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Sarah Granger Hogwarts

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Era a noite mais quieta na pacata Clapham, quando o silêncio foi cortado pela respiração ofegante da jovem Sarah Granger acordando assustada após mais um pesadelo. Desde que o irmão decidiu não passar as férias de verão em casa, os pesadelos se tornaram frequentes.A frustração da garota aumentava ao lembrar que em seu primeiro ano na escola de magia e bruxaria, não poderia fazer a viagem no famoso expresso para Hogwarts com o irmão.Jacob havia lhe prometido tantas coisas, desde acompanhá-la até o Olivaras para comprar sua primeira varinha até ensiná-la feitiços simples para que não chegasse a Hogwarts sem saber nada, "Os alunos que conseguem executar pelo menos um feitiço simples são considerados excepcionais, vou te ensinar pelo menos dois" lembrou do irmão prometendo a ela no último natal enquanto abriam os presentes, ainda estava chateada por ele ter quebrado a promessa que fez, porém sabia que a relação entre o irmão e o pai não estava nada bem, não era justo culpar o garoto por ter tomado aquela decisão afinal as "palavras" do pai haviam o atingido como um punhal atrelado ao peito, de certa forma ela também se decepcionou com o pai.Limpou o suor da testa tentando não pensar mais naquilo, praguejando mentalmente por ter acordado de novo, depois desses pesadelos tinha dificuldade em voltar a dormir, as imagens costumavam a assombrar e se sentia grande demais para ir correndo para o quarto dos pais como fazia quando era mais nova." Ao menos se Jacob estivesse aqui" pensou, ele sempre a distraia, brincavam que eram criaturas mágicas poderosas degladiando entre si, muitas vezes se empolgavam e terminavam em guerras de travesseiros acordando os pais, na hora da bronca Jacob sempre dizia que ele havia começado e livrava a irmã de castigos mais severos, era fato que as vezes ele também a assustava, como quando contou a história do "Coração peludo do mago" de seu exemplar dos contos de Beedle o Bardo, a garota sentiu arrepios ao lembrar da história mas encontrou uma boa forma de se distrair até pegar no sono.Esticou o braço apanhando o livro do irmão sob a mesinha de cabeceira, antes que pudesse abrir a capa ouviu um barulho em sua janela, largou o livro sob a cama e correu em direção ao ruído, ao abrir a janela viu uma coruja voando na direção leste, o que só poderia ter um significado, era uma carta de Jacob, mais que depressa a garota calçou as pantufas e desceu as escadas a fim de pegar a correspondência, a ansiedade não a deixava esperar pelo amanhecer."Será que Jacob virá me buscar?" — pensou enquanto descia as escadas tentando fazer o mínimo de barulho possível para não acordar os pais.Quando chegou no meio do caminho notou a luz da cozinha acesa, o choro soluçado da mãe fez seu coração palpitar mais rápido, se aproximou devagar do batente da porta, ainda escondida observou o pai com a mão sobre a testa andando de um lado para o outro, com a carta em uma das mãos, enquanto a mãe sentada sob uma das cadeiras deixava as lágrimas escorrerem pelo queixo, era mais que óbvio que aquela carta trazia más notícias sobre o irmão.— Eu vou até lá — disse o pai ainda atordoado — Nem que tenha que revirar aquele castelo inteiro— David! — a mulher se levantou e segurou em seu braço — Você sabe que já fizeram isso não é?O marido a encarou com os olhos marejados e a puxou contra o peito, envolvendo os braços em torno do corpo dela chorando aflito, a filha nunca havia o visto daquela maneira, começara a ficar cada vez mais assustada com o desespero dos pais.Era fato que o irmão já a algum tempo havia passado dos limites, saindo quase todas as noites do castelo sem permissão, faltando às aulas ou saindo no meio delas alegando ter fortes dores de cabeça, foi encontrado diversas vezes atordoado durante a noite vagando pelo castelo, os pais haviam sido chamados até a escola de magia para assinar as detenções do garoto com urgência.Sarah não conseguia deixar de admitir que Jacob estava mesmo estranho, já não conseguia mais aguentar aquela tensão precisava saber o que a carta dizia, saiu de trás do batente se colocando à frente dos pais.— O que aconteceu com o Jacob? — perguntou engolindo a seco — Ele se machucou?A mãe esticou o braço a puxando para aquele abraço e ambos a apertaram forte deixando a garota cada vez mais confusa e ansiosa, ela sabia que havia acontecido algo terrível com Jacob mas não queria acreditar— O que aconteceu? Mamãe por favor me diz — as lágrimas brotaram de seus olhos castanhosFinalmente os pais a soltaram, a mãe se sentou e a guiou para se sentar em seu colo, enquanto o pai se sentou na cadeira ao lado se aproximando das duas.— Meu amor…— a voz falhada da mãe saiu de seus lábios ainda trêmulos — Seu irmão foi expulsoOs pequenos olhos castanhos se arregalaram e ela apertou os dedos da mão da mãe como sempre fazia quando ficava nervosa— Ma..mas, ele está bem? — sentiu o nó apertar sua garganta de novo — Ele está vindo para casa,não é?— Nós…Nós não sabemos! Seu irmão não é visto desde que foi expulso, mas, Sarah, querida! — enxugou as lágrimas — Escuta, a mamãe! — respirou fundo — Nós vamos encontrá-lo, está bem? — acariciou o dorso das pequenas mãos da filha enquanto acenava com a cabeça em direção ao marido esperando por uma confirmaçãoOs olhos castanhos da garota completamente marejados seguiram em direção ao rosto cabisbaixo do pai que suspirou enquanto acenava negativamente com a cabeça— David! — a esposa lhe chamou atençãoO Homem olhou para o rosto infantil da filha que mesmo com o olhar assustado ainda esperava por sua confirmação, assim como a esposa que tentava buscar algum tipo de calma com a afirmação do marido que tudo se resolveria— Vamos fazer o possível está bem? — comprimiu os lábios enquanto esfregava os dedos na calça— Vamos encontrá-lo custe o que custar querida — a mulher censurou o marido com o olhar em seguida segurou o rosto da filha entre as mãos acariciando a fim de acalmá-laA garota estendeu os braços e agarrou o pescoço da mãe apertando forte enquanto soluçava.— De qualquer forma, precisamos ir a Hogwarts o mais rápido possível — o marido se levantou da cadeira voltando a andar de um lado para o outro — Você acha que suas mães podem ficar com a Sarah?— Sim, vou falar com elas! — tirou a filha do colo, tentando não bufar com a atitude do marido — Vamos meu amor! — segurou a mão da garota a guiando para o quarto.**********************************Agarrada a um dos grandes travesseiros que os pais tinham na cama de casal, a garota viu a mãe arrumando as malas enquanto as lágrimas ainda escorriam por suas bochechas, embora a mãe tentasse parecer bem conseguia enxergar nos olhos dela o mesmo desespero que gritava em seu peito, tinha muitas perguntas mas sabia que provavelmente ela não saberia responder nenhuma, apesar de tudo estava grata pela mãe ter a levado diretamente para o quarto dos pais, não conseguiria enfrentar o resto da noite sozinha.— Está pronto! — disse a mãe fechando o último zíper da mala — Já mandei uma coruja para suas avós, avisando que chegamos amanhã cedinho — se sentou ao lado da filha, e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha da garota — Preciso que se comporte até voltarmos tudo bem?Sarah apenas acenou com a cabeça positivamente enquanto seus olhos castanhos encaravam a mãe— Você quer dizer alguma coisa querida? — perguntou a mãe preocupada com o silêncio da garota— Eu vou poder mesmo dormir aqui? O papai diz que já sou grande… — suspirou angustiada com receio do pai a mandar de volta para o seu quarto— Não se preocupe, meu amor! — acariciou o rosto redondo da garota — Eu me resolvo com seu pai, agora só quero que tente dormir um pouco minha princesa — se deitou ao lado da filhaA garota acenou com a cabeça, largando imediatamente o travesseiro e agarrando o corpo da mãe recostando a cabeça sobre o seu peito— Mamãe?— Sim, meu amor!— Tô com medo — a voz da garota soou fraca — E se aconteceu algo de ruim com Jacob? — comprimiu os lábios e engoliu a seco tentando não voltar a chorar— Seu irmão é um jovem bruxo talentoso — fez um afago nos longos cabelos da filha — Onde quer que esteja sei que vai fazer de tudo pra ficar a salvo — depositou um beijo em sua testa — Vai ficar tudo bem filha, te prometo! — apertou os braços em volta do corpo da garota— Eu te amo mamãe — a garota ergueu os olhos castanhos em direção ao rosto da mãe— Também te amo meu amor! — A mãe sentiu seu coração se aquecer com o carinho da filhaSarah fechou os olhos sentindo os soluços discretos de sua mãe contra seu corpo, mas antes que pudesse adormecer, jurou ver através do vidro da janela a coruja de Jacob pousando e a encarando com seus grandes olhos antes de levantar voo em busca de seu dono.

