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Título do capítulo: O garoto que não era suficiente
Byun Baekhyun nasceu em uma cidade pequena no interior de São Paulo, no Brasil. Ele viveu uma infância normal, escola, amigos, aventuras em parquinhos e tudo que os pais puderam proporcionar para lhe garantir um crescimento feliz. Adorava a vida que tinha, mesmo que as memórias tivessem se perdido conforme crescia, ainda lembrava dos vestígios de felicidade genuína que partilhou na infância. Sorrisos honestos com o pai e abraços carinhosos da mãe.
Não lembrava exatamente quando a vida boa acabou, se recordava brevemente de discussões barulhentas e choros altos vindo da mãe, alguns bons anos depois de sua chegada ao mundo. Não sabia como, mas naquela época, de alguma forma entendia que o amor dos pais tinha chegado ao fim, e aos seus cinco anos os viu se divorciarem. Foi quando a mãe decidiu voltar para a Coréia do Sul, seu país natal. Esse dia também marcou a última vez que Baekhyun viu o pai.
Byun Seulgi entrou em depressão assim que o casamento acabou, e como se a dor da solidão não bastasse, a necessidade de voltar a morar com os pais tirou o resto de sua vontade de viver. Baekhyun não entendia na época, mas a mãe sofreu e muito em seu retorno ao país na qual cresceu e viveu parte da vida. Era lembrada constantemente das escolhas que fez, do fracasso que se tornou, seus avós faziam questão de frisar a decepção que sentia dela principalmente o erro que dizia respeito ao seu eu adolescente, a escolha de largar tudo em seu país para se aventurar com um homem que conheceu na internet, fugindo de casa e engravidando sem o mínimo dos estudos.
Em seu retorno a mãe não recebeu o
apoio que deveria de sua família, na verdade seus avós não a deixavam esquecer de suas escolhas ruins, a torturando com palavras difíceis mês após mês, piorando seu estado cada vez mais. A decepção dos genitores para com a filha não livrou nem Baekhyun, que passou a sofrer as consequências das escolhas da mãe sendo excluído pelos avós e muitas vezes maltratado com palavras duras de ouvir para uma criança tão jovem.
Essas ações trouxeram reações tardias que tornaram Baekhyun uma criança isolada. Foi quando o pequeno garoto parou de existir. Mesmo tão novo foi capaz de compreender que sua existência não era desejada dentro daquele que deveria ser seu lar. E Baekhyun que sempre foi elogiado por ser uma criança esperta e comunicativa, se viu através dos anos perdendo essa qualidade; ele parou no tempo, incapaz de falar, de expor pensamentos ou sentimentos. Ele apenas se tornou vago, vazio, invisível.
E ele, que era o melhor aluno da escola no Brasil, se tornou o pior na Coreia. Seu coreano tinha um vocabulário reduzido por ter morado tanto tempo em um país que falava predominantemente português e ter praticado o idioma da mãe pouquíssimas vezes. Nunca pensou que precisaria tornar o idioma seu primeiro, nunca achou que deixaria o país, nunca pensou que perderia os pais.
Baekhyun não conseguia se tornar fluente, além disso não conseguia ler e escrevia muito pouco. Sua família chegou a pensar por uma época que era disléxico, mas a realidade era que ninguém de fato tinha paciência ou tempo para ensiná-lo. Então Baekhyun se fechou, pelo bullying que sofria na escola e pela rejeição da mãe e dos avós, ele apenas parou de tentar ser alguém naquela família.
A mãe superou a depressão dois anos depois e quando conseguiu voltar a trabalhar encontrou o amor da vida dela enquanto trabalhava de barista em uma cafeteria. Era um amor lindo que precisava de muita coragem para florescer, e ela conseguiu fazer que desse certo, mesmo que perdesse os pais no processo. Tinha oito anos quando se mudou para morar com a madrasta. Park Irene era uma ex-idol aposentada, ela era linda de um jeito que Baekhyun se sentia deslocado apenas de dividir espaço com ela.
A casa de Irene era a maior que Baekhyun já tinha visto na vida, com tantos metros quadrados que Baekhyun se perdia, havia tantos corredores e tantos empregados que depois de um tempo Baekhyun desistiu de decorar o nome de todos eles. Irene era incrível, gentil, bondosa e carinhosa de um jeito que a mãe jamais foi, mesmo assim, Baekhyun não confiava nela, em ninguém na verdade, por isso se manteve distante, distante de todos, inclusive da família.
Irene
também tinha um filho: Park Chanyeol.
Baekhyun o conheceu logo na infância e percebeu de cara que eles pareciam viver em um universo alternativo, um lugar particular do multiverso, onde se podia ter tudo e nada nunca lhes era negado. Um mundo muito distante da realidade que Baekhyun conhecia, com dinheiro, poder e fama.
Park Chanyeol tinha dezoito anos na época que o conheceu. Ele era bonito como a mãe, dono de uma infinidade de talentos e tinha uma inteligência de admirar, atributos esses que o tornava uma pessoa arrogante e metida. Se Baekhyun precisasse citar um momento na qual dialogou com ele, mesmo enquanto criança, não seria capaz, pois jamais existiu qualquer tipo de conversa entre eles.
Apesar de Baekhyun crescer ao lado do Park, nunca foram amigos, nunca sequer conversaram.
Muitos motivos os levaram a se tornarem estranhos dividindo um teto, dentre eles a diferença de idade e classe social, que agora ia muito além do dinheiro, se encontrava presente em comportamento, vivência e experiência. Baekhyun não conhecia muito sobre Chanyeol e tudo que sabia sobre o filho de sua madrasta era contra sua vontade, não fazia questão de conhecê-lo, e se ele não se esforçava para se dar bem, também não faria.
Isso não o impediu de criar bons laços com Irene,
a via quase como uma mãe, se não fosse sua ausência tão notável. Sendo CEO de uma agência, ela não passava muito tempo em casa o que dificultava de se conhecerem melhor e ao contrário do que queria, Baekhyun passava muito tempo em casa com a mãe, o que não necessariamente significava que o vínculo entre eles tivesse sido retomado como antes, na verdade a convivência piorou e muito.
Com os anos Baekhyun cresceu, mudou seus hábitos, seu comportamento, amadureceu sua personalidade, deixou de ser aquele garoto quieto e isolado que levava tudo para o fundo da mente, deixou de engolir seus sentimentos calados e passou a se impor, esse comportamento piorava ano após ano e principalmente quando atingiu a pré-adolescência e depois a adolescência. Baekhyun se tornou irreconhecível frente à criança doce que um dia foi.
Baekhyun deixou de tentar agradar a mãe, e se tornou muito ciente do valor que tinha na vida dela. Decidiu que seria agradável apenas para si mesma.
Parou de tentar porque jamais seria Chanyeol, jamais seria tão perfeito e certinho como ele, jamais orgulharia a mãe como ele parecia fazer sem esforço algum. Mesmo longe, mesmo quando ele partiu ao se mudar para fazer mestrado, era como se Baekhyun sempre estivesse na sombra de Chanyeol, sendo comparado, humilhado e ridicularizado, mesmo que tentasse se sobressair. Se sentia preso, condenado a ser inferior a ele mesmo quando se esforçava.
Mesmo quando era o melhor aluno da sala isso não importava, mesmo quando se tornou presidente do grêmio, mesmo quando fundou sua própria banda ainda no ensino médio. Nada era suficiente, nada bastava porque mesmo em seu melhor, Chanyeol já havia conquistado mais. Jamais chegaria perto de ser quem Chanyeol era, porque mesmo que tentasse de tudo, o Park parecia chamar muito mais a atenção de sua mãe do que Baekhyun conseguiu através dos anos, e era insuportável como ele sempre obtinha os elogios, que deveriam ser seus, era como se ele estivesse usurpando seu lugar.
Ele era o menino dos olhos de Seulgi, o filho que ela sempre quis ter e o que o tornava ainda mais especial, era que não tinha o sangue do pai de Baekhyun, aquele que a traiu.
Baekhyun percebeu que jamais conseguiria se igualar ou superá-lo, porque o que fazia Chanyeol ser o favorito era o fato de que sua mãe não via o maldito traidor quando o olhava, ela via apenas o futuro maravilhoso que teria ao lado de Irene, e quando Baekhyun compreendeu isso, entendeu também que não precisava ser como Chanyeol, ele podia ser ele mesmo. Entendeu que enquanto Chanyeol estivesse em seu caminho, jamais conseguiria ser enxergado, e pela primeira vez em anos não quis não quis ser Chanyeol, apenas queria ter orgulho de quem era, e lutaria para isso, com ou sem apoio da mãe.
o desejo que nos consome
Baekhyun se lembrava exatamente do dia que Chanyeol partiu da mansão. Era um final de dezembro, véspera de ano novo, uma sexta-feira. Lembrava como se fossem ontem, porque foi o dia que teve um pouco de fé e esperança de que a mãe mudaria, acreditou mesmo que a ida de Chanyeol para fora do país melhoraria sua relação com a progenitora. Mas pelo contrário, a partida se tornou apenas mais um lembrete de sua insignificância dentro daquela casa, frente ao que deveria ser sua família, era mais um motivo para sua mãe vê-lo como inútil, afinal, Chanyeol estava abrindo as portas do próprio futuro, enquanto Baekhyun não se atrevia a sair do lugar, preso demais ao passado para crescer.
Ver Chanyeol partindo foi tão sufocante quanto te-lo ali, e por isso não sabia qual reação ter em seu retorno. Depois de seis anos vivendo fora, o Park estava de volta ao seu país de origem, e isso era um saco.
Na maior parte do tempo Baekhyun era indiferente à existência de Chanyeol. Repetia isso sempre que lembrava que ele estava pelo mundo, em algum lugar, levando a vida que poderia ser
sua. Mas ser indiferente a presença dele quando ele morava em Londres era bem diferente de ser indiferente a ele, enquanto dividiam uma casa, e Baekhyun sabia que em seu retorno, ele ficaria por alguns bons meses, lembrava de ouvir insistentemente a mãe em ligações implorando para que o enteado voltasse para visitar Irene.
Achava a situação toda tão patética que queria apenas chorar e fazer birra, mas sabia que não podia, se render as lágrimas seria deixar Chanyeol vencer sua barreira emocional, seria ceder ao seu lado mais fraco, e tudo que não podia aceitar era ser fraco, jamais seria assim novamente.
Baekhyun puxou o ar, pensando que o futuro era sua melhor chance de fazer alguma coisa realmente decente que valesse a pena, desse modo, suportar Chanyeol não seria nada, já que em menos de três meses estaria se mudando com os amigos para outro país, um lugar longe, bem distante da arrogância de Chanyeol e livre da pressão psicológica da mãe e ausência parental.
Apenas ele e sua banda, começando juntos a faculdade em um lugar distante da família, talvez fizessem até um sucesso que os levassem além de bar de esquina e eventos da cidade. Tinha acabado de se formar no ensino médio, estudou por um ano para conquistar uma bolsa no Canadá, onde não dependia totalmente do dinheiro da mãe, e agora estava a poucos meses para encarar de frente a fase adulta e responsável.
Se tivesse com quem desabafar Baekhyun diria que estava apavorado, tinha tanto medo de sair de casa, ser esquecido como o pai havia feito, como a mãe fazia diariamente. Se perdesse o afeto de Irene, ou das funcionárias que durante tantos anos foram sua companhia, não iria aguentar. Por isso estava buscando distrações, com medo de encarar o que estava por vir. Tinha muitas coisas para abrir mão, sua liberdade tinha um preço e teria de descobrir se estava pronto para lidar com ele.
Baekhyun gemeu desgostoso quando a folha de papel que segurava arranhou seu dedo, levou o polegar aos lábios suspirando, sua cabeça estava tão cheia que nem a música estava salvando sua mente de se perder. Observou os amigos de banda que estavam na varanda, se sentindo muito grato por ter o apoio de sua verdadeira família.
Sehun fumava um cigarro com os braços apoiados no parapeito, enquanto Jongin só de cueca dedilhava o baixo compondo uma melodia ambiente para melhorar o clima de enterro, todos sabiam que Baekhyun não estava muito bem e todos sabiam o motivo. Minseok digitava alguma coisa no notebook e o Byun realmente esperava que fosse uma música nova,
já que desde a saída infortuna de Yixing, o compositor principal que largou a banda pra mudar-se para a China, as músicas deles andavam meio em falta.
—
Não vai dar boas vindas para seu irmão? — O Byun ouviu Sehun perguntar. Olhou para ele imediatamente, escutando o deboche transbordar em cada palavra.
A voz soou grave e rouca devido aos anos de nicotina. Ele era o mais velho entre eles, estava repetindo o terceiro ano pela quarta vez e por algum motivo se orgulhava disso. Sehun usava apenas calça jeans, os braços apoiados na grade evidenciava os músculos marcados e o vento balançava os cabelos laranjas já desbotados, ele tinha uma pele pálida que evidenciava a tatuagem de dragão subindo a costela, ela era bonita e chamativa como o conjunto todo que ele representava. Sehun por completo era puro entretenimento, e ele tinha aquela atitude de badboy que Baekhyun achava atraente, até demais para seu próprio bem. Ele também era um babaca, um completo merdinha irritante, inconveniente, mas o charme, beleza e talento para tocar guitarra o mantinha ali, no meio dos demais jovens com cérebro.
— Eu não tenho irmão, Sehun — Baekhyun respondeu, mas não tinha um único sinal de deboche, ele parecia irritado na verdade, talvez chateado, e isso não passou despercebido por nenhum dos presentes.
— Chanyeol veio pra ficar? — Jongin perguntou olhando por cima dos ombros para o andar de baixo. Onde Chanyeol e as mães estavam no portão comemorando a chegada do Park. Baekhyun nem precisou se esforçar para ouvir a animação irritante da mãe, suas risadas de alegria poderiam deixar o condomínio todo surdo.
Jongin
segurava o baixo entre os dedos com um cuidado que só o via ter quando segurava Kyungsoo, seu namorado. Ele diferente de Sehun que se recusava a tomar sol, vivia bronzeado, seu tom de pele dourado era sua maior caracteristica, ele adorava praia, um gosto típico de mexicano que foi criado a beira mar. Jongin era bonito de um jeito natural, e ele transmitia uma calma inexplicável, talvez fosse a personalidade hipster. Ele era o único a manter os cabelos na cor natural, o castanho lhe caia bem, combinava com os olhos cor de mel que possuía. Baekhyun o achava tão lindo...
Baekhyun levantou da cama e se arrastou até o parapeito, o olhar se encontrou com Sehun no meio do percurso e fingiu não percebê-lo secando suas coxas nuas, que estavam cobertas parcialmente pela camiseta cinza. Sehun ainda mantinha uma expressão irritantemente debochada, e Baekhyun quis arrancar o cigarro dos lábios dele e tragar por um longo tempo, para se acalmar e não socá-lo, mas não o fez, havia decidido parar de fumar a alguns meses e estava se mantendo bem sem seu vício em nicotina, não queria arriscar voltar e perder a linha.
Baekhyun desistiu de olhar para Sehun pois estava muito perto de mandar os amigos embora e jogá-lo contra a própria cama. Precisava mesmo de distração.
– Não sei Nini, e não ligo – informou desdenhoso. Na verdade também queria saber, mas tinha medo demais da resposta para fazê-la. Sabia que Chanyeol estava voltando para passar um tempo estimado de três meses, mas o que faria após isso era uma incógnita.
Minseok sorriu de sua afirmação, e a risada ecoou dentro da cabeça de Baekhyun, ele sabia de algo que o resto do grupo não sabia, e nem deveriam saber. Se Sehun sequer sonhasse com a hipótese de que Baekhyun tinha uma conta secreta para espionar o que o filho de sua madrasta fazia, acabou para si, seria usado de piada infame por toda a eternidade.
Xiumin, como era popularmente conhecido entre os fãs da banda, levantou da cadeira colocando o notebook de lado, ele era o único dos quatro a estar completamente vestido e ele possuía feições delicadas, ainda que seu estilo fosse contrário a tanta doçura,. Quem olhava sem conhecê-lo jamais diria que sua paixão além da música consistia em dar a bunda e chupar pau.
Foi com ele que aprendeu tudo que sabia sobre sexo, não na prática claro, nesse quesito eram incompatíveis, essa parte Sehun desempenhou um papel significativo.
Baekhyun percebeu Minseok se aproximar de Sehun e sorriu pela primeira vez naquela tarde quando o assistiu arrancar o cigarro dos lábios de Oh e jogar no chão, usando do solado do coturno para apagar a ponta. Sehun resmungou, advertindo a atitude do amigo enquanto questionava irritado:
— Qual o seu problema?
Baekhyun gostou de vê-lo sério daquele jeito, sentiu o corpo aquecer com alguma coisa que sabia bem reconhecer, estava precisando de Sehun de um modo que a muito não precisava, talvez fosse a necessidade de acalmar os ânimos, afinal, sexo podia ser tão libertador quanto cigarros.
— Jongin ainda é de menor, nada de fumar perto dele — Minseok praticamente rosnou, e foi engraçado ver um homem do tamanho de Sehun revirar os olhos e fazer birra feito criança.
— Aqui é aberto — Justificou — manda ele tapar o nariz ou sei lá.
— Talvez eu possa quebrar seus dedos ao invés disso.
Sehun se calou, e Baekhyun sorriu ainda mais, estava bastante contente com o desfecho do assunto, também odiava quando Sehun fumava perto de Jongin, mas o Oh era um viciado de merda e Baekhyun não conseguia ir contra ele, afinal, um de seus vícios era o próprio guitarrista.
— Achei que ele estivesse em Londres, porque voltou?
Baekhyun desdenhou da pergunta, subindo e descendo os braços — Vocês podem parar de ficar cuidando da vida do Park Júnior e focar no que viemos fazer que é música? — Resmungou.
Baekhyun não estava nenhum pouco afim de falar sobre o filho da madrasta, já tinha aguentado muito do retorno dele durante a semana, com a mãe tagarelando para lá e pra cá sobre a volta do prodígio da família, se tivesse que ouvir sobre isso por parte dos amigos também iria enlouquecer. Precisava de distração, com urgência.
— Medo de voltar a ser bastardo, Byun? — Sehun voltou a falar sendo inconveniente como era sempre.
— Cala a boca.
o desejo que nos consome
O retorno de Chanyeol foi como Baekhyun previu. a mãe não parava de falar sobre sua volta, o apresentava para as amigas, o carregava para compras no shopping, cozinhava para ele, era um saco, um verdadeiro inferno ter que abrir as redes sociais e assistir aquele tanto de paparico, nem Irene postava tanto com o filho quanto a própria mãe postava com o enteado.
Baekhyun não queria soar ingrato ou invejoso - mesmo que fosse - mas andava fugindo da família como nunca antes, mal suportava ficar em casa, e tentava passar a maior parte do tempo fazendo visitas aos amigos ou acompanhando Sehun em alguma coisa que ele quisesse fazer, ambos andavam de lá para cá na moto do Oh, desfilando pela cidade, indo aos mesmo lugares de sempre, isso quando não decidiam ficar no apartamento que ele tinha, e se contentavam em apenas beber sem parar mesmo que fosse três da tarde. Em algum lugar era feriado, ele justificava.
Mas até o Oh tinha uma vida, e quando não estava trepando com Baekhyun por todos os lugares do apartamento presenteado pelos pais, ele estava na oficina que conseguiu emprego no verão. Ele não precisava trabalhar, ainda sim ajudava ali e aqui quando dava na telha e a necessidade de sentir-se menos inútil clamava mais forte. Às vezes quando se despediam na porta da mansão, Baekhyun se arrependia de não ter aceitado o emprego de meio período que Minseok ofereceu no fim do ensino médio.
Era exaustivo estar em casa, principalmente depois que a mãe havia alugado a sala de estar com o trabalho que resolvera fazer home office. Baekhyun não aguentava mais toda aquela falação em seu ouvido todos os dias, o dia todo: “Baekhyun não durma até tarde”, “Baekhyun não use roupas tão curtas em casa”, “Baekhyun seja mais como o Chanyeol” “Baekhyun por que não aprende com seu irmão?” e Baekhyun revirava os olhos e saia pisando duro sempre que ouvia derivados. Era ridículo que a mãe desse tanto chilique por coisas que sempre havia feito tranquilamente como acordar tarde, vestir cropped
ou usar shorts minúsculos. Sério que agora ela iria implicar até com o tamanho de seu short? isso nem parecia reclamação de verdade, tava mais pra implicância sem sentido. Não era ingrato, só impaciente e verdadeiramente odiava como a mãe se tornava ainda mais insuportável na presença de um Park. Parecia que Chanyeol regia sua vida, e cada passo que dava a mãe ficava medindo, comparando, analisando, tudo porque Chanyeol tinha que considerá-la uma boa mãe, uma mãe preocupada. Que se fodessem eles dois, não deixaria suas blusas de banda nem seus shorts beira cu por implicância nenhuma.
Baekhyun respirou fundo e contou até três antes de abrir a porta do próprio quarto, passava das onze da manhã quando decidiu que era um bom horário para almoçar e sabia que a mãe ia reclamar e tecer críticas, por isso os nervos estavam sendo muito bem preparados, precisava manter a paciência para não ser mal educado. Pelo menos podia almoçar na cozinha, a cozinheira era gentil e sempre ouvia suas fofocas, além de deixar com que ajudasse na limpeza do ambiente o fazendo se sentir mais útil. Baekhyun até queria um emprego, seria bom para o tédio que vinha sentindo desde o fim das aulas, ficar sozinho era bom, mas depois de um tempo começou a se sentir solitário. Além do mais, se trabalhasse não precisaria passar tanto tempo vendo Chanyeol perambular pelo corredor, nem esbarrar com ele na escada, ou olhar para aquelas orelhas enormes quando decidia assistir algum filme na sala da televisão e ele estava lá, porém,
se mudaria em poucos meses e sabia não valer a pena procurar trabalho, se iria
ficar tão pouco tempo.
Nessas horas, quando se cobrava muito, sentia falta da nicotina, ela sempre cumpria bem o papel de acalmar seus nervos, desviar sua atenção ou trazer alguma vontade de viver, irônico já que o cigarro vinha com aviso de morte a longo prazo. Baekhyun colocou os fones de ouvido esperando que a música pudesse o distrair no lugar da bomba de câncer que queria fumar. Sehun havia feito uma composição nova e enviado pelo chat de WhatsApp. Ele quase nunca compunha, talvez porque seu estilo era mais rap crítico e não amor como a maioria das bandas deviam ser, mas quase sempre suas letras eram bem decentes. Alcançou o corredor se dirigindo até a escada, no celular a melodia da música cativou sua atenção. Não demorou para constatar que a canção era um pop diferente de suas outras melodias, um ritmo dançante e com letra em inglês que falava sobre influência paterna nas escolhas dos relacionamentos da juventude. Baekhyun sorriu porque aquilo tinha tanto a ver com Sehun que chegava a ser engraçado. Ele sofria do mesmo problema que Baekhyun: sabotar relações saudáveis por não ter uma boa relação com os pais. Se davam tão bem porque tinham as mesmas experiências, eram dois jovens fodidos da cabeça tentando encontrar conforto numa relação meio merda que mantinham. Mas pelo menos não estavam machucando ninguém, apenas ferindo um ao outro.
Ouviu um tom familiar chamar seu nome, os fones de ouvido abafaram o som, contudo,
Baekhyun conhecia bem o dono da voz potente. Aumentou o volume e decidiu ignorar. Chanyeol era sempre tão irritante o tempo todo, sempre forçando amizade, tentando ser simpático, como se Baekhyun não conhecesse ele desde criança. Era patético o quanto ele tentava se dar bem consigo, como se um cara de trinta anos precisasse ser amiguinho do filho de sua madrasta. Como se Chanyeol precisasse de aceitação. Era irritante como ele era irritante, Baekhyun não conseguia explicar o quão irritante ele era. “Porra!” revirou os olhos pensando que já estava irritado e nem fazia cinco minutos que tinha deixado o quarto. Se tivesse idade para agir como criança, iria bater o pé no chão e gritar toda sua frustração, então se trancaria no quarto e ignoraria todos pelo resto do dia. Mas era um adulto, e seu comportamento devia ser menos dramático e infantil, ainda que fosse uma pessoa dramática e infantil.
Chanyeol voltou a chamar e mesmo que quisesse ignorar, não iria conseguir, ele estava mais perto e levou poucos segundos para que sentisse o toque quente da palma dele encostar seu braço. Estava pronto para gritar e ser o mais ignorante possível por sua ação, porém, quando ensaiou girar nos calcanhares percebeu que estava no limite da escada. O pé torceu dolorosamente e assistiu a vida passar na sua frente, fechou os olhos com força aceitando seu destino cruel e morte inevitável; iria rolar escada abaixo e não sobraria nada de seu pobre corpo frágil. Todavia, um segundo depois descobriu que continuava mais vivo do que nunca e, muito, muito próximo do filho de sua madrasta. Chanyeol o segurava pela cintura, o toque firme e grosseiro deixou seu corpo em alerta, o coração batia forte contra o peito e a respiração estava densa e sem ritmo, buscou os olhos de Chanyeol percebendo que estavam próximos.
Era a primeira vez que se aproximava tanto dele e podia sentir seus dedos tremerem levemente, também os sentiu gelados. Engoliu em seco, percebendo a forma analítica como os olhos dele desceram por seu corpo. Não conseguiu interpretar a forma como era visto, mas teve quase certeza que estava sendo julgado, talvez Chanyeol estivesse pensando que era burro, idiota ou estúpido, talvez estivesse pensando que a mãe estava certa, que era inútil e nocivo para a própria vida. Mas não se atentou, não quis descobrir o que se passava na mente perturbada dele. Apoiou as mãos no peitoral malhado, percebendo o quão duro e notável os peitos pareciam, e se afastou, percebendo certa resistência na hora de sair.
Chanyeol o libertou quando teve certeza que seus pés estavam firmes, e Baekhyun ainda se sentia meio nervoso e enojado com a ideia dele o achar estúpido. Todos cometiam erros, oras. Percebeu que ele dizia algo, ainda parado em sua frente e retirou os fones de ouvido.
— Tenha mais cuidado — Ouviu ele dizer, o tom rouco e grave.
Baekhyun se arrepiou, não sabia porque, mas uma sensação de gelo acolheu seu baixo ventre. Não respondeu, não o olhou diretamente, apenas guardou o celular e começou a descer as escadas, dessa vez atento. Segurou no parapeito, o tornozelo doía um pouco, mas tentou não demonstrar, pulando de dois em dois degraus chegou ao solo seguro, e sabia que Chanyeol vinha logo atrás. Não sabia como reagir a uma interação tão direta, eles nunca acostumaram a conversar, agiam sempre como dois estranhos dividindo a casa.
Baekhyun chegou a entrada da cozinha, sendo inevitavelmente recebido pela mãe, ela estava sentada de frente para a porta e ao seu lado estava Irene. Tentou fingir indiferença, lamentando o fato de ter apenas uma entrada para a cozinha e essa ser dentro da sala de refeições. Pensou que se andasse em silêncio e devagar perderia passar despercebido, mas tamanha foi sua frustração quando o nome fora chamado pela madrasta. Ai como amava Park Irene, mas naquele momento queria cavar um buraco e enterra-lá.
— Baekhyun querido, como é bom vê-lo de pé tão… — ela hesitou por um segundo, fazendo um charme típico de seu humor questionável — cedo. — as sobrancelhas da madrasta estavam arqueadas e seu rosto iluminado, ela não estava reclamando como sabia que sua mãe iria fazer assim que sentiu os olhos de a em si, Irene estava sendo gentil e humorada. Sorriu irônico para ela, demonstrando que havia entendido sua acidez.
Então Chanyeol entrou no cômodo, a calça de moletom xadrez e blusa de manga branca o fazia parecer um daqueles homens Americanos que apareciam em filmes natalinos. Não o olhou, estava meio constrangido mesmo que não fosse admitir nunquinha e jamais. Caminhou em direção a cozinha, tentando não olhar uma segunda vez para o filho de sua madrasta, mas seus passos se limitaram no segundo que sua mãe o chamou, para logo em seguida completar:
— seu prato está na mesa — ela anunciou. Girou no calcanhar fingindo que não sentiu o tornozelo arder com o movimento, iria questionar, talvez incitar uma discussão, mas a genitora foi mais ágil — hoje você vai comer na mesa como o resto da família, não faz sentido almoçar na cozinha com os empregados se sua família está aqui o esperando.
Baekhyun levantou a sobrancelha, os olhos passeando com incredulidade pelos demais presentes na sala, até a jovem moça que servia o suco o olhou com aflição ao perceber uma risada de escárnio sair por sua boca, a mãe sequer o olhou ao pronunciar a decisão que havia tomado em seu lugar. Ele nunca se acostumou com a capacidade dela de fingir que estava tudo bem e ela jamais entenderia que sua época de criança submissa havia ficado no passado.
— Família? – questionou, o deboche transbordando em cada dizer — família pra quem, mamãe? — Baekhyun ouviu o estrépito do garfo contra o prato de porcelana quando a mãe deixou escapar o talher por seus dedos. Ela o olhou, séria e impassível, mas Baekhyun não temeu por nenhum segundo, não parou de falar nem expor sua opinião. Se fosse chamado de rebelde, então que seja
— Não se faça de boa mãe porque os Park´s estão aqui, todo mundo nessa casa sabe que quando Chanyeol não está, essa coisa de “família” não existe, alias, Chanyeol? Você sabia que até o seu retorno nem em casa a mamãe almoçava?
Baekhyun esbanjava uma falsa inocência ao se dirigir para o enteado da mãe que em nada parecia com o veneno escorrendo de seus lábios. Chanyeol respirou fundo olhando para Seulgi que continuava em silêncio, Irene por outro lado olhou para o enteado, a expressão passional e um sorriso falho nos lábios.
– Baekhyun, por favor.
Não sabia se o pedido era para que calasse a boca, ou para que saísse do cômodo, mas optou pela segunda opção. Mesmo assim ainda sorriu agradecido por estabelecer o caos, estava aguentando a fantasia de dona de casa da mãe há três semanas em silêncio, tudo que esperava era que o curto diálogo desse a ele alguns dias em paz.
— Obrigado pelo convite de qualquer forma, espero que aproveitem a refeição
em família.
Se despediu sem esperar que houvesse resposta. As discussões com a mãe eram sempre frequentes, Baekhyun respondia a maioria delas, mas uma parte significativa ainda ficava em silêncio. Na verdade não tinha paciência para os argumentos sem lógica da genitora e era péssimo em guardar sentimentos, principalmente aqueles referentes à mãe.
Ouviu um arrastar de cadeira assim que entrou na cozinha, e torcer muito para que não fosse a mãe, sabia que tinha irritado ela o suficiente para ouvir algumas palavras difíceis, e mesmo que tivesse se acostumado, jamais seria capaz de ouvi-las sem se ferir. Pela visão periférica encontrou a mãe vindo em sua direção, os passos eram duros e a expressão séria. Do outro lado da bancada, ambas as cozinheiras da casa o olhavam, Sori balançou a cabeça em negação, enquanto Solar soltou um suspiro. As duas trabalhavam na casa antes mesmo de Baekhyun aparecer. E quando Baekhyun pensava em lar e família, a imagem delas surgiam, as mulheres eram suas verdadeiras mães, confidenciou tudo a elas, ouviu seus conselhos e aceitava sem pestanejar. Eras as únicas que respeitava de verdade dentro daquela casa.
Seulgi logo apareceu, os olhos transbordando raiva e ela não foi nenhum pouco delicada quando segurou seu braço com força desmedida. Baekhyun olhou sobre o ombro, encarando ela sem hesitar, jamais abaixaria a cabeça para a mãe , muito menos demonstraria dor, mesmo que as unhas em gel que ela usava estivessem quase furando sua pele.
— Você vai voltar para a mesa, pedir desculpas a Irene e para Chanyeol, sorrir com esses lindos dentes que eu paguei para você ter e fingir que está no dia mais feliz de sua vida — Baekhyun tentou soltar o braço, mas ele foi segurado com ainda mais força. Queria responder algo grosseiro, mas a mãe foi perspicaz quando voltou a conversar, tocando em sua ferida e segurando seu queixo sem medo de soar agressiva — Se não fizer isso eu vou cortar sua mesada por dois meses e proibir sua saída desta casa pelo tempo que eu quiser — E lá estava ela, a verdadeira Seulgi. A mãe o soltou com força, os olhos sendo desviados para as empregadas e ela sorriu gentil e amável como se não tivesse acabado de falar as coisas que havia falado enquanto cravava as unhas em seu bíceps — Você tem cinco minutos. Troque de roupa.
Baekhyun puxou o ar dos pulmões com força assim que o barulho dos saltos agulha estava longe, seus olhos estavam marejados e a ponta do nariz ardia como o inferno. Soltou o oxigênio preso e olhou para cima, esperando que isso o ajudasse a empurrar as lágrimas para dentro. A mãe era sempre assim, persuasiva. Era frustrante como, mesmo que tentasse de tudo para se sobressair, ainda parasse na palma da mão dela. Não importava o quanto tentasse ser mais inteligente, mais perspicaz, não tinha forças contra ela, ela ainda era a pessoa que o sustentava, e dava teto e comida, seria sempre refém das vontades dela, preso no ilusionismo de livre arbítrio quando na verdade não dava um passo sem que ela permitisse.
Sori o olhou, acolhedora e carinhosa como só ela era, e quis tanto abraçá-la, mas não podia, não faria isso pois sabia que se a tocasse desabaria, choraria feito uma criança e não podia, não tinha tempo para chorar. Solar surgiu de repente ao seu lado, ela portava um sorriso simpático e um conjunto de moletom nas mãos. Era surreal como elas o conhecem como ninguém jamais conheceria.
