iluminado apenas pela luz fraca e amarelada do abajur. — Demais. Inclusive esse ano nós tocamos em três bares e uma festa, é legal porque, além de tocarmos, no caso: fazer o que gostamos, nós recebemos o pagamento pelo show e ainda comemos de graça. — Como a banda começou? — Huh - Louis se prepara para começar a contar. Ele entrelaça seus dedos uns nos outros, pousando suas mãos sobre seu tórax, enquanto volta a encarar o teto, fitando o reflexo da madeira em volta dos vidros de sua janela. — Eu conheci os garotos antes de um período foda da minha vida, nós sempre tivemos os mesmos interesses, mas éramos crianças, nunca pensamos em colocar nossa ideia de formar uma banda no papel, 'tá ligado? Todos nós nos separamos, cada um foi para uma escola diferente, menos Calvin e Luke, que foram pra a Pyvix, enquanto Zayn foi para Radpit-— Espera, ele estuda na escola que o pessoal de Wassed tem treta? — Sim, ele estuda. Mas nunca se mete em brigas. Zayn provavelmente é o mais pacífico da banda. — Entendi... Continue.— Enfim, nós nos separamos, e pensamos que nunca mais voltaríamos a ter aquela amizade que tínhamos quando estudávamos juntos, mas estávamos enganados. Nos encontrávamos sempre que podíamos, indo à karaokês, ou pichando rochas durante a noite... Fazendo sons improvisados na loja de discos do pai de Luke. Formamos a banda no final do primeiro ano do ensino médio, estávamos com tanto medo. Nosso primeiro cover foi Seven Nation Army, ele estourou, pelo menos 'pra mim, trezentas mil visualizações é muito. E isso meio que nos impulsionou a continuar. Tínhamos os incentivos uns dos outros, acho que isso foi uma das partes mais importantes, sabe? Temos orgulho do que conquistamos. - Louis sorri orgulhoso, não recebendo nenhum tipo de resposta de Harry. — Edward? — Aham, eu tenho orgulho de vocês também. - Falou sonolento, sua bochecha estava sendo prensada contra o lençol branco do colchão, enquanto seus lábios cheinhos estavam entreabertos e seus dentes de coelho ficavam visíveis aos olhos de Louis. Ele podia ter certeza de que Harry estava aquecido, considerando que seu rosto havia ganhado cor e agora suas bochechas estavam coradas. E em poucos segundo de observação Louis o ouviu roncar. O mais velho sorriu, levantando-se em silêncio –tentando não acordar o garoto adormecido em sua cama –, e caminhou até o andar debaixo, recolhendo o uniforme que Styles usava antes de adentrar o sobrado e o lavou na mão, torcendo as mesmas peças de roupas e jogando-as dentro da secadora. Quando voltou para o quarto, Harry ainda dormia na mesma posição, Louis apenas apagou o abajur, voltando a deitar-se no colchão e cobrir-se com o edredom branco, suspirando cansado. O som do baixo ronco de Styles se fundia com as fortes gotas de chuva que colidiam contra o vidro da janela de Tomlinson, ele não mentiria ao dizer que era uma ótima trilha sonora para pegar no sono. . . . Louis acordou com sons altos de batidas fortes em sua porta. Era um barulho como se alguém estivesse a esmurrando, alto e desesperador – para quem não estava acostumado, no caso, Harry. Mesmo alheio à tudo, tendo noção de seu rosto extremamente inchado e de seu cabelo completamento bagunçado, Louis pisca diversas vezes, se acostumando com a claridade intensa que invada seus olhos e os machucam. Ele observa o garoto – quase escondido sob as cobertas –, deitado em sua cama, deixando somente seu nariz e seus olhos curiosos e amedrontados para fora do tecido de flanela – que aquecia seu corpo. Louis sabe que é seu pai, logo cedo, bêbado. Geralmente Dave batia em sua porta no final de semana apenas para conversar sobre ela. Ou pedi-lo para trazê-la de volta, coisa que Louis realmente não pode fazer. Dave nunca o agrediu, ele não era esse tipo de cara quando bebia, pelo contrário, ele gostava de chamar atenção de seu filho. A vida solitária nunca combinou consigo. — É o meu pai - Tomlinson alerta à Harry com a voz rouca e a boca seca, ainda assimilando tudo o que estava acontecendo desde o dia anterior. — Você não precisa ficar com medo ou algo assim, tudo bem? Ele é de boa. Harry levantou seu olhar para Louis, sentando-se em sua cama, enquanto seus cachos estavam desalinhados sobre sua cabeça e seus lábios estavam inchados. Ele cobriu seus olhos com as mãos quando virou seu rosto para a janela, provavelmente os aguardando a se acostumar com a claridade. As cortinas estavam abertas desde a noite anterior, agora é possível enxergar o mar, extremamente cristalino, alguns pequenos barcos navegando pelas águas, enquanto o porto já está funcionando novamente. Os pássaros que voavam no céu eram barulhentos, Louis os julga por terem acordado Harry antes mesmo das batidas de seu pai na porta. O som das ondas se formando no mar e colidindo contra a sustentação da casa de Tomlinson era audível, parecia ter deixado o esverdeado curioso, levando em consideração a maneira como ele se debruçou na janela, ajoelhando no colchão do mais velho e apoiando seus cotovelos na soleira.— Eu não demoro. - O acastanhado avisa cansadamente, se levantando de má vontade, calçando seus chinelos e abrindo a porta de seu quarto. Ele encontra seu pai sentado na frente de sua própria porta, com as costas apoiadas na parede frontal, enquanto seus braços estavam moles, caídos em seu colo.— Tudo bem, vai tomar banho, eu vou preparar o nosso café - Louis segurou nas mãos de seu pai, torcendo para que Harry não explane nada daquilo futuramente – porque ele realmente não saberia como reagir. Dave relutou como uma criança. E Louis queria chorar com a situação. — Vamos.— Irei se você trazê-la de volta. — Pare. Eu não posso, pare, por favor. - O azulado engoliu seco, franzindo seu cenho, evitando chorar ali e agora, enquanto caminhava até o quarto de seu pai com o mesmo. — Você disse que a traria. — Eu disse que tentaria. Mas você sabe que eu não consegui. Pare com isso, não aja como um adolescente, eu te imploro. Eu sei que não tenho o direito de te pedir nada mas, por favor, não faça isso comigo, não hoje...— Saia daqui. - O mais velho – agora – apontou para fora, totalmente alheio, mas Louis apenas o obedeceu, deixando o quarto e fechando a porta do cômodo.Harry encarava a porta curiosamente, aguardando o retorno do mais velho, enquanto se controlava para não ouvir o que o garoto conversava com seu pai, ele achava aquilo invasivo, então preferiu abrir a janela e colocar sua cabeça para fora, ouvindo apenas a colisão de águas contra a sustentação e o vento frio gelar seu rosto. Styles conseguia apagar coisas ruins de sua mente, ele realmente conseguia, não precisava de muito, porém quando se lembrava, caía sobre si como uma grande enxurrada. O incomodava porque ele não podia controlar nenhum de seus sentimentos. Mas no momento ele estava apenas pensativo, era como se toda a sua dor tivesse se concentrado em um grande peso mental. Ele havia agido de maneira totalmente diferente em frente à Louis, não? Por Deus, ele conseguia ser tão visível. Era óbvio que Tomlinson havia percebido. Harry é um idiota de merda. — Hey? Vamos lá embaixo, vou preparar algo 'pra comermos. - Harry escuta o mais velho lhe retirar de seus pensamentos e assente, o seguindo pelas escadas. O cacheado percebe o olhar trêmulo de Louis, assim como os suspiros cansativos que escapavam de sua boca enquanto ele esquentava as fatias de pão com manteiga na frigideira. — Quer ajuda? - É a primeira vez que Harry fala desde que acordou na casa de Louis. — Não, está tudo bem, você não precisa ficar aqui na cozinha, pode se sentar na sala ou lá na mesa. - Ele não o olha. — Posso fazer o suco então...— Não, Edward, está tudo bem aqui, você não precisa fazer nada, eu já disse. - O azulado o respondeu firmemente, não era um grito, era como um. Ele deixou mais um sanduíche pronto no prato, enquanto Harry sentiu seus braços se arrepiarem e um nó se formar em sua garganta. Qual é, ele não precisava se importar com aquilo, porra, já haviam o tratado muito pior. — Eu vou ir 'pra minha casa. - Avisou em um sussurro, tendo a atenção de Louis inteiramente e somente sobre si. — É... Valeu, sabe, por ter me deixado dormir aqui. — Você 'tá indo por que eu falei que você não precisava fazer nada? O quão ridículo isso soava? Harry é a criatura mais idiota e inútil existente. — Na verdade não, meus pais não me responderam, estou preocupado e, com certeza Moretz já chegou lá então eu conseguirei entrar. — Tudo bem então. - Deu de ombros, caminhando até a despensa sob a escada. — Suas roupas estão secas já. - Dobrou as peças sobre a máquina de lavar roupas, as guardando em uma sacola em seguida e entregando nas mãos de Harry.— Tudo bem. Eu vou vestir o uniforme e deixar o seu pijama aqui. - O mais novo alertou, adentrando a despensa e fechando a porta do local, enquanto se trocava rapidamente, para que pudesse sair dali o mais ligeiro possível. — Toma - Entregou os pijama dobrado para Louis. Retirando a gravata do uniforme em seguida, enquanto caminhava para a porta, ainda pensativo sobre tudo o que ocorreu. — Até mais. — Até. - Louis sorri forçadamente, fechando a porta quando percebe Harry virar as costas para ir embora. Styles, no momento, se sentia como uma única pena, intensamente solitária, caindo em uma velocidade indescritível, enquanto ninguém se importava consigo, afinal, era apenas uma pena.

----- CHAPTER BREAK -----

Louis havia sido rude? Na verdade ele não acha.Não havia tratado Harry mal propositalmente. De maneira alguma. Sua intenção não era deixá-lo desconfortável, isso sequer passou por sua cabeça no momento em que lhe dirigiu a palavra. Porém Tomlinson tinha suas próprias merdas e de repente a correnteza resolveu se tornar mais forte, da noite para o dia. Foi questão de minutos para que Louis se afogasse novamente. Harry não era culpado por nenhuma das coisas que Louis estava passando no momento, mas era impossível estar totalmente equilibrado quando tanta coisa está acontecendo ao mesmo tempo. Sim, ele deveria ser um pouco mais compreensível com Styles – considerando o estado que o garoto chegou em sua casa – mas também tinha de administrar cada passo seu e de seu pai. No entanto, nada poderia ser mudado no momento. Louis se arrisca a dizer que Harry também não irá respondê-lo caso o envie uma mensagem qualquer. Embora sua mente estivesse focada, involuntariamente, em Harry, Louis precisava focar somente em sua atividade do momento. Desde o dia anterior seu pai vêm passando mal, provavelmente pela grande quantidade de álcool no sangue. Ele está cuidando de seu pai, é o mínimo que ele pode fazer, na verdade. Louis nunca admitiria que a vida que leva não é fácil. Obviamente existem momentos e momentos, eles ficam guardados em sua mente, como uma espécie de joia, ou uma pedra preciosa, que ele somente gosta de lembrar da existência quando precisa. Mas nem sempre eram momentos bons, alguns desses momentos o machucavam, apenas lembrar de alguns deles o entristece de maneira inexplicável. Seria muito hipócrita de sua parte reclamar da parte em que cuida de seu pai alcoólatra, considerando que ele mesmo vêm sendo cuidado há anos, ele teria que retribuí-lo de alguma forma. Além de que, a vida de Louis não era somente resumida àquilo, ele tinha seus momentos com seus amigos da banda, tinha seus momentos fazendo o que gosta e tinha seus momentos com Harry. Louis gostava daquele garoto, gostava de seu jeito na maior parte do tempo, gostava da maneira como ele era esperançoso para algumas coisas e, nunca subestimava seus próprios planos. Algo sempre despertou sua curiosidade sobre Harry. Desde o dia em que o assistiu sentado calmamente em um dos assentos do auditório, enquanto o palco estava em chamas e todos os outros alunos haviam engatado em brigas fodidas. Observar o Harry abraçado à sua mochila enquanto era molhado pelo sensor de fumaça e sorria disfarçadamente, fez Louis se questionar sobre a sanidade mental do garoto de cabelos cacheados e olhos duvidosos. Algo o chamou atenção em Styles. E Louis não pensava o quão insano aquele garoto pode ser quando quer. Era complicado ter uma total opinião formada por Harry, na verdade. Ele age de acordo com os momentos atuais, Louis percebeu isso. Harry realmente não pensa antes de fazer algo quando é pego de surpresa, ele não se importa com as consequências que aquilo o trará, ele não se importa em medir palavras e não se importa em foder com a vidas das pessoas que o machucam.Mas também não é difícil perceber o quão fodido aquele garoto é. Louis não sabe muito sobre ele, por mais que se considerem amigos agora, Harry consegue ser reservado e neutro quando quer, ele consegue controlar suas emoções e reações, foi perceptível ao comparar as situações onde ele foi insultado pelo professor de Artes em sala de aula e o respondeu com presunção e na situação onde ele foi ofendido em frente à Louis pelo diretor. Styles era extremamente inteligente, seus planos eram bons 'pra caralho, mesmo quando ainda estão em um papel de planejamento, ou quando executados. Embora o destino sempre foda com suas ações. Louis sorri com isso. Entretanto, Styles ainda era uma incógnita para Tomlinson. Ao contrário de dias anteriores, ele não tinha pressa para tentar achar seu valor. Não mais. — Aqui, espero que esteja bom o suficiente, qualquer coisa eu trago o adoçante. - Ele entrega a xícara de café nas mãos de seu pai, esse mesmo que está sentado no sofá da sala, assistindo algum jogo qualquer. Sua feição é de cansaço. Dave tem enormes bolsas roxas embaixo de seus olhos, seus lábios estão cortados pelo frio repentino e suas mãos tremem. — Isso aqui 'tá bom, criança, pode subir. — Tudo bem... Tenha uma boa noite. - Ele deixou a sala sem ser respondido pelo homem. Seus passos eram vagarosos ao subir a escada, desligando as luzes pelos interruptores nas paredes, adentrando seu quarto e fechando a porta com cuidado, ouvindo o baixo "click" da maçaneta. Louis aproveitou que ainda era cedo da noite, para organizar seu quarto, dobrar suas roupas e cobertores, guardar seus sapatos e organizar todas as suas cartas em ordem mensal, desde a primeira que recebeu até a última, recebida no mês passado. O seu pijama, que fora usado por Styles, ainda está sobre sua escrivaninha, dobrado como o garoto o entregou na manhã anterior.Tomlinson sorri, tocando no pano quente de flanela, o puxando para si com cuidado, como se Harry ainda estivesse o usando. Ele leva o tecido confortável até seu nariz, fechando seus olhos ao sentir o cheiro doce de morangos recém-colhidos do cacheado. Louis realmente não sabe como se chama o sentimento de sentir-se feliz quando alguém está feliz ou sentir-se confortável quando alguém está confortável. Era apenas... Estranho demais? Embora ele estivesse confortável ao se lembrar da imagem de Harry aquecido em sua cama depois de passar sabe-se lá quanto tempo sob aquela chuva impiedosa que caiu sobre a cidade. Quando se deu conta de que ainda segurava o tecido embaixo de seu nariz, Louis o soltou com sutileza em cima da escrivaninha novamente, recolhendo a calça do conjunto e guardando em seu armário. Algo havia mudado, ele estava confuso demais para dizer o quê. Chegar na escola estadual de Wassed e não encontrar Harry em seu armário, irritado com sua própria bagunça ou concentrado no horário colado de maneira torta na porta de aço de seu armário era incômodo. Louis tem certeza de que essa absência não está ligada com o sábado de manhã. Ele não gostaria de confessar que sentiu falta do cacheado ali, por mais que Harry realmente não falasse muito quando estava junto à Louis, ele parecia gostar de ouvi-lo. O dia passou-se arrastado, era explicável o porquê. Ele ficou sozinho na biblioteca, percebendo o quão destrutivo podia ser Harry Styles. Considerando que em todas as extremidades das prateleiras havia um "H" esculpido ou desenhado de caneta. Não havia muito o que fazer no local, então assim que terminou de organizar os livros em seus devidos lugares o rapaz deixou a biblioteca, sequer despedindo-se de Carter, que fez questão de dizer que iria conferir o lugar. Louis quase lhe deu o dedo do meio. . . . — Hey! - Louis sorriu quando seus olhos reconheceram a figura de Styles, parado em frente ao seu armário, como sempre. — Você está bem? - Questionou analisando o mais novo. Haviam vergões vermelhos por seu rosto, suas bochechas estavam mais coradas do que o usual e, as antigas cicatrizes visíveis em sua clavícula pareciam terem sido abertas novamente. Nem todas as pequenas cicatrizes estavam da mesma maneira, outras estavam apenas inchadas e vermelhas.— Oi, William. - Jogou seu livro dentro do amontoado de papéis, trancando seu armário com facilidade. — Você não respondeu minha pergunta, malchik. — Eu estou aqui - Respondeu impaciente, fechando o zíper de sua mochila antes de jogá-la em seus ombros. — Se eu estou aqui é porque estou bem, não é?— Não necessariamente. As pessoas que vivem em hospitais estão lá e não estão bem. Harry o encara com os olhos preguiçosos. Há olheiras embaixo de seus olhos, seus cachos – que antes pareciam terem sido enrolados manualmente – agora estão completamente esvoaçados, e o garoto não parece se importar. Querendo ou não, Louis se preocupa. — Quer conversar? — O que deu em você hoje, hein? Que coisa estranha. 'Tô indo 'pra minha aula, te vejo depois. - Harry andou em passos curtos até a sala de biologia, olhando para Louis uma última vez antes de entrar em sala de aula. Louis sorri de maneira involuntária ao que escuta aquilo. Por mais quieto e estranho que o mais novo parecesse, ele ainda conseguia se manter, era no mínimo admirável.Eles se encontram na aula de sociologia. Harry está extremamente silencioso, aquilo deixa Louis pouco curioso quanto à sua quietitude.Styles tem seus cachos trançados, desde a raiz de seu cabelo até as pontas, ambos os lados estão trançados e Louis percebe que o garoto fez aquilo durante as primeiras aulas. Ele parece adorável mordendo seus lábios e concentrando-se em seus traços leves sobre a página, essa qual contém apenas longos textos explicativos, desenhando um corpo enquanto seguia uma linha de raciocínio pouco particular. Harry seguia os pontos finais de algumas palavras, geralmente terminadas em "O" e "A", para traçar seu desenho.Seus olhos estavam atentos no papel enquanto a professora explicava algo em frente a lousa, tendo a atenção de todos os alunos em sua desenvoltura ao falar sobre seu conteúdo – que Louis já havia tido conhecimento por vontade própria. — Eu não vou passar lição de casa porque é início de semana e iremos iniciar o período de avaliações, aproveitem a folga. Estão liberados. - Ela diz, apagando o quadro com um pano úmido enquanto Harry ao menos se move. Louis cutuca seu braço tensionado com a ponta de borracha do seu lábios, percebendo as orbes esverdeadas e cristalizadas pairarem sobre seu rosto, que no momento ele tem certeza de que está completamente sereno. — Vamos almoçar juntos? A aula já acabou e temos que voltar para a biblioteca até o Carter decidir desistir de pegar no nosso pé. — Pode ir, eu vou ficar aqui, não estou com vontade de almoçar. - O mais novo recolheu suas coisas, as guardando em seu estojo e jogando dentro de sua mochila em seguida. Tomlinson engoliu seco porque sabia que havia algo estranho, mas não fazia a menor ideia de como reverter a situação. — Tudo bem, eu também não estou, vamos apenas comprar um lanche. — Louis- Ah, porra, 'tá bom. - Revirou seus olhos, permitindo-se sorrir quando Louis comemorou com suas mãos. — Idiota. — Você adora me xingar, Edward. É algum tipo de fetiche? - Questiona brincando, indo em direção à porta da sala, escutando o bufar de seu amigo, que vinha logo atrás. — Não, cara, credo. O mais velho sorri divertido, enquanto aguarda Harry fechar a porta da sala e andar ao seu lado no corredor. Há panfletos colados por toda a parte, geralmente nos murais de avisos, alguns deles falam sobre o baile de formatura do último ano do ensino médio, enquanto outros falam sobre as viagens pagas para um parque de diversões famoso, ficava longe de Wassed, provavelmente quatro horas de viagem em um ônibus lotado de adolescentes. — Vai ir para a viagem de formatura? - Pergunta descontraído, assistindo Harry negar enquanto anda ao seu lado, seus olhos estão mirados no chão, acompanhando cada passo lento que dá. — Eu não acho que o Carter permitiria minha presença. — É uma viagem importante para os alunos, malchik, ele não seria tão filho da puta assim. — A olimpíada também era importante para mim na época. - Respondeu simples, ainda sem encará-lo, descendo a escadaria na velocidade de Louis, tentando o acompanhar. — Posso perguntar o porquê? — Pode, mas eu não vou te responder. Louis arqueou seu cenho, retirando seu paletó azul-marinho com o logotipo da escola de Wassed e o segurando entre seus dedos, os apertando no tecido. Ele realmente queria entender o que estava acontecendo com o garoto. Ambos caminharam lado a lado, em completo silêncio, enquanto Styles parecia alheio a tudo e qualquer coisa à sua volta, seguindo os passos cuidadosos de Tomlinson pelas ruas. Harry até chegou a agarrar em seu pulso quando foram atravessar a rodovia movimentada que os levava para a lanchonete. Louis o segurou de volta, tentando passar algum tipo de segurando para o mesmo, seguindo dessa maneira até chegarem a calçada do estabelecimento.A lanchonete ficava aberta vinte e quatro horas por dia, era um lugar aconchegante e confortável de estar e passar um tempo sozinho ou com os colegas. Havia até mesmo uma prateleira cheia de livros para ler enquanto toma um café. Inclusive, era a mesma lanchonete na qual Louis comprou o cupcake de aniversário para Harry.Louis insiste em pagar um salgado para Harry, que reluta em aceitar aquilo, mas no final de tudo ambos estão sentados na beirada do concreto que divide a praça do mar. Styles balanças seus pés – praticamente – pendurados, batendo a sola do calçado no concreto enquanto morde seu pastel de queijo, e volta a descansar suas mãos em seu colo. Assistindo os pequenos barcos coloridos navegarem no mar. Alguns condutores dos barcos pescavam, enquanto outros estavam distantes demais para ter noção das atividades momentâneas.— Desculpa. - É o que Louis diz antes de encarar o cacheado, que o fita confuso, suas sobrancelhas estão amarfanhadas e seus lábios prensados um sobre o outro. — Não queria ter sido rude, mas coisas contribuíram para que eu me esgotasse naquela manhã e você não tinha nada a ver com isso, então me desculpa. Louis está sendo sincero. E ele realmente espera que Harry aceite suas desculpas medíocres. — Para com isso. Eu não estou bravo com você, Tomlinson. - Harry o retorna em um murmúrio, enquanto leva a garrafa de suco até seus lábios róseos. — Só não 'tô de boa com as coisas que estão acontecendo, você também não tem nada a ver com o meu mal estar. Foi mal sair daquele jeito da sua casa, você realmente não tem nada a ver.— Eu vou te falar uma coisa que, provavelmente, soará clichê, mas eu preciso te dizer porque talvez você precise disse futuramente. - Louis começa.— Olha, como eu já disse, somos amigos agora. Você pode me contar sobre suas merdas, não te prometo que vou te apoiar sempre mas te prometo que vou tentar te compreender e achar o jeito mais fácil para te ajudar a resolver as coisas. Eu não sou um especialista do caralho em conselhos, mas também não sou péssimo, tenho uma vida agitada, te assumo que não é sempre no lado bom da coisa, e já passei por muitas coisas, sabe? Podemos ajudar um ao outro com nossas vivências, é isso que eu quero dizer. - Louis profere em um sussurro calmo, sentindo o Sol aquecer seu rosto e, provavelmente, deixar seus olhos mais claros do que o normal. Sua franja bagunçada faz com que sua testa esteja suando no momento, mas ele não se importa, porque os lábios de Harry estão tremendo e aquilo é de cortar o coração. — Não estou dizendo que precisamos simplesmente chegar um no outro e desabafar todas as nossas merdas rapidamente, cuspindo e atropelando as palavras, mas somos amigos, Harry, e eu não posso sequer te ajudar se você não conversar comigo e ficar agindo assim, me afastando de você com palavras secas e rudes. Também não quero soar invasivo, me desculpa se eu estou invadindo o seu espaço pessoal, mas eu só preciso que você me avise quando quiser conversar ou não, eu preciso saber quando insistir em você. — Eu não sei o que aconteceu para você estar assim, realmente não faço a menor ideia, mas algumas coisas nunca vão sair do jeito que a gente pretende que saia, ou seja; do jeito que a gente espera que se conclua. Para mim, sempre há um motivo, seja ele bom ou ruim, todas as suas ações têm consequências. Esteja ciente de tudo o que você faz. - Alerta, segurando a garrafa em mãos, assistindo o outro morder os lábios e fechar seus olhos, provavelmente engolindo o nó formado em sua garganta. — Eu nunca recebi uma consequência pelas coisas que eu fiz na escola. - Respondeu com a voz trêmula, apertando suas mãos em volta do plástico da garrafa de suco.— Você está tendo de ficar o contraturno todo na escola, arrumando e etiquetando livros junto à mim. Isso não é consequência para você? — Eu- Eu não sei. Isso é uma consequência para você? — Depende. Acho que se eu estivesse sozinho seria uma consequência muito pior. - Louis diz sorrindo, tentando fazê-lo sorrir, mas é falho.— Você pode me pedir conselhos sobre tudo o que quiser, eu te prometo que não vou rir de nada. Eu sei separar momentos, digo, momentos onde eu sei que posso rir de uma situação e momentos que não posso, espero que você saiba também. Harry permaneceu em silêncio, com seus olhos fechados e seus lábios franzidos. Louis sentiu seu coração apertar. — Venha aqui. - O acastanhado guardou o lanche de Harry em uma sacola, o pousando sobre o seu paletó – esticado no chão – e puxou o garoto pelo fino pulso, acolhendo o pequeno corpo tensionado em seus braços. — Seja lá que situação confusa esteja passando dentro dessa cabeça, eu te prometo que vai melhorar. Sempre melhora, H, sempre, eu prometo.— Eu só estou cansado. - Sussurrou dentro do abraço apertado e acolhedor de Louis. — Está tudo bem, todos temos uma cota. — Eu estava assistindo um filme... - Ele muda de assunto, ainda no abraço do mais velho. — Que uma adolescente se droga para esquecer de coisas que aconteceram no passado dela, mas os pais descobrem e a humilham, ao menos tentam compreendê-la... Você acha que ela estava errada? Ou que os pais estavam errados? Eu realmente fiquei confuso, sequer cheguei a terminar de assistir.— Que tipo de filme é esse que você gosta de assistir? - Louis questiona sorrindo, tendo a cabeça de Styles encostada em seu peitoral, provavelmente o garoto está ouvindo os batimentos cardíacos de seu coração. — Acho que, as drogas são muito normais entre adolescentes que tem uma vida de merda, e adolescentes que vão no embalo de outros, mas eu não posso julgar quem usa porque eu vivo com um cigarro de maconha na mão. - Harry permanece em silêncio, apenas o escutando, enquanto seus olhos se fecham vagarosamente. Ele implora em silêncio por algo que tire toda a culpa de suas costas. Ele não quer que sua mãe sinta raiva de si, ele não quer que Arabella esteja decepcionada consigo...— Ela não pode mudar o passado dela, ninguém pode na verdade. E se ela faz o que faz, certamente é porque algo ainda a machuca. Desde pequenos aprendemos que é errado usar drogas, mas quando crescemos encontramos uma escapatória da vida real em cada pílula, em cada adesivo, em cada pacote de pó, em cada cigarro ou em cada agulha. E é uma porra porque de repente você está pensando naquilo à todo instante, você não se vê mais sem aquilo, sua vida depende somente daquilo. Não acho que ela esteja totalmente errada. Os pais erraram em humilhá-la, deveriam ter tentado iniciar uma conversa e pedir explicações para ela, tenho certeza de que ela não fez por maldade ou por querer enfurecê-los propositalmente, a não ser que ela queira ser expulsar de casa ou algo assim - Ele sorri, contraindo seu peitoral. — Como eu disse antes, ela não pode mudar o passado dela, ela só 'tá se destruindo mais e mais...— Entendi. Acho que você conseguiu clarear minha mente, vou assistir o filme de novo. - Harry se afasta, suspirando fundo enquanto arrasta as palmas de suas mãos em sua calça do uniforme, provavelmente estão suadas. — Vamos fingir que essa merda toda não aconteceu, odeio melação.Louis sorri em resposta, revirando seus olhos enquanto pensa que, de alguma forma, ele reanimou Harry. — Tudo bem. — Eu quero deixar o Carter com raiva hoje. - Styles comenta sínico, levantando-se com cuidado para não cair no mar, afastando-se dali. — Vamos apagar todas as luzes da escola no disjuntor. — Você não vale bosta nenhuma. - Tomlinson lhe dá um leve tapa na perna, levantando-se após do garoto e recolhendo a sacola de lanche, assim como seu paletó, o sacudindo e retirando todas as folhas grudadas no tecido. — E você adorar não valer bosta nenhuma junto à mim. - Harry lhe lança uma piscadela por cima de seu ombro, colocando as mãos na cintura enquanto aguarda o mais velho lhe alcançar. — Toma - Louis estica a sacola de seu pastel. — Termina de comer o seu lanche, não quero você desmaiando por conta de uma hipoglicemia. — 'Tá bem. - Ele recolhe o plástico, abrindo o pacote e voltando a comer seu pastel de queijo, enquanto Louis divagava sobre as espécies únicas de pássaros na cidade. [...]— Cala a boca, eu vou te dar um socão! - Harry fingiu gritar em um cochicho, enquanto caminhavam pelos corredores com seus capuzes sobre a cabeça, precavendo-se de qualquer encontro indesejado com Carter. — Fala sério, Harry, é óbvio que você e o Edward de crepúsculo dariam um belo casal, dois idiotas. — Pelo menos ele deve foder bem, melhor que o Jacob. — Há minutos atrás você havia dito que nunca assistiu crepúsculo. - Louis o cutucou com as pontas de seus dedos, fazendo o cacheado sorrir pelas cócegas repentinas e um som alto sair de sua boca, sendo tapada por suas mãos em seguida. O mais novo corou fortemente quando foi desmascarado. Era claro que ele já havia assistido aquele filme, achava péssimo no entanto. — Assisti porque queria poder falar mal com propriedade. Não adiantaria eu sair dizendo que odeio crepúsculo e toda a saga sem ter assistido. — Você odeia muitas coisas, paren', fico lisonjeado em não ser uma das coisas que você odeia. - Tomlinson brincou, sorrindo baixo enquanto andava ao lado de seu amigo. — Quem disse que eu não te odeio, seu convencido de merda? — Você admite isso todos os dias na frente do espelho, diga a verdade. — Vá se foder. - Harry o empurrou com seu quadril, sentindo o mesmo doer quando colide ladinamente com o quadril de Louis. — Ei, não lembro de agressão estar nos nossos termos de amizade. — Você é uma carniça. - Ele segura um sorriso, não se daria por vencido com as tolices que o rapaz dirigia a si.A caminhada não dura mais do que dez minutos. O disjuntor fica na área de serviço, quase abandonada pelos funcionários, mas muito utilizada para que os alunos repassem drogas. Aquela escola era uma verdadeira confusão do caralho. Harry adentra a sala empoeirada depois de Louis, fechando a porta do lugar desajeitadamente, concentrando-se em seu espirro, fazendo com que o trinco colidisse contra o batente e a porta fizesse um barulho extremamente alto. A sala estava completamente escura. Nenhum dos dois enxergavam sequer um palmo à frente. Louis queria gritar. — Blyad', Styles, como você quer desligar o disjuntor se mal conseguimos enxergar nossos próprios pés? - Tomlinson pergunta irritado, esticando suas mãos, procurando cegamente por Harry. — Eu espirrei, seu porra, não consigo controlar meu corpo com um espirro, prefiro a morte. — Continua falando. - Pediu, caminhando em direção a voz do esverdeado. — Louis, você é um merdinha fedido- O mais velho o agarra pela cintura, puxando seu corpo em um solavanco rápido, sentindo as mãos do outro se apertarem contra seus bíceps e um grito escapar da boca de Styles. — Fedido é você, criançona. — Estou te mostrando a língua, pena que não pode ver. Louis gargalhou, ainda segurando a cintura definida e curvilínea de Styles, a soltando quando percebeu a proximidade desnecessária.— Abra a porta para a luz do corredor entrar aqui e podermos achar a parede em que o disjuntor se encontra. - O maior pediu, sua voz saiu baixa e ouviu Harry negar. — Acho que precisamos procurar pelo disjuntor com a porta fechada, algum funcionário pode chegar aqui e irão nos reconhecer facilmente. Se continuarmos com a porta fechada e alguém entrar na sala escura ainda da tempo de cobrir o rosto e correr. - Styles explica, pisando no pé de Tomlinson, sem querer. — Ah, foi mal, eu juro que não foi proposital, eu 'tô tateando a parede, olha - O mais novo balança sua mão no breu, procurando pela mão de Louis, a encontrando após estapear – involuntariamente – a mesma. — Viu, não foi de propósito?— Em momento algum eu disse que foi, malchik. - Ele diz pacífico, juntando-se a Harry para procurar a caixa embutida na parede. — Achei! - O cacheado grita, cantarolando uma música para que Louis o encontre com facilidade. — Vamos desligar juntos, certo? - Tomlinson pede, posicionando seus dígitos sobre as pequenas alavancas. — Certo. — Um... Dois... Três... Já. Ambos empurraram as alavancas para baixo, não demorando muito para ouvir alguns gritos isolados no andar superior. — Vamos, venha. - Louis entrelaça seus dedos nos de Styles, que estão quentes e suam. Ele sente como se apenas a energia que se descarga em seu corpo pudesse iluminar aquela escola no momento. Louis caminha para onde julga estar a porta, encontrando o trinco depois de tatear a madeira e surpreende-se com a escuridão que todo o colégio se encontra. — Vamos ter de correr, não é? Odeio essa merda. Tomlinson sorri, negando com sua cabeça enquanto o puxa para a porta de emergência, abrindo-a e correndo pelo corredor escuro, até demais. — Quer dizer que se você 'tivesse cometido um crime você permaneceria no mesmo lugar? — Eu não cometi um crime, idiota, são coisas completamente diferentes. - Harry reclama ofegante, pisando fortemente no solo desprovido de quaisquer porcelana ou madeira para cobri-lo, enquanto as solas de seus calçados fazem um barulho extremamente alto. — Ei, espera, estamos saindo de dentro do prédio por esse corredor. - Styles percebe, quando Louis abre a porta final, soltando o enlaço de dedos para cobrir seus olhos quando expostos ao Sol. — Seria muito arriscado irmos para a biblioteca pelo interior da escola, vamos pela rampa externa, rápido. - William explica calmamente, correndo pelo gramado, enquanto procura algum aluno suspeito no lugar, ou alguém que poderá dedurá-los posteriormente, não encontrando ninguém. Eles correm pelo Hall de saída, sorrindo como duas crianças idiotas, enquanto apostam uma corrida inconsciente e pisam um no pé do outro, discutindo sobre quem chegou primeiro na biblioteca. No fim, Harry venceu a pequena briga. — Pestes! Onde estão? Apareçam! - A voz de Carter é escuta pelos dois, principalmente por Harry, que corre desajeitadamente pelo corredor de biologia. — Estamos aqui, diretor Carter, precisa de algo? - Pergunta de modo sínico. Louis vêm logo atrás de si, carregando alguns livros etiquetados. — Não é possível uma coisa dessas! - O mais velho grita, batendo seus pés ferozmente no chão, deixando a biblioteca com resmungos altos e uma carranca emputecida no rosto. — Velho vagabundo! - Harry diz antes de caírem na gargalhada. — O melhor foi você correndo como um cachorrinho quando o dono chama. - Louis apontou para o garoto, que ameaçou jogar um livro em si. — Olhaaa. - Engrossou a voz, chamando a atenção de Harry. — Cuzão. - Guardou o livro entre os outros, exatamente no mesmo lugar de onde havia tirado. — O melhor foi a cara dele percebendo que nós estávamos aqui. - Styles se senta, ainda sorrindo. Suas covinhas são visíveis aos olhos – gentilmente fechados – de Louis, uma é mais profunda do que a outra e, aquilo faz Harry parecer extremamente adorável, com as bochechas rosadas e seus lábios curvados em um amplo sorriso. Tomlinson quer colocar seus dedos nas depressões das bochechas do garoto. [...] Harry caminha pulando ao lado de Louis. Tomlinson até encheria o saco do cacheado, mas ele ainda sorri docemente pelo ocorrido mais cedo, comentando sobre a feição indignada de Carter enquanto tenta refazer suas caretas, na companhia de Louis, que tanta imitar a face de Carter ao encontrá-los na biblioteca. Louis não quer ser xingado por Harry, não é nem pelo fato de sempre xingarem um ao outro, mas pelo simples fato de que Styles pararia de sorrir apenas para xingá-lo. Eles se despedem com um pequeno aceno quando chegam à casa de Styles. Tomlinson se pega pensando na merda em que se meteu para ver Harry sorrir.

----- CHAPTER BREAK -----

Louis estava confuso. Sobre absolutamente tudo. Durante a última semana as coisas não têm sido fáceis para si, ele se sentia extremamente sobrecarregado – e não era para menor –, porque não havia mais tempo para seu próprio "eu" em sua própria vida. Louis não tinha mais tempo para cuidar de sua própria alimentação ou tempo para seu lazer. O problema de Louis é pensar demais nas outras pessoas, sem ao menos perceber que acabada pegando os problemas delas e os tornando problemas seus também. Louis sempre teve empatia, mas também sempre foi muito além do sentimento. Imensamente além. Querendo ou não aquilo é péssimo, porque além de não ter mentalidade o suficiente para resolver – ou tentar – seus próprios problemas, Tomlinson ainda queria ajudar outras pessoas organizarem suas próprias bagunças. Seu pai vêm passando noites seguidas em bares, o telefone fixo toca todas as noites, a atendente sempre está dizendo que Dave está passando mal e precisa de ajuda, ou que alguém vá buscá-lo. Louis sempre gasta o dinheiro que economiza desde os catorze anos com carros de aplicativo para buscar seu pai em um bar próximo. Ele está cansado. Tudo em si doía, até mesmo seus fios de cabelo, se é que aquilo era possível. Ele não queria se levantar, não queria abrir as cortinas de seu quarto e muito menos sair para fora do cômodo. Louis queria permanecer ali, junto a sua bagunça, ao mesmo tempo que queria permanecer ali apenas para ignorá-la e, porra, aquilo não era possível. Tomlinson não conseguia ignorar aquilo tudo completamente, era difícil 'pra caralho, era complicado, ele sentia como se sua cabeça fosse explodir a qualquer momento e ele mal sentiria aquilo.Louis não queria ter de viver aquele dia. Não queria ter de chegar na escola e encontrar Harry triste, não queria se esforçar para animá-lo, ele só... Não queria sair da sua zona de conforto. Mas mesmo sentindo um angustiante sentimento parasitar em seu peito, ele se levantou. Ele preparou o café da manhã para seu pai, fazendo uma salada de frutas geladas com cuidado, correndo as frutas em cubinhos e salpicando um pouco de açúcar, antes de montar pequenos sanduíches com patê de presunto. Embora Louis estivesse com uma imensa vontade de chorar a todo instante, o rapaz subiu os curtos degraus, segurando gemidos cansados e de dor, para deixar a bandeja do café sobre a mesinha de cabeceira de seu pai, o mesmo móvel que estava totalmente bagunçado, repleto de embalagens de comprimidos para dor de cabeça e antidepressivos. Louis se despediu de seu pai com um beijo rápido e silencioso em sua testa enrugada. Dizendo que voltaria logo para o jantar.Tomlinson foi para a escola sentindo-se um merda total, ele não iria, realmente não, mas a energia de sua casa pesava e, ele se sente um idiota por pensar isso, mas estar longe de seu pai – às vezes – é o melhor que ele faz. Seus passos eram arrastados enquanto ele caminhava para dentro da instituição. Ele não fazia a menor ideia de como estava sua aparência e, não fazia questão de saber. Louis se sentia alheio à tudo, à qualquer coisa. Nada parecia ser original, nem ao menos real. Seus pensamentos oscilavam entre "caralho, eu preciso dormir" e entre "eu preciso ir embora", não eram muito distintos, mas era o que era. As vozes ao seu redor estavam distorcidas em sua mente, era embaraçoso, ele se sentia desesperado.Harry estava em frente ao seu armário, como sempre faz, haviam fones de ouvidos pendurados em volta de seu pescoço, enganchados na gola amarrotada de sua camisa polo do uniforme, enquanto um lampejo de preocupação atingiu sua feição ao perceber o estado em que Louis se encontrava. William não se lembra de nenhuma palavra que Styles o dirigiu, porque ele estava distante demais pra ouvi-lo. Seus olhos pesavam como nunca fizeram antes, e o dia parecia não passar, embora ele soubesse o quão rápido o tempo estava passando para os outros alunos, que reclamavam quando o sinal soava no interior da sala, indicando que outra aula estava prestes a começar. Louis estava confundindo a realidade. Ele se sentia drogado. Tomlinson pediu desculpas internamente para Harry quando saiu da escola sem sequer visitá-lo na biblioteca, mas ele não aguentava sequer mais um minuto dentro daquele colégio. Enquanto entrava na balsa de travessia para, enfim, ir para sua casa, Louis se desequilibrou, pouco depois de sentir uma forte onda de tontura e dor lhe cobrir. Sua sorte foi uma senhora cuidadosa que segurou em seu braço quando adentrava a balsa também, sentando-se ao lado do rapaz durante toda a travessia e o levando até a porta do sobrado. Tomlinson se pegou pensando se não deveria ser ao contrário... Ao que chegaram, ele agradeceu imensamente a senhora, se oferendo até mesmo para pagá-la pela companhia, mas ela negou, beijando a bochecha febril do mais novo e pedindo para que ele se cuidasse, dando dicas de remédios naturais que fariam com que ele não ficasse tão grogue em seu dia a dia. O azulado assentia, embora tivesse certeza de que não faria absolutamente nenhum dos remédios que a senhora dizia. Louis sequer tinha noção do local para onde estava a olhar, porque sua visão estava inteiramente turva. Seus olhos estavam abertos mas ele sequer conseguia enxergar. Ele pensava que morreria naquele dia. Mas foi só pisar seu pé no degrau de entrada de sua casa que, como apertar em um botão de uma fita cassete, onde mostraria todos os seus momentos – felizes e infelizes – de vida, lembranças caíram sobre si como uma bigorna, e ela pesava demais, porque boa parte do peso não era do objeto, e sim de suas próprias costas, que carregavam aquele peso sigilosamente todos os dias. Louis sentia uma dor imensa pois ele não sabia por quanto tempo mais poderia segurar aquilo, não fazia a menor ideia de quanto tempo levaria até que suas pernas cedessem e ele caísse, deixando aquela bigorna pressionar seu corpo até que ele esteja implorando por ar... Ele pediu perdão para seu pai por não poder cuidar dele naquela noite. . . . — Seu pai disse que você desmaiou semana passada, por que não respondeu nossas mensagens no final de semana? - Luke questionou ao amigo, arrumando seu topete lotado de gel, antes de entregar uma garrafa de cerveja para Louis, que estava sentado em um velho balde – virado de cabeça para baixo –amarelo de tinta. Era dia de ensaio da banda, eles gravariam um novo cover para publicar no Youtube depois de um longo tempo sem postar nenhum vídeo no canal. Louis estava nervoso, fazia muito tempo desde a última vez que cantou e, os acontecimentos recentes não o favoreciam muito. Estar na garagem de Zayn, reunido com seus amigos, o faz se sentir acolhido de certa maneira, ele gosta disso, da sensação.— Meu celular descarregou na sexta-feira do desmaio e eu não carreguei até hoje. - O mais velho entre os amigos respondeu, dando um gole na bebida amarga antes de quase virar a garrafa. — Não 'tô afim de mexer nas redes sociais.— O que aconteceu, cara? Você não é de ficar desmaiando por aí não. - Calvin questiona preocupado, sentado sobre a tapeçaria que suporta o peso da bateria musical. — Nada, nem se preocupem, 'tô de boas agora e 'tô ansioso 'pra ensaiar com a banda de novo, eu senti falta disso. - Ele sorri, realmente animado, erguendo suas mãos enquanto Zayn fecha a porta da garagem, acedendo todas as luzes possíveis. — Ainda é segunda-feira, os vizinhos do Malik vão enlouquecer. - Calvin comenta sorrindo feito uma criança ao apertar uma campainha e sair correndo. — Ele é rico, pode pagar multa, e ainda é cedo, eles não podem reclamar. - Luke profere, sentando-se na banqueta da bateria de Calvin.— Justamente por ser cedo eles podem reclamar. Você já foi mais inteligente, Luke. - Louis brinca, se levantando e deixando a garrafa vazia de cerveja no chão, ao lado do balde onde estava sentado. Ele caminha apropriadamente rápido sobre o tapete felpudo da garagem vazia, segurando a base gelada do apoio de seu microfone, regulando altura do mesmo, enquanto os garotos afinam seus instrumentos. — E aquele garoto que você disse que iria sair e não pôde vir ao ensaio? - Zayn questionou, se referindo ao dia da festa de rua em que Louis levou Harry. Ele sorriu se recordando do dia e negou com a cabeça, sentindo suas bochechas esquentarem repentinamente. Qual é, que porra 'tava acontecendo?— É o Harry, nos conhecemos no dia que eu fiquei com o cu na mão pensando que ia ser expulso. Vocês se lembram, não? O dia da explosão e do fogo na escola. O Zayn estava lá! — Oh, sim! Aquele dia foi do caralho, me mijei de rir com as brigas. - O moreno sorriu, jogando pequenas balinhas coloridas de Skittles dentro de sua boca, passando o pacote de mão em mão até chegar em Louis. — Eu conheci ele na detenção. Ele é legal 'pra caralho, até elogiou nossa banda. — Só falta você nos trocar por ele. - Calvin Rodgers bateu as baquetas fortemente nos pratos da bateria. Louis franziu seu cenho, achando aquilo impossível de acontecer. Ele conhece os garotos há quatro anos e Harry há menos de quatro meses. — Isso não vai acontecer, não pense merda. - Tomlinson retirou sua guitarra do apoio, passando seus dedos pelas cordas e afinando as chiadas. — O Louis não vai trocar a gente por ele porque ele quer pegar o garoto, são situações completamente diferentes. - Calvin diz, antes de beber o último gole que há em sua garrafa, a deitando no chão e chutando para a parede. Louis amarfanha seu cenho em confusão, arqueando uma de suas sobrancelhas enquanto tentava não agir de maneira estranha, querendo ou não aquilo o incomodava, mas não de uma maneira ruim. — Eu não quero pegar ele. Parem de inventar coisas. Vamos logo com isso. — Ih, ficou todo desconsertado - Luke Malak gargalhou, apontando para o mais velho, que fingiu sorrir junto aos garotos e lhes deu o dedo anelar como resposta às gargalhadas. — Vai falar que é hétero agora, Tommo? — Eww? Eu não sou, mas também não quero pegar ele. — Tudo bem, mas você disse que ele é legal, o que acha que marcarmos algo juntos? - Malik questionou esperançoso e o azulado revirou os olhos, apoiando a fita da guitarra em seus ombros.— Não acho que seja uma boa ideia, na verdade, eu não sei, eu não conheço muito ele e, pelo que sei, Harry não sai muito de casa. Podemos ensaiar agora? — Tudo bem! Vamos deixar a câmera gravando já? - Luke pergunta, se posicionando atrás do teclado, sentando-se no banco, antes de Louis negar. — Vamos passar a música pelo menos uma vez, depois nós gravamos. — Beleza. - Malak o responde sorrindo, apertando levemente as teclas, antes de todos estarem corretamente posicionados e Calvin bater as baquetas três vezes uma na outra.Para Louis, provavelmente, ensaiar antes de gravar era a melhor coisa que eles faziam, assim podiam repassar algumas mudanças, como: "Hey, Louis, o que acha de prolongar o 'ground'?", "Oh, tipo, 'with your feet on the air and your head on the groounnd'?", "Yeah, yeah, tipo isso!" — Bem, nós somos a banda 'Dirty Smoke' e esse é o nosso cover de 'Where's my mind'. Por favor, deixem suas opiniões sinceras, somos apenas quatro garotos de dezoito anos. - Ele sorri divertido, pouco tímido para a câmera, antes de voltar para trás do apoio de seu microfone.Louis respirou fundo – sorrindo contra o microfone – quando introduziu Where's my mind. Seus dígitos da mão direita iam de encontro com as cordas barulhentas da guitarra, enquanto os outros dedos de sua mão esquerda eram destinados a fazerem os acordes, pressionando fortemente as cordas para que o som saísse o mais nítido possível.— With your feet on the air and your head on the ground - Sua voz saiu mais rouca do que ele esperava. Havia um sorriso involuntário em seus lábios, ele sabia que estava sorrindo porque sentiu saudades daquilo, sentiu saudades de estar com seus amigos e de tocar com sua banda. Sentiu saudades de fazer o que realmente ama. Seus olhos estavam gentilmente fechados, para que ele pudesse sentir a harmonia de todos os instrumentos juntos, até mesmo das vezes em que a sola de seu tênis ia de encontro com o carpete posto no chão. — Try this trick and spin it, yeah. - Louis brincou na última parte, fazendo os amigos sorrirem e tirarem suas atenções para o vocalista. —Your head will collapse. But there's nothing in it.And you'll ask yourself - Ele voltou a abrir seus olhos, sentindo sua mão – que apoia o braço da guitarra – suar, enquanto sua franja bagunçada está quase cobrindo sua visão, caindo sobre seus cílios. — Where is my mind? Where is my mind? Where is my mind?Há um pequeno solo de guitarra nesse momento, Tomlinson se afasta do microfone com rapidez, para que pudesse o fazer, e volta, roçando seus lábios contra a dura rede que cobre o microfone. — Way out in the water. See it swimming!Louis volta a tocar junto à Zayn, que está na bateria, concentrado demais em seu próprio instrumento. Eles gostam do que fazem, é visível no olhar de cada um enquanto eles se divertem e se dedicam.O painel com o nome da banda ainda está pendurado na garagem, exatamente atrás de Louis, está empoeirado, quase não é perceptível o símbolo do anarquismo sobre a letra "i", substituindo o pingo da mesma letra. Existem outros objetos nas prateleiras manuais feitas de madeira, objetos que os garotos juntaram e trouxeram para a garagem do moreno, tentando decorá-la de uma maneira que fosse remetida à eles e à banda. — I was swimming in the Caribbean. Animals were hiding behind the rock - Louis se afasta do microfone, tendo sua voz imperceptivelmente mais distante, enquanto está concentrado em seus dedos nas casas e cordas corretas da guitarra. — Except the little fish. Bump into me, swear he's. Tryin' a talk to me, say wait wait. William abre seus olhos com cuidado, os mirando na lente da câmera, apoiada em um alto tripé, enquanto sentia sua testa suar. Ele realmente se movia muito ao cantar. — Where is my mind? Where is my mind? Where is my mind? Way out in the water. See it swimming!Essa era a sua parte favorita. Apenas ele e sua guitarra. Porra, existia coisa melhor do que isso? A banda continuou o cover de maneira animada, principalmente Louis, que balançava sua cabeça de um lado para o outro e, praticamente, depositava toda a sua potência vocal na finalização da música. Ao que Tomlinson a finalizou sozinho, ele sorriu, levantando seu olhar cansado em direção a câmera e piscando para a lente, enquanto Luke caminhava até o objeto para desligá-lo. — Foi foda demais! Eu 'tava com saudades disso. - Calvin grita animado, pousando suas baquetas sobre a bateria e se levanta, se dirigindo até o cooler de gelo – agora quase derretido – e retirando garrafas d'água de lá, arremessando cada uma delas em seus amigos, que as pegavam por reflexo. — Foi foda mesmo. O solo do Tommo, genial 'pra caralho. Hora que a guitarra chorou, quase gozei. - Malak brinca antes de abrir a tampa de sua garrafa, sentando-se no chão e secando sua testa suada com as costas de sua mão. — Que nojo, mano. - Calvin o encara com uma expressão desgostosa em seu rosto, enquanto os outros dois gargalham. — Zayn, você edita e posta no canal? - O mais velho perguntou, segurando a garrafa d'água e a tampa em uma das mãos, enquanto pousava a guitarra no apoio sobre o solo com a outra. — Deixa comigo. — Falando nisso, acho que precisamos renovar umas coisas, não? Tipo, a logo da banda e os layouts das redes sociais. - Luke sugere, arremessando o plástico vazio na lata de lixo aberta. — Concordo, mas acho que podemos deixar isso 'pra depois. - Rodgers diz calmamente, vendo os outros assentirem para sua fala. — Ah, falando em 'depois', vai rolar uma festa do pessoal de Radpit na sexta-feira à noite, vocês não querem ir? - Malik questiona animado, comentando sobre a festa e os outros três fazem caretas descontentes, realmente ninguém gosta de Radpit. — Capaz do Tommo apanhar lá. - Luke brinca, escutando a gargalhada de Tomlinson. Mal o conheciam em Radpit, como ele poderia apanhar? Por Deus. — Nem me conhecem, Luke, como eu poderia apanhar na festa? Enfim, eu acho que vou, faz tempo que não saio de casa para ir à uma festa, vai ser legal. — Se ele vai eu vou também, o Louis é o mais responsável, se alguém der pt ele traz 'pra casa. - Rodgers profere e Louis revira seus olhos. — Só pensam em mim quando é 'pra isso, não é? Falsos do caralho. — Mas hein, Louis, por que você não chama o carinha lá 'pra ir com a gente? Você disse que ele não sai muito de casa mesmo. - Luke pergunta, e Louis se sente desconsertar, realmente. Ele apenas não sabe, por que chamaria Harry? Há sentido nisso? Não. Por que ele está agindo assim quando citam o nome do garoto? Talvez seja apenas saudades, sim? Ambos não se veem desde sexta-feira e, Louis faltou às aulas no dia de hoje.— Não, melhor não. Qualquer coisa eu aviso vocês. - Decide, arrumando sua franja, que está uma verdadeira bagunça, em frente ao espelho manchado de um retrovisor retirado de um moto, pousado sobre uma das prateleiras de madeira. — Vamos almoçar na barraca de cachorro-quente do Jimmy! Sinto falta de ir lá. - Rodgers sugere, abrindo a porta pesada da garagem e fazendo os garotos reclamarem por conta da luz solar que invade o lugar. — Depois vamos ao fliperama, vou dar uma surra no Zayn lá na máquina do Mario Kart. - Luke caminha para fora, puxando o moreno pelo casaco, esse que sorri divertidamente e caminha de forma preguiçosa atrás do garoto. Louis vai logo em seguida, aguardando por seu amigo, que puxa o portão para baixo e o fecha com toda a sua força possível. Corando logo após por ter gemido ao fazer força demais. Louis tem os melhores amigos que alguém poderia sequer pensar em ter. . . . Louis estava ignorando Harry desde sexta-feira passada, então era isso que Harry pretendia fazer com o mesmo também, se o rapaz sequer aparecesse na escola. Harry não conseguiu manter quatro meses de amizade. Ótimo. Era realmente incrível. — Edward? O jantar está posto à mesa, e eu estou indo embora, não posso deixar meu cachorro sozinho durante à noite. - Moretz bateu na porta de seu quarto, avisando sobre o jantar, e tudo que recebeu como resposta foi: "uhum".O quarto de Harry estava uma verdadeira baderna. Alguns desenhos estavam colados com fitas nas paredes, até mesmo na cabeceira – de tecido macio em sua cama – havia desenhos. Harry desenhava coisas aleatórias, compulsiva e descontroladamente, apenas para tentar tirar de sua mente os finos traços do desenho que havia feito – há poucos minutos – do rosto de sua mãe. Era dolorido lembrar dela, claro que era. Que filho em sã consciência não sentiria falta de sua mãe? Ainda mais sendo uma mãe perfeita como Arabella era? Harry sente muito, por não ter sido um filho bom o suficiente para que ela se orgulhasse, ou ao menos realmente amasse como dizia amar. O lado bom de ter seus pais trabalhando muito era que, bem, eles estavam distantes, então muitas brigas eram evitadas. O lado ruim era, fazer com que Harry se sentisse exposto e vulnerável a qualquer mínima coisa...Às vezes se martirizar cansava. Cansava tanto que Harry apenas se cobria com seus edredons e se escondia debaixo deles, desejando dormir até que as coisas melhorem para si. Até que todos os seus problemas fossem resolvidos enquanto ele dormia.E ele não entendia o porquê de Louis não querer tê-lo atendido na segunda-feira. Ou o porquê de Louis não tê-lo respondido em nenhuma das vezes nas quais o enviou mensagens seguidas em um curto período de tempo, preocupado pelo estado em que apareceu na escola. Styles estava apenas preocupado, ele não havia ido até sua casa para enchê-lo com seus problemas, ou brigar e xingá-lo. Por mais que não demonstrasse, ele queria saber como Tomlinson estava. Não era normal o rapaz agir daquela maneira. Embora Harry tenha ficado um pouco irritado ao ser deixado só na biblioteca, com aquele velho babaca o sondando e procurando defeitos nos livros pra culpá-lo. O cacheado até mesmo comprou chocolate 'pra levar para Louis, pois, segundo sua mãe, doces e sorrisos sempre alegravam o dia de uma pessoa. Harry não se garantia no sorriso, mas sim no chocolate.No entanto, Louis não fez questão de vê-lo. Os quadradinhos doces acabaram por serem levados para a casa de Moretz, como uma lembrança de Harry.Styles nunca se arrependeu tanto em se preocupar com alguém. [...]— Você pode sair da minha frente, por favor ou 'tá difícil? - O esverdeado pede, sua voz falha e seus olhos não conseguem serem sustentados por si durante muito tempo encarando o rosto curioso de Louis. Era a segunda vez que ele pedia, desde que havia chegado ao colégio, e Tomlinson se encontrava parado, encostado na porta do armário de Styles, enquanto garantia sua pose desleixada, bagunçada e, ao mesmo tempo organizada e limpa. — Ei, calma aí, esquentadinho, o que eu te fiz? - O mais velho toca levemente em sua cintura, ainda mantendo seus corpos distantes. Harry sente todos os pêlos de seu corpo arrepiarem-se, enquanto seu rosto esquenta cada vez mais e seu olhar vacila, caindo para seus pés. — Você é bem babaca, quando quer Louis. Pare de me tocar. - Ele estapeia os braços do acastanhado, tropeçando em seus próprios pés ao se afastar do maior e apoiar suas costas no aço. — Você não está brincando, não é? Eu realmente não sei do que você está falando. Eu estava faltando desde segunda-feira, fazem quatro dias, não entendo o porquê ficou bravo comigo de uma hora para a outra. — Não se faça de desentendido, porra. Você vêm com papo de "somos amigos" e "podemos contar um com o outro" - Engrossa a voz para imitar Louis, fazendo aspas – raivosamente – com as mãos. — E sequer me atende quando eu vou a sua casa. — O quê? - Louis franziu seu cenho de imediato, parecendo ofendido com algo que Harry dirigiu à sua pessoa. — Do que você está falando? Eu não estava em casa na segunda-feira. Eu estava ensaiando com a banda. — Oh, você jura? Porque o seu pai me disse que você não queria me atender. — Meu pai é um alcoólatra do caralho, ele nem sabe quando eu estou em casa ou não, Harry! — Eu não podia adivinhar, William. Não quando você ignora minhas mensagens desde sexta-feira à tarde. Não tive nenhum tipo de contato com você, seu idiota, não sou nenhum tipo de adivinha 'pra pensar que seu pai estava mentindo para mim. Mas tudo bem, não é como se eu me importasse. — Você pode me deixar te explicar isso direito ou vai continuar tirando conclusões precipitadas? — Siga em frente, estou te ouvindo. - Cruzou seus braços, arqueando seu cenho de forma debochada, aguardando pela fala de Tomlinson.— Na sexta-feira eu estava péssimo, eu tive uma crise do caralho e você percebeu o quão mal eu estava, eu tenho certeza que sim. Harry, eu não consegui chegar em casa com cem por cento da minha visão funcionando, para você ter uma ideia. Você não tinha bola de cristal para saber, e eu estou ciente disso, mas por que você simplesmente não me pergunta? Não tira suas dúvidas? Por que você se apegas às suas próprias conclusões e fixa os seus achismos em sua cabeça? - Louis perguntou, quase descontrolado. Seu rosto estava completamente vermelho, enquanto ele gesticulava com suas mãos e encarava a feição confusa do mais novo. — E eu me afastei de toda e qualquer rede social possível, aproveitei o final de semana para descansar e tirar um tempo para mim, assim como o resto da semana, que resolvi ficar com os meus amigos, longe do meu celular. Eu não te culpo, mas porra, não é de hoje que você me trata feito um merda. Harry engoliu seco ao escutar as palavras saindo altamente da boca de Louis, muitas delas sendo atropeladas pela rapidez na qual o mais velho dizia. O azulado realmente não precisava agir daquela forma. Como ele mesmo disse, Harry não tinha bola de cristal para adivinhar, Styles tinha motivos para estar irritado com ele, é óbvio que tinha. E desde quando Harry o trata como merda?— Espero que você esteja melhor, Louis. - Sorriu forçadamente, abraçando a mochila contra seu peito e voltando a trancar seu armário, para que pudesse, enfim, caminhar para sua sala. — Não era minha intenção "fixar meus achismos na minha cabeça" e te deixar assim. Eu não me importo se você não quiser mais ser meu amigo na verdade, só me avise quando for se afastar. - Styles o responde, quase inabalável externamente, mas sua garganta dói, suas mãos tremem e suas pernas bambeiam, porque pela primeira vez ele sente que não estão brigando por um motivo bobo.Quando virou-se, revelando para si mesmo sua expressão chateada no rosto, Harry engoliu o nó formado em sua garganta, sentindo seu coração desacelerar em um ritmo gradativo, enquanto fechava seus olhos levemente. Ele não sabia o que aconteceria dali para frente. Ele admite que não gostaria de perder a amizade de Louis, mas também sabe que não estava totalmente errado em agir como agiu, ele não adivinharia que Louis quis apenas ter um tempo para si e se afastou de suas redes sociais. — Hey, Harry - Tomlinson o chamou em um tom de voz baixo, mas o esverdeado não fez questão de se virar, com certeza ele não conseguiria disfarçar sua expressão chateada, a substituindo por uma feição irritada. — Não fique assim, qual é...Ele falou em um fio de voz, percebendo que Styles não o responderia e muito mesmo o encararia no momento em que se encontravam. Louis enlaçou seus fortes braços em volta da cintura do mais novo – coberta pelo paletó azul-marinho do uniforme –, o abraçando carinhosamente por trás, enquanto o puxava levemente para perto, não apertando seus braços ali para que, caso Harry quisesse sair, ele o fizesse. Mas ele não o fez. Styles abaixou sua cabeça, percebendo os cachos –pesados e definidos –, cobrirem seu rosto por inteiro, enquanto ele podia sentir o cheiro doce dos próprios próximos à suas narinas. Ele quase ronronou quando sentiu o mais velho descansar o queixo em seu ombro – tensionado –, permitindo-se confortar seu corpo no abraço de Louis. Harry precisava daquilo, realmente precisava, mesmo após xingar - mentalmente - Louis de todos os nomes possíveis quando o viu encostado em seu armário. O mais velho apertou seus braços em volta de sua cintura, acariciando seu abdômen com leveza, mesmo que por cima da camisa social. Harry, por sua vez, sorriu quando sentiu cócegas, ainda abraçando sua mochila.— Não quero deixar de ser seu amigo, idiota. Muito menos me afastar de você. - Sussurra calmamente próximo ao seu ouvido. — Não aja como uma criança, eu não gosto disso. — 'Tá. - Dá de ombros, suspirando fundo e sorrindo, aliviado com as palavras do mais velho. Harry sai do abraço desconcertadamente, sentando-se estranho ao se afastar, mas encara Louis, que sorri de jeito reconfortante. — Vamos para gramado, o Carter nunca vai para lá mesmo - Ele chama pelo mais novo, acenando para a porta de vidro logo ao fim do corredor. — E, se for para lá, o máximo que fará vai ser nos chamar de vagabundos.Harry sorri, sacudindo sua cabeça vergonhosamente, querendo xingar Louis por ser tão idiota e ridiculamente compreensível.Eles caminham lado a lado para o gramado, sentando-se sob uma grande árvore, plantada próxima ao muro, onde ambos pularam semanas antes para cabularem aula. — E então? - O esverdeado se senta sobre sua mochila de pano, apoiando suas costas no tronco amarronzado da árvore e sentindo os relevos incômodos o pinicarem.— Então, não é nada demais, eu acho que, nós dois estamos errados. Pense comigo e não faça essa cara para mim - Aponta para Harry, quando o mesmo o fita com os braços cruzados e as sobrancelhas arqueadas. — Eu não deveria ter soltado tudo aquilo sobre você, até porque você não tinha ideia de que eu tinha me afastado de tudo, é meio óbvio o pensamento de um possível afastamento entre nós, mas você também está errado em não perguntar nada e sair tirando conclusões precipitadas, inclusive me xingando de maneira não-irônica. — Eu estava irritado. Não vou me desculpar por isso. - Mirou seu olhar no céu, coberto de nuvens acizentadas e a faixada traseira da escola, literalmente caindo aos pedaços. — Você está sempre irritado, esquentadinho. - Louis lhe soca levemente no ombro, sorrindo em seguida. — Você disse que o meu pai lhe falou algo como eu não querer te atender na segunda-feira, não é? Mas eu realmente não 'tava em casa, eu nunca faria isso. — De boa. Eu só fui até lá porque você faltou, e você nunca falta... E porque você também não 'tava me respondendo. Pensei que algo tinha acontecido. — Achava que você não se importava. Harry o fita, mordendo seu lábio confusamente, escondendo seus olhos por trás de suas pálpebras diversas vezes, ainda tentando entendê-lo. Ele sorri com o que Louis lhe disse. — Eu não sou um merda sem coração, Louis. - Sorri, sem graça alguma em sua face, arrancando um punhado de grama úmida da terra, a espalhando por cima do bico de seu tênis. — Sei lá que porra de imagem você tem de mim na sua cabeça, mas às vezes, só às vezes, eu me preocupo com as pessoas. - Ele brinca. — Hey? Eu estava brincando, pare de levar as coisas para o seu coração, pridurok. [babaca]Harry lhe dá os ombros, sentindo a brisa fresca colidir contra seu corpo e bagunçar seus cachos, ricocheteando suas bochechas coradas e o fazendo sorrir, pelo simples motivo de ter seus finos fios lhes fazendo cócegas. — Sexta-feira, amanhã no caso, tem uma festa do pessoal de Radpit, topa ir comigo e com a galera da banda? Styles quase se engasga com sua própria saliva. Festa. Porra, há quanto tempo ninguém o chamava para ir à uma festa? — Aquele pessoal me odeia, William, vai acabar em briga. Até que eu iria se a festa fosse em outro lugar. — Você acha mesmo que vão perder de curtir uma festa 'pra brigarem? Eu não acho. — Festa é o lugar onde mais rola briga. - Na verdade, Harry não sabe, ele só foi à uma festa em toda a sua vida, a mesma na qual experimentou LSD e chupou seu primeiro pau. É... Foi divertido. — Em que mundo você vive? As festas que eu fui não eram assim. — Bom 'pra você. Mas por que 'tá me chamando? Tipo, caralho, você vai ir com seus amigos da banda, eu não tenho nada a ver com isso. — Ah, Harryyy - Jogou sua cabeça para trás, soluçando entre sua gargalhada. — Eles conhecem você por causa do dia da detenção, e desde que eu disse que somos amigos eles querem te conhecer. — Oh... Eu não sei. Quer dizer, não sei se é uma boa ideia. - Sua expressão murcha, é involuntário, mas rapidamente Styles a disfarça. — Me avisa amanhã então, posso passar na sua casa. — E desde quando você tem carro? — Não tenho carro, imbecil, é a moto do meu pai. — E você tem habilitação? — Sim. E você, esquentadinho, tem carteira de motorista? - Harry vira sua cabeça para o outro lado, enquanto Louis se inclina, brincando consigo. O mais novo apenas tenta disfarçar suas bochechas coradas após escutar o apelido pela terceira vez naquela manhã. — Não. E não pretendo tirar minha habilitação. Nunca. Nem penso nisso.A expressão descontraída de Styles se fechou no mesmo instante, sendo substituída por uma carranca desgostosa, e seus dígitos fazendo desenhos circulares imaginários no gramado. — Nunca mesmo? — Não. — Cada um com seu cada qual. - Louis deu de ombros, passando a encarar o cacheado ininterruptamente, tentando desvendá-lo de alguma forma. Harry odeia isso, odeia quando isso acontece, porque de alguma forma, é como se todos quisessem o conhecer, internamente falando. — Vamos entrar, daqui a pouco a segunda aula começa. - O esverdeado se levanta, tirando sua mochila do chão e estapeando o tecido, fazendo com que todas as folhas secas desgrudassem do pano e pousassem sobre o solo novamente. Louis sorri, achando aquele garoto inacreditável.. . . — Eu não estou usando nada, pelo amor de Deus. Estou limpo, parem com isso! - Harry esbraveja enquanto Cillian retira todos os itens de sua mochila, vasculhando ela inteiramente, também tendo Scott enfiando as mãos nos bolsos da calça do uniforme de Harry, essa que estava no cesto de roupas sujas. O garoto tem seus cachos indefinidos e molhados, umedecendo seus ombros e a gola de seu pijama, enquanto seus pés estão cobertos por meias de gatos. Ele está deitado em sua cama, seu notebook está sobre seu colo, enquanto suas bochechas ardem de raiva. Afinal, é a única coisa que acontece quando seus pais estão em casa. — Não confio em você, Edward. Depositei minha confiança em você e descobri coisas que não gostaria. - Cillian diz, guardando os livros dentro da mochila novamente. — Depositou porque quis. E eu já disse que vai fazer um ano que eu usei aquela merda, não tem o porquê de ficar com toda essa 'nóia 'pra cima de mim. — Me respeite, Harry. Me respeite porque eu sou o seu pai e a última coisa que eu quero é ter de te velar pela merda de uma overdose ou por aquela coisa que te destruiu aos poucos. - Ele aponta para o garoto, que fecha seus olhos e sorri, desacreditado. — Tudo bem, amor, vimos que ele não tem nada, pare de gritar, já é tarde da noite. - Scott sussurra, evitando que sua voz falhe, empurrando gentilmente seu marido para fora do quarto, permanecendo ali no cômodo. Harry o ignora. Pegando seu bloco de desenhos e seus grafites, prestes a posicionar seus fones em seus ouvidos. — Por que estava todo sorridente quando chegou? - O homem sorriu, cruzando seus braços na altura de seu peitoral e encostando-se no batente da porta.Que porra?— Nada. — Bom saber que o nada te faz sorrir como um bobo, realmente existem pessoas que se contentam com pouco. — Do que você está falando? - Harry pousa seus fones sobre seus ombros novamente, fechando a aba de música de seu notebook e o encarando confuso. — O que deu em você? Mal olhou na minha cara hoje de manhã, adora me ignorar quando tema oportunidade, 'tá querendo se redimir depois do episódio da cocaína?— Garoto você é insuportável quando quer. - Scott deixa o quarto, batendo a porta, enquanto Styles revira os olhos.— Obrigado, pai. - Ele grita em retribuição, quase esperneando sob seus edredons, de tanta raiva e mágoa. Harry descontou nos desenhos compulsivos, obviamente ele o fez. Quando se deu conta, já passavam das duas horas da manhã. Ele mal conseguia manter seus olhos abertos, mas precisava finalizar seu desenho. Uma vez que passou a ponta de seu lápis em dois pequenos rostos traçados na folha, Harry esfregou levemente a ponta de seu mindinho no mesmo local, desfocando os rostos do desenho. Não era sua melhor obra, mas consistia em duas pessoas, sem olhos, bocas ou narizes, sem rosto. Elas estavam lado a lado, seguravam copos de bebidas e tinham suas mãos entrelaçadas, mesmo que o desenho representasse um ar de desconhecimento entre as pessoas, ao mesmo tempo conseguia transpassar intimidade, e era estranho porque Harry nunca sentiu aquilo. Antes de adormecer, Styles confirmou nas mensagens diretas de Tomlinson que iria à festa consigo.

----- CHAPTER BREAK -----

Harry passou aquela noite toda virando de um lado para o outro, enquanto sua mente não conseguia parar de processar a informação de estar indo à uma festa junto de Louis. Depois de muito tempo sem sair de casa para se divertir em lugares com mais de dez pessoas, o pensamento de estar em uma festa lotada de pessoas que te conhecem por conta de sua péssima reputação na escola e por todas as brigas desnecessárias que você arranjou ao longo dos anos, não é um dos pensamentos mais reconfortantes, porém Styles não acha que será algo péssimo ou ruim, ele estará com Tomlinson e, o pensamento o conforta.Por mais que ele nunca admita em voz alta, estar com Louis é bom, bom porque o rapaz lhe passa segurança, e porque, às vezes, Harry o acha protetor.Harry escondeu seu rosto sob os cobertores ao pensar que Louis realmente era um amigo que ele poderia confiar alguns momentos de sua vida. O cacheado abraçou um de seus quatro travesseiros, apertando seu rosto contra a maciez e retirando seu rosto debaixo dos cobertores, percebendo a luz do sol ultrapassar sua grande janela de vidro e iluminar praticamente todo o seu quarto.Seus olhos foram fechados com força, enquanto um sorriso involuntário se instalava em seus lábios ao que ele observou seu desenho, pousado cuidadosamente em cima de sua mesinha de cabeceira.Ele dormiu um total de trinta e dois minutos.   — Um milagre você não acordar atrasado. - Cillian fitou o filho quando percebeu os passos arrastados do mesmo ao descer os degraus da casa.Harry já vestia seu uniforme, tendo seus cachos úmidos e incrivelmente cheirosos. Com certeza seu rosto estava inchado, deixando suas bochechas gordinhas e coradas. Ele sempre acordava assim. Arabella adorava apertar as bochechas suaves e aquecidas do filho e chamá-lo de "meu pequeno esquilo". — Eu sequer dormi. - Abriu a porta da geladeira, retirando a jarra de suco e servindo seu copo, antes de perceber o bufar de seu pai e o encarar furioso do homem. — O que foi? Estou sendo sincero, você mesmo diz que não gosta de mentiras.  — Deveria ter escutado Scott e te mandado para um internato assim que se recuperou.  — Ainda tenho metade de um ano letivo, papai, dá tempo. - Ele debocha, cortando um pedaço de bolo e o pousando em seu prato de porcelana branca.Comer na mesa do café da manhã com aquele clima pesado não era uma das melhores sensações existentes, porém acontece que Harry simplesmente não aguentava mais sair de sua casa – depois de uma discussão – varado de fome, demonstrando aquilo para Tomlinson e fazendo gastar dinheiro consigo, lhe pagando lanches e bebidas.– Metade de um ano letivo não vai fazer com que você crie vergonha na cara ou seja uma pessoa disciplinada. - Harry queria socar o mármore branco da mesa. — Será que eu posso tomar o meu café da manhã? Assim eu termino rápido aqui e saio de casa o mais depressa possível. Cillian bateu a chaleira na pia, retirando seu avental e deixando o fogo ligado, antes de parar ao lado do filho, ainda sentado na mesa.  — Me diga, Edward, o que a Arabella fazia pra você respeitá-la?  O mais novo engoliu seu bolo de cenoura, o sentindo ficar preso em sua garganta e seu sangue ferver, assim como seus olhos arderem.   — Porra, eu só queria tomar café. Só isso. - Ele se levanta, completamente frustrado, ainda percebendo seu pai parado ao lado da mesa, com seus braços cruzados e seu cenho arqueado. Harry respeitava Arabella porque ela o respeitava, porque ela gostava de si, mesmo que seu filho fosse fechado o suficiente para sequer contar como foi seu dia na escola, porque ela – visivelmente – o amava.    harry/passado — Não gostei desses lápis, mãe, a cor não sai no papel. - O pequeno Harry reclama, sentando-se no banco traseiro do carro, abraçando sua lancheira contra seu peito e fechando a porta, enquanto percebe o sorriso bonito de sua mãe ser mirado para si. Arabella era uma linda mulher, sim, ela era. Seu cabelo era longo, comprido o suficiente para passar de sua cintura. Pequenos cachos se formavam nas pontas, como os pequenos cachinhos curtos do cabelo de Harry. Eles são parecidos, principalmente seus sorrisos.  — Podemos comprar outros, Hazza. Eles são ótimos para os meus desenhos. Arabella era uma das estilistas mais requisitadas da Burberry, embora tentasse manter sua pessoa o mais anônimo possível, para garantir a segurança do filho e do marido.— Tudo bem. Mas antes podemos almoçar? Estou com fome. Fome de leão, que nem você diz! - O pequeno sorri, enquanto engata o cinto de segurança em volta de seu corpo.  — E o seu lanche? Tenho certeza de que te preparei dois sanduíches. - A mulher questiona, colocando seus óculos de Sol e deixando a vaga onde havia estacionado, seguindo para o farol. Harry forma um biquinho em seus lábios, marejando seus olhos ao se lembrar do que lhe ocorreu.  — Derrubaram meu lanche, mamãe. - Arabella o encara preocupada enquanto o sinal está na cor vermelha. — Por que fizeram isso?  — Porque eu sento sozinho no recreio, eles não gostam de mim, eu também não gosto deles, mãe, mas nunca estraguei a comida deles.  — Harry, isso é um absurdo! Você não contou para nenhuma das suas professoras? - O cacheado nega, observando as mãos de sua mãe se agarrarem ao volante. Ela parecia irritada e, por mais que Harry não fosse o motivo de sua irritação, ele odiava vê-la assim.— Eu ligarei para a escola assim que chegarmos em casa, tudo bem, querido? Agora nós vamos almoçar no seu restaurante preferido.  — O que eles fazem carinhas no arroz? - Perguntou animado, assistindo sua mãe assentir e sorrir e colocar sua língua entre os dentes, Harry a imitou e ambos gargalharam.—Mas me conte, amor, e o seu amigo? O Peter?— Se mudou de cidade, mãe. — Oh meu bem, que pena... Mas você encontrará amigos novos, sim? Vai entrar no ensino médio rodeado deles, chegará em casa reclamando por estar sempre rodeado de pessoas. - Ela acelera e seu filho sorri, abraçando sua lancheira e observa a paisagem através da janela.O dia está bonito, ensolarado como de costume. As pequenas ruelas estavam movimentadas, assim como a rodovia. Haviam pedestres fazendo filas para fora do banco, enquanto outros andavam de mãos dadas com seus próprios filhos, que voltavam da escola. Os comércios eram coloridos e a movimentação era grande, provavelmente por ser sexta-feira.Ambos passaram o resto do dia juntos. Arabella fez questão de levar seu filho ao shopping, comprando todos os doces que ele quisesse e lhe deixando escolher qualquer um dos brinquedos armazenados na loja. Ela até mesmo o acompanhou no playground, adentrando a piscina de bolinhas coloridas com o filho. Harry não poderia ser considerado uma criança totalmente fechada. Ele realmente não era alguém que conversava muito, nunca iniciava uma conversa, mas caso sua mãe puxasse assunto, ele a respondia com simplicidade, às vezes engatando em outro assunto.Provavelmente aquele foi um dos dias mais divertidos que Harry teve com sua mãe antes do pior acontecimento de sua vida, embora estar com sua mãe nunca tenha sido chato, nem mesmo quando Arabella o levava para seu trabalho, deixando o garoto opinar em seus designs, mesmo que ela não fosse usá-los posteriormente. harry/presente— Eu só não entendo o porquê d'Ele se carniçar tanto com isso. - Louis dizia exasperado, permanecendo irritado com a situação em que estava sendo pautada no momento. — Tipo, o que vai mudar na vida do Carter te privando de todos os eventos escolares? No final de semana aconteceria uma pequena confraternização de verão, algo como "Dia das frutas" Harry não se lembra ao certo, mas tinha certeza de que não participaria. Louis estava sentado ao seu lado, vestindo o uniforme de seu próprio jeito enquanto tem seu lápis entre os dentes e os olhos fixos na página de seu livro didático. — Eu não viria de um jeito ou de outro, esses eventos são uma porra de chatos, geralmente aproveitam 'pra misturar gin nos sucos e irem embora, não sei o porquê de você estar tão incomodado quando ao menos é você que está lidando com isso. — Para de ser um cabeça dura do caralho, estou me incomodando porque você é o meu amigo e acho inadmissível a postura desse velho burro, se ele quer tanto te prejudicar porque não te da uma advertência de uma vez? Você devia pedir para os seus pais colocarem esse cara contra a parede e ameaçarem processá-lo, quero ver se ele não fica pianinho.Harry sorriu singelo, achando legal a forma como Louis pensava de seus pais - por não conhecê-los - fechando levemente seus olhos enquanto encosta sua cabeça na cortina, que se balançava conforme o vento soprasse. — Não iria adiantar muita coisa. — Você quer vir? Digo, no dia da confraternização? Eu posso conversar com o Carter, sabe que eu sou ótimo em argumentação. E debate. — Não. Odeio essas coisas de escola, detesto, maior merda existente. — Okay então, de nada por me oferecer. - Harry lhe lançou uma piscadela em forma de agradecimento, ainda parecendo externamente cansado, ele ainda estava péssimo internamente, mas havia aprendido a lidar com aquilo, muitas vezes não tinha com quem desabafar e, acabava apelando para os desenhos. Ele sabia que podia contar com Louis mas, não em assuntos tão íntimos e particulares, Harry realmente não confiava. — Inclusive, passo na sua casa às oito da noite, esteja pronto. Oh, a festa. — 'Tá. Não seria melhor irmos com um carro de aplicativo? Tipo, vamos beber. — Você vai. Eu não. — Você não bebe? — Sim, mas casualmente, odeio beber em festas. Não me importo com quem o faz, mas eu não gosto. - Explicou calmamente, ainda sem encarar seus amigo, que piscava lentamente pelo sono, o encarando com um pequeno sorriso no rosto e olhos vermelhos, como se estivesse chapado. Louis sorriu, porque Harry parecia tão alto.— O diretor está pedindo para que os alunos compareçam imediatamente ao auditório. - Um monitor abriu a porta da sala de aula sem sequer bater, Louis observou os estudantes se levantarem e o silêncio – que estava instalado na sala – ser substituído por um falatório repentino e escandaloso. Ele fitou o mais novo, que tinha uma expressão também confusa posta em seu rosto, e acenou com a cabeça, para que ele o acompanhasse. Harry o fez, apoiando seu braço no de Louis enquanto caminhavam no corredor lotado. O garoto sentia como se fosse cair de tanto sono que sentia no momento. — Você vai ficar escutando da porta, Edward. - O cacheado teve seu braço agarrado enquanto caminhava para dentro do auditório, sendo puxado para fora novamente. Ele sentindo os dedos de Tomlinson se fecharem em torno de seu pulso, agora descoberto, e o puxar para dentro novamente, passando as mãos por sua cintura e o empurrando com cuidado para sua frente.— Pare de tratá-lo assim. Se fosse 'pra ele fazer algo errado já teria feito ou sequer estaria aqui. Harry vai sentar em um desses assentos como qualquer outro aluno. - O mais velho se dirigiu ao diretor, franzindo seu cenho porém mantendo a seriedade ao proferir tais palavras. — Ignorante do caralho. - Sussurrou antes de apontar para Harry uma das fileiras desocupadas.— Você não precisa ficar fazendo isso sempre, é chato, se você não estivesse aqui-— Se eu não estivesse aqui você o xingaria e faria ele ficar com mais raiva ainda, posteriormente iria prejudicá-lo com uma de suas ideias mirabolantes que seriam fodidas pelo destino, só então você seria expulso e eu receberia a notícia de que uma certa pessoa do turno da manhã foi chutada da escola, fim. Harry sorriu, o socando levemente na coxa, logo cobrindo seu rosto sonolento com as mãos e inclinando sua cabeça para trás. Louis era impossível. — Por que "uma certa pessoa"? Me chamam assim no turno da tarde? Ethan nunca me disse. — Na verdade, você sabe do que te chamam, e sei lá, é chato citar isso. — Eu não me importo. - Deu de ombros, cruzando seus braços e fitando o palco do auditório, enquanto mantinha suas pernas juntas e seu cenho amarfanhado. Era óbvio que ele se importava. Sua reputação na escola era a pior merda existente. Louis permaneceu em silêncio, apenas arqueando suas sobrancelhas e decidindo não insistir naquilo.— Sei que vocês querem deixar a escola o mais rápido possível, inclusive por ser sexta-feira, o dia que vocês mais aguardam, não é? - Carter começou, usando sua ironia péssima de velho, enquanto segurava um microfone em mãos e encarava os alunos com uma carranca extremamente furiosa. — Infelizmente tenho de segurar vocês aqui, mas vou tentar ser o mais breve possível. Há anos a escola vêm sendo destruída aos poucos pelos alunos, alguns estragam algo sem querer, outros acabam se arrependendo e existem outros que fazer porque querem fazer e prejudicar a instituição. - Ele fitou diretamente Styles, atraindo olhares para o garoto, que lhes deu o dedo do meio em resposta. — Hoje, algo passou dos limites. A sala de esportes está vandalizada. Pichada e destruída. Peço para que se alguém souber de suspeitos, ou tiveram certeza de qual ou quais foram os alunos, me alertem. Não conseguimos encontrar absolutamente nada do vândalo ou dos vândalos. Tenham respeito pelo lugar onde vocês estudam. O lugar onde faz com que vocês adquiram conhecimento e o leve para o resto de suas vidas—— O senhor deveria verificar a lista de chamada, o Tomlinson nunca responde a chamada nas aulas de basquete e quando fomos dispensados a sala já estava naquele estado, não me surpreenderia nada, considerando que agora ele começou a andar com o Styles. - Um garoto do basquete apontou para Louis, que estava ao lado de Harry, sentado - literalmente - na puta que pariu do auditório. — Quem você pensa que é 'pra acusar alguém dessa forma? Vá se foder, toma teu rumo, nunca interagi com você, seu pedaço de- — Chega! Todas as quatro turmas da manhã estão reunidas aqui, não passem vergonha. Eu irei descobrir quem foi. Essa pessoa ou essas pessoas serão devidamente punidas. Pela atenção, muito obrigado. Harry ainda está confuso. Quem havia feito aquilo? E por quê? Era óbvio que Carter havia deixado claro que o achava causador da tal destruição da sala de esportes mas, pela primeira vez, não havia sido ele. Styles não tinha nada a ver com aquela situação, ele sequer passou perto da sala de esportes durante a semana. — Foi mesmo você? - Virou-se para Louis, enquanto os alunos deixavam o auditório com rapidez. O acastanhado sorriu, parecia cínico, esticando suas mãos à frentes seus olhos, analisando suas unhas curtas e mordendo seu lábios em seguida. — Acha que fui eu? - Perguntou em tom de voz baixo, quase como um sussurro. Sua perna tocava contra a de Harry, enquanto aquele maldito esarcástico sorriso ainda estava implantado naquela merda de rosto bonito. — Não sei, estou te perguntando. — Não destruí a sala, não tenho motivos para fazer esse tipo de coisa por conta própria. O mais novo levantou seus ombros, negando com a cabeça quando foi respondido e se levantou rapidamente, tomando sua mochila pela alça e a apoiando sobre seus ombros, sentindo-os tencionarem pelo peso dos livros.— Além do mais, não sei o porquê daquele bosta do caralho ter vindo me culpar, eu nunca tinha falado com o cara. Vai a merda. Harry suspirou cansado, não querendo falar sobre aquilo, mas soltando rapidamente – porque sabia que explicaria muita coisa.— Ele me odeia porque eu recusei transar com ele naquela época... Sabe? Do mascote e afins...— Inútil, por isso vive no banco, aquele merda.O cacheado sorri ao ver Louis bravo, ele se sentia aliviado por saber que ele não estava bravo consigo mas se sentia incomodado pela situação que o garoto de encontrava. Harry sabe o quão ruim é ser culpado de algo que não fez.— Não quero ir para a biblioteca, estou com sono e quero dormir antes da festa, vamos embora. Qualquer coisa eu tomo a bronca na segunda-feira. — Carter está indo embora, veja ele recolhendo as chaves do carro de dentro do bolso e se despedindo dos funcionários. - Se levantou enquanto apontava para o palco, percebendo o auditório já vazio. — Ele nem vai saber que fomos embora mais cedo.— Como você consegue ser tão falante e tão observador ao mesmo tempo? É estranho 'pra caralho. — Você tem sorte de me ter como amigo, tem sorte de eu não ligar para as coisas que você diz, muitas delas são fortes, sabia? E na maioria das vezes é algo gratuito. Não quero te corrigir nem te educar, não é a minha obrigação fazer isso, só estou te alertando, maneire nas palavras.— Como eu já disse antes, eu não me importo, sei que isso é uma brincadeira interna nossa, mas tem pessoas que não entendem isso como eu entendo, então tome cuidado. - Concluiu.Harry entreabriu seus lábios, soltando um suspiro culpado, enquanto formava um biquinho de forma involuntária e se sentia mal interiormente, não era sua intenção. Ele jura que não era.Harry é extremamente sem filtros, porque a única pessoa que o filtrava e o educava não se encontrava mais aqui... E ele realmente nunca se esforçou para ser um pouco menos rude com as pessoas à sua volta.— Ah... - Foi tudo o que ele disse. Estava sem reação. Envergonhado consigo mesmo. Styles nunca havia se sentido assim, ele só não entendia o porquê as palavras de Louis pesavam tanto.[...]Uma vez que chegou em casa, Harry percebeu o lugar estar vazio, agradecendo mentalmente porque, ele realmente não estava com paciência para aturar seus pais durante aquela tarde.Ele estava tão cansado que sequer almoçou, correu para seu quarto, se despindo do uniforme apertado e da gravata pouco antes de se jogar no colchão macio e cobrir com seus próprios lençóis, dormindo em questão de minutos.Harry acordou atrasado para se arrumar decentemente para a festa. Mas aquilo havia sido bom, ele estava tão ansioso que provavelmente se arrumaria duas horas antes do combinado e permaneceria sentado no sofá, esperando por Louis, literalmente contando os minutos no relógio pendurado acima da lareira da sala de estar.Styles tomou um banho rápido, para que seus cachos fossem lavados e arrumados com calma, enquanto repassava todas as suas roupas mentalmente, estalando sua língua no céu da boca quando esquecia a sequência de conjuntos em seu closet. Ele estava feliz, não negaria isso, até porque ele nem poderia. O sorriso – que fazia morada em seu rosto – o denunciava estupidamente. — Não é possível que meu senso de moda esteja tão decadente! - Fez birra em frente ao seu espelho, batendo a sola de seu coturno no chão, avaliando sua roupa e dando uma nota zero para o estilo. Ele parecia o filho de algum motoqueiro de filme. Tipo aqueles que vivem de energético, são barbudos e fazem parte de gangues. Seu coturno preto calçava seus pés, haviam uma baixa plataforma de salto ali, que o deixava minimamente mais alto, enquanto suas pernas eram abraçadas por uma skinny jeans de cintura baixa, também preta. Harry usava uma camiseta branca, completamente básica, e uma jaqueta de couro. Estava ridículo. Harry estava a ponto de desistir de ir. Ele estava prestes a mandar uma mensagem de desistência para Louis, quando ouviu uma buzina no andar de baixo e largou seu celular na cama, mordendo seu lábio inferior e controlando um sorriso. Ele precisava se controlar. — Oi. - Disse mesmo antes de abrir totalmente a porta de entrada de sua casa. Ele tinha um sorriso adorável no rosto, quase podia sentir suas covinhas furarem suas bochechas. Louis segurava um capacete em mãos, enquanto estava encostado em uma moto. Ele vestia uma calça jeans de lavagem tradicional, calçando um par de All-Star e apenas uma camiseta preta, da banda The Killers, enquanto a manga da mesma roupa abraçava seus músculos e se ajustava em sua cintura. Seus olhos tinham um brilho natural, assim como seu pequeno sorriso, que aumentou ao analisar Harry – e toda a sua afobação de brinde. — Você está bonito. - Louis elogiou, esticando o capacete para o amigo. Harry sentiu o sangue se fazer presente em suas bochechas no mesmo instante. Ele sabia o quão corado estava, ele podia sentir, até mesmo seu pescoço estava ardendo pela quentura. Seu coração atribuía nisso tudo, bombeando sangue rapidamente para todos os seus vasos sanguíneos, enquanto ele queria esconder seu rosto e gritar como um adolescente idiota. — Você também, não está nada mal. - Se recompôs em questão de segundos, tomando o capacete das mãos de Tomlinson, aproximando-se da moto e ficando estático.— Você não corre nisso aqui, corre? Eu não gosto de andar de moto, nem de carro, muito menos quando abusam da velocidade-— Se acalme, eu não corro, respeito as leis de trânsito, fique tranquilo. - Ele pega o capacete das mãos de Harry novamente, o encarando serenamente. Louis transmite paz e, aquilo soa tão estranho...O acastanhado afasta os cachos que atrapalham a visão de Styles, colocando-os para trás de suas orelhas com gentileza no toque, relando – levemente – seus dedos ásperos nas bochechas ferventes do mais novo, e sorrindo quando percebeu o choque do mesmo. Louis colocou o capacete com cuidado na cabeça de Harry, ajustando o pequeno cinto em seu pescoço e fechando a viseira propositalmente. assistindo o plástico transparente embaçar pela respiração de Styles. — Idiota! - O xingou, abrindo a viseira irritado, enquanto Tomlinson colocava seu próprio capacete. Ele se sentiu mal, porque lembrou-se das palavras dirigidas a si, naquele mesmo dia porém mais cedo.— Você é como um gato bravo sabia, esquentadinho? Você faz exatamente as mesmas coisas quando se irrita com algo. Cruza seus braços e fica emburrado. Nunca esquece de bater o pé direito no chão. — Você é tão- Deixe quieto, imbecil.— Sempre tão carinhoso. - Ele brinca, com a voz abafada, enquanto senta-se na moto e aguarda por Harry. O mais novo senta-se com certo medo no banco de couro da motocicleta, fixando bem os seus próprios pés nas pedaleiras e deixando as pernas próximas ao quadril de Louis, enquanto alguns lapsos invadiam sua mente e ele sentisse vontade de chorar de vergonha.Tomlinson tateou as pernas de Harry cegamente, procurando por suas mãos, as passando em volta de sua cintura quando encontrou, fazendo ambos capacetes colidirem e Styles gargalhar divertido, soluçando baixinho. — Segure-se, certo? Pode apertar forte minha cintura se achar que eu estou conduzindo a moto muito rápido. — Tudo bem. — Tudo bem - Repetiu. Posicionando-se corretamente e acionando a embreagem,apertando o botão de ignição em seguida, antes de ambos escutarem o satisfatório som de partida da moto. Harry apertou seus olhos no momento em que escutou aquele som, apertando mais ainda o interior de suas coxas nos quadris de Louis, presando seus lábios um no outro, tentando evitar observar a paisagem.Sua viseira estava fechada ainda, ele podia escutar o barulho tinnitus o incomodar e ultrapassar as frestas do capacete. Seu coração se acalma quando o farol fecha e Louis desacelera, parando ao lado de um carro e aponta para a faixa de pedestre, sorrindo. Styles não entende, então abre minimamente seus olhos, assistindo um homem fantasiado de palhaço fazer mímicas. A risada de Louis é alta, ele até mesmo enfia as mãos dentro de seus bolsos, retirando uma nota de dinheiro e esticando para o homem, que lhe entrega um pirulito e Tomlinson aponta para Styles, que sorri divertido em agradecimento e pega o doce, escondendo entre seus dedos fechados quando o farol se abre.O resto do caminho é pacífico, de certo modo. Sempre que há uma curva, Harry enruga todo o seu rosto, tentando ver e ouvir o mínimo possível da paisagem sendo deixada para trás por conta da velocidade em que estavam. Coisa que nem era alta. Ele apenas era – incrivelmente – traumatizado.Quando chegaram na rua da casa, já era perceptível a grande movimentação ao lado de fora. Pessoas seguravam garrafas de bebidas alcoólicas em mãos enquanto outros estacionavam seus carros de qualquer jeito, até mesmo em cima da calçada. Louis tinha sorte de estar com sua moto porque, com certeza, não haveria vaga para um caro. Harry ainda estava agarrado ao mais velho como um coala, tendo sua bunda pouco empinada e suas costas curvadas, o que atraia olhares – nada disfarçados –, ele sorriu desconcertado, descendo da garupa com cuidado e retirando seu capacete. Louis, por sua vez, desligava a motocicleta e guardava sua chave, tirando seu capacete em seguida. O mesmo chegou a bagunçar seu cabelo propositalmente, fazendo Harry se perguntar como alguém poderia ficar bonito com os fios tão desgrenhados.— Vamos, pelo que eu sei os garotos já estão aí. - Louis o chamou em voz alta, por conta do som, que já podia ser escutado à fora da casa. — E os capacetes? - Styles o seguiu, seus passos rápidos e fortes, ainda assim, desengonçados. Ele retribuiu o sorriso que um garoto direcionava a si, mas logo teve sua cintura tocada, percebendo Tomlinson abrir a porta e empurrá-lo para dentro da casa com suavidade. Ele admitia, gostava de quando o outro tocava em sua cintura para lhe direcionar. Mas nunca falaria isso em voz alta. — Achamos um lugar aqui dentro. - Louis gritou quando os tímpanos de Harry vibraram pela altura da música. Seus olhos doeram, pela quantidade absurda de luzes coloridas que os invadiam, e piscavam incessantemente, alternando nas cores em questão de segundos. Ou até mesmo milésimos. Alguns convidados usavam uniformes ainda, outros até mesmo amarraram suas gravatas na cabeça. — Que zoado. - O mais novo apontou para o cara, que dançava com uma garrafa de vodka pura na mão, enquanto seu rosto estava vermelho e a gravata amarrada em sua testa. — Já vi coisas piores. - Louis sorriu, parecia um sorriso forçado, mas fixou seus olhos na grande mesa, onde faziam bodyshot. — Não aceite bebidas, Harry. Escolha garrafas fechadas. O cacheado sorriu pela fala séria de Tomlinson, apertando seus dedos no tecido almofadado do interior do capacete e revirou seus olhos, tentando não gargalhar daquele conselho bobo. — Tudo bem, pai, não aceitarei bebidas de estranhos. — Vá se foder, porra! - Tomlinson gritou divertido, antes de ambos caírem na gargalhada e seguirem para o lado de fora da casa, onde haviam mais coolers de gelo e mesas com garrafas fechadas, algumas vazias. A casa era enorme, o estilo retrô predominava a maioria dos cômodos, principalmente o lado externo, onde havia uma enorme varanda, construída totalmente de madeira, acolhendo cadeiras de balanços já enferrujadas, e redes. — Pegamos o trânsito da noite, chegamos um pouco atrasados. - Louis diz, agora com a voz mais baixa, por estar ao lado de fora. Harry observa os garotos sentados na construção de madeira que funciona como uma sacada, segurando latas de cervejas e sorrindo uns para os outros, enquanto cumprimentavam Louis. Styles queria fugir dali, porque a ideia de fazer amigos nunca soou bem para ele. — Esse é o Harry, que vocês queriam tanto conhecer. - O mais velho aponta para Edward, quase encolhido no canto externo da porta, segurando o capacete com suas duas mãos, enquanto sorri pequeno e sente suas bochechas rosarem. — Hey, Harry! Eu achava que você era um metaleiro da pesada pelo que o Louis falou de você. Você parece um gatinho. - Calvin brincou, já parecia bêbado e a festa tinha começado há menos de uma hora. O esverdeado sorriu sem graça, os cumprimentando com um "oi" em um fio de voz, antes de acenar para os mesmos, e ouvir a voz de Louis, os apresentando para Harry. — Mas e aí, o que vocês vão fazer? Vão ficar aqui sentados enquanto a festa 'tá rolando lá dentro? - Tomlinson perguntou, esticando sua mão para Harry, que entreabriu seus lábios e se perguntou mentalmente o porquê de Louis querer pegar em sua mão. — Vou deixar os capacetes aqui no canto, me dê o seu. - Pediu tranquilamente, enquanto Styles sorriu envergonhado e, quase tímido, por ter entendido aquilo errado. Ele queria se socar.— Toma. - Estende o objeto preto pra o mais velho, o vendo retirar de suas mãos e posicionar ao lado do seu. — Você não vai entrar? — Quer que eu entre com você? - Perguntou casualmente, amarrando um dos pés de seu tênis, não encarando o esverdeado. — Que viadagem, vão curtir a festa logo, eu hein.- Calvin se levanta, adentrando a casa enquanto os outros dois se encaram e sorriem, como duas crianças fofoqueiras. Louis revira seus olhos, desencostando-se do apoio de madeira e seguindo em direção ao menor, que permanece parado no mesmo lugar. William indica para dentro com suas sobrancelhas, as arqueando e apontando em seguida. Harry apenas assente, sentindo-se completamente deslocado ali. Os convidados já estão bêbados e chapados à essa altura, é visível pela forma animalesca que agem durante a música que ecoa por toda a casa. Especificamente S&M da cantora Rihanna. Harry caminha até o balcão, onde há um casal se beijando em cima do mármore, e pega uma garrafa fechada de gin cítrico e gelado. Puta sorte, ele pensa ao abrir a garrafa e jogar a tampa no chão, encostando o gargalo gélido da mesma em seus lábios, os lambuzando com a bebida enquanto seus olhos procuram pelos de Louis. O mais velho têm seus braços cruzados, ainda permanece encarando Styles com o olhar desafiador. Os fios desgrenhados de suas sobrancelhas arqueadas tornam tudo mais desafiador, assim como seus lábios avermelhados franzidos em um sorriso ladino. Harry virou a garrafa, fechando seus olhos e engolindo todo o líquido com rapidez, mal tendo tempo para sentir o sabor da bebida, apenas o álcool descendo por sua garganta. O único problema de tudo aquilo era: Em situações como essa, Edward simplesmente não conseguia se contentar com poucas doses de álcool. [...]— Fala sério, pensei que ele fosse um monstro. Tipo, o terror da escola. - Zayn dizia, bebendo e tendo seus pés confortados em cima de ambos capacetes no chão. — Oh, não, ele não é - Louis traga seu cigarro, apoiando seus cotovelos sobre o corrimão da varanda, enquanto sente o cheiro que já é tão acostumado. — Na verdade ele está agindo de uma maneira muito estranha, mas como eu já disse, ele não sai muito de casa então deve ser isso. — Ele gosta de você. — Sim, somos amigos, seria estranho se ele não gostasse. - Sorri simpático, não querendo parecer grosseiro para com o moreno, fazendo pequenos círculos de fumaça no ar. — Digo, ele gosta de você romanticamente falando. - Zayn o responde – balançando sua cabeça no ritmo da música, em volume baixo ao lado de fora – e Louis gargalha, achando que o álcool está o atingindo de maneira pesada. A possibilidade nunca havia passado pela cabeça de Tomlinson, não realmente. Apenas de pensar naquilo e/ou algo relacionado, fazia com que todos os seus sentidos parassem por instantes e o alertassem de que era impossível acontecer, o tranquilizando em seguida. — Ele não gosta, não fique falando merda por aí. — Você é tão tolo, Tommo. Ele te olha como se implorasse por você, e você não facilita as coisas também, não é? — Zayn, vou te explicar e vai ser só uma vez. - Se vira para o amigo, sentado no corrimão, apoiando sua mão em seus joelho e segurando uma garrafa de uísque na outra. — Eu não conheço muito sobre o Harry, mas pelo pouco que sei, ele é sozinho em questão de amizade, então pare de colocar merda na sua cabeça porque ele não gosta romanticamente de mim. Ele gosta de mim porque eu sou amigo dele, sou a pessoa que lhe dá suporte e tenta transmitir confiança. Então, só... Para.— Você é militante quando quer. Mas 'tá certo, apenas saiba que, mesmo tendo você dizendo que eu estou pensando merda, vou estar aqui para te apoiar quando você estiver pensando nele vinte e quatro horas por dia. Louis sorri divertido, apagando seu próprio cigarro na madeira e jogando sua bituca no lixo próximo, enquanto nega com sua cabeça, achando Zayn estupidamente idiota e delirante. — Você não vai precisar esperar por isso, porque não vai acontecer. — Eu queria apostar com você... Filho da puta. - O moreno sussurra, mas o suficiente para Louis escutar e lhe dar o dedo do meio, sorrindo negativamente e adentrando a casa depois de horas longe de Styles. Seus olhos passeiam por todos os rostos nos cômodos, incluindo a cozinha e a sala de estar, procurando por Harry. A música Buttons de Pussycat Dolls está literalmente estourando seus ouvidos, o chão treme conforme o som deixa a caixa. As pessoas gritam a letra da música e dançam explicitamente, até mesmo molhando seus corpos com bebida.Ele fica nas pontas de seus pés, inclinando sua cabeça para cima, tentando achar quaisquer indícios de Edward, infelizmente não encontrando com facilidade. Louis já está cansado de ter seu corpo empurrado por caras sem camisetas e troncos suados, ou ter seus olhos atingidos e bochechas ricocheteadas por fios longos de cabelos – a maioria deles femininos e cheirosos. William bufa incômodo, batendo seus braços ao lado de seu corpo, desmontando sua irritabilidade momentânea para quem quer que estivesse o olhando, voltando a caminhar pela casa. Era possível que Harry estivesse transando com alguém no andar de cima e Louis estar ali embaixo o procurando como um idiota? Sim. O pensamento faz com que Louis revire seus olhos, estando mais irritado ainda e, aquilo faz com que ele questione a si mesmo. Sempre foi uma pessoa extremamente calma, por que estava tão nervoso em uma situação tão simplória? Qual era o seu problema, afinal?Embora sua mente ainda estivesse confusa, ele voltou a passar os olhos pela sala lotada, observando a grande movimentação de pessoas na mesa de bodyshot. Tomlinson empurrou algumas pessoas que atrapalhavam sua passagem, percebendo que elas sequer se importavam com os empurrões, e caminhou até o amontoado de gente, rolando seu olhar na mesa vazia e escutando palmas e incentivos se iniciarem. Ele arregalou seus olhos quando viu Harry retirar sua jaqueta de couro e jogá-la no chão. Seus cachos já não tinham mais formato, estavam embaraçados e desalinhados, enquanto suas bochechas estavam coradas e seus lábios inchados, ainda assim avermelhados. — Hey, hey - Ele caminhou até o esverdeado antes do mesmo resolver tirar sua camiseta. — Tem certeza de que quer fazer isso? - Recebeu um olhar entediado como resposta. — Huh?— Ow, não corta a vibe do moleque! - Um dos garotos presentes ali reclamou, apontando para Harry, completamente bêbado e alheio.— Você quer ir embora? - Questionou calmamente, segurando nas mãos suadas do mais novo, que sorriu com os olhos iluminados e apoiou sua testa no ombro tenso de Louis, gargalhando por – aparentemente – nenhum motivo. — Lou! Você é tãooo legal. Podemos ficar mais um pouco aqui, 'né? - Pergunta com a voz alta, voltando a apertar seus dedos nas mãos de Tomlinson, que sente seu estômago revirar com o apelido, mesmo que Harry esteja bêbado e sequer se lembrará disso amanhã. — Você está alcoolizado 'pra caralho, não sabe nem o que 'tá falando. Vamos embora, venha. - O mais velho recolheu o casaco de couro do chão, ouvindo uma grande vaia quando tirou Harry dali.— Pegou minha blusa? - Atropelou os palavras, quase como se estivesse levado um susto e virou-se para trás, passeando se olhar pelo chão. Louis sorriu pela reação do garoto e balançou o tecido de couro em sua mão, enquanto a outra ainda segurava a mão quente de Styles. — Nossa, meu pai me mata se eu não levar essa blusa 'pra casa. Tipo, me mata mesmo. Ele nem sabe que eu 'tô aqui. 'Tô muito fodido, Willy, de verdade! Willy... Aquilo era uma bosta. Louis nunca mais sairá com Harry para ir à festas. — Ele não vai fazer nada, estamos com seu casaco. — Meu cabelo 'tá todo feio... - Fez um beicinho chateado. — Demorei 'pra fazer ele hoje. Oh, oh, sabia que eu enrolei cachinho por cachinho com os dedos? - Comentou animado, quase pulando de alegria, enquanto o mais velho ainda o guiava para a varanda. — Sério? Que interessante...— Legal, né? Seu cabelo é liso, não tem como simplesmente fazer cachos porque ele também é curto. Você acha que conseguiríamos fazer cachos? Eu acho que não...— Acho que não também. - Responde, encontrando a varanda vazia, agradecendo mentalmente por aquilo antes de procurar pelos capacetes e levar Harry para fora de maneira imediata. — Para de tentar morder o meu dedo, eu vou te largar aqui sozinho. - Louis franze seu cenho, enquanto tenta colocar o capacete no mais novo, que insiste em fazer brincadeiras bobas. — Eu estou falando sério.— Eu só estava brincando, para de me tratar assim. - Zangou de vez com Tomlinson, fechando sua expressão sorridente e abraçando seu próprio corpo. Louis acenou negativamente com a cabeça, esticando o casaco de couro para o dono e se sentando no banco da moto, aguardando pelo esverdeado. — Se a gente cair você vai ligar 'pra ambulância, 'né? Porque nossa, 'tá tudo embaçado. Acho que eu tenho astigmatismo, o que você acha? - Harry questiona, vestindo a blusa com dificuldade e sorrindo ao se inclinar para trás.— Acho que devemos ir 'pra casa porque daqui a pouco vai amanhecer. — Hum. - Sentou-se como na primeira viagem, apenas o aperto na cintura de Louis afrouxou e aquilo preocupo o azulado. — Você pode fazer um favor 'pra mim? - Perguntou, percebendo Harry assentir, considerando a batida entre um capacete e outro. — Ouch, Edward. - Reclamou, controlando seu sorriso, antes de segurar firmemente os pulsos gelados de Styles. — Segura firme, tudo bem? — Okay. - O mais novo gritou e Louis mirou seu olhar para baixo – tentando não demonstrar seu grande sorriso pela forma na qual Harry agia–, ainda encontrando suas mãos nos pulsos do mesmo. — Promete que não vai soltar? - Pergunta preocupado e Edward assente novamente, provocando a colisão de ambos capacetes – de novo. — De verdade? — De verdade. Prometo com o meu dedo mindinho. -  Harry gritou novamente – achando que Louis não conseguia o ouvi-lo por conta do capacete –, entrelaçando seu mindinho no dedo anelar de Tomlinson, sequer percebendo aquilo.O acastanhado sorriu confortado, sentindo seu coração palpitar dentro de seu peito, e ligou sua moto, tentando ignorar o fato de que soltou a mão de Styles com rapidez e desespero, para apoiá-las nos guidões. Durante o trajeto de volta para a casa de Edward, William pilotava a moto com precaução, diminuindo a velocidade a cada vez que pensava estar acelerando demais. De quando em quando ele chamava por Harry, tendo certeza de que o garoto não estava dormindo. Fazê-lo descer da moto foi um tanto quanto engraçado. Harry enganchou a ponta de seu calçado no apoio traseiro da garupa e começou a gritar no meio da rua, às cinco da manhã. Louis tapou a boca do garoto com sua mão, segurando a panturrilha do mesmo e a puxando – sem dificuldade alguma, até porque Harry estava dificultando as coisas. — Seus pais estão em casa? - O mais velho perguntou, enquanto Styles mal conseguia encaixar a chave no trinco da porta. — Eu não faço a menor ideia - Bateu a chave contra a maçaneta, irritado. — Porra, que saco! — Dá licença - Louis pegou o molho de chaves da mão do esverdeado, procurando pela mesma na qual ele tentava abrir a porta, a encaixando ali e destrancando. — Pronto- Opa. - Harry tropeçou no cabideiro ao lado da porta, se apoiando no braço do sofá, enquanto sorria envergonhado e balançava seu cabelo bagunçado. Tomlinson nunca havia entrado na casa de Styles e, porra, aquilo realmente era uma mansão. Ele observaria mais, se não fosse Harry caminhando para a escada sozinho. Louis suspirou frustrado, apertando suas mãos no tecido macio que forrava o interior de seu capacete, enquanto o observava se apoiar nas paredes gélidas da casa, ainda sorrindo por - absolutamente - nada. — Você consegue subir as escadas? - Questionou preocupado, assistindo ele assentir e segurar no corrimão com força. Ele não conseguiria. Louis fechou a porta atrás de si, caminhando até o garoto, ouvindo a risada entrecortada do mesmo quando passou o braço dele sobre seus ombros e segurou sua cintura, analisando os passos desengonçados ao subir os degraus. — Isso é tão embaraçoso! - Harry gargalhou, encostando sua cabeça no ombro do mais velho, o empurrando para a parede, sem querer. — Para de graça, Harry. Vamos subir logo. — 'Tamo indo, não 'tá vendo? - Brincou, apontando para o chão, e comemorou quando chegaram ao enorme corredor do primeiro andar. Louis retirou suas mãos do garoto quando chegaram ali, vendo ele abrir todas as portas do corredor, provavelmente procurando por seus pais, mas bufando quando encontra tudo vazio. Ele entra na última porta do corredor, a deixando aberta. Tudo continua escuro, Styles sequer acende as luzes do cômodo. Louis continua confuso. Deveria ficar? Ou apenas ir embora? Talvez ele pudesse ficar ali até Harry dormir...