----- CHAPTER BREAK -----

Mesmo as vozes dos pais discutindo não eram capazes de tirar a mente de Mérula Snyde daquele estado de mortificação. “A culpa era dela?” ou como o pai disse “Foram salvos graças à distração que causou?”. O fato era que desde o ocorrido que não conseguia dormir direito. O rosto pálido, os olhos abertos e os lábios roxos daqueles cadáveres a atormentavam toda vez que fechava os olhos.“Sim, a culpa foi minha”— a densidade de sua respiração aumentava toda vez que pensava nisso.Deveria estar orgulhosa, afinal nasceu predestinada a ter aquela marca no braço, predestinada a matar sem piedade, predestinada a passar por cima de cadáveres sem remorso ou seja lá o que estava sentindo.“Talvez fosse só questão de costume, tinha que ser, não podia desapontá-los…” — Seu corpo remoia só de imaginar o que os pais diriam se pudessem ler seus pensamentos— Toma querida, você deve estar com sede — a mãe lhe entregou o cantil de água— Obrigada mãe! — acenou com a cabeça e bebeu de uma vezA água que estavam bebendo desde que tiveram que sair de casa, era quente e viscosa, apanhada de um dos rios urbanos da cidade, provavelmente cheia de resquícios de dejetos, a mãe tentava purificá-la com magia, mas ainda tinha gosto de meia suja.— Vamos ter que ir por cima — o pai grunhiu olhando o mapa— Josephy, é perigoso demais para a Mérula — a mulher revirou os olhos — Nós vamos por baixo— Você sabe que se formos por baixo vamos ser pegos — rangiu os dentes e cerrou os punhos — Parece que você não pensa IrmaAlguns dias depois de quase serem pegos por aurores enquanto usavam magia de transporte eles decidiram seguir utilizando o mínimo da magia que conseguiam, então a única forma de atravessar era subindo montanha acima.— Eu penso na segurança da nossa filha! — Irma bufou enquanto suas narinas dilatavamEles iam começar a discutir de novo, a tensão no maxilar do homem e a fúria nos olhos da mulher os denunciavam— Eu consigo mamãe! — Mérula falou sem pensar muito— Essa é minha garota — o pai estufou o peito— Não começa Joseph — rosnou para ele — Filha! não vou arriscar sua vida! — segurou os ombros da garota e encontrou seus olhos— Tudo bem, vai dar certo! — apertou os dedos no punho da mãe — Eu sou uma Snyde e vocês estão me criando para ser a bruxa mais poderosa de todas, não é? — se soltou de seus braços e seguiu pela montanha rochosa a frente, o pai ergueu o queixo e seguiu atrás da garota.A montanha não era tão íngreme mas a travessia era difícil por conta da neve entre os rochedos, os pés da garota estavam sempre escorregando vez ou outra, conforme ganharam altitude o vento começou a bater mais forte, a mãe segurava sua mão e se colocava na frente das rajadas mais violentas, ainda assim seus ossos estavam basicamente congelando e mesmo com a luz que as varinhas emitiam era difícil enxergar o vão entre as rochas depois do anoitecer— Aí! — uma fisgada atingiu o tornozelo de Mérula— O que foi querida! — a mãe perguntou— Eu acho que torci meu tornozelo— Não podemos parar!— a voz de papai soou firme— Me deixa ver! — a mulher o ignorou e fez a garota sentar em uma das pedras aproximando a varinha do seu tornozelo — Está feio, vamos ter que parar! — disse depois de averiguar o inchaço— E só lançar um feitiço curativo, você é especialista nisso oras — O homem resmungou— Não é bem assim que funciona! — bufou e ergueu a varinha mas antes que pudesse sacudir um som surgiu do alto— Estão ali! — uma luz um pouco mais forte atingiu seus rostosEra impossível ignorar, as mesmas vestes dos cadáveres e o modelo de vassouras mais rápido que se podia comprar.— Mérula!Você vai precisar enfrentar essa dor, entendeu? — o pai segurou em seus ombros e depois a puxou pelo braço com força,basicamente a arrastando antes que pudesse responderOs aurores não esperaram para atacar, as magias de suas varinhas se cruzando com as dos seus pais iluminavam o céu escuro, talvez se fosse mais nova e mais ingênua até acharia bonito aquela explosão de cores, mas a verdade a assombrava tanto quanto aqueles cadáveres estirados no carpete da sala há algumas semanas atrás.Os nervos da perna repuxavam cada vez mais forte, era como se mil agulhas estivessem entrando dentro da pele.“Eu vou conseguir” repetia em sua cabeça a cada passo que dava“Preciso conseguir”mais um passo e as pernas bambearam“Não posso decepcioná-los” mais dois, três passos e a dor insuportável a fez despencar contra o chãoA mãe sacudiu a varinha por trás da cabeça e conjurou uma barreira de proteção em torno deles, os aurores desceram até a montanha sem deixar de atacar por um segundo sequer, o pai logo estendeu sua varinha e o escudo ganhou mais uma camada.“Eles vão conseguir!” — pensou enquanto tentava se apoiar sob o joelho para levantar — “Se conseguiram antes conseguem de novo”Era uma esperança, talvez até mesmo uma súplica que caiu por terra no exato momento em que viu mais três aurores pousando com suas vassouras sob a montanha— Droga! — A mãe praguejou— Sabia que isso ia acontecer — O marido começou a gritar — Eu disse pra deixar a Mérula com meu irmão— Eu não ia deixar minha filha e você sabe disso — a mulher esbravejou forçando ainda mais a varinhaMérula olhou para o próprio tornozelo e estava ainda mais inchado, fechou os olhos e tentou apoiar no chão, as lágrimas escorreram por suas bochechas com a dor que sentia, e quando estava quase ficando em pé, perdeu novamente as forças e caiu de novo, dessa vez esfolando o dorso da mão no chão.Agora todos os aurores estavam atirando feitiços contra a barreira, a fazendo trincar aos poucos. Só tinha uma coisa a fazer— Me deixem aqui e se salvem! — levantou o tronco e gritou com o restante de forças que ainda tinha— Não se preocupe filha nós vamos dar um jeito — O pai disseA rachadura se espalhou pela redoma de proteção e já se conseguia ver a luz dos feitiços passando pelas frestas— Mamãe, papai, por favor! — comprimiu os lábios enquanto as lágrimas escorriam por seu queixo — Não posso perder vocêsOs olhos da mãe seguiram diretamente para os seus e ela apontou a varinha em sua direção— Me perdoa filha, não posso mais deixar você ver isso — sacudiu a varinha — Estupefaça! — o tronco de Mérula foi impulsionado para trás e ela caiu desacordada.

----- CHAPTER BREAK -----

As ruas de Londres eram sempre movimentadas pela manhã, embora o trajeto até a famosa Charing Cross Road não fosse longo, a jovem Sarah Granger batia os calcanhares contra o banco do passageiro ansiosa.Já era a terceira vez que lia a lista de materiais tentando se distrair, enquanto as lembranças um pouco borradas de quando acompanhou o irmão em seu primeiro ano, tomavam conta de seus pensamentos.Naquela época, ainda com seus 6 anos de idade, já ansiava pelo dia em que recebesse sua carta para Hogwarts, só não imaginava que não teria a companhia do irmão,suspirou desapontada, mesmo com as buscas incessantes dos pais não havia sinal algum do garoto, as autoridades mágicas já não faziam qualquer tipo de esforço, e as manchetes no profeta diário falavam sempre dos "desequilíbrios" do garoto.Os pais ficavam cada vez mais desesperançosos, e as especulações sobre o garoto ter morrido não demoram a atingir a família Granger, mas por mais difíceis que as coisas fossem, ela tinha certeza que encontraria Jacob.Abaixou a cabeça e engoliu a seco, enquanto puxou o livro do irmão de baixo da lista e o apertou entre os dedos, embora as histórias infantis não a cativasse como antes, era a única lembrança que tinha dele.— Está ansiosa querida? — A voz firme da avó ao volante chamou atenção.— Muito! vovó Edith — sorriu para a avó pelo retrovisor— Parece que foi ontem que trouxemos sua mãe aqui — disse a outra avó com os olhos cheios de lágrimas — Depois Jacob e agora você…— sua voz embargou— Ah Anna, Querida! — Edith acariciou a mão da esposa — Não fique assim— Desculpa! Acho que estou ficando velha, é isso — enxugou as lágrimas—Bobagem! Você continua sendo minha garota — sorriu e depositou um beijo no dorso da mão da esposa— Obrigada Querida!— sorriu para a esposa — Mas hoje é o dia da nossa bruxinha — Anna olhou para a neta no banco de trás estendendo a mão em sua direçãoSarah agarrou a mão da avó e debruçou sob o banco envolvendo os braços em volta do seu pescoço no que seria um abraço, sentindo a mulher acariciar suas pequenas mãos.Estava muito grata as avós por tudo que haviam feito por ela e pela mãe nos últimos meses.— Chegamos! Vamos lá mocinhas pra fora do carro — disse Edith ao terminar de estacionarSarah dobrou a lista e a juntou ao livro colocando dentro da pequena bolsa que levou, resmungou mentalmente por não ter convencido a mãe a colocar o feitiço indetectável de extensão em sua bolsa, agarrou as mãos das avós e seguiram em direção ao Caldeirão furado— Sabia que dá pra usar um feitiço nessa bolsa que eu conseguiria carregar todo meu material aqui dentro? — disse as avós— Sério, meu amor? — Perguntou Anna com um sorriso abobalhado vendo a garota acenar com a cabeça positivamente — Ouviu isso querida? — perguntou à esposa — Eu adoraria poder usar um feitiço desses na minha bolsa— Definitivamente não Anna — Edith ergueu uma das sobrancelhas —Você tentaria colocar a nossa casa aí dentro — gargalhou altofazendo esposa e neta gargalharem junto com ela.— Mas você tem razão vovó, seria ótimo se a mamãe tivesse colocado esse feitiço na minha bolsinha, mas ela não quis — mostrou a bolsa enquanto fez bico— Tenho certeza que teve algum motivo pra ela não colocar esse feitiço não é? — Perguntou Edith franzindo o cenho— Éhh na verdade — abriu um sorriso travesso — Nesse caso, é porque é proibido mesmo.As avós se entreolharam e não conseguiram conter o riso, afinal adoravam ouvir a garota falando com tanto entusiasmo e inocência, chegavam a inflar o peito orgulhosas, enquanto notavam os olhos da neta brilhando quando falava sobre magia.— É incrível o quanto você é parecida com a sua mãe nessa idade — Anna encarou o rosto redondo da garota tão semelhante ao da mãe naquela idade.— Sério? — a neta ergueu uma das sobrancelhas— Sim, faz até a mesma cara de desconfiada como tá fazendo agora — gargalhou— Verdade Sarah, sua mãe fazia de tudo pra tentar nos persuadir a deixá-la usar magia fora de Hogwarts — confirmou Edith num tom nostálgico— Sorte que tivemos ótimas orientações, quando a professora Macgonagall nos visitou para trazer a carta da May — disse Anna demonstrando admiração pela professora de transfiguração— Lembra daquela vez que a May trouxe um casal de pufosos pra casa? e os bichos se reproduziram mais rápido que coelho — Edith colocou a mão sob a testa entre risos — Quem diria que bichinhos tão fofos comiam cera de ouvido e meleca — fez uma careta de nojo— E aquela vez que ela tava treinando um feitiço de fogo na lareira, deixou queimando e no dia seguinte apareceu uma cobra acinzentada que botou ovos super quentes — Anna contava a história como se estivesse vendo novamente a cena a sua frente — O bicho saiu queimando tudo, nossa casa literalmente quase foi incendiada — sorriu nostálgica — A sua mãe era muito danada! — acariciou os cabelos da neta— Então a mamãe vivia aprontando? — esboçou um sorriso travesso, denunciando seus próprios pensamentos.