Baekhyun vestiu as roupas por cima das que já usava, substituindo o short de pijama apertado e cropped de vaquinha por aquele conjunto de moletom. Então puxou o ar novamente e colocou um sorriso no rosto, esperou até que tivesse seu prato montado e carregou a porcelana decorada entre os dedos até estar de volta à mesa.
O aperto no braço incomodava e tinha certeza que uma marca ganharia forma em sua pele branquinha. Sentou-se surpreendendo todos menos a mãe. O sorriso no rosto era falso e doloroso, ainda sim era ótimo em fingir que estava bem, tantos anos de prática o tornaram excelente na arte de fingir. Fingia tanto que às vezes a verdade parecia irreal.
— Parece que mudei de ideia. — anunciou.
o desejo que nos consome
Depois do acontecimento com a mãe na sala de refeições eles não voltaram a se encontrar, Baekhyun se esforçava o máximo possível para não ver ninguém daquela família, enfurnado horas a fio no quarto sem perspectiva de sair. Sabia que a mãe concordava com seu comportamento, afinal não vê-lo era melhor do que vê-lo e ter sua autoridade questionada. Baekhyun estava a quase duas semanas completas sem ver o mundo fora de seu ambiente confortável e se sentia seguro dessa forma. Pela madrugada se esgueirava até a cozinha, comendo alguma bomba calórica que no dia seguinte iria choramingar de frente para o espelho com medo do peso que iria ganhar, mesmo assim repetia o processo dia após dia. Ficando cada vez maior dentro das roupas que um dia amou tanto usar. Se via engordando e isso era efeito de sua carga emocional, descontava tudo na comida e depois se lamentava.
Às vezes era tão inseguro que chegava a ser desesperado. Acreditava que parte disso era culpa da mãe e a outra de sua insuficiência. Sabia que a mãe o cobrava muito, que o colocava para baixo e o depreciava muitas vezes, todavia, entendia que parte disse era sua culpa, se fosse menos como Byun Baekhyun e mais como Park Chanyeol as coisas seriam melhores. Se fosse mais inteligente, mais capaz, talvez não se sentisse realmente um estorvo. E agora se via lamentando com a única coisa que ainda tinha orgulho em si mesmo, seu corpo agora estava mudando, se sentia imenso e feio, acabando com tudo que demorou anos para aprender a gostar.
Baekhyun estava puro caos e tudo ao seu redor demonstra isso. Sua cabeça era uma confusão e bagunça, não sabia o que fazer da própria vida, queria mudar e tinha medo, queria sair da casa da mãe, mas tinha medo, queria conquistar o mundo e tinha medo. Vivia à sombra da escuridão, encolhido esperando que alguém o salvasse de suas inseguranças. Baekhyun era uma daquela pequena porcentagem que sabia que precisava de outro alguém para se sentir bem. Ele precisava que alguém gostasse dele para que ele mesmo gostasse de si, precisava que alguém o elogiasse para se achar bonito, precisava que alguém sentisse sua falta para se achar especial. Infelizmente era uma pessoa que nunca aprendeu a se amar e se valorizar, e não conseguia achar o ponto para começar. Por isso ainda se agarrava ao medo e à esperança de que um dia alguém pudesse fazer aquilo por ele. E até que essa pessoa pudesse aparecer, se perdia cada vez mais dentro da própria cabeça, querendo desaparecer do mundo, com medo de ser quem era.
O maior exemplo de sua desordem era seu quarto, que à primeira vista estava a pior coisa do mundo, a segunda e terceira também e enquanto não conseguia resolver o que passava em sua mente, as coisas físicas iam dando um jeito. Olhou para baixo, percebendo que estava mesmo vivendo em uma zona de guerra.
Seu quarto era dividido em dois andares. O primeiro continha seu banheiro, um closet, um sofá com uma gigante televisão em frente, uma mesa de estudos e os instrumentos que usava para ensaiar com a banda. O segundo já não era tão interessante, existia apenas uma varanda, sua cama e suas estantes de livros, além da porta interligada aos respectivos andares, o que era uma benção já que em dias de extrema indisposição Baekhyun usava o banheiro social no corredor ao invés de encarar a larga escada até em baixo.
Levou três horas para que conseguisse deixar sua área de lazer aceitável e então arrumar sua cama foi moleza, enquanto retirava os lençóis e fronhas ouviu um toque baixo em sua porta, sabia bem quem era, afinal apenas os empregados batiam na porta para entrar. Era irritante como nem sua privacidade a mãe respeitava e quase sempre entrava escancarando a madeira branca. Alertou que o visitante podia entrar e torceu para que fosse Sori com uma bandeja de comida. Geralmente se sustentava bem com as besteiras em seu frigobar, mas os mantimentos haviam acabado no dia anterior. Avisou que estava descendo quando jogou os lençóis pelo parapeito, e se apressou em descer a escada, percebendo apenas no meio dela que tinha acertado Sori com o amontoado de pano.
— Ai meu deus! — expressou rindo enquanto descia mais rápido — Sori meu deus me perdoa, eu não vi que já estava… — A frase morreu subitamente quando jogou o pano para longe e percebeu que por baixo dele não estava a senhora que esperava e sim o filho de sua madrasta. Chanyeol tinha os cabelos bagunçados pela tentativa de se livrar do edredom, ele carregava um prato e um suco nas mãos e vestia jeans escuro, camiseta preta e um blazer formal demais para passar o dia em casa. Mas ele era sempre assim, sério e formal. Baekhyun engoliu em seco, tomando distância depois do choque inicial e percebeu que estava muito próximo, pois quando jogou o lençol por cima de sua cabeça, a força o puxou involuntariamente para perto de Chanyeol
– O que tá fazendo aqui? — perguntou desconcertado.
Chanyeol nunca havia entrado em seu quarto, nem quando mais novo, nada. Tê-lo ali era estranho além do que conseguia descrever.
— Você disse que podia entrar.
A proximidade o fazendo perceber que desde que Chanyeol voltou nunca estiveram tão próximos sem uma discussão em mente, na verdade, se fosse honesto ainda não tinha trocado uma palavra sequer com o Park e a situação estava meio desconfortável, porque ele era um estranho; um estranho que conhecia muito bem, mas ainda sim um completo estranho.
— Achei que fosse outra pessoa.
— Imaginei — Ele sorriu e dessa vez foi quem se afastou, passando por Baekhyun caminhando pelo quarto como se fosse dele, arrastando os olhos pela decoração, analisando o espaço sem vergonha de parecer intrometido.
Baekhyun não assumiria nem sob tortura, mas sentiu um pouco de vergonha por perceber que seu quarto era um pouco infantil para a sua idade e Chanyeol estava reparando demais. Isso era tão incômodo. O ambiente carregava inúmeros pôsteres de animes, bandas e filmes clássicos, além de ter uma coleção de stakes presos nas paredes, um computador gamer e uma estante de mangás, tudo gritava uma pré- adolescência que Baekhyun nunca tinha de verdade superado e deixado para trás. Não podia negar, era meio nerd e nunca antes tinha sido tão consciente desse fato até ter Chanyeol ali caminhando por seu covil secreto, sua cápsula do tempo.
Acabou por juntar as mãos uma contra a outra sentindo os dedos gelados suarem, estava nervoso. Foi estranho quando assistiu Chanyeol deixar as coisas que carregava em sua mão de lado, em cima da mesa de estudos. Engoliu em seco quando ele virou em sua direção, apoiando a bunda no tampo de madeira e cruzando os braços, ele usou dos olhos negros para lhe analisar, e em qualquer dia normal já o teria expulsado, gritado com ele ou feito escândalo, mas estava intrigado, não se viam há quase duas semanas e de repente ele estava ali, como se sua presença fosse comum, come se fossem proximos ou algo do tipo.
Baekhyun desviou o olhar para a parede de vidro lateral, se viu tímido repentinamente. Inseguro, insuficiente, incapaz de tomar uma atitude, de ter uma ação. Era natural que se comparasse com Chanyeol depois de tantos anos a mãe o fazendo. Não era metade do que Chanyeol era, de nenhuma forma, mesmo que inconscientemente tentasse, e caralho, como tentava.
Chanyeol estava ali, parado em sua frente o encarando com os cabelos negros desgrenhados, a expressão séria e o olhar analítico e tudo que Baekhyun conseguia pensar era em todas as coisas que queria que estivesse diferente em seu quarto, todas as coisas que queria que fosse diferente em si mesmo. Talvez estivesse em um período sensível, porque não tinha nenhuma outra explicação para ao invés de gritar e expulsar o irmão postiço de seu quarto, na verdade quisesse se encolher contra o chão e chorar. Era mesmo uma pessoa patética, escondendo seus medos por trás de toda aquela grosseria e rispidez quando na verdade nunca deixou de ser o menino que se esforçava para ser exatamente como ele. Ainda tinha tanto daquela criança dentro de si que chegava a frustrá-lo. Quando iria se desvincular da pessoa que Chanyeol representava?
Criou uma banda porque soube que ele tinha uma na adolescência, platinou o cabelo porque descobriu que ele havia feito o mesmo quando se mudou para Londres, falava todas as cinco línguas na qual ele era fluente e até o vestibular havia prestado para o curso que ele lecionava. Mesmo fugindo de tudo referente a ele, mesmo o odiando e lutando para não ser comparado, fazia tudo para ser ele, e talvez por isso estivesse tão irritado nos últimos dias, porque a presença de Chanyeol pelos cômodos da casa acabava por tornar tudo aquilo mais evidente, o deixava muito mais consciente de seu desespero para ser uma cópia do que ele era. Um alguém que nunca seria. Patético, Byun Baekhyun era patético.
— Essa tatuagem é recente? — Foi o que Chanyeol perguntou depois de tantos segundos em silêncio.
Baekhyun não soube identificar o tom, não saberia dizer se era uma acusação, uma crítica ou um comentário curioso. Olhou para o próprio corpo, o desenho da serpente não terminada que havia começado a fazer na semana passada. Ainda faltavam duas sessões para deixá-la perfeita, mas a pele já estava destacada pela tinta vermelha que circulava sua cintura subindo por sua coluna. O cropped que usava como pijama não cobria nem metade dela, e o short cintura baixa mais parecia destacar a arte. Temeu que ele dissesse algo para a mãe, mas ao mesmo tempo sabia que ela não se importaria, afinal nunca disse nada sobre o Labret que tinha nos lábios. Ainda sim se viu exposto, a vontade de cobrir o corpo se fez presente, mas ao contrário de sua vontade, ergueu o queixo e ignorou a pergunta.
— O que faz aqui?
Baekhyun se ocupou em juntar os lençóis espalhados e guardá-los no cesto de roupa suja enquanto esperava Chanyeol responder sua pergunta. Ele continuou em silêncio por todo o tempo que Baekhyun levou para se desfazer do edredom, e já muito inquieto de toda aquela presença misteriosa, Baekhyun buscou Chanyeol com os olhos para repetir novamente. Talvez dessa vez realmente expulsasse ele de seu quarto, mas foi surpreendido pela presença dele muito próxima novamente. Praticamente colado em seu peito.
— Você não sai do quarto tem uns dias, queria saber se estava vivo.
Baekhyun sorriu, um riso genuíno e barulhento, honesto e sarcástico em proporções dramáticas. Chanyeol o encarou em silêncio e sobrancelhas arqueadas, conseguia ver a dúvida girar as engrenagens do cérebro dele. Um tempo depois Baekhyun recuperou a respiração e se endireitou, postura reta e defensiva, olhou Chanyeol por alguns segundos, espreitando os olhos curiosamente.
— Tá de sacanagem? — ele pergunta genuinamente interessado na resposta.
— Não.
E o silêncio se alastra como chama, deixando o corpo de Baekhyun quente de ódio. De repente a presença de Chanyeol era tão incômoda que estar no mesmo cômodo se tornava infernal. Ele era tão fingido, tão duas caras, tão patético. Quis grunhir de raiva, mas não externou sua frustração, ao invés disso sorriu em escárnio, a voz soando engasgada na própria garganta, e deu as costas a ele, caminhando até encostar na cadeira de apoio a bateria.
— Agradeço a preocupação Park — olhou novamente em sua direção, o deboche transbordando pelos poros — de verdade eu admiro sua capacidade de mentir e manipular todos, deve ser trabalhoso bancar o perfeito em todos os momentos, mas eu acredito que minha vida particular não seja da sua conta e meu bem estar com certeza não diz respeito a você.
— Somos uma família Baekhyun, é claro que eu me preocupo com você.
Baekhyun abriu a boca, surpreso e incrédulo. O riso que tomou seus lábios foi grande, sorriu tão aberto como nunca antes na presença de um Park. Soltou a respiração pelo nariz, a língua passando por dentro da bochecha.
Caralho, como Chanyeol era patético.
Por fim, mordeu o lábio, sentindo o ferrinho gelado do piercing contra a língua, encarando o irmão postiço como se ele fosse a coisa mais engraçada dos últimos dias.
Ele realmente era.
— Agora somos uma família? E quanto aos últimos treze anos? Chanyeol, não me faça de ingênuo, quando eu te conheci eu tinha sete anos. Hoje eu tenho 19. Você nunca me mandou um torpedo perguntando se eu estava vivo. Vamos ser honestos, o que você está fazendo aqui?
Chanyeol caminhou em sua direção na intenção de se aproximar, mas então parou quando seus olhos se encontraram e ele regrediu alguns passos, colocou a mão dentro do bolso do jeans e respirou fundo. Baekhyun não quis reparar no quão alto ele parecia mesmo distante, e lutou muito para afastar a ideia, mesmo que fosse difícil de não notar.
— Minha mãe pediu que eu viesse aqui saber como você está. Ela anda ocupada e a sua mãe…bem… — ele parou de falar, vagando o par de olhos pelo quarto, como se alguma coisa ali fosse ajudar ele a encontrar as palavras certas.
— Eu conheço minha mãe — respondeu o cortando do constrangimento, mesmo que fosse divertido vê-lo tentar não usar a palavra errada —Tudo bem Park — voltou a caminhar pelo cômodo –
já fez caridade por hoje, a porta fica para aquele lado — apontou com o braço, virando de costas.
— Baekhyun… — Ele voltou a chamar, a voz cautelosa, quase sentiu a aproximação, mas ela não ocorreu diretamente — eu posso ter vindo a pedido da minha mãe, mas realmente quero saber como você está.
— Que lindo — Baekhyun girou nos calcanhares — tão preocupado meu pobre irmãozinho.
— Você não consegue deixar de ser sarcástico por nenhum minuto?
— Consigo, eu só não quero. Agora sai do meu quarto, não vou ser educado de novo.
— Isso era você sendo educado?
Dessa vez Chanyeol foi quem soou sarcástico e Baekhyun quase riu da forma como por um milésimo de segundo ele quase perdeu a máscara de bom moço. Mordeu os lábios se permitindo comemorar, porque mesmo que por um segundo, tinha tirado o mais velho do sério.
— Some do meu quarto, Chanyeol.
E não demorou muito para a porta bater contra o portal, em um som gostoso que reverberou como uma vitória para Baekhyun.
o desejo que nos consome
Baekhyun atravessou a porta da cozinha enquanto arrancava a jaqueta do corpo pelos braços. A noite estava quente e o couro da peça esquentava seu sangue bem mais do que as incontáveis doses de tequila correndo por suas veias. Conforme andava sentia a meia calça pinicar as pernas e a bota de cano alto cozinhar os pés, por isso, assim que alcançou a garrafa de água que foi buscar na geladeira subiu para cima do balcão, e se desfez das peças que o incomodavam, se livrando do short de látex no processo. Agora estava apenas de regata cinza e cueca, no meio da cozinha, de madrugada. Devia passar das três da manhã, não sabia ao certo, Sehun esperava do outro lado do portão e o plano seria o Byun entrar em casa, buscar umas roupas e sair de novo. Ainda não se sentia pronto para encarar a mãe depois de uma semana ignorando suas mensagens e ligações, andava meio sumido de casa, sem saco para a falsa preocupação de Chanyeol e as advertências infundadas da mãe.
Sua cabeça doía, os olhos lacrimejavam pelo tempo acordado, os cabelos estavam uma bagunça e a sombra preta ao redor dos olhos borradas. Baekhyun tinha certeza que se não fosse o calor já teria deitado sobre a bancada gelada e cochilado. Talvez pela manhã fosse acordado por alguma das senhoras que preparavam as refeições e poderia sair pela porta do fundo, sem ser notado pela genitora. Respirou fundo deixando a garrafa de água de lado, apoiou o peso do corpo nos braços e olhou para cima tentando acordar o próprio corpo.
A ideia de mandar Sehun ir embora e apenas deitar em sua própria cama parecia tentadora, ainda sim o medo de ter de aparecer no evento do dia seguinte o fez desistir. Seria aniversário de Chanyeol e a mãe estava preparando uma imensa e exagerada festa, nenhuma novidade. Já era final de novembro e se tornava cada vez mais irritante estar dentro de casa,
dois meses desde a volta de Chanyeol e tudo parecia tão diferente.
Baekhyun se sentia tão exausto. Exausto de tudo, das intromissões da mãe em sua vida, de seu favoritismo para com Chanyeol, das idas e vindas com Sehun, da noites infinitas de sexo e bebida que pareciam o perseguir mesmo que se esforçasse para abandonar. Queria tanto parar de beber, mas se livrar do cigarro foi seu maior passo nos últimos anos, deixar o álcool parecia um passo maior que a perna. Os destilados eram a única coisa que ainda lhe dava força para enfrentar o próximo dia. Era a bebida que mantinha suas esperanças que em um futuro não tão distante, poderia ter uma boa família, um marido gentil e filhos que teriam uma criação bem mais afetuosa que a sua.
As vezes queria que Sehun se arriscasse mais, talvez dessa forma, com a confirmação de que ele queria uma vida ao seu lado Baekhyun teria forças para deixar a mãe e todo o ar tóxico que vivia. Mas Sehun era tão confuso, as coisas com ele eram tão instáveis que ao invés de se sentir acolhido Baekhyun se sentia inseguro, dispensável, um step. Sehun era muito bom em cuidar e dizer coisas bonitas, mas quando queria ele também conseguia fazer com que se sentisse um lixo nas mesmas proporções, e toda vez que Baekhyun tinha que ouvir sobre algum caso dele era como morrer por dentro, ainda sim não conseguia abrir mão daquela relação, se atrevia a dizer que o Oh era seu atual vício, e o mais doentio deles.
Então permanecia refém da situação estressante com a mãe. Infelizmente não tinha força para ir contra ela, mesmo que quisesse, mesmo que tivesse tantos motivos para ir embora não conseguia deixá-la, não conseguia mudar as coisas, só conseguia afundar cada vez mais, piorando dia após dia, se deteriorando por dentro, sem força para ser diferente.
A luz se acendeu de repente e Baekhyun sentiu a retina queimar. Os olhos já marejados despacharam lágrimas grossas e se sentiu constrangido e letárgico nas mesmas proporções, a ideia de alguém vê-lo deplorável daquele jeito o causava insegurança. Pulou do balcão escondendo o rosto dentro da pia na intenção de lavar as lágrimas que deixou escorrer.
— É você… — Mais ouviu do que viu quando Chanyeol se aproximou.
Baekhyun sentiu a angústia piorar na hora. Odiava tanto Chanyeol que até estar perto dele era cansativo. Respirou fundo, olhando pela visão periférica, percebendo-o estender o rolo de papel descartável em sua direção, quis negar, mas precisava secar o rosto, então aceitou.
Chanyeol caminhou até a geladeira e Baekhyun continuou de frente para a pia, sua atenção focada no pingo que escorria da ponta da torneira, dramática como apenas uma noite de outono seria. Baekhyun recolheu suas roupas, dobrando-as em cima da bancada, enquanto calculava a melhor rota para escapar pela porta da cozinha sem passar por Chanyeol. Poderia sair pelas portas do fundo, mas sua mochila estava no lado contrário e se fosse sem, sua visita a própria casa teria sido em vão, Sehun ficaria puto se isso acontecesse e estava bêbado, carente e triste precisava urgentemente de um banho e uma boa noite de sono, não mais discussões. Andavam brigando tanto, talvez fosse a carência excessiva de Baekhyun, mas o que podia fazer se só achava conforto no jeito errado dele?
Baekhyun subitamente ergueu o queixo, se dando conta que ainda
estava mexido pela bebida, não era de seu feitio chorar e se esconder feito uma criancinha, Chanyeol não era mais um adolescente resmungão e Byun não era mais uma criança carente. Eram dois adultos obrigados a conviver e se o Park não estivesse satisfeito com sua presença, ele que voltasse para Londres. Girou nos calcanhares, percebendo o primogênito da senhora Park
tirando um pudim de dentro da geladeira, ele se virou de costas procurando os utensílios de cozinha com uma confiança que indicava que ele se achava o dono da casa. Ele era, mas depois de tanto tempo fora, Baekhyun pensou que ele ao menos se limitaria, se não pela reforma no ambiente, por Baekhyun parado o encarando, mas ele não teve uma reação sequer, pelo contrário, agiu indiferente.
E Baekhyun aproveitou para o analisar por completo, desde os pés enormes, canelas tortas e coxas marcadas até o pijama ridículo de flamingos que vestia. Chanyeol tinha uma estrutura corporal bonita, cintura e costas largas, braços fortes, bunda marcada, até a droga do corte de cabelo combinava com ele. Os fios grandes em formato de capacete, negros como a noite e enrolados, Baekhyun achararia que ele era um anjo, se não soubesse que ali um demonio adormecia.
— Faz tempo que não te vejo.
Baekhyun levou um minuto inteiro para perceber que o Park estava comunicando-se consigo, e esse tempo foi o suficiente para que ele saísse de um lado da cozinha e parasse ao seu lado. Baekhyun percebeu quando ele arrastou uma taça de vidro em sua direção, enquanto segurava uma semelhante. Não disse nada a princípio, apenas o olhou como quem estava desconfiado e ainda assim surpreso.
— Ando ocupado — Respondeu decidindo que aceitaria o doce porque seu corpo gritava implorando por glicose. Acabou o pudim em três colheradas.
Chanyeol não disse mais nada, mas Baekhyun sentiu o olhar dele queimando por seu rosto e depois por seu corpo. Devolveu a atenção, não se permitindo ser intimidado. Chanyeol o olhava com aquele brilho de curiosidade, como se quisesse desvendar o que estava passando por sua mente. Se sentiu desconfortável imediatamente, principalmente por lembrar que estava parcialmente nu. Não ligava para ser visto por Chanyeol, na verdade, sua única preocupação era o que ele diria para sua mãe no dia seguinte.
Baekhyun usou da falta de comunicação com Chanyeol para se afastar e ir atrás de sua mochila, enfiou as roupas dobradas em qualquer bolso e depois jogou por cima dos ombros, passando os braços pela alça. Antes que pudesse sair do cômodo a capa de um livro chamou sua atenção, constatou que era de Chanyeol assim que se lembrou que não estava ali ao chegar.
Sem que pudesse segurar, o ar deixou o nariz em um riso de escárnio
— Orgulho e preconceito? — Perguntou depois de procurar pelos olhos de Chanyeol, percebendo que ele já o olhava — que escolha óbvia para um professor de literatura inglesa.
Estava claramente debochando, sua fala saiu arrastada e venenosa, esperava que Chanyeol percebesse sua alfinetada, mas se percebeu, sua personalidade calma não permitiu que ele o alfinetasse igual.
— O que posso fazer? Adoro um romance clássico — a fala mansa trouxe em sua companhia um sorriso e Baekhyun quis vomitar ao perceber o par de dentes perfeitos, era ridículo que até os dentes fossem brilhantes e simétricos.
Baekhyun respirou fundo, sentindo a frustração o tomar. Era ridículo como a calma de Chanyeol o tirava a paciência, até na infância quando queria aprontar com ele, sua resposta era sempre a mesma: “tudo bem” e um sorriso de orelha a orelha. Ele era tão falso e fingindo, irritante e patético, Baekhyun poderia listar por toda a vida seus defeitos.
Chanyeol se virou de costas para lavar a sua parte da louça e Baekhyun logo se apressou em deixar sua taça dentro da pia. Parou ao lado dele, os braços cruzados, queixo pra cima e raiva faiscando os olhos:
— Por que voltou? — deixou escapar a pergunta que estava se fazendo a alguns bons dias —
Aposto que a vida na Inglaterra era bem melhor do que o buraco preconceituoso que é a Coreia do Sul.
Baekhyun sabia que Chanyeol era bissexual, um dos motivos dele ter ido para o exterior foi a informação vazar para a mídia e então Park tornar-se incapaz de sair na rua ser ter um ataque de pânico por conta da maldade da internet. O evento foi memorável pois mexeu com todos na família, Irene se sentia culpada por sua fama colocar a saúde mental de seu filho em risco, Seulgi temia pelo emocional de seu enteado e Baekhyun sentia a rejeição pinicar sua pele, quase como uma alergia. Quantos mais perto da mãe ficava, mais seus sintomas se agravavam. A partida de Chanyeol foi dramática, e por isso não entendia seu retorno, pensou de verdade que ele viveria para sempre na Inglaterra, onde tinha uma vida boa, estável e com acompanhamento psicológico, um bom emprego e um ótimo apartamento de luxo.
— Minha família está aqui. — A resposta dele soou quase como uma piada de mal gosto, tanto que Baekhyun não conseguiu se conter ao sorrir novamente. O Park o olhou sobre os ombros, as sobrancelhas vincadas e o olhar sério. – O que é engraçado? — Ele perguntou
— Nada — Baekhyun sorriu, a curva bonita de seus lábios escorrendo escárnio — só percebi agora que temos noção diferente do que é família.
— Não entendi.
— Não sabe o quanto tem sorte por isso — Concluiu o assunto puxando sua jaqueta jeans de cima da bancada, precisava ir embora antes que Sehun desistisse de o esperar — Enfim, tenha uma boa sorte amanhã, ouvi dizer que é seu aniversário. Parabéns.
Sua ideia era ser irônica, mas julgando pela forma como Chanyeol se apoiou na bancada, secando as mãos grandes e o olhando interessado, demonstrou que ele não tinha sacado seu deboche, ou fingiu não perceber. Era tão frustrante tentar irritá-lo. Baekhyun tinha vontade de grunhir.
— Você não vai vir? — Ele perguntou, sonso como apenas ele conseguia ser.
— Eu deveria? Não somos próximos.
— Você é da família.
Dessa vez foi Baekhyun quem arqueou as sobrancelhas e se apoiou contra a bancada, uma expressão curiosa. — Você acha? Então por que não recebi o convite?
— Estava implícito.
Baekhyun soltou outra risada nasal, a língua passando de uma bochecha para outra. Era inacreditável, mas ele parecia mesmo acreditar no que dizia, e por um segundo Baekhyun se perguntou se ele seria estúpido naquele nível — Você ainda vai descobrir que definitivamente não foi isso que aconteceu.
Chanyeol não pareceu entender e Baekhyun não estava afim de contextualizar, embora tivessem conseguido manter quase que uma conversa normal, isso não significava nada, além do mais, o telefone vibrando em cima do balcão anunciava que Sehun estava impaciente.
— Até mais Park — saudou — A gente se vê por aí.
Alcançou o celular e se moveu para as portas do fundo, porém assim que a chave girou no trinco Baekhyun percebeu que Chanyeol o chamava
— Baekhyun? — A voz soou um tom mais alto do que ele costumava usar e o Byun se atentou a esse fato, Chanyeol estava perto demais para ser seguro, mas ao mesmo tempo longe demais para que houvesse contato, e Baekhyun percebeu que era a primeira vez que ouvia ele dizer seu nome em anos. O olhou percebendo a confiança transbordar nas ações quando ele pronunciou: –
Você devia vir — foi quase como uma ordem, e não teve como Baekhyun não se sentir pressionado quando a mão dele alcançou a maçaneta da porta centímetros acima de sua mão e o olhar dele encarou sua alma por trás de sua próprias orbes.
Por impulso recolheu a mão, puxando a respiração ao constatar que dessa vez ele estava próximo demais. Não respondeu seu convite exigente, na verdade não falou nada, apenas partiu desejando distância daquele calor tão infernal. Chanyeol tinha quase feito contato físico demais e o jeito como ele falava, como se exigisse sua presença o alertou da distância que deveria ser imposta entre ambos.
Não deveria cair nos jogos de Park Chanyeol.
o desejo que nos consome
Baekhyun sorveu o vinho contido na taça que segurava, o gosto amargo fez com que gemesse baixinho em apreciação. Sentado em cima do mármore da pia balançando os pés para frente e para trás cantarolando um pop clássico que tocava ao fundo. Amava um bom vinho caro, não conseguia negar sua felicidade. Ao seu lado, Sehun fez uma careta julgando sua própria expressão de prazer.
—As festa de rico são sempre tão sem graça? — Ele questionou olhando ao redor. Os funcionários corriam de um lado para o outro dentro da cozinha, enchendo taças e preparando alimentos. Baekhyun quase se sentia culpado de estar atrapalhando, mas estava morto de fome e não conseguiria esperar até a janta, se escondeu na cozinha com Sehun para comer.
O badboy estava com os braços apoiados no balcão, ele estava entre suas pernas, uma taça de champanhe na mão e uma expressão mal humorada no rosto. Quem olhasse de longe diria que Sehun estava puto, mas Baekhyun como o conhecia bem, afirmava que aquela era a expressão de tédio dele, não que ela fosse diferente de raiva, alegria, ou tristeza. Sehun não costumava ser expressivo, a menos que estivesse entre as pernas do Byun, ou jogando charme pra alguma alma burra o suficiente para se deixar levar pelo estilo de garoto mau. Ele usava botas pesadas, jeans preto rasgado, regata cinza e jaqueta de couro, uma perdição por completo. Baekhyun gostaria e muito de arrastá-lo para o andar de cima e fazer muitas obscenidades com ele naquela roupa, mas o andar
de cima estava interditado.
E ainda tinha sua moral, já que no fim, havia aceito ir aquela festa, então ficaria pelo menos até enxergar Chanyeol. Esse que por sinal não tinha nem visto vestígios desde que chegou, há uma hora. Não que devesse satisfação para Chanyeol ou coisa assim, ou que tivesse ido por causa dele, na verdade havia ido àquela festa unicamente pela bebida grátis e o desejo de provocar a mãe e trazer um pouquinho de caos para os dias tão pacatos da genitora. Estava há uma semana dormindo na casa de Sehun, muito tempo para deixar a mãe aproveitar sua ausência e esquecer de seus castigos.
— Você é rico também, Sehun — fez questão de lembrar, já que constantemente o Oh parecia esquecer.
— Meus pais são.
— Se isso alivia sua consciência… — Deixou o assunto morrer, largando sua taça de vinho em cima do balcão quando terminou de beber — E sim, elas são sempre um saco, muita gente velha, muito jovem chato e engravatado e comida com nome estranho. Pelo menos as bebidas são boas.
— Uma pena que os meninos não puderam vir, eles iam adorar sacanear com a cara desses riquinhos chatos.
— Realmente — concordou
empurrando Sehun para que ele ficasse de frente para si — Eu queria transar.
Avisou repentinamente, a voz soando baixo, não queria ser ouvido pelos funcionários. Sehun enfiou as mãos por dentro do tecido fino de sua camiseta, apertando sua cintura com firmeza e tirando um arfar de seus lábios, em seguida ele desceu o nariz até sua clavícula e chupou de leve, subindo a língua até o lóbulo de sua orelha.
— Também estou louco pra meter em você de novo, te ouvir gemendo baixinho no meu ouvido — ele sussurrou selvagem, a mão subindo por sua barriga e encontrando seu mamilo. Baekhyun prendeu o lábio entre os dentes e puxou a respiração, quando passou a ser provocado pelo Oh. Ele estimulava seu mamilo e chupava seu pescoço. — Vamos pro meu apartamento Baekhyun.
O convite parecia tão apetitoso, Baekhyun quis aceitar na hora. Não era como precisasse estar naquela festa, havia ido para provocar a mãe e talvez armar uma cena com Chanyeol, afinal, ele andava tão solícito, tão bonzinho tinha aquela certa necessidade de fazê-lo se arrepender, queria tanto infernizar o Park, mas ouvir Sehun murmurar como seria o sexo deles movimentou algo dentro do Byun.
Selou os lábios bonitos com um beijo e pulou do balcão, segurando na mão de Sehun para que pudesse puxá-lo para fora da cozinha, foi abraçado por trás quando alcançou a área de serviço e Sehun o serviu muito bem enquanto distribuía beijos em seu pescoço.
— Quero acabar com você Byun, te comer com força até você implorar pra mim parar — ele sussurrou selvagem e sedento, Baekhyun gemeu gostoso pensando sobre a noite que teria. Que se fodesse Park Chanyeol. Que sua mãe se fodesse. Queria que todos daquela família fossem para o inferno.
Sehun o prensou contra a parede, os funcionários passavam pra lá e pra cá dando risada da forma como Baekhyun parecia feliz nos braços de Sehun. Ele sempre parecia feliz demais com Sehun, por isso todos acreditavam que eram um casal. Isso fazia Baekhyun crer que era um bom ator, não que fingisse o tempo todo, mas os dias com o Oh não eram tão anestesiantes quanto fazia parecer.
— Merda — Sehun sussurrou se afastando de repente.
— Que foi, Hunnie?
— Esqueci que minha chave e o capacete estão na sala.
