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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2024-01-24
Words:
2612
Chapters:
1/1

Obliquo e Dissimulado

Entire Work

Work Text

Eu respiro fundo, coçando os olhos antes de os abrir, encarando o teto branco do quarto, ainda levemente escuro no horário das seis da manhã. Hoje faz três semanas da nossa primeira e última briga durante os seis meses que ficamos juntos.  "Juntos", eu penso comigo mesma, soltando um riso baixo de escárnio. Seis meses que transávamos prometendo não desenvolver sentimentos um pelo outro, três meses depois, eu já havia quebrado a promessa internamente.  Saio dos meus pensamentos ao ver meu celular tocando, a vibração embaixo o travesseiro me fez esticar o braço para alcançá-lo. Na luz branca da tela estava escrito o nome de minha melhor amiga.  "Monique?", eu atendo, ainda meio perdida no sono "Você assistiu?", ela me pergunta, sem ao menos me cumprimentar antes.  Demoro alguns segundos até entender do que ela estava falando, mas, quando o faço, solto um suspiro alto. "Não", respondo por fim. Saltburn havia estreado ontem, durante a madrugada, sei que Monique me ligou para garantir que eu não havia passado a noite assistindo o filme que ele estrelava, não fiz isso, não por ser forte, mas porquê havia esquecido.  "Hm, não assistiu, ou AINDA não assistiu?", ela pergunta, dando ênfase na palavra.  "Para ser sincera, eu havia esquecido, mas sei que em algum momento eu vou assistir, eu acho...não sei", no fundo, eu sabia que passaria minha sexta feira no quarto escuro na companhia da Amazon Prime Video.  Monique era a única pessoa que sabia sobre a minha história com Barry, parte do acordo era que ninguém saberia de nada, eu concordei, e o compreendi, não deve ser fácil ou confortável ter pessoas expondo a sua vida por aí, e eu não queria isso pra mim.  Me levanto da cama, indo direto para o banho, a água quente escorria pelo meu corpo, e espalhando a névoa branca pelo banheiro. O cheiro de lavanda dos meus produtos tomava conta de tudo, e eu tentava expulsar as lembranças que invadiam minha cabeça.  
"Vem aqui", Barry me puxa para mais perto, o chuveiro era grande o bastante para molhar ambos ao mesmo tempo. O beijo molhado, as mãos dele passeando pelo meu corpo, tudo me fazia arrepiar. 
 Abro os olhos, maldizendo a mim mesma por me permitir ainda estar arrepiada com a lembrança.  Fecho meus olhos uma última vez enquanto sentia a água diminuir ao passo em que eu girava o registro do chuveiro. Me enrolo na toalha branca, abrindo o guarda roupa para me trocar para o trabalho. Uma camisa e calça social, ambas pretas, um scarpin preto, a sola vermelha era a única coisa que trazia qualquer outra cor para o que eu estava usando. Escondo as olheiras com corretivo, um pouco de máscara de cílios e um gloss incolor.  Pego minha bolsa, as chaves do carro, e, sem nem perceber, já estou estacionando em frente ao prédio em que eu trabalho.  Eu sou editora chefe em uma revista de moda, desde criança eu sempre me interessei por moda, sempre gostei mais das roupas da barbie do que da boneca em si, era óbvio, até naquela época, que minha carreira giraria em torno disso.  O dia de trabalho passou rápido, assinei papéis, pisquei, almocei uma salada, ignorei as duas estagiárias que conversavam no corredor sobre como estavam indecisas sobre gostar ou não do novo filme da Amazon Prime, rindo baixo enquanto falavam sobre Barry e Jacob.  "Se elas soubessem..." penso comigo mesma, coloquei os sentimentos de lado, pisquei novamente e já estava no carro a caminho de casa.  Quando chego, a noite já estava começando a chegar, tomo um banho longo, coloco um pijama de seda vermelho, e me deito embaixo das cobertas, colocando o ar condicionado para esquentar o quarto, e ligo a televisão.  Encaro a tela do filme por um segundo antes de dar play. Me levanto, vou até a cozinha e me sirvo uma taça de vinho branco. Penso melhor, levo a garrafa comigo.  Dou play, e, assim que eu o vejo, meu estômago gela.  
"Eu quero muito ver o filme com você, quero estudar suas reações" Barry disse, rindo
 
