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Percy não reclamava da vida que tinha, onde tudo era incrível e bem longe do normal. Ele tinha uma família amorosa (entre pais, irmã, tios e primos) com uma queda para sarcasmo e problemas, estudava magia e como derrotar criaturas do caos e tinha duas habilidades (combate e magia elementar) que ele amava praticar. Ele não conseguia lembrar-se de uma época que não era Percy Jackson Kane, mas sabia que ele não era filho biológico de Amós, não como sua irmã Estelle era, o mais importante era saber que isso nunca fez qualquer diferença. Seus tios Julius e Ruby sempre o faziam rir, principalmente quando implicavam com seu nome “grego demais para um egípcio”, Carter e Sadie eram ótimos amigos para brincadeiras.Ele sentiu muito a morte da tia Ruby, além da perda de uma pessoa muito próxima foi o começo de um período de afastamento entre seus primos e ele, (coisa que sua mãe discordava, mas não podia diretamente ir contra), muitas coisas estranhas começaram a acontecer nas escolas que Percy frequentava e ele foi forçado a mudar de escola muitas vezes. Seu padrasto estava quase aceitando a ideia de ensiná-lo em casa. Hoje eles estavam conversando sobre isso novamente.- Cruzar a ponte para Manhattan não vai ser mais seguro Sally - Amós insistiu – Você lembra como eu encontrei você quando você morava lá? Como eu quase cheguei tarde demais?- Não quero meu filho longe de mim Amós! Esse colégio interno é muito longe, Percy nunca ficou tão longe de mim.- Eu também sou pai dele, também o quero por perto, mas a segurança dele é mais importante Sally.A mãe dele pareceu ficar distante, como se lembrasse de algo longínquo, mas seu pai não parecia ter notado porque estava igualmente perdido em pensamentos, mesmo assim ele acrescentou uma frase.- Percy é um ótimo mago, muito poderoso e isso tem chamado muita atenção de monstros. Às vezes acho que a visão de Ruby pode vir cedo demais.Tia Ruby tinha aptidão para um tipo muito raro de magia, que dava a ela pequenas visões de futuro, mas os primos de Percy nunca souberam disso antes da morte dela pelo desejo dela de que Carter e Sadie tivessem uma infância normal. Morando no 21° nomo essa opção nunca esteve disponível para ele, mas nunca tinham dito a ele que sua tia tinha visto algo em seu futuro.- Saia de trás dessa porta Percy- a voz de seu padrasto quebrou o silêncioEle saiu de trás da porta e entrou na biblioteca de cabeça baixa por ter sido pego ouvindo.- Desculpa ter ficado ouvindo.Amós suspirou e apontou para a cadeira ao lado dele.- Onde está sua irmã?- a mãe dele perguntou esticando o pescoço para verificar se ela não estava atrás da porta também.- Assistindo tevê na sala em vez de a leitura que ela deveria terminar pra escolaSally reclamou algo incompreensível e saiu em busca de Estelle, Percy sabia que a irmã iria ouvir outra repreensão de que ela devia focar nos estudos ou não poderia ir para o primeiro nomo como iniciada nas férias. Amós pigarreou para chamar a atenção dele.- Percy... Eu imagino que você esteja bem curioso com o quanto ouviu – havia uma pergunta na frase- A discussão sobre escola.- Hm... Qual a sua opinião sobre isso Percy?A pergunta, seguida pela maneira que Amós o encarava, mostrava que realmente a opinião de Percy era importante (mesmo que ele ainda nem tivesse completado doze anos), era um dos motivos de Percy amar Amós. O carinho silencioso e não superprotetor como o da mãe dele.- Eu não quero ficar longe, mas ficar em casa o tempo todo também não... Eu vi a escola que você falou, eles têm latim certo? Eu posso aprender como meu bisavô.- Sim, eles têm latim e um bom programa para alunos com TDAH. A Academia Yancy vai ser uma boa escola para você Percy.- E a visão da tia Ruby?-Sua tia disse que você levaria o Egito para uma nova era, e junto de seus primos, tornaria nossa raiz mais forte. Mas você tinha um caminho diferente de Sadie e Carter para tornar isso real.Percy não sabia muito bem como interpretar tudo isso e franziu a testa, não esperava que Amós fosse lhe falar a verdade. Ele abriu a boca para formar alguma frase de agradecimento ou dúvida, ainda não tinha certeza, quando o rosto de seu padrasto mudou de expressão e prendeu sua atenção.- Eu só quero que você entenda uma coisa Perseus – e Percy prestou total atenção quando seu nome foi dito – Eu amo você por quem você é, estou orgulhoso de ser seu pai e ter visto você crescer e aprender. Você não precisa fazer nada para me deixar orgulhoso porque eu já sou.Percy se viu em um abraço firme e cercado de amor paternal, quando ele se afastou levantou a mão para secar uma lágrima que ameaçava cair e tentou mudar o assunto.- Então... Academia Yancy?Seu pai riu e permitiu a mudança de assunto.- O internato fica em Nova Jersey e...Percy queria que a Academia Yancy desse certo, e realmente tudo começou indo bem, latim era incrível, ele tinha um amigo e não ficava tão longe de casa- o natal no Brooklyn foi incrível!- mas tudo começou a ficar estranho depois do feriado. Seu amigo Grover ficava nervoso com mais frequência e uma nova professora de matemática tinha aparecido para tentar infernizar a vida da turma da sexta série que até então estava tendo um ano muito bom.– Como estão as coisas, querido? – a voz da sua mãe soou no outro lado da linha, por causa dos colegas de quarto Percy não podia usar meios mágicos de comunicação.– Ficando meio estranhas eu acho; a Sra. Dodds parece sempre procurar um alvo na sala, sempre cruel e deliberadamente cega quando Nancy e suas amigas fazem algo de errado. Parece que ela só gosta de punir os bons alunos. Mas latim tem sido ótimo, o Sr. Brunner é muito bom.Percy sabia pelo tom de voz que a mãe estava preocupada e fez o possível para assegurar que tudo ficaria bem, ele não tinha tido nenhum problema sério e talvez até pudesse voltar para cursar o sétimo ano.– Nós vamos ter uma excursão ao museu, será que por coincidência vocês não podiam aparecer por lá?– Claro que podemos, por coincidência é claro – ela respondeu e a voz de Estelle gritou no fundo.– Vai ficar nos devendo!– Tenho que me desligar agora ou não vou acordar amanhã.Quando o telefone desligou Percy percebeu que não ouviu a voz do pai, franziu a sobrancelha e virou para dormir, provavelmente ele teve que ir ao primeiro nomo novamente, ele vinha insistindo com os magos para que Percy fosse permitido a visitar os primos.– Preocupado, Percy?- Grover tinha entrado tão silenciosamente que ele não tinha notado.– Saudade de casa, na verdade. Saudade dos meus primos e da minha irmã. Você também sente saudade de casa?– Sim.As semanas passaram rapidamente e logo o dia da excursão chegou, embora tivesse historias ruins com essas excursões, Percy estava animado. Grover conversava com ele durante o caminho, contando expectativas para o passeio, visitar um museu não era tão empolgante, mas as aulas de latim do Sr. Brunner poderiam com certeza tornar isso em algo interessante. Tudo estava tranquilo até Nancy se cansar da viagem e decidir esmigalhar seu lanche e jogar em Grover, que apenas desviou e tentou manter a conversa.– Faz um tempo desde que estive num museu, então – ele desviou de um pedaço do sanduíche – talvez tenha algo interessante – e desviou novamente – como estátuas ou espadas – e evitou um pedaço particularmente grande do lanche da garota.Percy manteve os punhos fechados, para evitar avançar contra a menina, ela sempre escolhia mexer com Grover que era mais frágil e nervoso, sempre tentando provocar Percy. Se ela fosse uma maga ou um monstro ele ficaria feliz em colocar ela na piscina de Philippe. Ao invés de fazer algo que o colocasse em problemas ele ergueu a mão e chamou o Sr. Brunner.– Sim Percy?– Desculpe, mas acho que talvez a Nancy esteja passando mal, ela está comendo de boca aberta e cuspindo o lanche, talvez esteja tendo um ataque.Os alunos olharam para Nancy que tentou esconder o pedaço de sanduíche que iria cuspir e acabou deixando escorrer baba pelo queixo.– Ela está babando, que nojo – uma menina no corredor anunciou e os alunos desataram a rir.– Talvez seja melhor sentar-se aqui na frente se está passando mal senhorita Bobofit.Tão vermelha quanto seu cabelo, Nancy caminhou para frente do ônibus rangendo os dentes, Percy ‘acidentalmente’ deixou a muleta de Grover escorregar alguns centímetros e fez a menina tropeçar no caminho.– Você está bem, Nancy? – ele perguntou com um sorriso irônico – você precisa tomar mais cuidado ao andar, seria terrível se você perdesse a aula de hoje.Ela deu-lhe um olhar de morte e seguiu andando para frente do ônibus, as amigas dela em silêncio nos bancos de trás. Grover olhava para ele meio risonho e meio preocupado.– Como você consegue soar tão inocente? Acho que Nancy vai tentar te matar no museu.– Minha priminha Sadie tem um jeito travesso pior do que o meu, e sinceramente para alguém que gosta de rir à custa de outros um pouco do próprio veneno é bom.O Sr. Brunner olhou para Percy brevemente, o suficiente para piscar de um jeito maroto que fez o rir mais.– Viu? Até o Sr. Brunner concorda.Usando o pretexto que ela poderia realmente estar à beira de um colapso, o Sr. Brunner manteve Nancy ao seu lado durante toda a manhã, funcionou muito bem e deu a Grover e Percy uma manhã tranquila de exploração no museu.– Sabe que eu nunca vim muito aqui nesse museu? O do Brooklyn é meu favorito– O de Brooklyn? Por quê?– Perto de casa, minha mãe escreve romance, e às vezes ela ia ao museu para se inspirar – e às vezes ela ia estudar artefatos ou usá-los como portal, mas ele não ia dizer isso.Falando nela, Percy viu no fundo a silhueta de sua família fingindo observar uma pintura poucos metros à direita. Ele apontou disfarçadamente para que o amigo os visse. E voltou a prestar a atenção no que o professor dizia sobre a estatua à frente que retratava o que ele entendeu como o funeral de uma menina, o tom triste e distante do Sr. Brunner fazia parecer que ele esteve lá.Não demorou até eles serem liberados para o lanche e uma amiga de Nancy o empurrar quando Percy tentou passar, ela tropeçou para frente falsamente e começou a acusá-lo.– Percy me empurrou!Ele viu sua mãe, pai e irmã virando para observar.– Não empurrou não – contestou Grover– Agora, meu bem, esse não é um bom comportamento. – a voz Sra. Dodds surgiu ao lado dele, pingando malicia no tom falsamente doce.– Concordo professora, mentir não é um bom comportamento. – Percy respondeu impertinenteA Sra. Dodds torceu os lábios.– Isso é muito próximo de uma atitude desrespeitosa, meu bem.– Srs. Jackson e Underwood, vocês caminham comigo, Srtas. Bobofit e Smith podem ir à frente – interveio o Sr. BrunnerNancy e Millie pareciam satisfeitas com isso, mas a Sra. Dodds continuou encarando os dois enquanto se afastava.– Meninos, vamos evitar conflitos hoje sim? Posso esperar um bom comportamento de vocês?Ambos responderam um ‘sim senhor’ e Grover acompanhou o professor depois de acenar – de modo indiscreto – para que Percy fosse até os pais.Sua mãe parecia muito nervosa, trocava palavras rápidas com seu pai e sua irmã parecia aborrecida por ter sido deixada de fora, ela veio até o irmão com a expressão fechada.– Acho que eles não gostaram de algo naquela situação, usaram o feitiço de tradução para falarem em egípcio antigo! –reclamou assim que ele estava perto o bastante.Estelle tinha quase oito anos e pelo costume já deveria ser aprendiz em tempo integral no primeiro nomo, mas sua mãe conseguiu um acordo que ela treinaria durante as férias e o resto aprenderia em casa para que evitasse suspeitas por atrasos escolares, um argumento muito bem aceito entre os pais dos mais jovens magos que pediram a mesma escala de estudos para seus filhos. Percy sabia que somente sua mãe poderia sugerir uma mudança assim e conseguir fazê-la acontecer por causa de seu jeito meigo e perseverante.– Alguma ideia do que pode ter a feito ficar assim?– Algo com aquelas meninas e os professores, mamãe agarrou o braço do papai e sussurrou algo, depois foi o feitiço e você se aproximando.O sentido de monstro de Percy disparou, sua mãe era a maga de visão mais clara que estava viva, nenhum tipo de glamour poderia enganá-la por muito tempo e se ela ficou nervosa quando olhou para a discussão que se iniciou mais cedo ela tinha vista alguma coisa não humana.Mas quem poderia ser o monstro? Nancy ou Sra. Dodds? As duas tinham atributos para serem monstros, mas ele não sabia com certeza quem poderia ser.– Uh, mãe, pai? Eu não tenho muito tempo antes de notarem minha ausência.Eles pararam de discutir e viraram para ele com um pedido de desculpas no olhar.– Desculpe querido, só fiquei preocupada com aquela discussão. Isso acontece com frequência?– Nancy e Melie sempre tentam meter todos em problemas, a Sra. Dodds nunca vê nada de errado que elas fazem. Mas está tudo bem, não é?– Eu acho que sim, só não... Há muita magia num museu como esse, e às vezes a magia se acumula em lugares no espaço que fazem parecer algo a mais quando não é nada. Mas eu não gostei dessa professora ou dessas meninas, se isso continuar me avise.Então, sem aviso, ela o puxou para um abraço apertado e seu pai logo seguiu para apoiar a mão no ombro dele.– Estivemos em busca de uma escola mais próxima para você ano que vem, talvez tenhamos uma boa e bem próxima de casa – Percy acenou para o pai e se afastou do abraço.– Melhor irmos mãe, ou vou perder o ensaio do recital.Estelle deu um abraço em seu irmão e seguiu com os pais para a saída. Percy ficou sozinho na galeria, achou melhor sentar ao lado da estátua da aula e puxou o seu sanduíche para comer. Ele se perguntou se era possível que essa excursão fosse a primeira que ele completaria sem incidentes como o do canhão explodindo o ônibus e o banho no aquário. Ele tinha acabado de pensar que não devia cantar vitória cedo quando Nancy surgiu atrás dele.O barulho que a denunciou foi à risadinha que ela nunca conseguia esconder, Percy olhou para cima a tempo de ver Nancy virando uma garrafa cheia de água nele. A mão de Percy voou rápida e a água seguiu contra a gravidade, encharcando Nancy ao invés dele e a menina gritou confusa e indignada, um grito que atraiu das sombras uma outra figura – a Sra. Dodds.– Agora, meu bem, eu peguei você.Ela seguiu até Nancy e lhe assegurou que eu seria punido antes de mandá-la para fora, depois virou para Percy com os olhos faiscando de uma alegria maligna. Todos os pelos dos braços de Percy se arrepiaram num só segundo, ele descobriu quem era o monstro e não tinha como derrotá-lo sem seu cajado e varinha, que tinham sido postos do duat. Aproveitando a chance enquanto a forma da professora de matemática se alterava ele se virou e correu.Percy aproveitou os segundos enquanto o monstro se libertava do disfarce humano para correr para fora do salão o mais rápido possível, em direção à saída, com sorte sua família ainda estaria lá e poderia ajudar a conter sem envolver mortais. Mas ele nunca chegou lá para descobrir porque quase foi atropelado pelo Sr. Brunner que vinha velozmente para dentro do museu em sua cadeira de rodas motorizada. Sem fôlego ele tentou fazer um gesto para avisar do perigo, mas o Sr. Brunner piscou e sorriu misteriosamente antes de lhe lançar uma caneta.
Quando a caneta chegou ao alcance ela tinha se transformado numa espada de bronze reta em vez da kophesh que ele era acostumado - não que ele fosse reclamar - com a habilidade de um bom esgrimista Percy prendeu os dedos ao redor do cabo e se sentiu mais confiante, agora ele tinha uma chance.
Era ótimo também que o treinamento com a espada incluísse como cair com segurança quando se tem uma lâmina afiada, porque foi o que o salvou de ser empalado pela própria espada no próximo segundo quando um vento de força sobrenatural o jogou para frente.
O tempo estava esgotado.
O Sr. Brunner estava fora de vista e, portanto longe para que Percy se concentrasse no monstro a frente, deixando a mente correr entre os monstros mitológicos egípcios que ele estudou, mas nenhum chegava perto do que era aquela coisa.
- pare de fugir e devolva o que roubou ladrão e você não sofre o tormento eterno.
- do que você está falando?
Ganhar tempo era a melhor solução, até que ele tivesse alguma ideia de que tipo de monstro ou demônio era esse e se a espada de bronze poderia matá-los.
- Se entregue herói e sua morte será indolor
- Se eu morrer minha mãe vai me matar - e Percy nem tinha duvidas que ela apareça na frente de Anúbis e o faria recuar para avançar sobre o filho - então eu devo recusar a proposta.
o monstro rugiu e não houve tempo para pensar quando ele se lançou sobre Percy. Um ajuste de pulso deixou a espada na posição certa e segunda depois o monstro explodiu em poeira deixando para trás apenas um grito sinistro de dor e surpresa. Percy piscou para a poeira se dissipando e a espada em suas mãos antes que ele caísse no chão.
----- CHAPTER BREAK -----
Assim que ele abriu os olhos, Percy viu a forma de sua mãe se jogando para abraçá-lo, seu pai sorria atrás dela, mas tinha nos olhos uma sombra de preocupação.
- Oh eu não posso deixá-lo por um minuto que você se mete em confusão! - reclamou Sally
- Deixe-o respirar querida - Amos a segurou pela cintura e virou- se para Percy - o que aconteceu filho?
Percy abriu a boca para responder e... Nada. A mente dele parecia olhar para um espaço vazio onde a memória ficava; sua magia correndo para encontrar a parte que faltava, mas só encontrou uma parte distorcida.
- Eu... Eu não lembro - ele se conteve e tentou lembrar melhor, não queria deixar seus pais mais preocupados - Eu decidi comer meu lanche perto de onde vocês estavam me observando, para evitar aquelas meninas e hm, e Nancy decidiu que era uma boa ideia aparecer atrás de mim e me jogar água. E-eu não tenho certeza do que aconteceu depois. Talvez o Sr. Brunner apareceu?