Baekhyun murchou. Queria ir embora sem que fosse notado, mas se tivesse que voltar à sala obviamente que encontraria a mãe. Só torcia para que não encontrasse Chanyeol pelo caminho. Sehun segurou sua mão e o guiou até atravessarem a cozinha novamente. A sala de recepção estava transbordando jovens herdeiros, artistas famosos, bilionários atirados e todo tipo de gente, alguns conhecia, outros não fazia questão. A música era baixa e clássica, alguma coisa tocada em piano que Baekhyun ouvia desde sempre, já havia se acostumado com a melodia, Sehun por outro lado torcia o nariz e resmungava sem parar.
Se separou do Oh momentaneamente quando esse foi buscar suas coisas, se distraiu no celular olhando as redes sociais com desinteresse, até que o viu voltar, gostoso como só ele conseguia ser naquela jaqueta jeans e coturnos pesados, aumentando o tesão do Byun em níveis que nem ele conseguia prever. Sehun sinalizou com a cabeça em direção a porta e Baekhyun entendeu rapidamente. Se dirigiu até ele, ignorando a olhada feia da mãe quando o Oh passou os braços por cima do seu ombro e piscou para ela. Pensou em repreendê-lo, mas antes que pudesse abrir a boca foi parado abruptamente com Chanyeol entrando em seu campo de visão. Arregalou os olhos e travou os pés imediatamente, mas nem isso foi capaz de criar distância entre os dois, quando percebeu já estava praticamente em cima dele.
— Já está de saída?
Ouviu a voz rouca pronunciar em um tom enigmático como ele por um todo. Puxou a respiração, afastando um passo e se encostando no peito de Sehun. O olhou de cima a baixo. Chanyeol vestia terno, e dos caros; um azul bonito com uma camiseta de botão por baixo, a calça estava justa marcando as coxas que nem sabia que ele tinha, um sapato preto lustroso cobria os pés e ele insistia naquela moda inglesa de usar sobretudo em todos os momentos. Era patético, ridículo, mesmo assim Baekhyun levou mais tempo que o normal o analisando. Voltou a atenção para o par de olhos negros, percebendo ele focado nos seus olhos, a respiração ficou presa por um segundo e até se esqueceu que ele havia perguntado algo.
— Já. — respondeu, falhando por um segundo antes de continuar. Por algum motivo estava nervoso — já tô indo, não tem nada pra mim aqui, não faz sentido ficar.
— Eu estou aqui.
— Isso não vale muito.
Chanyeol sorriu, de ladinho daquele jeito que ele raramente fazia, mas que sempre desconcertava Baekhyun. Sehun assistiu a interação em silêncio, e quando os olhos dele se encontraram com os do Park, sentiu uma coisa inexplicável, quase como um desafio, e involuntariamente apertou a cintura de Baekhyun, como um alerta.
— Eu preciso ir…— Baekhyun avisou, sendo devidamente interrompido pelo anfitrião.
— Sem dançar com o aniversariante nenhuma vez?
Baekhyun soltou um riso, estranhamente não foi de deboche. Foi expressivo, significativo, natural. Incrédulo com as palavras de Chanyeol.
— Por que eu faria?
— Porque estão todos olhando — Como para comprovar sua fala. Chanyeol olhou ao redor.
Baekhyun percebeu que realmente. Era como se fossem protagonistas de alguma novela, estavam todos atentos aos dois, principalmente os sites de fofoca, disparando flash para lá e pra cá. Baekhyun se constrangeu e buscou aproximar-se um pouco de Chanyeol para dizer a ele:
—Isso não tem a ver comigo.
— Mas vai ser bom pra nossa imagem, você sabe, alguns rumores de que não nos gostamos andam surgindo em sites de fofoca.
— Eu não gosto de você.
— A mídia não precisa saber.
Baekhyun engoliu em seco. A ideia parecia abominante, mas era intrigante como Chanyeol parecia o tempo todo estar caçando um pretexto para se aproximar, era como se ele quisesse que tivessem que interagir e isso era tão irritante quanto curioso. Olhou no fundo dos olhos dele, dizendo algo que não sabia o que era mas que queria que ele fosse capaz de entender. Então Chanyeol estendeu a mão, um sorriso convencido tomou os lábios e Baekhyun se questionou o que queria descobrir quando aceitou. O que Chanyeol queria descobrir quando o convidou.
— Tá. Vamos logos com isso
Ditou ao tocar a mão do filho de sua madrasta. Chanyeol o arrastou pelo salão e ao longe ouviu um chamado de Sehun, mas não conseguiu se atentar ao que ele dizia, não quando Chanyeol estava com os olhos compenetrados nos seus, parecendo exigir ler sua alma. Baekhyun não iria mostrá-la, mas gostaria de vê-lo tentar.
— Sabe dançar valsa? — Chanyeol perguntou quando chegaram ao centro de tudo.
— Sei dançar de tudo.
Chanyeol puxou a dança, guiando seu corpo com paciência. Ele tinha um toque firme em sua cintura, uma mão quente contra a sua e os olhos mais profundos que Baekhyun já havia visto. Era estranho estar com Chanyeol, ainda sim a dança pareceu tão natural, como se tivessem praticado a muito tempo, por muitos dias.
Os olhares estavam sobre eles, todos os convidados, os fotógrafos e até alguns funcionários. Baekhyun se sentiu pressionado, invadido e quis muito se aconchegar em Chanyeol, apoiar a cabeça no peitoral avantajado por debaixo do sobretudo de tom caramelo. Porém, logo se repreendeu pelo querer. Estava cada dia mais confuso sobre ele. Sobre quem era Chanyeol e o que ele queria, o que esperava daquela interação.
Baekhyun não conseguia parar de pensar sobre como estava estranhamente perto de Chanyeol nos últimos dias. Não eram amigos, com certeza não, mas havia alguma coisa a mais naquela estranheza antes tão comum. O problema era que estar com Chanyeol não era mais estranho, era natural e isso era esquisito para um caralho. Desde a interação que tiveram no quarto era como se Chanyeol procurasse motivo para estar perto, como se quisesse se dar bem, e entendia, entendia o dedo de Irene na equação, mas Chanyeol tinha exatos trinta anos, então porque ele apenas aceitava os pedidos como se não pudesse escolher outra coisa? Por que ele continuava ali, insistindo em tentar se aproximar? Levando comida em seu quarto, dividindo a sobremesa pela madrugada, o chamando para dançar. Por que ele estava agindo com tanta ternura?
Realmente não sabia, e queria entender, queria descobrir porque estava começando a aceitá-lo e isso era inaceitável. Não podia ter Chanyeol como algo positivo em sua vida. Ainda sim, queria. Estranhamente gostava daquela aproximação, daquela insistência que Chanyeol parecia querer, como se ele quisesse que se sentisse confortável, como se quisesse que se conhecessem.
De uma forma distorcida era o que sempre quis, ter a atenção de Chanyeol, queria que ele fosse seu mentor, queria ser como ele, sempre quis. E odiava essa ideia, odiava esse pensamento insistente e odiava como ansiava pela próxima aproximação, como se esperasse o tempo todo que ele fosse aparecer, querendo ter algum significado em sua vida. E porra Baekhyun não queria se sentir assim.
— No que está pensando? – Ouviu Chanyeol perguntar de repente.
Buscou os olhos dele, percebendo que estava distraído, olhando para um ponto cego na camisa de botões que ele usava. Corou as bochechas ao constatar que eram os mamilos. Chanyeol pareceu perceber porque sorriu. Pensou em acompanhá-lo, mas estava constrangido demais, por isso jogou os cabelos grandinhos para trás em um movimento de cabeça e adquiriu um semblante sério.
— Estava pensando em como todo esse fingimento é patético.
— Acha que estou fingindo?
— Acho.
A música acabou, mas nenhum dos dois se moveu. Chanyeol sustentou o olhar em cima do de Baekhyun, firmando o aperto na cintura evidenciando que ele não podia sair, que assunto não tinha sido findado. Baekhyun prendeu a respiração, o toque quente da palma queimava sua pele e o contato das mãos agora estava molhado, e era meio estranho ter as mãos juntas por tanto tempo. Uma nova música voltou a tocar e Baekhyun prendeu a respiração quando percebeu o Park abaixar o tronco e se aproximar de sua orelha, tremeu o corpo quase inperceptivelmete e agiu involuntário quando tentou se afastar, mas a mão em sua cintura nunca pareceu tão firme.
— Pode não parecer, Byun, mas até gosto de você.
— Você nem me conhece.
— Mas gostaria.
Então ele se afastou, girando Baekhyun com uma mão e bagunçando tudo dentro de sua mente fragilizada. Quando se recompôs, Baekhyun piscou atordoado, sentindo um frio na barriga inexplicável e ao mesmo tempo esquecendo que deveria responder, os olhos se encontrando com estranheza e surpresa. Era desconfortável como Chanyeol sempre era capaz de o desconcertar com o mínimo.
— Você conhece gente pra caramba — Mudou o foco da conversa, puxando o ar para os pulmões.
— Você sabe que eu não faço ideia de quem são metade dessas pessoas.
Baekhyun sabia. Aniversários na alta classe eram praticamente negócios, seus convidados são escolhidos a dedo e pensados sobre cada aliança que se pode formar, sobre os flash que serão tirados, sobre as revistas que vão ser publicadas. É tudo sobre aparências e nada mais que isso. Não importa o aniversariante, desde que dinheiro possa ser feito com a festividade.
— Seus amigos de banda estão aí.
Baekhyun os havia notado assim que chegou, antes mesmo da festa começar. Mas não era uma surpresa, estavam sempre ali para Chanyeol, sempre. Mesmo quando a banda se separou, mesmo quando ele mudou para Inglaterra, ainda sim eram unidos como nunca, Baekhyun admirava a amizade deles, e quando escolheu seu grupo foi analisando justamente os componentes do ciclo de Chanyeol. Juntou pessoas específicas em grupo e eles eram tão leais que sabia ter feito o certo. Era uma das coisas de sua vida que havia acertado em cheio, os amigos.
— Eles sempre estão — Chanyeol confirmou olhando sobre os ombros para o grupo — Por que os seus não vieram?
Parecia uma pergunta honesta demais e Baekhyun não sentiu necessidade de ser grosseiro com ele. Na verdade sorriu, porque às vezes Chanyeol parecia tão ingênuo. Baekhyun se perguntava sempre se ele era realmente idiota ou só um bom ator.
— É seu aniversário.
— Seu namorado veio — Ele desdenhou com os ombros.
— Ele não é meu namorado… — sussurrou meio desconfortável.
Buscou Sehun com os olhos, o achando um pouco distante, perto demais de um grupo de garotas que estavam sendo bem precisas em chamar a atenção dele. Baekhyun nem sabia se sentia raiva ou tristeza, as coisas com Sehun eram sempre tão intensas, conflituosas e imprevisíveis. Balançou a cabeça, voltando a olhar para Chanyeol, era difícil de acreditar que estava mesmo tendo uma conversa normal com ele, nunca nem achou que conseguiria chegar tão perto sem matá-lo, mas a quarta música começava e eles estavam próximos como nunca.
— Da próxima vez pode chamar seus amigos, eu não me importo.
— Nem tudo é sobre você Park — resmungou estranhamente humorado — está ciente de que minha mãe vai me matar por trazer o Sehun, ne?
— Eu acho que você vilaniza muito sua mãe. Talvez ela nem ligue.
— Acho que você que não conhece ela — Baekhyun se sentiu tão estranho por uma resposta tão simples.
Era esquisito não destratar Chanyeol, não julgá-lo como a píor pessoa do mundo. Mas ele parecia tão sincero, e quando dizia aquele tipo de coisa soava tão inocente que Baekhyun perdia a vontade de ser um completo babaca. Pensava que talvez a culpa não fosse dele, talvez Chanyeol apenas não conhecesse sua mãe de verdade. Era sempre conflitante ouvi-lo, uma guerra fria se iniciava em sua cabeça sempre que tinha que escolher entre acreditar em Chanyeol ou ser fiel à sua história com ele. Gostaria, mesmo que por aquela dança, acreditar que Chanyeol era uma pessoa boa.
— Você não é tão ruim quanto eu achei — deixou escapar em um momento de vulnerabilidade.
— Sério? — Chanyeol arqueou a sobrancelha cultivando aquele perigoso sorriso de canto. Era estranho como ele sempre sentia o corpo vibrar quando ele sorria daquela forma — O que fez você mudar de ideia?
— Você parece meio idiota pra quem tá fazendo trinta anos.
— Era pra ser um elogio?
— Jamais elogiaria você — Mas Baekhyun sorriu ao dizer, e isso tirou toda a força da crítica. Chanyeol também sorriu, enfileirando o par bonitos de dentes. O clima parecia bom, não desconfortável, não estranho, apenas bom, naturalmente normal. Como se fossem realmente próximos. Por isso Baekhyun sentiu segurança para reclamar — Não dançamos essa música umas cinco vezes?
Chanyeol riu, um riso rouco que ecoou dentro da cabeça do Byun e congelou seu estômago — Não. As melodias são semelhantes, mas são músicas diferentes, são clássicos.
— E você gosta desse tipo de música? — resmungou em um bico.
— Eu tinha uma banda de rock. Beethoven não é bem meu estilo de música.
E lá estavam os dois compartilhando outro sorriso.
— Mas é sua festa.
— São negócios.
— Seu aniversário.
Chanyeol o encerrou em silêncio, os olhos atentos e os lábios curvados, charmosos. Chanyeol tinha lábios bonitos, chamativos. Ele também tinha sobrancelhas grossas e orelhas salientes. De um todo ele não era feio, e essa constatação foi esquisita de se ter.
— O que você sugere?
— Uma música mais animada, não quero dançar valsa para sempre.
— Minha mãe me mataria, Baekhyun, melhor não.
— Você é tão careta, os homens mais velhos que eu conheci eram mais legais
— Deve ter conhecido poucos então.
— Quem sabe? — Baekhyun desdenhou.
E mais uma música chegava ao fim, apesar de Baekhyun ter a certeza que era a mesma. Não gostava muito de música clássica, nunca gostou, na verdade sempre apreciou os pop americanos e alguns rock. Gostava muito de MPB também, e viciou os amigos de bandas em algumas, o pai costumava colocá-lo para que pudesse dormir.
Baekhyun se afastou repentinamente, percebendo que uma garota andava saidinha demais para cima de Sehun do outro lado do salão. Era irritante como não podia deixá-lo sozinho por nenhum segundo e ele já estava cantando outra. Tomou distância de Chanyeol, pronto para caminhar até o Oh e acabar com a festa,
mas assim que passou
pelo Park teve seu pulso novamente agarrado. Olhou sobre os ombros, levantando uma sobrancelha, Chanyeol olhou sobre sua cabeça por um segundo, e na seguinte o puxou para frente, colando os corpos novamente.
— Acho que uma música mais animada animaria a festa.
A essa altura eles não eram mais o foco das atenções, e ao olhar ao redor Baekhyun percebeu que os convidados definitivamente estavam infelizes, os mais jovens pelos menos. Voltou a atenção para o filho de sua madrasta arqueando a sobrancelha.
— Achei que estivesse com medo da mamãe.
— Decidi ser corajoso, ser mais parecido com você.
— Péssima decisão.
o desejo que nos consome
A sala estava tomada pelos poucos jovens que foram convidados para a festa, se mexiam em um ritmo conjunto de uma música pop e Baekhyun não podia estar mais feliz com o caos instaurado. Nem ao menos se preocupou com a mãe, estava se divertindo demais para isso. Os amigos de Chanyeol eram animados e não demorou nada para se juntarem no centro e tirá-lo para dançar, e Baekhyun dançou o máximo que pôde com eles, até ser puxado por Sehun.
O Oh ainda parecia meio irritado quando começaram a se mexer em conjunto, talvez por ter sido deixado de lado, mas Baekhyun não estava se importando, estava animado e feliz de poder compartilhar um momento gostoso e genuíno com ele. Era tão infinitamente apaixonado por Sehun, que até as coisas ruins sobre ele achavam charmosas. Gostava de tudo em Sehun, da boa aparência, do jeito sexy como ele tocava guitarra ou como se encaixava com perfeição contra o corpo dele. Pareciam tão certos um para o outro.
Se aproximou, ficando na ponta dos pés para tentar alcançar a audição dele
— Qual será o tamanho da bronca que vou levar por isso, heim? — Sussurrou ainda dançando. Estava se sentindo confortável e se divertindo de um modo que nunca pensou que se divertiria em uma festa onde Chanyeol fosse anfitrião. Sehun parecia animado também, apesar da expressão sempre séria, ele afastou seu cabelo e deu um meio sorriso enlaçando sua cintura mesmo que a música não fosse nada lenta, estavam dançando próximos.
— Considerando que sua mãe é uma narcisista e você tirou o foco da festa dela… — ele fingiu pensar —
acredito que
sua punição seja ficar sem cartão de crédito.
— Acho que posso lidar com isso, não seria a primeira vez — Baekhyun deu de ombros, encostando a lateral da cabeça no peito de Sehun. Levou pouquíssimo tempo para que uma ansiedade tomasse seu peito, sempre sentia uma agitação quente quando estava falando sobre a mãe — Minha mãe não é narcisista — Baekhyun resmungou, mas não havia confiança em sua afirmação, afinal nem ele acreditava. A mãe era complicada e às vezes, quando não estava cego de ódio gostava de pensar que ela só teve uma infância difícil e um casamento ruim. Os avós não eram exemplos de pais, então suas ações poderiam ser facilmente justificadas com isso, era o que gostava de acreditar, o que precisava acreditar porque não sabia de que outra forma pensar..
— Chanyeol disse que acha que eu vilanizo muito ela — despejou a informação, mas por descargo de consciência do que por achismo.
Baekhyun sabia que quase sempre estava buscando justificativas para as ações da mãe, afinal, ser uma mãe ruim não vendia credibilidade. Talvez a resposta mais precisa fosse que não era um bom filho, mas Baekhyun havia passado tanto tempo tentando ser perfeito que já não fazia mais tanta questão, queria poder ser ele mesmo e não o projeto que a mãe idealizava.
Sehun parou a dança esquisita que faziam, e Baekhyun o seguiu, acompanhando o olhar sério e semblante calmo. O Oh carregava sempre as mesmas expressões, fosse raiva ou alegria, ele não era bom em demonstrar, desse modo, Baekhyun nunca sabia identificar o que ele faria ou diria. Então apenas esperou, com os olhos atentos e curiosos
— Baek — ele chamou, a voz calma. Sentiu o toque suave da palma fria contra seu rosto quando ele tentou um carinho —
Eu conheço você e conheço sua mãe o suficiente para afirmar que com certeza você não vilaniza ela, ela se vilaniza sozinha.
Baekhyun sabia, no fundo ele sabia, mas acreditar em Chanyeol parecia tão mais prático, tão melhor. Porque queria estar enganado, queria que Chanyeol estivesse certo porque se ele estivesse, poderia consertar as coisas com a mãe. Se pudesse se dar bem com Chanyeol então talvez as coisas melhorassem.
— Você não acha que eu provoco demais… — tentou convencer Sehun, mas era difícil fazer alguém acreditar sobre algo que nem ele acreditava.
Sehun sorriu meio de lado, quase conseguia ver a pena no olhar dele. A palma encontrou sua nuca e deitou sua cabeça contra o peito novamente em um abraço desajeitado e confortável.
— Baekhyun, eu acho legal que você esteja se aproximando do Chanyeol, mas não acha que tá deixando ele entrar na sua cabeça?
— Não — Não tinha certeza do que estava afirmando, e a voz abafada contra os peitos do Oh o fazia parecer ainda mais frágil. Por isso se afastou, tentando encontrar confiança para dirigir o resto da frase — Você acha que sou manipulável a esse ponto? — indagou não sabendo decidir se o tom pareceu magoado ou raivoso, talvez só estivesse tenso por perceber que realmente havia deixado o Park entrar em sua cabeça — Acha que depois de duas palavras eu vou me render e ficar igual um cachorrinho atrás dele?
— Baek você não precisa me convencer de nada — Sehun soltou a frase simples, mas com um significado absurdo por trás, um que mexeu tudo dentro do Byun, bagunçando tudo, desarmando suas certezas
— Você está distorcendo minhas palavras. Eu posso não ser um cara correto, mas seu irmão também não é, você é carente e vulnerável e ele claramente tá se aproveitando disso, da sua fragilidade como pessoa, da sua necessidade de aprovação. Não enxerga que ele tá te manipulando?
— Para de usar esse termo — Agora Baekhyun conseguia definir que estava irritado — ele não é meu irmão, não tenho o sangue dele, não tenho vínculo algum com ele. Você só não entende, eu quero que ele esteja certo, eu preciso disso, preciso me dar bem com minha mãe, eu quero pelo menos uma vez na vida me sentir parte disso, parte dessa família, filho dela.
Baekhyun não queria chorar, mas sentia que poderia a qualquer momento. Sehun sempre tirava o pior de si, sempre o deixava frágil e vulnerável, pronto para ceder em qualquer segundo. Ele era como um abrigo, um amigo, um confidente. Sehun era tudo em sua vida e a forma como ele não media esforços, não pesava palavras, a forma fria dele ser era tão reconfortante quanto destrutiva, e Baekhyun se via perto de se autodestruir a cada dia que passava. Ainda sim queria tanto ser percebido, notado, elogiado, amado pela mãe.
E Chanyeol parecia o caminho fácil. O jeito simples
— Eu sei, Baekhyun eu sei o quanto você precisa disso, mas acha que permitir a entrada de uma pessoa que já te fez tão mal é o jeito certo? — Sehun parecia saber sempre o que dizer para desarmar Baekhyun por completo — Baek eu me importo com você e quero seu melhor, não vê o que tá acontecendo? Vocês tiveram uma interação e você já está questionando suas vivências. Nada do que o Chanyeol disse pode ser mais certo do que o que você viveu, sabe disso não sabe?
— Eu sei, mas… — Baekhyun colocou as mãos por cima das dele, enlaçando os dedos e voltando a deitar no peito alheio — você não entende.
— Eu entendo como é não ter boa relação com os pais, eu entendo você melhor do que gostaria, e por isso sei que não existe jeito fácil, não há forma simples e você não pode se diminuir pra ser aceito.
Baekhyun sabia que ele tinha razão, mas saber e aceitar eram dois pontos distintos, duas sequências que tinha medo de experimentar. Queria que fosse fácil, queria que fosse simples, mas devia saber que não existia jeito simples, não quando se tratava da mãe.
— Podemos ir embora? — Baekhyun pediu quase manhoso.
— Nós já devíamos estar bem longe daqui Byun.
Baekhyun sorriu, demonstrando o conforto que era estar com Sehun, amava tanto ele que às vezes sentia que nunca se amaria igual e isso era tão bom quanto autodestrutivo. Sehun segurou em sua mão e se dispôs a guiar seu caminho, atravessando as pessoas com cautela. Baekhyun sentiu um desconforto estranho quando começaram a andar, a simples impressão de que o foco das atenções estava em si, e só para constatar o fato e comprovar que não estava paranoico parou de andar e olhou em volta. Percebendo que nem de longe estava ficando louco. Todos ao seu redor seguravam os celulares na mão, as atenções disputando entre Baekhyun e a tela do smartphone. De repente sentiu o estômago gelar, a sensação de que algo estava errado abraçou seu corpo e quando Sehun o olhou e guiou o próprio celular em sua direção, foi a primeira vez que viu o mundo congelar.
As pessoas pareciam em câmera lenta, ou era Baekhyun que percebia seu mundo desabando, um zunido em seu ouvido e um amargor se instaurou em sua boca. Fechou os olhos, pedindo que tudo não passasse de um sonho ruim, mas quando abriu percebeu que não tinha uma verdade maior, as pessoas, independente da idade agora o encarava, com expressão de pena, pavor e nojo. E Baekhyun se sentia digno desses sentimentos. Um vídeo íntimo seu estava estampado na mídia nacional, exposto para quem quisesse ver, uma mancha que nunca, jamais seria apagada, eternamente sua imagem estaria vinculada a um video de sexo.
Baekhyun ouviu Sehun, ouviu quando ele chamou por seu nome, sentiu quando ele tocou seu braço e o barulho que o estrépito do celular fez ao cair no chão surgiu como ultimato. Mas Baekhyun não conseguia ouvir, não era capaz de ver, o mundo parecia estagnado e ao mesmo tempo o cérebro não parava, não deixava de formular por um segundo mil formas de como havia fodido com tudo, acabado com o futuro de sua banda, exposto seus amigos, exposto Sehun.
Quando Baekhyun percebeu que a primeira lágrima escorria por seu rosto ele começou a correr, os olhos ardiam e a cabeça parecia perto de explodir, a felicidade indescritível, o conforto, a paz que sentia há apenas um segundo havia evaporado, e agora não havia vestígios de nada além de um vazio. Tentou escapar, fugir daquilo correndo em direção ao jardim, mas assim que pisou os pés fora da casa seu braço foi alcançado com uma força desmedida, e Baekhyun nem precisava se esforçar para descobrir quem era, a mãe tinha um perfume só dela, alguma coisa cítrica e de cheiro péssimo.
A mãe o arrastou para o centro do jardim, longe o suficiente para não causar um escândalo, mesmo que nada do que ela pudesse fazer fosse causar mais caos do que já estava dentro da casa, podia contar os segundo para que o lugar enchesse de repórteres. A mãe o soltou de forma brutal quando estavam longe e escondidos o suficiente para que ela pudesse iniciar seu show.
— Qual é seu problema? — Baekhyun perguntou exasperado, a mão massageando o lugar marcado pela mãe, ela havia cravado a unha em seus braços como fazia desde sempre quando queria demonstrar autoridade.
— Como ousa me envergonhar na frente dos meus amigos, da minha família, de Irene? — Ela gritou, ainda mais exaltada. O salto usado pela genitora fazia um barulho irritante contra a calçada de concreto e o tom de voz dela era de pura agonia e irritação. Baekhyun se sentia caindo, caminhando para algum lugar sem rumo, e mesmo que as lágrimas escorressem pelo rosto se sentia apático, pelo menos até a mãe voltar a falar.
— Era ele, não era? Naquele vídeo nojento e patético igual você, era o Sehun Não era? — Baekhyun olhou para a mãe,
a frustração transbordando pelas íris, os olhos esbanjaram lágrimas, os dedos tremiam e o mundo parecia tão estranhamente silencioso que tudo que gritava em seu cérebro era a raiva desmedida da situação. O que tinha Sehun a ver com tudo aquilo? O que importava para ela? Ele nem aparecia na gravação. A mãe se aproximou, tomando seu queixo grosseiramente — Responde Baekhyun — Mas Baekhyun não respondeu e isso a irritou mais — Pra que isso Baekhyun? Você queria dar um show? Prejudicar a festa do seu irmão?
— Ele não é meu irmão. — anunciou — E como pode pensar que eu iria tão longe só para prejudicar o Chanyeol? Como pode pensar que eu faria algo assim comigo? Como pode ficar contra mim em um momento assim? Você é minha mãe, você tem o dever de me apoiar. — Baekhyun sentiu a garganta doer e os olhos arderem. Dentro de si havia raiva e dor, a falta de apoio daquela que deveria ser sua família era pior do que qualquer ataque da mídia.
— Como poderia te apoiar se você não faz nada certo? — O jeito ríspido como a mãe falou quebrou Baekhyun
por completo, destruindo qualquer vestígio de esperança que ele tivesse. A genitora enfim soltou seu queixo e ao longe assistiu Irene se aproximar trazendo Chanyeol em seu alcance. Baekhyun nem teve sequer chance de se importar com Chanyeol, não quando a mãe voltou a dizer
— Você é o meu pior fracasso. — Ouviu, alto e claro, com a crueldade que apenas ela podia ter.
Baekhyun nunca em sua vida havia tido uma boa relação com a mãe, mas em todos seus anos de vida ela nunca havia dito algo tão cruel, nunca havia sido tão dura em suas palavras e Baekhyun sentiu que deveria morrer, era um sentimento conflitante e que quase sempre o acompanhava. Sabia que jamais teria coragem de fazer mal a si mesmo, não explicitamente,. mas sempre que tinha de se provar para a mãe, sempre que tinha que fazer por merecer seu lugar na família se questionava porque era tão covarde para acabar com aquilo.
— Como vai consertar isso Baekhyun? Como vai tirar essa mancha da minha família? — ela perguntou parecendo atordoada. Irene estava próxima agora e parecia disposta a se intrometer, mas antes que ela pudesse dizer alguma coisa a mãe a cortou — Quer saber, a culpa disso tudo é minha, acho que nunca fui dura o suficiente com você não é mesmo? Eu deixei você ter tudo o que queria, sempre fiz todos os seus caprichos, permiti que infernizasse meu casamento com sua teimosia e que criasse essa sua bandinha, andasse com esse tipo de gente, isso, tudo isso foi meu erro, mas acabou Baekhyun. Você não vai mais me envergonhar, não mesmo, dessa vez sua punição vai ser de verdade. — Baekhyun de repente ficou apreensivo, muito mais do que um dia esteve, a mãe parecia diferente, mais irritada, e Baekhyun temeu que ela fosse fazer a única coisa que sabia que de verdade acabaria com tudo para si. E ela fez, anunciando alto e claro para quem estivesse disposto a ouvir — Cancele seus planos Baekhyun, você não vai pro Canadá.
Baekhyun sentiu uma tontura assim que ouviu a frase, de repente não conseguia respirar, as mãos tremiam e o cérebro parecia processar lentamente. Ainda sim a fúria que sentiu foi capaz de o fazer responder.
— É a minha faculdade, o meu futuro, estou me esforçando pra isso tem dois anos você não pode tirar isso de mim.
— Pensasse isso antes de tentar estragar a festa do seu irmão.
— Ele não é meu irmão! — Baekhyun gritou, exasperado, irritado, quase transtornado — Ele nem é seu filho. Eu sou! — Apontou para o próprio corpo evidenciando sua fala, as lágrimas desciam em abundância mas a mãe não parecia se comover nenhum pouco, na verdade parecia se irritar mais com este fato.
— Depois do que fez hoje ainda tem coragem de se dizer meu filho? Um filho meu jamais faria o que você fez
— E o que eu fiz? Está me punindo porque fui jovem? Porque agi como um ser humano? Como pode estar preocupada consigo quando um vídeo de sexo que eu não gravei foi exposto? Como pode se preocupar só com você quando alguém claramente estava me vigiando?
— Como posso acreditar que você não planejou tudo isso?
Baekhyun perdeu toda a reação com a resposta, porque ela era honesta de um jeito desesperador, a mãe de verdade não acreditava em si, ela nunca acreditou e nunca acreditaria. Sehun estava certo, ele sempre esteve, não havia justificativa para ela, jamais seria amado e compreendido por ela. Havia nascido sem sorte, e agora sua alternativa era aceitar e apenas isso. Engoliu em seco, afastando as lágrimas com os dedos e puxando a respiração. Era doloroso e desgastante tentar se justificar, mas também era um alívio ter a confirmação de algo que o tempo todo esteve em sua frente, explícito e gritante.
— Tudo bem, mãe — Baekhyun anunciou de repente, muito mais calmo do que achou que ficaria — Pode me culpar por tudo que quiser, afinal, isso deve ser bem mais fácil de aceitar, bem melhor do que admitir que você fracassou como mãe.
E Baekhyun apenas sentiu o impacto no segundo seguinte, o tapa que veio em seu rosto, similar a todos os anteriores, mas desta vez não doeu, não como as palavras que tinha escutado, elas foram muito mais dolorosas do que todos os tapas que levou em seus anos de vida, nada o machucaria mais do que o desprezo e a falta de consideração da mãe.
— Você Byun Baekhyun vai subir imediatamente para o seu quarto e vai dar um jeito nisso, em tudo isso — Ela avisou, o dedo apontado em sua cara e a expressão furiosa — Até você se consertar o Sehun está proibido de pisar o pé aqui.
— O que você fez com ele? — Baekhyun perguntou exasperado.
— Botei pra fora, como deveria ter feito há anos.
Baekhyun não respondeu, ao contrário disso ficou em silêncio, assistindo a mãe ir embora, viu quando Irene se aproximou e o abraçou, mas estava irritado e decepcionado com ela, por novamente não fazer nada, por nunca dizer nada, então não devolveu o abraço, apenas virou o rosto, esperando que ela entendesse que queria espaço. E ela entendeu, e se despediu com um beijo em sua testa antes de seguir a esposa pelo caminho de pedras para a mansão. Sabia que não estava sozinho, e por isso não deixou que uma só lágrima escorresse.
Olhou para Chanyeol quando percebeu ele se aproximar. O terno estava bagunçado, a gravata desamarrada e ele estava descalço. desejou que o frio congelasse seus pés, congelasse ele por inteiro. Sentiu uma queimação no estômago, e quis voar nele, descontar sua raiva, gritar e espernear porque sabia que tinha sido ele, não existia outra explicação, ele era o único com motivo e oportunidade. Ele era a única pessoa que poderia vir a querer seu mal, apenas para se dar bem, mas jamais imaginou que ele pudesse ser tão baixo. Um vídeo de sexo? Como ele podia ser tão mesquinho e egoísta?
— Baekhyun — ele chamou, a voz calma e baixa. — Você está bem? — ele tentou se aproximar e Baekhyun se esquivou.
— Não é da sua conta — anunciou — Não fica perto de mim.
— Só quero conversar com você, quero saber se está bem.
Baekhyun riu fraco expondo seu deboche, Era absurdo como ele poderia agir tão calmo depois de instaurar o caos em sua vida e acabar com seus planos.
— Como se atreve? — perguntou exasperado, sem tentar esconder sua fragilidade, não tinha mais forças para isso —
Acha que eu não sei que isso foi você? Você planejou tudo não é?