"Falando assim só me deixa mais curiosa" 
 
"É o primeiro filme em que eu tenho o papel principal" ele diz, a voz com um tom sonhador e orgulhoso. Ele estava deitado no meu colo, sem camisa, pois eu estava usando a dele, a boxer branca deixava as entradas abaixo do umbigo a mostra.
 
"Você já deveria ter conseguido isso muito antes", eu o respondo, continuando o cafuné nos cabelos escuros. 
 
Um sorriso aparece em seu rosto enquanto abre os olhos azuis, encarando os meus, se apoiando nos cotovelos, ele se senta, me beijando profundamente. 
 
As mãos dele passeavam por baixo da camiseta, meu corpo arrepiava sob seu toque, e eu percebia o corpo dele responder ao meu. 
 
Ele me puxa para o seu colo, sem parar de me beijar, sinto seu volume embaixo de mim, as mãos dele me segurando mais forte pela cintura. 
 Pego o celular, abro minha conversa com ele, usando toda a minha força para não escrever nada. Queria saber como ele estava, queria parabenizá-lo pelo papel impecável e pelo filme excelente.  Coloco o celular embaixo do travesseiro e me ajeito para dormir.  
"Eu não acho que isso seja mais pra mim" eu o encaro, tentando, ao máximo, me manter impassível. 
 
"Eu achei que tinha sido claro sobre como as coisas funcionariam conosco" Barry me olhava sério. "Aquela manchete não é nem real, eu não fiquei com ela em momento nenhum" 
 
Ele se referia às fotos que estavam por toda a internet, em que ele saia do carro preto com uma atriz em ascensão. 
 
"O problema não é esse, Barry" e não era, de verdade "você nunca me prometeu nenhum tipo de exclusividade ou fidelidade, e eu nunca pedi isso pra você, mas foi o que fez minha ficha cair..." eu penso por um segundo nas fotos "nunca serei eu a estampar fotos com você, nem as tiradas por paparazzi e muito menos fotos que você postaria por conta própria, e eu não quero passar a minha vida me escondendo das pessoas." 
 
"Você sabe que não é simples assim pra mim, essa matéria é a prova disso" ele tinha um ar alterado 
 
"Eu sei que não..." eu olhava pro chão, medindo as palavras que eu estava dizendo "mas pode ser pra mim", eu não pude mais conter as lágrimas que correram pelo meu rosto
 
Barry me observou, aquelas palavras haviam desarmado todas as barreiras que ele parecia ter erguido, o pesar transparecia nos seus olhos azuis. 
 
"É uma pena que eu não possa ser a pessoa a dar isso para você" 
 
Eu o olhei uma última vez, em pé, na sala grande com móveis escuros, a calça de moletom cinza, a camiseta preta, usando só meias brancas. 
 
Algo em mim esperava que ele fosse me parar quando eu me virei para ir embora, mas ele não fez nada, apenas me observou ir. 
 
Eu me permiti chorar e soluçar, enquanto dirigia, no caminho para a casa naquela noite. 
 O sábado passou sem grandes acontecimentos, na verdade, pedi comida pois não queria sair para almoçar, muito menos cozinhar.  Assisti série no sofá até às 20:00 da noite, quando decidi que não queria ficar em casa.  Coloquei um vestido preto, midi com uma fenda no lado direito que subia até a minha coxa.  Peço um uber, e, sem saber direito para onde ir, coloco o primeiro endereço que vem à minha mente.  Quando eu desço, é quase como um flashback, entro no pequeno pub irlandês, com uma única e pequena porta verde escura, quase escondida entre as letras em neon dos outros letreiros de Nova Iorque.  Me sento no mesmo lugar no balcão, peço o mesmo Moscou Mule.  
Eu estava sentada no balcão, o copo pela metade da bebida de vodka e gengibre. 
 