O casal trocou olhares preocupados.
- Seu professor ligou e nos contou quando chegamos que duas colegas de sala tentaram fazer uma pegadinha com você jogando água com sabão, que você se irritou e jogou parte da mistura na roupa de uma delas, mas quando tentou levantar escorregou e bateu a cabeça no chão. As duas foram suspensas e ficarão o resto do ano com detenções por colocarem sua vida em risco.
Percy franziu a testa, ele tinha uma vaga lembrança de Nancy jogando água e do Sr. Brunner chegando velozmente na direção dele, mas não de cair e bater a cabeça. Ele olhou o quarto ao redor, não um hospital, mas a enfermaria do 21° Nomo.
- Me trouxeram para casa?
- Achamos melhor cura-lo aqui já que a magia é mais rápida, mas se preferir você não tem que voltar para a escola - Amós lhe informou - Sua mãe e eu conversamos e concordamos que você pode estudar em casa pelo menos até o fim do ano escolar.
- Mas eu estou bem na escola, a Sra. Dodds não é muito legal, eu sei, mas eu tenho um amigo e é seguro lá.
- A Sra. Dodds? - perguntou Sally
- A outra professora na excursão - Percy respondeu
- Aquela não era seu professor, o Sr. Brunner alegou que a Sra. Dodds desapareceu esta manhã e que foi a Srta. Kerr quem veio em uma excursão com você.
- Srta. Kerr? Não tenho nenhuma professora com esse nome.Os dois adultos trocaram outro olhar preocupado.
- Sua mãe viu um monstro rondando sua classe, e pensamos que talvez ela estivesse tentando cercá-lo, mas então o monstro recuou para a saída e não o vimos mais. Achamos que talvez sua professora não esteja mais viva, o monstro deveria ter usado o corpo dela para tentar atacá-lo.
Percy estremeceu e quase pode ouvir um estalo em sua mente.
- O monstro me atacou! Era a Sra. Dodds, mas depois o corpo se contorceu então era mais ela quando Nancy tentou jogar água em mim, eu sem querer fiz a água subir e atingir ela, então a Sra. Dodds afastou Nancy e me acusou de ter roubado algo, quando eu não soube dizer o que ela queria ela tentou me matar, mas o Sr. Brunner apareceu e... E então eu tinha uma espada e quando eu matei o monstro não tinha ninguém mais por perto.
Sally e Amós se entreolharam por um longo momento, obviamente numa conversa silenciosa antes de Amós falar novamente.
- Você não vai voltar para a escola Percy, e eu vou chamar o Sr Brunner para uma conversa, ele parece saber algo a mais nessa história é preciso saber o que.
Amos saiu junto com Sally e Percy se recostou no travesseiro macio, sabendo que não poderia contestar o fato que se um monstro o perseguiu e tudo o que ele teve não foi um sonho. Seus pais estavam certos em tirá-los de lá. Ainda assim ele ficou tentando encaixar as peças entre o que ele lembrava e o que o Sr. Brunner tinha contado aos seus pais.
Monstros podiam manipular o glamour e o duat, fazer mortais acreditarem em coisas que não são reais ou esconder a magia de seus disfarces, mas quando a Sra. Dodds tinha conseguido fazê-lo acreditar que ela era sua professora em vez dessa Srta. Kerr? Teria o monstro o perseguido desde a Academia Yancy? O curso de seus pensamentos se perdeu quando ele piscava cada vez mais lento e quando menos percebeu, já havia adormecido.O Sr. Brunner os encontrou em sua sala na Academia Yancy e Grover, o amigo de Percy, estava junto para ouvir notícias. Sally e Amós entraram na sala, trocaram breves cumprimentos e sentaram de frente para a escrivaninha para a conversa.– É muito bom ter os senhores aqui Sr. e Sra. Kane, primeiro eu gostaria de perguntar: como Percy está? Foi um grande susto que ele nos deu.– Percy esta se recuperando, ainda um pouco confuso, mas consciente e bem. Um dos nossos objetivos aqui é entender o que houve.– Sim, eu compreendo totalmente.– Você nos viu no museu Sr. Brunner? – Amós continuou quando o homem negou - Percy nos ligou algumas semanas antes da excursão falando sobre e perguntando se não poderíamos ‘aparecer por acaso’ para vê-lo. Ele tem o costume de achar que já é grande, mas sente falta da irmã e de nós, somos uma família muito unida. Então combinamos de passar no museu para dar um oi, e não muito tempo depois que saímos Percy sofre um acidente.O Sr. Brunner e Grover trocaram breves olhares.– Bom Sr. Kane, vamos a uma explicação do que aconteceu sim? No nosso último encontro a preocupação com Percy deixou as coisas urgentes e não pude explicar bem.– Pode começar falando onde está a Sra. Dodds que Percy acordou perguntando? – Sally começou, falando pela primeira vez na conversa.– Ela já foi encontrada? – Continuou Amós – Você nos disse que ela tinha desaparecido, mas Percy tem certeza que a viu no museu.Grover disfarçadamente seguiu em direção à porta, mas não saiu, enquanto isso o Sr. Brunner fez o que parecia um gesto apaziguador, que na verdade era um uso da névoa para deixar a história ‘normal e facilmente aceitável' por mortais. Como num clique a onda de névoa atingiu o casal que imediatamente pulou para trás, varinhas em mãos, em posição de defesa.– O que você pensa que está fazendo tentando nos enfeitiçar?O clima tranquilo foi jogado pela janela, Grover tinha os olhos arregalados e se espremia contra o canto da sala, o Sr. Brunner congelou com as mãos no ar enquanto encarava as varinhas apontadas para ele.– Quem são vocês?– Magos da Casa da Vida e você vai nos explicar que coisa era aquela que tentou matar nosso filho ou terá grandes problemas. – Amós nunca esteve tão sério e Sally não pareceu menos assustadora.– Me desculpe – o Sr. Brunner ergueu as mãos em um gesto realmente apaziguador–Essa conversa então vai ser mais difícil do que eu esperava.
– Você não respondeu nossas perguntas– Amós não recuou e pelo tom não queria esperar muito mais.
– Meu nome é Quíron, eu sou...
– Um treinador de heróis, treinador de Hércules e Perseu- Sally completou
Amós virou-se para encará-la com uma pergunta no olhar
– Ele é..?
– O que conversamos – foi à resposta que ele recebeu da esposa.
Ambos baixaram as varinhas e sentaram.
– Vocês sabiam? Os dois? – questionou Quíron, recebendo um
aceno de resposta.
– Amos e eu nos conhecemos quando Percy tinha dois anos, até então eu não sabia da minha descendência egípcia, minha mãe morreu antes de me contar- Sally começou a explicar - nos casamos quando Percy tinha três e Amós sempre soube sobre o pai de Percy, mas pensamos que isso não fosse afetar nada.
– Percy é um mago- continuou Amós – Está sendo treinado como um mago e tem aptidão para a magia.
– Entendo que isso pode ser confuso de entender, mas Percy também é um semideus e precisa ser treinado com um. Ainda mais agora depois da fúria, monstros vão atacá-lo com mais frequência e ele pode não entendê-los.
Sally apertou as mãos de Amós, que retribuiu o aperto.
– O pai dele me disse que se ele entrasse no acampamento não poderia sair, Percy está seguro em casa conosco.
– Porque 'ainda mais agora'?
– Estamos com uma crise no olimpo, a arma de Zeus foi roubada e ele acusa Poseidon, ambos estão ofendidos e se nada for feito pode ocasionar uma guerra.
Sally e Amós trocam olhares preocupados.
– Como isso pode afetar nosso filho?
– Numa guerra como essa é difícil dizer. Se eu posso perguntar a Sra. Kane, quem é o pai de Percy?
– Poseidon.
A expressão de Quíron se tornou grave.
– Zeus pode achar que encontrou o seu ladrão se descobrir sobre Percy, mas talvez esse seja um ponto de paz. Se Percy encontrar a arma perdida e a devolver.
– Como você planeja deixar algo tão importante assim nas mãos de um menino de 12 anos? – Amós questiona – É algo que os adultos entre vocês deveriam cuidar, nós não mandamos nossas crianças para a guerra.
– Temo que não haja adultos entre nós que possam lidar com isso, nossos semideuses mais velhos estão se preparando para a faculdade. E o ponto de paz é o filho de Poseidon devolvendo o pertence de Zeus, não funciona com outro semideus.
– Você quer meu filho, treinado para enfrentar os desafios do nosso mundo e quer que ele enfrente o que vier do seu mundo para resolver um problema que é de vocês? - Amós parecia cada vez mais irritado e Sally não parecia disposta a parar o marido.
– Não será um problema somente nosso se Zeus descobrir o menino, Sr. Kane.
– Percy não vai sair da escola para enfrentar monstros no lugar de vocês – Amós insistiu – podemos protegê-lo em casa.
– Até quando? - insistiu Quíron – se o menino algum dia andar de avião estará morto antes de descer, e se for descoberto por outros pode ter um destino semelhante.
– É a única maneira de manter meu filho vivo e salvo? Arriscando a vida dele? – Sally pergunta, finalmente pondo a mão no braço do marido.
Quíron acena com gravidade.
– Temos que treiná-lo mais, ele não está pronto Sally.
– Ele vai estar, é nosso filho.Amós demora a ceder, mas no fim ambos concordam que Percy pode ir para o acampamento no fim das aulas para treinar, mas deixam claro que interferiram se isso se tornasse um risco para Percy. Quíron concordou e os deixou ir, Grover se aproximou depois que o casal saiu.
– Mas Quíron o prazo do solstício vai estar quase no fim quando ele chegar, Percy é muito jovem, ele pode não voltar dessa missão.
– Ele tem que conseguir Grover, a grande profecia parece estar próxima de se cumprir.– A grande profecia?– Sim, e algumas outras – Quíron respondeu deixando uma caneta simples rolar entre os dedos – Precisamos levar Percy para o acampamento o quanto antes, ele vai precisar de tanto treinamento quanto possível para sobreviver a essa missão. Zeus não vai ficar nada satisfeito quando descobrir sobre ele e apesar do que a mãe de Percy pense, ela não pode protegê-lo.Os dois ficaram em silêncio na sala antes de Grover se levantar infeliz.– É melhor eu voltar para o dormitório, amanhã tem um teste de matemática e eu preciso dormir o suficiente para passar por isso de novo.Amós e Sally permaneceram em silencio a maior parte da viagem, ambos resolutos e presos nos próprios pensamentos. Sally quebrou o silencio quando já estavam nos degraus da mansão.
- Como contamos a ele?
- Do mesmo jeito que eu contei a você sobre o Egito e os magos, do começo.
- Quando ele nasceu eu esperava contar quando ele estivesse pronto para o acampamento, esperava que ele fosse perguntar sobre isso. Mas ai veio você e o nosso casamento deu a Percy um pai, uma referencia paterna e ele nunca perguntou ou fez qualquer menção de que tinha interesse em saber sobre o pai biológico. Você é a melhor coisa que poderia ter nos acontecido.
Amós deu um beijo na testa de Sally e a abraçou forte.
- Eu também amo você, amo nossos filhos e prometo que vamos passar por isso, juntos.
Eles encararam o resto da escada e a conversa que teriam pela frente e de mãos dadas seguiram para o próximo desafio de dizer a Percy que ele era mais do que um mago.
----- CHAPTER BREAK -----
Percy tinha um livro nas mãos quando eles voltaram, um livro que exibia monstros egípcios e pequenas descrições do que eram e como derrotá-los. Obviamente ele estava procurando pelo monstro que o atacou, e tinham mais dois livros egípcios do mesmo assunto na cabeceira de cama. Sally e Amós apertaram mais firmemente as mãos antes que o musico fizesse um som de pigarreio para anunciar a presença deles.- Hey- Percy comentou levantando brevemente a cabeça do livro - Demorou mais do que eu esperava, meu professor era um mago ou era mesmo um mortal confuso?Sally pegou uma cadeira para si e outra para o marido e sentou de frente para Percy, ela viu o marido imitando seu gesto e o rosto do filho mudar entre preocupação e ansiedade.- Percy querido, o que aconteceu na escola com o professor é uma assunto que vamos conversar, mas que está atrelado a outro que eu estive esperando você crescer ou que nunca afetasse nossas vidas.Incerta de como seguir ela olhou para Amós num pedido de ajuda.- Você sabe que não é meu filho biológico certo?- Amós continuou antes que o silencio ficasse muito longo - E também sabe que sendo meu sangue ou não você sempre vai ser meu filho.Os olhos do menino na cama estavam abertos de medo e ansiedade, mas um pouco do sentimento se aliviou com a afirmação do pai.- Por mais que eu seja orgulhoso de ser seu pai, ha algumas pendencias com seu pai biológico que você precisa entender e... Conviver.- Que tipo de coisa? É como meu TDAH e dislexia? É tipo hereditário?- Isso também, mas são mais sinais do que doenças normais- Sally voltou a falar e buscou a mão do marido como apoio - Minha mãe costumava me falar que a magia era real, que eu um dia entenderia o que ela falava, mas, como você sabe, ela morreu antes de ter a chance de me falar sobre a magia da minha herança.Percy acenou com a cabeça, ele conhecia a historia.- Eu morava em Nova Iorque com eles e morei lá até conhecer Amós. Aconteceu muita coisa em minha vida até eu ter você e eu conheci uma forma de magia antes de encontrar a Casa da Vida.Estelle entrou no quarto com pressa, sem saber o que interrompeu.- Papai tem uma ligação do primeiro nomo, acho que pode ser sobre tio Julius.O casal trocou olhares numa rápida conversa silenciosa e Amós se levantou para atender a ligação, levando Estelle com ele.- Mamãe o que você quer me contar com isso? O que tem haver esse cara comigo? Amós é o meu pai.- Deixe eu lhe contar como eu o conheci sim? Isso vai ajudar.Ela esperou uma resposta, que veio num aceno de cabeça, e continuou.- Meu tio Kellernan tinha acabado de falecer do câncer de estômago, e todo o nosso dinheiro, incluindo o da venda da casa dele, tinha sido gasto no tratamento. Eu tinha pouco mais de 300 dólares para me sustentar e nenhuma casa para ficar, já que teria que desocupar a casa de meu tio em duas semanas; o mundo nunca pareceu tão vazio e solitário.Sally não podia ver como seus olhos se enchiam de lagrimas e ficavam saudosos e tristes, mas Percy podia e ele não sabia se queria que ela continuasse a historia, ver a mãe chorar era algo muito raro e doloroso.- Eu estava sendo irresponsável, mas gastei quase tudo o que restava no aluguel de um chalé a beira do mar, eu precisava de um tempo no meu luto para procurar um caminho. Foi caminhando naquela praia que eu conheci seu pai. Ele ficou surpreso quando eu o vi e foi imensamente gentil e atencioso, cuidou de mim e confessou que se apaixonou por mim no momento que me viu porque eu era diferente e tinha uma aura forte. Ele avisou que eu poderia estar gravida quando teve que se despedir, porque não poderia estar do meu lado, era perigoso para mim e para você, mas ele me disse tudo o que podia para garantir que você estaria seguro e um lugar onde eu poderia manter você para que fosse treinado e protegido.- E onde ele esta? Porque deixou você sozinha sabendo que você não tinha ninguém? Porque ele nos abandonou?- Ele não podia, ter ficado comigo era perigoso, ele me disse isso e estava certo, haviam regras e implicações que nem eu sabia na época. Mas ele me deixou um presente, uma família e alguém por quem lutar - Sally levantou e deixou as mãos ao lado do rosto do filho enquanto segurava firme a cabeça dele para encará-lo - Eu ganhei você e isso foi o que me fez seguir em frente.- Eu não quero saber nada sobre ele - Percy afirmou com raiva- eu já tenho um pai e não preciso dele.- Você precisa ouvir meu bem, é importante.- Porque mãe?- Porque ele não era um mortal comum - Amós interrompeu entrando novamente na sala, sem Estelle o acompanhando.O mago passou a mão no rosto e então no cabelo antes de sentar ao lado do filho na cama.- O que eu disse para você sobre Manhathan Percy? Porque nos a evitamos e porque você não estuda lá?- Manhathan tem outros problemas e nos não queremos mais problemas - Percy respondeu imediatamente - mas pai o que isso tem a..- Existem mais deuses e monstros no mundo que apenas os egípcios Percy - o mago interrompeu suavemente o filho, Sally se aproximou e sentou na cama ao lado deles.- Existem mais...? Mas como? Qual o problema de Manhathan?- Seu nome dá uma boa dica.Percy ficou em silencio, a mente correndo para fechar os espaços e a voz de tia Ruby veio com a resposta no mesmo tom de brincadeira que ela costumava falar quando estava implicando com ele nas visitas "Perseu, hm, muito grego para um mago egípcio”- Gregos, meu pai é grego? Mas tipo um mago grego? Um filósofo?- Tia Ruby leu os contos gregos pra você quando pequeno o que você lembra-se deles? - Sally atiçou a memoria do filho- Heróis, filhos de deuses, que lutavam contra monstros. Meu pai era um herói grego?- Você é um herói grego Percy.A realização pareceu atingir o menino como uma bala de canhão, olhos esbugalhados de choque e silencio total. Sally e Amós abraçaram o filho, temerosos com a reação dele.A água da fonte parou de cair e a própria fonte explodiu logo atrás deles, derrubando os três da cama. Percy levantou num raio, os olhos raivosos.- Eu não sou um mago? Porque mentiram para mim?- Você é um mago tanto quanto é um herói, mas eu não sabia se isso iria afetar nossas vidas depois que viemos morar na mansão. O lado egípcio parecia sobrepujar o grego, você estava seguro.- Até eu sair da mansão! - gritou Percy - quando eu saia via monstros que não conhecia, um me seguindo na pré-escola, a moça que acenou quando eu passei por um córrego, a coisa que me atacou no museu! Quando vocês planejavam me contar?- No seu próximo aniversario - respondeu Amós, amparando uma chorosa Sally - decidimos que seu gosto por latim e luta com espadas, além da kophesh, eram manifestações da sua outra herança e contaríamos a você assim que estivesse conosco depois do ano escolar.- Decidiram isso quando eu fui atacado?- Quando você criou interesse por latim - corrigiu Amós.Percy acenou com a cabeça e começou a sair da enfermaria. Encontrou a irmã no meio do corredor, curiosa, mas com medo de se aproximar da discussão.- Percy, você tá bem?Ele não respondeu, apenas seguiu para o próprio quarto, preparou a mochila de foi em direção à saída. Sally e Amós estavam ao lado da porta, ela andando em círculos e preocupada, e ele tentando acalmá-la.Percy hesitou quando viu o estado da mãe, chorando inconsolável e preocupada, foi tempo o suficiente para que ela o visse e corresse na direção dele.