— O quê? — Chanyeol parecia confuso e ele era tão bom na arte de mentir que Baekhyun nem conseguia acompanhá-lo, era irritante e frustrante como ele era bom em fingir — O vídeo? Acha que fui eu? Baekhyun pelo amor de deus eu tenho trinta anos não dezesseis.
Baekhyun talvez estivesse errado, mas não queria acreditar nisso, estava frustrado e merecia poder culpar alguém, e Chanyeol era perfeito, tinha motivos o suficiente para ser o responsável.
— Então quem poderia ser se não você? — O que não entendia era porque, porque ele iria tão longe só para prejudicar alguém? Alguém tão insignificante, alguém que não prejudicava em nada sua vida e suas conquistas. Como ele era capaz de tanto apenas para fazer mal a si? — Você sempre esteve no meu caminho, sempre me atrapalhando, sempre interferindo. Você tirou tudo de mim, então por que armar essa cena? Por que estragar a sua festa?
— Justamente — Ele se justificou, parecia incrédulo e confuso, mas Baekhyun estava cego de ódio para se atentar ao óbvio —
Qual o ponto de eu prejudicar minha família para prejudicar você? Por que eu faria isso Baekhyun?
— Então por que me convidou?
— Porque você é da família.
— Não sou da sua família, eu nunca vou ser parte disso. Eu não quero fazer parte disso.
Chanyeol parou, por um segundo ele ficou sem palavras, sua expressão era de pura incredulidade e confusão. Ele não sabia nem o que ainda estava tentando fazer ali com Baekhyun — Qual o seu problema? — Ele indaga tentando compreender —
Achei que estávamos indo bem, caminhando para algum lugar melhor do que aquela estranheza adolescente. Eu sei que a diferença de idade sempre foi um problema entre a gente, mas você não é mais criança Baekhyun, já passou da hora de parar de culpabilizar os outros pelas suas situações mal resolvidas, você tem que enfrentar isso.
— Achou que estávamos bem? O que te faz pensar que quero ser seu amigo Chanyeol? — Baekhyun responde, os olhos tão afiados que poderiam cortar Chanyeol ao meio, se ele olhasse com atenção enxergaria o ódio dentro das íris, a raiva, o rancor, a decepção — Como se atreve a opinar sobre o que eu sou quando tudo que eu sou foi construído a partir de você?
— Baekhyun isso é absurdo. Eu nunca fiz nada pra você, você que sempre age tão infantil comigo e eu sequer sei a razão de tanto desprezo. Você não pode me acusar de coisas sem provas, sem argumentos decentes só porque discutiu com sua mãe. Eu não sou saco de pancadas, não sou responsável por você nem por suas confusões.
E Baekhyun parecia desacreditado, porque alguma coisa na forma como Chanyeol falava parecia genuíno demais para não ser verdade. E Baekhyun começou a se perguntar se de fato não estava meio errado. As coisas se bagunçaram em seu cérebro sem saber o que era real e o que não era, no que acreditava e no que não tinha certeza. Estava um caos por dentro, entrando em uma crise, sem saber como fugir do problema que ele mesmo tinha se enfiado. Estava frio e ao mesmo tempo quente, e seu coração parecia acelerado demais e estava tão frustrado, tão malditamente confuso.
— Você é tão patético que nem percebe o que faz né? É isso ou você é um ator bem melhor do que achei que fosse.
Chanyeol foi quem debochou desta vez, soltando um riso escasso e recheado de ironia.
— Baekhyun, o que de tão horrível eu faço pra você agir tão mal comigo? Você nem me conhece, não sabe nada sobre mim e ainda assim é sempre o primeiro a me apontar como errado.
— Aí é que você se engana. — Baekhyun chegou a ranger o dente de tanta raiva — Eu conheço você Chanyeol, sei tudo sobre você, cada coisinha. Como não saber? O filho pródigo, aquele que ela sempre se orgulhou. Eu tinha dez anos quando a mamãe me comparou com você pela primeira vez, e desde então isso me persegue. Serei sempre sua sombra, sempre incapaz de ser o que você é, sempre sendo culpado por tudo, sempre querendo acabar com o querido Chanyeol. Oh como eu sou o vilão! Você estava certo Chanyeol, talvez minha mãe não seja o monstro, talvez eu seja. Não é isso que todos vocês acreditam? — Sem que percebesse já estava chorando, a voz falha, fraca e dolorosa, porque pela primeira vez estava tendo uma conversa de verdade sobre seus sentimentos, pela primeira vez estava se expressando com a razão de todas as memórias ruins que armazenava no cérebro. Havia algum tipo de realização presente no ato, uma sensação quase que reconfortante. Chanyeol não disse nada, parecendo atordoado demais para responder, desta forma Baekhyun não parou, não até dizer tudo que queria — Sabe o que é pior? Depois disso tudo você vai sair como vítima, vai ser acolhido e apoiado, e eu? Eu sou o grande causador do caos, você nem tem o sangue dela, você não é ninguém e mesmo assim ela o ama.
— Então é isso? Sua raiva de mim é porque roubei o amor da sua mãe? Baekhyun, percebe o quanto isso é infantil? Sua mãe amaria você se fosse mais grato, mais gentil e buscasse compreender ela…
— Engraçado você falar de gratidão, já que foi o primeiro a virar as costas pra sua mãe e ir embora sem pensar duas vezes. — Sabia que tinha acertado bem no ponto que queria quando Chanyeol se desconcertou, gaguejando para encontrar um argumento — E o que te importa o que eu faço se ela nunca percebe de qualquer jeito? Você está decepcionado porque estraguei sua grande festa de aniversário? Você estraga minha vida desde meu oito anos.
— Baekhyun esse argumento não é justo, você sabe os motivos que me fizeram ir embora.
— E você não tem ideia dos motivos que me fazem agir com minha mãe da forma que ajo.
Chanyeol pareceu se acalmar depois de sua fala, porque ele respirou fundo e caminhou até um banco não tão distante. Baekhyun ficou atento, às vezes ele era tão calmo que estressava. O Park buscou seus olhos, respeitando sua decisão de não querer contato e se mantendo distante. Ao longe conseguia ver os dedos dele tremerem.
— Baekhyun, esse tipo de comportamento não vai resolver as coisas entre você e sua mãe. Essa raiva que você sente e canaliza pra mim, isso pode ser resolvido, você só precisa de ajuda. Precisa querer ser ajudado.
— E o que você sabe sobre minha raiva? O que você sabe sobre mim e minha mãe? Você sequer entende. Você é o diamante da família, o filho pródigo o orgulho, desde sempre foi assim, eu sequer tive chance Chanyeol, eu sempre estive abaixo de você, mesmo quando eu nem sabia o significado disso tudo. Ajuda? A única coisa que eu preciso é que você suma da minha vida.
— Se esse é seu grande motivo para agir mal comigo desde sempre, seja honesto Baekhyun, o que você quer que eu faça?
Quer que eu pare de me esforçar? Pare de ser responsável? Quer que eu viva como você? Festa, bebidas? É isso? — Baekhyun se manteve em silêncio pela primeira vez, não tinha um argumento, não tinha um debate, não tinha resposta. O que queria que ele fizesse? Sempre esteve mais preocupado em odiá-lo do que qualquer outra coisa, como poderia solucionar uma situação que sempre pareceu tão impossível de resolver que não mediu possibilidades. Chanyeol tirou o paletó e se levantou, caminhou em sua direção e jogou por cima de seus ombros, percebeu então que estava abraçando o próprio corpo, não sabia se por frio ou insegurança, mas Chanyeol julgou ser o frio — Eu sinto muito Baekhyun, sinto muito por não ser o que você esperava, sinto muito por sua mãe gostar de mim, sinto muito por sua mãe não gostar de você. Mas isso não é culpa minha, você não pode me responsabilizar pelos seus problemas. Você tem vinte anos, já é bem grandinho, não dá pra ficar brincando de garoto rebelde para sempre, também não dá pra choramingar por causa da mamãe quando as coisas não saem como planejado. Cresce Baekhyun, corre atrás do seus prejuízos, se resolva consigo mesmo e para de procurar culpados para suas frustrações, você é um adulto, tá na hora de se portar como um...
Baekhyun não soube como reagir, ele sequer soube expressar alguma reação, apenas ficou em silêncio, digerindo tudo que lhe foi dito, sentindo o peso das palavras dispersar
sua raiva e ferir seu ego, ferir tudo dentro de si. As palavras não foram nem de longe o que mais doeu, o pior de tudo era saber que ele estava certo, completamente certo em cada um de seus dizeres.
o desejo que nos consome
Baekhyun não estava falando com a mãe. Não que ele normalmente falasse, mas agora o diálogo estava ainda mais escasso do que um dia foi. Desde o acontecimento midiático em que ela grosseiramente expulsou Sehun da mansão as coisas estavam mais estranhas que o normal.
Se fosse honesto diria que não estava conversando com ninguém, realmente fazendo greve de silêncio, estava focando em criar música e nada além disso. Suas redes sociais estavam lotadas com os mais diversos insultos, ofensa e palavras de baixo calão que conseguia listar, depois de duas semanas ainda não tinha pisado o pé fora de casa e muito menos aberto alguma mídia e informação, as fãs de sua banda era sua maior preocupação, isso e claro, os melhores amigos. Esses que por sinal estavam tão revoltados com toda a situação como qualquer um estaria. A pior parte para o Byun era não conseguir vê-los, não ter apoio e acolhimento, estava sozinho tentando lidar com tudo, tentando entender tudo.
Baekhyun respirou fundo, buscando coragem para sair do quarto, a mãe havia marcado um daqueles jantares ridículos em família e frisando o quanto sua presença era essencial, duvidava muito disso, ainda sim, estava indo. Abriu a porta no próprio quarto dando de cara com Park Chanyeol , aquele que menos desejava ver. Baekhyun estava fugindo dele desde a noite do ocorrido. Ele o cumprimentou com um riso e um mover de cabeça, mas Baekhyun não devolveu, apenas seguiu andando para a escada.
Estava evitando Chanyeol porque estava envergonhado, depois da discussão acalorada e explícita, recheada de verdades que sempre achou não estar pronto para dizer e das que nunca estaria pronto para ouvir, Baekhyun ouviu, pensou e refletiu. Ele escutou Chanyeol, todos seus dizeres, seus argumentos, suas verdades. E mesmo que ainda houvesse um vestígio de insegurança, de confusão, de medo, sentiu sinceridade nas palavras, sentiu que talvez ele estivesse certo e começou a se questionar se no fim não estava errada, se todo esse tempo não estava canalizando sua raiva para a pessoa errada, despejando responsabilidade em Chanyeol que não eram dele.
Se perguntou muito, se questionou sobre tudo, sobre suas certezas e suas desconfianças. Se permitiu ver o outro lado, se permitiu conhecer a versão de Chanyeol, e então, as coisas pareciam se encaixar. Admitiu estar equivocado.
E para Baekhyun era difícil estar errado, ele era sempre o dono da razão, o sabe tudo, o cara que sempre estava certo. Não estar certo, e acima de tudo, estar errado sobre Chanyeol era um balde de água fria, tão gelado que o congelava por inteiro.
Por isso fugia, porque tinha vergonha das coisas que fez, das coisas que não podia consertar, nem voltar atrás, das palavras difíceis e de como o insultou incontáveis vezes e ainda sim ele continuou sendo gentil e cuidadoso. Sentia vergonha dos dizeres que expressou e das vezes em que não agiu como deveria, então preferia se manter esquivo. Estava tentando se entender com seus próprios erros para depois reparar as coisas com Chanyeol.
A mesa de jantar estava posta e os mais novos chegaram à cozinha juntos, o jantar foi servido e o clima era o mesmo que se veria em enterro, ou premiações coreanas. Baekhyun não conseguia ser capaz de levantar o rosto, irritado com a mãe, decepcionado com a madrasta e envergonhado com Chanyeol. O jantar estava difícil de engolir, talvez fosse a tensão ou o quanto a mãe parecia simpática na noite, sorrindo para os funcionários e beijando Irene a todo instante. O bom humor da genitora assustava mais Baekhyun do que os gritos escandalosos que lideravam sua rotina.
— Então — ela chamou a atenção de repente enquanto a sobremesa era servida, e Baekhyun realmente temeu, pois sobremesa nunca era sinal de doçura, na verdade ela vinha como previsão para a amargura do momento seguinte. Baekhyun olhou para a mãe, seu semblante estava terno e sua voz suave, já Baekhyun estava inquieto e um tanto amedrontado, não quis encarar a expressão da madrasta nem de Chanyeol — Eu e Irene conversamos sobre o acontecimento de duas semanas atrás…
Ela começou seus dizeres e Baekhyun foi impaciente ao cortar sua frase — Então vocês até que enfim entenderam que o melhor pra mim é ir embora dessa cidade? — Ele debochou, mas não esperava ouvir algo positivo como resposta. A mãe parecia bem previsível quanto aos seus planos de desmotivá-lo sempre.
— Sim — A mãe disse. Contrariando todas as suas expectativas.
Baekhyun então perdeu o ar da graça, uma chama de esperança brilhou em seu rosto e até sorriu, ajeitando a postura. — graças a deus — anunciou realizado.
— Mas… — Seulgi continuou cortando toda a felicidade do momento, era esperado que teria um porém —
Você não vai para o Canadá.
Baekhyun nem pôde dizer que estava surpreso, o momento de alegria que se permitiu ter era bem óbvio que teria prazo de validade. Murchou tão rápido quando se animou. A mãe sabia definitivamente como torná-lo infeliz.
— Isso não é justo, minha punição é maior do que meu delito.
— Sua punição é de acordo com como você vive sua vida — A mãe anunciou cortando sua frase, calma como nunca pensou que a veria durante uma discussão — E se não estiver gostando do tratamento aqui, talvez devesse ir atrás do seu pai, aquele mesmo que te abandonou.
Baekhyun novamente se calou, não havia argumento ou algo a ser dito, sua mãe era sempre tão maldosa, sabia exatamente onde tocar para feri-lo. Irene não demorou para se intrometer, percebendo o olhar perdido de Baekhyun e a visível mágoa.
— Nós conversamos e achamos que o melhor para você Baek, é sair de Seul, mas não ficar sozinho, então você vai para Londres, passar um tempo com Chanyeol.
Baekhyun a princípio nem soube o que dizer, apenas permaneceu incrédulo, olhando de Chanyeol para a mãe e depois para Irene repetidas vezes. Nem conseguia expressar sua insatisfação de tanto choque. Aquela ideia parecia péssima de muitas formas, tantas que se perdia para listar. Mas estava sem paciência para questionar, para brigar ou tentar mudar a opinião da mãe.
Arrastou a cadeira quando se levantou, o som estridente causou incômodo em seus ouvidos, mas não mais do que o incômodo que a própria mãe lhe causava, seu semblante incrédulo era capaz de expressar por si só suas opiniões. Ainda assim, os dedos tremendo aos se afastar, e já deveria saber como controlar, mas era difícil não se sentir péssimo, quando novamente sua mãe o colocava em uma crise de ansiedade.
— Tá de sacanagem? — Perguntou exaltado.
— Olha como fala — A mãe o repreendeu. A calma dela estava tão assustadora que deixava Baekhyun ainda mais agitado, ainda mais desesperado.
— Então é isso?
— Indagou retórico — Novamente não vou poder ter poder de decisão sobre minha vida?
Não poupou fôlego ao gritar, revoltado, irritado, a situação estava o consumindo e novamente a mãe era o motivo de tudo. Seulgi
levantou, parecendo aos poucos se exaltar, ela iria falar, mas Chanyeol estranhamente tomou a frente, a cortando como nunca um dia o viu fazer.
— Baekhyun você é inteligente e esperto, tenho certeza que vai passar em qualquer universidade em qualquer lugar, mas eu também sei o quão difícil vai ficar sua vida se continuar aqui… Eu sei que morar comigo não era o que você esperava, mas é isso ou ficar aqui.
– Eu posso ir para o Canadá. — olhou para a mãe, uma última tentativa de conseguir convencê-la, mas quando esta virou a cara, o ignorando, tentou com a madrasta — Irene?
— Desculpa Baekhyun, mas não é minha escolha. — Ela tentou parecer suave, mas isso não doeu menos no Byun — Não podemos te mandar pra um país sozinho…
— Não vou estar sozinho, meus amigos vão estar lá.
—o Chanyeol é sua família — Ela insistiu.
— Não, ele é a sua — Expressou em pura agonia e insatisfação.
— Baekhyun — A mãe voltou a dizer — É isso ou nada.
Baekhyun franziu as sobrancelhas e pressionou as unhas contras a palma, estava frustrado e nada podia fazer, apenas aceitar — Que inferno — Gritou, deixando a cozinha batendo os pés. Antes que alcançasse as escadas ouviu Chanyeol dizer:
— Deixa ele, ele vai escolher certo.
E merda, Baekhyun sabia que ele estava certo.
o desejo que nos consome
No fim Baekhyun aceitou ir. Não tinha muito o que fazer, queria deixar a mãe para trás, tentar ser mais independente, e se tivesse que conviver com Chanyeol por isso, que fosse, as coisas não podiam ficar mais estranhas do que já estavam.
Baekhyun estava deitado em sua cama, os pés na parede, o celular no ouvido e Sehun do outro lado da linha. A mãe havia mesmo o proibido de entrar, alertado os seguranças e tudo, como se não bastasse isso, seu castigo ainda consistia em ficar em casa até o dia da viagem.
— Nós deveríamos fugir — Sehun disse de repente. Ela tinha um tom humorado e meio arrastado na voz, Baekhyun tinha quase certeza que ele já estava bêbado, ou chapado, ou muito provavelmente os dois.
Baekhyun sorriu, uma risada leve que ecoou pelo cômodo; estar com Sehun era uma montanha russa, uma hora brigavam e na seguinte se amavam. Sehun era sua razão para tudo, e a ideia de perdê-lo era tão assustadora e ao mesmo tempo tão… necessária. Não sabia mais por quanto tempo suportaria estar ao lado dele, ouvindo coisas como aquela e fingindo que não era tudo que mais queria no mundo. Às vezes Baekhyun sentia que era possível, que conseguiu mudá-lo, que se encontrariam feito protagonistas de um conto de fadas, em volta de um drama típico de vilã maldosa e então o amor curaria tudo, então Sehun o amaria. Mas na maior parte do tempo sabia, era realista o suficiente para saber que se Sehun fosse amá-lo, já o teria feito há muito tempo.
— E para onde iríamos? — Resolveu entrar na onda, apenas porque precisava de distração, precisava não pensar como como sua vida mudaria drasticamente em algumas semanas, em como todas as suas certezas, seus planejamentos e as pessoas que amavam estariam bem longe de si, caminhando para um lugar desconhecido, com estranhos.
— Algum lugar litorâneo.
Baekhyun soltou outra risada alta, essa veio direto da garganta — Sehun, você odeia calor.
— Mas você ama o mar — E lá estava ele, confundindo tudo dentro de si novamente, como costumava fazer —
Nós devíamos Baekhyun, de verdade.
De repente o tom não era mais zombeteiro, agora Sehun falava sério e Baekhyun percebeu pela rouquidão na voz. Sorriu, bobo como era por ele, mas não fantasiou com o chamado, não, não podia fazer aquilo.
— Sehun, você me ama? — Ele perguntou, suave e sério como anteriormente Sehun havia sido.
— Claro que amo, você é meu melhor amigo…
— Não Sehun — O cortou tentando ser honesto consigo mesmo, pelos dois, pelo bem dos dois —
Você me ama?
Sehun pendurou a ligação por segundos infinitos em silêncio, ouviu o isqueiro riscar e não precisa de muito para saber que ele estava abusando da nicotina, tenso e vulnerável como só eram um com o outro — Baek… — Ele chamou temeroso.
— Não é uma pergunta difícil — Alertou, o lembrando que não havia resposta certa ou errada, apenas a que deveria ser honesta, a que viria do coração. Sehun não respondeu e Baekhyun não se surpreendeu, sempre soube onde estava se metendo quando passou a se enfiar pelo lençóis do Oh — não tem problema não amar — deixou aquilo claro — mas se nós fugirmos agora estaremos fadados a ser um do outro, e não acho que você suporte esse fardo.
— Baek é claro que eu suportaria, eu faria tudo por você, qualquer coisa.
— E ainda sim não me amaria da forma certa — Calou por fim o melhor amigo, e ouviu novamente o isqueiro riscar, dessa vez havia sido rápido — Sehun — chamou terno, não queria ser um, não queria ser dramático, apenas queria ser honesto — tá tudo bem se eu for, está tudo bem se você não for, as coisas que passamos só nós sabemos, somos cúmplices um do outro, seremos pra sempre, nos amaremos para sempre, mesmo que de formas diferentes.
— Eu vou sentir sua falta.
— Eu sei que vai.
o desejo que nos consome
----- CHAPTER BREAK -----
Título do capítulo: S
e tudo der errado,
a gente já deu certo
.
Park Chanyeol nem sempre foi um bom filho, e Park Irene nem sempre foi uma boa mãe. Assim como todas as pessoas no mundo, cada um deles tem as suas histórias, suas versões, seus pesos, suas medidas, suas inseguranças e arrependimentos. Por muitos anos, Chanyeol cresceu como uma criança amargurada que sentia constantemente que era desprezada pela mãe, largado pelos cantos, tendo um significado menor que zero em sua vida. Felizmente ele estava enganado, em sua infância ele só não era capaz de entender que a mãe tinha suas próprias lutas para enfrentar. Sendo uma estrela midiática que debutou na indústria cedo, casou cedo e perdeu o marido para o suicídio apenas alguns dias depois de descobrir estar gerando uma vida, tinha muita coisas que Irene devia enfrentar, e ser mãe solo com certeza era a maior das preocupações dela, ainda mais estando vivendo em um país tão machista que ao invés de auxiliar as mulheres, apenas depreciavam elas cada vez mais.
Chanyeol se sentiu distante da mãe por muito tempo, e sem um pai para guiá-lo, sua infância foi bastante conturbada e consequentemente sua pré adolescência também. Não conseguia se dar bem com a mãe, eles tinham discussões diárias que sempre acabavam em aborrecimento e algumas palavras duras por parte de Chanyeol, agora, ele desprezava a mãe, e ela que se atava a correr atrás do prejuízo. Foi aos treze anos que encontrou uma razão para querer ser melhor, largou a encrenca dos corredores da escola e trocou seu talento para ser um bully, por uma guitarra e um microfone.
Foi quando a situação em casa mudou também. Com a música unindo mãe e filho, Chanyeol se via cada vez mais próximo da genitora, aprendendo a deixar o erro no passado e focar em fazer um futuro melhor, onde seriam a família que nasceram para ser. Chanyeol entrou para uma academia de trainee aos 15 e lá conquistou amigos incríveis, formando sua banda. Não eram oficiais, não tinham plano de debutar até a maioridade, mas já faziam um sucesso aqui e ali, tocando em bares, karaokês, muitas vezes na rua, seja o que fosse, o importante era estar fazendo um som junto a Jongdae, Junmyeon e Leo, seus melhores amigos.
A relação com a mãe mudou de um jeito tão bom, que quando estava perto dos dezesseis anos ela rompeu contrato com sua gravadora e abriu a própria empresa, decidida a debutar
novos artistas e dar mais liberdade a eles. A empresa deu certo, e pouco tempo depois, já estava no mercado, foi nesse tempo também que conheceu uma balconista fofa, que roubou seu coração por completo e não precisou de muito para que logo estivesse apresentando a nova namorada. Chanyeol não viu nenhum problema, jamais veria alguém que fazia sua mãe tão feliz como uma ameaça, e poucos meses depois que começaram a sair, Seulgi se mudara para sua casa.
Conheceu Baekhyun quando tinha dezoito anos, e o Byun oito,
na época ele era uma criança birrenta que chorava demais, mexia demais e era extremamente carente. No começo tentava se dar bem, acompanhava ele em jogos de videogame e assistia filmes infantis na televisão, mas era difícil manter um ciclo, Baekhyun era muito novo, seria incapaz de acompanhar o crescimento dele, eram incapazes de se dar bem, então Chanyeol parou de tentar.
Sua banda debutou em seus dezenove anos e foi uma experiência inigualável, nada era mais satisfatório do que estar em cima de um palco, provando para todos que duvidaram de si e da empresa de sua mãe que conseguiu chegar onde a maioria deles disseram que não chegariam. As críticas eram costumeiras, mas muito menores do que a quantidade de fãs que conseguiu em seus quatro
anos de carreira. Lotaram estádios, conheceram países, realizaram shows, conheceram grandes programas de variedade como atração e tiveram seus quatro longos anos de fama, tudo, até Chanyeol ter sua intimidade exposta.
Sua sexualidade nunca foi tabu dentro de casa, e não existia uma pessoa de seu ciclo social que confiava, que não sabia que era abertamente bissexual. Nunca escondeu dos amigos, mas para suas fãs as coisas deveriam ser diferentes, e Chanyeol sustentou, até que por tempo demais aquelas omissões, sempre se escondendo da mídia, sempre fingindo frente às câmeras, sendo uma inspiração, tentou o melhor que pôde, mas jamais imaginaria que alguém um dia fosse descobrir, muito menos expor.
Não restou nenhuma dúvida que o rosto exposto na imagem publicada por um conta no Twitter era de Chanyeol. Poderia inventar um milhão de desculpas e justificativas, mas não tinha como esconder o óbvio, e não demorou para que a confirmação viesse a público. Chanyeol jamais imaginaria que sua carreira e seu sonho iria acabar tão cedo, mas talvez os Parks estivessem destinados a sucessos curtos. Quando os protestos para que Chanyeol fosse removido da banda iniciaram, os votos foram unânimes para o fim da banda, para os amigos, não existia banda sem Chanyeol, nunca haveria substituto, ele era o coração de tudo, o que deu sonhos e motivações para os amigos, seria totalmente ilógico continuar sem ele, e assim se desfizeram, com um último show público de despedida.
Ir para a Inglaterra foi uma escolha feita pela mãe, e Chanyeol precisando sair um pouco daquela bolha preenchida de preconceito que era a Coreia não rebateu nenhuma vez, jamais repetiria. A mãe era a razão de tudo em sua vida, de todas as suas vitórias, suas conquistas, da pessoa que era, era a responsável até por aquilo que queria se tornar, jamais faria qualquer escolha e jamais tomaria qualquer atitude sem consultá-la antes. Embarcou no primeiro avião sem olhar para trás, não tinha muito o que sentir falta na Coréia, Junmyeon e Jongdae estavam indo embora também, Léo começaria sua carreira solo, a mãe estava mais do que feliz com Seulgi, o único a estacionar seria Chanyeol, e não queria isso de forma alguma.
A ideia de cursar letras veio da obsessão que o pai tinha por diferentes línguas, que passou para o Park. Quando entrou na faculdade, Chanyeol ainda estava em dúvida se queria ser artista ou professor, mas prestou vestibular como uma forma de ter opção. A graduação foi uma de suas conquistas que mais lhe dava orgulho, e a ideia de fazer mestrado fora do país casou perfeitamente com a situação onde havia sido colocado, a Inglaterra era o melhor país para estudar uma língua que tanto gostava, e se mudar não foi difícil, sua adaptação fora natural, como se estivesse nascido para viver lá.
Voltar para casa foi a parte difícil, depois te tanto tempo longe e muito tempo tendo sua mãe e até sua madrasta cobrando sua ausência, Chanyeol decidiu que poderia dar uma chance, que poderia retornar ao país onde nasceu, só não esperava que isso fosse tão difícil. Voltar a Seul era como jogar sal em uma ferida aberta, como retirar os pontos de uma cicatriz sem que ela tenha se curado totalmente. Ainda tinha lembranças vívidas e reais das coisas que sofreu, das críticas nos charts, das olhadas tortas na rua, dos caminhões de protesto, tudo estava ali, escondido em um lado do cérebro que nunca enfrentou.
Precisou de muitos anos de terapia para entender o ocorrido, para aceitar tudo que deixou para trás, a família, amigos e sonhos, teve de lutar por anos contra aquele sentimento de insignificância, vazio e decepção. Havia desistido dos seus sonhos, desistido das pessoas que amava, por anos se sentiu fraco, inútil, e através de muito tratamento, pôde deixar um pouco daquilo para trás. Mas retornar à Coreia, depois de tudo, ainda lhe dava pânico.
Apesar do medo, enfrentou tudo. Criou coragem para desembarcar no país natal e enfrentar seu passado de frente, com cara e coragem. Descobriu então que não era tão difícil quanto se fez parecer, a mídia não mais se importava, seus amigos estavam ali por perto e bem, tinha sua família, pronta para lhe acolher… ou nem tanto assim.
Reencontrar Baekhyun foi…diferente? Não sabia qual sinônimo usar. Baekhyun estava muito além do que aquela criança mimada ou um pré-adolescente mal educado que acompanhou crescer, visualmente ele estava adulto, crescido, ainda assim, agia feito um adolescente que nunca amadureceu. No começo, o comportamento de Baekhyun parecia natural, era como se ele nunca tivesse deixado de ser aquela mesma criança de muitos anos atrás, mas depois de um tempo o analisando, percebeu que Baekhyun não era nada daquilo que imaginou, na verdade, ele parecia o mesmo apenas com Chanyeol.
Baekhyun era gentil, doce e educado. Ele ajudava os empregados, era generoso, sempre cuidando das crianças pela casa, sempre jogando conversa fora com as cozinheiras. Ele era tão diferente do esperado.
Baekhyun era bondoso de um jeito que Chanyeol não reconhecia, mas às vezes sentia que o filho de sua madrasta tinha uma dupla personalidade, como se ele fosse uma pessoa quando estava com os funcionários e uma pessoa totalmente diferente quando perto de si.
No início, pensou que era paranoia, afinal não eram próximos, nunca parou pra pensar sobre o Baekhyun, não se importava muito com ele, com a personalidade dele, com as coisas que ele fazia. Sempre foi distante, tinha suas próprias coisas para cuidar, seu futuro para planejar, o Byun não era nenhuma prioridade para si, mas depois de uns dias começou a perceber que nem de longe estava enganado, Baekhyun de fato, tinha algum problema consigo. Ele era sempre ignorante, antipático e muitas vezes debochado, o que intrigava o Park mais que tudo, porém não tinha muito o que fazer , se Baekhyun não queria sua proximidade, não podia obrigá-lo a querer.
Todavia, sua confusão sobre Baekhyun mudou, quando se viu pego de surpresa no dia em que sua mãe invadiu seu quarto no fim da noite, quando entrou ela tinha uma garrafa de vinho nas mãos e muita conversa para pôr em dia. Chanyeol a ouviu, como por muitos anos sentiu falta de fazer, era um momento deles, apenas deles dois, como mãe e filho que se amam e fariam tudo um pelo outro. Conversaram por muito tempo, deitados na cama de seu quarto e era como se Chanyeol tivesse dezessete anos novamente, se sentiu um garoto pronto para tudo no mundo, quase perto de sonhar novamente, a mãe foi atenciosa e gentil como sempre, não tinha como não se sentir bem do lado dela.
Dividiram tantos assuntos e entre eles a família foi o que mais se debateu, e inevitavelmente, ela não demorou para tocar no assunto Baekhyun. O papo apareceu suave e repentino, com a mãe tocando em seu braço para chamar sua atenção e dizendo:
— Você e Baekhyun não tem se falado muito, né? — a mãe sussurrou, a voz estava baixa, mas ainda sim foi capaz de ver as bochechas salientes meio rosadas. Naturalmente a mãe falava baixo, mas quando bêbada, parecia ainda mais sussurrada.
Chanyeol deitou de lado a encarando, não valia a pena mentir pra ela, Baekhyun era tão hostil que mesmo que tentasse defendê-lo, seria explícita a mentira — Ele não me dá muito espaço para conhecê-lo — anunciou, vendo-a soltar um som frustrado, riu da ação porque a mãe parecia uma menina, uma menina elegante vestida em terno e salto, mas ainda sim uma menina — acho que a idade pode ter influenciado muito e nossa falta de convivência causou estranheza nele. Em nós dois — pensou melhor e corrigiu a frase.
Nunca fez questão de Baekhyun e isso poderia ser um erro seu, não podia cobrar o Byun por agir indiferente quando o fez com ele sua infância quase toda, mas o que podia fazer? Dez anos os separavam, era como se vivessem realidades alternativas. Viveram momentos diferentes na Terra, o que teriam de semelhante para se apegar?
A mãe ficou em silêncio por longos segundos, mas repentinamente se levantou, sentada no colchão ela buscou sua mão, hesitou o que iria dizer por um segundo, mas quando Chanyeol apertou seus dedos
a acalmando ela sorriu, deitando a cabeça sobre o ombro e voltando a falar:
— Filho — ela chamou cautelosa, respeitosa para falar a verdade, e Chanyeol sabia que ela iria pedir algo, e apenas sabia que faria, faria tudo pela mãe, qualquer coisa no mundo —
você pode se aproximar do Baekhyun? — houve uma estranheza ao ouvir o pedido, uma confusão.
A mãe jamais pediu algo assim, nem quando era criança. Mas se atentou, buscando compreender, o jeito melancólico como ela ditava as palavras parecia algo digno de atenção —
eu sinto ele meio distante ultimamente, até de mim — ela deu uma pausa puxando o ar, e Chanyeol a percebeu muito sentimental, pensou que ela talvez fosse até chorar — eu sinto que vamos perder ele, perder de verdade Chanyeol — Chanyeol sentiu uma coisa ruim pelo tom usado, era um jeito pesaroso, como se a mãe achasse que Baekhyun fosse fazer algum mal a si mesmo.