— Sua mãe sempre foi uma criança agitada — Edith encarou a fachada do Caldeirão Furado — e muito sorridente… — suspirou e comprimiu os lábios ao lembrar a situação em que a filha se encontrava— A mamãe quase não sorri mais agora…— Sarah engoliu a seco e abaixou a cabeça — Eu sinto falta de ver ela sorrindo — seus olhos arderam se esforçando para conter as lágrimas.Logo depois de completar um mês do desaparecimento de Jacob, a mãe pareceu perder as esperanças, foi ficando cada vez mais triste e seu sorriso se apagando, pouco antes das avós as levarem para casa viu a mãe definhar, enquanto o pai havia sido tomado pelo desespero da culpa e mal aparecia em casa.As avós se entreolharam preocupadas, se por um lado estavam fazendo de tudo para que aquele dia tão especial para a neta fosse perfeito, também tinha que lidar com suas próprias angústias, elas haviam se tornado o alicerce da família naquele momento e precisavam estar bem para ajudar a filha, o genro e a neta.Ambas se ajoelharam na frente da garota ainda cabisbaixa— Escuta, Sarah querida! — Anna apanhou as pequenas mãos da neta — Sua mãe vai ficar bem, nós vamos cuidar dela— Sim meu amor! — Edith acariciou sua bochecha — Prometemos que quando voltar no natal ela vai estar bem melhorA garota suspirou e limpou a lágrima no canto dos olhos antes que escorresse, tentando disfarçar, ergueu o rosto encarando os olhos das avós, sentiu o nó na sua garganta afrouxar e sua respiração ofegante foi se acalmando.— Eu amo vocês — agarrou o pescoço de ambas envolvendo as num abraço que durou algum tempo antes de entrarem no barJá dentro do estabelecimento enquanto as avós rescostaram no balcão esperando pelo dono do lugar, Sarah reparava nas várias pessoas com chapéus pontudos que rondavam pelo espaço, algumas colheres mexendo o café dos clientes com apenas o toque singelo de uma varinha, escutou a conversa alheia de dois bruxos que discutiam fervorosamente sobre a partida de quadribol entre Vagamundos de Wigtown e Orgulho de Portree, e notou uma mulher de meia idade com cabelos curtos e cacheados, vestes compridas e um chapéu marrom pontudo explicando a um jovem de forma didática, as incríveis propriedades das mandrágoras, teve certeza de ser a professora Sprout diretora da casa da Lufa lufa, sua mãe vivia falando dela.Seus pés a guiaram instintivamente em direção da professora, adoraria poder dizer que a mãe havia sido sua aluna, mas antes que pudesse alcançar a mulher as avós a chamaram— Querida vamos! — Edith a guiou para a parte de trás do bar acompanhada da esposa e de um senhor que pareciam conhecer muito bem— Então essa é a senhorita Granger? — perguntou o homem apertando os olhos enquanto esticava um sorriso para a garota— Sim é nossa bruxinha — confirmou Anna orgulhosa— Ela é mesmo a cara da May — continuou o homem enquanto retirava a varinha do bolso— Querida, esse é o Tom! o dono do Caldeirão Furado — Anna finalmente apresentou o homem a garota— É um prazer conhecê-lo, senhor! — a garota respondeu com um sorriso cordial — Mas eu não me lembro do senhor quando vim aqui com meus pais e meu irmão— Provavelmente eu não fui útil naquela ocasião — gargalhou— Como assim? — perguntou curiosa— É simples senhorita Granger! Seus pais abriram a passagem para o garoto Jacob — pararam em frente a uma parede de tijolos — Como você veio com suas avós que são desprovidas de magia, terei o prazer em abrir a passagem para vocês — moveu a varinha no sentido anti horário fazendo os tijolos se moverem para frente e para trás até abrirem um vão na parede.Sarah arregalou os olhos sentindo seu coração palpitar mais rápido, depois de tanto tempo ver a entrada para o beco diagonal se abrir novamente, e dessa vez ela quem poderia se perder nas fantásticas lojas que haviam ali, queria explorar o máximo que conseguisse, sem seguir qualquer tipo de roteiro como seu pai havia feito para Jacob, mas sabia que no instante em que ultrapassasse aquela passagem correria direto para a loja de varinhas, mal podia esperar por esse momento.— É isso! — a voz rouca do homem a trouxe de volta — Foi um prazer conhecê-la senhorita Granger — acenou com a cabeça para a garota que retribuiu o gesto com outro aceno— Obrigada Tom! Foi legal conhecer você também— Anna, Edith vejo vocês na quinta feira no jogo de Poker?— Com toda certeza Tom — Anna confirmou animada— Vê se desta vez consegue algo melhor que dois pares Edith — gargalhou alto enquanto se afastava— Vá a merda Tom! — Edith fez um gesto ofensivo para ele— Querida! — a esposa lhe chamou atenção — Não faça isso na frente da sua neta— Droga — colocou a mão sob a testa — Desculpa — encolheu os ombrosDe qualquer forma a neta estava tão deslumbrada com a visão daquelas ruas cheias de pedrinhas geométricas milimetricamente alinhadas, que mal notou a atitude da avó, e mesmo que notasse nos últimos tempos havia visto Jacob repetir o mesmo gesto algumas vezes fora da vista dos pais.Sarah não aguentava mais esperar e ultrapassou a passagem aberta saltitando pelas pedrinhas enquanto puxava as avós pelo braço.As construções verticais enfileiradas pareciam não ter fim, algumas lojas tinham pequenas placas de indicação enquanto outras tinha o nome gravado na fachada mas quase todas tinham vitrines cheias das mais diversas peculiaridades mágicas expostas, tudo parecia ainda mais incrível desde que havia acompanhado o irmão, ou talvez só fizesse muito tempo…Notou uma loja onde várias crianças da sua idade se amontoavam em frente a grande vitrine espelhada, soltou das mãos das avós e correu em direção a loja não contendo a curiosidade, se espremeu entre o meio daquelas crianças e colou o rosto no vidro admirada com o que parecia ser uma vassoura Nimbus 1000, lembrou do quanto o pai lamentou por só terem lançado a vassoura pouco depois dele já ter se formado"Com essa vassoura não teríamos perdido pra lufa lufa no sétimo ano" tentava se defender toda vez que a mãe o provocava com essa história. O antigo batedor da sonserina também havia tentado convencer o filho a entrar para o time de quadribol da Grifinória, Sarah lembrou do desejo do pai em comprar aquela vassoura para Jacob, mas acabou decepcionado ao notar que o garoto preferia livros a esportes.A garota respirou fundo sentindo o peito se apertar com a lembrança, embora já naquela época as discussões entre o pai e o irmão estivessem frequentes, sentia falta de toda família junta.— Querida! — a voz da avó Anna a chamou atenção— Sim vovó — correu em sua direção— Achamos o lugar perfeito para começar — completou a avóParada em frente uma loja com dois lampiões laterais ao lado da porta uma vitrine pequena contendo algumas varinhas metodicamente organizadas em caixas aveludadas, não precisava sequer olhar o letreiro para saber que se tratava da famosa Olivaras varinhas— Nossa bruxinha vai finalmente ganhar sua varinha — Edith se animouA garota abriu um sorriso de orelha a orelha enquanto saltitava empolgada em frente a loja, agarrando a mão das avós, novamente as puxando para dentro.Ao entrarem na loja o barulho de um sino atrelado a parte superior do batente soou, anunciando as novas clientes, haviam duas crianças na fila em frente ao balcão principal, enquanto aguardavam Sarah aproveitou o tempo para conhecer o lugar, embora parecesse pequeno por fora, era bem maior do que aparentava por dentro, com imensas prateleiras tão organizadas quanto a vitrine, contendo diversas varinhas enfileiradas era impossível dizer quantas tinham ali. Foi a única loja que não teve a chance de ir com o irmão. Jacob tinha prometido esperar que ela voltasse da sorveteria com as avós, mas quando chegou a menina já encontrou o irmão com a varinha em punho. Lembrava claramente de ter passado horas de cara emburrada para ele.— Próxima — a voz suave do senhor atrás do balcão a chamou atençãoDemorou alguns segundos para perceber que as duas crianças que estavam à sua frente já haviam saído da loja— Sou eu, sou eu…— apoiou as pequenas mãos sob o balcão enquanto ficava na ponta dos pés tentando encarar o gentil senhor— Senhorita Granger, estou certo? — as orbes azuis do senhor se apertaram enquanto esboçava um sorriso cordial, evidenciando as rugas causadas pela idade— Sim! Sarah Louise Granger senhor, é um prazer conhecê-lo, sua loja de varinhas é magnífica — os olhos castanhos da garota brilhavam em ansiedade— Obrigada Senhorita, pelo que vejo a senhorita é um tanto gentil assim como sua mãe— O senhor se lembra da minha mãe? — perguntou mantendo os olhos fixos no homem— Lembro de cada cliente que passou por essa humilde loja, senhorita! Com a sua mãe não seria diferente, assim como a varinha que a escolheu, Cedro! — disse de forma precisa — bruxas escolhidas por esse tipo de varinha tem força de caráter e lealdade incomum.Caminhou em direção às prateleiras analisando a fileira na altura de sua cabeça, deslizando os dedos pela beirada, até parar em uma delas— Talvez, essa? — balbuciou como se conversasse com a varinha enquanto puxava a caixa.A garota se esticava cada vez mais tentando enxergar o alcance dos dedos de Olivaras, esperando ansiosa até o homem finalmente colocar uma caixa comprida sob o balcão e de dentro dela retirar uma varinha num tom de marrom médio, levemente envergada no cabo—Experimente está! Carvalho roble, pena de fênix, meio flexível 29 centímetros — lhe entregou a varinhaA garota segurou a varinha firme entre os dedos, e a sacudiu suavemente no mesmo instante, o sino atrelado a porta disparou a tocar num tom absurdamente alto, fazendo todos ali dentro colocarem as mãos sob os ouvidos a fim de abafar o som. Com um singelo toque de sua varinha Olivaras parou o sino— Parece que não! — retirou a varinha da mão da garota com cuidado e a guardou de volta na caixa— Papai me disse uma vez que varinhas com núcleo de pena de fênix são teimosas, e que seu dono precisa ser tão teimoso quanto ela — disse a garota orgulhosa em poder compartilhar aquela informação— Seu pai tem razão! — o senhor ergueu as sobrancelhas grossas de forma que elas quase se juntaram o que fez Sarah tentar disfarçar o riso — Núcleo de pena de fênix é sempre um desafio — continuou falando enquanto seguia novamente até a grande prateleira dos fundosDessa vez o gentil senhor teve que utilizar uma de suas escadas, apanhando mais uma caixinha na parte mais alta do móvel.A garota olhou para trás notando que as avós ainda estavam de mãos dadas, seus olhares eram curiosos e o sorriso suave no rosto não negava, o quanto estavam felizes em poder acompanhar aquele momento tão especial da neta.Não demorou muito para que o senhor Olivaras aparecesse novamente em frente o balcão, Sarah pensou que para um velhinho ele era muito ágil, abriu a tampa da caixinha e seus dedos enrugados alcançaram a varinha— Tente essa aqui! — entregou-lhe uma varinha num tom amadeirado claro com o cabo arredondado — Cipreste, núcleo de fibra de coração de dragão, rígida, 26 centímetrosAo tocar a varinha a garota sentiu seus dedos tremerem e num instante os vidros das janelas laterais se estilhaçaram sob o chão, fazendo a garota se assustar e colocar a varinha depressa sobre o balcão— Não, definitivamente não! — resmungou o artesão de varinhas — Eu devia saber! Sua família nunca se deu com fibra de coração de dragão — guardou novamente a varinha em sua caixa — Até mesmo para seu pai foi necessário a combinação da ousadia do carvalho vermelho com a sensibilidade do núcleo de pêlo de unicórnio.Sarah ergueu os olhos castanhos em direção ao rosto do senhor Olivaras, mexia a ponta dos dedos sob a madeira do balcão, receosa depois daquelas tentativas falhas— Senhor Olivaras! Já teve alguma bruxa ou bruxo que não foi escolhido por nenhuma varinha? — apertou os dedos contra a ponta do balcão e comprimiu os lábios nervosa— Não se preocupe, senhorita Granger! — O homem a olhou no fundo dos olhos, esboçando um sorriso reconfortante — Sempre há uma varinha para cada bruxo! Encontraremos a sua logo eu garanto.A garota finalmente conseguiu soltar pelo nariz o ar que prendia no peito, seus dedos se acalmaram se apoiando sob o balcão, e sua expressão se suavizou, porém os olhos castanhos continuaram acompanhando os passos do artesão de varinhas, que caminhava entre as prateleiras parando em alguns lugares e aproximando o ouvido das caixas compridas que guardavam as varinhas, as avós da garota riam baixinho dos movimentos quase que coreográficos do senhor, parou diante da última prateleira e se abaixou cuidadosamente, puxando a caixinha do compartimento a colocou próxima do ouvido e olhou diretamente para o rosto redondo da garotinha de olhos castanhos.Sarah sentiu as palmas de suas mãos suarem, enquanto o senhor Olivaras se aproximava do balcão— É está aqui! — disse de forma firme enquanto entregou a garota uma varinha de tonalidade escura, com o cabo texturizado marcado por uma circunferência anelar a poucos centímetros da ponta — Nogueira-negra, núcleo de pêlo de unicórnio, meio flexível, 28 centímetrosA garota esticou o braço e fechou os dedos com cuidado em volta daquele tom amadeirado escuro, conseguia sentir o cheiro acentuado da madeira, enquanto seus dedos começaram a esquentar, estendendo o calor pelo seu corpo lhe deixando uma sensação que nunca havia experimentado antes, não precisava de mais para saber que era a varinha certa, porém faíscas alaranjadas rondaram em volta de sua cabeça, como se pudessem dançar em volta do corpo todo até se dissipar no ar.