- Estelle disse que você tinha saído, eu estava morta de preocupação - ela o agarrou num abraço e recuou quando notou a mochila - Aonde você vai?- Descobrir o que Manhatthan tem para mim, encontrar o meu pai de verdade e questionar porque ele me abandonou.Ele viu Amós abaixar a cabeça, visivelmente atingido com a ênfase que ele deu em 'pai de verdade' e mesmo que um pouco de culpa e vergonha tenham se alojado em seu peito Percy não iria parar até ser respondido.- Manhantthan pode não ter a resposta que você quer, mas eu sei onde tem e posso te levar lá- Amós ofereceu.- Amós, não!- Sally ele quer saber e eu não vou o deixar ir sozinho. Estelle fique com sua mãe, e lhe conte a decisão do primeiro nomo, eu e Percy voltaremos em breve.Estelle se agarrou a mãe, sem entender o que estava acontecendo e as duas assistiram enquanto padrasto e enteado desciam as escadas em direção ao carro.A chuva caia forte quando eles chegaram ao carro, Amós ensaiou o inicio de uma conversa diversas vezes enquanto dava partida no carro, mas foi Percy quem quebrou o silencio.– Porque estamos indo mais para ponta de Long Isle, isso é oposto a Manhattan.– Porque você não vai encontrá-lo em Manhattan, tudo o que você conseguiria é ser morto por outros deuses gregos, segundo a minha mais atual fonte, seu pai e o irmão dele estão em uma briga e sua chegada pode criar um conflito pior.Percy não falou nada, apenas absorvia as palavras. Amós continuou a falar ignorando o rugido cada vez mais forte da chuva.– Estou levando você para o acampamento de heróis, seu pai disse que seria treinado e cuidado lá. Sua mãe tem medo que não o deixem sair muito, você é poderoso demais com a dupla herança, mas se você quer respostas é lá que você deve ir.– Porque você esta me levando e não ela?– Você sabe que ela nunca concordaria em levar você se perto dela você esta seguro Percy, e você fugiria quando ela desse a menor brecha.Ouvindo isso ele baixou a cabeça, fugir era exatamente o plano em sua cabeça– Mesmo que você esteja com raiva agora, você ainda é meu filho e eu me recuso a deixá-lo a mercê do perigo enquanto eu puder protegê-lo.Com a certeza que ele receberia respostas grande parte de sua raiva se dissipou e a vergonha pelas palavras que ele disse a Amós formaram um nó em sua garganta. Percy tentou por duas vezes formar um pedido de desculpa, mas o que saiu foi a resposta imediata quando ele viu algo correndo em direção ao carro.- Desvie!Amós desviou da forma grande do que parecia um lutador de boxe com as mãos para cima, Percy virou o pescoço para tentar enxergar o que era aquilo quando Amós murmurou algo e acelerou o carro.– Fique abaixado Percy, estamos sendo seguidos.Uma grande rocha caiu na estrada à frente do carro, mas não havia nenhuma montanha ou monte de onde ela possa ter caído, a rocha fora arremessada de trás do carro.Amós desviou, mas o carro começou a deslizar na estrada molhada e Percy viu o hieróglifo para proteção brilhar em frente a ele quando o carro caiu da beira da estrada, milagrosamente sem virar.– Você esta bem filho? - Amós gritou sobre o barulho da chuvaUm trovão e a visão de Percy foi obscurecida pela luz branca de um raio que atingiu o motor do carro que irrompeu em chamas. O hieróglifo começou a piscar, eles tinham que sair do carro.Meio tonto e cego, ele conseguiu abrir a porta do passageiro, certo que Amós estava vindo até ele.– Estamos perto Percy, no alto da colina é a entrada.Tinha algo de errado com a voz de Amós, mas ele não conseguia enxergar direito, muitos pontos brancos dançavam na frente dele. Juntos Percy e Amós seguiram subindo, contra os ventos que sopravam fortes e frios e ignorando o bramir dos trovões.Amós olhou para trás quando a subida começou a ficar íngreme e fez Percy parar.– Não conseguimos despistar o monstroQuando Percy virou havia um homem-touro com a cabeça enfiada no carro, procurando.– Não nos viu?– Não, mas vai em breve. Espere um minuto - Amós concentrou-se por um segundo e puxou do duat uma espada reta que brilhava como ouro, a varinha e cajado. Então entregou a espada nas mãos de Percy - Isso seria seu presente de aniversário, considere como um adiantamento pertencia ao seu bisavô e foi dado ao seu avô e depois a sua mãe.– Mas para que eu vou usar?- Vai ser necessário no acampamento e talvez na luta contra esse monstro, não sei se magia funciona num monstro grego.– Eu não tive a chance de testar no ultimo, estava sem varinha.– Continue subindo Percy, ele tem visão e audição terrível e um reflexo ainda pior. Se ele vier em sua direção espere até o ultimo segundo e pule fora do caminho.Com a visão um pouco melhor Percy pode ver o que havia de errado, Amós estava segurando o peito e parecia contundido, como se uma costela estivesse quebrada, além de um corte na testa que continuava sangrando mesmo com a chuva que os lavava.Na base da colina o monstro urrou e começou a subir seguindo diretamente para eles.– Vamos nos separar, ele pode estar farejando pelo sangue.Amós empurrou Percy para o lado e começou a subir para o outro. Estava íngreme demais, e mesmo sem um machucado como o do pai Percy respirava pesadamente. O monstro não tinha tal problema e subia devagar em direção ao semideus.Quando o homem-touro chegou a 50 metros de distância, vindo diretamente para Percy, Amos lançou o feitiço de fogo, que não realmente machucou o cara como devia, mas o irritou suficiente para ele mudar o curso do ataque.O monstro seguiu direto para Amos, que apenas firmou os pés para enfrentar a ameaça. Percy sabia que o pai não se moveria se isso pudesse salvar a vida dele, mesmo que isso custasse à vida do próprio Amos.
----- CHAPTER BREAK -----
Com um suor frio Percy viu o monstro arrancar do chão uma pequena arvore e lançar o tronco contra o mago que mal teve tempo de se abaixar. Amós gritou para Percy seguir correndo, mas os pés dele tinha se fixado ao chão como concreto e ele não podia se mover enquanto assistiu o monstro agarrar o pai pela cintura, quebrando mais alguma costela antes de fazê-lo se desfazer em poeira dourada.– PAI!Rápido como o raio que atingiu o monstro quando Percy gritou, o semideus avançou com a espada na mão, se aquela coisa levou seu pai, ela iria morrer também. Com nada mais para distrair o monstro, o homem-touro seguiu numa linha reta, baixando a cabeça na tentativa de empalar o menino com os chifres.No ultimo segundo Percy deslizou e deixou a espada apontada para o céu enquanto passava por debaixo da coisa. Num grito horrendo o monstro se debateu e uivou antes de se tornar poeira.Agora sozinho Percy se deixou chorar e gritar de dor e raiva. Apenas o cajado e varinha restaram como vestígio de que Amós esteve ali, nem mesmo um corpo para enterrar. Como ele iria contar a mãe e irmã sobre isso? Como explicar para tio Julius que agora ele teria que enterrar o irmão logo apos enterrar a esposa?“Encontrar respostas, conhecer a herança. Ideia estupida! É tudo minha culpa, eu ainda disse que ele não era meu pai. E agora ele morreu sem eu poder dizer que estava errado”.Com mais culpa e dor do que nunca, ele guardou no duat as coisas do pai e começou a descer a de volta a colina, os sons de ondas revoltas e da chuva preenchiam o silencio, até que um som de cascos irrompeu de trás de uma casa e Percy mal teve tempo de olhar antes do choque ser demais para a sua cabeça e ele cair na inconsciência.– Coloque-o aqui, vamos levá-lo pra enfermaria – foram as últimas coisas que ele ouviu antes de não ouvir mais nadaPercy teve sonhos estranhos, e sem o travesseiro protetor o bá dele resolveu dar uma volta pelo duat, ele viu o próprio corpo deitado numa cama de enfermaria, com um garoto loiro e uma menina um pouco mais nova lhe dando algum tipo de remédio, uma corrente puxou o bá em direção ao céu e ele pode ver pequenas construções escuras enquanto de afastava.A casa do Brooklyn surgiu com a imagem de sua mãe ainda de pé, rondando perto da porta com um telefone nas mãos, Percy conseguia ver a irmã dormindo no sofá ao lado. O telefone tocou e sua mãe o deixou no auto falante enquanto respondeu.– Amós?– Sra. Kane?Sally colocou as mãos sobre o coração como se pressentisse a dor.– Sou eu, onde estão meu marido e filho? Este telefone estava com eles.– Sra. Kane, eu sou o oficial Brom e infelizmente devo informar que seu marido e filho sofreram um acidente na estrada. Não os encontramos próximos ao local, mas precisamos que a senhora venha reconhecer o carro e ajudar com o inicio das buscas.Ele não conseguiu ouvir a resposta, a correnteza do duat já o levando a frente, mas Percy via claramente as lágrimas silenciosas que escorriam no rosto da mãe dele, ele ainda pode ver Estelle levantar alarmada e a cena desapareceu.Agora tudo o que ele via era uma praia tempestuosa e dois animais disputando.A águia era enorme e parecia majestoso, mas o garanhão com quem ela brigava era maior e mais imponente. Enquanto eles brigavam o mar rugia, raios caiam e a chuva uivava e do chão uma voz profunda e maligna riu e atiçava os animais.O chão da praia se abriu num abismo que engoliu tudo, o mar, a chuva, os animais e Percy. Tudo desapareceu enquanto a voz profunda cantava e ria em tom vitorioso.Percy acordou ainda ouvindo a voz ecoando em seus ouvidos. Ele também deu um grande susto na menina que o vigiava, porque ela se levantou e tirou uma faca da mesa ao lado antes de relaxar levemente e praguejar.– Seus pais deixam você falar assim?- foi à primeira coisa que ele conseguiu dizer – Minha mãe não vai me ouvir falando e meu pai não entenderia grego antigo – respondeu a menina, obviamente de mau humor. Percy franziu a testa.“O que ela quis dizer com grego? Ela falou em português bem claro”.– E você tem sempre o habito de acordar se debatendo?– Se eu estiver com um pesadelo como o que eu tive sim - ele respondeu seco - Onde eu estou e quem é você? Meu pai esta aqui também?– Eu não sou a pessoa a responder, mas pode me chamar de Annabeth. Eu devo alertar Quíron que você acordou, estávamos preocupados que você não fosse mais acordar.– Há quanto tempo eu estou dormindo? A menina já estava na porta, mas voltou para responder.– Uma semana.Uma semana.Uma semana desde que seu pai morreu e uma semana em que ele não deu noticias a mãe, era um milagre que ela já não tivesse invadido esse lugar e o matado com um abraço. Era melhor encontrar um jeito de falar com ela, mas longe da garota e de qualquer mortal.Passos o alertou da proximidade de pessoas, a menina retornou e em seguida...– Sr. Brunner!?O seu professor de latim entrou com um sorriso preocupado e alarmes dispararam em sua cabeça e o instinto de Percy dizia, com letras garrafais, que algo estava errado.– O que o senhor esta fazendo aqui Sr. Brunner? As aulas só acabaram em 15 dias.– Perdoe-me por meu pseudônimo Percy, é necessário entre os mortais, mas deixe eu me apresentar propriamente, eu sou Quíron.Quíron, como o conhecido treinador de heróis gregos que viveu há milhares de anos. Treinador de heróis gregos. Aquela menina declarando que ninguém entenderia o grego antigo que ela usou para praguejar. E de repente Percy sabia onde ele estava. Ele estava no acampamento grego.– Eu tenho que voltar pra casa - foi o que ele respondeu– Você ainda esta exausto Percy, seria melhor você se curar de forma adequada - alertou Quíron.Percy tentou levantar e quase caiu no chão ao apoiar o corpo sobre as pernas dormentes, a garota pulou para ajuda-lo a levantar.– Minha mãe tem que saber que eu estou vivo, ela vai ficar louca de preocupação. E eu tenho que falar pra ela procurar meu tio, e pedir perdão pela morte do meu pai.Annabeth franziu um pouco a testa, mas não comentou nada, Quíron, no entanto negou com a cabeça.– Sua mãe esta ajudando a policia numa busca por vocês dois, embora agora as autoridades estejam quase desistindo de buscar sobreviventes e procurem pelos corpos de vocês. - a expressão no rosto dele era grave - Embora você possa entrar em contato com ela, a polícia suspeitaria muito se você retornasse sem o Sr. Kane e sem saber explicar onde ele está. – Então eu sou o seu prisioneiro aqui? - retorquiu Percy - Preso ate a maioridade? O que você fazia na minha escola? Annabeth parecia abismada e ficando mais irritada a cada segundo, mas Quíron apenas ergueu as mãos num gesto pacificador.– Nos não somos o inimigo Percy, eu fui a sua escola para responder a um chamado, um de nossos protetores encontrou um semideus em potencial, você, e eu fui dar suporte porque nosso protetor avisou que sua aura era forte demais. – Você se enganou, eu não sou um semideus, eu sou... - ele quase termina a frase e entrega o segredo que a casa conseguiu guardar por cinco mil anos, felizmente a menina o interrompeu– Claro que você é um semideus, se fosse mortal teria morrido com a ambrosia que demos a você.– A o que?– Ambrosia, a comida dos deuses, tem um ótimo fator curativo para semideuses, mas é veneno para mortais. Você teria queimado vivo. “Queimado vivo, que adorável" pensou Percy– Eu vivi 12 ótimos anos sem isso e sem a ajuda de vocês, prefiro ir para casa, agora onde eu posso ligar para minha mãe?A garota parecia a ponto de bater nele e Quíron procurava desculpas para fazê-lo ficar. – Você não vai usar exatamente um telefone, mas sim, venha ate a fonte conosco. Annabeth, por favor, de mais um pouco de néctar para ele sim?– Sim Quíron – ela não soava nem um pouco disposta, mas obedeceu a QuíronUm copo do que parecia limonada foi entregue nas mãos dele e sem muita confiança ele bebeu, então arregalou os olhos com o gosto e solveu o liquido o mais rápido possível sem engasgar.– Como vocês sabem fazer chai?– Chai? – E como faz parecer limonada?– Isso é néctar, a bebida dos deuses e deve parecer sua lembrança favorita.– Pelo menos explica porque também tem o gosto dos biscoitos da minha mãe Percy notou o olhar suspeito que Annabeth estava lançando para ele, mas ignorou a presença dela completamente a fim de concentrar na sensação de conforto, e também de força, que se espalhava nele. – A fonte esta pronta Pulando da cama como se a perna nunca tivesse falhado, Percy cruzou o quarto até Quíron e o seguiu para fora.– Me leve até essa fonte.Ficava no que parecia o quarto pessoal de Quíron encaixada entre estantes de livros e discos e cd's antigos, a agua jorrava em forma de arco e formava um arco íris com a luz da janela. Quíron pegou uma moeda de ouro e lançou no arco íris com uma prece- íris deusa do arco íris, por favor, mostre-me...O treinador acenou para Percy completar- Ahn... Sally Jackson Kane - Quíron formou a palavra endereço com os lábios sem emitir som - ... Na casa do Brooklyn.Depois de viver dez anos em um nomo e ser treinado como um mago, Percy costumava dizer que nenhuma magia iria surpreendê-lo, mas quando o arco íris mostrou a cena de sua mãe abraçando Estelle enquanto fechava a porta de casa no grande salão, ele admitiu que isso era impressionante.- Mãe? - ele tentou hesitanteAs duas viraram imediatamente e o grito de Estelle fez kufu surgir no canto da escada.- Percy, filho é você? Onde você esta? O que aconteceu?- Eu estou n... - Mas a atenção dela se desviou para o lado e ela gritou.- Você! - ela apontou para Quíron - Eu disse que ele estava seguro, vocês aparecem e meu marido e filho somem atacados por alguma coisa do seu mundo! - ela voltou para Percy - Eu estou chegando para buscar você querido, nem que eu tenha que trazer todos os magos comigo.A imagem desapareceu com Sally mandando Kufu ficar de guarda com Estelle.- uh-hu, vocês estão com problemas - Percy afirmou - eu não a vejo tão brava desde que meu professor não avisou que desenhos feitos completos podem ser trazidos a vida e meu leão quase devorou minha irmã.Annabeth parecia ter encontrado um quebra cabeça interessantíssimo que ela não conseguia resolver bem no lugar onde a imagem tinha sido projetada e Quíron parecia nervoso.- Ela não vai conseguir entrar, é mais capaz que danifique a proteção do acampamento.Com pressa ele se empurrou para sair da cadeira de rodas e num piscar de olhos revelou que tinha o corpo de um cavalo a partir da cintura.- O que exatamente você é? Qual é o problema de vocês gregos?- Perguntou Percy, mas quem respondeu foi Annabeth.- Ele é um centauro. Quanto ao nosso problema, o problema é quem é você garoto?Com a mãe chegando tempestuosamente a qualquer minuto ele se sentiu firme para responder.- Perseu Jackson Kane, mago da Casa da Vida especialista em controle elementar e combate magico. E você é?- Filha da deusa Atena, deusa da sabedoria.Pelo tom ela com certeza não acreditava no que ele tinha dito. Sem esperar por ela, Percy seguiu para a saída da casa. A sala próxima à porta chamou um pouco de atenção, principalmente pela cabeça de leopardo que se movia na parede. Tão interessante quanto o homem de meia idade sentado ao lado da lareira, ele parecia tão normal, mas tinha uma antipatia forte na expressão e uma leve aura ao redor. Não foi preciso baixar muito a visão no duat para entender que era um ser poderoso.- Não corra pela casa como se ela te pertencesse moleque- Perdão senhor não fiz por mal - o homem bufou, mas pareceu impressionado com a educação - posso perguntar o seu nome?- Nomes tem poder, você devia aprender a ser cuidadoso com elesAnnabeth o alcançou segurou o braço dele com firmeza e começou a puxá-lo para fora, uma vez do lado de fora ela o largou.- Não provoque o Sr. D. Ele pode deixar você louco sem muito esforço.- Sr. D? Dionísio?- Para alguém que nega ser um de nos você até que sabe bastante sobre nos - ela diz sinceramente - Porque quer tanto não ser um de nos?- Eu já tenho um lugar ao qual eu pertenço.Annabeth parece compreender isso, mas ainda faz um ultimo comentário.- Um lugar que você pertence ou onde você se encaixa dentre a multidão?O som de uma explosão impediu de ele responder e fez todo semideus dentro do acampamento olhar em direção à barreira colina acima onde a silhueta de uma mulher com cajado e varinha na mão parecia a visão do fim do mundo.- É melhor eu ir ajudar com isso.