----- CHAPTER BREAK -----

comentários? :)•••  Louis decide ficar, mesmo com milhares de perguntas vagando por sua cabeça enquanto ele suspira determinado e caminha até o quarto de Harry, acendendo as luzes claras e iluminando todo o cômodo. O quarto era realmente bonito, Tomlinson ficou boquiaberto ao ver a quantidade de desenhos espalhados por qualquer superfície plana, até mesmo sobre o solo de madeira. Ele havia desenhado nos rostos de todos os integrantes de bandas, de todos os pôsteres colados em suas paredes. Louis sorriu ao ver aquilo. Harry era talentoso 'pra caralho, e Louis nunca imaginaria que o garoto tinha tamanho talento.Seus traços eram quase hipnotizantes.As cortinas da grande porta de vidro, que o levava para a sacada, estavam abertas, permitindo William ver as ruas iluminadas pelos postes públicos, enquanto poucas pessoas caminhavam rapidamente pelas calçadas naquela madrugada. O clima havia se tornado sereno, quase frio, enquanto o vento balançava a pequena árvore plantada na rua lateral da casa de Harry. Louis o observou tirar seu casaco de novo, o jogando no carpete felpudo e sentando-se sobre a cama de casal bagunçada. O quarto de Styles tinha um odor de mofo, como se ele nunca houvesse aberto o cômodo antes. Tomlinson estranha aquilo, mas caminha até ele, que está prestes a se deitar com os coturnos. — Não faça isso, vai sujar seus lençóis. - Ele se agacha no chão, apoiando seus joelhos no mesmo carpete onde está o casaco de couro, e desamarra as botas apertadas, as retirando dos pés de Styles, enquanto o menor boceja. Harry tem seus olhos fechados, apoiando suas mãos atrás de seu corpo, no colchão, e Louis pode jurar que ele já está dormindo. Mas ele começa: — Meu pé não fede chulé não, né? Passei um monte de talco, é impossível que esteja fedendo, Louis. — Não está. - Responde simples, levantando-se e se inclinando sobre o mesmo. — Nossa, você tem um cheiro tão masculino. Me dá vontade de espirrar. — Está com fome? - Perguntou, o ignorando totalmente e ajeitando todos aqueles travesseiros – em quantidade exagerada – próximos à cabeceira da cama. Harry nega, apoiando sua cabeça nos tecidos macios, e quase geme ao sentir seus músculos relaxarem, principalmente suas costas. — Não, estou cansado, não quero nada.— Você precisa comer alguma coisa. Eu posso ver se tem algo na sua geladeira? — Tem uva, traz o cacho, eu gosto. - Styles se cobriu com os edredons, se confortando sob eles, enquanto Louis assente e deixa seu quarto. Em menos de cinco minutos Tomlinson está de volta, com o cacho de uvas dentro de um pequeno recipiente – para que Harry deixasse as sementes – e um copo cheio d'água. — Aqui. Coma e vá dormir. - Ele se senta no chão, ao lado da cama. Deixando o copo de vidro em cima da mesinha e o pote de fruta na cama, ao lado de Harry. Edward estava tagarela, ele realmente não dizia coisa com coisa, e Louis só queria ir para sua casa. Ele queria deitar e dormir até que perca o horário de todos os seus afazeres domésticos do final de semana. Era incrível a maneira como – mesmo alcoolizado – Harry não dizia nada íntimo seu, apenas coisas fúteis e banais. Ele era como uma pequena antena antiga, que só permitia as imagens dos televisores serem nítidas quando queria, sem motivos aparentes para escolha de horários ou dias os quais funcionaria. Compará-lo à uma caixa de segredos estava longe de ser real. Talvez um baú fechado à sete chaves, ou um quarto misterioso trancado, que possivelmente nunca será aberto porque os donos jogaram a chave fora junto à mudança. Ou talvez Harry fosse apenas uma caixinha de música enferrujada, que fora esquecida no fundo de um armário porque pensaram que não tinha mais utilidade. — Eu faria um bodyshot. Com certeza faria. A língua daqueles caras passando em toda a extensão da minha pele soa bem 'pra mim. - Ele falava rapidamente, engolindo algumas letras das palavras, enquanto Louis o ignorava, porque achava ser a melhor forma d'Ele desistir de tagarelar e dormir o mais rápido possível. — Achei a festa legal, bebi para caralho, nunca pensei que fosse beber tanto. Minha mãe vai ficar decepcionada. Tomlinson piscou desinteressado, sentindo suas pálpebras pesarem pelo sono, enquanto sua cabeça estava sendo apoiada em sua mão. — E aquelas luzes coloridas eram tãooo legais-— Dorme, Harry. - Ordenou, firmando sua voz ao proferir a frase, assustado a si próprio. O cacheado formou um beicinho chateado em seu rosto cansado, sendo clareado pela luz do lado externo, que já estava quase amanhecendo por completo. Louis sentiu-se mal quando viu os olhos do garoto marejarem e lágrimas começarem a cair por suas bochechas descontroladamente, enquanto ele soluça baixinho e seu nariz se torna vermelho. Seu coração quebrou em mil pedaços ao assistir a cena, porque ele certamente nunca havia visto Harry chorar, aquilo era surpreendente, mas o aborrecia ao mesmo tempo. Por mais adorável que ele parecesse com suas bochechas avermelhadas e seus olhinhos inchados, Louis não poderia rir, mesmo que soubesse que, futuramente, aquilo seria engraçado. Ele deveria ajudá-lo agora, porque – pelo visto – ninguém o fará. — Ei? - Tomlinson segurou nas mãos do mesmo, acariciando a pele aquecida com gentileza, e sentou-se na borda da cama, ainda fazendo carinho nas mãos de Styles. — Shh, não chore - Ele sussurrou, sorrindo simpático para o amigo, tentando confortá-lo de alguma forma. — Eu prometo não ser rude com você, mas você precisa ir dormir porque eu também preciso, porém não posso te deixar aqui sozinho. Então, por favor, faz isso por mim? — Por favor. - Louis sussurra seu pedido, inclinando-se com cuidado, desfazendo o enlaço de seus dedos nos de Harry, enquanto usa seus dígitos gélidos para secar as lágrimas gordinhas que ainda escorriam pelo rosto do esverdeado. — Você pode arrumar os travesseiros 'pra mim? - Harry pergunta em um fio de voz, fitando Louis com os olhos pidões, enquanto o mais velho assente. — Como? — Gosto de apoiar minhas costas neles, sabe? Como se houvesse alguém me abraçando. - Ele admite, quase silenciosamente. William não se dá tempo para digerir as palavras, apenas observa o outro se ajeitar sobre o colchão, e ajeita os travesseiros atrás de suas costas, desembolando os edredons que o cobriam e os esticando sobre o corpo magro de Edward. Ele organiza seus cachos com cuidado em cima do travesseiro no qual Harry tem sua cabeça deitada, votando a sentar-se na borda da cama e assistir o esverdeado lutar contra seu sono, abrindo seus olhos com dificuldade apenas para encarar o rosto de Louis. Styles abre seus lábios secos, e então sussurra envergonhado: — Pode fazer carinho no meu cabelo? — Eu posso, mas apenas se você dormir em seguida. - Respondeu baixinho, aproximando-se dele e o vendo sorrir minimamente, com os olhos fechados. Harry até tenta assentir, mas o cansaço lhe mantém contido.Tomlinson leva sua mão com cuidado até o cabelo de Styles, sentindo o quão macios estavam. A forte fragrância de cereja adentra as narinas de Louis, e ele quer se afogar nos frascos de shampoos do garoto. Ele acaricia o couro cabeludo de Harry, quase o escutando ronronar pelo carinho, e abraça um dos travesseiros que os rodeia. Harry dorme em uma espécie de fortaleza que o abriga e o mantém seguro. Louis sorri com o pensamento, porque talvez, só talvez, ele esteja conhecendo o verdadeiro Harry Styles. Não aquele que fala palavrões seguidos, ou que pensa em planos para foder com a vida do diretor à cada momento. Mas o Harry que sua família conhece, o que ele é no dia a dia quando está sozinho. Louis acha que nunca sentiu uma conexão tão forte com alguém tão diferente.. . .Acordar após uma longa noite de bebedeira era - provavelmente - uma das piores sensações existentes. Embora não lembrar-se de absolutamente nada conseguia ser pior ainda. Harry sentou-se sobre sua cama, sentindo sua cabeça latejar e seus lábios colarem um no outro, pousando suas mãos cansadas em seu colo, ainda percebendo o pesar de suas pálpebras sonolentas. Ao olhar para a mesinha de cabeceira ao seu lado, ele encontra um copo de água pela metade, enquanto pega-se pensando como aquilo havia parado ali. Styles sente como se sua mente houvesse apagado tudo o que aconteceu na noite anterior, era impossível ter um lapso de lembrança no instante porque Harry apenas se lembra de coisas que aconteceram até o momento em que virou uma garrafa de gin, sem sequer sentir o sabor da bebida. Era embaraçoso porque ele não fazia a menor ideia de como havia agido quando bêbado, ou quem o trouxe para casa... Havia sido Louis? Porra, Harry jura que nunca mais aceita ir para festas. A tela de seu celular é acesa quando uma notificação chega, fazendo com que o aparelho vibre em seguida. Seus olhos passeiam pela tela, identificando ser uma notificação de Louis. Seu coração fraco automaticamente dispara e ele sorri minimamente, tomando o celular para si e encostando-se na cabeceira da cama, enquanto o desbloqueia com rapidez. Era um áudio, de quase um minuto, que ele não pensou duas vezes em clicar para ouvir.— Hey, malchik, como você está, hein? Pegue um comprimido para dor de cabeça, tenho certeza de que você vai acordar com uma ressaca do caralho. Antes que se preocupe, eu tranquei a porta da sua casa, certo? A chave está na pia da sua cozinha, eu deixei lá e fechei a janela pelo lado de fora. Até segunda-feira.Edward sorriu ao escutá-lo, o respondendo com um emoji piscando somente um dos olhos e bloqueando a tela de seu celular, porque certamente aquilo havia o atingindo de uma maneira que não deveria.Louis havia ficado ali? Consigo? Havia passado a noite ali? Porra e se Harry falou demais? E se ele soltou algo que não deveria? Ele está tão fodido... O cacheado soltou seu celular sobre os edredons e passou as mãos em seus cachos indefinidos, bufando descontente, antes de esconder seu rosto entre um de seus travesseiros. Seu coração estava descontrolado dentro de seu peito, mas aquilo não era uma boa sensação... Não como das outras vezes.— Seu pai pediu para te acordar. - Scott para ao lado de fora da porta, arregalando seus olhos ao perceber a bagunça que seu filho se encontra. — Harry, o que aconteceu? - Ele perguntou, arqueando suas sobrancelhas e cruzando seus braços. Harry sabia que ele provavelmente estava pensando alguma merda relacionada à drogas. Ele negaria, mas sabia que Scott não acreditaria em si. — Eu bebi.— Você tem dezoito anos, sabe o que faz. Desça para o almoço, Cillian quer que você nos acompanhe à um desfile.O mais novo revirou seus olhos, suspirando descontente, mas assentiu, tentando evitar uma briga ou discussão posterior.[...]— Melhore essa feição, se eu soubesse que ficaria assistindo o desfile com essa cara não teria lhe trazido. - Cillian reclama, dirigindo-se ao filho, que permanece sentado com sua postura torta e uma carranca entediada no rosto, enquanto brinca com os pêlos artificiais de seu casaco branco. Ele havia tentado ter uma conversa pacífica com seus pais durante o almoço, o que – obviamente – não deu certo. Mesmo sendo maior de idade, Harry deveria os acompanhar pois, segundo Cillian, enquanto ele morasse sob seu teto, deveria o obedecê-lo. Harry, por sua vez, pressionou seus dedos em suas têmporas, as massageando e pedindo paciência para Deus ou qualquer energia universal. O garoto bufou irritado ao ouvir seu pai, suavizando sua expressão emburrada e subindo seu olhar para a passarela, onde os modelos desfilavam com as roupas da nova coleção de inverno. Ele segurava seu celular em uma de suas mãos, enquanto a outra estava encarregado de segurar uma garrafa de plástico, com água gelada. Styles sorriu, se achando bobo o suficiente para enviar uma foto da passarela para as mensagens diretas de Louis.Você enviou uma foto para: William_TommoWilliam_Tommo: Boa tarde?? kkkkkk que isso?HeStyles94: Um desfile, idiota, não tá vendo a passarela não?William_Tommo: E lá vamos nós de novoWilliam_Tommo: Não sabia que você gostava desse tipo de coisa HeStyles94: Não gosto, só vim porque meu pais me trouxeramWilliam_Tommo: Deve ser uma porra de chato né? CredoHeStyles94: Nem brinca, não servem nem um canapé William_Tommo: Você vai para os lugares pra comer? KKKKKKKKKKKKKHeStyles94: Louis, para...William_Tommo: Parei, é que eu sou assim também, não é todo dia que surge uma oportunidade dessas HeStyles94: Pois é :DWilliam_Tommo: Que coisa fofa, malchikWilliam_Tommo: :PHarry bloqueou a tela de seu aparelho celular, cobrindo seus lábios – franzidos em um sorriso involuntário – com as mãos, abaixando sua cabeça e fechando seus olhos, voltando à sua postura em poucos segundos, passando seus dedos entre seu cabelo e o jogando para trás, tirando os cachos da frente de seu rosto. — Eu estou com fome, quero ir embora. Falta quanto para acabar aqui? - Perguntou curioso, inquieto em seu assento, esperando a resposta de um de seus pais. — Chegamos há menos de uma hora, espere mais um pouco. - Cillian o avisa, sorrindo para alguém ao outro lado da passarela, enquanto tira fotos com sua câmera. Harry ainda o fita entediado, com as sobrancelhas arqueadas e o olhar caído. Era quase impossível existir alguém tão idiota.E ele esperou, mais de três horas, incluindo o momento no qual Cillian e Scott caminharam para o saguão principal do edifício, conversando com os organizadores do evento e alguns dos modelos. Estavam servindo vinho e queijo em cubos. Harry quis chorar. Aquilo não faria com que sua fome passasse.O cacheado comeu quase uma bandeja de queijo, disfarçadamente, era claro. Se Cillian o visse fazendo-o passar tamanha vergonha com certeza o expulsaria de casa e jogaria em sua cara todas as merdas feitas durante anos e anos de convivência. Styles bebeu apenas uma taça de vinho tinto, pois apenas de olhar para as bandejas de taças cheias seu estômago embrulhava. Ele havia bebido muito na noite passada. Mais do que o usual. E aquilo o deixava enjoado. — Estive pensando nas aulas de etiqueta- Harry, come direito, tenha modos! - Scott o chamou atenção quando os ingredientes de seu hambúrguer caíram na mesa do jantar, mas Edward realmente se assustou com o assunto no qual seu pai estava engatando, ele não queria ter de pautar sobre aquilo novamente. — Foi mal. - Ele se levanta, recolhendo um prato do armário e deixando embaixo de seu lanche, enquanto seus pais voltam a conversar e agir como se ele não estivesse ali. — Porque você sabe, ele realmente precisa, o que acabou de acontecer aqui foi uma prova. - O homem continua, cortando seu lanche com garfo e faca. — E a carreira de modelo para o Harry foi o que você sempre planejou, não será tão ruim, apenas devemos esperar ele acabar a escola já que a ideia do internato foi descartada desde quando ele adentrou o ensino médio.— Bem, ele teria de praticar a etiqueta aplicada nas aulas de um jeito ou de outro. - Cillian limpa seus lábios gordurosos com um guardanapo, e Harry não faz questão de os contrariar.Ele já havia decidido o que cursaria ao acabar a escola, nem que ele precisasse fugir de casa ou viver em um dormitório universitário, dividindo quarto com quantas pessoas fossem. Harry não desistiria de cursar design gráfico. Nunca teve o apoio de seus pais para absolutamente nada, por que ele precisaria do apoio deles quando quisesse ingressar em uma faculdade de sua escolha? — Boa noite. - Styles deixa a mesa, levando seu lanche junto a si para o quarto, desistindo de tentar permanecer no mesmo espaço que os dois. Embora a única coisa que ele fizesse de melhor fosse: se martirizar. Ele odiava isso, porque tem certeza de que se Arabella ainda estivesse aqui, tudo seria melhor. Ele não passaria por metade dos problemas que passa. Provavelmente não seria esse adolescente merda que é. Harry sabe que, se dependesse dela, ele seria um adolescente que odiaria sair de casa, mas apenas para passar mais tempo que sua mãe, recebendo sua atenção e os conselhos dela. Até mesmo a ajudando em seus desenhos.Hoje em dia é estranho pensar nisso, porque sem ela, Harry sente como se estivesse saindo dos trilhos, literalmente. Saindo do caminho que ele mesmo trilhou, esquecendo totalmente sua rota e permanecendo ali, perdido, no meio do nada. Ele sabe que nada poderá substituir o amor de Arabella. Também sabe que nada cobrirá o vazio que ela deixou... Embora ele tente se auto-confortar, dizendo para si mesmo que ela está o acompanhando. Harry não sabe se ela está mesmo, era difícil dizer isso quando seus pais não são como aqueles de filmes, que o diziam: "sua mãe é uma estrelinha agora", ou "não se preocupe, ela está sempre ao seu lado". E ele nunca superará isso totalmente, porque não foi algo que a tirou dele...Edward teve de passar por tudo aquilo sozinho, porque enquanto ele chorava em seu quarto, se isolando e faltando diariamente na escola, seu pai estava se drogando no cômodo ao lado. E Cillian não parecia se importar com mais nada além daquilo. Talvez aquela houvesse sido a alternativa mais fácil para si, e Harry também acha que seria, caso ele não tivesse um filho para criar. Há nove anos Harry perdeu sua mãe, e desde então ele é sozinho, porque – infelizmente – seu pai se foi junto à ela.. . . Estar com Louis fazia com que Harry desistisse da ideia de ficar trancado dentro de seu quarto, com as janelas e cortinas fechadas, impedindo seus olhos de perceberem a claridade externa ou de ter ar circulado no cômodo. — Eu disse algo... Você sabe... Algo idiota no dia da festa? - Questionou, entregando a embalagem de batatas fritas para o mais velho, que vestia uma camiseta preta e básica, segurando sua gravata e sua camisa social entre seus dedos. — Não que eu me lembre. Mas você estava bêbado para um caralho. - Admitiu quando encarou o menor retirar sua embalagem do balcão e efetuar o pagamento. — Tipo, você realmente não dizia coisa com coisa. — Que vergonha. - Harry sussurrou, enfiando três palitos de batata dentro de sua boca, querendo se esconder em qualquer buraco na rua. — Foi mal se eu te falei algo que não deveria, ou te xinguei, sei lá. — Oh, não, na verdade você estava até mais simpático. - Louis brincou, sugando o refrigerante de limão pelo canudo e esticando o copo para Styles, que bebeu no mesmo canudo em seguida. — Mas teve uma hora que eu pensei que os seus vizinhos sairiam de suas casas e viriam nos agredir, porque você enganchou seu pé no apoio de trás da garupa e começou a gritar. Literalmente do nada. — Porra, eu 'tava mamado 'pra caralho... - Comentou, tentando esconder suas bochechas rosadas com seus cachos pesados. — Por isso que eu não bebo em festas. Se eu não tivesse chegado à tempo você teria feito um bodyshot. - Harry arregalou seus olhos no instante em que ouviu aquilo, segurando com mais firmeza ainda o papel de suas batatas. Ele apenas não podia acreditar.— Que vergonha. Eu nunca mais saio de casa. Nunca mais. - Edward reclamou, querendo se socar mentalmente pelo que faria caso Louis não estivesse o tirado daquela situação. Ele correu em pequenos pulos até o gramado da praça, onde havia comemorado seu aniversário e ganhado seu primeiro abraço de Louis, sentando-se na grama seca e apoiando suas costas em um tronco, aguardando o mais velho fazer o mesmo. — Você disse que havia feito seus cachinhos manualmente. - Tomlinson comenta sorrindo, enquanto toma o copo de refrigerante da mão de Harry e beberica o líquido, o escutando sorrir e virar seus rosto para o outro lado. William faz o mesmo, porém abaixa sua cabeça, na intenção de olhar para suas batatas pegando uma delas, mas sente os cachos cheirosos e macios de Styles pinicarem levemente sua bochecha gélida, percebendo o peso da cabeça de Harry em seu ombro logo após isso. O esverdeado havia admitido não gostar de toques dias antes, ele mesmo sabe disso, mas foi involuntário, algo incontrolável que, mesmo se pudesse ser evitado, ele não tem certeza de que o faria. Sua visão era banhada de cores, o céu estava a escurecer, enquanto ainda havia um pequeno pedaço do horizonte banhado pela luz alaranjada do Sol. A Lua já estava posicionada em seu devido lugar, enquanto ele procurava curiosamente pelas estrelas, tentando localizar a mais brilhantes delas. A mesma que ele havia nomeado de Arabella. — Posso fazer isso? - Questionou em um sussurro cansado, se referindo a ter sua cabeça deitada no ombro do mais velho, enquanto sua embalagem estava abandonada sobre seu colo. — Eu não me importo. - Louis respondeu em um fio de voz, seguido de um sorriso nasalado. Harry estava confortável ali, confortável com Louis. Sentia-se bem, como nunca antes.— Daqui poucos dias farão cinco meses do início das aulas, ou seja; cinco meses que nós resolvemos ser "parceiros no crime". - O mais novo comenta baixinho, achando estranho estar citando aquilo, mas pensando ser algo legal para comentar com Tomlinson. — O tempo passou rápido, você não acha?— Sim. Daqui poucos dias estamos entrando em férias de inverno também. Receio que você se afaste. - O acastanhado foi sincero ao dizer, realmente receava, mas não gostaria, porque achava que aquela conversa estava tomando um rumo que não deveria. Desde quando eles tinham tamanha intimidade?— Eu não pretendo fazer isso. Louis concordou, fechando seus olhos com suavidade, tocando sua cabeça no tronco da árvore e a descansando na madeira, enquanto podia escutar a respiração chiada e quase silenciosa de Styles.William não deixaria de admitir que aquela proximidade era algo novo, mas estava longe de reclamar sobre aquilo. No entanto, não durou por muito tempo, Edward levantou sua cabeça, parecia envergonhado, e então cruzou seus tornozelos, sacudindo levemente sua cabeça para esconder seu rosto. E Louis sabe que as bochechas do garoto estavam totalmente coradas, ele também sabe o quão envergonhado Harry é, mesmo tendo aquela pose intocável sendo assumida todos os dias. Styles guardava muitas coisas dentro de si, aquilo era visível para qualquer um que quisesse conhecê-lo. Tomlinson não queria realmente que o garoto desabafasse consigo, porque sabe que aquilo não virá de Harry, assim como ele não pretende contar sobre si para o cacheado. O pensamento era estranho, como poderiam manter uma amizade sem confiança de nenhuma das partes? Parecia bobo, mas certamente assustava Louis, porque em pouco tempo a amizade de Harry se tornou algo bom para ele mesmo. Estar com Harry tornava seus dias menos monótonos, mais sorridentes e leves, assim como acontece quando Tomlinson está com os caras de sua banda...Louis também não negaria que, por muitas vezes, pensou em desistir daquela amizade, porque Styles é simplesmente impossível quando quer ser. Ele é totalmente insensível e sem quaisquer escrúpulos quando deseja ser, mesmo que o acastanhado não tenha nada a ver com as merdas que acontecem em sua vida pessoal. Louis não diria que era legal ser tratado como ele era – até porque Harry parece mais compreensível atualmente – mas por algum motivo interno, William não o fez, ele não desistiu de se aproximar daquele garoto de sanidade mental duvidosa. — Eu tenho que ir 'pra casa, meu pai com certeza já chegou e não posso passar muito tempo longe dele. - O mais velho alertou, ainda mantendo sua voz baixa, sem sequer se mover, tendo o corpo de Styles apoiado em seu braço esquerdo. — Tudo bem, nos vemos amanhã. - Harry se ajeita com cuidado, ainda segurando sua embalagem de batatas gordurosas, encarando Louis com seus olhos inchados e vermelhos de sono, sorrindo minimamente. — Vai ficar? — Vou, você não precisa me levar até minha casa hoje. - Responde a pergunta mental de Tomlinson, colocando seu capaz após isso, recebendo um aceno rápido do mais velho e o retribuindo.Louis o xinga mentalmente, porque ele nunca pensou que algum dia conheceria alguém igual a Harry. •Ir à praça havia se tornado algo deles – sem nenhum motivo significante aparente –, apenas caminhavam até o lugar após o período que passavam na biblioteca, ambos compravam salgados de sabores diferentes, apenas para dividirem - mesmo que subconscientemente.Louis com certeza era o que mais falava na dupla, enquanto Harry o escutava com atenção, mesmo sem estar o olhando.Na sexta-feira eles dividiram um cigarro de maconha, apenas metade daquilo fez com que Harry se tornasse a pessoa mais engraçada do mundo. Ou talvez ele realmente fosse daquele jeito, e usasse a droga como desculpa. Bem, Louis não sabia, mas gostava de passar seus finais de tardes e inícios de noites junto à ele. Era divertido – mesmo que não fizessem nada de interessante –, apenas se sentarem nas rochas e jogarem água um no outro com seus pés descalços, molhando suas calças sociais do uniforme. A semana se passou rapidamente, porque eles estavam se aproximando e aquilo parecia estar acontecendo de uma maneira extremamente rápida.O último dia de aula antes das férias havia chegado e, com ele, os últimos dias ensolarados e calorentos em Wassed.Louis não estava animado, porque os concursos que ocorreriam no final do ano ainda o preocupavam, ele não se sentia bom o suficiente para ter notas dignas de bolsas integrais ou pelo menos metade do valor da faculdade. Embora preocupado, ele mesmo não estava se esforçando para que conseguisse algo futuramente.— O que diz aí? - Dave questiona esperançoso, apontando para a carta mensal que o filho recebe.Tomlinson não gosta daquilo, porque machuca ambos, e parece que ninguém se importa. Mas ele não podia negar que tudo aquilo iria o ajudar mais para frente. — O mesmo de sempre, sinto muito...Dave não o responde, apenas se vira para a televisão novamente, bebericando seu café quente, enquanto apoia seus pés na mesinha de centro da sala de televisão.— Bem, eu estou indo, tenha um bom dia... Se cuide. - Louis guarda a carta na primeira gaveta da estante, ajeitando as alças de sua mochila sobre seus ombros. — Tchau, garoto.Seu pai não o olha, mas ele sorri, porque sabe que ele está se esforçando. Caminhar pelos corredores da escola de Wassed é estranho agora, porque ao mesmo tempo que tudo parece bem e feliz, ao mesmo tempo que as pessoas estão animadas e contentes, tudo parece melancólico demais. E aquilo apenas por ser o último ano escolar. Louis só não achava que estava pronto psicologicamente para – realmente – iniciar sua vida.Alguns alunos distribuíam papéis em cores neon, anunciando festas e resenhas, Tomlinson recusa todos eles. Ele atravessa toda a escola, apenas para encontrar Harry parado em seu armário, mas isso não acontece, e Louis pode admitir – mentalmente – que o sorriso deixa seu rosto assim que ele passeia seus olhos pelo corredor vazio. — Vamos para o banheiro. Agora. - Louis escuta a voz do garoto – de cachos e olhos esmeraldinos duvidosos – próxima ao seu ouvido, e sussurra um "idiota", antes de segui-lo.— E então? - Questionou curioso ao entrar na última cabine junto à Harry, o assistindo fechar a tampa do vaso sanitário com força, pousando sua mochila ali, a mesma que parecia pesada. — Meu caralho, quantos livros tem aí? - Pergunta, instalando um sorriso em seu rosto percebendo a afobação de Harry para falar, até mesmo se engasgando com sua própria saliva.— Se acalma, está tudo bem?— Sim, mas eu preciso te explicar antes da primeira aula porque eu acho que nós não temos nenhuma aula juntos hoje. - Comentou, agora mais calmo, enquanto fazia um coque rápido em seus cachos. — Hoje é o último dia de aula antes das férias, todo mundo sabe disso, e eu quis fazer algo especial para me despedir, antes de passar todos esses meses longe daqui. - Disse cinicamente, colocando sua língua entre seus dentes durante um sorriso confiante. Louis gosta de vê-lo assim... — Hum, qual vai ser o plano dessa vez? - Cruzou seus braços, arqueando suas sobrancelhas como sempre faz - quando está desafiando alguém, mesmo que seja subconscientemente. — Trouxe todas as latas de óleo da minha casa. Literalmente todas as garrafas que tinham na despensa - Sorri animado, ao mesmo tempo que suas bochechas ganham um tom carmesim.Louis, por sua vez, franze seu cenho, preocupado com o rumo que aquilo tomaria quando colocado em prática. — 'Tá, e o que vamos fazer com essa caralhada de latas de óleo? — Vamos espalhar pelos corredores durante a tarde, antes de vazarmos do período na biblioteca. - Diz, extremamente contente, percebendo a feição surpresa de Louis. — Ah, o que foi agora? — As pessoas vão cair e se machucar. — Tomlinson, ninguém morre levando um tombo não, relaxa, que chatice. - Styles retirou o sorriso de seu rosto, voltando a fechar o zíper de sua mochila, demonstrando sua irritabilidade.Louis o acha irresponsável – particularmente – nesse plano, assim como ele foi quando resolveu jogar litros de corante na água da caixa sem sequer saber se algum aluno era alérgico.O mais velho segura em seu braço antes de sair, o trazendo para perto e deixando seus rostos próximos um do outros, enquanto os lábios rosados de Harry se entreabrem em confusão e seu hálito quente - e doce, cheirando à morango - seja inspirado por suas narinas. E porra, aquele cheiro era viciante. Os olhos confusos de Styles parecem analisar toda a extensão do rosto de Tomlinson, enquanto suas pupilas dilatam rapidamente e seu pomo-de-adão seja elevado, e volte ao seu lugar em questão de milésimos de segundos.— Pare de agir assim, pare de fugir sempre que alguém não concorda com você. - Disse, quase impaciente, observando o rosto do mais novo suavizar.— Você pode discordar de mim, eu não me importo, isso é só um plano idiota que eu tentei te incluir, mas se você não quer participar, tudo bem, eu não me importo, não faço questão. - Respondeu, um tanto quanto cínico, retirando seu braço dentre os dedos de William, o encarando por uma última vez antes de sair.Louis revira seus olhos, engolindo seco, enquanto pega sua mochila e aguarda a porta do banheiro ser batida para que ele possa sair por ela e não ter que encontrar Harry.  Mesmo que nunca conversassem muito no intervalo, ver Harry se sentar sozinho no degrau de entrada – pouco antes do pátio, onde os garotos jogam basquete – deixa Louis chateado, porque eles haviam discutido por algo bobo e, mesmo que saiba que tenha toda a razão nesse tipo de situação, ele simplesmente não consegue vê-lo sozinho – com seu cenho franzido e o rosto iluminado pelo Sol forte que o atingia e o corava –, e não se sentir chateado. Embora sentisse-se assim, ele deixou Styles ter seu tempo, não insistiria em falar com o cacheado sabendo que poderiam acabar ficando em uma situação pior, antes mesmo de sair de férias.Louis também achava que estava fazendo uma tempestade em um copo de água, mas porra, ele não entende o porquê de as coisas com Harry funcionarem de maneira tão intensa e invasiva.Ele não achava aquele plano uma ideia totalmente ruim, por isso passou o resto da tarde pensando em um jeito de amortecer as possíveis quedas dos estudantes ao saírem de aula e atolarem seus calçados em uma piscina de óleo.Louis realmente não consegue pensar em muitas coisas quando há algo para fazer em cima da hora, mas estava disposto à falar com Harry sobre isso.A biblioteca se tornava um lugar terrivelmente péssimo quando ambos estão em silêncio, principalmente quando a energia pesa, e eles sintam isso. Os livros pareciam se tornarem mais empoeirados, as mesas pareciam mais sujas e a quantidade de pessoas que não devolvem os livros emprestados parece aumentar. Tudo isso porque eles estavam brigados.Harry tinha uma carranca em seu rosto, a mesma de sempre: Cenho franzido, tendo seus cílios – praticamente – colados em suas sobrancelhas, lábios prensados um no outro e seus passos eram fortes, quase fazendo com que o chão tremesse. Louis o achava adorável quando irritado.— Vamos colocar o seu plano idiota em prática, porém sem usar todas essas latas de óleo que você está carregando.Harry o fita, quase com uma expressão suave, mas dá de ombros, fingindo não se importar com o que ouviu (mesmo que ele esteja pulando de alegria interiormente). — E o que você pretende fazer, senhor todo poderoso? - Tomlinson sorri com o apelido bobo, mas abana sua mão no ar, como aquilo não o incomodasse. — Vamos diminuir a quantidade de óleo, procurar por tapetes no quarto de limpeza e espalhar cadeiras no corredor, para os alunos terem um apoio. Já evita muita coisa.— Por que caralhos você não disse isso antes? — Baixa a bola aí, esquentadinho, eu sequer tinha pensado nisso quando disse que não daria certo. - Styles revira seus olhos, colocando sua mochila nas costas e acenando para fora com sua cabeça. Louis o entende, vestindo seu paletó e segurando uma única alça de sua própria mochila.— Eu vou buscar os panos e tapetes, aproveito e trago umas duas cadeiras. - Ele alerta, deixando suas coisas ao lado da porta da biblioteca, enquanto observa o mais novo retirar as latas de líquido amarelado e pegajoso de dentro de sua bolsa. — Então eu fico aqui espalhando o óleo. - Harry arqueia seus ombros, pousando as latas sobre o solo, enquanto Louis assente antes de sair, em busca de tapetes e panos. Ele encontra Carter conversando com um coordenador sobre a ajuda que a escola está recebendo do diretor geral de Radpit para o laboratório de química, e aquela é a brecha para ele passar despercebido em frente a sala do coordenador, adentrando a sala da limpeza, ao lado.Tomlinson pega todos os panos possíveis, os pousando sobre uma das duas cadeiras inutilizadas que havia recolhido para levar junto à si.Com dificuldade, ele caminha pelos corredores – aquelas cadeiras pesavam para caralho –, tendo certeza de que Carter não estava o vendo.Ao voltar para o corredor, ele observa Harry quase finalizando sua parte. Ele sorri, porque o garoto está realmente concentrado em fazer aquilo, e é fofo, porque ele parece gostar. Louis sorri sozinho, negando com sua cabeça antes de jogar os tecidos velhos no chão e pousar as cadeiras uma ao lado da outra.Ele abaixa-se no chão, ajeitando os panos e os esticando, de maneira que os alunos possam passar as solas de seus sapatos ali e fazer com que fiquem menos escorregadios. Tomlinson também procura por pontos estratégicos para deixar as cadeiras, enquanto Styles se levanta, espreguiçando-se e guardando a última lata vazia – utilizada no plano – em sua mochila, fechando seu zíper em seguida.— Isso vai ser tão bom, uma pena que eu não vou estar na escola para ver. - O mais novo assume convencido, colocando suas mãos em sua cintura, e erguendo seus ombros, pouco antes de um sorriso iluminado ser posto em seu rosto.Louis retribui o sorriso, acenando para ele e pedindo para que o mesmo trouxesse sua mochila junto consigo quando viesse.Harry provavelmente esqueceu da piscina de óleo no corredor, e correu ate Louis, com suas duas mãos ocupadas, enquanto seus olhos se arregalavam e seus pés escorregavam no óleo.William não conteve sua gargalhada quando Styles escorregou e se apoiou em uma das cadeiras, fazendo com que a colisão de ambas mochilas contra a madeira e afastassem o assento. Harry gritou nesse momento, fechando seus olhos e pedindo para que Louis o ajudasse. — Parece que alguém provou do próprio veneno. - O maior brincou, a calma tomando conta de sua voz, durante o momento em que ele arrastou um dos panos pelo chão, secando o solo e pisando sobre o tecido. — Como você é idiota, moleque. - Louis volta a gargalhar, pegando os itens presos nos braços de Harry, antes de agarrar em seus dois pulsos e o puxá-lo com cuidado, para que ambos não caiam em toda aquela bagunça oleosa.O mais velho abraça a cintura de Styles, que ainda escorrega e bufa, se agarrando ao paletó de Louis, e fechando seus olhos, completamente envergonhado.— Eu não sou idiota, vá se foder, eu só esqueci da porra do óleo. - Styles comenta irritado quando chega aos panos, arrastando as solas de seus sapatos ali e bufando, com os olhos quase marejados e suas bochechas ferventes.Louis esconde seus lábios sorridentes com as mangas de seu paletó, procurando não provocá-lo, mas é impossível não sorrir ao se lembrar daquela cena hilária.— Não precisa ficar todo emburrado, acidentes acontecem. - Ele conforta o garoto, antes de esticar a mochila para o mesmo e aguardá-lo, para caminharem juntos para fora do colégio. — Agora imagina se você resolve fazer tudo isso sozinho? Não ia ter ninguém para te tirar dali sem você ter que se rastejar.— Tecnicamente não. Daria tudo certo, porque eu sairia pela outra porta, e não precisaria levar sua mochila comigo. - Deu seu ponto de vista, e Louis assentiu, achando aquilo justo.Harry enlaçou seus dedos quentes nos de Louis, o mesmo que desmanchou seu sorriso na hora, mal tendo tempo para prestar atenção em seus próprios sentimentos, já que Styles o puxou pelo Hall de entrada, correndo velozmente, mesmo que seus sapatos sociais escorregassem no piso extremamente polido e liso.Louis gostava do fato de que, eles sempre fugiam de mãos dadas logo após terem aprontado alguma merda na escola. Era um ato puro, quase involuntário, de entrelaçarem seus dedos uns nos outros e se puxarem enquanto correm, com sorrisos sinceros implantados em seus rostos juvenis.Afinal, Louis & Harry eram aquilo. Um quase resumo da juventude e da adolescência.Em momentos como aquele, o futuro era incerto, mas eles gostavam daquilo.

----- CHAPTER BREAK -----

Às vezes, ter o vento fresco colidindo contra seu rosto em um dos últimos dias do verão, é sinônimo de sorte, porque nem sempre o mês termina ensolarado assim. Ou talvez seja apenas o fato de que Louis e Harry estão correndo rapidamente pelas calçadas – de pedras naturais – lotadas de Wassed, enquanto o cacheado quase esmaga os dedos de Louis, de tanto apertá-los para tentar acompanhá-lo nos rápidos passos.O coque – que havia no topo da cabeça de Styles – havia sido desmanchado aos poucos, conforme ele forçasse seus passos firmes no chão e tentasse desviar das pessoas que caminhavam calmamente. Seus cachos não tem mais a mesma definição anterior, estavam esvoaçados e deslocavam-se no ar com suavidade.Tomlinson não conseguia simplesmente controlar seu sorriso, não quando ele tinha um Harry animado e sorridente, gargalhando atrás de si enquanto ambos correm para o cais da cidade.Louis sabia exatamente o que fazer e para onde ir, porém Harry não, mas realmente não parecia muito preocupado, ele apenas acompanhava Louis na corrida, tendo seus longos cachos atrapalhando sua visão todas as vezes nas quais o vento fazia com que os fios castanho-chocolate ricocheteassem seu rosto corado e iluminado pela luz do Sol.William, naquele momento, não podia negar o quão bonito Edward parecia, com seu cabelo atingindo sua pele e um enorme sorriso instalado em seu rosto.Suas mãos só tiveram de desfazer o enlaço quando chegaram ao cais, lugar onde Louis jogou sua mochila em um pequeno barco motorizado e apontou para dentro, indicando Harry à entrar no mesmo.— Não precisa pagar para usar? - O mais novo perguntou curioso, enquanto adentrava o barco e se sentava em um dos bancos de madeira, abraçando sua mochila contra seu peito, enquanto Louis desfaz o nó da corda presa na estrutura de ferro embutida ao chão.— Sim, precisa, mas só quando chegarmos ao outro lado, realmente não tem como fugir porque o pessoal que aluga os barcos estão em toda a costa. - Responde simples, jogando a corda dentro do barco e empurra o mesmo para a água, subindo ali em seguida e ligando o motor.— Você já pensou em pagar por esse barco mensalmente? Tipo, por que você não faz isso ao invés de sempre usar a balsa? - Harry questionou se apoiando nas extremidades do barco ao que sentiu o solavanco do barco.— Porque a balsa é gratuita e o barco não. - Sorriu, arqueando suas sobrancelhas como se aquilo fosse óbvio. — Tenho que economizar o máximo possível, malchik, mal vejo a hora de vazar daqui.Harry levanta seu cenho, engolindo seco e concordando com o mais velho. Ele parecia surpreso, na verdade. Louis dá de ombros, desligando o motor quando estão no meio do trajeto. Edward o encara confuso e curioso, voltando a abraçar sua mochila, encarando seu amigo com um ponto de interrogação em sua testa.— Que porra você está fazendo? - O cacheado pergunta, assistindo Louis retirar seu paletó. — É o início das nossas férias. Está esperando o que para começar a aproveitar? - Tomlinson tirou seus sapatos, seguidos de sua camisa social, fazendo Harry arregalar seus olhos e sentir suas bochechas queimarem conforme tenta desviar seu olhar do torso nu do acastanhado.Ele não podia negar, acha Louis bonito, desde o primeiro dia em que seus olhos se encontraram. O fogo e a tempestade poderia ser um ótimo resumo d'Eles, não poderia?— Louis- Antes mesmo de gritar seu nome, ele observa o mais velho pular na água, permanecendo um longo tempo sob a mesma. Seu olhar preocupado cai para a movimentação de águas, quase como um pequeno redemoinho no mar, enquanto as bolhas e espumas de sal rodam, no mesmo local onde Louis havia pulado, segundos antes.A demora o preocupa, tudo relacionado ao mar lhe preocupa. Seus olhos são fechados com força, enquanto ele dá pequenos passos para a borda do barco e se debruça ali, procurando por qualquer vestígio de Tomlinson.— Louis? - Chama novamente, sentindo seus batimentos acelerarem no instante em que se levanta, ainda em busca de qualquer sinal do rapaz. — Cadê você merda?Harry se assusta com a aparição repentina de Louis, espirrando água em todo o seu corpo coberto pelo uniforme. Seu coração se acalma ao vê-lo sorrir divertido, enquanto arrasta suas mãos na água e a joga em Styles, que franze seu cenho, irritado, e sente vontade de chutá-lo.Ele odeia sustos, principalmente sustos como aqueles. O desesperava. — Vá se foder, porra! Tomara que um boto morda sua bunda, seu idiota. - Voltou a se sentar no banco, com a expressão emburrada no rosto, cruzando seus braços e percebendo a balsa atravessar as águas muito próxima do pequeno barco.— Ah, não se faça de chato, você quer entrar aqui, mas para isso eu preciso insistir, não é? - Ele se apoia na extremidade do barco, empurrando o mesmo para baixo, fazendo Styles se inclinas para o lado. O mais novo arregala seus olhos novamente, apoiando sua mão esquerda no assento, procurando algum tipo de apoio. Louis tem um lindo sorriso em seu rosto, enquanto as gotas de água salgada escorrem por toda a extensão de sua pele bronzeada e ele morde seu lábio inferior, aguardando pelo amigo, que se negava a entrar.— Para com isso, eu vou me machucar, seu idiota. - Harry empurra o ombro alvo e bronzeado do maior, revirando seus olhos em seguida.— Qual é Harry, você não é de frescura, venha, a água está ótima. - Louis confirma, chacoalhando sua cabeça e fazendo com que as gotas de água salgada atinjam o rosto do mais novo, e ele bufe, evitando sorrir com aquela idiotice.Não seria tão ruim entrar ali, seria? Por mais que seus dotes de natação não sejam os melhores, ele sabia um pouco, pelo menos sabia como boiar sobre a água. Não seria o fim do mundo... — Está bem, eu vou. - Ele concorda, retirando seus calçados com antecedência e percebe o azulado comemorar, se afastando do barco e deixando um espaço considerável para Harry pular.O cacheado respira fundo, decidindo permanecer com a camisa social do uniforme, apenas optando por retirar a gravata vermelha e deixá-la sobre o banco onde estava sentado antes.Ele sente seu interior ferver apenas por pensar na hipótese de tirar sua camisa para pular na água, mas ignora aquilo, pois sabe que se continuar pensando, ele desistirá de entrar no mar. As cicatrizes eram enormes, esbranquiçadas e relevadas, o envergonhavam, ele evitava olhar para seu corpo no espelho.Edward suspira pesadamente, sentar-se com cuidado na borda no barco, sentindo a temperatura do mar nas pontas nos pés, antes de fechar suas narinas com seus dedos – indicador e polegar – e pular na água.Seu corpo quente entra em contato com o líquido gelado, e ele pode sentir aquilo instantes depois de estar sob a água do mar, destampando seu nariz e subindo para a superfície o mais rápido possível, inspirando todo o ar que consegue. Só a ideia de se permanecer ali o deixa angustiado, o mar o deixa angustiado de certa forma, embora ele tente não deixar aquilo tomar conta de sua mente.— Pensei que nunca mais subiria. - Louis brinca, bagunçando os longos cachos de Styles, fazendo a água – que havia sido absorvida pelos fios de cabelo – ser espalhada para todos os lados. A risada de Harry é baixa, quase como se ele estivesse envergonhado, mas Louis percebe que aquela pose é apenas uma fachada. — Filho da puta! - Tomlinson gritou quando sentiu um punhado de água salgada atingir seu rosto.Harry gargalhou divertido, nadando para trás, conforme o acastanhado se aproximasse rapidamente, tentando alcançá-lo. — Idiota! Você é tão bobo, agora o sal está machucando o meu olho. - Avisou, enquanto a expressão do esverdeado se aborreceu e ele nadasse para perto, preocupado com aquilo. Não era sua intenção machucar Louis, por Deus, não era. — Foi mal, e-eu não queria. - Foi sincero ao dizer, analisando os olhos avermelhados do maior, que piscava incessantemente. — Será que se eu assoprar eles param de doer um pouco? - Harry perguntou esperançoso, assistindo um sorriso ser implantado no rosto do mesmo, e seu coração vacilar dentro de seu peito.— Óbvio que não, Harry. - Louis sorri, revirando seus olhos e nadando até o barco, enquanto busca por uma garrafa em sua mochila e lava seus olhos com a água mineral.Harry suspira, pensando sobre ter estragado aquilo para Louis, mas mal tem tendo para ficar chateado, considerando que Tomlinson joga o resto da água da garrafa em seu rosto abatido.Ele grita pelo susto, mas se irrita, iniciando uma guerra de água imensa, onde ambos estapeiam a superfície do mar e mantém seus olhos fechados, sequer tendo noção de onde estavam espirrando água.— Idiot! Você parece um cachorro cavando um buraco, só que na água. - Harry grita, nadando até Louis o percebendo parar. [sim, idiota em russo é "idiot" kkkkkkk]— Que conceito merda, Styles. - Louis brinca, voltando a jogar água no mesmo. Harry finge se irritar, chacoalhando sua cabeça, enquanto seus cachos ricocheteiam seu rosto palito e deixem leves vergões avermelhados. O mais novo para atrás de Tomlinson, se apoiando nos ombros relaxados do mesmo e subindo em suas costas, tapando sua visão. Edward pôde escutar a gargalhada alta do acastanhado, antes de sentir suas coxas serem agarradas pelas mãos de William e ele os levar para baixo. Pretendendo os deixar sob a água. Harry grita, se assustando com aquilo, apoiando suas mãos na cabeça do mais velho e tentando desfazer o enlaço de suas pernas da cintura dele, nadando para a superfície novamente. Ele ofega, se agarrando ao barco, enquanto Louis cospe a água que quase engoliu e o encara confuso. — Você me chutou, paren'. — Foi mal, me assustei, não gosto de brincadeiras brutas...— Ah é? - Nadou até Styles, segurando sua cintura e o puxando para perto, dedilhando sua barriga e o fazendo gargalhar pelas cócegas repentinas. O céu já escurecia e, com isso, o mar se tornava mais movimentado e gelado. Uma leve garoa está a cair sobre a cidade de Wassed, mas isso não impede os dois garotos de continuarem ali, brincando como duas crianças que foram à praia pela primeira vez.Harry se pergunta como Louis pode ser tão cuidadoso até quando estão brincando de "guerra" na água.— Chega! - O cacheado diz, tapando seu rosto com as duas mãos, na intenção de se proteger, mas William não o escuta. — Para, Louis, está garoando forte. - Ele avisa, retirando suas mãos do rosto enquanto sente as gotas pesadas e geladas atingirem sua pele.— Está com medo da chuva, malchik? — Blyad, Louis! Eu sou quero sair daqui, está frio para caralho. - Avisa com os lábios tremendo, enquanto apoia suas mãos na borda do barco, tentando subir no mesmo, com certa dificuldade. Louis segura sua cintura com certa pressão colocada em seus dedos – incrivelmente quentes –, Harry percebe o quão transparente está o tecido agora, colado à sua pele, como no dia em que ambos quase incendiaram o auditório. Ele força seus pés descalços no solo do barco e se apoia no banco, aguardando por Louis, esse que não espera muito para ligar o motor.— Não pode negar, foi divertido. - O mais velho diz animado, passando as mãos fortemente em seu cabelo, o empurrando para trás e fazendo com que a água presente nos fios escorresse por sua nuca.Harry vestiu seu paletó, abraçando seu corpo, em uma tentativa falha de se aquecer, considerando que a chuva havia encharcado o tecido. Louis percebe aquilo, e recolhe seu casaco do chão – antes posicionado embaixo do banco – o esticando para Styles que sorri agradecido, vestindo o mesmo por cima de sua gravata amarrotada. O mais velho retribui o sorriso, colocando sua camisa do uniforme e ajeitando os materiais bagunçados dentro de sua mochila, antes de notar que estão próximos do cais e desligar o motor, para que o barco continue navegando até se engatar no monte de areia.Tomlinson é o primeiro à descer, amarrando a corda do barco na sustentação da ponto. Edward percebe ele caminhar até um senhor sentado sob um guarda-sol, perto de uma lanchonete – em uma espécie de trailer – e lhe entregar algumas notas de dólares guardados em sua mochila. Harry se pergunta como as notas não molharam com a chuva repentina.Ele desce com rapidez do barco, carregando sua mochila em uma das mãos enquanto observa Louis vir em sua direção. — Vamos. - Ele acena para o sobrado com a cabeça. Styles assentiu, correndo de maneira desengonçada pela calçada da subida até a casa de Tomlinson. O cacheado escuta a risada alta de seu amigo logo atrás de si, e lhe dá o dedo do meio como resposta, se abrigando sob a pequeno lona embutida em cima da porta do sobrado de Louis. O mais velho chega poucos minutos depois, destrancando a porta e subindo rapidamente para o primeiro andar. Harry fecha a porta, mas permanece estático ao lado da porta, com medo de sujar a casa do acastanhado.— Você quer? - William balança a garrafa de tequila em sua mão, caminhando para a cozinha. Harry assente, mas percebe que o outro não percebeu aquilo, então resolve o seguir pela casa, mesmo molhando todo o piso.Louis abre a garrafa pousada sobre a pia, deixando um pacote de sal ao lado do vidro e corta um limão ao meio, antes de separá-lo, deixando ao lado direito da pia, apontando para Harry e em seguida para o limão. — Sabe como funciona, sim? Ou você prefere pura?Harry nega de imediato, assistindo Tomlinson recolher os itens e caminhar para a sala de televisão. — Que porra, para em um lugar só, caralho. - Reclamou, o seguindo novamente, vendo Louis pousar a garrafa na mesa ao lado de fora da casa, na varanda.— Não é à toa que eu te chamo de "esquentadinho". - O mais velho sorri divertido, aguardando por Harry, que sorri amolecido pelo apelido.A garoa ainda é forte, mas não chega a atingi-los, apenas alguns respingos, que mal podem os incomodar. Harry se aproxima do rapaz, que estica sua mão e, dessa vez, é para que Harry estique a sua.O mais novo sorri desconcertado, sem demonstrar totalmente aquilo. Ele não entende, não é normal sentir aquilo, é algo que ele nunca havia sentido para com alguém, mas talvez fosse apenas a sensação de ter uma amizade verdadeira pela primeira vez em sua vida...Styles pende seu braço para frente, sentindo os dedos de Louis segurarem cuidadosamente seu pulso e derramar sal sobre as costas de sua mão.Ele faz o mesmo em seguida, em sua própria mão, lambendo o sal e fazendo uma careta divertida - provocando a risada alta de Harry -, bebendo um gole de tequila e mordendo a metade do limão logo após.— Porra. - Ele coloca a língua para fora, enquanto estica a garrafa para Edward, que a pega com receio mas o imita, sentindo sua cabeça girar ao que faz o ritual. — Isso aqui vai me aquecer. Pode ter certeza. — Oh, isso é ótimo.A noite já caía na cidade, um céu nada estrelado banhava a visão de ambos, que se divertiam com as histórias idiotas de acontecimentos pessoais um do outro, Harry não tirou mais o sorriso do rosto depois do primeiro gole, embora estivesse se sentindo sóbrio, ele acha que não é necessário ficar fingindo estar irritado o tempo todo. Pelo menos não naquele dia em especial.Eles adentraram o sobrado quando a chuva engrossou consideravelmente. Mas haviam passado tanto tempo jogando conversa fora, enquanto revezavam a garrafa de álcool, que suas roupas secaram, até mesmo o cabelo de Styles secou, e ele adorava chacoalhar sua cabeça para bagunçar seus cachos de propósito e ouvir Louis o dizer que logo logo estaria parecendo um leãozinho. Era óbvio que aquilo era uma brincadeira, mas querendo ou não, Harry gostava de quando Louis prestava atenção em si. Era legal.Quando sentados na sala, a garrafa já estava pela metade, até porque eles mais conversavam do que bebiam e, Harry se sentia mais confiante em conversar quando tinha – pelo menos – uma gota de álcool em sua boca.Harry sente o álcool gelado descendo por sua garganta, a queimando conforme deslizasse para dentro de seu estômago e o gosto da bebida fosse absorvido por sua língua. O gargalo da garrafa já estava quente entre seus dedos, ele não sabe onde estava com a cabeça quando aceitou beber na casa de Louis. Sequer sabe como voltará para cara depois disso tudo. Tomlinson estava quieto enquanto dividia a garrafa. Harry já estava pouco alto na bebida, ele não entendia o porquê do acastanhado não estar e nem parecer nem um pouco mais leve. Talvez Styles fosse o único fraco ali.— Uma vez - Ele começou, aproximando-se de Louis. Suas coxas se encostavam, quase se roçavam, mas nenhum dos dois se importou. — Eu conheci um cara 'numa festa. Louis o olhou de relance, sorrindo pequeno para a história que o garoto tinha começado a contar. — Ele me ofereceu LSD, disse que as pessoas da festa estavam felizes e animadas por causa daquilo. Eu pensei comigo "caralho, eu duvido que essa porrada de gente comprou LSD desse cara". — E o que você fez? Você aceitou? - Questionou sem encará-lo, retirando a garrafa de sua mão e bebendo mais um gole, enquanto Harry negava com a cabeça ao seu lado.— Bem, meio que eu recusei. — Meio que? - Devolveu a garrafa, sorrindo confuso com aquilo. Louis tinha seu cabelo em uma completa desordem, sua camisa estava amarrotada e a gravata vermelha estava frouxa em seu pescoço. Seus sapatos estavam respingados de bebida, bem diferente de Harry. Que tinha seu uniforme alinhado e apenas meias nos pés.— Ele disse que eu poderia experimentar um pouco se eu o beijasse. - Styles parou de falar por alguns instantes, esperando uma resposta de Louis, coisa que não obteve.— Continue, estou lhe ouvindo.— Eu não queria beijar ele. Não gostava de beijar caras desconhecidos. Então eu o puxei para o banheiro, não havia ninguém lá dentro, eu sabia disso. - Harry se levantou pouco tonto, sentindo sua cabeça girar e sua visão ficar turva. Era uma merda porque ele tinha plena noção de suas ações, embora mal conseguisse aguentar seu próprio peso. — Ele tinha cartelas daquilo nos bolsos. O mais novo sorriu, empurrando a garrafa contra o peitoral do outro e apoiando ambas as mãos nas almofadas atrás do acastanhado, aproximando seus rostos e inspirando o cheiro alcoólico da tequila. A respiração de Louis parecia calma apesar de tudo. Seu hálito quente ia de encontro com os lábios vermelhos e inchados de Styles, o mesmo que sorria pequeno, conforme pensasse em sua próxima fala. — Eu retirei um adesivo daqueles da cartela... O deixei na ponta do meu dedo - Ele encaixou um de seus joelhos ao lado da coxa direita de Tomlinson, sentindo o ar abafado ir se encontro com seu pescoço alvo. — E coloquei na cabeça do pau dele. - Harry encaixou seu outro joelho ao lado da coxa esquerda do mais velho. Suas mãos se direcionaram até os ombros tensos do azulado e seus dedos se apertaram ali. Ele sentia seu rosto suar conforme se desse conta do que estava fazendo. Mas não se arrependia. Seu único feito mais medroso – pior até mesmo do que vandalizar a escola – foi se sentar no colo de Louis. Sua bunda estava sob o pau semi-ereto de Tomlinson, e ele não evitou roçar suas bandas no membro de Tomlinson. O acastanhado sorriu, erguendo seu olhar para o garoto sentado em seu colo, levando suas mãos para a cintura do mesmo, ainda que segurasse a garrafa com uma delas. Havia uma aura sexual em volta de ambos, era perceptível e dessa vez ninguém fazia questão de negar. Tomlinson roçou a ponta de seu nariz na pele úmida do queixo de Styles, relando seus lábios no mesmo local em seguida e mordendo levemente a carne concentrada ali. — Eu acho que nunca fiquei tão doido na minha vida. - Ele sorriu pequeno, continuando a história enquanto oferecia seu pescoço à Louis. O mais velho parecia resistir a si, o que o deixava ponderativo sobre o que estava fazendo, mas não gostaria de voltar atrás de sua decisão. Não agora. — E onde você quer chegar com isso? - Sussurrou próximo ao ouvido do mais novo, o percebendo se arrepiar e encará-lo com as pupilas contraídas, fazendo com que o verde – agora escuro – se destacasse em seus olhos. — Eu quero te chupar - Harry beija gentilmente o canto de seus lábios. — Quero sentir você na minha boca sem nenhuma droga 'pra me distrair. — Você não quer. - Louis nega, sentindo o cacheado rebolar sob sua ereção, beijando umidamente toda a extensão de seu pescoço. — Você está bêbado. — Não estou bêbado. Estou com tesão. - Harry sussurrou contra a clavícula de Tomlinson, lambendo a pele que cobre seu osso, o fazendo apertar suas mãos na cintura do mais novo. — Você não passa de uma putinha necessitada. — Realmente não. - Styles sorri libidinosamente, saindo do colo de Tomlinson, que o encara com o olhar questionador, mas parecia estar o permitindo ao mesmo tempo, considerando que ele acenou positivamente com sua cabeça. O cacheado ajeita seus cachos desalinhados atrás de suas orelhas, e ajoelha-se no carpete macio do chão da sala, apoiando suas mãos nas coxas firmes e roliças de Tomlinson. Harry senta-se sobre seus próprios calcanhares, ainda sentindo suas meias encharcadas da água da chuva molharem o tecido de sua calça. Louis se mantém indiferente, por mais que se arraste quase invisivelmente pelo sofá, facilitando as coisas para Styles quando abre suas pernas.Uma vez que Harry abriu os botões de sua calça, seguidos do zíper, Louis se questionou se permitir aquilo havia sido uma decisão impulsiva. Eles se conheciam há tempo o suficiente para Tomlinson o considerar um amigo, ele não era idiota ao ponto de achar que amigos fazem isso. A não ser que exista uma amizade colorida, o que realmente não é o caso deles. Sua cabeça começaria a fazê-lo pensar no pior lado da coisa e, ele não queria. Não queria ter de dividir sua atenção entre a razão e as consequências & a impulsividade.O constante barulho da garoa forte volta a se fazer presente nos vidros transparentes das janelas, enquanto Harry faz força para abaixar sua cueca. — Não me olhe como se nunca tivesse feito isso antes, Styles. - Ele encara o garoto ajoelhado à sua frente, que nega quase de maneira gentil, agarrando a base de seu pau e o masturbando vagarosamente. Seus lábios róseos estão entreabertos e úmidos, é visível o filete de sangue escorrendo pela carne do lábio inferior de Harry, mas ele volta a morder a pele, machucando-a ainda mais. Louis deita sua nuca no encosto do sofá quando sente o músculo áspero e quente do esverdeado se arrastar pela extensão da cabeça de seu pau, recolhendo todo o pré-gozo que estava presente ali. As mãos de Harry se apertam nas coxas de Louis, ele pode sentir as unhas do mais novo quase perfurarem o tecido de sua calça. Styles suga vagarosamente a cabeça de seu membro, fazendo um barulho obsceno propositalmente, olhando para Tomlinson com seus compridos cílios naturais e olhos doces enganadores. — Se quer tanto me chupar faça essa merda direito, sukin syn. - Louis agarra um punhado de cachos em sua mão, enquanto a outra ainda segura a garrafa de tequila. Harry pisca fortemente, enrugando seus olhos e chupando a base do pau de Louis, enquanto uma de suas mãos acariciam suas bolas pesadas e inchadas. O aperto em seu cabelo dói. Mas ele gosta daquilo, gosta da forma como Tomlinson se mantém no controle, o ajudando com os movimentos enquanto ele se engasga em seu pau. — Um puto de um garoto problema chupando meu pau como se gostasse de obedecer regras. - Tomlinson sorri ofegante e ladinamente, ainda apertando o punhado de cachos em sua mão, enquanto sente seu pau ser deslizado para dentro da garganta de Styles. Harry tem seus olhos lubrificados pelas lágrimas que se acumulam nos cantos dos mesmos a cada vez que o membro de Louis vai fundo em sua garganta. Ele gosta da sensação. Suas bochechas estão formando sulcos conforme ele envolve sua boca no falo do mais velho, ele sente sua própria ereção o atrapalhar e junta mais ainda suas pernas, relando seus dentes no pau de Tomlinson de propósito, o sentindo estocar sua boca e fazendo-o se engasgar com o membro. O mais velho passeia seus dedos quentes e cítricos pelo pescoço avermelhado do outro, agarrando o tecido da gravata e o puxando com força, ouvindo um barulho obsceno, quase de imediato. Enquanto os lábios desenhados e quentes de Styles são arrastados por toda a extensão de seu falo. Ele solta a gravata, conforme queira que Harry o chupe mais rápido, agarrando o mesmo punhado de cabelo e o ouvindo gemer, ainda tendo seu pau na boca.Harry aperta cuidadosamente as bolas entre seus dedos, voltando a chupá-lo com rapidez e fome. O aperto em seu cabelo é afrouxado, ele admite que não gosta daquilo. Mas quando volta para o topo e pressiona sua língua contra a cabecinha inchada e latejante do pau de Louis, ele apertar novamente seus dedos nos cachos pesados do outro, ajudando Styles em seus movimentos vai-e-vem. O acastanhado fecha seus olhos, os revirando sob suas pálpebras e sente seu próprio abdômen se contrair, indicando que ele viria rapidamente. Sua primeira reação é: desfazer o aperto forte dos cachos de Harry, porém ainda os mantendo em sua mão. — Eu vou gozar, Styles. - Felizmente ele pôde concluir sua frase, ainda assim tendo um Harry ajoelho à sua frente enquanto seus olhos se fecham de forma calma e ter Louis em sua frente lhe faz engolir todo o líquido viscoso e quente como se fosse algo bom.William o observa lamber seus lábios cheinhos e rosados, antes de apoiar as duas mãos em seus joelhos e se levantar, passando as mãos nos cantos de sua boca, ajeitando seu uniforme e apertando sua gravata no pescoço. Louis vê um pequeno sorriso ali, mas seu interior está confuso.Porra, ele havia acabado de ser chupado por seu melhor amigo? Ele era idiota? Não deveria ter aceitado isso.O mais velho volta a abotoar sua calça social, enquanto engole seco e passa seu braço sobre o suor de sua testa, se preocupando com o "dali para frente".Harry se senta ao seu lado, suspirando cansadamente, pousando suas mãos sobre sua ereção, apoiando sua cabeça no encosto do sofá.— Bem, eu vou tomar banho. Você pode fazer o mesmo, se quiser, há roupas limpas nas gavetas daquele banheiro. - Louis aponta para a porta ao lado da estante, e encara Harry, o mesmo que tem o rosto ruborizado e cachos bagunçados. Ele assente, antes de Tomlinson realmente decidir subir. [...]Durante o banho, Louis tenta não pensar no ato novamente, ele não quer ter de aliviar mais uma ereção, sozinho dessa vez. Ele lava seus cabelos com um shampoo de coco, e veste um conjunto de moletom em seguida, pretendendo descer o mais rápido possível. Ele não gostaria de deixar Harry sozinho ali.Quando chega à sala, percebe o cômodo vazio. Seu cenho é franzido de imediato, mas ele se lembra de ter dito sobre o banho, e caminha até a porta, tentando ouvir o barulho do registro do chuveiro ligado, mas não é o que acontece.Sua primeira reação é procurar por todo o sobrado, mas não o encontra. Sequer passou por sua cabeça que Styles simplesmente iria embora, durante um temporal, detalhe, logo após lhe pagar um boquete.Louis – obviamente – se preocupa, e envia diversas mensagens para o garoto, durante a noite toda. Até mesmo no início da madrugada, mas não têm respostas. Ele pede para que, por favor, Harry o dê um sinal de vida assim que estiver melhor, antes de parar de lhe enviar mensagens de textos.Talvez Styles só precisasse de um tempo, além do mais, ele não estava totalmente sóbrio, Louis deveria deixá-lo descansar...Porém Louis não consegue descansar quando o futuro dessa situação é incerto. Ele mal consegue pregar seus olhos durante a noite.William só deseja que eles não passem todos esses dias de férias separados...

----- CHAPTER BREAK -----

peço desculpas pelo início do capítulo, é repetitivo, mas eu preciso que vocês entendam como as coisas funcionam para o harryestamos entrando em uma nova fase da estória e eu não poderia estar mais animada para isso :)contando com os comentários de vocês, mwah !•••Harry simplesmente não consegue se perdoar. Ele não tem consciência do porquê fez aquilo. Tinha plena noção de seus atos, não estava totalmente bêbado, ele só não entende que merda deu em sua cabeça. Styles com certeza sente que pode explodir à qualquer momento. À qualquer segundo. Sua cabeça lateja desde a noite anterior. Quase vinte e quatro horas depois do acontecimento. Porra, ele não sabe como parar de agir assim. Harry com certeza não queria estragar aquela amizade. O que eles tinham era algo puro, sincero, uma amizade legal, ele não queria ter feito o que fez e arruinar tudo. Mas o maior tempo que ele conseguiu manter alguém por perto foi por oito anos e, pelo visto, isso nunca vai mudar. Ele não pode negar o quão bom foi aquilo, mas sente vontade de chorar apenas por ter um lapso de lembrança do dia. Harry não queria estragar aquela amizade, ele foi tão idiota, não podia ao menos tentar fingir que a culpa não foi sua porque a culpa é totalmente sua.E aquilo foi tão repentino. Styles odeia beber, definitivamente, ele perde a sobra de sanidade que tem e faz merdas como aquela. Harry se odeia nesse momento, mais do que um dia pode se odiar. Se odeia por ter feito o que fez. Por ser como é e por atrapalhar a vida de Louis.Obviamente sua raiva e frustração foram descontadas nos desenhos e na caixa de som ligada, no último volume, o que certamente gerou um enorme conflito em sua casa, mas dessa vez ele queria aquilo. Queria chamar atenção de seus pais. E conseguiu. Aliás, quando ele não conseguia o que queria?Não era à toa que ele ouviu xingamentos de Cillian por trinta e sete minutos consecutivos. Aquilo havia o inspirado à desenhar. Reformulando: Inovar. Seus traços sempre foram extremamente delicados e calculados, sempre, desde que começou a desenhar com giz de cera colorido na pré-escola. Mas dessa vez, seus desenhos não eram nenhum pouco realistas ou dignos de olhares admirados. Eram coisas macabras, piores até mesmo que a capa do CD Aneurysm. Ele havia gostado, resumia bem a forma como sua mente funcionava.Sua cabeça era fodida. Ele sabia disso. Não era alheio, conhecia a confusão que era, mas ele realmente não queria mudar. Harry havia se confortado na baderna de maneira inexplicável, havia se aconchegado naquela confusão mental que vivia. Ele não gostava de ser um merda do caralho, de estragar tudo e todos à sua volta, mas não queria mudar. Nem por ele, nem por ninguém. Na verdade, suas expectativas de vida eram bem baixas, Harry não pretendia passar dos vinte e um anos. •Harry era uma espécie de peso. E não era se martirizando nem nada, ele era um peso até para si mesmo em alguns dias. Chegava a ser engraçado. A semana se passou de uma forma muito lenta, os dias pareciam quererem torturá-lo depois de – literalmente – fugir da casa de Tomlinson. Ele apenas pensa que precisa daquele tempo, embora saiba que terá de ver Louis e escutá-lo dizendo que aquilo provavelmente fodeu com a amizade que eles mal começaram a ter. Ele fingia não se importar, tentava enganar a si próprio, caçando novas atividades para se entreter e ocupar sua mente vazia – e ao mesmo tempo bagunçada –, mas era impossível. Ele estava pensando em Louis a todo e qualquer instante. Era foda, mas não em um sentido bom, era foda estar sozinho. Harry tem medo. Medo de procurar por Tomlinson e acabar se machucando...Ele não pretendia fazer isso tão cedo. Não queria se magoar. Styles sabe o quão sensível – e facilmente destrutível – é, embora muitas vezes tente negar isso, fazer com que sua cabeça acredite que ele é inabalável e que nada o atinge porque ele é superior, mas não. Ele é só a porra de um adolescente de dezoito anos, que mal vê as pessoas que chama de família e quando se encontram é para brigar. Ele é só a porra de uma criança que não amadureceu porque sua mente está trancada no dia em que recebeu a notícia da morte de sua mãe. Ele é só a porra de um jovem idiota e inseguro que nunca consegue manter uma amizade sequer. E tudo isso acabava consigo. Tudo isso o destruía, e Harry podia sentir cada um dos pedaços remendados serem rasgados novamente. Cada linha se desfazer do nó. Ele só estava cansado de tentar se costurar sempre. Cansado de espetar seus dedos com as agulhas finas mesmo sabendo que alguém o rasgará, ou ele mesmo fará isso...Contudo, ele não havia desenhado em seu corpo. Nenhum desenho sequer.Apenas em sua mão...Harry era como uma caixinha de surpresa, não? Quando você espera por apenas uma coisa aparecem outras dez coisas. Quando ele esperava por apenas uma crise, por uma coisa, ele engatava em outras dez. Mas o tempo o acostumou, não era tão difícil mais. Styles sabia se controlar agora. Todavia, "ele" se esforçou para não passar toda a semana deitado em sua cama, encarando seu teto e as estrelas coladas nele, sem fazer qualquer outra atividade além de tomar água e arrumar seus travesseiros. Com os dias e as noites se passando e ele sequer vendo, porque as janelas estão fechadas, assim como os blackouts das cortinas. Edward passou, sim, os quatro dias na mesma posição, movendo-se para se cobrir com os edredons e dormir, e provavelmente passaria mais dias, caso não fosse Moretz. — Seus pais não lhe avisaram para abrir a casa não? Vai mofar tudinho, Edward - Ela adentra o quarto, conversando com o garoto, que a encara cansadamente, apoiando seu queixo nos cobertores amontoados sobre seu corpo. — As plantinhas perto do lago estavam todas morrendo de sede, que pecado... - Moretz nega com a cabeça, franzindo seu cenho ao acender as luzes. — O que aconteceu? - A mais velha questiona preocupada, e mal espera o garoto responder. Harry se sente vazio.— Abre esse quarto pelo amor de Deus, vai mofar tudo aqui, menino. - Ela caminha até a cortina, arrastando o tecido pelos trilhos, enquanto o cacheado se esconde debaixo dos cobertores, evitando que a claridade entre em contato com seus olhos sensíveis. — Harry, se levante para almoçar,tenho que tirar suas roupas de cama para colocar na máquina. Moretz se aproxima, o esverdeado pode ouvir seus passos, e se encolhe mais ainda naquele ninho, pressionando suas mãos contra seu peito.— Meu doce de coco, suas roupas de cama estão fedendo suor, assim como você... Há quanto tempo está aqui? — Eu não sei. - Ele sussurra, escutado sua voz abafada e sente as mãos da mulher acariciarem seus ombros. — Você já estava aqui quando seus pais foram viajar? - Questiona, Harry detecta a preocupação em sua voz e respira fundo, pedindo para que ela não gente o tirar de lá ou o xingue de nojento.— Já. Moretz retira o edredom que cobre seu rosto e seus olhos – mesmo que fechados –, ardem. — Eles foram viajar há três dias, Harry. Você não está mentindo para mim? — Me deixa quieto. - Styles afundou seu rosto no travesseiro, sentindo seus cachos molhados pelo suor o incomodarem, mas ele não se importa em fazer algo para mudar aquilo. — Doce, o que você acha de se levantar, hein? Tomar um banho morninho e descer para almoçar? Eu coloco roupas novas de cama aqui e você pode voltar a se deitar se quiser. - Moretz sugere, Harry sabe que ela está com pena porque nunca agiu calmamente assim. Mas ele não quer a pena dela. Ele só quer estar e ficar ali.— Não.— Tudo bem. Quer ver uma coisa? - Ela questiona, mesmo sabendo que Harry negará, Moretz se senta na borda da cama, ligando seu celular e procurando por algo em sua galeria. — Olha, menino, esse aqui é o Pepe, meu cachorro. Sabe? Aquele que eu te falo sempre? - O mais novo levanta seu olhar para a tela brilhante, analisando o labrador da foto, sorrindo minimamente com aquilo. Quando menor, seu sonho era ter um animalzinho de estimação, mas obviamente seus pais o proibiram. Bem, ele nunca tentou novamente. — Que fofo. — Não é? - A mulher se anima, mostrando um vídeo do cachorro no jardim de sua casa, brincando com um rapaz, que aparentava ser mais velho do que ele. — Esse é o meu filho, faz alguns meses que eu não o vejo, ele está cursando medicina e achou melhor morar na universidade. Harry assente, engolindo seco e fechando seus olhos novamente. — Eu sinto falta dela. - Admite rouco, sentindo seu coração doer e uma dor latejante atingir seu peito. — Eu sei que sente, doce, Arabella era luz. Mas você acha mesmo que ela deixaria você ficar assim dia e noite? Hein? Responda. — Tsc, acho que não...— Não mesmo. - Moretz se levanta, guardando seu celular e fitando o mais novo. — Harry, você não pode viver para ela, mas tente viver por ela por enquanto, certo? Não a deixe triste. Levante-se, higienize-se e desça.Harry bufa levemente, assistindo a mulher deixar seu quarto e fechar a porta com cuidado. Ainda há algo dolorido em sua garganta, mas isso parece acabar quando ele explode em lágrimas, escondido entre seus travesseiros, repetindo a palavra "mãe" diversas vezes. As palavras de Moretz voltaram a vagar em sua mente. Ele tem certeza de que sua mãe não o deixaria passar das primeiras horas no quarto. Arabella entraria no cômodo e conversaria com ele, provavelmente tentaria fazê-lo sorrir e o ajudaria. Ela escolheria os pijamas que eles usavam combinando, e deixaria sobre a cama do garoto. Ela esperaria seu filho sair do banho, para que pudesse o abraçá-lo e dizer que tudo ficaria bem. Arabella faria o dia se tornar melhor. Ela alugaria muitos filmes e estouraria todos os pacotes de pipocas doces guardadas no armário, porque sabia que eram as preferidas de Harry. Ela dormiria com ele, acariciando seus cachinhos e chamaria Cillian para os acompanhar. Então ele viria, e contaria uma história em tom sussurrado, a prolongando até que Harry estivesse dormindo. Ele tinha a vida perfeita. Mas Arabella não. E ninguém nunca poderia mudar aquilo. [...]Uma vez que, devidamente banhado, Harry penteou seu cabelo com lerdeza, enquanto se encarava no espelho e percebia o quão cansado aparentava estar. Ele nem fez questão de finalizar seus cachos manualmente. Edward vestia um mom-jeans e uma camiseta listrada por cima do cós da calça, o deixando três vezes menor. Seus pés estavam calçados por pantufas azuis e ele percebeu as cores de sua pulseira de pano desbotarem. A pulseira que ele e Louis usavam juntos. O cacheado sorriu minimamente ao lembrar-se do dia em que conseguiu a pulseira, negando com sua cabeça e apagando as luzes do banheiro. Seu quarto estava limpo. Não cheirava à suor ou mofo mais. Inclusive seus desenhos estavam todos empilhados sobre a escrivaninha, que agora não tinha mais canetas e lápis espalhados por toda sua extensão.As cortinas estavam abertas, assim como a enorme janela. Sua cama estava devidamente organizada, com os lençóis forrados e os edredons dobrados na ponta da mesma. As roupas não estavam mais reviradas pelo chão, seus remédios não estavam mais espalhados sobre sua mesinha de cabeceira. Até mesmo os pôsteres haviam tido suas bordas coladas no mural novamente. Harry suspirou, ele se sentia aliviado, e inspirou seu próprio cheiro doce, quase sentindo-se orgulhoso. Ele desce as escadas com cuidado, apoiando-se no corrimãos, enquanto se sente fraco, afinal, estava há quatro dias vivendo apenas de água. — Venha, acabei de fazer seu prato. - Moretz acena para a mesa, deixando os talheres sobre o mármore branco e puxando a cadeira para Harry se sentar assim que chegasse ali. — Estou temperando a salada, mas pode ir almoçando. - Ela diz rapidamente, adentrando a cozinha de novo e sequer vê o garoto assentir. Ele observa seu prato e percebe ter lasanha, coisa que é sua comida predileta, aquilo o faz sorrir porque lhe dá vontade de almoçar realmente. Assim que Moretz volta, ela traz consigo seu próprio prato e o recipiente com a salada de alface. Harry gosta da salada, então come maior parte dela, mesmo que demore bastante para terminar de mastigar uma única garfada.— Foi ela quem me mostrou essa receita, sabia? - A mulher comenta, se referindo a mãe de Styles. Ele nega pacificamente, enquanto está na metade de seu prato e percebe Moretz já ter terminado de almoçar. Era estranho pensar no fato de que Harry gostava de falar sobre Arabella quando outra pessoa além de seus pais tocavam no nome dela? Às vezes o incomodava, mas às vezes, ele gostava porque todos falavam dela como a boa pessoa que ela foi, como a mulher e mãe incrível que ela era. Harry gostava de quando falavam sobre Arabella com ele de maneira gentil e carinhosa, não de quando Cillian simplesmente a citava como qualquer coisa durante uma briga ou discussão, como se ela não houvesse sido absolutamente nada para si.— Eu gostava do molho branco que ela fazia 'pra colocar no macarrão. -Disse em um sussurro, recordando de quando ajudava a mesma na cozinha. Harry até mesmo tinha um pequeno avental com a letra "H" bordada.— Tenho algumas receitas que Arabella deixou comigo. Há uma receita de brownie - Ela estica sua cabeça, procurando por algo ao seu redor, e Harry permanece a encarando curioso. — Está na minha bolsa. Quer fazer? — Acho que sim. - Afastou seu prato e teve ele recolhido por Moretz em seguida, que levou os pratos e o recipiente onde estava a salada. — Venha. Procure os ingredientes para mim. - A mulher esticou um avental branco para Styles, que o tomou preguiçosamente e se vestiu, permanecendo parado ao lado dos armários. — Parece que não conhece a própria casa. Vá até a despensa e pegue tudo o que eu ler aqui. - Apontou para o papel e o mais novo assentiu, adentrando a despensa da cozinha, percebendo o quão organizado o lugar estava. Moretz ditou todos os ingredientes. Harry pegava aos poucos, com medo de derrubar o que já havia em suas mãos, os deixando sobre a pia e voltando para a despensa, na intenção de pegar o resto.Ambos prepararam o mise en place juntos, enquanto Moretz era bombardeada de perguntas sobre a receita. Ela admitiria que nunca passou tanto tempo conversando com o garoto desde que Arabella veio a falecer.— Harry, mas é preciso colocar sal na massa do brownie. - Ela insistia, apontando para o recipiente de massa densa e achocolatada.— Não. Isso vai ficar ruim. — Não vai não, menino. Eu sempre coloco nas minhas massas. - Moretz abriu a gravata, em busca de uma pequena colher de sal, enquanto Harry cruzava seus braços e batia a sola de sua pantufa no chão.— Mas por quê?— Edward, está dizendo na receita, veja. - A mulher limpa suas mãos no avental, pegando o papel da receita em mãos e lendo o modo de preparo, esse que citava o sal, apontando para a palavra logo após,a mostrando para o garoto.— Moretz, como que se mistura coisa salgada com coisa doce? — Edward, é coisa imperceptível. Vá pegar o sal, anda.Harry caminha lentamente até a despensa novamente, seu bufar é audível por toda a cozinha.Assim que adentra o local, ele toma a embalagem de sal e se pega pensando o por quê caralhos inventaram de colocar sal na massa de um brownie, que é uma receita doce.— Aqui. - Deixa o pacote de sal sobre a bancada, enquanto observa Moretz colocar um grãos brancos na massa e lhe estender o fuê de bolo. — O quê? - Pergunta curioso, amarfanhando seu cenho e se debruçando na bancada. Moretz o encara com uma expressão divertida no rosto, então sorri.— Venha bater o brownie, ou você acha mesmo que vai ficar só me olhando fazer? - Ela questiona, puxando Harry pelo pulso, com cuidado, desviando o mais novo da bancada onde se debruçava e o trazendo para seu lado. — Não use a força, é o jeito. - A mulher mostra como se faz, então ele entreabre seus lábios, para lhe dizer que entendeu, mas sua mente faz com que ele se sobressaia na situação .— Não entendi, pode mostrar de novo? - Pergunta sério, evitando encará-la, por ter vergonha de estar mentindo.— Eu sou velha mas não sou boba, menino. Pensa que meu filho já não me pregou várias dessas quando menor? - Ela lhe da uma leve cotovelada, fazendo com que ele revire seus olhos e pegue o fuê com delicadeza de sua mão, misturando cuidadosamente a massa do brownie. Ele gosta de estar ali, sendo sincero, de verdade, era divertido porque Moretz não estava mais com aquela expressão emburrada de sempre. Ela parecia – realmente – disposta à ajudá-lo. Mas Harry não pode julgá-la, desde que Arabella falecera ele nunca deu abertura para Moretz, nunca conversou mais do que o necessário com ela. Inclusive, eles eram extremamente próximos. Moretz, além de Arabella, é a única que conhece as comidas favoritas de Styles. Conhecia até mesmo seu horário. Moretz sempre esteve ali, querendo ou não, ela é uma das únicas pessoas que sabe o que houve com a família Styles após o falecimento de Bella...Harry sorriu quando a mais velha elogiou a massa e cortou pequenos quadrados de chocolate na massa quando posta na forma. — Acha que vai ficar bom? Estou achando que o sal vai estragar tudo. - Sentou-se nas banquetas, debruçando-se no passa-pratos novamente, enquanto Moretz lavava os itens que utilizaram na preparação do doce. Ela assentiu para a pergunta do outro, dizendo que a pitada de sal não faria diferença alguma e foi rebatida, com o argumento de Harry, que dizia: "Se não fará diferença então por que foi colocado?".A mulher sorriu, ao mesmo tempo que negava com sua cabeça e secava os talheres, guardando os mesmos na gaveta do armário logo depois.Os minutos se passaram de maneira extremamente lenta, Edward nunca esperou tanto por um bolo em sua vida. Ele não tinha nenhum assunto interessante para conversar com Moretz, porém, mesmo se tivesse, ele não tem certeza de que puxaria conversa. No entanto, ela falava com ele, embora nem sempre obtivesse respostas da parte do mais novo. Harry tem certeza de que ela o acha maluco às vezes.Styles acha sua cabeça sua pior inimiga. Ela é como um buraco negro, que suga todos os seus pensamentos e o faz esquecê-lo de absolutamente qualquer coisa com uma facilidade absurda, e quando lembra, é estranho pois começa a falar sobre aquilo, mesmo que todo mundo esteja em silêncio. Harry fala sobre o assunto – o qual acaba de se recordar – como se estivesse conversando com alguém sobre, quando na verdade ele estava debatendo com sua própria cabeça. Bem, é péssimo, ele se sente um idiota.Uma vez que o apito do forno soa pela cozinha, ele abre seus olhos, quase cobertos pelas pálpebras pesadas e sonolentas, levantando-se com rapidez, antes mesmo de Moretz, que está lendo algo em seu celular, sentada ao lado do forno.— Deixe que eu tiro, pegue as luvas de pano para mim. - Ela aponta para a mesa, onde Edward enxerga as duas luvas, uma sobre a outra. O garoto caminha até lá, recolhendo as luvas e a entregando, tendo seus olhos fixos no vidro escuro do forno. Ele quer muito ver como aquele brownie ficou.Quando Moretz está prestes a retirar a forma, a campainha toca, e Harry quer se socar.— Vá atender enquanto esfria aqui. - O cacheado bufa, arrastando as solas de suas pantufas no assoalho.Ele toca levemente a maçaneta, a empurrando para baixo e revirando seus olhos antes de abrir, ainda pensando na possibilidade de ter visto o brownie sair do forno.Seus lábios se entreabrem e, dessa vez, seu coração não é o primeiro à se manifestar. Mas é o segundo. Ele sente seu sangue gelar ao mesmo tempo em que sente seus batimentos pararem. Suas bochechas queimam e ardem assim que sente sua frequência cardíaca acelerar.Ele só está envergonhado por se recordar do que aconteceu há quatro dias e está desesperado porque não gostaria de ver Louis tão cedo. Não queria vê-lo. Muito menos em sua casa. Na frente de sua porta. Vestindo uma camiseta preta com um desenho de esqueleto branco – em relevo – e uma skinny jeans, também preta.Harry quer morrer. Ali. E agora. — Hum, oi, eu acho. - Sacudiu sua cabeça com leveza, na intenção de cobrir suas bochechas rubras com seus cachos, o que aparentemente não deu certo.Louis sorriu, parecia sincero, e retribuiu o cumprimento docemente, com um aceno.— O que quer aqui? - Edward questiona, quase rudemente, apoiando-se na porta, não mostrando muito além de seu rosto. Até mesmo seu corpo estava escondido atrás da porta.— Edward não seja deselegante, convide seu amigo para entrar. - Moretz diz, enquanto retira pequenas louças de porcelana de dentro do armário. O mais novo engole seco, abrindo totalmente a porta, acenando – quase forçadamente – para dentro, incentivando Louis adentrar sua casa.— Eu não sei se vocês vão subir, mas deixem a porta aberta. - A mulher avisa e Tomlinson assente, deixando seu capacete sobre o sofá. Harry o encara, ainda confuso sobre a aparição repentina, e caminha até o balcão da cozinha, recolhendo os dois pratos com brownie, enquanto atravessa o corredor que o leva para a escada e espera que Louis esteja vindo logo atrás de si.Suas pernas estão bambas e suas mãos tremem, ele torce para que não seja perceptível.Harry está desesperado porque não sabe se Louis veio para brigar consigo, corrigir sua ação ou acabar de vez com aquele resto de amizade. Ele adentra seu quarto, colocando um caderno qualquer sobre as folhas de seus desenhos, enquanto deixa a porcelana com o brownie sobre sua escrivaninha esculpida. Louis entra em seguida, ainda tendo um pequeno sorriso implantado em seu rosto. Edward se senta em sua cama, trazendo suas pernas para si e abraçando seus joelhos, quase como se estivesse querendo se defender se algo.— Seu quarto está bem mais organizado do que a última vez em que eu vim aqui. - Tomlinson faz uma observação, um tanto quanto desnecessária, e Styles o encara com uma expressão entediada, mentalmente o questionando se aquilo era sério. — Como você está? - Ele questiona, analisando o rosto magro de Harry, antes de segurar a louça quente em suas mãos e cortar um pedaço da massa achocolatada com a colher.O menor revira seus olhos, se irritando com aquilo e se levantando de solavanco, enquanto bate a porta atrás de Tomlinson. — Fala logo o que você quer, para de fingir que nada aconteceu, você parece um idiota agindo assim. - Edward diz em um sussurro irritado, pressionando seus dentes uns contra os outros, demonstrando sua irritação.Louis se afasta, deixando o prato sobre o caderno de capa rabiscada, cruzando seus braços e passando sua língua em seus dentes frontais, fitando a feição avermelhada do cacheado. — Vim perguntar o porquê desapareceu, só isso. Disse que não se afastaria mas não me responde desde segunda-feira, não posta absolutamente nada, sequer recebe as mensagens. Eu fiquei preocupado. - Respondeu simples, fazendo Harry recuar e suspirar frustrado, enquanto abaixa seu olhar e engole seco.— Você não veio até aqui só por isso, diz logo o que quer. — Pense e ache o que você quiser, os meus motivos eu já te dei, se você não quer acreditar o problema realmente não é meu.— Louis, pelo amor de Deus, não é possível que você esteja tão pacífico assim sabendo o que aconteceu na segunda. - Harry gesticula desacreditado, passando suas mãos suadas pelos seus cachos úmidos, ele está prestes a chorar.— Estávamos bêbados e entediados, obviamente não vamos esquecer daquilo com facilidade, mas se você não quiser conversar sobre, nós não o faremos. Mas se você acha que algo mudou, nós podemos falar sobre- — Para você não mudou nada então? - Questionou esperançoso cortando totalmente a fala de Louis, seus olhos lubrificados pelas lágrimas recém-formadas, enquanto conseguia fazer o nó se esvair de sua garganta. — Não. Para você mudou alguma coisa? - Harry negou de imediato assim que ouviu a pergunta do mais velho, sentindo seu coração pulsar dentro de seu peito. — Mas porra, Louis, não é normal, eu não consigo simplesmente fingir que não aconteceu e que as coisas não vão ficar estranhas entre nós porque, porra, meu Deus, é inacreditável, eu só não consigo acreditar que eu cheguei àquele ponto. - O mais novo pressiona suas têmporas fortemente com seus dedos, enquanto Louis morde seus lábios em preocupação e nega com sua cabeça.— Você se estressa demais com pouca bosta. É isso. Tipo, sejamos sinceros, Harry. Estávamos bêbados, sozinhos, temos dezoito anos e, tenho certeza de que você não é hétero. Qual é, bola 'pra frente.— Louis. Eu não sei se você percebeu mas você é a porra do único amigo que eu tenho. Eu posso te ignorar o dia todo, não te responder e ficar te ouvindo falar sobre a porra da arte da prudência ou de como as energias funcionam em nosso interior, mas eu gosto 'pra caralho da nossa amizade...— Então! Para de se estressar com isso-— Parar de me estressar? Louis? Você está dizendo que nada mudou 'pra você, mas porra, é impossível que não tenha mudado. Eu estava com a boca no seu pau há menos de uma semana, não me diga que você já esqueceu e que nada mudou. Eu duvido se cada vez que você me olhar você não tem uma lembrança da cena em que eu estava ajoelhado na sua frente. Para de dizer que eu estou me estressando com pouca bosta porque isso foi a pior merda que eu fiz em anos.— Harry - Louis se aproximou, tocando seu ombro e lhe acalmando com um olhar sereno. — Você só chupou o meu pau, cara, se você quiser eu posso retribuir, e isso não vai mudar nada. Não temos sentimentos um pelo outro, pare de fazer uma tempestade em um copo d'água. Eu já disse que nossa amizade continua a mesma e que a minha única preocupação era passar o resto das minhas férias longe de você.— Eu pensei que havia realmente estragado nossa amizade, eu não acho que- Edward é surpreendido com um reconfortante e acolhedor abraço, sentindo os braços de Louis serem apertados fortemente em sua cintura.Harry sorri tímido, escondendo seu rosto no ombro quentinho do acastanhado, encostando a ponta de seu nariz na pele gélida do pescoço de Tomlinson. Sua cintura é acariciada com gentileza, ao mesmo tempo em que seus pés quase desencostam do chão. Por poucos segundos Harry pensa na possibilidade de morar ali por algumas horas.— Eu não vou deixar coisas assim estragarem nossa amizade, você já foi mais esperto, seu idiota. - O mais novo sorri, ainda escondido entre o ombro e o pescoço de William. O rapaz não desfaz o abraço em momento algum, apenas quando Harry retira a cabeça de seu ombro e se afasta com calma, tendo seu rosto completamente corado.Ele não sabe como agir agora.— Você é tão irritado, malchik, há a possibilidade de você me arranhar? - Louis pergunta ironicamente, acariciando as bochechas rubras e quentes do mais novo, percebendo as lágrimas concentradas ali. — Não. - Harry lhe mostra a língua, sentando-se em sua cama novamente e encostando suas costas na cabeceira. Ele está completamente abalado, não pode mentir para si mesmo, embora tente, ele se sente aflito ao mesmo tempo em que está aliviado. O incomoda.— Como eu havia te dito, eu não vim aqui para falar sobre aquele assunto, eu só queria saber se estava tudo bem mesmo... E sair com você. — Sair comigo? - Styles pergunta antes mesmo de Louis terminar a frase, e o assiste sorrir assentindo. Ele se sente um bobo. Era óbvio que eles sairiam juntos, são amigos afinal. — Para onde? — Conheço um lugar próximo à rodovia que leva o pessoal para Radpit, acho que você vai gostar de lá. Não há muito o que fazer mas é um lugar legal.— Eu -Harry falaria que não estava muito bem no dia de hoje, mas ele sabe, mesmo que negue, ele sabe que Louis o deixa melhor. — Espera, vou calçar um tênis. O mais novo se levanta, disposto a sair, enquanto cruza seu quarto e adentra seu closet, escolhendo um par de Vans brancos e surrados, com os cadarços coloridos e sujos. Enquanto calça seus sapatos, Harry percebe Louis se encostar no batente da porta, segurando a louça de porcelana em mãos e degustando do brownie recém tirado do forno. — Eu ajudei a fazer. - O cacheado se acha um bobo agora, Louis se importa? Não. Qual é o seu problema?— Está muito bom, de verdade. - Tomlinson assente, escondendo seu sorriso – provavelmente sujo de chocolate – com uma das mãos, enquanto Styles volta sua atenção para seus cadarços – podres, diga-se de passagem.Harry cora com muita facilidade, ele odeia isso. [...]— Lembra do que eu disse sobre apertar minha cintura fortemente quando achar que estou acelerando muito? - Perguntou preocupado, ajeitando o capacete reserva na cabeça do mais novo, que assentia entediado. Louis estava lhe passando informações há exatos sete minutos consecutivos.— Você está tão quieto, malchik. Realmente quer ir? — Eu quero, só... Sei lá, não estou com cabeça para ficar conversando, mas você pode me falar sobre suas coisas. - Assume, formando um beicinho – quase – chateado nos lábios, aguardando Louis se aconchegar no assento da moto. — Certo, o lugar vai fazer com que você tome um ar, acho que vai te fazer bem. - O esverdeado assente, sentando-se na garupa e acomodando-se ali, como fez no dia da festa. Dessa vez sua viseira estava aberta, ele se sentia amedrontado, mas não podia ser tão ruim quanto ele pensava, deveria dar essa chance a si mesmo. — Pronto? - William questionou em um grito, já tendo a motocicleta ligada, Edward tenta assentir, mas sente o colidir dos capacetes e sorri com o barulho e com o impacto, escutando a gargalhada do maior. Harry abraçou a cintura do mesmo, apertando o interior de suas coxas de maneira forte nos quadris de Louis, suspirando fundo antes de perceber a arrancada da moto. De início estava indo tudo bem, ele se entretinha com a visão do Sol iluminando as águas claras do mar, ao mesmo tempo em que alguns botos saltavam estranhamente sincronizados ao fundo do mar. Se entretinha também com as pequenas barracas de adereços feitos com conchas recolhidas na areia da praia. Seus olhos se esforçavam para conseguirem enxergar o letreiro das placas, que diziam a distância em quilômetros das cidades. Eles estavam em uma rodovia movimentada, os carros aceleravam cada vez mais, e era tão perceptível quanto audível, era um barulho mais alto do que o vento batendo radicalmente contra o capacete de Styles. Louis obviamente aceleraria, eles estavam na porra de uma rodovia movimentada, mesmo que subconscientemente ele o faria. O garoto sentiu sua garganta fechar. Literalmente. Ele mal conseguia respirar. Aquilo ardia e doía 'pra caralho. O machucava. Harry pressionou suas pálpebras, umas contra as outras, apertando seus braços em volta da cintura de Louis e o interior de suas coxas nos quadris do mais velho, pedindo diversas vezes para que Louis parasse em seguida. Tomlinson deu seta para a direita da rodovia, desacelerando a motocicleta e parando no acostamento, deslizando os pneus no asfalto pela rapidez que desacelerou, desligando o motor e descendo quase de imediato. Ele tira seu capacete, o deixando entre seus pés, fazendo o mesmo com o capacete de Styles em seguida. O azulado percebe o rosto pálido de Edward e segura a mandíbula do garoto, entreabrindo seus lábios em preocupação e engolindo seco. Estava assustado com a situação. Harry não o encarava, seus olhos estavam opacos e sem qualquer brilho. Os lábios do mais novo tremiam e suas mãos estavam caídas em seu colo, como se ele estivesse – literalmente – desligado. A situação era melancólica.Era como se a energia de Styles houvesse esvaído de seu corpo de forma repentina.— Ei? Eu estou aqui - Louis não tinha a menor ideia do que fazer naquela situação. Dave ficava da mesma forma, haviam dias e dias, o rapaz nunca soube como lidar com aquilo, mal sabia nomear. — Você está bem, certo? - Encostou a cabeça do cacheado em seu peitoral, o sentindo ofegar ali. Harry não retribuiu o abraço, mas isso não impediu Louis de fazer movimentos circulares e carinhosos com seus dígitos nas costas tensionadas do mesmo.— Vamos voltar para a sua casa, vai ser melhor, eu não vou acelerar, pode confiar em mim, eu te prometo. - Alertou, puto consigo mesmo por ter causado aquilo. Sua mente estava uma confusão do caralho, ele não mentiria. Era estranho, mais estranho ainda por ele não ter noção de como agir naquela situação medonha, mas ele não poderia e não vai contestar uma fobia ou até mesmo um trauma de Edward. — Não. Eu não quero voltar para lá - Harry diz trêmulo, se encolhendo nos braços aconchegantes de Tomlinson. — Vamos para onde você falou que iríamos. Louis o encara por um longo tempo, até que tenha certeza de que o garoto não mudará de ideia, mas não desfaz o enlaço de seus braços em volta do corpo de Styles, até que ele resolva o fazer.O azulado confessa que não se lembra de ter tido de lidar com um Harry nessa situação. Ele parecia extremamente vulnerável e, Louis não tem certeza de que a motivação é o acontecimento de segunda-feira...— Você está passando mal, eu não vou te levar de moto 'pra lá. — Porra, deixa de ser zé ruela, eu já disse que quero ir. - Styles muda completamente sua feição, a fechando, e cruzando seus braços. Louis apenas dá risada, porque o garoto é inacreditável. — Já sabe o que fazer. - O mais velho entrega o capacete, aguardando Harry prender o pequeno cinto abaixo de seu queixo e endireitar sua própria postura. — Vamos, William, vai entardecer. - O mais novo pediu, quase animado. Louis assentiu, sentando-se no banco de couro da motocicleta, entre as pernas do cacheado. Ele esperou até que o garoto abraçasse sua cintura fortemente e se aproximasse mais ainda, enquanto apertava as coxas nos quadris de Tomlinson. O resto do trajeto foi calmo, consideravelmente, Harry mantinha seus olhos fechados, os abrindo de quando em quando e voltando a fechá-los com rapidez e medo, torcendo para que cheguem logo ao destino de Louis. Além da curiosidade para saber onde iriam ou o que fariam, ele também sentia seus órgãos internos gelarem conforme o vento fizesse com que os fios finos de seus cachos ricocheteassem suas bochechas e suas pálpebras, de modo que ele prensasse seus lábios um no outro, controlando seu sorriso pelas cócegas que aquilo causava. Ele riu ao escutar Louis cantar For a better day de maneira alta, quase gritando ao cantarolar a letra. O mais velho tentava imitar o instrumental da música com a boca, mesmo que falhando, ele continuou. Talvez ele soubesse que aquilo estava a distrair Harry, considerando que o cacheado voltou a colidir os capacetes, mesmo que sem querer, enquanto gargalhava. Tomlinson estacionou a moto em um posto de gasolina, que mais parecia com um shopping, apenas pelo tamanho da loja de conveniência. Ele cumprimentou os frentistas com um aceno simpático, enquanto Styles tentava desfazer o enlaço de seus cachos no pequeno cinto do capacete. O acastanhado abriu baú da motocicleta, retirando sua mochila de lá e colocando em suas costas, enquanto o outro observava o local com atenção.— Não tem literalmente nada aqui, William. Apenas esse posto de gasolina, uma floresta e uma orla que se tropeçarmos caímos em uma das partes mais fundas do mar. - O garoto visualizou, franzindo seu cenho e encaixando sua mão no capacete para carregá-lo junto a si. Louis, por sua vez, apenas sorriu, negando com sua cabeça enquanto segurava seu próprio capacete, chamando por Styles com um aceno de mão. — Sabe, dizem que a beleza está nos olhos de quem vê, estou começando a considerar essa frase. - Soltou entre seu sorriso desconcertado, quase em um fio de voz. Edward o observou com certa curiosidade explícita em sua feição, mas voltou a andar entre as pequenas pedras da rua não asfaltada. — Acho que realmente está nos olhos de quem vê. Às vezes o gosto é abstrato. — Uau, Harry...— O quê? Eu não leio uma caralhada de livros igual você, mas também não sou burro. - Franziu seu cenho, evitando cruzar seus braços por conta do item pesado que carregava. Qual é, ele não podia parecer tão burro assim, podia? — Achar você burro é uma coisa que eu não me atrevo a fazer, só fiquei surpreso porque eu penso assim, nada demais. - Adentra o início da floresta, ao mesmo tempo em que Harry parece ponderar sobre aquilo, parando próximo à uma das primeiras árvores. O lugar é iluminado pela luz alaranjada do – quase – pôr-do-Sol, fazendo com que as sombras das folhas das árvores sejam refletidas no chão. Era fresco, o ar parecia puro, mas ainda assim, era uma floresta. — O que vamos fazer? — Relaxa, não vamos ficar aqui, só temos que passar por aqui. - Louis o conforta, sua expressão é quase indiferente, e Harry dá de ombros, se apoiando no casco da árvore quando adentra o local. Tomlinson já está a alguns metros de distância, fazendo aquela espécie de trilha com simplicidade, enquanto Styles escorrega nas folhas úmidas e tenta disfarçar aquilo com um pigarreio. Há um barulho alto de água corrente, mas ao mesmo tempo em que parece próximo, parece longe. Harry quer tapar seus ouvidos por achar estar ficando maluco.— Louis, isso aqui é muito escorregadio. - Ele alerta, assistindo o azulado apoiar seus pés nas rochas, onde já não há mais nenhuma árvore ou arbusto. William suspira, descendo com cuidado e cruzando todo o caminho já feito para chegar à Harry, estendendo suas mãos. — Venha, eu vou te ajudar - Se inclinou suavemente para segurar a mão suada do mais novo, e enlaçar seus dedos quentes, firmando seus próprios pés na terra. — Pisa nesse galho aqui, ele é mais firme. - Louis aponta para o galho cravado no chão e Harry obedece, ainda tentando controlar seu sorriso em plena situação. — Isso é embaraçoso, o Vans deveria ser antiderrapante. - Comenta quando Tomlinson agarra sua cintura e o faz se sentir aliviado e seguro, sem quaisquer subidas deslizantes. — O Converse All-Star é mil vezes melhor. - Louis diz, deixando o cacheado passar em sua frente. — Pisa nas partes mais planas das pedras, está bem? Só para garantir, essa rocha é meio inclinada. Harry assente, fazendo o que Tomlinson pediu, com cuidado, ainda amedrontado e curioso para saber o que havia por trás das grandes rochas. — Cheguei primeiro do que você, neudachnik! - O mais novo comemora sorrindo amplamente, deixando suas covinhas à mostra e apontando para Louis, que está próximo de si. — Eu sou perdedor porque deixei você passar na frente? Bom saber, pridurok. — Imbecil é você! — 'Tá bom, eu sou tudo o que você quiser que eu seja, mas agora olha para frente. - O acastanhado arqueia suas sobrancelhas, quase como se estivesse apontando também, ele se agarra nas alças de sua própria mochila, parecia aguardar pela reação de Styles. Harry se vira, sem cuidado nenhum, percebendo a altura da rocha em que está, sem qualquer tipo de proteção, e o mar. Há metros abaixo de si. Tantos metros que chegava a ser medonho. As ondas eram altas no meio do mar. E Harry jura que nunca viu tantos botos concentrados em apenas um lugar. As casas estavam tão distantes e tão pequenas, ele mal podia enxergá-las. Estar ali o deixou ligeiramente em paz. Embora a imagem do imenso mar houvesse o deixado angustiado.— Não é nada demais, mas eu gosto de vir aqui de vez em quando. - Louis explicou, com o cigarro entre seus dentes, acendendo-o em seguida. Ele já estava sentado, apoiando seus braços em seus joelhos dobrados, enquanto a gola de seu casaco estava desdobrada, o deixando mais Louis ainda, se é que aquilo era possível. Harry o observou tragar calmamente, enquanto o azul de seus olhos parecia se fundir com o azul das águas marítimas. O rosto de Louis estava sendo iluminado pelo Sol – já não tão quente –, que fazia sua pele parecer dourada, mais bronzeada do que o usual. E era bonito. Ele soltou a fumaça pelo nariz, esticando o cigarro para Styles, que nega com sua cabeça, sentando-se ao lado do mais velho e deixando o capacete à sua frente.— É um lugar legal. — Que bom que achou. - Responde simples, com a franja bagunçada escondendo parte de um de seus olhos. Ambos passam minutos em silêncio, tendo como trilha sonora o som das ondas do mar colidindo contra as rochas, a metros abaixo dos mesmos. Harry observa o Sol se pôr no horizonte, escurecendo a água do mar, e se deita na grande rocha em que estava sentado, tendo o olhar indecifrável de Louis sobre si.— Quando a gente se encontrou na detenção - Styles começa a falar, em um sussurro audível para que Tomlinson o escutasse. — Você pensou que fossemos nos tornar amigos? — Sendo sincero? - Ele questiona, tragando uma última vez antes de apagar o cigarro na rocha e deixar a bituca sobre o pano de sua mochila. Harry assente para a pergunta, e ele se deita ao seu lado, fitando o céu roxeado. — Não.— Mas criei uma expectativa muito grande sobre você. - Completou sua resposta, apoiando sua cabeça em seus braços cruzados. O esverdeado vira seu rosto com cautela, entreabrindo seus lábios e o questionando que tipo de expectativa. — Você nunca se mostrou de imediato. Você sempre me gerou curiosidade, não vou negar isso, ainda me gera. Isso me faz criar expectativas sobre você. — Creio que você vai decepcionar-se. - Harry lhe dá os ombros, voltando a encarar o céu, com um mínimo sorriso sem dentes instalado em seus rosto suave.— Eu não venho me decepcionando, no entanto. - Louis conclui. Edward consegue identificar a sinceridade em seu tom firme de voz, então sorri, feliz por escutar aquilo vindo de Louis. — Gosto de te ter como amigo, embora eu não demonstre. É legal ter alguém para aprontar comigo - Fecha seus olhos envergonhado, sentindo suas bochechas corarem e agradecendo por não ter o outro lhe encarando no momento. — E me trazer para lugares assim... Ou me fazer entrar na porra do mar depois de derramar óleo pelo corredor das salas de aula do último ano. O mais velho sorri nasalado. Harry vira seu próprio rosto para encará-lo e percebe as maçãs das bochechas de Louis se arrebitarem, conforme o sorriso cresce em seu rosto. Um dos dentes da arcada dentária inferior de Tomlinson é torto para dentro. Harry não deveria achar aquilo fofo. Muito menos as pálpebras caídas de Tomlinson... Por que aquilo tinha que soar tão adorável? Louis acha toda aquela situação agradável. Ter Harry se abrindo, nem que seja aquele pouco, é bom, mostra que William está conseguindo lhe passar confiança o suficiente para que ele possa lhe contar sobre si. — Por que mudou de turno? Justo no último ano? — Eu discuti com uns caras do time e resolvi mudar. — Você era do time? - Styles quase se desespera ao perguntar, apoiando uma de suas mãos na rocha e um de seus cotovelos. — Cara, você é tipo um multi-talentos. — Não, Harry, multi-talentos não - Ele nega com a cabeça, ainda deitado, fitando a expressão surpresa do mais novo. — Eu não queria estar na minha casa, achava entediante, então eu entrei para o time, porque eles treinam três vezes por semana, e quando não estão treinando estão bebendo ou se drogando. — Eu não achava que você era do tipo que usava drogas. - Harry assume, sentando-se em posição de borboleta, se inclinando para frente e deixando seu queixo posicionado na palma de sua mão. — Eu também não achava que você era. Mas eu parei de usar com frequência desde o dia em que fiquei travado de lança-perfume em uma festa.— Primeiro: Eu não sou usuário de drogas, o meu limite hoje em dia é maconha, e segundo: Esse seu lance é preocupante.— Na verdade isso não deveria ter sido o meu ápice, porque eu não parei quando quase tive uma overdose na festa do Ethan. O coração de Harry não sabia se parava de bater ou se palpitava dentro de seu peito. Era quase engraçado porque ele não sabia explicar o que estava sentindo, mas nunca imaginou que nada do gênero houvesse acontecido com Louis. Ele se preocupou, mesmo que o rapaz estivesse à sua frente, são e salvo.— Você tem dezoito anos agora. Começou a usar drogas com quantos? — Eu tinha quinze quando fumei maconha pela primeira vez, depois disso acho que foi literalmente só ladeira abaixo. Mas eu tenho muito autocontrole, e isso é me ajudou para caralho porque porra, eu era uma criança. Ou talvez seja apenas sorte. Hoje em dia eu nem tenho tempo 'pra me drogar. — Oh... Eu só cheirei duas vezes na vida. Três... Eu não sei ao certo, eu tenho outro refúgio agora. - Edward assume sem pensar, abraçando suas pernas com força e se perguntando o porquê de estar falando tanto com Louis sobre aquilo. — E te machuca? — O quê? - Rebateu confuso, amarfanhando seu cenho e sentindo seus cílios quase encostarem em suas sobrancelhas.— O teu refúgio te machuca? — Não. Embora não o machucasse diretamente, Harry tinha plena consciência de que o fazia. O machucava propositalmente, mas não diria isso à Louis.O silêncio se instalou no local após tal conversa. Styles até mesmo pensou que ficaria um clima ruim ou "uma energia pesada", como Louis diz, mas não, era bom estar ali. Confortável. — Está escurecendo bastante, vamos embora. - O mais velho alerta, levantando-se em um solavanco repentino, recolhendo sua mochila com cuidado e fazendo o mesmo com seus capacete. Edward assente, se levantando e batendo suas mãos em suas roupas, na intenção de tirar a maioria das folhas que grudaram no tecido de seu casaco e sua calça. Ambos fazem a trilha com cautela, ainda mais atenciosos em cada passo que davam por estar escurecendo. Harry segurava o bíceps de Louis com força, na intenção de ter um apoio caso escorregasse e aquilo fazia Tomlinson querer gargalhar. — Eu estou com fome, vou entrar e pegar alguma coisa, você quer? - Louis pergunta, se referindo a loja de conveniência do posto de gasolina. Harry se encontra naquela situação novamente, e nega. O azulado lhe dá as costas, caminhando para dentro, enquanto Styles se senta ao lado de onde a moto está estacionada, encostando-se na parede que divide o pequeno estacionamento da loja. Ele passa minutos ali, brigando com os insetos que o sobrevoavam e assoprando os pernilongos para longe, percebendo seus cachos atrapalharem sua visão – pela bagunça que estavam. — Toma. - Louis deixa um pedaço de pizza em seu colo, sentando-se ao seu lado e abrindo uma lata de energético, a deixando no paralelepípedo que separava suas pernas. O cacheado engole seco, observando o pedaço de pizza em seu colo, ainda estático e sente um nó se formar em sua garganta. Ele só não sabe explicar o motivo...— Ei... Obrigado. - Harry agradece pela primeira vez. Louis se surpreende, mas apenas lhe oferece um sorriso amigável, lhe estendendo a lata de energético. — Não é nada. - Ele nega. — Comprei essa lata grande para dividirmos.— Está bem. - O outro assentiu, mordendo sua pizza e sorrindo divertido enquanto o queijo é esticado por seus dentes. Eles voltam quando está prestes a dar meia noite. Styles nunca pensou que pudesse passar tanto tempo conversando com alguém, mas isso aconteceu, e não poderia ser com outra pessoa além de Louis...— Poderia ter enviado uma mensagem. - Ele se assusta ao acender as luzes da sala quando adentra sua casa – depois de se despedir de William com certa timidez –, e avistar Cillian sentado em sua poltrona, Styles realmente não contava com a volta de seu pai. — Eu não levei meu celular, foi mal. — Onde estava? Quem era na moto? Harry suspira entediado, deixando suas chaves na mesa ao lado da porta e cruza seus braços. — Eu só saí com o meu amigo. — Venha aqui. O mais novo bufa, achando aquilo desnecessário, mais ainda quando seu pai o questiona sobre o uso de drogas e pede para Harry esvaziar seus bolsos. — Você não tem um pingo de confiança em mim. - Edward diz em um sussurro sincero, assistindo Cillian negar.— Você desperdiçou todas as chances que eu te dei. — Eu nunca realmente soube dessas chances. Cillian revira seus olhos, deixando seu cigarro no cinzeiro apoiado na mesinha de centro e encara o filho por longos segundos, parecendo o analisar. — É incrível o quanto você se parece com ela, até teimoso igual. Você tem os mesmos cachos, os mesmos olhos, você faz exatamente a mesma coisa que ela fazia quando se irritava com algo, o mesmo sorriso, as covinhas, você não tem nada de mim, Harry, você é inteiramente ela.Aquilo o atinge. Mas não maleficentemente, ele gosta de saber que se parece com ela. — Eu gosto disso. - Assume com a voz trêmula, sentindo suas pernas vacilarem e lágrimas ardentes se formarem em seus olhos, enquanto seus braços tremem. — Eu amo tanto ela. - Harry se senta no braço da poltrona, procurando por algum tipo de apoio. As lágrimas escorrem livremente por suas bochechas quentes, deixando trilhas úmidas em seu rosto, enquanto seu corpo todo começa a doer, como se ele estivesse sendo quebrado de dentro para fora.— Então orgulhe ela, Edward. — Eu tento, porra - Ele se altera, sentindo o olhar duro de seu pai sobre si. — Eu tento...— Mas não parece. - Cillian diz em um fio de voz, segurando o pulso do filho e o trazendo para perto, abraçando Harry, mesmo que sem jeito e desconfortavelmente. Harry não se sente confortável ali porque não parece ser o seu lugar, mas explode em lágrimas, porque haviam meses desde o último abraço que Cillian dera  em si.Lhe dói não poder dizer ao seu pai que o ama, porque ele sabe que não será uma fala retribuída, e mesmo que seja, será construída por uma resposta vazia e mentirosa. Ele dormiu como um pequeno filhote indefeso no colo de seu pai, e tem certeza disso, mais ainda quando acorda totalmente torto em plena às quatro horas da manhã sobre sua cama, nem mesmo rodeado de seus travesseiros. Harry sorri com o pensamento de que a tarde e a noite passada haviam sido duas das melhores coisas de seu ano até então, perdendo apenas para a noite de seu aniversário – com Louis. Harry deseja que mais dias sejam como esse.