— Parabéns senhorita Granger, parece que encontrou sua varinha — disse o homem aplaudindo entusiasmado — Na verdade ela te encontrou, a varinha sempre escolhe o bruxo, isso é certo!— O-Obrigada senhor Olivaras! — os olhos da pequena brilharam como nunca havia feito antes— Cuide bem dela! Varinhas como essa são preciosidades — elevou o dedo indicador o balançando no ar, demonstrando sua empolgação — Mostra que tem bons instintos e um espírito forte como eu imaginava — fechou a caixa e a colocou em uma sacola deduzindo que a garota assim como qualquer outra criança não largaria a varinha tão cedo — Sei que será uma bruxa talentosa — sorriu satisfeito e entregou a sacola com a caixinha da varinha as avós notando que a garota ainda alisava a varinha deslumbrada, experimentando diversas formas de encaixar os dedos a fim de empunhá-la— Obrigada de novo senhor Olivaras — a garota abriu um sorriso expansivo para o artesão de varinhas— Não tem de que…Ah senhorita Granger — a chamou antes que seguisse em direção da porta — Não se esqueça de ser sincera consigo mesma e com os outros, a varinha que a escolheu depende disso para mostrar o seu melhor— Certo! — disse ainda tomada pela empolgaçãoA garota saiu da loja radiante com a varinha em punho, caminhava tão distraída observando cada detalhe, que mal notou o caminho que as avós a guiavam.Quando finalmente se deu conta percebeu que estava em uma elegante loja de roupas e acessórios bruxos.— Madame Malkin — ouviu a voz da avó — É realmente uma loja que tem de tudo! Veja isso — Edith vestiu uma capa preta longa, de traje a rigor — Essa capa ficaria perfeita com o meu coturno e minhas luvas de couro — se olhou no grande espelho da loja— É realmente linda, meu amor! — exclamou a esposa enquanto depositava um beijo em seu rosto — mas precisamos ver as roupas da Sarah primeiro— Ohh sim! É claro — se aproximou da neta — desculpe querida— Tudo bem vovó! Nós podemos escolher juntas — respondeu a neta agarrando sua mão — Que tal nós três vovó Anna?— Ahh sim — a avó saltitou empolgada e as três seguiram em direção às araras de roupas.Anna pegou todas as vestimentas solicitadas na lista de materiais, sempre se certificando que a garota experimentasse cada peça de roupa para não correr o risco de perdê-las logo.— Vovó essa saia tá muito longa — contestou Sarah enquanto se olhava no espelho com a saia se estendendo abaixo do joelhos— Querida assim você pode usá-la por mais tempo — tentou argumentar— Mas tá larga! — puxou a lateral da saia mostrando o vão entre o tecido e sua cintura— Isso a gente resolve fazendo uma boa costura — ajustou a saia no corpo da garota— Vovó! não vai ficar legal — fez bico enquanto sentou sob um dos pufs com almofadas deixando os ombros pesar— Você tem razão! — disse a avó se sentando ao seu lado — Me desculpa querida, eu acabei pensando na praticidade e esqueci de perguntar sua opinião — acariciou o rosto da neta — Você tá crescendo tão rápido que às vezes esqueço que não é mais uma menininha — suspirou profundamente — Vou sentir sua falta — escorregou a mão para as bochechas da garota— Eu também vou sentir a sua falta — aconchegou o rosto nas mãos da avó — Aliás de vocês duas! Ouviu vovó Edith? — perguntou para a avó que estava dentro do provador— O que foi querida? — A mulher saiu com um amontoado de roupas sob os braços deixando tanto a neta quanto a esposa boquiabertas— Edith! que tanto de roupa é essa? — Perguntou a esposa segurando o riso— Calma meu amor, não é só pra mim — colocou os montes de roupas, num dos pufs maiores — Venham ver — acenou com a mãoA esposa e a neta seguiram em sua direção e ela foi mostrando algumas peças— Olha querida essa é pra vocêmostrou um vestido de baile azul com mangas transparentes e alguns babados na saia— Mas vovó é um vestido de baile os alunos do primeiro ano não vão a bailes — disse a neta entre risos— Não importa! Você pode usar quando tivermos algum evento — disse enquanto alisava o vestido — Olha que maravilha! Vai ficar ainda mais linda com ele— Mas…— foi interrompida antes que pudesse dizer algo— Olha esse amor!mostrou um vestido preto longo, com um decote discreto e transparência sob os ombros que se estendiam até o busto— Uau é realmente lindo — disse Anna se rendendo ao bom gosto de Edith— Vai ser perfeito para ir naquela premiação literária que você foi indicada — Colocou o vestido a frente do corpo da esposa a virando de frente para o espelho— Vovó, você foi indicada para um prêmio? — os olhos da garota brilharam enquanto admirava a avó— Sim meu amor! Recebi a carta semana passada— Que chique! E quando vai ser? — perguntou a neta torcendo para que fosse perto das férias de Natal— Vai ser em novembro — respondeu a avó com a esposa ainda segurando o vestido atrelado ao seu corpo— Droga! Eu ainda vou estar estudando — torceu os lábios e cruzou os braços sob o peito— Eu sinto muito Sarah! — repousou a mão sobre o ombro da neta— Não se preocupe querida, vou tirar muitas fotos pra te mostrar depois — disse Edith puxando o suéter de Anna para cima a fim dela experimentar o vestido— Obrigada vovó! — Esfregou os dedos na ponta do suéter — Posso pedir uma coisa? — Ergueu os olhos castanhos para as avós — Vocês podem levar a mamãe junto? É que comigo em hogwarts, ela vai ficar sozinha e…— suspirou enquanto sentia os ombros pesaremAs avós se entreolharam e logo se ajeitaram do lado da neta— É claro que ela vai com a gente querida! — disse Anna acariciando o dorso da mão da neta— Nós vamos cuidar da sua mãe Sarah! — Completou Edith acariciando as costas da neta — E a única coisa que você precisa se preocupar é em ser criança, certo?— Certo! — acenou com a cabeça positivamente— E… lógico! No que quer comprar depois de sair daqui — sorriu para a neta— Quero ir à loja de animais! — disse a garota empolgada— Perfeito! vamos pagar essas coisas e ir direto para a loja de animais — disse a avó animadaSepararam todas as roupas que iriam levar, Sarah trocou as saias grandes por outras do seu tamanho e quando já estavam no balcão para pagar as compras, notou uma luva peculiar na vitrine, aproximou o rosto do vidro e notou que a luva parecia mudar de cor.— Que luva é essa? — Perguntou a atendente— Se chamam luvas de camaleão — disse a mulher retirando as luvas de dentro da vitrine e as colocando sob o balcão — Elas mudam de cor conforme o ambiente, assim como a pele do camaleão.— São incríveis! — os olhos da garota brilharam — Estão fazendo muito sucesso entre os jovens — a mulher direcionou sua fala as avós da garota— Mas espera…— a garota de olhos castanhos apanhou as luvas em suas mãos as observando de perto — Elas não são de couro de camaleão de verdade não é?— Na verdade eu não sei dizer, Madame Malkin que as criou — a balconista coçou a cabeçaAntes que a mulher pudesse dizer qualquer coisa uma mulher alta com cabelos grisalhos presos num coque apareceu atrás da balconista— Ora essa! — A voz da mulher soou carregada de um sotaque que parecia ser russo — Madame Malkin não faz peças com couro de animais!— Ahh que bom! — disse a garota animada — Já que não matou nenhum bichinho, vou comprar— Uma Lufana jamais seria capaz de tal atrocidade! — ergueu a cabeça, pomposa— Do que elas são feitas? — perguntou a garota curiosa— São de couro sintético! — disse de maneira firme — A mudança de cores se deve a um feitiço derivado de Colovaria, mudando de cor conforme a temperatura do ambiente — completou orgulhosa— A senhora que inventou? — disse a garota colocando as luvas notando um brilho suave sob o tom lilás— Sim! — esboçou um meio sorriso— São geniais! — saltitou empolgada— Obrigada, senhorita! Vejo que tem bom gosto assim como Madame Malkin — ajeitou os óculos — Deixe a garota escolher um cachecol de cortesia — disse a funcionária antes de sumir tão rápido quanto apareceu— Parece que Madame Malkin gostou de você! — a balconista sorriu para a garota, que esboçou um sorriso tímido — Você ouviu, pode escolher um cachecol! — disse a mulher a incentivandoEnquanto a balconista fazia as contas do valor da compra Sarah escolheu um cachecol xadrez em tons de rosa e laranja— Já escolhi — colocou a peça sobre o balcão— É muito bonito — disse a balconista — Madame Malkin tem razão, a senhorita tem bom gosto!— Ela puxou a avó! — disse Edith erguendo a cabeça com um sorriso exibido no rostoA balconista abriu um meio sorriso— Aqui estão suas compras — entregou as sacolas a elas — Voltem sempre!As avós acenaram com a cabeça em agradecimento enquanto a neta enrolava o cachecol no pescoço e conferia as luvas— Até mais moça — acenou — Diga a Madame Malkin, que agradeço pelo cachecol!Ao cruzar a porta para fora da loja, sentiu o vento gelado lhe atingir o rosto e quando olhou para as mãos a luva havia ficado azul escura, a garota sorriu empolgada, desejou poder mostrar aquelas luvas a Jacob, ele com certeza ia adorar, havia se acostumado a estar sempre com outra criança, e desde que o irmão desapareceu que não tinha contato com ninguém da sua idade, num instante sentiu um frio na barriga estava tão perto de iniciar seu primeiro ano em hogwarts e ainda tinha tantas perguntas, porém sua maior preocupação no momento era se conseguiria fazer amizades logo.Entraram na loja de animais e antes que a garota pudesse explorar o lugar as avós lhe chamaram— Querida! nós vamos comprar o resto dos seus materiais — disse Edith— Enquanto isso você vai escolhendo o animalzinho que quer e depois nos espere aqui dentro da loja — completou Anna— Pode deixar! — acenou com a cabeça positivamenteAntes que as avós saíssem da loja a garota se perdeu pelos corredores, as corujas lhe chamaram a atenção, notou uma pequena com grandes olhos castanhos e plumagem em tons alaranjados— Hey! Você me lembra a Artemis — acariciou a cabeça do animal lembrando da coruja do irmãoNunca tinha visto Jacob tão feliz como no dia em que comprou a ave, ainda mais quando a atendente da loja contou que aquela era uma espécie rara de coruja vermelha, logo o garoto estava implorando ao pai que comprasse o animal, e saiu da loja todo pomposo com a pequena ave no colo.