----- CHAPTER BREAK -----
Sally não levou nem 20 minutos para chegar ao acampamento e Percy correu em direção ao som da explosão para encontrar a mãe antes que ela ficasse mais irritada. Ele não foi o único a seguir o barulho colina acima para ver o que acontecia, Annabeth estava em seu calcanhar com a curiosidade a vencendo, mas vários outros garotos e garotas de idades variadas seguiam na mesma direção logo atrás deles. A primeira visão que Percy teve da mãe em uma semana era conflitante entre alivio e preocupação. Sally tinha fúria queimando nos olhos, mas os ombros pendiam como se segurassem um peso invisível, mão firme no aperto da varinha enquanto outra apontava furiosamente para Quíron e o acampamento atrás dele, mas movimentos mais lentos do que era comum quando ela se irritava tanto. Percy viu sua mãe desgastada pela preocupação e o desespero, sustentada apenas pela raiva e a busca por ele. E mesmo vendo isso, o mago não tinha certeza de como avançar e contar que o pai dele não tinha sobrevivido ao ataque. – Percy! Ela o viu e ignorando Quíron e todos os outros assistindo, Sally atravessou a barreira – que supostamente manteria qualquer mortal fora- e agarrou o filho pelos ombros, verificando-o num check-up rápido antes de segurá-lo firme num abraço. Percy sabia que devia ficar envergonhado com a mãe o abraçando na frente de outros adolescentes, mas o alivio de poder vê-la superou qualquer coisa. – Desculpe, eu não devia ter gritado com vocês – ele murmurou – Eu não devia ter vindo aqui. – Você tem direito de querer saber da sua origem e eu prometo que Amos e eu vamos lhe responder tudo o que você quiser saber. Percy conseguia ver Quíron enxotando os outros campistas, Annabeth se esquivando para que pudesse ficar, mas com a menção do pai ele apenas ignorou o mundo e apertou mais os braços entorno da mãe. – Amós esta na enfermaria de vocês? – Questionou Sally – Ele deveria estar aqui para me receber – Sra. Kane, porque não conversamos no meu escritório? Eu não sei como a senhora ultrapassou a barreira, mas preciso entender o que acontecerá a seguir. – ele ergueu a mão quando ela abriu a boca para responder – A segurança de Percy é nosso principal assunto, com a senhora entrando aqui podemos ter problemas. A mão de Quíron apontou levemente para o céu e em seguida apontou a casa onde Percy tinha estado. – Se vocês puderem me acompanhar – falou o centauro com a voz cortês apenas do aviso claro que isso não era um pedido. A caminhada foi rápida e muitos outros semideuses estavam por perto quando eles entraram na casa- Quíron de volta cadeira de rodas mágica- Percy e Sally foram levados a uma sala com mesa de ping-pong onde sentaram para a conversa. – Onde está Amós? – Sally perguntou novamente – Eu quero vê-lo Quíron desviou os olhos dela para o menino ao lado. – Talvez seja melhor se Percy lhe falar Embora o próprio Percy discordasse dessa sentença ele entendia que era o único com o pai naquele momento e precisar ser quem contava a mãe. Olhando no rosto dela Percy viu a apreensão e o medo, medo que ele iria confirmar. – Quando o monstro atacou, papai ficou na frente e... A magia não funcionava direito, mas ele chamou atenção da coisa o suficiente para eu me distanciar e então... – Ele tentou pronunciar a palavra, mas ela simplesmente não saía. – Percy? – O monstro o apertou pela cintura até que ele... – o semideus cobriu o rosto com as mãos, sem tentar parar as lágrimas, mas sem querer que a mãe as visse – Ele sumiu numa nuvem dourada, não ficou nada além do cajado e varinha e eu... Eu matei o monstro com a espada que papai me deu, mas não consegui salvá-lo. Ele morreu e eu não pude... Eu não disse... Sally não disse nada, na verdade ela parecia ter congelado com as mãos firmemente apertadas no peito e apenas os soluços de Percy encheram o silêncio. – Sra. Kane? – Quíron chamou olhando entre mãe e filho com preocupação. – Eu... Eu preciso de um momento – a maga murmurou trêmula – Eu preciso ir para casa e avisar meu cunhado e minha filha da m-morte... Sozinha. – Eu entendo como isso é doloroso Sra. Kane, mas Percy não pode sair do acampamento por agora, precisamos treiná-lo. Ela o ignorou em beneficio ao filho, abaixando-se ao lado dele e acariciando suas costas. – Não é sua culpa Percy, todos somos mortais e Amós te amava demais para te deixar morrer no lugar dele. – Eu disse que ele não era meu pai – murmurou o menino tirando as mãos do rosto para abraçar a mãe – Ele sabia a verdade Percy. Quando Amós me pediu em casamento ele prometeu que você estaria seguro e ele cumpriu isso, você está seguro. – Sra. Kane, entendo sua dor, mas, para a segurança de seu filho, precisamos conversar. – E-eu posso mantê-lo seguro, entre nós ele ESTÁ seguro! – Sally protesta – Sra. Kane, você não pode mais protegê-lo, não se ‘ele’ vier a saber, e depois de hoje ele vai saber. – Quíron insistiu – Se você levar Percy com você sem me ouvir você pode matar seu filho e aquela filha que você deixou em casa. Percy assistiu a conversa enquanto suas lágrimas acabavam sua mãe queria ir para casa o mais rápido possível e ele queria também, mas se o Sr. Brunner – Quíron – e todo esse mistério sobre seu 'pai' pudesse machucar sua família ele não iria voltar. Ele já se sente péssimo por ter causado a morte do pai e não quer que a mãe ou a irmã sofram. – Mãe, você poderia apenas ouvir o que ele tinha a dizer? Iremos para casa depois. – Percy… – Você disse que eu mereço saber – ele diz para se lembrar dela – Sr. Brunner – desculpe Quíron, – está disposto a nos dar informações vitais. Papai teria ouvido. Mencionar seu pai não era justo, mas sua mãe só escutava Amos quando ficava teimosa. O rosto de Sally mudou e ela deu um aceno de cabeça para Quíron. Percy se levanta da cadeira, tentando limpar as lágrimas. – Tenha sua conversa, estarei aqui quando você estiver pronta para decidir. Percy não ficou surpreso com a voz de Annabeth o chamando assim que ele saiu da casa, mas o fato de ela ‘aparecer’ em frente a ele com um chapéu de beisebol o fez levantar uma sobrancelha. – Como você conseguiu enfeitiçar esse chapéu para ficar invisível? – Eu não enfeiticei, foi um presente da minha mãe pelo meu aniversário de 12 anos. Percy fez um barulho descompromissado e se permitiu olhar ao redor. – Sua mãe? A deusa? – quando a menina respondeu com um ‘sim’ ele apenas continuou – Eles aparecem muito para visitas? Sei lá, talvez para o chá da tarde? – Não – e Percy tinha certeza que o tom triste não era para ele conseguir notar – deuses não tem muito contato com seus filhos mortais, presentes são raros e qualquer contato a mais pode ser perigoso. – Parece um mundo fantástico – o tom de sarcasmo não era direcionado a ela, mas Annabeth pareceu ficar ofendida. – Ninguém tem um mundo perfeito, e se você... – Eu não quis dizer isso, e depois da morte do meu pai e a ameaça a minha família que Quíron continua a falar não me faz achar algo assim tão pouco. A dita filha de Atena baixou a cabeça e olhou em outra direção. – Eu só imaginei que como deuses que tem todo o tempo do mundo eles tratariam melhor seus filhos e que eu fosse uma exceção por razões à parte. Eles deviam ser melhores, mas deuses nunca são. – Bem dito novato, mas cuidado com as palavras, Zeus pode achar sua impertinência motivo suficiente para responder. O outro menino que ele tinha visto na visão do bá apareceu ao lado deles e Percy assistiu o rosto de Annabeth ficar vermelho e a postura dela enrijecer, inconscientemente ela passou as mãos na camisa para desamassa-la e no cabelo para tira-lo do rosto. Engolindo a risada ele estendeu a mão para cumprimentar o recém-chegado enquanto o olhava bem. Cabelos claros e olhos distantes e frios, mas também vibrantes de uma energia estranha, porte físico de um atleta e uma enorme cicatriz no rosto. – Nunca fomos apresentados, eu sou Percy Kane. – Luke Castellan – Ele sorriu – Seja bem vindo ao acampamento meio sangue. Annie o levou num tour pelo acampamento? – Eu ia leva-lo agora, você vai vir junto Luke? – Percy conteve o riso com o tom mais agudo dela e esperou a resposta.– Dessa vez não, tenho uma atividade de limpeza da cabine para supervisionar – Luke passou a mão sobre os cabelos de Annabeth num gesto que o próprio Percy já tinha feito centenas de vezes com a irmã não que a garota ao lado dele fosse gostar de ouvir isso.– Até mais Percy Kane, bom tour e cuidado com os seus comentários por aqui, sabe como é – o menino deu de ombros e falou num tom mais baixo – As arvores tem bons ouvidos.Com uma ultima piscadela Luke se foi, caminhando sem pressa em direção aos chalés. Percy olhou para a filha de Atena na expectativa do tour pelo acampamento e ela não demorou a guiá-lo para longe dos chalés, apresentando o anfiteatro, os campos de morango, todas as seções de treinamento e por fim a praia. O lugar todo parecia fantástico e algo dentro dele o chamava para ficar aqui, perto do oceano e de suas origens.– Você pode responder a minha pergunta de mais cedo? – Annabeth falou depois que ele se sentou na praia e repetiu a pergunta quando ele a encarou perdido – Você tem um lugar onde pertence ou onde se encaixa na multidão?– É difícil dizer – ele respondeu – tradicionalmente magos tem uma característica que os destaca na magia, uma especialidade, mas eu sempre apresentei duas ou mais e me destaquei em coisas diferentes. Ainda é meu lar e onde tudo o que eu conheço fica.– Mas?– Mas eu não posso evitar o pertencimento que sinto aqui, em saber que eu não sou o único, só o mais diferente. – ela ficou em silencio quanto a isso e os dois apenas aproveitaram o momento de paz.Sally estava orgulhosa da maturidade de Percy, mas com as notícias da morte de Amós e a ameaça sobre Percy tudo o que ela queria era retornar à segurança do 21° nomo e se permitir sentir o luto. A expressão do centauro nem tentava esconder o objetivo dele de não permitir a saída do seu filho, mas ela não era uma maga por acaso.– Nem comece atentar me convencer para que ele fique– Você precisa considerar o risco Sra. Kane, depois de hoje, os tios dele tiverem uma curiosidade sobre o que aconteceu hoje, e eu não tenho dúvidas que já chegou ao Olimpo a fofoca. Se Percy sair daqui ele pode nunca voltar, o que aconteceu com o Sr. Kane, foi uma infeliz circunstância, mas eu tenho certeza que você vai entender que...– Você espera que ele fique? Ficar aqui com desconhecidos e faltar o sepultamento do pai? Ou que ele escolheria você ao invés da irmã dele?– Se ele acreditar que a presença dele é uma ameaça a você e a irmã dele, sim. Seu filho herdou uma característica muito distinta do pai, uma que eu fiquei curioso em ver em um semideus, a lealdade. Percy não voltará com você se acreditar que a presença dele é um perigo.Ela sabia disso, mas não estava disposta a retroceder. Percy tinha que entender e ele iria, não iria? E se ele não quisesse voltar? Como ela lidaria com duas perdas assim, porque Percy nunca seria permitido voltar para casa.– Eu prometo mantê-lo seguro – acrescentou Quíron – Nada acontecerá com ele aqui.Sally não viu magia acompanhando as palavras do centauro, mas sentia como se houvesse, como se ele estivesse manipulando o seu emocional abalado. A teimosia queimou novamente e ela tinha uma resposta final. – Depois, depois do funeral ele pode vir se ele quiser, mas hoje ele não vai ficar. Essa é minha palavra final. A maga podia dizer sem dúvida que sua decisão não agradou o centauro, mas ele não insistiu no assunto, ao invés disso ele apontou para uma espada dourada familiar que Percy tinha deixado na cadeira.– Você pode me dizer como conseguiu uma dessas?– A espada de ouro? É uma velha relíquia de família, pertenceu ao meu avô e eu herdei depois da morte dos meus pais. Segundo as histórias de meu pai ela veio da Roma antiga, mas eu nunca achei nada sobre isso. Porque está aqui? Isso deveria ser o presente de aniversário de Percy.– Encontramos a espada junto com ele quando o resgatamos, não tive tempo de perguntar a ele sobre ela. Algo no tom de Quíron parecia profundamente intrigado, mas Sally estava cansada demais para fazer rodeios então foi direta.– Porque a espada te surpreende? Vocês devem ter várias dessas por aqui.– Na verdade não, nossas espadas são de bronze celestial mas está aqui – ele apontou a espada de ouro– é ouro imperial, já fazem alguns séculos que eu não vejo uma dessas com frequência desde aqueles dias.– Qual a diferença? É antiga e funciona para o mundo de vocês. – Ela insistiu – Já derrubei monstro com essa espada.– A diferença é que isso é romano, Sra. Kane e pode causar mais problemas do que nós imaginamos antes.
----- CHAPTER BREAK -----
– Romano? Que diferença faz se a espada é de Roma ou da Grécia? Ela funciona e é tudo o que me importa.– Confie em mim Sra. Kane, se Percy for visto usando essa lamina os deuses vão mata-lo mesmo se ele provar a inocência dele. Vamos descobrir como a espada chegou em suas mãos, mas você não pode permitir que Perseus use essa espada na frente de qualquer outro.– Por que? É uma relíquia de família, funciona e é encantada para passar despercebida pelos mortais. Me dê um motivo para privar meu filho de sua herança?– Não cabe a mim dizer, eu fiz um juramento a mais de mil anos e quebra-lo não é o caminho a se tomar. Mas eu lhe dou esse aviso Sra. Kane, por que me importo com cada semideus que treino, se Percy usar essa lamina ele será morto e a guerra que Poseidon causará pela morte dele não vai ser pior do caos que virá depois.Eles se confrontaram em silêncio por minutos a fio, num duelo de vontades, por fim Sally acenou com a cabeça.– Direi a ele para evita-la se possível, mas se ele estiver entre a vida e a morte não vai fazer diferença, não temos outra espada. Minha avó encontrou compradores para elas antes de meu pai crescer e somente essa ficou como herança.– Isso pode ser resolvido, temos muitas armas aqui – Quíron parou por um momento – Na verdade eu acho que tenho uma perfeita para ele. Vá buscar Percy, Sra. Kane, eu os encontrarei na colina para dar-lhes as instruções de contato caso seja necessário.– A quanto tempo você esta aqui? – Percy perguntou quebrando o silencio confortável.– Desde os 7 – a menina começou a brincar distraidamente com o cordão de contas no pescoço.– E vocês não estudam em uma escola ou tem uma escola aqui dentro?– Depende, temos campistas de verão e campista do ano inteiro. Os campistas de verão voltam para seus parentes mortais no fim das férias e estudam o ano inteiro em escolas mortais, mas os outros de nós só saem no solstício quando visitamos o Olimpo em Nova Iorque.Percy travou por um segundo.– O Olimpo? Em Nova Iorque?– Quíron não te mostrou nosso vídeo de introdução mostrou?– Vídeo de... O que?Annabeth pareceu achar graça da confusão dele e esticou o corpo com orgulho quando começou a explicar sobre os deuses, a mudança do Monte Olimpo conforme as eras, a viagem durante o solstício e suas suspeitas de que algo não estava certo. Percy começou a fazer milhares de perguntas e buscava confirmação de todos os mitos que tia Ruby tinha contado até o que ele aprendera em latim naquele ano.Depois de meia hora, Percy esfregou os olhos e se jogou de costas na areia, a cabeça girando com informações novas e outras mil perguntas. A filha de Atena o observava meio impressionada e meio risonha, ela deixou que os pensamentos dele se organizassem por um momento antes de falar de novo, engajando um novo assunto.– Você até conhece bastante para alguém que não sabia nossa existência a pouco tempo atrás. E é bem estudioso para um semideus normal.– Meus tios são egiptólogos e cientistas, e tia Ruby sempre lia os mitos gregos pra mim. Quanto à parte de ‘estranho para um semideus normal’ acho que podemos usar isso para me definir.Passos altos fizeram os dois se virarem para ver quem chegava, era Sally e ela vinha com pressa ao encontro deles. Percy levantou sem perceber o que fazia e seguiu direto para os braços abertos da mãe.– E então? – ele perguntou– Vamos para casa, depois do... do funeral. Depois você pode escolher vir no verão enquanto Estelle esta no primeiro nomo.Ele assentiu e se afastou do abraço, sacudindo a areia do cabelo. Então deu alguns passos para falar com Annabeth, que ficara na mesma posição o observando.– Eu tenho que ir – ele falou – Minha mãe e irmã vão precisar de mim agora, mas eu estarei de volta quando começar o verão. Foi muito bom conhecer você Annabeth.– Igualmente Percy, fique vivo até lá, seria muito ruim se meu novo amigo morresse agora.Percy sorriu e acenou, quando ele virou para encarar a mãe ela tinha um olhar perdido no mar, como se estivesse buscando algo... Ou alguém.Como ele tinha dito Quíron estava em cima do morro aguardando-os em sua forma de centauro, ele acenou para Sally mas falou primeiro com Percy.– Há muitos anos seu pai me deu uma espada para guardar, ele disse que eu saberia a hora de passa-la adiante e eu acredito que essa hora chegou.Estendendo a mão ele entregou para Percy uma caneta simples, Sally podia ver o brilho estranho da tinta da caneta e quando Percy a destampou ela suspirou. A caneta se expandiu até formar uma espada de bronze.Seu filho segurou a espada nervosamente nas mãos.– A espada retornara a você se você a perder e está encantada para não ser visível aos mortais – Quíron acrescentou – Vou lhe ensinar a manuseá-la de forma correta quando retornar para o verão.O centauro deu a Sally um ultimo olhar de alerta, como se lembrando-a da discussão deles antes de se despedir.– Façam uma boa viagem, se precisarem falar comigo usem este numero de telefone.Percy guardou a caneta/espada no bolso e segurou firme o papel enquanto eles desciam a colina em direção à estrada. Sally aquentou até o momento que estivesse sozinha para sentir o impacto da noticia da morte de Amós. Depois de retornar a mansão, tirar kufu do posto de guarda e consolar Percy e Estelle, ela os colocou para dormir no quarto dela e caminhou até a varanda onde costumavam tomar café e sentou próxima a piscina de Felipe. As memórias vieram com a rapidez de um raio e a atingiam com a força de um meteoro.