----- CHAPTER BREAK -----

A cabeça de Louis realmente não consegue deixá-lo em paz. Ela sequer o deixou dormir naquela noite depois da longa conversa que teve com Harry. Aquilo não deveria ter acontecido, eles são amigos agora, conversas como aquela deveriam ser frequentes, obviamente. Tudo seria demasiadamente fácil se Harry não fosse tão intenso.E ele realmente era, Louis não mentiu quando disse que havia criado muitas expectativas sobre o garoto, também o dizendo que não estava se decepcionando, mas Louis não lhe disse que estava cobrindo todas as expectativas de intensidade e curiosidade. Cada palavra de Styles parecia ser filtrada antes de sair de sua boca, bem, pelo menos naquele momento parecia, e muito.Louis ainda o têm como uma incógnita e, mesmo que seja curioso sobre seu valor, ele tem medo de resolvê-lo, tem medo do resultado não ser o que ele espera que seja, tem medo de ter errado ao calculá-lo mentalmente, tem medo de marcar a alternativa errada. Louis tem medo da resolução não ser nenhuma das alternativas. . . . — Bom dia, pai. - Ele sorri quando o homem desce de seu quarto, ainda vestindo um roupão por cima de seu velho pijama. — Acordou cedo hoje. - William comenta, mexendo os ovos com uma espátula, na frigideira quente, observando Dave pegar uma garrafa de cerveja gelada na geladeira e o prato de café da manhã – montado – de cima do balcão.O mais novo suspira, despejando os ovos em seu prato, recolhendo o pequeno recipiente de bacon e despejando a carne sobre os ovos.— Minhas férias do trabalho acabaram, volto hoje. - Respondeu rudemente, sentando-se no sofá de pano e bebendo um gole de sua cerveja.Louis arqueia seu cenho e entreabre seus lábios em surpresa, o respondendo com um baixo "ah", caminhando para a mesa em seguida, tendo em mente que tomaria seu café sozinho, mesmo que morando sob o mesmo teto de seu pai.Ele não negaria dizer quando fosse perguntado o quão surpreso ficou quando assistiu seu pai aumentar o volume da televisão – que estava ligada no noticiário –, e caminhar até a mesa onde William estava, sentando-se em sua frente e continuando sua refeição em silêncio. O azulado sorriu minimamente, escondendo seus olhos pela longa franja dourada que os cobria. Ele assistiu Dave negar, como se o achasse um bobo. — Sua comida é boa, criança. Por mais simples e normal que aquela frase soasse, não funcionava dessa maneira para Louis. Era muito difícil receber um elogio de seu pai, ele havia se tornado um homem fechado, até demais, de uns anos para cá.O rapaz sorriu, sentindo suas bochechas doerem e agradeceu, ele podia sentir o quão brilhosos seus olhos estavam no momento, e mesmo se quisesse, ele não conseguiria esconder sua felicidade. — Eu posso preparar o jantar com frequência, assim você não precisa gastar dinheiro almoçando em restaurantes. Eu monto o seu almoço e você leva para o trabalho. — Se quiser, é claro. - Sugere baixo, mexendo em seu prato, ainda cheio, com as pontas no garfo, aguardando a resposta de seu pai, que não passa de um aceno positivo com a cabeça. Louis não negava o medo que sentia de ter seu pai sendo mandado embora do trabalho por ter problemas com o álcool, ele sabe que aquilo é uma coisa incontrolável, e sente tanto medo... Provavelmente é uma das coisas que mais o amedronta.Tomlinson espera até que ele saia de casa para arrumar e limpar o lugar, sua mente não tem um único foco, ele pensa em muitas coisas, coisas as quais ele gostaria de esquecer mas não consegue, ou simplesmente não quer esquecê-las subconscientemente. Ele pede seu almoço, enquanto assiste Skins na televisão. Louis não gostava de Tony. O achava um babaca no primeiro volume, mas confessa que sentiu dó quando iniciou o segundo. Uma vez que a noite começara a cair, ele se pega pensando em Styles. Haviam dias desde que trocaram mensagens pela última vez, mais dias ainda desde que saíram juntos. Ele sente falta do garoto, do silêncio confortável que se instalava entre eles ou do jeito afobado que Harry falava quando se lembrava de algo que havia esquecido. É... Ele era um bom garoto. William guardou seu celular e sua carteira no bolso, caminhando até seu armário e recolhendo um pacote de amendoins, indo até a geladeira em seguida e guardando duas garrafas de cerveja em sua mochila, deixando sua casa poucos minutos após. Ele não conhecia a rotina de Harry, sequer sabia se o mais novo estava em casa, mas não saberia responder se não fosse até lá e o chamasse para sair.Tomlinson chega à mansão quando são nove horas, ele não chama por Harry na porta de entrada porque não sabe como os pais de Styles reagiriam ao ter um garoto vestido inteiramente com moletons escuros e capuz parado em frente à porta de sua casa. Louis caminha pela rua lateral, acendendo a lanterna de seu celular e mirando para o asfalto, recolhendo três pequenas pedras, desligando a luz e guardando o aparelho em seu bolso.O rapaz joga uma das pedras na janela de vidro da sacada de Styles, escutando o barulho da colisão e esperando por Harry, colocando suas mãos gélidas dentro de seus bolsos quentinhos. Harry não apareceu, então outra pedra foi arremessada na janela. Tomlinson sorri docemente quando o garoto abre a janela, tendo seus cachos em um ninho bagunçado, os olhos inchados e as bochechas rubras, ele vestia um pijama xadrez e tinha seus pés calçados por meias vermelhas, parecia acolhido e aquecido. Louis se sentiu bem ao vê-lo. — Sabe que horas são, caralho? - O mais novo se apoia no corrimão da sacada, tendo os cachos desalinhados cobrindo seus olhos. — O que você quer? — Desce aqui. Vamos sair. — Se fode, não vou sair nesse frio, volte para a sua casa. - O cacheado franziu seu cenho, irritadiço, empurrando o apoio com força e cruzando seus braços. Louis o acha fofo, porque sabe que ele não está realmente bravo. — Vai sim, venha. - Ele acena para o seu lado, e Styles nega com a cabeça. — Você só me ferra, seu babaca. - Harry adentra o seu quarto novamente, fechando suas cortinas e o mais velho permanece ali, o aguardando. — Pega os meus tênis. - O esverdeado saiu novamente, sua voz estava rouca – mais do que o usual –, arremessando seus sapatos em Louis, que ao menos faz menção de pegá-los. Edward de apoia no corrimão, pisando no mármore do chão, que se estendia poucos centímetros fora da construção de apoio da sacada. Tomlinson chutou os tênis um para perto do outro, andando até uma das janelas fechadas – juntamente com as cortinas –, que ficava abaixo da sacada. — Me segura, eu não tenho onde me apoiar. - Harry pediu, olhando para Louis por cima de seu ombro direito. — É muito alto, você não pode simplesmente pular em mim, não se faça de idiota. - O mais velho diz simples, como se fosse óbvio, e é. — Senta no mármore. O cacheado faz o que é pedido, ainda se segurando na sustentação do corrimão. William o vê morder os lábios em apreensão e agarra sua canela, o puxando com cuidado para baixo, enquanto ele ainda se segurava firmemente na barra gelada. Louis sentiu a perna do garoto escorregar por sua mão, então cravou seus dedos na coxa coberta pela calça de flanela e esticou sua outra mão para cima, agarrando o casaco de xadrez e o abraçou pela cintura com força, ainda nas pontas dos pés para alcançá-lo. Harry segurou nos ombros do mais velho, sorrindo vergonhoso quando sentiu seus pés – calçados pelas meias coloridas – tocarem no asfalto empedrado, retirando suas mãos dos ombros de Louis e juntando seus tênis. — Poderia ter vindo durante o dia, evitaria todo esse transtorno do caralho. - Harry se senta na beira da calçada, puxando as barras de sua calça para cima e calçando seus sapatos, amarrando-os rapidamente e se levantando em seguida.Louis revira seus olhos, agarrando a cintura do cacheado e o trazendo para perto, sentindo-o amolecer com o toque. — Para de reclamar, garoto, só aproveita, não é sempre que você sai durante a noite, estou certo? Harry assente, ajeitando seu cabelos como pode, colocando mechas atrás de suas orelhas e tentando achatar os fios engrenhados. — Está fofo assim, ninho. Pare de tentar domar os seus cachos. - Louis alerta, segurando o casaco quente de Edward entre seus dedos – agora aquecidos –, como se estivesse o guiando.— Ninho? Tipo o de pássaros? - O maior concorda sorrindo, sabendo que levaria um xingo do outro, mas ele parece apenas aceitar, considerando que dá de ombros e volta a andar normalmente.Tomlinson escuta o barulho alto do motor do transporte público, e se atenta quando percebe o ônibus passar em uma velocidade não tão rápida ao seu lado. Ele grita para o motorista parar, puxando Styles pelo tecido do casaco, enquanto sente as mãos geladas do garoto segurarem seu pulso direito. — Eu acabei de acordar e você 'tá me fazendo correr desse jeito - Harry reclama com a respiração entrecortada. — Quero te dar uma surra, pridurok! Louis gargalha quando continua correndo e observa o ônibus parar poucos metros à frente, batendo na lataria traseira como um aviso, ainda tendo seu pulso entre os dedos do mais novo. — Entra, eu tenho cartão de passagem. - Acena para dentro, soltando-se da mão de Edward e o aguardando chegar até a catraca do ônibus para pagar sua passagem. Eles se sentam lado a lado, depois de uma rápida discussão sobre quem sentaria no banco da janela, Louis cedeu, deixando Harry se sentar ali. Os assentos estavam vazios, a maioria deles, havia um casal de idosos nos bancos da frente, a senhora tinha sua cabeça encostada no ombro do senhor, que sorria animado apontando para a paisagem ao lado fora.Tomlinson percebeu que Styles não parecia tão tenso ao andar de ônibus – como ele imaginou que seria quando pensou em trocar a moto pelo ônibus –, principalmente quando o pé direito do garoto estava entre os dois pés do acastanhado, e nenhum dos dois se importava o suficiente para discutirem sobre aquilo. Louis aperta a campainha pouco antes de chegarem na parada final, chamando por Harry e descendo do ônibus, esperando pelo esverdeado, que desce os degraus em pulos desengonçados, trombando com o mais velho em seguida, gritando um "ouch" e acariciando sua estômago pelo impacto contra o cotovelo de Louis. — Você só conhece lugares estranhos, isso aqui parece um beco, William. — Cagão. - Ele brinca com a fala de Styles, mas tinha que concordar. As ruas eram escuras, por mais que houvesse a iluminação de postes de luz públicos, ainda assim permanecia escuro, era uma parte pobre da cidade, consequentemente deixaria Harry assustado e amedrontado, considerando que aquela não é sua realidade. Louis se coloca no lugar do garoto e sorri bobo quando segura a mão suada do mesmo, não fazendo questão de limpar sua própria para voltar segurar a do outro. Ele se sente estranho quando passa sequer um dia junto à Harry e não o toca, não segura sua mão ou agarra sua cintura repentinamente. Talvez Louis apenas o toque a todo momento para sentir aquela adrenalina energética, o deixando nervoso, ao mesmo tempo que o faça nunca mais querer soltá-lo.— O que vamos fazer? - Harry pergunta aflito, olhando para todos os lugares à sua volta. — Não fique com medo, eu conheço algumas pessoas que moram por aqui, são gente boa, só não tem condições de mudarem-se para um lugar melhor. - Explica de maneira calma e pacífica. — Esse prédio embargou há uns quatro anos, tentaram invadir aqui mas o governo retirou todo mundo, a maioria dos habitantes eram usuários de drogas. O cacheado assente para a fala de Louis, observando o prédio com certa curiosidade em seu rápido olhar, que analisava a construção. — Venha, vamos subir no terraço pelas escadas de escape. - Tomlinson o chama com um aceno de mão. Harry pondera sobre aquilo mas parece aceitar, seguindo seu amigo e subindo as escadas com cautela, enquanto encarava o céu estrelado com adoração. — É bonito, não é? - Pergunta retoricamente, mesmo assim tendo uma concordância de Styles. — No dia do meu aniversário - Ele inicia sua frase, cortando-se quando chega ao terraço logo atrás de Louis. — Você falou algo sobre a constelação Orion. Como você conhece? - Questionou com a voz baixa, quase um sussurro, acompanhado o azulado, que caminhava para a beirada do terraço, vendo as ruas desertas e as luzes distantes das casas de toda a cidade. — Eu leio muitos livros, nunca tive preferência de conteúdo, isso é uma das causas, eu acabo adquirindo conhecimento mesmo que na hora eu não perceba. — Você tem muito tempo livre. Louis sorri, desacreditado e surpreendido, porque ainda acha aquela mania julgadora de Harry pouco maçante. — Eu tenho muita vontade de ocupar a minha cabeça com assuntos fúteis, é um pouco diferente. - Explicou sorrindo nasalado, sentando-se próximo à porta velha que os levaria para dentro dos apartamentos caso não estivesse trancada. — Por quê? Digo, por que você quer ocupar a sua cabeça com assuntos fúteis? - Harry caminha para perto, se sentando ao seu lado, realmente próximo. Ele tinha um ótimo cheiro natural misturado com as fragrâncias doces de frutas vermelhas, Louis gostava de inspirar seu cheiro.O acastanhado suspira, mas decide ser sincero, pelo menos um pouco, já que Styles vinha se abrindo bastante desde alguns dias para cá.— Sabe, são poucas as pessoas que não têm uma falha sequer, e essa falha pode ser moral ou natural, é a mesma coisa, continua sendo a mesma merda no final. Eu acho que todo mundo têm sequer uma falha cometida em toda a sua vida, mas algumas dessas pessoas se deixam serem dominadas pelos defeitos passados, e eu não queria isso para mim, eu não quero. - Mira seu olhar no rosto concentrado de Harry, encontrando um brilho natural nos olhos esmeraldinos e não-tão claro agora. Harry também o encarava atenciosamente, escutando cada uma de suas palavras, e Louis sabia que o garoto estava colhendo aquilo para si.— Então fica mais fácil quando você se ocupa com algumas coisas, tentando evitar outras... - Admite, sentindo-se tímido pela primeira vez quando próximo de Harry.— Você não acha que isso seja basicamente "fugir"? - Fez aspas com seus dedos, desviando seu olhar do rosto sereno de William. — Evitar é diferente de fugir. Veja, se você não se acha capaz de encarar uma situação no momento e evita ela, mesmo que procrastine, você não está fugindo, está adiando. Mas se acha que pode encarar uma situação e realmente faz, porém antes de concluir sua ação você pula fora, isso sim é fugir. E eu evito fugir das situações.— Tão textual. - Harry brinca, bocejando sonolentamente em seguida, voltando a abraçar suas pernas e encostar seu queixo em um de seus joelhos. Louis pega a mochila que estava ao seu lado, colocando-a em seu colo e retira as duas garrafas de cerveja de dentro da mesma, não estavam geladas como antes, mas ainda não estavam quentes, talvez aquela fosse a temperatura certa para o clima atual. Styles abre a tampa com facilidade, dando seu primeiro gole amargo. O mais velho sorri com sua careta, o oferecendo amendoins, que são aceitos de imediato. — Eu compro tanto amendoim, você não faz ideia... Eu levava todos os dias para a escola. — Oh, eu lembro! — Você tem memória boa. - Brincou também, recebendo um leve soco de Edward em seu braço. — Acha que o Carter vai nos foder quando nos formarmos?— Nah, ele é um cuzão, não te prejudicaria - Harry é sincero, mexendo nos fios soltos de seu pijama. — Não posso dizer o mesmo quanto à mim, mas sei lá, não é como se eu me importasse muito. Louis o olha com o olhar curioso, tentando decifrá-lo, mas desiste em seguida, virando a garrafa de vidro em sua boca e engolindo os últimos goles. Ele joga a garrafa contra a pequena mureta –levantada à poucos centímetros do chão –, que divide o terraço de uma queda livre, assistindo a garrafa colidir contra o concreto e estilhaçar em cacos de vidro. Harry soluça assustado cobrindo sua boca com as mãos e arregalando seus olhos, enquanto cola seu corpo ao de Louis, gargalhando alto logo depois, ainda se mantendo próximo. — Isso foi idiota, você vai acordar o pessoal. - O esverdeado avisa, levando o gargalho da garrafa até seus lábios brilhosos e úmidos. Tomlinson não entende como os lábios de Harry conseguem ter uma cor tão viva mesmo sem haver sequer um produto industrial corante ali. — Estamos longe, mesmo se ouviram não foi tão alto. O esverdeado lhe dá os ombros, pegando mais um punhado de amendoins do pacote e observando o céu.O olhar de Edward consegue se apossar das estrelas que ajudam a Lua iluminar toda a extensão do céu, seu olhar consegue se apossar também da Lua, dos planetas e de todo o maldito céu. Harry guarda tudo aquilo dentro de seus olhos. Louis têm certeza de que, sempre que o olhar, se lembrará da noite em que seus olhos apossaram-se do céu. [...]— Eu estou tão cansado, mas foi legal, eu gosto de sair com você, embora você seja um idiota às vezes. - Harry assume, bocejando novamente, ao mesmo tempo em que se segura nas barras de apoio do ônibus e movimento.O maior revira seus olhos, não controlando seu sorriso ao ver Harry se jogar no assento ao lado da janela e encostar sua cabeça de cachos desalinhados no vidro.— Eu nunca sou um idiota com você, ninho. - Louis amarfanha seu cenho, fingindo estar bravo com o garoto, mas apenas recebe um olhar cansado em resposta. — Esse apelido me faz parecer fofo. - Ele sorri com seus olhos sendo fechados pelo sono, e bate sua cabeça contra o vidro da janela, Tomlinson se segura para não rir da situação, principalmente quando Styles forma um biquinho em seus lábios e usa a palma de sua mão como amortecedor. — Você é fofo quando acorda, e quando está com sono. - Mente, tateando a cintura do mesmo e o puxando para perto, Edward o encara confuso, intercalando seu olhar entre o rosto de Louis e o ombro do mesmo, como se estivesse pedindo algum tipo de permissão. Louis apenas assente, então Harry deita sua cabeça no ombro macio – coberto por casacos e moletom –, colocando suas mãos geladas entre suas coxas extremamente juntas, enquanto o acastanhado ainda apoia a mão em sua cintura. Harry dorme durante meia hora naquela posição, acordando apenas para descer do ônibus e pular sua janela novamente. Ele xinga Louis por fazê-lo passar por aquilo, mas sorri ao se despedir, mesmo que debruçado sonolentamente na sacada. Tomlinson sente que não conseguirá dormir essa noite. Ele sabe que ficará pensando sobre Harry.•Dirty Smoke SquadZayn: Ensaio hoje, na minha casa.Calvin: Algum cover em mente? Luke: Tem que ser algo que todo mundo conheça, não adianta o Zayn querer tocar uma música e o Louis não saber cantarSão cinco horas da manhã, vão dormir. Respondendo a pergunta sobre o cover, houdini do FTP, todo mundo já ouviu essa música e os covers sempre explodem no YoutubeZayn: CARALHO FALANDO NISSO, O NOSSO COVER DE WHERE'S MY MIND BATEU NOVENTA MIL VISUALIZAÇÕES, VOCÊS TEM NOÇÃO DISSO???????????????Porra, tá dando muito certo, vai se foder!Luke: Caralho a gente tá conseguindo!!!Luke: Calvin cadê você seu bundão? Calvin: Aqui é a mãe do Calvin, ele está desmaiado no chão do quarto. Zayn: Vai tomar no cu kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk idiota Louis bloqueia a tela de seu celular, ignorando as dezenas de notificações seguidas que chegavam no aparelho, acendendo a tela e substituindo a barra de notificação cada vez que uma mensagem nova chegava. Sua primeira reação foi comemorar consigo mesmo. Era o seu sonho ali, e ele estava conseguindo, eles estavam fazendo isso, não precisavam de ninguém, não dependiam de ninguém. Era apenas eles por eles. E Louis se orgulhava daquilo. Sua segunda reação foi abrir o aplicativo do Youtube e capturar tela, procurando por suas conversas não-recentes e encontrando o ícone de anime preto e branco de Styles, sorrindo com aquilo, porque quando criança ele assistia muito o anime Naruto e, coincidentemente, a foto de perfil de Harry era o personagem Sasuke. Ele sorriu involuntariamente com aquilo, sequer percebendo, enviando a captura de tela para Harry e legendando com "90 k de views, malchik!"Tomlinson ainda estava sonolento, acordou com o toque de seu celular quando seus amigos começaram a enviar mensagens no grupo. Então ele apenas enviou a mensagem para Styles e voltou a se confortar no colchão, dormindo em menos de quinze minutos.[...]— Olha, ontem eu pedi o meu jantar, mas preparei risoto de frango antes disso, está aqui no pote. Ah, eu acho bom você levar uma mochila agora, sabe? Para guardar o recipiente da comida. - Louis explica para seu pai, logo cedo acordado apenas para preparar o almoço que Dave levará. O mais velho assente, despejando o café quente em sua xícara, enquanto Louis guarda o pote aquecido em uma sacola, amarrando as alças plásticas e apoiando sobre o balcão. — Vai voltar tarde hoje? - O acastanhado questiona, puxando assunto enquanto organiza a cozinha, assistindo seu pai se sentar na poltrona da sala com sua xícara quente de café. — Eu não sei, criança. — Eu vou ensaiar com os garotos da banda, eu não sei se vou dormir aqui... Mas só queria te avisar sobre isso mesmo. — Tudo bem, faça o que você quiser, desde que não esteja gastando o seu próprio dinheiro à toa. - Dave disse entre um gole na cafeína, ligando a televisão e voltando a prestar atenção no noticiário matinal. Louis o encarou esperançoso pela última vez, percebendo que ele não puxaria outro assunto, e caminhou para o corredor da escada, subindo todos os degraus em seguida. Ele dormiria novamente, até que desse o horário de seu almoço, caso não fosse seu celular vibrando sob seu travesseiro. O acastanhado assistiu as notificações chegarem rapidamente com os olhos embaçados, os sentindo estarem inchados, e focou no usuário HeStyles94.HeStyles94: CARALHO ISSO É TÃO FODA, PARABÉNS, PAREN'!!!HeStyles94: E tipoHeStyles94: Vocês são talentosos pra caralho... Então eu acho que vocês merecem issoHeStyles94: É, vocês merecem isso.HeStyles94: Vocês vão ser famosos na internet! HeStyles94: Ei Louis, mas, se você ficar famoso, tipo, você não vai... Deixa quieto. Parabéns de novo!HeStyles94: Eu acabei de procurar pelo vídeo e só nessa madrugada vocês ganharam sete mil visualizações! Louis franziu seu cenho lendo aquele tanto de mensagens, acomodando-se em seu colchão e apoiando suas costas na cabeceira da cama, enquanto sorria e sentia seu peito se aquecer ao ler as mensagens. William_Tommo: Wow, valeu! Legal saber que você tá apoiando a gente :)HeStyles94: Sim, vocês tem talentoHeStyles94: Enfim, vou tomar café, tchauLouis sorriu pela maneira direta que Harry agia, e desligou seu celular, voltando a colocar o aparelho sob seu travesseiro. Ele nunca pegou no sono tão rápido. Talvez nunca tivesse dormindo tanto em curtos períodos de tempo.Tomlinson decidiu que passaria na casa de Styles depois de seu almoço, antes de seguir caminho para a casa de Zayn, apenas para dar um "oi", ou talvez chamá-lo para assisti-los ensaiarem, ele ainda pensava sobre aquilo. Talvez fosse legal tê-lo lá, os assistindo e "dando uma força". Ele ainda permaneceria em dúvida, mesmo quando estacionava sua moto na sua da casa do garoto.— Boa tarde, o Harry está? - Perguntou na frente da porta dos Styles, com um sorriso amável no rosto, enquanto o vento bagunçava ainda mais sua franja — Está sim, eu só não sei se ele quer receber visitas. Mas suba no quarto dele. - A mulher abriu a porta com um grande sorriso no rosto, parecia animada e Louis não entendeu o motivo, mas apenas assentiu, colocando suas próprias mãos nos bolsos do casaco que vestia no momento. — Provavelmente ele vai querer. Oh, Deus, faz tanto tempo que ninguém o visita. O acastanhado engoliu seco, sentindo um aperto desconhecido em seu coração, enquanto concordava com a mulher, e olhava em volta, ele se sentia realmente muito pequeno dentro daquela casa.Louis caminha calmamente até o corredor da escada, subindo os degraus de assoalho e sequer apoiando-se nos corrimãos. Todas as portas do corredor do primeiro andar estão fechadas, inclusive a porta do quarto de Harry.— Ninho? - O mais velho bate três vezes na madeira da porta antes de continuar. — Sou eu, Louis. Posso entrar? Ele ao menos concluiu sua frase, sentindo seus dedos pairarem no ar repentinamente, quando a porta foi aberta depressa pelo cacheado que, como sempre, tinha seu cabelo bagunçado. Mas era uma fofa bagunça. — Oi - Harry cumprimentou o amigo com um mínimo sorriso. Ele vestia uma calça skinny preta, estava rasgada em seus joelhos, enquanto seus braços e tronco eram cobertos por um moletom do Sex Pistols. O garoto tinha sua bochecha suja, do que parecia ser tinta. — Você nem disse que viria. Há quanto tempo chegou?Louis saiu de seu transe, piscando seus olhos com rapidez e logo se recompôs, negando com a cabeça. — Eu esqueci de te avisar por uma mensagem, mas também achei que vir até aqui fazer o convite seria melhor. Faz pouco tempo, troquei apenas algumas palavras com aquela moça antes de subir.— Convite? De quê? - Questiona confuso, franzindo seu cenho e seu nariz. O azulado sorri, levando seu polegar até a bochecha quente de Styles e limpando a mancha de tinta presente ali, antes de voltar a olhar diretamente para seus olhos. — Eu e os garotos da banda vamos ensaiar hoje, vim perguntar se você quer assistir. Harry assentiu no mesmo instante, fazendo Louis sorrir pela pressa do mais novo ao recolher seu celular, sua carteira e suas chaves, guardando os itens em seus bolsos. — Ei, Moretz, vou sair com o Louis, não sei que horas volto, mas pretendo voltar. - Ele diz, abrindo a porta e deixando Tomlinson sair primeiro, enquanto brincava com a mulher, que apenas fez um sinal positivo com seu polegar. — Sabe o que eu percebi? - O mais velho pergunta divertido, já sorrindo por saber o que diria em seguida. Harry nega, assentando seus cachos indomáveis antes de colocar seu capacete. — Que você está há um longo tempo sem falar qualquer palavrão. — Estou fazendo aula online de etiqueta para que possa me aceitar, senhor Tomlinson. — O quê?— 'Tô zoando, idiota. - Ele estapeia levemente o braço do azulado, empinando-se para sentar sobre o couro do bando da moto. Louis revira seus olhos, sentando-se entre as pernas do outro e ligando a moto logo após. O trajeto até a casa de Zayn é calmo, ele não sente mais Harry tendo atrás de si – como ele sempre fica –, as mãos do garoto ao redor de sua cintura estão frouxas, enquanto as coxas dele não apertam tanto os quadris de Louis.— Eu estou com vergonha 'pra caralho, acho que eles não vão muito com a minha cara. - Harry disse com as bochechas rubras, enquanto chutava o pneu da moto de William e o aguardava pendurar os capacetes nos guidões da moto. Louis, por sua vez, negou, o achando paranóico, levantando sua cabeça e acenando para dentro da garagem. — Vocês só se viram uma vez. Eles são bem curiosos sobre você para ser sincero. — Uh- Então quer dizer que você fala sobre mim para eles? - Perguntou com um sorriso instalado em seus lábios, Louis conhecia aquele sorriso. — Sim, seu babaca, eu falo. Digo que você é o cara mais chato que eu já conheci. - William sente um soco atingir fracamente sua costela, e agarra o pulso do menor, o puxando para perto, segurando sua cintura, ao mesmo tempo em que o levava para dentro. — Caralho, finalmente, estávamos quase ensaindo sem um vocalista. - Calvin foi o primeiro a falar quando Tomlinson abriu o portão. Todos os integrantes estavam sentados próximos aos seus próprios instrumentos, enquanto tinham seus celulares em mãos e feições descansadas. — E aí, Harry! — E aí. - Cumprimentou baixo, sorrindo minimamente para os garotos. — Passei na casa do Harry, ele vai assistir a gente, beleza? - O acastanhado abaixou-se, abrindo a tampa do cooler e retirando uma garrafa de cerveja, a entregando para Styles em seguida. — Por mim tudo bem. É legal ter uma plateia. - Luke diz, dedilhando seu teclado.O mais novo entre eles sorri, tendo suas bochechas coradas, e se senta no balde vazio virado de cabeça para baixo, enquanto abria sua garrafa de cerveja e observava os garotos se posicionarem. Ele fixa seus olhos nos movimentos de Louis, esse que passa a língua por seus lábios secos, os umedecendo e segurando o cós de sua jeans, antes de levantá-la um pouco e segurar no apoio de seu microfone, regulando a altura. — Vamos gravar de primeira? Se sair bom já é ótimo. - Zayn questiona, apoiando a câmera no tripé, encarando Louis e aguardando por sua resposta. Styles dá um gole na bebida gelada, ao mesmo tempo em que observa a reação de Louis, sendo seguida pela resposta.— Vamos ver no que vai dar. - O mais arqueou suas sobrancelhas rapidamente, relaxando seus ombros e jogando sua cabeça para trás. Edward teve a visão de seu pescoço alvo e bronzeado, mas logo a banda iniciou o instrumental de Houdini. Harry sorriu de imediato porque gostava daquela música. Louis balançava sua cabeça de um lado para o outro, com seus olhos fechados e um sorriso ladino – extremamente idiota – posto em seu rosto, mas aquilo não durou muito tempo pois ele se aproximou do microfone, cantando o primeiro verso. Styles ficou em completo silêncio, apenas para ouvir sua voz melodiosa e aveludada, e prestar atenção em sua desenvoltura no "palco".— Got shackles on my wings on tightBeggin' makin' compromiseFast enough it's hard to hideSometimes I want to disappear. - O cacheado arregalou seus olhos levemente quando percebeu o olhar de Tomlinson sobre si, sentiu seu rosto todo esquentar quando o outro revirou os olhos e passou a língua por seus dentes. Aquilo era o sorriso mais libidinoso que Harry já havia visto em toda a sua vida.Louis tinha um jeito único ao cantar, Styles confessava que gostava de assisti-lo ao vivo, e aquela era apenas a primeira vez... A maneira como ele agia quando se entregava à música era explicitamente apaixonante de sua parte. Estava em seus olhos o amor que ele sentia ao fazer o que gostava. Harry gosta de vê-lo assim.. . .O resto da tarde passou rapidamente, Edward não conseguia entender como as horas se passavam tão rapidamente quando ele não estava enfurnado dentro de seu quarto, sob seus edredons, encarando suas estrelas de luzes neon falhadas coladas em seu teto. Como era possível? A mãe de Zayn deixou pequenos sanduíches de patê sobre o tambor de aço para que eles pudessem comer depois de tanto perderem energia cantando e tocando. Ela sequer percebeu a presença de Styles ali, a casa sempre estava cheia pelo visto, ela era uma mulher engraçada. — O que você achou? Somos uma boa banda, não? - Louis pergunta brincando, sentando-se no carpete, ao lado do balde onde Harry ainda se sentava. — Vocês são legais... — Isso não é apropriadamente um elogio. - Luke implica, despejando suco em seu copo, tendo o olhar fuzilante de Tomlinson o perfurando. — Mas valeu. — Valeu, você parece ter gostado. - O acastanhado deixa um de seus sanduíches sobre o colo de Styles, tirando sua atenção do rosto do garoto e voltando a interagir com seus amigos. — Eu gostei - Sussurra, temendo não ter a atenção de Louis. — 'Pra caralho. — Fico lisonjeado, você não é alguém que gosta de elogiar as coisas ou as pessoas. - Louis sussurra de volta, dessa vez sorrindo abertamente. Não era exatamente isso, na verdade, mas Harry não iria contrariá-lo. Não dessa vez. — Sinta-se lisonjeado mesmo. — Você é um babaca do caralho, ninho. - Ele cotovela a canela do mais novo, fazendo-o sorrir e esconder seus lábios com as mangas de seu moletom, após morder seu sanduíche. — Para, eu vou me engasgar, estúpido. - Harry finge chutá-lo. — É engraçado ter você me chamando por esse apelido bobo e me xingando ao mesmo tempo. — Vou substituí-lo por xingamentos pesados, que nem nos tratávamos antes de sermos amigos. — Não!- Quer dizer, eu sei que você não vai fazer isso, você adora criar apelidos para mim. - Harry sorri descontraído, desviando seu olhar do rosto sorridente de William e voltando a observar os meninos, que estavam próximos mas não conversavam entre si, apenas mexiam em seus celulares. Eles estavam trocando mensagens em algum tipo de grupo, obviamente estavam, Harry escutava as notificações chegando no celular de Louis – o mais próximo – e nos celulares dos outros integrantes, ele enxergava os sorrisos dos garotos e, internamente, aquilo o incomodava um pouco. E se eles estivessem falando algo sobre ele? — William, eu acho que vou ir embora. - Comentou, embrulhando o resto de seu sanduíche em um guardanapo, o deixando junto dos outros no prato. — O quê? Por quê? Nós estávamos combinando de ir em um Kartódromo agora. - Louis franze seu cenho, parecendo indignando com a fala de Harry. — Você não vai querer ir? — Eu não sei, é estranho, vocês são amigos há um puta tempo, não quero ficar me intrometendo nos rolês de vocês.— Ah, Styles, qual é!? Você é o meu amigo, automaticamente se torna amigo deles também. Inclusive, a namorada do Calvin irá junto conosco, ou seja; seus argumentos caíram por Terra. Harry cerra seus olhos, suspirando ponderativo, enquanto cruzava seus braços. Seria legal sair com eles, claro que seria, mas com certeza ele se sentiria deslocado... Aquilo tudo era uma completa merda. — 'Tá legal. Eu vou.— Ótimo! - Louis sorri animado, chamando pelos garotos, que sorriram animados, comentando sobre como seria quando chegassem lá e imitando sons de motores de carros. O mais novo não conteve sua risada com o escândalo do grupo e escondeu seu rosto com as mãos, sentindo os dedos de Tomlinson segurarem no tecido de seu moletom. Eles iriam em seis no carro. Seis. Harry preferia ir caminhando. — William, essa porra aumenta a quantidade de acidentes nas rodovias, sem contar que o tumulto chama atenção das blitzes, ainda mais o som alto, onde ela vai sentar? Eu não deveria ter vindo para essa merda, eu não deveria. Isso é muito muito perigoso, essa merda dá em morte, Tomlinson, o Zayn 'tá enrolando um baseado no banco do passageiro, vai dar tudo errado, tudo errado, por Deus- Louis segurou seu rosto firmemente enquanto ele proferia suas palavras desesperadamente, o rapaz parecia confuso com suas frases, mas conseguiu acalmá-lo apenas por olhá-lo com seus tempestuosos topázios azulados. — Não vai dar nada errado, se você fica pensando merda aí sim vai acontecer algo, então para. A namorada do Calvin irá sentada no colo dele e o kartódromo não é longe daqui. Menos de quinze quilômetros. Se acalma, você nunca realmente quis seguir as leis. Harry queria respondê-lo, mas não o fez, porque escutou a porta do carro ser aberta e uma grande vaia ser iniciada dentro do carro. — Calem a boca, vocês me amam. - Uma garota loira adentrou o carro sorrindo amplamente. Ela usava um grande casaco de seda, acompanhado de um cropped e uma calça preta de sarja. — Oi! Você é o novo integrante da banda deles? - Ela questiona, ainda sorrindo, se referindo à Styles, que nega de imediato. — Não, eu sou amigo do Louis-— Hunter, esse é o Harry, o moleque que o Louis vive falando no grupo. - Calvin aponta para o cacheado, esse que encara Tomlinson em busca de quaisquer respostas, mas apenas tem o rapaz negando com sua cabeça, e ainda tendo um sorriso sem dentes exposto em seus lábios. — Harry, essa é Hunter Schafer, minha namorada.— Você é o Harry! - O sorriso da garota aumenta, ela parece feliz, Styles não a entende, apenas a encara curiosamente e assente. — Prazer em conhecer você pessoalmente, ouvi muitas coisas legais sobre você para ser sincera. — Coisas legais? - Pergunta sorrindo em uma confusão mental. — Tipo o quê?— É, tipo, as coisas que vocês dois aprontam na escola. - Ela diz como se fosse nada, e o mais novo sorri ao escutar aquilo. Não era sempre que espalhavam coisas legais sobre si. — Estão prontas crianças? - Luke perguntou, apertando seus dedos no volante, esperando que os amigos o respondessem com a música de abertura do desenho Bob Esponja. Mas tudo que ganhou em retribuição foram várias vozes o mandando ir "se foder", acompanhadas da risada abafada de Harry.— Toma - Zayn esticou dois cigarros, Hunter tomou um dos dois com rapidez, abrindo a janela do carro e encostando sua cabeça no ombro do namorado, que sorriu ao vê-la fumar alegremente na janela. — Façam bom proveito. - Ele disse quando Louis retirou o outro cigarro de sua mão e tragou, Styles pôde sentir o relaxar dos músculos de Tomlinson apenas por vê-lo tragar a primeira vez. — Talvez nós estejamos recriando Dazed and Confused - O azulado começa, passando seu braço direito em torno no ombro de Edward, enquanto levava a mão que segurava o cigarro para perto dos lábios do cacheado. — O que acha? Harry sorriu ao perceber aquilo, inclinando-se um pouco para encaixar seus lábios no cigarro e tragar, voltando a apoiar-se no braço de Tomlinson. Seus olhos analisaram toda a extensão do rosto do rapaz, então ele sorriu de novo, porque não conseguia negar a beleza de Louis. Ele poderia colocar a culpa no baseado depois. — Eu acho que nem mesmo se eu fosse a Milla Jovovich nós poderíamos recriar aquele filme, pridurok.— Poderíamos recriá-lo do nosso jeitinho. Estreando Harry Styles e Louis Tomlinson. Um remake. — Remakes estragam o que é bom, nem pense nisso. - Ele se inclina novamente, tragando o cigarro que Louis segurava e soltando a fumaça no rosto do mais velho, que segurou fortemente suas bochechas entre o dedo, o fazendo se assustar, mas sorri com dificuldade em seguida, tendo um biquinho provocado pelo aperto das digitais de Tomlinson em suas bochechas. — Idiota. - Ele diz antes de soltar as bochechas do esverdeado, que sorria feito um verdadeiro idiota naquele momento.Harry evitava olhar para a janela do carro, então ele estava sempre pedindo para Louis cobrir a janela com suas costas e sua cabeça. Luke estacionou o carro na calçada próxima a entrada do kartódromo, tendo consciência de que obviamente os denunciariam caso vissem seis pessoas descendo de um carro com a capacidade máxima de cinco. Quando escolheram quantas voltas dariam em dupla e pagaram por elas, eles escutaram – sem atenção alguma – as instruções do instrutor, que gesticulava e apontava para a pista enquanto falava. — Eu não estou tão chapada, mas pode crer que na hora que aquele homem 'tava falando eu 'tava muito além de mim. - Hunter diz, colocando seu próprio capacete, enquanto Louis colocava o capacete destinado à Styles no próprio. — Se ela não viesse, você faria dupla com quemno Kart? - Harry questiona inocentemente, mal dando-se conta de suas palavras, agradecendo por já ter o capacete escondendo metade de seu rosto. — Com você. — Que bosta, deixaria um de seus amigos na mão? — Você também é meu amigo, e o Calvin odeia pilotar em dupla, porque ele sempre quer estar no controle, então Luke e ele discutem sempre. — Eu não gosto de dirigir e nem sei - Harry diz, assistindo o instrutor deixar o terceiro e último carro posicionado. — Qual é a gravidade disso caso batermos? — Deixe-me ver... Vinte e um por cento. — Específico 'pra porra. — Sim. Estaremos de capacete e cinto de segurança, a pista é própria para isso, as curvas tem as laterais elevadas justamente para fazermos as curvas fechadas, todos esses pneus empilhados nos muros servem para que o impacto não seja tão fodido. O máximo que acontecerá é um esfolamento. — Acha que ganhamos? — Comigo no controle sim. - Louis se gabou, fazendo Edward revirar seus olhos e caminhar atrás de si, adentrando o carro e se assegurando de engatar bem seu cinto de segurança. — São poucas as vezes nas quais eu vejo você sendo narcisista.— O narcisismo é idiota na maioria das vezes. - Tomlinson dá de ombros, ligando o Kart, enquanto esperava pelos amigos, que ainda se acomodavam nos bancos e se prendiam nos cintos. Harry o fita sorrindo, escondendo suas mãos entre suas coxas, tentando secar suas palmas suadas de maneira rápida. Louis está pisando no acelerador e provocando um barulho alto, enquanto conversa por meio de gritos com Calvin, que está ao seu lado direito. Hunter tem seu pé apoiado na lateral interna do kart, enquanto segura na barra da gaiola externa e gargalha com algo que Calvin lhe diz no momento. O cacheado a imita, segurando na barra gelada de ferro e fechando seus dedos firmemente ali, enquanto afundava seu pé na lateral interna do kart. Era uma posição que favorecia sua pose. — Qual é o nosso código para parar? - Louis o questiona, vendo o instrutor posicionar o apito em sua boca e a bandeira xadrez em sua mão. — Meus dois dedos levantados. - Harry o responde, fechando seus olhos imediatamente ao ver a bandeira ser sacudida e ouvir o apito soar em seus tímpanos.O começou foi "tranquilo", em partes, mas nem tanto, porque aquela velocidade era incrivelmente do caralho, Harry nunca viu as coisas se passarem tão rapidamente diante de seus olhos. Ele podia escutar os gritos entusiasmados de Hunter, e a gargalhada exagerada de Calvin. Ele também podia escutar os palavrões que saiam da boca de Luke e da boca de Zayn. Harry podia escutar a risada abafada e os gritos animados que Louis dava ao se aproximar do carro de Calvin. Tomlinson tinha seu pé afundado no acelerador. Suas mãos tremiam no volante por conta da extrema velocidade. Harry sentia a areia – que cobria parte da pista – colidir fortemente contra seu rosto e a pele exposta de seu pescoço, com certeza deixando vergões avermelhados no local. Acontecia o mesmo com seu rosto, seus cachos ricocheteavam suas bochechas, e aquilo ardia 'pra cacete. Styles, então, levou seus dedos para a viseira do capacete, sentindo a areia machucar sua mão e puxou o plástico transparente para baixo, cobrindo seu rosto e suspirando aliviado. Até mesmo respirar era difícil naquela velocidade. A pista não era pequena, haviam até mesmo elevações, que "davam mais adrenalina". Harry não achava. Cada vez que Louis passava por uma dessas elevações e o kart saía centímetros do chão, Edward sentia seu coração parar de bater dentro de seu peito. A velocidade era tão alta que os pernilongos estouravam em sua viseira fechada. Eles literalmente estouravam. Tomlinson havia ultrapassado Calvin e Hunter, agora tentava ultrapassar Luke e Zayn, que não estavam muito longe. Styles podia ver o quão empolgado ele estava, o quão grande era o sorriso em seu rosto, mas aquilo o assustava, demais. E ele não pode mentir, deveria confessar sua diversão no momento em que ultrapassaram o casal. Quase encostando os karts um no outro durante a ultrapassagem e gritando estupidamente alto quando deixaram Calvin e Hunter para trás. Seus olhos estavam fechados, mas era por conta do amplo sorriso que invadia seu rosto, ele sentia suas bochechas doerem de tanto sorrir. Também gostava de ouvir o sorriso de Louis, e seus gritos em forma de perguntas. Ele era divertido. Harry gostava de tê-lo como amigo. Mas ele também não podia negar o quão medonho aquilo era. Por mais que confiasse em Louis e tudo estivesse devidamente seguro, ele ainda sentia medo,  aquilo não era fácil, não era tão simples como ele achou que seria. Embora não estivessem em uma estrada, nem em um dia chuvoso, nevoso ou nublado, ainda assim preocupava Harry. Tomlinson estava muito centrado na pista e em ultrapassar Luke e Zayn, que mal enxergou o sinal de dois dedos levantados. Harry quis chorar de nervosismo, ele realmente quis. Sua única reação foi apertar fortemente a coxa de Louis, afundando suas curtas unhas na carne coberta pelo jeans, fazendo aquilo diversas e desesperadas vezes até que se tranquilizasse ao perceber que o kart estava desacelerando e que Louis estava fazendo sinal para que os outros parassem. — O que houve? - Louis questionou ao desligar o motor do kart e retirar seu capacete. — Você está bem? Harry assente, retirando seu próprio capacete e sentindo sua visão turvar, sua cabeça gira internamente e ele fecha seus olhos, tentando acalmar-se quando sente a mão de Louis ser pousada em seu joelho. — De boa, eu só fiquei tonto. Acho que já deu minha cota. - Styles diz decidido, retirando o cinto de segurança e respirando aliviado ao perceber que estavam realmente parados. Louis o encara, parecendo querer lê-lo por sua feição, o que certamente não acontece, porque Harry vira seu rosto para a lateral direita da pista, enxergando uma cafeteria iluminada próxima a pista, mesmo que dentro do kartódromo. — Quer que eu vá com você? Posso pegar o dinheiro das voltas que faltam de volta. - Ele diz, levando suas mãos para o engate do cinto de segurança, Styles nega rapidamente, quase de imediato, segurando o braço de Louis com força.— Não precisa fazer isso, William. Eu estou legal, pode continuar a correr com os seus amigos. Eu estou legal, de verdade. - Confortou o mais velho. Ele não via necessidade alguma em toda aquela preocupação excessiva do garoto, embora o fizesse sentir-se protegido, Louis realmente não precisava.— Onde você vai ficar? - Pergunta, provocando o barulho natural do cinto sendo preso no engate.— Naquela cafeteria ali, fica de boas. - Louis o fita com os olhos cerrados, como se esperasse algo a mais, e Harry sorri. — Vou estar torcendo para você.— Oh, isso é novo, fico grato, ninho.— Torcendo para que você perca. — Infantil do caralho! - O acastanhado grita quando Styles abraça o capacete firmemente contra seu peito, conseguindo sentir seus batimentos acelerados ao perceber o sorriso desacreditado que Louis lhe lançou no momento, e corre para longe da pista, olhando para trás e assistindo o mais velho lhe mostrar o dedo do meio.Harry sorri sozinho quando volta seu olhar para a entrada da cafeteria, ofegando pela corrida até ali e se apoiando no vidro da porta antes de adentrar o local.O estabelecimento é iluminado com luzes amareladas e bancos encapados com couro. Todo o lugar é protegido por vidro, para que os clientes pudessem assistir às corridas no interior da cafeteria. Havia até mesmo um jukebox com luzes brilhantes e coloridas, nenhuma música era tocada ali no instante.O cacheado sorriu, inserindo uma nota de dois dólares na máquina e escolhendo a música (You're The) Devil in Disguise, que ecoou agradavelmente por todo o estabelecimento. Edward balançou sua cabeça amavelmente de um lado para o outro, era quase imperceptível, mas era visível pelo reflexo do vidro. Ele cantarola a música em sussurros, sentando-se em uma das mesas vazias, apoiando suas bochechas em suas mãos, enquanto assistia a corrida de longe. Harry torcia para o piloto do carro vermelho, que – coincidentemente – era Louis. — Eles podem ser um grupo "porra louca" quando querem. - Styles escuta uma voz feminina e familiar, virando seu rosto para enxergar o rosto sorridente de Hunter, que segura uma carteira personalizada de cigarros em sua mão. Harry concorda com a frase que a garota proferiu, voltando a assistir através da janela. — Você não fala muito, não é? Mas enfim, posso ficar aqui fazendo companhia para você em silêncio também. - Hunter diz, sentando-se à frente do garoto.O silêncio durou menos de trinta segundos. — Cara, o Louis deve ser sortudo por conseguir trocar mais de cinco palavras com você.— Sortudo? Por que caralhos ele seria sortudo?— Ele diz que você é divertido, que têm bom gosto musical, que apoia a banda deles... Ah, nós fomos acampar na praia mês passado, e ele não foi porque disse que não queria faltar tantos dias na escola e te deixar sozinho. Sei lá, o Louis não é de negar faltar às aulas. - A garota profere de maneira descontraída, abrindo a janela ao seu lado e acendendo um cigarro com rapidez.Harry permanece algum tempo em choque, com seus lábios – secos – entreabertos e seu olhar fixado na madeira envernizada da mesa. Ele ainda digeria todas aquelas palavras com lentidão, engolindo seco, enquanto seus olhos acompanhavam os karts disputando o primeiro lugar. Louis havia ficado por ele? Quem em sã consciência deixaria de acampar com seus amigos para ficar na escola organizando livros e aguentando pirraças de Carter? — Pega um. - Ela estende a carteira de cigarros, levantando sua mão com cuidado. Harry aceita, retirando uma unidade de cigarro dentre os outros, assistindo aqueles se desestabilizarem e penderem para os lados, ele o acende com seu próprio isqueiro, guardando o item dentro de seu bolso novamente.Harry evita fumar antes de abrir a janela ao seu lado, tendo uma visão nítida da corrida, podendo também ouvir os gritos estridentes que os garotos soltavam quando sentiam a adrenalina de estar correndo. O cacheado segura o cigarro entre seus dentes, forçando a janela para abri-la totalmente. Ele apenas traga quando assiste Louis acenar para si. Harry solta a fumaça por seu nariz e volta a fitar Hunter, que lhe dirige a palavra. — Há algo além de amizade nisso? - Edward nega, amarfanhando seu cenho e franzindo seus lábios, ignorando completamente a sensação que tomou conta de seu estômago.— Não. — Certo, se você está dizendo. - Ela deu de ombros, deixando o cigarro entre os dedos e sorrindo repentinamente. Edward a encara confuso, mas logo olha para onde a garota mira seu olhar e acena. Eles estão correndo em direção à cafeteria. Louis segura o capacete de proteção em uma de suas mãos, ajeitando sua franja com os dedos e sequer tentando esconder o sorriso que existia em seu rosto no momento. Os garotos se empurravam conforme falassem – alto –, e comentavam sobre as curvas e o tempo em que passaram dirigindo. Harry apaga seu cigarro na soleira da janela e o joga na lata de lixo ao lado de fora, batendo suas mãos uma na outra e limpando as cinzas que caíram sobre seu colo.— O Louis roubou, babe, você viu? Ele jogando o kart 'pra cima de mim? - Calvin foi o primeiro do grupo a dizer algo. — Eu me assustei, era óbvio que frearia.— Você ganhou? - Styles questionou curioso, dirigindo-se a Tomlinson. — Ganhei, ou seja; os lanches são por conta dos outros três hoje. - Ele sorri genuíno, sentando-se ao lado do cacheado e retirando suas luvas protetoras. — Legal... — Você não assistiu? O Calvin perdeu por pouquíssimo. — Eu estava conversando com a Hunter, não assisti, foi mal. Louis não parece se importar o suficiente para insistir naquele assunto, considerando que resolve verificar o cardápio e fazer seu pedido, junto com os outros. Harry pede um cheeseburger tradicional, apenas isso, e volta a se encostar no apoio almofadado de couro. — Poderíamos jogar verdade ou desafio, 'né? - Zayn sugere, mas todos negam no mesmo segundo. — Chatos, odeio vocês. — Qual é Malik, ninguém aqui tem quatorze anos mais. - Hunter revira seus olhos, encostando sua cabeça no ombro do namorado e fechando seus olhos. — Vocês não estão aproveitando o ensino médio direito, não como eu aproveito. — Zayn, você estuda em uma escola que vale mais que a minha casa se juntar todas as mensalidades pagas no ano, as festas que você participa são de outros níveis. Enquanto tomamos cachaças barrelas de sabores duvidosos você está bebendo vodka com licor de cereja. — Não é desse jeito, vai...— É sim. - Todos falam em uníssono, enquanto o garçom deixa os lanches sobre a mesa. Harry sorri pela reação das pessoas à mesa quando responderam Zayn. Ele cobriu seu sorriso com as mãos e abaixou seu rosto, tentando não gargalhar da feição surpresa do moreno. Ele sente olhares sobre si, o que não demora muito para mudar, considerando que todos começam a rir, continuando a zoar Malik. — Tudo bem, Zayn, nós te aceitamos mesmo sendo um capitalistazinho de merda. - Tomlinson brincou, mordendo seu sanduíche. — O Harry também tem cara de ser capitalista e vocês não julgam ele, seletivos nojentos. — Ei- Harry se defenderia, caso não ouvisse Louis quase engasgar-se ao seu lado, deixando o sanduíche sobre a pequena cesta com papel manteiga novamente.— Não o xingue, seu cuzão. - O mais velho cobre sua boca com o guardanapo, considerando o fato de que a tinha cheia. — Vocês reclamam demais. - Zayn revira seus olhos olhos irritadiço, cruzando seus braços e encarando através da janela, fingindo estar bravo com seus amigos, aquilo muda rapidamente quando engatam em outro assunto. Durante o lanche, William pisou no pé de Edward propositalmente, fazendo com que o garoto retribuísse e atingisse a canela de Luke sem intenção. Aquilo prosseguiu até que a lata de refrigerante de Calvin caísse no chão e ele desse um tapa na nuca de Zayn, porque de alguma forma aquilo era culpa dele. Harry gargalhou. — Eu vou ir embora com a Hunty, vamos pedir um carro de aplicativo, mas valeu por tudo hoje. - Calvin dizia enquanto esticava o casaco de seda para a namorada, que o vestiu logo após. — Falou Calvin, até um dia desses. - Luke acena para o amigo, colocando sua mochila nas costas. — Ow galera, acho que eu vou indo também, vão querer carona? Louis nega, enquanto fazia algum pedido inaudível por Harry para o garçom. — Vou ir depois com um carro de aplicativo também, mas fiquem tranquilos, o integrante preferido do grupo vai voltar em segurança. — No caso o Harry. - Louis complementa e Luke solta um "ah bom" divertido. — O quê? - O esverdeado se dirige à Louis, não recebendo nenhuma resposta imediata.— Até mais, falou! - Zayn se despede com um aceno, guardando seu celular e caminhando atrás de Luke.— Integrante preferido? Você é tão estúpido, eu mal falei com eles. - Harry parece indignado, e ele realmente está. — Eles gostam de você, o que eu posso fazer, malchik?Harry esperou até que o milkshake de morango fosse deixado sobre a mesa e Louis pagasse por ele, antes de lhe questionar nervosamente. — O que a Moretz te falou? — Quem é Moretz? - O mais velho pergunta, fitando os olhos cerrados de Styles e levando seus lábios até o canudo vermelho. — A mulher que te atendeu hoje quando foi até minha casa. O que ela te disse? Você me contou que conversou com ela. — Ela disse que fazia muito tempo que você não recebia visitas, apenas isso. Do que você teme? — Essa merda me irrita 'pra caralho sabia? Porque agem como se eu precisasse de alguém, como se tivessem pena de mim e como se qualquer pessoa que demonstrasse algum tipo de carinho por mim fosse uma pessoa muito sortuda ou muito corajosa. Eu odeio essa merda, William, eu odeio porque eu não sou desesperado por um amigo ou um colega, se você pensa assim- — Surtou porra? Deixa de ser idiota, eu nunca sequer citei um pensamento assim, Harry. Pare de colocar palavras na minha boca, eu já lhe avisei sobre essa fixação de achismos na sua cabeça. — Não são achismos. Eu tenho certeza de que ela falou sobre mim como se eu fosse um... Um... Sei lá, a porra de uma chinchila indefesa. - O mais novo gesticula enfurecido, Louis observa suas bochechas enrubescerem de repente, e seus lábios se tornarem mais avermelhados na medida em que o garoto os mordesse. irritado com a situação.Tomlinson não evita sua alta risada ao ter Harry se comparando à uma chinchila. — Vai se foder, Louis. - Edward o belisca, cruzando seus braços da maneira mais emburrada e infantil possível. — Olha - O acastanhado se aproxima um pouco mais, apoiando sua mão no encosto do banco, tocando levemente nas costas de Styles. — Eu entendo você, mas cara, ninguém é amigo de ninguém por dó ou pena, coloca isso na sua cabeça. Amigo é aquela pessoa que você confia, que você tem liberdade e intimidade, que você quer estar e ter por perto, não um pé no saco do caralho. Existem várias definições para amizade, mas porra, ninguém quer ficar perto de alguém que não goste, qual é o sentido disso? Não seja paranóico, o pessoal gosta de você, se não gostassem não seria assim, eles não agiriam como agem todos os dias quando você não está junto de nós. Louis observa a expressão defensiva de Harry ser desarmada aos poucos, até que o garoto penda sua cabeça para o lado, e a encoste levemente no peitoral do mais velho. Tomlinson sorri com aquilo, o deixando ali por bons minutos. [...]— Valeu, bom trabalho. - O acastanhado bate duas vezes na lataria do táxi quando efetua o pagamento, e recebe o aceno simpático do motorista.— Já é tarde, você vai voltar sozinho? - Edward questionou, parado próximo à placa do ponto de táxis. O rapaz assente, com seu olhar despreocupado e mãos nos bolsos, caminhando até o garoto, que o espera com os braços cruzados. — Você disse que amigos tinham liberdade e intimidade. Eu tenho liberdade o suficiente para pedir uma coisa? — Depende da coisa. - Louis sorri descontraído, escutando os passos fortes de Harry serem formados contra o chão, atrás de si. — Me carrega nas costas? - O cacheado pergunta em um fio de voz, quase envergonhado. Tomlinson se vira para trás curiosamente, fitando Styles parar e sorrir tímido, batendo a sola de seu coturno no chão, aguardando pela resposta. E era óbvio que Louis não negaria. — Venha - Retirou suas mãos dos bolsos quentinhos, sentindo sua pele entrar em contato com o vento gélido da noite. Logo abaixou-se um pouco, tendo os dedos de Edward fazendo pressão em seus ombros e os empurrando para baixo, antes de encaixar suas pernas na cintura do mais velho. — Não se acostume, só estou te levando porque sua casa é a menos de duas quadras daqui. - Alertou pacificamente, escutando a concordância de Harry em um "uhum" sussurrado. Tomlinson engatou suas mãos por baixo das coxas cobertas pela skinny de Styles, afundando seus dedos ali e equilibrando o peso do mesmo sobre suas costas.— E a sua moto? - Perguntou enquanto Louis voltou a caminhar. Apenas o som de seus passos eram escutados. Nada além disso. — Você esqueceu dela, sabia?— Não esqueci não, eu pego ela quando formos editar o vídeo. — Ela tem nome? — Ela quem, Harry? - Questiona sorrindo, ouvindo o baixo sorriso abafado do mais novo próximo de seu ouvido esquerdo. — A sua moto, ela precisa de um nome. — Não, é um objeto, não precisa de nome. - Louis ajeita o esverdeado em suas costas, o sentindo escorregar por elas. Styles, por sua vez, cruza seus braços em frente ao pescoço de Tomlinson, temendo machucá-lo.— Qual é, dê um nome a ela. - Insistiu em um murmúrio. —Medusa. — Criativo, eu gostei. - O garoto sorri preguiçosamente, relaxando seus músculos ao mesmo tempo em que era carregado pelo maior. O caminho é curto e silencioso, a respiração chiada de Edward faz constraste com os passos pesados de William, e ele apenas percebe que Harry não está a dormir quando o coloca no chão novamente e o escuta reclamar.— Valeu por hoje, foi legal, de verdade, foi foda. - Ele agradece, encostado em sua porta, enquanto procura por suas chaves. O azulado sorri, completamente bobo, e segura a cintura de Harry, o puxando para perto com cuidado – para que ele não caísse no degrau de entrada. Louis leva seus dedos até o o pescoço aquecido do garoto, trazendo-lhe para si e deixando um beijo úmido na bochecha corada do outro. Styles arregala seus olhos em surpresa, desviando o olhar do rosto de Tomlinson rapidamente e destrancando a porta de sua casa com certa pressa. — Tchau, Louis, até algum dia. - O esverdeado diz de maneira rápida e então seu amigo sorri, acenando presunçosamente. — Tchau, esquentadinho, fica bem. Louis acha que não deveria se sentir assim em relação àquele insignificante beijo na bochecha.

----- CHAPTER BREAK -----

Mesmo horas depois do acontecimento, Louis ainda tinha sua mente vagando pelo momento em que deixou um beijo na bochecha corada de Harry. Ele passou a noite junto à Luke e Zayn, apenas bebendo vinhos baratos e jogando conversas fora. Era um bom jeito de aproveitar um momento com os amigos, Louis tinha de admitir que gostava de estar ali, totalmente bêbado, deitado no chão gelado do quarto de Luke, enquanto sorria de alguma piada péssima contada por Zayn.Estar ali o fazia esquecer dos acontecimentos recentes – e ele agradecia por aquilo –, ele agradecia porque não entendia o motivo de sentir-se tão estranho ao tocar e estar junto à Harry. Suas percepções de sentimentos parecem falhar quando se trata daquele assunto, é complicado pois ao menos Louis sabe como descrever seus sentimentos e suas sensações. Ele estava assustado, sinceramente, e estar assustado o amedrontava. Há anos desde ele se sentiu tão assustado com algo. Foi quando ele estava a se descobrir, lidar com aquilo sozinho foi demasiadamente assustador, ele se sentia só, e realmente estava. Não ter ninguém para apoiá-lo o assustava. Se descobrir sozinho o assustava. Sentir aquilo o assustava. Se retrair havia sido a opção mais viável naquele momento de sua vida, embora ele se sinta bem consigo mesmo nos dias de hoje, apenas ter um lapso de lembrança daquela época fazia com que um arrepio percorre toda a sua espinha, uma sensação angustiante se instalasse em seu peito e ele sente medo de que aquilo permaneça ali, porque ele não quer sentir tudo aquilo de novo. Ele não quer. . . . — Trouxe novidades. - Calvin entra sorridente no quarto de Malak, segurando firmemente seu celular entre os dedos enquanto puxa sua namorada consigo. Luke e Zayn almoçavam sentados na cama de Malak, enquanto Louis apoiava seu prato na escrivaninha de madeira envernizada do cômodo. Seu cenho foi franzido ao perceber a animação de seu amigo e a expressão entediada de Schafer. — Sim, eu aceito ser padrinho da criança de vocês, mas não tenho onde cair morto então não garanto presentes mensais. - Tomlinson assente, mexendo sua macarronada com as pontas do garfo, tendo sua cabeça apoiada em sua mão. — Credo moleque, vira essa boca 'pra lá. - Hunter lhe oferece uma careta de nojo, caminhando até a escrivaninha e se semi-sentando na mesma. O mais velho sorri, voltando a almoçar em silêncio, enquanto Calvin fecha a porta e deixa seu celular sobre a mesinha de cabeceira, pedindo atenção para si. Todos o encaram curiosamente, segurando seus pratos aquecidos de macarronada e cerrando seus olhos, aguardando o início da fala de Rodgers. — Há menos de meia hora entraram em contato com a nossa conta no Facebook e fomos contatados para tocar em uma festa em Yoston! Louis automaticamente se engasga com a massa que mastigava no momento. — Você 'tá de brincadeira, não 'tá? - Zayn se levanta, sujando sua blusa com molho de tomate e xingando alto em seguida. — Porra, Yoston é uma das cidades mais ricas daqui, explica isso direito, Calvin. - Louis pede, bebendo seu copo de água inteiramente em questão de segundos. — É uma festa de formatura, adolescentes, fantasias, rock e bebida. O cachê é alto 'pra caralho, eu aceitei no mesmo segundo. — Ele realmente aceitou no mesmo segundo. - Hunter cruza seus braços sorrindo largo, colocando suas mechas loiras para trás da orelha, enquanto observava seu namorado. — Fez bem! Quando será a festa? - Luke questionou, deixando o prato sobre seu colo, limpando seus lábios gordurosos com um guardanapo de pano. — Falta muito, um mês praticamente. - O garoto responde, e entreabre seus lábios em surpresa, parece se lembrar de algo, então diz: — E é uma festa a fantasia, tem como isso ficar melhor? — Que cringe. - Hunter sorri divertida, sabendo que com certeza irá escolher fantasias de persongens que se odeiam para ela e Calvin, essa é a essência deles. — Cringe o caralho, vou ir vestido de Harry Potter, imaginem só. - Zayn abre um quadro imaginário no ar, fazendo Louis suspirar e sorrir logo após, pensando em que fantasia poderia vestir. Ainda faltava muito, ele não precisava se preocupar com aquilo agora.— Sabe o que me anima mais? É o fato de que, dentre tantas outras bandas mais visíveis e "famosas", eles escolheram a nossa, e isso me deixa feliz 'pra caralho porque, porra, estamos conseguindo. É o nosso sonho e nós estamos fazendo isso. Estamos realizando um sonho nosso. - Tomlinson sorri desacreditado, tremendo sua voz involuntariamente, quando sua garganta se fecha e dói – pelo nó formado recentemente ali. Ele sente braços envolverem seus ombros, e logo percebe ser Hunter, que cobre seu rosto e pinica seu nariz com suas longas mechas loiras. — Não fica assim, Tommo, isso é só um reflexo de tudo que vocês vêm plantando ao longo dos anos. Fazem quatro anos, eu até acho que demorou para que isso acontecesse. — Obrigado, Hunty, se você não estivesse no nosso ciclo de amizade provavelmente surtaríamos agora. - O rapaz retribui o abraço sorrindo. — E é por isso que eu irei junto à vocês nessa viagem, nem que tenhamos de dormir em uma barraca debaixo de uma árvore qualquer. - Ela diz sorridente, caminhando para o lado do namorado, voltando a cruzar seus braços. — E é por isso que agora eu tenho certeza de que nós não teremos paz durante essa viagem. - Zayn implica percebendo Luke gargalhar e esconder o rosto entre seu próprio travesseiro. — É brincadeira, Hunty, você é nossa protegida, mas perdeu o cargo para o namorado do Louis. — Hey? - O acastanhado bate sua mão na escrivaninha, chamando atenção dos garotos e de Hunter, que o encaram e permanecem em silêncio, disfarçando seus sorrisos. — Ele não é o meu namorado, 'tá legal? Qual é, vocês já passaram dessa fase, não? E por que vocês citam tanto ele em conversas que não têm nada a ver com ele?— É instinto, Louis - Hunter começa. — Você fala tanto sobre ele que acabamos por guardar tudo o que você diz sobre aquele garoto conosco, acreditamos em você e temos simpatia por ele, é um garoto gente boa, mesmo que não fale mais de vinte palavras quando estamos reunidos. William suspira em concordância, batucando seus dedos na madeira, ao mesmo tempo em que batuca as solas de seus sapatos no chão. Eles realmente não precisavam ficar citando Harry à todo momento, precisavam?— Ele só... Eu não sei traduzir aquele garoto. Eu pensava que conseguia, mas não consigo. Então não posso apenas dizer que, acho que ele não conversa por um motivo quando na verdade pode ser por outro, mas acho que ele sente que vocês sentem pena, entendem? Eu não sei, eu real não sei, às vezes ele me confunde. Ele me deixa maluco. - Tomlinson desabafa, gesticulando rapidamente e apontando para sua cabeça. — Ele é meio perturbado das ideias, isso é visível- Zayn solta, Louis o fita confuso, mas sabe que aquilo não é totalmente mentira. Ele apenas se sente incomodado com a falta de sensibilidade na fala... Louis não entende o que está acontecendo consigo. — Porra, aí você fode o que já 'tá cagado, né, Malik!? - Schafer o repreende. Luke percebe aquela situação e sorri desconcertado, levantando-se de sua cama e acenando para fora. — Me ajudem com a louça porque na hora de fazer o almoço só o Tommo ajudou. Os outros dois se levantam em resmungos contraditórios, com seus cenhos amarfanhados e carrancas nos rostos. Calvin acompanha seus amigos, fechando a porta logo após deixar o quarto.Louis respira fundo, observando Hunter se sentar na beira da cama, deixando seus braços descansarem em seu colo e formar um beiço incompreendido nos lábios. — Você gosta dele, não gosta? Aquela pergunta intriga o interior de Tomlinson, porque, pela primeira vez, sua resposta não é automática. Ele pensa na possibilidade de estar gostando de Harry, mas acha impossível, ele não pode ser irracional à esse ponto. — Não.— Você foi quem levou para o outro lado da coisa, perguntei se você gosta dele como pessoa e como amigo. — É claro que gosto. É como eu disse para o próprio, eu não seria amigo dele se não gostasse de quem ele é, seria uma merda, você sabe que eu não forço amizade. - Louis a responde sincero, sua expressão é neutra, ele pode sentir isso. De alguma forma, ele consegue acalmar a si mesmo rapidamente, e isso o favorece. A garota à sua frente assente, cruzando suas pernas e ponderando sobre algo, ela o observa serenamente, balançando seu pé no ar e abraçando seu joelho. — Olha Louis, vou te mandar a real porque não gosto de ficar de enrolação: Seja sincero. Seja sincero com ele, e principalmente com você mesmo. Não tente esconder as coisas porque elas machucam. Não tente disfarçar as batidas incessantes e rápidas do seu coração porque você vai acabar o quebrando. Não tente segurar sua respiração quando se sente ofegante porque você vai acabar se sufocando. E naquele exato momento Louis estava fazendo tudo aquilo. — E o que você quer dizer com isso exatamente? — Eu não sou sua psicóloga, eu não consigo "te traduzir", ou qualquer merda assim, mas apenas pense no que eu te disse. - Ela o responde indiferente, arqueando suas sobrancelhas e jogando seu cabelo para trás. — Você sabe que nós apenas brincamos sobre tudo isso, essa coisa de você estar namorando o garoto ou gostando dele, nada do que dizemos é realmente levado a sério, não embaça com isso, você vai se confundir. — E sobre o lance d'Ele te deixar maluco, o que houve? - Hunter questiona, retirando sua carteira de cigarros do bolso, junto de seu isqueiro. — Clareie suas ideias. - Estende o haxixe, aceito quase de imediato pelo azulado. — Não é como se fosse maluco em um mau sentindo, não é isso. É quando eu penso que finalmente consegui entendê-lo, ele vai lá é assopra todas as cartas do castelo de barulhos que eu construí, entende? Me frustra. - William traga o cigarro fortemente, fechando seu olhos enquanto deseja pensar em qualquer outra coisa. — Pare de tentar traduzi-lo então, porra. Deixe que ele te ensine a própria tradução, deixe ele te ensinar as palavras e as pronunciações corretas. Você nunca consegue aprender uma língua nova com cem por cento de acertos sem ter algum tutor que te guie. Deixe ele te guiar. — Eu não acho que ele vá querer me ensinar. — Ele claramente quer. É tão visível, Louis. Ele confia em você, apenas perceba o quão à vontade ele se sente ao estar perto de ti. Compare situações, cara. Lembre do quão quieto ele fica quando estamos falando com ele e do quão animado ele fica quando apenas vocês dois estão conversando, mesmo que nós estejamos em volta, ele se sente seguro em falar contigo. Bom, é o que eu penso, também não quero colocar palavras na boca do garoto, seria desonesto para porra. William nunca quis tanto ter uma pilha de cigarros perto de si. Aquilo era real, o que Hunter disse era real. Louis sentia o quão confortável Harry sentia-se quando estava consigo, mas seria muito eufemismo admitir aquilo para si próprio. As palavras que saíram da boca de sua amiga o atingiram em lugares inimagináveis. Atingiram e desengataram pensamentos que ele não havia tido antes dessa conversa. O confundia, mas também clareava. As coisas estavam estranhas demais para serem situadas. Ele não gostava de Harry. Tudo o que Hunter disse apenas confirmou que ele não gostava. Harry havia apenas se tornado alguém muito importante e especial para Louis em questão de pouco tempo, e isso é tudo.— Obrigado pela conversa, Hunty, você conseguiu me ajudar a organizar alguns pensamentos. Sabe que não precisa fazer isso sempre. — O quê? Depois de tudo que você já fez por mim? Ah para, né!? — Você sabe que eu nunca te ajudei no intuito de receber ajuda em troca, não sabe? — Você é tãooo chato. - A garota engrossa a voz, demonstrando estar entediada, mas Louis sabe que não passa de uma encenação barata. — É claro que eu sei, mas eu gosto de te ajudar, querendo ou não você é o meu melhor amigo também. — Chatona. - O mais velho brinca, bagunçando o cabelo de Schafer e recebe um tapa no braço como resposta. Louis não quer estar caindo.. . .Passar dias sem ver Harry poderia fazer com que ele conseguisse colocar-se em um eixo imaginário, mas passar uma semana sem falar com o garoto o fazia querer sair de sua casa às duas horas da manhã e buscá-lo, apenas para tomarem água de coco enquanto caminham pela orla da praia, mesmo que esteja escura, tendo uma iluminação pública precária e calçadas esburacadas. Durante a semana Louis esteve muito ocupado com a situação de seu pai, e mal teve tempo de chamar seu amigo para conversar. Por algum motivo Harry nunca o fazia, ele nunca chamava Louis, nunca sequer iniciou uma conversa. Louis estava aflito com a situação de Dave, não podia mentir, realmente estava. O preocupava porque ele não sabe se conseguirá manter os dois caso arrume um emprego futuramente. Às vezes ele pensava que era egoísmo não querer gastar seu dinheiro, mas se as coisas continuassem como estão, ele realmente vai ter de gastar, e então, será um adeus à sua faculdade. No momento William encara – de maneira entediante – o teto de seu quarto, apoiando sua cabeça em suas mãos, cruzadas atrás da mesma, ele acompanhava as ondas do mar pela iluminação que refletia no gesso do cômodo, e tentava – apenas tentava – dormir. Uma nova notificação chega em seu celular e ele não pensa duas vezes antes de pegá-lo.HeStyles94: OiLouis lê aquilo com seu rosto cansado, ainda segurando o celular em sua mão, apoiando o aparelho em seu tórax, aguardando outra mensagem em seguida, coisa que não acontece.Ele continua esperando, vendo o ícone de Harry aparecer várias vezes como "digitando", mas a mensagem nunca chega. HeStyles94: Oi.William_Tommo: Você escreveu "oi" duas vezes HeStyles94: Não respondeu por quê? William_Tommo: Tava esperando a complementação da mensagem, o que – aparentemente – não aconteceu HeStyles94: Se fodeWilliam_Tommo: Moleque???? KKKKKKKKKKKKKKKWilliam_Tommo: Diga o que você precisaHeStyles94: Ah, eu não preciso de nada não HeStyles94: Só, sei lá, achava que você estava bravo porque não falou mais comigo HeStyles94: Mas não é como se eu me importasse, só queria uma conclusão William_Tommo: Aham, esqueci que você não se importa com nada William_Tommo: Quer ir pra onde, Harry?HeStyles94: Qualquer lugar William_Tommo: Fica perto do cais, eu vou te buscar Harry visualiza a mensagem, porém não o responde, Louis conclui de que aquilo é uma confirmação.Ele recolhe seus pertences pessoais, incluindo seu skate, deixando sua casa minutos após a troca de mensagens. Louis tem sorte de ser madrugada e a balsa estar vazia, fazendo a travessia com rapidez. Ele não consegue deixar de perceber o quão animado e ansioso está para ver Harry. Era estranho, como se o garoto soubesse que Louis estava pensando em si naquele momento.O acastanhado deixa a balsa em passos preguiçosos, passeando seus olhos pelo cais, procurando pela concentração excessiva de cachos em uma única cabeça, não encontrando sequer um sinal. Tomlinson se espanta com o som alto de uma buzina, quase pulando para frente quando escutou o barulho, virando-se para trás depressa e encontrando um Styles sorridente, mesmo que parecesse ser um sorriso de olhos opacos. — Ei, tudo bem? - Ele questiona, analisando a bicicleta de cor azul bebê e cestinha branca que Harry carrega. — Uhum, 'tô legal. - O garoto responde, dando um leve impulso em sua bicicleta, empurrando a mesma enquanto caminhava em frente de Louis.— Estava com saudades, não estava? - William o perguntou provocativo, sabendo que ele não responderia, mas se surpreende quando assiste Edward assentir – parecia envergonhado em admitir. — Também senti saudades, malchik. — Por que não conversou mais? - Harry perguntou em um fio sussurrado de voz, sequer olhando para o mais velho. — Problemas. - Jogou o skate no chão, impulsionando a tábua com seu pé, e alçando o garoto em menos de segundos. Ele percebe Edward virar seu rosto conforme tente o olhar, só então percebe o marejar de seus olhos. Louis não entende, realmente não entende o motivo pelo qual Harry está chorando.— O que houve? Você teve problemas também, ninho? — Não. Eu não- Eu não posso chamar isso de problema. Eu só... Porra, Louis, não dá! - O mais novo chuta o aro da roda fronteira da bicicleta em um acesso de raiva. Tomlinson pisa no tail do skate rapidamente, deixando o mesmo no chão e segura a bicicleta de Edward por um dos guidões, enquanto sua outra mão descansa nas costas tensas do garoto. — Está tudo bem, eu te prometo, eu estou aqui por você, já disse. — Esse é o problema, só você está. - Harry sussurra. Ele não chora, sua voz sai limpa, e aquilo confunde Louis. O esverdeado tem seu rosto mirado para o chão, Louis sabe que ele está com vergonha e não tem a menor ideia do que fazer para amenizar a situação do garoto. — Eu tenho certeza de que não sou apenas eu.Harry sorri alto. Quase como uma gargalhada, erguendo seu rosto para o céu, enquanto a Lua ilumina os rastros recém formados de lágrimas no rosto pálido do mesmo. Tomlinson amarfanha seu cenho, como de costume, perguntando-se o que estava acontecendo no momento, mas tudo que faz é: Abraçar.Porque ele realmente acha que aquilo ameniza algumas das coisas, embora descorde consigo mesmo em partes.— Vamos sair do meio da rua, sim? Quem sabe conseguimos conversar. - Ele puxa Harry cuidadosamente pelo braço, empurrando a bicicleta com uma de suas mãos e tentando chutar o skate. Louis larga a bicicleta na calçada, assim como seu skate, sentando-se em um banco de madeira construído no gramado próximo à calçada. — É chato. — O que é chato? - Ele questionou, ainda segurando o braço do mais novo com leveza. — Toda essa situação. Existe algum momento em que você não esteja me dando conselhos ou "cuidando" de mim? Não. Essa é a resposta. Me incomoda para caralho, Louis, as coisas se tornam maçantes tanto para mim quanto para você, mas eu só não consigo evitar, quando você pergunta se está tudo bem me desequilibra porque ninguém faz isso. E eu não sei o que te responder, porque se eu disser que "não" nós vamos ficar estranhos e se eu disser que "sim" eu vou chorar porque sei que estarei mentindo. Eu não consigo evitar, é tão diferente ter noção de que você se importa, isso é tão grande... As pessoas me odeiam, e com razão, elas se afastam e tem motivos. E sabia que se você se afastar eu não vou ficar bravo? Eu nem posso. Você tem as porras dos seus problemas e não tem sequer uma vez que a gente se encontre que eu não aja como um idiota, rude, metido a superior e egoísta. Mas se você se afastar eu- Porra, eu não sei, você é o meu melhor amigo, Louis, eu precisava de um amigo, e você está aqui, mas eu não consigo te manter. Eu não vou conseguir te manter, mesmo que eu tente 'pra caralho, eu não vou conseguir. Harry literalmente solta tudo. Sua voz está trêmula e aquilo dói em Louis, porque ele sabe o quão dolorido está sendo dizer cada uma daquelas palavras. As mãos do garoto tremem, enquanto ele tenta disfarçar, mexendo em seu anéis e balançando sua cabeça, cobrindo seu rosto com os cachos úmidos. — Você está conseguindo me manter, no entanto. Mas escute, Harry. Eu não me importo em lhe dar conselhos ou "cuidar" de você, como citou anteriormente, você é meu amigo, e eu gosto de você, gosto 'pra porra, cara. Você deve saber o motivo pelo qual as pessoas não te apreciam muito, mas isso não define totalmente o seu caráter ou a sua personalidade, é óbvio que você deve melhorar algumas coisas, todos temos que melhorar e evoluir, mas o único problema disso tudo é que você provoca as pessoas, elas retribuem da maneira delas e isso te afeta negativamente porque, querendo ou não, você também afetou elas, entende? - Pergunta serenamente, abaixando sua cabeça para ver o rosto chateado do cacheado. Louis inspira profundamente, antes de sorrir de maneira mínima e entrelaçar seus dedos nos dedos suados do mesmo. Louis gosta da sensação que sente ao tocá-lo, é como se todas as vezes aquela adrenalina surtisse novos efeitos. — Subconscientemente você sabe que as provoca de propósito, não sabe? - Harry assente, ainda em silêncio, fitando a rua vazia e melancólica, sentindo a palma de sua mão formigar com o contato ali. — Eu não sei o porquê de você fazer tudo isso. Mas você deve saber. E se você não sabe, não há problemas, seu subconsciente sabe e uma hora ou outra ele vai te mostrar as razões das suas ações. — Eu não sei o que fazer...— Te incomoda? — O quê? — As coisas que você faz te incomodam? Ou você se sente bem? — Eu não me sinto mal fodendo com a vida do Carter porque ele fode a minha vida. Mas eu me sentia mal sendo grosseiro e rude com as pessoas. Eu acho que eu apenas retribuo tudo o que elas fizeram comigo quando descobriram sobre o mascote de time. Eu não me importava na época, de verdade, mas as pessoas se importavam, e elas me tornaram horrível. Eu também não quero me passar por vítima da história toda, mas caralho, eu sei que só estou retribuindo e mesmo assim eu me sinto incomodado. — Então não retribua. — Mas-— Não retribua se isso faz com que sentimentos ruins se acumulem em seu peito. - Louis o aconselha com carinho, apontando para o coração do mais novo e tocando no peitoral do mesmo com seu próprio indicador, levando a mão de Harry junto. — Isso não vai te fazer fraco, acredite em mim. Isso é ser maduro e, Harry, já está na hora de você amadurecer. - Ele conclui com gentileza, acariciando a pele macia e aquecida da mão de Edward, escutando os suspiros cansativos que o garoto soltava. — Veja, H, é inútil tentar prevenir aborrecimentos ou chateações, você não deve se machucar propositalmente, a não ser que o remédio venha junto. O que eu estou tentando dizer é que: Você não pode e nunca vai conseguir evitar frustrações, porque são inevitáveis, a maioria delas, mas você também não pode procurar por elas, não pode simplesmente abrir as portas onde sabe que as frustrações e chateações se escondem. Elas vão te "atacar" porque você procurou por elas, elas vão te machucar porque você procurou por elas. Então apenas tente evitar caçar aborrecimentos.Harry assente, ele concorda silenciosamente com Louis, e então pende sua cabeça para o lado, apoiando a mesma no ombro do mais velho e não percebe Louis escutar sua respiração chiada.— Queria que você confiasse em mim, Edward. Queria que você confiasse em mim a ponto de me contar sobre as coisas que te incomodam para que, talvez, eu tente te ajudar de alguma forma. Harry inspira todo o ar possível, todo o ar que seus pulmões podem armazenar, e tomba seu corpo para o lado, apoiando todo o seu peso no corpo de Louis.Tomlinson sente o quão sôfrego ele está, e desfaz o enlaço de suas mãos, dedilhando a cintura do mesmo, acariciando a delineação coberta por um casaco quentinho, deixando-o se sentir bem ao perceber o quão aquecido Harry estava.— Eu confio em você - Ele conclui de maneira calma, assentindo para si mesmo, enquanto tentava esconder-se no peitoral de William. — Eu não confio em mim. Me diziam que um descuido, às vezes, pode ser ótimo para que eu melhore minhas qualidades, mas Louis, eu estou cansado de ser descuidado e não encontrar as minhas qualidades.— Você tem que manter suas expectativas, malchik. Têm que saber alimentá-las. - Ele segura a mão de Edward com sua outra mão livre, sorrindo acolhedor, mesmo que o garoto não estivesse o olhando no momento. — Faça uma aposta alta, mas não gaste todas as suas fichas na primeira jogada. Saiba moderar suas expectativas sem perdê-las. Isso vai fazer com que você encontre as suas próprias qualidades.— Você não cansa? Digo, não cansa de ajudar as outras pessoas? — Eu prefiro solucionar os problemas delas do que os meus. E eu gosto, gosto de ajudá-las e fazê-las sorrirem, acho que certos sorrisos são meu combustível... Inclusive o seu. - Diz sem qualquer culpa, porque ele sinceramente faria de tudo para não ver aquele garoto triste.— Isso é tolice. Eu pareço um coelho. — O quão fofo isso é? - Louis perguntou sorrindo, desfazendo o enlaço de seus dedos outra vez, afundando seu indicador docemente na bochecha de Harry, conseguindo deixá-lo no mesmo local onde a covinha do cacheado é formada. Ele sentiu seu dedo se afundar mais ainda ali quando Styles sorriu timidamente, tentando afastar o dígito do mais velho. — Zero. Isso é estranho. — Não é, ninho. - O azulado apertou seus dedos na cintura do outro, o puxando para mais perto ainda. — Obrigado, Louis. Eu odeio conversar sobre essas coisas, mas obrigado. — Você agradecendo alguém é uma coisa que me deixa verdadeiramente surpreso, porém fico feliz que você esteja me agradecendo. Harry nega de jeito amigável, permanecendo no abraço por poucos minutos, antes de se recompor e passar as mãos por seu rosto, secando qualquer vestígio de lágrimas que houvessem ali. — Você é um idiota. Um idiota que tem conselhos legais, poderia escrever um livro. - Ele diz se levantando decididamente, sorrindo pequeno com seu rosto ruborizado e inchado.Louis o acha fofo, e nega para a frase proferida anteriormente. — Tenho bons conselhos, concordo com você, mas agradeça aos livros que eu leio e filmes que assisto. - Louis levanta-se em seguida, assistindo Harry tomar seu skate e ajeitá-lo sobre o asfalto com seu pé. — Ei?— Vamos para a orla da praia, eu gosto de lá. E eu vou ir com o seu skate. — Tão educado, Harry. - O azulado caçoa, puxando a bicicleta do chão pelo guidão, sentando-se no banco e percebendo Styles se agachar sobre a tábua do skate, segurando no ferro escorregadio da garupa, sorrindo para Louis e lhe lançando uma piscadela. — Você não vale merda nenhuma. — Não. - Ele concorda e gargalha quando Tomlinson começa a pedalar, literalmente o puxando.William gosta do som da risada do garoto, fundindo-se com as rodas do skate se arrastando altamente no asfalto. Era adorável o fato de Edward sempre soluçar enquanto gargalhava, Louis não conseguia evitar seu próprio sorriso ao escutar aquilo. A paisagem se torna mais escura conforme entrem no túnel, provocando um grito animado de Harry, que fecha seus olhos e levanta sua outra mão, em alguma forma de comemoração. Assim que deixam o túnel, observam uma luz forte os iluminar e logo uma alta buzina soar em seus ouvidos. Harry se assusta e se desequilibra no skate – conforme Louis incline a bicicleta para o lado, na tentativa de sair do meio da rua –, ele sorri aliviado logo após, mostrando o dedo do meio para o motorista, que não parece enxergar. — Você dirigindo será assim. - Tomlinson brinca, referindo-se à Styles, que lhe mostra a língua e solta o aperto de sua mão no ferro da garupa. O mais novo se levanta sobre a prancha, aguardando a velocidade das quatro rodas diminuírem, para que ele desça do skate, e o carregue sobre seu braço. Louis para suas pedaladas, até que a bicicleta freie sozinha, e ele possa descer. Sua única opção é se aproximar de Edward, empurrando a bicicleta pelos guidões, e encostando seus braços cobertos pelas mangas de suas roupas. — Nadar durante à noite deve ser uma merda, 'né? A água está sempre fria e é quando os animais se sentem mais à vontade. - Harry é o que puxa assunto dessa vez, e Louis assente em concordância.— Não é tão ruim, sabia? Às vezes eu entro na água durante à noite, é... Uma sensação estranha. — É melancólico. — Provavelmente essa é a palavra. O garoto não responde, apenas caminha sobre a calçadas, batucando seus dedos na prancha do skate, cantarolando uma música qualquer, em uma voz baixa. Tomlinson o fita assistir serenamente as ondas do mar chegarem à areia da praia e recuarem novamente, tendo seus olhos sendo iluminados pelas luzes frequentes dos postes de iluminação e os pequenos pontos iluminados no céu chamados de estrelas serem refletidos ali também. A única coisa que o faz sair daquele transe é o seu desequilibro repentino, Louis sente a bicicleta de Harry ser puxada com brutalidade de suas mãos e pende seu corpo para o lado. Primeiramente William não entende, ele apenas franze seu cenho e tenta encontrar algum jeito de se equilibrar novamente. Ele pode escutar o impacto do skate contra o chão, deduzindo que Edward jogou o objeto na calçada. Em uma ação impensada, Louis puxa a bicicleta para si novamente, encarando o homem que tentava assaltá-lo, ele usa uma touca que escondia todo o seu rosto, menos olhos, nariz e boca. Com certeza fazer aquilo foi a pior decisão que Louis já pôde tomar em toda a sua vida. Harry se assustou quando viu William ser puxado pelo homem com agressividade, tapando sua boca com suas mãos e sentindo seu coração disparar. Ele estava entrando em pânico, nunca passou por nenhuma situação parecida, e aquilo o deixa sem quaisquer reações. Sempre fora ensinado que nunca deveria reagir a um assalto, mas porra, seu amigo estava apanhando. Seu corpo estava inteiramente trêmulo, sua garganta estava fechada pelo medo e a vontade intensa de chorar. Ele não sabia o que fazer. Styles pensou que fosse cair fracamente na calçada quando assistiu o homem agarrar o pescoço de Tomlinson e apertar suas mãos na traqueia do rapaz, fazendo o mesmo buscar por ar e fechar seus olhos. Louis mal conseguia pensar em como se livrar daquilo, haviam dedos sendo pressionados contra seu pescoço, aquilo fazia com que ele mal conseguisse sentir o ar adentrar seu corpo. Suas costas estavam sendo esfoladas no asfalto, enquanto o homem sobre si tentava bater sua cabeça no solo. Ele lembrou-se de que, talvez, atingir os olhos faria com que o homem – pelo menos – saísse de cima de seu corpo, e foi isso que ele fez. Levou seus dígitos para os olhos do desconhecido, que os cobriu com suas pálpebras rapidamente. Tomlinson sentia sua garganta doer com aquele aperto, mas talvez a raiva sobressaísse a dor, e fizesse com que ele afundasse seus dedos nos olhos do outro, fazendo com que o mesmo homem gritasse em retorno e socasse sem rosto, afastando-se do rapaz. William não percebeu a aproximação de Styles, apenas o viu atingir fortemente as rodas do skate na nuca do homem, que caiu – quase – desfalecido no chão, reclamando entre gemidos doloridos. — Filho da puta! - O mais novo gritou, atingindo um chute nas costelas do homem, levantando seu skate para atingi-lo novamente, mas foi impedido por Louis. — Chega, vamos sair daqui. - Ele pede, ainda ofegante, sentindo sua traqueia doer a cada vez que ele inspire oxigênio. O mais novo recolhe a bicicleta do chão, ocupando suas duas mãos e suspirando irritadiço, tendo seu rosto avermelhado de raiva.— Vagabundo do caralho, eu não posso acreditar nessa merda, Porra, que ódio Louis, espero que esse cara- — Está tudo bem, vamos embora, por favor - Tomlinson sente suas costas arderem quando são cobertas pelo tecido de seu casaco. Ele sabe que estão raladas, mas não deixa de praguejar ao sentir aquela ardência irritante. Harry para de caminhar, encarando o homem ainda caído no chão, e por alguns segundo pondera a ideia de ir até lá e socar seu rosto até que ele desmaie, mas escuta a voz de Tomlinson novamente. — Por favor, Harry. O mais novo assente, mesmo que enfurecido, ele ainda estava amedrontado, seu corpo ainda tremia e reagia de maneira fraca aos comandos voluntários, durante todo o caminho foi assim, principalmente a balsa, onde – durante a madrugada – geralmente concentra a maior quantidade de pessoas que assaltam para sustentar suas drogas. Louis tinha em mente o quão aflito e nervoso Harry estava, e percebeu que o garoto não conseguiu evitar que lágrimas solitárias escorressem por seu rosto. William nunca viu alguém tão trêmulo em sua vida.— Desculpa - Styles pede com a voz embargada, totalmente falha enquanto deixa a bicicleta encostada na parede da casa de Tomlinson e o skate logo embaixo. — Eu não deveria ter te mandado mensagem e te chamado para sair justamente durante a madrugada, me desculpa, eu não queria que ninguém se prejudicasse, de verdade, Louis, eu não queria - O esverdeado diz rapidamente, enquanto William adentra sua casa. — Eu não sei o que eu posso fazer para você me desculpar, Louis, mas não foi proposital, eu juro que não, eu te prometo. Olha, eu posso arcar com médicos-Louis se assusta com a quantidade de palavras que ele diz em pouco tempo, mas apenas o puxa para dentro de casa, apontando para a poltrona. Sua garganta doía, e não era pouco, um dos principais motivos pelo qual ele estava evitando falar, mas o desespero de Harry o comoveu. — Não se preocupe com isso, não será necessário médicos ou qualquer coisa do tipo, e não me peça desculpas, você não tem culpa de nada que aconteceu hoje. — Eu vou cuidar de você. Onde fica aquela caixinha de primeiros-socorros? - O cacheado levanta-se determinado, esperando Louis o dizer onde a pequena caixa se encontrava, o assistindo apontar para o armário próximo à porta do banheiro. — 'Tá. Edward caminha até o armário, o abrindo e recolhendo a caixinha com cuidado, fechando a porta de correr e voltando para a poltrona onde Louis estava. O mais velho retira seu moletom, percebendo as bochechas do outro ganharem cor novamente, e vira-se de costas, escutando o soluço assustado do cacheado ao ver a situação que suas costas estavam. — Me desculpa... - Harry sussurrou novamente, tocando os ferimentos com gentileza nas pontas de seus dedos. Louis negou aquilo, porque não era culpa de Harry, ele não deveria estar se desculpando tantas vezes, Tomlinson não o entende...O mais novo limpou as feridas com cautela e cuidado, parando de esfregar o algodão com álcool em gel quando percebia os ombros do outro se tensionarem pela dor. — Posso colocar bandaids nas suas costas? - Ele pergunta entretido na caixinha de primeiros socorros, mexendo em algo que Louis não consegue ver. O mais velho pensa em negar porque tomará banho logo logo e terá de tirar os bandaids, mas não o faz. — Você pode. Ele sente a cola do item ir de encontro com sua pele arrepiada das costas, duas vezes seguidas, e então Harry se levanta, segurando uma pomada e lendo a bula da mesma com atenção.— Acho que essa pomada vai fazer com que os vergões e roxos sumam da sua pele, mas com certeza não vai fazer com que pare de doer internamente. - Styles alerta balançando a embalagem. Louis assente indiferente, o fitando abrir a tampa da pomada e se aproximar sem jeito. Edward se senta no braço da poltrona, tentando confortar William com um sorriso tímido, ao mesmo tempo em que o mais velho sente aquela pasta gelada ser esfregada com cuidado por toda a extensão de sua pele. Ele observa Harry com atenção. Desde seus lábios róseos entreabertos, até as pequenas sardas quase invisíveis que enfeitavam a ponte de seu nariz. As bochechas levemente ruborizadas e os olhos – de pupilas dilatadas – fixos em seus dedos, que ainda espalhavam a pomada no pescoço de Louis. Harry é lindo. Principalmente quando Louis pode o observar tao proximamente.Tomlinson não queria estar sentindo aquilo. Principalmente, não queria admitir aquilo.