Nunca me incomodou sair sozinha, ficar olhando as pessoas vivendo suas vidas e imaginando o que havia as levado até ali naquela noite de sábado. 
 
O bartender me tira dos meus pensamentos ao colocar mais uma caneca em tom rose gold em minha frente. 
 
"Acho que este não é meu" digo, o alertando do possível erro. 
 
"Com os cumprimentos de um cliente regular" ele diz, olhando para o lado. 
 
Eu sigo o seu olhar até uma mesa com alguns homens sentados. Demoro alguns segundos para perceber que eram todas pessoas que eu já havia visto, não ao vivo, é claro, mas nas telas do cinema que eu tanto amava comparecer. 
 
O moreno me olhava, estava usando jeans escuros, uma camiseta branca e nikes. Tinha um copo de cerveja escura e outro de whisky sem gelo em sua frente
 
Não conseguiria esconder que é um irlandês mesmo se quisesse. 
 
Engulo seco, tentando manter a calma, apenas levantando o copo em direção a ele, como agradecimento
 
Acho que ele viu nesse ato uma oportunidade para se aproximar, pois se sentou ao meu lado nas banquetas do bar
 
"Boa noite" ele diz, me observando. 
 
"Boa noite", é difícil não sorrir como uma idiota, porém, dou um gole na bebida para esconder o sorriso
 
Havia algo nele, na maneira como se portava, relaxado, despreocupado, mas com um ar de quem sabia exatamente quem era, e o que fazia com as pessoas ao seu redor. Ele tinha um magnetismo inegável, e usava disso da maneira mais casual possível. 
 
Eu nunca havia entendido o que Machado de Assis quis dizer quando descreveu os olhos de ressaca de Capitu, pelo menos não até ver os dele.

"Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."

Foi o que ele disse, e foi o que eu encontrei. Olhos tão azuis quanto o oceano no verão, tão poderosos quanto a ressaca do mar, puxando tudo para si, capazes de me afogar com um único olhar. 
 
Olhos oblíquos e dissimulados, de fato.
 
Não sei dizer quanto tempo conversamos, ou quantos outros drinks bebemos, mas, em algum momento, eu estava em um Uber em direção ao apartamento de cobertura em frente ao Central Park. 
 
O apartamento era enorme, a decoração moderna não deixava de ser confortável, com detalhes em madeira e couro. 
 
O quarto tinha uma cama de tamanho king, talvez até maior. Ele fecha a porta atrás de si, se aproximando de mim. 
 
Meu batom já havia saído, os resquícios no meu rosto e no dele, entregando que não havíamos esperado até chegarmos lá. 
 
No banco de trás ele subia a mão pela minha coxa, encontrando a barra do vestido, me surpreendendo com um beijo que estremeceu meu corpo. 
 
É justo dizer que quando chegamos em seu quarto eu já sentia meu corpo inteiro o desejando. 
 
Ele me pega pela cintura, me beijando novamente, ele se senta na cama, e me puxa para o seu colo
 
Podia sentir o corpo dele desejando o meu. 
 
Minha respiração se torna pesada, e, os gemidos saiam quase inaudíveis dos meus lábios
 
Mas ele consegue perceber, um sorriso se desenhando em seus lábios enquanto ele me beija. 
 
Devagar, ele desce a alça fina do meu vestido, beijando meu pescoço, deixando leves mordidas até encontrar minha clavícula.
 
Eu enterro meus dedos em seus cabelos escuros, o puxando para mais perto, sentindo seu membro roçar embaixo de mim. 
 
Retiro sua camiseta, passando as mãos pelo seu abdômen definido, minha mão continua descendo, desabotoando sua calça
 
Ele me observava com um sorriso ladino, enquanto eu abaixo sua calça, revelando seu membro duro, a glande levemente molhada de pré gozo. 
 
Eu me abaixo, apenas experimentado seu gosto. Minha língua passeando por todo o comprimento antes de colocá-lo em minha boca. 
 