O dia de treinamento acabou mais cedo porque Amós iria sair com Julius, e Sally passou a tarde conversando e rindo com Ruby Kane. Ruby que insistia em chama-la de cunhada e era como a irmã que Sally sempre desejou ter.
Percy tinha decidido ir com a tia ao cinema no fim da tarde, Ruby garantiu que ela e Julius o manteria seguro. Amós voltou para casa, mas passou duas horas trancado na biblioteca estudando enquanto ela aproveitava o tempo livre para cozinhar os biscoitos favoritos de Percy.
Ela tinha acabado de colocar a forma no forno quando braços familiares a seguraram por trás.
– Olá para você também – ela riu virando o rosto para o namorado – Terminou os estudo?
– Sim e agora você tem toda a minha atenção. Mas antes eu tenho uma pergunta séria.
Amós a puxou para que ela o encarasse e deixou o joelho encostar-se ao chão enquanto exibia nas mãos um anel brilhante.
– Você aceita se casar comigo Sally?
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Sally caminhou incerta em direção à porta, não se sentindo confortável em deixar Percy por duas semanas, mesmo que Ruby e Julius tenham aceitado ficar na mansão do broolkyn para fazer a segurança do nomo (e manter Percy seguro). Com a companhia dos tios e do primo, ela sabia que ele estaria bem, mas ainda assim ela não podia relaxar.
Ela confessou seu medo a Amós antes de passar pela porta.
– Meus pais me deixaram com meu tio para uma viagem curta assim e eu nunca mais os vi, tenho medo de perder vocês e ficar sozinha novamente.
– Eu sei que você tem medo, passou por muita coisa antes de nos conhecermos, mas eu te prometo isso hoje, Sally Jackson Kane, deste dia até o fim da minha vida você nunca ficará sozinha.
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Sally estava sentada na varanda da mansão do brooklyn assistindo Percy de quatro anos de idade brincar na piscina com o shabbit de crocodilo que Amós criou. Seu filho estava fazendo a água se mover ao seu redor como um redemoinho enquanto Phellipe nadava alegremente nas águas agitadas. A magia ainda era algo que a surpreendia, mesmo um ano depois que ela conheceu o mundo egípcio.
Ela nunca mais seria a mesma graças a Amós, e depois do casamento deles na noite anterior ela sabia que não ficaria sozinha novamente.
Morto. Seu marido estava morto. E ela estava sozinha com seus filhos, de novo. Apoiada na mesa da varanda Sally chorou como nunca tinha feito desde a morte do tio.
----- CHAPTER BREAK -----
Chegar em casa foi estranho para Percy, ele sentia a falta de Amós atingir a mansão e a todos os seus habitantes, Khufu não jogava com a bola e desaparecia na casa por horas, Phellipe mergulhou em sua piscina rasa e Estelle se trancou no quarto. Quanto à sua mãe, Percy não a tinha visto chorar, mas ela amanheceu na varanda na noite anterior e tinha olheiras sob os olhos vermelhos. A culpa queimava fundo em seu peito cada vez que ele olhava para ela.Deitado agora na sua cama, fugindo dos olhares da mãe, Percy deixou o travesseiro de lado e observou o teto do quarto refletindo onde o pai estaria agora, teria ele encontrado o caminho para o salão do julgamento? Haveria alguém para julgá-lo? Osíris tinha sido aprisionado pela Casa da Vida, mas ele não se lembrava se Anúbis também tinha sido.Por ter ficado observando o teto branco do seu quarto, Percy não viu o arco-íris que apareceu e somente quando a voz de sua nova amiga o chamou ele desviou os olhos para ela.– Hm, já te informaram que isso é falta de privacidade? Eu poderia estar tomando banho ou trocando de roupas, sabe?– Oi pra você também, Percy – respondeu ela – vou lembrar-me de bater na porta na próxima vez.Ela estava em um lugar um pouco escuro, Percy podia ver paredes de madeira e muitas estantes cheias de livros. Obviamente um dos chalés do acampamento, provavelmente o chalé de Atena, e pensar nos deuses gregos deu-lhe uma breve e forte pontada atrás dos olhos. O menino sacudiu a cabeça antes de falar novamente.– Nós nos vimos ontem, não está meio cedo para você estar ligando?– As coisas pioraram por aqui – um barulho a interrompeu, mas era apenas outra criança passando com um livro nas mãos que saiu rapidamente – Espalhou-se um boato que há um filho de Poseidon e que ele roubou algo de Zeus, ninguém me diz exatamente o que, mas eu sei o que é e Quíron está buscando saber quem comentou isso.– Você acha que esse filho de Poseidon roubou algo? – Perguntou Percy – Eu pensei que você tinha dito que não havia filhos de Zeus e Poseidon vivos.– E realmente não deveria haver, mas Zeus já quebrou esse juramento antes. Não é a melhor hora pra esse tipo de notícia.– E como estão as coisas no acampamento? Quem falou sobre isso? – Esse é o problema, ninguém sabe quem falou e as opiniões estão divididas. Alguns dos meus irmãos acham que você é o filho de Poseidon e que veio nos espionar para invadir o acampamento.Percy franziu o rosto, ele não sabia quem era o pai dele, mas ele esperava que não fosse esse filho de Poseidon, ele já tinha problemas suficientes para resolver sem isso.– Eu não sei quem é meu pai, mas definitivamente não era meu plano espionar ninguém.– Eu não estou acusando você Percy, mas se isso não se resolver logo… – vozes altas e raivosas abafaram a ligação e Annabeth deu-lhe um olhar de desculpa e desfez a ligação.Perseu ficou olhando para onde a ligação estava, mas em sua mente não conseguia realmente ver o quarto.
– Mãe, eu não sou filho de Amós como a Estelle. Quem é meu pai?
Amós olhou diretamente para a esposa e acenou discretamente antes de pegar uma recém-nascida Estelle e sair do quarto anunciando que faria uma ligação para Ruby e Julius.
– Eu conheci seu pai numa praia depois que meu tio morreu, eu estava muito triste e ele me ajudou a melhorar, mas não podia ficar comigo.
– Porque?
– Ele tinha que ir embora meu amor, ele tinha uma viagem e tentaria voltar para mim, mas ele nunca voltou, ficou perdido no mar. Mas Percy, eu quero que você entenda que Amós é seu pai também, lembre o que eu te falei sobre o filho de Leniza, a senhora que vende legumes para nós?
– Ela tem uma filha do coração. – respondeu Percy
– Exatamente, e filhos do coração são tão importantes quanto qualquer outro filho.
– Eu sou filho do coração do Amós?
Foi o próprio Amós quem respondeu.
– Sim, você é. Você é meu filho Percy e eu te amo tanto quanto amo a sua irmã – olhando por cima do filho ele falou a esposa – Ruby e Julius vem visitar, devem estar aqui em breve.
A lembrança desvaneceu e outra mais recente brilhou em seu lugar ocupando a visão de Percy
Ele sorriu e acenou, quando ele virou para encarar a mãe ela tinha um olhar perdido no mar, como se estivesse buscando algo... Ou alguém.
Podia ser Amós, mas a expressão e o lugar que ela observava pareciam errados, e se não fosse Amós... De repente ficar sentado na cama não era suficiente, ele precisava se mover para tirar aquela lembrança na cabeça e processar isso corretamente porque parecia que ele era o...– Ah merda.Ele correu escada abaixo à procura da mãe. Ele não podia ser o filho daquele cara, não agora. Pisando no último degrau, Percy pensou que ele não podia ter tanta má sorte de ser o filho do cara acusado de roubo, o filho que todos acham ser o cúmplice do roubo.Ele encontrou Sally abrindo a porta da varanda e encarando estupefata quem havia invadido a residência deles, um homem alto de cabelos pretos revoltosos e olhos verdes brilhantes como os dele. Quase parecia ser uma piada, mas a expressão séria do homem junto com o murmuro aterrorizado de Sally não deixaram espaço para comentários.– Poseidon!– Nós precisamos conversar Sally.Percy não sentiu as pernas e tropeçou nos próprios pés, o que chamou a atenção do homem para ele. Um olhar de compreensão brilhou e um sorriso quebrou a expressão fechada do homem.– Você deve vir também Perseus, a conversa é sobre você de todo modo.Sally moveu-se para ficar entre pai e filho, ela puxou a varinha da mesa ao lado do sofá e apontou trêmula para Poseidon.– O que você faz aqui? Você não era proibido de se aproximar de nos para nossa própria segurança?– Sally sua magia não vai funcionar em mim, você sabe bem que eu nunca faria mal a vocês se pudesse evitar.Ela não baixou a varinha e manteve o filho o mais protegido possível. Poseidon olhou para ela antes de sentar confortavelmente no sofá e levantar as mãos como se estivesse se rendendo.– Sally, Zeus ouviu um boato de que eu tive um filho e por causa de problemas no Olimpo ele fará tudo o que pode para matar Perseus. Sim, eu não posso ter contato com vocês e a magia de vocês está atualmente escondendo a minha presença aqui, mas ficar muito tempo é arriscado.Ele não esperou resposta antes de continuar.– Eu sinto muito por seu marido ter sido levado, mas não posso interferir diretamente. O acampamento vai mandar uma missão para tentar acalmar os ânimos e por mais perigoso que seja Percy precisa acompanhar a missão.– Amós não está morto? – Sally sussurrou– Não – Poseidon respondeu com delicadeza – Mas somente Percy pode resgatá-lo de onde ele está sendo mantido. Agora eu preciso falar com meu filho, Sally, eu preciso vê-lo.Percy não queria, isso era a confirmação de sua dedução e da má sorte que o perseguia e ele não queria ser filho de alguém que poderia ter aparecido aqui o tempo inteiro e simplesmente não veio. Mas sua mãe não podia ler a mente dele e lentamente se afastou da posição defensiva para sentar no sofá apoiando a cabeça como se estivesse doente.– Filho – começou o homem e de repente Percy ficou com raiva– Eu não sou seu filho – ele respondeu desafiador – Meu pai é aquele que me protegeu a vida inteira e que foi levado de nos pôr se colocar entre mim e o perigo. Você é só o cara que abandonou uma mulher grávida e nunca procurou saber do filho.Se as palavras que Percy falou o magoaram, ele não demonstrou em sua expressão, embora o menino pudesse jurar que viu fios de cabelos brancos surgirem no cabelo escuro do homem.– Um dia talvez você entenda Perseus que eu nunca abandonei você ou Sally, me afastar manteve você escondido de meus irmãos e protegido da fúria e orgulho deles. – ele ergueu a mão quando seria interrompido novamente – Mas eu preciso lhe dizer as palavras que o oráculo no acampamento proferiu sobre sua missão.Ele começou a recitar uma profecia e Percy fez um esforço para concentrar-se nela.
Você irá para o Oeste, e enfrentará o deus que se tornou desleal.
Você irá encontrar o que foi roubado, e o verá devolvido em segurança.
Você será traído por aquele que o chama de amigo
E, no fim, irá fracassar em salvar aquilo que mais importa.
– O que isso significa?– Eu gostaria de saber, mas eu não sou o deus das profecias e você provavelmente não vai querer ouvir o que ele pode dizer sobre isso. Não leve isso ao pé da letra, profecias dificilmente são o que elas aparentam ser.Um forte trovão ressoou e fez tremer as janelas da mansão, os hieróglifos brilharam em azul intenso. Poseidon praguejou enquanto outro trovão sacudia as janelas novamente, acompanhado por um raio que por pouco não acertou a piscina de Phelipe.– Já fiquei por tempo demais aqui, minha energia está atraindo muita atenção. – ele levantou e deu um último olhar para Percy – Eu farei tudo o que puder para protegê-lo na sua missão filho, eu estou mais do que orgulhoso por ver você hoje.
----- CHAPTER BREAK -----
Percy ficou olhando enquanto o deus se desfazia em uma brisa fria como o mar de manhã e de repente tudo veio sobre ele, a profecia, a missão, o fato de o pai não estar morto e a identidade de seu pai biológico. Uma dor de cabeça insuportável começou e ele não conseguia manter os olhos abertos.
Os trovões e raios se afastaram da mansão, mas uma tempestade ameaçava afundar New York pesava sobre a cidade, Percy não conseguia se importar com isso. Se mover ou mesmo pensar parecia um esforço maior do que ele era capaz de fazer e ela não sabia dizer quanto tempo passou até que ele sentisse o toque da mão macia de sua mãe em seu ombro.
– Durma um pouco Percy, vamos conversar de manhã.
Ele não lutou contra o conselho e deixou a consciência escorregar.
Dormir foi a pior escolha que ele poderia ter feito.
Seu bá foi puxado com tanta rapidez que ele não conseguiu ver o que acontecia na sala da mansão, arrastado pela correnteza ele lutou para encontrar um rumo, todos os esforços eram inúteis e ele estava realmente se afogando na correnteza do duat, o que não deveria ser possível. Quando a cabeça dele submergiu ele afundou ate um ambiente semi-iluminado ele ouviu uma voz profunda entoando um cântico antigo e outra voz suave humana murmurando.
A cena mudou para uma discussão entre dois campistas que ele viu brevemente no acampamento, Luke surgiu entre eles e apartou a briga.
– Nós não estamos tendo esse tipo de partidarismo aqui, ninguém vai escolher lado algum e Clarisse você pode seguir de volta a sua cabine.
Clarisse rangeu os dentes para Luke e para o outro menino e saiu batendo o pé e murmurando ameaças de morte. A atenção do rapaz ficou com outra menina.
– Megan
– Foi ela quem começou dizendo que eu era a fofoqueira e que...
– Ninguém aqui tem como saber quem foi o idiota que saiu espalhando problemas por ai, mas você sabe que Clarisse vai usar qualquer desculpa por uma briga.
Percy se distraiu com a visão de uma Annabeth de olhos vermelhos e se impulsionou para segui-la.
– Eu não sou nova demais para uma missão – ela resmungava – Eu sei que posso resolver isso.
A cena mudou de novo.
Um grande salão decorado ricamente decorado com grandes tronos, mas o que chamou a atenção foram os homens gigantes que discutiam no meio da sala. Um deles Percy não teve dificuldade em reconhecer, era o mesmo que o viera visitar, Poseidon, e o outro era obviamente seu irmão Zeus.
– Devolva o que me roubou irmão, ou eu encontrarei seu filho e o destruirei em frente a todo o Olimpo.
– Você deixar seu orgulho afetar sua pouca inteligência vezes demais Zeus, eu não tenho motivo para roubar sua arma, de que ela me serviria no oceano?
– Eu não sou estupido irmão, devolva o que me pertence ou sofra as consequências.
O ar se encheu de ozônio e sal, Percy pode jurar que ele ouviu ondas batendo nas paredes da sala para se equiparar ao som dos trovões.
– Eu lhe direi isso uma única vez Zeus, se você fizer qualquer avanço nessa sua ideia ridícula de que eu roubei sua arma, se ferir meu filho, você estará enfrentando o mar com uma fúria que você nunca viu antes e eu não pararei ate realmente tirá-lo do seu trono.
– OUSA ME AMEAÇAR EM MEU PALÁCIO?
– Fique com o meu aviso irmão.
Os olhares ameaçadores fizeram a sala tremer com poder, os punhos dos irmãos estavam fechados a ponto de cortar a circulação de sangue, se é que eles tinham sangue, e os dois deram um prazo para o outro.
– Você tem até o solstício para devolver minha arma.
– Você tem até o solstício para retirar suas acusações.
Percy fechou os olhos quando ambos brilharam com uma luz cegante e só conseguiu ouvir uma risada da mesma voz profunda antes de sentir alguém puxando seu braço e despertando-o do sonho.
Ele piscou tentando enxergar o ambiente, Estelle movia-se em círculos na sala trazendo objetos para perto de uma bolsa e a mãe dele sacudia o ombro para despertá-lo.
– Filho você precisa acordar – o tom dela era controlado, mas ele podia ouvir o medo nela.
– O que?
– Tem uma quimera rondando a mansão, minha magia não tem efeito nela e Phelippe não vai conseguir segurá-la por muito tempo. – Ela soltou o braço dele – Você precisa voltar para o acampamento, lá você estará seguro.
Ele ficou de pé, a mão procurou a caneta-espada que ele ganhou de Quíron e trouxe para fora para destampar.
– Não é hora de lutar Percy, dessa vez recuaremos. Você precisa de treinamento. Recolha sua bolsa e se prepare para sair em 5 minutos, talvez não tenhamos todo esse tempo.
Relutantemente ele guardou a caneta e correu escada acima para o próprio quarto, havia uma mochila que ele sempre levava para as visitas para o primeiro nomo estava sempre meio cheia com roupas limpas, poções de cura feitas pela mãe e um kit mágico básico. Ele só tinha que encontrar a dita mochila depois que a mãe arrumou o quarto. Nada embaixo da cama, nem no closet ou mesmo embaixo da escrivaninha. Ele grunhiu de frustração.
Do andar de baixo ele ouvir um grito agudo da irmã e uma pancada que fez tremer sua janela, o tempo estava acabando. Percy vasculhou o quarto com os olhos, a bolsa tinha que estar em algum lugar. Um pedaço de linho branco se destacou no gancho atrás da porta, a bolsa!
Ele puxou a bolsa no mesmo tempo que algum vidro na sala explodiu.
O tempo acabou.
– Percy!
Ele jogou a mochila nas costas sem olhar o conteúdo e desceu as escadas com a mão apertada na caneta. Estelle estava espremida atrás da estátua de Tot e Sally estava numa dança mortal com o monstro usando o cajado para manter uma cauda de serpente afastada enquanto desviava dos ataques da cabeça de leão.