— Gosto de corujas! — a garota apertou os olhos encarando aquelas aves — Mas não sei ao certo se quero uma — respondeu a si mesma.Sua nuca se esquentou repentinamente e seu olhar foi atraído até às prateleiras de ração para uma garota, mais ou menos de sua altura, a encarava por de trás dos óculos quadrados. Quando percebeu que Sarah havia a visto, baixou os olhos e as bochechas vermelhas de volta para um dos pacotes, como quem lia as informações ali escritas.Sarah riu consigo mesma e foi em direção dela— Juro que corujas são ótimas ouvintes — disse baixinho enquanto esboçava um sorriso boboA garota não conseguiu segurar o riso e mesmo ainda tímida conseguiu encarar Sarah— Me desculpa — disse ainda com um sorriso no rosto — Não pude evitar notar você conversando consigo mesma.— Você deve me achar doida — corou as bochechas— Na verdade — se aproximou da garota — Eu também costumo fazer isso — falou baixinho com um sorriso tímido — São os dramas de só ter contato com adultos— Entendo, ultimamente não tenho tanto contato com ninguém da minha idade faz um tempo — esfregou os dedos na barra do suéterEra notável o incômodo de Sarah toda vez que lembrava que não tinha mais o irmão ao seu lado, embora estivesse tentando não ficar pensando nisso com frequência, aquele dia parecia estar carregado de lembranças do irmão.— Você tá bem? Parece triste! — perguntou a garota a encarando com seus grandes óculos quadrados— Estou bem! — disfarçou com um meio sorriso — Você tem um gato? — tentou puxar outro assunto, notando os pacotes de sachês nas mãos da garota— Tenho sim! — tirou a foto que guardava dentro da carteira, e mostrou o gato preto peludo brincando com um novelo de lã — O nome dele é Jinx— Ele é uma gracinha — disse a garota com os olhos brilhando— Mamãe comprou ele pra mim no ano passado, ela reclamou na época porque ele arranhava as madeiras que minha família fornece para fabricação de varinhas e vassouras — soltou uma risada alta — Agora, ela está numa tristeza só, porque vou levar ele comigo para Hogwarts — acenou com a cabeça negativamente — fica choramingando de um lado para o outro, dizendo que ele não vai se acostumar no castelo— Eu entendo ela, quem não sentiria falta de uma coisinha fofa dessas — entregou a foto de bichano de volta a garota— Você tinha que ver ele filhotinho — os olhos escuros da garota brilharam enquanto sorria nostálgica — Aproveitei que papai e mamãe estão terminando de comprar meu material e passei aqui para comprar um sachê novo pra ele, eu costumava comprar esse aqui — mostrou o saquinho amarelo na prateleira — mas ele enjoou, esse gato tá ficando mimado demais — colocou a mão sob a cintura — Eu tô falando demais né? — disse a garota comprimindo os lábios e corando as bochechas— Tudo bem! — Sarah sorriu para ela — É muito bom poder conversar com alguém da minha idade! Aliás, nós ainda não nos apresentamos, sou Sarah Granger! — estendeu a mão para a garota— Rowan Khanna — a garota apertou sua mão enquanto sorria animada— Então Rowan, será que você pode me ajudar a escolher um bichinho? — coçou a cabeça — Você parece entender bastante sobre eles— Claro que sim! — Rowan segurou o braço de Sarah e a guiou diretamente ao local onde os sapos ficavam— Sapos são uma opção que tem se tornado menos popular ao longo dos anos — afirmou a garota ajeitando os óculos —Mas eles são ótimos para quem pretende entrar no coral de sapos.— Cantar no coral com um sapinho seria muito legal — Sarah deslizou o dedo contra o vidro notando os sapinhos se agitarem dentro da grande caixa de vidroRowan esticou o braço o enfiando em uma das caixas com pequenos ratos, um deles subiu em sua mão e ela o levou diretamente para o ombro de Sarah— Ratos são ótimos companheiros e também muito carinhosos, mas eles vivem apenas durante três anos — disse a garota observando a facilidade de Sarah em lidar com animais de todos os tipos— Eu sei, é uma pena, não acha? — acariciou o pêlo do animal enquanto ele esfregava as patinhas — Não sei se consigo lidar com uma morte tão precoce assim — deixou que o pequeno animal escorregasse do ombro, passando pelo braço até colocá-lo de volta na caixa— Enfim chegamos aos gatinhos, na minha opinião a melhor opção — Acariciou a cabeça de um dos bichanos — Jinx só me trouxe alegrias até hoje, eles também são ótimos companheiros e te aquecem no frio…Enquanto ouvia Rowan falar empolgada sobre os bichanos Sarah notou um gato separado dos outros, ele tinha orelhas pontudas e uma cauda parecida com a de um leão, a pelagem do animal possuía três cores diferentes o peito e a parte interna das orelhas eram brancas, assim como uma mancha por volta do olho, o resto do corpo era mesclado com manchas em tons alaranjados e preto, as patinhas pareciam como se estivesse com luvinhas brancas e tinha uma manchinha preta na pata esquerda, o nariz rosado e uma pequena pinta preta próximo a ele, logo chegou à conclusão que provavelmente o filhote era uma fêmea afinal a porcentagem de machos que possuem três cores de pelagem era mínima.— Rowan — chamou a garota — olha essa gatinha — mostrou o pequeno filhote adormecido enrolado feito uma bolinha no canto da caixa — Porque ela está separada?— É um amasso Sarah — ajeitou os óculos enquanto se aproximava das grades — Ela deve estar separada, porque amassos às vezes são mais agressivos, mas são muito inteligentes e independentes, quando se apegam a uma pessoa se tornam ótimos animais de estimação — sorriu notando o peito do animal se movendo lentamente — Tem outro detalhe eles são hostis com pessoas de má índole, ou seja você sempre estará protegida de pessoas com más intençõesOs olhos de Sarah brilhavam conforme Rowan falava sobre o animal, na verdade ela já havia se apaixonado pela gata no primeiro momento que a notou— Ela não parece agressiva — colou o rosto na grade feito uma criança pequena — Eu quero ela— Tem certeza Sarah? — Rowan coçou a cabeça — Amassos são mais exigentes que gatos comuns—Não me importo com isso — disse a garota sem sequer piscar os olhos — A pobrezinha tá sozinha, olha a carinha dela Rowan — fez bico para a garota de óculos quadrados— Você tem razão! — a garota sorriu gentil — Você gostou mesmo dela, deve levá-la então! — Rowan acenou para uma funcionária da loja que seguiu diretamente até elas— O que as senhoritas vão querer? — perguntou a moça sorridente— Eu quero essa fofura aqui — mostrou a gata ainda roncando— É uma ótima escolha — destravou a tranca da gaiola — É uma meio amasso, então não precisa de licença — pegou o animal que começou a se espreguiçar — Ela tem só três meses de vida, os irmãos foram comprados no mesmo dia que chegaram aqui — aproximou a gata de Sarah ainda sonolenta, porém já era possível notar a cor esverdeada de seus olhos se abrindo preguiçosos — Ela por ter ficado gripada, costumava dormir demais e não interagir tanto com as crianças, ainda bem que conseguimos uma dona pra ela, antes das aulas começarem— Por isso ela tá separada dos outros gatinhos? — perguntou Rowan— Sim! Assim que notamos que ela estava doente decidimos deixá-la isolada — concluiu a moça entregando a gata nas mãos ansiosas de Sarah — Mas agora ela já está bem melhor — pegou um pequeno frasco com um líquido avermelhado e entregou a garota — Só precisa me prometer que vai terminar de dar o remédio dela, são só mais três dias de medicamento— Sim, eu prometo! — guardou o frasco em sua bolsa enquanto encarava os grandes olhos verdes da gatinha — Ela vai ficar boa rapidinho, não é querida? — acariciou o nariz rosado com o dedãoA pequena gata soltou um espirro, Sarah e Rowan entreolharam e se derreteram com a fofura do filhote. Sarah imediatamente a agarrou colocando-a sobre seu peito ouvindo as instruções da funcionária da loja sob os cuidados com a gata, não demorou a sentir a pequena se aninhando em seu pescoço procurando se esquentar. Com a ajuda de Rowan, Sarah pegou alguns sachês, ração e brinquedinhos para gatos— Qual vai ser o nome dela? — perguntou Rowan acariciando o pelo do filhote— O que acha de Mel? — Sarah a afastou de seu corpo, a segurando na palma da mão — Ela tem pelinhos alaranjados e é doce…— encarou os grandes olhos verdes do filhote — Parece uma bolinha de mel— Hey, é um ótimo nome! Jinx vai adorar ela — a garota uniu as mãos animadaNão demorou para que a pequena Mel começasse a emitir miados agudos reclamando por ter sido afastada do calor do corpo de sua dona— Eu disse que os amassos são exigentes! — Rowan riu consigo mesma— Oh neném ! Tudo bem — puxou a gata de volta para o seu peito a deixando se aninhar em seu pescoço — Não vou te deixar passar frio — arrancou o cachecol e enrolou no corpo de Mel— Pelas barbas de Merlim — Rowan tapou o rosto entre risos — Você vai mimar ela tanto quanto eu mimo o JinxAs duas saíram da loja e se sentaram num banco logo em frente, ambas esperando pelos adultos que as acompanhavam, Rowan contava animada sob as peculiaridades que haviam no castelo, desde as escadas que se moviam sozinhas até o teto encantado do salão principal. Sarah estava muito feliz em ter conhecido Rowan, mesmo se conhecendo a poucas horas pareciam amigas de infância, enquanto brincavam com Mel e riam feito duas bobas. Não demorou para que os pais de Rowan a chamassem, antes de se despedirem, combinaram de esperar uma a outra na frente do primeiro vagão do trem dentro da plataforma 9 ¾.O vento se tornou mais intenso e Sarah colocou Mel dentro de sua blusa deixando apenas a cabecinha do animal para fora a encarando com aqueles grandes olhos verdes, até adormecer novamente, sentia o ronronando da gatinha sob o seu peito a acalmando de tal forma que por pouco não cochilou também. Logo viu as avós do outro lado da rua, seguiu até elas que não demoraram a se encantar pelo filhote de amasso.— Só espero que não seja como os pufosos — disse Edith erguendo uma das sobrancelhas— Vovó! é uma gata! — Sarah soltou um riso se divertindo com a expressão da avó — É igual aos gatos que vocês conhecem. Quer dizer, é quase igual! — coçou a cabeça — Mas juro que ela não procria tão rápido nem come meleca ou cera de ouvido.As avós se entreolharam e caíram na gargalhada— Tudo bem, querida! — continuou Anna — O que importa é que você esteja feliz— Sim, meu amor! E pelo visto você está muito contente — disse Edith segurando a mão da neta enquanto caminhavam— Eu sempre quis um bichinho!E a Mel é especial — acariciou o rostinho do animal dentro de sua blusa — Mas também estou feliz porque conheci uma garota muito legal, também é o primeiro ano dela em hogwarts, combinamos até de nos encontrar na plataforma 9 ¾ — falou empolgada— Que legal meu amor — Anna acariciou os cabelos da neta — Qual o nome dela?— É Rowan, ela me ajudou a comprar a ração e os brinquedos para a Mel — sorriu lembrando dos momentos que havia compartilhado com Rowan — Acho que ganhei uma amiga— Nós estamos muito orgulhosas de você querida — Edith tomou a frente mas ambas se abaixaram em frente a neta— E eu tô muito feliz de ter passado esse dia com vocês — agarrou o pescoço das avós sentindo seus braços lhe acolherem — Amo vocês.— Nós também te amamos querida — disseram em uníssono apertando o corpo da neta naquele abraçoSeguiram as três de mãos dadas em direção a passagem para o caldeirão furado, vendo o anoitecer chegar. Mesmo sem seus pais e o irmão por perto, aquele dia havia sido o melhor de sua vida, tinha uma conexão mágica com as avós, cruzou a passagem certa de que não queria ter passado aquele dia com mais ninguém além delas.