----- CHAPTER BREAK -----

Harry passou a noite na casa de Louis. Mesmo que não houvesse sequer pregado seus olhos durante a madrugada. Ele passou o tempo todo observando o mais velho cochilar e acordar repentinamente, levantando-se de abrupto e arregalando seus olhos. Sua respiração ofegante denunciava um pesadelo e Styles não poderia se sentir mais culpado. Com certeza ele aguentaria permanecer em sua casa, mesmo com seus pais discutindo, ele consegue há nove anos consecutivos, por que não conseguiria durante uma noite? Certo, tinha o fato de que Louis conseguia o acalmar de maneira inexplicável, mesmo que não soubesse três por cento do que houvesse acontecido, ele tinha os melhores conselhos e, certamente, Louis tinha os melhores e mais acolhedores braços. Era a única coisa que Harry precisava naquela noite. Um abraço. E por conta da necessidade desse abraço, ele fodeu tudo, como sempre faz. Styles odeia pedir desculpas, odeia se desculpar, mesmo que saiba e tenha certeza de que estava errado em alguma situação, ele odeia o ato de se desculpar. Mas naquele momento, ele sentia que devia todas as desculpas do mundo para Tomlinson, principalmente por ter entrado em sua vida.— Você ainda está acordado? - Louis perguntou com a voz rouca, passando a língua em seus lábios secos, acendendo a luz amarelada de seu abajur em seguida. — Quer que eu busque o colchão para você? Harry nega, abraçando seu corpo trêmulo e ainda parcialmente paralisado, encolhido na poltrona de Louis, enquanto deixava os cachos em pequenos formatos de molas cobrirem seu rosto, evitando encarar o mais velho, por pura vergonha. — Você está bem? - O acastanhado questiona, espreguiçando-se em sua cama, sentindo seus músculos tencionados relaxarem e um bocejar escapar de sua boca. — Eu deveria te perguntar isso. - Sorri sem graça, assistindo o mais velho recolher sua garrafa d'água e beber o conteúdo com dificuldade.— Estou assustado para ser sincero. Você já deve ter percebido. - Referiu-se aos pesadelos, secando o suor de sua testa e fechando a garrafa de água, apoiando-se na cabeceira de sua cama. Ambos permanecem em silêncio, Harry não negaria quão desconfortável aquilo era pois – pela primeira vez em muito tempo – ele não gostaria de ficar em silêncio na presença de Louis, não depois do susto pelo qual passaram há poucas horas, não depois de tudo aquilo, não depois de Harry perceber o quanto sentia-se bem junto à Louis. — Eu acho que não vou conseguir dormir essa noite, minha mente continua me fazendo lembrar daquilo. - O mais velho diz, parecia ansioso como nunca antes, ele batucava seus dedos sobre suas pernas cobertas pelos edredons e suspirava cansadamente, enquanto engolia seco e parecia não ter a capacidade de descansar. Styles apenas concorda, sem muito o que dizer, deixando seus pés em cima da poltrona onde está sentado e apoiando seu queixo em um de seus joelhos, enquanto seus olhos tentavam desviar – de maneira falha – do rosto de Tomlinson. Ele apenas não sabia o que fazer, não naquela situação onde mais da metade da culpa era sua, não naquela situação onde ele não conseguia colocar em palavras as sensações que tomavam conta de seu interior e o deixavam completamente questionário sobre seus sentimentos. Harry estava confuso por nunca ter sentido aquilo antes. O assustava, mas ao mesmo tempo o deixava animado, querendo provar mais e mais daquelas séries de sensações a cada vez que olhava ou estava junto à Louis. Provavelmente ele nunca saberá o que é, mas ele gosta de sentir, mesmo que o amedronte.— Digo o mesmo. — Você não quer vir aqui? - William perguntou sugestivo, dando leves tapas no lugar ao seu lado, ainda encarando a face ponderativa do cacheado.Harry verdadeiramente gostaria, então não pensou duas vezes antes de assentir e se levantar cuidadoso da poltrona, tocando seus pés – cobertos por suas coloridas meias – no solo gélido, não demorando muito para subir na cama de solteiro de Louis e engatinhar até o lado do mesmo, acomodando-se ali, como se viesse à casa de Louis há muito tempo.— É muito zoado pensar que isso aconteceu com a gente, não é? - O cacheado questiona, ainda que seja quase retoricamente, ajeitando-se sobre os edredons e ficando o mais próximo possível de William.— É sim. Ainda mais quando eu descubro que você tem uma bicicleta azul bebê com uma cestinha nela. - Brinca, sorrindo com uma de suas bochechas mais inchada do que a outra, ainda sendo pelo soco que levou anteriormente. Harry não consegue sorrir, porque ainda sente o peso de culpa machucando seus ombros. Não consegue sorrir porque sabe que se tivesse aguento o suficiente como sempre fez, não teria machucado seu amigo. Nada daquilo aconteceria com nenhum dos dois. Ele queria gritar porque aquela sensação o incomodava, ainda por cima atrapalhava toda a sua linha de raciocínio. — Não queria que isso acontecesse. - Assume envergonhado, abaixando sua cabeça e sentindo seus olhos pesarem pelo sono, mesmo que ele esteja sabendo que não dormirá durante essa madrugada. — Eu sei que eu posso não demonstrar me "preocupar" o bastante com você, mas, Louis, eu não queria que isso tivesse acontecido... Louis o fita confusamente, arqueando uma de suas sobrancelhas. O sorriso presente em seus lábios some aos poucos, sendo substituído por um leve franzimento em ambas as almofadas carnudas. Harry sente seu ombro ser envolvido pelo braço de Tomlinson, e logo é puxado com cuidado para um aconchegante e aquecido abraço. Escondendo seu rosto ruborizado e envergonhado no peito do mais velho, ainda assim podendo ouvir ambos batimentos se alinharem, era idiota mas era como se estivessem conectados e, aquilo realmente o assusta. — Eu sei que não, ninho. - Louis recolhe um de seus travesseiros – sorrindo sozinho ao lembrar-se de ter Harry bêbado pedindo para que ele arruma-se os travesseiros de forma que o fizesse sentir como se houvesse alguém o abraçando –, e o coloca atrás das costas do garoto, para que ele tivesse certo apoio ao invés da fria e dura parede. Styles, no momento, apenas escuta ambos corações pulsando de maneira sincronizada e o som das ondas do mar batendo contra a sustentação do sobrado. Normalmente ele se assustaria com aquilo, mas talvez, apenas talvez, estar sendo (mentalmente) protegido pelo abraço de Tomlinson, o fizesse sentir-se tranquilo quanto àquilo. E de repente, ele sentia uma imensa vontade de dizer em voz alta o quão importante era a amizade de Louis para si.— Quer me contar o que aconteceu para você estar tão chateado quando nos encontramos? — Não. Porra, vamos só nos concentrar em você. Pare de se importar tanto comigo. Você está com a garganta toda fodida pode até precisar parar de cantar por um tempo e está perguntando sobre mim? Eu deveria estar fazendo isso por você, Louis, mas eu não estou porque eu não tenho jeito de te perguntar. Não como você faz comigo... — Eu sei que você se importa, Harry. Você não precisa estar o tempo todo em cima de mim, me perguntando se eu estou bem, se eu sinto alguma dor ou se eu preciso de algo, eu conheço você, nem que seja um pouco - O cacheado sorri desconcertado, sentindo Tomlinson fazer pequenos círculos em forma de carícias em seu ombro. — Eu sei que você se preocupa, sei disso pelo seu jeitinho, e você não precisa me perguntar todas as vezes que me encontrar se eu estou bem ou não, eu sei que se eu quiser te contar algo você vai ouvir de bom grado e tentar me ajudar à sua maneira. Você não precisar agir como eu, entende? — Entendo. Sim, eu entendo, mas eu só não quero que você pense que eu sou tão... Eu não sei, estúpido, talvez? Acho que rude é a palavra mais correta. - Harry engole seco, sentindo-se estranho o suficiente para querer parar de iniciar um pequeno desabafo. Ainda não sabia o porquê de sentir-se amedrontado ao conversar com Louis, mesmo sabendo que ele nunca tirou sarro de si, muito menos o caçoou. — Eu só acho estranhamente foda o fato de que eu sempre fui grosso contigo e mesmo assim você nunca me tratou mal. É só... Meio que incontrolável. Eu sou egoísta 'pra caralho, e sei disso, mas Louis, eu gosto muito de- O garoto literalmente travou ali, engolindo seco e passando sua língua em torno de seus lábios secos. Era óbvio que ele gostava de Louis, amigavelmente falando. Ele só não sabia como dizer isso.— Eu gosto muito de ter sua amizade, isso é tão tão bobo, mas eu realmente gosto porque eu não posso esconder e você não é um acéfalo, você sabe que é o único amigo que eu tenho e realmente sei que posso contar... Eu não sou bom nessas coisas de desabafar, mas eu confio em você, confio muito, de verdade. Só que há coisas que eu não consigo colocar para fora porque eu sei que vão me machucar, então apenas não pense que eu evito te contar algo por idiotice. Mas Louis, também não gosto que você pense em mim como uma pessoa fodida e necessitada de pena, dó ou atenção. — Eu não penso em você assim. Nunca pensei. - William confirma, parando repentinamente os movimentos com as pontas de seus dedos e os levando para as mechas úmidas do mais novo, colocando-as atrás de sua orelha, antes de tocar levemente em sua mandíbula travada, levantando o rosto de Edward para encará-lo nos olhos. — Eu gosto muito de você, Harry. Você me cativou com o seu próprio jeito, eu já disse que te conheço, nem que seja um pouco. Eu percebo coisas em você, sei de coisas que você gosta ou não gosta apenas por te ter me falando sobre elas. Eu sei quando você quer um abraço, ou um carinho, eu sei exatamente quando te chamar por cada um dos apelidos que te dei. — Por qual apelido você me chamaria agora? - Pergunta com sua voz rouca e seus olhos fechando-se sonolentamente, tentando forçá-los a continuarem abertos para que pudesse fitar o rosto sereno de Tomlinson. — Ninho. - Ele responde docemente, sorrindo de maneira mínima, aproximando-se do rosto de Styles e deixando um beijo carinhoso e úmido em sua testa febril, retirando suas mãos da mandíbula do garoto logo após. — Você pode dormir se quiser, eu já perdi totalmente o sono, então considere isso uma proteção à você. Harry assente, sentindo-se totalmente exposto por ter contado tantas coisas à Louis, mesmo tendo plena certeza de que o rapaz já sabia de tudo aquilo, ainda assim se sentia estranhamente exposto por ter dito tudo aquilo com suas próprias palavras.Harry sente o local onde foi deixado o beijo formigar, parecia queimar sua pele, mas não de um jeito ruim.Ele sentiu lágrimas grossas e quentes escorrerem involuntariamente por suas bochechas avermelhadas, suspirando disfarçadamente – na tentativa de esconder seu choro repentino –enquanto esfregava a ponta de seu nariz e se encolhia mais ainda no peitoral de Louis, esperando que o mais velho envolvesse seus braços em torno de seu corpo. E Tomlinson o fez. Harry pensara que não conseguiria dormir naquela posição, mas conseguiu, e realmente não esperava acordar na cama do acastanhado, completamente coberto de edredons quentinhos e inúmeros travesseiros apoiados em suas costas. Ele até mesmo se deparou con um travesseiro entre seus braços. O cacheado sorriu amavelmente, sabendo que Louis não estava no quarto e espreguiçou-se de jeito confortável no meio de todos aqueles travesseiros. Seus olhos arderam quando direcionados às janelas, mesmo com o tempo nublado, o dia ainda assim era claro, e aquilo incomodou levemente a visão sensível do garoto. Suas bochechas ganharam uma cor a mais quando se recordou que chorou antes de dormir. Sentiu-se mais envergonhado ainda ao pensar na possibilidade de Tomlinson ter percebido aquilo. Harry não se recordava de muita coisa, estava extremamente sonolento na madrugada, apenas lembra-se de cair no sono logo após ser acolhido pelo abraço de Louis. — Ei, bom dia. - Louis sorriu divertido, cumprimentando o mais novo em um sussurro, passando de jeito apressado pela porta do quarto, tendo sua boca totalmente cheia de pasta de dentes.— Oi. - Cumprimentou também, ainda querendo jogar-se na cama por sentir tanto sono durante aquele dia. O mais velho deu de ombros, voltando a caminhar pelo corredor, voltando para o quarto minutos depois, vestindo roupas confortáveis e tendo seu pescoço totalmente esbranquiçado pela pomada. — Você, huh, 'tá melhor? O pescoço? Ou você inteiro. Não sei. Harry queria enfiar sua cara sob as cobertas e fingir que nunca proferiu aquelas perguntas. Em contrapartida, Louis sorriu, apanhando uma muda de roupas dobradas sobre sua escrivaninha, guardando-as em seu armário logo depois. — Eu estou melhor sim. Meu pescoço também, incluindo minha garganta. Inteiramente eu estou bem. - Respondeu cada uma delas, parecendo procurar por algo entre as roupas guardadas, Harry assentiu, ainda que soubesse que Louis não poderia vê-lo. — Quer tomar café? Eu preparei torradas, mas você estava dormindo tão pesadamente que preferi não te acordar. Edward revirou seus olhos, sorrindo logo após. Ele era tão estúpido, como conseguia?— Eu realmente dormi tão pesado assim!?— Oh, sim, você dormiu - Confirmou, expressando sua surpresa ao ter o cacheado questionando aquilo. — Durante a madrugada, quando você pegou no sono, eu pensava que seria só um cochilo, então deixei você dormir abraçado comigo, mas cara, você começou a roncar 'pra caralho e eu te chamava para acordar e se ajeitar na cama, e você não acordava. - Louis disse sorrindo ao lembrar-se da cena. Harry, à essa altura do campeonato, já tinha seu rosto escondido atrás de um dos travesseiros de Louis. Tomlinson percebeu o quão desconfortável estava para Styles dormir naquela posição, então levantou-se com extremo cuidado – pois já sentia pés dormentes sobre o corpo do esverdeado –, ainda segurando Edward, e o confortou em sua própria cama, o cobrindo com um edredom. Styles ainda tremia e se encolhia com seu cenho franzido, Louis não sabia do que aquilo se tratava, se era apenas frio ou um pesadelo, mas certamente se preocupou, e o cobriu com mais edredons e cobertores. Harry não precisava saber do beijo carinhoso que Louis deixou em sua bochecha, ou dos afagos preocupados que subconscientemente o acalmaram de seus pesadelos. O rapaz denunciava aquilo pois minutos depois, quando ainda acariciava o rosto apreensivo de Harry, e ainda estava sentado em seu carpete, ele percebeu a expressão do garoto suavizar, e o mesmo se confortar com um dos travesseiros que o rodeavam, abraçando a almofada e resmungando algo parecido com "mãe". Louis não sabia ao certo, mas não fez questão de se aprofundar naquilo.— Que merda, você deveria ter jogado um copo de água na minha cara. - O mais novo alertou, quase gritando, ainda tendo seu rosto escondido vergonhosamente na fronha branca do travesseiro. — Vejamos, se eu jogasse água no seu rosto, o que você faria mesmo? - Perguntou provocativo, fechando as portas de seu armário e recolhendo os papéis picotados de cima da escrivaninha, jogando os mesmos no lixo abaixo da mesma. — Provavelmente eu te bateria... - Louis apontou para o cacheado, com sua típica expressão de "eu não disse?". — Mas seria um ato de reflexo, porra! - Apressou-se em explicar, deixando a cama com certa preguiça. — Eu quero muito ir 'pra casa tomar banho e vestir meu pijama... - Resmungou, levantando os edredons que relavam no chão.— Você pode tomar banho aqui se quiser, te empresto algum conjunto de moletom e você me devolve depois. - Sugeriu, assistindo Harry ponderar, mas concordar em seguida. — Louis? — Sim? — Somos amigos de verdade, não somos? - Harry questionou, totalmente ruborizado, mordendo seu lábios inferior com força, Louis reconhecia o quão envergonhado ele estava ao questionar aquilo. O azulado achou fofo tê-lo conectando tudo aquilo com uma amizade. O fato de dormir na cama de Louis sempre que tem dias ruins, tomar banho na casa do rapaz e vestir roupas – emprestadas – dele, remetia à Harry tudo o que um dia ele já assistiu em séries e filmes. Sua ficha caiu novamente, e ele percebeu pela vigésima vez que, tinha um amigo, e era verdadeiro. O quão bobo isso soava para alguém que – possivelmente – estivesse ouvindo seus pensamentos?— Somos amigos, Harry. - Sorriu simpático, lhe entregando o conjunto de moletom, juntamente à uma toalha e uma embalagem fechada de sabonete. — 'Tá... Valeu. - O mais novo deixou o quarto apressado, abraçando os itens com força contra seu peito, enquanto Louis negava com sua cabeça e sorria desacreditado. Como era possível existir alguém assim? Louis organizou sua cama, dobrando seus cobertores e empilhando aquele monte de travesseiros que recolheu durante a madrugada para que Harry se sentisse confortável. Logo fechou a porta do cômodo, descendo as escadas com cuidado. Antes mesmo que pudesse organizar o café da manhã para que o mais novo comesse, ele ouvira batidas consecutivas na porta, observando as chaves de seu pai não estarem presentes no chaveiro ao lado do cabideiro. William caminhou até lá, escutando o barulho alto do chuveiro elétrico ligado e destrancou a porta de entrada do sobrado, deparando-se com quatro pessoas paradas sob a lona dos degraus. Sim, ele havia mandado mensagem durante a madrugada, contando sobre tudo que havia acontecido, mas ao menos se recordava disso. — Louis seu cuzão por que não atendeu o celular? - Zayn foi o primeiro a abraçá-lo, questionando preocupado enquanto outros abraços vinham em seguida e impediam o rapaz de respondê-lo. — Descarregou, foi mal. — Como se sente? Trouxe uns chás, minha avó quem recomendou, mesmo que eu não ache que surtirá efeitos. - Hunter comentou, erguendo a sacola plástica que segurava e a deixando sobre a mesa da copa. — Sabe como é, não quis decepcionar minha velha. — Me sinto melhor, ainda assustado. - Louis sorriu em agradecimento, apontando para o armário da cozinha, onde a garota deixou as pequenas caixas de chás e remédios naturais. — Pelo que eu entendi o cara não levou nada, levou? - Calvin questiona, sentando-se na poltrona, puxando Hunter para seu colo, essa que também encarava Louis, aguardando sua resposta. — Não, eu fui idiota em reagir àquilo, até porque eu puxei a bicicleta do Harry de volta, acho que isso foi o que mais me fodeu. - Explicou, apontando para os ferimentos em seu rosto e pescoço.— Porra, você não deveria ter feito isso, cara. - Luke estalou a língua no céu de sua boca, aproximando-se do amigo e verificando as feridas. — Acha que vai melhorar até semana que vem pelo menos? — Eu sei que não, mas foi reflexivo, Luke, eu estava carregando uma bicicleta que não era minha e... Sei lá, não sei o que deu em mim. Em resposta à sua pergunta: sim, acho que eu ficarei cem por cento até a próxima semana. O grupo de amigos continuou com perguntas exageradas sobre o estado atual de Louis, ficaram surpresos quando ouviram a porta do banheiro ser destrancada e revelar Harry, vestindo o conjunto de moletom verde-oliva de Tomlinson, ficando pouco largo em seu corpo. As barras da blusa cobriam boa parte de suas mãos, que carregavam as próprias mudas de roupas, e seus olhos – ainda mais claros – foram arregalados quando encontraram a sala cheia, principalmente quando todos os olhares foram direcionados a si. — Oi! - Hunter foi a primeira a cumprimentar, levantando-se do colo do namorado e caminhando até Harry. — O Louis contou o que houve, 'tá tudo ok com você? — Uhum - Assentiu, guardando suas roupas em uma das sacolas plásticas sobre a estante. — O Louis foi o que mais se ferrou nisso tudo. — Foi mesmo. - Zayn concordou, mordendo um pedaço de sua torrada, sequer percebendo a quantidade de farelos que caíram sobre seu colo. Todos voltaram a conversar particularmente, enquanto Harry recebia a ajuda de Hunter para dobrar e guardar suas roupas, seus olhos procuravam pelos de Louis, e franziu seus lábios ao encontrá-los. De alguma forma, eles se conectavam, como verdadeiros ímãs. Porém Louis sempre tinha a força maior, ele sempre conseguia fazer com que os ímãs se desgrudassem da maneira mais dura possível, ele sempre desviava suas grandes imensidões tempestuosas do seco gramado não tão verde.— Poderíamos fazer uma noite da pizza aqui, não? Todos nós juntos! - Hunter sugeriu animada, batendo palmas e apontando para o chão em seguida. — Vamos jogar os colchões no chão da sala e assistir Ponyo! — Hunty, assistimos isso duas vezes seguidas só nessa semana, sossega esse facho. - Calvin reclamou, voltando a encostar-se no apoio da poltrona, com os braços cruzados e expressão levemente irritada. Louis sorriu pela relação de ambos, deixando seus amigos decidirem o que fariam, abrindo o recipiente que Luke trouxe junto a si pouco depois de adentrar o sobrado. Havia bolo de chocolate ali, o rapaz não demorou muito para recolher um pedaço e morder, fechando seus olhos ao sentir o sabor doce em suas papilas gustativas. Louis sequer terminou de comer seu pedaço de bolo, o largou sobre a tampa do pote assim que assistiu Harry enganchar as alças plásticas em seu braço, pronto para deixar o sobrado. — Você não vai ficar para a "noite da pizza"? - O mais velho perguntou, batendo suas mãos uma na outra, tendo a intenção de retirar os farelos de chocolate. — Não. 'Tô de boa, até porque ainda são três horas da tarde. - Negou ao mesmo tempo em que abria a porta. Louis o observou pegar sua bicicleta com cuidado e deixar a sacola dentro da pequena cestinha, sorrindo involuntariamente com aquilo. — É por isso mesmo que não quer ficar? Ou tem outra coisa? - William sabe quando toca no ponto fraco de Edward quando o garoto lhe lança aquele olhar. — Eu só quero ir embora. - Murmurou, sentando-se no banco de sua bicicleta e segurando os guidões da mesma, ainda assim encarando Louis. — Você pode vir aqui à noite, se mudar de ideia. — Não acho que vou mudar, mas valeu, aproveita com os seus amigos. - Harry oferece um pequeno sorriso cansado, antes de direcionar sua bicicleta para a saída e pedalar pelas calçadas inclinadas e esburacadas.  E ele não voltou. Seria mentira caso Louis dissesse que não o esperou. Porque ele o fez, até mesmo pediu para que aguardassem um pouco antes de fazerem os pedidos, dizia "vai que ele vêm", mas Harry não chegou. Também seria mentira se Louis dissesse que não ficou chateado com aquilo. Tomlinson ainda não consegue colocar em palavras o quão frustrado se sentia no momento. Ele não queria soar egoísta, mas Styles sempre fugia de situações assim, e certamente o incomodava porque ele não queria que o garoto tivesse apenas ele como amigo, levando em conta que haviam outras quatro pessoas insistindo em Harry também. Mesmo que, às vezes, apenas às vezes, ele se sentisse estranho pela forma como os outros dois garotos olham para Harry. Louis não classificaria aquilo como ciúmes, acha "ciúmes" uma palavra forte demais para aquilo. — Esse filme é incrível. - Hunter murmurou entre as lágrimas, secando seu nariz com a manga de seu casaco de lã. O garoto percebeu que todos dormiam, alguns até mesmo babavam nos lençóis, aquilo o causou uma careta desgostosa. — Porra, esse besta sempre dorme. - Reclamou, empurrando o ombro de Calvin, esse que sequer se importou. — O que houve, Lou? Você está caídinho. — Queria que o Harry pudesse contar com vocês também, mas ele é tão complicado. Às vezes ele se fecha para mim, e não me deixa entendê-lo. Schafer sorriu cansada, abraçando o mais velho com carinho, acariciando os fios lisos e cheirosos de cabelo. — Louis, você não pode controlar os sentimentos dele. Eu sinto muito, mas você não pode. Apenas pare de se preocupar tanto com ele, e com os outros. Você esquece tanto de si mesmo. Não digo que você precisa parar de se preocupar totalmente com ele, apenas deixe que ele decida as coisas por si só.— Hunter, eu já disse, eu prefiro me concentrar nos problemas dos outros...— Faça o que quiser, apenas não se machuque. — Por que eu me machucaria, senhorita Schafer? - Perguntou brincalhão, recebendo um tapa leve da garota em sua bochecha. — Maluca. Hunter se arrumou com cuidado no colchão onde seu namorado estava deitado, acomodando-se entre os braços do mesmo e dormindo minutos depois. Louis estava pronto para dormir quando o sino de seu celular ecoou pelo local e iluminou todo o cômodo. Com medo de acordar seus amigos, ele recolheu o aparelho, desbloqueando sem sequer verificar a barra de notificação. HeStyles94 enviou uma foto para você: HeStyles94: Eu era assimWilliam_Tommo: KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKJJJJKKKKKKKKKKKK HeStyles94: Louis????William_Tommo: Foi mal mas você tá IGUAL um nerd de filme americano nessa fotoWilliam_Tommo: Mas sério, olha esses cachinhos, são adoráveis, malchik! HeStyles94: Aprontei pela primeira vez na instituição do Carter com essa aparência...William_Tommo: Um feto!Você enviou uma foto para HeStyles94: HeStyles94: Você era literalmente um personagem de Skins, Louis! HeStyles94: kkkkkkkkk William_Tommo: Todo mundo diz isso, eu nem parecia tanto...HeStyles94: V8:E2  LouisWilliam_Tommo: Que isso? HeStyles94: Ah, é a nomeação do volume e do episódio...William_Tommo: Esbocei um sorriso divertido HeStyles94: Sério!?!?William_Tommo: Sim KKKKKKKWilliam_Tommo: Ei, por que não veio? Queria que você estivesse aquiHeStyles94: Vou ser sincero porque eu não aguento mais você travando nesse disco HeStyles94: Louis, eu não gosto e nem quero me intrometer nas suas amizades, eu sei que você tem todo aquele papo de que agora eles são meus amigos também, mas eu não acho. Eles mal me conhecem, como podem? Eu não fui porque eu ficaria deslocado, essa é a verdade. Eu ficaria andando atrás de você como um vira-lata sem dono, provavelmente dormiria na ponta de um colchão, caindo para fora e sequer poderia reclamar. William_Tommo: Como você é... BoboWilliam_Tommo: Sabia que eles perguntaram de você? Eu sequer estava falando sobre você quando eles perguntaram o porquê de não ter vindo, mas claro que um certo alguém precisa insistir nesse assunto, eu já neguei mil vezes, já falei que gostam de você, mas porra, você acha que eu estou mentindo? Dê uma chance para eles, H.HeStyles94: Não acho que você esteja mentindo, caralho! Só não consigo colocar na minha cabeça como eles podem se "importar" tanto comigo quando sequer me conhecem. Não entra na minha mente que mais pessoas possam.. Sei lá...HeStyles94: Não entra na minha cabeça que mais pessoas possam me enxergar como você enxerga.Louis sorriu com aquela mensagem. Sorriu sinceramente, porque aquilo o afetou de maneira que não deveria. Aquilo o atingiu de forma inexplicável. Ele quis chorar, porque nunca sentiu que tivesse alguém tão importante para si. Nunca pensou que pudesse sentir algo tão forte com alguém tão complexo. Naquele momento, Tomlinson não quis se importar com seus sentimentos, nem com a confusão que estava sua cabeça. Ele apenas sorriu, observando Harry ficar off-line, provavelmente envergonhado.Louis realmente gostava daquele garoto, gostava até demais.... . . O decorrer do final de semana foi desconcertante para Tomlinson, principalmente por não ter nenhuma chamada noturna de Styles, pedindo para que saíssem ou algo do gênero. Mas recebeu curtas mensagens durante as manhãs, questionando se ele estava bem. Toda essa situação durou cerca de uma semana completa, considerando que ele caminhou até a casa de Harry na sexta-feira, sentando-se na sacada do mesmo, e dividindo um cigarro. Talvez aquela tenha sido a vez em que menos conversaram e/ou se tocaram em um dia. Louis havia percebido o quão ponderativo Harry estava, mas não comentou sobre aquilo, resolveu permanecer em silêncio, sentado ao lado de seu amigo, o ouvindo suspirar pesadamente e tragar aquele cigarro como se fosse o último de sua vida. Era incrível a forma como Styles conseguia parecer bonito mesmo quando estava tragicamente derrotando exteriormente. No dia seguinte – sábado –, ele parecia melhor, realmente parecia. Hary até mesmo aceitou o convite de Louis para assistir a banda ensaiar no mesmo apartamento abandonado que passaram boa parte da madrugada conversando no terraço. E quando assistiu Styles caminhar para fora de sua casa, com um sorriso tão iluminando estampado em seu rosto, William quis gritar, porque adorava vê-lo bem, era tão nítido o quão feliz aquele garoto estava. Harry vestia uma skinny preta, acompanhada de uma camiseta esverdeada, com uma pequena estampa da personagem "docinho" do desenho "As meninas superpoderosas". Em seus pés haviam coturnos pretos desamarrados. Seus lábios brilhavam, realmente brilhavam, e Louis sorriu ao perceber que aquilo provavelmente se tratava de um gloss. Seus cachos estavam finalizado de maneira totalmente selvagem, e porra, Tomlinson nunca quis tanto estar junto à Styles.— Oi. - Cumprimentou o pessoal – que se encontrava dentro do carro – docemente pela janela, antes de abrir e porta e deparar-se com todos os bancos ocupados. — Oh.Oh.— Meio que o casal discutiu durante o caminho. - Louis comentou, coçando sua nuca, tentando desviar seu olhar das esmeraldas brilhantes, quase tão claras quanto as pedras esverdeadas quando expostas ao Sol.Edward deu de ombros, pisando com cuidado no carpete do carro de Luke, ficando à frente do acastanhado, fechando a porta com força, visivelmente algo acidental, considerando que suas bochechas se encheram de ar e ele sussurrou um "foi mal".— Louis, vou sentar nas suas pernas. - Ele avisou envergonhado, a voz tão baixa que chegava a ser acoplada ao som alto do carro. — Tudo bem. Harry sentou-se no colo do mais velho, empurrando-se para trás, consequentemente fazendo com que sua bunda roçasse nas pernas de Louis. O cacheado apenas se confortou quando sentiu as mãos gélidas de Tomlinson abraçarem sua cintura exposta.Enquanto Harry fechava seus olhos calmamente, sorrindo com as conversas constantes e totalmente sem contexto do grupo do acastanhado. Louis sentia-se como uma bomba cronometrada. Ele nunca se sentiu tão descontrolado e infantil em toda a sua vida. Não fazia a menor ideia do que estava acontecendo consigo. E não, ele não estava excitado ao ter Harry em seu colo, ele estava desesperado pelas sensações que aquele toque carinhoso e aquelas fragrâncias doces estavam lhe proporcionando.O teto solar do carro estava totalmente aberto, causando a deslocação dos cachos cheiroso de Styles no ar, as bochechas de Louis estavam sendo ricocheteadas pelas mechas cacheadas do garoto em seu colo. Seus olhos estavam fechados, aproveitando aquele sentimento indescritível, confuso e aceitável, enquanto a risada de Harry parecia se destacar dentre as outras. Talvez toda essa sensação fosse causada pela música que ecoava altamente no interior do carro, provavelmente sendo escutada por todos os pedestres que passeavam nas calçadas da cidade de Wassed. Louis cantarolava Zvezdy baixinho, tão baixo que chegava a ser inaudível por si mesmo, enquanto todos ali gritavam a música russa para fora das janelas, e Luke – o motorista –, batia sua mão na lataria lateral esquerda de seu próprio carro. Luke também era o único que não fumava ali.Tomlinson sorriu desconcertado quando Styles pousou o cigarro próximo aos seus lábios, incentivando ele a tragar. O mais velho sentiu o sabor adocicado do gloss que Harry usava, passando – disfarçadamente – a língua na ponta do cigarro, antes de tragar e soltar a fumaça ao lado contrário do rosto do cacheado. Uma vez que chegaram, retiraram os instrumentos do porta-malas com cuidado, os instalando com extensões por todo o cômodo – que julgavam ser o Hall de entrada – vazio.Harry sentou-se no chão de concreto puro junto à Hunter, que parecia tagarelar incessantemente no ouvido do garoto. Louis sorriu ao ver aquela cena, plugando seu microfone na caixa de som, enquanto assistia Harry assentir rapidamente para cada coisa que saía da boca de Schafer. O mais velho quis chamar os outros três integrantes da banda com urgência apenas por ver Styles sorrir abertamente e começar a interagir ciclicamente com a garota, essa que retirou um baralho do bolso e, pelo visto, eles iniciaram uma partida de pife. O ensaio ocorreu bem, entretanto, animado até demais para um simples ensaio. Louis colocaria a culpa nas taças de vinho depois, colocaria a culpa nas taças por ter literalmente gemido durante a passagem da música Lounge Act. — Eu pedi a pizza faz meia hora, acho melhor alguém esperar ali nos degraus porque o motoboy com certeza não vai parar em um prédio abandonado para entregar pizza. - Zayn disse, apontando para fora do prédio, mesmo que a parede estivesse cobrindo a vista, Louis sabia que haviam degraus de entrada no local, então se desencostou da parede, deixando seu celular sobre sua mochila pousada no chão e caminhou até lá. Ele abriu a porta enferrujada, escutando um alto e irritando barulho ao abri-la, não pôde fechá-la porque sentiu alguém segurar o aço. — Eu quero tomar um ar. - Harry explicou, segurando a barra de sua camiseta e a puxando para baixo, provavelmente com frio. Louis o emprestaria seu casaco, se tivesse um.O mais velho assentiu, tirando seus dedos da porta e sentando-se sobre um dos degraus, percebendo o esverdeado sentar ao seu lado. — Eu gosto muito da banda de vocês. - Edward admitiu, retirando um dente-de-leão do gramado, o girando entre seus dedos e sorrindo simpático, mesmo sem citar seu amigo sabia que ele estava sorrindo também. — Gosta, é? — Sim... Eu poderia me nomear fã número um, caso não fosse a Hunter. - Disse, formando um biquinho dócil em seus lábios, provocando a risada alto do azulado. — Mas eu poderia ser solo Louis, sim? - Sugeriu brincalhão, levantando a pequena planta à altura de seus olhos, com seus lábios ainda luminosos pelo resto de gloss que havia ali. — Você é o meu integrante favorito. - Harry proferiu sincero, assoprando o dente-de-leão, gargalhando baixinho quando sentiu todas aquelas coisinhas serem levadas para longe pelo vento e algumas lhe fazerem cócegas no nariz. — Ei Harry? - Chamou em um sussurro, sendo fitado no mesmo instante. O garoto ainda sorria, segurando o talo da plantinha entre seus dedos, suas covinhas o torvavam ainda mais adorável, e William apenas não conseguia evitar. Seus lábios encostam sutilmente nas pétalas rosadas e quentes de Harry, fazendo com que o mesmo se afastasse abruptamente, o encarando com seus olhos arregalados e suas pupilas extremamente dilatadas, ainda buscando entender o que havia acontecido há poucos segundos. Louis não havia pensado antes de selar seus lábios nos de Harry com tanta certeza e determinação. Seus sentidos congelaram naquele instante, não havia calor ou respiração que o trouxesse para a realidade novamente, apenas o beijo de Styles, e ele não tinha certeza daquilo, não tinha certeza de seu retorno para a realidade...O cacheado sorriu timidamente, parecia desacreditado, ainda tentando assimilar tudo aquilo. Suas bochechas estavam tão rubras quanto a cor carmesim, Harry parecia selvagem, ao mesmo tempo que parecia adorável, assim como seus cachos, finalizados manualmente, que cobriam seu rosto, Tomlinson nunca pensou que pudesse compará-lo à algo, mas o garoto realmente parecia a personificação de um anjo. Um anjo tao bonito que fugira do céu e, como consequência, caíra na terra, ainda assim emanando calor, como a pele de Vênus, que há de queimar os lábios, e todo o corpo de William, assim que voltar a beijá-lo.E como citado anteriormente, os lábios de Louis foram queimados pela pele de Vênus. Seu coração queimava junto, como brasas de verão, que invadiam seu peito e faziam com que seus pulmões ardessem. Seu corpo queimava inteiramente naquele momento, no momento em que ambos os lábios se encostaram com avidez de novo.E foi por escolha do próprio, esse que deslizou seus dedos por toda a extensão fervorosa do pescoço de Styles, o puxando – sem quaisquer precauções – para perto e voltando a conectar seus lábios. Tomlinson usou sua mão desocupada para apertar a cintura delineada do outro – por baixo da camiseta –, fazendo certa pressão no local e afundando seus dígitos na carne exposta. Harry, por sua vez, segurou firmemente a mandíbula marcada de Louis, sentindo a pele aquecida do mais velho formigar nas pontas de seus dedos. William considerou aquilo uma retribuição, sorrindo disfarçadamente entre o selo e movendo seus lábios umidamente contra os de Edward, que recompensou aquilo com seu músculo quente e molhado contornando o desenho da boca do rapaz. Nesse instante as unhas curtas do cacheado arranhavam incessantemente a pele macia do rosto de Tomlinson, tentando os aproximar ainda mais. Os estalos – consideravelmente – altos, fizeram Harry sorrir durante o beijo, Louis pôde sentir a quentura da bochecha do mais novo, que roçava contra sua própria bochecha agora. Tomlinson selou o canto dos lábios inchados de Styles, e voltou a beijá-lo com agilidade, provocando o encontro caloroso de ambas as línguas. Louis também cravava suas unhas no pescoço e na cintura de Harry, conforme explorasse a boca do mesmo com maestria, como se viesse o beijando há anos. O beijo tornou-se algo calmo quando William sentiu Edward amolecer com seu toque e ofegar baixinho entre o beijo. O acastanhado desfrutava do sabor adocicado que Harry carregava em sua língua, sentindo o garoto acompanhar seus movimentos com vontade e sabedoria. O gosto leve da uva do vinho se fazia presente naquele beijo, fundindo-se com o sabor suave de morango nos lábios de Styles. O cacheado direcionou suas mãos para a nuca fervente de Tomlinson, prendendo as mechas castanhas e suadas entre seus dedos, voltando a arranhar a pele do mesmo.Louis sentia o toque firme dos dígitos de Harry, os dedos do garoto passeavam fortemente por sua nuca, sendo pressionados ali e o provocando leves cócegas. Os toques ainda o queimavam, mesmo que as pontas dos dedos de Styles estivessem consideravelmente geladas. Aqueles toques de Harry faziam cargas elétricas tomarem conta do corpo de Louis, e não era de um modo maléfico.Tomlinson podia escutar seus próprios batimentos, rápidos e cíclicos, dentro de seu peito. Seus pulmões ainda pareciam queimar, pareciam tanto que chegavam a arder cada uma das vezes que ele respirava com dificuldade durante aquele beijo. Talvez fosse apenas a euforia do momento, ele não sabia, mas tinha certeza de que não gostaria que acabasse. Harry se inclinava cada vez mais e, seu corpo era tombado para frente, quase ficando sobre Louis. A falta de equilíbrio fez com que o mais velho procurasse por qualquer tipo de apoio nas barras do corrimão atrás de si, não encontrando isso. Ambos os corpos penderam para trás, passando dentre os galhos e as folhas de um clássico arbusto seco.Durante a queda, Harry agarrou-se firmemente à camiseta de Louis e, consequentemente, seus lábios se separaram. Louis mal teve tempo de ousar sentir falta do toque, pois agora ele tinha a risada de divertida e envergonhada de Styles, acompanhada da maldita buzina do entregador.

----- CHAPTER BREAK -----

Louis mal teve tempo de ousar sentir falta do toque, pois agora ele tinha a risada de divertida e envergonhada de Styles, acompanhada da maldita buzina do entregador.O acastanhado ainda sentia seus lábios ferventes, eles formigavam conforme as lembranças do beijo vagassem por sua mente, e aquilo não o incomodava, ele mal conseguia raciocinar para ser sincero. Harry ainda estava sobre seu colo, agarrado à sua camiseta, enquanto o sorriso largo permanecia em seu rosto, iluminando toda a visão de Tomlinson.A risada do garoto tornava-se baixa conforme sua respiração ficasse pesada, e seu peito parecia ofegante. Louis viu as bochechas ruborizadas do garoto assim que ele resolveu levantar seu olhar para encarar William. Seus olhos brilhavam, e era tão bonito. Louis gostaria de poder passar horas ali, vidrado no olhar luminoso e esverdeado de Harry.Mas ele não pôde, pois a buzina soou novamente, vibrando seus tímpanos, fazendo Styles morder seus lábios – ainda inchados – e levantar-se cuidadosamente, batendo suas mãos em suas roupas, que continham folhas secas grudadas. Louis levantou-se sozinho, encarando Harry uma última vez antes de caminhar para fora e pagar pela pizza. Quando retornou para dentro, percebeu Styles parado timidamente em um canto, próximo à guitarra apoiada na parede, enquanto Hunter falava de maneira demasiadamente alta, e cantava uma música desconhecida pelo acastanhado. Provavelmente bêbada.Todos se aproximaram quando o perceberam chegar junto à caixa de pizza, recolhendo pedaços e afastando-se novamente. Alguns sentaram-se no chão, enquanto outros encostaram-se nas paredes e permaneceram em silêncio.Harry é o único que permanece em seu próprio canto. E ele sorria envergonhado, envergonhado pelo fato de ter acabado de beijar seu melhor amigo. Não era sempre que isso acontecia, ele permanecia confuso, sentia suas bochechas queimarem pela vergonha e confusão, enquanto seus cachos tocavam levemente a pele avermelhada e faziam cócegas no local. Tudo o surpreendeu, o fato de ter Louis o beijando com tanta vontade, como se viesse pensando sobre aquele beijo há dias, o surpreendeu. Mas o fato de tê-lo retribuído o surpreendeu mais ainda. Beijar Louis nunca passou por sua cabeça, nem mesmo quando o viu pela primeira vez, no palco do auditório, o elogiando mentalmente enquanto uma chama de fogo começava a surgir próxima de seus pés. Aquilo havia sido estranho, Harry confessava, mas não diria que havia sido ruim. Sua relação com Louis sempre foi levada para o lado fraternal, pelo menos de sua parte. Não que o rapaz queira se relacionar com Harry, mas ainda assim o assusta.O assusta porque ele sente que ter retribuído aquele toque o trará pesadas consequências, tais que ele ter certeza de não poder carregar nas costas. O assustava porque ele não queria que Louis gostasse de si, não queria que acontecesse o contrário disso também. Styles achava ótimo a maneira como agiam e falavam um com o outro, não queria que isso mudasse por conta daquele beijo. Era estranho, pois mesmo que ele quisesse colocar em sua mente que havia se arrependido daquilo, ele estaria mentindo. Harry não se arrependia.Mas o sentimento de futuramente nutrir sentimentos por Louis ou vice-versa, o assustava 'pra caralho. Porque tudo o que ele precisava era de um amigo. Apenas isso. Ele não queria estragar aquela amizade. Havia gostado do beijo, porém acha que não deveria ter retribuído aquilo... Sua única resposta à todos aqueles sentimentos e pensamentos conturbados foi: fugir. Ele apenas fugiu para fora do edifício abandonado, mesmo que sequer conhecesse as ruas daquele lado da cidade. Sua única companhia era o vento, que batia fortemente contra seu rosto quente. Harry não queria chorar, não gostaria de demonstrar sua fraqueza, por mais que estivesse só, consigo mesmo, ele não gostaria de fazer isso. Styles sabia que deveria tentar conversar com Tomlinson, mas era impossível, seu desejo não era tentar esclarecer algo, muito menos justificar a retribuição. Ele apenas não queria falar com Louis. Não agora. [...]— Ei, ei, ei - Scott segura o braço do filho quando o garoto chega em casa às pressas, pronto para correr pêlos degraus e subir para seu quarto. O homem sabia que Harry se isolaria, queria ao menos saber o motivo pelo qual seu filho estava agindo daquela forma. — O que houve, Harry? - Perguntou em um sussurro, quase reconfortante, fazendo o mais novo suspirar cansado, sentindo seu coração palpitar descontroladamente dentro de seu peito. — Nada. - Nega com a cabeça, retirando seu braço do aperto dos dedos de seu pai, escondendo seu próprio rosto com suas mãos quentes, fazendo-as suarem conforme sua respiração se tornasse pesada. — Nada, me deixa subir. — Harry, você faz de tudo para chamar atenção, mas quando eu quero conversar você simplesmente nega. — Eu não faço de tudo para chamar atenção, meu maior alívio é não ter vocês em casa. — Pelo amor de Deus, garoto. Não torne isso difícil, Cillian já desistiu de tentar.Harry ajeitou seus cachos bagunçados com certa pressa, ouvindo notificações chegarem em seu celular a cada segundo, já sabendo que era Louis, ele ignorou. Voltando a encarar seu pai, que segurava uma xícara de chocolate quente e o encarava entediado. Não era sempre que ele tinha Scott o perguntando sobre seus sentimentos ou suas ações, mas também não era sempre que ele sentia vontade de conversar com seu pai. — Eu acho que estraguei muitas coisas no dia de hoje, pare de me pressionar, eu não quero estragar outra coisa.— Vá. - Scott deu de ombros, acenando com sua cabeça para o andar de cima, enquanto caminha para a cozinha novamente. Harry trancou-se em seu quarto assim que adentrou o cômodo, ainda recebendo inúmeras mensagens de Louis, até mesmo ligações perdidas, pois ele recusava todas, Harry apenas não gostaria de conversar com seu amigo sobre aquele assunto. Ele sequer sabe se ainda pode chamar Louis de amigo. O peito de Edward parece desabrochar quando recolhe folhas em branco que estão pousadas sobre sua escrivaninha e começa a colocar suas ideias na ponta de uma lapiseira de fino grafite. Sua mente parecia florescer quando os traços eram feitos demasiadamente rápidos no papel sulfite. A articulação de seu pulso não tinha descanso, assim como seus dedos, que suavam e faziam com que o plástico – de sua ferramenta principal para o desenho – escorregasse entre os dígitos. Há cachos fazendo sombras nas folhas e cobrindo boa parte de sua visão. Harry força a ponta da lapiseira no sulfite, tentando não imaginar sua pele ali. Ele odiava o fato de sempre querer desenhar em sua pele quando tinha uma crise. Styles via anotações e desenhos feitos por sua mãe em sua própria pele, ele nunca entendeu aquilo, sequer parou para questionar a si mesmo sobre todos aqueles traços que deixavam os braços de sua mãe avermelhados. Embora Arabella sempre lhe dissesse que eram desenhos e anotações feitos para que ela não esquecesse de algo no final do dia. Infelizmente o garoto tirou a prova limpa de que "quem procura encontra". E ele gostaria de não ter encontrado. Preferia nunca ter entrado em sua adolescência e preferia não descobrir o que pílulas, lâminas e drogas se tornavam na juventude.Lhe dói saber que sua mente é uma prisão e ele nunca saíra dela, nem mesmo se um dia quisesse ele poderia. Harry sempre pensou que, ele têm duas janelas, os vidros dessas mesmas janelas são embaçados, estão sujos porque há tempos desde a última vez em que foram limpados, há rachaduras que foram feitas pela exposição ao tempo, ele costuma dizer que essas janelas são seus olhos. Às vezes Edward gostaria de enxergar. E ele apenas não consegue...Há vezes em que Harry se sente um pássaro machucado, preso dentro de sua própria gaiola.Há vezes em que Harry sente que amarraram suas asas como forma de castigo, ou até mesmo o pagamento de todos os seus pecados cometidos ao longo de dezoito anos completos.Harry é um prisioneiro de seu próprio cérebro.E não importa o que ele faça, ele sempre vai permanecer acorrentado ali.Não era fácil pensar com clareza em uma situação dessas. Não mesmo. Não quando Harry não conseguia pensar em Louis como seu melhor amigo. Sinceramente? Ele preferia que Tomlinson tivesse o abandonado no dia de seu aniversário. Preferia nunca ter aceitado aprontar com ele. Preferia ter caído em um limbo infinito. Gostaria de ter sido esquecido por Louis. Talvez assim, sua mente lhe desse um descanso. Nem que fosse um descanso de poucas horas. Ele apenas não aguentava mais se sentir confuso ao pensar em Louis. Harry soltou a lapiseira com raiva sobre a escrivaninha, percebendo suas pesadas lágrimas mancharem e penetrarem a folha de papel, estragando as extremidades do desenho de um olho. O cacheado gostaria de rasgar aquele sulfite ao perceber o que havia acabado de traçar. Era óbvio que ele reconhecia aquela pálpebra caidinha, ele com certeza reconhecia os cílios quase escondidos pela pálpebra e as linhas (adoráveis) de expressão ao lado do olho desenhado em cor grafite. Louis morava em sua mente. E Harry odiava isso.— Seu pai disse que você está dando trabalho. - Cillian abre a porta do quarto e, infelizmente, flagra seu filho chorando. Se Styles tivesse alguma força em seu corpo ele com certeza gritaria pedindo para que o homem deixasse seu quarto, ou se levantaria e bateria a porta na cara do mesmo. Mas ele não o fez, porque estava assustado consigo mesmo. Mesmo que Cillian gritasse consigo, mesmo que ele apontasse dedo em seu rosto e jogasse em sua cara todos os seus defeitos, ele ficaria saciado, porque pelo menos tinha uma companhia. — O que houve, Edward? - Seu pai deixou uma garrafa plástica de água sobre seu colo, apontando para a mesma. Harry bebeu pouco do conteúdo enquanto decidia se tentava desabafar pouco daquele peso todo para o homem ou não. Mas ele não estava pronto, não ainda...— Eu sinto falta da minha mãe... E dos conselhos dela.Cillian o encarou, parecia certamente desinteressado, com suas sobrancelhas arqueadas e seus olhos pouco arregalados, enquanto seus braços estavam cruzados a frente de seu corpo, e as solas de seus sapatos sociais eram batidas freneticamente no assoalho de madeira. — Não é nada demais, coisa de adolescente, como vocês dizem. - Se referiu às palavras de seus pais, virando seu desenho sobre a madeira, deixando o verso em branco visível, antes mesmo de secar suas lágrimas, que ainda trilhavam um caminho brilhoso em suas bochechas coradas. — Vocês choram por qualquer coisa hoje em dia, como pode? Tenho certeza que choraria se vivesse-— Mas eu não vivi, 'tá legal? Eu não nasci no interior, eu não ajudei você em plantações, eu não batalhei para chegar até onde cheguei, como você mesmo fala. Eu não fiz nada disso. Eu sou tudo o que você diz, pai. Eu sou um adolescente mimado, eu sou mal educado, eu sou idiota, eu sou babaca, eu sou atrasado, eu sou inútil, sou irresponsável e chorão. Eu sou tudo o que você diz. Sou mesmo. Concordo com você. Sou principalmente covarde. - Engoliu seco, sentindo seus olhos arderem, indicando que ele choraria novamente. — Sou covarde por nunca ter tentado encontrar minha mãe. Nem mesmo quando vocês me tratam feito lixo e jogam na minha cara que eu sou um viciado. Porque é fácil para vocês apontarem erros e não procurarem ir à fundo, não é? Na noite do meu aniversário eu tinha cansado de esperar por ela, e eu iria até ela. Mas algo me fez mudar de ideia... Alguém me fez mudar de ideia. E esse alguém não foi você. - Harry aponta para seu pai, percebendo que a expressão do homem não oscilou entre o preocupado e o entediado em nenhum dos momentos. Aquilo o atingia superficialmente porque de uma forma ou de outra, ele não conseguia se importar como um dia já se importou. — Você tem dezoito anos. Você acha que sabe muito sobre a vida, mas você não conhece um por cento do que é viver, sua vida é resumida em ficar trancado nesse quarto nojento empilhando desenhos que não serão usufruídos para merda nenhuma. Chega de agir como ela agia, você não é a Arabella, Harry. Você não é ela. Não pode se basear nas ações de sua mãe e repetir tudo o que ela fez-— Por que você sempre foi tão compreensivo com ela? Por que você não pode ser assim comigo também? — Porque eu percebi que compreensão não adianta merda nenhuma. - Dito isso Cillian deixou o quarto, fechando a porta vagarosamente, enquanto seu filho pressionava seus lábios com força um no outro, tentando miseravelmente evitar o choro. Ele desaba ao perceber que aquilo nunca irá mudar enquanto continuar morando sob o teto de seus pais. Harry não acreditava em Deus, mas infelizmente haviam dias nos quais ele implorava para que, se Deus existisse, ele o levasse.. . . Ignorar Louis por três dias nunca foi tão difícil. Styles havia decidido ter um tempo para si, tentar raciocinar e colocar seus pensamentos em um trilho reto construído por sua imaginação fértil, embora aquilo houvesse sido desesperador, pois ele odiava passar muito tempo em silêncio ou quieto. O deixa ansioso, fazia com que ele se sentisse sufocado. Mas Harry admite que, ter seu celular ligado enquanto recebia inúmeras notificações indicando mensagens carinhosas de Louis, mostrando que se importava, fazia o garoto sentir-se um pouco menos ansioso, mas ao mesmo tempo culpado, por deixar Louis desesperado. Não era sua intenção, ele apenas não gostaria de sentir tudo aquilo ao falar com William. Era no mínimo amedrontador...Depois da conversa que teve com Cillian há duas noites, eles não mantiveram contato visual, Harry evitava encarar seu pai, por nutrir raiva do homem, e mal sabia – muito menos se importava – com o que ele pensava sobre si no momento. Estar sozinho em casa não era muito diferente de ter seus pais vivendo nela, mas o silêncio incomodava Edward às vezes. Styles era inquieto, mas haviam dias nos quais se levantar da cama era uma batalha que ele nunca conseguiu vencer. Agora ele estava enrolado em uma coberta fina, vestindo seu pijama enquanto seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo mal feito e seus olhos vidrados na animação que passava na televisão. Existia alguém que não gostava de "Hora de Aventura"?Harry havia recusado acompanhar seus pais em um desfile, colocando em pauta a última vez na qual os obedeceu e resolveu ir. Pela primeira vez ele ouviu que tinha razão em uma discussão. Não nega que sentiu vontade de comemorar. — Harry, eu sei que você está aí, abra a porta por favor, está garoando aqui fora. O cacheado não sentia seus batimentos. Não os sentiu por alguns milésimos de segundos. Seus órgãos congelaram ao ouvir a voz de Tomlinson. Sua respiração apenas travou e seus olhos se fecharam automaticamente. Ele não sabia como agir, mas não deixaria Louis sob a chuva. Era desesperador tê-lo em sua casa mesmo depois de passar três dias tentando esquecer completamente de sua existência por conta de um beijo mal entendido.Não fazia a menor ideia de como recebê-lo ou cumprimentá-lo, mas tinha certeza de que ele perceberia o quão nervoso – senão desesperado – Harry está. Edward levantou-se trêmulo, caminhando até a porta de entrada de sua casa e a abriu com cuidado, temendo encarar William nos olhos. — Hey. - Louis sorriu simpático. Ele vestia um moletom preto da banda Incubus, cobrindo sua franja bagunçada com o capuz do mesmo, enquanto uma skinny jeans surrada abraçada suas pernas. Ele tinha a ponta de seu nariz vermelho por conta do sereno, e logo Harry sacudiu sua cabeça, percebendo um pequeno sorriso involuntário formado em seus lábios, o desmanchando no exato instante. Styles abre a porta por completo, deixando um espaço para que o azulado adentrasse sua casa e se sentisse aquecido, de certa forma.— Você está bem? - O mais velho questiona, percebendo a lareira acesa, e logo se aproxima, tentando aquecer-se. — Uhum. - Sussurra, apertando o tecido felpudo do cobertor em seu corpo, tentando– de alguma maneira falha – fundir-se com o pano. — Por que você sempre faz isso hein? Por que sempre foge, Harry? - Louis inicia calmamente. Ele não parece irritado, Styles sente certa mágoa em sua voz e se desespera internamente. Não era sua intenção... — Por que sempre me ignora quando algo que te abala acontece? Você acha que me ignorando vai conseguir me afastar de algum jeito? Se você quiser que nos afastemos apenas me diga, não me ignore.— Louis, por que você sempre vem atrás de mim? Às vezes eu só quero um tempo-— Porque eu me importo com você. Me importo com essa merda toda que a gente chama de amizade. Me importo com isso. - Aponta para a pulseira, ainda amarrada em seu pulso, certamente pouco frouxa pela quantidade de tempo que permanece no mesmo lugar, mas ainda ali. O esverdeado suspira pesadamente, sentindo-se culpado por deixar Tomlinson naquele estado, e observa a pulseira em seu braço também, a aproximando de seu coração, apertando mais ainda as extremidades do cobertor em volta de seu corpo. — Você me beijou. — E você retribuiu. Ambos permanecem em um silêncio absurdo, enquanto o volume baixo de algum episódio reprisado era pouco escutado. Harry observa o mais velho apoiar as mãos em sua própria cintura, arqueando seu cenho e aguardando por respostas concretas vindas do esverdeado, o que apenas acontece depois de oito minutos presos em um silêncio desconfortável.— Eu não sei o que pensar, Louis. Eu não quero estragar o que temos, já é a segunda vez que isso acontece, me assusta porque eu não consigo me auto-controlar. Você é o meu melhor amigo. Ou era... Eu realmente não sei. Mas eu tenho certeza de que amigos não se beijam, estou errado? - Sorri desconcertado, tentando não demonstrar que está em crise, colocando mechas soltas do rabo de cavalo frouxo para trás de sua orelha, evitando senti-los em seu rosto. — O ponto é: Não quero destruir tudo o que construímos...— Eu realmente não pretendia te dizer isso agora porque eu ainda me sinto confuso em relação aos meus próprios pensamentos, não é fácil admitir coisas grandes para si mesmo, principalmente quando você se sente em uma puta balança que depende de altas massas para funcionar, caso contrario ela continua no "zero zero". Eu não tenho massa o suficiente para enxergar os números do visor mudarem para "zero um", e também não quero te pressionar a subir nessa balança comigo e tentar completar a minha massa, mas, Harry - O acastanhado se aproxima, segurando a cintura de Styles com ternura, o aproximando com carinho. — Me perdoa... - Tomlinson toca as pontas de seus narizes uma na outra, as roçando propositalmente enquanto o mais novo fecha seus olhos devagar, aproveitando a quentura que seus rostos emanavam. Styles se sente confuso. Ainda tenta absorver a metáfora que o rapaz acabou de lhe proferir. Seu nariz está levemente franzido, enquanto seus olhos estão fechados, apenas sentindo o momento – no sentido literal da palavra.— Eu gosto de você. Harry mal pôde raciocinar, não teve tempo de absorver quatro pequenas palavras com menos de seis letras cada, pois Louis retornou a falar e se expressar determinadamente.— Eu gosto de você de todas as maneiras que você possa imaginar. Eu posso facilmente me apaixonar por você, assim como posso, com uma imensa facilidade, tê-lo fraternalmente. Eu posso gostar de você de todas as formas possíveis. Se você quiser me ter como um amigo, eu vou aceitar. Se você quiser me ter como seu namorado, eu vou aceitar. Se você quiser me considerar um irmão, eu vou aceitar. Eu gosto de você. Eu adoro você. E, Harry, eu vou adorar qualquer coisa que você escolha me considerar. Eu vou adorar qualquer forma que você escolha para que eu adore você.Louis se declara com a voz sussurrada e baixa, ele está calmo, isso é tão nítido quanto as chamas alaranjadas da lareira acesa sob a televisão, que ilumina todo o cômodo de estar, inclusive metade do rosto de Harry. Os pensamentos de Louis não o deixam em paz, a todo momento ele compara Harry com a pele de Vênus.Seus lábios macios roçam nos de Styles, enquanto ele mantém seus olhos fechados, também roçando vagarosamente seus narizes, com certo carinho no toque.Os dedos de William acariciam a cintura do mais novo, mesmo que coberta por casacos de pijama e um cobertor, ele pode sentir as carícias suaves e atenciosas vindas do mais velho.Edward sentiu sua garganta se fechar enquanto escutava tudo aquilo vindo de William. Ele nunca imaginou que um dia pudesse ouvir tamanhas e pesadas palavras como aquelas. Muito menos vindas de uma pessoa tão próxima e importante. Ele estava tão alheio aos acontecimentos momentâneos que conseguia ouvir cada um de seus batimentos, cada pulsação involuntária de seu coração. Até mesmo a saliva constante que escorregava nervosamente por seu esôfago. Harry nunca quis tanto saber o que responder. O garoto estava estático. Simplesmente sem reação. Ele ainda esperava que Louis continuasse a proferir palavras bonitas, que incrivelmente faziam todo o sentido possível. Ou ainda esperava que Louis sorriso de jeito idiota e confessasse que aquilo era apenas uma brincadeira...Coisas que não ocorreram.Louis ainda estava em silêncio, claramente esperando pela reação e pelas respostas de Harry.Estava confuso. Extremamente confuso. Mas de certo modo, estava feliz com aquilo. Porque sabe que não existe ninguém melhor do que Louis para gostar de seu jeito. Por mais confuso que ele fosse...Harry estava feliz porque não precisava de muito – vindo de Louis – para deixá-lo contente. Ouvir que Tomlinson adorava e gostava de si, havia sido extraordinário. Suas mãos tremiam, e ele não se importava realmente com as lágrimas que escorriam por suas bochechas ruborizadas, essas lágrimas que eram incontroláveis e caiam demasiadamente rápidas em seu cobertor sendo penetradas pelo tecido macio de imediato, enquanto William o encarava preocupado, sussurrando baixos "não chore", com sua voz mais reconfortante. Harry inclinou seu rosto com cuidado e precaução, ainda incerto de sua futura ação, sentindo-se pequeno por estar enrolado com tanta força naquela manta felpuda. Ele não pretendia se questionar antes de fazer aquilo, pois sabe que acabaria desistindo antes mesmo de concluir o raciocínio, então antes mesmo de continuar seu pensamento:Harry selou seus lábios nos de Louis. No mesmo segundo sentiu todo o seu sangue percorrer suas veias de maneira fervorosa. Todo o seu corpo ardia, como se houvesse sido solto sobre o fogo. Beijar Louis podia ser comparado com a injeção de veneno em suas veias. Muitos dos venenos certamente são prejudiciais, mas nem todos eles te prejudicam da maneira que deveriam.Louis abraçou sua cintura, ainda tendo seus lábios conectados, o aproximando mais ainda, segurando sua mandíbula com cuidado e secando as lágrimas – que insistiam em cair durante o selar, fazendo-o sentir o gosto salgado de cada gota. Tomlinson arrasta a ponta de seu nariz pela bochecha quente do esverdeado, abaixando-se na altura de seu pescoço, beijando toda a extensão alva e pálida da pele de Styles, exatamente onde haviam três cicatrizes conjuntas.— Por quê? - Questiona confuso, apropriadamente sensível, tendo seus olhos inchados e vermelhos, assim como seus lábios. Louis se afasta silenciosamente, retirando sua mão da mandíbula do cacheado, voltando a apoiá-la em sua cintura. — Você não tem medo? Não tinha medo de ser rejeitado? Porra, como você pôde? - O mais novo franze seu cenho, espalmando o peito de William. — Eu não sei como te retribuir. Louis, eu não consigo. Eu-— Não quero que você retribua sentimentos, Harry. Eu realmente não quero. Não acho que seja uma necessidade, mas para que isso dê certo precisamos ser sinceros um com o outro, e é isso que eu estou fazendo. Estou sendo sincero com você. Apenas me diga a maneira como você quer que eu goste de você e eu o farei. Styles engoliu seco, escondendo envergonhadamente seu rosto na curvatura do pescoço de Tomlinson, sentindo a respiração ofegante do mesmo, que apertava os dedos em sua cintura, o oferecendo certo apoio corporal. Edward gostaria de morar em seu abraço, sabe que já pensou isso anteriormente, e também pensou que pudesse estar blefando, mas pelo visto não está. Dizem que não se deve ignorar os sentimentos e pensamentos de quando uma coisa se repete e você continua sentindo o que sentiu pela primeira vez... Sendo assim, Edward gostaria de morar ali, em absoluto silêncio, porque era confortável e acolhedor. Principalmente por ter a fragrância tão familiar e cítrica do azulado adentrando suas narinas. Styles sabia que Tomlinson não o julgaria, sabia que aquele específico toque era um lugar seguro. Gostaria de chamar aquele abraço de lar. No entanto não se sentia digno de tal pureza. — Louis?Harry o chama com a voz abafada, ainda tendo o rosto choroso e róseo pressionado confortavelmente em seu pescoço.— Hum? — Goste de mim da maneira que você puder e quiser gostar.

----- CHAPTER BREAK -----

Harry ainda sentia sua garganta fechada por um nó interno e dolorido, apropriadamente dolorido. Apenas por não querer desabar ali, no abraço reconfortante de Louis. Aquilo tudo permanecia sendo algo quase inaceitável para si. Ele não achava possível que alguém pudesse verdadeiramente gostar de si. Era óbvio que ele tinha em mente que os garotos gostavam de seu corpo e de sua boca para satisfazê-los, ele também gostava de jogar daquela maneira, apenas não achava que havia outro tipo de jogo, levando em consideração o estado destruído que a pequena caixa de baralho de encontra...Tomlinson, por sua vez, afagava a cintura do outro, ouvindo a respiração falha e chiada do mesmo próxima ao seu ouvido, tentando – de alguma maneira – acalmá-lo com seu toque carinhoso. — Tudo bem? - Questionou preocupado, enquanto sentia as mãos de Harry, que estavam apoiadas em seu peitoral, espalmarem o local, e seu corpo ser afastado com suavidade. O ar que os rodeava ainda era quente, fazia com que o rosto de Styles se tornasse ainda mais corado do que o usual. O garoto tinha seus olhos inchados, mas ainda assim relutava contra o choro, segurando as lágrimas e lubrificando suas orbes esverdeadas, as mesmas que poderiam ser julgadas como pedras esmeraldinas recém polidas. Louis sorriu calmamente, demonstrando sua seriedade, e segura a mandíbula de Harry, deixando um beijo carinho em sua testa febril. — Isso é... Novo. - Styles diz, quase pausadamente, afastando-se um pouco mais de Tomlinson, e abraçando seu próprio corpo, ainda friorento. — Eu ainda tenho medo de destruir tudo. — Você não vai, ninho. Eu prometo que não. - Ele toma as mãos de Edward com cuidado, sentindo as palmas suarem. — Mas caso você o faça, podemos reconstruir, não? Sempre arrumamos a porra de um jeito. — Você é tão idiota...— E é por isso que você gosta de mim. Porque eu sou idiota como você. - Louis brinca, roçando seu nariz gélido na pontinha aquecida do nariz de Harry, fazendo-o envesgar os olhos e recuar em reflexo. Louis sorri divertido, acompanhado do sorriso envergonhado de Styles, que segue vagarosamente para a cozinha, enchendo uma chaleira de água filtrada e a colocando sobre as grades do fogo.— Você gosta de chá? - O cacheado pergunta enquanto abre as portas dos altos armários na cozinha, retirando uma caixa de chá de limão e voltando a fechar as portas de madeira. — Gosto. Com açúcar se puder. - Sentou-se na banqueta abaixo do passa-pratos, apoiando seus cotovelos no mármore preto.Harry não lhe dirigiu a palavra mais, parecia extremamente concentrado na produção dos chás que se quer deu conta de quanto tempo passou sem piscar. Louis percebia as mãos do garoto tremerem, e ele parecia fazer desenhos imaginários no alumínio da pia, enquanto mordia seu lábio inferior e batia seu pé – calçado por uma meia colorida – no chão. Seu rosto ainda permanecia molhado pelas lágrimas, enquanto ele parecia lacrimejar cada vez mais, apoiando suas mãos na extremidade da pia. Louis resolveu deixá-lo quieto, porque Harry realmente parecia querer permanecer em silêncio, encarando através da janela embaçada de sua cozinha. — Eu quero te mostrar algo. - Edward diz, determinado, deixando uma das xícaras na frente de William, perguntando a si mesmo se havia colocado açúcar no chão do mais velho. Harry limpa suas bochechas rosadas, secando as lágrimas que trilhavam um caminho molhado em seu rosto molhado. Louis o assiste subir as escadas, bebendo vagarosamente seu chá, também assoprando o líquido quentíssimo dentro de sua xícara. Ele acompanha Styles com calma pelos degraus, chegando ao primeiro andar e logo repara na rotação dos calcanhares de Harry no assoalho do corredor. Styles entrega sua xícara para Tomlinson, que a recolhe, ainda confuso sobre aquilo, mas fita o esverdeado encarar o teto e dar um pequeno pulo para alcançar uma alça – que ele nunca tinha percebido ali. Edward puxa uma escada de madeira, recolhendo sua xícara em silêncio e subindo os degraus com cuidado, acenando para William em seguida, indicando a ele para subir. — Isso é um ático? - Questionou curiosamente, subindo os degraus de madeira logo após o cacheado, deixando sua xícara no solo, antes mesmo que pisar nele. Louis passa seus olhos com atenção por todo o local, percebendo o cômodo ser um grande quarto, parecia um lugar completamente abandonado, mas ao mesmo tempo limpo e arejado. Havia uma enorme cama de casal ao lado de uma estante antiga de madeira, enquanto uma grande janela estava localizado a lateral esquerda da cama, iluminando todo o local. Também havia um sofá na parede oposta à cama, acompanhado de uma mesinha de vidro de centro. Um baú estava logo abaixo da janela, parecia trancado com um pesado cadeado, mas Louis não deu atenção para aquilo, voltou a subir os degraus para, finalmente, fechar o pequeno portal. Harry estava sentado sobre a cama, segurando sua xícara de chá entre as duas mãos, inclinando-se para frente e para trás com leveza, imperceptivelmente. Ele encarava a janela, piscando lentamente seus longos cílios, enquanto entreabria seus lábios para dirigir a palavra à Louis, mas nunca o fazia. — Nunca saberia que há um ático em sua casa. - Tomlinson iniciou o assunto, aproximando-se da cama e sentando-se na borda ao lado contrário de Styles, que assente, deixando a xícara sobre a estante e descansando uma de suas pernas sobre o colchão. — Faz alguns meses desde a última vez que eu vim aqui. Eu ainda não tinha conhecido você. - Ele murmura, colocando mechas bagunçadas de cabelo para trás de sua orelha, certamente por estarem o atrapalhando. — Você tem um maço de cigarro, não tem? — Você disse que não fuma. — Depende da situação. - Revirou levemente seus olhos, passando sua língua úmida sobre seus lábios ressecados, voltando a encarar o acastanhado e aguardar pelo que havia pedido. Louis retirou uma carteira de dentro de seu bolso, apoiando sua própria xícara na mesinha de cabeceira e apoiando suas costas no apoio incômodo da cabeceira. — Quer enrolar? Styles assentiu, retirando a carteira da mão de William, a abrindo e deixando sobre seu colo. O esverdeado retirou a seda primeiramente, a esticando em sua outra coxa, pegando o pacote de ervas posteriormente e tentando enfileirar as minúsculas folhas verdes, enrolando a seda em seguida e lambendo a extremidade da mesma, prendendo o cigarro de maconha entre os dentes e retirando o isqueiro de seu próprio bolso, acendendo-o e jogando o objeto sobre a cômoda. Harry sorri minimamente quando traga pela primeira vez, encostando sua cabeça na cabeceira da cama, soltando a fumaça por seu nariz e esticando o cigarro para Louis, que apanha dos dedos e segura entre os seus próprios. — Moretz, a governanta, limpa aqui sempre que pode, por isso o lugar não parece um aterro sanitário. - Explica suavemente, exalando o cheiro da droga, sequer se importando com isso. — E por que você não vem 'pra cá sempre que pode, malchik? Harry o fita com seus olhos cerrados, há olheiras roxeadas sob eles, fazendo com que a expressão do garoto pareça realmente entediada. Ele permanece em silêncio, engolindo seco, movimentando involuntariamente seu pomo-de-adão, fechando seus olhos e os abrindo com certa dificuldade, tomando o cigarro de Louis novamente.Tomlinson escuta o suspiro cansado do mais novo, enquanto o mesmo encara ininterruptamente o baú abaixo da janela, soltando a fumaça de forma pausada, abaixando sua cabeça e permanecendo assim por alguns poucos instantes, até o acastanhado agarrar seu braço, e o trazer para perto, fazendo-o apoiar suas costas largas no peitoral do mais velho. — O que tem lá? - William pergunta em um tom baixo de voz, sentindo Edward confortar-se ali e sequer se importar com os cachos que atrapalhavam sua visão no momento. — Coisas. - Tragou novamente, já tendo sua voz pouco mais rouca e baixa, ainda encarando o baú. — Mas eu quero te mostrar as coisas que tem lá. Louis arregalou seus olhos em surpresa, não achava que o garoto o mostraria, mas pelo visto, ele o faria, e sua única reação foi sorrir, demonstrando conforto e aceitação.Harry levantou-se com cuidado, caminhando até o baú e o arrastando por todo o solo de madeira até encostar o item nos pés da cama, sentando-se sobre o carpete ali mesmo. Ele bate o carpo de sua mão com força no cadeado, abrindo-o e observando a expressão preocupada de Louis. — Hum, meio que só estava emperrado. - Explicou envergonhado, ajeitando seus cachos para trás de sua orelha novamente, abrindo a tampa do baú e corando fortemente, alternando seu olhar entre o rosto de Tomlinson – coberto pela fumaça – e o conteúdo guardado. — Louis... Eu só... Nunca mostrei essa merda 'pra ninguém, então por favor pega leve. — Ei? Pare com isso, eu nunca te julgaria, você sabe mais do que ninguém. - O azulado o confortou, aproximando-se da borda da cama e sentando-se ali, assistindo Harry segurar uma grande pasta transparente em mãos, a deixando em seu colo e abrindo em seguida. — Eu desenho. Acho que você já deve ter visto os meus rabisco, mas nunca mostrei para ninguém por vontade própria - Edward diz, folhando o fichário e deixando sobre o colchão forrado com um edredom branco. Louis percebe o quão acanhado ele está, principalmente pelo fato de não querer soltar a alça do objeto e deixar livre para que o outro veja.— Quer me mostrar? Eu não preciso tocar nas suas coisas para ver. — Não. Pode folhear. Só... Sei lá, não 'tô a fim de receber críticas. Não hoje. William o encara por alguns minutos, questionando mentalmente se alguém havia criticado seus desenhos ou se aquilo era pura insegurança, mas levando em conta que Harry havia acabado de lhe dizer que nunca havia mostrado para ninguém, Louis ficava com a segunda opção. O acastanhado puxa o fichário pelo edredom vagarosamente, assistindo os olhos de Styles alternarem entre suas próprias mãos, que pareciam suar, e seu fichário sobre a cama. A primeira reação de Louis foi: Ficar boquiaberto. Ele nunca havia visto traços tão bonitos e tão únicos como aqueles. Obviamente ele não entendia muito de Artes, até porque era uma das matérias que ele mais odiava, porém sabia o quão talentoso Harry era. Haviam emoções depositadas naqueles desenhos, claramente haviam. O modo como os desenhos – julgáveis como – obscuros tinham traços mais profundos era pouco perceptível, mas Louis conseguiu enxergar a maneira como ele forçava mais a ponta da lapiseira, e de como ele realmente parecia querer destacar os olhos dos desenhos. Não haviam desenhos com "peles limpas", todos os desenhos continham tatuagens ou escritas, até mesmo no rosto. Louis ficou curioso sobre um específico desenho. Era um rapaz, muito parecido com ele, na verdade. Os traços do rosto do rapaz eram fortes, feitos a lápis, destacando sua mandíbula, nariz e boca. Os fios de cabelo espetados pareciam verdadeiros, até mesmo oleosos como cabelos reais. Louis – por alguns momentos – achou que Harry houvesse o desenhado quando ainda era adolescente, pensou que o garoto houvesse tirado alguma foto antiga de seu Facebook e passado para o papel, mas a data escrita na margem do desenho era de três anos atrás. Três anos atrás Louis não tinha ideia de que conheceria Harry...Ele deixou aqueles pensamentos confusos de lado e voltou a observar o desenho, percebendo que o rapaz traçado no sulfite não tinha olhos, e se tivesse, eram vazios. Aquilo o intrigou. O intrigou mais ainda uma cruz preta sob um "X" vermelho desenhado na testa do mesmo, parecendo ser uma tatuagem. — Esse desenho tem um significado? - Perguntou com o cigarro entre os dentes, assistindo Styles assentir e apontar para a cruz e o "X" que havia o intrigado. — Eu nasci em um país e fui batizado em uma religião que nunca segui, isso certamente não foi minha decisão - Harry sorri, mordendo seu lábio inferior corado, levantando suas orbes esmeraldinas para o rosto atencioso de Louis, que prestava atenção em cada uma de suas palavras. — Eu nunca dei permissão para me batizarem, porra. E mesmo assim eles queriam pregar para mim, e eu nunca acreditei em nada daquilo, nunca pude me posicionar contra àquilo porque eu estava "desrespeitando Deus". Eles nunca realmente me ensinaram a sobreviver, mas pregavam para mim que eu viveria se tivesse Fé. — E eu acho que se tudo o que contam na bíblia realmente aconteceu, eles colocaram a porra de uma coroa de espinhos na cabeça de Jesus Cristo e nunca ouviram uma palavra que ele disse, o que seria injusto para caralho. - Harry explica, retirando o cigarro dentre os dentes de Tomlinson e o colocando em sua boca, deixando o baú aberto e caminhando para a cama de novo, acomodando-se ao lado do mais velho. — Todos os seus desenhos tem essas explicações profundas ou fazendo crítica à algo? - Louis pergunta, deixando o desenho dentro do fichário, conformando-se sobre o edredom, enquanto Harry fazia o mesmo e tragava pela última vez, apagando o cigarro na cômoda e o deixando no chão. — Não. Nem todos.— Você é talentoso 'pra caralho sabia? - Sorriu o elogiando, percebendo as covinhas aparecerem em ambos os lados das bochechas do cacheado. — Deveria investir nisso. Talvez vender seus desenhos... Anonimamente. - William sugeriu simples, sentindo Edward se aproximar de seu corpo com cuidado. — Você poderia até fazer o design das redes sociais da banda...— Sério!? - Levanta sua cabeça abruptamente, espalmando suas mãos no peitoral do mais velho, parecia animado com a sugestão. — Eu estou brincando-— Oh— Mas se você quiser eu quero. - Louis completou sua frase divertidamente antes mesmo de deixar a expressão de Harry se chatear. O garoto assentiu, voltando a encostar sua cabeça no peito do acastanhado, deixando seus corpos em uma certa distância, temendo ultrapassar uma linha imaginária. — Podemos ver isso, eu acharia legal. Realmente gosto da sua banda, não seria nenhum tipo de trabalho.— Eu adoraria ter um pouco de você na minha banda. - Comenta sorrindo, percebendo Styles chacoalhar levemente e propositalmente sua cabeça, apenas para esconder seu rosto com os cachos com fragrância doce de cereja. Louis sorri com aquilo, segurando os pulsos do mais novo e o trazendo para perto, entrelaçando suas pernas nas dele, o escutando ofegar e se virar para o outro lado, ficando de costas para Tomlinson. Ele sorriu mais ainda quando percebeu que aquilo era um convite indireto para abraçar o cacheado. Louis passeia seus dedos pela cintura exposta do mais novo, deixando-a sobre o abdômen do mesmo, sentindo o tecido do pijama de Harry cobrir sua mão, que acariciava a pele aquecida do garoto por dentro do casaco. Edward inclinou sua cabeça para trás, a encostando no ombro de Tomlinson e inspirando fortemente a fragrância cítrica que o mais velho exalava. — Eu gosto tanto de você... - William profere calmamente em uma frase sussurrada, beijando a pele alva do pescoço de Harry, próxima ao seu ombro e o sentindo se encolher no abraço, escondendo seu rosto no travesseiro e segurando a mão de Louis, que acariciava sua barriga.Louis relou a pontinha de seu nariz levemente na nuca de Harry, tendo o garoto arrepiado e sorridente em seus braços.— Obrigado... Por gostar de mim. — Qual é, não me agradeça por isso. Há tantas coisas pelas quais você realmente deveria me agradecer e nunca o fez. - Brincou divertido, fazendo cócegas no garoto e o ouvindo sorrir repentinamente. Céus, Louis amava aquele som.— Foi mal, Louis. - Harry sussurra contra o tecido aquecido do edredom, sentindo seu próprio rosto suar levemente enquanto as mãos de Louis ainda passeavam por sua cintura exposta, por conta de ter seu casaco levantado preguiçosa e involuntariamente. — Eu só não sou acostumado a pedir desculpas. E você não precisa realmente saber disso. Louis sorriu baixinho, expirando todo seu ar quente na pele arrepiada de Harry, negando com sua cabeça antes de levar seus dedos para os cachos macios e cheirosos do garoto deitado em seus braços, acariciando seus cabelo e enrolando mechas onduladas em seus próprios dedos.— Se importa se eu te dizer algo sobre você mesmo? - William perguntou, mesmo que mentalmente fosse uma pergunta retórica. Ele sabia que Harry não o responderia realmente. Mas foi surpreendido quando o sentiu negar, movimentando sua cabeça e deixando seus cachos escaparem dos dedos do mais velho.— Não quero que deixe o mundo endurecer você, de verdade, malchik, eu não quero. Não quero que você deixe a dor se transformar em ódio ou raiva aqui dentro - Passeou seus dedos pelo torso coberto – pelo pijama – do garoto, descansando seus dedos no peito palpitante do mesmo. — Porque você é, sim, uma pessoa doce, você é adorável, Harry. Acredite que há lugares que acolhem beleza própria, não precisa ser necessariamente um lugar palpável, entende? Eu só não quero que as consequências mundanas roubem sua essência... - O acastanhado comenta sincero, parando seus movimentos, enquanto sente Styles tensionar em seus braços, encolhendo-se no abraço. Ambos passam minutos em silêncio, Tomlinson sabe que o mais novo está a ponderar sobre aquilo, não gostaria de pressioná-lo a responder algo, mas também tinha a visível vontade de saber qual era sua opinião sobre aquilo. Louis teve plena certeza de que havia atingido Harry quando o garoto mudou de assunto.— Você ainda não me contou a maneira que escolheu para gostar de mim. — Eu espero que os meus sentimentos se moldem às nossas ações. - Revela rouca e sonolentamente, voltando a acariciar o couro cabeludo de Edward.Eles não trocaram uma palavra sequer após isso. Harry sentia-se acolhido e confortável o suficiente para dormir nos braços aconchegantes de Louis.[...]Louis foi o primeiro a acordar na manhã seguinte, percebendo um suspiro irritado escapar da boca de Harry, provavelmente por ter sido acordado de seu sono. Sorriu quando sentiu o olhar do mais novo sobre si, e encarou a janela, essa mesma que estava aberta, deixando-o ter a visão do vidro respingado de gotas gélidas de chuva e embaçado por conta da temperatura amena dentro do ático em contato com o objeto gelado e transparente. — Estou com frio. - Harry comenta murmurando, trazendo seus próprios braços para perto de seu peitoral, procurando uma forma de aquecer os dedos congelantes. William senta-se com cuidado sobre a cama, passando seus olhos por toda a habitação e encontrando um cobertor dobrado próximo aos seus pés - na borda da cama. O rapaz inclinou-se com suavidade, segurando o cobertor firmemente entre seus dedos, desdobrando o tecido e o jogando por cima do corpo trêmulo de Harry, o sentindo suspirar conformado com aquilo.— Que horas são? - Edward questiona curioso, ajeitando-se sob os tecidos, tendo a ajuda de Louis, esse que enfiou sua mão embaixo do travesseiro e retirou seu celular de lá, ligando o mesmo e arregalando seus olhos ao perceber quantas horas havia dormido. - Três horas da tarde. — Hum. - É o que ele diz, sem demonstrar nenhum tipo de surpresa, voltando a confortar-se no colchão, implorando silenciosamente por um abraço de Louis, o que não demorou muito para acontecer. - Quero passar o dia todo aqui.— Porra, eu estava pensando em te levar para um lugar, não faça isso comigo. - Dramatizou, escutando o sorriso quase envergonhado do garoto pressionado contra seu peitoral. Louis aproveitou o silêncio instalado entre ambos para refletir sobre o dia anterior, e sobre todas as coisas nas quais saíram de sua boca durante aquela declaração repentina e impensada. Nada havia sido inventado, realmente não. Tomlinson provavelmente nunca fora tão sincero em toda a sua vida. Ele sabia o quanto a sinceridade naquelas palavras poderia ter assustado Harry, mas sinceramente? Louis não tinha a menor ideia de quando se declararia caso não houvesse aquela oportunidade que surgiu de repente.Perceber próprios sentimentos não é difícil. Não é. E Louis pode garantir que não.Difícil é assumi-los, mesmo que seja para si mesmo. Você nunca quer assumir para si mesmo que está gostando de alguém, principalmente quando este alguém é seu melhor amigo e a única coisa necessária entre vocês dois é a reciprocidade da amizade genuína que construíram ao longo dos meses. Era óbvio que Louis havia se assustado também, era tão claro quanto a luminosidade de uma lareira acesa em um sótão completamente escuro e empoeirado. Ele passou noites em claro, sem conseguir sequer cochilar, pensando sobre qual seria a reação de Harry ao descobrir aquilo, ou ao ouvi-lo se declarar. Passou noites em claro pensando sobre como contaria aquilo para Styles sem fazer com que o garoto pensasse que a culpa - sobre Louis ter começado a gostar de si - era inteiramente sua.E sendo sincero, sim, a culpa era inteiramente de Harry.A culpa era de Harry por ser tão único, por ser uma incógnita que Louis nunca conseguiu resolver. Tinha culpa por ser uma questão sem alternativa correta para responder. Tinha culpa por ser o livro de páginas rasgadas que Louis sempre foi curioso para ler o desfecho da história. Tinha culpa por ser a música que Louis nunca conseguiu tocar, mas mesmo assim tinha adoração por ela, mesmo assim tinha vontade de ouvi-la a cada instante. Tinha culpa por ser a bela caixinha de música esquecida no fundo de um armário, essa qual William não tinha intenção alguma de consertar, pois realmente adorava todos os ruídos que o objeto emitia.— As pessoas fodidas tendem à tentarem consertar outras pessoas que se encontram na mesma situação, mas eu não quero consertar você. - Louis sussurra repentinamente, percebendo a movimentação desconfortável de Harry em seus braços. O garoto têm seu cenho franzido em confusão enquanto o encara com seus olhos inchados e cachos bagunçados. Louis mal pode terminar sua frase pois Harry o responde.— Você não precisa me consertar, Louis - Ele gargalha em nervosismo, encarando o mais velho enquanto engole seco — Porque eu nunca quebrei. — Você não é como a água, Harry. - Diz preguiçosamente, apoiando sua bochecha na palma de sua mão.A água é a coisa mais maleável e adaptável existente. Seria uma boa metáfora quase Harry houvesse a entendido.— Quem te disse que não?William sorri despreparado para proferir, porém sente que tem intimidade o suficiente para dizê-lo: — Você sabe que a água pode ser a coisa mais maleável e adaptável do mundo, verdade? Mas os recipientes que a carregam não. Eles não se adaptam à ela, sequer tentam. Então ela esvai, o recipiente transborda, e cada vez perde mais conteúdo. — Por que isso tão repentinamente, o que deu em você? Tipo, que história é essa? — Ei, tranquilo. Isso foi apenas um comentário, eu terminaria de dizê-lo caso você não fosse afobado para fazer com que eu perdesse a minha própria linha de raciocínio. Você não confia em mim o suficiente e isso é tudo.— Já contei que sim, eu confio em você, caralho. Mas também já disse que existem coisas que eu não posso contar sem que me machuquem. Eu não quero pensar nessas coisas porque elas me machucam, você não entende isso? Não quero comentar sobre elas porque todas as vezes, apenas de pensar, elas me deixam assim. Me alteram, tiram o meu sono e a minha paz. Apenas lembrar delas tira a minha vontade de viver. E que merda, eu posso ser egoísta o suficiente para nunca te contar sobre elas, mas porra, não é porque eu não quero, é porque eu não consigo. É a mesma coisa que eu chegar para você e perguntar o por quê do teu pai ser alcoólatra. — Você é insensível. - É o que Louis responde, sentindo o garoto encolher-se sobre si.— Me d-desculpa... - Harry sussurra sincero, sentindo sua garganta se fechar conforme suas bochechas esquentem de raiva, ele apenas sentia-se um merda porque não deveria ter metido o pai de Louis nisso tudo. Não deveria ter sido idiota àquele ponto. Agora ele entendia o porquê de nunca ter ninguém junto a si. Não queria se fazer de vítima, até porque sequer poderia reclamar caso Tomlinson o xingasse dos piores nomes possíveis e pronunciáveis, ou jogasse algumas verdades em sua cara. Mas também era quase impossível não pensar que aquela era a motivação por nunca ter tido amigos.O mais velho se levanta, com cuidado, deixando o mais novo ainda deitado, o encarando com certa indiferença.— Não te condeno por isso, acredite, você já disse coisas piores. E você não é uma criança, sabe o que é certo e o que é errado. Eu não preciso te explicar o que machuca as pessoas ou não, com certeza já é entendível para você. - Louis veste seu moletom, deixado no solo, ao lado da cama, durante a noite.— Eu não queria envolvê-lo nisso. — Você nunca quer. - Sorri desacreditado.— Sim, você está certo, eu sou um insensível de merda. Não era isso o que você gostaria de ouvir? Bem, está aí. Eu sou isso mesmo. - Harry lhe dá os ombros, visivelmente havia desistido de sequer tentar.Louis assente, tendo em mente cada vacilo que o olhar de Harry dava ao tentar encará-lo e manter suas grandes pedras esmeraldinas sobre o imenso e agitado oceano.— Pelo menos eu tento. - Harry volta a dizer, sentando-se com raiva sobre o velho colchão da cama em decoração medieval do ático — Pelo menos com você eu tento...O coração de Tomlinson vacila naquele instante. E ele não sente vergonha em admitir quilo. Sente seu órgão palpitar ao escutar Styles dizendo tais palavras.Ele sorri descontente, com a situação, é um pequeno sorriso, pouco culpado, embora soubesse do direito que tinha sobre ficar ou estar chateado com aquilo tudo, que ocorreu em menos de meia hora.— Ok. - Louis diz antes de deixar o ático, procurando por qualquer habitante daquela casa, não querendo ser visto por ninguém.Harry não o chama de volta, mas Louis sabe que aquilo não significa que ele não o quer por perto, significa que ele está a respeitar seu espaço, mesmo que tampouco saiba o que ocorrerá em seguida. William não mentirá, ele sente medo de tê-lo afastado de si, pois sabe que para Harry, tudo é muito intenso, mais do que deveria ser. Seus sentimentos têm mais intensidade e isso é perceptível, principalmente a raiva, embora ele tente esconder todos eles de Louis.Seus passos são rápidos para fora da habitação, ele realmente não pretendia brigar ou discutir com o garoto, sequer estava bravo, porém não mentiria ou tentaria esconder sua chateação. Sente medo porque não quer que Harry pense que seus sentimentos mudaram apenas com aquela troca de palavras, o que ele pensa que com certeza acontecerá, então antes de pensar duas vezes sobre, ele retira seu celular do bolso de seu moletom canguru, já nas calçadas vazias da cidade - por conta do frio - e abre a última conversa que teve com Styles, apressando-se para digitar, com seus dedos paralisados e gélidos. William_Tommo: Eu ainda adoro você, Pridurok. Sabia que Harry não o responderia, então voltou a guardar seu celular no no bolso, caminhando em passos longos e rápidos passos para o cais, enquanto a forte e congelante garoa vinha de encontro com seu rosto, antes corado pela quentura e o contato com o corpo do cacheado. Harry sempre foi muito quente, no sentido literal da palavra, seu corpo emanava calor, principalmente quando sentia raiva. Louis sorriu com o pensamento que teve, explicando para si próprio o porquê chamava o garoto de esquentadinho.. . . Louis reuniu seus amigos em casa naquele dia, procurava distrair sua mente, mas não conseguiu segurar suas emoções e acabou por contar que havia – finalmente – se declarado para Harry, o que gerou comemorações, que logo foram pausadas ao que escutaram Louis dizer que haviam discutido. Primeiro Zayn sorriu, pois Louis disse que havia sido por um motivo bobo, mas depois sentiu-se mal pois aquilo realmente não era um motivo bobo. Era duro controlar suas emoções ou seus sentimentos, mas provavelmente a pior parte era tentar. Porque você sempre pensa em desistir. Você sempre acha impossível.Era duro também quando seus amigos saíam e William permanecia sozinho, perdido em seus próprios pensamentos, tentando, de alguma forma, colocá-los para fora, em forma de música. Com certeza não tinha a intenção de mostrar aquilo para ninguém pois apenas as primeiras palavras eram íntimas o suficiente para serem expostas ou lidas para alguém.Tomlinson nunca pensou que fosse reclamar por estar de férias, realmente nunca pensou nessa hipótese, assim como nunca havia pensado na hipótese de ter Harry Styles como... Como... Seu melhor amigo... Não tão amigo... Louis não sabe. Mas nunca pensou em algum dia tê-lo tão próximo.Nunca passou por sua cabeça que algum dia teria a confiança daquele garoto, o mesmo que falava dois palavrões a cada cinco palavras. O mesmo que fazia de tudo para desrespeitar o código escolar da Instituição de Wassed. O mesmo garoto que ele jurava ser insuportável para uma aproximação. O mesmo que ele julgou tantas vezes e sequer imaginava o labirinto profundo, escuro e sem saída que estava entrando, mesmo sem segurar uma lanterna ou tentar traçar um mapa imaginário em sua cabeça.— Está quieto desde o começo da semana, sem tagarelar sobre o meu almoço - Dave começou assim que chegou em casa, pouco mais cedo do que o usual. Deixando seu pote vazio dentro da pia de lavar louças, encarando o mais novo mexer preguiçosamente em sua macarronada — Baterem em você?Louis o encara com o cenho enrugado, negando com a cabeça em seguida, deixando seu prato de lado e fitando os movimentos conhecidos de seu pai, para abrir a geladeira e pegar uma garrafa de cerveja. — Não me bateram. Só estou pensativo. Espero que tenha gostado do seu almoço.— Estava bom criança - ele diz, observando o mar agitado através da grande janela e sua sala de televisão, quase não conseguindo enxergar as grandes ondas por conta da escuridão da noite.Louis entreabriu seus lábios para respondê-lo, mas logo escutou sua porta receber batidas, levantando-se de maneira entediada para atender quem seja ao lado de fora.Não escondeu sua surpresa quando encontrou Harry parado sobre os degraus da porta de sua casa, usando moletons claros e um coturno preto, com seus pés tortinhos para dentro e uma expressão aflita em seu pálido rosto. Se surpreender foi eixado de lado, pois Louis preocupou-se em descer os pequenos degraus - fechando a porta atrás de si - para checar se estava tudo bem com o garoto.— O que houve? Está tudo certo com você? - Perguntou preocupado, tocando os ombros tensos do mais novo, assistindo-o concordar com a cabeça e lhe entregar passagens físicas de ônibus.— Sai comigo. - Acena para a rua, retirando uma touca rosa de seu bolso, a vestindo logo após, ainda temendo a resposta que receberia de Louis, depois de tê-lo entristecido. — Por favor?Tomlinson suspirou, sentindo seu coração se tranquilizar, assim como todas as sensações perturbadoras que vagavam por toda a extensão de seu interior. Ele engoliu seco, como se toda a saliva presente ali levasse toda a sua amargura embora por sua garganta, assentindo depois disso. Apoiando sua mão na cintura do outro, esperando que ele o guiasse até a parada mais próxima de ônibus.Durante o trajeto, Harry encostou sua cabeça no ombro do acastanhado, lhe oferecendo seu outro fone de ouvido, enquanto a música que tocava era: Pope is a rockstar. Louis nunca ouviu aquele som, mas de alguma forma percebeu que apenas o instrumental fazia com que Styles relaxasse seus ombros e fechasse seus olhos, franzindo com suavidade seus lábios, ao mesmo tempo em que batucava seus dígitos no tecido de seu moletom.— Você me desculpou? - Questiona, tentando não demonstrar o quão ansioso estava para saber o que William o responderia. — Sim, eu sei que suas desculpas foram sinceras, não se estresse com isso. - Comentou, caminhando ao lado de Edward não entendendo o por quê do garoto estar tão tenso, tampouco tendo em mente o lugar para qual estava caminhando.Harry assentiu, adentrando o pequeno bosque com altas e esverdeadas árvores, tropeçando em pequenas mudas de arbustos, o local ficava atrás das grandes rochas da praia morta, Louis lembrou-se que costumava caminhar até o lugar com seus amigos, muitas das vezes acampando nas rochas, como não poderia se recordar.— Me desculpa - O cacheado agarra sua mandíbula com força e ao mesmo tempo delicadeza nas pontas quentes de seus dedos, pisando nas pontas surradas dos Converse All-Star brancos – tão encardidos que mal poderiam poderiam serem considerados brancos – para ficar na altura de William. - Por ser assim... Por não te retribuir, por agir como um idiota, por sempre te procurar quando preciso, por te encher com os meus próprios problemas... Me desculpa por não ser como os outros. Por favor, você realmente não precisa dizer que aceita apenas assinta, por favor, eu ensaiei tanto para me desculpar com você e não parecer um débil... - Seus olhos agora estão lubrificados e avermelhados pelas lágrimas que se formavam neles, Louis sentia-se a pior pessoa do mundo, porque era tão visível a dificuldade que aquele garoto tinha em se desculpar.— Você está deixando isso te corroer desde o dia em que discutimos? - Perguntou assistindo o mais novo assentir placidamente, enquanto suas mãos escorregavam da pele da mandíbula de Tomlinson, pelo suor que os poros de seus dedos expeliam. — Harry, porra, eu não quero que você seja como os outros! Como você pôde deixar um pensamento assim fazer morada na sua cabeça? Se eu quisesse outras pessoas eu teria me apaixonado por elas e não por você.Styles o encarava em silêncio, trocando o peso de suas pernas, ainda pisando nas pontas duras do tênis de William, ele acariciou levemente o local, antes de levantar seus pés e inclinar gentilmente sua cabeça para frente, colando seus lábios secos nos lábios gélidos do mais velho, sentindo-o apoiar as mãos em sua cintura. Harry não gostaria de chorar, era só que, estar com Louis era tão bom que ele não conseguia evitar sentir-se emocionado com a grande quantidade de afeto e carinho que recebia.O lugar era iluminado pelo fogo de uma pequena fogueira acesa próxima dos rapazes, provavelmente alguém havia a feito e deixado o bosque em seguido, o que era muito frequente no local.Louis apertou seus braços em volta da cintura delineada do cacheado, sentindo as mãos do mesmo passearem por sua nuca e, logo agarrar suas mechas castanhas e puxá-las, entreabrindo seus lábios em um convite direto para que o mais velho explorasse sua boca com seu músculo úmido e quente. O azulado o fez, colocando suas mãos por dentro do moletom de Edward, apertando a carne aquecida de sua cintura entre os dedos, deixando estalados selares nos cantos dos lábios de Harry. O mais novo ofegou ao sentir o toque, apertando mais ainda suas pálpebras umas nas outras, pressionando seu corpo contra o do maior, movimentando sua língua em movimentos – quase – calmos, acompanhando Tomlinson, o mesmo que mordiscava seu lábio inferior e ainda apertava sua pele sobre o moletom.William sabia como fazê-lo sorrir, ou pelo menos tentar, então puxou toda a quantidade de ar possível por suas narinas, enquanto retribuía o beijo do esverdeado, e assoprou todo o ar – que recolheu – dentro da boca do jovem, sentindo-o se assustar e colidir seus dentes. O acastanhado pensou que havia o irritado, por conta de suas bochechas coradas, mas se tranquilizou quando ouviu a gargalhada adorável de Harry perto de seu ouvido, também sentindo seus ombros serem abraçados pelos braços do menor.— Tudo bem conosco, certo? Styles assentiu, ainda no abraço, tendo suas costas sendo acariciadas pelos dedos do outro, sorrindo pelas cócegas. Abrindo mais ainda seu sorriso ao se lembrar do que Tomlinson havia acabado de fazer durante o beijo. — Se você achou tudo o que eu lhe falei muito estranho, por favor, não caçoe da minha cara - Pediu, tentando não demonstrar sua voz embargada. — Eu prometo que foi sincero...— Ei? Eu conheço sua índole, ninho, sei que está sendo sincero, ok? - Beija seu ombro quentinho, roçando seu nariz contra os cachos caídos ali.Harry sentia como se estivesse se recuperando da primeira vez na qual quebrou seu braço. A sensação de ter Arabella assinando seu gesso todos os dias com uma caligrafia e cor de caneta diferente - para ocupar todos os espaços que não foram preenchidos e recusados serem assinados pelos colegas de classe de Harry - era legal. Mas saber que seu braço continuaria ali, porém não intacto, fazia o coração de Styles disparar, denunciando seu nervosismo e sua ansiedade. Harry temia não conseguir segurá-los.