Foi quando Chanyeol percebeu que não conhecia nada sobre ele, nenhuma coisa. Sempre viu Baekhyun como alguém forte e independente, e pela forma como acompanhava ele pelas redes sociais, como a mídia o expunha, até como a própria madrasta o descrevia, ele não parecia alguém capaz de ir tão longe quanto o temor da mãe demonstra, mas pela mídia todos somos diferentes, Chanyeol era a prova viva, e isso despertou algo dentro dele, ainda sim, havia aquela hesitação em seu peito, não queria invadir o espaço pessoal do Byun, não queria se forçar a entrar em sua vida, não quando ele clareamento não gostava de si.
— Mãe, o Baekhyun me odeia — tentou argumentar, mas a genitora acabou por sorrir de sua frase, um riso rouco e natural, ele era puro conforto, a mãe era conforto.
— Ele não odeia não — ela murmurou ainda sorrindo. —
Ele admira você, e muito, olha todas as coisas que ele fez pra ser como você, os cortes de cabelo, a faculdade, os cursos, ele montou até uma banda. Baekhyun não reconhece e talvez ele nunca admita, mas ele se espelha em você desde sempre, ele seguiu todos seus caminhos, sendo de forma voluntário ou não.
Chanyeol por fim se calou, percebendo que ela não estava errada. Baekhyun desde sempre se assemelhava a si, desde criança. Ele gostava dos mesmos filmes, ouvia as mesmas músicas, tocava os mesmo instrumentos. Baekhyun jogava todos os seus vídeo games e até seu quarto era um pouco parecido com o dele quando mais novo. Baekhyun era uma mini versão sua e apenas nunca tinha se dado conta porque sempre o percebeu como um pirralho intrometido e respondão. Se dar conta disso era quase cômico, e surpreendentemente revelador. Chanyeol até se sentiu instigado a aceitar o favor da mãe, talvez se aproximar do Byun não fosse uma má ideia, talvez isso o desse até vontade de voltar a ser jovem e viver menos como professor universitário e mais como uma pessoa de sua idade.
— Certo, tentarei o meu melhor —
Decidiu por fim que tentaria, faria o que pudesse para criar vínculo com o filho de sua madrasta, quem sabe ambos não pudessem descobrir juntos coisas incríveis que tinham em comum.
o desejo que nos consome
Lidar com Baekhyun era difícil. Ele era birrento, mimado e sem noção. Pelo menos era isso que Chanyeol achava nas primeiras semanas de sua tentativa de criar vínculo. Achou que uma aproximação repentina podia causar estranheza e afastá-los ainda mais, devido a isso, optou por uma aproximação mais calma, dividida em fases. Aos poucos foi se infiltrando na rotina de Baekhyun, puxava um assunto ou outro quando o encontrava pela casa e o seguia discretamente quando ia à cozinha.
Se aproximar dele não foi a parte difícil, lidar com sua ignorância sim. Baekhyun era quase que naturalmente estúpido e não tinha nada que Chanyeol odiasse mais que falta de educação, principalmente de um filho para com o pai.
Ainda sim relevou os pequenos surtos de estresse e show de estrelismo que protagonizava diariamente, queria dar uma chance para conhecê-lo sem julgamento que Baekhyun, lembrando que ele estava apenas saindo da adolescência, e que seu comportamento era normal, mesmo que não fosse.
Baekhyun era alguém curioso, e quando mais Chanyeol tentava se aproximar, mais queria saber sobre ele, entender ele.
Queria
descobrir quem era Baekhyun antes que tirasse suas próprias conclusões e tomasse elas como definitivas. E descobriu que quando ele não estava bancando o insuportável, Baekhyun era bastante normal. Ele lia muitos livros, estava sempre perambulando pela casa de fones de ouvido e fofocando com as cozinheiras.
Além disso, ele e mãe discutiam quase sempre, e nesses momentos era quando ele desaparecia por dias, voltando a surgir apenas em caso de necessidade. Baekhyun era quase um adolescente, se não fosse o fato de ter vinte anos.
As discussões entre os dois aos poucos foram diminuindo, mesmo que Baekhyun ainda o tratasse com certo tipo de hostilidade, tinha sempre uma hesitação antes das falas e um sorriso tentando ser contido. Chanyeol passou a compreender mais o Byun, percebeu tardiamente que havia sim uma certa implicância por parte de Seulgi, mas acreditava que era apenas ela querendo proteger Baekhyun, uma boa mãe cuidando de seu filho.
Mas não era isso, e se dar conta do fato fez com que se sentisse sufocado em sua própria casa. Ver Seulgi esbofetear o filho abriu espaço para que enxergasse muito antes daquele dia, foi como se uma venda tivesse sido tirada de seus olhos quando Baekhyun se expôs a sua frente, vulnerável como nunca achou que o veria. Percebeu que não, Seulgi não era uma pessoa ruim, era apenas uma péssima mãe, e Chanyeol que nunca antes se importou com Baekhyun, acabou se vendo preso em sentimentos de responsabilidade e culpa.
Se fosse honesto admitiria que estava intrigado com sua própria estupidez, Baekhyun sempre foi tão explícito e transparente em relação aos seus sentimentos, sempre deixou óbvio que sentia que Chanyeol era o culpado de tudo, e mesmo que tivesse certeza e convicção que não era culpado, se sentiu assim, sentiu que deveria ter ao menos percebido, ao menos tentado entender o lado dele, se esforçado mais para ver as duas versões da história.
Achava que precisava se redimir, e quando a mãe o chamou novamente oferecendo a ideia de hospedá-lo em seu apartamento, não foi nada difícil tomar a decisão de aceitar ajudá-lo. Não sabia como a convivência com Baekhyun em Londres seria, mas sabia que tentaria de tudo para que a estranheza entre eles desaparecesse. Faria de tudo para correr atrás do prejuízo e se certificar que Baekhyun ficaria bem, ou que ele pelo menos se sentisse menos inferior.
o desejo que nos consome
Baekhyun era bem diferente do que achou que ele seria. Dada a personalidade explosiva e forte, Chanyeol achou que ele daria trabalho, pelo menos nas primeiras semanas. Mas inesperadamente ele era organizado, limpo e simpático ao extremo, Baekhyun em um mês morando em seu apartamento havia feito amizade com vizinhos que nem sabia ter.
Baekhyun parecia animado com a mudança, mesmo que negasse, e Chanyeol o analisou com cautela como costumava fazer sempre, ele parecia mais animado, mais alegre, cantarolava pelos cantos, testava
receitas de comidas
novas e oferecia para os vizinhos. Ele também se alongava diariamente , limpava a casa com uma frequência preocupante e estava sempre de fone de ouvido. Nada novo.
Eles ao menos se viam, Chanyeol trabalhava tanto que o único horário que conseguiam se enxergar pelos cômodos era depois das dez da noite ou aos fins de semana. Chanyeol voltou a dar aulas assim que chegou à
cidade e estabilizou Baekhyun, estava fazendo muitas horas extras para se localizar entre os papéis do substituto que ficou em seu lugar pelo tempo de sua licença e ainda tirava algumas horas para visitar a academia do condomínio.
Baekhyun também estava se esforçando para passar no vestibular e quando não estava passeando pela cozinha ou visitando o gato da vizinha de cima, ele estava com os pés esparramados no sofá, um notebook no colo e milhares de anotações expostas pelo sofá, impossibilitando que o anfitrião sentasse.
Eles não tinham muito em comum, por isso conversavam raramente, se fosse honesto Chanyeol não lembrava de um diálogo com ele que passou de “acabou o leite” ou “vou descer para conversar com o porteiro”. Baekhyun nem parecia aquele jovem debochado, sarcástico e temperamental que vivia na Coreia, era como se ele tivesse se transformado, ele havia se desfeito das armaduras e agora era só Baekhyun, sem truques, sem desafortunos, sem ignorância, apenas ele. E era confortável.
Chanyeol estava estacionando o carro na garagem quando lembrou que Baekhyun havia feito uma lista de mercado. Normalmente iria sozinho, pela praticidade e velocidade, buscaria o essencial e voltaria para casa. Mas agora não vivia mais sozinho, e também queria que Baekhyun pudesse se sentir um morador, por isso, logo mandou uma mensagem pedindo para que ele descesse até o hall. Levaria ele no shopping para que pudesse sair um pouco de casa, Baekhyun sempre esteve livre na Coreia e agora estava preso dentro daquele apartamento, e não queria que ele se mudasse para sofrer, pelo contrário, sua ida para Londres devia ser para que não houvesse sofrimento.
De longe avistou Baekhyun sair de dentro da caixa metálica do elevador. Ele usava coturnos pesados, regata preta do Nirvana e jaqueta de couro, a meia calça era sua melhor amiga, assim como os fones de ouvido. Chanyeol ouviu porque aquilo era definitivamente a definição de Byun Baekhyun. O mais novo abriu a porta do Audi, sentando no banco de trás confortavelmente, os fones de orelha de gatinho preto cobriu o platinado dos cabelos e o rosto estava estranhamente
sem maquiagem e Chanyeol se atentou bastante a esse fato, já que o Byun não usava desde que havia se mudado. Talvez fosse um protesto? Sinal de rebeldia? Não saberia como concluir a ideia.
Não deu partida por um longo período de tempo, analisando Baekhyun pelo retrovisor. As olheiras dele estavam menos profundas e isso era reconfortante, mas sua pele estava mais pálida e seus lábios mais róseos. O encarou por tempo suficiente para que ganhasse a atenção do jovem, e assim que ele percebeu que era encarado em silêncio o Byun retirou o fone.
— Algum problema? — Mesmo que ele parecesse ríspido, não tinha a mesma força de algumas semanas atrás. Era só o Baekhyun sendo insuportável como ele geralmente seria, e Chanyeol sentiu vontade de rir, porque agora entendia que aquilo era apenas uma máscara que ele usava para não se expor vulnerável.
— Não sou seu chofer Baekhyun, passe para o banco da frente — avisou em tom neutro, mesmo que o semblante fosse sério. Os dedos apertavam o volante, contendo a ansiedade e vontade de batucar para se distrair daquela troca de olhares estranha. Era como se estivessem disputando, como se Baekhyun quisesse vencer alguma batalha que não sabia que estavam lutando.
Baekhyun o encarou por segundos, o silêncio predominando, as sobrancelhas dele estavam vincadas e os dedos remexiam em cima do colo. Por fim ele sorriu, apoiou uma mão no banco da frente e outra no traseiro e se pôs de pé contra o couro do estofado, o coturno encarcando contra o banco, enquanto ele passava a perna para o assento da frente. Em um movimento rápido
Baekhyun pulou de um banco para o outro, se jogando contra o da frente e suspirando alto.
— Feliz? — ele sorriu forçado, o encarando daquele jeito debochado de sempre.
— O cinto — o alertou, vendo-o revirar os olhos e fazer o solicitado — Agora está perfeito — o elogiou, vendo-o sorrir sem dente. Chanyeol fingiu não ver o sorriso que ele tentou esconder, não queria provocá-lo mais, mas achou fofo sua tentativa de parecer sério.
O caminho pareceu ligeiro, o trânsito estava favorável devido ao horário e tão logo chegaram ao centro. Baekhyun ouvia música no fone, enquanto Chanyeol escutava as notícias pelo rádio, constatando o inevitável, estava mesmo velho.
Quando o shopping começou a aparecer no fim da avenida, Chanyeol chamou a atenção de Baekhyun, querendo iniciar algum diálogo que acabasse em uma comunicação direta e real, algo mais intimista que “acabou o leite” ou “tem janta no microondas”.
— Você está se adaptando bem? — questionou enquanto manobrava o carro com uma mão só, usando a outra para diminuir o volume.
Baekhyun a princípio não ouviu, e precisou cutucá-lo e repetir a sentença para ser respondido.
— Não é tão ruim — como sempre sua resposta foi vazia e curta, mas Chanyeol não estava disposto a desistir, teriam quatro anos juntos, em algum momento deveriam se dar bem.
— Confesso que achei que não iria aceitar.
Baekhyun voltou a lhe encarar com sua resposta, e ele parecia sério e curioso enquanto o olhava, e não achou estranho, ele sempre tinha aquela expressão de tédio e curiosidade. Devolveu seu olhar pelo canto dos olhos antes de retorná-los para a pista, dando início ao retorno que os levariam até o estacionamento do prédio comercial.
— Eu não ia — foi sutil e seco — Mas eu me senti intrigado… — Baekhyun tirou os fones do pescoço e os apoiou no painel de controle, então se inclinou de lado e tinha um veneno subentendido em seus dizeres — eu não consigo entender
porque quis isso.
Chanyeol voltou a olhá-lo quando parou para retirar o ticket de estacionamento, e usou o tempo de parada para raciocinar o que iria responder. Não podia dizer que foi por culpa, nem pouco por redenção, então optou pela desculpa de todas as vezes.
— Porque mesmo que você não goste de mim, eu quero me dar bem com você — justificou voltando
a arrancar com o automóvel, buscando por uma vaga próximo da entrada. Quando conseguiu estacionar, puxou o freio de mão e repetiu a posição de Baekhyun, agora o olhando de frente para continuar falando —
Nós não somos uma família como você gosta de frisar, não sou seu irmão e não tenho seu sangue. Mas eu me importo com seu bem estar, mesmo que tardiamente, eu assumo isso. E eu admito que te devo um pedido de desculpas. Nunca percebi, na verdade nunca me importei com o que você sentia por mim através desses anos que se passaram, eu errei em minhas ações e quero que você me dê uma chance de ajudar você, e se eu não posso mudar o que você passou, quero que pelo menos nunca mais precise passar pelas mesmas situações.
Chanyeol não sabia se ele iria entender o que estava dizendo nas entrelinhas, o que havia se esforçado para deixar subentendido, ele era difícil de ler quando estava sério e fazendo aquela expressão pensativa. Mas ele não desviou o olhar por nenhum segundo, pelo menos não até começar a falar.
— Certo — ele concordou, os dedos dele se moviam um contra o outro em cima do próprio colo e Chanyeol fingiu não perceber para não intimidá-lo. Era a primeira conversa sensata que tinham —
eu também pensei sobre o que você disse, e estava certo, eu não posso responsabilizar você pelos meus problemas. Peço desculpa por isso e irei tentar me comportar melhor e ser mais solícito.
— Você é bom nisso Baekhyun, não vai precisar se esforçar tanto — o avisou sorrindo. Mal pôde acreditar quando o Byun retribuiu, mas se sentiu realizado por saber que estavam em comum acordo para se dar bem — Como você está em relação àquela outra coisa? — Foi cuidadoso ao tocar no assunto que o fez mudar da Coreia do Sul, mas já deveria imaginar que Baekhyun não seria tão delicado ao responder.
— Tá falando do meu vídeo de sexo exposto na internet e minha mãe me botando pra fora de casa? — esbanjou ironia —
devo dizer bem? — Chanyeol o olhou como pôde devido ao trânsito, Baekhyun tinha aquela necessidade de se mostrar forte e inabalável, ele se esforçava tanto que não conseguia perceber que o jeito de agir para disfarçar, era o que deixava em evidência seu desespero por ajuda.
Queria tanto dizer para ele que não precisava ser forte o tempo todo, que agora teria alguém que o permitia ser vulnerável, alguém que se importava com a dor dele e assumia como responsabilidade seu bem estar. Queria afirmar que ele poderia se expressar, que podia expor seus sentimentos, porque Chanyeol iria garantir que tudo ficasse bem. Mas não queria assustá-lo jogando esse monte de sentimento para cima dele, com Baekhyun precisaria ser sutil, ou senão as coisas não funcionam bem.
— Não — foi sério em seu dizer — se você não está bem, deve dizer que não está bem. Você quer que eu marque terapia?
— Acha que sou louco? — Sabia que Baekhyun estava tentando mudar o foco, mudar o assunto, tirar a atenção dele, mas Chanyeol já era experiente em suas artimanhas, lidava com jovens da idade dele diariamente, sabia exatamente como driblar suas jogadas.
— Acho que você passou por algumas coisas difíceis e que precisa conversar com alguém sobre isso.
— Você é sempre bonzinho assim? — e lá estava ele de novo, fazendo o mesmo truque.
Baekhyun apoiou o cotovelo no joelho após subir uma perna para o banco de couro, e abaixou a cabeça o olhando curioso, os olhos brilhavam em desafio e os lábios estavam partidos charmosamente, o piercing no inferior chamava atenção, mas Chanyeol mal o percebia, porque aquilo fazia parte dele, complementava sua essência. Baekhyun podia ser Baekhyun sem lentes de contato e lápis de olho, mas jamais sem o bendito piercing no lábio e um olhar de sabe tudo.
— Algumas vezes — respondeu tardiamente.
— Você parece simpático Park Chanyeol — Ele desdenhou mordendo o lábio e voltando a atenção para frente, os coturnos sendo direcionados para o painel e os cabelos jogados para trás.
— E você deveria ser mais gentil comigo Byun Baekhyun. Quero apenas seu bem.
— Não tenho certeza disso.
— Se eu quisesse seu mal já tinha te jogado para fora do carro por pisar com esses coturnos sujos no meu estofado —
sorriu forçadamente simpático, aproveitando de sua parada em um semáforo para abaixar as pernas dele, causando um barulho contra o chão do automóvel — sabe que se não quiser falar sobre o assunto não precisa né?
— Então porque parece tão insistente sobre isso?
Baekhyun o pegou desprevenido em sua argumentação e Chanyeol não conseguiu dizer mais nada, apenas o fitou, preocupado, observando a faceta esperta de quem sabia ter ganhado aquela disputa silenciosa.
Baekhyun não era muito de falar, e entendeu isso como um processo que precisava de tempo e que deveria esperar, talvez um dia ele confiasse em si para tocar no assunto, ou talvez nunca mais falassem sobre aquilo, Chanyeol não tinha ideia de como ajudar, mas sabia que indiferente da situação, iria respeitar a vontade dele, seja ouvindo ou deixando para lá. Queria que as coisas funcionassem para ambos, mas só o tempo diria se aquilo daria certo ou não.
o desejo que nos consome
As coisas com Baekhyun realmente melhoraram e aos poucos Chanyeol conhecia mais daquele jovem que era tão adorado pelos vizinhos. Baekhyun era bem diferente quando não estava implicando por tudo ou revirando os olhos sem motivo. Conhecê-lo foi, definitivamente, esclarecedor.
Eles tinham muito em comum como: seriados, gosto musical e a estranha obsessão por línguas. Chanyeol havia descoberto que o Byun fala cinco, assim como ele. As conversas entre eles fluem naturalmente, uma se embolando na outra e era gostoso perceber que estavam realmente criando um vínculo. E quem via de fora não imaginava que eram tão distantes a poucas semanas atrás, pois agora, pareciam apenas conectados, e era assustador como se assemelhavam.
Com o tempo ambos se aproximaram tanto que simples cumprimentos no corredor se tornaram cafés da manhã juntos aos sábados, corridas matinais aos domingos e uma rotina em conjunto na academia durante a semana. Era corriqueiro vê-los falando em diferentes línguas dentro do elevador e tinha vezes em que saíam para caminhar e acabavam parando para acompanhar em uma canção, algum artista de rua cantando. Chanyeol até descobriu o talento escondido do Byun para dançar e o nem tão escondido timbre vocal potente.
Destacava sempre sua ideia de que Baekhyun quando cantava parecia um anjo e não existia uma só pessoa que não parava para ouvi-lo quando ambos decidiram fazer um show no metrô com algum artista local. Ele se tornava o centro de tudo, e quando o via sorrir era como iluminar uma cidade inteira.
Os dois conseguiram descobrir que tinha sim como se dar bem mesmo sendo tão consideravelmente diferentes. Chanyeol exercitava muito de sua paciência com Baekhyun, afinal, ele ainda era absurdamente temperamental e encrenqueiro, muitas vezes queria arranjar mais confusão do que os seus 1,74 eram capazes de suportar e Chanyeol sempre se metia, entrando em sua defesa. Aos poucos, Chanyeol acalmava os dias de Baekhyun, e Baekhyun agitava os de Chanyeol, sempre estando em sintonia, mas nunca perdendo-se de sua essência.
Começaram a fazer a academia juntos um pouco depois que a trégua foi estabelecida e isso foi o que mais os ajudaram a se tornarem próximos.
Não houve nenhum tipo de combinado, Baekhyun apenas começou a ir em seu mesmo horário e aos poucos foram revezando, ajudando um ao outro, e quando se deram conta estavam fazendo tudo juntos enquanto conversavam e se conheciam. Naturalmente um vínculo foi se estabelecendo e agora era algo bem mais além daquela estranheza adolescente, Chanyeol denominaria amigos, mas não sabia a opinião do Byun a respeito disso. Então estabelecia que eram conhecidos, rumando para uma amizade.
O natal estava se aproximando e Baekhyun resmungou a semana toda sua raiva diante da comemoração anual. Mesmo assim, Chanyeol tinha a tradição de reunir os amigos em seu apartamento todo fim de ano, Baekhyun deveria se acostumar com a ideia, e foi o que disse quando praticamente o arrastou para fazer compras para a ceia. Os amigos chegariam no dia seguinte e queria que tudo estivesse perfeito.
— Se eu soubesse que iria me acordar tão cedo, eu com certeza teria te dopado ontem a noite — Ouviu a voz de Baekhyun reclamar enquanto arrastava o carrinho, Chanyeol ouvia os murmúrios sem dar muita bola, colocando toda sua atenção em verificar a data de validade dos produtos alimentícios.
— Você acorda cedo todas as manhãs Baekhyun — ajeitou o óculos que escorria pela ponta do nariz e colocou o enlatado que segurava dentro do carrinho de compras.
— Cedo oito horas, não às seis.
— Era isso ou pegar a hora do pico, você prefere sair tarde ou vir mais cedo? — arqueou a sobrancelha em uma clara provocação.
— Prefiro quando você não é chato.
— Sua preferência está negada hoje.
Baekhyun revirou os olhos e destacou um bico nos lábios, Chanyeol achou engraçado e até meio fofo, era realmente adorável vê-lo vestido em roupas pesadas de frio, quase sumindo entre casacos, muito menor do que realmente era.
— O que está achando de Londres? — Perguntou depois de vê-lo bocejar três vezes seguidas.
Baekhyun mexia no celular com um semblante meio aéreo e tristonho, quis perguntar o porquê, mas não se atreveu.
– Não é tão ruim apesar de eu só sair com você e não ter feito nenhum amigo.
— Não sou seu amigo?
— Não, você é um chato que sou obrigado a suportar — ele mostrou a língua e em seguida sorriu e Chanyeol foi obrigado a acompanhar porque Baekhyun era cativante de um jeito surreal – mas eu gosto daqui, gosto do frio, gosto de tomar vinho perto da lareira e passar algum tempo sozinho, mesmo que esse tempo signifique estudar para o vestibular igual um maluco.
Chanyeol concordou com a cabeça e tomou o carrinho de supermercado das mãos dele quando Baekhyun quase atropelou uma criança. Ele parecia mesmo sonolento e falava arrastando as falas.
— Entendo, eu também demorei pra fazer novos amigos quando me mudei pra casa, pra ser honesto acho que mesmo depois de anos não há um amigo que eu sinta tanta falta quanto os garotos da banda.
— Você tá tentando me animar? — Ele questionou ranzinza e Chanyeol percebeu que de fato parecia desanimador seu comentário.
— Não esquenta com isso Byun, quando você entrar na faculdade vai fazer amigos incríveis — Sorriu tentando passar conforto para ele — mas independente disso, a saudade de quem ficou pra trás nunca vai embora por completo.
— Se eu passar no vestibular né — descobrir que Baekhyun era um garoto comum repleto de inseguranças foi um choque para Chanyeol no início, todavia, agora conseguia até entendê-lo melhor, e era uma sensação boa saber que eles haviam estabelecido confiança suficiente para que ele se permitisse ser vulnerável e se mostrar como era, com suas incertezas e medo. Chanyeol não respondeu seu comentário, mas era porque naquele momento Baekhyun não precisava de conforto, ele precisava desabafar, por isso colocou a mão entre seus fios e o bagunçou — Para Chanyeol — ouviu ele resmungar e se afastar — não sabe a sorte que tem de poder ver seus amigos.
— Não se preocupe, você vai ver os seus em breve.
— Deus te ouça — ele fechou os olhos em súplica, cruzando os dedos a frente do rosto dramaticamente.
— Achei que não acreditasse na divindade.
— Acredito quando me convém — Baekhyun desdenhou com os ombros, tomando o carrinho de suas mãos e guiando até o caixa mais próximo quando lhe viu riscar o último item da lista.
As botas pesadas faziam um barulho no chão e ele sorriu animado para um bebezinho quando se encontraram de frente ao caixa — sabe, Minseok fazia uma ceia de natal como ninguém — ele comentou conforme a caixa bipava os itens. O mercado aos poucos enchia de pessoas, e Chanyeol dava graças a Deus por já estarem perto de ir embora. Repentinamente Baekhyun virou em direção a Chanyeol, olhou fundo em seus olhos e disse: — Se o Papai Noel existe, eu tenho um pedido para fazer — Então Baekhyun fechou os olhos, e ergueu as mãos na frente do rosto cruzando os dedos como se fosse fazer uma prece — desejo comer da comida de Minseok outra vez.
Chanyeol encarou os rosto pálido, percebendo o nariz e bochecha rosada, Baekhyun tinha os cílios pequenos e castanhos, quase loiros, além de sobrancelhas finas e pretas, ele tinha uma boca completamente desenhada na qual o piercing em argola destacava ainda mais o quão bonita ela era. Ele também tinha um nariz pequeno e maxilar marcado, os fios platinados do cabelo o deixavam bonito de um jeito que nenhum ser humano deveria ser, e já fazia algum tempo que Chanyeol reparava no quão lindo o Byun era, e isso era estranho. Perceber alguém era incomum para Chanyeol que não fazia questão de ninguém a tantos anos.
O jovem mais baixo abriu os olhos, sua expressão estava animada e ele parecia uma criança arteira feliz, Chanyeol sorriu incapaz de se conter porque era gostoso vê-lo animado com algo tão bobo quanto um pedido para o Papai Noel. Se divertia tanto com a personalidade do Byun, ele era tão único.
— Talvez Papai Noel exista Baekhyun, tem certeza que quer isso?
— Claro que tenho — ele voltou a desdenhar com os ombros, fingindo que um desejo para o universo não passaria disso, um desejo. Mas Chanyeol sabia que não era assim, às vezes, pedidos para o universo se realizavam.
Saíram do mercado em tempo recorde para uma véspera da véspera de natal, e durante o percurso de volta para o apartamento Baekhyun falou sem parar, cantarolando canções da rádio, falando mal da vestimenta de estranhos na rua e comunicando sua vontade de adotar um gato, mesmo que fosse alérgico.
O caminho passou tão rápido que quando se deram conta de tudo já estavam adentrando o estacionamento do prédio. Baekhyun resmungou o caminho inteiro sobre como não era
justo que tivesse que carregar as sacolas de supermercado com compras para uma comemoração de uma data que ele nem gostava, e o Park como um homem adulto e formado deveria fazer todo o trabalho, mas Chanyeol não deu atenção, apenas ignorou suas reclamações até que estivesse dentro do elevador em rumo ao apartamento que dividiam.
Baekhyun foi o primeiro a correr da caixa metálica, jogando as sacolas contra o chão da porta e procurando a chave, Chanyeol tinha absoluta certeza que ele deixaria as compras na porta e o obrigaria a guardá-las. E estava certo, mas não se incomodava nem um pouco, gostava de sentir que estava cuidando do Byun.
Baekhyun rosqueou a chave no trinco, mas antes que pudesse abrir ele parou, vincou as sobrancelhas e moveu o dedo chamando Chanyeol para mais perto, obedeceu.
— A porta tá aberta – ele sussurrou.
— Você deve ter esquecido de trancar.
— Não, eu tenho certeza que tranquei – foi confiante ao dizer.
Chanyeol cerrou os olhos, desconfiado e deixou as compras de lado, guiou Baekhyun para atrás do seu corpo e alcançou a maçaneta, abrindo a porta devagar. Baekhyun estava encolhido nas suas costas, e quando por fim a porta estava toda aberta, foi espantado pela presença de seus melhores amigos gritando um alto e sonoro “feliz natal”.
Chanyeol não queria perder a expressão de Baekhyun quando foi surpreendido e de modo inevitável o encarou, assistindo como o Byun perdeu toda a reação por segundos incontáveis até que fosse abraçado pelos colegas de banda. Chanyeol assistiu tudo de canto de olho, não querendo atrapalhar o momento feliz dele, Baekhyun sorriu tão animadamente que foi uma surpresa quando enxergou os olhinhos amendoados encherem de lágrimas. Os amigos imediatamente começaram a caçoar de sua sensibilidade e Chanyeol não conseguia parar de rir porque Baekhyun chorava tanto que mal conseguia falar, soluçando sem pausas.
Sabia que não fazia muito tempo que haviam se visto, mal completaria dois meses que Baekhyun havia se mudado, mas depois de vê-lo tão cabisbaixo pela casa, fazendo todo tipo de coisa para suprir a falta de seus amigos, Chanyeol não se conteve e entrou em contato com Minseok, pedindo para que ele, Kyungsoo, Jongin e Sehun fossem passar o natal junto de Baekhyun. Queria que o Byun se sentisse querido e acolhido em sua casa, pois aquele agora seria o lar dos dois, e achou mesmo que convidá-los ajudaria ele a se sentir melhor.
Começou a colocar as coisas para dentro quando percebeu Baekhyun muito envolvido na conversa com os amigos, ele parecia feliz e realizado e Chanyeol sentiu que seu trabalho havia sido concluído com sucesso. Se distraiu colocando as coisas dentro do armário, havia comprado muita comida e muitas bebidas, queriam que todos se sentissem bem vindos e acomodados.
Estava tão concentrado em seu trabalho que se surpreendeu quando as mãos de Baekhyun se infiltraram por debaixo de seus braços e agarrando sua cintura. Sabia que era ele, seu perfume era inconfundível. Chanyeol sentiu uma pressão estranha no peito e o coração saltitar, estava levemente ansioso e isso se confirmou quando o ar do pulmão faltou. Tentou se virar no abraço, mas o Byun não deixou, ao contrário, ele apertou ainda mais sua cintura e sussurrou um obrigado baixo e embargado. Segurou as mãos alheias, fazendo força para que pudesse se soltar e enfim estar de frente para ele. Era a primeira vez que se abraçavam, a primeira vez que Chanyeol ouvia um obrigado partindo dele, e não queria, de forma alguma, não vê-lo durante isso.
Virou entre os braços e antes que pudesse ter alguma chance de olhá-lo, Baekhyun afundou o rosto em sua camiseta, molhando o tecido fino com seu rosto molhado. Sabia que ele estava envergonhado de parecer tão vulnerável, mas sabia também que ele era grato, e disso não tinha porque se envergonhar. Segurou o rosto tímido entre os dedos, percebendo os olhos vermelhos e bochechas úmidas, ele tinha um bico nos lábios e um olhar que dizia muito.
— Eu falei que iria cuidar de você Baekhyun. E isso inclui cuidar para que você tenha momentos incríveis nos quais nunca irá esquecer.
Baekhyun sorriu, a fileira de dentes branquinhos aparecendo enquanto os olhos pequenos sumiam acima das maçãs do rosto, Chanyeol conseguia enxergar a gratidão e honestidade na expressão dele, e quis tanto que esse momento fosse eterno.
— Obrigada Chan…
O sussurro foi tão fraco que Chanyeol quase não ouviu, mas se aqueceu com o apelido lido nos lábios fartos, suas mãos ainda estavam sob o corpo dele e formigavam para abraçá-lo mais forte, o olhar de Chanyeol vasculhou todo o rosto do Byun e encontrou uma ingenuidade que gostaria de ver mais vezes. Devolveu o sorriso, muito satisfeito com a felicidade que enxergava nele.
Baekhyun era péssimo em se expressar, mas ele nunca precisava, porque seus olhos sempre dizem tudo, mesmo em silêncio Chanyeol sempre sabia. Quis parar o tempo para que aquela troca de olhares durasse uma vida inteira, havia muita satisfação naquele momento, muita cumplicidade e companheirismo, sentimentos que nunca achou que pudesse surgir entre eles.
— Baekhyun… — Chamou apenas por chamar, não sabia o que queria dizer, mas sabia que tinha algo que queria expressar.
— Baek? — Uma voz grossa ecoou na cozinha, sobrepondo a sua devido ao tom alto.
Ambos guiaram suas atenções para a porta, e tão rápido quanto Baekhyun se aproximou ele se afastou, de repente sem graça. Chanyeol encarou o cara na porta, sabendo exatamente quem ele era, mas não se deixou abalar nenhum pouco pela expressão irritada, ao contrário, ignorou ele e voltou a olhar para o Byun.
— Eu vou ficar com os meus amigos agora — ele disse, com calma na voz, o olhar tímido procurando pelo seu. Chanyeol concordou com a cabeça, assistindo ele sair em direção à
porta, mas antes que pudesse deixar a cozinha, Baekhyun olhou em sua direção mais uma vez — Obrigada outra vez, Chanyeol.
Chanyeol apenas concordou, sorrindo pra ele. A inquietação no estômago não se acalmou, e toda vez que se distraía, a imagem de um Baekhyun gentil e amável retornava à sua cabeça, uma imagem onde o rosto impecável sorria feliz e o chamava pelo apelido que agora pertencia a ele.