Esse era o monstro mais estranho que Percy já tinha visto, o corpo do bicho ainda tinha uma parte de hipopótamo e não tinha a melhor coordenação, o que fazia com que sua mãe ainda estivesse viva na luta. Ele destampou a espada e se preparou para avançar quando a irmã o puxou para trás.
– Mamãe mandou nós ficarmos aqui, estou esperando o portal se abrir, mas ela disse que você precisa abrir o portal para o acampamento.
– Não tem portal para lá, eu tenho que ajudar ela, Estelle.
– Abra o portal Percy – gritou Sally sem olhar para ele – Eu deixei uma estatueta escondida no pé da colina, faça isso agora!
Com a estátua de Tot em uso, o outro artefato que ele podia usar estava na biblioteca, ele empurrou a irmã para ficar atrás da estátua e recuou sem tirar os olhos da mãe que ainda conseguia milagrosamente desviar os ataques do monstro. Ele perguntou onde estaria Khufu e Phelippe, ambos deviam ser guardiões da mansão e a ausência deles lhe dava um calafrio que ele não tinha tempo de sentir.
Uma pequena estatueta estava apoiada na mesa, um presente que ele ganhou de tia Ruby no seu sexto aniversário, ele focou na lembrança da colina e do vale onde o acampamento se encontrava e sentiu a magia dentro dele responder. Ele não viu que os hieróglifos usuais se misturaram com letras que ele não reconhecia, mas conseguiria ler se estivesse olhando para elas.
O Portal se abriu ao mesmo tempo que ele ouviu o portal da sala surgir, Estelle gritou um alerta para a mãe e pulou nele. Percy devia pular no dele também, mas ele não o faria até a mãe estar segura.
Sally recuou para o portal e o monstro atacou com a cauda de serpente, num reflexo Percy gritou jogando a espada no chão e erguendo as mãos instintivamente, o ambiente todo sacudiu e água surgiu vindo da varanda vazia. Não a água que ele aprendera a conjurar com um feitiço, mas a água do próprio rio próximo a mansão. Ele não sabia que podia controlar uma quantidade tão grande de água assim.
O tremor desequilibrou Sally e a mandou tropeçando pelo portal, o monstro também tropeçou e rugiu indignado procurando seu alvo desaparecido, ele fixou os olhos em Percy e tentou avançar. Um pensamento percorreu a mente do menino e a água obedeceu começando a fluir como uma correnteza brotando do meio da sala, atrapalhando e enfurecendo o monstro ainda mais, e o menino recuou para perto do portal.
A energia dele estava sendo rapidamente drenada para manter o portal aberto junto com a correnteza que prendia o monstro. Percy sentiu um puxão mais forte no estômago e decidiu expulsar o monstro o máximo possível antes de entrar no portal.Ele ergueu as mãos e a água formou uma onda para puxar o monstro em direção ao rio ao fundo da mansão e foi vencendo a resistência da quimera aos poucos, mas o esforço fez surgir pontos pretos na sua visão, era agora ou nunca.
Sem olhar para o monstro que ainda lutava para avançar, ele pulou dentro do portal pensando na praia de areias quentes e na expressão de sua mãe ao encarar as águas calmas do mar. Ele caiu suavemente sobre a grama ao pé da colina e viu a estátua de Osíris bem onde ele e a mãe tinham parado para que ele acenasse para o centauro uma última vez.
Com muito esforço ele se colocou de pé, a mão voando para checar se a mochila ainda estava presa no ombro, estava e era quase um milagre. Percy usou as mãos para procurar apoio nas árvores e escalou de volta, dessa vez sozinho, a colina para o acampamento.
– Percy? – alguém chamou do topo da colina
Ele viu Luke, sentado junto à árvore que guardava os limites do acampamento, o rapaz parecia surpreso em vê-lo e Percy sentiu o alívio de ver um rosto familiar. Ele tropeçou e soltou o apoio, avançando com um pequeno sorriso antes das pernas virarem geleia e ele caiu no chão sem enxergar mais nada.
----- CHAPTER BREAK -----
Annabeth enfiava uma colher com pudim entre a boca aberta de Percy na próxima vez que ele abriu os olhos.
– Sabe, eu acho que você pode estar realmente tentando se matar – ela falou quando viu os olhos dele abertos
– Não, minha mãe me mataria se eu estivesse. Há quanto tempo eu estou fora?
– você chegou aqui ontem, sua mãe ligou avisando que ela e sua irmã estão bem e visitando sua prima – A menina baixou a colher para uma taça agora vazia e colocou a louça na cabeceira – Então, o que aconteceu? Você chegou aqui quente como se estivesse doente e apagou depois de passar na barreira, teve sorte de Luke te pegar antes de bater no chão.
Ele olhou o quarto em que estava, o mesmo que esteve antes quando veio pela primeira vez ao acampamento. Percy realmente não queria contar ali, quem sabe quem estaria escutando a conversa? Ele precisava de conselho e talvez Annabeth pudesse ajudar.
– Já posso me levantar? Aqui está muito quente para conversar.
Ela lhe estendeu a mão para ajudar a levantar, foi bom pra ter apoio, mas ao colocar o peso sobre os pés, Percy percebeu que não ia precisar se apoiar nela pelo caminho. Uma boa soneca e a comida mágica que recebeu restauraram sua energia, embora sua mente permanecesse cansada, talvez não houvesse poções para isso. Caminhando para fora da casa, eles passaram novamente pelo diretor do acampamento cujos olhos se estreitaram em Percy e o acompanhou até a porta.
– Para onde você quer ir?
– Existe realmente um lugar onde posso evitar todo mundo e não ser ouvido?
– Coloque isso na cabeça e me siga de perto, alguns campistas não estão felizes que você voltou. – ela estendeu a ele seu boné mágico e virou de costas.
Sem nem mesmo parar para ver se ele a seguia, Annabeth caminhou em direção a praia que eles foram da última vez, mas uma parte mais escondida onde eles veriam se alguém chegasse, mas estariam sozinhos. O caminho não era longo, mas eles passaram por muitos campistas e Percy desviou com cuidado embora não pudesse evitar ouvir alguns sussurros sobre a presença dele no acampamento e sobre o modo como ele chegou.
A filha de Atena sentou na areia com cuidado antes de falar com ele novamente.
– Já pode tirar o boné, ninguém vai vir atrás de mim porque tem uma nova rodada de atividades em 5 minutos e eu fui dispensada para cuidar de você. Você tem cerca de 40 minutos antes de Quíron terminar a aula dele e notar que você sumiu.
Ele tirou o boné e devolveu a ela antes de se jogar na areia ao lado dela.
– Eu preciso da sua ajuda Annabeth – ele começou incerto – um dia em casa mostrou que talvez eu nunca possa ter uma vida normal com minha família de novo e eu tenho... um problema maior que... Eu realmente não sei como começar isso.
O olhar que ela lhe deu era meio curioso e confuso, sem muita certeza ela lhe deu um tapinha no ombro como forma de consolo.
– O começo é um bom ponto.
Ele riu e respondeu
– O começo? Eu não queria ser um semideus, acho que posso começar daqui. Eu tinha uma boa vida, uma boa família e estava realmente bem sem tudo isso. Não parece divertido ou seguro ser um semideus e já quase me matou em todas as ocasiões que houve chance. Eu pareço um lanche ambulante para os monstros? Porque eles certamente parecem achar isso.
– Às vezes não é tão ruim assim, se você tem treinamento e não é filho de alguém muito poderoso pode passar despercebido e sobreviver ao ano escolar no mundo mortal. O acampamento é uma família, todos têm problemas, mas podemos confiar em quem estiver aqui.
– Eu confio em você Annabeth, você foi a primeira pessoa aqui que me fez sentir bem vindo. E é por isso que eu vou te falar isso. Eu descobri quem é meu pai, e isso vai me trazer muitos problemas.
– O seu pai? Mas como você descobriu sem ser reclamado?
– Minha mãe sempre soube, e eu recebi uma visita.
– Mas isso é proibido, eles nunca fazem isso.
– Fazem quando te dão uma profecia e um aviso.
Annabeth olhou para Percy, o encarando como se perguntasse a si mesma se acreditava nele, depois ela acenou com a cabeça como se descartasse uma ideia. Ela permaneceu em silêncio por minutos a fio antes de perguntar.
– Quem é?
Em vez de responder, Percy gesticulou para o mar e um fio d’água se desprendeu de uma onda e veio na direção deles, com um piscar de olhos ele manteve a pequena quantidade de água rodando acima da mão como um redemoinho. A lembrança de fazer esse mesmo movimento com a água na piscina de Phellipe, com isso em mente o menino quase esqueceu que tinha uma pessoa ao seu lado.
A filha de Atena não percebeu a distração dele, ela parecia chocada demais com a revelação do parente imortal do seu mais novo amigo e como se a água fosse o problema ela bateu na mão que mantinha o redemoinho girando no ar. Isso despertou Percy.
– Lembra quando eu disse que era um mago estranho com duas especialidades ao invés de uma única? Eu tenho afinidade com a água desde que me lembro e...
– Você é o ladrão! – Interrompeu ela ficando de pé – como todos estão dizendo e eu não acreditava...
– Eu não sou – Percy afirmou com raiva também se levantando – Eu nunca tinha tido qualquer contato com nada desse mundo e eu nem sei o que foi roubado, mas eu sei que levaram meu pai por isso e eu vou tê-lo de volta.
– Mas sei pai é o...
– Ele não é meu pai, meu pai se chama Amós e eu quero ele de volta.
– Ele morreu Percy, você não pode trazer ele de volta.
– Ele não morreu, ele foi levado e é tudo minha culpa por querer conhecer esse lugar.
Percy voltou a afundar na areia colocando os joelhos rente ao peito. Annabeth ainda ficou de pé, balançando como se cogitasse a ideia de sair, mas ao mesmo tempo não quisesse ir. Por fim ela sentou-se novamente ao lado dele.
– Você quis vir?
– Depois do ataque que sofri na última escola, onde Quíron fingiu ser meu professor, meus pais acharam que era hora de me contar da minha outra... herança. Que eu era um semideus e que havia um lugar para pessoas como eu, mas que eles não queriam me mandar porque sabiam que eu nunca poderia sair se viesse. Eu fiquei com raiva e decidi vir aqui e descobrir minha herança grega, gritei com meus pais por mentirem e disse ao meu pai que ele não era meu pai de verdade.
A menina ficou em silêncio, sem julgar ou acrescentar comentários, apenas ficou ouvindo.
– Minha mãe estava determinada a me fazer ficar, mas meu pai disse que entendia e que eu tinha o direito de saber. Ele decidiu me trazer aqui, mas começamos a ser perseguidos logo depois que saímos de casa e chegar até aqui mantendo o carro escondido de mortais e seguro dos ataques custou muita energia dele. Quando precisamos subir a colina ele mal podia ficar de pé.
– Energia?
Percy suspirou entendendo que ela não sabia sobre magos, a magia e os reservatórios de magia. Ele explicou brevemente.
– Magos tem um reservatório de magia próprio, quando usamos essa magia, seja canalizada por um objeto ou não, nós gastamos energia e quanto mais o fazemos pior ficamos. Se um mago usar toda a magia de seu próprio reservatório ele queima vivo.
– Agora entendi o porquê você não gostou da ideia de queimar vivo quando se toma muito néctar.
– Você acredita em mim? Acredita que eu não sou o ladrão?
Ela suspirou e acenou.
– Duvido que Quíron o recebesse se você fosse, e eu confio nele.
Percy deu de ombros, era mais que o suficiente por enquanto.
– Vamos, eu preciso estar de volta a enfermaria e você pode ficar livre de mim quando Quíron chegar para falar comigo.
Eles caminharam de volta para a Casa grande com Percy usando o boné da invisibilidade de Annabeth e ela caminhando distraidamente à frente. Eles não notaram as pegadas que os seguiram na areia da praia e não ouviram a risada de quem os espionava.
– Vai ser tão fácil ter você morto no fim dessa missão, Percy Jackson. Vamos apenas deixar o destino seguir seu fluxo e ver o mundo queimar para que possa renascer das cinzas.
O semideus tirou da cabeça um elmo negro e se escondeu no mesmo lugar que Percy e Annabeth estavam. Ele se sentou na areia e deixou a brisa marinha refrescar seu corpo suado do treinamento.
– Agora eu só tenho que esperar que venham buscar você, mas Ares estará aqui logo – Luke deu um tapinha no elmo em seu colo – E logo os meus dias de treino estarão acabados.
Ares de fato não demorou a aparecer para buscar o item que restava, ele o retirou das mãos do adolescente e rangeu os dentes para ele.
– Por que mesmo eu não te entrego agora? Eu deveria depois de você roubar outra arma tão poderosa.
– Por que você sabe que isso vai gerar a maior guerra civil que o mundo já viu – Luke repetiu a resposta que foi sussurrada em sua mente e sentiu uma alegria maligna quando os olhos do deus da guerra se nublaram de ansiedade e uma antecipação sombria.
O deus assentiu e desapareceu levando o segundo item para a segurança, na hora certa tudo estaria pronto.
– O segundo item foi encaminhado meu senhor, logo teremos nossa vingança contra o Olimpo.
E Luke se foi, deixando a praia vazia e contando os dias que sairia daquele lugar para nunca mais voltar. Os deuses eram egoístas e soberbos, eles pagariam por ignorá-lo, pagariam por lhe dar apenas os restos e pagariam pela morte de Thalia.
----- CHAPTER BREAK -----
Na semana que se seguiu Percy foi seguido por sussurros em todas as sessões de treinamento e mesmo quando ele seguia silenciosamente os outros campistas para o toque de recolher e se encolhe para caber no seu ‘pedaço de chão’ na cabine onze, os sussurros não o deixavam.
Nenhum dos campistas tentou se aproximar muito dele, desconfiados ainda mais depois dos resultados de cada treinamento. Logo depois de ser liberado da enfermaria por um também silencioso filho de Apolo - e Percy realmente estremecia sempre que tentava encaixar a coisa toda de gregos na cabeça- ele teve uma aula de arco e flecha, mesmo tendo avisado Quíron que ele nunca tinha tentado tal coisa.
Foi um desastre. Annabeth riu disso pelo resto do dia e vários campistas o apontaram com risos.
A lição de corrida e a lição sobre velejar nos dias seguintes fizeram os sussurros voltarem, principalmente a última que o ligava ao ‘pai’. Percy era rápido e quase alcançava as ninfas no final, e qualquer coisa sobre velejar era natural para ele como respirar.
Esgrima tinha sido o treinamento do dia e foi ruim, muito ruim. Não pela falta de habilidade, Amós tinha treinado Percy o suficiente para se defender de demônios que poderiam segui-lo pelas ruas, mesmo com a diferença na lâmina reta e o fato de todas as lâminas no acampamento serem desbalanceadas para ele, nada o impedia de se mostrar um espadachim excepcional.
Luke, conselheiro do chalé onze onde Percy estava dormindo e treinador de esgrima do acampamento, parecia realmente impressionado com a destreza que ele demonstrava.
- Podemos fazer uma espada personalizada para você com Beckendorf, vou falar com ele no almoço - Luke coçou o queixo antes de sorrir levemente - Bom trabalho Perseus
Os membros do chalé onze foram dispensados para se limpar antes do almoço e Percy assistiu todos se dispersaram antes de recuar de volta aos fundos chalé. O intervalo antes do almoço era o melhor momento para Percy se esgueirar e contactar a mãe e irmã para ver como elas estavam, como a visita a Sadie estava indo e se elas tinham tido alguma notícia de Amós.
- Sadie não para de perguntar por você - Sally respondeu com um sorriso triste no rosto cansado - Ela diz que demoramos muito a visitar e que a nova escola é chata como sempre, mas que fez duas novas amigas: Liz e Emma.
- E você e Stelle?
- Estamos seguras, mas sem notícias. - o rosto já cansado dela pareceu quase a exaustão - Onde quer que o tenham levado está além de qualquer magia minha para entrar em contato
O som da concha alertou a ambos da passagem do tempo.
- Fique seguro Percy e não esqueça de me ligar se precisar de algo
- Até amanhã mãe.
Olhando para ver se ninguém espreitava, ele rapidamente guardou o celular em seu armário no duat, onde estavam as coisas mais importantes de sua mochila e tudo o que ele podia precisar em uma emergência. A mão dele tinha acabado de largar o celular quando a voz conhecida de Annabeth o fez virar.
- O que exatamente você está fazendo?
Ela estava meio estranha a semana toda, ora conversando e rindo com ele, ora irritadiça e o ignorando. Quando ele solicitou uma resposta para o comportamento ela murmurou algo sobre sua mãe e uma briga com Poseidon e uma inimizade que deveria existir entre eles, mas a menção do parente divino de Percy o fez ficar com raiva e dois dias depois ela prometeu ignorar isso e ser amiga dele.
- Falando com minha mãe e guardando o telefone.
- Telefones são proibidos no acampamento, usar tecnologia atrai monstros. Você viu o vídeo de introdução e recebeu as instruções no começo da semana! -Annabeth parecia exasperada, não era a primeira vez que ela o lembrava de alguma regra do acampamento
- Oops, acho que ouvi alguém me chamando para o almoço
- Perseus Jackson, volte já aqui - o tom dela era mais divertido do que bravo - eu deveria mandar as harpias devorarem você
A concha soou mais uma vez e os campistas começaram a descer para o refeitório, Percy e Annabeth tomando seus lugares na fila - os irmãos dela a encarando com perguntas por estar falando com ele.
No dia seguinte eles jogariam caça a bandeira e Percy estava animado para o jogo, mesmo que a preocupação nunca deixasse os seus pensamentos. Sair para pensar não era uma opção, as harpias estariam bem atentas por ele depois da primeira noite, e dormir estava sendo uma tarefa difícil entre os roncos dos companheiros de chalé.
Uma luz atravessou o cômodo e piscou no rosto do semideus, segurando a lanterna estava ninguém menos que Luke, a única pessoa além de Annabeth, Quíron e Grover (seu amigo de escola que era na verdade um sátiro disfarçado que o protegia de monstros) a falar com Percy e sinceramente o único que se esforçava para ser um mentor e algo como um irmão mais velho de Percy .
Luke acenou para Percy, convidando-o a vir se sentar com ele e conversar o que ele certamente queria, talvez isso até o ajudasse a dormir.