----- CHAPTER BREAK -----

Harry gostava da sensação de ter Louis por perto. Gostava da sensação que o rapaz passava através de suas ações, palavras e toques. No entanto, Harry sentia-se extremamente inútil por nunca conseguir retribuí-lo. Ele nunca conseguiria, nunca. Nem mesmo caso se esforçasse o suficiente para conseguir lhe dizer que gostava dele, porém não sabia se era da mesma forma que recebia. Sentia que todo aquele carinho e afeto era extremo, o extremo o bastante para que seu interior denunciasse seu desespero e seu sentimento de incapacidade, sentia-se incapaz de receber tudo aquilo. Edward não acha que realmente mereça os sentimentos que recebe de Louis.Era natural que ele se sentisse daquela maneira, principalmente depois de ter discutido com William por uma fala insensível de sua parte. E o acastanhado estava certo, obviamente estava, quando corrigiu Harry. E aquilo não era recente, Louis já corrigiu o garoto inúmeras vezes. Incontáveis vezes, e sequer eram necessárias porque Harry é um jovem de dezoito anos completos, não necessitava de um rapaz de sua idade o corrigindo. Embora quase nunca pensasse antes de dizer algo, sempre percebia o tamanho da besteira que estava a dizer enquanto falava, por esse motivo optava pelo silêncio. Sabia que se ficasse em silêncio não machucaria ninguém. Ficar em silêncio o rendia momentos ponderativos, o que o incomodava, era visível que, mesmo estando em um absoluto silêncio, Harry não conseguia permanecer totalmente quieto. Ou estava desenhando, ou planejando seus desenhos, odiava passar muito tempo sem entreter-se com algo. Alguns pensamentos eram como alavancas rachadas, fraquejadas pelo tempo, mal necessitavam de um leve impulso para que soltasse toda aquela enxurrada de acontecimentos passados, que Styles odiava resgatar. Mesmo que fossem lembranças boas, ele não gostava de relembrá-las, porque a saudade o machucava, o amor que sentiu por sua mãe o machucava.Machucava porque ele tem certeza de que seu amor não foi o suficiente para Arabella.E porque ele tem certeza de que não seria o suficiente para Louis.Então Edward sequer deixava a possibilidade de algum dia amar William passar por sua cabeça, porque seu amor não o faria ficar. Seu amor é fraco. Era fraco. Facilmente comparável à uma pétala solitária e murcha, tão frágil que apenas um sopro rasgou-a, mas ninguém realmente se importou com aquela pétala rasgada. Porque o fariam quando haviam outros lindos e vivos arranjos de flores postas sob um balcão de uma linda floricultura? Porque se importariam justo com a única pétala murcha e rasgada?Às vezes, era normal que o garoto se sentisse como um imenso mar, não tão cristalino quanto das imensidões agitadas de Louis, mas bom visivelmente e suficiente para que visitantes o adentrassem, mesmo que nunca quisessem propriamente mergulhar e procurar por seus tesouros. Embora Harry também ache que, caso algum dia, alguém tenha coragem o bastante para mergulhar em suas águas, nunca encontrará um coral bonito e habitável sequer...Seus olhos passeiam cansadamente pelo teto cinzento de seu quarto, perdendo-se nas pequenas estrelas "brilhantes" coladas na tinta. Elas já não brilhavam tanto quanto faziam no dia em que foram colocadas no local, mas mesmo que deixassem de iluminar umas as outras, Edward continuaria a admirá-las. Ele têm uma prancheta em seu colo, segurando uma folha de papel sulfite e em branco - não totalmente, pois há traços inacabados desenhados nela. Também há um biquinho em seus lábios, o garoto sente falta de Louis, por mais que tenha conversado com o rapaz por mensagens de textos há menos de três horas.Harry também pega-se pensando sobre o quanto vêm mudando desde o início do ano letivo. Não sabe se as mudanças o fizeram mal ou bem, porém se sente estranho, não como se estivesse errado, mas como se não se reconhecesse mais... Aquilo era ruim? Ele não gostaria que fosse.- Não irá jantar, Harry? - Scott bate na porta, mas não adentra o cômodo, permanece atrás da barreira de madeira. O garoto deixa seus desenhos de lado, assentindo, mesmo que soubesse que seu pai não o veria concordar.Ele desce para a cozinha em silêncio, apoiando-se no corrimão da escadaria, inspirando o agradável cheiro de purê, sorriu quando assistiu Cillian caminhar de um lado para o outro na copa, vestindo um avental sujo de ingredientes e temperos, segurando uma travessa de carne e molho de tomate. Harry prometeu para si mesmo que não deixaria nada estragar sua noite.— E não é que você desceu sem reclamar!? - O homem diz, contendo um sorriso, enquanto ajeita o vidro quente sobre a toalha da mesa. Harry assente quietamente, sentando-se em uma das cadeiras próximas à travessa, observando atentamente os movimentos ágeis de seu pai ao organizar todos os itens necessários para o jantar.O cacheado inclina sua cabeça para o lado – provocando a inclinação de seus cachos manualmente moldados – quando Scott deixa um recipiente plástico próximo aos copos, seu cenho é franzido pela curiosidade e logo ele pergunta: — O que é isso? - Aponta para o recipiente.—Creme de alho. — Especialidade da casa. - Cillian complementa a fala do marido, enquanto retira o avental e o apoia no encosto de madeira da cadeira, sentando-se na almofada do assento em seguida.Harry entreabre seus lábios, quase frustrado por lembrar-se da receita de sua mãe, então resolve engolir o choro preso em sua garganta, movimentando sua cabeça para cima e para baixa, em concordância com seus pais. O garoto observa as ruas iluminadas – pelos postes de iluminação pública – da cidade, as calçadas vazias e o som alto da chuva que caía sobre Wassed, molhando os asfaltos e agitando o mar. Por mais que não morasse próximo ao mar, sabia que estava agitado, principalmente por conta da Lua. Louis havia lhe contado detalhadamente sobre cada fase da Lua. Também havia se aprofundado nas constelações e na chuva. William comentou também que a chuva lembrava Edward, pois mesmo que houvesse uma previsão dada pouco antes do fenômeno, nunca tinham certeza de qual seria a intensidade da chuva, nem mesmo o quão forte ela cairia ou se alagaria uma cidade inteira. Harry foi tolo o suficiente para dizê-lo que não havia o entendido.— Harry, ajeite essa postura na mesa. - Scott toca suas costas e seu ombro, ajeitando toda sua postura e senta-se ao seu lado. O garoto bufou descontente, mas de maneira imperceptível, tentando evitar o início de uma discussão ali, na mesa do jantar.— Suas férias estão a acabar e você não fez absolutamente nada, sequer tomou um banho no lago do jardim. - Cillian serviu o prato do filho, deixando-o em frente ao cacheado, que o encarava com a expressão mais entediante possível no rosto.— Eu saí sim, mas vocês não estavam em casa, não achei necessário avisar por mensagens que estava saindo.— Passe um dia sem ser mal educado, veja quanta coisa mudará na sua vida. - Scott intromete-se na conversa, despejando pouco do líquido amarelo e doce em seu próprio copo. Styles sorri desacreditado, cruzando seus braços e arqueando suas sobrancelhas, de forma que – visivelmente – desafiasse seus pais. — Eu não fui mal educado. Tentei manter uma conversa normal com vocês, mas, como sempre, não deu. Porque vocês sempre arranjam um jeito de fazer com que essa porra se torne difícil para mim. Se vocês não querem que eu atrapalhe o horário da refeição, me avisem que eu evito descer. Isso cansa, que merda, parece que estão me mantendo nessa casa por pena. - Harry levanta-se da mesa, empurrando sua cadeira para baixo da mesma. Embora estivesse extremamente irritado, agia de maneira calma, não demonstrando seus verdadeiros sentimentos, até porque caso o fizesse seria motivo de deboche, e ele realmente não gostaria de passar por uma situação vergonhosa como essa. — Não adianta tentar, Harry. Acredite, nós já o fizemos, mas você é impossível. - Cillian diz, parece calmo, ou talvez esteja apenas se controlando para não surtar e deixar um tapa no rosto de seu filho.— Eu já aceitei isso, o que você vai dizer mais? Que eu sou um viciado? Um doente? Ah, existem tantos nomes que às vezes eu me esqueço. Por favor, me lembre. Acho que as drogas afetam a minha cabeça. - Tocou sua têmpora com a ponta de seu dedo indicador, encarando fixamente seu pai, assistindo o mesmo sorrir, pousando seus talheres sobre a louça de porcelana.— Eu não sei aonde falhei em sua educação, mas creio que não pode ser reversível. Como você consegue? Sabe que nunca tentou Harry, você sabe que nunca o fez. Desde o meu casamento com Scott. Você implica com ele, diversas vezes bateu a porta na cara do meu marido e gritou inúmeras vezes que ele não era seu pai-— Óbvio que eu fiz isso. O Scott não tem direito nenhum de se meter em assuntos que são voltado à minha mãe, ele nunca a conheceu, não se faça de idiota!— Eu sou o seu pai e você vai me respeitar querendo ou não, Edward. Eu também me sinto cansado por ter de aturá-lo com essas discussões infantis em todas as refeições que tentamos lhe incluir. Qual é o seu problema, Harry? Por que você não pode ser normal? Ou pelo menos fingir ser, huh? Harry suspirou em choque, engolindo sua saliva a seco, propriamente sentindo o ardor de seus olhos, tendo certeza de que estava prestes a chorar na frente do homem que o insultou como um desconhecido. Afinal, era isso que ele era considerado por seu pai, aparentemente. Um desconhecido.— Bem, se você houvesse optado por tê-lo acompanhado - aponta para Scott, ainda sentado à mesa, com uma face nada agradável ou compreensível —, ao hospital no dia em que fodeu com a nossa vida, eu poderia ter sido deixado lá. Seu filho morrer preso em ferragens não parece uma ideia tão assustadora agora, parece? - Edward questiona, voltando a desafiar seu pai, com uma de suas sobrancelhas arqueadas e seus braços ainda cruzado, porém desta vez ele não pode esperar para saber qual seria a reação de seu pai.Desta vez foi algo inesperado - porém nem tanto - para o momento em que se encontravam.Cillian desferiu um tapa na bochecha do filho. O som do estalo foi tão alto que pôde cobrir a voz raivosa, também acoplada com o grito de Cillian. Harry, por sua vez, permaneceu estático, totalmente sem reação. Seu rosto estava inclinado para o lado, como consequência da ação de seu pai.Suas bochecha ardia, queimava como uma chama ardente de fogo posta ali, e não era no bom sentido. Não ardia como fazia quando Harry tinha a oportunidade de ouvir coisas bonitas sobre si vindas de Louis, não chegava nem perto daquela sensação. Não doía apenas por tê-lo machucado externamente, mas sim internamente. O doía porque era seu pai ali. Era a pessoa que deveria apoiá-lo desde o princípio. Mas ele nunca o fez. Ao sentir se rosto ser golpeado, Harry agarrou-se ao encosto da cadeira, inserindo seus dedos entre as aberturas da cadeira, a madeiras do assento era coberta por tecidos almofadados, o que ajudou a fazer com que as pernas do garoto não vacilassem e seu corpo não se desiquilibrasse. Seus cachos pareciam pesar mais do que o usual, eles cobriam metade de seu rosto, por conta do forte impacto contra a mão de Cillian. Mas aquilo chegava a ser quase imperceptível, principalmente quando a frustração tomava conta de todo o seu corpo. Era um misto de emoções, sinceramente. Harry nunca se sentiu tão magoado, chateado e frustrado em sua vida. Talvez tudo aquilo realmente fosse sua culpa. Talvez sim. Não haviam outras respostas. Uma pessoa que não tem culpa das consequências de uma ação que não teve não deveria sofrer por elas. — Você perdeu toda a sua razão, Cillian. - Scott é direto ao dizer, levantando-se da mesa e agarrando nos bíceps do marido, o puxando com certa placidez para trás, enquanto Harry ainda digeria tudo o que havia acontecido em poucos minutos. — Venha, Harry, suba para o seu quarto. - O loiro tocou levemente no rosto do mais novo, retirando os cachos que cobriam boa parte de sua visão e tocando no braço do mesmo, ainda inclinado na cadeira.Harry estava tão aéreo que mal pensou em sequer retribuir seu pai com palavras duras ou ofensas. Obviamente não se rebaixaria ao nível do homem, não o desrespeitaria de tal forma, retribuindo o tapa. Estava apenas atônito demais para pensar nisso.Ele sorriu enquanto subia os degraus, atraindo o olhar confuso de Scott. Sorriu ainda desacreditado, passando sua mão gélida por sua bochecha fervorosa, sentindo o inchaço e a quentura presente em sua pele. Era só... Inacreditável.— Não deveria ter falado aquilo para seu pai. - Scott murmura, abrindo a porta d quarto do garoto, assistindo o mesmo se encostar no batente branco e gelado da porta, aparentemente o impedindo de adentrar o cômodo. — Pode descer para defendê-lo e rir de mim junto a ele. Não preciso de sua companhia.— Claro que não, Harry. Você é independente, não precisa de nada nem de ninguém, estou certo? Todos te machucam. Ninguém nunca é bom o suficiente para você. Quanta crueldade das pessoas, não? - Ironiza, amarfanhando seu cenho, controlando um sorriso zombeteiro. Harry jogou sua cabeça para trás, o xingando mentalmente, também em sussurros, voltando a encará-lo logo em seguida, tentando não deixá-lo ver seus olhos marejados. O garoto assente para a frase que acabou de deixar a boca do homem. Concordando com aquilo, mesmo que saiba que boa parte seja mentira.— Sim. Você está certo. Mais do que certo. - O responde à altura, batendo a porta na cara do homem em seguida, evitando chorar enquanto percebia a presença de Scott em pé, atrás da porta de seu quarto.Harry discute mentalmente consigo. Aquela não havia sido a primeira vez, no entanto havia doído mais do que a primeira. Também discute consigo por ser tão idiota e ainda ter esperanças de que algum dia aquilo mudaria. Porque ele sabe que não vai.[...].Cartas são lembranças.Muitas das vezes você recebe cartas quando alguém distante lembrou-se de você. Geralmente elas vêm com selos adesivos, pequenas estampilhas coloridas coladas na extremidade de um cartão postal. Louis os adorava, colecionava centenas deles. Tinha uma caixa de biscoitos caseiros já devorados lotada com os selos empoeirados e sujos. Há tempos desde a última vez na qual guardou algum estampilho lá.Louis cansou.Era difícil dizer isso. Era como quando criança. Foi difícil aceitar que já não tinha mais tanta vontade de entrar na água do mar, ou pular pequenas ondas na areia junto à sua mãe. Quando ia para praia e sua única vontade era ficar sentado naquelas caras cadeiras de alumínio, bebendo uma lata inteira de refrigerante enquanto seus pais insistiam para que ele fosse jogar - pelo menos - uma partida de vôlei.Mas fazia parte, então isso é o que é, e as coisas não podem mudar.Tomlinson suspirava pesadamente enquanto retirava o lacre da carta que havia recebido há horas, tentando focar-se somente na abertura do material e não no burburinho alto que ocorria atrás de si. Estar na casa de Calvin requisitava sempre de muito esforço mental, principalmente para aturá-lo chorando por conta de discussões bobas que houveram com Hunter. Louis tornava-se o conselheiro oficial do amigo em momentos como esse. Era engraçado, porque Hunter geralmente era a que pedia desculpas primeiro.No momento eles estavam "comemorando" algo estúpido, que não havia a necessidade de ser comemorado, mas mesmo assim estavam o fazendo. O acastanhado ficou feliz em não ter de ler nenhum texto com palavras vazias e mentirosas acompanhadas de uma caligrafia bonita. Então ele apenas retirou o dinheiro guardado dentro do papel e o guardou em seu bolso, deixando a carta sobre a cabeceira da cama de Calvin. — Vamos ao karaokê! Faz tanto tempo que não aproveitamos uma noite assim juntos. Sempre há algo para nos atrapalhar. - Schafer diz, parece verdadeiramente animada, ela segura uma lata de energético, enquanto tem seus pés sobre o colo do namorado. — Agora você não pode dar a desculpa de que não que faltar na aula Louis.O mais velho entre os amigos sorri, virando-se para eles enquanto pisca calmamente, fitando as expressões esperançosas deles. Chegava a ser cômico, pois todos esperavam algum tipo de autorização de Louis para saírem em grupo.William assentiu, levantando-se do tapete e tirando seu celular do bolso. Sua primeira ação foi: enviar uma mensagem de texto para Harry, o convidando para sair. Também perguntando-se sobre como o garoto estava, considerando que não respondeu sua última mensagem, enviada na noite anterior.Harry conseguia esconder suas emoções com imensa maestria, e Louis já citou isso inúmeras vezes. No entanto, não era possível vê-lo para dizer que o garoto estava a esconder sentimentos ou emoções. Porém Tomlinson se sente angustiado apenas por pensar em ter Harry sofrendo.— Chamei o Harry para ir conosco, tudo bem para vocês? - William questiona placidamente, balançando o celular seguro entre seus dedos, logo voltando a encarar seus amigos.— Claro, cara, ele faz parte do nosso esquadrão agora. - Luke o responde simplista, retirando mais uma bala do pacote e jogando em sua boca.O ambiente é quente, no sentido literal, há uma lareira acesa, assim como música alta e bebidas ainda lacradas. A casa de Calvin era sempre uma zona quando eles se reuniam.— Bem, estou indo para casa me arrumar, podemos nos encontrar na festa, sim? - Schafer sugere, retirando seus pés do colo do namorado e pondo-se de pé, logo levando suas mãos para sua cintura, tendo um largo sorriso sem dentes exposto em seu doce rosto.— Sim, eu acho que irei de moto, então tenho que ir para casa e confirmar se o Harry vai mesmo. – Louis espera que vá.— Certo, nos encontramos lá às nove. Vou ligar e reservar uma mesa para seis. - Hunter diz, vestindo seu casaco de couro artificial, e logo deixa o quarto, cumprimentando a mãe de Calvin antes de descer as escadas. Louis vai logo trás de sua amiga, despedindo-se da mesma na calçada do sobrado, aguardando até que a garota entre no carro de aplicativo para seguir seu caminho. .Harry certamente não negaria que sorriu em frente ao espelho enquanto lia o convite de Louis.Por coincidência estava a sair do banho. O vidro do espelho estava embaçado por conta da vaporização da água, assim como o box do banheiro. O esverdeado estava descalço sobre o tapete felpudo posto no solo, ao mesmo tempo em que seu corpo estava enrolado por uma toalha branca e aquecida, e seus cachos estavam encharcados, ainda sem o formato ondulado natural. Seu rosto estava vermelho como consequência da temperatura da água. Era odioso se olhar no espelho e ver aquelas marcas esbranquiçadas e inchadas todos os dias. Harry as odiava mais do que qualquer outra coisa. Embora tenha passado um pouco tempo as observando depois que Louis beijou-as.Xingou-se em voz alta pela animação idiota e por passar mais tempo que o necessário em frente ao espelho, agarrando seu roupão e o vestindo mesmo durante o caminho para seu closet. Sua bochecha ainda se encontrava vermelha, e aquilo o incomodava. Todas as vezes nas quais sentia e/ou via aquela nova marca se fazendo presente ali sua raiva aumentava consideravelmente, se sentia no direito, até porque haviam dois dias desde o ocorrido, e Cillian sequer olhou em sua face ou fez menção de se desculpar.Edward chacoalhou sua cabeça em desatenção, confirmando sua presença nas mensagens diretas de Tomlinson. Sorria feito bobo enquanto escrevia "estarei pronto em 30 min", mordendo seu lábio inferior, totalmente aéreo. Se achava um completo idiota. Mas estava sozinho, não precisava esconder o quão bobo era.Enquanto procurava por uma roupa decente dentro de seu armário, Harry encontrou um casaco jeans que sua mãe usava com frequência. Quis chorar com aquilo, pois odiava lembranças – tinha medo de pensar muito sobre elas e acabar se afundando naquilo –, Harry tinha certeza de que se resgatasse memórias de Arabella em sua mente entraria em um estado nada agradável, e ele não cita isso como um breve aviso. A última vez na qual pensou em sua mãe e resgatou boas memórias junto a ela, Harry teve a experiência agradável de uma – quase – morte. Pensou que a reencontraria, mas acordou em um hospital, com paredes brancas e sopas sem sal. Era óbvio que Cillian, ao invés de ajudá-lo, discutiu e brigou com o garoto, embora tivesse apenas dezesseis anos na época, estava sendo tratado como um homem de trinta anos que não sabia quais seriam as consequências de um suicídio. Styles pegava-se pensando sobre como as coisas passavam.As feridas se cicatrizam com o tempo, mesmo que você não esteja cem por cento para seguir em frente, elas ainda estão ali, sendo cicatrizadas ou cobertas por uma casca amarronzada, que logo será arrancada, fará com que sua pele sangre, mas volte à coloração normal em questão de poucos dias. Você sempre se recordará de como aquele machucado foi feito, mas nunca de quanto tempo levou para ser cicatrizado. Algumas dessas feridas deixam marcas eternas. Marcas que você nunca quis ter, mas infelizmente carrega consigo.Harry pensou que nunca fosse verdadeiramente melhorar. Pensou que fosse se afundar cada vez mais na depressão. E sinceramente? Ele não sabe como conseguiu arranjar forças para sair de sua cama e começar o segundo ano de seu ensino médio. Não havia ninguém ali por ele. Harry nunca teve amigos, o que com certeza era uma merda, pois tinha em mente que ao chegar na escola não teria uma figura fraterna sequer para poder compartilhar suas tristezas ou pedir um abraço. Era uma merda porque ele não gostaria de parecer a vítima da história, até porque sempre fez por merecer; tratando as pessoas com grosseria e literalmente as espantando. Mas também era uma merda não ter tido uma figura paterna durante sua adolescência. Embora Lois fosse a pessoa que o faz levantar da cama, hoje em dia.Às vezes Harry também se pega pensando em como seria sua vida caso tivesse pedido para seu pai o deixar em uma clínica. Talvez nunca tivesse conhecido Louis... O pensamento faz o estômago de Styles se revirar. Mas como pensado anteriormente, ele não gostaria de mudar. Tinha medo de melhorar e se apegar à vida... Coisa que ele realmente não quer.Quando já ponto, Harry deixou seu quarto em passos pesados, deparando-se com seus pais sentados no grande sofá da sala de estar.Ele os ignora, atravessando toda a habitação e chegou à porta de entrada, tocando na maçaneta gélida, pronto para forçá-la para baixo e deixar a casa, quando foi chamado por Cillian.— Onde pensa que vai, mocinho? - Ótimo, vamos fingir que nada aconteceu.O cacheado gira seus calcanhares no chão, com certa irritabilidade, fitando o mais velho com seus olhos e punhos cerrados. — Não que isso seja de sua conta, Cillian, mas eu vou sair com uns... Amigos. - Harry demora para respondê-lo, parece travar no momento em que pensa na palavra, para enfim dizê-la.— Amigos? - Sorriu ladinamente, encarando o filho com um olhar duro. — Ou jovens traficantes que você se junta para se drogar? Edward se controla para não gritar com seu pai e, felizmente, antes que pudesse fazer ou dizer qualquer coisa, ele escuta a buzina da moto de William ao lado de fora de sua casa. Ele agradece ao Universo por aquilo, e então encara seu pai por uma última vez antes de sair, mandando-o ir se foder. — Vamos logo. - O garoto cumprimenta Louis de uma maneira um tanto quanto grosseira, tomando o capacete esticado para si e o colocando em seguida, parecia ligeiramente assustado, e Louis percebeu isso.— Terei o privilégio de saber o que aconteceu? - O mais velho questionou, aguardando Harry se ajeitar na garupa da motocicleta, enquanto abraça fortemente sua cintura e apertava suas pernas em torno de seu quadril. — Nada aconteceu. Eu só quero chegar logo ao karaokê. - Harry nega, mentindo. É nítido, e ele claramente demonstra isso. Quer que Tomlinson insista, embora nunca vá admitir para si mesmo que gosta de quando o rapaz se preocupa consigo. O acastanhado sequer faz menção de ligar a moto. Move suas mãos cegamente sobre os braços do mais novo, que estão rodeando sua cintura, então entrelaça seus dedos nos dedos do mesmo, o puxando mais para frente ainda, fazendo sua bunda ser inclinada na garupa, sem sequer perceber aquilo, mas Styles percebe, e sorri envergonhado quando ambos capacetes colidem e essa colisão faça um barulho extremamente alto.— Ei, vamos logo. - Edward gritou, para que o outro pudesse ouvi-lo com clareza. Estava sorrindo amplamente, mesmo que estivesse desesperado para sair da calçada de entrada de sua casa. Tinha medo de seu pai ir atrás de si por conta do "vai se foder", que disse antes de bater a porta. Mas aparentemente Cillian ficou chocado demais até mesmo para gritar com o garoto.— Tudo bem, segure-se, malchik.— Eu sempre o faço, idiota! - Gritou novamente quando Louis ligou a moto, fazendo com que sua voz sobressaísse o barulho alto do motor.O acastanhado gargalhou ao sentir as mãos de Harry se apertarem fortemente em sua cintura, fechando seus olhos enquanto lacrimejava e escutava o riso alto do outro atrás de si. — Não me xingue, ou eu te jogarei na água do rio mais podre da cidade. E pode escrever, eu não o ajudarei a sair de lá. - Louis brinca, enquanto as partes internas das pernas de Harry quase amassam os quadris de Tomlinson. É claro e visível o medo que Edward sente ao andar de moto ou carro, Louis nunca entendeu propriamente, mas sempre fez de tudo para que o garoto se sentisse menos amedrontado ao andar consigo.Então ele fazia o que julgava fazer melhor. Cantava.Cantava de maneira alta, para que sua voz cobrisse o som dos motores de veículos alheios e, talvez acalmasse Harry. Tinha em mente que, se conseguisse o distrair, de alguma forma, faria com que o mais novo tirasse sua atenção da estrada ou de sons que o traziam certa angustia.Louis também conseguia escutar a sorriso de Harry enquanto cantava uma música conhecida, tal que o cacheado tentava acompanhar, mesmo não sabendo a letra.O vento era gélido. Não estavam acostumados com tal clima.  A cidade de Wassed sempre fora uma cidade muito aquecida e ensolarada, as noites eram serenas às vezes. Os ventos eram frescos, mas refrescavam os corpos quentes dos habitantes que se encontravam fora de suas casas. Harry gosta do frio, porque sempre está enrolado a algo; seja um cobertor ou um edredom. Já Louis, prefere o calor, considerando que passou bastante tempo em uma cidade nublosa e chuvosa, então acabou enjoando do clima frio.A proteção de seu capacete estava aberta, fazia com que sua franja longa e bagunçada ricocheteasse sua testa, e as maças afiadas e moldadas de seu rosto. Tomlinson podia sentir a ponta de seu nariz sento congelada pelo vento frio que vinha de encontro contra a pele bronzeada, deixando-a vermelha.Harry, por sua vez, estava uma bagunça total. Louis via a baderna que o garoto se encontrava pelo retrovisor, desejando ajudá-lo, mas impedido pelo trajeto. O esverdeado tinha seus cachos finalizados – e cheirosos – sobre a maioria da extensão de seu rosto, enquanto boa parte de seu sorriso era coberto pelas mechas cor-de-chocolate também. Seus olhos estavam fechados atrás da bagunça de fios, era possível vê-lo apertando suas pálpebras umas contra as outras. Louis saiu de seus devaneios estúpidos e apaixonados quando escutou buzinas de carros direcionadas à si. Assustando o garoto na garupa, fazendo com que as mãos do mesmo voltassem a serem apertadas em volta de sua cintura com força.Durante o trajeto, William o escutou dizer algo, porém mal conseguiu entendê-lo, então apenas assentiu, porque a animação do cacheado provavelmente era seu combustível para o resto da noite.Uma vez que chegaram ao estabelecimento, Styles parou em frente ao retrovisor, tentando domar seus cachos, com oitenta por cento de eficácia. Ele tinha seu cenho franzido, assim como seus lábios. Louis percebeu sua bochecha esquerda pouco mais corada que o usual, ignorando aquilo por julgar ser consequência da quantidade de tempo que passou tendo seu rosto ricocheteado pelos próprios fios amarronzados.O mais novo certamente se encantou com as luzes que o karaokê emitia. Parando para observá-las e tirar foto do local, afinal, não era todo dia que Harry se reunia com outras cinco pessoas para curtir uma noite.— Isso é muito foda, não fazia a mínima ideia de que havia um karaokê na cidade.— Não estamos na cidade, H - Louis sorri, retirando o capacete pesado das mãos do menor, enquanto os olhos verdes do mesmo - que refletiam as luzes coloridas da forma mais nítida e hipnotizante possível. O garoto sorriu simpaticamente, ainda encarando as luzes pelas quais havia se apaixonado. — Mas não reclamaria caso quisessem abrir um karaokê em Wassed.O esverdeado concordou, retirando seu celular do bolso e tirando uma foto do local, enquanto parecia digitar algo, provavelmente a enviando para o amigo com uma legenda boba. Ainda sorrindo de maneira ampla. Louis não cansava de encará-lo, Harry realmente era lindo, haviam inúmeras coisas nas quais o acastanhado não tinha percebido quando o viu dentre toda aquela confusão de tapas, socos e chutes. Gostava das sardinhas quase invisíveis que se localizavam nas laterais da ponte do nariz de Edward. Gostava da maneira como suas pálpebras pareciam pesadas quando seu sorriso era verdadeiro, sendo forçadas a estarem abertas conforme seu nariz era franzido de maneira doce.Tomlinson o observou esse tempo todo em que estava a digitar algo em seu celular e dar zoom na imagem que havia acabado de fotografar. Seus cachos se moldavam a partir de sua bochecha, ondulando-se próximos à orelha.Algumas vozes eram escutadas dentro do estabelecimento, e não demorou muito para que William começasse a caminhar para a porta – de vidro – de entrada.Era um lugar enorme – diga-se de passagem. Com bancadas de madeira envernizada na cor vermelha, e banquetas de couro. A jukebox tocava o som mais alto do estabelecimento, que sobressaía o som dos microfones. Nem todos cantavam, até porque a maioria preferia dançar na pista xadrez, com copos de vodca e cerveja nas mãos.O lustre de discoteca era o destaque ali, mirando luzes em todos os lugares possíveis do estabelecimento. Inclusive nos rostos dos visitantes. E Harry, como o esperado, estava encantado. Louis o achava inacreditável.Quando pontos luminosos cor-de-rosa foram mirados para o rosto de Styles, o mesmo envesgou seus olhos em reflexo, tentando enxergar a cor das luzes, mas logo escutou a gargalhada de Tomlinson, e sorriu envergonhado, tocando a ponta de seu nariz com certa força nos dedos, como se estivesse tentando limpar a luz.— Ei Tommo, estamos aqui, venham! - Zayn acenava para ambos, sentado em um banco vermelho de couro. O rapaz tinha um sorriso no rosto, enquanto segurava uma garrafa, que aparentava ser cerveja.— Veja, eles estão lá. - Louis apontou para a mesa onde seus amigos estavam concentrados, com pratos localizados às suas frentes e hashis aos lados dos pratos. Harry corou, sabendo que deveria cumprimentá-los, julgou-se um idiota por se sentir tão envergonhado. Edward caminhou atrás de William, pisando sem querer na parte traseira da sola do All-Star de Louis, o fazendo tropeçar durante o trajeto. O cacheado não evitou seu sorriso ao que percebeu o olhar furioso do azulado sobre si, com o cenho amarfanhado e os lábios entreabertos, como se questionasse que porra era aquela.— Foi mal, juro que não pisei por querer. - O menor se desculpa, ainda que sorrisse pela reação de William, o outro parecia ter acreditado que não havia sido sua intenção.. — E aí. - Louis cumprimenta seus amigos com um aceno e um grande sorriso enfeitando seu rosto, logo recebendo apertos de mãos e abraços, para enfim, sentar-se ao lado de Hunter, que já dividia uma barca de sushi com seu namorado.— Oi. - Harry dá aquele sorriso nervoso, que ele sempre dá quando há muitas pessoas reunidas ao seu redor. Os garotos percebem aquilo e o cumprimentam da maneira mais acolhedora possível, mesmo que ele não percebesse, Louis o fez.— Sente aqui - O mais velho se afasta da garota enquanto golpeia levemente o couro almofadado, indicando o lugar para que o garoto se sentasse, ao lado de Hunter – mais precisamente. Edward o fita com um olhar agradecido, e se encolhe ao lado de Schafer e Tomlinson.— Escolhemos o rodízio de sushi porque vai sair mais barato. - Calvin diz, enquanto beberica sua cerveja. Louis os observa com um ótimo sentimento, sentindo-se verdadeiramente completo ao olhar para Harry e vê-lo conversando em voz baixa com Hunter. — Como faço para segurar isso? - O azulado questiona, apontando para o hashi ao lado de seu prato, enquanto Luke e Zayn cantam Eminem no karaokê ao lado da mesa em que fora reservada para eles.— Ah, Louis, fala sério - Harry o encara com um olhar de quem tentava desvendar algo, mas não conseguiu. — Você realmente não sabe?O mais velho nega com sua cabeça, perguntando-se qual era o problema daquilo, já que Styles o encarou como se fosse um pecado não saber segurar um hashi. — Olha, primeiro você faz o palitinho de baixo passar entre o polegar e o indicador - Harry o disse como se fazia, de maneira ligeira, sequer o mostrando, fazendo os movimentos com rapidez. Louis franziu seu cenho, ainda encarando as mãos pálidas de Edward e seu rosto sereno. — Daí você os apoia no dedo anelar.— H, você pretende ser professor? - Questionou sutilmente, enquanto o garoto ainda o encarava como se perguntasse "entendeu como se faz?". Harry negou de jeito curioso, espero pela continuação da frase. — Que bom, porque você não sabe ensinar. - Concluiu, assistindo o cacheado revirar seus olhos e lhe dar o dedo do meio em resposta.— Vá se foder seu idiota. - Sorriu desconcertado, arrastando-se pelo couro do banco, até que sua perna estivesse sendo roçada na de Louis. - Faça assim. - Puxou a mão do mais velho, ajeitando o hashi entre os dedos do mesmo. — Vê? Não é tãoo difícil.— 'Tá, e esses sushis, qual é a diferença entre eles?— Huh... Esse daqui é salmão - O cacheado tocou com a ponta de seu hashi no pedaço peixe que estava enrolado no arroz, ao mesmo tempo em que William fitava seu rosto, observando com cuidado suas expressões genuínas ao explicar a diferença entre os sushis. — Esse aqui é caranguejo. Eu gosto.— Qual é o seu preferido? Vou começar por ele - Tomlinson questiona, desviando seu olhar para a barca à sua frente, encarando aquela quantidade exagerada de comida japonesa. Styles forma um biquinho ponderativo em seus lábios, tocando seu queixo com cuidado, ao mesmo tempo em que franzia seu nariz – por ter os amigos de Louis gritando no microfone. O cacheado apontou para o sushi de pepino e William caiu na gargalhada.— Como você é imbecil. Passe fome então. - Harry gritou para Louis, mas por conta da música alta, embutida com o karaokê dos garotos. Edward passou alguns minutos com seu cenho franzido, fingindo estar bravo com a zoação de seu amigo, mas percebeu que não adiantaria nada, então logo voltou a interagir com o mais velho. — Essa música é boa 'pra caralho, vem cantar comigo. - Louis cobre sua boca com o guardanapo preto de pano – desejando não estar sendo mal educado ao falar de boca cheia –, quando Nice to know you ecoa pelo local, vindo do aparelho de som da mesa na qual estavam sentados.— Louis, merda, eu não canto! - Harry praguejou, mas já era tarde demais, pois tinha sua mão direita sendo puxada pelo azulado. O maior tomou os microfones pousados sobre as caixas de som, e entregou um deles para Styles, que mordeu seu lábio inferior quando sentiu os olhares dos amigos de Tomlinson sobre ambos.— Better than watching Gellar - O acastanhado começa, apontando para Harry, como se pedisse para ele dar continuidade, coisa que certamente não ocorre. O mais novo têm o microfone entre seus dedos, enquanto seus poros liberam suor e denunciam seu nervosismos. — Bending silver spoons. Better than witnessing. Newborn nebulas in bloom. He who sees from up high smiles. And surely sings. Harry murmura um "puta que pariu", quando perceber aquilo, mas o sorriso contagiante de Louis faz com que ele não fique tão envergonhado diante àquela situação.— Perspective pries her once, weighty eyes and it gives you wings, i haven't felt the way, i feel today - O outro continua, está cantando para seus amigos, é nítido, mas todos se encantam com a voz do rapaz, e a maioria dos festeiros tiram suas atenções para o cantor momentâneo.Louis segura na barra da jaqueta jeans de Harry, o puxando para perto, ao mesmo tempo em que Hunter levantar seus dois polegares e grita um "vai Harry!".O cacheado sente suas bochechas ferverem, não há nada novo nisso, e então encara Louis, que o encara de volta com o olhar brilhoso. Styles não gostaria de estragara aquele momento.— In so long its hard, for me to specify. I'm beginning to notice how much this feels like. A waking limb. Pins and needles. Nice to know you. - William ainda canta, lendo as letras na tela do monitor. Seus dedos são apertados na cintura coberta de Edward e esse aperto faz com que o mais novo dê um sorriso sincero, observando William cantar.— Goodbye, nice to know you! - Harry levanta o microfone na altura de sua boca, harmonizando sua voz com a de Louis, esse mesmo que arregala seus olhos ao perceber aquilo. Por poucos instantes o esverdeado pensa que estragou todo o karaokê, mas sente-se acolhido quando os amigos de Tomlinson iniciam uma série de palmas e assobios, embora faça com que ele se sinta mais exposto ainda, era bom sentir aquela sensação.O resto da música aconteceu de maneira animada. Até mesmo Hunter se levantou para cantar com os garotos. Ela tinha uma ótima voz, mas desafinava propositalmente para ouvir as gargalhadas de seus amigos. Volta e meia batia seu quadril sutilmente contra o de Harry, apenas para assisti-lo sorrir também. Styles engasgou de tanto rir. Okay, isso havia sido vergonhoso, não negava em momento algum, mas a preocupação excessiva de Tomlinson apenas o fez rir mais ainda ao beber um copo de água gelada. Harry pensou que nunca poderia haver uma noite mais divertida do que aquela. Mesmo que não houvesse colocado uma gota de álcool em sua língua ou dado uma tragada em um cigarro de maconha – bem diferente de Calvin e Hunter –, ele gargalhava de todas as piadas horrorosas que Luke contava enquanto pedia mais uma rodada de cerveja. Também gargalhava das palhaçadas que Zayn dizia e das histórias que Louis contava. Histórias sobre como se conheceram, e das coisas que aprontavam antes de formarem a banda. Histórias sobre todas as vezes nas quais passaram vergonha em um estabelecimento público ou das vezes que discutiram com clientes que gostariam de pagá-los uma merreca pelas três horas que passaram cantando e tocando. Harry jura que nunca sorriu tanto em sua vida. Seus olhos lacrimejavam, assim como sua barriga, que doía. A mão de Louis acariciavam seu ombro ao mesmo tempo em que seu corpo era acolhido em um abraço. O mais velho também sorria, enquanto sua barba rala era gentilmente esfregada no cabelo de Styles ao que o abraçava e tentava mantê-lo aquecido. Nada poderia estragar aquela noite. A não ser os pais de Harry adentrando furiosamente o karaokê, com seus olhares nitidamente vermelhos, procurando pelo garoto, e agarrando o filho pelos braços quando o encontraram sentado junto à Louis.

----- CHAPTER BREAK -----

Louis observou o garoto ser puxado brutalmente para fora do estabelecimento, com o olhar suplicante, enquanto a força pela qual era puxado fazia com que seus pés se arrastassem na pista quadricular de dança, e sua cabeça fosse movida com desespero de um lado para o outro, em forma de negação. Os cachos escondiam seu rosto conforme ele negasse e tentava desfazer o aperto no qual seu braço era enlaçado, tocando no pulso de um homem mais velho, aparentemente seu responsável.O azulado engoliu seco, em desespero, e logo levantou-se, no intuito de ir atrás de Styles, afinal, não conhecia nenhum daqueles dois homens.Quando gritou para que o homem soltasse Harry, tudo o que recebeu foi um sorriso sarcástico, enquanto o cacheado sussurra "por favor" repetidas vezes. À essa altura, todos os olhares dos visitantes do karaokê estavam voltados para o acontecimento do momento. Estavam curiosos, era compreensível. Havia um garoto sendo arrastado para fora de um estabelecimento à força, enquanto outro pedia para que o soltassem, obviamente chamaria atenção. — O que vocês querem, porra? - Louis questionou, jogando o copo vazio de refrigerante no gramado ao lado de fora do local, encarando o único homem que ainda segurava Harry.Harry...Louis nunca o viu tão amedrontado e silenciosamente desesperado. Seu olhar o entregava da maneira mais explícita imaginável. Lágrimas corriam por toda a extensão de seu rosto sem dificuldade alguma, tornando sua pele cada vez mais avermelhada. Ele ainda tentava soltar-se do apertado, e foi quando Tomlinson ouviu as frases mais quebradas e frágeis de sua vida:— Não deixe-o me levar. Ele vai me bater. - Implorou em um sussurro, com a voz totalmente embargada e entrecortada por conta dos soluços cíclicos. Edward chorava agora tudo o que não chorou durante sua vida inteira, Louis nunca vira ninguém em um estado tão dolorido quanto o estado em que o mais novo se encontrava no momento.Harry se sentia envergonhado pela maneira na qual teve de deixar o karaokê. Sentia-se um lixo por estragar tudo para Louis mais uma vez. Não havia nada para resumi-lo além da palavra "dor".O que estavam fazendo consigo doía. Era pior do que qualquer outro tipo de humilhação. Realmente pior.Styles tinha sua garganta fechada, estava sufocando-se com seu próprio choro, enquanto desejava que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo. Desejava que estivesse tão louco a ponto de alucinar tudo aquilo.Ele mal conseguia colocar seus sentimentos em ordem, porque aquilo era simplesmente demais para si.Cillian fincava as unhas na pele clara e sensível do filho, realmente não parecia medir a força na qual a fazia, não o importava se aquilo machucava o garoto. Nada o importava, era visível, principalmente quando sacudiu o garoto com toda a força presente em seu corpo, fazendo Edward tropeçar em seus próprios pés, percebendo sua visão embaçada por conta das lágrimas excessivas e sua garganta dolorida por conta da quantidade de soluços. Estava sem forças para ajudar a si mesmo, pensou que cairia, mas teve seu outro pulso agarrado, sendo sacudido novamente.— Você pensou que viria até aqui, se drogar com os seus amiguinhos, depois de me tratar daquela forma? - Questionou raivosamente, cuspindo de forma proposital no rosto de seu filho. O esverdeado estava alheio, realmente alheio.Seus sentidos pareciam não funcionarem.Cillian gritava consigo no gramado ao lado de fora do karaokê, ao mesmo tempo em que as palavras eram absorvidas de jeito automático, a voz de seu pai parecia tão distante que era difícil ouvi-la. Seu corpo era balançado, mas ele não conseguia sentir no momento, apenas sua visão desfocada o deixava agoniado, ele não sabia qual estava sendo a reação de Louis. Não sabia o que o rapaz pensou quando escutou Cillian gritar que viu a localização do lugar onde o filho estava pela uma postagem em sua rede social, tinha medo de Tomlinson ser o próximo a brigar consigo por ter arruinado a noite na qual se divertiam tanto.Harry explodiu em choro quando voltou à realidade, tentando afastar-se de seu pai, posteriormente falhando, considerando que o homem apertou ainda mais seus dedos em volta dos pulsos de seu filho.Styles tentava arranhar a mão de Cillian, tendo seus lábios entreabertos, soluçando como nunca antes. Sua garganta doía mais do que algum dia o fez. Seus olhos ardiam em resposta às lágrimas que escorriam com frequência. Seu peito doía tanto que Harry pensou na possibilidade de tê-lo sendo prensado. Seu coração estava nas mãos de um desconhecido que costuma chamar de pai. Seu coração estava sendo esmagado pelos dígitos impiedosos e cruéis de Cillian. Harry podia sentir todo o sangue - presente em seu órgão muscular - esvaindo do mesmo, enquanto era obrigado a fazer aquilo, pois havia outros corpos invadindo sua carne. Doía sentir seu coração ser despedaçado daquela maneira. Doía tê-lo sendo descosturado novamente pela pessoa que Styles mais deveria confiar. Doía saber que Harry usou todas as linhas e agulhas necessárias para costurá-lo. Doía saber que ele nunca juntaria pedaços o suficiente para moldar seu coração novamente.Styles nunca pensou que algum dia pudesse sentir uma dor tão irreversível como está sentindo agora.— Solte-o, caralho, é seu filho! - Edward escutou aquela voz tão conhecida. Engoliu seco ao pensar em como William estava reagindo com tudo aquilo acontecendo diante de seus olhos, e logo chorou mais ainda, implorando silenciosamente para que o rapaz não esteja bravo consigo.Harry tinha vergonha de chorar em frente a Louis, mas no momento mal conseguia pensar em vergonha, apenas no que aconteceria dali para frente.Era incerto, obviamente, mas também era certo que Styles levaria a surra mais pesada de sua vida. Com certeza a pior. Edward sentiu sua cintura ser agarrada por duas mãos confortáveis, o puxando para trás com certo cuidado. Também pode sentir essas mesmas mãos retirarem seus pulsos dos apertos de seu pai, o envolvendo em um abraço aquecedor.Era Louis.Ele não precisava inclinar sua cabeça para perceber que era.Era Louis, acolhendo seu coração - mais uma vez. Era Louis juntando os pedaços rasgados, antes remendados. Era Louis os segurando em mãos com toda a cautela possível. Era Louis cuidando daqueles pequenos pedaços para que não fossem rasgados novamente.— E o que você sabe sobre a criação de um filho, hein? - Cillian grita, e o filho se encolhe como um pássaro assustado nos braços de seu dono. — O mínimo para ter ciência de que não é pressionando uma pessoa e arranhando seus braços que eu conseguirei corrigi-lo. Até porque não há o que corrigir. Harry está aproveitando uma noite com os amigos sem colocar uma gota de álcool na boca ou fumar um cigarro. Não faço a menor ideia de qual é a visão que você tem do seu filho, mas pode ter certeza de que o meu Harry não é a porra de um viciado. — Conviva uma semana inteira com esse garoto, e vamos ver se você ainda vai chamá-lo de seu. - Cillian grita, tirando a atenção das pessoas que chegam ao local. William sente Edward tremer no abraço, ainda soluçando de maneira incessante.O acastanhado quer ampará-lo, mas não sabe como o fazer no instante em que estão.— Cillian, - O loiro, que estava calado até então, toma a mandíbula do outro, fitando seus olhos vermelhos, assim como seu rosto. — Tome cuidado, pelo amor de Deus, é seu filho. Harry poderia se acalmar com aquilo. Poderia pensar "pelo menos alguém daquela casa me defende", mas sabe que não é assim que as coisas funcionam. Não com sua família pelo menos. Tinha plena consciência de que Scott falara aquilo no momento, mas depois estaria o humilhando junto de seu pai. Era sempre assim, ele deveria se acostumar. Mas nunca conseguiu. — Esse cara não tem condição alguma de ficar com Harry hoje. Pelo estado no qual se encontra pode agredi-lo de maneira inimaginável. - Louis aperta seus braços em volta do corpo trêmulo de Harry, tentando lhe passar algum tipo de conforto ou segurança enquanto está ali. — Deixem que eu o leve para casa, por favor, eu só quero manter o filho de vocês bem. — Para a sua casa? - Cillian pergunta, ainda descontrolado — Fazer o quê? Cheirar cocaína? Fumar maconha do jeito que pessoas da sua ralé fazem? Vão traficar? Ande Harry, conte-me o que vocês fazem quando se encontram. Injetam heroína nas veias? O mais novo agarra-se no casaco de Tomlinson, gritando contra seu peitoral, enquanto molha o tecido com suas lágrimas, que caem dolorosamente. — Você não merece o filho que tem. Você realmente não merece a pessoa que convive. Eu sinto pena de você. Sinto muito por você ter de acordar todos os dias e ser essa pessoa repugnante. - Louis cospe suas palavras, mantendo distância do mais velho, o observando chutar a lataria de seu próprio carro, xingando Harry de nomes absurdos. Dizia que o garoto tinha de tudo e mesmo assim insistia em tratá-lo como merda. Louis desejava que aquele homem se fodesse como ninguém nunca fez. — Ninho— Meu Deus, o que fizeram com você? - Questionou retoricamente, encostando-se em um poste de luz, enquanto retirava seu celular do bolso e abraçava o garoto com um de seus braços. William estava preocupado, com tudo, sinceramente. Com a alta velocidade na qual os pais de Edward deixaram o local; Com os curiosos que haviam se amontoado ao lado de fora do estabelecimento para terem noção do que estava acontecendo; Com o silêncio repentino de Harry. — Ei? Eu estou aqui com você. Está tudo bem agora. Eles já se foram. - Tenta confortar o cacheado, pedindo por um carro de aplicativo no celular, escolhendo a opção do que chegaria mais rápido. Dinheiro realmente não é um dos maiores problemas agora. — E-Eu não quero mais - Harry sussurra dolorosamente, entre os soluços – que ainda não acabaram. Ele seca suas lágrimas, e volta a encolher suas mãos trêmulas na altura de seu coração.Por outro lado, Harry não fazia ideia das coisas que dizia. Estava tão preso à sua mente que não conseguia distinguir o utópico da realidade.— Eu sei, meu bem. - Beija a testa febril e suada do cacheado, sequer dando importância para aquilo, pressionando sua bochecha contra o topo da cabeça de Edward, desligando seu celular e apertando fortemente seus braços sobre o corpo do outro. — Você vai ficar legal. Eu prometo. Eu prometo qualquer coisa se você confiar em mim. Harry responderia, Louis sabe que sim, mas preferiu ficar em silêncio, tentando controlar os soluços que escapavam de sua boca. Poucos segundos depois, o carro de aplicativo chegou, estacionando na calçada à frente do karaokê. O maior apressou-se para adentrar o carro junto a seu amigo, que negou relutante, amedrontado pela ideia de voltar para sua própria casa.O caminho para sua casa foi longo, não por questão temporal, mas sim por questão sentimental. Harry dizia coisas totalmente horrendas. Dizia o que cometeria consigo mesmo posteriormente, e Louis – sinceramente – não tinha a menor ideia do que fazer. Ele beijava todo o rosto do garoto, na intenção de mostrá-lo que estava ali. Acariciava suas mãos gélidas e trêmulas, enquanto Harry apertava suas unhas contra as palmas de suas mãos. Havia pedido no grupo para que um de seus amigos voltasse para casa pilotando a moto, também explicou que depois buscaria na casa de quem quer que a guardasse na garagem de casa. — Vamos, kudryavye [cacheado], você está seguro aqui, eu prometo. - Louis destrancou a porta de sua casa, percebendo que seu pai não estava presente. Entristeceu-se ao ter em mente que o homem estaria em um bar. Harry tinha seu rosto totalmente inchado, ainda soluçava, com menor frequência, e caminhava com dificuldade, sendo guiado por Louis. Estava totalmente desnorteado e alheio. Louis se sentia péssimo por não poder ajudá-lo e não saber o que fazer. — Venha, eu vou pegar água para você, sim? - O mais velho tentava ocupar a mente do garoto com sua voz, não tinha certeza de que aquilo estava funcionando, mas pelo menos recebeu um aceno em resposta. Segurava uma das mãos de Harry, enquanto o guiava pela cintura com sua outra mão, deixando o mais novo se sentir à vontade, mas também protegido de alguma maneira. Louis apressou seus passos ao atravessar a habitação sozinho, voltando da cozinha com um grande copo d'água, entrelaçando seus dedos nos de Styles e o acompanhando até o primeiro andar com imensa cautela no caminhar. Ao que chegaram no quarto, Tomlinson embrulhou o menor em inúmeras cobertas, tentou fazer uma fortaleza de travesseiros em volta do garoto, enquanto o mesmo tinha seu olhar opaco, mórbido e melancólico. Era doloroso vê-lo daquela maneira. — Eu sinto muito - Louis sussurra, dizendo com toda a sinceridade de seu coração, sentado ao lado de Harry, enquanto o esverdeado mantinha sua cabeça inclinada para o lado, soluçando baixinho, sem esboçar nenhuma reação. Provavelmente aquilo desengatou algo interno em Styles. Pois ele voltou a chorar descontroladamente, tentava ser silencioso, Tomlinson percebia, e se sentia péssimo...— Eu preciso de uma caneta - Harry diz, envolvendo seu pescoço fracamente com seus dedos, acariciando as inúmeras cicatrizes que se encontravam ali. Louis franze seu cenho, mas não o rebate, apenas se levanta com pressa em seus passos e retira todas as canetas guardadas dentro do porta-lápis pousado sobre sua escrivaninha. — Aqui. - Retirou os dedos do garoto – que ainda estavam fincados nas palmas de suas próprias mãos –, deixando as canetas sobre sua pele quente. — E-Eu posso desenhar em você? Me desculpa. Eu só— Eu só estou me controlando muito para não me machucar. Eu—Tomlinson não entendeu, mas não fez questão. Se aquilo evitaria que Styles machucasse a si próprio ele aceitaria. Então apenas assentiu, murmurando um "sim", em seguida, para que o mais novo tivesse certeza de que podia fazê-lo. Harry retirou todas as cobertas que descansavam sobre si, mexendo-se de jeito desconfortável na cama, acomodando-se ao lado de Louis. Um longo suspiro foi solto de sua boca, enquanto os trilhos transparentes e úmidos de lágrimas se faziam presentes no rosto entristecido do garoto.William sentiu a ponta gelada da caneta entrar em contato com a pele de sua bochecha. Logo sentindo traços maiores serem feitos com certa pressão inserida. Harry sussurrava "desculpa" várias e várias vezes, uma atrás da outra, e fechava seus olhos conforme desenhasse e/ou escrevesse coisas aleatórias no rosto do mais velho. Louis não conseguia entendê-lo, mas tinha medo de questiona-lo. Medo de fazer com que a situação piorasse. Medo de fazer com que Harry piorasse. Pela primeira vez na vida, ele não sabia o que pensar. Não sabia se existiam palavras bonitas ou frases metafóricas para amenizar tudo aquilo. Não sabia como aconselhar Harry. Não sabia como dizer que tudo aquilo ia passar, quando não verdade não iria... Não tão cedo... Essa é a vida de Harry, enquanto estiver morando junto à seus pais, terá de vivenciar isso. E Louis sente vontade de chorar apenas por pensar em ter aquele precioso garoto passando por essa situação mais vezes. Doía em Louis vê-lo daquela forma.— Não me peça desculpas. Você não fez nada de errado. — Eu estou te machucando, Louis. Estou te machucando porque não quero fazer isso comigo. — O quê?E foi aí que Tomlinson entendeu. Os traços que eram feitos por Styles em sua pele eram como cortes. E ele se pergunta quantas vezes Harry já se machucara sem que ninguém soubesse.— Puta merda, eu sou tão e-egoísta—William o envolve em um abraço acolhedor, sentindo-o enfraquecer entre seus braços, voltando a soluçar e se desculpar. — Eu sinto falta dela - Harry diz de forma abafada, quase em um grito, tendo os braços quentes de Louis em volta de si. — Eu não entendo o por quê d'Ela não ter ficado, L-Louis. — Harry, eu—— Louis, porra, eu estou tentando. - Harry sussurra, quase em desespero, implorando para que Louis o deixasse desabafar. — Eu estou tentando...O mais velho concorda com sua cabeça, tendo o péssimo sentimento de que não saberá aconselhar Harry. — Eu amei ela. Amei ela como nunca vou amar ninguém. Amei com todo o meu coração, mesmo se do uma criança. Eu a amei. Eu a adorava. Eu a admirava. Eu a amava. - Edward se retira do abraço, encarando a parede branca e vazia do quarto de William, ao mesmo tempo em que sua mão ainda era apoiada na cintura do esverdeado, e ele não parecia se importar com o toque. Louis não sabe sobre quem Harry está a falar, mas opta pelo silêncio. Nunca ouviu aquele garoto desabafar ou falar de amor consigo. Era um momento delicado, não negaria, mas gostaria de ouvi-lo. Gostaria de tentar compreendê-lo, aconselha-lo e ajudá-lo. — E mesmo assim o amor de um filho não foi o suficiente para fazer uma mãe ficar. — Mesmo assim ela vestiu roupas pesadas e enfiou pedras nos bolsos. Mesmo assim ela adentrou o mar sem saber nadar. Mesmo assim ela se matou. Mesmo sabendo que eu a amava.Tomlinson entreabriu seus lábios, mas não conseguia dizer nada. Aquilo era apenas demais para digerir. Nunca pensaria que algo de tal nível houvera acontecido para com Styles. Sentia-se um lixo por tê-lo julgado no início. Sentia-se um merda por não saber o que fazer agora. Muito menos por não saber o que dizer para aquele garoto desamparado em seus braços. — A minha mãe se suicidou quando eu tinha oito anos. Ela tinha depressão, vivia tomando remédios e os escondendo de mim e do meu pai. Ele sabia, mas ela não gostava, porque ele se preocupava demais - Harry iniciou sua fala, engolindo sua saliva com dificuldade e secando as lágrimas, que logo logo voltariam a cair. — Meu pai era muito bom, Louis. Eu tinha a vida perfeita, porque eles pareciam me amar. Muito. Eles demonstravam me amar mais do que qualquer coisa. Mas minha mãe não tinha a vida perfeita... Ela não sentia o que eu sentia. Ela não sentiu que o meu amor era o suficiente para fazer ela ficar aqui comigo. — Louis, eu sou tão fraco e inútil que eu não pude fazer a minha mãe mudar de ideia. Eu lembro-me do dia em que tudo aconteceu. Tínhamos acabado de voltar de uma viagem. Havíamos ido a um desfile enorme que aconteceu na França, as modelos desfilaram com as roupas que ela desenhou. Ela parecia feliz, parecia bem. - Desviou seu olhar para o rosto focado de William, desejando não estar o assustando. — Quando chegamos ela recebeu uma ligação. Era da minha avó. Ela tinha assistido o desfile pela televisão. E então ela começou a criticar minha mãe, e desviar o assunto para a nossa família. Minha avó odiava a maneira como minha mãe me criava, e sempre criticava, porque eu sempre fui livre para usar o que queria, e então começou a criticar novamente. Na época eu não entendi que aquilo havia sido o ápice para a minha mãe... Realmente não. — Você não precisa—— Ela me fitou com o olhar tão culpado, Louis. Havia tanta culpa naquele olhar. Eu consigo vê-lo hoje. E, caralho, ela se sentia tão culpada. Lembro-me que ela sussurrou algo como "você sempre será minha estrelinha", e eu a questionei se seria a mais brilhante, e então ela respondeu com: "a estrelinha mais brilhante de todas". Minha mãe sorriu. Deixou um beijo na minha testa, e saiu. Eu nunca mais pude trocar uma palavra com ela. Louis não controlou suas próprias lágrimas. Aquilo havia sido forte demais para digerir em apenas míseros minutos. Às vezes a vida passa diante aos nossos próprios olhos, porém é quase impossível viver quando se está preso na escuridão agonizante que é sua mente. Harry se culpa por não ter aproveitado a única época boa de sua vida. Talvez essa seja uma das coisas na qual ele mais pega a culpa.Perder Arabella com certeza foi uma das coisas mais impactantes de sua vida. Ter de ouvir um desconhecido ler a autopsia de sua mãe foi tão frustrante que Harry mal poderia colocar em palavras - mesmo que a linguagem fosse muito formal, e ele tentasse entender o porquê de sua mãe ter virado uma estrela. Quando criança Harry questionava-se o por quê daquilo ter acontecido justo com sua mãe, questionava o por quê d'Ela ser a única mãe estrela dentre as mães dos alunos de sua sala.Harry não entendia o por quê de Arabella não querer vê-lo crescer, se formar no colegial e na faculdade. Não entendia o por quê d'Ela não querer vê-lo formar uma família.Receber a notícia da morte de sua mãe o fez negar por horas seguidas. A palavra "não" já não tinha mais sentido algum. Vê-la tão pálida e magra naquele caixão repleto de flores, enquanto sua família toda estava reunida em uma falsa comunhão o fez se debruçar sobre o corpo e implorar para Deus a vida de sua mãe de volta. Implorava para que Deus esperasse para transformá-la em estrela, mas Deus nunca ouviu.Harry era apenas uma pobre criança sendo retirada do velório de sua mãe.E, às vezes, ele pensa que o pior de tudo isso é o vazio que sente, o vazio que ela, apenas ela e seu amor poderiam preencher. Porque ela foi a primeira e única pessoa que Harry nunca se arrependeu de amar.— Como ela era uma estilista bastante falada na mídia, eles abafaram o caso, seria uma vergonha para a Burberry ter uma estilista que se suicidou, não é? Meu pai ficou devastado com aquilo. Quando eu mais precisava de apoio ele estava no quarto ao lado, se entupindo de remédios, bebidas e drogas. Minha infância foi bem conturbada. Eu não entendia muito na época, achava que minha mãe era mais especial do que as mães dos meus colegas porque ela era uma estrela e não uma humana - Ele sorri, quase um sorriso doce, mas William enxerga a mágoa através dele e sente vontade de abraçar o garoto ao seu lado. — Eles davam risada de mim porque eu dizia que minha mãe era uma estrela. Eu sempre fui alvo de chacotas, Louis. Sempre. Até os meus treze anos eu evitava revidar, porque sabia que não era lucrativo para mim xingá-los de volta. — Mas aos treze eu sofri um acidente de carro.Harry percebe o arregalar de olhos que Louis dá, não sabe se está surpreso com aquilo ou qualquer outra coisa. Mas tente entendê-lo. Harry guardou tudo isso para si durante anos e anos, estava sendo como um peso retirado de suas costas colocar tudo aquilo para fora.Ele confiava em Louis, e isso era tudo.— Meu pai havia se casado de novo, estava completando um ano. Eu nunca odiei Scott, nem coisa parecida, eu só odiava o fato d'Ele querer substituir minha mãe. Nós tínhamos desavenças, claro, eu tinha treze anos, estava entrando na adolescência, na pior fase da vida humana, sozinho. Depois de Cillian se casar com Scott, ele esqueceu completamente que tinha um filho. Vivia para o Scott, porque provavelmente era alimentado pelo amor dele. Ter Scott fazia com que ele esquecesse de Arabella. Ter Scott fazia com que Cillian esquecesse de seu próprio filho. Eles agiam feito jovens idiotas, eu tinha raiva. Estavam em um relacionamento desde que eu tinha onze anos, casaram-se após um ano de namoro. Era péssimo, eles brigavam como loucos, e meu pai sempre foi muito dependente de Scott, então geralmente ele iniciava as brigas e era o primeiro à se desculpar...A voz de Styles embargou mais ainda. Sendo dolorido para proferir as palavras. Tudo no momento era dolorido. Tudo.— Então quando completaram um ano de casados, eles resolveram viajar. Estávamos indo para Londres, de carro. Seria uma viagem e tanto, mas era isso que eles queriam. O final de semana realmente foi legal, mesmo que Cillian me tratasse com indiferença em todos os lugares que visitássemos, a única coisa que muda isso é a volta para casa. — Eles estavam discutindo, era uma briga péssima, Scott desconfiava que meu pai estava o traindo. E eles estavam brigando durante o trajeto. Estávamos em uma avenida, onde os carros passavam em alta velocidade, inclusive o nosso carro estava em alta velocidade. Eu não sei se o meu pai realmente tentou nos matar naquele dia, ou se foi um acidente não-planejado, mas ele literalmente jogou o carro na contramão. Eu fiquei preso às ferragens do carro, assim como Scott, mas posteriormente ele teve suas cordas vocais prejudicadas, tanto que hoje em dia meu pai se preocupa excessivamente com qualquer falha ou rouquidão na voz de Scott.— E-Eu tive meu corpo inteiro mutilado, porque o vidro traseiro estourou sobre mim. Eu tenho cicatrizes por todo o corpo. Até na cabeça. Eu tenho cicatrizes atrás da orelha e nas partes internas das minhas coxas. Isso me prejudicou mais do que deveria. Eu reprovei o ano na escola, e quando voltei eles tentaram me zoar, mas Louis, eu já estava tão fodido que levar uma advertência por socar um moleque não ia mudar em nada na minha vida. Até porque essa foi a época que eu mais arrumei confusão na escola, mas meu pai estava muito ocupado com a recuperação de Scott, e não se importou com isso. Eu ficava triste, mas nunca demonstrava, porque tinha medo de Cillian rir de mim. Eu me recuperei sozinho. Treinei minha escrita sozinho quando tirei o gesso do braço, eu realmente ajudei na minha própria recuperação.Harry não queria parar de falar. Não agora que já tinha desabafado metade de sua vida.— Eu pensava que arrumando brigas conseguiria chamar a atenção do meu pai, mas não deu certo. Apenas quando entrei no ensino médio. Eu comecei a aprontar com frequência, então meu pai tinha de ir à escola toda semana. Ele sempre me ignorava, sequer fazia questão de chamar minha atenção ou me dar uma bronca. Então eu aumentei o nível, e o Carter desistiu de convocar meus pais. Eu queria provar para mim mesmo e para os outros que era bom. Por esse e outros motivos eu virei o "mascote de time". Um dos caras que eu transei fingiu se apaixonar por mim, e eu acreditava nas coisas absurdas e mentirosas que ele dizia... Um dia ele disse que faria uma surpresa para mim, e me convidou para ir à casa dele. Bem, eu fui, e adivinhe— Todos os caras que eu já tinha ficado estavam reunidos, todos eles haviam comprado cremes para as minhas cicatrizes. Todos. Sem exceção alguma. E aquilo-- Aquilo me machucou muito, Louis, e-eu não sabia que merecia tantas coisas ruim na minha vida até presenciar aquilo...Quando finalmente acabou, Harry já sentia sua cabeça explodir. Chorava de maneira alta, porque conhecia Louis o suficiente para saber que o rapaz não julgaria.Chorava tanto que desabafava de novo, de maneira silenciosa, escutando os ofegos baixinhos de Tomlinson, que também chorava, e ele não fazia a menor ideia do por quê o rapaz fazia aquilo.— Me desculpa, Louis...William o envolveu no abraço mais adorável de sua vida. Ele o puxou, com certa força, mas também com imenso cuidado, para seu colo, fazendo com que Harry encaixasse suas pernas nas laterais de seus quadris e deitasse a cabeça em seus ombros tensionados.O mais novo estava choroso o suficiente para agradecer aquele abraço, mas sequer teve tempo de proferir as palavras, pois Louis o manteve em silêncio com as suas.— Eu te amo, Harry. Eu te amo tanto que apenas pensar na possibilidade de te perder faz com que eu me sinta vazio... eu amo você, Ninho. Cada coisinha sua. Porra, eu passaria horas citando todas as coisas que eu amo em você.Harry estava em choque. Com seu rosto ainda escondido no pescoço de Louis, ele sentia-se à vontade para chorar.Seu coração estava palpitante, o que já era de se esperar. Sua garganta havia se fechado em um imenso nó e seus olhos lacrimejavam incessantemente. As mãos que se entrelaçavam ao pescoço do mais velho tremiam avidamente, enquanto suas pernas bambeavam.Era amedrontador.Harry tinha plena certeza de que nunca conseguiria retribuir aquilo. E isso fazia com que ele sentisse raiva de si mesmo.— Não faça isso comigo. Por favor.— Eu te amo, e isso é tudo o que você precisa saber.— Eu sinto muito, Louis. Eu sinto, de verdade. Mas eu não quero continuar aqui... Me dói tanto. Eu não consigo mais estar aqui.— Ei, amor - Tomlinson o chama com a voz suave. Harry se arrepia com o apelido recente, mas por algum motivo sente seu peito ser aquecido. O acastanhado toca com gentileza em seu queixo, fazendo com que Styles lute para não se afogar em suas águas tempestuosas. Embora seja tarde demais... — Você realmente quer ir?— Eu só— Eu apenas não consigo mais. — Eu não irei citar frases motivacionais e vazias para você, sei que você não merece isso, mas também não posso te forçar a estar aqui... Harry, eu passo por toda essa merda junto contigo se for preciso. Eu realizo todos os seus desejos. Eu hackeio o sistema de Wassed para melhorar suas notas, e-eu faço de tudo para você ficar. Porra, eu te amo. Te amo tanto que eu sinto que meu peito vai florescer a cada vez que eu penso nas suas manias bobas, as mesmas manias nas quais eu sou apaixonado... - Louis acaricia suas costas com sutileza, enquanto seus olhos marejam novamente, e Harry seca suas lágrimas, repensando suas falas anteriores. — E u não consigo e nem posso me imaginar sem você—Edward sela suas pétalas rosadas quentes nos lábios salgados de William, calando-o de imediato.Apenas não queria ter de vê-lo chorar...— Me permita lhe dar um motivo para estar aqui, sim? - Sussurra contra as almofadas doces do cacheado, esse que assente de jeito ponderativo, voltando a encará-lo para ouvir o que o rapaz tem a dizer.— Huh?— Deixe o meu amor te fazer ficar?

----- CHAPTER BREAK -----

Qual é o significado de "amor", afinal?Há muitos jeitos e maneiras de amar. Há muitas analogias. Há muitos significados. Mas qual é a verdadeira definição? Realmente existe uma? Ou é apenas mais uma palavra vazia inventada pelo ser humano, na tentativa de suprir sua faminta vontade de nomear tudo e todas as coisas?Harry gostaria de saber como cada pessoa sente o amor. Passou-se tanto tempo que ele mal se lembra qual é a sensação de amar. Será que todos sentem a mesma coisa quando amam? Será que todas as pessoas sentem a mesma coisa quando estão apaixonadas?Até aonde as pessoas iriam pelo amor que sentem?Louis declarou-se há menos de meia hora, e ele ainda não consegue acreditar no que saiu da boca do rapaz.Como era possível alguém como ele receber amor? Como era possível alguém como ele ser apaixonante? O que Louis viu em si que ninguém mais viu?A cabeça do garoto estava cheia de dúvidas, e perguntas que – aparentemente – jamais serão respondidas.Harry pergunta-se o que houve consigo quando decidiu contar toda a sua vida para Louis... Ele certamente confia no mais velho, isso vêm sendo bastante visível, mas quando ele resolveu desabafar daquela maneira? Porra, estava tão machucado que ao menos doeu enquanto falava. Mesmo que sua garganta estivesse explodindo de dor – por tentar controlar o choro –, não havia doído tanto quanto ele pensou. No entanto, seria impossível doer quando se tinha todo aquele doce e adorável acolhimento vindo de Louis.Tomlinson secava suas lágrimas conforme tentasse confirmar que Styles realmente estava bem. Era bom sentir-se daquela forma, o cacheado nunca negaria que gostava muito de ser tratado com carinho, adorava os apelidos que o mais velho o dava. Eram realmente fofos, embora ele nunca dissesse isso.Edward ainda ponderava sobre a pergunta de William: "Deixe o meu amor te fazer ficar?".Seria possível?Ele conseguiria aceitar aquilo? Harry nunca temeu a morte, até porque sempre foi algo desejado, mas qual era a diferença? Ele realmente já estava morto internamente. Era visível que o garoto era apenas mais uma das pessoas que apenas existe.Palavras bonitas, expressadas de maneira sincera, serão o suficiente para fazê-lo ficar? O amor de Louis será o suficiente para fazê-lo ficar? Bem, mesmo que "esperança" não seja a palavra correta, ele torce para que sejam.— Deixe o meu amor te fazer ficar?— Podemos tentar...Louis sorriu abertamente, era provável estar orgulhoso do mais novo, já que logo beijou suas bochechas quentes e úmidas - consequência das lágrimas, que ainda caíam de maneira incessante. Ele acariciava a cintura de Styles com carinho sobre o casaco, sussurrando todos os apelidos que já dera para o garoto contra a pele fervente.— Sim, podemos. - Assentiu, demonstrando seu imenso orgulho. Seus olhos brilhavam de um jeito tão bonito, que Harry gostaria de pedir para que ele nunca piscasse, apenas para ter a oportunidade de fitar aqueles olhos para sempre. — No plural. - Ele completa, beijando o queixo do mais novo.— Isso vai soar clichê, mas não há outro modo para dizer que iremos passar por isso juntos - Tomlinson começa, aproximando seus rosto com calma e roçando as pontinhas de seus narizes, fazendo com que amáveis covinhas aparecessem nas bochechas avermelhadas do outro. — A partir do momento em que nossa amizade começou a evoluir, você se tornou prioridade para mim. - O acastanhado sorriu, deslizando suas mãos pelos braços fracos e trêmulos de Harry, acariciando os pulsos avermelhados e tateando a pulseira de pano – que compraram juntos –, percebendo ela ainda presente ali. — Nem preciso te contar o que aconteceu quando eu percebi que estava apaixonado por você.Harry sentiu suas bochechas queimarem, logo piscou seus olhos ciclicamente, tentando não demonstrar que estava envergonhado. Queria pedir para que Louis o contasse como e quando descobriu que estava apaixonado, mas não tinha coragem o suficiente para fazer isso.— Acho que, eu sempre gostei de você... Nunca vou poder descrever esse sentimento mas, é quando você realmente gosta de uma pessoa e, tem em mente que nunca vai passar de uma amizade, porém do mesmo jeito você sente a necessidade de fazer com que essa pessoa se sinta a mais importante do mundo quando está com você... No dia em que fomos até aquelas rochas, que você desabafou comigo, mesmo que fosse um pouquinho, eu fiquei feliz 'pra caralho, sabia? Eu sentia que estava conseguindo fazer com que nossa relação fosse algo confortável, eu senti que você confiava em mim, mesmo que fosse uma pequena porcentagem... E porra, naquele dia eu ouvi um agradecimento seu. Me senti a pessoa mais sortuda do mundo. Isso é bobo, não? - Harry negou, propriamente entretido no assunto, querendo ouvir tudo o que Louis tinha para dizer sobre aquele assunto. — O dia em que eu te chamei de "ninho" pela primeira vez, eu esperava que você me xingasse, mas não ocorreu, porque você aparentava ter gostado muito do apelido, e foi naquele momento que eu percebi, de verdade, que você é apenas um gatinho carente. - Brincou com o garoto, ainda sentado confortavelmente em seu colo, deixando com que o mesmo encaixasse o rosto na curvatura de seu pescoço.— Hoje foi um dia cansativo para caralho, você deveria descansar, malchik.— Eu estou assustado para ser sincero - Assumiu, sentindo-se mais seguro para falar, considerando que tinha seu rosto escondido. — Continue falando, Lou...— Veja só como você é fofo, Harry - Dedilhou a cintura do mais novo sob o casaco jeans, escutando a risada nasalada do mesmo, sentindo-se aliviado por fazê-lo sorrir diante de tudo aquilo. — Eu amo quando você sorri assim sabia? Mas amo mais quando você sorri abertamente, deixando seus dentinhos de coelho aparentes, eles são adoráveis, fala sério! Amo quando você quer disfarçar algo ou está envergonhado e franze o nariz... Amo quando você está tão concentrado em algo que acaba entreabrindo os lábios. Amo quando você está parado em algum lugar e começa a bater a sola do seu sapato no chão. Eu amo quando trocamos mensagens e você se solta um pouco mais, até mesmo tenta fazer piadas bobinhas, essas mesmas piadas que eu dou risada, afinal, é impossível não rir com você-— Impossível?— Suas piadas realmente são horríveis, mas essa é a graça da coisa toda. Você conta uma piada e sorri enquanto encara a pessoa, esperando que ela dê risada de volta. É adorável quando você lê o título de um livro e faz um trocadilho com a capa. Ou quando você começa a iniciar um assunto que só existe na sua cabeça e esquece totalmente que estava apenas pensando sobre aquilo, e não falando... Eu adoro quando você me acompanha aos ensaios e sorri para mim quando eu lhe encaro, principalmente quando você cantarola a música sussurrando para não atrapalhar a gravação. Ah, Deus, e quando você está com a Hunter? Sinto ciúmes! Por que você não ri daquela maneira quando está comigo? Eu adoro quando dormimos juntos, mesmo que não seja na mesma cama. Eu amo cuidar de você. Amo fazer uma fortaleza de travesseiros para que você se sinta seguro, ou encher você de cobertores quentinhos para ver seu rosto satisfeito e corado, com um sorriso pequeno implantado nele. Harry, eu simplesmente amo quando você está se sentindo bem e confortável, saber que você se sente assim melhora o meu dia, mesmo que esteja sendo uma merda. Posso estar parecendo um louco citando essas coisas, mas são por essas coisinhas que eu sou apaixonado, por cada um desses detalhes seus. Eu os amo. Eu amo você. Amo você da maneira que desejar que eu ame. Sempre estarei aqui por você. Styles mal se deu conta de que estava chorando, apenas quando soluçou – ainda no abraço, com seu rosto escondido. Louis percebeu aquilo e afagou suas costas, sorrindo baixinho, tentando acalmá-lo de alguma maneira, que estivesse ao seu alcance.O cacheado sabia exatamente o porquê de estar chorando com tanta intensidade ali, sentado no colo de Tomlinson, enquanto o escutava citar todos os seus detalhes, até mesmo os que ele nunca prestou atenção – a maioria deles, sinceramente.— Obrigado. - Agradeceu em um sussurro dolorido, apertando seus braços em volta do pescoço de William. — Eu gosto muito de você. O mais velho sorriu ao que ouviu aquilo sair da boca de Edward, e beijou o ombro tensionado do garoto, murmurando "eu te amo" em voz baixinha contra a pele do mesmo.— Vou pegar um pijama 'pra você, okay? Apenas para se sentir mais confortável. — Esse casaco era da minha mãe... Deixe que eu durma com ele? — Ei? Claro que sim, ninho - Louis concordou calmamente, ainda em sussurros. — Vou trazer uma calça, tudo bem? Também trago cobertores e travesseiros, um minutos. - Harry assentiu, quase pedindo para que ele não fosse – não gostaria de sair do aconchego –, mas sentou-se sobre o colchão, observando os passos rápidos do acastanhado para fora do quarto. Não demorou para Louis voltar, segurando inúmeros itens em mãos e apoiando outros em seus braços, deixando os mesmos pousados sobre a escrivaninha e fechando a porta. — Aqui. - Estica a calça quadriculada de um pijama para Styles, em seguida deixa um casaco de flanela sobre a cama, com o intuito de incentivar o cacheado a usá-lo, a noite realmente estava fria e Louis se preocupava. — Quer que eu saia do quarto para você se trocar? — Não precisa. Só... Vira para o outro lado. - Harry pede, seu rosto ainda está inchado e avermelhado, seus cílios parecem pesar por conta das lágrimas acumuladas ali e então Louis assente, virando-se para a porta, enquanto aguardava o garoto trocar-se de roupas. Harry permanece com suas meias coloridas, lembra-se de ter as comprado em uma viagem ao México, há inúmeros desenhos nos tecidos, ele gosta das cores. Retira sua calça com cuidado, pisando sobre a jeans – já no chão – com o intuito de fazer com que a barra da calça passasse com facilidade por seu calcanhar, ele se desequilibra e acaba por apoiar suas mãos no colchão macio. Está fraco, é visível, mais ainda sensitivo, seus braços parecessem cederem e ele ao menos se incomoda, porque a única coisa que presente fazer é descansar. Louis parece ouvi-lo, e sacode sua cabeça, questionando se estava tudo bem. Styles, por sua vez, o responde que sim, vestindo a calça quadriculada e quentinha do pijama, chutando sua jeans para baixo da cama, sequer pensando em dobra-la. Tomlinson vira-se quando o mais novo pede, e então volta para a cama, o assistindo se confortar no canto da parede, abraçando um dos travesseiro no qual tinha suas costas apoiadas.— Bem, minha cama não é de casal mas pode nos confortar, verdade? - O mais velho diz, sorrindo gentilmente contra o pescoço do outro, roçando seus lábios contra a pele alva do esverdeado. — Uhum. - Styles concorda, sentindo seu corpo ser aconchegado e acomodado no corpo de Tomlinson, enquanto o mesmo abraçava sua cintura com os dedos aquecidos, evitando fazer carícias pois sabia que o mais novo sentia cócegas.— Você está bem? Está tudo okay? Na medida do possível?O mais novo assentiu com sua cabeça, sorrindo minimamente contra o travesseiro no qual tinha seus cachos espalhados e bagunçados sobre ele. — Ei, Lou? Louis sorriu com o apelido, sentindo a pele do cacheado esquentar sob a pontinha de seu nariz, então apertou levemente seus dedos na carne macia da cintura de Harry, o incentivando a falar.— Pode contar quando se apaixonou por mim novamente?— Ah - William sorriu nasalado, levando suas mãos para o cabelo do outro, retirando os cachos de seu rosto e assentindo. — Hum, eu acho que sempre gostei de você...[...]Louis estaria mentindo se dissesse que conseguiu – ao menos – tirar um cochilo durante aquela turbulenta noite. Sequer conseguiu fechar seus olhos para dormir. Tinha Harry trêmulo em seus braços, encolhendo-se cada vez mais conforme prensasse suas pálpebras uma na outra. O garoto estava amedrontado, isso era nítido e visível a olho nu. Agarrava-se à jaqueta jeans com imensa força, fazendo seus dedos tornarem-se esbranquiçados pelo forte aperto ao tecido. Durante a noite Styles mexeu-se muito até que conseguisse encontrar uma posição favorável o suficiente para não deixar seu choro visível ou audível. Permaneceu com o rosto virado para o lado oposto da face de Tomlinson, desejando que o mais velho não o visse chorar. Embora William o fizesse no momento. Sua única demonstração de conforto foi: Apertar seus dígitos na carne macia e aquecida da cintura do mais, sentindo os mínimos relevos esbranquiçados fazerem-se presentes nas pontas de seus dedos. Louis mal sabia como digerir tudo o que ouviu, mas tinha plena certeza de que Harry não merecia nada daquilo. Nada do que acontece em sua vida, sinceramente.Ele sempre fora um garoto bom, e é claro que algumas de suas ações não possam ser justificadas com seu passado, mas com certeza era difícil pesar o errado e o certo quando sua balança não reconhecia pesos, estava quebrada, mas Louis poderia tentar consertar aquilo, certo? Mesmo que não soubesse quais seriam as exatas ferramentas para utilizar, ele tentaria.O de olhos azuis deixou um beijo na nuca do cacheado, ainda o segurando nos braços, tentando acalmá-lo de alguma forma, esperando que conseguisse pois queria - verdadeiramente  - que o garoto descansasse e tentasse esquecer um pouco daquela noite agitada.No final das contas, Harry apenas dormiu quando os raios solares penetravam o fino tecido da cortina do quarto de Tomlinson e incomodavam seus olhos inchados - pelo choro incessanteLouis apenas dormiu quando escutou a respiração pesada do mais novo, ainda dormia ou se havia acordado, bem caso Harry ainda estivesse acordado, William permaneceria também, apenas para confortá-lo.No entanto, Edward dormiu mais do que Louis pensava que ele o fizesse, não queria acordá-lo, embora estivesse assustado com o tempo que o garoto passou dormindo. Enquanto sua mente tentava distrair seus pensamentos amedrontadores, ele balançava seus pés - ao ar livre - de sua varanda e segurava uma xícara de chá quente. Seus olhos acompanhavam as pequenas ondas que formavam-se próximas às rochas localizadas sob sua casa e batiam contra as mesmas, de maneira calma, quase serena.O dia já estava a escurecer, passavam das cinco horas da tarde e Louis ainda pensava na situação de Styles. Não queria deixá-lo partir, não queria ver aquele garoto convivendo com pessoas como os pais, não queria que Harry tivesse crises tão fodidas a ponto de querer tirar sua própria vida, mas era impossível apenas pedi-lo para não fazer isso. Louis obviamente não queria perdê-lo, o pensamento já faz sua garganta fechar e seus olhos encherem de lágrimas, mas não queria obrigá-lo a estar aqui, era dolorido pensar em coisas assim, mas infelizmente era sua realidade momentânea... Prometeu para si mesmo que faria de tudo para fazê-lo ficar, não tinha certeza de que conseguiria, mas Harry desejava tentar, tentar junto a Louis, e isso já era um enorme avanço.Levantou-se quando sentiu as lágrimas correrem de jeito violento por suas bochechas, sentiu as mesmas arderem e suas narinas dilatarem. Engoliu seco enquanto secava as lágrimas com rapidez. Era desesperador. Louis não queria perdê-lo também...O rapaz tentou acalmar a si próprio, suspirando, ao mesmo tempo em que ouvia as batidas dolorosas de seu coração, cobrindo seu rosto com as mãos e aguardando até que sua imensa vontade de desabar - ali mesmo - passe.Tomlinson adentra o sobrado vagarosamente, acendendo as luzes da sala de televisão e as luzes da cozinha, abrindo as portas de madeira dos armários e recolhendo temperos suficientes para preparar algo fortificante mas ao mesmo tempo leve... Era possível?[...]William adentrou o quarto em passos silenciosos, segurando uma pequena tigela de louça branca, soprando a fumaça que deixava o alimento contido ali.Edward ainda dormia, escondido sob os cobertores. A movimentação dos tecidos amontoados denunciavam isso.O mais velho deixou a porta - atrás de si - entreaberta, cruzando seu quarto com calmaria, mas reclamando mentalmente por estar queimando seus dedos naquela louça. Logo a deixou sobre a mesinha de cabeceira, sentando-se na borda da própria cama, tocando gentilmente em uma das bochechas coradas e quentinhas de Styles, sentindo-se um monstro por acordá-lo.— Ei, ninho - Sussurra, sendo involuntária a voz baixa, mas sabia que mentalmente estava com dó de ter que acordar o garoto. Harry abre seus olhos com dificuldade, Louis sorri minimamente ao perceber que o rosto do mesmo está verdadeiramente inchado, e então retira todas aquelas cobertas pesadas que estão a deixar Edward febril.— Oi. - Retorna o sussurro timidamente, apoiando suas costas na parede gélida do quarto, tendo as mãos de Louis apoiadas em seus joelhos.— Dormiu bem? - Louis questiona, sorrindo simpático, tentando emanar uma - inexistente - energia tranquila. Harry assente, abaixando sua cabeça – cheia de longos cachinhos –, brincando com os dedos, provavelmente envergonhado por ter a presença de Louis logo após acordar.O acastanhado retira seus tênis e se senta ao lado de Edward, trazendo-o com cuidado para um abraço carinhoso. — Não me faça chorar de novo, eu não aguento mais. - Pede entre um bufar, há um beicinho em seus lábios e em seguida seu rosto é escondido no casaco de flanela de Tomlinson, — Eu não vou fazer, só vim lhe trazer uma sopa, posso deixá-lo sozinho se quiser.— Eu não quero. Harry negou, com incerteza no olhar, sequer tendo certeza de suas próximas palavras, mas talvez estivesse tudo bem, porque ele deveria se permitir errar, às vezes... — Fique aqui, comigo.O mais velho não retirou seu pequeno sorriso do rosto enquanto o abraçava, afagando suas costas tensas com carinho e apoiando seu queixo no topo da cabeça do mesmo, sentindo os finos fios cacheados colarem em sua pele. Harry também o sentiu se mexer ali, como uma forma de concordância. O menor sentia seus olhos arderem e pesarem, era compreensível, levando em conta toda sua situação atual.Sorriu com certa dificuldade quando sentiu o aroma da sopa que Louis havia preparado. Olhou a tigela de louça de relance, percebendo a fumaça ainda se fazer presente, ao mesmo tempo no qual havia uma colher apoiada na borda do recipiente.Seria hipocrisia dizer que ele não merecia Louis.— Obrigado. - Sussurrou tímido, voltando a fechar seus olhos, temendo olhar aqueles topázios azulados que rondavam sua segurança. — Por fazer o que faz por mim... Eu realmente gosto muito de você, Louis. É difícil admitir esse tipo de coisa, principalmente quando eu sei que nunca vou poder te retribuir. Eu tenho noção de que fui idiota por muito tempo, tenho noção de que eu mudo por completo de pessoa para pessoa, tenho noção do quão estranho isso é, mas... Mas eu acho que essa foi a forma que eu encontrei para me proteger... E, Louis, eu não preciso me proteger quando estou com você, porque sei que você está me protegendo.— Eu nunca pedi para que você me retribuísse, Harry, e você sabe disso. Então pare de se forçar. Pare de tentar se forçar a gostar de mim do jeito que eu gosto de você-— Você não vai me esperar para sempre, Louis, não seja idiota, por favor. Você está se privando de ser feliz porque uma pessoa problemática nunca vai poder te amar do jeito que você a ama. - Harry franze seu cenho, saindo do enlaço de braços de Louis, cruzando os próprios dedos e encarando o acastanhado com certa negação.— Você é ignorante, H. Seus conceitos de felicidade são os que você vê em filmes ou lê em livros. Mas as coisas não funcionam assim. Não é uma pessoa que vai me fazer totalmente feliz, porque a felicidade é um estado de espírito. Eu preciso ter a minha própria felicidade, assim como você precisa. É claro que poderei te proporcionar momentos bons, até mesmo felizes, ou vice-versa, porém você tem de ter sua própria felicidade. - William explica com calma, analisando a expressão do garoto a sua frente relaxar conforme sua voz saía de sua boca. Edward parecia escutá-lo com atenção, embora ele não saiba se ele está absorvendo suas palavras. — Acho que nem todos são "felizes" por completo... Eu não sou porque tenho pendências passadas e isso  me faz não ter paz. Mas, Harry, eu posso te esperar, o tempo que for necessário, posso aguardar até que você encontre sua felicidade. Posso até lhe ajudar a encontrá-la se quiser. E porra, falta tempo ainda, somos jovens, sequer começamos nossa vida com prudência. Você é jovem, você tem o seu futuro em mãos para fazer o que quiser dele. Há muito pela frente. Você vai entrar em uma faculdade, vai amadurecer, vai conhecer coisas novas, vai sentir sensações que sequer imaginava que existiam, vai se viciar em uma música nova, vai ter experiências inesquecíveis, vai ver o mundo com outros olhos, vai viajar para lugares novos, conhecer pessoas novas, você vai se formar, Harry. Vai sair da casa de seus pais, eu nem sei se posso chamar aqueles babacas assim, mas eu tenho certeza de que você não vai morar com eles durante o resto de sua vida. Há tanta coisa para acontecer, tanta coisa que eu mal consigo dizer, então não se preocupe com essa merda de me retribuir, vivamos um dia de cada vez.Styles o observou com atenção no olhar durante todo o discurso. Parecia uma merda motivacional, mas ele sabia que não era, porque mesmo que parecesse, Tomlinson não gostava disso, muito menos Harry.O esverdeado engoliu seco quando assentiu, absorvendo as palavras incrivelmente sábias do mais velho. Harry gostaria que as coisas acontecessem de maneira tão fácil quanto parecia ser quando saía da boca de alguém.— Eu espero, verdadeiramente, que você não desista de mim, porque você foi o único que insistiu... - Revela. Seus dedos suam, é visível por conta da facilidade que tem ao brincar com os mesmos, agora pousados sobre seu colo. — Eu sou muito egoísta, Louis. Às vezes eu sei disso e eu sinto por ter sido egoísta com você. Deveria te agradecer todos os dias por nunca ter me abandonado nos momentos em que eu te tratei mal... Mas eu devo admitir que tinha medo. Medo de aceitar essa amizade e você desistir. Eu tinha medo porque ninguém nunca tentou.— Não desisti quando você me encontrou na detenção e foi irritado por mim, gerando um belo tabefe no meu braço e um nada usual questionamento perguntando se eu comia merda. - William brinca, fazendo as bochechas inchadinhas do garoto corarem e logo um sorriso bobo surgir em seus lábios secos. — Enxerguei em você coisas boas. Tive curiosidade sobre você, sabia que aquela máscara era quebrada em algum momento ou com alguém. Felizmente eu a quebrei. Creio que fiz pequenos vergões em seu rosto, mas já os reparei com ajuda de band-aids infantis, o que me diz? — Como você é bobo, Louis! - Harry pende sua cabeça para frente, evitando deixá-lo ver seu sorriso. — Suas metáforas são ótimas também.— Eu sei, malchik - Gabou-se em um tom irônico, inclinando-se próximo à mesinha de cabeceira e recolhendo a louça quente. — Eu não curto sopa, mas é o melhor para você, então se alimente.Styles entreabriu seus lábios em surpresa, sentindo seu coração pesar com aquilo. Ele nunca faz nada por Tomlinson, como poderia merecê-lo? Sentia vontade de chorar apenas com o pensamento de inutilidade para com Louis.— Obrigado. - Sorriu, agradecendo com a voz ligeiramente embargada e os olhos marejados. Ele tem certeza de que Louis percebe seu estado, e o fita se aproximar, deixando um beijo úmido e carinhoso em sua testa febril. Era de suma importância frisar o quanto Harry gostava desses beijinhos.— Você é precioso para mim. O que estiver ao meu alcance, para deixá-lo sorridente, eu farei. - Louis diz, com seus lábios macios ainda sendo pressionados contra a pele quente da testa do mais novo.— Você também é precioso para mim, pridurok. Me desculpe por nunca demonstrar...— Eu te conheço. Eu sei que se importa e se preocupa, sei de verdade, sei que significo para você.Poucos minutos em silêncio se passam até que William o incentive a se alimentar. Harry elogia a sopa do acastanhado envergonhadamente, sequer o olhando nos olhos. É um momento reflexivo, sinceramente. Eles não trocam muitas palavras durante aquele período, mas Edward não acha que seja algo ruim. Estar com Louis é confortável, ele gosta do silêncio também.Tomlinson se sente desconfortável quando o carro de aplicativo para em frente a casa de Styles. É desconfortável porque o medo de Harry está estampado em seu rosto, seu olhar é baixo, Louis sabe que ele está triste, e sente-se extremamente mal por isso. Harry parece adorável dentro do enorme casaco de Louis, ainda usando a calça de pijama do mais velho e a jaqueta jeans de sua mãe. A ponta de seu nariz estava avermelhada por conta do vento frio da noite, assim como suas bochechas. Suas mãos são aquecidas dentro dos bolsos do casaco, e seu pomo-de-adão move-se mais do que o usual, indicando sua preocupação. Louis quer abraçá-lo. Ele quer ser como um abrigo em meio a uma tempestade.— Volte. Volte, você pode fazer isso outro dia. - O mais velho pede, subindo os degraus da porta de entrada da casa de Edward. Ele assiste o garoto negar, prensando seus lábios um no outro, apoiando sua mão pálida na maçaneta.— Eu não posso. Peça desculpa aos seus amigos por mim. Diga que eu me sinto envergonhado e pretendo não os atrapalhar novamente. - Fala enquanto gira a maçaneta, sequer fazendo menção de olhar para o interior da habitação. — Huh, esqueci do por favor.— Eu te amo - Louis avança em Harry com um abraço, beijando a extensão de seu rosto, o fazendo sorrir e se encolher no abraço, querendo permanecer ali até que tudo estivesse acabado e encaixado em seus devidos lugares. — Fica bem. — Ok-— Me ligue caso algo te incomode, eu venho te buscar.— Certo-— Se eu não atender você manda mensagem ou deixa um recado.— Tudo bem, Lou, eu vou estar bem. Eu acho... - Harry sorriu amedrontado, saindo do abraço em um solavanco, adentrando sua casa logo após sorrir simplista em direção ao rosto preocupado de William.Scott estava sentado no sofá ao lado de Cillian, ambos faziam atividades diferentes. O loiro assistia algum programa de moda, enquanto o outro bebericava uma xícara de chá e lia alguma notícia no jornal diário.— Prepararia sua mudança se ficasse mais um dia na casa daquele garoto. - Cillian profere sem encará-lo. Há um aura incomodativa no cômodo, afinal, seria estranho se não houvesse.— Você mal tem noção da vergonha que me fez passar, não é?— Quem sabe desta maneira você aprenda a não ir se embebedar e se drogar com essas subespécies. - O mais velho mira seu olhar duro no filho, parado ao lado da porta, tendo suas mãos engolidas pelo casaco preto e os cachos em uma desordem sobre sua cabeça.— Você consegue foder com qualquer pessoa próxima a você. Sequer conseguiu manter minha mãe aqui. Percebeu que eu sou a única merda que restou e que te faz lembrar dela e ficou amedrontado. Eu não ligo, mas porra, você realmente precisa fazer isso comigo? Eu pareço tanto com ela para você temer se aproximar de mim? Porra, eu não preciso de muito. Sequer preciso que você converse comigo, mesmo sendo seu filho e morando na mesma casa que você, você não precisa conversar comigo, pode fingir que eu não existo, como você sempre fez, apenas não destrua essa merda que restou para mim. Estou te pedindo com sinceridade. No final do ano teremos os exames e eu espero ter nota o suficiente para entrar em uma boa universidade e morar nos dormitórios até que as coisas melhorem e eu consiga começar minha vida sozinho. Só... Finja que você não precisa fazer o papel de pai.— Você realmente acha que consegue ludibriar alguém com esse discursinho decorado, Edward? Eu lhe conheço. - O homem se levanta, deixando o jornal sobre o estofado do sofá e massageando suas têmporas cansadamente. — A mim você não consegue enganar, mas quer saber? Faça o que você quiser. Quer fingir que não me conhece? Vá em frente, apenas finja que não me conhece quando estiver precisando de roupas novas ou mesadas para bancar suas drogas.Harry estava cansado. Cansado de discutir. Cansado de estar ali. Cansado de tudo. E agora, o sentimento fazia parte de si, pois visivelmente nunca iria embora.Sua única resposta foi assentir, engolindo seco e encarando o homem que chamou de pai por muito tempo, sentindo seu estômago revirar. — Certo então, Cillian. - Sorri cinicamente, apertando as mangas da blusa de Louis.Sabendo que nada mais aconteceria, Harry deixou a sala, subindo para seu quarto, trancando-se nele como uma forma de proteção física e psicológica. Ele não pretendia passar dias trancado ali como sempre faz, mas também não havia vontade nenhuma de sair ou fazer algo. Estava confuso. O que aconteceria dali para frente?Bem, se Harry soubesse teria dito todas aquelas coisas antes.Dois dias após aquela discussão, ele não havia trocado uma sequer palavra com seu pai, às vezes cumprimentava ou se despedia de Scott, mas nunca de Cillian. Louis, preocupado do jeito que estava, enviou diversas mensagens para o mais novo, assim como fez diversas ligações. Ele realmente parecia confuso com o relacionamento entre Harry e Cillian, mas não fez questão de se aprofundar no assunto quando soube, tinha plena noção de que coisas drásticas e recentes deixavam Harry nervoso.Styles, por sua vez, gostou da ligação noturna de Tomlinson, nunca havia experimentado algo assim, havia sido a primeira vez, e por mais estúpido que parecesse, ele dormiu enquanto conversava com o acastanhado, de brinde recebeu diversas capturas de tela de seu rosto enquanto dormia. Louis conseguia o fazer sorrir com qualquer merda que dissesse, e aquilo mexia muito consigo.Na manhã seguinte – após a ligação –, Louis convidou Harry para uma caminhada na praia e, mesmo que não estivesse muito disposto, o cacheado aceitou.Também foi a primeira vez na qual ele saiu de casa sem sequer avisar ao casal que estava saindo.Styles usava uma bermuda jeans, pouco colada à seu corpo, acompanhada de uma camiseta rosa-bebê, seus cachos estavam presos em um rabo de cavalo, mas ele tinha em mente que logo logo teria de prendê-los novamente por conta da raiz lisa. Segurava um protetor solar em mãos ao mesmo tempo em que guardava o molho de chaves o bolso de sua bermuda.— Oi! - Edward desce os degraus animadamente, dando pequenos e bobos pulinhos enquanto força sua visão, sendo afetada pelo Sol. Não era um dia extremamente quente, Harry admite que já viveu dias mais calorentos, mas aquele Sol estava a machucar seus olhos e fazer sua pele – descoberta – arder quando em contato com a luz solar.Louis se aproximava, examinando o rosto do mais novo com certa preocupação no olhar, e o garoto já sabia da motivação daquilo. Ele vestia uma bermuda jeans também, porem essa era larga e continha a barra dobrada, haviam rasgos propositais nela, Harry nunca entendeu aquela moda... Voltando a análise, Louis cobria seu torso com uma regata branca e certamente fina. O rapaz tinha um óculos de Sol pendurado na gola da mesma e abriu seus braços ao perceber a animação do cacheado.— Ei. Sentiu saudades, 'né? - Brinca quando sente o impacto do corpo menor fundindo-se no abraço e envolvendo as mãos em seus ombros. William percebe o garoto ficar na pontinha de seus pés e ri, segurando sua cintura com carinho, afundando seu nariz na curvatura do pescoço de Harry, sentindo a fragrância adocicada de seu perfume adentrar suas narinas e os pequenos cachos pinicarem sua bochecha.Styles assente em resposta a pergunta, pisando por completo no chão ao sair do abraço, cobrindo suas bochechas rubras com as mãos.— Passe para mim? Não tive tempo, quando eu ia fazer isso você mandou mensagem dizendo que já estava próximo. - Esticou a embalagem de protetor solar para o mais velho, que assentiu simplista, tomando o vidro da mão de Edward e despejando pouco do conteúdo em sua mão.— O quão adorável você não fica com as bochechas tostadinhas? - O maior questiona brincando, enquanto Harry franze gentilmente seu nariz e nega devagar com sua cabeça, sentindo a pasta gélida entrar em contato com sua pele aquecida. A sensação passageira é incômoda, mas logo os dedos ásperos e quentes de William massageiam seu rosto com cuidado, espalhando todo o protetor solar pela extensão da pele do mais novo, principalmente as bochechas.— Dói quando isso acontece. Toda a minha pele descasca e, eu realmente não desejo isso para ninguém. - Explicou sincero, retirando a embalagem da mão do outro e a guardando em seu bolso.O azulado assente em concordância, caminhando em passos curtos pela calçada de pedras naturais, escutando passos rápidos atrás de si, denunciando a corrida de Styles para alcançá-lo. — Me convidou para ir à praia e sequer espera por mim. - Comenta antes de bufar irritado, cruzando seus braços de maneira infantil e percebendo que ao invés de ter feito Louis diminuir a velocidade, o fez sorrir. Uma das mãos do mesmo passeia pelo braço de Harry, logo fechando os dedos em seu pulso e o puxando com cautela para perto.— Quanto drama, esquentadinho, relaxe. - Louis entrelaça seus dedos nos do esverdeado, percebendo que estão suados pelo calor, mas não faz menção de se importar com aquele detalhe. Sente-se feliz por estar segurando a mão de Harry sem ter de usar uma fuga – de um plano idiota que não deu certo – como desculpa. Harry também parece gostar, considerando que suas bochechas se tornam mais rubras ainda e um sorriso involuntário seja instalado no rosto do mesmo.— Você gostar de mim não tem nada a ver com o boquete, tem? - Edward questiona repentinamente, assustando William com sua pergunta, o fazendo amarfanhar o cenho e arregalar os olhos, abrindo a boca duas vezes seguidas para respondê-lo, mas parecia não encontrar as respostas corretas. Qual é, não culpe o garoto por isso. Tinha a pessoa que acionava sentimentos e sensações nunca sentidas em sua vida segurando sua mão, realmente segurando, como um casal faz. O pobre Harry mal conseguia para de prender sua respiração quem o dera raciocinar.— Não, ninho. Não tem nada a ver. Prometi esquecer aquilo e foi isso o que eu fiz.Uma grande sensação de alívio percorreu todo os seu interior, acalmando até mesmo seu coração palpitante. Logo sua respiração presa foi soltada aos pouquinhos, sentindo-se mais tranquilo com a revelação, como se houvesse tirado uma carga pesada das costas.O caminho foi aconchegante. A praia não ficava muito longe da casa de Styles, então foram menos de quinze minutos caminhando até chegar à orla principal, essa mesma qual já estava lotada de turistas e habitantes, que caminhavam com sua famílias, ou pedalavam suas bicicletas.Os guarda-sóis coloridos enfeitavam a extensa areia em volta do mar, assim como s cadeiras coloridas de aços pintados. Os quiosques estavam cheios, contavam até mesmo com filas de metros. As barraquinhas de lanches não ficavam para trás. Crianças com seus cabelos molhados e repletos de areia faziam filas para comprarem salgados e voltarem para perto de seus pais. Harry sorriu ao ver uma família se reunir empolgadamente sob o próprio guarda-sol e gritarem "X" para a câmera fotográfica, enquanto tiravam uma foto verdadeiramente animada.— Acha que eles são felizes? - Perguntou para Louis, sem retirar os olhos da família – no fundo ele desejava ter aquilo.O mais velho procura o campo de visão que Harry enxerga e seus olhos logo pairam sobre a família.— Parecem. O mais novo assente, voltando a caminhar tranquilamente na orla, desviando de pessoas que caminham lentamente e saindo do meio da pista de ciclistas que passeavam por ali.Mais ao final da praia, havia um morro, repleto de rochas e árvores, era um bom lugar para de acampar, Harry certamente o faria caso Louis quisesse... Quem sabe algum dia.William largou sua mão abruptamente, coisa que o assustou,Seu rosto expressava confusão, pois era isso que ele estava: confuso.O acastanhado retirava seus tênis e os arremessava longe, próximos às rochas sombreadas, realmente longe.— O que está fazendo? Ficou maluco? - O esverdeado questiona desorientado, levantando suas mãos ao lado do corpo e assistindo Louis sorrir como uma criança arteira, que havia acabado de aprontar uma daquelas. — Acha que consegue chegar antes de mim até lá?Harry sorriu travesso, retirando seus tênis brancos e os segurando em mãos, escutando Louis gritar "já" poucos instantes depois.Ele corre atrás do rapaz, que parece estar quilômetros a frente de si, gritando coisas como 'não é justo', ou 'você sequer me esperou', até mesmo 'deveríamos ter uma linha de partida, seu idiota!'Quando ultrapassa Louis, sentindo seus pés queimarem pela quentura da areia, aproveita para respirar fundo, voltando a apertar os dedos contra os tecidos de seus sapatos, e aproveitar a vantagem que tirou.Seus olhos brilham ao se aproximar das rochas e ver os tênis de Tomlinson perto, mas sua alegria não dura.Styles sente mãos agarrarem sua cintura e, por mais que reconhecesse aquele toque, sabia que dessa vez não havia nada carinhoso ou inocente nisso.Seu corpo foi puxado para baixa e, de alguma maneira desconhecida, ele caiu sobre o corpo de Louis, que gargalhava com seus olhos fechados e exibia suas fofas linhas de expressão nos lados de seus olhos.Em um ato de reflexo, suas mãos tentaram sustentar seu corpo durante a queda, então elas se encontravam cravadas na areia, cada uma de um lado da cabeça de William.Harry realmente não tinha nada a perder.Seus lábios foram colados fortemente contra os de Louis, fazendo-o parar de sorrir de imediato, mas não completamente. Ele deixava selinhos nas pétalas avermelhadas e macias, afundando as pontas de seus dedos na cintura do garoto, sobre a camiseta rosa que ele usava. O clima parecia ter esquentado cinco vezes mais - se é que aquilo era possível -, principalmente quando Tomlinson empurrou a cintura do outro para baixo, o fazendo morder deu lábio inferior e sorrir entre a mordida, grudando suas testas e roçando seus narizes. Louis inclinou sua cabeça com cautela, roubando mais um selar de lábios e assistindo Styles sorrir desconcertado pelo rápido beijo.Levantaram-se da areia com rapidez, pois sentiam seus corpos cozinharem enquanto deitados ali, e logo confortaram-se sob as sombras de diversas árvores, sentando em uma das planas rochas que havia no local.Não era um dia no qual Louis tinha muito assunto, Harry entendia. Passar um tempo considerável apenas na companhia do outro já parecia ser algo bom o suficiente. Incluindo estar deitado sobre o colo de Louis, tendo seus cachos acariciados meigamente, enquanto os únicos sons audíveis eram o canto alto dos pássaros e as ondas, que se desfaziam ao chegar no raso.Eles realmente passaram horas ali, tantas que Edward chegou a cochilar no colo de William, apenas acordando quando o escutou dizer que buscaria algo para que comessem.Mesmo odiando filas, Tomlinson caminhou até o quiosque mais próximo e parou atrás de dezenas de pessoas, tentando enxergar Styles, mas nem tendo sinal de sua camiseta rosa e chamativa.Sua visão estava realmente uma merda.Louis passou fodidas meia hora em uma fila apenas para comprar duas empanadas e uma água de coco. Ele queria rir daquilo junto à Harry posteriormente, mas no momento estava verdadeiramente irritado. O garoto sequer estava ali quando ele chegou.Louis quase sentou e chorou.— Já voltou? Pensei que demoraria mais. As filas estavam enormes. - Harry sorriu amavelmente quando retornou, escondendo algo atrás de si, contando com a idiotice de Louis para não perceber.— Vamos lá, o que você tem aí?— Uma coisa, te mostro quando retornarmos da praia.O mais velho revirou seus olhos, descontente, mas concordando com aquilo, entregando o salgado que havia lhe comprado e dividindo a água contida no coco.Harry estava sorridente, pouco mais falante quando retornou, aquilo animou Louis, então eles resolveram deixar a praia ao entardecer, ainda fazendo brincadeiras e piadas bobas, dividindo um sorvete misto de chocolate e baunilha com duas colherezinhas brancas durante o trajeto de volta para casa.— Então... - Louis parou em frente à porta da casa de Edward, apontando para uma das mãos, que se manteve fechada desde a praia. - O que há aí?— É algo estúpido- Ah, deixe isso quieto, Louis, não é nada demais, apenas uma bobeira. - Cravou suas unhas curtas na palma de sua mão, mordendo seu lábio e mirando seu olhar nos tênis surrados do outro.— Há algo errado? Não me preocupe.— Não! É realmente apenas uma bobeira. Uma merda na verdade.— Eu não vou te julgar, ninho. Deixe-me ver o que é.Harry assente, ainda incerto, abrindo sua mão e revelando o adereço artesanal, que fez Louis o encarar curioso.— Bem, você demoraria na fila... Então eu apenas juntei essas pequenas conchas - Apontou para os itens. - Eu não faria nada com elas, as guardaria, mas lembrei de você e... Nossa, isso é uma droga. E... Comprei esse elástico solitário para te fazer esse colar. Porém você não precisa usar se não quiser, eu sei que ficou horroroso.O mais velho tomou o colar de sua mão, o passando com cuidado por sua cabeça e sorrindo ao dedilhá-lo, puxando Harry pela mão e lhe dando um beijo demorado na bochecha.— Eu adorei, meu amor. Obrigado. - Agradeceu sincero, ainda encantado com Harry.— Oh, que bom que gostou... - Respondeu corado provavelmente pelo chamado de Louis.— Foi ótimo passar esse dia com você, Edward Styles.