Chanyeol apenas se acalmou quando se juntou aos outros jovens na sala de televisão, todos eram gentis e interessantes, sempre o incluindo nos assuntos, até naqueles que não tinha nenhum domínio. Chanyeol sentiu–se jovem de novo, e aquilo era graças a Baekhyun. Estar junto a ele era sempre imprevisível, mas uma experiência gostosa de um jeito inexplicável, e toda vez que os olhares se esbarravam era como se estivessem conectados. Chanyeol sentia o coração aquecer apenas de vê-lo sorrir e discutir com os amigos, alto e escandaloso como ele dificilmente fazia sozinho. Baekhyun parecia imensamente feliz e isso bastava para que também estivesse. Havia se apegado tanto a ele em tão pouco tempo, e agora sentia que fazê-lo feliz era sua obrigação.
o desejo que nos consome
O começo de um novo ano passou e com o fim do feriado prolongado as responsabilidades batem à porta de Chanyeol. Os alunos pegavam no seu pé querendo extras para aumentar a média, os coordenadores queriam que aceitasse mais uma turma e a síndica insistia que negar um gato para Baekhyun era mau caratismo (ela sabia da alergia dele). Com tudo isso, o tempo limitado que tinha se tornava ainda menor e seu estresse aumentava sem parar, e para enterrar sua frustração, Chanyeol se metia horas a fio dentro da academia.
Treinar com Baekhyun estava se tornando difícil porque ele queria pular todos os treinos de superior para crescer a bunda, e a parte mais complicada era explicar que os músculos precisam de descanso - e boa alimentação. A parte fácil, no entanto, era a fofoca.
Graças à estranha habilidade do jovem Byun de se familiarizar com tudo e todos, ele sempre estava disposto a mencionar alguma coisa ou outra que deixava Chanyeol de orelha em pé, mas era de se esperar que aquele bando de velhas com quem ele fazia pilates não iriam incentivar coisas boas. Mas agradecia por ele não ser tão sozinho graças a elas.
Baekhyun tinha a alma de uma senhora de sessenta anos, a disposição de um idoso aposentado e a alimentação de um pré-adolescente jogador de LOL. Convencê-lo a se alimentar bem era quase impossível, sentia-se fazendo introdução alimentar em uma criança de quatro anos, e nem queria chegar no assunto sono, porque quando ele não estava quebrando a cabeça com o vestibular, estava incomodado com alguma fase do just dance que não passava por nada.
Após a visita dos amigos, Baekhyun parecia ainda mais paranóico com a faculdade, mas o que podia fazer? Os ex-colegas de banda amigos de chanyeol apavoraram os jovens futuros universitários amigos de Baekhyun, e mesmo que Chanyeol tentasse os acalmar, era quatro contra um.
Baekhyun estava quase desistindo de prestar faculdade e muito tentado a aceitar o trabalho de recepcionista da academia que lhe foi oferecido pela síndica do condomínio, mas Chanyeol continuava firme em sua missão de não deixá-lo desistir.
Apesar dos pesares, Baekhyun estava estranhamente bem com todo o resto e Chanyeol queria culpar a terapeuta, afinal, ela estava mesmo fazendo um excelente trabalho, mesmo que Baekhyun ainda estivesse ignorando a própria mãe (Chanyeol aprendeu a parar de julgar isso nele) e evitando tocar no assunto que o fez deixar a Coreia. Agora Baekhyun parecia mais disposto a ser ele mesmo, sem aquela marra de indiferença e irritação diária.
Dia após dia, Baekhyun parecia cada vez melhor e Chanyeol, pior.
. Era Baekhyun a causa de seus problemas? Mais ou menos, talvez estivesse enlouquecendo ou apenas dormindo pouco, mas que tinha alguma coisa acontecendo consigo, isso tinha, e era algo muito errado, algo envolvendo Baekhyun.
Tudo havia começado na última sexta feira, quando depois do treino ambos estavam subindo pelo elevador, Baekhyun decidiu que seria uma boa ideia tirar a blusa encharcada de suor e Chanyeol deduziu que olhá-lo parcialmente nu era uma excelente alternativa. Quem sabe furasse os olhos se tivesse a mínima ideia do que o futuro o tornaria.
Chanyeol era uma pessoa reservada e seleta, por isso o sexo era um tabu enorme em sua vida, e culpava isso e unicamente isso por tudo em seu dia a dia. Culpava a falta de sexo pelo mau humor, frustração e por não tirar Baekhyun da cabeça, por nenhum segundo, nenhum mesmo. Mas também o culpava, por ser insanamente sensual em tudo que fazia.
Na sexta feira em questão, Baekhyun encostou o corpo no metal gelado do cubículo em que estavam presos sem chance de fuga, e como se Chanyeol não fosse atribulado diariamente pelo piercing escandaloso no lábio inferior dele, ainda teve seu destino traçado quando ouviu um gemido sofrido ecoando dentro de sua cabeça, e ali, adquirindo morada. Sem que pudesse ter chance de recolher o olhar e mudar a atenção, lá estava, seu par de olhos traidores em cima dele, preocupado.
Errônea escolha. Baekhyun tinha os olhos fechados, cabelos jogados para trás e bochechas coradas, ainda assim, não foi isso que tirou a razão de Chanyeol, e sim os detalhes que compunham seu tronco exposto. Chanyeol sabia que ele tinha uma tatuagem, já havia visto por debaixo de algumas blusas curtas que ele usava, mas jamais estaria preparado para o efeito brilhoso que ilustrava seus mamilos.
Baekhyun tinha piercing nos mamilos, e como se isso não fosse perturbação o suficiente, a tatuagem tão confusa traçada em sua barriga, inesperadamente ganhou forma. E era uma serpente desenhada em vermelho subindo pela cintura até a costela. Chanyeol não sabe quanto tempo levou encarando o Byun, não sabia se sua expressão era de muita surpresa ou apenas estava se mostrando um idiota esquisito, mas se perdeu entre espaço e tempo, analisando cada coisinha exposta do tronco.
O Byun não levou muito tempo para notar sua atenção, e nem foi capaz de se constranger quando o timbre risonho surgiu dentro do espaço minúsculo que estavam incubados. — Gostou? — Ele perguntou alheio e totalmente despreocupado com o que passava na cabeça de Chanyeol. E o Park não quis encarar aquele dizer como algo sensual, mas sentiu o ar se esvair do pulmão apenas com a pergunta levemente baixa.
Chanyeol não queria maliciar Baekhyun, era estranho fazê-lo, mas também não
conseguiu impedir o cérebro de associá-lo a algo perverso. Puxou o ar, desistindo de encarar o corpo desnudo porque parecia errado, muito errado. Encontrou os olhos de Baekhyun focados nos seus, e acreditou que sua vontade estava sendo projetada, porque aquele brilho no olhar dele não deveria em hipótese alguma existir.
— Ficam bem em você — Respondeu ligeiro, colocando a fala à frente dos pensamentos e se embaralhando na hora de dizer. Disfarçou o olhar para a contagem dos apartamentos, estando bem contente em perceber que não estavam distantes do destino.
Chanyeol agora já não estava confortável, na verdade, encontrava conforto apenas na ideia de correr para o próprio quarto, tomar uma ducha gelada e ignorar Baekhyun pelo resto do mês, talvez do ano.
— Eu sei — Ele se mostrou confiante.
Suspirou, não o olhando nenhuma vez mais, apenas contando os segundos para a chegada. Ainda, o silêncio parecia sufocante, porque Baekhyun o olhava o tempo todo, e pior, ele o analisava de cima a baixo, calculando até sua respiração, e era desconfortável, porque Chanyeol tinha trinta anos e sequer se lembrava como fazia para respirar ou deixar de tremer. Puxou o ar novamente, se sentindo claustrofóbico e quente, segurou a vontade absurda de batucar o pé contra o chão e se permitiu olhar por cima dos ombros para perguntar qualquer coisa ao Byun que pudesse diminuir seu desconforto.
— Faz muito tempo que você fez? — Não tinha interesse em saber, na verdade, queria cortar aquela conversa, mas precisava muito passar o tempo.
— Quando eu perdi a virgindade — Baekhyun não deveria falar daquela forma, mas ele disse, exatamente como gostaria que soasse. Sugestivo.
— Vou querer saber a idade? — Perguntou por desencargo de consciência, afinal, não estava mesmo interessado na informação. Definitivamente não.
— Você não vai querer saber, Chan — Chanyeol se perguntou naquele momento porque o elevador precisava de tanto tempo para subir e porque Baekhyun precisava falar tão arrastado. Era mesmo necessário que tivesse um tom de voz tão doce? — É gostoso, sabe? — ele voltou a dizer, perturbando seu juízo — Quando o cara chupa dá um tesão do caralho. Você que gosta de homem devia tentar.
Porra. Chanyeol não estava nem um pouco preparado para ouvi-lo xingar naquele momento, e merda, precisava mesmo sair daquele cubículo comprimido de tensão sexual e olhares irresponsáveis. Baekhyun parecia saber exatamente o que estava fazendo e Chanyeol sabia que deveria parar ali, mas ainda deu corda, não percebendo que quem acabaria se enforcando era ele mesmo.
— Eu já tenho trinta anos, Baek — informou como se dissesse outra coisa, como se precisasse o lembrar daquilo. E deveria saber, deveria estar preparado para qualquer coisa que viesse dele, mas nunca estava. Baekhyun era uma caixinha de surpresas, uma linda e sensual caixinha de impulsividade.
— Você não transa mais então?
Chanyeol pensou se deveria responder. Baekhyun o acharia antiquado se dissesse que não fazia aquilo a um bom tempo? E a opinião dele importaria para si? Sim, importaria, e sabia disso mesmo que não aceitasse. Escolheu então uma alternativa menos invasiva. Escolheu mudar de assunto.
— Doeu pra furar? — Novamente estava fugindo, e Baekhyun percebendo sua ansiedade quis jogar contra si, e se aproximou.
Ele parou a sua frente, a diferença de altura escancarada quando ele precisou olhar para cima e afastar a franja antes de responder naquele tom apelativo que nem sabia que ele tinha.
— A dor é relativa — ele sussurrou, prendendo sua atenção naquele par de olhos castanhos que gritavam mil e uma verdades não pronunciadas. —
Nada muito absurdo — ele foi quem desconversou segundos depois da troca de olhares mais obscena que Chanyeol teve na vida — e já tem uns cinco anos que eu fiz então tá bem cicatrizado, nem lembro da dor. Pode tocar se quiser, você vai ver que não sinto nada.
Chanyeol entendeu que aquilo era uma armadilha, Baekhyun estava cavando sua cova e o guiando para sua sepultura, ainda assim quis cair. Também tentou não calcular a idade na qual ele havia mencionado, afinal, quinze anos era uma idade bem longe do que conhecia como ideal, mas não seria chato, não seria politicamente correto enquanto a hipocrisia explodia em sua cara, o manchando com suas ações e desejos.
Queria tocá-lo e como queria. E sabia que ele queria ser tocado, mas não deveria, nem podia, era errado de tantas formas — eu não vou tocar em você, isso seria estranho.
— Eu estou autorizando que me toque, Chanyeol — Chanyeol permaneceu em silêncio, os olhos voltados para aquilo que desde o começo chamou sua atenção. Era sujo como queria, mas não o fez, não parecia certo fazer. Baekhyun o encarava, a expectativa quebrando aquelas paredes, conseguia ver desespero no olhar dele, ainda sim, manteve-se fiel a si até onde conseguiu, vencido apenas pelo desejo do próprio Byun — Me toca logo — ele exigiu, alcançando seu pulso e tomando a força. Não houve resistência por parte de Chanyeol, nunca teria se o outro lado da moeda fosse Baekhyun.
Se permitiu tocá-lo, encaixar com firmeza sua mão contra a cintura fina e deslizar o dedo pela pele macia e orvalhada. Baekhyun se arrepiou em seus dedos e a respiração faltou junto dele, os olhares pareciam implorar por algo que Chanyeol queria, mas não estava nenhum pouco disposto a dar. Arrastou as falanges livres pelo tronco, encontrando um dos mamilos eriçados contra seu tato. Não quis apertar, mas quando Baekhyun suspirou pesado não teve outra reação.
Moveu o dedo, em uma massagem delicada, não tinha malícia na ação, mesmo que estivesse eufórico com a possibilidade de ouvi-lo outra vez. Baekhyun não disse nada, tão pouco Chanyeol, e aquela ação pareceu apenas normal, rotineira e necessária. A tensão estava tanta, que o oxigênio no cérebro faltava e a razão por si deixava ambos. Não quis admitir que aos poucos se aproximava de Baekhyun, muito menos aceitar que o toque dele em seu braço se tornava mais forte a cada segundo. O olhar exigia ações e ele parecia pronto para qualquer coisa; ele parecia decidido demais para a confusão que Chanyeol armazenava no cérebro. Quis se conter, e buscou alternativas para isso, mas nenhuma parecia justificável.
Iria ceder, tinha certeza que iria beijá-lo, nenhuma parte racional do cérebro pensava mais e apenas o desejo corria nas veias, atordoando os dois. E foi como presságio, como um aviso que as coisas não deveriam acontecer daquela forma, que o elevador abriu as portas. Assustando ambos e desmotivando suas ações. Chanyeol se assustou com o tilintar de aviso, e por pouco não derrubou Baekhyun, não se lembrando que a sustentação do corpo dele era seus braços.
Se sentiu quente e inquieto, mas também sentiu alívio, pois não deveriam fazer o que queriam, aquilo não era certo. Era impróprio. Baekhyun pareceu concordar, e se discorda, ele não impôs, pelo contrário, se afastou junto carregando um enigma nos olhos outrora tão reveladores.
— Viu? Não foi nada — ele afirmou, deixando o cubículo e rumando para fora. Se esquecendo de organizar os pensamentos de Chanyeol, que agora, estava vivendo em caos.
Desde então Chanyeol era pura desordem, sua cabeça estava uma confusão, sua rotina mudando e tudo parecia esquisito. Depois do momento no elevador Baekhyun pareceu perder a arte da sutileza e ele quase explicitamente dizia o que queria, ainda assim, nunca tinha falado em voz alta, e Chanyeol agradecia.
Queria achar engraçado, queria desdenhar da situação, Baekhyun era um jovem implorando sua atenção, querendo ser rebelde, e isso deveria bastar para fazê-lo cortar de uma vez o mal pela raiz, mas era difícil, toda vez que Baekhyun se aproximava com algum olhar sugestivo, quem se sentia indefeso era Chanyeol. Tinha medo dos próprios desejos e pavor das próprias ambições.
Baekhyun era bonito demais para seu próprio bem, tendencioso demais para que ignorasse. Era como se ele fosse água e Chanyeol estivesse com muita sede. Queria bebê-lo, queria prová-lo, queria vê-lo embaixo de seu corpo se contorcendo de prazer. E não podia, não podia sequer olhar demais para o rosto delicado sem que pensasse em como seria satisfatório enchê-lo com sua porra.
Baekhyun era sensual demais para a sanidade de Chanyeol, e quando ele tentava reprimir o seu querer era quando tudo desandava. Baekhyun conseguia ser escandaloso em tudo que fazia, seu jeito de falar, andar e agir, tudo ele se fazia notável. Até quando ele estava em silêncio seu comportamento gritava. Ele era alguém difícil de ignorar, impossível de não querer. Ele era óbvio no que queria mesmo quando tentava não demonstrar e ele queria Chanyeol da mesma forma que Chanyeol o queria, e a reciprocidade era o que mais assustava o Park.
Chanyeol o queria tanto e ao mesmo tempo tinha medo, nunca foi uma pessoa correta, mas sempre tentou se manter certo. A única vez em que cometeu um erro isso custou sua carreira e o sonho de seus amigos, não achava que aceitar Baekhyun da forma que queria fosse causar um estrago tão grande, mas ao mesmo tempo não queria pagar para ver as consequências de suas ações e por isso estava mais que disposto a se desfazer daquela situação.
Ainda assim, quando Baekhyun passava em sua frente portando um short curto e uma camiseta de banda sua, suas razões para parar tudo aquilo chegava ao fim.
Chanyeol estralou o pescoço jogando o tronco contra o sofá. Estava sentado no chão envolto de muitos papéis de provas corrigidas tentando fazer a média de suas turmas. Final de bimestre era sempre exaustivo e às vezes só queria pedir demissão e viver do dinheiro da mãe, porém, já tinha trinta anos e ter esse comportamento era extremamente vergonhoso em sua concepção.
Como se sua noite não estivesse difícil o suficiente, Baekhyun ainda surgiu em seu campo de visão, vestido naquele mesmo jeito que o abalava por completo, um short curto de seda e uma das suas blusas de bandas. Aquela era a favorita de Chanyeol, e sabia que ele tinha surrupiado de seu armário. Baekhyun tinha uma faixa segurando os cabelos e um balde de pipoca nas mãos.
— Parece cansado — ele comentou se ajoelhando ao seu lado.
— Porque eu estou.
— Deixa eu relaxar você — Chanyeol retrucou, ouvindo a voz recheada de segundas intenções e não se dando ao trabalho de abrir os olhos, mas se tivesse feito, talvez conseguisse prever os movimentos do mais novo, e impedir a ação antes de ser concretizada.
Baekhyun deixou o balde de lado, e apoiou as mãos no sofá, passando um dos braços por seu corpo e apoiando a falange em cima do couro ao lado de sua cabeça no sofá. Chanyeol se espantou com a ação, mas não foi rápido o suficiente para impedi-lo de sentar em suas coxas. Pelo menos estava longe de sua zona de perigo, se confortou.
Chanyeol quis tirá-lo de cima de seu colo, mas mentiu outra vez para seu próprio cérebro, afirmando que não tinha problema, não tinha maldade, que podia deixá-lo ali e nada aconteceria. Sabia, bem no fundo sabia, que estava errado.
— Deixa eu te fazer uma massagem? — ele não esperou confirmação para começar a amassar seus ombros, firme como se estivesse amassando uma massa de pão.
Chanyeol não deu nenhuma resposta, e por segundos infinitos se contentou em olhar para Baekhyun, se atentando a cada cantinho de seu rosto. Ele tinha a pele pálida pela falta de vitamina C, os olhos castanhos estavam travessos e perigosos, vidrados nos seus, a língua alheia passeava pelos lábios, provocando Chanyeol com o movimento do piercing. Chanyeol se deixava levar muito fácil por ele, era até vergonhoso.
Se lembrou de repente das jóias presas nos mamilos marrons, e quis infiltrar as mãos por debaixo do tecido, tocá-los obscenamente, subir os dedos pela cintura fina, apertar os quadris largos. As mãos formigaram e o corpo acendeu com a expectativa.
— Eu sei o que tá fazendo, Bae — ditou convicto de que não podia mais ignorar aquela faísca entre eles.
— O que eu tô fazendo Chan? — o tom inocente queimou o Park por dentro, a voz arrastada e doce. Ultimamente estava convivendo com um Byun muito dócil, quase não o reconhecia — Estou apenas cuidando do meu irmão mais velho — ele zombou. Baekhyun precisava falar daquele jeito manhoso e irônico, ele sabia que mexia com tudo dentro de Chanyeol e por isso fazia questão de agir do modo mais perverso possível.
Baekhyun estava jogando consigo, zombando de sua hesitação, rindo na sua cara de toda aquela insegurança. Era como se ele dissesse “Você é patético, Chanyeol, patético por se prender a um detalhe bobo” mas Chanyeol não estava preso aquilo, pelo contrário, a relação das mães não era nada para si, o problema era o próprio Byun e a amizade que estavam cultivando, o companheirismo que aos poucos conquistavam. Essa era sua razão para não ceder.
Mas Baekhyun não sabia, e ele não deveria saber, pelo menos por agora Chanyeol não contaria, por agora deveria aguentar o Byun lhe provocando, testando seu limite para ver até onde aguentava sem cair na lábia dele. Todavia, o que ele não sabia era que Chanyeol queria jogar, ele queria brincar com Baekhyun, destruí-lo, deixá-lo implorando por algo que nem sabia de verdade o que era.
— Não somos irmãos
— contestou, como uma forma de lembrá-lo daquele fato, apenas por descargo de consciência — você mesmo disse infinitas vezes.
— Eu disse? — ele se fez de sonso, expressando uma inocência que não o cabia naquele momento, nunca o caberia, Baekhyun não se parecia com a inocência, pelo contrário —
Não me lembro.
— Não me provoque Baekhyun, suas intenções estão implícitas — o avisou, como se precisasse de fato o fazer. Baekhyun sabia que estava o tirando do sério, era o que queria desde o momento que se aproximou.
Chanyeol tinha aquele “quê” de imprevisível que era sexy de um jeito selvagem e deixava Baekhyun completamente insano. E isso se mostrou explícito quando o Park segurou em sua cintura, apertando com precisão, com força o suficiente para sentir o ar se esvair do pulmão. Ele arrastou seu corpo pelas coxas grossas, colocando Baekhyun exatamente onde deveria estar desde o princípio. E Baekhyun sentia Chanyeol, no toque de seus dedos, na troca de olhar e no membro marcado, fazendo volume embaixo de sua bunda, crescendo lentamente como a chama dentro de seu corpo, mas não era suficiente apenas o calor, queria incendiá-lo.
— Você que não deveria me provocar desse jeito — Baekhyun murmurou, os olhos conectados aos do Park e os lábios repuxados maliciosamente. Sentia o corpo arder com os toques em sua pele, e queria mais, muito mais — Porque não me fode de uma vez? Não me acha atraente?
Chanyeol sorriu, um riso rouco e desacreditado do quão baixo ele poderia ser. Aquela era a primeira vez que o ouvia tão explicitamente e o tesão que crescia em seu âmago era muito bem sentido pelo Byun. Apertou as mãos ainda mais forte em seu corpo, tendo a certeza que seus dedos ficariam marcados com hematomas visíveis. Queria fazê-lo consciente daquele momento quando não estivesse mais preso nele.
Já que não conseguia lembrar, naquele momento gostaria de recordar os motivos para não tocá-lo, mas nenhum vinha em sua mente. Nenhum parecia bom o suficiente para impedi-lo de fazer Baekhyun um homem de verdade, nada parecia bom o suficiente para impedi-lo de pôr o Byun de quatro no chão da sala e fodê-lo
como há muito tempo desejava.
— Porra! É claro que eu acho você atraente… — ditou meio sussurrado, tentando alcançar um pingo de consciência que o fizesse desistir. As mãos esmagavam o quadril de Baekhyun e o desejo consumia seu cérebro. Ele rebolou em cima de seu colo, causando uma fricção gostosa no membro desperto e Chanyeol deixou um suspiro sair pelo lábios, tombando a cabeça contra o sofá — A cada segundo do meu dia eu fantasio mil formas de te colocar sentado no meu pau, de foder você com força, prender esses cabelos entre meus dedos enquanto te sufoco e tiro todo o seu ar — expressou raivoso, transtornado de vontade de devorá-lo vivo, queria tanto que doía, mas também queria jogar. Se entregar para Baekhyun enquanto estavam ambos desesperados parecia errado, parecia impulsivo, cheirava a arrependimento e imprudência. Baekhyun tremeu com o toque que deixou em seu pescoço o puxá-lo para mais perto, os lábios se abriram em surpresa e ele quase que involuntariamente rebolava em seu colo — mas eu não posso Baekhyun, não é certo.
— E quem determina o que é certo e o que é errado? — ele resmungou, com aquela autoridade e confiança que em qualquer outra pessoa Chanyeol acharia soberbo, mas só por ser ele soava sexy. Baekhyun tinha maldade, desespero e luxúria no olhar, ele era quente como o inferno e fazia Chanyeol ter muita vontade de pecar.
Ele estava sendo impulsivo, agindo de acordo com o desejo momentâneo e aquilo parecia errado e ao mesmo tempo delicioso. Não era certo que ambos se envolvessem tão impulsivamente, Chanyeol não queria tocá-lo pelo calor do momento, eram colegas de apartamento, e depois de anos vivendo em pé de guerra estavam se dando bem, depois de tanto tempo estavam enfim se entendendo e o medo de tudo ruir por causa de uma simples ação impensada pegava Chanyeol na curva. Mas porra, queria tanto que se tornava difícil pensar.
Chanyeol movimentou o corpo rapidamente, derrubando Baekhyun contra o chão e se metendo entre as pernas dele, sua vontade era de arrastar o short para o lado e meter entre as pernas de coxas fartas, mas ainda tinha dúvidas se estava disposto a encarar as consequências daquilo. Guiou uma das mãos ao pescoço alheio, colocando pressão para fazê-lo ofegar, queria entrar em Baekhyun fundo o suficiente para fazê-lo se arrepender por toda a vida de ser tão imensamente sexy e gostoso e provocá-lo sem remorso algum.
Para Chanyeol as coisas não eram só carnal, queria ser a razão dos risos bobos dele, e olhar de realização, queria pertencer a Baekhyun mais do que tudo no mundo, mas precisava estar certo de que ele não se arrependeria depois.
Por isso, olhou dentro dos olhos bonitos, tentando encontrar qualquer coisa que pudesse indicar que não estava sozinho naquele sentimento de cuidado. Não queria que ele se tornasse indiferente depois que dessem fim àquela tentação. Baekhyun era especial e viciante, e isso fazia com que tivesse medo de tê-lo, porque não era só sexo, nunca seria só isso. Depois que provasse uma vez nunca mais se saciaria de outra forma e queria ter certeza de tudo se decidisse por realmente acabar com aquilo naquela noite.
— Eu quero te beijar — Baekhyun sussurrou. Os olhos atentos pedintes aos seus, Chanyeol apertou em reflexo sua garganta e quase gemeu com a possibilidade de beijá-lo. Queria tanto… Baekhyun fechou os olhos e gemeu manhoso, Chanyeol sentiu a calça apertar imediatamente.
— Eu quero…
Baekhyun nunca saberia o que Chanyeol diria, porque o toque do celular soou alto e estridente pela sala, e no visor o nome de Irene aparecia com uma foto de família os lembrando que ainda eram eles ali, e que mesmo que estivessem em outro país, não seriam capazes de se livrar do que deixaram na Coreia.
Chanyeol se afastou, pálido e inquieto, sua expressão era de pânico, como se estivesse sido pego no flagra fazendo algo errado. E eles estavam mesmo, seus delitos eram desejar um ao outro como se fossem as últimas pessoas na Terra. Chanyeol não se importava com a opinião da mãe, era um adulto crescido e independente, mas se necessário, usaria aquela desculpa pra sempre, no intuito de mascarar sua insegurança, porque não saberia o que fazer se Baekhyun não sentisse o mesmo por si.
o desejo que nos consome
Chanyeol bateu uma punheta atrás da outra depois daquele dia, não sabia explicar como podia ser humanamente possível alguém de sua idade ter tanta libido, mas era inevitável: toda vez que pensava em Baekhyun, sentado em seu colo, com lábios abertos e o piercing brilhante gritando por sua atenção. A voz, fraca, sussurrava “eu quero te beijar”... Caralho, se excitava na hora! Bem como a porra de um adolescente na puberdade.
Estava louco e, se atrevia a dizer, transtornado. Nunca fora uma pessoa maldosa, mas Baekhyun despertava o pior em si. Já não sabia o que era coisa da sua cabeça, o que era real e o que vinha, de fato, de Baekhyun, a única coisa que sabia era que se sentia provocado a porra do tempo inteiro. Baekhyun estava sempre falando sensualmente, lambia os lábios, falava rouco e calmo, devagar, oferecendo toques persuasivos e comentários sugestivos. Pelo menos Chanyeol interpretava assim.
Vivia na corda bamba entre ceder e se firmar em seus propósitos, não podia tocar em Baekhyun, não mais do que já havia feito e existia um milhão de razões boas que justificavam seus motivos. Ainda assim, por mais que Chanyeol se esforçasse, o diabo trabalhava em dobro, e o inferno era não poder fazer de Baekhyun seu.
Não sabia se seu corpo estava apenas reagindo depois de toda a tensão sexual que andava se expondo junto a ele ou se realmente Baekhyun estava lutando para dar fim a sua paciência. Era como se ele implorasse para si o tempo todo, exigindo que fosse tocado e mesmo que tentasse ignorar, mesmo que fingisse que a cena na sala nunca tivesse acontecido, se pegava desejando mudar o passado, ter tomado ele em seus braços.
Estava enlouquecido só de imaginar fazer com ele todas as coisas que sabia que ele queria que fizesse. Não queria sucumbir ao desejo,
porra
, não podia ir contra seus princípios. Sempre foi alguém ímpio e correto, mas pela primeira vez na vida estava questionando se viver dessa forma valia a pena, e pensava que
não
, não quando Baekhyun estava dificultando as coisas. A imagem dele em cima de seu corpo ficou cravada em sua memória; o jeito que ele se mostrou tão entregue, tão pronto para ser seu quando sua mão encontrou o pescoço branquinho. Subia pelas paredes só de lembrar.
O pau duro entre as pernas era um lembrete de que jamais sairia vitorioso daquela guerra, mas enquanto não cedesse, se contentaria em apenas homenagear o belo rosto bonito.
Chanyeol nem sentia mais culpa quando se tocava ao imaginá-lo ali. Já havia feito tantas vezes que agora se tornava rotina. Gostava, e muito, de imaginar o Byun ajoelhado em sua frente, mirando seu rosto com tesão, implorando para que fodesse a garganta sufocante. Nisso, Chanyeol chamava pelo nome dele enquanto estocava a própria mão.
— Baekhyun… — gemeu arrastado sem medo nenhum de ser pego no flagra. Já passava das três e não tinha movimento nenhum na casa, apenas seus desejos bagunçavam seu cérebro e distorciam a realidade.
Queria tanto Baekhyun que ardia na pele, e às vezes se sentia um covarde, porque não precisava de nada para tê-lo exatamente da forma que desejava. Sabia que se colocasse Baekhyun contra qualquer parede fria e se metesse entre suas pernas conheceria a glória.
Tinha consciência que ele estava tão sedento quanto si, e quando gozou se arrependeu de não ter sido dentro de Baekhyun. Mas não podia fazer, mesmo que quisesse, a razão e a consciência prevalecia, eles dois eram uma situação imprópria, que deveria existir apenas nas fantasias do Park.
o desejo que nos consome
Depois do incidente na sala, os dois nunca mais tocaram no assunto. Ficou como se nada nunca tivesse acontecido, como se Chanyeol nunca tivesse tocado Baekhyun ou estado muito próximo de beijá-lo. Chanyeol tentava esquecer, pensava que talvez a interrupção fosse um sinal, uma divindade alertando da falta de racionalidade e que precisava ser mais responsável com suas emoções. Acabou deixando por isso mesmo. Se Baekhyun não retomasse o assunto, também não traria aquilo de volta.
— Não faça isso — Chanyeol resmungou, batendo na mão de Baekhyun para que ele afastasse os dedos da boca. O mais jovem estava inquieto roendo as unhas e batucando os dedos na porta, mexendo os pés sem parar.
Sua ansiedade era explícita e Chanyeol queria poder dizer algo para acalmá-lo, mas não sabia o que, não podia fazer a prova por ele.
— Não quero, Chanyeol,
não quero entrar lá — ele afirmou, aflito.
O dia do vestibular tinha, enfim, chegado e Baekhyun se encontrava bem perto de um colapso nervoso. Chanyeol queria rir de sua expressão de pânico, mas não confiava que aquele era o momento certo.
— Você precisa, Baekhyun, é a chance para seu futuro.
— Mas e se eu não for bem? — ele questionou, inseguro como só a aprovação acadêmica o tornava. — E se eu fracassar, Chanyeol? Se minhas notas forem, baixas eu nem saberia o que fazer, como me sentir e, minha nossa, mamãe ficaria uma fera… Ela me mataria.
Chanyeol puxou o fôlego, buscando dentro de si sua versão professor acolhedor. Nunca foi muito bom com palavras, mas sempre se esforçava quando se tratava de Baekhyun. Faria qualquer coisa para vê-lo bem. Segurou suas mãos firmemente, olhando no fundo dos olhos dele como quem confia no que diz, porque Chanyeol confiava. Confiava em Baekhyun
— Baekhyun, para de pensar no que sua mãe vai dizer. Você é a pessoa mais dedicada e esforçada que conheço, você é incrível e inteligente, você consegue tudo, tudo o que quiser. Só precisa tentar. Faz a prova e eu te prometo, eu juro, que vai passar.
Baekhyun estava uma pilha de nervos, era notório pelo modo como mordia o lábio a todo momento, brincando com o piercing e apertando as mãos contra sua, mas Chanyeol queria que ele visse que estava sendo honesto. Não havia a menor probabilidade dele fracassar, não quando estudou e se esforçou como um louco desde a mudança. Chanyeol confiava nele com todas suas forças e sabia que não existia nada que ele não fosse capaz de fazer, porque era dedicado demais para não conseguir.
Baekhyun deixou o carro nervoso. Ele tremia e Chanyeol o assistiu hesitar várias vezes antes de entrar pela porta da universidade. O tempo que ele levou fazendo a prova pareceu infinito, principalmente por esperar cada minuto sentado em um café na frente do campus. Ali, corrigia as provas de seus alunos com a mente distante, preocupado em como Baekhyun estava se saindo.
Baekhyun levou três horas para concluir o simulado. Ainda estava apreensivo quando deixou o enorme campus, os resultados sairiam em uma semana, ainda assim Chanyeol não poupou esforços para manter a cabecinha pensativa dele distante do resultado, mesmo que por um dia. Fez tudo para distrair Baekhyun, o levou ao parque de diversões da cidade e o convenceu a brincar em todos os brinquedos radicais, o levou também ao cinema para assistir um filme e terminou aquela noite passeando pelas ruas da cidade, tomando sorvete.