- Amanhã é um grande dia, hm? - Luke comentou quando Percy se aproximou depois de desviar dos colegas adormecidos.
- Estou ansioso para jogar amanhã, parece ser divertido
- E é, eu só tomaria cuidado com as armas de Clarice - ele acrescentou quando Percy não pareceu entender - a grandalhona que ficou te encarando depois do almoço. Ela não é ruim de fato, mas é sempre mal-humorada e provavelmente vai querer te desafiar depois que você se mostrou habilidoso hoje.
Ele considerou as palavras do filho de Hermes enquanto a memória trazia a lembrança da menina em questão, grande e com olhares ferozes depois do almoço quando os companheiros do chalé dele fofocavam despreocupados com seus amigos.
- Não conte para ninguém, mas amanhã nós seremos do time de Atena. Annabeth tem uma ideia para o jogo e dificilmente ela se engana na estratégia de jogo.
Luke deu um tapinha nas costas de Percy como se dissesse que não havia razão para se preocupar com o jogo, e ele se viu tentado a confiar no adolescente mais velho sobre o que realmente o preocupava.
- Se eu nunca for reclamado, o que acontece comigo? Eu ainda vou poder sair? Quer dizer, Annabeth fala muito de missões e como você pode sair se receber uma…
O outro semideus suspirou cansado, o rosto ganhando as sombras do resto do chalé e perdendo toda a beleza jovial que fazia as meninas do chalé cor de rosa piscarem quando ele guiava Percy entre os lugares de treinamento.
- Se você não for reclamado você fica aqui, recebemos cada visitante e nem todos têm a sorte de serem notados. Quanto a missões, ignore Annabeth e o modo animado que ela fala sobre isso. Ela só está ansiosa para ver o mundo, eu sei que arruinei tudo com a minha missão e nenhuma outra foi permitida. Se você tem uma casa relativamente segura para onde voltar, ninguém vai te impedir, mas o resto de nós está preso aqui.
O tom amargo e a infelicidade dele não passaram despercebidos, mas ecoavam nas muitas expressões que Percy tinha visto quando pisou pela primeira vez no chalé onze. Meninas e meninos com rostos abatidos, infelizes ou raivosos, que tinham tanta importância para os deuses quanto uma poeira. Foi difícil não sentir raiva por eles.
- Isso não é justo- ele reclamou
- Não, mas nós temos uns aos outros - Luke se deitou e virou o rosto para o outro lado - durma Percy, o dia de amanhã guarda a nossa vitória no jogo e você não vai querer estar cansado para isso.
Percy recuou para o próprio lugar no chão e ficou encarando o escuro por um momento antes de ir dormir, fugindo dos pensamentos que poderiam levar ele a ideias estúpidas. Infelizmente para ele o sono não foi um refúgio tanto quanto ele deveria ser.
No momento que o teto escuro do chalé desapareceu de sua visão, outro teto escuro o substituiu, o teto escuro e irregular de uma caverna. A beira de um penhasco estava a poucos passos dos pés dele e ele parecia ter sido cimentado naquele lugar, com uma força invisível e desconhecida o prendendo ao sonho.
- Perseus Kane, eu entendo seus pensamentos - uma voz profunda, antiga e poderosa vinha do abismo - o abandono daqueles que deveriam ser seus guardiões é doloroso, eu sinto sua alma atribulada e o poder contido em seu sangue.
OK
, pensou Percy,
é uma ótima hora para a correnteza maluca do duat me tirar daqui.
- Pense sobre os perigos de sua vida, jovem Perseus, você poderia ter morrido e os deuses nem se importariam.
Você também não se importaria
, ele pensou em resposta, mas sua boca parecia incapaz de dizer uma única palavra que fosse.
- Vale a pena ver os rostos abatidos daqueles outros jovens e se submeter a esses deuses negligentes? Você poderia ser o salvador entre os seus colegas Perseus. Apenas pense nisso.
A voz começou um cântico em uma língua há muito extinta e Percy se libertou do sonho, finalmente acordando com um suor frio no corpo e a voz gravada em sua mente.
----- CHAPTER BREAK -----
Era cedo quando ele finalmente conseguiu abrir os olhos, muitos ao seu redor ainda estavam dormindo e uns poucos sussurros vinham dos que estavam acordados. Percy saiu do chalé assim que ele conseguiu se manter firme sobre os pés. Ele não sabia quem era o cara em seu sonho ou exatamente o que esse cara queria, mas ele tinha a certeza que o bem estar dele e dos outros campistas não era uma prioridade. As palavras parecia carregar algum tipo de magia, principalmente o cântico no final do sonho, mas seja qual for a língua que ele estava cantando era algo impossível de entender ou tentar traduzir.
Percy não conseguia tirar a voz, as palavras ou o cântico da cabeça e a cada vez que ele se concentrava em entendê-las sentia como se tivesse recebendo uma anestesia. Talvez ele pudesse falar com Luke ou Annabeth sobre isso, eles poderiam ajudar a entender quem era esse cara ou como ignorar o que ele disse, mas ele não sabia se esse era o tipo de coisa que era possível ser dita sem suspeita.
Foi quando ele ouviu uma melodia terrível e ergueu os olhos para reconhecer onde ele estava, seus pés instáveis o levaram ao canteiro de morangos.
- Grover! - Percy estremeceu com a instabilidade na própria voz - Eu preciso perguntar uma coisa.
O rosto de Grover se iluminou e ele alegremente acenou para o espaço vazio ao lado dele, a alegria sátiro em vê-lo fez o estômago dele se revirar de culpa por ter se afastado de seu amigo quando ele o encontrou pela primeira vez no acampamento.
- É bom ver você Percy, achei que você não falaria muito comigo depois… - ele acenou com a flauta que estava tocando - Quer dizer, eu entendo que você poderia ter ficado chateado e Quíron disse que eu escolhi as palavras erradas para explicar…
- Grover - Percy interrompeu - Eu que deveria pedir desculpa, eu não devia ter ficado chateado e sinceramente eu não vou colocar isso contra você, nós dois escondíamos segredos para manter o outro seguro e você é meu amigo.
-
Obrigado, Percy. - Grover fungou um pouco e virou para o amigo com um olhar estranho - Você não está bem.
Foi como um dejavu e eles estivessem de volta a Academia Yancy, onde Grover parecia ter um sexto sentido para saber quando Percy precisava falar e quando ele simplesmente não estava bem.
- Eu acho que preciso falar com Quíron, mas eu não sei bem onde ele está.
-
Tem certeza que é com o Quíron que você precisa conversar?
- Sim - foi o que ele respondeu - Eu tive um sonho estranho e muito ruim e eu preciso de ajuda.
Grover o analisou por um momento, como se os olhos dele pudessem ver mais do que o próprio Percy, como se pudesse ler sua mente confusa e inquieta.
- Eu te levo até ele.
Grover não fez mais nenhuma pergunta e o guiou direto para uma entrada lateral da casa grande, virou a esquerda no corredor e bateu na segunda porta de madeira. Quando a porta foi aberta Percy reconheceu o lugar que ele tinha sido levado para ligar para a mãe depois do acidente, Quíron estava em sua forma de cavalo, mas com uma touca na cabeça e algo como pompons na cauda de cavalo. O centauro seguiu o olhar de Percy para seu pijama e limpou a garganta trazendo a atenção de volta para seu rosto.
- Eu imagino que algo não está bem para vê-los tão cedo na porta do meu quarto.
Grover cutucou Percy e o incentivou a falar.
- Eu preciso falar com você, é importante e urgente, então pedi ajuda a Grover para encontrar você.
- Bem, eu vou trocar de roupa e podemos seguir para o escritório.
-
Talvez outro lugar? Um lugar aberto e longe de ouvidos indesejados? - pediu Percy com um tremor de alguém ouvir a parte errada da conversa e decidir que ele era o vilão,mais do que já achavam.
Quíron o olhou tão profundamente quanto Grover fizera antes de trazê-lo e concordou.
- Espere aqui enquanto eu me arrumo.
Grover esperou com Percy os cinco minutos até a porta se abrir novamente e se despediu quando Quíron começou caminhar para longe do quarto. Eles seguiram em silêncio, passaram pelos campos de morango e tomaram um caminho à beira da floresta, quase a beira do limite do acampamento até alcançarem uma beira da praia, onde um riacho encontrava as águas frias do oceano atlântico.
Era mais isolado do que o lugar onde Annabeth o levou para conversar e Percy se sentiu melhor com a brisa do oceano acalmando seus pensamentos em um fluxo correto para as palavras saírem. Ele se sentou na areia e começou a contar a Quíron o sonho, descrevendo o lugar, as palavras e como a voz parecia usar alguma magia para fazê-lo ficar e gravar isso em sua mente. A expressão de Quíron ficava cada vez mais pálida e rígida enquanto Percy continuava a falar e escureceu quando terminou.
O centauro esperou um momento depois que o relato acabou e olhando diretamente fez a primeira pergunta ao semideus ao lado dele.
- O que você acha disso tudo Percy?
O que ele achava? O menino não tinha uma resposta imediata a isso.
- Eu não acredito na voz- ele respondeu depois uma hesitação- tudo o que ela dizia parecia querer me fazer ficar com raiva e ver através da raiva tudo ao meu redor. Toda vez que ele me instigou a ficar com raiva por meus colegas eu só conseguia pensar que nossa segurança ou bem estar eram as últimas coisas na lista de prioridades daquela coisa.
Quíron não contestou.
- Eu tenho uma suspeita de quem pode ter tentado falar com você Percy, em nossa história há poucas pessoas que se encaixam no que você me contou e eu posso aconselhá-lo sobre o que fazer embora não possa te forçar a escolher o que fazer a seguir.
Ele parecia que queria muito poder dizer exatamente o que fazer e a expressão de Quíron envelheceu mil anos enquanto ele continuou.
- Cada herói é responsável por suas escolhas e seu próprio destino, eu já treinei heróis por milhares de anos e nem todos seguiram os melhores caminhos. Você tem potencial Percy, eu vi isso assim que o conheci, mas você também é muito jovem e portanto tem decisões importantes a seguir.
O som das ondas predominou quando Quíron hesitou antes de continuar.
- Saiba que por mais egoístas e difíceis que os deuses possam ser, o desejo de refazer o mundo com algum outro poder ou ser exige um custo alto, sua própria vida e talvez tudo o que você mais ama. Mas, no fim de tudo cabe apenas a você escolher.
- Eu não sei muito sobre os gregos, mas alguns anos atrás uma maga ficou com muito ressentimento de outras pessoas por terem escolhido outra para um papel importante, ela ficou cega com isso e, talvez sob alguma influência ou não, ela acabou deliberadamente matando centenas de pessoas, magos e mortais comuns. - Percy tinha oito anos quando aconteceu e entre ouviu a conversa de sua mãe e Amós, um dos amigos mais antigos de seu pai havia falecido no confronto que levou a maga a ser detida - Desde o momento que eu ouvi a voz eu sabia que não queria ouvir nada, mas tinha alguma magia nisso que grudou na minha cabeça. Como se estivesse tentando entrar em mim.
Se sentindo como uma criança assustada, Percy se encolheu na praia.
- Eu fiquei com medo - ele sussurrou
A mão de Quíron procurou o ombro dele e apertou em conforto.
- Todos temos medo Percy, faz parte da nossa essência quanto a seres mortais. Nada pode forçá-lo a possuir sua mente ou corpo, mesmo os seres mais poderosos precisam de uma permissão, e cabe a você ceder ou não esse acesso.
Percy relaxou com isso, era escolha dele e ele sabia exatamente o que falaria se a voz retornasse, o suor frio e a firmeza do aperto que as palavras tinham em sua mente desapareceu. Ele se levantou junto com Quíron e aceitou com um sorriso a oferta de uma carona para o refeitório, o resto do dia prometia um jogo novo e ele queria estar pronto para isso.
----- CHAPTER BREAK -----
Durante a manhã os treinamentos aconteceriam normalmente, mas depois do almoço os chalés teriam a limpeza e inspeção da semana e depois os preparativos para a caça a bandeira. Percy tomou café com o chalé 11 e os seguiu para o treino do dia – esgrima. Luke dividiu o chalé todo em duplas e os fez treinar as manobras ensinadas no ultimo treino.– Essas manobras são ótimas para ganhar vantagem na luta, mas vocês não podem deixar de praticar, o uso incorreto da manobra vai fazer você perder a espada.Percy tinha escolhido uma espada de treinamento, guardando a caneta que Quíron o deu para o jogo mais tarde – a magia na caneta era forte e ainda o deixava desconfortável o fato de ter sido um presente do pai de Percy. O filho de Hermes passou por todas as duplas uma por uma antes de se juntar a Percy para praticar.– Tenho uma missão para você hoje no jogo – foi o cumprimento dele – Estamos no time de Annabeth e temos um plano para ganhar. Você pode ajudar?– Claro o que eu tenho que fazer?– Me encontre atrás do chalé depois da sua visita ao arsenal. – A visita para que Percy tivesse uma armadura para usar durante a caça a bandeira - Vou explicar melhor lá, as arvores tem ouvidos por aqui e eu não quero estragar o plano da Annie, é um bom plano.Ele apenas assentiu, concentrando-se para a fase final do treinamento quando algumas duplas eram escolhidas para lutar em frente ao chalé inteiro. Como Luke era sua dupla, Percy foi o primeiro.Era bom que os reflexos de semideus e mago o tornassem mais rápido, por que às vezes parecia que Luke tinha o plano de fazer Percy em pedacinhos, os treinos com filho de Hermes eram sempre intensos, mas ele era grato por isso, quanto mais pesado o treino melhor para evitar morrer numa luta real.Todos foram dispensados faltando uma hora para o almoço. Quíron esperou por Percy assim que os primeiros chalés dispersaram depois da refeição, o centauro o guiou até uma pequena cabana com uma fechadura, podia ser um deposito de ferramentas para um acampamento comum, mas nada ali era comum.Depois de abrir a porta, Quíron guiou Percy até as armaduras o que era algo definitivamente novo, ele nunca vira nenhum mago usando uma.– Como se usa isso? – o semideus perguntou depois que recebeu um kit– Tenho certeza que Luke e Annabeth podem demonstrar para você, vocês três tem sido um grupo próximo.Havia um tom de curiosidade e Percy apenas assentiu confirmando, tanto Luke quanto Annabeth eram as coisas mais próximas que ele tinha de amigos agora, embora o filho de Hermes também estivesse se tornando quase um mentor para ele – esgrima era o principal ponto de proximidade e Luke se esforçava para que Percy pudesse pegar rápido os movimentos mais difíceis.– Eu sinto falta de Grover, eu sei que ele era meu protetor, mas sinto falta de nossa amizade – Percy se viu desabafando – Acho que eu posso ter magoado ele de alguma forma. Você sabe por que ele esta me evitando?Quíron bateu o casco contra o chão e limpou a garganta.– Percy, essa é uma conversa que vocês dois precisam ter, mas – o centauro ergueu a mão para evitar ser interrompido – Grover tinha responsabilidades como seu protetor, era para ele trazer você em segurança. Ele precisa de uma missão concluída com sucesso para avançar na carreira dos sonhos dele.– Mas eu fui levado para casa, ele nunca poderia me encontrar lá! Não é justo.– Ele esta sob uma penalidade do conselho e poderia perder seu trabalho, mas como você disse não seria justo. Eu e Dionísio interferimos e talvez Grover tenha uma chance de terminar uma missão na próxima vez.Percy se sentiu um péssimo amigo. Grover estava com problemas e ele nem se importou em perguntar nada. Quíron pareceu ler a mente dele e acrescentou.– Talvez falar com Grover seja uma boa ideia hum? Ele deve estar perto do lago ou nos estábulos.– O que eu posso fazer para ajudar?– No momento apenas apoiá-lo, Grover deve provar sua capacidade protegendo você ou algum semideus em uma missão.O semideus agradeceu e partiu com o kit de armadura nas mãos, Luke e Annabeth podem esperar por uns minutos. Ele seguiu em direção ao lago e seu amigo.Grover estava sentado perto do lago, um balde e esponja descartados a poucos centímetros de onde ele se encolhia. Percy limpou a garganta e viu seu melhor amigo se virar, a expressão facial mudando de pensativa para um sorriso fraco.– Percy! Você parece muito melhor.– Yeah, obrigada pela ajuda com Quíron. – ele coçou a cabeça e sentou ao lado do sátiro – Nos não temos estado próximos desde o museu e eu tenho sido um péssimo amigo, então...– Você não é um péssimo amigo Percy, aconteceu muita coisa e eu entendo – ele suspirou infeliz – se eu tivesse realmente feito um bom trabalho talvez seu padrasto estivesse bem também.Amós e sua captura eram um assunto delicado, mas em favor do amigo, o semideus apenas engoliu o nó que se formou na garganta.– Não foi sua culpa, nada disso foi sua culpa. Você não tinha como saber onde eu estava e mesmo que eu tivesse conseguido pedir ajuda seria impossível chegar a tempo.– Eu deveria ser um bom protetor.O menino ficou incerto do que dizer, quais qualidades de Grover eram excelentes para o trabalho se ele nem sabia o que exatamente qual o trabalho que o melhor amigo fazia. Trabalhos, planos de carreira e aspirações para sátiros não estava entre suas aulas no acampamento – provavelmente porque ele não era um.– O que exatamente é ser um protetor?Grover focou o olhar em Percy como se tentasse ler sua expressão.– Nos somos enviados para varias escolas através do país e tentamos encontrar semideuses que ainda não conhecem sua herança. Tentamos entrar em contato com os pais, se possível, e trazemos os semideuses para o acampamento para serem treinados e ter mais chance de sobreviver. Nunca é fácil e às vezes... Às vezes não conseguimos.Grover mudou o olhar do rosto do amigo para a colina onde um pinheiro se destacava no alto, marcando o limite da barreira do acampamento.– Semideuses dos deuses mais antigos tem um cheiro diferente, mais forte, e isso significa mais monstros. Anos atrás Zeus teve uma filha, Thalia, e um sátiro foi enviado para escolta-la para o acampamento, ela tinha se aliado com outros dois semideuses que conheceu no caminho e eles enfrentaram muitos problemas antes do sátiro conseguir encontra-los.– Eles não conseguiram? O que aconteceu?