----- CHAPTER BREAK -----

oioiii, preciso que vocês leiam esse aviso, por favor 💔eu postei o capítulo já revisado, às 18, mas uma leitora @heschant (obrigada) me avisou dos erros frequentes e eu vim dar uma olhada... enfim, o wattpad traduziu todo o capítulo para o inglês e depois traduziu para o português de novo. ou seja; haviam muitas coisas erradas :(espero que vocês perdoem os erros, eu revisei novamente, mas algo sempre escapa né!? comentários são sempre bem-vindos!•••Harry não negaria o pensamento de que passou a noite toda em claro, apenas tentando achar algum assunto no qual estava pendente e ambos não conversar sobre. Não que aquele assunto fosse pendente... Quer dizer, Harry não sabia, então poderia ser, correto?Odiava passar madrugadas em claro, sua cabeça doía com intensidade e seus olhos pesavam de maneira dolorida. Embora tenha regulado todas as noites não dormidas quando ficou na casa de Louis, ele ainda sentir um sono inquestionável. Mas também não negava que talvez aquela houvesse sido uma maneira qual seu cérebro encontrado para conseguir-lo fugir da realidade sem depender de substâncias ilícitas.Styles mal conseguiu comer seu café, por pura ansiedade. Louis sequer havia dito que era algo importante, e mesmo assim conseguiu fazer com que os pensamentos de Harry tomassem conta de tudo ao seu redor.O que ele diria? Reclamaria de algum comportamento ou fala de Harry? Diria que eles não podem seguir mais seguir com aquela amizade estranha? Se despediria por algum motivo? E se Harry houvesse feito algo errado? Ah, porra, e se Louis houvesse descoberto sobre uma vez em que bateu uma para ele?Harry estava explodindo de curiosidade.Ele já foi melhor em decifrar as coisas.Talvez Louis queria apenas conversar sobre algo pessoal ... Ah, sim, talvez seja isso ... Porra, Harry nunca se sentiu tão ansioso.Seus pés moviam-se descontroladamente, batendo as solas de sua pantufa preta no carpete marsala de sua sala incessantemente, enquanto suas mãos suavam, fazendo com que o celular escorregasse de seus dedos. O fone plugado com o celular, fazia com que o aparelho não escorregasse por completo. Edward escutava Molchat Doma em seus fones, balançando sua cabeça para os lados com suavidade, tendo seus olhos fechados e o volume baixo, para que escutasse a campainha.Ele realmente esperava que Louis chegasse o mais rápido possível. Seus pensamentos estavam o corroendo, era uma merda porque muitas coisas já passaram por sua mente.Mas Louis poderia conversar sobre algo bom consigo, verdade? Conversas nem sempre são sobre coisas necessariamente ruins...À quem Harry está enganando? Ele está nervoso para caralho. Imagine só se Louis cansou dele?Styles sente que pode surtar a qualquer instante se prosseguir tentando adivinhar o assunto da conversa.Moretz havia ido embora há poucos minutos, deixando um beijo carinhoso na testa de Harry e lhe alertando sobre os biscoitos que existiam assando no forno, o dando instruções para quando fosse retirar a forma e descolar os biscoitos. Uma vez que Edward escutou o som da campainha ecoar pela sala de estar, levantando-se, puxando os fios dos fones de ouvido e os pousando em cima do estofado confortável do sofá. Tentava disfarçar seu desespero e sua ansiedade. Agradecia por Louis não ouvir seus batimentos cardíacos, ele com certeza se assustaria.Era normal sentir-se um completo idiota nessas hipóteses, sim?O esverdeado ajeitou seus cachos com rapidez, colocando mechas de cabelo para trás da orelha, e passando as mãos em seu rosto, tentando fazer com que o rubor sumisse ao encostar seus dedos gélidos, que ainda suavam frio.As mãos do garoto, já trêmulas, tocaram na maçaneta com certo receio, não demorando muito para que ele prensasse seus lábios um contra o outro e girasse o objeto com incerteza, fechando seus olhos, envergonhado por saber que daria de cara com Louis Tomlinson.— Ei - Escuta um sorriso nasal, e abre seus olhos com calma, tentando não demonstrar toda a sua angústia, embora ela estivesse bem aparente... — O que houve? Parece alheio. - Louis questionou, havia certa preocupação em sua voz, era consideravelmente audível.— Sobre o que você quer conversar? - Foi direto, apoiando-se no batente da porta e vacilando seu olhar, não conseguindo mantê-lo no olhar suave de Louis.— Posso entrar ao menos? - Perguntou, quase divertido, fazendo Styles rolar seus olhos, ainda em descrença, dando espaço para que William adentrasse a habitação.Cillian estava em casa, provavelmente em seu escritório. Harry não insistiu em conversar com o homem desde a última briga que teve e, particularmente, estava sendo ótimo. Era claro que Cillian encontrava um jeito de mandar indiretas estúpidas para o filho, mesmo sem paciência alguma para aturá-lo, Harry ignorava as falas direcionadas à si.— Vamos para fora, eu não acho que poderemos conversar aqui dentro. - Edward revelou, sendo sincero com o mais velho, caminhando para o corredor de paredes brancas, onde grandes portas de correr se encontravam ao final.William assente em concordância, acompanhando Harry ao cruzar toda a casa em passos rápidos. O garoto certamente não gostaria que seu pai o importunasse com seus papos de drogas e bebidas. Entretanto, não era totalmente mentira, porém, caralho, não era nível nível exagerado.Os lábios de Louis se entreabrem quando Harry abre uma porta, mostrando o jardim.Haviam incríveis flores plantadas por todas a extensão do jardim. Eram coloridas, as rosas estavam em maioria, assim como os narcisos brancos, que estavam próximos à pequena estufa agrícola. Alguns arbustos estavam plantados nas extremidades do jardim, escondendo a cerca que dividia o terreno das casas de luxo. Provavelmente a coisa que mais o impressionou foi o lago de águas cristalinas localizado ao leste do jardim. Haviam pequenas pedras dentro do lago e uma queda d'água – provavelmente – temporizada.Tinha também uma fonte de água próxima ao lago, estatua de Afrodite foi posta ao topo da fonte, parecia nova, e Tomlinson se encantou com aquilo.O mais velho aproximou-se do local e um sorriso amplo foi instalado em seu rosto quando viu as moedas jogadas dentro da água.— Ainda faz desejos e joga as moedas aqui? - Louis pergunta divertido, apontando para dentro da fonte. Harry ainda aguarda Louis lhe contar sobre o assunto no qual conversariam, ainda está nervoso, sente seu corpo todo tremer e seu olhar implora para que entrem naquele assunto logo.Ele nega veemente, entrelaçando seus dedos uns nos outros e mordendo seu lábio inferior, tentando manter seus olhos em Louis.— Apenas quando era criança. A minha mãe- Ela costumava dizer que nossos desejos se realizariam caso jogássemos moedinhas aí e tivéssemos fé... Boa parte desses centavos foram jogados aí por mim, quando ela faleceu. - Explica com calma, assistindo a expressão do mais velho suavizar.— Você é uma das pessoas mais adoráveis que eu já conheci, sabia? Te admiro 'pra caralho.— Me admira? - Questionou retoricamente, sabendo que Louis não respondeia com palavras, apenas concordâncias com sua cabeça. — Oh, isso é legal. - Sorriu tímido, abaixando sua cabeça e escondendo boa parte de seu rosto com os cachos rebeldes.A próxima ação de Harry fora caminhar até a pequena casinha, onde eram guardados itens de jardinagem e máquinas usadas, a porta de madeira estava destrancada, facilitando a entrada, então Styles cruzou o pequeno lugar e recolheu uma toalha pouco velha, voltando a andar até a fonte, onde Tomlinson se encontrava parado, com os braços cruzados e expressão amena.— Louis, os meus biscoitos! - Edward praticamente gritou, jogando o tecido xadrez no ombro relaxado do mais velho, correndo desajeitadamente para dentro de sua casa. William com certeza tiraria sarro da cara do garoto, mas apenas sorriu, achando aquilo doce demais.Nunca passou por sua mente que algum dia teria tal nível de proximidade com Harry Styles, chegava a ser insano.Ainda sorrindo, ele esticou uma toalha quadriculada sobre o gramado verde, sentando-se no pano para aguardar Harry, esse que voltou com suas mãos carregadas de itens. Havia uma cesta pendurada em seu braço, assim como uma garrafa de suco em suas mãos e uma bandeja de biscoitos com gotas de chocolate sendo equilibrada entre seus braços.Toda a atenção do mais novo estava concentrada naqueles itens, qualquer som alto com certeza o faria derrubar tudo aquilo ou tropeçar no caminho de pedras, Louis leva isso em conta antes de implicar com ele.— Eu não estava planejando esse piquenique, porém achei que seria legal, então montei essa cesta. E eu também nunca fiz um piquenique, pelo menos é assim que funciona em filmes, estou certo? - O menor questionou inquieto quando retornou, pousando os itens sobre a toalha e sentando-se em cima de seus tornozelos, descansando seus braços em seu colo, mostrando suas covinhas para Louis em seguida.— Está sim. O pessoal vive de fazer piqueniques, próxima vez você irá conosco. - Louis comenta despreocupado, recolhendo um biscoito e o mordendo, enquanto uma de suas mãos sustentava seu corpo, inclinado para trás.Edward engole seco, acenando negativamente com sua cabeça e apertando seus dedos em suas coxas, é desconfortável falar sobre esse assunto, obviamente é. Todos eles o viram ser arrastado para fora do karaokê e, provavelmente sempre lembrarão dessa cena ao vê-lo junto de Louis. — Eu não quero os ver nunca mais. Depois da puta vergonha que passei, não conseguirei ficar no mesmo lugar que seus amigos.— Eles são seus amigos também, ninho. Inclusive a Hunter ficou muito preocupada com você e também disse que você é protegido dela. Os garotos disseram que você não precisa ficar envergonhado porque nada daquilo foi sua culpa, te enviaram energias positivas também. Eles gostam de ti. Você é o bebezão do grupo, Harry. - William brincou, apertando o nariz do mais novo e puxando a pontinha com cuidado, fazendo o mesmo franzir seu nariz e afastar seu rosto, sorrindo ao sentir cócegas e sentindo os dedos ásperos de Louis afagarem sua bochecha.Era incrível a forma como Harry reagia ao estar perto de Louis, ele se sentiu envergonhado com a quantidade de carinho que recebia, era louco. Mas não negaria dizer que adorava aquilo.— Você deve passar muito tempo aqui, não? Um jardim desses não é para qualquer um. - Louis perguntou casualmente, colocando uma das mechas cacheadas do outro atrás da orelha do mesmo, assistindo seus olhos serem minimamente arregalados e sua cabeça negar.— Não. Não passo muito tempo aqui.Harry cortou o assunto sem ao menos perceber. Não desejava fazer aquilo com tanta rudeza, mas foi o que, e ele se sentiu mal por isso, não gostaria que ficasse um clima tenso ou estranho entre eles.— Eu não costumo vir aqui porque eu tenho lembranças dela. São muitas. De verdade, muitas. — Lembranças são as melhoresas coisas, H, elas te permitem relembrar momentos bons que teve com ela, te permite sentir carinho pela figura materna que ela foi para você, você não deveria temê-las, digo por experiência própria, acredite. - Louis comenta, há leveza em seu dizer. Harry gosta da esperança que há nas falas de Louis, por algum motivo ele se sente esperançoso ao ouvi-lo falar, e tinha medo de assumir isso.Harry discorda, porque as lembranças o machucam como espinhos sendo cravados em seus dedos.Lembranças tinha suas partes bonitas, facilmente comparadas com uma rosa. Havia sua parte bonita, que eram como pétalas. A parte mais linda e chamativa da flor. Com certeza as pétalas são os únicos motivos pelos quais as pessoas compram flores e fazem buquês. Ninguém realmente gostaria de uma flor se ela fosse apenas um talo espinhento. E esse mesmo talo, repleto de espinhos, era a pior parte das lembranças. Ele lembra que você nunca terá aquilo de volta. Mas todos sempre se arriscam a tirá-la do canteiro, afinal, é uma rosa.Mesmo que os espinhos machuquem seus dedos você insiste em puxar a flor inteira, porque já está machucando mesmo, não faz diferença, no entanto. Edward pegou-se pensando na parte onde Louis disse que sabia de tal coisa por experiência própria. Ele nunca havia desabafado uma vez sequer com Harry. E o mais novo foi desatento o suficiente para não perceber isso durante meses de amizade.Talvez William não confiasse o suficiente... Bem, Harry não sabia.— Eu não consigo pensar assim. É difícil. - Admitiu, ajeitando-se sobre a toalha e recolhendo um pequeno pão de frios, mordendo a massa fofa após isso, aguardando a seguinte fala de Louis, porém atropelou o suspiro do mais velho ao lembrar-se de algo que deveria perguntar. — Está tudo bem com você, Lou?O acastanhado sorriu sincero e surpreso com o questionamento, batendo suas mãos uma contra a outra na intenção de retirar os farelos presentes ali.— Estou bem, ninho. Meu pai está melhorando, talvez seja por conta do trabalho. Ele é uma pessoa responsável. Às vezes... Mas sim, estou bem, acho que vêm sendo uma ótima época para mim, eu tenho você, o pessoal da banda, que são os melhores meus amigos, e tenho meu pai melhorando, em doses homeopáticas, mas melhorando. Isso é foda demais.Harry sorri, Louis sabe que é um sorriso sincero, apenas por conta das depressões que surgem em suas bochechas, sente-se feliz ao receber aquele tipo de pergunta. Harry sentiu-se importante ao ser considerado meio de tal frase, ele está fazendo o tempo ser bom para Louis, o quão fantástico isso é? Ele nunca quis tanto explodir de alegria.— Isso é legal. Fico feliz por você. — Obrigado, malchik. Agora faça um experimento comigo, certo? É rápido. - O mais novo franziu levemente seu cenho, mas assentiu em seguida, aproximando-se do maior e deixando que suas pernas se roçassem. — Me conte, qual é a sua memória favorita desse lugar.Edward ponderou sobre aquilo, sentido seu peito pesar, eram enriquecidas as vezes nas quais ele falava uma lembrança ou uma memória em voz alta. Na verdade isso aconteceu uma única vez, quando desabafou tudo o que podia com William.— Um churrasco. Foi quando ela me presenteou com uma embalagem de estrelinhas que brilhavam no escuro. Estávamos todos reunidos aqui, eu tinha o cabelo liso e curtinho, vestia uma sunga amarela horrorosa e estava sentado naquelas pedras - Apontou para o local o qual se referia no momento. - Comemorávamos uma nova coleção produzida somente por minha mãe. Ela estava muito feliz e, consequentemente eu estava também. Minha mãe sempre foi uma pessoa que emanava energia boa, mesmo em seus piores dias, ela conseguia fazer com que tudo parecesse bom o suficiente para todos. Huh, então tudo parecia bem, ela conversava com suas amigas, o meu pai com seus colegas, e eu estava em meu próprio mundo, fingindo ser um salva-vidas. Minha mãe me chamou no final do churrasco, já era tarde, ela me colocaria para dormir, mas me entregou aquela embalagem. Eu acho que nunca fui tão feliz com um presente... Nós passamos boa parte da noite colando as estrelinhas no teto, eu fingia ser um astronauta, minha mãe até mesmo me improvisou um uniforme de astronauta... Pode parecer bobo, mas isso é muito importante para mim, porque as estrelas ainda estão no meu quarto. No meu teto...— Não parece bobo, é fofo na verdade. Mas ok, certeza que você recriou toda a cena no seu cérebro, estou certo? - Tomlinson pergunta, fitando o rosto confuso do garoto, também o assiste concordar. — O que há de ruim nessa cena?- Nada... Apenas a sunga amarela. - O mais novo brinca, sorrindo divertido e fazendo Louis o acompanhar na risada nasalada.— Por que teme as memórias? Elas são boas, você acabou de comprovar.— Não necessariamente. Louis, eu nunca mais a terei comigo. Você entende? Nunca mais. Eu não terei ela para me aplaudir na plateia de formatura, eu não terei ninguém sinceramente - Sorri sem graça, vacilando seu olhar. — Não terei ela para visitar meu quarto na universidade e me ligar todos os dias para saber se estou bem, não terei ela para me apoiar quando quiser abandonar tudo por uma simples crise, não terei ela quando me formar na faculdade, não poderei mostrar à minha mãe os meus trabalhos gráficos... Meus filhos não vão poder ir à casa da avó reclamar que o pai deles não os deixam tomar sorvete durante um dia frio ou reclamar que não podem assistir televisão até tarde. Eu não a terei para ligar durante a madrugada perguntando sobre como fazer uma mamadeira ou sobre como fazer a cólica do meu bebê parar. Entende? Ela não está mais aqui e me doí lembrar o quão boa ela foi.Louis tocou com leveza em seu braço, o trazendo para mais perto ainda, segurando sua cintura com cuidado e deixando Harry deitar a cabeça em se colo, espalhando os cachos macios e cheirosos por toda a extensão de sua coxa – coberta por uma calça skinny preta.— Ela não está mais aqui, porém ela esteve. E você não deve temer lembrar de sua mãe. Pense em como ela se sentiria ao saber que você está trancando todas as memórias boas, de momentos doces que construíram juntos, dentro de sua mente, hum? Eu sei que é difícil, mas tente fazer com que se tornem apenas coisas boas. Eu tenho certeza de que ela não gostaria de ver seu filho desistir. Nenhuma mãe gostaria... Ela faria você continuar, não é? - Styles assentiu, com seus olhos marejados mirados para a claridade do céu, que iluminava suas orbes esmeraldinas e refletia-se nas córneas cristalinas do mesmo. — Eu sei que nada se compara ao amor de uma mãe, mas você disse que podemos tentar, nós podemos, e eu quero. Quero te ver bem, quero fazer com você se sinta melhor, quero que você ame as lembranças de sua mãe assim como amou ela. Te ver bem me faz bem.— Louis - Harry o chamou silenciosamente, com sua voz embargada e a garganta dolorida por tanto prender seu choro ali. Suas bochechas fervem, algo que sempre acontece quando ele está prestes a chorar. Seus olhos se fecham ao que percebe o rapaz fitá-lo com preocupação.William inclina sua cabeça para baixo cautelosamente, sorrindo de maneira reconfortante para Edward, que ainda tem sua cabeça no colo do mais velho, inclusive, encontra-se de cabeça para baixo, fazendo o outro não conter o sorriso ao perceber isso.Tomlinson escova seu nariz carinhosamente no nariz de Styles, ouvindo uma pequena risada escondida. Ele escorrega a pontinha com cuidado pela extensão da pele próxima do cacheado, roçando – com cuidado – o nariz contra os lábios de Harry, sentindo as pétalas ferventes do mais novo aquecerem sua pele.O cacheado entreabre seus lábios, é pouco, mas o suficiente para Louis entender e selar o início daquele beijo.Os lábios de Edward são sempre macios, sempre tão convidativos, sempre úmidos de saliva... William ama aqueles lábios cheinhos e rosados, verdadeiramente ama.Há certa vulnerabilidade entre o beijo, ele sente as lágrimas chegarem sorrateiramente, molhando ambas as bocas sem quaisquer chances para impedir, o gosto salgado das lágrimas é absorvido pela língua do acastanhado, que sela rapidamente os lábios do mais novo e levanta sua cabeça com cuidado, não totalmente, mas o bastante para beijar o trilho molhado e salgado que o breve choro de Styles deixou.O vento, que balança as flores e os galhos das árvores e arbustos no jardim, é fresco, faz com que os rastros de lágrimas se tornem congelantes no rosto quente de Harry. Esse mesmo vento soprado faz com que a franja bagunçada – propositalmente – de Louis, se desloque no ar, também fazendo com que alguns fios cacheados ricocheteassem o rosto de Harry, o fazendo sorrir minimamente e levantar sua mão para tocar a mandíbula marcada do mais velho, passeando as pontas de seus dedos na pele macia dele, implorando para que Louis volte a beijá-lo.E, como se Louis compartilhasse dos mesmos pensamentos, ele volta a beijar Harry.Dessa vez seus lábios se movem um contra o outro, como se dois infernos houvessem se encontrado e decidido juntar ambos os exércitos de fogo para lutarem juntos. E como todo combinado, acabam tendo uma guerra entre si. O acastanhado encontra a abertura perfeita para usar sua língua, explorando a boca de Styles e sentindo o músculo úmido do garoto queimá-lo ao esfregá-lo contra o seu. Ele sorri entre o beijo quando percebe a bagunça na qual se encontra. Mas Harry parece não se importar com aquela baderna.Mesmo que Louis sempre descreva tais beijos como fogo, sentia que quando suas bocas se juntam, caem como ondas quebrando na beira da praia. É agradável e suave, como a água do mar durante o el niño.Uma vez que o ar já não é mais tão "segurável", Louis se afasta minimamente, escutando a respiração sôfrega do garoto embaixo de si. Ele percebe Harry sorrir com seus lábios inchados e novamente cola suas bocas, dessa vez por poucos instantes.William lhe deixa um beijo na testa antes de vê-lo fechar os olhos e acomodar a cabeça em seu colo, ainda sorrindo como um bobinho, julgável apaixonado.— Por que dói tanto? - Harry questiona de maneira repentina após minutos em silêncio, sentindo a pesada mão de Louis ser pousada em seu peito e ele entrelaçar seus dedos delicadamente.— O que dói? - Rebate o questionamento, confuso, e afaga a mão do mais novo.— Saber que você me ama.— Oh - Tomlinson abre sua boca em surpresa, os fechando e retornando a abrir três vezes antes de encontrar algo plausível em sua mente. — Eu te peço calma quando eles passam e te pedem pressa. - O menor sorri, escondendo seu rosto envergonhado com parte de seu casaco, e Louis aperta o enlaço de suas mãos, percebendo o mesmo morder seu lábio inferior e o escuta reclamar por corar tanto e com tanta facilidade.— Me conte o porquê de ter enviado aquela mensagem na madrugada de hoje. Eu fiquei preocupado, achava que tinha feito algo errado. Fiquei ansioso. - Harry questionou, atropelando suas próprias palavras e observando a feição de Louis se tranquilizar, instalando um sorriso reconfortante nos lábios. — Veja, daqui três dias a banda tem uma apresentação marcada. É uma festa à fantasia em Yoston... É a nossa primeira apresentação depois de muito tempo parados, também é a primeira apresentação que você pode acompanhar, e eu gostaria muito da sua presença lá, porque sei que me sentirei confortável sabendo que você está nos assistindo. Você é muito importante para mim, seu apoio vêm sendo o meu suporte para continuar... Era apenas isso, eu também estava ansioso, não sabia se você demoraria para responder ou não e, particularmente, eu prefiro conversar pessoalmente com você, amo suas reações. Tipo agora, que você está boquiaberto e surpreso pelo convite.— Aí meu Deus! Eu nem acredito em Deus, mas, aí meu Deus! - O mais novo quase grita, sentando-se corretamente sobre a toalha xadrez e levanta seus braços animadamente, logo os apoiando nos ombros tensos de William, que aguarda pela resposta.— Isso foi um "sim"? - O de olhos azuis indagou ansioso, segurando os tríceps do mesmo com cuidado, para que houvesse um apoio à ele. — Isso foi um "com certeza"! É empolgante 'pra caralho, esse convite sequer passou pela minha cabeça. Louis, isso é tão importante para você, eu não acredito que você queira me incluir...— É claro que quero, pridurok, você é tão importante quanto.Harry sorriu tímido, sentindo que poderia explodir de felicidade ao ouvir aquilo, e logo abraça o mais velho de maneira desajeitada, sentindo as mãos do outro passearem com leveza por seus braços e serem descansadas em sua cintura. Os dígitos do mais velho são pressionados ali, sobre o tecido do casaco fino de Harry, o puxando para o mais perto possível.— Isso com certeza vai ser demais. Obrigado por lembrar de mim.— Acha mesmo que você não foi a primeira pessoa que eu pensei quando soube da apresentação? Eu sou um estúpido apaixonado, obviamente lembraria de você.— Realmente, você é um estúpido. - O menor brinca, sentindo um ar quente ser soltado em seu pescoço, indicando a risada nasalada do mais velho. Passar o resto da tarde com Louis, em seu jardim, não havia sido algo completamente tedioso. Harry estaria mentindo se dissesse que sim.Momentos tranquilos claramente estavam acontecendo com mais frequência em suas vidas, e Harry gostava disso, por mais inquieto que fosse, ele verdadeiramente gostava.Gostava da forma como o vento fresco colidia contra o rosto de William e bagunçava seu cabelo, o fazendo bufar silencioso e ajeitar a franja novamente. Gostava de quando as folhas das árvores pairavam pelo ar e pousavam em seus cachos, fazendo com que Louis fosse o primeiro a retirá-las dentre seu cabelo.Deitar e nomear os formatos das nuvens provavelmente é uma das coisas mais clichês possíveis, Harry reclamaria se isso estivesse acontecendo há alguns meses, mas simplesmente não conseguia, porque Louis parecia tão animado nomeando e apontando para as nuvens que o garoto sequer pensava em reclamar. Alguns formatos de nuvens geraram pequenas intrigas, era óbvio, Louis era meio cego, Harry não o deixaria dizendo que uma nuvem idêntica à um tripé seja comparada com um telescópio.As nuvens já sumiam do céu quando decidiram adentrar a casa, infelizmente Cillian recebia seu jantar na porta, e fitou os garotos como se não os conhecesse, o sangue de Harry ferveu, com certeza o faria, mas ele sequer demonstrou, apenas agarrou o pulso direito de William e o puxou pela casa, até chegarem em seu quarto e ele bater a porta do cômodo com força.— Eu odeio esse cara, eu tenho raiva de olhar para a cara dele— Puta merda como eu o odeio, Louis. - Edward passa as mãos em seu rosto, certamente desacreditado, embora estivesse vivendo aquilo há alguns dias, somente hoje ele obteve um choque de realidade.Louis observa seu acesso de ódio sentado na cama, com os lábios sendo prensados um no outro e o cenho amarfanhado, era provável que o rapaz estivesse se questionando o que fazer para acalmar aquele garoto.— Ei, amor, não fique assim, você sabe que é isso o que ele quer, e você está o proporcionando isso - Tomlinson alcança suas mãos suadas com facilidade sentindo seus próprios dedos formigarem ao entrar em contato com a pele macia de Styles, o trazendo para si e deixando o garoto entre suas pernas. Ainda era incrível a forma como ambos reagiam à toques, sempre como se fosse a primeira vez. E Louis não nega, ele ama aquela adrenalina. — Vamos pedir algo para comer, sim? Podemos assistir algum filme de sua escolha depois, eu não me importo que seja Mad Max: a estrada da fúria ou Barbie em "A princesa e a Plebeia".Harry sorri de jeito mínimo, ainda tendo seu rosto avermelhado, pendendo seu corpo para frente e acenando positivamente com sua cabeça. — São dois filmes extremamente extremos. - Brincou, tentando fazer com que o clima não parecesse tão pesado. Uma das mãos de William passeia por sua cintura, afagando o local e lhe oferecendo um sorriso reconfortante, como se lhe contasse que estava tudo certo e que ele não precisava demonstrar estar cem por cento bem sempre.Ainda afagando a cintura do mais novo, Louis solta sua mão, retirando o celular do bolso, provavelmente para fazer o pedido de seus jantares. Harry pende seu corpo para frente novamente, encostando sua testa na cabeça do mais velho e assistindo o mesmo rolar a tela do celular em busca de algo bom o suficiente para ambos. Ele sabe que o esverdeado adora hambúrguer, então pediu duas unidades do mesmo e duas latas de refrigerante. Assim que o pedido chegou, Harry se dirigiu para o andar de baixo, recebendo as sacolas de papel e subindo ligeiramente, com um pequeno sorriso instalado em seu rosto.Uma vez que estavam em silêncio enquanto degustavam do lanche, Louis observava o quarto do garoto com atenção percebendo pilhas de folhas, desenhadas, sobre o carpete. Grande curiosidade é gerada a partir dali, pois Louis se lembra do desenho caricato de uma pessoa extremamente parecida consigo quando mais novo.— Ninho, lembra-se quando eu vim à sua casa e você confiou em mim o suficiente para mostrar seus desenhos? - Pergunta casualmente, assistindo-o concordar com sua cabeça e limpar seus lábios gordurosos com um guardanapo. — Você me mostrou um desenho no qual havia um rapaz, aparentemente uns quatorze anos de idade, e fazia uma crítica ao batismo de recém-nascidos. Eu percebi uma certa e incrível semelhança comigo... Mas as datas das coisas não batem. Não há como ligar pontos se eles ao menos existem... - Louis lhe conta com a voz carregada de calmaria, gesticulando suas mãos e indicando seu rosto. Harry entreabre seus lábios, como se alguma ideia houvesse surgido em sua mente.— Oh... Aquele desenho é antigo. É o desenho de um rapaz que vivia nos meus sonhos. Obviamente não havia aquela cruz tatuada na testa dele, mas no sonho nós estávamos em uma igreja, seria o batismo dele, mas ele se recusou e todos o encararam. No sonho ele começou a dizer que não aceitaria ser batizado por obrigação e nem porque seus pais queriam. Eu sorri para ele, foi engraçado porque ele estava sorrindo para mim quando literalmente o expulsaram da igreja. Esse sonho se repetiu até que eu resolvesse o desenhar, como se eu precisasse o canalizar para que ele parasse de tomar conta de boa parte das minhas noites. O cara realmente se parece com você, é assustador na verdade porque eu não fazia a menor ideia de que conheceria você algum dia, na época do desenho eu nunca tinha lhe visto. Não acho que seja algo incrivelmente demais.— Isso é engraçado na verdade, porque foi exatamente o que aconteceu quando eu tinha sete anos e recusei ser batizado. - Louis confessa, assistindo Harry sorrir com certa sinceridade e voltar a atenção para o canudo metálico, bebericando o líquido. — Mas é óbvio que eu não critiquei a igreja católica, sequer tinha argumentos para isso com sete anos de idade.— Isso é estranho. - Edward admite, jogando a lata de refrigerante no lixo sob sua escrivaninha. — Talvez tenha sido um sinal.— Huh, não acredito propriamente em sinais. Porém cada um com seu cada qual, não? — No que você acredita? Não acredita em desejos, não acredita em sinais, não acredita no amor... - Enquanto William indaga a questão à Edward, o cacheado levanta-se, cruzando o cômodo até a porta de seu banheiro, adentrando o local e voltando instantes depois com a boca cheia de pasta de dentes, segurando uma escova de dentes já usada com sua mão esquerda.— Eu acredito no amor. Eu só não acho que ele realmente exista para todos, entende? Não acho que seja possível cada indivíduo ter e sentir amor.— Até mesmo assassinos amam, H. - Tomlinson diz descontraído, mordendo mais um pedaço de seu lanche, jogando a embalagem no lixo e tomando um pedaço de guardanapo em seguida.— Bem, não é o meu caso. Não é como se eu fosse um psicopata, Louis. Mas eu te entendo - Adentra o banheiro novamente, enxaguando sua boca e fechando a porta ao sair. — E eu sinto muito que você tenha que lidar com esse tipo de coisa. Eu sei que é frustrante dizer que ama alguém e não receber um "eu também te amo" em retribuição, mesmo que seja dito da boca para fora... Me desculpa, eu não queria fazer isso com você, Lou, não queria dizer que te amo por meio de palavras vazias, eu não posso fazer isso, sei que não estaria sendo sincero caso o fizesse.O acastanhado o observa curiosamente, prestando atenção em suas palavras para que discutissem sobre a fala de Styles posteriormente, mas o cacheado parece cansado o suficiente para se deitar na cama e apagar a luz do abajur aceso – na mesinha de cabeceira –, tendo seu quarto iluminado apenas pela luz exterior, dos postes públicos de luz. Ele escuta Louis pigarrear baixinho, adentrando o banheiro e lavando suas mãos, provavelmente gordurosas, caminhando até o colchão e sentando-se ao lado do mais novo, o fitando despreocupadamente, esperando que ele terminasse de concluir sua fala.— Não quero ser falso com você. Seria muito egoísmo da minha parte.— Eu não te julgo, amor, realmente não o faço, e espero que algum dia a sua cabeça possa absorver isso... Mas embora você deva saber, o amor que sua mãe e você compartilhavam, era algo fraternal. Não há nada em comum entre o amor que eu sinto sobre você. Porém está tudo bem. Devemos dar tempo ao tempo, verdade? - Louis afaga os cachos desalinhados no topo da cabeça do mais novo, percebendo o mesmo concordar veemente. — Eu amo você. Nada mudou. - Deixa um beijo úmido na testa do garoto, o observando corar violentamente e esconder o rosto no lado direito de seu peitoral.Não haviam escolhido assistir filmes para passar a noite, e sim folhear os sulfites plastificados dos desenhos de Edward. William adorava ouvir a animação do esverdeado ao contar sobre seus desenhos. Adorava a maneira como as orbes cor de esmeralda brilhavam ao contar a história por trás de cada um de seus desenhos, ou de como Harry gesticulava ao contar sobre as dificuldades que passou ao ter de finalizar uma face ou uma paisagem. Era nítido a adoração que ele tinha por aqueles trabalhos.Louis sentiu-se importante quando Harry finalmente revelou, com suas palavras, que gostaria de cursar design gráfico.Também teve de ouvi-lo reclamar que sequer tinha o apoio de seus pais. E era óbvio que Louis faria sua parte como melhor amigo e o diria que tinha seu apoio para qualquer coisa que decidisse fazer.Era bom pensar no futuro junto a Harry. Mesmo que involuntariamente e imperceptivelmente, a ideia de desistência estava se afastando da mente de Styles, e isso era bom 'pra caralho.Até mesmo planejaram o design das redes sociais da Dirty Smoke, Harry fez inúmeros rascunhos em uma folha em branco, adicionando e retirando coisas conforme Louis fosse lhe contando sobre como imaginava o futuro design da banda.A conversa foi longa, durou uma madrugada inteira. Quando Edward mal conseguia deixar seus olhos abertos completamente – pelo sono –, William retirou o caderno das mãos do mais novo, o deixando sobre a mesinha de cabeceira, e logo confortaram-se no colchão. Tomlinson abraçou Styles por trás, lhe afirmando que agora não seria necessário ter uma fortaleza de travesseiros para que ele dormisse. Harry sorriu sonolento, encolhendo-se no abraço e dormindo em questão de poucos minutos.Os próximos dias seriam longos.

----- CHAPTER BREAK -----

— Esse ensaio certamente rendeu. Até a Hunter cantou. — Calvin segurava fortemente nas alças de um cooler, enquanto o levava aos garotos, exaustos, sentados no carpete da garagem de Zayn. Hunter estava ao telefone, havia recusado beber no dia de hoje e, bem, não é como se os garotos se importassem pois, segundo eles, sobrariam mais bebidas.— Louis você tem certeza de que quer tocar aquela música na festa? Não acha muito depressiva? — Luke questiona, abrindo a tampa do cooler e passando a cerveja de mãos em mãos até que chegasse em Zayn, sentado ao lado de Louis.— Mó música de gay. — Malik diz sincero, abrindo a lata e espirrando álcool no mais velho, que estala a língua no céu da boca, em reprovação e franze o cenho, negando com sua cabeça.— Não é depressiva, não é como se fossemos tocar Tom Odell ou algo do tipo, tenham senso. — Retira uma lata da mão de Calvin, abrindo a mesma e virando um grande gole.Louis estava ansioso, não poderia negar, partiriam na manhã seguinte e tudo parecia dar errado. Bem, tudo realmente dá errado quando se está nervoso. Ele deveria se acalmar...— Eu vou fumar ali fora, quando o Harry chegar me avisem. — William alerta antes de se levantar, apalpando os bolsos traseiros de sua calça jeans, procurando por seu isqueiro e parando próximo à porta do jardim de Zayn, recolhendo a caixinha e, por fim, saindo da garagem.Ele havia alugado sua fantasia no dia anterior, não era uma fantasia muito difícil de ser reconhecida, mas também era quase certo que ninguém estaria usando uma parecida. Obteve a ajuda de Hunter para escolhe-la, a garota estava verdadeiramente animada com a viagem do final de semana, parecia mais animada que os integrantes da banda. Como dito anteriormente, Louis estava nervoso. E se ele não fosse bom o suficiente nessa apresentação? Porra, seria uma festa lotada de adolescentes bebidas e drogas, ele não deveria se importar tanto com isso, as pessoas mal prestariam atenção na banda... Mas deveria levar em conta que a festa seria em uma enorme mansão, em um dos bairros mais ricos de Yoston. William não deveria ter tanta certeza ao afirmar que os jovens mal prestariam atenção na banda.Harry parecia animado para a viagem, mesmo que não puxasse assunto, porém quando Louis tocava no tópico ele era o primeiro a começar tagarelar. O garoto compraria sua fantasia na tarde do dia de hoje, por esse motivo Louis estava ali ainda, esperando por ele, mesmo que não pudesse acompanhá-lo, pois Hunter havia proibido os garotos terminantemente. Sabiam que não podiam discutir com ela, então sequer insistiram.Eles não se veem desde o dia em que Louis dormiu na casa do mais novo. A manhã após tal acontecimento foi levemente conturbada, os pais de Edward estavam reunidos na mesa do café da manhã e fizeram comentários nada agradáveis sobre o garoto, Louis gostaria de puxá-lo para fora daquela casa e nunca mais leva-lo de volta, coisa que infelizmente não ocorreu. Apenas assistiu a expressão do mais novo se tornar cabisbaixa e sentiu seu corpo ser empurrado com gentileza para fora da casa. Não havia muito o que fazer, então William selou seus lábios nos de Edward, e o puxou para um abraço reconfortante, dizendo que o amava antes de soltá-lo e seguir seu caminho de volta para casa. Pelo visto a situação de Styles não se resolveria tão cedo...Tomlinson não tinha a menor ideia de como ajudá-lo, mal tinha noção de como o garoto se sentia com tantas coisas caindo sobre seu colo, sentia-se um merda por não saber como tirar Harry daquele lugar... O garoto poderia passar um tempo em sua casa, mas Louis tem certeza de que Dave não aceitará aquilo de uma forma pacífica quando descobrir.William gostava de tentar resolver os problemas dos outros para que não precisasse fazer isso com os seus.As cartas pararam de chegar, era preocupante na verdade, ele tentava não ocupar sua cabeça com tal pensamento, sabia que ficaria imerso naquilo e traria Harry para a vala junto consigo, entretanto, não era isso o que ele queria.— Louis? O seu namorado chegou. — O acastanhado ouviu alguém chamá-lo em um grito, reconheceu ser Zayn e rolou seus olhos para a provocação do moreno. Não demorou para que se levantasse, apagando o restante de seu cigarro no cinzeiro e o deixando lá, antes de limpar suas mãos no tecido da calça e caminhar para dentro.Harry estava parado ao lado do grande portão da garagem. Vestia uma jardineira jeans, na cor clássica, acompanhada de um All-Star branco e surrado. Seu tronco e braços eram cobertos por um moletom verde-oliva e seus cachos presos em um rabo de cavalo simples. Louis sorriu involuntariamente ao olhar para o garoto, observando de maneira curiosa a sacola que ele carregava em suas mãos, visivelmente trêmulas por estar perto de seus amigos.— Ei - William tirou a atenção do garoto para si, assistindo as bochechas do mesmo ganharem um tom carmesim e pequenas depressões se formarem aos lados de seus lábios rosados. — Tudo bem? — Indagou, envolvendo o menor em um abraço reconfortante, sentindo o garoto acenar de maneira positiva. — Te trouxe bombons... Meio que eu fiz junto com Moretz e, espero que você goste. — Edward esticou a pequena sacola de papel, ainda envergonhado, falando com Louis por meio de sussurros para que os outros não ouvissem. — Pode dividir com seus amigos se quiser, mas experimente primeiro porque se você achar ruim você não vai dividir.— E nem se eu gostar. Acha mesmo que eu vou dividir bombons feitos por você? — Questionou em um tom brincalhão, sentindo um tapa leve ir de encontro com seu braço e um baixo "idiota".— Vamos, o nosso carro já está chegando. — Hunter se aproxima, ainda tendo o próprio celular em mãos e entrelaça seus dedos nos de Styles, o puxando para o portão – já aberto –, sequer deixando Tomlinson despedir-se decentemente do garoto. — Tive que te puxar senão o Louis não te largaria. — A mais velha explicou-se, sorrindo de maneira simpática para Harry, enquanto caminhava até a calçada.Edward assentiu, dizendo que não haviam problemas, quando na verdade ele fez um biquinho ao mesmo tempo em que olhava para trás, esperando que Louis fosse até ele, o que certamente não aconteceu, porque ele parecia realmente entretido com a caixa de bombons caseiros.— Tem alguma fantasia em mente? Porque eu já pensei em algumas, só não sei se você vai gostar. — Schafer indaga quando ambos já se confortam dentro do veículo, engatando seus cintos de segurança. Harry nega com sua cabeça, evitando olhar para as janelas do carro, apenas ver a paisagem deixando o alcance de seus olhos de forma rápida o fazia ter tontura. Hunter então concorda, permanecendo em silêncio, com certeza buscando algum assunto para que se enturmasse com o cacheado. Edward, por sua vez, aguardava que ela realmente o fizesse, gostava de conversar com a garota, ela era legal, por mais que às vezes não tivesse escrúpulos ao perguntar sobre algum assunto íntimo. Nem Hary tinha, então estava tudo bem. — Você acha muito idiota usar fantasia combinando?— Não sei, acho que se for um casal não fica tão brega. — Responde simplista, escutando o baixo som dos botões de seu macacão colidindo uns contra os outros. — Por quê? — Calvin e eu... Sabe? — O esverdeado sorriu divertido, acenando positivamente para a fala da garota e mostrando suas covinhas nitidamente, antes de fechar seus olhos. — Então.Eles não trocam mais palavras durante o trajeto, apenas quando chegam ao shopping, logo na entrada a loira se dirige à Harry:— Escuta, Louis e você já estão em algum tipo de relacionamento ou coisa assim? — Hunter pergunta, tirando sua atenção para os enormes vidros em volta da construção. O céu estava alaranjado, alguns tons de azul e roxo acompanhavam a cor, Harry podia ver aquilo ser refletido no rosto pálido de Schafer. Seu coração pausa por alguns instantes, ele não sabe o que responder, embora a resposta seja fácil e clara... Eles não estavam. — Tsc tsc. — Estala a língua no céu de sua boca, negando veemente com sua cabeça e voltando a analisar seus dedos, estavam nus, não haviam anéis ou desenhos. Em seu pulso apenas a pulseira colorida que foi comprada junto à Louis meses atrás. — Mas você quer? Digo, você quer estar em um relacionamento com ele? — Huh, eu não sei, Hunter... É meio complicado, ele conhece a minha situação, diz que vai esperar porque há muito o que viver ainda, e eu gostaria de acreditar nele, realmente gostaria. — Confessa envergonhado, colocando suas mãos nos bolsos frontais da jardineira jeans, piscando levemente e sentindo seus cílios relarem em suas bochechas. — Entendo. Bem, tudo tem um tempo, sim? Há um tempo para que a sua situação seja resolvida, mas também há um tempo para que Louis espere. Eu, particularmente, acho que esses tempos estão andando de mãos dadas. — Schafer faz uma metáfora repentina, causando a risada inesperada de Styles e seus ombros sendo arqueados de um jeito adorável. — Acha que se um dos tempos estiver correndo o outro ainda tem tempo de alcançá-lo? — Edward indagou curioso, sendo o primeiro a puxar assunto desde que deixaram a garagem de Zayn. — Acho. Mas isso vai depender da vontade dos relógios...Os lábios do mais novo se entreabrem ao escutar tais palavras saindo em um fio de voz da boca de Hunter, sequer consegue respondê-la. Suas pernas bambeiam, e suas mãos tremem ao mesmo tempo em que usam descontroladamente. Tudo isso apenas porque ele não acha que esteja se esforçando o suficiente para deixar que o tempo de William alcance o seu tempo.— Oh, aquela loja é divina, vamos até lá! — Schafer sorri animada, acenando com sua cabeça e batendo palmas de jeito disfarçado em seguida. Ela parecia mais entusiasmada do que Harry, aquilo o fez sorrir ao caminhar atrás da mesma. A loja era somente voltada para a área de fantasias, não havia nada mais além disso. Quase todas agradaram Harry, o que já era de se esperar, considerando que nunca fantasiou-se para algum evento parecido. — Eu acho que essa de pirata vai ficar ótima, você tem jeito de capitão — A garota brinca, apontando para as roupas que Edward segurava em suas mãos. — Enfermeiro não, muito sexual... Arlequina também não... Você ficaria lindo, mas não... Policial é uma ótima opção também! — Schafer retira a fantasia do apoio, a mostrando para Styles, que examina as roupas e toma o cabide para si, satisfeito em experimentá-la posteriormente.— Essa fantasia é hilária. — O esverdeado apontou para uma fantasia de ninja, vestida em um dos manequins espalhados pela loja. Hunter gargalhou, cobrindo seu sorriso com as mãos ao imaginar Harry vestido naquilo. — Vá fantasiado de coelhinho, combina com você! — Ela brinca, fazendo Styles rolar seus olhos e curvar seus lábios em um sorriso dramático, negando abruptamente logo após. — Tudo bem, experimente essas duas, eu vou me sentar nos banquinhos à frente dos provadores e você me mostra como ficou, enquanto você se veste eu tento encontrar mais alguma coisa. Harry assentiu, caminhando até o provador da loja, fechando a comprida cortina e se encarando no espelho, suspirando cansadamente antes de virar-se de costas e se despir, vestindo a primeira fantasia com rapidez. A calça de veludo do conjunto estava larga demais, nem mesmo os elásticos do cós ou das barras conseguiam se ajustar ao corpo do esverdeado. Talvez o tamanho fosse grande demais... O colete – também de veludo – marrom, pesava em seus ombros, fazia com que ele pensasse que não aguentaria uma hora vestindo aquilo durante a festa.Styles sequer olhou-se no espelho novamente antes de abrir a cortina e se deparar com a jovem em pé no corredor, aguardando por ele. — O que achou? — Questiona quando dá dois passos para fora, percebendo o olhar analisador de Hunter sobre si.Ela parecia ter visto um fantasma, sua expressão assustada a denunciava com clareza e Harry prensou seus lábios, contendo um sorriso com a primeira reação da loira ao vê-lo fantasiado de pirata.— Péssimo. Caimento horroroso. Parece que você levou um cacete na rua. Troca. — Negou com a cabeça, gesticulando veemente com suas mãos, rodando seus dígitos no ar e apontando para dentro do provador.Styles gargalhou ao ouvir aquilo, percebendo que Schafer sequer notou o que havia acabado de dizer, sorrindo algo junto ao garoto quando fez a reanálise de sua própria frase. Vestiu-se com a fantasia de policial, arqueando uma de suas sobrancelhas ao deixar o provador e tentando parecer sério o suficiente para se encaixar na fantasia, mas apenas rendeu risadas escandalosas da parte de Schafer.— Experimente essa. — Ela esticou um cabide com uma fantasia de anjo. Haviam até mesmo asinhas. Harry franziu seu cenho em confusão, fitando o longo vestido que complementava a fantasia, logo encarando o rosto ameno de Hunter. — Vamos lá, experimente. — Isso vai ficar ridículo, qual é, Hunty! — Own, que fofura você me chamando assim — Aproximou-se apenas para que pudesse apertar uma das bochechas rubras do rapaz, percebendo-o se afastar em reflexo e logo sorrir simplista, retirando a fantasia de suas mãos. — Se você não gostar podemos ir em outra loja. Embora eu pense que essa vai ficar linda. — Você não pensa que eu vou passar vergonha? — Harry indaga inocente, retirando as roupas anteriores e as colocando no cabide, antes de pendurá-las nos ganchos. Ele sequer sabia o porquê de tanta insegurança. Não era sua primeira vez usando roupas assim, provavelmente não seria a última. Talvez ele apenas estivesse aguardando algum tipo de confirmação da parte de Louis. Ele acharia bonito, entretanto. Não acharia? Harry quer ligar para ele.— O quê? — sorriu sarcástica — A única coisa que você vai passar é ciúmes no Louis. — Esse não é o meu objetivo, honestamente. — Responde à altura, vestindo-se com o tecido branco, virando-se para frente do espelho, na intenção de buscar pelas asas do conjunto. Não havia ficado feio. E surpreendeu Harry.As mangas camponesas eram longas e bordadas, pequenas flores desenhavam os elástico que se ajustavam próximos aos pulsos de Edward, elas também deixavam seus ombros visíveis e alvos, a pele leitosa parecia claríssima quando a luz branca do espelho estava sendo refletida ali. O tecido do vestido parecia extremamente confortável em seu corpo, acolhendo o mesmo como se fosse uma antiga roupa preferida. Sua silhueta curvilínea e seus ombros e quadris  estavam propriamente alinhados, era algo quase surpreendente, haviam meses desde a última vez na qual Harry passou tanto tempo se observando em frente a um espelho.A costura valorizava e ressaltava sua cintura delineada, as curvaturas eram visíveis naquele vestido. Uma fina fita de seda estava amarrada de maneira frouxa na altura de seu tórax. Edward fez questão de puxá-la para baixo e enlaçá-la em sua cintura, sorrindo tímido para a própria figura no espelho.— Acho que eu gostei... — Harry assume em um fio de voz, fechando seus olhos com leveza antes de virar-se para a cortina e abri-la, permitindo Hunter de vê-lo fantasiado, mesmo que as asas ainda não estejam em seus ombros. — O que achou? Acha que o Louis vai gostar?— Eu acho que você vai matar o Louis.— O quê? — Você vai matá-lo, com certeza. Por Deus, ele vai enviar mensagens para o nosso grupo durante uma semana seguida apenas falando sobre essa fantasia. — Soltou com a voz carregada de falso desespero, fingindo estar frustrada, fazendo Harry sorrir desconcentrado nas próximas palavras e pisar sob o próprio pé, coberto pelo tecido macio do vestido. — Ele faz isso?— Só nesse meio tempo que você estava se vestindo — Hunter retirou o celular de seu colo, cruzando suas pernas e cerrando seus olhos, rolando a tela do aparelho — Ele enviou cinco mensagens dizendo sobre o quão fofo você parecia nessa jardineira. Uma foto comendo bombons e dizendo que não irá dividir com os outros, isso eu não entendi... Três mensagens privadas questionando sobre qual será sua fantasia. Harry sorriu envergonhado e ao mesmo tempo surpreso, sentindo suas bochechas aquecerem repentinamente e seus cílios relarem em sua pele com delicadeza. Estava com vergonha porque, aparentemente, Louis prestava muita atenção em si e em suas vestimentas.— Oh, eu não sei o que responder... Diga que depois eu conto sobre a minha fantasia — voltou para dentro do provador, assistindo a cortina atrás de si ser aberta rapidamente, em um – quase – desespero explícito — O que foi?— Não conte sobre a sua fantasia. Ninguém sabe a fantasia de ninguém. Apenas eu, porque, você sabe. — Lança uma piscadela divertida, fazendo Styles negar com sua cabeça e sequer tentar esconder seu sorriso.— Não vou contar. Mas você acha que eu deveria levar essa? — Eu acho! Pelo menos é a minha favorita até agora, mas também vai depender do seu gosto — o olhar de Hunter implorava para que ele levasse e, bem, não era algo que precisasse ser insistido — Porém a fantasia de policial não ficou feia, você pode levá-la caso queira. A única que não me agradou foi a de pirata, mas você também pode levá-la caso queira, eu só dei minha opinião sobre ela mas não leve para o coração, estava tentando te divertir, sei que provar roupas é um saco. — explicou, sentindo-se culpada por ter agido de tal forma anteriormente — Espere que não tenha te deixado desconfortável ou algo do gênero.Edward negou, a observando pelo espelho, sentindo-se rude por não respondê-la quando brincou com a fantasia, mas tente entendê-lo, ainda era algo novo, ele sequer sabia como agir.— Está tudo certo, Hunty. É sério. Você deve saber que isso é novidade para mim, tipo, eu nunca saí para fazer compras com algum amigo então eu realmente não sei como agir nessa situação — é sincero ao dizer, sorrindo de forma reconfortante para ela — Mas até agora vêm sendo legal, não me arrependo de ter vindo comprar minha fantasia com você.— Isso é ótimo! Fico aliviada. - Hunter solta o ar preso em sua garganta pela boca, sorrindo de volta para o garoto. — E então qual vai levar?Styles apontou para a fantasia que ainda estava em seu corpo, assistindo Schafer assentir em aprovação e fechar a cortina do provador, deixando-o sozinho.O cacheado retira a fantasia com cuidado, temendo estragá-la, e logo a pendura no cabide, recolhendo as asas brancas de penas falsas e caminha para fora novamente, cruzando toda a loja e chegando ao caixa, efetuando o pagamento de suas roupas enquanto Hunter enviava um áudio para o grupo. Harry sorriu quando estavam a sair da loja e Hunter ergueu seu celular, o enquadrando em uma selfie para enviar no mesmo grupo. A foto não havia saído com muita qualidade, isso era fato, mas o garoto sequer se importou. Ver inúmeros emojis e mensagens fofas da parte de Louis – o elogiando – fizeram com que ele mal reparasse na foto tremida que foi enviada.— Podemos passar em uma papelaria? - O esverdeado perguntou com a voz baixa, seus olhos vidrados e fixos nas vitrines das lojas pelas quais passavam, era curioso o fato de que havia muito tempo desde a última vez na qual adentrou um shopping — Quero comprar algumas coisas. — Explicou sem olhá-la, trocando a sacola de mãos e sorrindo ao que passou próximo de um pequeno cachorro, que pulou em sua perna, buscando carinho. O canino estava preso à uma coleira, sua dona o observava sorrindo, e provavelmente sorria da ação que Harry tomou, recuando ao sentir as patinhas dele atingirem e se apoiarem em suas pernas. Logo sorriu amigável, assistindo o animalzinho dar pequenos pulos com as patas raseiras, ainda se apoiando em suas pernas.— Olá - Edward abaixou-se, cerrando seus olhos pelo grande sorriso que tomava conta de seus lábios. — Como vai? Oh meu Deus, você é tão fofo! - Suas mãos acariciaram os pêlos macios e longos, sentindo o cachorrinho esfregar-se em sua mão e pedir por mais carinho.Hunter aproximou-se também, ainda segurava seu celular em mãos, mas Harry sequer importou-se com aquilo, estava entretido com o bichinho que manteve sua atenção.— Qual é o nome dele? — Schafer questiona à dona do cão, que responde o nome em voz baixa. — Hey, Snow, como você é adorável. Parece um bonequinho de neve. — Ela admite, sorrindo e acariciando Snow.— Obrigada por nos deixar brincar com ela. — Hunter agradece, segurando um dos finos pulsos de Harry e o puxa com gentileza pelo shopping. — Você ficou encantado com ele, precisa de ver a foto que eu tirei. — Você é muito rápida, eu sequer percebi que estava tirando foto. — A respondeu sincero enquanto caminhavam lado a lado. Schafer lhe esticou um vidro de álcool em gel ao mesmo tempo em que caminhavam em passos rápidos, certamente com uma pressa que Harry sequer imaginava que eles tinham. — Posso ver as fotos? Por favor...— Aqui — Ela estende o celular já desbloqueado, deixando a imagem aberta do garoto sorrindo amavelmente para o cãozinho, enquanto uma de suas mãos afagava o pêlo do mesmo e a outra segurava a sacola de sua fantasia. — Você é tão fofo. Lembro das primeiras vezes que o Louis falou sobre você. Todos pensamos que você fosse aqueles caras metaleiros insuportáveis, chega a ser engraçado. — O Louis fala sobre mim há bastante tempo... — Comentou distraindo, entregando o celular da mesma e tirando sua atenção para a livraria a poucos metros, escolhendo comprar o material necessário naquela loja.— Ô se fala. Mas são aquelas fases, não é? Primeiro a raiva, a amizade e o relacionamento. Os três estágios do amor adolescente.— Que idiotice acreditar nisso. — Como você é diferente dos outros. — A loira ironizou, cotovelando o braço de Styles com leveza para não machucá-lo.Harry revira seus olhos, com seus lábios curvados em um sorriso que não deveria ter escapado de sua boca.O restante do passeio foi verdadeiramente divertido, Harry não poderia negar aquilo. Logo após comprar sua caixa de lápis de cor, caminhou para a praça de alimentação junto de Hunter, que o levou até um restaurante de comida italiana, onde conhecia os donos, segundo ela, os proprietários eram seus tios, assim como os chefes de cozinha. Ambos pediram ela especialidade da casa e comeram entre conversas rasas e sem muito fundamento, Styles gostava daquilo, era divertido conversar sobre assuntos estúpidos e esquecer suas preocupações por meros instantes.Eles também foram ao fliperama, quase foram expulsos do local por permanecerem além do horário permitido. Bem, eles haviam comprados dezenas fichas, deveriam gastá-las, não?Edward tinha um biquinho involuntário em seus lábios durante toda a volta para casa. Já passavam das oito horas da noite esperava que Louis ainda estivesse na casa de Zayn para que pudesse vê-lo antes da viajem.Uma vez que chegaram, a garagem estava totalmente escura, Hunter cedeu espaço para que Harry adentrasse a casa. O garoto permaneceu parado ao lado da porta da cozinha, que dividia o cômodo da garagem, escutando vozes altas no andar e aguardando por Schafer, que trancava o portão. — Vamos, eles devem estar no quarto. — A loira acenou com sua cabeça, indicando a escada e Harry a seguiu, abraçando a sacola contra seu corpo e torcendo que Louis estivesse ali.Mas aparentemente nenhum deles estava.Harry ainda escutava as vozes, desejava não estar enlouquecendo.— Provavelmente estão no telhado. Porra, esses garotos só dificultam as coisas para mim. — Hunter reclamou, estalando sua língua no céu da boca e amarfanhando enquanto abria a janela e pisava na soleira da mesma. — Deixe a sacola na escrivaninha e suba aqui.Ele o fez, seguindo os passos da garota e sentindo-se aliviado ao ver Louis sentado junto aos amigos, sorrindo enquanto gesticulava de maneira entusiasmada, e tinha um cigarro sendo queimado entre seus dedos.— Oi. — Harry o cumprimenta, animado por vê-lo, sentando-se ao lado do mesmo.— Ei, ninho — Enlaça seus dedos nos do mais novo, puxando-o com cuidado e o fazendo se aproximar mais ainda. Harry sorri envergonhado, deitando sua cabeça na curvatura do pescoço de Tomlinson, sentido a fragrância cítrica adentrar suas narinas rapidamente, logo se fundindo com o cheiro do cigarro. Ele se encole quando sente o braço de William abraçar sua cintura e afagar sua pele, ainda coberta pelo moletom, porém sob o jeans da jardineira. — Como foi com a Hunter? — Divertido.— Vi suas fotos. Você estava lindo no fliperama. Mas minha preferida continua sendo aquela tirada junto ao cachorrinho. — Admitiu com sinceridade, beijando o topo da cabeça do esverdeado, que observava curiosamente o céu estrelado da noite. O vento fresco colidia com seus rostos, fazendo os cachos de Edward cobrirem parte de sua visão e seu nariz se torna levemente vermelho. A fumaça do cigarro de Louis também embaçava sua visão, fazendo-o desistir de observar o céu e fechar seus olhos, aproveitando o conforto do abraço do maior.— Eu comprei lápis de cores... — Harry conta em um sussurro, como se fosse uma criança contando um de seus maiores segredos para alguém. Na verdade era. Um de seus segredos. Seus desenhos não continham cor alguma além do grafite, pois Styles nunca achou justo dar-lhes vida quando nem mesmo ele tinha uma. Não era como se isso fosse algum tipo de recomeço. Mas era quase como dizer essa palavra...— Já sabe qual será o primeiro desenho que irá colorir? — William indagou, retornando o sussurro. Sua voz estava rouca, mas mesmo assim confortava Edward de seus pensamentos. O cacheado assente, ainda receoso para respondê-lo, agradecendo mentalmente por ter seus olhos fechados e não precisar assistir as reações de Tomlinson.— Os seus olhos. No entanto eu não acho que conseguirei encontrar a cor exata deles, nem mesmo misturando todos os azuis possíveis.— Me sinto lisonjeado. — sorri surpreso, Harry conhece até mesmo os tons das risadas de Louis, talvez ele devesse procurar se preocupar com aquilo... — Obrigado, malchik.O vento uiva, seu som é escutado por ambos, que permanecem abraçados no telhado da casa de Zayn. Harry sentia-se aquecido com o braço de Louis em volta de sua cintura, quem não se sentiria? O mais velho lhe fazia carícias com os dígitos, era leve, ele sabia que Edward não gostava de cócegas, embora.O cacheado inspira o cheiro de cigarro, deixando seus olhos fechados por longos instantes, imaginando como Louis estaria naquele exato momento. Era divertido pensar sobre aquilo porque o rapaz estava ao seu lado, a única coisa que deveria ser feita era apenas abrir os olhos, e lá estava Louis. Porém muitas das coisas que acontecem na vida de Harry funcionam assim. Era estranho, obviamente sim, mas a explicação talvez clareasse alguns pensamentos.Às vezes as coisas eram claras, tão claras quanto a luz do dia ou a tela de um celular na capacidade máxima de brilho, mas você nem sempre consegue enxergá-las, nem sempre é porque está impossibilitado de ver, às vezes é apenas seu subconsciente lhe dizendo que aquilo não importa, que você realmente não precisa enxergar. Mesmo que você queira, você sempre acaba cedendo. Seja por intuição ou por medo. São poucas as pessoas que desobedecem seu próprio subconsciente.Infelizmente Harry não é uma dessas pessoas que conseguem ser corajosas o suficiente à ponto de sair da estrada oferecida pelo GPS e seguir seu próprio caminho. Afinal, ele não conhecias as estradas próximas dali, por mais que passasse todos os dias por elas, ele nunca parou para prestar atenção e decorar seu caminho de volta para casa.— Foi legal. O passeio... A Hunter é muito divertida. - Oh, sim, ela é, tipo a nossa animadora oficial, sabe? Quando estamos desanimados para ensaiar ela compra doces e refrigerantes, diz coisas bonitas, em sua maioria encontradas em sites motivacionais na internet, mas quem liga? Pelo menos ela está ali e mostra que se importa.— Eu me importo também... Eu só— Eu só não sei o que fazer ou o que dizer... — Harry sussurra contra o tecido da jaqueta de Louis, abrindo seus olhos vagarosamente e encontrando os lábios entreabertos de Louis, que expelia a fumaça do cigarro. — Eu sei, ninho — O mais velho vira-se para fitá-lo, seus olhos parecem mais intensos do que o normal. Harry tem certeza de que Louis tem o próprio céu dentro de suas orbes. Felizmente o céu de Louis nunca escurece, sempre está ali para iluminar seu caminho. — Eu sei, eu te conheço, e você sabe disso.— Aham. — Assentiu, murmurando a palavra, voltando a se encolher no abraço de Tomlinson.Styles poderia passar a noite ali, ele verdadeiramente poderia, mas a casa não era sua. Sentiu-se chateado ao ter que descer do telhado, mas Louis o levou de moto para casa, o que foi ótimo, porque ele adorava momentos como esse. Mesmo que tivesse medo de motos, carros e derivados, Louis conseguia lhe passar segurança, tanta segurança a ponto de fazer com que ele esquecesse da estrada movimentada e dos automóveis em alta velocidade.Ambos permaneceram um longo tempo encostados na motocicleta, apenas trocando carícias e compartilhando piadas estúpidas. Harry queria permanecer nos braços de Louis sempre, eram acolhedores e confortáveis, lhe passavam sensação de segurança, lhe passavam sensações que ele não conhecia, que nunca havia sentido, ao mesmo tempo em que sensações esquecidas eram lembradas por si.Atualmente Harry acreditava muito na frase filosófica que dizia "conhecer é relembrar".— Amanhã eu passo aqui depois do almoço, certo? Esteja pronto. — Louis alerta, há carinho e cansaço em sua voz, Edward reconhece que é hora de deixá-lo ir para casa.— Certo. Te vejo amanhã. — Deixou o abraço, respondendo o azulado com a voz baixa.— Eu te amo. Te vejo amanhã. — William lhe lançou uma piscadela, fazendo com que suas bochechas se tornassem rubras e seus olhos se espremessem enquanto o sorriso crescia em seus lábios.Harry apressou seus passos, adentrando sua casa com certa pressa, considerando o vento gélido que o fazia se arrepiar.Havia um pequeno chaveiro de guitarra em suas chaves, Styles mal percebeu aquilo. O sorriso voltou para seu rosto enquanto ele levantava o molho de chaves na altura de seus olhos, passando cuidadosamente seu indicador sobre o material brilhoso. Quando Louis havia feito aquilo?O garoto mordeu seu lábio inferior, controlando o amplo sorriso que enfeitava seu rosto como nunca antes, deixou a chave sobre a pequena mesa ao lado da porta, apagando as luzes e cruzando toda a habitação até chegar em seu quarto.A mala já estava sobre sua cama, assim como as mudas de roupas necessárias, ele não precisaria fazer muito além de guardá-las e refazer sua lista mental, verificando se havia pegado o necessário.— Planejando fugir de casa, mocinho? — Scott passa casualmente pelo corredor, segurando seu celular e uma nécessaire lilás em mãos. O menor rola seus olhos, decidindo ignorá-lo, tentando evitar posteriores discussões.Ele simplesmente suspira cansado, pensando em como sua vida seria mais fácil caso seus pais o deixassem em paz e agissem como pais normais.Às vezes Harry sentia pena de si mesmo, era uma arte. Ele tem em mente que parte de si gosta disso.— Claro que não, você não seria tão idiota a ponto de deixar isso tão visível.— Tem razão. — O respondeu simples, não querendo prolongar aquela conversa. — Para onde está indo? Já avisou seu pai?— Viajar com alguns amigos. E não, não o avisei, não pretendo o fazer. — Recolhe uma muda de roupas dobradas, a guardando dentro de sua mochila, fazendo o mesmo com o resto de suas roupas e itens, enquanto o loiro o observava curioso.— Alguns amigos? Isso é novo—— Escuta, o que você quer? — Harry indagou irritado, pousando a bolsa sobre o lençol de sua cama e cruzando seus braços, dando alguns passos à frente. — Fala logo o que está te incomodando, amanhã eu tenho que acordar cedo e você está me atrasando.— Tenha respeito, Edward, sou seu—— Não, você não é o meu pai, você nunca vai ser. Nem mesmo Cillian pode ser considerado um pai, quem dera você — cuspiu as palavras, sentindo suas bochechas queimarem ao terem um acesso de raiva, era normal, Harry já se acostumava — Você sequer sabe o nome da minha escola, minha comida preferida ou, sei lá, qualquer merda superficial que os pais deveriam saber sobre os filhos. Nem mesmo o outro sabe, imagina você, que chegou aqui tentando substituir a minha mãe.— Estou indo para uma viagem apoiar a banda dos meus amigos, temos quartos de hotel alugados e iremos de trem, porém, mesmo que tivéssemos de dormir dentro de uma van, eu iria. Porque, para mim, qualquer lugar é melhor do viver nessa casa junto de vocês dois. Vocês se merecem, parabéns, é difícil duas pessoas serem tão desprezíveis juntas. — Sorriu cinicamente, percebendo a expressão de Scott se tornar furiosa.— Banda? — arqueou suas sobrancelhas, zombando mentalmente — Ah céus, não me diga que é uma daquelas bandas de garagem que acham que vão ser alguma coisa famosa.— Você nunca trabalhou para chegar onde está, Scott, do que está falando? Nunca se esforçou. Seu pai sempre te manteve, te deu um cargo alto na empresa, onde você permaneceu até conhecer o meu pai, percebeu que ele estava fragilizado e tinha dinheiro, então não perdeu tempo, não é? Só um otário acéfalo para não perceber o quanto você se aproveitou do Cillian. Mas quer saber? Foda-se vocês dois. Afunde Cillian em dívidas e se separe dele, você sempre planejou isso. Nunca colocará em prática? Vá em frente, esse é o momento. — desabafou, levantando sua voz e gesticulando irritadiço, tendo seu cenho amarfanhado e os olhos ardentes — Você não tem conhecimento de merda nenhuma, você não sabe o que é se esforçar porque você nunca o fez, agora não venha desmerecer a banda do meu namorado porque é um amargurado do caralho! — Harry grita, aproximando seu rosto do rosto de Scott, vociferando e controlando-se para não lhe dizer mais coisas e acabar por estragar sua própria noite.Harry sequer deu-se conta de que havia chamado Louis de namorado.E, quando percebeu, afastou-se do loiro, com seus lábios entreabertos, em surpresa, e os olhos arregalados.Seu coração, já palpitante, acelerou mais ainda quando a palavra ecoou por sua mente. Styles conseguia escutar cada uma das batidas de seu coração, estava submerso naquilo, naquela palavras, especificamente. Nem chegou a ouvir as frases que Scott disse antes de deixar seu quarto e bater a porta. Harry apenas sentiu o chão estremecer quando o homem saiu.Ele agradecia por Tomlinson não ter escutado aquilo.. . .Era entusiasmante.A ideia de viajar sempre foi entusiasmante. Arrumar as malas, fazer uma lista no próprio celular com itens que deve levar e coisas necessárias, levantar mais cedo do que o usual e tomar um café reforçado enquanto a mochila está pousada no estofado do sofá. A ideia de viajem em si é reconfortante. Passar três horas em um trem junto de seus melhores amigos, melhora muita coisa. É incrivelmente reconfortante, Louis tem certeza.O confortava mais ainda saber que Harry estaria lá. Lhe dava segurança. Passou o almoço todo pensando em como seria aquele show e aquele final de semana que passariam juntos. Louis não conhecia a cidade e, mesmo assim, pensava em várias maneiras de apresentá-la para Harry. Fala sério, o quão apaixonado ele era por Harry?E era claro também, que ele foi o único que desceu do carro para receber o garoto.Edward estava simplesmente encantador.Usava uma de suas skinnys pretas, juntamente com seu inseparável par de coturnos. Havia um casaco corta-vento azul-marinho cobrindo seus braços, posto sobre uma camiseta branca. Harry tinha presilhas segurando suas mechas cacheadas. Louis sorriu apaixonado ao ver aquilo, percebendo o outro retribuir o sorriso de maneira envergonhada, ele segurava um recipiente fechado, praticamente abraçava o pote contra seu peitoral.— Oi! - É o primeiro a cumprimentar, vendo os braços de Louis serem abertos para o acolherem ali. — As coisas estavam corridas, quase me atrasei, foi por pouco.— O que houve? Está tudo bem? — William questiona preocupado, segurando os ombros do mais novo, fazendo com que o corpo do mesmo se inclinasse para trás. — Sim, sim, está. Eu tive que fazer o meu almoço porque, você sabe, estou vivendo como um hóspede aqui, esses putos são insuportáveis. — Explicou, arqueando seus ombros enquanto falava, batucando seus dedos no plástico do pote.— Isso é péssimo. Eu os acho tão estúpidos por fazer isso com você, é sério Harry, eles realmente são insuportáveis, agem feito crianças desesperadas por atenção. Você não tem culpa disso, sabe, não sabe? — Em partes tenho. Se tivesse ficado calado...— Se tivesse ficado calado seu pai ainda estaria te tratando daquela maneira, isso foi o melhor que você fez, não fique procurando motivos idiotas para desmotivar a ação que tomou no passado. Você estava certo ao fazer aquilo. — O acastanhado esclareceu as coisas, principalmente a mente de Harry, que necessitava de algum argumento que o fizesse não se sentir tão culpado.— Tudo bem, vamos entrar, não quero que seus amigos fiquem irritados, já têm pessoas demais irritadas comigo. — Acenou para a porta do carro com sua cabeça. Louis foi o primeiro a caminhar até lá, arqueando suas sobrancelhas ao sentar e indicando seu colo. Dessa vez Harry não hesitou. Retirou a mochila de suas costas com a ajuda do acastanhado, deixando-a entre os pés do mesmo, adentrando o carro por completo e sentando-se sobre as coxas roliças de William.Era pouco vergonhoso, Harry admitia, mas Louis sempre arranjava algum jeito de deixá-lo confortável, ele sempre o fazia, não importava em qual situação estavam, seja em cima de uma moto, cantando músicas em um tom alto de voz para distraí-lo ou seja em um ônibus, tagarelando sem parar para ter a atenção completa de Edward sobre si.Tomlinson abraçou a cintura do garoto, o confortando em seu colo e deixando que as costas do mesmo se acomodassem em seu peitoral, ao mesmo tempo em que os cachos cheirosos faziam cócegas em sua bochecha. Styles cumprimenta todos do carro, prolongando pouco da conversa com Hunter, que está sentada no banco do passageiro. Louis fica feliz ao perceber que ambos estão desenvolvendo uma amizade sincera, ele gosta da ideia de ter Harry confortável com seus amigos, verdadeiramente espera que o mais novo possa contar com eles também.— O que tem nesse pote? Até agora você não contou. — O de olhos azuis questiona curiosamente, apoiando seu queixo no ombro de Edward, que sorri quando a respiração de William bate contra sua pele desnuda. — Eu fiz sanduíches junto com Moretz, para comermos durante a viagem, sabe? Espero que estejam comestíveis pelo menos, não sou muito bom na cozinha... Não tanto quanto você. — Confessou, abaixando sua cabeça enquanto olhava para a tampa do pote, como se implorasse para que os sanduíches estivessem bons. Louis soltou uma gargalhada alta, deixando um beijo no mesmo local onde seu queixo estava posto. Era normal cada dia se encantar mais com Harry?— Tenho certeza de que estão bons. Inclusive, os bombons estavam maravilhosos, ninho. Não queria dividi-los, foi um saco, aqueles lazarentos ali quase comeram a caixa toda. — William reclama, apontando para cada um de seus amigos, sentindo o cacheado rir e seu tórax contrair enquanto ainda em seu colo. Louis passou alguns instantes se apaixonando ainda mais por Harry, afinal, era uma das melhores coisas que ele sabia fazer. O sorriso do mais novo era amavelmente adorável, os dentinhos frontais e protuberantes faziam Louis fechar seus olhos e questionar ao Universo como ele pôde ter recebido alguém tão apaixonante assim... Louis tinha medo de perdê-lo, mas havia prometido para si mesmo que o amaria imensamente.Durante o trajeto Edward se permitiu conversar animadamente com seus amigos presentes no carro, gesticulando suas mãos enquanto seus cachos atrapalhavam a visão de Louis, mas nada extremamente incomodativo, vê-lo entusiasmado era mais importante do que assistir a paisagem sendo deixada para trás.From Eden tocava no rádio, as janelas estavam abertas, iluminando a pele de Styles; fazendo com que seus olhos parecessem duas esmeraldas recém-polidas, e seus lábios se tornassem mais rosados.A música parecia entrar em harmonia com cada expressão facial de Harry, Louis com certeza o assistiria todos os dias.Talvez a pior parte daquela curta viagem até a estação de trem fosse ter de ver Calvin se despedir do próprio carro. Tomlinson diria que aquilo era uma palhaçada mas sabe que não seria muito diferente se estivesse deixando seu próprio carro aos cuidados de desconhecidos.Enquanto Hunter entregava as carteiras de estudantes para ganhar desconto na passagem, William & Edward estavam perdidos em seu próprio mundo, fazendo poses para a câmera, que os gravava e passava a imagem na televisão ao lado.— Parece que voltamos aos anos noventa. — Styles disse, seus lábios ainda curvados em um sorriso sincero, ao mesmo tempo em que não tirava sua atenção da pequena televisão, fitando a imagem chiada e escurecida de Tomlinson, com o olhar brilhante, seu sorriso aumentava cada vez mais, mordendo seu lábios, tentando disfarçar aquilo.— O que você faria se voltasse aos anos noventa, Harry?— Credo, 'tá me chamando assim por quê? — Se referiu ao próprio nome, amarfanhando o cenho e prensando os lábios um no outros, cruzando seus braços em seguida, provocando a risada sem filtros de Louis.— Esse não é o seu nome?— É, pridurok, esse é o meu nome, mas você nunca me chama assim. Só quando estamos tendo uma conversa séria, e não estamos tendo uma conversa séria no momento. — Argumentou explicativo, ainda fitando Louis de jeito preocupado, ponderando sobre o que poderia ter feito para que o rapaz o chamasse assim.— Meu Deus, como você tem paranoias, ninho. Está bom assim para você, ninho? Algo mais, ninho? — William puxa Edward para um abraço, forçando os ombros do mesmo contra o lado esquerdo de seu peitoral, durante o tempo em que os cachos de Styles caíam sobre seu rosto. É, pelo visto as presilhas não surtiram efeitos.O grupo de amigos embarcou às duas horas em ponto, trocando de assentos – marcados nos tickets – e discutindo sobre quem ficaria na janela e quem voltaria na ponta. Harry escolheu ficar na ponta cedendo o lugar mais disputado entre os dois para Louis.Seria uma viajem longa, com certeza seria, três horas em um trem, sem quaisquer paradas ou algo do gênero.Louis assistia Harry sorrir, olhando de canto para as diversas paisagens pelas quais passavam durante o trajeto, sabia que o garoto temia viagens, embora ônibus e trens parecessem mais seguros, ele ainda temia, e William tinha ciência disso. Também foi por essa razão que Tomlinson entrelaçou seus dedos nos de Styles, acolhendo a mão trêmula do cacheado e deixou um beijo nas costas macias da mesma, tentando confortá-lo de alguma forma.— Vai ficar tudo bem, estamos viajando em segurança, e você sempre estará seguro junto à mim — Sussurrou tais palavras, sentindo o olhar questionário do cacheado sobre si. — Prometo.— De verdade?— De verdade, malchik.Harry lhe ofereceu um pequeno sorriso, como se concordasse com aquilo. Louis, por sua vez, apontou para fora da janela, onde algumas montanhas esverdeados eram nitidamente visíveis, assim como uma enorme ponte, onde alguns carros trafegavam. — Estamos bem, ninho, olhe lá, quero te contar a história dessa ponte.— Tudo bem, estou olhando.— Bem, não é algo espetacular, mas, ela foi inaugurada em mil novecentos e dez, e antes da oficial inauguração, essa ponte não era algo seguro, muitas vezes cedeu ao meio, inúmeras e incontáveis vezes. As pessoas já não passavam mais por ela, optavam por fazer o maior trajeto pois temiam estarem a atravessando e a estrutura simplesmente cedesse. O que mais me encanta é que passaram cinquenta anos tentando, nunca desistiram realmente dessa ponte, e não é que a insistência valeu a pena? Hoje em dia é a ponte mais famosa da cidade na qual estamos passando agora, inúmeras e incontáveis pessoas passam por ali diariamente. - Louis conta a história com calma, intercalando seu olhar entre o monumento e o rosto com expressão curiosa de Harry.— É uma história legal, Lou. Como ficou sabendo dela?— Pesquisei sobre algumas das cidades que passaríamos durante a viagem — escutou um sorriso divertido vindo de Styles e o fitou confuso — O quê?— Nada. É só que eu gostaria de ouvir outras histórias. — Oh, eu te conto. Mas antes vamos comer esses sanduíches. — Apontou para o recipiente pousado sobre a mesa do trem, e logo escutou Calvin dizer:— Tem sanduíche para todos? — Intrometeu-se na conversa dos garotos, sentindo um leve tapa em seu braço, vindo de Hunter.— Pare de se intrometer nas prosas dos outros. — Ela disse, o corrigindo.— Está tudo certo, podem pegar os sanduíches... Espero que estejam bons o suficiente...— Ah, mas se estiver como os bombons eu prefiro roubar esse pote para mim. — Rodgers brincou, oferecendo um dos pães enrolados no guardanapo para a namorada, pegando um em seguida e esticando o recipiente para os garotos ao outro lado do corredor, que recolheram dois dos sanduíches e logo o pote estava nas mãos de Louis, que segurava seu sorriso, olhando a feição apreensiva do mais novo, que aguardava as reações dos demais ao provar o lanche.Tomlinson nunca viu Styles tão envergonhado e ruborizado quanto o viu ao receber elogios sobre os pãezinhos salgados.Aquele final de semana seria esplêndido, não há o que faça Louis mudar de ideia. Afinal, ele faria de tudo para que fosse.