----- CHAPTER BREAK -----

O beco diagonal não era totalmente desconhecido, Mérula já tinha acompanhado os pais uma meia dúzia de vezes, mas nunca pensou que no dia mais importante de sua vida estaria ali sem eles. Olhou para as calçadas geométricas e comprimiu os lábios, ela adorava saltitar naquelas pedrinhas criando um jogo com suas próprias regras, enquanto segurava na mão dos pais, por um instante pensou em repetir o gesto e talvez eles aparecessem. “Que idiotice” praguejou mentalmente “eles não vão voltar mais, nunca mais” a respiração se tornou mais densa e aquela sensação de falta de ar atingiu seu peito de novo. Faziam três meses desde que os aurores caçaram ela e seus pais como se fossem bichos “Estupefaça” a palavra zunia em seus ouvidos repetidas vezes Foi a última coisa que ouviu, a última vez que pode ver o rosto deles. Acordou no centro médico de St Mungos, vigiada por um dos aurores que participaram da caça, por um instante pensou que também seria presa. Sempre ouviu dizer que Azkaban era terrível, até mesmo para as mentes mais malignas, que os dementadores sugavam sua vontade de viver. Um arrepio atingiu sua nuca naquele momento, mas depois de ouvir o auror dizer que nunca mais ia ver seus pais, percebeu que indo ou não para Azkaban ela já tinha perdido tanto que não fazia diferença. Lembrou do desespero que a fez se esconder embaixo das cobertas, de como ficou em transe por mais de meia hora, e só conseguiu respirar quando viu o tio entrar pela porta do quarto, ela lembra de ter o abraçado como nunca havia feito antes na vida. “Já faz três meses” abriu os olhos e rangeu os dentes “Esquece isso! Agora é só você por você mesma” franziu o nariz e se forçou a engolir o nó que havia se formado em sua garganta. — Mérula! Quer ir primeiro no Olivaras? — Barnaby perguntou dando um soquinho de leve no ombro dela — Tanto faz! — Resmungou e devolveu o soco com força o suficiente para o garoto desequilibrar — E não encosta em mim, idiota! — Qual é? só tô tentando te animar um pouco, você tá muito triste — o garoto falou com cuidado — Eu tô bem — fungou — Sabe que pode conversar comigo, né? Se quiser é claro! — se afastou um pouco e endureceu o braço esperando por um soco mais forte dessa vez O que não aconteceu, Mérula apenas abaixou a cabeça e cerrou os punhos com força, se controlando para não deixar sua casca amolecer, depois de alguns segundos bufou — Vamos logo nessa loja — enfiou as mãos no bolso do casaco e saiu andando na frente.**********************Os olhos de Barnaby pareciam soltar faíscas de empolgação e quando finalmente recebeu sua varinha começou a saltitar entre risos, mas toda sua felicidade sumiu quando o pai desferiu um palavrão irritado. O garoto encolheu os ombros e comprimiu os lábios. Mérula suspirou ao ver aquela cena, sabia que ele estava engolindo o choro, por mais que conhecesse os pais de Barnaby desde que nasceu, sempre achou errado a forma como eles o tratavam. — Próxima — A voz do senhor Olivaras a chamou atenção — Sou eu — se apoiou sob a bancada — Senhorita Snyde! — o homem sorriu — É isso aí — fungou — Como é que funciona esse negócio? — encarou os olhos azuis por trás dos óculos — Ansiosa! — devolveu a encarada — Acho que sei do que a senhorita precisa Mérula franziu o cenho e cruzou os braços sob o peito mas não disse nada, a mãe a deixaria de castigo por um ano se soubesse que tinha sido mal criada com o velho Olivaras, a quem sempre teve muito apreço. Notou o homem perambular entre as prateleiras e logo apanhar uma caixa, apoiando sob o balcão e retirando com cuidado — Experimente essa! — estendeu a varinha para a garota Sicômoro, Fênix, inflexível, 23 centímetros Seus dedos se agitaram no instante em que tocou a varinha, por mais que aquele momento não fosse da maneira que esperava, ainda era especial — Vamos lá é só sacudir — o homem piscou Apertou um pouco mais os dedos sob o cabo e sacudiu, no mesmo instante as varinhas da primeira prateleira voaram para fora a fazendo dar um pequeno salto mas logo soltou um riso frouxo — Acho que não — Olivaras sorriu e apanhou a varinha Rondou novamente as prateleiras e logo voltou com outra em mãos — Quem sabe essa! Salgueiro, fibra de coração de dragão, inflexível, 24 centímetros — entregou na mão da garota Mérula apanhou a varinha e sacudiu em direção a uma das lamparinas, no mesmo instante a chama se tornou um fogaréu assustando a todos presentes na loja, mas o senhor Olivaras calmamente sacudiu sua varinha e fez a chama voltar ao seu lugar — Também não é essa! — franziu o cenho Enquanto o velho fazia sua busca, Mérula criou cenários em sua mente onde os pais estivessem ali, de como a mãe ficaria surpresa por ela não ter sido escolhida por Sicômoro e o pai satisfeito por não ter sido escolhida, por Salgueiro. O natural seria sorrir com aqueles pensamentos, mas ao invés disso ela apertou os dedos contra a manga da jaqueta,e teve que aguentar a vontade de gritar atingindo seu âmago. — Encontrei! — O homem a tirou de seus devaneios colocando mais uma caixinha em cima da mesa — Espinheiro - negro, pelo de unicórnio, meio flexível, 27 centímetros — Entregou a varinha levemente envergada e de cabo arredondado Mérula segurou a ponta e firmou os dedos no entorno apreciando os tons de marrom mesclado da varinha, e dessa vez não só os dedos mas o corpo todo se agitou, como se estivesse soltando faíscas e de fato sua cabeça ficou rodeada de pequenas luzes, parecia até uma coroação como tinha lido uma vez num livro de conto de fadas trouxa. Suspirou. Alívio. Tristeza. Dor! Não sabia ao certo, talvez fosse tudo isso misturado. Há meses não sabia o que era se sentir especial, na verdade talvez até mais que isso, a garotinha dos olhos dos pais já não era mais tratada como criança mesmo antes deles irem para Azkaban. — Isso foi magnífico! — a voz mansa de Olivaras a fez voltar — Espinheiro - negro é uma varinha incomum, É para guerreiros — Eu sei! — Mérula ergueu o queixo —É uma honra para bruxos das trevas — É fato que é fácil encontrar varinhas desse tipo nas mãos de bruxos das trevas, mas também as encontramos nas mãos de muitos aurores — ajeitou os óculos — O senhor conhece meus pais, sabe que nunca vou ser uma auror — cruzou os braços sob o peito e arqueou a sobrancelha esquerda — Ninguém nesse mundo é igual aos pais, senhorita Snyde! Existem características e pensamentos que são transmitidos, mas todos temos personalidade própria e o mais importante, temos escolha — continuou com a voz branda de sempre — Posso afirmar que essa varinha lhe permitirá fazer isso — Eu já fiz a minha — fungou Embora as palavras saíssem de forma firme a garganta ardeu — Entendo! — acenou com a cabeça —Mas lembre-se que mesmo o arbusto do Espinheiro-Negro,ostentando espinhos perversos ainda assim produz as mais doces frutas mesmo após geadas duras — estreitou os olhos enrugados num sorriso Mérula piscou algumas vezes e soltou uma arfada baixa. De novo Alívio, tristeza e dor, tudo misturado saltando dentro do seu peito. — Precisamos ir! — pegou a caixinha da varinha e deixou as moedas sob o balcão — Obrigado Senhor Olivaras — Barnaby se despediu recebendo um aceno do senhor****************************Seguiram para a loja de animais e ao entrar no lugar os olhos de Mérula brilharam, sempre foi muito ligada a animais, afinal não era de esperar por menos para uma garota que foi criada cuidando de um unicórnio. Lembrou de quando a mãe chegou com o potro de unicórnio em casa, e ela o carregou no colo de um lado para o outro como se fosse um bebê, em menos de uma semana tinha estudado tudo que encontrou sobre cuidados com o animal, ajudando a mãe a o treinar e sendo a primeira a conquistar sua confiança. “Eram bons tempos” suspirou passando em frente as caixas com os diversos animaizinhos, fazendo carinho e interagindo com eles, mas o que a fez vibrar foi a ala dos pufosos, se aproximou e começou a brincar com eles, eram as bolinhas de pelo mais fofas que já tinha visto, não sabia tanto sobre eles mas tinha certeza que se pudesse ter um aprenderia tão rápido quanto aprendeu sobre unicórnios. Barnaby já tinha se perdido entre os corredores tomado por uma energia desenfreada ainda mais intensa que na loja do senhor Olivaras. O bichinho da inveja se instalou dentro do corpo de Mérula enquanto via o amigo pedir a atendente um sapinho que chamou de Scamander — Você não vai levar um bichinho Mérula? — Perguntou tão saltitante quanto o animal — Meus tios não gostam de animais — Suspirou — Sinto muito — o garoto colocou o sapo sob seu ombro — É melhor assim — deu de ombros — Eu não vou ter tempo para me distrair com isso mesmo A verdade era que ter um bichinho seria sua salvação, mas não queria correr o risco de aborrecer os tios.*********************************— Você ouviu o que aquele velho disse! — Mérula perguntou para Barnaby enquanto revirava as araras atrás de calças de uniforme do seu tamanho — Sobre o que? — o garoto respondeu averiguando o comprimento da capa no espelho — Aquele negócio de que não precisamos ser como nossos pais, que temos escolhas — revirou os olhos — Nunca ouvi tanta bobagem — Eu não acho que seja bobagem! — deu de ombros — Na verdade faz muito sentido, eu mesmo não quero ser como os meus pais — Tá dizendo que você não quer ser um bruxo das trevas poderoso? — Rebateu — Não é isso! Eu digo que eu nunca trataria meus filhos como eles me tratam — deixou os ombros pesarem — Eu sinto muito Barnaby! — comprimiu os lábios sem coragem de encarar o amigo — Tudo bem — tirou a capa e colocou sob a pilha de roupas que tinha separado pra levar — Mas e você não tem nada que queira ser diferente dos seus pais? — Não! — respondeu rápido antes que pensasse demais — Eles estava me treinando para ser a bruxa mais poderosa de todos os tempos, vou honrar isso — segurou uma calça em frente ao seu corpo tentando averiguar se cabia — Entendo — Barnaby suspirou De fato sabia exatamente do que Mérula estava falando, filhos de comensais da morte nasciam fadados e ele compartilhava disso com a amiga — Mas escuta! — colocou a pilha de roupas em uma sacola — Pega leve com os treinamentos, ok? — Você sabe que eu não vou — Mérula revirou os olhos e deu um soco de leve no braço do amigo e entrou no vestiário Depois de decidir as roupas que ia levar, seguiu para o caixa e na vitrine principal notou um par de luvas pretas sem dedos, no mesmo instante colou o rosto no vidro e as pupilas dilataram. Não era só um par de luvas estilosas, eram as famosas luvas musicais que a mãe havia prometido de presente de natal. — Barnaby, vem cá — Chamou o amigo sem tirar os olhos da vitrine — Olha isso — mostrou assim que ele se aproximou — Luvas sem dedos? — franziu o cenho — De que adianta se não protege os dedos do frio? — Ahhh por Merlim! Elas não são pra isso, idiota! — revirou os olhos — São para que então? — deu de ombros — São luvas musicais, elas aprimoram as habilidades da pessoa que usa para tocar os instrumentos — os grandes olhos púrpura brilharam — quando elas lançaram pensei em pedir de natal pra minha mãe mas a gente teve que sair de casa e o resto você já sabe — Ahh, então são essas aí? — Barnaby deu um sorriso sem graça — Você vai levar? — Óbvio! Elas vão me ajudar a treinar para entrar na orquestra de Hogwarts — acenou para atendente pedindo pelo par de luvas e as experimentou — E além do mais são super estilosas — mostrou para Barnaby — Você tem razão! — sorriu Enquanto retirava o saquinho de galeões do bolso um estalar de saltos chamou sua atenção, os conhecia bem. — Revirando minhas prateleiras de novo senhorita Snyde — o sotaque russo da mulher preencheu seus ouvidos enquanto se virava de frente para encará-la — Não podia quebrar a tradição — soltou um risinho — Como você está querida? — a mulher se aproximou e apoiou a mão em seu ombro — Melhor agora que descobri essas luvas incríveis — mostrou as mãos tentando ignorar o sentimento pavoroso que lhe atingia toda vez que perguntavam como ela estava Era óbvio que não estava bem, óbvio que parecia ter perdido o controle de sua vida mesmo antes de saber o que era ter o controle, óbvio que já não sabia mais o que era ter uma noite sem pesadelos isso tudo no auge dos seus onze anos de idade. — Guarde os galeões — a mulher disse segurando seu punho — Madame Malkin eu posso pagar e a senhora sabe disso — respondeu séria — Eu sei, mas eu criei elas a pedido da sua mãe, nada mais justo — disse de forma direta — O que? Como assim? — arqueou as sobrancelhas — Sua mãe queria te dar um presente especial no natal, ela pediu que eu criasse algo relacionado a música. Tentei mandar pra você quando soube de toda a situação, mas não sabia pra onde tinham te levado — comprimiu os lábios — A mamãe pediu pra fazer isso pra mim? — olhou para as luvas nas próprias mãos e o nó em sua garganta apertou, respirou fundo tomando controle dos sentimentos de novo Olhou para a mulher e acenou com a cabeça, era a forma que conseguia se mostrar agradecida — Você e seu amigo podem escolher um bottom também! — deu batidinhas na cabeça da garota — Agora preciso ir — se virou e o barulho dos saltos foram se afastando aos poucos — Eu posso mesmo escolher um bottom? — Barnaby perguntou para a atendente — Sim, é claro! — a mulher sorriu — Eu quero esse — Escolheu um com desenho de um centauro — E você Mérula não vai escolher A voz do amigo a fez despertar e finalmente desviar sua atenção daquelas luvas, olhou para a vitrine e não teve dúvidas — Quero esse aqui — mostrou para a atendente — Mas Mérula você nem sabe por qual casa vai ser escolhida — Barnaby tentou argumentar ao ver o símbolo da serpente — Eu sei que vou pra sonserina — prendeu o broche na jaqueta e pegou as sacolas de compras seguindo junto com o amigo para fora da loja O céu já estava escuro lá fora e a passagem de pedrinhas geométricas a fez lembrar que não teria a quem contar sobre sua varinha de espinheiro negro, do bottom de serpente que ganhou da Madame Malkin ou dos pufosos fofinhos que poderiam dormir no bolso do seu casaco, mas principalmente não poderia abraçar a mãe e agradecer por aquelas luvas incríveis. Suspirou e sentiu que seus espinhos se tornavam mais fortes e perversos capazes de serem letais a quem ousasse se aproximar demais, porém incapazes de produzir algum fruto doce.