Baekhyun sorria animado. A jaqueta de couro estava fechada até o pescoço, cortando o frio dos braços, os cabelos esvoaçados pelo vento e ele ainda usava óculos escuros mesmo que já estivesse noite. Chanyeol achou atraente a forma como ele mordeu os lábios tentando conter o sorriso que lutava para ser exposto no rosto depois de um dia exaustivo. Gostava muito de olhar Baekhyun, porque ele era lindo, deslumbrante de um jeito que deveria ser proibido.
Sentia-se realizado conforme a noite chegava e Baekhyun parecia mais animado, totalmente diferente do astral que o tomava pela manhã em sua sala de estar, aquela versão inquieta e negativa, com medo do que o futuro o reservava. Baekhyun não estava preocupada com o futuro naquele momento, de forma alguma.
— Eu gosto quando você sorri assim — Chanyeol confessou. Tinha certeza que seu olhar brilhava, porque se sentia flutuando apenas de olhá-lo.
— Assim como? — Baekhyun virou o rosto em sua direção jogando os fios de cabelo para trás, tinha algo nele que Chanyeol não saberia explicar, mas que aquecia seu corpo
— Assim. — Apontou para o rosto bem desenhado. — Como se estivesse feliz.
— É porque eu estou.
Foi Chanyeol quem sorriu dessa vez, sentindo uma que tira no peito já bem típica de quando estava com ele. Sentiu uma confiança genuína para que pudesse tocar em um assunto que há muito tentava evitar, com medo de voltar ao tópico que ambos haviam silenciosamente dado por encerrado, mas Chanyeol precisava, porque seu peito doía, apertado em culpa por não dizer a ele o que queria.
— Eu acho que nunca te pedi desculpas pelas coisas que te falei no meu aniversário.
Baekhyun, a princípio, vincou as sobrancelhas, o olhando como quem pergunta
porque diabos aquilo, agora
, mas, de alguma forma, ele parecia saber que Chanyeol precisava colocar para fora, então desviou o olhar e balançou os ombros, fingindo que não ligava.
— Não precisa, você estava certo de tudo.
— Mesmo assim — insistiu. — eu fui muito duro na escolha de palavras. Eu nunca tinha pensado em você pela sua perspectiva, nunca tentei entender seu lado, acho que eu tinha medo de aceitar que fui negligente com você.
— Tudo bem — Baekhyun afirmou novamente, hesitando. —
Não era sua responsabilidade.
— Mas eu sinto que deveria ser, eu
quero
que seja. Quero que você seja da minha conta, que suas frustrações também sejam minhas, quero que divida seus medos e suas incertezas comigo, quero ter significado pra você, Baekhyun.
Chanyeol admitia ter sido emocional e impulsivo em sua escolha de palavras naquele momento, tinha aquela mania de falar coisas demais quando estava nervoso, talvez por sempre escolher guardar tudo pra si mesmo. Ea sempre tão correto em tudo e sentia que esse traço em específico era um defeito, mas sua impulsividade parecia não ter cura, muito menos se Baekhyun era a causa de tudo.
Baekhyun parou de repente. Ambos estavam de frente para a torre do relógio e Chanyeol estava se sentindo pequeno e intimidado pelo olhar sério que Baekhyun lhe dedicava.
— Você tem significado pra mim — Baekhyun disse, muito mais sério do que um dia esteve. — Desde que te conheci sinto que, pela primeira vez no mundo, eu deveria ser eu mesmo, e isso não tem preço.
— Você deveria mesmo, porque você é incrível.
— E eu só reconheço isso por sua causa, então não se importe com o que já passou, o passado é pra ser uma cicatriz em processo de cura e, você sabe, não devemos mexer no que está se curando.
A conversa se encerrou por ali, mas Chanyeol jamais esqueceria aquela noite ou a satisfação e felicidade exalando por cada poro de ambos. As coisas com Baekhyun eram tão leves e seguras, que queria ser capaz de eternizar aquele momentos e aquelas palavras para sempre, queria levá-lo em seu coração até a morte e depois dela.
o desejo que nos consome
Chanyeol entrou na sala carregando duas taças e um vinho. Observou Baekhyun sentado de frente pra lareira, ele recarregava a página do website infinitas vezes no computador. O resultado do vestibular sairia a qualquer segundo e ambos estavam nervosos. Bem, Baekhyun estava, Chanyeol sabia que ele havia conseguido, confiava nele de olhos fechados.
Ele estava sentado por cima dos calcanhares, o mesmo short curto e camisa de banda de sempre, os olhos concentrados com atenção na tela, as sobrancelhas vincadas e os dentes maltratando o piercing prateado. Chanyeol se aproximou aos poucos, colocando os objetos de vidro em cima da mesa e sentando ao seu lado..
Baekhyun aceitou a taça de bom grado, levando o sensor da tela mais uma vez para a lupa de pesquisa no computador. Chanyeol sorriu, admirando o quão lindo ele estava naquela noite sob o fogo da lareira, que fazia sombra no rosto delicado. Os cabelos estavam presos em uma maria chiquinha e a raiz por fazer o tornava charmoso, um gole escorreu pelo canto dos lábios e Chanyeol quis limpar, mas não se atreveu, ao contrário disso pressionou ainda mais as mãos contra a taça.
— Eu estou com medo — Baekhyun sussurrou olhando para o fogo, os pensamentos pareciam distantes mesmo que a cabeça estivesse ali.
Chanyeol o olhou, pensando que era injusto que alguém como ele duvidasse tanto de si mesmo. Se precisasse citar as pessoas mais inteligentes que já conheceu, diria Baekhyun antes de qualquer outro.
— Eu acho que você se cobra demais — ditou, também baixo. Baekhyun por fim largou o notebook em cima da mesa de centro e relaxou a cabeça contra o sofá, movendo-a para que pudesse olhar Chanyeol de lado — Você é bom, Baekhyun, só precisa confiar mais em você mesmo.
Baekhyun sorriu contido, os olhos amendoados emitiam conforto e Chanyeol sentiu que deveria abraçá-lo ou beijá-lo — não importava desde que pudesse o tocar de alguma maneira.
— Você já disse isso.
— E tornarei a repetir enquanto for necessário te lembrar.
Baekhyun voltou a encarar o fogo, havia leveza em sua expressão, quase como se sua presença o relaxasse e Chanyeol quis manter esse pensamento como exato.
— Acho que eu me acostumei tanto a não confiar em mim que esqueci como é o sentimento de possibilidade — ele expressou de repente. Chanyeol não disse nada, mesmo durante o silêncio que prevaleceu pelos segundos em que ele voltou a se calar, piscando os olhos como quem depende internamente se quer mesmo abrir seu coração, Chanyeol esperava que sua decisão fosse positiva, porque adoraria ouvi-lo e conhecer mais daquela parte sóbria que ele tanto escondia. — Durante minha infância toda eu sempre fiz tudo para orgulhar minha mãe e eu sempre recebi desprezo em troca então eu apenas se acostumei a desprezar minhas conquistar. Não sei, de verdade não sei como explicar eu só… Sei lá.
— É difícil achar palavras exatas?
Baekhyun estava calmo como se dizer aquilo não fosse um passo absurdo na construção da confiança entre eles, ele olhava o fogo crepitando e tomava o vinho da taça com o olhar perdido, e Chanyeol queria que ele se encontrasse mais que tudo no mundo.
— Parece impossível, na verdade. Às vezes eu quero tanto conquistar algo grande e sentir que não preciso da aprovação dela, mas quando fecho os olhos no silêncio do meu quarto, eu penso que tudo que eu mais queria no mundo era ouvir “
estou orgulhosa de você, Baekhyun
” e isso fere a alma, sabe? — Chanyeol ouviu quando a voz dele embargou, mas não quis aproximar, não quis se mover, com medo de quebrar aquele momento cheio de significado entre eles. — Eu queria que ela estivesse feliz por pelo menos uma vez. ma vez na vida eu gostaria de ouvir algo como “t
udo bem errar, você tentou
”, mas seu que jamais vou ouvir nada disso e dói, dói profundamente porque eu queria odiar ela, queria detestar minha mãe como todo o meu coração pelo que ela me fez, mas então eu me lembro daquela jovem que passou por tanta coisa pra me criar e eu penso que não é justo odiá-la dessa forma.
— Entendo que não consiga odiar sua mãe, realmente é compreensível. Porque ela te criou, te deu a vida, te deu sustentou... Porém eu entendo também a sua frustração por não conseguir isso. Ter uma pessoa que te fez mal ao seu lado e ainda sim não ser capaz de afastar ela da sua vida, isso é mais comum do que pensa. Mas, Baekhyun, você não pode deixar que o medo de fracassar diminua sua confiança em si mesmo, você tem talento pra tudo, não porque nasceu com o dom, mas porque se esforça. Antes de conhecer você, eu tinha a ideia de que você era um garoto perdido que não sabia o que queria, mas agora, eu reconheço que você sabe o que quer e o que tem que fazer pra conseguir mas se atrela fielmente a um passado cheio de escuridão e medo e se vê confortável nisso, você encontra conforto na insegurança e isso te impede de deixar para trás as coisas que te fazem mal. Você se acostumou a estar sempre na pior e isso te impede de querer melhorar.
Baekhyun o olhou em silêncio, o olhar vazio encontrou com o seu e percebeu as lágrimas formadas ali, estando a um paço escorrer pelo rosto.
— Eu tenho consciência que você está certo, mas ao mesmo tempo tenho medo de mudar.
O silêncio que se concretizou entre eles foi gostoso de um jeito atípico. Os olhares expressando algo que nenhum dos dois estava disposto a colocar em palavras reais, mas era algo como companheirismo, compaixão e confiança, algo que chegava muito perto do amor, mas nem de longe seria fraternal. Chanyeol questionava suas motivações toda vez que o tinha assim, em um silêncio ensurdecedor de emoções não expressadas, se questionava se teria seria gentil tomá-lo com um beijo naquele momento de vulnerabilidade, não sabia explicar o motivo ou se naquele momento seria o certo, mas queria tanto, tanto beijá-lo.
Queria também dizer um milhão de outras coisas, e tinha medo do que suas palavras causariam na relação deles, tinha medo de perder Baekhyun caso dissesse o que estava sentindo. Mesmo que os sentimentos dele fossem explícitos, ainda assim, Chanyeol era inseguro naquele quesito. O irônico era que era o mais velho entre eles e, logicamente, deveria ser o menos medroso, mas as coisas nunca pareciam certas entre os dois de qualquer modo.
Baekhyun desviou o olhar para o computador, cortando aquela interação silenciosa. Os dedos gentis moveram o mouse até que a página fosse carregada novamente, e se Chanyeol pudesse fazer um pedido para o universo, pediria que nunca, jamais, esquecesse o jeito como o rosto de Baekhyun se iluminou, brilhando com a realização nos olhos. Podia ver a felicidade estampado no sorriso desacreditado, nos dedos que tremiam na forma como ele não foi capaz de se expressar, gaguejando por vezes seguidas até que conseguisse dizer animado:
— Eu passei… — ele disse, sorrindo. — Caralho, eu passei, Chanyeol!
Os olhos banhados em lágrimas não teve mais força para se conter e os pingos grossos desceram quente pelas bochechas, Chanyeol sentiu que deveria dizer alguma coisa, mas não sabia o que seria honesto o bastante, então o tomou no conforto de seus braços. Acolhendo ele e o apertando firme contra seu peito. Ficaram assim por alguns segundos infinitos, onde o coração de Baekhyun batia tão forte no peito que achou que duraria muito menos tempo na terra do que sua rotina saudável prévia.
Byun mordeu os lábios secando as bochechas e jogou o cabelo para trás, respirando fundo algumas vezes para recuperar-se da euforia do momento. Quando Baekhyun o soltou, ele ainda sorria, e foi inevitável não sorrir junto ,porque Baekhyun contagiava com suas expressões sinceras. Havia tanta energia, tanta euforia e felicidade extrapolando dele.
o desejo que nos consome
Chanyeol estava apaixonado e não era vergonha como um homem adulto admitir que estava completamente viciado em Byun Baekhyun, o que podia fazer quando tudo que passava em sua mente era o ele?
Era Baekhyun sorrindo de alguma piada boba, Baekhyun cantando com um sorriso enorme no rosto, Baekhyun agarrando seu braço em algum filme de terror, Baekhyun se contorcendo de prazer em cima do seu colo enquanto batia uma punheta pra ele, Baekhyun e seus lábios brilhando de saliva, completamente inchados depois de beijá-lo por horas a fio,
Baekhyun, Baekhyun, Baekhyun
.
Não tinha outro pensamento, não tinha outra conversa. Eram apenas eles e a liberdade de poderem enfim se abraçarem e dizer coisas bobas sem razão alguma, cientes de que seus sentimentos eram profundos demais para serem mantidos em silêncio. E caralho, era bom demais amar sem as amarras da insegurança. Não que tivesse dito a Baekhyun que o amava, mas sentia isso há algum tempo.
E não tinha nada melhor que poder ser sincero com ele, não existia sentimento mais gostoso que poder levá-lo a encontros sem motivos, presenteá-lo sem razão, ou apenas beijá-lo em alguma hora do dia sem necessidade de explicar o porquê. Os momentos com Baekhyun eram naturais e cheios de romance, carregados de uma simplicidade e um fogo latente que queimava os dois sempre que em conjunto. Era como se eles estivessem que estar juntos.
Estar com Baekhyun era simples e gostoso de um jeito que fazia o tempo voar sem ser notado, os dias iam embora e eles nem ao menos se davam conta, porque estar um com o outro era como não precisar dar explicações ao relógio, era aproveitar sem noção de tempo, era armazenar momentos.
E os momentos iam tão rápidos, que sem se darem conta a faculdade já estava por começar. E Baekhyun parecia tão animado para algo novo que Chanyeol não conseguia pensar em coisa melhor no mundo que se vê-lo feliz, era um grande apoiador incondicionalmente das conquistas dele. Baekhyun havia comprado roupas novas, se livrado dos cabelos platinados e adquirido uma nova cor para seu primeiro ano como estudante universitário.
Agora, ele usava cabelos castanhos naturais e Chanyeol sentia que aquele passo tinha um significado bem mais expressivo do que apenas uma mudança na aparência.
Quando o dia da calourada chegou, toda a euforia de Baekhyun parecia extrapolar pelos poros. Chanyeol o assistiu planejar várias atividades em conjunto com os veteranos durante toda a semana, o pequeno Byun fez FaceTime com os ex-colegas de banda e debateu as diferenças nas culturas de campo de cada um, já que todos agora também estavam iniciando a faculdade — menos Sehun, que mais uma vez tentaria o último ano do ensino médio. Chanyeol acreditava que ele não estava pronto para largar a juventude, algo nos segredos que Baekhyun dividiu consigo fazia o Park pensar que Sehun precisava de mais tempo para amadurecer, ou talvez, um incentivo maior.
Chanyeol também acompanhou quando Baekhyun com alegria mencionou o caso deles e se surpreendeu em muito com a descoberta de que sua ceia de Natal havia juntado dois casais imprevisíveis, Minseok e Léo, e Sehun e Junmyeon — esses sim eram o mais esquisito —. e enquanto Chanyeol estudava a melhor forma de oficializar a relação com Baekhyun, Jongin e Kyungsoo haviam realizado o ato impensado de se casarem escondidos no Caribe. O que pareceu um grande escândalo para Chanyeol, mas não afetou em nada Baekhyun, que era especialista em ler pessoas e adivinhou tudo durante o sumiço de ambos há algumas semanas.
Chanyeol se sentia péssimo com pessoas quando parava para analisar o Byun e sua incrível habilidade de se dar bem com todos e socializar com qualquer pessoa, além de ler estranho — e conhecidos — como ninguém. Às vezes, Chanyeol achava que ele escondia um diploma de análise comportamental na gaveta, porque era incrivelmente ágil na habilidade de citar exatamente o que alguém precisava.
E naquele momento ele precisava urgentemente de um milagre. Como um coreano-brasileiro, Baekhyun sabia muito pouco sobre a Inglaterra, o que não era nada se estivesse na Coreia, mas em uma calourada tendo que responder perguntas específicas do país, isso se tornava um problemão. Chanyeol sentiria pena dele se não estivesse se divertindo muito ao assistir aquele rostinho bonito ser atacado com várias tortas de chantilly. Sorriu quando o Byun novamente errou uma pergunta, causando revolta em seu grupo de calouros que começaram a ofendê-lo em um sotaque forte que apenas causava ainda mais risos no Park.
Baekhyun teve seu destino traçado quando um novo jogo começou e sua vitória agora dependia unicamente da capacidade de um de seus colegas acertarem as perguntas de conhecimentos gerais. Sentado em um bloco de plástico que o levaria diretamente a uma piscina de água com corante vermelho, Baekhyun balançava as pernas aflito e Chanyeol cumpria bem seu papel de supervisor e zombava bastante dos demais alunos, mas em especial de Baekhyun.
Uma professora que trabalhava junto a si roubou sua atenção por um segundo enquanto reclamava de acabar se sujando em uma prova, e um segundo depois de respondê-la, observou Baekhyun vindo em sua direção. Ele batia os pés furioso e estava banhado de vermelho.
Baekhyun estava gostoso como ninguém no mundo tinha o direito de ser. A bunda gostosa explodindo no short, chamando uma atenção desmedida para seu quadril. A blusa outrora branca agora estava molhada e quase transparentes se não fosse o pigmento vermelho da água na qual fora jogado em seu momento de distração que se encontrava com suas tatuagens disfarçando bem os tons e, lamentou bastante por não vê-lo cair, queria com certeza rir da cara de tacho dele ao ser jogado na água manchada. Os piercings faziam volume no tecido agora molhado e visível, os desenhos bonitos das tatuagens pintados em vermelho surgiam entre o espaço entre o cós do short e o início da blusa acima do umbigo. Ele era irresistível e jamais julgaria qualquer pessoa por cobiçá-lo, principalmente os estudantes, afinal, independente de quem olhasse com desejo, Baekhyun era seu, apenas ele o tinha. Era amantes declarados, e ninguém podia mudar a conexão absurda de ambos.
Baekhyun não estava nem um pouco vulgar, ele estava normal como costumava ficar em casa ou como ia ao supermercado no fim de semana, vestido do jeito comum que tinha quando não estava produzido em seu estilo mais rebelde. Ainda assim, Chanyeol se via fodidamente atraído, porque era obcecado por ele, apaixonado por cada coisa, cada gesto, cada curva; ele era sensual e lhe deixava sensível com o mínimo. Queria tocá-lo naquele momento, sem motivo nenhum, sem nenhuma pretensão de duplo sentido, apenas pelo prazer de trocá-lo e vê-lo devolver seu gesto com aquela carinha pervertida e safada.
— Parece irritado — Chanyeol comentou quando ele se aproximou o suficiente para ouvi-lo.
A professora que conversava agora estava do outro lado do campus e apenas os dois tentavam ser discretos no canto mais aparente da universidade. Baekhyun parou na sua frente, e virou de costas cruzando os braços e fazendo bico.
— Aquele filho de uma puta ridículo não sabe o básico do mundo e eu que pago o pato — ele resmungou, bastante chateado. — Acredita que ele respondeu que a capital do Brasil é São Paulo? São Paulo, Chanyeol! — ralhou.
Mas Chanyeol não conseguia jamais ouvir o que saia da boca bonita, isso porque a bunda dele estava vazando pelo short, a polpa branquinha tão evidente que não tinha como não olhar, exposta chamando a atenção e hipnotizando Chanyeol por completo.
O Park teve o pensamento de que, se não fosse um professor, com certeza já teria o arrastado para algum banheiro e marcado a pele como para afirmar que ele o pertencia. Mas seria feio para sua imagem.
Baekhyun expressava sua indignação com veemência, mas Chanyeol não parecia nenhum tico interessado e não tentou disfarçar sua falta de atenção quando se aproximou discretamente dele e abaixou o tronco até que pudesse encostar os lábios na cartilagem sensível do ouvido alheio.
— Baekhyun, você acha que essa roupa não está um pouco inapropriada para esse evento?
Não estava chamando a atenção dele, de forma alguma queria ditar como ele deveria usar suas roupas, na verdade saiu mais como uma provocação, pois quem estava sofrendo mais era Chanyeol, já que não podia encostar um dedo nele sequer, por mais apetitoso que ele parecesse no momento.
Baekhyun olhou por cima do ombro em sua direção, a cabeça parecendo processar a informação por um segundo inteiro. Então ele se virou para frente, os lábios carregando um sorriso malicioso e perverso.
— Não gostou? — E ele fez de propósito quando abaixou, fingindo amarrar o tênis. Ele tentava ser discreto, mas era sensual demais para o próprio bem. O short de couro se apegou às coxas fartas, apenas aumentando o desejo de Chanyeol tomá-lo ali mesmo.
— Achei que iria gostar, talvez use de material na próxima vez que for bater punheta pensando em mim. Aliás, quando for ter seu momento de intimidade, certifique-se de que a porta está fechada.
Chanyeol sorriu, passeando a língua dentro da boca, e quis muito poder agarrar os fios castanhos para responder aquela provocação, mas não podia, por isso apenas se contentou em sussurra baixo.
— Você é tão ingênuo de achar que eu não deixaria a porta aberta de propósito? Achou mesmo que eu seria descuidado a esse ponto, Baekhyun?
A expressão de surpresa que Baekhyun demonstrou foi impagável, os lábios carnudos soltando o ar e as pálpebras tremendo, ele olhou novamente sobre o ombro, balbuciando algo que acabou em um simples…
— Que?
E Chanyeol sorriu, travesso, muito satisfeito com Baekhyun caindo em sua armadilha como um ratinho inexperiente. Queria dizer mais, provocá-lo mais, porém antes que pudesse tentar avistou uma colega de Baekhyun correndo animada na direção dos dois. Tomou um espaço apropriado, e comprimento a garota com um balançar de cabeça, assistindo em seguida ela puxar Baekhyun para longe de onde estavam. Ele correu segurando a mão dela e olhando em sua direção, a expressão de confusão ainda enfeitava o rosto e Chanyeol sorriu como alguém que tinha vencido um jogo bastante importante, e agora sabia que de fato estavam jogando.
o desejo que nos consome
Lá estavam eles novamente no silêncio de uma sala vazia e uma lareira crepitando. As taças de vinho deixadas sobre a mesa de centro pareciam marcar um ritual, um que eles nem perceberam quando começou. Mas parecia apenas natural se encontrarem no fim de noite ali.
Chanyeol encontrou Baekhyun encarando as chamas com o olhar distante. Os cabelos castanhos estavam úmidos pelo banho recente e Chanyeol gostou de saber que Baekhyun não estava mais irritado com o excesso de vermelho em seu couro cabeludo. Na verdade Baekhyun parecia mais calmo do que nunca.
Ambos, cansados pelo dia exaustivo, se divertiram muito no campus, principalmente Chanyeol, que ria de cada enrascada em que Baekhyun era metido. Chegaram em casa se sentindo abraçados pelo clima gostoso pós calourada, e Baekhyun correu para o banheiro assim que adentraram o apartamento, informando que precisa com urgência dar um jeito na bagunça que se encontrava.
Chanyeol tomou um banho bem mais rápido e preparou o jantar enquanto esperava o Byun. Depois do jantar, optou por lavar a louça, o deixando descansar após a desculpa que ele já havia sofrido demais por um dia. Baekhyun não contestou muito e avisou que esperaria ele com a lareira acesa e uma taça de vinho, e ele realmente o fez.
Chanyeol sentou ao lado dele, sendo abraçado pela silêncio confortável que aparecia o tempo todo quando juntos. Baekhyun deitou a cabeça contra o sofá, e sentados no chão, admirando a chama acesa, os olhos pareciam se encontrar com naturalidade e Chanyeol assistiu meio de lado, os lábios de Baekhyun sendo maltratados pelos dentes enquanto os olhares conversavam.
— Sabe… — ele começou com a expressão de quem estava se sentindo realizado e particularmente maldoso. — É péssimo pra minha reputação admitir isso ,mas eu me sinto muito feliz quando estou com você, você me faz tão bem que às vezes eu me pergunto se isso não é um sonho, eu me questiono se a qualquer momento vou acordar no meu quarto com quinze anos, e tudo que eu sinto por você vai ser raiva e mágoa. Às vezes parece difícil de aceitar que eu quero que esse baekhyun inseguro, que tem medo de ficar sozinho, morra, e tudo isso por sua causa, porque você me faz querer acreditar em mim. Eu não me sinto sozinho quando estou com você Na verdade, sinto que jamais terei esse sentimento novamente. Eu me sinto completo e pronto pra enfrentar tudo porque eu acredito que você vai ser meu apoio.
Chanyeol não sabia identificar se aquilo era uma declaração meio repentina, mas não quis ficar para trás quanto à necessidade de expor a importância dele em sua vida.
— Se depender de mim, você nunca mais vai se sentir dessa forma outra vez.
O silêncio parecia sempre aparecer quando estavam juntos e Chanyeol suspeitava que era porque conversavam melhor pelos olhares, mas o que falar quando eram dois estranhos se conhecendo pela primeira vez? Como saber até onde poderiam ser sinceros sem ultrapassar o limite um do outro quando a alguns meses antes não eram nada além de dois adultos com uma bagagem de maus entendidos para registrar?
Baekhyun era sempre o mais corajoso deles e Chanyeol não estranhou quando o percebeu se aproximar, engatinhando pelo chão e cortando o curto espaço entre eles. Chanyeol sentiu o coração disparado e um desconforto ao respirar quando a palma quente dele encontrou espaço em seu maxilar. Os olhos estavam compenetrados dentro dos seus e os dígitos queimavam sua pele.
— Eu quero te beijar, Park Chanyeol — ele sussurrou, matando-o por dentro. — Quero tocar você como nunca antes quis tocar alguém, e agora quero que seja de verdade, sem desculpas, sem amarras, sem medo.
— Eu não sei se isso é certo, Baekhyun — Chanyeol sussurrou, ainda envolto do medo de perdê-lo caso ele estivesse confundindo tudo. Embora Chanyeol fosse alguém com uma facilidade imensa de conseguir tudo que que queria, ele também acreditava que todas as coisas que vinham fácil iriam do mesmo modo, e não queria que Baekhyun fosse de nenhuma forma.
— Você não pode evitar isso — ele respondeu, colando suas testas. Sentiu o hálito quente tocar seu rosto, o provocando. — Tente o quanto conseguir, mas não vai evitar isso — Baekhyun dizia suspirando, os rostos tão próximos que era mesmo difícil de se conter. — Chanyeol, olha nos meus olhos e diz, mas diz com a alma, com convicção, jura pra mim que você não quer isso, diz pra mim que não quer me tocar, que não quer que eu seja seu.
Chanyeol sentia que tudo estava lento, o mundo lá fora havia parado, deixando de existir tal qual o ar em seus pulmões. Nada dentro de sua cabeça fazia sentido e nenhuma de suas certezas eram certas naquele momento; tudo que tinha era desejo, não existia nada em sua cabeça que não fosse a necessidade de beijar Baekhyun, de tê-lo. Queria tanto que se tornava necessário, precisava encostar seus lábios aos dele como precisava de oxigênio, sentia que iria morrer se não fizesse.
—
Você
acha que isso é certo Baekhyun? — sussurrou com os olhos fechados em uma última tentativa de recuperar a razão e encontrar seus motivos agora tão escondido no inconsciente.
— Eu não entendo o que é certo mas não ligo se isso for errado. Nós não temos sangue igual, Chanyeol, apenas desejo, e ignorar ele não vai fazer ir embora, apenas sentir mais.
Baekhyun havia entendido tudo errado, não estava o negando por família, não, isso jamais passaria por sua cabeça, sua negação era o medo dele sumir, o medo de voltarem a serem estranhos dividindo uma casa, era insegurança de não ser bom o suficiente de não cumprir com o esperado. Era medo de se tornar um desconhecido para ele, de ser retirado de sua rotina e perder seu posto como abrigo.
— Por favor, Chanyeol… — Baekhyun implorou encontrando seus olhos quando voltou a abrir. — Por favor, não me faça esperar mais.
E Chanyeol não faria, nunca mais o faria. Não deveria deixá-lo esperando por um toque nunca mais. Precisava vencer seus medos e ir contra suas inseguranças porque mesmo que não soubesse do amanhã, o hoje era certo, e no hoje jamais permitiria que se afastassem de novo.
Chanyeol segurou a nuca de Baekhyun
e guiou os lábios dele até os seus. As bocas se encontraram com pressa, com desejo e vontade reprimida. Sem que pudesse prever, Chanyeol já estava o trazendo para cima de seu colo, encaixando as mãos na cintura fina e delicada e maltratando com os dedos. Baekhyun enfiou as mãos por entre seus fios e gemeu dengoso juntando as línguas. A sala estava tomada pelo som de prazer dos dois, o gosto do vinho se tornava notável a cada toque das línguas e o jeito como Baekhyun parecia querer se aconchegar cada vez mais perto de seu corpo aquieceu Chanyeol. Eles se beijavam com gosto, com desespero e vontade, com o desejo de quem espera muito tempo por isso, a necessidade dos toques era clara e a lareira parecia deixar tudo ainda mais quente entre eles.
O Byun separou as bocas, puxando o ar e os olhos se encontraram por um milésimo de segundos antes de Baekhyun voltar a encontrar os lábios novamente, e Chanyeol agradecia por poder tornar aquilo real de verdade dessa vez. Todo aquele tesão guardado através dos dias pareceu surgir ainda mais forte agitando ambos os corpos, tornando cada contato quente como o próprio fogo da lareira que com certeza estava impressionada com tamanho fogo dos dois, mesmo assim, ainda que envolvidos em desejo latente, ainda tinha aquele resquícios de carinho e cuidado. Por trás de todo aquele toque sedento, Chanyeol enxergou carinho por parte do Byun, e era gostoso saber que além de desejado por ele, havia aquela outra coisa implícita nos toques.
Não queria se separar de Baekhyun nunca mais, seu único desejo era beijá-lo para sempre e agora entendia que havia feito o certo em esperar, porque uma vez que tinha tido o gosto dele, nunca mais queria um outro alguém.
Baekhyun tornou a se afastar, o peito subindo e descendo os dedos tremendo e o olhar pregado ao de Chanyeol, com desejo e um milhão de verdades escancaradas. Chanyeol estava vendo nos olhos dele tudo aquilo que sentia, e nem precisava ouvir pra saber que seu sentimento, aquele que sempre temeu colocar em palavras reais era recíproco, ainda sim Baekhyun falou:
— Chanyeol, antes de te conhecer eu achei que conhecia o amor, e eu achava que ele era doloroso e difícil, pensava que eu tinha que suportar tudo porque as coisas deviam ser assim, mas você me mostrou que não precisa doer, me provou que quando é pra ser não existe medo, ou insegurança, não existe incerteza, pelo contrário, tudo é tão certo… E mesmo que estejamos errado, mesmo que você pense que isso não tá certo, eu quero que saiba que eu quero ser suficiente para você, porque você é mais que suficiente pra mim, então não tente me afastar novamente, nunca mais faça uma escolha que não seja eu, por favor, me queira como te quero.
Se não fosse orgulhoso, Chanyeol diria que sentiu os olhos se encheram de lágrimas, o sorriso de demonstrou foi sincero como nenhum outro, caralho, amava ele, e nunca no mundo achou que seria capaz de fazer algo assim, amar alguém, amar Baekhyun. Não havia declaração no mundo que pudesse superar a dele, foi como se tudo no mundo parasse e não conseguisse sequer pensar em uma forma de responder, o jeito como seu coração vibrou dizia muito mais do que qualquer palavras que pudesse falar, e nem sabia como explicar que jamais no mundo queria fazer uma escolha que não fosse Baekhyun.
— Eu
quero
você, Byun. Sem mais jogos, disfarces ou fugas, quero ser seu e pertencer a você independente da circunstância, independente de como começamos e independente das consequências. Nada mais faz sentido pra mim se não for você.
E Baekhyun não precisava de uma declaração maior, precisava apenas da confirmação do que os olhos e as ações de Chanyeol já haviam deixado óbvio a muito tempo atrás. Voltaram a se beijar naturalmente. As bocas se encontrando como velhas conhecidas que nunca deveriam ter se separado.
A cabeça de Chanyeol ficou em branco e apenas Baekhyun importava, apenas o detalhe de suas mãos encaixadas no corpo dele como se tivessem nascidos um para o outro e se chanyeol não fosse tão cético acreditaria que de fato tinham sido, afinal, teria como ser outra coisa além do destino?
Apoiou Baekhyun com os braços, sustentando o peso dele contra seu corpo na intenção de mudar posições. Os beijos faziam barulho na sala, os suspiros de Baekhyun entravam pelo ouvido do Park e enchiam
sua cabeça com os desejos mais profanos, queria fazer com Baekhyun todas as incumbências que seu corpo andava desejando.
Deitou Baekhyun contra o chão frio da sala, a lareira crepitando sendo testemunha da falta de vergonha que ambos estavam perto de cometer, mas Chanyeol não se importava nem um pouco com o constrangimento, não quando as pernas de Baekhyun se fecharam em sua cintura e ele suspirou audível.
Chanyeol encarou os olhos pedintes, a boca entreaberta puxando ar, pensando em todas as indecências que seria capaz de fazer com o amontoado de jóias que ele tinha espalhado pelo corpo. Se deitou por cima do Byun sustentando o corpo com os antebraços e foi incisivo levar o polegar para tocar o lábio babado quando Baekhyun abriu espaço entre os rostos, afastando a boca e deixando que um gemido deixasse a garganta quando involuntariamente as pelves se encaixaram.