----- CHAPTER BREAK -----

Here comes the sun era uma ótima música para ouvir enquanto se dividia uma fone de ouvidos.Principalmente quando a paisagem parecia se formar entorno das ações - voluntárias e involuntárias - que uma pessoa tomava.O sol parecia mais brilhante no céu quando Harry sorria ao cantarolar "do, do, do, do".A viajem ocorreu bem, no entanto. Todos pareciam confortáveis com a situação atual, Louis parecia ter tirado um peso de suas costas, é claro que parecia, ele com certeza se martirizaria por semanas caso a viajem estivesse sido um saco para alguém do grupo. Porque ele era assim, preferia que as pessoas ao seu redor estivessem bem, antes elas do que ele. Nada novo.Styles cochilou em seu ombro durante meia hora. Ele gostava de tê-lo por perto, sentir sua fragrância e sentir os cachos acomodando sua bochecha e a ponta de seus nariz. Foram poucos os momentos nos quais seus dedos não estavam entrelaçados. Quando chegaram na estação, deixaram suas malas no chão, pedindo carros de aplicativo e dividindo o grupo ao meio para que pudessem chegar ao hotel.Yoston era uma cidade linda, aconchegante, luminosa e antiga, também era uma cidade muito importante para o cristianismo na região, por tal razão, existiam mais igrejas do que o normal em cidades de poucos habitantes. Harry parecia apaixonado pelo lugar, mal conseguia falar, seus olhos estavam fixos nas luzes e nas estruturas das casas.Ele parecia ter seus olhos mais vidrados ainda, na paisagem, durante o tempo que passaram dentro do táxi. Era óbvio que se sentia amedrontado, tanto que seus dedos quase esmagavam os dedos de Louis, que insistia em apontar para as coisas ao lado de fora da janela e assegurar Edward de que eles estavam bem.Passaram por um agradável calçadão para pedestres, onde haviam vários restaurantes, pequenas bandas tocando clássicos, no meio da pequena ruela, lojinhas e casarões históricos, alguns desses casarões até mesmo abrigavam restaurantes e/ou cafeterias. A arquitetura de Yoston era esplêndida, Louis com certeza gravaria um clipe ali quando tivesse a oportunidade. Aparentemente, Yoston possui áreas verdes lindíssimas. William, particularmente, adorou passar dentro de YostonGate Gardens, um parque que ficava às margens de um extenso e cristalino Rio. Há diversas placas com dados históricos da cidade visivelmente penduradas e postas em lugares estratégicos no interior do parque. Haviam também muitas flores coloridas e plantas, Styles estava encantado.As ruas remetiam ruas dos anos cinquenta, era apaixonante, Harry parecia apaixonado pelas pedras naturais que cobriam o solo e pelas casas - sobre as lojas e padarias decoradas - decoradas com guirlandas de flores reais e de cores vivas.O hotel era aconchegante, boa parte dos visitantes, que chegavam, o escolhiam por conta da comodidade. Era como um castelo, seu interior tinha lamparinas penduradas nas paredes de pedras naturais lixadas e envernizadas, assim como a madeira do piso. Uma grande lareira aquecia a recepção, porém mesmo com o fogo mandando o frio embora, Harry permanecia abraçado ao mais velho, tendo seus olhos inchados por conta do recém cochilo e as bochechas coradas pelas piadas que os amigos faziam. Sua cintura estava acomodada nas mãos de Tomlinson, ele deveria revelar que sempre adorou aquele toque.O grupo dividiu-se em duplas, para fazer o check-in, quando a fila andou, e era óbvio que Louis & Harry permaneceriam no mesmo quarto, assim como Hunter e Calvin, e Zayn e Luke. Eles foram acompanhados pelo recepcionista, os quartos ficavam no oitavo andar, o elevador era uma das únicas partes "modernas" do hotel, enquanto seus corredores remetiam corredores de um castelo.— Fiquem à vontade - O homem entregou a chave nas mãos de Louis, sorrindo simpático. — Aproveitem.O de olhos azuis agradeceu, destrancando a porta e passando seus olhos curiosamente pelo cômodo, percebendo ser um quarto, consideravelmente, grande.Havia uma cama de casal ao lado direito da porta, encostada na parede, tendo sua cabeceira de ferro manchando a tinta amarronzada, duas mesinhas localizadas aos dois lados da cama, elas acomodavam abajures de cores quentes, assim como distintos controles, um para a televisão e outro para o ar-condicionado.Ao rolar seus olhos pelo quarto, William vê a grande janela, coberta por cortinas, que ainda iluminava um pouco do quarto, não havia uma varanda, mas não era como se ele se incomodasse. A televisão se encontrava ao lado oposto da cama, posta sobre uma mesa de mogno – pouco na vertical –, haviam livros e revistas, alguns pacotes e biscoitos e garrafas de bebidas – Louis com certeza não beberia, não gostaria de deixar um de seus órgãos ali para pagar por uma daquelas garrafas de vinho.Havia também uma lareira ao lado da mesa de madeira, afastada da televisão. Não muito distante estava a porta do banheiro e um pequeno carpete.— Achei um exagero... Por isso saiu caro. - Admitiu sincero, escutando a risada baixa vinda do menor. — Esse quarto é lindo. Melhor do que a minha casa. Tomlinson prensou seus lábios enquanto escutava o garoto dizer e adentrar o quarto, com certo receio. — É impressão minha ou vocês estão tentando "juntar" o Luke com o Zayn? - Styles questiona, ainda sorrindo, dessa vez de uma forma divertida, deixando sua mala sobre a cama. Louis fecha a porta do quarto, engatando a chave no trinco, e se aproxima da cama, também pousando sua mochila sobre os lençóis.— Eu não estou tentando juntar ninguém - Assumiu despreocupado, fitando os olhos verdes e cansados do outros, antes de dizer: — Ninguém nos juntou. Caso queiram, eles mesmo podem fazer isso.— Você é tão brega, Louis. - Harry revira seus olhos, retirando seu celular de um dos menores bolsos de sua bagagem.— Você ama que eu seja brega contigo, Harry. Dizia que odiava melação e, veja, você não consegue permanecer longe de mim. Lide com isso.— Isso é mentira sua. Eu certamente consigo permanecer longe de você e de todo esse seu altruísmo.— Quer apostar?— No entanto, eu não quero. Apenas dizendo que, sim, eu conseguiria. - Completa sua frase, percebendo que foi adicionado em um novo grupo de mensagens. — Ei, eu estou no grupo de vocês!— Que merda.— O quê? Por quê? Você não quer que eu esteja no grupo? - O cenho de Edward foi amarfanhado, a chateação em sua voz era presente, e então, William sorriu, provocando mais confusão ainda no cacheado.— Porque agora eu não posso mais falar sobre você sem que você saiba. — Hunty me contou sobre isso. Você é tão idiota. - Sorriu tímido ao se recordar das palavras da amiga. — Fala sério, você estava tão adorável naquela jardineira, eu mal posso esperar para vê-lo usando-a novamente. - Louis diz, há um pequeno sorriso curvado em seus lábios. Ele se aproxima do mais novo apenas para abraçar sua cintura por trás e simular cócegas em sua barriga, apoiando seu queixo no ombro do jovem ao mesmo tempo em que o escutava rir.— Eu não gostava dela antes. Mas sabe, até que não ficou tão ruim quando eu vesti. — E há algo que não fique bom em você? - Louis indaga retoricamente, abrindo sua mochila, fazendo o mesmo com o zíper em seguida. Harry sorri envergonhado, suas bochechas se tornam vermelhas, é fofo, Louis ama fazê-lo ruborizar.O de olhos verdes se afasta, saindo do enlaço dos braços de Louis, e sorri quando retorna a dizer:— Aparentemente tênis já não combinam mais comigo. - Ergue seu pé, apontando para o coturno desamarrado, William sorri, acenando negativamente com sua cabeça.— Você é um bastardo.— Eu!? Veja só quem fala. - Harry analisa Louis de cima até embaixo, não contendo seu sorriso. — Pridurok. - Sussurrou, mais para si mesmo do que para o rapaz ao seu lado.— Do que me chamou?— Pridurok. Por quê?Edward sequer terminou sua sentença, apenas sentiu fortes mãos agarrarem sua cintura e o empurrar contra o colchão macio da cama de hotel.Louis tinha um de seus joelhos apoiado no colchão, entre as coxas de Harry, enquanto seu outro joelho estava ao lado da perna direita do garoto. Styles sorria, era uma risada divertida, era sincera, era honesta. Talvez aquele fosse o som que Tomlinson vêm procurando. Talvez...O verde de seus olhos já não estava mais presente, estava coberto por suas pálpebras, que eram fechadas com força e o nariz gentilmente franzido. Suas mãos alcançaram os ombros do mais velho, então, com uma delas, Harry agarrou a nuca de Louis, e o beijou. O acastanhado retribuiu tal ação, sentindo Edward sorrir contra seus lábios, umedecendo as próprias pétalas rosadas, e enrolando mechas lisas e castanhas em seus dedos, as puxando com certa delicadeza no toque.As mãos de Louis suportavam o peso de seu corpo sobre o colchão, fazendo com que estivesse inclinado sobre o mais novo. Seus dedos correram pela lateral de uma das pernas de Edward, engatando-os na região posterior do joelho do garoto, fazendo que a perna do mesmo roçasse na cintura de William.Harry ofega entre o beijo, apertando seus dígitos no ombro de Louis, e escovando a ponta de seus narizes cautelosamente. O cacheado ainda têm o específico gosto de cereja, seus cachos ainda cheiram como morango recém-colhidos e baunilha fresca.Louis simula uma estocada involuntariamente, sentindo o corpo de Harry tremer sob o seu.Styles sente uma fisgada - nada discreta, porém, ainda assim prazerosa - em seu próprio membro, afastando seus lábios dos lábios de Tomlinson de maneira súbita, ainda tendo sua perna sendo segurada pelo rapaz.Ele a solta com cuidado, Harry não quer deixá-lo chateado ou pensando que o beijo estava ruim - porque certamente não estava -, então deposita um selinho tímido nos lábios quentes e úmidos dele, retirando sua mão da nuca de Louis logo após o feito.— Tudo bem? - Louis pergunta, observando o mais novo jogar sua cabeça para trás e deitar por completo no colchão.— Cansado. Viagem e tal...— Certo - O mais velho assente, levantando-se e pondo-se de pé ao lado da cama. — Vou tomar banho e me arrumar para a festa, peça algo para comer já que não quis nada no trem. - Alerta calmamente, retirando a sacola de sua fantasia de dentro da mochila.— Está bem. - Concordou com sua cabeça, assistindo Tomlinson caminhar até a porta do banheiro.Tomlinson deixou seus pertences sobre a pedra da pia, despindo-se de suas roupas e logo adentrando o box, girando o registro do chuveiro e sentindo a água quente ir de encontro com suas costas tensas e gélidas.Demorou no banho, estava tentando relaxar, era compreensível. Louis tinha medo de que as coisas dessem errado durante a apresentação, tinha medo de ter suas expectativas destruídas, quase tinha medo de errar. Era sufocante.— Preciso que você feche os olhos por conta da fantasia. Se Hunter descobrir que você viu antes da festa ela me agride. - Tomlinson alertou, escutando a risada abafada do garoto, ainda sentado na cama, com uma bandeja de ovos mexidos e fatias de pão. — Vamos, feche os olhos.— Que saco - Reclama antes de bufar, formando um biquinho chateado em seus lábios e cruzando seus braços, fechando os olhos em seguida. — Por que vocês vão sair antes? Qual é o conceito disso?— O conceito de afinar os instrumentos e ensaiar uma última vez? - Responde a pergunta do cacheado de uma forma sugestiva, o vendo negar com a cabeça.Louis atravessa o quarto, já fantasiado, recolhendo seu celular e deixando um beijo na testa de Harry, o ouvindo rir nasalado.— Boa sorte, Lou. Vai dar tudo certo.— Espero, ninho - Sentiu os dedos gelados do outro tatearem seu rosto, sendo puxado para perto após isso, recebendo um selar de lábios desastrado. — Te vejo lá. — Te vejo lá. - Harry repetiu, cobrindo seu próprio rosto com as mãos, controlando a vontade de espiar a roupa do rapaz.[. . .]— Hunty, vamos nos atrasar, eu não quero me atrasar. O Louis não está legal.Styles estava sentado na poltrona do quarto de Schafer, aguardando a garota finalizar sua maquiagem, já nos últimos – e tediosos – detalhes.— Não vamos nos atrasar, se acalme - A loira saiu do banheiro, segurando sua paleta de sombras. — Quer passar alguma delas?Harry nega, batucando seus dedos no tecido confortável do vestido de cor branca, sentindo os cachos, pesados e manualmente enrolados, passearem por seus ombros. Suas mechas cacheadas estão presas, atrás de sua cabeça, com uma presilha azulada, evitando que caiam sobre seus olhos e atrapalhem sua visão.— Por que está tão ansioso, H? Vai dar tudo certo. É norma que eles se sintam extremamente ansiosos para essa apresentação, é a primeira depois de muito tempo. Mas eles estão preparados, ensaiaram e vão fazer por merecer, não duvide da capacidade da Dirty Smoke.Harry sorriu confortado com as palavras da amiga, então concordou positivamente, secando suas mãos suadas na fantasia.— Vamos, você está quase infartando. - Hunter acenou para fora do cômodo, aguardando Edward se levantar e caminhar até a soleira.— Eles vão se sair bem, não vão? — Sim, eles vão. Mas você acha mesmo que aqueles riquinhos cuzões terão a capacidade de perceber uma nota errada ou uma letra trocada? Fala sério, eles estão lá para se drogar e encher o cu de bebida.— Tem razão...— Eu sempre tenho.Ambos deixam o cômodo juntos, há um ponto de táxi logo à frente do hotel onde estão hospedados, o que já é um grande lucro.Harry queria ter Louis ali para segurar sua mão durante todo o trajeto, mas dessas vez ele também queria que as coisas funcionassem de maneira contrária, queria tentar passar segurança para ele.A festa seria em uma mansão, aparentemente. Haviam carros e motos estacionados por toda a rua. Pessoas não paravam de chegar na porta da casa, suas fantasias pareciam criativas o suficiente para tirarem boas risadas de Hunter e Harry, enquanto desciam do carro e faziam o pagamento do motorista.Bem, Hunter estava vestida de enfermeira, quem sabe Calvin não estivesse fantasiado de uma pessoa acidentada. Tal pensamento fez Harry sorrir.— Acha que eles já começaram com os covers? - Styles questiona, levantando a barra de sua fantasia, evitando tocá-la no solo sujo. — Acho que não, o falatório está muito alto para que tenham começado. - Responde com sua voz pouco levantada, adentrando o casarão antigo junto de outros desconhecidos. Harry a acompanhou, agarrando no braço na mesma, temendo se perder ali dentro.A decoração era linda, isso era inegável. Cada uma das mesas tinha um tema diferente. Haviam as mesas dos doces decorados com pasta americana e diversas fantasias inseridas nessa decoração sobre os bolinhos. Haviam as mesas dos salgados, com diversos bonecos de super-heróis sobre as toalhas coloridas. E, por fim, as mesas das bebidas, onde cada garrafa tinha uma capa plástica, tematicamente e aparentemente eram voltadas para o halloween.Os lustres pareciam abóboras gigantes, fazendo Harry gargalhar e chamar a atenção de Hunter para que ela visse aquilo também.— É hilário! Imagine só o valor dessa decoração? Imagine só o valor que foi aquela pinhata de Batman?! - A garota apontou para o item pendurado no teto, ao mesmo tempo em que Styles passava os olhos pelo lugar, em busca de encontrar a pinhata. Ele sorriu quando achou, voltando a fitar o palco, esperando por Louis.— O DJ vai fazer a introdução deles, veja - Hunter havia se afastado, Harry assustou-se quando ouviu a voz da mesma próxima de seu ouvido, sentindo o vidro gelado da garrafa de cerveja ir de encontro com sua pele. — Estou animada. Na próxima apresentação deles estaremos usando camisetas com a escrita "vadia da Dirty Smoke". - Comentou a mais velha, virando a garrafa em sua boca, enquanto ainda esperava Harry tomar sua própria garrafa.— Você é maluca. - Edward sequer terminou de sentenciar, escutou aplausos e assobios altos ecoando pela casa, apertando seus dedos no vidro e ficando na ponta de seus pés para que pudesse enxergar a banda com nitidez, considerando que haviam inúmeras pessoas em sua frente.O sorriso não deixou o rosto de Harry por nenhum momento enquanto a banda era introduzida, seus olhos brilhavam e ele tinha certeza disso. Ele também assobiou quando os outros fizeram.A banda subiu ao palco enquanto o DJ ainda falava, gerando euforia, afinal, não poderia ser diferente.Louis estava fantasiado de cavaleiro.Harry estava em estado de choque, ele pode jurar que estava.Tomlinson o fitava com um enorme sorriso no rosto, tão grande que gerou olhares em sua direção. Louis teve de morder seu lábio inferior para que pudesse se controlar.— Você não fez isso... - Edward encarou Schafer, desacreditado, vendo o enorme sorriso enfeitar seus lábios.— Sim, eu fiz! Vocês são Romeo & Juliet! - A loira bateu palmas, de maneira desengonçada – por ainda estar segurando a garrafa de cerveja.— Eu não posso acreditar. Que vergonha.— O Louis está prestes a pular daquele palco e vir até aqui te atacar, não seja pessimista, ele amou.— Tem certeza? Para mim ele está zombando dessa combinação ridícula. - Harry os observou ajeitarem seus instrumentos, ao mesmo tempo em que o falatório voltava a ser alto.— Você, como namorado dele, deveria saber que Louis é uma brega romântico à moda antiga e ama as trágicas obras de Shakespeare.— Não sou namorado dele. - Controlou-se para não gaguejar ao negar aquilo. Não era verdade, eles não namoravam, não havia a necessidade de ficar nervoso.Tomlinson lhe lançou uma piscadela apaixonante, silabando algo em um sussurro, Styles não conseguiu ler seus lábios. — Você entendeu o que eu quis dizer, não se faça de idiota.— Não estou me fazendo de idiota.— O Louis está quase chorando enquanto olha para você, puta que pariu, cala a boca. - Hunter o interrompeu, bebendo o resto de sua garrafa e acenando para o namorado, que estava no baixo.A música foi iniciada pelo baixo e pela guitarra, o olhar de Louis ainda estava sobre o rosto sereno e entusiasmado de Harry, que prensou seus lábios um no outro ao reconhecer a música, engolindo seco ao que escutou a meia-lua ser balançada por Luke.— When you get older, plainer, saner, will you remember all the danger we came from? - Louis cantou a primeira parte com os olhos ainda fixos nas esmeraldas de Harry, que estavam arregaladas, com a atenção totalmente voltada para si. — Burning like embers, falling, tender, longing for the days of no surrender years ago. — And well you know.— So smoke 'em if you got 'em 'cause it's going down - William fechou seus olhos ao que  multidão cantou junto, quase cobrindo a sua voz, mas sabia que ela ainda estava alta o suficiente para que Edward escutasse. — All I ever wanted was you.— I'll never get to heaven 'cause I don't know how. Let's raise a glass or two...— To all the things I've lost on you. Tell me: Are they lost on you? Just that you could cut me loose. After everything I've lost on you. Is that lost on you? - O oceano de Tomlinson correu sobre os olhos de Styles, permanecendo com sua expressão séria, enquanto tentava desvendar qual vinha sendo a reação do cacheado.A realidade era que o coração de Harry havia conseguido sincronizar-se com cada batida da música. Ele podia escutar aquilo, sabia que era um reflexo de desespero sobre a letra na qual William escolheu para cobrir junto à Dirty Smoke.Era quase inacreditável. Embora nada que viesse de Louis pudesse ser verdadeiramente inacreditável.Aquela música havia sido uma homenagem para si? E se ele estivesse se emocionando por nada? Bem, poderia ser nada, certo? Apenas uma música que Louis – junto com a banda – escolheu cobrir, qual era o problema? Poderia ser apenas uma coincidência.— Se alguém dedica Lost on you para mim eu considero como pedido de namoro... Mesmo que Calvin tenha me dedicado o resto das músicas de hoje. - Hunter diz descontraída, mordendo um canapé, sequer olhando para a expressão surpresa de Harry. — Como tem tanta certeza de que isso foi "dedicado" à mim? - Styles indaga, fazendo aspas com seus dedos e recebendo o olhar de Hunter sobre seu rosto.— Ele nos disse. E não precisa de muito para perceber, não é? Só acho que você está em negação.É estou em negação, pensou Harry, voltando a assistir a apresentação dos garotos, que agora tocavam Green Day.Edward provavelmente nunca vira William tão radiante, sentia-se feliz por ele.Era apenas surpreendente que aquela música tenha sido dedicada para si. Poderia soar como um pensamento completamente bobo – e era –, mas Harry ficava surpreso todas as vezes nas quais Louis fazia algo grande para si. Era claro que o cacheado guardava, em sua mente, as lembranças de quando Louis disse ser apaixonado por ele. Guardava as palavras das vezes em que Louis se declarou gentilmente para si. Guardava todos os "eu te amo" e "eu amo você", com carinho. Lembra-se de casa um deles, e sorria ao ter em mente que Louis o amava. Parecia tão sincero...Esse não era o tipo de pensamento adequado para se ter enquanto está ouvindo uma banda cobrir a música Holiday do Green Day. Mas Harry não se importa verdadeiramente com isso.Quando Harry focou sua visão na figura de Louis, percebeu as mechas lisas e castanhas caírem sobre seu rosto, era provável que atrapalhassem sua visão, mas, se o faziam, ele não demonstrava. Continuava tocando, sem manter seus olhos abertos, os lábios roçavam no microfone e Styles revirou os olhos quando a voz do mais velho foi captada por um alto walkie-talkie, cantando "The representative from California has the floor".Styles desejou que Tomlinson estivesse confortável e seguro naquela apresentação. Aparentemente estavam amando. Aquilo era espetacular.O cacheado procurou por Hunter, a enxergando na mesa de doces, com o dedo afundado na pele do queixo, era julgável que estivesse indecisa entre algum dos cupcakes.Ele rolou seu olhar pela festa, percebendo algumas pessoas dançarem demasiadamente animadas, ao mesmo tempo em que outras curtiam a apresentação da banda, fazendo maloiks com as mãos e sacudindo suas cabeças. Edward recolheu um petisco, pousado sobre a mesa, sentindo seus cachos se enroscarem nas pequenas asas de sua fantasia. Ele virou-se com cautela, na tentativa de desfazer o enlaço de fios, cruzando seu olhar com um alguém conhecido. Ethan. Puta merda, Harry queria sumir. E Ethan vinha em sua direção. — E aí, boneca. Quanto tempo - Sorriu maliciosamente, deixando um beijo na bochecha quente do mais novo, que a limpou desgostoso logo em seguida. — Não me ligou mais, andou me evitando... O que houve? - Perguntou curioso, havia certo deboche em seu tom de voz, era perceptível, Harry odiava aquilo. — Se não te liguei certamente não havia interesse. — Ouch, boneca. O que eu te fiz?— Nada. Você não me fez nada - Styles nega veemente com sua cabeça, evitando olhá-lo. — Agora pare de me chamar assim. — Mas você gostava quando—— Porra, como você é imbecil! Será que dá para você ficar longe de mim, caralho? - Se descontrolou, gesticulando de maneira irritadiça, agradecendo ao universo por ninguém, além de Ethan, ter escutado seu pedido. — Como você é audacioso, anjinho. O que andou aprontando? Achou outros caras melhores do que eu?— Não é como se isso fosse extremamente difícil. - Harry zombou, enfiando suas mãos dentro do bolso de sua fantasia, o bolso que era escondido pelas dobras do vestido, retirando um cigarro e um isqueiro de lá, acendendo-o sem nenhum tipo de dificuldade.Estava nervoso e ansioso, era claro que estava. Como caralhos aquilo pode acontecer? Por que justo hoje? Porra, ele sequer conseguia ficar tranquilo.Harry traga seu cigarro, segurando a fumaça em seus pulmões, a soltando em seguida pelas narinas, esperando de Ethan o deixe.— Você adora se aproveitar das pessoas, Styles. É a única coisa que você sabe fazer, não é? Se aproveitar delas para o seu próprio prazer e deixá-las. O esverdeado sorri, achando aquilo demasiadamente cínico vindo de Ethan.— E não era o nosso combinado, afinal? Sexo sem compromisso, e acabou. Achava que eu seria seu? - Indaga com as sobrancelhas arqueadas, segurando o cigarro entre os dentes.— Sim, achava. Já que hoje em dia ninguém curte arrombados mais.Edward engoliu seco. Ele poderia ser arrogante e mesquinhou quando queria ser. Ele realmente poderia. — Oh, certo. Mas tenha fixo em sua mente que não foi o seu pinto de cinco centímetro que me arrombou. E você está longe de ser a minha melhor foda. — Diz isso por causa do chá de cremes cicatrizantes que eu preparei? Quanto descaso de sua parte, Edward—Harry não percebe o que está fazendo no momento em que levanta sua mão e sente seus dedos arderem, escutando o som estalado dos mesmos dígitos contra a pele do rosto de Ethan. Não se arrependia, no entanto.— Vá se foder, seu babaca. - Styles aproveita o choque momentâneo do outro para empurrá-lo contra o grupo de pessoas reunidas, e deixa o local. Sua respiração está ofegante, suas pernas bambeiam ao ter noção do que acabou de cometer. Harry escuta a voz, levemente rouca, de Louis, que ainda canta Green Day, cobrindo, dessa vez, Basket Case.Aparentemente aquilo o acalma. O acalma...— Ei, tudo bem? Eu fui nos preparar um drinque. - Schafer se aproxima, segurando copos de vodka com energético. — Sim, tudo certo. Apenas um babaca, você sabe, sempre tem. - Harry traga uma última vez antes de recolher o copo da mão de Hunter e jogar a bituca no chão, apagando com a sola de seu sapato. — Ele mexeu com você? - Questionou preocupada, passando os olhos pela multidão agitada. — Porra eu vou moer a cara desse filho da puta na pancada. Me diga, onde está ele? — Eu já dei um jeito nele. - Confessou, virando o copo, bebendo todo o drinque em poucos segundos. — Não se preocupe. Agora vamos ouvi-los.Louis suava, era tão excitante vê-lo cantando sobre um palco, ainda vestindo a réplica da fantasia de Romeo, com suas mechas lisas e úmidas sendo balançadas de um lado para o outro enquanto ele parecia sentir a vibração de cada uma das músicas que tocava.O rapaz lambeu seus lábios antes de sorrir cansado, ainda tendo seus olhos fechados, parando o som e erguendo sua mão, segurando a minúscula palheta para tocar guitarra.Ele agradeceu, ofegantemente, a participação dos convidados, que fizeram uma puta baderna ao ouvir aquilo, provocando a risada nasalada do acastanhado sobre o palco.A última música, Pretty Fly, foi introduzida, e as pessoas realmente foram à loucura. Quer dizer, quem não gostava de The Offspring?Louis contou os números em Espanhol, voltando sua atenção para o instrumento pendurado, com uma faixa, em seus ombros.E, porra, Harry estava tão excitado, apenas de assisti-lo tocar. Como era possível? Suas bochechas arderam. Eram vergonhosos os pensamentos que ele tinha no momento, mas não nega que gostaria muito de poder estar a sós com Louis agora.— Eles estão indo muito bem, tipo, bem para caralho. - Hunter gritou no ouvido do garoto, apontando para o palco, com a mesma mão que segurava o copo de bebida.Edward assentiu, havia um sorriso honesto instalado em seu rosto durante o tempo em que assistia os integrantes se animarem ao cobrir o som. — Sim, eles estão mandando muito bem.— Porra, imagine um show deles, H! Vai ser fantástico. - Schafer continuou falando, percebendo Styles concordar com a cabeça, e o sorriso aumentar.Assim que a música acabou, eles agradeceram mais uma vez, e logo desceram do palco montado na sala da casa. Harry não viu para onde Louis foi, mas provavelmente caminhou para uma sala junto com os amigos para guardar os instrumento cedidos.Edward cruzou toda a sala, passando dentre os corpos festivos e molhados, que pulavam conforme o DJ gritava no microfone e escolhia For A Better Day. Harry sorriu com a música, lembrando-se de vez em que tinha seus braços ao redor da cintura de Louis e os olhos fechados durante o passeio de moto.— Onde está indo? - Sentiu mãos agarrarem sua cintura e logo tateou as mesmas, entrelaçando seus dedos nos dedos do outro, sentindo o perfume cítrico e conhecido de Tomlinson.— Estava te procurando. - Harry admite, quase soluçando em susto ao sentir sua bunda roçar no membro semiereto de Louis. Ele suspira, tentando controlar-se para não demonstrar seu desespero interno.— Eu já sabia que Hunter faria uma idiotice assim, mas tenho de admitir que não é uma combinação tão péssima. O que você achou? - William indaga, seu tom é de sussurro, mas estava sendo impossível falar baixo com toda a gritaria e o som alto ecoando no local.Harry ofega, engolindo seco e nega com sua cabeça, encostando a mesma no ombro do mais alto.— Não. Não está tão péssima. — Vamos dançar. Você gosta dessa música. - Louis aperta o enlaço de seus dedos nos de Harry, girando o corpo do mesmo para que ficasse de frente para si, ele sorri quando Harry cora.Styles gostaria de respondê-lo com um: Não Louis, eu não vou dançar com uma ereção no meio das minhas pernas. Mas não o fez, apenas sentiu-se extremamente envergonhado, encarando a feição cansada e sorridente de Louis. Ele ainda suava e, porra, seu cabelo estava uma completa bagunça. Harry quis revirar seus olhos, porém apenas pendeu sua cabeça para frente, a enterrando no pescoço de William.— O que houve? - O acastanhado questiona preocupado.— Vamos voltar para o hotel. - Edward sussurra. Suas mãos seguram os bíceps de Louis, o empurrando calmamente para trás. — Por favor.O de olhos azuis não questiona. You Make Me está tocando, e é difícil deixar o casarão, as pessoas realmente parecem animadas com a música. Elas pulam e balançam suas cabeças. Suas mãos estão levantadas para o alto, a vibração, das caixas de som, provoca a queda dos líquidos alcóolicos, que mancham o carpete e molham todos ao redor.Harry sorri enquanto agarra na mão de Louis, o puxando para fora da casa, adentrando o primeiro táxi que encontra.— Sua pressa está me deixando preocupado. - William admite, sequer podendo complementar sua frase, considerando que Edward segura suas bochechas, com certa força, e o beija.— Não se preocupe. Estou bem. - O cacheado diz, roçando seus lábios nos de Tomlinson, descendo suas mãos para o ombro do mesmo.— Estamos dentro de um táxi, em uma cidade desconhecida, sugiro que se controle, princesa. - Louis toca as coxas do mais novo, passeando os dedos pelos quadris e os descansa na cintura de Harry, fazendo com que ele se afaste gentilmente.Styles leva seu polegar direito até a boca, mordendo a pontinha de seu dígito, para que controlasse o enorme sorriso que surgia em seus lábios. Ele cruza as pernas em seguida, está ansioso, é perceptível. O caminho parece tão longo até o hotel onde estão hospedados. Harry está quase corroendo seus dedos dentro do táxi.Ao que chegam no hotel, Edward agarra no pulso de William, o puxando pelos corredores, apressando seus passos e escutando a risada divertida do mais velho ao ser, literalmente, arrastado pelo cacheado.O quarto reservado está propriamente escuro, boa parte da iluminação do cômodo vêm dos abajures, de luzes amareladas, ao lado da cama de casal. A porta é fechada rapidamente por Harry, pouco antes do mais velho puxá-lo para o colchão, sentindo o garoto sentar em seu colo.As coxas de Harry se pressionavam contra os quadris de Louis da mesma forma de quando andavam de moto, mas dessa vez ele estava de frente para o outro, seus lábios sendo dominados com perfeição pelo mesmo que mantinha seus corpos colados.O beijo tinha um leve gosto de cigarro, por parte de Edward, e menta, por parte de William. As mãos do mais novo se perdiam no cabelo liso e castanho, os poucos fios na nuca sendo puxados sempre que o aperto em sua cintura era intensificado ou sua língua era chupada para dentro da boca de Louis.As bandas fartas pressionadas contra seu pau semiereto não cooperava com a tentativa de se manter são, e o acastanhado mal consegue controlar quando ofega contra as pétalas rosadas ao sentir seu garoto mexer o quadril contra o dele, proporcionando uma rebolada pressionada em seu membro e o fazendo sentir a familiar fisgada em seu ventre.— Você está se esfregando em mim como uma cadela no cio, Styles. - O mais velho desliza sua mão pela cintura de Harry, erguendo o vestido claro da fantasia e colocando sua mão dentro do shorts de algodão sob o vestido da fantasia, segurando a ereção do mesmo entre seus dedos e apertando a base do membro ereto com certa força, escutando um gemido doloroso e prazeroso sair da boca de Edward. — Me diga o que você quer, malchik. - Louis sussurra contra os lábios, agora brilhantes pela saliva, de Harry enquanto desce seu próprio rosto para a pele imaculada e leitosa do pescoço do de olhos verdes, seus lábios úmidos causando arrepios na pele do outro, que aperta os dedos em seus ombros e rebola mais avidamente no colo do outro.Antes que pudesse fazer qualquer movimento, Styles sentiu a mão de Louis – que segurava seu pau – ser posta em volta de seu pescoço. Havia um aperto razoável ali, por algum motivo ele achava que o mais velho sabia de seus fetiches, por mais que nunca tivessem parado para conversar seriamente sobre aquilo. Era excitante 'pra caralho. O sorriso malicioso de Louis tornava tudo melhor para Harry. O mais novo levantou seu rosto avermelhado e incrivelmente envergonhado para poder encarar o mais velho, encontrando suas pupilas dilatadas e toda a sua luxúria exposta. A visão poderia ser considerada infernal, senão fosse a figura de Louis Tomlinson em sua frente. — Você sabe o que eu quero. - Controla-se para não gaguejar ao sentir a pele de Louis emanar calor. Cada parte de seu corpo fazia com que Harry se sentisse mais próximo do Sol. E não havia problema nenhum nisso. Ele gostava da quentura que o outro emitia.O mais velho puxou o rosto de Styles para próximo do seu – mais ainda, se é que aquilo era possível –, beijando libidinosamente seu pescoço. Os lábios de Tomlinson eram macios e úmidos, a cada selar na pele alva e suave de Harry, era possível sentir o rápido gelar, que se misturava quase instantaneamente com a temperatura corporal do momento.Louis faz uma trilha de beijos por toda a clavícula exposta de Harry, colocando sua língua para fora em seguida, lambendo toda aquela extensão. O esverdeado morde seus lábios em correspondência, evitando um baixo gemido. Seus olhos estão fechados agora, seus dedos doem pelo forte aperto nos ombros de Tomlinson. — Louis - O chama em um sussurro sôfrego, levando uma de suas mãos para sua própria boca, evitando um soluço.— Eu não posso acreditar no quão necessitado você estava... Tanto que precisava se roçar em mim e manchar a minha fantasia, não é, shlyukha? - Questiona em um tom de voz baixo, mas o suficiente para o cacheado gemer em correspondência, e segurar sua nuca, depositando beijos quentes por seu rosto. Não demorando muito para Louis sentir sua pele ser sugada pelos lábios carnudos e almofadados de Styles. Harry pode sentir a ereção de Tomlinson roçando contra sua bunda, então sua única reação é estimular o mais velho, rebolando conscientemente sobre o volume dentro da calça. — Eu posso até ser uma puta, mas você está excitado 'pra caralho enquanto eu rebolo no seu pau.Louis sorri de forma nasalada, observando Styles rebolar vagarosamente em seu colo e sentindo os chupões serem feitos em seu pescoço e ombros. Seus dígitos passeiam com obsessão pelo tecido da fantasia do mais novo, até deixar a extensão de sua perna e seguir para suas nádegas, juntando a carne de ambas as bandas em suas mãos e as apalpando. — E quem não ficaria? - Mordeu o queixo de Edward, o vendo fincar seus dentes em seu lábio inferior, assistindo a carne se tornar cada vez mais vermelha, enquanto sua vontade de fodê-lo aumentava a cada instante.Louis retira a parte superior de sua fantasia, durante o tempo em que tinha o olhar curioso de Harry sobre si, como se quisesse controlar seus movimentos para que ele fosse mais rápido ao se despir.Harry espalma suas mãos no peitoral nu do acastanhado, afastando-se vagarosamente do corpo do mais velho e procurando pela barra de sua própria fantasia, a erguendo para cima, na intenção de retirá-la.O corpo de Styles gela por alguns instantes, é compreensível. Estava, e está, completamente excitado, mas tem medo.Medo porque acha suas cicatrizes horrorosas. São grandes e extensas. Ele tem medo de Louis desistir no meio do ato por ter de ficar olhando para aquelas longas marcas esbranquiçadas e em relevo presente por quase toda a extensão de sua pele.— O que houve? - O mais velho indaga, ele está um pouco ofegante, é audível. Edward nega com sua cabeça, a pendendo pra frente, tentando esconder-se na curvatura do pescoço de William, esse que o impede com sutileza, afastando-o enquanto as mãos se apoiam em sua cintura.— E se você não gostar? - Harry levanta seu olhar tristonho na altura do rosto de Louis, suspirando lentamente antes de voltar a proferir: — E se você não gostar de mim? — Ei, Harry? Por que essa pergunta repentina? Eu amo você. Cada uma das suas partezinhas. Eu amo cada coisinha sua. - Assume honestamente, beijando a bochecha do garoto e o vendo sorrir tímido. — São as cicatrizes, não são?O de olhos verdes assente, fechando seus olhos e desfrutando do som da respiração quente de Louis, batendo contra seu rosto. — Meu amor - Ele começa, segurando o rosto avermelhado de Styles com leveza. — Eu te amo. - Louis conforta o garoto, retirando os cachos pesados de seu rosto. — E se você não quiser fazer nada disso está tudo bem, ok? — Eu estou muito excitado para não querer fazer isso, Louis. - Sorri, sentindo suas bochechas serem pressionadas pelas mãos do outro. — Obrigado. - Ele sussurra tateando a barra de sua fantasia, a retirando cuidadosamente com a ajuda de Tomlinson.— Você é lindo, sabia? - O maior diz, observando com cuidado o corpo de Harry, desde sua clavícula – com pequenos pontos avermelhados e roxeados, até sua cintura, onde haviam pequenas dobrinhas por conta do elástico do shorts que usava no momento. Provavelmente, para Louis, aquela era uma das partes favoritas do corpo de Harry até agora. As cicatrizes em seu torso são visíveis e extensas, Louis observa e enxerga cada uma delas. O mais novo roça sua bunda contra o membro duro de Tomlinson novamente, tentando juntar seus corpos, mas é impedido pelas mãos que seguram sua cintura, o afastando do corpo do azulado. — São lindas—— Pare. Por favor, Lou, não estrague isso.— Elas são, Harry. Fazem parte de quem você é. E você sabe que eu te amo - Admite, sentindo a respiração pesada e sôfrega do esverdeado. — Amo saber o quão forte você é. - Louis beija o queixo de Harry.Os dedos ásperos do acastanhado se arrastam pelo peitoral nu do mais novo, ele prende os mamilos eriçados de Styles entre seus dedos, escutando um gemido escapar de sua boca, e sentindo o mesmo rebolar ciclicamente sobre seu pau. Louis sorri malicioso, levando seu polegar até os lábios, lambendo sua digital e contornando o botão rosado do esverdeado. Repetindo a mesma ação com o outro polegar. Harry está, simplesmente, tão entregue.— Você está tão sensível, Edward, há quanto tempo ninguém te toca assim, huh? - Belisca ambos mamilos, escutando um gritinho arranhar a garganta de Harry e vibrar em seus tímpanos.— Caralho, Louis. - Choraminga, procurando qualquer tipo de contato. Tomlinson sente a ereção do mais novo ir contra sua barriga e fita a expressão de Styles. Seu cenho está franzido, seus olhos fechados e seu lábio inferior está sendo judiado por seus dentes frontais protuberantes. Sem aviso prévio, o azulado enfia – novamente – uma de sua mãos dentro do shorts apertado de Styles, tendo o membro do mais novo entre seus dedos. Harry tenta estocar sua mão, quase desesperadamente, mas Louis apenas aperta seu pau entre os dedos, assistindo um biquinho se formar em seus lábios avermelhados. — Lou... - Se inclina para frente, relando sua bochecha fervente contra a de Louis. O acastanhado sente as pontas macias dos cachos de Styles encostarem em seu ombro, fazendo cócegas repentinas no local. A voz de Harry está embargada, Tomlinson o sente tremer em seu colo. — Me fode.— Me fode, por favor, me fode. - Pediu novamente, entre gemidos entrecortados e olhos fechados.Seu dedo acaricia a fenda do mais novo, espalhando o pré-gozo por toda a extensão alcançável. Rápidos movimentos são iniciados pela mão de Louis, que escuta os gemidos baixinhos de Styles próximos ao seu ouvido. — Você é tão bom, porra - Louis sussurra, acelerando ainda mais seus movimentos, bombeando o pau de Harry com uma de suas mãos. Styles tenta estocar novamente e é permitido, Tomlinson não consegue conter um pequeno sorriso enquanto o esverdeado tenta foder sua mão. — Tão bom e tão desesperado. Uma verdadeira putinha, não é? As lágrimas estão formadas nos olhos do esverdeado, eles brilham por conta das mesmas, enquanto ele concorda apressadamente com qualquer coisa que Louis o diga.— Eu não quero que você goze agora. - Louis profere, parando os movimentos repentinamente e escuta Harry choramingar, afastando-se de seu ombro. Suas mãos seguram a cintura delineada e curvilínea, enquanto Styles ainda procurava por algum tipo de contato para com seu membro. Tomlinson o deita na cama de casal, segurando em suas costas e sentindo seus dígitos afundarem em sua carne alva. Os cachos de Harry estavam bagunçados sobre o lençol, e ele tinha uma expressão estranhamente adorável em seu rosto. Louis tocou quase superficialmente o abdômen do cacheado, levando suas mãos para o cós do shortinho do esverdeado, o descendo por suas pernas juntamente a suas boxers. O pau de Styles tocou de maneira úmida contra seu estômago, molhando o local com seu pré-gozo novamente.Agora as coxas fartas de Styles estavam expostas agora. Cheiravam como frutas vermelhas e frescas. A cada inspiração seu cheiro se tornava mais forte, Louis não podia deixar de frisar sobre o quão macia era a pele de Harry. O mais novo pôde ouvir os estalos baixinhos dos beijos que Louis distribuía por suas coxas, assim como podia sentir os lábios quentes e molhados irem de encontro com sua pele também quente. Ele também não pôde deixar de perceber que os lábios de Louis selavam cada uma de suas cicatrizes esbranquiçadas, em todas as partes visíveis de seu corpo. Louis estava as beijando. Porra.— Lindo 'pra caralho - O acastanhado sussurra, parece estar falando mais consigo mesmo do que com o garoto deitado à sua frente. - Você é lindo. - Tomlinson diz com firmeza em sua voz, apertando seus dedos na cintura do outro, levantando-se um pouco, para enxergar o rosto de Harry.Styles queria chorar. Pela dor, pela sensibilidade, pelo prazer, pela vontade, por absolutamente tudo.Seu pau estava tão necessitado que sua única vontade era tocá-lo. Mas ele sabia que seria impossível enquanto Louis estivesse exatamente ali. A única coisa que Harry fez foi: tentar friccionar o interior de suas coxas em suas bolas, mas foi impedido pelas mãos forte de Tomlinson, que se cravaram na pele e afastaram as pernas novamente. — Tão sensível, Harry - Continuou a trilha úmida de beijos, o elogiando em sussurros vibrantes, até encostar suavemente sua barba rala nas bolas do mesmo. — Gosta tanto de ter alguém te tratando como a cadela que você é, não gosta, malchik? - Murmurou novamente subindo seu olhar para o rosto corado do cacheado. Seus lábios estavam entreabertos e mais róseos possível. Louis beijou a extensão do abdômen pálido de Styles, sugando o meio de sua barriga, deixando um chupão recém-feito ali, antes de se levantar e ir até sua mochila, recolhendo um pequeno pacote de lubrificante e um de preservativo.— Você já estava preparado para isso, hum? - Harry questiona sorrindo, o encarando ladinamente, aguardando seu retorno para a cama.O acastanhado não o responde, fazendo com que o sorriso presunçoso de Harry seja substituído por um tímido.Quando voltou para os lençóis, Louis mergulhou dois de seus dedos no lubrificante gelado, medindo a quantidade certa, antes de ordenar à Harry para ficar de quatro sobre a cama. Styles apenas assentiu de forma submissa, apoiando-se em seus cotovelos e entrelaçando seus dedos a frente de seu rosto, esse que agora estava mirado para baixo. Tomlinson teve a visão da entrada rosada e pulsante do mesmo, que implorava por um preenchimento a cada vez que piscava. O acastanhado segurou a cintura de Styles e, acariciou sua cavidade com a textura pegajosa e gélida, as menções que ele fazia de afundar seu dedo no local faziam Edward gemer de forma chorosa, inclinando-se para trás, implorando por qualquer tipo de contato.Louis inseriu seu primeiro dígito, sentindo as paredes internas do mais novo o engolirem com rapidez. A expressão de Harry estava levemente irritada, mas logo se transformou em prazer. Ele gemia e choramingava exatamente como Louis esperava que ele fizesse. — Uma vadia necessitada, Styles - Ele inseriu mais um dedo e Harry enlouqueceu completamente, Tomlinson ama o efeito e o poder que ele tem sobre o garoto. — É isso o que você é.Um grunhido contido deixa seus lábios ao que ele percebe o quão apertado Harry era, sua mão começa um movimento de vai e vem, seus dedos abrindo ao poucos a cada estocada para preparar melhor o garoto, seus olhos deixam toda aquela cena tentadora e volta para o rosto que se encontrava novamente deitado no travesseiro, os cachos espalhados pelo tecido e pelo seu rosto e seus olhos fechados, as sobrancelhas franzidas devido ao prazer e sua boca entreaberta, algumas arfadas baixas sendo os únicos sons que deixavam seus lábios.— Você engole meus dedos tão bem, amor... Mas será que aguenta mais um? - A pergunta é feita de forma retórica, já que antes de receber uma resposta seu dedo anelar se junta aos outros dois, recebendo como resposta um gemido sôfrego de Harry, que sentia sua entrada queimar enquanto tentava se acostumar com um terceiro dedo, a dor não dura muito entretanto, e logo ele já estava rebolando contra a mão de Louis em um pedido silencioso de mais. — Claro que aguenta, você está implorando por mais.A mente do cacheado a esta altura já estava nublada de prazer, ele sentia os dedos indo e vindo em seu interior, os seus próprios apertavam o lençol da cama toda vez que os dedos de Louis roçavam e tocavam pontos sensíveis de suas paredes internas, mas mesmo com toda essa estimulação nada é capaz de impedir o gemido alto que deixa seus lábios e suas costas de se curvarem assim que os dedos dentro de si alcançam sua próstata, um arrepio passa por todo seu corpo quando aquela área mais sensível continua sendo estimulada, seus gemidos ecoavam livremente pelo quarto, já não tendo mais forças para impedir.Conforme ele tesourasse as paredes de Styles, mais seus gemidos eram escutados e mais altos eles ficavam. Sequências de "Ah-Ah-Uh" eram frequentes, assim como a paralisação dos dedos de Tomlinson, deixando o mais novo se foder em seus dígitos.Harry a sustentação de seu corpo assim que sente a língua de Louis abrir espaço entre seus dedos, seus lábios ficam entreabertos em um grito mudo, aquele tanto de estimulação o fazia sentir seu orgasmo na beira, suas coxas tremiam tanto e constantemente tentavam se fechar, o que fez com que William tirasse a mão de sua cintura e colocasse em suas pernas para as manter abertas.— Louis - Ofegou ao chamá-lo —, eu estou pronto. Me fode - Manha com a voz abafada, puxando seus cachos para apenas uma lado de seus ombros. Olhando o mais velho de canto, com os olhos brilhantes e as pupilas dilatadas. Ele apenas assentiu, retirando seus dedos de dentro de Styles e deslizando sua própria calça de moletom por suas pernas.Louis poderia não se demonstrar desesperado, mas ele estava. Pelo menos seu interior estava. Completamente desesperado. Era como a primeira vez. Ele sentia medo de machucá-lo, porém ao mesmo tempo gostaria de fodê-lo como nunca fez com alguém antes. — Vamos usar preservativo, certo? - Tomlinson diz, selando seus lábios em uma das bandas empinadas para si, subindo até os ombros do cacheado. — S-sim, 'tá bem. - Harry responde, sua voz está falhada e ele está pendendo seu corpo para frente, virando-se para enxergar o rosto de Louis. Tomlinson se senta rapidamente sobre seus calcanhares, procurando pelo pequeno pacote perdido entre os lençóis, o rasgando de pressa com seus dedos e revestindo seu membro. Styles ainda o aguarda com desejo, sua língua está presa entre seus dentes, enquanto há um sorriso malicioso em seu rosto.— Caralho, você não deveria ser tão gostoso. - Louis deita Harry de costas para o colchão novamente, enlaçando seus dedos nos do mesmo, pressionando a mão direita do cacheado contra os lençóis, enquanto sua outra mão conduz seu membro para a entrada necessitada do mais novo. Seu pau está dilatando de dor, sua fenda está completamente encharcada de pré-gozo e, sem aviso prévio, Louis entra.— Porra. - Styles grunhe, sentindo aquele volume invadir seu canal. Ele aperta seus dedos entre os de Louis, fechando seus olhos com força e tentando não se concentrar na ardência contínua.— Você é apertado 'pra um caralho, Harry - Tomlinson comenta, empurrando-se devagarinho para dentro, — mesmo assim, você me toma tão bem.— Uh, você... - Styles sentiu uma de suas pernas ser agarrada e posicionada corretamente sobre o ombro de Louis e mal consegue completar sua fala. — Você pode ir mais rápido agora- Louis. - Ele pede, seu rosto cora em seguida e o acastanhado sorri ladinamente, assentindo para o pedido. Louis o estocou fortemente, afundando cada vez mais a mão do esverdeado no colchão. Seus corpos estavam suados, a luz refletia nas gotas que escorriam por toda a pele bronzeada de Tomlinson e por toda a pele de porcelana de Styles. Os cachos longos grudavam imperceptivelmente na testa do mais novo, mas ele ao menos se importava. Sua outra mão estimulava um de seus mamilos, enquanto seus olhos permaneciam fechados e seu lábio inferior continuava sendo maltratado. Harry apenas aproveitava as sensações prazeirosas que sentia no momento, assim como os gemidos baixos e os xingamentos sussurrados que Louis soltava enquanto o fodia.— Louis! - Arfou, contraindo seus dedos dos pés e voltando a apertar seus dedos das mãos entre os de Tomlinson. — Ali. Porra, Louis - Solta todo o ar presente em seus pulmões, fechando seus olhos com força e engolindo seco. — Caralho não para, é ali. — Eu encontrei então. - Ele sorri libidinosamente, inclinando-se para selar seus lábios nos de Styles e volta a surrar a próstata do mais novo. — Oh, porra, sim - Harry sente ondas de calor percorrerem todo o seu corpo, enquanto seus olhos se esforçam para manterem-se abertos e se fixarem no rosto bonito e luminoso de Louis. — Eu estou tão perto— Harry tentou avisar, mas antes que pudesse terminar  a frase ele gozou em seu próprio abdômen. O mais velho apenas grunhiu baixo em resposta, ainda estocando fortemente a próstata de Styles. Louis sabia que viria – depois de mais algumas violentas estocadas –, todos os seus músculos se contrariam, seu estômago parecia receber borboletas agitadas, enquanto o preservativo era preenchido com sua porra.— Isso foi bom 'pra caralho. - Ele elogiou, tirando lentamente seu membro de dentro de Styles, que voltou a enlaçar fortemente os dedos nos seus. — Fique dentro de mim. — O cacheado deixa escapar um último gemido quando a sensação de vibração deixa seu corpo, e sorri amorosamente com o elogio de Louis.— Tudo bem? - O mais velho questiona, desfazendo o enlaço de seus dedos e deixando cuidadosamente sobre Harry. Ele puxa o lençol de seda para cobrir seus corpos, e percebe o garoto se confortar com aquilo.— Sim. - Ele pisca sonolentamente, voltando a fechar realmente seus olhos, sentindo seu corpo se tornar morno com as peles se tocando. Louis sorri preguiçoso, deitando sua cabeça no ombro do mais novo, enquanto seus dedos acariciam as costas nuas do mesmo em movimentos circulares. Ele escuta um som, quase como um ronrono, escapar dos lábios entreabertos de Styles e beija sua pele macia, inspirando o doce aroma que ele ainda emanava.— Você é tão apaixonante, ninho. - William diz. Sua voz sai como um fino fio. Harry sorri, percebendo a sinceridade nas palavras. — Eu amo você. — Obrigado. Eu gosto muito de você, Lou. Você me passa o conforto e a segurança que um dia eu esqueci que poderia ter... - Harry admite, aconchegando seu rosto no travesseiro. — Eu gostei da música que você, meio que, dedicou para mim.— Eu gosto das músicas da Laura. Elas me lembram você. Não fazem o meu estilo, no entanto.— Te lembram de mim?— Yep. - Responde, sua voz sai pouco mais fina do que o normal, na intenção de fazer Edward sorrir e, aparentemente, ele consegue.— Às vezes - Harry engole seco, pigarreando silenciosamente e ponderando sobre suas falas a seguir. — Às vezes eu penso que você é um sonho. Uma pessoa imaginária que eu criei para fugir da minha realidade diária. Um alguém que só existe na minha cabeça. Uma tentativa de escapar da minha prisão mental. Eu tenho medo de você não ser real. Tenho medo de acordar um dia e não ter mais o seu número no meu celular ou a sua banda inscrita no YouTube. Tenho medo de acordar e tudo estar exatamente como antes... Tenho medo de você ser a única tentativa que deu certo... porque eu sei, Louis. Eu sei que você não durará por muito tempo até que desapareça. — Não diga isso. Não diga, Harry. Eu sou real. Eu estou aqui, e sempre estarei. Eu não vou desaparecer. Eu não vou te deixar, meu amor. Minha banda ainda estará inscrita no YouTube. Você ainda terá o meu número quando acordar ao amanhecer... Não diga coisas assim.— Elas fazem sentido para mim.— Mas não para mim. Não para mim. Eu estou vivendo um dos melhores momentos da minha vida para você dizer isso... Aceite que nem sempre as coisas são horríveis, paixão. Aceite que, às vezes, as coisas ficam extremamente boas. É compreensível que você esteja assustado, afinal, você está tendo pessoas, que realmente se importam e cuidam de ti, ao seu redor. Aceite que há alguém que te ama. E está tudo bem não retribuir isso da maneira que você desejava, mas aceite que você consegue retribuir do seu jeitinho e está tudo certo.Harry suspira, parece cansado, mas abre seus olhos e fita Louis por cima dos próprios ombros.— Me conte sobre você?Tomlinson puxa todo o oxigênio possível para dentro de seus pulmões, assentindo gentilmente e apoia uma de suas mãos na cintura do mais novo, inclinando-se para trás.— Vamos tomar um banho, eu preciso- Eu preciso pensar. Styles queria reclamar e fazer manha, pedindo para que o outro permanecesse ali, abraçado e o aquecendo, mas não o fez pois percebeu que a pergunta desnorteou o rapaz. Harry estava amedrontado. O banho foi silencioso, no geral. O mais novo tentava fazer graças para que Louis sorrisse, mesmo que não surtisse efeitos, ele continuava, continuou até que Louis o chamasse de idiota e o empurrasse para baixo do chuveiro, na tentativa de enxaguar os cachos lotados de shampoo caro.— Me conte. Por favor...zinho? - Edward pediu, piscando seus olhos com dificuldade, ao mesmo tempo em que cobria seu corpo com os edredons da cama e William jogava o lençol no chão.— Harry... São coisas que eu não me sinto confortável dizendo. Eu realmente não gosto de falar sobre isso, então peço para que não prolonguemos essa conversa. Eu não gostaria de estar falando sobre isso mas seria injusto saber de toda a sua vida, saber cada detalhe dela, dizer que te amo quase todos os dias e você não saber setenta por cento da minha vida... - O mesmo senta-se na borda da cama, percebendo Styles se aproximar e deitar a cabeça em seu ombro.— Você pode confiar em mim. — Eu sei, meu amor. Sei que posso. Ambos passaram longos minutos em silêncio. Harry não se incomodava, mas obviamente estava ansioso para saber mais sobre Louis. Não gostaria de pressioná-lo pois sabe o quão horrível é isso, então permaneceu em absoluto silêncio, apenas escutando a respiração pesada de Tomlinson e escutando o coração do rapaz bater de maneira acelerada. - Eu fui rejeitado quando nasci. Aparentemente minha mãe biológica era uma prostituta que acabou engravidando e ao invés de abortar me abandonou, ainda recém-nascido, na porta de um orfanato... Eu nasci em Doncaster, morei lá, inclusive. Fui adotado aos dois anos de idade por um casal tradicionalmente britânico. Fui levado para uma casa grande, cores neutras, escadas de degraus cobertos por carpete bege, tinha até um grande cachorro lá. Pessoas da minha nova família prepararam tortas, salgados e bolos, eu me sentia em um filme, me sentia acolhido, eu era uma criança que achava ter encontrado a felicidade. Lembro-me de acordar todos os dias e agradecer à Deus por ter me dado uma família legal, uma família que cuidava de mim e uma família onde todos diziam que me amavam e que eu era a melhor coisa que havia acontecido para eles. - Louis diz, ele sorri levemente, acha a história hipócrita. Ele percebe que Harry está respirando pesadamente, enquanto tem seus olhos atentos e lubrificados pelas lágrimas formadas nos cantinhos dos mesmos. Sua intenção não era deixá-lo triste, mas algumas histórias não tinham começos ou meios legais...— Bem, eu morei em Donny, com minha família adotiva, até os meus oito anos, então me mudei para Wassed. Nunca tive muito o que reclamar, tudo parecia perfeito para mim e, realmente era. Minha mãe nunca conseguiu gestar seu próprio bebê então, basicamente, eu era a vida dela. Donna sempre foi muito apegada à mim, sabe? Aquelas mães corujas? - Mexeu em seus dedos para disfarçar a frustração, não lhe doía tanto contar sobre tal assunto, na verdade ele acha que nunca doeu. Quando você corta o dedo, com um pedaço de papel, ou com uma pequena faca, dói-te, obviamente. No momento lhe deixa agoniado. Aquela listra de sangue em seu dedo arde e você a cobre porque lhe incomoda. Mas quando você aparece com um band-aid escondendo o machucado e tem de escutar as pessoas questionando-te o que ocorreu, não dói contar-lhes pois aquilo já passou. É uma comparação estúpida, mas para Louis funcionou assim. Ele não era um insensível de merda, mas muitas coisas contribuíram para que ele não se sentisse um lixo cada vez que toca em tal assunto. As situações ocorreram, e com elas vieram muitas outras bigornas para sustentar em suas costas. Louis quase não conseguiu fazer isso sozinho, embora.— Minha mãe preparava o meu lanche, ela me deixava na porta da escola com um beijo na testa, ela me incentivava à estudar, me incentivava à fazer tudo o que eu queria, sabe? Era uma mãe perfeita. Eu não imaginava ter alguém como ela para chamar de mãe porque, porra, eu morava em um lugar horrendo, a comida era escassa, vestíamos roupas rasgadas, tínhamos de dividir camas de solteiro para que os cobertores pudessem aquecer todas as crianças... Ter Donna como mãe adotiva foi tudo o que alguma criança abandonada poderia pedir à Deus. Ela descobriu que eu era apaixonado por música, eu ainda não sei como, mas ela o fez, e me comprou um violão. Meu primeiro instrumento. Ela me ensinou a cozinhar, éramos uma zona na cozinha, tenho de admitir. Me ensinou a dividir e compartilhar. Ela me ensinou o que é o amor. Dave e ela fizeram isso. Mas nem sempre as pessoas seguem o que pregam, não é?Harry o escutava com atenção. Seu olhos estavam fechados, pois ele sabia que quando os abrisse, se desmancharia em lágrimas.William, por sua vez, estava quase indiferente. Ele gostava dessas partes da história de sua vida.— Donna traia Dave com um homem que ela conheceu em Doncaster, eu não faço a menor ideia de como eles combinaram toda aquela merda, mas adivinhe? Ela engravidou desse homem. - Louis sorriu, parecia exausto. Harry sussurrou diversos "não" ao que percebeu que o mais velho choraria. Ele odiava ver William chorar.Styles abraçou a cintura do acastanhado, afundando o rosto no peitoral do mesmo, sentindo Tomlinson acariciar suas costas.— Aparentemente, eu não servia mais para ela, eu já tinha lhe dado tudo o que um filho poderia dar, então ela fugiu. Fugiu como se não tivesse uma família formada. Fugiu como se não tivesse um filho para criar e nem um marido amoroso que esperava por si todos os dias, um marido que lhe comprava rosas todas as sextas-feiras e preparava o jantar aos finais de semanas. Para Louis, era extremamente doloroso relembrar tudo o que passou desde que era apenas um bebê, sofrendo rejeição desde o seu nascimento, até os dois anos de idade, quando uma família, finalmente, decidiu adotá-lo. O quão fantástico era aquilo? Ele poderia - literalmente - recomeçar sua vida. E foi isso o que aconteceu.Durante dez anos de sua vida ele pensava estar sendo uma espécie de alegria para a casa de sua família, tinha pensamentos inocentes, era apenas uma criança. Pelo menos Donna demonstrava estar alegre...Donna era uma mulher doce, alegre e atenciosa. Nunca deixou de dizer para Louis que o amava, Repetia isso diversas vezes durante o dia. Louis a amava na mesma intensidade, senão até mais do que a própria. Porém tudo pareceu uma farsa quando a mulher revelou estar grávida de uma pessoa que não era Dave. Tudo era confuso, honestamente, Louis tinha doze anos, nos primeiros momentos ele sequer pensou em traição, mal entendia o significado da palavra. Donna recolhia seus pertences rapidamente enquanto acariciava sua barriga, já aparente. Louis a assistia, encostado no batente da porta. Ele perguntou se ela iria viajar a trabalho, e então ela lhe contou. Lhe contou sobre sua partida como se fosse uma coisa extremamente aceitável. Dave nunca demonstrou nenhum tipo de "afeto" por Louis, e era mais do que nítido que Louis apenas morava sob seu teto por causa de Donna. Porque Dave gostava de vê-la feliz. Dave a amava. E contar ao seu pai lhe entristeceu, porque ele não tinha certeza de que continuaria morando naquela casa com a ida de Donna.A partida repentina de sua mãe lhe causou vícios posteriormente. Era uma tentativa de distrair-se dos pensamentos que o levava até ela. Louis disse não fugir de nada. Mas ele sempre fugiu desse assunto. Louis sempre fugiu dessa sombra que o segue todos os dias. Está acorrentada a si. Ele nunca poderá destrancar o cadeado que as prende em suas pernas. Ele nunca conseguirá encontrar a chave pois, aparentemente, ela foi jogada fora. E ele realmente não deseja procurá-la...Quando conheceu Calvin, Luke e Zayn, ainda no ensino fundamental, Louis redescobriu um novo vício, e ele não era de todo ruim, a música. A partir dali, a música havia se tornado seu porto seguro. E era bom chamar assim, era bom se apegar a ideia de compor e cantar, porque elas nunca vão embora se você não destrancar a porta e expulsá-las.Entretanto, nem tudo havia sido "resolvido". Dave tornou-se uma pessoa miserável. O homem passava noites em bares, nem sempre voltava em silêncio e, em todas essas vezes, ele gritou e culpou Louis pela partida da mulher. Louis evitaria se pudesse. Ele realmente evitaria, mas o que uma criança de doze anos poderia fazer? O garoto se culpou por cansativos três meses. E foi no terceiro mês consecutivo que ele recebeu uma carta de sua mãe. Foi propriamente emocionante. Louis se recorda até os dias atuais de como suas mãos estavam trêmulas e de como elas suavam. Recorda-se de como as lágrimas manchavam a folha e atrapalhavam sua leitura. Na carta, Donna lhe explicava o porquê se foi, e admitia que não havia nenhum motivo plausível para apenas abandonar toda a sua família. Mas também contou que estava feliz com sua nova família, Louis a achou egoísta e se achou extremamente substituível. Donna chegou a dizer que esperava que Louis estivesse feliz também. Ele sorriu desacreditado ao fazer a leitura dessa parte da carta. Louis não estava feliz. Sentiu-se pior ao ler aquela carta do que sentiu-se ao vê-la partir. Donna continuou o enviando cartas mensais com dinheiro envelopado. De quando em quando ela escrevia um pequeno bilhete ou lhe enviava fotos das paisagens de Doncaster, mas Louis nunca a respondeu. E vêm sendo assim durante quase sete anos. — As coisas acabaram desandando. Nessa época eu tive de ajudar meu pai em muita coisa, mesmo que ele me maltratasse. E tudo pareceu pior quando ele descobriu as cartas que Donna me enviava. Ele me pedia todos os dias para que eu trouxesse ela de volta, mas como eu poderia, Harry? Eu havia cansado. Até que aguentei três bons anos. Me entreguei às drogas, eu me achava extremamente legal por fumar maconha e cheirar cocaína. Foi nessa época que eu quase tive uma overdose, eu já lhe contei sobre isso. — Eu não sei como reagir à tudo isso, Lou— Eu— Meu Deus, você é tão corajoso. Como você pode? Como você consegue? Porra, Louis, você é tão forte. - Harry aperta seus braços em volta da cintura de Louis, sequer tentando evitar as próprias lágrimas de caírem.— Você também é, meu amor. Não chore. Me deixa chateado. - O mais velho pede, secando o pranto quente do garoto. — Lembra que eu pedi para que não prolongássemos essa conversa? - Styles assentiu, acenando com sua cabeça. — Então não vamos nos prolongar. — Bem, eu encontrei pessoas horríveis antes de conhecer pessoas incríveis, você as conhece. Inicialmente não montamos uma banda, tínhamos quinze anos, compartilhávamos dos mesmos interesses mas não nos achávamos capazes de montar uma banda, mesmo que fosse apenas para cobrir músicas famosas. Posso dizer que a música encontrou uma parte de mim que nem eu mesmo conhecia...— Posso te fazer uma pergunta? Prometo que vai ser a única. - Edward indaga, percebendo William assentir levemente. — Você não sente raiva da sua mãe? — Eu sinto... Eu sinto muitas coisas sobre ela, mas não amor. Ela me deve muito, Harry. Eu não acho que um dia serei capaz de perdoá-la.— Você não precisa. Não precisa perdoá-la, Lou. Ela não merece isso. - Harry deixou o abraço, encarando a feição tristonha de Louis.— Eu amo você, ninho. Obrigado por me ouvir. - O acastanhado deixa um beijo na testa febril do mais novo, voltando a secar as lágrimas do mesmo, que insistiam em cair. — Vamos dormir, sim? Está tarde e temos de ir embora hoje, já passa da meia noite.— Tudo bem... - Styles assente, aguardando até que Tomlinson se conforte na cama e o puxe pela cintura para abraçá-lo.As janelas estavam abertas, o som do vento adentrando o quarto pelas pequenas frestas disponíveis e o som da respiração nasal de Louis eram as únicas coisas audíveis. Já passara-se algum tempo desde que haviam decidido dormir, mas Harry ainda tinha pensamentos para colocar em ordem, e sabia que não conseguiria dormir enquanto não decidisse o que fazer.Ele deveria dizer? Edward sequer conhecia aquele sentimento. Ele conseguiria?— Louis?O rapaz não o respondeu, foi um alivio, Harry deduziu que estava dormindo e suspirou, agradecido por Louis não tê-lo escutado. — Diga, ninho. - Sussurrou com a voz sonolenta. Os lábios próximos da orelha de Edward fizeram-lhe arrepiar.Talvez, a confiança que Louis tinha em si, tivesse o encorajado a pensar sobre aquilo e ir um pouco além... Era desesperador porém, ao mesmo tempo, deixava Harry pouco orgulhoso de si próprio.— Eu adoro você.

----- CHAPTER BREAK -----

Louis nunca perdeu o sono tão rápido em sua vida.Arregalou os olhos quando escutou Harry dizer que lhe adorava e abraçou o garoto fortemente, enchendo a bochecha do mesmo de beijos calorosos, escutando a risada tímida do cacheado escapar de seus lábios, percebendo o mesmo fechar os olhos levemente, parecia orgulhoso de si mesmo. Bem, Louis também estava orgulhoso dele.. . .A viagem de volta para casa foi cansativa.Não havia animação. Não havia Harry de presilhas. Não haviam pãezinhos feitos por Harry. Não havia bateria nos celulares. Não havia absolutamente nada que pudesse os animar.Todos estavam sonolentos pela noite mal dormida, embora. Styles teve sua cabeça deitada no ombro de Tomlinson durante toda a viagem, como de costume. O esverdeado contou sobre o encontro nada desejado que teve com Ethan, o que gerou uma carranca emburrada em Louis, mas por conta das falas de Ethan. Mal poderia colocar em palavras a raiva que sentia daquele filho da puta. Se tivesse o visto se aproximar de Harry para incomodá-lo teria quebrado sua cara da porrada. Eles já brigaram outra vez, Louis não teria problema nenhum em brigar novamente, ele jura que não.Harry lhe acalmou, havia um sorriso pequeno enfeitando seus lábios enquanto ele contava sobre o tapa que deu no rosto de Ethan. Louis queria enchê-lo de beijos. Harry sorriu mais ainda quando assistiu o outro comemorar o tapa.Seus dedos estavam entrelaçados nos de William, e o frio fazia com que ele quisesse compartilhar a jaqueta de flanela que o mais velho utilizava, mas sequer demonstrou estar sentindo frio. Louis já dormia, com sua cabeça encostada no vidro da janela e Harry não gostaria de atrapalhá-lo.Todos acordaram com a voz robótica, nos autofalantes do trem, alertando que já se aproximavam da estação de Wassed.Desembarcar do trem não foi fácil, na verdade gerou boas risadas do grupo de amigos, considerando que Zayn tentou retirar sua mala – guardada acima das cabeças dos passageiros – e acabou derrubando outras três, gerando burburinhos irritadiços dos outros passageiros que tiveram os corpos atingidos e dos donos das bagagens.Harry cobriu seu rosto com a mão, gargalhando de maneira abafada, enquanto Louis procurava por sua própria mala, tentando não rir e fingindo não conhecê-los.Quando desembarcaram do trem, quase sendo expulsos pela bagunça. Caminharam até o grande estacionamento, aguardando Calvin pagar a diária do carro e procurando o automóvel dentre tantos outros.William e Edward apostaram uma curta corrida até o carro de Calvin. O que certamente foi engraçado porque o cacheado estava carregado de sacolas e mala, esforçava-se para correr e não deixar todas as suas coisas caírem no chão. Louis tinha a mão pousada em sua barriga, ela doía de tanto que ele gargalhava ao olhar para Harry, o mesmo que estava - aparentemente - vencendo a corrida.- Ganhei! Eu ganhei! Você me deve um pacote clássico de Skittles. - Harry gritou no estacionamento, apontando para o mais velho durante o tempo em que ajeitava as alças da mochila em seus ombros e ajeitava seus cachos atrás da própria orelha.— Não te devo nada, não apostamos nada além de uma corrida.— Como você é chato, Tomlinson. - Cruzou os braços, abrigando um biquinho involuntário em seus lábios.Louis não conseguiu evitar o sorriso, mesmo que sem dentes. Ele se aproximou do garoto, selando seus lábios na têmpora do mesmo, percebendo a expressão de Harry se tornar serene e um pequeno sorriso ser instalado em sua boca.— Tudo bem, posso aceitar isso como prêmio.O trajeto foi silencioso, Louis tinha Harry em seu colo o tempo todo, enquanto o cacheado tinha sua cabeça encostada no ombro do rapaz e seus olhos fechados, na intenção de cochilar.Tomlinson admite que foi surpreendentemente aborrecedor ter de se despedir de Styles e vê-lo adentrar sua casa. Era nítida e visível a diferença do humor de Harry quando estava longe de sua casa. Era como se nenhuma maldade no mundo fosse capaz de atingi-lo, e Louis amava vê-lo daquela forma, gostaria que todos os dias da vida do garoto fossem tranquilos como ele demonstrava estar.As aulas voltavam na segunda-feira, menos de um dia de descanso. William não tem certeza de que conseguirá se preparar para todos esses meses naquele lugar. Só de pensar em Carter lhe enchendo o saco sua cabeça parece entrar em um trajeto de círculos infinitos.Mas Louis também não estava preparado para chegar em casa e vê-la naquela situação.Haviam garrafas de bebidas alcóolicas espalhadas por todo o sobrado. A habitação cheirava a cerveja e o chão estava propriamente pegajoso. Cacos de vidro fincaram-se nas solas do par de tênis que o rapaz usava no momento em que adentrou o local. Sua primeira preocupação foi seu pai, obviamente. E sua segunda preocupação foi a figura estranha que fazia a limpeza da casa.Ele caminhou pelo corredor sujo, desviando das garrafas e dos grandes cacos de vidro, esticando seu pescoço levemente para que pudesse ter noção de quem quer que fosse ali, na cozinha de sua moradia.Louis entreabriu seus lábios em surpresa, os cobrindo em seguida com sua mão,Seu coração palpitou instantaneamente. Era inevitável, honestamente. Todas as suas reações eram inevitáveis.Suas mãos captavam o calor que sua boca entreaberta emanava e suava mais do que o normal, mesmo com o frio. Suas pernas bambearam e, por alguns segundos, ele pôde jurar que perderia toda a sua sustentação e cairia. Os olhos se arregalaram e arderam de imediato, formando lágrimas de raiva nos mesmos. Ele estava desacreditado.Sequer conseguia respirar. Sua garganta doía por tanto segurar o choro. Ele queria gritar porque não acreditava ser possível alguém cometer o que cometeu e ainda ter a capacidade de voltar.Como ela pôde?Louis não sabia como reagir. Nunca temeu muitas coisas em sua vida, mas no momento ele temia perder sua sanidade.Vê-la, depois de tanto tempo sustentando essa ligação "maternal" com cartas e bilhetes, o deixou completamente abalado, afinal, como não o deixaria? Quase sete anos afastado da mulher que dizia amá-lo e dizia ser sua mãe. Certamente o abalaria.William costuma pensar que algumas pessoas o remete poemas, algumas delas você entende de primeira, já outras você não entende, e nunca entenderá. Donna provavelmente é o tipo de poema que Louis nunca entenderá, e sequer fará questão de pesquisar sobre. Havia desistido antes de chegar às últimas linhas. — Louis? - A mulher o chama curiosamente, Seus longos cabelos loiros estão presos em um coque bem-feito, enquanto seus olhos azuis – intensamente impenetráveis – passeiam pelo rosto desacreditado de Tomlinson. — Amor... Quanto tempo. - Ela sorri, um sorriso doce, Louis a acha falsa. Donna se aproxima do mesmo, sua mão está esticada, pronta para tocar no rosto quente do rapaz, mas ele se afasta de imediato, ainda escondendo seus lábios entreabertos com a mão.Ele deseja imensamente que aquilo seja um pesadelo, um de seus piores e mais horríveis pesadelos. Espera que aquilo seja somente algum tipo real de sonho aterrorizante. Espera acordar, mesmo que em desespero, agradecendo por nada daquilo ser real. Ele deseja imensamente acordar.— O que você quer aqui? - É a única coisa que consegue questionar quando retira as mãos que cobriam sua boca. Ele analisa o rosto ponderativo da mesmo, que o fitava desconcertada, tentando entender o porquê d'Ele estar reagindo de tal maneira.— Eu senti sua falta. - Donna revela, Louis engole seco, afastando-se mais ainda da mulher. — Tinha noção de que a situação de seu pai não estava boa e decidi visitá-los...Como ela conseguia ser tão nojenta? Como alguém conseguia ser tão maldoso? Era repudiante. Donna tinha a capacidade de moldar suas feições conforme quisesse se acomodar à alguma situação, mas não tinha a capacidade de moldar seu olhar. Ninguém tinha.— Você só pode estar de brincadeira com a minha cara. — Louis, as minhas cartas... Você não as leu? — Aonde está o meu pai? - Ele ignora a pergunta da mulher, passando seus olhos pelo interior bagunçado e sujo, como se tentasse encontrar seu pai ali. - Cadê ele?— Ele está bem. Acalme-se. Eu vim para conversar com você.— O que te faz pensar que eu aceitaria ter uma conversa com você? - O rapaz pergunta. Há uma certa raiva audível em sua voz. Donna entrelaça seus próprios dedos uns nos outros, ela parece paciente, enquanto Louis está tendo um verdadeiro ataque de pânico. — Saia daqui, por favor. — E-Eu quero que você me dê outra chance, Louis... - Ela balbuciou com a voz embargada e lábios trêmulos. — Quero que você conheça Emilly e John.O acastanhado sente sua garganta se fechar e impedir o ar de seguir seu caminho. Lhe dói tanto, ele sente vontade de sumir para não ter de passar por aquilo.— Como eu poderia aceitar uma merda dessas? Para você pegar sua filha e seu marido e me abandonar de novo? - Indaga, seu tom é fraco e baixo, mas o suficiente para que ela o ouça. — Além do mais, Donna, eu não farei com o meu pai o que você fez conosco.— N-Não, não será assim, eu lhe prometo - Donna tornou a aproximar-se do mais novo, que dessa vez permanece no mesmo lugar, ainda não tendo forças o suficiente para olhá-la nos olhos. — Eu lhe mostrarei que podemos ser uma família de verdade agora. Pagarei por seus estudas, farei o que você desejar, filho. Apenas me dê essa segunda chance. Prometo não desperdiça-la. Eu prometo...— Como você pode falar tanta merda? Como você consegue me pedir algo assim? Eu já lhe disse, eu nunca farei com o meu pai o que você fez. — Eu não tive escolhas.— O quê? - William levanta seu tom de voz, amarfanhando seu cenho com certa força e encarando a mulher com os próprios olhos marejados. — Não teve? Que porra aconteceu para você "não ter escolhas"? — Louis-— Isso é inacreditável. Por que você simplesmente não diz a verdade? Acha que, de alguma forma, mentir vai amenizar tudo o que você fez no passado? - Ele vocifera, gesticulando com suas mãos de maneira irritadiça, assistindo a expressão da mulher entristecer.— Eu não sou boba. Eu tenha ciência dos meus atos, só não quero te machucar mais... Você é o meu filho. Eu não posso suportar o sentimento de tê-lo machucado de novo.- Então por que voltou? Por que fez isso se não queria me machucar de novo? - Louis pergunta sincero.— Eu te amo, Louis. Você é o meu filho. Eu te amo desde que te visitei, junto ao Dave, e você me trouxe uma pequena flor, dizendo que havia plantado junto com os seus amigos. Te amo desde que você foi permitido a passar um dia conosco e ficou tão feliz a ponto de explodir só por conta de uma algodão doce, dizendo que nunca havia experimentado um daqueles. Te amo desde—— Pare! Pare de dizer essas coisas. Você me machucou, Donna. Você me machuca todos os meses com aquelas porradas de cartas e bilhetes. Você está me machucando agora...William sente sua voz tremer, não consegue evitar o choro. Ele apenas não consegue mais suportar toda aquela carga.Mais uma vez todas aquelas bigornas empilhadas em suas costas pesavam. Pesavam mais do que costumam pesar usualmente. Elas empurram o corpo de Louis para baixo, o forçam a estar no chão. Sempre tentaram deixá-lo lá, mas de alguma maneira, ele sempre foi forte o suficiente para se reerguer e carregar toda a carga novamente. Porém dessa vez não. Dessa vez ele se sente sendo pressionado contra o solo, e não deseja ser forte o suficiente para levantar-se.Por muito tempo Louis jogou toda essa poeira para debaixo do tapete. Dói. Dói saber que ele pensava estar resolvendo todos os seus problemas durante todas as vezes nas quais ele jogou aquelas sujeira sob o tapete.A vida é um quebra-cabeça, afinal. mas Louis não tem certeza de que conseguirá montar o próprio quebra-cabeça até o final de sua vida. Ele sente que lhe faltará muitas peças essenciais, peças, talvez, esquecidas sob o tapete, peças varridas para debaixo do carpete juntas de toda a sujeira.[...]Harry havia chegado há pouco menos de duas horas. Seus pais não se encontravam em casa, o que não o surpreendeu. Seu quarto estava organizado, extremamente limpo e tinha um leve aroma de baunilha e talco. Suas roupas usadas durante os dias de viagem já estavam na máquina de lavar, enquanto a fantasia estava estendida sobre o lençol de sua cama. A peça de roupa ainda tinha o cheiro de Louis e, particularmente, Harry estava com dó de guardá-la.Agora ele vestia uma calça jeans clássica, acompanhada de uma camiseta folgada e um casaco largo, com flanela no interior. Em seus pés havia um par sujo de vans e, bem, ele não se incomodava com o calçado surrado que usava.— Estou indo para a minha casa, Edward. Seus pais já deixaram o envelope comigo, tudo bem? - Moretz estava a passar no corredor. Harry ouviu a voz da mesma e caminhou até lá, percebendo a mulher sorrir para si.— Oh, tudo bem - Acenou positivamente, puxando os fios soltas de seu casaco – de maneira involuntária. — Sabe quando os meus pais voltam?— Ah, meu príncipe, não tenho a menor ideia... - Moretz a responde sincera, o sorriso some de seu rosto quando Harry torna a assentir.— Eu não estou falando com eles mas, sei lá, é legal não estar sozinho em casa. - Ele comenta com a voz baixa, quase um sussurro, é um comentário inocente, Edward sequer percebe isso.A mais velha sorri doce para o garoto, guardando o próprio pagamento na bolsa e ajeita seu blazer com cuidado, antes de enrugar seus olhos e dizer: - Vamos para a minha casa então, tome chá comigo, tenho certeza de que irá gostar, são fresquinhos.Styles se sente envergonhado pois percebe que sua frase surtiu efeitos inesperados. Ele não gostaria de fazer com que a mulher sentisse pena ou dó de si. Céus, não era isso... Harry e sua maldita boca.— E-Eu acho que-— Venha, minha casa não fica muito longe, apenas alguns quarteirões de distância. - Moretz segura o pulso do cacheado, indicando os degraus para que ele descesse. E ele o fez.Bom, não seria de todo ruim passar uma tarde na casa de Moretz, sim? A mulher que vêm cuidando de si desde que mal se conhecia por gente. Harry a escutou tagarelar durante todo o caminho. Moretz era uma mulher divertida, cheia de histórias, contava acontecimentos de alguns de seus empregos, boa parte deles fizeram o de olhos verdes sorrir timidamente enquanto caminhava ao lado dela nas calçadas de Wassed.A casa de Moretz era na esquina do mar. Provavelmente a casa mais adorável que Styles já viu.A moradia era pequena, construída de madeira e abrigava uma grande varanda, com cadeiras de balanço e redes. Havia também, na frente da casa, um colorido jardim cercado, que acolhia inúmeras plantas. O quintal era enorme. Havia uma garotinha ali, ela tinha seu cabelo castanho trançado, com uma grande laço na ponta, prendendo a trança, sequer percebeu a chegada de ambos. Aparentemente ela estava brincando com o labrador de Moretz, chamado Pepi. Era um nome um tanto quanto peculiar. Harry sorriu com a cena.— É a minha neta. Ela se chama Leslie. - A mulher explicou ao mesmo tempo em que abria a porta e deixava espaço o suficiente para que Harry adentrasse. - Não é uma mansão, mas é aconchegante, não é?Harry sorri, assentindo gentilmente com sua cabeça. — Louis diz a mesma coisa quando eu vou na casa dele. - Admite envergonhado.O interior da casa realmente é aconchegante. A sala está sendo aquecida por uma lareira, não há televisor ou algo semelhante, apenas um notebook apoiada na mesinha de mogno à frente do sofá, cujo é decorado com almofadas de cores marrons e tecido felpudo. A cozinha é visível da porta de entrada, parece grande o suficiente para caber uma família de muitos membros. Harry se sente estranhamente acolhido ali.— Louis é o amigo que te visita sempre, não é? - Moretz pergunta, cruzando a sala e indo até a cozinha. Harry a segue tímido pela casa, encostando-se no balcão de madeira.Ele sorri quando lembra-se de Tomlinson. Seu peito parece mais leve todas as vezes nas quais ele pensa ou fala do rapaz.— Sim, é ele. Meus pais não gostam muito dele...— Deixe eu te contar um segredo - Ela sussurrou a última palavra da frase. — Aquele rapaz é apaixonadíssimo por você. Edward fecha seus olhos envergonhado, afastando-se da mais velha e sentindo suas bochechas queimarem pela ruborização. Ele cobre seu rosto com as próprias mãos e sorri, quase animado. Ele já sabia, Tomlinson já havia se declarado, mas permanecia bobo quando alguém comentava algo sobre tal assunto. — Você é apaixonado por ele também, não é, meu doce? - Moretz indaga com delicadeza, ao mesmo tempo em que enchia a chaleira de água.— É... Talvez eu seja... Para ser sincero, eu não sei. — Por que não sabe? Ele te confunde?— Não! - Harry quase gritou ao interromper a mulher, fazendo a mesma se assustar e sorrir aliviada em seguida. — Não é isso. É que... Eu acho que não temos o mesmo peso na balança sabe...? — Me explique isso direito. Não estou conseguindo te acompanhar.O mais novo suspirou pensativo, engolindo seco ao mesmo em que cruzava seus braços na altura do peito e seus lábios formavam um beicinho involuntário.— Ele me ama. Mas... Mas eu não posso e nem consigo amar ele.— E por que não?— Eu tenho medo, Retz. Medo das coisas funcionarem como funcionou com a minha mãe. E se nada for o suficiente para ele? Não foi o suficiente para ela...A grisalha deixou o recipiente com biscoitos caseiros pousado sobre a pia de mármore e negou com sua cabeça. — Tenho algo para você. - Moretz secou suas mãos em um pano de prato e caminhou até um dos quartos de dentro da casa. Não demorou muito para que ela retornasse com uma pequena caixa de madeira, decorada com pequenos coraçõezinhos ao lado de fora.— O que é isso?— Sente-se aqui - Golpeou a cadeira, posta sob a mesa, assistindo Styles caminhar até ela e sentar-se no assento, acomodando-se ali. — Bella escrevia pequenos bilhetes durante a faculdade e boa parte da vida, ela sempre os guardava na gaveta da sala ou me entregava um deles. Cillian queimou a maioria das coisas dela, você certamente se recorda. Mas eu tive tempo de guardar os bilhetinhos e as cartinhas dela. Agora eles são seus. São palavras de sua mãe. Muitos deles ela escreveu enquanto estava grávida de você. - Moretz empurrou a caixinha, com cuidado, sobre o vidro da mesa.Edward permaneceu em estado de choque. Não sabia o que fazer com aquilo.Havia se passado muito tempo desde a última vez na qual Harry leu algo escrito por sua mãe. Certamente tinha um motivo para que ele evitasse: as lembranças. Ele as temia, tinha vergonha de assumir, mas realmente temia as lembranças.Lembrou-se da conversa que teve com Louis no início daquela semana e tranquilizou-se um pouco. Não queria chorar, mas era algo de sua mãe ali. Sentimentos de sua mãe escritos em cada um daqueles bilhetinhos. Era impossível não cair em prantos.— Oh meu doce - Moretz afagou o braço do garoto, esse que pendeu sua cabeça para o lado, recebendo carinho em seus cachos. — Está tudo bem chorar. Ela te amou muito, criança. — Eu poderia ter ido no lugar dela. Eu queria ter ido no lugar dela. - Diz entre soluços doloridos. Sua cabeça dói. É uma dor latejante. Ele não quer abrir seus olhos para ler os bilhetes.— Ela está cuidando de você, Harry, não diga isso. O que eu já te disse sobre viver por ela, hein?— Eu não quero que ela se decepcione comigo... Não quero. Não quero que minha mãe pense que eu sou fraco por querer estar perto dela. - Admitiu, secando as próprias lágrimas com as mãos.— Você não é fraco, anjo. Leia os bilhetes, tire suas conclusões sobre o amor.Styles deixou o abraço ainda tendo seus olhos fechados. Sua cabeça ainda doía, e doeu mais ainda ao que seus olhos captaram a luz clara do pôr do sol. Ele arrastou seus dedos pelo vidro gélido da mesa, os levando tremulamente para a fechadura da caixinha, suspirando indeciso antes de abri-la e enxergar os bilhetes coloridos. Seus olhos estavam embaçados, ficaram mais ainda ao ver os bilhetes. Harry apertou suas pálpebras uma na outra, sentindo as lágrimas escorrerem por suas bochechas e seu olhar ser limpo. "Ele não para de crescer. Bom, pelo menos eu acho isso, afinal, ele está na minha barriga. Me chutou durante a aula toda. Como pode um serzinho desses ter tanta força? Eu não posso reclamar, estou explodindo de alegria. Mal posso esperar para vê-lo.""Escolhi seu nome enquanto fazia a leitura de um livro. Cillian pareceu gostar. Ele vêm me ajudando com a decoração do quarto de Harry, sequer consegue disfarçar a animação.""Nunca estive tão feliz. Casei-me há poucos dias, namoro há alguns anos e, mesmo assim, ainda consigo sentir o amor que sentimos um pelo outro como anos atrás...""Redes sociais são um tanto quanto engraçadas. O Orkut me rendeu uma série filosófica de questionamentos sobre o amor. Há algumas partes que eu não entendo, obviamente, acho toda essa merda muito complexa (tenho certeza de que metade do mundo concorda comigo), mas como pode alguém não se permitir amar? Como pode alguém não se permitir desfrutar da coisa mais viciante do mundo? Espero que todos possam amar e serem amados algum dia. Ps.: Eu amo meu bebê (ainda sem nome) & e o Cillian :)""Estive pensando e, o amor é uma coisa tão intensa, não é? Nem todos estão preparados para ele. Tenho de concordar com os dramas exagerados de Shakespear, isso é realmente uma merda hahaha""As coisas não estão saindo como o planejado... Nada sai exatamente como o planejado, eu acho... Há um tempo desde a última vez na qual eu escrevi algo nesses papeizinhos coloridos. Harry está enorme. Já completou oito anos, e eu tenho medo. Tenho medo de não lhe dar amor o suficiente, tenho medo de não ser presente em sua vida, mesmo que ele diga estar cansado dos meus inúmeros beijos. Tenho medo de não conseguir ser mãe. Tenho medo de ser como a minha mãe... Deus, eu não suportaria machucar aquele menino. Ele é tão doce e adorável. Meu pequeno milagre. Eu o amo mais que tudo. Espero que um dia ele consiga entender o meu medo. Espero que algum dia ele consiga me entender, porque nem eu mesma entendo...""Desejo que ele possa ler algumas das cartas que o citem. Desejo que ele tenha em mente o quanto eu o amei, o amo e vou amar. Desejo que algum dia ele possa me perdoar. Desejo que ele possa amar e ser amado. Desejo que meu filho saiba o quão corajoso ele será daqui para frente... Desejo que ele saiba que pode mudar o mundo com o amor que carrega dentro de si."Esse era o único bilhete no qual Harry teve dificuldade de ler. A folha estava machada, pareciam lágrimas e, nesse momento, Harry não conseguiu controlar seu choro.Ele chorou por incontáveis minutos. Tantos minutos que anoiteceu e ele ainda chorava abraçado à Moretz.Naqueles bilhetes haviam respostas para todas as suas perguntas. Perguntas que ele sequer achou que armazenava. Perguntas que ele guardou para si mesmo pois tinha noção de que nunca saberia a resposta. Ele não sabe como se sentir.Era possível ama-la mais ainda?Deus, Harry a amava demais.— Aqui, tente se acalmar um pouco, meu doce. - Moretz lhe entregou uma xícara de chá e um pequeno prato cheio de biscoitos.Edward soluçou baixinho, secando seu rosto com as mangas de seu casaco, sentindo seus olhos extremamente inchados pesarem ao piscar sonolentamente.— Ai meu Deus vovó! A gente tem um príncipe em casa e eu estou toda suja de terra. - Uma voz infantil e doce ecoou pelo local. Harry ergueu seu olhar para a garotinha parada na porta da cozinha e sorriu cansado, percebendo que ela se referia à si.— Estou longe de ser um príncipe. — Venha, vamos lavar essas mãos para que você possa lanchar. - Moretz guiou a neta até a pia, ensaboando as pequenas mãos e enxaguando, secando logo em seguida. — O nome dele é Harry. A vovó trabalha na casa dele. — A casa dele é um castelo? - Leslie perguntou em um sussurro, apontando para Styles. — É um castelo enorme. Mas ele quase não vive lá, prefere outros castelos. - A grisalha ajeitou Leslie na cadeira. A garotinha ainda encarava Harry de maneira curiosa, parecia questionar a si mesma se ele realmente não era um príncipe. — Posso visitar o seu castelo algum dia? Preciso perguntar, né, vovó? Imagine se ele me prende em um calabouço? Eu não tenho um príncipe para me salvar. - Leslie se enrola nas palavras, fazendo os mais velhos ali sorrirem. — Você pode. Não vou te prender em um calabouço, você não é uma vilã. - Diz com a voz rouca e ainda chorosa, recebendo atenção redobrada da mais nova. — Por que você estava chorando, príncipe? Alguma princesa machucou o seu coração? — Não, nenhuma princesa machucou o meu coração. Estou muito bem com o meu príncipe. - Responde sincero, sorrindo de maneira honesta, lembrando-se dos momentos que teve com Louis. — Ah! Você gosta de outros príncipes? Que legal. Seu príncipe é bonito? — Ele é lindo. Muito educado, gentil e inteligente, você iria o adorar, ele é falante como você.— Falante como eu? Então ele gosta muito de falar, certo? — Certo. — Acho que você precisa de um abraço. Tudo bem se eu te abraçar? - Leslie pergunta sugestiva, apoiando-se na mesa de vidro e balançando seus pés sob ela. O cacheado assente, abrindo seus braços para recebê-la. — Você é tão quentinho, parece um ursinho de pelúcia. - A garota admite, soltando ar nasalmente ao que sente os cachos de Harry roçarem contra seu nariz. — Seu cabelo me fez cócegas! - Ela gargalha, tirando um sorriso do esverdeado. — Ele faz cócegas em todo mundo. - Edward a responde docemente, sentindo-a se afastar. — Você não pode ficar chorando. Você é muito legal. Quem fez você chorar? - Leslie, curiosamente, pergunta, tocando o rosto aquecido e choroso do mais velho, na intenção de limpar os vestígios de lágrimas. — A minha mãe. Eu sinto falta dela. Ela não está mais aqui comigo... - Harry engole seco, prensando seus lábios um no outro e encolhe seus ombros, tentando não chorar novamente. Seu peito chega a doer.— Sua mamãe está viajando? — Ela virou uma estrelinha. Eu era pequeno, tinha a sua idade, acho... - Ele explicou cuidadoso, sem entrar em detalhes, sentindo a pequena o analisar. — Oh, mas você sabia que as estrelinhas protegem a gente? Elas iluminam todoo o nosso caminho de noite e não deixam ninguém nos fazer mal! Styles sorriu sem dentes, achando aquilo adorável, assentindo para a frase da pequena à sua frente. As coisas ainda estavam confusas. Ele estava exausto mentalmente. Mas não pode deixar de admitir que os bilhetes tiraram um peso imenso que seu coração carregava. O resto da tarde foi amável. Harry montou um quebra-cabeça de quinhentas peças com Leslie e ensinou a garotinha à desenhar diversas figuras. Ela parecia animada com as curtas aulas de desenho, ficou encantada com a caricatura de si mesma que o cacheado fez em pouco tempo. Edward jantou na casa de Moretz, com o marido da mesma e Leslie. Era uma atmosfera desconhecida, mas muito confortável. Harry desejava uma família como aquela.... . . — Senti sua falta criança! - Daniel sorriu ao ver o cacheado caminhar para dentro da escola. Styles não estava animado. Muito pelo contrário. Estava entediado, frustrado, chateado e desmotivado. Tomlinson não respondeu nenhuma de suas mensagens, nem mesmo respondeu o grupo da banda. Ele estava recebendo todas elas mas sequer fez questão de visualizar. Harry não entendia. Ele realmente não entendia. Estava animado para que as aulas retornassem. Animado para o primeiro dia. Animado para aprontar junto de Louis. Porém não aconteceu, porque Louis não estava lá.Harry estava preocupado, honestamente. — Não me chame assim, você só é dois anos mais velho. - Reclamou, bufando descontente em seguida. Suas mãos agarraram as alças da mochila, as puxando para baixo e fazendo peso em suas costas. Era visível sua chateação. — O que houve? Não está animado como sempre esteve durante os primeiros dias de aula.— Você vai sentir saudades quando eu for embora? - Harry pergunta repentinamente, encarando o mais velho. — Claro que vou, que pergunta boba. Quem vai ficar aqui comigo para trancar o portão? — Como você é idiota - Revira seus olhos sorrindo, observando os alunos se reunirem com seus colegas, ele queria que Louis estivesse ali... Sua expressão murchou no mesmo segundo. — Eu vou indo. Até mais, Dani. Harry não aguardou a resposta do outro, apenas deixou a cabine do porteiro e caminhou para a escadaria do colégio. Era cansativo saber que tudo se repetiria até a formatura, mas era seu último ano, ele deveria aguentar mais um pouquinho. — Havia esquecido completamente o fato de que precisarei aguentá-lo por alguns meses até que você suma da minha instituição. - Carter o recebe de "bom humor", exibindo seu terno – aparentemente – novo, e seus broches, certamente ganhados durante as férias. Há uma expressão nojenta em seu rosto, Edward quer xingá-lo. — Havia esquecido completamente o fato de que precisarei aguentá-lo enchendo o meu saco por alguns meses até que eu suma dessa instituição. - Retrucou o mais velho com sua língua malcriada, revirando os olhos e o deixando surpreso ao sair da entrada e caminhar para o corredor de armários.Estar naquele lugar sem Louis por perto era tão estranho. Harry sentia um vazio enorme. Ele chegou a ligar para William na noite passada, gostaria de contá-lo sobre o seu dia, sobre os bilhetes, sobre a noite na casa de Moretz, sobre seus sentimentos... Mas não aconteceu, e Harry estava assustado.Os sons de passos eram altos, assim como o som das vozes dos alunos, eles andavam em duplas e grupos, pareciam felizes com a volta às aulas. Vestiam uniformes de inverno, assim como toucas e cachecóis de lã. Os corredores estavam lotados, os monitores pareciam enlouquecer a cada segundo que viam alunos correrem pelo local e pularem um nos outros; um jeito de se cumprimentarem. Harry suspira, é meio frustrante estar sozinho.Ele percebe que nunca se incomodou em ser solitário.Harry era praticamente invisível - quando não estava aprontando -, ele achava gostar de ser assim. Até que surgiu Louis.Styles não se lembrava de que os professores o odiavam tanto.As aulas foram horríveis. Extremamente péssimas. Mesmo que estivesse quieto, sentado sozinho em uma mesa para duas pessoas e prestando atenção na aula, os professores ainda insistiam em dizer coisas do tipo "espero que o elevador não caia sobre a minha cabeça durante a explicação", "espero que minha sala não seja destruída", "espero que o diretor não venha atrapalhar a minha aula por conta de algo que o Styles aprontou". Qual é, porra? Harry sequer estava conversando em sala de aula. Essas coisas o deixavam indignado porque não havia necessidade. Mas também não estavam de todo errado. Era só... constrangedor.O intervalo foi cansativo, nem mesmo Daniel estava lá, pouco semelhante com o período o qual Styles passou sozinho na biblioteca: cansativo.O mais novo saiu da escola ao entardecer, parando em uma pequena banca para fazer a compra de um sanduíche natural e um grande copo térmico de chocolate quente, seguindo rumo à casa de Louis.Tomlinson não estava bem. Ele podia sentir e aquilo certamente o preocupava. Talvez ele devesse ter preparado uma sopa, ou uma canja... Talvez apenas um caldo seria o suficiente.Seus olhos encheram-se de lágrimas apenas de pensar na possibilidade de ter Louis adoecido. Havia se passado pouco mais de um dia desde a última vez que conversaram, e mesmo assim Harry sentia muita saudade, talvez fosse o sentimento de falta misturado com o sentimento de preocupação. Bem, ele não sabe, apenas deseja que o garoto esteja bem...Soava estúpido dizer que havia deixado de tomar seu chocolate quente para entrega-lo para Louis posteriormente, mas Harry sequer pensou nisso ao que bateu três vezes na porta de entrada do sobrado onde o rapaz morava, descendo um dos degraus e aguardando pelo acastanhado.Demorou em torno de cinco minutos para que Louis abrisse a porta, e Harry assustou-se com o estado o qual o outro se encontrava.Louis tinha a feição cansada, enormes olheiras roxeadas faziam-se presente sob os olhos dele. Não havia aquele intenso brilho em seu olhar, não havia aquele azul tempestuoso e oceânico presente em suas orbes. Os lábios do mais velho estavam secos e entreabertos, o rosto inchado - provavelmente - de tanto chorar. Harry queria atacá-lo com um abraço, mas foi impedido pela voz profunda e machucada de Louis:— Não hoje, Harry. Ele fechou a porta.Fechou a porta, deixando Styles sozinho em frente à sua casa, fazendo o garoto permanecer confuso enquanto ainda segura o copo de chocolate quente, que seria entregue ao mais velho posteriormente. Edward quis chorar no momento. Não estava com raiva, estava confuso, estava chateado e principalmente triste. Quis jogar aquele copo contra a porta da casa de William e deixar o local, mas tudo o que fez foi: suspirar e tentar manter a calma, mesmo quando já sentia seu rosto esquentar pelo choro, que molhava suas bochechas e fazia com que sua pele gelasse quando o vento entrava em contato com as lágrimas pesadas e salgadas. Harry não entendia Louis. E não queria entender.Estava decepcionado o suficiente para tentar entendê-lo.

----- CHAPTER BREAK -----

— Eu não sei, eu não sei o porquê d'Ele ter feito isso, Hunty. Eu só estava preocupado, e—Styles havia ligado para Schafer. Não havia mais ninguém senão ela. E ela era a única qual Harry confiava um pouco, depois de Louis... Era estranho chamá-la de melhor amiga porque ele não tinha noção do quão duradoura tinha de ser uma amizade para, enfim, ser chamada de melhor amizade, mas já considerava Hunter uma amiga e tanto. — Ei, H, não esquente a cabeça com isso, tudo bem? Eu falo com ele daqui a pouco, mas pare de chorar, eu fico tão cabisbaixa quando você está triste. - Ela admite durante a ligação. — Eu te mando mensagem, ok?— Tudo bem... Eu só... Eu estou tão sozinho na escola, tudo é incrivelmente solitário sem ele. É tão chato, Hunter... - Inspirou o ar fortemente, sentindo seu nariz já trancado por tanto chorar e seu rosto quente, ainda sendo molhado pelas lágrimas, que não paravam de cair.Harry se sentia um idiota. Um completo idiota por estar chorando pelo ocorrido anterior. Não queria que Hunter o achasse estúpido, mas não conseguia simplesmente disfarçar seu humor. Não conseguia disfarçar a chateação ao ser – não-literalmente – expulso da casa do rapaz. Estava tudo bem entre eles, porque Louis o tratou daquela maneira? Por que não o deu nenhuma explicação? Por que estava naquela situação? Edward não gostaria de pressioná-lo, já recebeu muitos sermões por pressioná-lo ou dizer coisas insensíveis sem perceber, mas também não gostaria de afundar-se em questionamentos e paranoias. Ele não sabia o que fazer.Passou a noite toda chorando, era óbvio que ele o faria, dividido entre todos os sentimentos possíveis: sentiu-se triste, sentiu raiva de Louis, sentiu-se culpado, sentiu-se chato, sentiu que Louis havia cansado de si, sentiu que Tomlinson estava próximo de terminar com aquilo que eles – Harry sequer sabe o nome da relação deles.Era desesperador. Quase sufocante. Ele não queria se sentir assim, mas Louis não fez questão de liga-lo na manhã seguinte, não fez questão de retornar suas mensagens e nem de avisar se estava bem ou não.Até mesmo os pais de Styles perceberam a mudança radical de humor no garoto, sequer o importunaram. Cillian deixou uma xícara de leite quente à frente do filho, subindo os degraus sem dizer mais nada. Aquilo fez o estômago do garoto revirar e sua garganta ser fechada de imediato porque ele não esperava por aquilo. Não esperava aquilo vindo de Cillian. Lhe surpreende, obviamente, mas não o faz se esquecer da última discussão. Ele não gostaria de lembrar disso, gostaria apenas de bebericar o líquido como se seu pai estivesse preparado exclusivamente para si, antes da aula, como a maioria dos pais fazem. Não fazia mal fingir, às vezes, fazia?Bem, se fazia Harry não se importou. Assim que terminou seu café, deparou-se com Moretz na porta de sua casa e foi cumprimentado com um abraço aconchegante. Ela vestia um casaco de lã e cheirava como mirtilos, Harry gostaria de passar o dia naquele abraço. Moretz lhe desejou um bom dia na escola e lhe entregou um pequeno pacote de doces. Ele agradeceu antes de deixar a habitação e caminhar para o colégio.Era apenas mais um dia de aula cansativo e monótono. Sua mente não o deixou descansar, não o deixou parar de pensar em Louis durante um minuto sequer. Ele teve algumas horas de descanso no período em que passou na biblioteca, desfrutando do completo silêncio do local. Lembrou-se das vezes que passavam horas conversando durante o tempo em que organizavam os livros nas prateleiras de madeira velha e esculpida. Ele gostava de Louis. Era profundamente apaixonado por ele. Não conseguia aceitar o fato de tê-lo mal e/ou chateado consigo. Porra, ele adorava Louis.Passou horas com sua cabeça afundada no pensamento de adoração à Louis.Não soava tão ruim agora.[...]— Boa tarde. Uh, eu gostaria daquele buquê de orquídeas brancas. - O mais novo apontou, ainda incerto, para o buquê finalizado, posto em um grande vaso de vidro transparente.— São quinze dólares. - O atendente informa de jeito preguiçoso, levantando-se da banqueta com certa raiva. Ele claramente não gostava de seu trabalho. Harry deixou as notas sobre o balcão de atendimento ao que recolheu seu buquê, sequer fazendo questão de esperar por seu troco.O sol poente iluminava seu rosto, banhava-o com a luz alaranjada e o acompanhou durante todo o trajeto.Era um ato inseguro. Todos os atos feitos pela primeira vez são inseguros.Era como competir em um jogo de mira. Você não sabe qual será seu arremesso exato, é uma partida insegura, você precisa praticar até que tenha segurança para dizer "eu sou uma pessoa ótima em mira".Harry não era ótimo em algumas coisas, porém, provavelmente, era mais inseguro em fazê-las e pratica-las do que qualquer outra coisa. Um bom exemplo são os planejamento que Harry tem sobre cada coisa que aprontaria, mensalmente, em Wassed no seu último ano escolar.Era óbvio que ele estava inseguro ao colocá-los em prática. Eram planos novos, como ele saberia se dariam certo ou não? Bem, ele foi adquirindo confiança com o passar do tempo. Mas não sabia como se sentir fazendo aquilo. Não pretendia que fosse algo rotineiro, ele não aguentaria. Porém desejava que essa primeira vez fosse única e confortável... pelo menos um pouquinho.Harry adentrou o cemitério de maneira lenta, estava incerto, amedrontado, tinha receio de que aquilo refletisse de maneira negativa em si posteriormente...O garoto apertou o buquê contra seu peito, fechando seus olhos e chacoalhando sua cabeça de leve, na intenção de afastar os pensamentos ruins que - com certeza - o fariam desistir de caminhar até o lugar onde sua mãe fora sepultada.Ele andou com cuidado, haviam inúmeras pétalas de diversos tipos de flores no chão, o cacheado tentava desviar, pisando cautelosamente nos paralelepípedos do pequeno e apertado corredor. Seus olhos passeavam pelos nomes e sobrenomes das pessoas, não recordava do exato local pois haviam anos desde a última vez a qual esteve ali, nunca fez questão de retornar.Ele encontrou a lápide de Arabella e engoliu seco, suas mãos suavam frio enquanto tentavam manter o pacote plástico seguro entre seus dedos. Seus olhos arderam e encheram-se de lágrimas instantaneamente. Edward desabou ao ver a pequena e desgastada fotografia de sua mãe. Na foto ela estava agachada, tinha Harry em sua frente e apontava para a câmera. Estava sorridente, parecia alegre. Ela amou Harry... Amou honestamente e isso era tudo.— Oi. - Disse entre soluços, pousando as orquídeas cuidadosamente sobre o túmulo de sua mãe, sequer sabendo como agir naquela situação. — Oi mãe...— Eu sinto a sua falta. Todos os dias. Todo momento. É tão difícil viver sem você aqui comigo... Eu achava que não aguentaria. - Assume em voz baixa, seus olhos estão fechados, mas ainda derramam lágrimas, ele sente o gosto salgado do líquido sobre seus lábios. — Eu achava que não tinha conseguido fazer você ficar. Achava que o meu amor tinha sido insuficiente para você. — As coisas estavam péssimas, minha mãe. Realmente péssimas. Tanto que eu pedia todos os dias para que pudesse ir até você. E eu já tentei estar contigo, mamãe... Eu não consegui. Eu te esperei, mas você nunca veio. Te esperei no dia do meu aniversário, eu queria ter ido, mas você não veio... Eu acho que passei muitos anos escondendo os meus sentimentos e os demonstrando de maneira rebelde que acabei esquecendo de como demonstrá-los de forma doce. Isso não vêm sendo bom para mim. Nunca foi. - Secou seus lábios com a manga da jaqueta jeans, que fora de sua mãe. — Eu fiz tantas coisas horríveis, você deve estar tão decepcionada, e eu sinto muito. Nunca quis ser um filho ruim, mãe. Juro que tentei te agradar, mas eles caçoavam de mim, caçoavam da sua morte, caçoavam de tudo, eu só— Eu só não aguentava mais. Sua voz já estava embargada o bastante para que ele continuasse falando, então o garoto parou. Inspirando lentamente o frio ar que rodeava o local, sentando-se ao lado do túmulo de sua mãe e encostando sua cabeça no concreto. — Eu pensava que aquele acidente me faria te encontrar, mas não fez e eu me revoltei, eu não conseguia chegar até você e não entendia o motivo. Não tive mais paciência para aturar aqueles caras rindo de mim. O resto você já sabe... E seguiu assim até o início desse ano. Eu conheci um garoto legal. Ele é muitas coisas, mas principalmente amoroso. Ah, mamãe, ele é tão forte e tão corajoso, eu poderia passar horas falando sobre sua bravura. Ele é só... Bom demais para mim, entende? Eu sentia medo de que nada que eu o oferecesse fosse o suficiente, porque sempre pensei que não tinha sido  o suficiente para você, mas entendi que nada funcionou do jeito que eu pensava. E-Eu acho que ele cansou de esperar por mim, mamãe. Eu acho que o acorrentei em mim, mas ele conseguiu escapar. Fico feliz por ele.— Gostaria de tê-la aqui porque eu não tenho mais o meu pai. Ele foi junto de você e nunca mais retornou. - Harry soluça, deixando-se ser levado pelo choro, enquanto seus cachos cobriam boa parte de sua face e grudavam na parte úmida de seu rosto. — Sabe, eu queria ter uma família, mamãe. Mas você se foi, e eu sei que Cillian é a minha família, mas ele não age como uma. O marido dele tem raiva de mim, ele chegou durante o momento mais complicado da minha vida. Scott me acha sem educação, mas ele só enxerga o lado de Cillian. Só enxerga o fato de que ele tenta me educar e eu o respondo de jeito mal educado. Não é assim, mamãe. Eles nunca tentaram me compreender. Eu passei muito tempo tentando chamar a atenção deles, queria que eles, principalmente Cillian, se importassem e se preocupassem comigo. Mas eles nunca o fizeram. Meu pai se tornou extremamente dependente de Scott depois do acidente. Meu pai me odeia porque eu lembro você. E ele tem medo.— Moretz continua trabalhando lá em nossa casa. Ela me trata bem. É muito compreensível comigo, eu gosto de como ela conversa comigo. Moretz me entregou os bilhetes que você escrevia, sabe? Eu queria contar, sobre eles, para Louis, mas ele está agindo de maneira estranha, eu fico amedrontado... Não quero que ele tenha desistido de mim, não agora, mamãe. Não agora que muitas coisas foram esclarecidas...— Tenho tantas coisas para te contar. Queria que você me respondesse. Queria que você pudesse ver os meus desenhos, mamãe, queria que você estivesse aqui para me ajudar a colori-los. Queria você aqui para me abraçar quando as coisas estão dando errado. Queria te contar sobre as coisas boas que me aconteceram, mas faz pouco tempo que ela vêm me ocorrendo... Os amigos do Louis, agora, são os meus amigos também, nós saímos juntos. Fomos à uma competição de Kart há uns meses, eu estraguei um pouco da diversão deles, mas no fim deu tudo certo. Eu me aproximei muito de uma garota chamada Hunter, ela é minha melhor amiga, eu acho. Você a adoraria, ela me lembra você às vezes.— Porém o Louis me lembra mais. Ele— Mamãe, ele me ama, ou me amava, eu não sei ao certo. Louis é tão carinhoso, amoroso e compreensível, assim como você era. Ele é lindo. Os olhos dele me encantam todas as vezes que eu os fito, eu poderia mergulhar neles, eu nunca me cansaria. Ele me entende, ele me apoia, ele me incentiva... ele é o meu suporte. Louis é tão talentoso. Ele toca diversos instrumentos, canta muito bem e tem composições esplêndidas. Louis tem uma banda, com os mesmos amigos que eu citei, eles são ótimos juntos, eu acredito muito no potencial deles. Scott chegou a ofendê-los, mas eu não aguentei escutar aquilo, não mesmo, acabei me descontrolando... Falei algumas verdades para ele, desde então não trocamos uma palavra.— O diretor Carter me odeia também, uma vez ele me disse que você teria vergonha de mim, mas você não teria, não é, mãe? Você riria de algumas das coisas que eu aprontei. Minhas notas não são as melhores mas eu estou indo muito bem, farei os exames e espero conseguir uma bolsa boa para conseguir cursar designer gráfico, é o meu sonho afinal. Claro que eu preciso me esforçar e estudar mais, caso contrário terei de esperar mais um ano para sair daquela casa. - As lágrimas ainda escorrerem por seu rosto, a tristeza não o consume tanto mais, ele percebe estar gostando de ter aquela "conversa". — Acho que minha vida pode ser melhor, mamãe.Harry passa horas ali, divagando sobre metáforas e filosofias da vida. Ele fala sobre as orquídeas, que eram as favoritas de sua mãe e, por fim, retira um post-it e uma caneta de seu bolso, esfregando a poeira acumulada na lápide de sua mãe, fazendo a leitura do clássico e maçante "jaz aqui", revirando seus olhos e colocando a pequena folha sobre as letras em relevo.No post-it estava escrito: "O poema mais lindo que já tive a oportunidade de ler".[. . .]Sua casa tinha uma atmosfera pesada, era tão perceptível...Harry chegou depois das nove horas da noite, tinha suas roupas molhadas e seu cabelo escorria água - pelo banho de chuva gelada que tomou durante o caminho de volta -, ele beijou o pequeno porta-retrato, seu e de sua mãe, sorrindo gentilmente, antes de subir para o primeiro andar da habitação.Cillian estava prestes a adentrar seu quarto, alguns livros estavam em suas mãos e ele fitou o mais novo, não parecia bravo, irritado ou chateado, apenas o encarou indiferente.— Aonde estava? Está chovendo e está tarde. - O homem indaga, ajeitando os livros entre seus dedos e pousa sua mão na maçaneta da porta.— Fui visitá-la.— E como foi?O mais novo tremia de frio, ficou paralisado quando escutou o mais velho questionar aquilo, ele não esperava, mas também não tinha vontade de discutir.— Foi... Foi. Eu não sei, foi estranho mas ao mesmo tempo muito bom. O mais velho assentiu, parecia compreender a confusão do filho ao comentar sobre sua visita ao cemitério.— Substituí aquela lápide horrorosa e vazia que vocês escolheram.— Imaginei que você reclamaria sobre a lápide quando fosse visitar o túmulo de sua mãe.— É... - Sente-se desconfortável em continuar aquele assunto, então chacoalha sua cabeça, em negação, espirrando água da chuva nas paredes e se amaldiçoando por fazer aquilo, esperando uma bronca de seu pai, já fechando os olhos para escutá-lo gritar.— Vá tomar um banho e se agasalhar. - Cillian indica o quarto do garoto com suas sobrancelhas, observando Harry o obedecer sem pigarrear.Assim que chegou em seu quarto, adentrou o banheiro e tomou um banho demorado, vestindo-se com um conjunto de moletom após. Styles sentou-se em sua escrivaninha e pôs-se a pensar. Não havia muito o que fazer, na verdade. Sua vida era uma completa tolice. Era como um seriado o qual não teve o episódio piloto aprovado pelo público. Ele odiava.Observou seus desenhos empilhados no canto da parede, percebendo as folhas onde desenhou o rosto de Louis; parte por parte. Talvez estivesse na hora de colori-los, sim?O cacheado levantou-se de sua cadeira giratória, sentindo o vento gélido adentrar seu quarto, pelas frestas da janela que o levava para a sacada, o fazendo arrepiar-se com a sensação melancólica e friorenta que o vento lhe passou.Ele abraçou seus próprios braços, ajoelhando-se no carpete de seu quarto e sentando sobre seus calcanhares, procurando sua caixa de lápis de cores, guardada dentro da gaveta de sua mesinha de cabeceira. O esverdeado recolheu todas as folhas que continham alguma parte do rosto de Louis e as montou em cima do tapete macio. Seus olhos corriam pelos próprios traços, vasculhando o monte de papéis e passando cola em seus dedos, posteriormente, colando as bordas das folhas que formavam a grande face. Harry havia dito que a primeira coisa que pintaria seriam os olhos de Louis, e ele o fez.Utilizou de seus lápis aquareláveis, tendo um pequeno recipiente cheio d'água e pincéis ao seu lado, sujando suas mãos e seu moletom durante o tempo em que tentava encontrar o azul exato dos olhos de Tomlinson. Foi difícil, Harry admite, teve de misturar inúmeras cores junto aos diversos tons de azul para que chegasse próximo da cor dos olhos dele.Passou boa parte de sua noite e o início de sua madrugada trabalhando naquilo, sorrindo satisfeito com o resultado. Ele se sentia um bobo, mas estava orgulhoso, era seu primeiro desenho inteiramente colorido, era gratificante... um pouquinho.Harry estava prestes a adentrar seu banheiro para lavar as mãos e o rosto sujo de tinta, quando escutou o toque clássico de seu celular.O cacheado pisca sonolentamente, caminhando até sua cama, onde o celular se encontrava, percebendo receber uma ligação de Hunter.Ele atendeu serenamente, esperando que a garota dissesse algo, mas apenas escutou o soluçar intenso de Schafer, preocupando-se em questionar o que havia acontecido.— Louis sofreu um acidente.