----- CHAPTER BREAK -----

Naquela manhã do primeiro dia de setembro, o tempo parecia passar mais devagar, A jovem Sarah Granger já havia tomado seu café e esperava pelas avós sentada sob o sofá enquanto encarava o malão que havia arrumado na noite anterior, Mel brincava com o zíper pendurado, o arranhando e mordendo de forma que sua dona preferiu chamar sua atenção com os brinquedos de borracha que havia comprado na loja de animais antes que a felina arrancasse o zíper fora— Hey! Mel — balançou o brinquedinho no ar ganhando a atenção dos olhos esmeraldas do filhote — Vem pegar, vem!A gata observou por um instante os movimentos da mão de sua dona com o brinquedo e logo se voltou para o zíper do malão— Sua danada! — pegou a pequena aproximando seu nariz no dela — Você tá ficando terrível, sabia? É pra brincar com os brinquedos não com o zíper do meu malão — depositou um beijo na cabeça da gatinha e a colocou sob o sofá de barriga para cima, acariciando a barriguinha, enquanto a felina mordiscava seus dedos.— Está pronta, querida? — a voz da avó a fez saltar do sofá— Mais pronta que nunca — agarrou Mel a colocando dentro de uma caixinha de transporte — É só até entrarmos no trem! — falou para a felina que começou a miar — Vamos? — se virou na direção das avós já puxando o malão em uma das mãos e segurando a caixinha de transportes na outra— Pegou tudo mesmo? Os livros estão todos aí? Tá levando roupa pro inverno? E a ração da mel? — perguntou Anna se certificando que a neta não havia esquecido de nada— Está tudo aqui vovó, as coisas estão arrumadas desde ontem — colocou as mãos sob a cintura — Só preciso dar um beijo na mamãe antes de irSeguiu até a varanda onde a mãe estava sentada numa cadeira, se aproximou devagar notando os cabelos ruivos esvoaçarem com o vento.— Mamãe! Eu vim me despedir — se colocou de frente para a mãe apoiando as mãos sob seus joelhos.— Sim, meu amor! — segurou as mãos da filha acariciando o dorso— Queria que você pudesse ir comigo até King Cross — a garota suspirou pesado apertando os dedos da mãe— O que eu mais queria era poder estar com você hoje — acariciou a bochecha da garota — Mas ainda não consigo — suspirou entristecida— Você vai ficar bem, não é mamãe? — a garota engoliu a seco enquanto as lágrimas se formaram no canto dos olhos— Claro, que sim querida! — ergueu o rosto da filha fixando seu olhar no dela — Nesses últimos meses você se tornou a adulta da casa, sinto muito por ter deixado isso acontecer — a voz da mãe saiu falhada — Não quero que se preocupe com mais nada além de ser criança, entendeu? — segurou o rosto da filha com as duas mãos enquanto as lágrimas brotavam em seus olhosA garota acenou com a cabeça positivamente e enroscou os braços em volta do pescoço da mãe que a envolveu num abraço apertado— Obrigada por ter cuidado tanto de mim, minha pequena — acariciou os cabelos da garota — Me prometa que vai se cuidar e mandar cartas toda semana— Sim mamãe — escondeu o rosto entre os cabelos da mãe enquanto soluçava— Eu te amo minha filha, vou sentir tanto sua falta! — disse entre prantos— Eu também mamãe! — disse aos poucos se soltando dos braços da mãe— Antes de ir tenho uma coisa pra você! — disse a mulher limpando os resquícios das lágrimas, logo enfiando a mão no bolso do casaco que usava e entregando a filha uma pequena caixinha — Pode abrirOs pequenos olhos castanhos da garota brilharam ao abrir aquela caixinha e ver uma correntinha com um pingente de gatinho.— Ahh mamãe é tão linda, eu amei, obrigada! — sorriu empolgada — Coloca em mim por favor — virou de costas para a mãe e ergueu os longos cabelos os segurando no alto da cabeça— Fico feliz que gostou, meu amor — disse a mulher enquanto ajustava o fecho da corrente em torno do pescoço da garotaA garota se voltou de frente para a mãe novamente ainda extasiada com o presente— É pra quando sentir saudades ter um pouquinho de mim por perto — disse a mãe encarando os olhos da filha que não demorou a pular de novo no pescoço dela em agradecimento.A mãe a acompanhou até o carro, acenando do portão para ela e as avós até o veículo sumir na estrada.******************************Sarah arregalou os olhos e colou o rosto no vidro da janela do carro ao ver a gigantesca arquitetura da estação de King Cross, a torre central era mais alta do que lembrava, os arcos com vidros espelhados continuavam a fascinar como da primeira vez que os viu.Ainda lembrava de seguir pela estação agarrada ao braço do irmão, o perturbando para que ele atravessasse a viga mágica para dentro da plataforma 9 ¾ junto com ela, mas Jacob a enganou mais uma vez, pedindo que a garota fechasse os olhos para fazer a travessia e quando se deu conta o irmão já havia a deixado para trásDepois daquilo um vendaval de instalou dentro da plataforma,ao mesmo tempo que chorava sentida com a atitude do irmão, se sentia vingada com o pai dando bronca no garoto, antes de Jacob partir a mãe fez os dois se abraçarem mesmo ainda emburrados um com o outro, mas assim que viu o irmão com o rosto colado no vidro da janela acenando para ela, correu atrás do trem tentando acompanhar até onde conseguiu.Desde que Jacob entrou na fase da adolescência que sua relação com o irmão começou a ficar confusa, ele já não queria mais brincar com ela e às vezes se isolava no quarto, ignorando a todos. As avós costumavam dizer que o bichinho da adolescência que havia o picado, de certa forma Sarah começava a entender os deslizes do irmão, desde que completará seus onze anos às vezes se pegava irritada por qualquer besteira e até mesmo sem paciência para interações principalmente com crianças mais novas.As lembranças haviam tomado conta de seus pensamentos a tal modo que quando notou já estava em frente a viga das plataformas nove e dez— Vamos lá querida! Quer ir na frente? — perguntou Anna apoiando a mão em seu ombro— Sim! — respondeu firme encarando o meio da viga— É só não pensar demais — Completou Edith— Ok — fechou os olhos por um segundo e respirou fundoEra a primeira vez que fazia a travessia sozinha, e embora estivesse nervosa, mantinha sua confiança inabalada, apertou os dedos firmes no carrinho de bagagem e antes de correr se certificou que a caixinha de transporte estava presa, para não correr o risco de Mel se machucar.— Vamos lá Mel! Chegou a hora — correu em direção da viga e quando estava quase próximo dela fechou os olhosO barulho de apitos e o cheiro da fumaça invadiram seus sentidos, quando abriu os olhos eles foram tomados pelo brilho da emoção em ver aquele gigantesco trem à sua frente, a placa vermelha bem a frente indicando o destino, e abaixo a numeração fixada numa placa de aço, num instante as avós estavam dentro da plataforma também, crianças e jovens de todas as idades seguiam com seus carrinhos de bagagem até a entrada do trem, enquanto outros ainda conversavam do lado de fora— Você já quer entrar meu amor? — disse Edith enquanto tirava o malão e a caixinha de transporte do carrinho de bagagem?— Na verdade combinei de esperar minha amiga aqui em frente o primeiro vagão — falou entusiasmada— Certo, querida! Então vamos guardando o carrinho de bagagem enquanto isso — disse Anna guiando o carrinho — Nos espere aqui ok?— Sim vovó pode deixar — pegou a caixinha de transporte aproximando de seu rosto para verificar como Mel estavaAo olhar notou que pequena gata havia cochilado— Essa preguiçosa! — soltou um sorriso abobalhadoAssim que voltou o olhar para a plataforma notou próximo ao terceiro vagão uma garota mais ou menos da sua altura, de cabelos curtos e castanhos com uma mecha clara na franja, tinha lábios finos e delicados, e um nariz pequeno e arrebitado, vestia calça jeans, camiseta preta, jaqueta e bota de couro. A garota tinha um estilo diferente e uma presença marcante, se não fosse pelo rosto infantil, poderia jurar que ela era uma aluna mais velha, sua postura era um tanto altiva, se demonstrava segura diferente dos outros primeiranistas. Sarah havia ficado estática a encarando fixamente tentando decifrar a cor da íris daqueles olhos, sentiu seu rosto esquentando conforme admirava a garota. Estava tão distraída que não notou Rowan se aproximando— Sarah! — a amiga a chamou fazendo o corpo da garota saltar de susto— Rowan! — olhou para a amiga ainda com os olhos arregalados sentindo seu coração quase saltar pela boca— Desculpa ter te assustado — disse entre risos — Eu notei que você estava distraída mas não imaginei que ia se assustar tanto assim — coçou a cabeça — Aliás o que te distraiu assim?— Er…— a garota tentava encontrar as palavras ainda um pouco nervosa — Não foi nada! Esquece isso — coçou a cabeça e sorriu seguindo em direção da amiga e lhe envolvendo num abraço caloroso.— Tô muito feliz de te ver! — Sarah foi se afastando da garota até encará-la — Como você passou essa semana?— Também tô feliz em te ver! Menina, eu passei a semana toda ansiosa, e pra passar o tempo li o livro padrão de feitiços e treinei alguns feitiços simples como a minha varinha, quer ver? — perguntou empolgada— Claro que sim! — Os olhos de Sarah brilharam em entusiasmoRowan ergueu a manga do suéter e ajeitou os óculos demonstrando total concentração enquanto sacudia a varinha com destreza— Lumos — disse num tom firmeE não demorou a brotar na ponta de sua varinha um ponto de luz que foi ganhando proporção rapidamente— Nossa! — Sarah arregalou os olhos admirada com o feito da amiga — Parabéns Rowan — esboçou um sorriso largo— Obrigada — Rowan agradeceu enquanto o fecho de luz diminuía até sumir por completo — tenho treinado Accio e Alohomora também— Você com certeza vai ser a melhor aluna dentre os primeiranistas— Que isso Sarah! — corou as bochechas— Só estou dizendo a verdade! Você é muito inteligente— disse de forma direta e sincera — Eu deveria ter estudado durante a semana também — esfregou os dedos sob o suéter — Mas preferi passar um tempo com a minha mãe — suspirou— Ela não veio te trazer? Achei que…— Rowan notou os ombros da amiga pesarem notando o desconforto da garota por não ter a mãe ao seu lado naquele momento tão especial, antes que pudesse pensar em algo reconfortante para dizer a amiga, foi interrompida— Eu também passei muito tempo mimando a Mel — ergueu a cabeça e esboçou um sorriso forçado tentando disfarçarRowan assentiu com a cabeça e sorriu para Sarah. Embora tivessem se conhecido a pouco tempo, já havia criado uma admiração pela garota.