— Eu queria fazer as coisas certas, Baekhyun — ele disse, os dedos escorregando pela a face de bochechas rosadas e o polegar desenhando a linha dos lábios. Seu tom saiu raivoso, quase como se amaldiçoasse o bendito Byun. — Mas você tinha que ser tão diabólico, não é? Tinha que testar meu limites, me deixar na beira do precipício.
— Você não entende que é isso que eu quis o tempo todo? — Baekhyun retrucou, os olhos colados ao seu e a voz saindo sussurrada e provocante, selvagem como ele conseguia ser sem esforço. — Você não entende que eu quero que perca a paciência, quero que faça o que tá pensando em fazer, eu quero você, Chanyeol, tanto quanto você quer a mim. — Chanyeol sentiu o ar deixar os pulmões com a confissão perversa, e pensou que o mais justo era que ele sentisse o mesmo, por isso os dedos deslizaram pela pele leitosa, agarrando a garganta bonita.
— Não faz isso… — pediu, implorando naquele dejavu, tinha quase certeza de já ter vivido aquela sentença em outro momento. — Não me provoca desse jeito. — Aplicou mais força no movimento e Baekhyun gemeu, dessa vez voluntário, provocativo, um som manhoso deixou os lábios gostosos e Chanyeol soube que ele não facilitaria de nenhuma forma. E não demorou para que ele voltasse a ditar suas palavras imundas.
— Eu quero que me coma com vontade, eu preciso que meta em mim, Chanyeol. Fundo e forte. Te dou passo livre, você pode fazer qualquer coisa comigo, eu te permito me manipular como quiser, me faça seu. — A língua deslizou pelos lábios rosas e Chanyeol não conseguiu desviar o olhar totalmente hipnotizado, também não conseguiu repreender o cérebro a tempo de impedir que fizesse o mesmo, repetindo o ato. Baekhyun tinha os olhos mais lindos do mundo, eles carregavam sinceridade, promiscuidade e luxúria. Chanyeol percebeu o corpo tremeu quando Baekhyun também se apoiou nos antebraços, levantando o tronco e guiando a própria boca até seu ouvido, sobrando em seu lugar sensível. — Foca em mim, Chanyeol, no que você quer fazer comigo. — Se insinuando daquele jeito gostoso, Chanyeol percebeu que não tinha - nem queria - mais como fugir. — O que você quer de mim?
Os olhos cheios de devassidão, desejo e tesão voltaram a fazer margem com o seu, e Chanyeol apertou o pescoço fino novamente quando tornou a juntar os lábios. Baekhyun encontrou sua boca no meio do caminho com a língua para fora, e Chanyeol nunca sentiu tanto tesão na vida quanto, quando chupou a língua gostosa, bebendo do vinho doce direto do paladar dele, e não foi surpresa alguma quando percebeu que não tinha nada melhor do que aquilo. Puxou o piercing com delicadeza, sentindo o objeto gélido em sua língua, criando um milhão de cenários indescentes onde sujaria a pequena joias com sua porra, antes de obrigar Baekhyun a engoli-la.
— Deita, Baekhyun — exigiu com a voz grossa, tomada pelo desejo de ser corrompido por ele, porque nem que tentasse fingir, não tinha nem como se conter. Baekhyun era o diabo, o tentando dia após dia, e Chanyeol não era tão resistente quanto Jesus para sustentar suas palavras por quarenta dias e quarenta noites. Que não soasse profano — ainda que não acreditasse, Chanyeol não queria desonrar nenhuma religião — mas jamais negaria a carne, não enquanto o corpo estivesse passando fome.
Se afastou do corpo menor, tomando distância suficiente para que sem pudor ou espaço para vergonha pudesse arrancar a peça que cobria a intimidade de Baekhyun.
Baekhyun não usava cueca - e ele nunca usava - então despi-lo da parte inferior não foi problema. Ainda sim, exigiu que ele mesmo tirasse a camiseta velha de banda que escondia os mamilos perfeitos enfeitados com as joias brilhantes. Assim que o abdômen magro foi descoberto, Chanyeol espalmou a palma na pele branca, percebendo o contraste imediato de cor da derme com o desenho que enfeitava o corpo belo.
Também percebeu a diferença da própria palma que cobria a barriga, fazendo notável a diferença, Baekhyun passava muito tempo dentro de casa e Chanyeol gostava de divertir seus dias caminhando pelo condomínio antes que o fim da tarde desse as caras. A mão bronzeada tocou a barriga bem em cima do umbigo bonito e foi com muito tesão que percebeu que a cintura de Baekhyun era do tamanho de seu palmo aberto.
Apertou a pele levemente e, para Baekhyun, o contato pareceu queimar pois ele contraiu o abdômen e soltou um murmúrio gostoso. As pernas tentaram - falhamente - se fechar ao redor do corpo de Chanyeol, mas foram devidamente impedidas pela mão livre dele. Baekhyun se contorceu inteiro com o toque puxando a respiração e Chanyeol assistiu com orgulho a pele inteira dele arrepiar. Assim como a própria ao ouvir a lamúria recheada de desespero.
Buscou os olhos cor de mel enquanto agarrava ambas as mãos de cada lado das ancas esbranquiçadas - que mudaram a tonalidade para um vermelho quase rosa conforme Chanyeol exprimia o corpo dele entre os dedos - e suspendeu o quadril largo no ar, tirando de Baekhyun um grito surpreso.
— Chanyeol — ele murmurou, buscando equilíbrio nos braços enquanto Chanyeol de joelhos trazia o quadril dele de encontro com o seu.
A posição pareceu meio desengonçada, e difícil de ser compreendida, principalmente para o Byun que franziu a testa quando tentou levantar o tronco e foi impedido pelo Park.
— Eu disse deitado — ele voltou a ditar com a voz autoritária, sentindo nos dedos o corpo alheio tremer e voltar à posição anterior. Honestamente, Chanyeol achou que Baekhyun seria mais controlador, mas foi gostoso descobrir que ele estava bem suscetível às suas ordens.
Com a virilha do Byun mais próxima de seu corpo, Chanyeol se permitiu analisar o membro que crescia aos poucos. Baekhyun estava meia bomba e o pau assustadoramente rosinha contrastava absurdamente com a derme pálida e a mão amorenada. O tamanho também foi uma surpresa para o Park, não que pensasse muito sobre o pau de Baekhyun - e porra, pensava pra caralho - mas toda a vez que imaginava, pensava no membro como algo bem maior, dado ao tamanho do ego sem fim de Baekhyun. Olhando agora, a personalidade forte, síndrome de grandeza e a babaquice parecia até irônico. Se ainda vivessem em pé de guerra, Chanyeol diria que toda aquela disputa por ego era nada mais que uma busca por preencher a confiança que não havia crescido entre as pernas.
Sentiu um desejo imenso de provocá-lo com aquilo, mas se calou, ciente de que falar sobre o que um homem guarda entre as pernas não era o que um adulto de bom caráter faria. O que não impediu Chanyeol de soltar um riso debochado, nem Baekhyun de arquear a sobrancelha em desafio, era quase como se ele soubesse que diria algo, e quis retrucar antes. Mas Chanyeol já sabia o ler como nenhuma outra pessoa, e assim que o Byun fez menção de abrir a boca, Chanyeol segurou o pau entre os dedos, torcendo o pulso repetidas vezes.
Baekhyun soltou um som de prazer arrastado e se contorceu por inteiro assim que teve o membro agarrado. “
Filha da puta
”, ele sussurrou, irritado, e Chanyeol sustentou um sorriso indecente e provocante nos lábios, bem parecido com o que o próprio Byun gostava de exibir quase sempre.
— Olha a boca, amor, vou ter que te ensinar boas maneiras? — Chanyeol debochou, torcendo o punho e esfregando o polegar na cabecinha rosada, assistindo anestesiado o pau verter o líquido transparente do topo, a mão imediatamente foi banhada com lubrificação em abundância. Outro som e dessa vez Baekhyun choramingou querendo outra vez fechar as pernas, o estômago de Chanyeol vibrou e o pau deu uma guinada bruta, dentro das calças a própria cueca ficou suja com o líquido que o membro duro expeliu.
O Byun cerrou os olhos, levando um dos braços até a boca, e em seguida encarcou os dentes na carne esbranquiçada e Chanyeol sabia que era uma punição por sua gracinha, Baekhyun não queria lhe dar o prazer de ouvi-lo e ele não que se importasse com esse detalhe, não enquanto pudesse assistir os olhos revirarem e as coxas tremerem.
Baekhyun tentou estocar a mão do professor de literatura, provavelmente cansado da masturbação lenta e preguiçosa que recebia, mas Chanyeol não permitiu, pesou rapidamente a mão disponível em cima da virilha dele, fazendo força para impedir o quadril de levantar.
Os olhos deslizaram pelo corpo, subindo a atenção até o colo, percebendo as clavículas marcadas e o início do pescoço avermelhado. Baekhyun era tão explicitamente honesto nas reações do corpo, que ele não conseguia esconder nada ainda que se esforçasse. De repente Chanyeol pareceu lembrar do par de joias nos mamilos marrons e decidiu que era uma boa hora para largar o membro babado em cima do abdômen, e concentrar seus esforços em outras provocações.
Percebeu a taça de vinho dispersa pela metade na mesa de centro, e não precisou de muito tempo para segurar o vidro entre os dedos. Aproveitando da distração - e confusão por ter seu membro solto de repente - do Byun, Chanyeol derrubou o líquido vermelho em cima da joia esquerda, e antes que ele tivesse tempo de contestar ou entender, Chanyeol desceu o tronco, arrastando a língua sobre a pele leitosa.
Baekhyun tremeu novamente, gemendo arrastado e levando as mãos para seus cabelos. As pernas dele se fecharam ao redor de seu tronco e o corpo todo se contraiu. Chanyeol alcançou dentro da taça um cubo de gelo que estava quase em fase terminal e arrastou o que sobrou em cima do outro mamilo. Baekhyun arrastava as unhas em seu couro cabeludo, mas a ação não tinha reflexo algum no que fazia, a língua ainda era pressionada contra a auréola sensível assim como o gelo era pressionado contra a derme quente, mas mais do que chupar, Chanyeol também mordia e puxava o pequeno metal sem muita força, se deliciando do quão sensível Baekhyun estava se mostrando.
O membro duro e bastante disperso explodia dentro da calça, desesperado para sair e se enfiar bem fundo dentro do Byun, os gemidos de Baekhyun se tornavam cada vez mais altos e o aperto em seu cabelo desceu para seus ombros, como se daquele jeito conseguisse melhor descontar seu tesão.
— Chanyeol, por favor… — o Park ouviu a voz pedinte.
Baekhyun apertava bem as pernas ao redor do tronco do professor de literatura inglesa e Chanyeol perdeu as contas de quantas vezes ouviu a cabeça dele bater contra o chão. Era meio engraçado e preocupante nas mesmas medidas. Quis colocar a mão de trás da cabeça dele, mas isso implicaria em soltar um dos mamilos e aquela deveria ser uma decisão bem pensada.
No fim decidiu que ainda tinha muita força de vontade para fazer Baekhyun implorar por si e decidiu por torturá-lo de outra forma.
— Gosta disso Baekhyun? — Chanyeol perguntou, a voz rouquinha agora muito próxima do ouvido sensível que ainda fez questão de morder e soprar, apenas para vê-lo se debater em angústia.
Colocou a mão no chão embaixo da cabeça dele antes que ela fosse de encontro com o piso novamente e selou a bochecha macia em um carinho controverso a todo o clima quente que estavam inseridos.
— Responde quando eu perguntar, merda. — Chanyeol agarrou o maxilar marcado com uma das mãos, querendo a atenção do olhar fulminante dele em si, e se não soubesse que Baekhyun estava puro tesão, acreditaria que ele estava puto pela forma como o olhar queimou Chanyeol.
— Vai se foder. — E lá estava ela, a personalidade bruta que pareceu sumir nos últimos tempos. Chanyeol admitia sem expressar, que desde que teve a primeira interação com ele ainda na casa da mãe, era aquele Byun que queria foder. Aquele cheio de ódio e de temperamento instável.
Chanyeol sorriu, a fileira perfeita de dentes aparecendo porque era exatamente o que queria interiormente. Mesmo que estivesse feliz com a mansidão inicial dele, queria testar aquela outra cheia de ódio também.
— Adoro quando você xinga assim, cheio de ódio. Me dá um tesão do caralho — segredou ainda apertando o queixo alheio com firmeza.
— Então me fode de uma vez — ele exigiu.
Chanyeol estalou a língua na boca, como se reprovasse sua resposta.
— Tão impaciente .— E então mordeu o lábio inferior do Byun, puxando o piercing com os dentes. — Seja um bom garoto e vai ter uma boa recompensa.
—
Me fode
— disse pausado, como se sua solicitação irritada, dita olho no olho, fosse mudar a opinião de Chanyeol.
O Park apenas sorriu, afastando a mão do rosto e o tronco dele. Segurou nas coxas firmes com força e sorriu feito um demônio — Cala a boca — alertou, e no segundo seguinte virou o corpo do Byun em um só movimento, o grito esganiçado e surpreso saindo direto da garganta dele encheu os ouvidos de Chanyeol, vibrando seu membro dentro da calça.
Caralho
se não quisesse tanto mostrar suas habilidades para ele, com certeza o foderia naquele instante. Baekhyun só teve tempo de proteger o rosto durante o movimento inesperado. Chanyeol ouviu o impacto dele contra o chão e outro xingamento deixando os lábios inchados.
— Caralho, Chanyeol — Baekhyun grunhiu irritado. — Toma cuidado. — A voz ainda arrastava um pouco de manha mesmo com a irritação. Mesmo que não estivesse vendo o rosto bonito, Chanyeol conseguia visualizar com perfeição um bico modelando os lábios.
— você gosta.
Deitou Baekhyun de bruços no chão e depois curvou seu corpo, o colocando de quatro, se enfiou entre as pernas dele, o obrigando a se abrir ainda mais, e quando alcançou a taça entre os dedos novamente, usou as pontas das falanges para sujar o rabo grande com o líquido vermelho.
— Achei que tivesse dito que poderia fazer de você minha marionete — acusou, se lembrando da fala de alguns (ou seriam muitos?) minutos atrás. Os dedos ainda gelados tocaram a pele sensível e Baekhyun tremeu por inteiro, quase não se mantendo em pé, Chanyeol agarrou os cabelos agora castanhos e puxou até que o Byun estivesse de joelhos com as costas coladas em seu peito. — Entendi errado, Baek?
— Vai se foder — ele sussurrou novamente, os olhos afiados o olhando por cima dos ombros, Chanyeol o jogou novamente no chão. Estava com tesão demais para ser gentil, e também tinha a impressão de que Baekhyun gostava daquele tipo de sexo, daquele jeito mais bruto.
— Vou foder você — murmurou em resposta.
Chanyeol voltou a enfiar os dedos sobre a borda da taça, e usou os dedos lambuzados novamente para sujar a pele de Baekhyun. Usou o líquido gelado para molhar as bolas pesadas de porra. Baekhyun contraiu o corpo por inteiro quando o líquido entrou em contato com a derme, não mais como pingos de antecipação, mas agora em abundância.
O vinho desceu pelas bolas, escorrendo pelo pênis ereto e sujando o chão. Baekhyun não entendeu o que estava acontecendo e virou em direção a Chanyeol, assistindo ele concentrado em lambuzar seu corpo. Pensou em chamar a atenção do Park e questionar qual a finalidade daquilo e porque caralhos estava sendo prestado àquele papel, mas muito antes que pudesse ser ouvido, Chanyeol já estava abaixado, enfiando a cara entre suas pernas e chupando seus testículos.
Baekhyun precisou de muita força para manter os joelhos no chão, já que no momento em que as bolas encontraram a língua experiente e gostosa de Chanyeol as pernas tremeram tanto que quase cederam. O Byun se concentrou muito em ficar na posição exata para receber o prazer e mesmo que sentisse a entradinha contrair desesperado por alguma coisa dentro dele, não conseguia pensar em nada que não fosse Chanyeol o chupando com força e vontade.
Colocou uma das mãos para trás, alçando os fios negros e apertou os cabelos do Park, forçando o rosto dele contra sua entrada,
praticamente se esfregando contra a face bonita. A língua gostosa era arrastada entre uma bola e outra, e Baekhyun mais sentiu do que ouviu Chanyeol sorrir atravessado, as mãos esmagando sua bunda, enquanto a língua fazia um estrago no seu consciente.
Chanyeol chupou uma bola de cada vez, colocando dentro da boca, umidificando com a saliva, sugando com pressão. Baekhyun gemia fino, parecendo um gatinho no cio todo desesperado, ele engasgava toda vez que Chanyeol esfregava o nariz entre a fina linha que ligava os testículos cheios e o cuzinho sensível. O Park sentia o gosto do vinho na boca e era gostoso de um jeito perverso e diabólico como o próprio Byun. Baekhyun era a perdição de Chanyeol e não tinha como isso mudar, nem queria se desfazer de tal constatação. Mamava Baekhyun sem vergonha, usando as mãos para apertar e estapear a carne que estava ao alcance, o tesão queimava dentro de si, quente como um vulcão, muito mais do que o fogo da lareira que os assistia.
Chanyeol percebeu a bagunça que estava fazendo assim que tomou distância, o rosto todo babado, as coxas tremendo em seus dedos e os gemidos inundando seus ouvidos, o gosto de vinho tomando seu paladar, o deixando ainda mais bêbado. Afastou definitivamente quando satisfeito pela bagunça de vinho e babá, que protagonizou. Percebeu imediatamente que seus apertos haviam deixado marcas avermelhadas na pele que era tão sensível que qualquer pancada sem força deixava tudo marcado. O rabo de Baekhyun contraia sem parar, e nem precisava de muito para saber que ele era puro desespero naquele momento, e Chanyeol queria usar e abusar do corpo até que nenhum dos dois aguentasse mais, principalmente quando Baekhyun o encarava por cima dos ombros com aquela carinha de quem estava muito perto de um colapso.
Chanyeol levou o polegar até a entradinha, esfregando de cima a baixo, e afastando o dígito em seguida, apenas para ver o buraquinho piscar necessitado e o Byun se remexer querendo mais. Baekhyun murmurou uma reclamação, chamando por Chanyeol, e logo o Park levou o dedo novamente, arrastando contra as preguinhas, juntou saliva na boca e cuspiu exatamente em cima do buraquinho enrugado, sabendo que não tinha lubrificante em casa.
O dedo se moveu buscando espaço, e Chanyeol encontrou certa dificuldade para penetrar a princípio, afinal Baekhyun era muito apertado e a saliva não servia de muita ajuda. Apesar da dificuldade, Chanyeol não desistiu, e com muito jeitinho conseguiu penetrar, sentindo o cuzinho rejeitar seu dígito e tentar expulsá-lo a todo custo, o aperto apenas deixava Chanyeol ainda mais desesperado por meter.
Procurou os olhos do Byun, percebendo o par cerrado enquanto a cabeça dele estava deitada contra o chão gelado, ele tremeu as pálpebras e cerrou os punhos, tirando reações satisfatórias do professor. No começo foi difícil encontrar espaço dentro dele, o corpo quente tentava repelir o músculo a todo momento, tornando impossível penetrar o buraquinho, mas Chanyeol logo conseguiu enfiar o primeiro, depois o segundo e quando se deu conta, com auxílio da saliva três dedos já cabiam dentro da entradinha.
Chanyeol não fazia ideia de há quanto tempo estavam ali, mas os joelhos já reclamam a posição e Baekhyun se encontrava orvalhando suor, que escorriam pelo corpo delineado e encontraram o chão rapidamente. Os dedos entravam rápidos e iam fundo, uma mão usava para afastar as bandas uma da outra, e na outra os dedos se curvavam dentro do canal procurando maneiras de dar mais prazer a ele. Já sentia os músculos tremerem e o corpo sofrer com espasmo cada vez que usava os dedos dentro do cuzinho apertado. Os gemidos de Baekhyun entravam por seu ouvido e encontravam seu membro desperto com uma facilidade dolorosa.
Estalou um tapa alto na nádega direita, pintando de vermelho intenso enquanto o Byun rebolava contra sua mão sem parar, guiou a mão livre para o falo começando uma masturbação. Torceu o punho iniciando movimentos lentos, apenas para dar a Baekhyun um gostinho do céu, para em seguida tirar dele. Havia se acostumado com a tensão entre eles, e provocar baekhyun era meio que uma necessidade agora.
— Chan por favor, por favor… — ele implorou, choramingando.
Baekhyun mexeu as pernas inquieto fechando as mãos em punhos, mas Chanyeol só usou o sussurro como combustível para mover os três dedos mais rápido na entradinha babada. Estapeou a pele leitosa, três tapas certeiros que mancharam a carne com o tamanho exato de sua mão e Baekhyun o xingou, alto, o corpo se contraindo e a entradinha piscou acordada, expulsando os dedos, o professor afastou em seguida e passou apenas a acariciar o períneo, esfregando de cima para baixo, fazendo movimentos giratórios e provocando, com a mão que ainda segurava o pau alheio, se ocupou em diminuir a velocidade do pulso, torturando o Byun.
Levou o polegar até a parte sensível que clamava por sua atenção, esfregando a pontinha no mesmo momento em que penetrava a pontinha do dedão no cuzinho e observando o Byun se contrair enquanto o buraquinho se fechava ao redor do dígito. Baekhyun se empurrou para trás em busca de um contato mais íntimo, choramingando indignado com a ação de Chanyeol de retirar o dedo em seguida, e soltando o membro.
— Chanyeol — Baekhyun chamou novamente, e ouvir a voz dele manhosinha era revigorante. — Por favor...
Chanyeol sentiu o pau doer de necessidade, e percebeu que ele próprio não estava mais aguentando esperar. Enfiou a mão por dentro do moletom, livrando o pau do aperto da cueca e abaixou as calças. Baekhyun olhou por cima do ombro curioso com seus movimentos, e pôde ouvir o suspiro de alívio dele enquanto assistia Chanyeol tirar a camisa.
— Eu não tenho lubrificante nem camisinha em casa — anunciou de repente.
A cabeça estava doendo, o corpo arrepiado e os dedos tremiam. Afagou as nádegas com carinho, se abaixando para selar os pares. Baekhyun era perfeitamente lindo, mas naquela posição, com a bunda empinada e a entradinha pedindo por atenção, ele ficava ainda mais.
— Você é uma piada — ouviu o murmúrio recheado de deboche. — Que merda, Chanyeol, como você não tem a droga de um lubrificante?
Baekhyun se exaltou, mas a fala foi calada rapidamente quando sem piedade alguma Chanyeol voltou a estapea-lo. — Olha a boca Byun — alertou. — Merda, queria mesmo meter em você, mas vamos ter de fazer à moda antiga.
— Não vai usar saliva, vai? — Baekhyun parecia realmente preocupado com a possibilidade de ser penetrado usando apenas fluidos corporais, os dedos eram tranquilos, apesar de cumpridos, Chanyeol não tinha dedos tão grossos, agora o pau… Chanyeol tinha um pau grosso e grande, aquele tipo que doi até se entrar com cuidado e muito lubrificante, não gostaria de saber como seria de fato uma penetração sem preparação adequada.
Dessa vez foi Chanyeol quem sorriu debochado de seu comentário, e sentiu algo aquecer no estômago.
— Tenho trinta anos Baekhyun, não dezessete — ele concluiu como se fosse lógico. Baekhyun olhou por cima do ombro, uma sobrancelha arqueada e a língua passando entre as bochechas.
— E como pretende me comer professor?
— Muito simples: não vou. Cruza as pernas.
Chanyeol apertou a bunda bonita, e piscou um olho para o Byun, abrindo espaço para que ele pudesse fazer o que foi solicitado. Baekhyun pareceu levar um tempo para entender o que pretendia fazer, mas quando o cérebro enfim compreendeu, ele cruzou as pernas, um sorriso venenoso vazando nos lábios, a ideia não parecia tão ruim no momento, o tesão falava mais alto, e sabia que amanhã suas coxas estariam doendo mais do que o inferno, mas aquilo seria bem melhor que tentar enfiar Chanyeol em seu rabo sem lubrificante.
— Que tipo de adulto não tem lubrificante e camisinha em casa — não deixou de comunicar sua indignação.
— um que não sabe que mora com a porra de uma vagabunda no cio – a resposta pareceu certeira para Baekhyum, que logo calou a boca, sem mais murmúrios, apenas se ajeitando no chão e cruzando as pernas conforme pedido.
Chanyeol segurou o próprio membro, começando uma masturbação lenta que captou a atenção do Byun, mesmo que precariamente pela posição, espalhou lubrificante natural pelo membro, conforme se aproximava da bunda bonita, e logo começou a deslizar o pau grosso pelas coxas sensíveis. Baekhyun soltou um som do fundo da garganta, Chanyeol cerrou os olhos e deixou um suspiro escapar dos lábios ao sentir a pressão no caralho duro.
Obviamente era totalmente diferente de meter em um cu, mas não menos gostoso por ser Baekhyun ali, de quatro pra ele.
— Chan… — Baekhyun chamou, baixo.
Assistir o pau esfregar entre as coxas macias foi delirante, Chanyeol gostou da forma como o pré-gozo manchou de branco todo o espaço de pele onde passava. O jeito como Baekhyun tentou rebolar o deixou fascinado. Sem conseguir se conter mais,
permitiu-se se afundar até o fim, de uma vez, entre as pernas, uma das mãos levou até os cabelos castanhos encaixando os dígitos entre os fios.
— Não grite — Chanyeol mandou, tapando a boca alheia com a mão livre.
As investidas começaram brutas e rápidas de um segundo para o outro e Baekhyun não estava preparado para uma mudança de atitude tão brusca. Chanyeol entrava e saía tão violento do aperto de suas pernas que as batidas secas dos quadris ecoavam pelo apartamento. Investia sem parar, deixando Baekhyun preso em um estopim tentando controlar a todo custo as reações do corpo. As pernas tremiam tanto que sentia a ponto de cederem a qualquer momento, ainda assim, Chanyeol não parava, os gemidos eram abafados pela mão pesada e as bolas doíam toda vez que o pau gordo se arrastava perto delas.
Baekhyun sentia as pernas tremerem e o abdômen ondular pela respiração pesada, a entradinha sensível piscava desesperada por um contato, enquanto o próprio pau doía negligenciado.
— você é tão gostoso — chanyeol sussurrou ao pé de seu ouvido quando retirou a mão de sua boca, e deixou com que os dedos caírem ao redor de seu pescoço, sem impor força.
Gemeu mais livre dessa vez, o corpo suado começava a grudar contra o de chanyeol
e a respiração dele em seu pescoço fazia com que o corpo inteiro ficasse arrepiado. Deitou a cabeça sobre o ombro alheio, ficando em uma posição totalmente desconfortável, mas não se desagradou, não quando um sorrisinho realizado brigou nos lábios do professor.
Depois de alguns muitos minutos metendo como podia, chanyeol sentia a ponto de explodir, o tesão crescia em seu interior, ainda mais quando os olhos perversos de Baekhyun estavam perto dos seus. Os gemidos dele ecoavam em sua cabeça, e seu nome era o que sempre surgia mais alto. Definitivamente bom de se ouvir. Fazia questão de fazer o trabalho bem feito só para ouvi-lo cada vez mais manhoso, esperava que os vizinhos não se importassem com o pequeno escândalo que estavam protagonizando, pois havia desistido da ideia de calar a boquinha bonita, a alguns longos minutos.
Chanyeol voltou a preocupar-se com o pau de Baekhyun quando este tentou guiar a própria mão até o falo, não tardou em prender os braços nas costas dele, e usar os próprios dedos para o proporcionar o prazer requerido. Os dígitos encontraram o membro duro como pedra, sentindo o corpo mole estremecer e as coxas tremerem. Baekhyun automaticamente se arrepiou por inteiro quando um espasmo tomou todo seu corpo. Chanyeol passou o polegar pela cabecinha sensível, afastando o prepúcio para esfregar com calma, bem lentamente à medida que ia aumentando a força das estocadas até que estivesse tão rápido que a única coisa a ouvir no cômodo fossem os choques dos corpos ao se encontrarem. As estocadas brutas solavancam Baekhyun, que a essa altura, encontrava uma enorme dificuldade em manter a posição, já que o corpo estava sustentado unicamente pelos joelhos e pela mão de Chanyeol que exprimiam seus pulsos em suas costas.
Deixou com que Baekhyun voltasse a ocupar o espaço no chão, se dando conta que ele estava muito mais frágil do que o esperado. Chanyeol aumentou os movimentos do pulso, masturbando o pau duro alheio com mais rapidez, enquanto os músculos do Byun reclamavam por um fim. Baekhyun soltou um gemido tão doce, contraindo os músculos da coxa com tanta força, que
até Chanyeol começou a sentir a típica queimação no estômago que indicava o orgasmo. Estava cheio de tesão assistindo Baekhyun esfregar as bochechas contra o chão enquanto babava em cima do piso. A pele se tornando vermelha e irritada, mas o Park mais tarde se preocuparia, por hora, estava mais focado em dar o prazer necessário para que o Byun se desmanchasse em seus dedos, e não demorou muito para acontecer.
O corpo inteiro de Baekhyun tremeu quando em um gemido mais longo o corpo cedeu contra o chão, Chanyeol havia descido os dedos para as bolas cheinhas e esse foi o estopim, perdeu todas as forças nas pernas que cedeu contra o chão fazendo com que deitasse de bruço no piso gelado. Chanyeol tão cansado quanto ele, retirou o membro do meio das coxas e passou a se masturbar rapidamente, a mão esfregava as veias e o polegar esfregava a cabecinha. Se aproximou do Byun, ficando de joelhos em cima do corpo magro, apenas para gozar em cima das serpentes vermelhas que cobriam a pele em um traço bonito e fino.
Gemeu rouco quando os jatos começaram a cobrir a tatuagem, o corpo aos poucos foi perdendo força conforme os últimos resquícios de porra encontravam a pele alheia. E quando terminou, Chanyeol fez questão de limpar a cabecinha contra ele, arrastando a pele sensível sobre a derme pálida.
Fraco e cansado Chanyeol se permitiu deitar no chão ao lado do Byun, a vista escurecendo de repente enquanto a moleza encontrava cada músculo de seu corpo. Se sentia fraco e indisposto, mas nunca exausto o suficiente para não conseguir se acomodar como podia e deixar um selar no ombro do Byun.
— Isso foi incrível — Chanyeol sussurrou, concentrado nos olhos bonitos — você é incrível.
Baekhyun sorriu, as bochechas vermelhinhas ficando evidentes e quase escondendo os olhos puxados. — Claro que foi, você transou comigo. — Havia uma confiança no tom, capaz de esconder toda a timidez do Byun.
Era tão confortável conhecer Baekhyun, Chanyeol sentia que era capaz de ler ele por inteiro, havia desvendado Baekhyun por completo, tudo sobre ele, seus medos, incertezas, inseguranças. Seus segredos, suas verdade e principalmente sua simpatia sem fim. Conhecia todos os lados de Baekhyun, e era apaixonado por todos eles.
— Sinto que a gente devia namorar — Chanyeol anunciou de repente, pegando Baekhyun de surpresa. A ideia estava rondando sua cabeça a um longo tempo, mas a insegurança sempre atrapalhou muito seu julgamento. Agora que Baekhyun tinha se declarado, no entanto, não tinha mais espaço para o medo da rejeição.
— Nossa, minha foda é milagrosa mesmo — ele respondeu, se escondendo por tras de um sorriso sarcastico. Os olhos focados nos de Chanyeol, confiante de que ele não seria capaz de entender toda a felicidade explícita nas íris brilhantes.
— Eu me encanto por você cada dia mais, me sinto apaixonado só de te olhar. Acho que a foda é a menor das minhas motivações pra te querer pra sempre, embora seja um ponto muito positivo — molhou os lábios, tentando parecer galante.
Baekhyun revirou os olhos, desviando a atenção para algum ponto na sala, ele estava com a cabeça entre os braços e Chanyeol não gostou nada de como ele parecia hesitante
sobre sua proposta. Por isso, tirou forças de onde não tinha, para arrastar o corpo dele até que estivessem colados um o outro e o Byun estivesse deitado em seu peito.
— Mas e nossas mães? — a pergunta veio acompanhada de um tom fraco. Chanyeol arqueou uma das sobrancelhas, jamais pensando que aquilo podia ser uma motivação para uma resposta negativa.
— Eu já sou maior de idade, você é menor? — debochou, tentando evitar o peso que aquela pergunta tinha para Baekhyun. Não queria que ele se preocupasse, estava obstinado a cuidar de tudo, principalmente de Baekhyun — Preocupado com o que a mamãe vai dizer, Byun?
— Cala a boca, idiota — Baekhyun murmurou, com um sorriso capaz de conquistar o mundo despontando nos labios.
Chanyeol não queria que ele se preocupasse, não queria que Baekhyun pensasse em nada que não fosse eles dois, nunca — Baekhyun, você não precisa se preocupar com nada, nunca mais, eu vou resolver tudo por nós dois.
Baekhyun encarou seus olhos por um minuto infinito, os dedos inquietos indicavam a ansiedade dentro dele, mas também havia uma confiança entre os dois que fazia tudo querer funcionar bem — eu quero ser seu namorado — ele confirmou por fim, sorrindo daquele jeito que iluminava o mundo inteiro.
E quando ele sentou em seu colo e voltou a beijar seus lábios, Chanyeol sabia que não tinha outra opção para eles, senão a eternidade. Estavam destinados, alguma coisa em seu peito confirmava aquilo toda vez que o tocava, ou olhava. Eram perfeitos juntos.