----- CHAPTER BREAK -----

O peito de Harry contraiu dolorosamente ao receber a notícia. O garoto sequer desligou a ligação. Sua mente permaneceu em branco durante muito tempo, tentava raciocinar e digerir as palavras que deixaram, dolorosamente, a boca de Hunter, em uma voz quebrada. Quando menos percebeu, as lágrimas escorriam novamente por seu rosto. Cada uma delas doía. Cada uma delas o machucava ao escapar das bordas de seus olhos. Cada uma das lágrimas ardia como se estivessem atingindo os olhos de Harry com alguma substância química. Ele estava desacreditado. Não conseguia entender. Não conseguia aceitar que aquilo era verdade. Não podia ser real. Eles estavam juntos há menos de dois dias... Harry estava angustiado. A sensação de saber que Louis estava acidentado o deixava em pânico. Literalmente pânico. Harry sentia que poderia morrer apenas de pensar na possibilidade de perder Louis. Ele não podia ir.Louis não podia partir.Harry não aguentaria perder mais uma pessoa. Ouvir aquilo foi como ter alguém o sufocando. Foi como ter alguém talhando seu peito com as próprias mãos, sem qualquer piedade, na intenção de tomar-lhe o coração, amassando-o, tentando fazer com que ele rasgasse e murchasse, tentando fazer com que todo o sangue esvaísse de seu coração para, então, puxá-lo para fora de seu corpo. Harry sentiu-se dentro de um labirinto sem saída. Sentiu-se perdido em um caminho trincado e desconhecido. Sentiu-se em desespero por saber que não tinha a menor ideia de qual era seu caminho de volta para casa. Harry sentiu como se estivesse segurando um punhado de areia em suas mãos abertas, sentiu os grãos esvaindo entre as aberturas de seus dedos. Ele tentou, e ainda tentava, manter todos os grãos seguros nas palmas de suas mãos, mas não conseguiu. Ele nunca conseguia manter nada. Nunca conseguiu.Suas mãos tremiam de maneira extremamente descontrolada, mal conseguia segurar seu celular. Suas pernas bambeavam tanto, e ele sequer conseguiu sustentar o peso de seu corpo, tendo seus joelhos batendo contra o carpete – sobre o solo.Harry abraçou seu corpo de maneira tão forte que, certamente, poderia fundir todos os seus membros apenas com aquele ato. Estava paralisado. Propriamente horrorizado. Sua cabeça criava imagens e cenários inimagináveis. Sua mente o forçava a relembrar, impiedosamente, do próprio trauma, fazendo com que sua cabeça doesse e latejasse, era insuportável, ele mal conseguia respirar. Styles suava frio. Sua dor interna conseguia ultrapassar sua dor física. Doía tanto que ele nunca conseguiria colocar em palavras. Sua mente estava presa no dia de seu acidente. Presa nos barulhos altos e nas sirenes ensurdecedoras. Presa no cortes dolorosos feitos em sua pele pelos vidros do carro. Presa nas poças de sangue e nos gritos desesperados de Cillian, que pensava que perderia mais um de seu amor.Pensar na possibilidade de perder Louis fazia com que Harry quisesse abrir todas as suas cicatrizes com as próprias canetas, o pensamento era agonizante, mas ele não suportaria. Não suportaria perder mais alguém. Ele não aguentaria.Harry tapou seus ouvidos de jeito forte, pressionando seus indicadores contra os tragos de suas orelhas. Ele não conseguia escutar seus próprios gritos pois estava, imensamente, submerso nas memórias do dia de seu acidente.Cillian estava deitado ao lado de Scott, ele lia um de seus livros sobre economia, julgava ser uma leitura interessante, mas ficou disperso ao escutar os gritos altos e repentinos vindos do quarto de seu filho. Scott, que já estava adormecido, acordou com os sons altos, e estava visivelmente assustado. Ambos caminharam até o cômodo ao lado, estavam irritados por não terem noção do que estava acontecendo, mas ficaram abismados ao verem o garoto, trêmulo, deitado no chão, enquanto apertava as mãos contra as orelhas, parecia tentar bloquear algum som ou barulho, e gritava como se estivesse sendo traumatizado novamente.Cillian se recorda daqueles gritos.Têm pesadelos com eles todos os dias.Achava que seu filho estava tendo um desses pesadelos também.— O que há com ele? - Scott questionou, caminhando até o corpo trêmulo do jovem, franzindo seu cenho e apertando os olhos ao perceber que os gritos se tornavam mais altos.— Eu não sei - O mais velho se aproximou, ajoelhando-se ao lado do filho, temendo tocá-lo. —Ele foi ao cemitério hoje. Pode ser isso. - Explicou ligeiramente. — Busque um pouco de água por favor.Scott assentiu, saindo do quarto. Harry estava totalmente alheio. Não tinha noção de absolutamente nada ao seu redor. Pensava que morreria. Pensaria que agonizaria com aqueles pensamentos até que não acordasse mais. Pensava que todos os seus sentidos se confundiriam e desistiriam de funcionar de maneira devida, ou desistiriam de cumprir as funções destinadas a eles.Styles sentiu um leve toque em seu ombro. Ele não sabia quem era, sequer sabia se realmente havia alguém ali ou se era apenas sua mente querendo lhe pregar uma peça e confundi-lo ainda mais, porém o toque queimava. Ele não tinha forças o suficiente para se afastar.Seu corpo foi acolhido em um abraço, um abraço desconfortável, mas ainda assim, um abraço.E apenas aquilo rendeu sua quebra de memória.Porque, no dia em que quase perdeu sua vida, não haviam abraços.— Shh. - Foi a primeira coisa que ouviu ao que parou de gritar. Sua garganta doía, assim como sua língua, que sangrava. Ele a mordeu durante todo esse tempo, na intenção de tentar provar para si mesmo que nada daquilo era real; que ele estava apenas ficando submerso em um universo alternativo. Havia um gosto extremamente forte, e metálico, de sangue. — O que houve?A voz de seu pai o assustou embora, mas estava frágil demais para dramatizar aquilo. — Louis - Disse dolorosamente dentre inúmeros soluços entrecortados, sentindo os braços de Cillian se afrouxarem. — A-Acidente.— Por Deus, Edward, acalme-se. - Cillian pediu, pediu como se aquilo não fosse nada, mas logo foi interrompido por Scott, que adentrou o quarto com um copo de água e um pano úmido. — Aqui. - Cillian ajudou o garoto a levantar-se, deixando que o corpo do filho fosse apoiado no seu, e entregou – com certa calma –o copo.— Cillian ele mal consegue abrir os olhos - Scott agachou-se na frente de ambos, tomando o copo da mão de Harry e deixando uma de suas mãos sob o queixo do garoto, evitando deixá-lo derrubar água nas próprias penas. — Você teve um pesadelo?O mais novo nega. A voz do homem faz com que sua cabeça lateje, o machuca, mas ele não faz questão de reclamar. Se sente vazio àquela altura.Sente-se como a única engrenagem de um relógio antigo que parou de funcionar após anos sustentando-se como uma peça improvisada.— Eu preciso ir ao hospital. - É o que responde. Sua voz não consegue garantir-se.— Te levarei ao hospital quando se acalmar. - Cillian profere, tirando o pano das mãos do marido e pousando sobre a testa do esverdeado. — Eu não posso perdê-lo, por favor, não façam isso, e-eu não posso—— Se acalme. Seu pai já disse que irá te levar. Você não pode chegar no hospital estando nesse estado.— Não! Eu preciso apoia-lo. Eu não posso ficar aqui de braços cruzados. - Harry quase grita em indignação, gesticulando com seus braços fracos e trêmulos, retirando o pano úmido de sua testa.— Você é tão teimoso. - Cillian murmura, tocando a pele suava do pescoço do filho, na tentativa de medir sua temperatura corporal. — Está febril. — Eu quero ir ao hospital. Por favor. - Pede em um sussurro, antes de soluçar e sentir lágrimas transbordarem em seus olhos novamente. Ele não consegue mexer-se, seu corpo não atende os comandos. Está tão exausto. Tudo parece extremamente dolorido.— Vamos. - O mais velho segura seus pulsos, puxando-o com cautela e o ajudando a se levantar. Cillian passa seu olhar preocupado pelo rosto do filho, vendo os cachos – agora sem formatos quaisquer – grudarem na testa do mesmo, enquanto ele está ofegante, mal conseguindo sustentar seu corpo sobre os pés. — Pegue, Harry, pelo menos a dor de cabeça vai passar um pouco. - Scott proferiu ao mostrar a cartela de remédios, retirando uma pílula e entregando ao mais novo, o ajudando a beber a água. — Tem certeza de que não quer esperar por mais notícias? — Não quero esperar. - Afirma quando seca seus lábios gélidos com a manga, suja de tinta, de seu moletom, soluçando altamente, controlando-se para não voltar a chorar de maneira desesperada.Cillian revira seus olhos, chamando-o de teimoso de novo, durante o tempo no qual o filho se apoiava em seus ombros tensos pela situação anterior. — Se você estiver desse jeito quando chegarmos ao hospital eu não o deixarei sair do carro. Não deixarei enquanto não se acalmar, entendeu? — Ele é o meu namorado. Eu não posso deixá-lo. Por que você não pode entender isso? - Harry questiona, está magoado, sua voz é quebrada, certamente embargada. Ele tem completa noção do que diz, a palavra soa reconfortante quando deixa seus lábios. Ele gosta de chamar Louis daquela forma. O caminho até a garagem é lento, cauteloso – de certa maneira –, Scott e Cillian parecem pacientes perante aquela circunstância, Harry se sente minimamente cuidado, mas sequer permanece com aquele pensamento em mente, torna a pensar na situação de Louis. Seu coração parece contrair, ele sente uma dor latejante e indescritível em seu peito, ele não pode perder Louis. Não pode.O caminho foi silencioso exteriormente. Harry mantinha seus ouvidos tampados porque, de algum jeito, tudo estava extremamente alto dentro de sua cabeça, ele odiava ter de escutar o barulho dos pneus arrastando no asfalto, odiava ter de escutar os gritos horrorizados das pessoas e o barulho alto das sirenes. Era tudo tão assustador e incerto, ele tinha tanto medo.Edward sequer aguardou Cillian estacionar o carro, abriu a porta e deixou o automóvel ainda em movimento, mesmo que estivesse a cinco quilômetros por hora, escutou o grito de seu pai, mas o deixando falar sozinho.Harry correu para dentro do hospital, a sensação era angustiante e descrença. Ele ainda beliscava a pele de seu pulso para ter certeza de que aquilo era real, ele realmente esperava que não fosse...O garoto chegou a esbarrar em alguns pacientes e enfermeiros, murmurado "desculpa" após, olhando para trás e verificando se não havia derrubado ou machucado alguém.Styles avistou o grupo de amigos na sala de espera, estavam reunidos, tinham suas feições chorosas e deprimentes, ele se aproximaria deles, mas sentiu seu braço ser agarrado por uma mão forte e, logo, teve seu corpo puxado para trás.— Aonde pensa que vai topando com as pessoas desse jeito, garoto? - Uma voz rouca e séria questiona, ele não conhece a voz. Seu timbre parece indiferente e Harry puxa o próprio braço para si novamente, franzindo seu cenho ao olhar para o segurança alto.— Eu preciso visitar um alguém importante, e-ele precisa de mim.Harry não queria ter de ouvir lições de moral, sua cabeça já estava esgotada de merda, aquele – realmente – não era o momento certo.— Harry! - Hunter abriu os braços, para receber o amigo assim que o viu adentrar, o acolhendo em um abraço reconfortante em seguida. — Oi, H... — Como ele está? O que houve? - Perguntou de jeito rápido e afobado, sentindo seu rosto esquentar enquanto escondido no ombro de Schafer.— Louis— Ele vai ficar... Eu não sei ao certo o que aconteceu mas o pai dele ligou para o Calvin dizendo que ele havia sofrido um acidente em frente à própria casa. Parece que ele saiu correndo, eu não tenho certeza, não consegui prestar atenção. — Como ele estava? Você o viu antes de permanecer aqui? Eu não posso perdê-lo, Hunter. Eu não posso. Eu não quero que ele me deixe—— Ele não vai te deixar, eu prometo, ele não vai. Louis é forte. Está passando por uma cirurgia, vai ficar tudo bem... Vai ficar tudo bem, eu acho... - A mais velha acaricia os cachos suados de Styles, que a abraça forte e se permite chorar. Chora por horas. Seus olhos doem, sua cabeça dói tanto que ele parece aéreo, seu coração está em pedaços descosturados novamente. Era impossível deixar seu coração inteiro, mesmo que não fosse Harry a pessoa que rasga os pedaços remendados, ele nunca conseguia permanecer completo. Talvez Harry não devesse voltar a costurá-lo...Seus lábios estão entreabertos pois suas narinas já não conseguem deixar o oxigênio adentrar suas vias respiratórias. Suas mãos ainda tremem e ele se sente fraco, tem medo de não conseguir sustentar seu próprio corpo.Edward percebe que o dia está a amanhecer por conta do jornal que passa na televisão da pequena sala de espera. O grupo de amigos, à essa altura, já dividiu incontáveis copos de cafés, dos mais fortes possíveis, para que permanecessem acordados, aguardando por notícia de Louis. É o único hospital particular da cidade, não está lotado de pessoas, mas há – consideravelmente – muita gente na sala de espera esperando por notícias de pessoas acidentadas e atropeladas. Talvez fosse a chuva...Styles escuta o doutor dizer o nome de Louis e percebe não ter ninguém de sua família ali. Não havia ninguém da família de Louis ali por ele. O próprio pai não esperava por ele. O cacheado sentiu sua garganta se fechar, e uma imensa vontade de chorar se acumular em seu peito, novamente.Calvin se levanta em protesto dizendo que eles eram a família de Louis e, bem, não era totalmente mentira.O doutor segura uma prancheta de madeira em mãos, ele parece cansado, seus olhos emitem a exaustão e Styles mira seu olhar para o rosto do médico, esperando a notícia que daria em seguida.Harry não sabia como digerir ou reagir à notícia de que Louis havia falecido Edward venderia sua alma por um pouco mais de tempo, sim, ele o faria. Em sua mente passavam-se apenas outras alternativas alcançáveis que, se ele tivesse decidido logo após a viagem, tudo estaria bem... Porra, talvez alguns minutos atrasados na estação de trem ou, talvez Harry carente o suficiente para pedir à Louis uma companhia durante aquela tarde. Tanta coisa poderia ter sido evitada... William foi a melhor coisa que ele já teve.Ele sentiu-se desolado. Sentiu o solo ceder sob seus pés. Sentiu seu corpo cair em um abismo. Sentiu uma forte pressão em sua cabeça cada vez que a luz parecia se afastar e se tornar pequena. Sentiu como se não houvesse solo o suficiente que suportasse sua queda. Ele realmente sentiu como se tivesse falecido junto à Louis e, por fim, escutou o doutor proferir.Louis havia falecido durante onze segundos naquela madrugada. Styles percebeu sua visão escurecer ao receber a notícia e não prestar atenção na continuidade do assunto. Sua mente havia congelado, as informações haviam sido bloqueadas, e ele não conseguia pensar em absolutamente nada. Sentia-se como a porra de uma caixinha de música estúpida e sem utilidade.Assistiu os amigos cobrirem suas bocas em descrença ao que escutaram aquilo. E logo após pousaram as mãos em seus corações, provavelmente os sentindo se acalmarem dentro de seus peitos.Harry os agradece imensamente ao que escuta os quatro combinarem de deixá-lo visitar William primeiro d'Eles.O doutor lhe instrui com palavras calmas e sábias durante o caminho no corredor, porém Harry não as escuta, ele não consegue prestar atenção em nada, seus olhos correm pelas portas brancas e sem-vida, tentando adivinhar qual delas seria a porta do quarto onde Louis estava. O mesmo doutor lhe diz para ter calma e não abraçar Tomlinson, cita sua condição atual e pede para que ele não grite ao encontrar William. Quando o homem abre a porta de um dos últimos quartos do corredor, Edward avista o rapaz, que estava deitado sobre a maca branca e regulável do quarto, coberto com alguns edredons, também brancos. Harry não consegue se controlar ao vê-lo. Como ele poderia?- Louis! - O cacheado o chama em voz alta, percebe tê-lo acordado e tapa seus lábios com as mãos. Seu coração se enche de alivio e paixão ao vê-lo.O rosto de Tomlinson está propriamente esfolado, há um band-aid infantil colado em sua pele e Harry minimamente sorri com aquilo. A perna direita de Louis está engessada, assim como seu braço. Seu tronco está enfaixado e, ao que tudo indica, ele parece ter quebrado uma (ou umas) costela.A sensação de conforto ainda está presente dentro de Harry e, saber que Louis está são e salvo o faz chorar novamente, ele estava tão assustado, pensou em tantas besteiras, não conseguia acreditar que estava tudo bem.Estava vivo. Deus, Louis estava vivo. Harry o achava a pessoa mais brava, corajosa e forte do mundo. Sempre achou.Tomlinson desfez a expressão serena, ainda parecia grogue pelos remédios, e logo substituiu sua expressão para uma preocupada. Ver Harry chorando fazia com que ele se sentisse pior ainda.— Eu fiquei tão preocupado, Louis, e-eu fiquei tão desesperado. - Styles admite, aproximando-se da maca e percebendo a mão de William estar sendo furada por uma agulha, que o nutre com soro.— Não chore. - Pede, quase silenciosamente. Louis quer acariciar as bochechas úmidas do mais novo, beijá-las e dizer que agora está tudo bem, mas ele não pode. Ao menos consegue mexer-se. — Se acalme. Eu estou vivo ainda, não vê? - O mais velho brinca, mirando o olhar para si mesmo. — Eu não acredito que te avisaram sobre isso, porra, não deveriam, mal posso imaginar como você ficou...— Não consigo parar de chorar. Eu pensei que te perderia. E eu te perdi, Louis. Eu te perdi por onze segundos. E-Eu pensei que você fosse embora. Eu pensei que nunca mais o veria—— Mas você não me perdeu. Eu não fui embora. Você está me vendo. Está tudo certo. — Você fala como se fosse fácil. Você fala como se eu tivesse de receber a notícia do seu acidente e tivesse que permanecer calmo. Eu não consigo, eu não posso. É impossível não pensar em catástrofes, Louis. Eu já perdi tantas pessoas. Porra, eu já perdi tanta gente e sou a merda de um adolescente que chora quando não te tem por perto, eu sou imaturo pra caralho, e-eu ainda não sei lidar com essas coisas. Você não pode simplesmente pedir para que eu tenha calma, não pode fazer isso—— Harry? Harry tenha paciência, eu estou bem aqui—— Eu amo você, Louis. — Eu amo você, e você não está facilitando as coisas para mim, que porra. - Harry assume sincero, segurando a mão aquecida de Tomlinson com cuidado. Ele sente como se estivesse segurando borboletas em mãos, ou talvez estivesse segurando um coração pulsante. Segurar a mão de Louis era como segurar algo completo, e completamente vivo. E aquilo era um desastre, um completo desastre, cheio de possibilidades. Harry amava. — Eu não conseguia suportar aquela dor que senti ao escutar que você havia partido, eu não sabia como reagir. Você é a única pessoa que eu digo que amo em voz alta então, por favor, não peça para que eu me acalme porque é insuportável ter que ouvir uma coisa assim em uma situação dessas.— Você me ama? - Louis pergunta, ainda em choque, completamente paralisado.Chega a ser ridículo a dificuldade que as pessoas têm de fazer uma pergunta quando a resposta significa muito.— Eu te amo. Eu te amo porque você me ama. E porque eu posso mudar o mundo com o amor que carrego dentro de mim.Louis parece surpreso. Ele está, Harry reconhece. Um enorme sorriso surge no rosto do acastanhado, parece machucá-lo; considerando que ele amarfanha levemente o cenho e toca no band-aid com as pontas de seus dedos. Mas ele ignora a dor. Harry percebe lágrimas se formarem sob as orbes – cores de topázios – e acaricia a pele aquecida da mão de Tomlinson. Não gostaria que o rapaz chorasse. Odiava ver Louis chorando. — Ei? Ei, eu te amo muito. Eu estou tão orgulhoso de você, ninho. Por Deus, como eu te amo... - William se inclina para deixar um leve beijo na bochecha corada do mais novo, que sorri com leveza para o mais velho. — Minha mãe também está orgulhosa de mim...— Oh... Oh, como? - Louis pensa estar delirando, por causa dos remédios, ao ouvir aquelas palavras vindas de Styles.— Eu queria te contar sobre isso quando te liguei e você não atendeu... Queria te contar que Moretz me deu uma caixa de bilhetes, bilhetes que ela escrevia. Minha mãe disse que eu posso mudar o mundo com o amor que carrego. Ela disse que sempre vai me amar e também disse que escolheu meu nome enquanto lia um livro - Sorriu como uma criança, sendo retribuído por Louis. — Eu acho que esses bilhetes me ajudaram muito. Me ajudaram a tentar superar isso - Harry conta em sussurros, ainda está de pé ao lado da maca em que Louis se encontra. O cansaço está o consumindo, porém ele passaria e aguentaria horas ali, ao lado de Louis. — Eu a visitei no cemitério. Passei horas conversando com ela, isso foi um dia depois de você... sabe? Meio que fechar a porta na minha cara—— Minha mãe voltou.— O quê? — A minha mãe voltou. Voltou para "fazer uma visita". Eu estava assustado, não sabia como lidar com o que estava acontecendo, não queria descontar tudo em você, por isso não te respondi, por isso não quis te ver e nem conversar com você.— Você poderia ter me contado. Poxa, você sempre me ajuda, mas nunca me cede a oportunidade de tentar te ajudar, Louis. - Styles profere chateado, há um biquinho em seus lábios e, Tomlinson sabe que ele está triste. — Eu não poderia. Eu não poderia te sobrecarregar com os meus assuntos, afinal, de que adiantaria? O que você faria? — Te daria suporte? Te apoiaria até que tudo acabasse? Faria o que ambos devemos fazer? - Dizia como se fosse óbvio, arqueando suas sobrancelhas e piscando lentamente, ainda tendo os olhinhos inchados pelo choro recente. — Eu não consegui. Não queria nos desestabilizar, mas eu fiz isso, não fiz? Te desestabilizei. Harry assente levemente para a pergunta. Não quer que Louis se sinta mal, mas não gostaria de mentir. Deveriam praticar a sinceridade, certo?— Minha mãe voltou com o intuito de me levar para Doncaster novamente. Ela diz que se arrependeu. Eu não acreditei nela, eu neguei voltar a estar com ela, mas ela continuou insistindo, acabou por se descontrolar e começar a dizer coisas sobre o meu passado: dizia que ela era a única que realmente me quis porque minha mãe me abandonou e porque Dave sempre se negou a me adotar, disse que eu não deveria ficar aqui com um homem que não queria me ter como filho. Eu estava chateado, magoado e abalado, não queria ficar ouvindo aquele tipo de coisa, não estava bem, então saí de casa às pressas. Estava de noite, era madrugada e chovia forte, eu estava indo à sua casa, eu queria um pouco de conforto, queria deitar sobre o seu peito e ouvir o seu coração bater como uma música composta para mim, queria que você me abraçasse e dissesse, do seu jeitinho bobo, que ficaria tudo bem. Eu queria te contar tudo o que aconteceu. Eu tinha minha cabeça em outros lugares, não enxergava um palmo à minha frente, eu chorava tanto, Harry, a chuva também contribuiu para que a minha visão estivesse embaçado. Apenas atravessei quando percebi o semáforo fechar e a luz se tornar vermelha para os veículos. Mas havia um carro em alta velocidade. Ele não conseguiu frear a tempo, provavelmente os pneus escorregaram na pista molhada e, depois disso, eu estava desacordado. - Tomlinson esclarece as coisas, não querendo deixar Styles confuso, com o pensamento de que o ignorou ou que o tratou mal propositalmente. O cacheado ainda se sente fraco pelos acontecimentos anteriores, sentindo suas pernas bambearem e solta-se da mão de Louis. Ele senta na poltrona ao lado da maca, apoiando seus cotovelos nos próprios joelhos e cobre seu rosto de maneira desacreditada. Ainda deixa os cachos esconderem sua face e sequer pode acreditar que está chorando novamente.Como a mãe dele pôde? Como ela pôde voltar e causar tudo isso? Harry não entendia. Não entendia o porquê de pessoas boas estarem destinadas à sofrer. Porra, Louis não merece nada daquilo. Não merece...— Está tudo bem? Creio que não disse nada errado. — Eu só não consigo acreditar. Talvez se estivéssemos demorado mais um pouco naquela viagem tudo estaria bem. Se eu tivesse lhe convidado para passar a noite na minha casa, tudo estaria bem. Haviam tantas coisas ao nosso alcance. Ao meu alcance. Tantas coisas... — Isso não foi nossa culpa. Por mais que eu esteja todo fodido, com um braço, uma costela e uma perna quebrados, tudo está bem, na medida do possível... Poderia ser pior. - Tenta confortar o garoto, deitando sua cabeça no travesseiro hospitalar.— Eu sinto muito pelo que você passou durante esses dias, Lou. Imagino que tenha sido horrível, mas você é tão forte. Aguentou tão bem... Eu tenho muito orgulho de você. - O esverdeado tenta quebrar o clima tenso, escutando a risada baixinha de Louis e um agradecimento em seguida. — Promete uma coisa para mim? - Tomlinson pergunta em um fio de voz. Styles, prontamente, acena de forma positiva com sua cabeça, mirando seu olhar curioso para o rosto cansado do acastanhado. — O que quer que aconteça amanhã, nós tivemos o dia de hoje, e isso é tudo. E você tem de me prometer que sempre se lembrará disso.— Não me assuste...— Nada irá acontecer, apenas me prometa. — Tudo bem, Lou. Eu te prometo. - Ele confirma, sua voz é sonolenta e relaxada. Suas mãos apoiam seu rosto e, consequentemente, espremem suas bochechas. — Você deve ir descansar, sim? Eu vou ficar bem.— Eu não quero estar longe. E se você precisar de mim? — Eu estou bem, estou estável e, com certeza, eles estão aqui, não estão? - Louis questiona, referindo-se aos amigos e abre os olhos novamente, para que pudesse encarar o mais novo.— Sim, estão aqui desde a madrugada, eu estava com eles. Você nos preocupou muito. — Vocês precisam descansar, eu vou ficar legal. — Nos entupimos de cafeína, será impossível descansar agora. - Styles brinca, com a voz baixa, encarando seus pés.— Você estava pintando.— O quê?— Você estava pintando. O seu rosto está todo sujo de tinta, assim como o seu moletom. - Louis afirma, há um sorriso pequeno e sincero instalado em seu rosto, também cansado.— Oh... Não era nada demais...— Tudo bem, fico feliz que você esteja colorindo. Harry permanece ali, mesmo que Louis caia no sono, com uma expressão dolorida no rosto e uma perceptível dificuldade para respirar. O mais novo ainda tem um biquinho formado em seus lábios, saber que Tomlinson estava ferido o machucava. Embora saber que o acastanhado está bem seja sua fonte de segurança..— Como foi? Ele está bem, não está? Você teve uma crise de histeria à toa. - Cillian diz, escondendo o cigarro que estava prestes a fumar.O cacheado suspira pesadamente, passando a mão pelo seu cabelo, ainda estava molhado pelo suor, e logo abraçando o próprio corpo. Ele sente vontade de revirar seus olhos, mas está tão exausto que mal sente vontade de respondê-lo e apenas adentra o carro, se encolhendo ao sentar no banco de couro.— Ele está bem, ele sempre está bem - Edward responde seu pai, encostando sua cabeça no vidro do carro e fechando seus olhos. — Louis nunca vai estar mal para mim. - Sussurra para si mesmo, engolindo seco e permanecendo em silêncio durante o resto do trajeto para casa.Uma vez que chegam, ele percebe seu pai adentrar o próprio escritório e o segue em passos silenciosos e lentos, batendo na porta algumas vezes antes de adentrar.- O que quer? - O homem questiona, sentando-se em sua cadeira giratória, Harry cobre suas mãos com as mangas longas de seu moletom e força seus calcanhares no chão, antes de proferir:— Eu queria te agradecer por ter me levado até lá...— Tudo bem, feche a porta quando sair.— E também queria dizer que se aquilo foi um pedido de desculpas, mesmo que silencioso, eu não posso e nem vou aceitar, pai. - Harry conclui a frase, percebendo o olhar impenetrável de seu pai sobre si, ignorando aquilo e fechando a porta.Ele continua ali, encarando a madeira da porta e respirando de maneira ofegante, ponderando se havia feito a coisa certa ou não.E, sim, ele havia.[...]— Dani, estou tão cansado, mal dormi essa noite. - O garoto diz, debruçando-se na janela da cabine, assistindo o outro mexer em uma das gavetas, retirando um pão folhado de lá e o entregando para Harry, que o agradece de imediato.— Deus do céu, você me agradecendo? O que aconteceu?Harry sorri, suas bochechas coram ao lembrar das palavras de Louis.— Huh, digamos que as férias fizeram muito bem para mim. — Diga a verdade, você está namorando.Styles se engasgou com o pão que estava a comer.— N-Não.— Pois é, senhor quebrador-de-corações, parece que você foi abatido. - O mais velho brinca, cumprimentando outros alunos que adentravam a escola.— Idiota, eu não estou namorando.— Entre para a aula segunda aula, você já perdeu uma, conversamos mais tarde. - Daniel aponta para a entrada principal, proporcionando um bufar entediado do mais novo.Styles termina seu lanche, jogando a embalagem no lixo reciclável, e adentrando o colégio vazio. Vazio porque Louis não estava lá e, por mais clichê que isso soasse, Harry pensava assim, afinal, Louis era o único que não o deixava sozinho. Não o deixava se sentir sozinho. Harry se sentia um bobo agora.—Ei boneca - Ethan grita, referindo-se a Harry. O jovem está propriamente vestido com o uniforme do basquete, segurando a bola alaranjada do esporte e quicando-a no chão enquanto aproximava-se do cacheado. —Pensa que eu esqueci do que aconteceu na festa de Yoston?— Porra, o que você quer, inferno? - Edward estapeia o aço de seu armário, revirando os olhos antes de fitar a feição satisfeita de Ethan. Ele odeia esse cara.— Não quero nada, boneca. Apenas vim expressar meus sentimentos. Fiquei sabendo sobre o acidente que Louis sofreu, sinto muito por você nunca mais conseguir dar para ele, já que, aparentemente, ele não conseguirá sequer andar.— Cala essa sua boca imunda - Harry pressiona fortemente seu indicador contra o peitoral do maior, o empurrando para trás. Seu rosto arde por conta do nervosismo, ele sabe que suas bochechas estão extremamente vermelhas pela raiva que está a passar. Ele realmente gostaria de socar a cara daquele desgraçado até que esteja deformada. — Qual é a sua, hein? Isso é falta de transa? Vá se foder, seu merda, nem os teus amigos te suportam mais. Insuportável do caralho. — Awn, eu fiz você se estressar, boneca? Há quanto tempo que ninguém te tira do sério? Os punhos de Styles já estavam cerrados, ele estava prestes a socá-lo, por Deus, ele estava tão perto de socá-lo. Mas Jordan, um dos integrantes do time, se aproximou, tocando no peitoral de Ethan e o afastando.— Já chega, desse show, sim? — Vá se foder você também. - Ethan empurra o braço do colega, deixando o corredor dos armários logo após, caminhando ferozmente, para a escadaria principal, provavelmente iria embora, considerando que Harry havia o afetado.O cacheado encara Jordan e pisca agradecido, percebendo o mesmo sair da escola, era provável que ele estivesse indo atrás de Ethan. Harry inspira todo o ar possível, controlando-se para não chutar os pés do armário e dá leves tapas em suas próprias bochechas, voltando sua atenção para os livros dentro de seu armário.[...]— Edward Styles, na minha sala. Agora. - Carter adentra a aula de filosofia, sem sequer bater na porta ou pedir licença. O garoto, que cochilava sobre sua mochila, assusta-se com a voz alta e esbravejada que o chama, não demorando muito para se levantar da cadeira e seguir rumo à porta.O que esse velho quer agora?— O que aconteceu?— Isso foi o ápice, Styles. Isso foi a pior coisa que você poderia fazer em anos destruindo a minha instituição. - Carter o responde, ele grita, cospe as palavras e xinga o garoto de inúmeros nomes enquanto abre a porta da diretoria e o empurra para dentro da sala.Harry está confuso, sente-se aéreo pelo sono acumulado, seu cenho está amarfanhado e seus ombros estão tensos. Ele questiona "o quê?" várias vezes durante o tempo em que Carter está o ofendendo.— Do que você está falando? Eu não fiz absolutamente nada, eu sequer tenho vontade de vir à escola.— Cale-se seu bastardo egoísta! - O mais velho grita, batendo sua mão contra a madeira da mesa, tilintando os copos e derrubando boa parte de sua papelada no chão frio. — Eu não posso acreditar que você destruiu o novo laboratório. Não posso. Você viu o estado que deixou aquele local? Não sobrou nada. Literalmente nada, Styles. Não sobrou um becker químico sequer—Harry não estava entendendo nada.O quê? Que porra de laboratório? Ele nem tinha noção de que havia um laboratório naquela escola.— Eu havia acabado de inaugurar aquela sala. Foi doada pelo diretor-geral de Radpit. Como você teve coragem, seu moleque covarde?— Eu não fiz nada! Você enlouqueceu. Os professores podem provar que eu estava dentro da sala de aula. - O garoto se defende, gesticulando de maneira desesperada, tentando provar sua inocência.Dessa vez ele não havia feito nada.Porra, ele não havia.—Tenho testemunhas, Styles! Alunos que afirmaram terem visto você dentro daquele laboratório. - Carter recolhe um documento guardado na gaveta de sua mesa, o preenchendo de maneira apressada, enquanto Edward ainda ponderava sobre aquela situação. Estava confuso, mal sabia como reagir perante aquilo. — Eu cansei. Cansei, tudo bem? Pegue suas coisas, recolha tudo do seu armário e suma da minha escola. - Ele guarda a folha, preenchida há pouco tempo, dentro do pequeno bolso do paletó do esverdeado.— Você está expulso. - Ele silaba a palavra, apontando para fora de sua sala.— Não. Não estou. Eu não fiz absolutamente nada para ser expulso. Não dessa vez. Traga as testemunhas que "me viram" destruir essa porra desse laboratório.— Você não tem direito de exigir nada, seu ignorante. Desapareça daqui.Harry está em choque.Não havia como provar que ele não estava lá. Carter nunca acreditaria em si.Styles resolveu correr para onde ficaria confortável.Para perto de Louis.Mas não pode visitá-lo.Aparentemente não havia nenhum horário disponível.

----- CHAPTER BREAK -----

— Fui expulso de Wassed. - Harry diz em ligação com Louis durante a madrugada do mesmo dia.Sua voz é a única escutada naquela chamada. Harry estava nervoso, queria dar todos os detalhes possíveis para William, acabava por se confundir nas palavras e ter de voltar a reformular as frases confusas porque o rapaz ao outro lado da linha não conseguia entendê-lo. Louis nunca o ouviu falar tanto.Styles tinha a voz embargada e contava toda a situação de maneira afobada, Tomlinson não sabia como acalmá-loE Harry ainda pensa sobre como contar isso para seus pais, mesmo que diga estar sendo acusado de algo que não fez, ele sabe que ambos não acreditarão em sua palavra.— Eu sei. - O acastanhado responde suavemente, puxando os fios soltos dos edredons que o cobriam na maca móvel do hospital.— O quê? — Eu sei sobre a sua expulsão, esquentadinho. — Louis, eu estou desesperado. - Harry desaba em ligação, chorando abafadamente em seu travesseiro, largando o celular sobre o colchão. Os soluços se tornam altos, Louis pode sentir a dor do soluçar de Harry.— Ei, como você está sensível, meu bebê—— Eu não estou sensível, que saco, Louis, ele acabou com a minha vida, eu não vou conseguir entrar em uma universidade, eu vou ser um merda fracassado, eu não sei o que fazer, parece que tudo está desabando sobre mim e eu não consigo segurar, eu não sei o que fazer—— Jordan veio até aqui. Ele veio até aqui no horário que estava destinado a ser seu. - Louis o conta em voz serena, sente-se melhor, embora esteja se alimentando pouco por não estar acostumado com a comida hospitalar.Louis pôde ouvir o soluço do mais novo cessar ao que escutou as palavras deixarem a boca de Tomlinson, ele sorri com aquilo.— O que ele foi fazer aí, Louis?— Está com ciúmes? - O mais velho provoca, escutando o bufar do outros, pouco antes de um soluço baixinho, que o faz sorrir.— Não. Mas por que ele esteve aí? Você o conhece?— Fui amigo dele. E do Ethan.— Oi?— Ele veio aqui por conta disso. Levou nossa amizade em consideração.— Eu não estou entendendo, Louis. O que isso tem a ver com a minha expulsão? - Styles questiona, interrompendo a fala do azulado, que se controla para não revirar os olhos, acha aquilo sem-educação, por isso, apenas fecha os olhos, acalmando-se. Edward sabe o quanto William odeia ser interrompido.— Não me interrompa, estou tentando esclarecer as coisas. - Ele responde, e, por fim, tudo parece silencioso o suficiente para que ele continue a contar. — Eu, Jordan e Ethan éramos amigos, nos conhecemos por conta do time de basquete da escola, você já sabe que eu participava do time da tarde, sim? - Louis questiona, escutando Harry concordar em um sussurro, acalmando-se e parando de chorar aos pouquinhos. — Nós estudávamos no período da tarde e treinávamos durante a noite, na maioria das vezes. Eles foram os primeiros amigos que eu senti confiança. Diziam que poderíamos contar uns com os outros, e eu confiei nisso, fui idiota o suficiente para confiar nisso. Minha mãe tinha ido embora, eu tinha sido abandonado de novo e nunca tinha compartilhado com ninguém. Eu estava carente, não sei o que passou pela minha cabeça quando decidi contá-los sobre minha vida até aquele momento, mas eu contei. Recebi um pouco de apoio deles, mas também fiquei dependente das drogas por causa deles... Nossa amizade se fortaleceu, eu estava feliz, eu era ingênuo, Harry, pensava que poderia confiar neles para qualquer coisa, pensava que nada nunca iria estragar a amizade que construímos. Mas aconteceu. Aconteceu que Ethan se afastou de mim e eu não conseguia entender o porquê, nem mesmo Jordan conseguia. Eu percebi quando Ethan começou a pedir para que o treinador me colocasse no banco. Nunca cheguei a comentar nada com ele, não sobre isso, as coisas aconteceram de maneira muito rápida, eu não tive tempo. Houve um dia no qual ele me empurrou três vezes durante um jogo e ninguém via aquilo, o treinador simplesmente ignorava aquele fato. Eu estava estressado, meus joelhos e mãos doíam de tantas vezes que eu caí por causa de Ethan. Quis tirar satisfação com ele no vestiário e Ethan surtou quando eu me aproximei, ele começou a dizer merdas sobre a minha família, começou a gritar propositalmente sobre o que havia acontecido entre eu e minha mãe. Eu não tolerei aquilo. Nós brigamos, brigamos feio para cacete. Eu cuspi na cara dele, me orgulho disso, faria de novo se tivesse a oportunidade... Bem, eu saí do time e troquei de turno, apenas para não ter de vê-lo, mas esse babaca fez o mesmo, e nisso entra você, eu sinto muito, mas ele sempre espalhava merdas sobre você e, mesmo sem te conhecer, eu te defendia, pedia para que ele parasse de falar aquele tipo de coisa sobre você, afinal, você é uma pessoa e ninguém merece ser tratado ou chamado da maneira que ele fazia. A ligação permanece alguns minutos em silêncio, Louis não ousa dizer algo até que Harry o faça.— Eu odeio Ethan. Odeio ele, não sei como pude abrir minhas pernas para ele, me sinto tão nojento-— Você não tem culpa, meu amor, você não pode mudar o caráter merda desses caras. — Sinto muito por ele ter espalhado essas coisas sobre você, Lou. Ele é um monstro.— Não se preocupe com isso, já acertei minhas contas com ele. O foco é a sua expulsão e foi por isso que o Jordan veio até aqui.— Queria estar conversando pessoalmente com você...— Também queria ter você aqui, amor, mas você virá amanhã, sim? Consigo aguentar. - O acastanhado brinca, escutando o riso nasalado de Styles ao outro lado da linha. — Ele nos dedurou para o diretor no inicio do ano, contou sobre a maconha da biblioteca. Foi Ethan quem destruiu a sala de esportes e fez os meninos do basquete tentarem jogar a culpa sobre mim porque eu não participo da aula de educação física. Foi Ethan quem destruiu o laboratório de química e pagou alunos para "testemunharem" que te viram destruindo o lugar.— O quê? Por que ele faria isso?— Não é óbvio que ele tem sensação de posse sobre você? Para Ethan é mais fácil te prejudicar do que não te ter. Inicialmente, eu seria o único prejudicado, mas eu sofri essa merda de atropelamento e ele não pôde consertar o que estragou, então jogou a culpa sobre você.— Eu não consigo te responder... Eu nunca pensei nisso, Louis, eu não sei o que fazer, como vou provar isso para o diretor?— Você não vai provar nada. O Jordan vai. — Não sei se entendi, Lou.— Ele se arrepende por nunca ter me defendido, se desculpou por isso e disse que irá recompensar todos os anos perdidos. Jordan irá mostrar os áudios que o próprio Ethan enviou, dizendo o que aprontaria com a sala de esportes e com o laboratório. E você, Harry, vai chegar em Wassed e ordenar inúmeras cartas de recomendação para o Carter, você entrará em uma faculdade, nem que seja apenas por cartas de recomendação de professores, coordenadores e diretores. Diga que ou ele faz isso ou você o processará por te acusar de algo sem quaisquer provas e por humilhação e constrangimento. - Louis pode considerar-se extremamente irritado no momento.Era inadmissível a postura que Carter tinha para com Harry. Que diretor, em sã consciência, deseja o mal para um estudante? Tudo bem que, Harry não era um dos estudantes mais comportados ou educado de Wassed, mas Tomlinson tem certeza de que Carter sequer pesquisou para ter certeza de que estavam falando a verdade. Caso contrário saberia que inventaram a mentira mais mal contada existente.Styles permanecia em silêncio porque estava desacreditado. Porra, como aquele cara conseguia ser tão repudiante e estúpido? Harry sentia nojo dele. Caso não fosse Jordan, Harry estaria sendo expulso da escola em seu último ano. Não conseguiria ingressar em uma faculdade e, com certeza, não teria boas oportunidades de emprego. Ele não consegue acreditar que Ethan o prejudicou dessa maneira.  — Certo, eu farei isso. - Escutou Harry concordar e bocejar em seguida. Deus, Louis queria tanto estar com o garoto para secar as lágrimas de desespero e acalmá-lo quando o mesmo pensava que não conseguiria ingressar em uma universidade por conta da "expulsão".— Vá dormir, ninho. Você está sobrecarregado. Te vejo amanhã.— Está bem.— Tchau então... - Louis não queria desligar.— Lou?— Sim?— Eu te amo.William surpreendeu-se ao ouvir aquela frase vinda do garoto, ainda era extremamente novo escutar tais palavras vindas de Edward e sendo dirigidas à si.Ele sorriu sincero, sentindo borboletas voarem sem-rumo dentro de todo o seu estômago.  — Eu também te amo.A ligação permaneceu em silêncio por um total de onze segundos, até que Harry o chamasse novamente:— Lou?— Sim, ninho?— Posso te contar um segredo?— Todos os que você quiser.— Talvez eu esteja viciado em falar que te amo.— Talvez eu esteja viciado em te amar. - Ambos sorriem com as declarações bobas, voltando a estarem imersos naquele silêncio confortável que tanto falavam.[...]— Bom dia, doce, acordou mais cedo para ir à aula. - Moretz cumprimenta o garoto, que veste um conjunto de moletom cinza, seu rosto está sereno, parece calmo no entanto. Os cachos estão presos em um coque adorável, preso com pequenos elásticos coloridos de silicone.— Recebeu minha mensagem? - Ele questiona, abrindo a geladeira enquanto a mulher passa o café de seus pais.— Recebi. Espero que seu namorado esteja bem. Ele vai melhorar aos pouquinhos, mas vai precisar da sua ajuda. - Ela o responde, lhe entregando uma cestinha de torradas frescas ao mesmo tempo em que ele fecha a geladeira e segura o vidro de leite em mãos.— Eu sei, e é por isso que vou preparar um suco natural e salada de frutas para levar ao hospital daqui a pouquinho. - Harry conta sorridente, piscando para Moretz.Ele sente que o dia será bom, há uma sensação confortável em seu peito, ele sente que pode iluminar o dia de Louis. Sente-se bem, porque, há anos desde a última vez na qual acordou com uma sensação tão boa dentro do peito.— Ele faz muito bem para você, Harry. Fico feliz que tenha o encontrado.— É, ele faz... - Sorri apaixonado, sentindo suas bochechas róseas corarem ainda mais. - Também fico feliz por tê-lo encontrado.O café é, consideravelmente, animado. Moretz fala sobre Leslie e sobre as divagações da garotinha ao falar sobre o "príncipe" que estava visitando a casa de sua avó, enquanto Harry comenta sobre Louis.Ele nunca pensou que estaria tendo esse tipo de conversa, muito menos pensou que a teria com Moretz, mas não poderia ser com alguém melhor.Assim que terminaram a refeição, levantaram-se no intuito de fazerem suas próprias coisas.Styles recolheu as melhores frutas da geladeira, pousando-as sobre a tábua da madeira, deixada em cima da pia, e lavando cada uma delas, para depois descascá-las e cortá-las em cubinhos.Ele faz todo o processo com um sorriso bobo no rosto, misturando os pequenos cubos das diversas frutas ao que os coloca dentro de um recipiente plástico e transparente, tampando o mesmo e seguindo para a preparação do suco.Harry faz isso com a ajuda de Moretz e, enquanto a mulher segura a tampa do liquidificador - para ter segurança de que não abriria -, ele procura por copos térmicos, que vinham acompanhados de tampas também.Busca por uma ecobag e um bloquinho de post-its, o pousando sobre o mármore branco da mesa de jantar e fazendo um bilhetinho, simples mas sincero, para Louis."Não são doces, mas podem te alegrar :) Todo amor, Harry xx"Ele sorri ao escrever a letra "x" dobrada, colocando o bilhete na lateral do recipiente que armazenava a salada de frutas, em seguida o guardando dentro da bolsa.Harry encosta-se na extremidade gelada do balcão de mármore, cruzando seus braços e aguardando até que Moretz despeje o suco, de laranja e limão, no copo térmico e o tampe. — Aproveite a manhã com o seu pombinho. - Ela sorri simpática, guardando o copo na bolsa que Styles carregaria.— Eu vou - Retribui o sorriso, fechando levemente seus olhos e recolhendo a bolsa. — Até depois, Retz.— Até depois, doce. - A mulher acena ao vê-lo abrir a porta e deixar a casa.Harry abraça a sacola contra seu peito, caminhando em passos apressados pelas calçadas da cidade de Wassed. O dia está ensolarado, ele gosta. Sente seu rosto ser aquecido pelos raios solares e sua visão ser, gentilmente, forçada a mirar-se no chão. Harry enxerga seu par de calçados, agora limpos, e sorri ao ver os cadarços trocados, duas cores diferentes em cada um dos tênis.Há uma banda tocando ao lado de fora de uma cafeteria, é uma música melodiosa aos ouvidos de quem a escuta, ele sorri ao perceber que conhece a música: Man on fire. O sorriso ainda está instalado em seu rosto, ele o sente aumentar quando começa a cantarolar baixinho, junto da banda.O caminho é curto até a parada de ônibus, é pouco amedrontador andar de ônibus sozinho, suas pernas tremem ao adentrá-lo, e logo ele está sentado em um dos primeiros assentos, fitando seus próprios pés.Durante o trajeto, Harry fez desenhos imaginários no tecido de sua calça, tentando fazer com que o tempo se passasse rapidamente, estava ansioso, sequer conseguia conter sua felicidade ao ter noção de que veria Louis. Dessa vez ele estava bem o suficiente para conversar com Louis sem chorar e/ou se desesperar.Uma vez que desceu na parada, o garoto caminhou por alguns metros até adentrar o hospital e dar seu nome na recepção, recebendo um adesivo de "visitante" na lateral esquerda de seu peito.Styles recebeu as instruções e caminhou pelos corredores, entusiasmado, sentia-se mal por estar sorrindo e se sentindo bem dentro de um hospital... Não, ele não negaria isso.Quando chegou à porta do quarto de Tomlinson, sorriu ao vê-lo ler um livro sobre flores, provavelmente disponibilizado pelo hospital.— Estou entrando! - O cacheado bateu três vezes na porta antes de adentrar o quarto por completo, sorrindo amavelmente para o rapaz na maca.Percebeu a feição de William parecer melhor, o band-aid havia sido trocado, era outro, mas permanecia sendo um daqueles band-aids coloridos e infantis.— Oi, Lou! - Fechou a porta atrás de si, caminhando em passos rápidos até a maca do mais velho, deixando a bolsa sobre a poltrona branca do quarto. — Como você está hoje?— Oi ninho - Sorri, esticando sua mão para tocar na mão do outro, o puxando com gentileza até si. — Estou melhor, sequer precisei da morfina, porém ainda sinto um pouco de dor. — Você pode me ligar quando precisar, mesmo que seja de madrugada. - Edward avisa, beijando a bochecha do outro. É um selar delicado, não gostaria de machucá-lo.— Tudo bem. A quantidade de remédio me faz cair em um sono profundo. - Louis explica acariciando a mão do mais novo com as pontas de seus dedos. — Inclusive, o moço que acabou por furar o sinal veio até aqui acertar os custos do hospital.— Oh, ele te visitou?Tomlinson aponta para as flores postas em um vaso transparente.Harry entreabre seus lábios, e assente. Queria dizer que o homem fez o mínimo, mas permaneceu em silêncio.— Você contou para os seus pais sobre a "expulsão"? — Não. Fiquei com medo, eles com certeza me transfeririam para um colégio interno na França antes de visitarem a escola para assinar o papel de expulsão. - O de olhos verdes esclarece, passeando seus olhos curiosos pelo quarto branco e sem-graça. — Eu estava assustado porque não havia feito nada. Não dessa vez.— Se eu pudesse eu quebraria a cara dele, mas você sabe, eu não estou aguentando nem fica em pé. - O acastanhado profere, seus lábios estão curvados em um sorriso sincero e divertido. Harry gosta de vê-lo assim. — Eu faria isso, mas Jordan não deixou, ele puxou Ethan para trás. Se ele não tivesse chegado eu nem conseguiria escapar da expulsão.— Não consigo imaginar você brigando, sabia? Para mim você sempre vai ser aquele tipo de cachorrinho que late mas não morde. — Você— Ah meu Deus, você é tão idiota, Louis. - Harry se afastou com facilidade, recolhendo a bolsa – deixada sobre o assento da poltrona –, e a pousa sobre a maca. — Trouxe salada de frutas e suco para você. — Ei, como você é, pridurok - William parece se animar um pouco mais, recebendo a ajuda de Edward para se ajeitar na maca. — Fez tudo isso agora cedo?Harry acena positivamente com sua cabeça, corando as bochechas ao receber elogios do azulado.Louis enxerga o bilhete colado no recipiente que armazenava a salada de frutas e quis gritar por achar Harry tão fofo.O período, no qual Louis tomava seu café, foi silencioso, embora a televisão estivesse em um volume alto e 'O incrível mundo de Gumball' tomasse a atenção de ambos os jovens.— Lou? O que vai ser daqui para frente?— O que quer dizer? - Limpa seus lábios açucarados com um guardanapo enquanto seu cenho é amarfanhado.— Nós... O que faremos? Formatura. Faculdade. Vida. Eu não quero estar longe de você.- O que podemos fazer é: escolher as mesmas faculdades...— Não. Diga, eu não quero mais estar em Wassed, eu não aguentarei passar mais quatro anos morando junto dos meus pais, Louis. — Bem—— Veja - Harry coloca suas mãos dentro dos bolsos de sua calça e retira uma folha dobrada de dentro de um dos bolsos, abrindo as dobras e entregando para Louis. — Eu pesquisei... Pesquisei sobre faculdades na Rússia e descobri que podemos estudar por bolsa. O governo russo disponibiliza todo ano, e também disponibilizam uma ajuda no valor de 60 dólares por mês, eu sei que não é muita coisa mas... Mas Louis, eu faria de tudo para ir... - Harry ofega ao terminar de proferir o texto, nunca falou tão rápido em sua vida.— E nós não deveríamos fazer essa prova na Rússia? Harry, amor, eu não tenho dinheiro para isso.— Não. Não. O exame pode ser feito em Yoston. Há uma sede de uma escola russa que, coincidentemente, é a mesma instituição da universidade russa. — Você sabe o quão concorrido é isso, não sabe? Está disposto? Acha que dá tempo? — Eu não sou idiota, eu também não sou tão desocupado à ponto de não estudar. É óbvio que eu precisarei me esforçar mais, mas eu quero tanto isso, Louis, quero tanto que eu acho que vou ser aprovado apenas pela positividade. - Ele continua fitando William, seus olhos brilham e exalam esperança.— E você quer que eu concorra junto de você? - O menor assente rapidamente. — Não ficará chateado caso apenas um de nós dois passe?— Claro que ficarei chateado, Louis, que pergunta idiota. Mas vamos estudar juntos, quero que nós dois passemos. - Harry se senta com cuidado na borda da maca, balançando seus pés calmamente para não mexer a maca e incomodar Louis.— Tudo bem, pridurok, vamos estudar juntos. Mas não podemos focar apenas nisso, certo? Faculdades locais também tem de estar dentro das nossas opções.— Certo. - O cacheado sorri pequeno.— Certo. - Louis repete, sorrindo para ele.O tempo de visita acaba rapidamente, Harry quer chorar quando percebe que o horário da saída é marcado no relógio.[...]— O que faz aqui sem uniforme, Harry? Você não tinha sido expulso? - Daniel questiona quase desesperado. — Nem é o horário da sua aula.— Eu vim resolver umas pendências, meu chapa. - Styles finge usar um chapéu e fumar um cachimbo, fazendo o outro sorrir por conta de sua mimica. — Mas é sério, Dani, eu preciso entrar para conversar com o Carter.— O.k, fique à vontade, apenas não destrua escola ainda. — Não irei. - Edward adentra o colégio, ignorando os burburinhos e os olhares curiosos direcionados à si.— Olá... Err, eu acabei de falar com o Carter. - Harry é recebido por Jordan. O rapaz segura seu celular, apertando os dedos no aparelho eletrônico e demonstrando um certo alívio no olhar. — Citei que, talvez, você viria na parte da tarde, ele está na sala.— Oi, Jordan - O cacheado o cumprimenta simplista e indiferente. Suas mãos estão aquecidas dentro de seus bolsos e sua mente retorna no dia em que teve uma festa surpresa de cremes cicatrizantes. Não havia sido legal ou engraçado, Jordan parecia ser o único que parecia pensava dessa maneira no dia em que se recusou a comprar um creme daqueles. Harry simpatizou com o garoto desde então. — Obrigado, por fazer isso por mim e pelo Louis.— Eu precisava. Saber das tramoias de Ethan não me deixava dormir durante a noite. - O maior confessa, socando levemente o ombro do esverdeado. — Boa sorte.— Valeu. - Styles acena para ele quando caminha para a escadaria, seguindo rumo à sala de Carter.Harry sentiu calafrios ao andar por aquele corredor, mesmo que soubesse de sua inocência, não tinha certeza de qual seria a reação do diretor.Ele ficou nas pontas dos pés quando chegou à porta do homem, tentando enxergar o que acontecia dentro da sala, apenas enxergou Carter rasgando papéis e bufando, com o cenho franzido.Edward bateu na porta antes de entrar, assustando o diretor.— Olá. - Cumprimenta o mais velho, sentando-se, sem permissão, na cadeira giratória, localizada à frente do mesmo.— Senhor Edward Styles, conseguiu escapar mais uma vez, não é? Você é um indivíduo de muita sorte, saiba disso.— Não escapei de nada, senhor diretor, pelo contrário, fui "inocentado", isso soa engraçado, não? - Indaga sarcástico, colocando seus pés sobre a mesa de mogno, sequer ouvindo a constatação do mais velho. — Eu sei que não precisava vir até aqui pois minha expulsão seria cancelada ao que você soubesse que tramaram para mim.— Então o que faz aqui? Está atrapalhando o meu intervalo, mau elemento.— Estou aqui para pedir cartas de recomendação dos coordenadores, professores e uma enorme carta somente com sua caligrafia—Harry foi interrompido pela negação de Carter, que quase engasgou-se com o café ao escutar o pedido do aluno, negando com seu indicador enquanto tossia desesperadamente, provocando a gargalhada de Harry.— Eu realmente não disse que isso era uma pergunta. Eu receberei essas cartas de recomendação quer você queira ou não. - Styles levanta-se, apoiando suas mãos na mesa e aproxima seu rosto do de Carter. — A não ser que o senhor queira receber um processo... Pelo que eu li, no artigo cento e trinta e oito diz: "Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime. Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa". E o senhor sabe que não sou eu quem está dizendo isso. - O garoto joga o papel de impressão do artigo sobre a mesa do mais velho. — Espero minhas cartas na última semana se aula. Te vejo amanhã, senhor diretor. - Ele acenou sorrindo falsamente, antes de deixar a sala e bater a porta ao fechá-la.É, não havia sido tão difícil.Harry mal podia acreditar que as coisas estavam se ajeitando.

----- CHAPTER BREAK -----

"O tempo parecia pouco, e a gente parecia muito." - Paulo Leminski. •••Amar Louis é fácil porque cada vez que Harry é uma pergunta, ele se torna uma afirmação exclamativa.Isso é fato há muito tempo, mas Harry estava amedrontado o suficiente para não perceber tal coisa.Com o amor, vem o tempo.É incontrolável, infelizmente.Seis semanas se passaram num piscar de olhos. Louis estava hospedado na casa de Zayn durante esse período. Não era de sua vontade, também não era da vontade de Harry, esse que gostaria de ter Louis em sua casa sempre, mas não era da vontade de seus pais. Nunca seria...Tomlinson retirou o gesso de seu braço há duas semanas e havia retirado o gesso de suas perna há um dia.Harry confessa que não conseguiu evitar seu sorriso ao que chegou, junto de seus amigos, no hospital para buscar Louis  - há sete semanas -, e o retirou de lá utilizando uma cadeira de rodas. Em sua defesa, Louis estava sorrindo por conta daquilo.Os dias foram transtornados, Harry tinha consciência disso por conta das mensagens e imagens mandadas no grupo que todos estavam inclusivos, era divertido receber mensagens de áudios durante a madrugada com a voz de Louis reclamando que já era a segunda vez durante a noite que Zayn quase o derrubava da cadeira.Louis estava estudando em casa, Harry caminhava até a garagem de Malik todos os dias para entregar os materiais de William e visitá-lo, porém as visitas nem sempre aconteciam. Às vezes Harry estava lotado de resumos para fazer e rever, às vezes tinha simulados acumulados para resolver e inúmeras coisas para decidir, ele estava prestes a ter um surto de tão sobrecarregado que estava. Moretz era a sua salvação, aparentemente. Ela o preparava lanches durante as madrugadas, quais eram viradas estudando, fazia companhia para o garoto quando o mesmo descia para a sala por estar cansado de estudar sozinho no próprio quarto. Houve um dia no qual Leslie foi o visitar e, realmente, pensou que a casa de Styles fosse um castelo. Ela se encantou com o jardim da mansão e Harry retirou uma pequena flor do canteiro para colocar atrás da orelha da garotinha e nomeá-la como princesa. Aquilo parecia ter feito o dia dela. Edward se sentiu orgulhoso.Estavam na penúltima semana de aula e o cacheado já havia recebido suas cartas de recomendação.Durante todas essas semanas, Carter sequer fez questão de olhá-lo nos corredores da escola, o garoto sorria toda vez com aquilo, era hilário.As coisas também não haviam mudado muito em sua casa, todos permaneciam falando apenas sobre o necessário. E aquilo era bom, porque, diminuiu muito a quantidade de discussões que tinham durante o café da manhã, almoço ou jantar.Harry gostava das coisas do jeito que estavam, nem tanto pois a quantidade de tempo que passava perto de Louis havia diminuído também. Sentia um vazio todas as vezes quais passava na casa de Zayn apenas para deixar as tarefas e simulados e já tinha de ir embora.Ele estava literalmente se esforçando nos estudos.Styles resolveu tirar uma folga na quinta-feira, caminhando até a casa de Malik e sendo recebido pelo mesmo.— E aí, menino gênio, desistiu dos estudos? - O moreno questionou sorrindo com a língua entre os dentes, deixando um espaço considerável entre seu corpo e a porta, para que Harry adentrasse a casa.— Não ainda, mas estou quase. Tirei uma folga já que faltei a escola, perdi o horário. - Esclareceu, subindo os degraus e entrando na casa do mesmo.— É aquele ditado né, "o que é um peido 'pra quem 'tá cagado?".O cacheado sorriu alto, ficando envergonhado por aquilo e cobrindo sua boca com uma das mãos, já que a outra carregava uma bolsa.— Ele está no meu quarto, eu estou saindo, vou ao shopping com Calvin e Hunter, até depois.— Até! - Harry o respondeu com um aceno, caminhando pelos corredores e subindo os degraus da escada para, enfim, chegar ao segundo andar.— Surpresa! - Entrou no quarto, vendo Louis sentado em um puff, próximo à janela, segurando um livro em mãos e apoiando um caderno em seu colo.— Ei! - Sorriu amplamente ao ver o mais novo, abrindo seus braços para recebê-lo.Harry correu até ele e o abraçou com força, sentia saudades de Tomlinson, principalmente de seu carinho e de sua voz.— Achava que nunca mais me visitaria. - O mais velho confessa, afastando-se para o lado e puxando Edward para se sentar ali.— Eu te disse que tinha muitos simulados para fazer e viria te visitar o mais rápido possível. Esse foi o meu mais rápido possível, se contente com isso, pridurok. Além do mais, você também não foi me visitar. - Solta o que estava preso em sua garganta em uma fala rápida, durante o tempo em que William guardava os livros e abraçava sua cintura. — Dê um desconte, veja o meu estado, acabei de retirar o gesso da perna, até me esqueci de como andar sem parecer manco. - Louis se defendeu, sorrindo ao ver o típico biquinho ser formado nos lábios do cacheado.— Você está com os olhos inchados, estava chorando?— Tsc - Estala a língua no céu de sua boca, negando com sua cabeça e mirando seu olhar para as figurinhas coladas no armário de Zayn. — Minh mãe esteve aqui.— O que aquela velha desgraçada queria? Porra que saco, ela nunca vai te deixar em paz não? - Styles bate suas mãos contra as próprias coxas em indignação. Ele sabe que não deve chamar a mulher de tal forma, mas saber que ela mexia negativamente com os sentimentos de Louis fazia com que ele perdesse completamente seu senso.— Não fale assim - Louis pede carinhoso, deixando um beijo na têmpora do menor, apertando as pontas de seus dedos na cintura dele. — Ela queria pedir desculpas, de novo. Disse que faria de tudo para que eu a perdoasse, citou faculdade particular e citou o pagamento do tratamento do meu pai, foi a única coisa que eu aceitei, disse à ela que conseguiria ingressar em uma faculdade com o meu próprio esforço, ela pareceu aceitar bem. Mas insistiu outras duas vezes para que eu fosse embora com ela.— Porra de mulher carnicenta. - Harry revira seus olhos, lembrando-se do que havia trazido em sua bolsa. — Oh, eu trouxe algo para nós!Edward coloca a bolsa entre seus pés , abrindo-a e retirando um recipiente plástico. — Fiz hoje cedo com Moretz e Leslie, eu dormi na casa de Retz essa noite.— São biscoitos?— Sim, com gotas de chocolate. Não que você se importe caso haja alguns confetes coloridos, sim? Isso foi intromissão da Leslie. - Ele acrescenta, apontando para os biscoitos com pontinhos coloridos e Louis sorri, beijando a bochecha - ainda - ruborizada.— Você vêm alimentando uma paixão pela culinária, não? Me corrija se eu estiver errado.— Hm, não posso te corrigir - Harry diz, retirando um dos biscoitos do recipiente após Louis. — Isso é verdade, mas é só um hobby, sabe? Tirar um pouco a cabeça dos estudos, é sério, Lou, eu estou enlouquecendo. Há dias que as palavras nem fazem nexo na minha cabeça.— Eu imagino, amor, às vezes isso acontece também e eu paro na hora, sei que não vou conseguir absorver nada - Comentou descontraído mordendo o biscoito e arregalando os olhos. Harry, primeiramente, fechou seus olhos, com medo da reprovação, mas logo sentiu os dedos de Louis tocaram suas bochechas e o puxar para um selinho. — Isso aqui está muito bom!— Que porra, Louis, achava que estava com um gosto horrível, você parecia assustado, até eu me assustei.— Como você é rude comigo, deveria ser compreensivo, poxa, eu estou me recuperando.— Como você é dramático, nunca pensei que ouviria essas palavras vindas de você.— Ei, às vezes eu também preciso de carinho. - O mais velho brinca enquanto Harry sorri e se encolhe no abraço, acariciando a coxa do acastanhado, fazendo movimentos circulares com as pontas de seus dígitos.— Eu não acredito que você não irá à viajem de formatura, ainda estou ponderativo sobre isso... Sabe? Logo você que queria tanto ir.— Podemos fazer nossa própria viagem de formatura. - Tomlinson diz, passando seu braço entorno do pescoço de Styles e abraçando o ombro do mesmo.— Você é tão bobo... Eu te amo. Estava com saudades de você.— Eu te amo, ninho. - William retribui as palavras, percebendo o rosto do outro se tornar vermelho. — Você evoluiu demais, sabia? Digo, evoluiu para melhor. Você lembra o quão difícil era para você agradecer, admitir que tinha saudades ou elogiar algo? Harry assente, desconcertado, e esconde seu rosto do casaco quente do mais velho. Bem, havia tempo desde a última vez na qual conversaram, havia muito tempo desde a última vez na qual Harry recebeu elogios de Louis. O garoto havia se esquecido do quão observador Tomlinson é.— Eu não sei o que responder, Louis, que raiva. - Fecha os olhos com força, sorrindo envergonhado e deixa um soquinho no peitoral do azulado.— Você não precisa responder nada.— Isso é bom, porque eu realmente estava planejando uma boa resposta. - O mais novo diz sorrindo sem dentes, escutando William murmurar um "idiota".— Hum, sabia que Hunter está estudando para cursar psicologia? - Louis troca de assunto, provocando um rápida confusão na mente de Harry, que assente em seguida.— Ela me contou.— Já que entramos nesse assunto, o que você acha disso?— Disso o quê, Louis? - O cacheado levanta sua cabeça subitamente, o fitando com o cenho franzido e os lábios prensados um no outro. Ele já sabia o que viria logo após e, porra, Louis estava insistindo há dias nessa exata coisa.— Não precisa se estressar, meu Deus, era só uma sugestão. - Ele levanta suas mãos como se estivesse rendendo-se e revira os olhos ao saber que Harry reclamaria do assunto no qual entrou.— Não é isso, é só que, nossa, eu já considerei a ideia mas você fica insistindo e voltado nesse assunto todas as vezes, não me deixa nem pensar.— Tudo bem, eu não sabia que você havia considerado, você nunca diz nada. - Tomlinson se afasta poucos centímetros do cacheado, suspirando chateado e apoiando seus cotovelos no joelho.Styles passa a mão no próprio cabelo, cobrando um pouco de paciência de si mesmo.— Lou? Lou, merda, me desculpa, 'tá legal? Eu sei que exagerei - Harry admite, tomando a mão do mais velho para si, vendo que ele não consegue manter a feição séria e acaba por sorrir junto d'Ele. — Mas olha, eu considerei a ideia, sim. Só não pretendo fazer isso agora porque os estudos estão me esgotando e eu sei que vou ficar mais ansioso ainda indo à um psicólogo que toma algumas horas do meu dia e eu vou ter que tirar essas horas do meu estudo, isso é o que eu menos quero agora e-— Shh, está tudo bem, agora eu sei, você não precisa ficar ansioso, vamos deixar isso para depois então. - Tomlinson compreende, beijando as costas da mão de Edward.— Eu estou tão estressado ultimamente, eu culpo os livros.— Eu também os culpo. Harry sorri com a resposta de Louis, aproximando-se dele novamente e selando seus lábios na pele bronzeada do pescoço do mesmo.— Harry, amor, eu literalmente tirei o gesso da perna ontem—— Você não tem que usar a sua perna. Não dessa vez.[...]Estudar cansava.Harry estava prestes a ter um colapso. Ele realmente estava.Louis tinha certeza de que Harry teria uma síncope durante a ligação que eles fizeram na madrugada de sexta-feira para sábado.O garoto estava soltando fumaça pelos ouvidos ao questionar sobre a formula de uma questão matemática a qual havia esquecido como montar. Styles bebeu uma caneca enorme de café em quinze, minutos. Tomlinson sequer pôde julgá-lo, levando em conta que, estava pegando pesado nos estudos também, e a quantidade de cafeína em sua alimentação diária havia aumentado mais de cinquenta por cento.Voltar para casa havia sido tranquilizante, entretanto dar a notícia do tratamento de seu pai para o mesmo havia sido complicado. Mas nada é impossível.Primeiramente o homem resistiu à ideia, depois começaram os questionamentos incessáveis e a aceitação, mesmo que não-explícita.Louis já tinha um grande começo, que era a consciência que seu pai tinha sobre o próprio alcoolismo, de resto ele conseguiria lidar com a paciência necessária.Tomlinson havia deixado mensagens para Styles, que foi dormir depois das cinco horas da manhã. Louis sabia que ele acordaria depois das duas da tarde.Ele almoçou com seu pai, o que foi gratificante, pouco divertido.— Seu time está perdendo. - Disse Dave ao sentar-se na mesa, ligando a televisão e apontando para o placar do Doncaster Rovers contra o Liverpool, ele sorriu quando seu pai disse isso.— Esse é o seu time também, não seja ingrato. - William brincou, fazendo um sorriso brotar na boca do mais velho, sentindo-se orgulhoso.Eles passaram o resto do almoço conversando sobre o jogo que era transmitido na televisão. E, céus, ambos odiavam aquele locutor.Quando terminava de secar a louça, Louis recebeu uma ligação de Harry, não demorando muito para atendê-la.— Oi, amor - Encaixou o celular entre seu ombro e sua orelha, voltando a guardar os talheres. — Está tudo bem?— Oi. Está tudo bem. E com você?— Tudo bem também, almocei com meu pai e meu time ganhou do seu no segundo tempo - Comemorou, não ouvindo sequer um pigarreio do mais novo. — Deixe eu adivinhar: está de mal humor agora?— Poderia ser, mas não é. Quero sair, Lou. Não aguento permanecer mais nem um minuto aqui dentro, só de ver todos esses livros e essas formulas prontas na minha escrivaninha me dá vontade de cometer uma atrocidade contra minha integridade física. Eu juro, estou todo descabelado, cheio de olheiras, parece que apanhei na rua. - Harry desabafa, Louis pôde escutá-lo bufar e sorriu, pensando na situação atual em que seu garoto se encontrava.— Tudo bem, para que lugar quer ir?— Vamos fazer um piquenique na praia? Por favor, eu sempre quis um piquenique na praia. Naquelas rochas sob as árvores para ser mais exato.— Certo. Deseja algo mais? - Louis consegue tirar uma risada nasalada dele e sorri, comemorando consigo mesmo.— Te encontro lá em quinze minutos.— Harry, a balsa, não dá tempo- Ele desligou.— Porra, seu merdinha safado. - Praguejou, forçando seus dentes uns contra os outros e correndo para o andar de cima, arrumar-se para o famigerado piquenique de Harry.O dia estava frio, porém o sol brilhava e iluminava a cidade de Wassed.Enquanto trocava-se de roupa, seu olhar passeava pela vista de sua janela, assistindo os botos brincarem na água. Sua mente trouxe à tona o dia em que trouxe Harry para a sua casa e ele xingou os botos durante a travessia na balsa.Aquele garoto é inacreditável. Louis não ainda não consegue acreditar que tenha encontrado alguém tão único.[...]Uma vez que chegou na praia, retirou seus sapatos, caminhando descalço na areia quente do lugar, correndo em seguida, quando sentiu os grãos queimarem a sola de seus pés.A areia próxima às árvores era gélida, por conta da sombra e, ali, ele voltou a caminhar, procurando pela jubinha indomável de Styles.— Harry? - Chamou pelo cacheado, subindo em uma das rochas presente no local em que marcaram para se encontrarem. Louis esticou seu pescoço, assistindo o mais novo acenar para si, localizado embaixo de uma das maiores árvores plantadas na praia.Ao que aproximou-se de Harry, percebeu que o garoto vestia uma camisa de mangas longas e camponesas, era um tecido branco, quase transparente. Seu cabelo estava preso, nas laterais apenas, com presilhas coloridas, e seus olhos pareciam se apossar do verde local.O cacheado havia preparado um piquenique e tanto. A tradicional toalha xadrez estava presente, assim como a cesta de alimentos e as garrafas de sucos naturais.Tomlinson sorri apaixonado, sentando-se na toalha, esticada sobre a areia, aparentemente, afofada. — Ei, meu príncipe. - O cumprimentou, selando seus lábios nas pétalas rosadas e adocicadas de Styles, que retribuiu, segurando sua mandíbula com delicadeza. — Você está lindo.— Obrigado, Lou. Você também está lindo. Eu amo esse moletom. - Apontou para o casaco, sorrindo da escrita 'british rogue'. — Oh, trouxe pãezinhos folhados porque sei que você ama. - Edward diz rapidamente, abrindo a cesta e retirando uma pequena embalagem de lá, voltando a fechar. Seus movimentos são ligeiros, Louis o estranha.— Está tudo bem?— Sim. Por que não estaria? - Sorri roboticamente, soltando as mãos no próprio colo.— Você está me escondendo algo?Harry nega com sua cabeça, ajeitando-se sobre a toalha, sentando em cima de seus próprios calcanhares e apertando seus dedos em suas coxas.— N-Não.— Harry...? - Louis cerra seus olhos, percebendo o olhar do outro vacilar e cair sobre seu colo.— Lou, eu—Louis sabe quando ele está mentindo.O chateia, porque eles haviam combinado de serem sinceros um para com o outro, e isso, aparentemente, não estava acontecendo.O acastanhado vira seu rosto para o lado contrário do rosto de Styles, proferindo em seguida:— Isso é chato, Harry... Poxa, você me chama para um piquenique, eu venho na maior boa vontade e fica esse clima estranho—— Lou.— Eu sei que você está atolado de matérias para estudar e revisar, eu também estou, só que—— Louis.— Nós havíamos combinado algo sobre a sinceridade e você ao menos consegue disfarçar que está mentindo—— Louis Tomlinson! - Harry o chama com firmeza. Sua voz rouca e melodiosa faz Louis suspirar e encará-lo em seguida.Edward segura um porta-joias personalizado em mãos. Há seus desenhos decorando todo o lado externo da madeira. Todos os traços são coloridos com tinta de cores pastéis e William sorri desacreditado, assistindo o mais novo esticar o objeto e deixá-lo em seu colo, o incentivando a ver.Seus dedos passeiam pela madeira lisa e colorida, enquanto o sorriso instalado em seu rosto aumenta cada vez mais.— Abra. - Styles pede, mordendo seu lábio inferior e cruzando seus dedos disfarçadamente.Tomlinson o fez. Ele abriu o porta-joias entre um suspiro pesado e curioso, percebendo haver um grande papel dobrado guardado dentro do objeto.Ele desfez as dobras depressa, entreabrindo seus lábios em choque ao ver seu rosto desenhado em traços tão bonitos. Traços tão únicos e tão coloridos.Louis concentrava lágrimas em seu olhos ao ver aquilo, estava prestes a dizer que se orgulhava do mais novo, porém foi interrompido pelo mesmo.— Louis, você quer namorar comigo? Porque eu quero muito namorar com você.Harry pede, com seu jeitinho afobado, quase atropelando as palavras do pedido.— Ninho... Harry, meu amor, é claro que eu quero namorar com você! - William sorri, deixando o desenho de lado e puxando Styles para um selar de lábios amoroso, sentindo lágrimas pesadas e salgadas atrapalharem o beijo.— Eu estava com medo de ser rejeitado, meu Deus, eu nunca tremi tanto em toda a minha vida. - Edward confessa, sentando-se no colo do namorado e confortando-se ali.— Acha mesmo que eu recusaria o seu pedido de namoro? Como você é bobo.— Não fale assim, eu estava nervoso.— Eu amo você.— Eu amo você. - Harry repetiu, parecia orgulhoso em dizer aquilo. Louis sorriu.— Queria que houvesse música agora. - Edward diz, deitando sua testa na curvatura do pescoço de William, sentindo a fragrância cítrica e amadeirada adentrar suas narinas.— Não preciso de música. - Falou. — Preciso de você.Naquele instante Louis percebeu que Harry era uma incógnita que, quando resolvida, se tornava uma dízima periódica. Não era uma das questões mais fáceis de serem resolvidas, mas com o tempo, tornou-se o conteúdo preferido de Tomlinson. Ele percebeu que Harry era aquela pequena pecinha esquecida sob o sofá há anos, encontrada em um momento perfeito para concluir a montagem de um quebra-cabeça – antes – incompleto.Harry percebeu que, nem tudo em sua vida eram feridas, alguns dos acontecimentos eram cicatrizes. E estava tudo bem. Estava tudo bem porque Louis ajudou em sua primeira cicatrização. Harry também percebeu que, não importa quantas vezes o seu coração rasgue, Louis sempre estará lá para costurá-lo novamente. Louis sempre estará lá para cuidar e zelar dos pequenos remendos feitos por si mesmo. Ambos perceberam que nem tudo precisava, necessariamente, de um ponto final. Às vezes uma frase incompleta, uma vírgula ou uma reticências já era o suficiente. Todos os dias o céu acorda na esperança de que seus olhos se encontrem outra vez.Todos os dias o sol torce para que eles desvendem os segredos de ambas as imensidões que carregam, com a mesma intensidade que fizeram quando se encontraram pela primeira vez.....

----- CHAPTER BREAK -----

Aristóteles diz que, a coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras. E, em partes, ele está certo. Não se garante amor sem ter coragem. Não se garante paixão sem ter coragem. Não se garante absolutamente nada sem coragem.Harry julgava Louis uma pessoa corajosa.Assim como Louis julgava Harry uma pessoa corajosa.Seu otimismo durante todo o tempo, o qual passou estudando para fazer o exame, extremamente, concorrido, era invejável. E todas aquelas palavras positivas que ele disse durante todo o período estudioso, renderam-lhe uma bolsa de cem por cento na universidade de Moscou. Louis conseguiu o segundo lugar e sequer acreditou e/ou comemorou, porque a felicidade de Harry ao ver seu nome classificado em primeiro lugar o fez esquecer de quaisquer outras coisas.— Eu não posso acreditar! Aí meu Deus! Eu nem acredito em Deus, Louis, mas aí meu Deus! A gente conseguiu! Conseguimos, Louis. Nós vamos estudar em Moscou! - O mais novo gritava dentro de seu quarto, apontando para a tela luminosa de seu computador. E, a frase que começou gritando animado, terminou de maneira chorosa. Ele realmente estava desacreditado.— Se acalme - William levantou-se da cama do garoto, ajoelhando-se próximo a cadeira onde ele estava sentado, e tocou em seu queixo, secando as lágrimas de felicidade que molhavam as bochechas do mesmo. — Eu estou tão orgulhoso de você, lyubov. Eu disse que você havia se esforçado o suficiente para passar, não disse?— Louis, eu estou tão feliz! - Ele sorriu entre o pranto, beijando a pontinha do nariz de seu namorado, o fazendo sorrir também. — Minha mãe deve estar tão orgulhosa, Lou, eu estou tão entusiasmado!Tomlinson sentiu-se mais feliz ainda ao ouvir aquilo, nunca viu Syles tão feliz em todos os momentos nos quais passaram juntos, ele nunca pensou que aquilo fosse o fazer tão bem..A mudança para Moscou teve de ser rápida, as aulas começavam em menos de duas semanas e o casal estava sem - absolutamente - nada fixo no país.Os pais de Harry negaram a mudança de início, era óbvio que eles o fariam, e Louis estava lá quando Harry deu um discurso sobre o quão insensíveis eles eram por tentarem estragar seus sonhos. Eles demoraram cerca de três dias para aceitarem aquilo. Cillian apenas revelou que Harry tinha uma herança horas antes do embarque do casal, e o garoto se controlou muito para não surtar no aeroporto. Louis fez aniversário ao que chegaram em Moscou. Harry chorou por estarem longe dos amigos e não poder dar-lhe uma festa, mesmo que pequena. Louis sorriu pela reação do garoto.Bem, talvez não estivesse em seus planos passar seu aniversário em uma banheira de hidromassagem que havia no quarto de hotel - que haviam alugado por alguns dias -, mas ele tinha Harry ali, e era melhor do que qualquer coisa.Seu almoço de aniversário foi em um restaurante de comida Italiana, ele poderia até julgar Harry por ter escolhido aquele lugar já que estavam na Rússia, mas sabe que o garoto apenas fez aquilo porque sabe que o paladar de Louis é difícil de se acostumar com novas culinárias.Ambos passaram o natal no mesmo hotel, recebendo serviço de quarto e assistindo à programas locais de televisão.Poderia se considerar chato passar o natal longe da família, mas eles eram uma família, mesmo que uma pequena.O casal separou três dias da estadia para procurarem por apartamentos mobiliados para alugarem e, escolheram um próximo à faculdade. A mudança não foi complicada, afinal, eles ainda tinham poucos pertences, mas isso não anula a animação e o entusiasmo de ambos ao perceberem que aquele apartamento seria deles durante alguns anos de suas vidas.Não era um enorme apartamento, mas era o suficiente para os dois.Haviam uma linda vista para a cidade no quarto do casal, onde também havia uma bay window, a qual Harry se apaixonou desde o primeiro momento.Eles estavam felizes. Eles eram felizes.Normalmente, a felicidade é constituída em picos. Todos têm um pico de felicidade em algum momento da vida, todos desejam que aquele momento nunca acabe porque nunca se sentiu tão feliz. Mas chega uma hora que ele acaba, não totalmente, mas ele cessa por algum tempo e você não é acostumado com aquela sensação de perda.Harry se sentiu assim após poucas semanas de aula.Louis não entendeu a reação do namorado ao ser questionado se estava tudo bem. Ele pediu para passar um tempo sozinho e o outro aceitou isso.E era claro que em algum momento da mudança Harry sentiria saudades de Wassed, sentiria saudades de sua mãe. Ele achava estar muito distante dela, e tal pensamento quase o fez desistir da faculdade.William o impediu, não diretamente, mas passou horas conversando com seu garoto e apontando os prós e contras da desistência da faculdade que ele tanto se esforçou para ingressar.E, finalmente, ele fez Harry ceder e aceitar que precisava de um psicólogo.Louis o confortou, dizendo que também precisava, e aquilo fez Styles ter um pouquinho mais de confiança.A carga horária da universidade era pesada, porém mesmo estudando oito horas por dia, eles trabalhavam. Louis deu sorte em encontrar um pub na esquina da faculdade, onde tocava no período da noite e recebia dobrado nas sextas-feiras. E Harry deu sorte em ser contratado em um escritório de design gráfico. Era óbvio que ele havia começado com muito pouco, mesmo cursando aquilo.Harry era o mais reclamão, ele mesmo admitia isso. Cansava muito rápido, sequer tinha vontade de se levantar no sábado para ir à sessão de terapia.No entanto, as coisas estavam indo bem, melhor do que o esperado.Mesmo que as brigas e discussões os cansassem, eles tinham o próprio jeitinho de resolver, Louis geralmente era o primeiro a ceder, incrivelmente mais compreensível, Harry o admirava pois, às vezes, nem ele mesmo se suportava. Foram longos quatro anos. Ambos evoluíram muito durante esse tempo. Amadureceram. Criaram novas visões de mundo. Aprenderam novas coisas sobre o outro. Viciaram-se em novas coisas. Passaram por incontáveis apertos. Ajudaram um ao outro nos momentos difíceis. E sempre, sempre, estiveram ali, um pelo outro, dando o suporte necessário para aguentar toda aquela pressão.As formaturas haviam sido momentos gratificantes e emocionantes, Louis nunca viu Harry chorar tanto como quando o assistiu discursar ao pegar seu - tão esperado - diploma.A banda Dirty Smoke entrou em pausa e, durante esse tempo, ganharam inúmeros admiradores, coisa que surpreendeu os rapazes. Sempre haviam comentários nas redes sociais de pessoas pedindo um "comeback", era divertido quando a banda fazia chamada de vídeo e se recordavam dos divertidos momentos que passaram juntos.Cada vez que Harry subia de cargo era uma comemoração diferente. Mas ele realmente não esperava receber uma oportunidade tão boa no escritório em que trabalhava ao que se formou.Uma vez que o final do ano chegou, o casal viajou para Wassed, fazendo uma surpresa para os amigos.Harry visitou Moretz antes de qualquer outra pessoa, sendo recebido por Leslie, que já havia completado doze anos, ele sequer acreditou.Moretz parecia tão orgulhosa quando o viu, e revelou estar ao abraçar o cacheado, chorando quando o escutou dizer que já estava formado.Styles passou a tarde na casa da mulher, tomando chá e comendo biscoitos. Leslie também participou do chá da tarde, ainda chamando Edward de príncipe.Dirty Smoke fez um show experimental naquele final de ano e, inacreditavelmente, os ingressos se esgotaram em pouquíssimas horas.Hunter e Harry realmente usaram uma camiseta branca com a escrita em preto, que dizia "Dirty Smoke's bitch". Seria vergonhoso se Edward não estivesse animado para caralho assistindo aquele show.Louis estava tão feliz e animado naquele palco, os olhos de Harry brilhavam ao assisti-lo e ouvi-lo cantar, era gratificante demais, Harry nunca se sentiu tão orgulhoso. Sequer reclamou de ter seu corpo sendo empurrado por outros corpos suados e fedidos.Eles se casaram.Se casaram em Wassed.A cerimônia foi simples, nada muito grande. Ninguém além da família e dos amigos compareceram.E, por incrível que pareça, a cerimônia foi feita no jardim da antiga casa de Styles.Cillian e Scott insistiram para que fosse ali.A situação deles era complicada. Nunca houve um pedido de perdão, ou algo parecido. Harry também nunca conseguiu esquecer tudo o que seus pais cometeram para consigo mesmo. Mas as coisas estavam estáveis, ele preferia mantê-las do jeito que estavam. Mesmo que não soubesse se seus pais se arrependeram ou não.Eles se casaram com vinte e três anos, no verão de Wassed. Não havia sobre o que reclamar. A cerimônia foi a coisa mais especial do mundo, Harry tinha as pessoas mais importantes de sua vida ali, assim como Louis, que apenas saiu de perto de seu pai para tirar as fotos com os poucos convidados. A melhora de Dave o fez chorar ao conversar com o homem.Tudo parecia tão diferente mas tão igual. Harry e Louis sentiam falta do conforto de Wassed.Infelizmente, a Dirty Smoke teve de se separar. Não porque os integrantes haviam deixado de serem amigos, mas porque cada um gostaria de seguir seu próprio caminho. Mas eles prometeram gravarem covers para subirem no YouTube assim que se encontrassem novamente.Louis nunca pensou que uma carreira solo fosse dar tão certo.Também nunca pensou que Harry sentiria ciúmes dos elogios que recebia em suas postagens no Instagram..Cerca de dois anos depois, Louis tinha singles lançados e inúmeras entrevistas postadas no YouTube, ainda trabalhava em seu primeiro álbum e pensava no quão rápido havia crescido. Era claro que nunca conseguiria chegar onde está sem o apoio de seu marido, seus amigos e até mesmo de seu pai.Tomlinson tinha respostas na ponta da língua para muitas coisas. Quase nunca se contentava em responder um "não sei", mas foi isso o que ele respondeu quando Styles citou 'filhos'.Foram semanas discutindo pacificamente sobre isso.Harry o abraçou e o agradeceu quando ele disse que poderiam tentar.Adotar filhos - à essa altura do campeonato -, não estava em seus planos. Realmente não estava.Mas seus pensamentos mudaram quando ambos visitaram um orfanato russo, no centro da cidade de São Petersburgo.As crianças eram carentes, faziam de tudo para impressioná-los, era óbvio que elas gostariam de sair daquele lugar horrível, era óbvio que elas gostariam de ter um lar e de poder ter uma família. Louis sabia exatamente como era esse sentimento, sentiu-se insuficiente ao conversar e brincar com todas aquelas crianças no pátio do orfanato e dar-lhes falsas esperanças, mesmo que não intencionalmente.Harry se encantou por uma garotinha chamada Irina, ela tinha apenas seis anos e protegia sua irmã mais nova com unhas e dentes, lembrava uma leoa com seus filhotes, ela era uma graça de menina. Pouco fechada, mas muito protetora.Seus cabelos ruivos estavam presos em um coque apertado, os fios estavam cheios de gel. Ela vestia um uniforme largo do orfanato, porém parecia aquecido o suficiente para que suas bochechas ruborizassem, seus olhos eram verdes, tão verdes que poderiam ser comparados à esmeraldas, não havia brilho, como poderia haver? A pequena, ao seu lado, não estava muito diferente, porém usava um rabo de cavalo, que parecia machucá-la, Harry caminhou até elas, sem sequer avisar Louis, que ainda interagia com a diretora do orfanato e com as crianças, ele recebeu o olhar desconfiado de Irina, e não insistiu em retribuir, apenas arrumou o cabelo ondulado da menor, que agradeceu baixinho, parecia aliviada ao não sentir mais aquele aperto em sua cabeça.Ambos passaram o resto da tarde ali, Anastasia, como a mais nova se apresentou, era mais animada, tinha apenas dois anos, um pouco de dificuldade na pronuncia das palavras, porém muito entusiasmada com a visita.Durante todo o processo de adoção, Harry quis tornar aquilo algo confortável para Irina, que achava que seria separada da irmã. Ela tinha uma personalidade forte, mas nunca chegou a ser mal educada para com os mais velhos.Tomlinson e Styles estavam se mudando para um apartamento maior, a decoração dos quartos estava sendo uma parte importantíssima daquele período. Harry e Louis gravavam diversos vídeos, mostrando cada uma das partes fofas dos quartos.Harry havia se tornado incrivelmente bom em demonstrar sentimentos, Louis o beijava cada vez que percebia sua evolução durante todos aqueles anos. Todo aquele orgulho não cabia em seu peito. Era demais.Tudo era demais.Louis se sentia inseguro ao pensar que faltava muito pouco para receber suas filhas em casa. Tinha medo de não conseguir ser um bom pai, tinha medo de não conseguir dar-lhes amor e carinho o suficiente. Deus, ele tinha medo de muitas coisas.Mas Harry parecia ter mais.Harry fez Louis jurar e prometer que independente do que acontecesse ele sempre estaria ali por elas. E ele jurou e prometeu.Edward havia se tornado uma pessoa extremamente emotiva. O mais novo chorou durante toda a noite antes de recebê-las. Estava nervoso e ansioso. Estava mais estressado ainda, chegou a reclamar por trocarem o lado da cama, considerando que ele sempre dorme no lado esquerdo. William evitou ao máximo sorrir com a situação, o abraçando por trás e acariciando suas coxas desnudas.A adaptação foi um processo delicado. Harry pensou que não conseguiria.Sentiu-se péssimo ao que Irina lhe chamou de chato.Sentiu-se um monstro. O pior responsável do mundo.E ele apenas tinha recusado deixá-la tomar sorvete às nove horas da noite.Styles chorou escondido no banheiro, mas nada passava batido aos olhos do marido, que percebeu seus olhos inchados enquanto arrumava as camas das garotas.Tomlinson sentou-se sobre o edredom rosa, da Barbie, e puxou o cacheado para ficar em pé, entre suas pernas, durante o tempo em que o explicava calmamente a mente das crianças ao terem algo negado e dizia que não faziam por mal. Elas realmente não tinham noção do que machucava ou não.Foi um ano conturbado, mas também havia sido um dos melhores anos da vida de ambos.[...]O final do ano havia chegado mais uma vez. A casa estava certamente decorada para o Natal, que se aproximava. A grande árvore de natal tinha bolinhas com fotos da família e, coincidentemente, a estrela da árvore era uma foto de suas filhas, recortada em formato de estrela. Harry sorria sincero sempre que olhava para aquela estrela no topo da árvore. Haviam flocos de neve de papel colados nos vidros das janelas. Meias penduradas nas lareiras e guirlandas em quase todas as portas. Até mesmo a toalha de mesa tinha um tema natalino – isso havia sido ideia de Louis.Harry sentia-se preguiçoso para fazer qualquer coisa quando olhava para fora e via a neve cair levemente do céu, principalmente por estar só naquele enorme apartamento, o qual não ficava em silêncio durante o dia.Harry confessa que odeia pegar férias em datas diferentes das datas dos outros integrantes da família.
Odiava ficar sozinho em casa, mas era o que lhe restava. Se ele pudesse arrancaria suas meninas da escola mais cedo todos os dias.Passou o dia assistindo filmes e conversando com Hunter – por ligação –, que parecia muito entusiasmada com a construção de seu consultório no centro de Wassed.Ouviu a porta ser aberta algumas horas depois do usual, e levantou-se rapidamente, calçando suas pantufas e percebendo as filhas correrem para dentro de casa.Louis tinha as duas mochilas em seus ombros, fechando a porta e sorrindo para o marido.Edward teve suas pernas abraçadas por Anastasia, e logo teve sua cintura abraçada por Irina.— Oi, meus amores! - Ele sorri, retribuindo os abraços das filhas, percebendo ambas terem os lábios sujos de chocolate. — O que vocês comeram e não trouxeram para mim?— Mamãe, nós comemos churros de chocolate, o papai nos levou em um caminhão de churros! - Anastasia conta animadamente, fazendo Harry sorrir e perceber que ela esticava as mãos, pedindo por colo.Harry engatou suas mãos sob as axilas da mais nova, a confortando em seu colo e beijando sua bochecha.— Mas a gente trouxe para você, mamãe - Irina explicou, caminhando até seu pai e pedindo por sua bolsa, retirando a embalagem de lá. — Só que deve ter esfriado um pouquinho porque caminhamos na neve...— Está tudo bem, minha princesa, obrigado por trazer. - Ele se abaixa, beijando a testa da ruiva, a vendo sorrir timidamente.— Elas recebem beijos e eu não? - Louis questiona dramático, falando com seu sotaque britânico, provocando a confusão no rosto de Ana, que estava no colo do cacheado. — Bom saber sobre essa seletividade.— Louis, eu te amo, que po— deixe quieto. Eu não vejo minhas filhas desde cedo, senti falta delas. Te vi há duas horas.— Estou brincando, eu sei que você me ama. - Tomlinson deixou um beijo estalado na bochecha do marido, retirando seu casaco pesado e o pendurando no cabideiro rústico. — Vou tomar um banho, tudo bem? Qualquer coisa me chame.— Tudo bem, Lou - O assiste caminhar pelo corredor, acendendo as luzes e desaparecendo ao entrar no último quarto do mesmo corredor. — Como foi a aula de vocês?— O papai já perguntou, temos mesmo que responder? Está congelando, ficar falando faz meu queixo tremer, olha! - Irina demonstra, tremendo seu queixo, Harry arqueia seu cenho, entreabrindo seus lábios e acenando positivamente, fingindo acreditar.— Mas eu não sou o papai de vocês, eu também quero saber como vocês foram na escola. — Huh, eu pintei algumas coisas por causa da prova que a professora me deu hoje. Aí tinha que mergulhar o dedo na tinha e pintar dois aviõezinhos. Mas isso na primeira questão. Nas outras tinha que escrever, e foi muito chatooo! - Irina conta, de maneira apressada, chegando a atropelar algumas das palavras.— E você? Me conte como foi seu dia. - Direcionou a pergunta à menor, que encostou a cabeça em seu ombro e bocejou.— Eu passei cola em um fiozinho branco e desenhei um gatinho com o fio, a tia anotou na minha agenda alguma coisa mas eu não sei o que é, o papai sorriu lendo. - Anastasia gesticula suas pequenas mãos e Harry assente, sorrindo orgulhoso de ambas.— Sua prova estava fácil? - Indagou à Irina, que fez que sim com sua cabeça. — Que bom, meu amor. Você já tem sua nota?— Sim! Eu tirei nota dez, mas o papai pegou minha prova e guardou no carro. Ele encheu minha bochecha de beijos. A Ana ficou com ciúmes, sabia?— Não fiquei com ciúmes, mãe, eu nem sei o que é ciúmes.— Ficou sim, Ana. Tanto que o papai também teve que te dar beijinhos porque você é um pouco invejosa.— Não comecem. Por Deus, vocês acabaram de chegar. Vamos lavar as mãos. Tenho um serviço para vocês duas.— Ah não, mãe! - Ambas reclamaram em uníssono. Irina cruzou seus braços, pisando forte no chão enquanto caminhava até a pia e arrastava o banquinho no chão, para alcançar a torneira aquecida.— Irina, amor, não faça assim, você sabe que eu não gosto. - Harry a corrige, ajudando Anastasia a lavar suas mãozinhas.A ruiva nega com a cabeça, engolindo seco e seca suas mãos, fazendo um beicinho em seguida. — Desculpa, mamãe. É só que eu estou cansada porque tive educação física na escola e está tãoo frio...— Vamos fazer biscoitos decorados, você não quer participar?— Ela não quer porque ela é chatinha. - Anastasia diz, enquanto sente a água enxaguar suas mãos.— Chata é você, sua chata. - Irina lhe mostra a língua e Anastasia retribui a ação.Harry jura que evita sorrir.— Vou deixá-las de castigo caso continuem se ofendendo. - Revela com a voz firme, secando as mãos da menor e a colocando no chão.— Desculpa. - As duas pedem em coro e o mais velho sorri, assentindo para elas.— Vejam, precisamos preparar o mise en place, sabem o que é?— Mamãe, eu não aguento mais você e o papai falando nessas línguas estranhas que eu não conheço. - Irina reclama, ajeitando, com dificuldade, suas mechas ruivas atrás de suas orelhas.— Deixe eu te ajudar, minha princesa. - Harry retira o elástico de seu pulso, prendendo o cabelo da filha em um rabo de cavalo frouxo, para não machucá-la. — Está bom assim?— Sim, obrigada. - Ela assente sorrindo.Anastasia já tem seu cabelo amarrado, ela conta que seu pai amarrou durante o tempo em que ela tentava comer um churros e sentia fios de cabelo lhe atrapalharem.Harry não conteve sua risada porque o cabelo da filha estava totalmente desarrumado, mas ela parecia confortável, então ele não mexeria.— O mise en place é a base da nossa organização. Vamos separar tudo o que for necessário para fazer os biscoitinhos nessas tigelas aqui - Ele recolheu os plásticos e deixou sobre a mesa. — Entenderam? — Sim! - As duas respondem sorridentes. — Quem quer quebrar os quadradinhos de chocolate para mim? — Eu! Eu quero, mamãe! - Irina corre até Harry, apoiando suas mãozinhas na borda da mesa e ficando nas pontas dos pés, para que pudesse ter uma visão melhor do mise en place. — A Ana não tem forças para quebrar os quadradinhos. Mas se ela quiser eu posso quebrar e dizer que foi ela. — Não será necessário, vida, sua irmã vai fazer outra coisa. - O cacheado a conforta, abrindo a embalagem de chocolate e entregando para sua filha. Anastasia ficou encarregada de colocar os ingredientes no grande recipiente para misturá-los. Era óbvio que ela tinha a supervisão de Harry e, quase, derrubou o pote com todos os ingredientes dentro. O coração do esverdeado quase saiu pela boca. Sequer conseguiu conter um palavrão em inglês. Uma vez que terminaram de fazer a massa do biscoito, fizeram as formas de bonequinhos, pirulitos e meias, com as pequenas formas. A cozinha estava uma bagunça, mas Harry não se importava em ter de limpar aquele monte de trigo no chão e nos balcões.— Agora vamos para o banho. - Edward diz, retirando suas luvas de pano logo após colocar s biscoitos no forno.— Quem chegar por último toma banho primeiro! - Irina gritou, correndo para fora da cozinha e sendo acompanhada de sua irmã mais nova.Harry odiava quando aquilo acontecia porque teve de lidar com os choros das quedas diversas vezes. Era sempre bom evitar ter uma filha machucada.— Não corram! Eu não vou deixar vocês ajudarem na decoração se me desobedecerem— Irina desça já da cama. — Eu ganhei! A Ana vai tomar banho primeiro.— Não. Vocês duas vão. - Louis diz enquanto seca seu cabelo, agora longo, sendo a salvação de Harry. — A banheira acabou de encher.Styles sorri agradecido, assistindo as mesmas adentrarem o banheiro, ainda emburradas.— Obrigado. Elas estão me deixando de cabelos em pé hoje. - Ele passa as mãos em seu rosto, as apoiando na cintura em seguida, percebendo Louis se aproximar e beijá-lo com doçura. Céus, ele sentia falta de seu marido.— Vou separar os pijamas delas e trago aqui, certo? - William questiona em um sussurro cansado e Edward acena positivamente.— Estamos fazendo sua receita doce favorita de natal. - O esverdeado conta, há certa animação em sua voz, ele faz Louis sorrir.— Eu percebi pelo cheiro. Elas ajudaram mesmo ou você só diz isso para elas acharem que ajudaram?— Não, pridurok. Nossas filhas realmente ajudaram. Elas são minhas pequenas cozinheiras.— Por que está fazendo os biscoitos tão antes do natal? Vamos receber alguém esse ano?— Não, eu apenas quis fazer alguns dias antes. Gosto de cozinhar para essa época do ano. E, ah, precisamos comprar os presentes delas. - Harry cochicha no ouvido do acastanhado.- Eu já comprei. Comprei hoje enquanto elas estavam na aula.— Oh, sério!? - Styles questionou animado, batendo palmas rapidamente e dando pequenos pulos. — Você comprou a casinha e o navio de bonecas? Não acha que elas vão brigar?— Não, ninho, acho que não. Deixamos no quarto que elas usam para brincar, porque se deixamos no quarto de cada uma delas... você já sabe o que vem em seguida. - Louis explica, sorrindo com a expressão assustada do marido. — Por que está tão ansioso com essas coisas?— Não estou ansioso, é só que... ah, Lou, vocês passam o dia todo fora de casa, chegam aqui cansados e não fazem quase nada em família. — Meu amor, não fique chateado - Tomlinson sela seus lábios nas pétalas rosadas do mesmo e sorri. — Pegarei férias em pouquíssimos dias e então faremos todas as atividades em família que você quiser.— Tudo bem. Agora eu vou banhá-las para decorarmos os biscoitos. Você vai nos ajudar, não é?— Apenas se usarmos nossos aventais em conjunto. Harry revira os próprios olhos, mordendo seu lábio inferior e deposita um último selar de lábios no mais velho antes de assentir e caminhar até o banheiro.A hora do banho, geralmente, é a hora mais agitada pois as meninas amam brincar na água, mas o frio fazia com que elas não quisessem se mexer, nem mesmo para lavarem seus cabelos. Dessa vez elas permaneceram quietas, tremendo de frios e se recusando a deixarem a banheira e água morna.Louis ajudou Harry, contando uma histórias para descontrair as garotinhas, enquanto o marido enrolava Anastasia em uma toalha felpuda de unicórnio, igual a toalha na qual Irina era enrolada.Irina já estava na idade de começar a fazer as coisas básicas, sozinha, coisas como: tomar banho; escovar os dentes; vestir-se; arrumar a própria cama, mas Harry, às vezes, cedia os caprichos da filha, vestia-a com seu pijama de pinguim, que era quase como uma fantasia.Anastasia tinha um igual, porém era de urso, Louis adorava aquele pijama.— Está quente? - O azulado questiona, abotoando o pijama e desvirando a toca da filha, que assente para sua pergunta. — Está confortável? - Ela assente de novo. — Tudo bem então, ursinha.— Esse nome é engraçado papai. - Anastasia gargalha, sua vozinha falhando ao soluçar.— E como os ursos fazem?— Assim: - A pequena finge ter garras e franze seu cenho. — Rawr! - Emite um baixo rugido, fazendo ambos os pais gargalharem.— E você, minha pinguinzinha? Como que os pinguins andam? - William se direcionada à filha mais velha.Irina junta suas pernas e entorta seus pezinhos para fora, balançando seu corpo de um lado para o outro e andando pela banheiro. Harry e Louis gargalham, levantando-se para que saíssem do cômodo.— Mamãe faz cachinhos no meu cabelo? - Ana pede, fingindo fazer cachos com seus dedos e Harry assente.— Eu também quero! Mas o meu cabelo é muito grande, vai dar certo? - Irina questiona, apontando para seu longo cabelo ruivo e encharcado d'água, enquanto Louis anda atrás da mesma e coloca uma toalha sobre sua cabeça, fazendo a mais nova bufar divertida e retirar o pano, que atrapalhava sua visão.— Tudo bem, sentem-se aqui - Harry aponta para a cama, esperando as garotas lhe obedecerem, mirando seu olhar para o rosto sorridente de Louis. — Você pode desligar o forno? Por favorzinho?— Por favorzinho! - Anastasia repete, juntando suas mãos, fazendo os dois sorrirem.— Ana você não pode se intrometer nos assuntos dos nossos pais.— Mas eu só repeti o que mamãe falou, Nina.— Está tudo bem, sua irmã não se intrometeu em nossos assuntos, amorinha. - Styles toca a bochecha de Irina, percebendo a mesma acenar positivamente. — Venha, vou trançar o seu cabelo.— Vai ficar melhor que os cachos, não vai?— Vai sim, os cachinhos não parariam em seu cabelo. Harry recebeu reclamações durante o tempo em que fazia uma trança embutida no cabelo da primogênita, que dizia ter seu couro cabeludo machucado, e então ele dizia que não conseguiria completar o penteado caso não tirasse as mechas escondidas. Ela aceitava, de primeira, e depois voltava a fazer manha. Irina era a mais carente de ambas, estava melhorando em demonstrar isso. Aos pouquinhos.— Vocês não vão à psicóloga esse final de semana porque é natal e ela tirou férias, o.k? - O cacheado avisa ao que termina de arrumar o cabelo das duas, ajudando Irina a prender as presilhas em seu cabelo.— Ah - Anastasia faz um beicinho chateado. — Ela entrega doces de manhã. Você não deixa a gente comer doce de manhã, mamãe. — Não deixo vocês comerem doces nas manhãs dos dias de semana. - Corrigiu, acenando para fora do quarto e apagando as luzes quando as pequenas correram para a cozinha.— Papai! Você viu nossos cabelos? - Ana gritou, e Irina encostou o indicador em sua própria boca, pedindo para ela falar mais baixo. Anastasia sussurra um "desculpa" baixinho.— Vocês estão lindas minhas princesas. Mas e vocês? Gostaram dos penteados que mamãe fez em vocês?— Sim, né, pai - Irina responde, como se fosse óbvio. — Mesmo se não gostássemos, você nos chamou de princesas então está bonito.— Você é tão espertinha, sua mãe era assim quando menor. Direto e exato. - William comenta, organizando o balcão da decoração dos biscoitos.Edward morde seu lábio inferior, corando fortemente e entrelaça seus dedos atrás de seu corpo, sorrindo envergonhado.— Ele era?— Ô se era. - Arqueia as sobrancelhas, chamando pelas filhas e colocando os aventais nelas. — Venha colocar o seu avental. - Louis chama pelo marido, esse que caminha timidamente até ele, recebendo ajuda para amarrar o tecido em suas costas.— O que vocês querem decorar primeiro? Os bonequinhos, as meias ou os pirulitos? - Tomlinson questiona, apontando com cuidado para cada uma das figuras de massas assadas.— Os bonequinhos, papai! - Anastasia é a primeira a responder, sendo seguida pela irmã, que tenta acompanhar a frase.A decoração é uma zona completa.O casal havia deixado as filhas tentarem decorar as figuras escolhidas, é claro que haviam suas supervisões, mas as pequenas não tinham coordenação motora nenhuma, o que resultou em decorações não tão bonitas quanto aquelas decorações de filmes e fotos na internet. Mas nenhum dos dois se incomodou, as crianças estavam felizes, estavam se divertindo e achando aquilo um máximo, nada poderia deixar pais mais felizes do que a felicidade de seus filhos.— Ficaram lindos! - Harry elogiou, recebendo o olhar sarcástico e desacreditado de Louis sobre si, o mesmo que não ousou contestar, não estragaria a felicidade das filhas.— Esses bonequinhos juntos são vocês dois - Irina apontou para os biscoitos próximos um do outro, e continuou a falar: — Eu fiz papai e Ana fez mamãe. - Ela sorriu, suas mãos estavam sujar de doce, assim como suas bochechas. Harry marejou seus olhos e sequer disse algo, apenas beijou a testa das filhas e olhou para cima, tentando evitar que as lágrimas caíssem.— Mamãe? Não chora. Você achou feio? - O mais nova questionou, balançando seus cachinhos, parecia preocupada.— Não é isso, meu amor. É só que eu amo muito vocês e às vezes— Às vezes eu não consigo expressar. - A voz do esverdeado embarca, ele sente Louis se aproximar e abraçá-lo por trás, apertando os dedos em sua cintura e acariciando o local.— Mas você não precisa chorar porque a gente também te ama. — É verdade. - Irina concorda, acenando de maneira positiva com a cabeça.— O que vocês acham de assistirem algum desenho na sala enquanto preparamos o jantar? - Louis sugeriu, retirando os aventais que as irmãs usavam e os pousando no encosta das cadeiras.Elas assentiram, correndo para a sala e deixando ambos sozinhos.— Não chore, meu bem, você sabe que nós te amamos. Falamos isso todos os dias antes de sairmos de casa e antes de dormirmos. - O mais velho dá uma meia-volta entorno do marido, ficando à frente do mesmo e encostando a cintura do menor na pedra gelada do balcão. — Eu te amo - Beija a bochecha rosada de Edward, sentindo a umidade e o gosto salgado das lágrimas em seus lábios. — Eu amo você. Meu Deus, eu amo você incondicionalmente.— E é por isso que você é casado comigo. - Ele repete a frase que William diz ao tê-lo chateado com algo.— Exatamente. - Louis beija a outra bochecha do cacheado e, por fim, deixa um selinho nas pétalas rodadas e adocicadas do marido.[...]— O Papai Noel sempre vem no finalzinho da noite do aniversário do papai. Que é daqui poucos dias. - Anastasia tagarela, sentando-se na cadeira da mesa, com a ajuda de Louis.— Isso mesmo. Mas vocês tem de estarem dormindo, senão ele não deixa presente nenhum e vai anotar o nome de vocês na lista de crianças que não merecem recompensas.— Nós fomos crianças respeitosas, papai? - Irina questiona, colocando a touca de seu pijama e aguardando por seu prato de risoto.— Bom, eu acho que vocês saíram um pouco da linha em alguns momento - Ele respondeu honesto, montando outro prato, recebendo olhares tristes e beicinhos de suas filhas. — Mas vocês merecem os presentes que escolheram, com certeza o Papai Noel os trará.O casal apenas se serve quando terminam os pratos das pequenas. É engraçado terem de lidar com birras infantis porque não querem comer salada, nunca se imaginaram naquela situação. Harry realmente não se importava em lidar com aquilo, insistindo para que as filhas comessem, sentia-se orgulhoso por ter uma família e por poder ter a maioria de suas refeições com eles, o que não conseguia fazer quando menor, em sua própria casa.O jantar é incrivelmente barulhento. As garotas engatam em incontáveis assuntos, que sequer terminavam de contar, e começavam outro. Harry sequer conseguia engolir sua comida de tanto que as respondia. Louis não estava muito diferente, à cada garfada eram cinco respostas.Logo após ajudar na cozinha, William seguiu para a sala, junto com as pequenas, que tentavam tocar seu violão, e era óbvio que não conseguiriam nada além de "arranhos".Harry sentou-se no tapete, tendo Anastasia em seu colo e a cabeça de Irina apoiada em sua coxa, enquanto Louis tocava as músicas infantis que as filhas pediam. Até mesmo Harry cantou "Barbie Girl", o que foi divertido, Irina e Anastasia insistiam para que ele contasse mais músicas infantis com elas, e ele o fez.[...]— Agora, que estão com os dentinhos escovados, as mãozinhas lavadas e se divertiram cantando, é hora de ir para cama. - Louis diz, autoritário, mas suave.As crianças, que brincavam no tapete da sala, levantaram-se depressa, recolhendo seus bichinhos de pelúcia e caminhando rapidamente para o corredor.Irina parou em sua frente, lhe oferecendo uma continência e sorrindo divertida. — Sim, capitão!— Papai é capitão? - A menor pergunta, seus olhinhos arregalados e Irina assente em concordância.— Sim, eu sou capitão e vocês devem obedecer o capitão, então, já para a cama. — Sim, capitão! - As duas respondem, se escondendo em seus quartos.Tomlinson visita cada quarto individualmente, cobrindo as garotas deixando um beijo de boa noite em suas testas, antes de fechar as portas e acender a luz do corredor porque sabe que elas ainda temem.— Deu tudo certo, capitão? - Styles indaga ao que o mais velho adentra o quarto, está usando um robe de flanela e suas pernas estão desnudas. Seria uma visão sensual se o nariz do esverdeado não estivesse vermelho por conta do frio e seu rosto não estivesse inchado pelo choro recente.— Não faça isso comigo, Edward Styles. - Ele tranca a porta, apagando as luzes e percebendo ter a lareira acesa. — Irina te contou sobre o que aprontou na escola hoje?_ O quê? Ela aprontou? Ela não me disse nada.— Ela não te disse porque ficou com medo de que você se entristecesse.— Estou curioso, Louis, me conte! — Acalme-se - O azulado conforta-se sob os cobertores, ajeitando os travesseiros atrás de suas costas, do mesmo jeito no qual Harry se encontrava no momento, ele recolhe o livro no qual estava a ler noite passada e o deixa em seu colo. — Irina disse que estava fazendo a prova com tinta e tinha que pintar apenas dois aviões, porque era o que dizia no enunciado. Mas ela estava fazendo essa tal prova ao lado de uma aluna que trata a amiga dela mal, então Irina simplesmente pintou um avião a mais na prova da outra enquanto a mesma estava desatenta.— Puta merda, essa menina é inacreditável. - Edward gargalhou jogando sua cabeça para trás e escondendo seu sorriso com as mãos.— Ela é a sua cópia, Harry.— Não diga isso. Não me faça chorar agora...— Mas ela é, ninho. O que podemos fazer? - Louis pergunta retoricamente, encaixando sua mão na cintura do mais novo e o trazendo para perto. — Eu te amo. Eu amo elas. Eu amo a nossa família. Obrigado por me fazer feliz, Harry.— Eu te amo, Louis. Obrigado por ter me dado a chance de te fazer feliz. Há alguns anos, Louis havia dito que, a felicidade é um estado de espírito, que cada um tinha de encontrar sua própria felicidade. Também havia dito que esperaria por Harry. O esperaria até que encontrasse sua felicidade.Harry vêm ponderando sobre essas falas de Louis há um tempo e, agora, ele tem certeza de que encontrou sua felicidade.Sua felicidade estava na coragem, na bravura, na amizade e no amor que construíram durante todos esses anos.Harry não poderia estar mais feliz.Nenhum dos dois se esqueceriam de quando se encontraram na detenção, afinal, foi ali onde aquela interminável história começou. •••Q&A DIRETAMENTE DO WATTPADharry, quando foi que você percebeu que amava o louis?
puta merda, acho que, nem sempre você sabe o momento exato, entende? você apenas sabe que aquele sentimento sempre esteve ali, mas você nunca teve coragem o suficiente para o expor... amar louis, provavelmente, foi o melhor que pode me acontecer.louis, você vai conseguir perdoar a sua mãe? e se você perdoou, como está a relação de vocês?
eu realmente não conseguiria perdoá-la, não posso dizer que guardarei um rancor eterno dela, afinal, ela me ofereceu amor e um lar por muitos anos. as coisas desandaram, saíram dos trilhos, o trem nem sempre segue sua rota inicial, mas, atualmente, eu acho que não tenho a capacidade de perdoá-la. e, bem, as cartas ainda chegam na minha casa, em wassed.harry e louis, qual é o momento preferido de vocês juntos?
harry: huh, eu acho que foi quando nós viajamos para yoston. ver louis tão confiante no palco daquela festa com certeza é um dos meus momentos preferidos.
louis: provavelmente o meu momento preferido é o momento em que harry diz que me ama. eu havia morrido por onze segundos naquela noite e acho que morri por alguns segundos naquele momento também. louis, qual foi sua primeira impressão ao ver o harry?
eu questionei a sanidade mental dele. porque, porra, não é sempre que se encontra um garoto sentado em um dos assentos do auditório, enquanto há uma guerra acontecendo ao seu redor e o sensor de fumaça molha todo o seu uniforme e encharca seu corpo.você (autora) já tem outra fanfic em mente?
yepp, e essa nova fanfic conta com um pouco de mistério 👀 por que o cillian se tornou frio com o próprio filho? ele não percebeu que harry era o que mais estava sofrendo com a morte da mãe e depois sofria mais ainda com o seu afastamento?
boa pergunta, é uma ótima oportunidade para que eu esclareça o personagem do cillian. bem, eu quis retratar algo mais real, tenho em mente que nem sempre algo acontece de tal modo, mas, como citado anteriormente, cillian teme harry por ele ser muito parecido com arabella. harry se parece com a mulher em exatamente tudo, desde o jeito de andar até o jeito de falar ou a aparência. cillian via arabella em harry e aquilo o assustava. cillian sempre temeu perdê-lo, e optou por não deixar o garoto se aproximar novamente pois, caso algo acontecesse, ele achava que não sentiria-se como sentiu ao perder sua mulher.
a relação deles se tornou pacífica com o tempo, mas harry nunca chegou a perdoá-lo e ele nunca chegou a pedir o perdão de harry. são coisas que nem sempre necessitam de um pouco final, eu acho que o relacionamento de harry com os pais será finalizado com uma vírgula.

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