Ele segurava meus cabelos, os gemidos de alívio cada vez mais descompassados. 
 
Ouvi-lo gemer fazia o tesão tomar conta de mim.
 
Eu continuo o chupando, até que ele se derramasse em minha boca, me levantando. 
 
Ele me observa em pé, se levantando, seus olhos encontram os meus. Ele retira meu vestido sem desviar o olhar. 
 
Ele me deita na cama, se inclinando para beijar minha barriga, agarrando minhas coxas para separar minhas pernas. 
 
Ele puxa minha calcinha, passando dois dedos pela minha intimidade que eu já sentia estar implorando por ele.
 
Um sorriso malicioso se forma em sua boca enquanto ele se abaixa, passando a língua devagar, me fazendo gemer.
 
Sua língua passeava pelo meu clitóris ao introduzir dois de seus dedos dentro de mim
 
Entre gemidos descompassados eu sinto o alívio do clímax fazer meu corpo todo tremer. 
 
Ele se senta, me puxando de novo para o seu colo, dessa vez, nossos corpos colados, sem nenhuma roupa entre nós, eu o sinto, todos os centímetros dentro de mim.
 
Os beijos ficavam mais intensos ao passo em que ele me penetrava cada vez mais fundo, mantendo um ritmo que estava me deixando fora de mim
 
Minhas unhas estavam cravadas em suas costas, ouvindo meus gemidos tomarem conta de todo o quarto. 
 
Seu polegar direito alcança meu clitóris, fazendo movimentos circulares, fazendo meu fôlego, já descompassado, se perder junto com qualquer outro pensamento além daquele momento.
 
Eu o sinto gozar dentro de mim, e meus músculos se contrairem com ele ainda dentro de mim, sentindo meu próprio alívio se misturar com o dele. 
 
Aquele foi a primeira transa de tantas que perdi as contas. 
 
Eu ficava cada vez mais viciada nele, na forma como ele me fazia sentir, todas as vezes que ele me estimulava demais, me fazendo gozar várias vezes sem descanso, ou quando ele me deixava a beira do clímax, mas não me deixava gozar, me fazendo implorar por horas. 
 
Toda vez que eu estava em seus braços sabia que nada nem ninguém jamais se compararia a ele. 
 Minha atenção se volta ao copo que é colocado em meu lado, um arrepio toma conta de mim ao ver o copo de cerveja escura, e o cheiro herbal e amadeirado, tão conhecido por mim, tomar conta do lugar.  "Eu sabia que estaria aqui" a voz dele é quase um sussurro no meu ouvido, eu não precisava me virar pra saber que ele estava perto demais.  Mas me viro mesmo assim, os olhos azuis fitando meus lábios.  "Como?" eu pergunto, ainda sem compreender completamente a situação.  "Só sabia", ele dá de ombros "Queria saber como você estava"  "Não sei dizer como estou" eu o respondo, não seria capaz de mentir que estava bem.  "Me desculpa" ele diz, colocando a mão sobre a minha  "Você não fez nada de errado para se desculpar, nossos objetivos apenas não se cruzavam" eu digo, em um suspiro.  "Vamos" ele me pega pela mão, se levantando  "Onde?" eu me levando confusa.  "Para onde você quiser, para quem você quiser que veja" ele se aproxima de mim, nossos corpos quase colados.  "Barry..." eu não sabia direito o que dizer, mas sentia meu coração acelerado  "Eu não fiz nada além de sentir sua falta nesses últimos dias, fui um idiota de não deixar as pessoas verem a mulher incrível que eu tinha só pra mim..." ele pensa por um minuto "que eu quero ter de volta", o moreno conclui.  Eu seguro a mão dele mais forte, e ele me leva em direção a porta. Abrindo a porta do carro preto para mim, sem se importar com qualquer flash que era disparado em nossa direção.  Estampamos algumas capas de revista no outro dia, em que se perguntavam quem era a mulher desconhecida que estava jantando com Barry Keoghan  Com o passar dos dias eu parei de ser uma questão, eu era a mulher dele. E serei, por todos os outros dias.

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