– Hades não estava feliz com Zeus e mandou seus mais ferozes monstros perseguirem a menina e seu grupo, eles conseguiram chegar até a metade da colina com cães infernais e três benevolentes – Percy franziu a testa ao termo e Grover traduziu – Como a Sra. Doods. Mas Thalia percebeu que eles não estavam mais conseguindo avançar e mandou seu sátiro levar os outros dois semideuses na frente. Ela fez sua resistência final no topo da colina, sacrificando a vida para dar tempo aos outros, Zeus apiedou-se dela e transferiu seu espirito para o pinheiro que protege a barreira.Percy se sentiu anestesiado, era cruel o destino que a menina teve, ele se perguntou quantos anos ela devia ter e quem eram os dois outros semideuses. Nenhuma dessas perguntas saiu da mente dele, a sensação de que talvez fosse inadequado perguntar. Grover ainda olhava para a árvore e ele se moveu para observar com mais cuidado o pinheiro.Era grande e forte, mais alto que qualquer outro por estar no topo da colina, a única coisa que sobrou para lembrar a vida de uma menina inocente. Os gregos eram malucos. No lado dos egípcios as crianças são treinadas para sua segurança, mas nunca enviadas em missões suicidas ou impossíveis. Isso era trabalho para os magos adultos e totalmente treinados.Grover baliu triste e pediu licença, pegando o balde e esponja descartados.– Eu tenho que terminar a limpeza nos estábulos, vejo você depois do jogo Percy. Boa sorte.Ele acenou para o amigo enquanto ele se distanciava ate as ultimas palavras fizeram sentido em sua cabeça.O jogo. Luke e Annabeth aguardando por ele para explicar a estratégia.Coletando o kit de armadura do chão, Percy correu de volta aos chalés para encontrar seus amigos, a mente viajando entre a ansiedade do jogo e a preocupação com Grover. Percy não estava certo se gostava do plano de Annabeth, proteger a bandeira era uma posição importante, mas, apesar da garantia dela e de Luke que esse era o único motivo pra ele ter sido escolhido, parecia que uma parte do plano não foi comentado. O olhar de Clarisse era algum indicativo de que ele não teria um papel tranquilo nesse jogo.Quíron – ainda como um centauro e usando uma armadura que lembrava a sua própria – tomou a frente para ditar as regras e sua posição como médico e juiz durante o jogo. Ele entregou as bandeiras para os capitães de cada time e anunciou as equipes, Percy colocou o capacete de penacho azul, a cor da equipe dele, e seguiu a equipe para o lado deles do campo apontado pelo treinador.Todos estavam reunidos, devidamente armados e protegidos, era hora de iniciar a Caça a Bandeira. Luke tinha reunido com dois grupos distintos da equipe, claramente passando instruções, e Annabeth guiou ele para longe dos outros enquanto carregava o mastro com a bandeira para longe da linha divisória.Ele continuou seguindo a filha de Atena por um bom tempo, ela levando a bandeira e Percy carregando um enorme escudo de treinamento. Ele não estava particularmente preocupado em lutar com a espada, a espada/caneta estava em seu lugar no bolso e ficaria segura até a luta. Mas ele tinha a ideia de descartar o escudo assim que possível, o peso extra não ajudava na fluidez ou leveza necessária para se mover num duelo.Quando finalmente alcançaram a beira de um riacho e um grupo de pedras entre as arvores Annabeth decidiu que estavam no melhor lugar, levando a bandeira para trás das pedras e manando Percy se colocar a frente como se protegesse as arvores e não a bandeira nas pedras. Com tudo no lugar certo, ela deu a ele um olhar conhecedor.– Você sabe que Clarisse virá atrás de você, certo? Proteja a bandeira e distraia Clarisse, eu vou voltar para te ajudar antes do fim do jogo, preciso colocar o plano em pratica antes disso.O filho de Poseidon soltou o escudo o chão.– Eu sou a isca de vocês não é? Todo aquele papo de eu ser forte para proteger a bandeira era só fachada.– Você é quase tão bom na esgrima quanto Luke e sabe se defender muito bem, não pense que você me engana Percy. Ah, e você me deve uma também, por ouvir você e guardar segredo sabe?– Achei que fossemos amigos! – ele protestou– Amigos ajudam uns aos outros – ela sorriu vitoriosa – Não os deixe levar a bandeira! Eu vou voltar logo. E Percy? – ela se aproximou e baixou a voz antes de falar – Não se apoie tanto na água, a lança de Clarisse é elétrica.Sem esperar resposta, Annabeth pôs os boné magico na cabeça e sumiu seus passos se afastando de volta a linha divisória onde a batalha principal aconteceria. Não muito depois uma concha soou ao longe e gritos de batalha encheram o ar por breves minutos.O jogo começou.Olhando para o vazio e ouvindo os gritos ocasionais e choque metálico de espadas era tedioso e Percy não se deu o trabalho de ficar em posição ou mesmo de pé. Ele se moveu para sentar em uma das pedras e tirou o sapato para mergulhar os pés na água, a caneta firme na mão para o caso de alguém aparecer e esperou.Esperou.E esperou mais um pouco.A floresta tinha seus próprios sons, o vento balançava as arvores e galhos estalavam se quebrando. Quíron o proibiu de usar a varinha e o cajado em qualquer atividade, alegando que faria mais mal do que bem, mas ele nunca mencionou truques. Truques úteis como olhar no duat e enxergar os campistas inimigos à distância.Ele fez exatamente isso, incerto se a magia funcionaria com os gregos, e viu a floresta toda acender em luz. Silhuetas em verde brincam entre as arvores e arbustos, algumas dentro de troncos – as ninfas - auras azuis corriam e duelavam ao longe, um pequeno grupo caminhando na direção geral de Percy – os campistas e talvez Clarisse vindo atrás dele. Ele podia ver magia em todos os lugares.Pondo-se de pé ele virou tentando ver se alguém vinha de outra direção e se havia mais ninfas ao redor. Ao invés disso Percy ouviu um grunhido furioso e uma aura preta apareceu se esgueirando por entre as arvores, posicionando para pular e atacar. O semideus piscou para apagar as linhas do duat e identificar o monstro. Grego ou egípcio? Ele deu um passo para trás e sentiu a presença recuando.– Olha quem encontramos vagando perdido! – Clarisse exclamou com alegria.Percy virou para encontrar cinto outros semideuses o cercando e Clarisse apontando a lança crepitante para ele.
----- CHAPTER BREAK -----
– Olha quem encontramos vagando perdido! – Clarisse exclamou com alegria.
Percy virou para encontrar cinco outros semideuses o cercando e Clarisse apontando a lança crepitante para ele.
Percy destampou a caneta e deixou a lâmina se expandir, ele moveu os pés na água e apontou a espada à frente do corpo.– Bem, vocês realmente demoram a me achar. Estavam aproveitando o passeio ou revisando qualquer que fosse sua estratégia para achar a bandeira?Eles nada responderam apenas apontaram as próprias espadas e avançaram para tentar forçar Percy a recuar, não que fosse funcionar com ele determinado a usar isso em sua vantagem.– Só para constar, vocês estão bem longe da bandeira. Eu até poderia apontar a direção, mas duvido que vocês a encontrassem de qualquer jeito – ele blefou, sabendo que a bandeira estava a poucos metros na esquerda dele.– Não estou muito preocupada com a bandeira, nos temos outros procurando por ela. – retorquiu Clarisse com a lança crepitando –Te dar uma boa surra parece bem mais divertido. Peguem o mané.Dois dos irmãos de Clarisse avançaram movendo suas espadas para o ataque e embora a lâmina curva de sua kopesh favorita não fosse uma opção nessa luta, o movimento que ele e Luke treinaram outro dia serviria perfeitamente.Percy jogou o braço para a direita e rebateu a espada do primeiro, desviando o golpe que vinha em direção ao seu torso, em seguida trouxe o braço com contracorrente para a esquerda batendo a lâmina na espada do segundo e girando o punho da espada forçando o desarme. O braço livre se adiantou para socar o rosto do outro adolescente para longe da luta.Os movimentos vinham como uma dança bem ensaiada e força necessária para execução, o pulso de energia que a água lhe dava tornava todo ataque previsível. O primeiro semideus recuperou a trajetória da própria lâmina e iniciou outro ataque, gingando para cobrir o lado onde seu parceiro deveria estar.Bloqueando o ataque com contracorrente, Percy deixou seu pé escorregar para frente e empurrou a perna de apoio do semideus, desequilibrando-o e o mandando direto para leito do riacho. O filho de Ares, preocupado em tentar evitar a queda, mandou a própria espada voando para trás.Clarissa grunhiu furiosa e sinalizou para os outros dois semideuses avançarem enquanto ela mesma se posicionava, uma mão apertando a lança enquanto a outra erguia o escudo.– Sabe – Talvez a provocação não fosse necessária, mas ele sabia que ia enfurecê-los ao ponto de ser estupidamente impulsivo, o que facilitaria a sua luta contra três – desistir não é tão humilhante quanto ser espancado por um menino de doze anos que é menor que vocês todos.E provando o pensamento de Percy, Clarisse e os seus dois irmãos soltaram um grito de guerra e avançaram sem qualquer cuidado ou coordenação. Enquanto um ataque bem coordenado colocaria Percy em séria desvantagem, a própria desorganização deles era uma vantagem que ele podia usar.Ele desviou do primeiro, apenas deixando que ele avançasse contra a rocha atrás dele, jogou a espada com todo seu peso no segundo, efetivamente empurrando-o para uma área mais escorregadia do riacho e pulou para desviar o ataque de Clarisse, sentindo o ar crepitar com a ponta elétrica.A ponta da lança se prendeu na bainha da camisa que ele usava e abriu um talho no tecido, a pele embaixo felizmente inteira. Clarisse reagiu mais rápido do que ele e usou o escudo que carregava para jogar Percy para fora do riacho.Um dos outros irmãos dela se recuperou o suficiente para avançar nele novamente, mas Clarisse não tinha desistido da própria investida e por um momento ele se preocupou que estaria sobrecarregado tentando se defender de dois lados – não impossível de ser feito, mas consideravelmente mais provável de causar machucados.Clarisse trouxe a lança para frente e Percy jogou a base da espada contra a empunhadura da lança, empurrando para baixo com seu próprio peso, o suficiente para a que a menina perdesse o controle da arma que foi ao chão. Pelo canto do olho, ele viu o segundo atacante ser jogado para fora do curso - Annabeth retornou como prometeu o que significava que...– Vitoria! –Luke gritou vindo do outro lado do riacho, bandeira vermelha nas mãos e sorriso triunfante.– Uma armadilha –grunhiu Clarisse – Era uma armadilha.– Sim, muito obrigado pela ajuda Clarisse – Percy comentou baixinho – Você ajudou muito.Luke e seus outros aliados vinham cercados por lutadores do time vermelho e Clarisse ordenou seus irmãos a se unir a luta, mas era tarde demais a fronteira foi cruzada e o time azul explodiu em vivas.A concha soou e o jogo foi encerrado.– Muito bem Percy! – Annabeth estava do lado dele quase instantaneamente, sorrindo orgulhosamente como se acabasse de vencer uma guerra e não um simples jogo – Eu sabia que era um bom plano.– Eu ainda não gostei de ser a isca, mas valeu o sacrifício.Ela deu-lhe um tapinha no ombro e apontou para a bandeira que tremulava antes de mudar de cor – de vermelha com o símbolo da cabine de Ares para cinza com o símbolo de Hermes.– O próximo jogo é contra você, já peço desculpas por sua derrota.Quíron levantou a voz vou pedindo que todos os campistas retornassem para o acampamento quando um rugido cortou o ar. O centauro falou algo em grego que Percy não prestou atenção em ouvir, os olhos focados no grande monstro que surgiu da floresta atrás dele.Definitivamente era um monstro grego e tinha os olhos fixos nele.Annabeth tentou murmurar algo, o nome do monstro talvez, enquanto avançava para ficar a frente dele, ela não teve a chance. O monstro, o que quer que fosse, saltou sobre ela e pousou as patas no peito de Percy, derrubando-o e lançando longe a espada de sua mão adormecida.Ele estava congelado no segundo que seu corpo bateu no chão, o sangue não corria nas veias e tudo o que lhe ocorreu foi o pensamento mórbido de que os olhos escuros e vazios do monstro seriam a ultima coisa que ele veria na vida.Mas pontas de flecha surgiram no segundo seguinte rodeando a cabeça do monstro que se dissolveu em poeira em seguida. Annabeth e Luke estavam ao lado dele o ajudando a levantar, Quíron pedindo que não baixassem a guarda e Clarisse gritando que Percy era quem convocou o monstro.– Você está ferido – murmurou Annabeth– Precisamos levar Percy para a enfermaria – Luke acenou para um dos filhos de Apolo.Percy podia sentir a dor aguda e a viscosidade por baixo da armadura, a visão do próprio sangue o deixando tonto e forçando o sangue voltar a circular.– Não vai dar tempo – a filha de Atena empurrou Luke de lado e puxou Percy para o riacho – Desculpe por isso Percy, mas você vai perder muito sangue se te levarmos até a enfermaria.Todos os campistas olharam para a menina com estranheza por um momento antes de suas expressões se tornarem pálidas. Os cortes no peito de Percy se fechavam e a água do riacho subia contra a gravidade para lavar o sangue da camisa, nada disso era o foco dos semideuses.Acima da cabeça de Percy brilhava um símbolo em luz verde. Um tridente.– Está determinado – anunciou Quíron.Luke e Annabeth foram os primeiros a se ajoelhar, a expressão dela torcida num pedido de desculpas enquanto o segredo da ancestralidade de Percy se espalhava. Os outros não demoraram a seguir o movimento, ajoelhando-se e mantendo os olhos no tridente reluzente.– Poseidon – disse Quíron. – Senhor dos Terremotos. Portador das Tempestades. Pai dos Cavalos. Salve Perseu Jackson, Filho do Deus do Mar. Antes do toque de recolher Percy foi realocado para sua própria cabine, onde o aroma salgado do oceano era constante e as conchas incrustadas nas paredes traziam uma familiaridade com um lugar que ele nunca esteve. Ele se perguntou de onde no oceano essas conchas tinham sido retiradas.Se os outros não achavam que ele era um espião antes, eles achariam agora. Ele foi isolado como se estivesse contagiado de uma doença mortal, até mesmo o filho de Apolo que o examinou em busca de ferimentos depois do jogo evitou olha-lo nos olhos.Luke e Annabeth o tinham acompanhado até a porta do chalé e ofereceram palavr5as de conforto. – Eles só estão com inveja, amanhã vai ser bem melhor. – afirmou Luke acenando em despedida.Annabeth apenas o abraçou e sussurrou um ‘’me desculpe’’ antes de seguir atrás do filho de Hermes.Percy não a culpava, ele provavelmente teria que ficar na enfermaria por um tempo se ela não tivesse empurrado ele no riacho. A presença o monstro já teria sido o suficiente para causar sussurros desconfortáveis, um ataque dentro das barreiras do acampamento – um lugar seguro para todos os semideuses.O dia seguinte não foi melhor, nem o dia seguinte ou qualquer dia até o fim da semana.O chalé 11 estava inquieto e se recusavam a treinar com Percy, as aulas de esgrima eram agora só ele e Luke. Annabeth continuava a ensinar grego para ele, os irmãos dela ficavam a espreita como se temessem pela segurança dela perto de dele, Clarisse e seus irmãos passavam por ele murmurando ameaças de longe, sem nunca chegar perto.Percy sentia como se o acampamento inteiro estivesse prendendo a respiração a cada vez que ele estava em uma das áreas comuns, tentando decidir como lidar com ele. Era frustrante, solitário e injusto. Depois de mais um dia frustrante de olhares e sussurros, ele tinha tido o suficiente.As coisas que lhe pertenciam na cabine entraram rapidamente na bolsa, ele alcançou o celular e começou a discar o numero de telefone de sua mãe quando Annabeth e Grover o chamaram na porta da cabine.“Pode entrar” ele respondeu, chutando a mochila para baixo do tapete.Eles vieram, obviamente discutindo algo, se as expressões fechadas indicavam alguma coisa.“Quíron quer falar com você, ele esta esperando na casa grande” Annabeth começou.“Vocês sabem por quê?”Annabeth mordeu o lábio, Grover foi quem respondeu.“Eles querem me matar...” a filha de Atena lhe deu uma cotovelada forte e ele se interrompeu “É melhor Quíron explicar”.Quando Quíron o chamou para a Casa Grande naquela noite, Percy já sabia que algo importante estava para acontecer. Sentado à mesa com seu ex-professor, ele tentou manter a calma enquanto milhares de pensamentos levavam sua mente a um frenesi. Ele foi exposto como o filho de um deus que não deveria ter filhos, o que fariam agora?"Perseu," começou Quíron, sua voz ressoando suavemente na grande sala iluminada pela lareira. "Você sabe que os tempos estão mudando. Há uma sombra se aproximando que ameaça não apenas nosso acampamento, mas todo o mundo dos mortais e imortais."Percy assentiu, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. Ele estava acostumado com desafios, mas algo no tom de Quíron o fez perceber que isso era diferente."O raio mestre de Zeus foi roubado," continuou Quíron, "e os deuses estão inquietos. Suspeitam de que um semideus esteja envolvido, um semideus que conhecemos muito bem".Os olhos de Percy se arregalaram. Ele sabia que estava sendo acusado indiretamente, seu nome manchado antes mesmo de poder entender o que estava acontecendo, isso conseguiu deixa-lo mais furioso. Tudo no mundo grego era tão injusto? Ele não tinha mais certeza se ainda queria fazer parte disso."Não podemos permitir que uma guerra entre os deuses, você tem alguma ideia do quão ruim isso seria?" Quíron prosseguiu sua voz grave. "O mundo como conhecemos chegaria ao fim e na ponta da fúria de Zeus estaria o semideus que ele acha ser o ladrão: você. E é por isso que precisamos de você, Percy. Precisamos que você encontre o raio mestre, limpe seu nome e o de seu pai, antes que seja tarde demais."Percy sentiu um turbilhão de emoções. Raiva por ser acusado injustamente, medo do que poderia enfrentar, e uma estranha sensação de dever. Ele não tinha certeza se estava pronto para enfrentar tal responsabilidade, mas também sabia que não poderia simplesmente virar as costas para o que estava acontecendo. Ele precisava de tempo."Posso pensar sobre isso, Quíron?" ele perguntou. O centauro assentiu com compreensão."É claro, Percy. Consulte o Oráculo de Delfos. Ouça a voz dos deuses. Mas lembre-se, o tempo é um luxo que não podemos desperdiçar."