— Onde está aquela bolinha de pelos? — Perguntou enquanto seus olhos inspecionaram o ambiente até achar a caixinha de transporte de animais— Aqui ela tá dormindo — mostrou a caixinha com a gata enrolada feito uma bolinha — Essa preguiçosa. Você trouxe o Jinx? — perguntou Sarah notando uma caixinha de transporte ao lado de Rowan— Ah sim! olha ele aqui — ergueu a caixinha perto do rosto da amigaOs olhos castanhos de Sarah brilharam ao ver o felino todo pomposo, colocou o dedo para dentro do espaço da grade da caixinha e sentiu o narizinho gelado do felino cheirando e em seguida lambendo como se fosse o animal mais dócil do mundo— Awn, ele é tão lindo! — ergueu a cabeça e sorriu para Rowan— Parece que ele gostou de você, ele não costuma ser tão dócil, com pessoas que acabou de conhecer — disse a garota sorrindo de volta para a amiga— Sério? Ele parece tão mansinho! — notou o gato se deitar e virar a barriguinha para cima pedindo carinho— Uau Sarah! — disse a garota espantada — Até parece que você tem um dos petiscos favoritos dele escondido na manga da blusa, nunca vi esse gato assim antes — gargalhou — Jinx você é mesmo um cara de pau! — aproximou o rosto da casinha encarando o gato que começou a miar como quem pudesse entendê-la— Tomara que ele e a Mel se dêem bem! — disse Sarah verificando novamente a casinha para ver se a gata havia acordado — Se ela acordasse pelo menos, né — revirou os olhos— Ela já se curou da gripe? — perguntou a amiga— Sim! Isso é só preguiça mesmo! — gargalhou — As vezes fico preocupada porque ela dorme muito, isso é normal? — ergueu uma das sobrancelhas— É sim! — Rowan respondeu entre risos — gatinhos pequenos costumam dormir mais mesmo — gesticulou com as mãos enquanto falava — Isso acontece porque os gatinhos ainda precisam desenvolver completamente algumas estruturas cerebrais, locomotivas e sensoriais, e o sono auxilia nesse processo.Sarah ouvia a voz suave da amiga atentamente, em pouco tempo que haviam se conhecido e a garota já havia conquistado sua admiração.— Fico mais tranquila em saber disso! Quero cuidar bem da Mel entende! — suspirou— Claro que sim! — Rowan colocou a mão sob o ombro da amiga — Não se preocupe, você está indo muito bem!— Obrigada Rowan! — Sarah sorriu para a amiga — mas em compensação a esses momentos de hibernação dela, tem vezes que ela tá super agitada , antes de sair de casa por exemplo ela tava numa energia pura, quase arrancou o zíper da minha mala fora — disse entre risos— Jinx, também estava agitado hoje cedo! — Rowan ajeitou os óculos — Eu quase me atrasei, pq ele não queria entrar na caixinha de transportes — sorriu com a lembrança — Ele odeia essas caixinhas, veio miando o caminho todo.— Deve ser ruim mesmo, pra eles! Não vejo a hora de entrar no trem para tirar a Mel daqui de dentro— Eu também! A propósito porque ainda não entramos? — disse a garota erguendo uma das sobrancelhas— É que estou esperando minhas avós! Ainda não me despedi! — Esfregou os dedos na manga do suéter — E você já se despediu dos seus pais?— Sim! Nos despedimos antes de eu te encontrar! Eles precisavam resolver uns problemas na fazenda — suspirou profundamente deixando evidente sua chateação — Sei que é errado eu estar chateada por eles não conseguirem esperar eu entrar no trem mas não consegui evitar— Sinto muito Rowan! — Sarah apoiou a mão sob o ombro da amiga — Entendo como você se sente!— Obrigada Sarah! — sorriu para a amigaRowan já havia percebido que os pais de Sarah também não puderam estar presentes, assim como no beco diagonal! Aqueles eram os momentos mais importantes para uma criança com os pais antes de ir para Hogwarts, e se sentiu triste pela amiga, ao menos seus pais haviam a acompanhado tanto no beco diagonal quanto na estação de King Cross.**************************Antes que pudessem continuar a conversa Rowan notou duas senhoras de mãos dadas e sorridentes caminhando sob a plataforma, a mais alta tinha cabelos curtos e completamente grisalhos, porém mantinha um corte completamente jovial, a outra tinha cabelos na altura do queixo numa coloração ruiva, ambas eram muito bonitas e seguiam diretamente na direção dela e de amiga.— Vocês demoraram! — Sarah resmungou— Desculpa querida, sua avó fez a gente se perder! — disse Anna com um sorriso malicioso— Hey! Foi você quem quis parar pra me dar uns beijos escondida — Edith contestou franzindo o cenho— Edith! — Anna lhe deu um empurrão de leve no braço— Você acha que a Sarah não sabe que nos beijamos, Anna? — Perguntou a esposa acenando com a cabeça negativamente— É claro que ela sabe! Mas ela não está sozinha, não percebeu? — Disse entre dentes e acenou com a cabeça em direção a Rowan— Oh me desculpe! — Edith tapou o rosto envergonhada pela sua desatençãoO que faz Rowan soltar um riso baixinho— O que importa é que estão aqui agora! — disse Sarah entre risos — Quero apresentar a vocês minha amiga!— Sim querida! — disse Anna se virando para Rowan— Vovós! Essa é Rowan Khanna — disse empolgada — E essas são minhas avós Anna e Edith — estufou o peito orgulhosa— É um prazer conhecê-la querida — Anna estendeu a mão a Rowan que a apertou e repetiu o mesmo gesto com Edith— É um prazer conhecer vocês também! — esboçou um sorriso — Nunca imaginei que você tivesse avós tão jovens Sarah— Oh! O que é isso! — Anna ajeitou os cabelos atrás da orelha — Nós não somos tão jovens assim!— Claro que somos! — Contestou Edith — A Anna vive tentando deixar a gente mais velha, mas somos jovens sim querida — sorriu inflando o peitoAnna acenou negativamente com a cabeça entre risos— Na verdade, o que importa a idade não é? O que envelhece é o espírito! — disse a garota esboçando um sorriso simpático— Você tem razão Rowan! — Pontuou Edith — É isso que importa!Antes que pudessem seguir com a conversa adiante ouviram o apito do trem anunciando a partida em alguns minutos— Nós temos que ir — a garota disse às avós seguindo em direção a elas— Vou sentir tanta saudades de vocês — apertou os braços em volta do pescoço delas— Nós também, pequena! — Edith conseguiu falar com a voz embargada enquanto Anna se debulhava em lágrimas — Se cuida meu amor! — acariciou o rosto da neta enquanto Anna lhe dava um beijo na bochecha.Edith deu um beijo na outra bochecha da neta, ambas espremendo o rosto de Sarah, que embora tenha ficado um pouco envergonhada por causa de Rowan, sabia que demoraria para ver as avós de novo e aproveitou ao máximo aquele momento de despedida. Antes que as garotas pudessem se virar Edith as chamou— Espera! Precisamos tirar uma foto! — sacou a câmera da bolsa da esposa— Sério, vovó? — Sarah tapou o rosto envergonhada— É seu primeiro ano em Hogwarts, precisamos registrar — acenou com a mão para a neta indicando que ela e a amiga se ajeitassemRowan sugeriu que pegassem Mel e Jinx para a foto, elas retiraram os gatos das caixinhas de transporte e o seguraram no colo, enquanto se posicionavam uma ao lado da outra bem a frente da parte dianteira do trem, Edith apertou o botão da máquina e um clarão branco atingiu-lhes o rosto.— Prontinho, vou revelar e depois mando uma cópia para cada uma! — disse orgulhosa— Ah sério? — perguntou Rowan surpresa— Claro querida, agora você já faz parte da família! — Edith sorriu para a garota de óculos quadrados— Obrigada! — Rowan sorriu encantada, nunca havia conhecido pessoas tão incríveis como elas, agora conseguia entender de onde vinha toda a simpatia de Sarah!Logo após, ajudaram a neta e a amiga a levar as bagagens até a porta do trem.Sarah e Rowan entraram tão rápido para ter tempo de acenar pela janela para Anna e Edith que mal tiveram tempo de reparar em como o trem era por dentro, passaram por outros primeiranistas se espremendo pelos cantos, Sarah teve certeza que esbarrou sua mala nos calcanhares de pelo menos três deles e saiu pedindo desculpas por onde passava, não demoraram a encontrar uma cabine vazia, logo se instalaram, deixando a bagagem no chão e a caixinha de transportes dos felinos sob o banco, colaram o rosto no vidro encontrando os sorrisos calorosos de Anna e Edith, acenaram enquanto as rodas do trem começaram a seguir pelo trilho até se afastar a ponto das duas senhoras virarem dois pontinhos.****************************Sarah se sentou e recostou a cabeça sob o banco almofadado, só então conseguiu se dar conta que em algumas horas estaria em Hogwarts.— Não dá nem pra acreditar né? — disse analisando a cabine por dentro notando que parecia muito maior do que imaginava — Estamos mesmo indo pra Hogwarts!— Eu também nem acredito — disse a amiga jogada sob a outra poltrona enquanto sorria feito boba— Desde que meu irmão foi para Hogwarts que tenho sonhado com o dia que também pudesse ir — comprimiu os lábios e apertou os dedos sob a manga do suéter— Espera! Se você tem um irmão, porque ele não tá indo para hogwarts também? — Rowan perguntou franzindo o cenho parecendo um tanto confusa— Meu irmão…— Sarah respirou fundo e mordeu o interior da bochecha nervosa — Ele tá desaparecido— O que? Você é irmã do garoto que desapareceu de Hogwarts? — a amiga perguntou dando um salto do banco— Sim! — disse a garota cabisbaixa — Sou irmã de Jacob Granger — engoliu a seco, apertando os dedos na manga do suéter— Granger! — disse a amiga perplexa — Quando ouvi o seu sobrenome sabia que não era desconhecido — comprimiu os lábios e se sentou ao lado da amiga apoiando sua mão sob a dela — Eu sinto muito Sarah!— Obrigada! Tem sido difícil, sabe! — olhou entristecida para a amiga — Foram os três meses mais difíceis para a nossa família — sentiu a voz falhar— Eu imagino! — engoliu a seco — E as autoridades mágicas o que estão fazendo a respeito?— Simplesmente nada! — ofegou enquanto balançava os pés nervosa — Pouco depois de completar um mês encerraram as buscas— Que absurdo! — a voz de Rowan soou firme demonstrando indignação — Eles não podem fazer isso — contestou— Mas fizeram! — Sarah cerrou os punhos ainda sem conseguir encarar a amiga — O fato é que meu irmão tinha uma péssima reputação como aluno em Hogwarts — sua voz se embargou — Disseram que ele estava louco e que provavelmente fugiu para longe— Sarah! — se ajoelhou na frente da amiga segurando suas mãos — Isso não justifica nada, eles precisam se responsabilizar— Mas não vão! Esse é um dos motivos que tanto quis vir para Hogwarts — falou tão depressa que parecia mais cuspiram as palavras — Vou encontrá-lo custe o que custar — terminou de falar tão ofegante como se tivesse corrido uma maratonaSentiu os dedos de Rowan apertando o dorso da sua mão, em tão pouco tempo já conseguia se sentir confortada ao lado da amiga mesmo que ambas ficassem em silêncio."Nunca disse que queria procurar por Jacob pra ninguém, mas sinto que posso confiar em Rowan" — pensou— Obrigada por me ouvir, Rowan! — sua voz soou baixa— Não tem de que — a garota apertou os olhos num sorriso amável — Vamos arrumar essas bagagens?— Sim, claro! — Sarah sacudiu a cabeça e se levantou — Chega de desânimo!Ambas ajeitaram as malas sob o maleiro acima dos bancos, havia chegado a hora de tirar os felinos das caixinhas de transportes.Sarah pegou Mel que ainda se espreguiçava no colo da dona, enquanto Jinx pulou para fora da caixinha assim que foi aberta, caminhou pomposo pelo chão e se esfregou nas pernas de sua dona enquanto miava manhoso.No mesmo instante as orelhas de Mel começaram a se mexer e seus olhos foram rondando o espaço tentando identificar de onde vinham aqueles miados, ao notar o grande gato preto e peludo ela se arrepiou toda, se encolhendo no colo de Sarah.— Hey Mel! O que é isso? — Sarah acariciou sua cabeça— Parece que a primeira impressão não foi muito boa — Rowan riu — Vamos tentar uma aproximação — pegou o gato de grandes olhos amarelados no colo — Vamos mostrar pra Mel que você é bonzinho Jinx — Se sentou ao lado de Sarah com o gato no colo acariciando sua cabeça — Vamos Sarah, coloca ela mais pertinho— Ok! — Sarah aproximou a pequena felina do gato que ainda tinha os olhos arregaladosMel abriu a boca e mostrou as presas para Jinx, rosnando e arrepiando os pêlos novamente— Mel!!! — Sarah a puxou de volta para o seu colo notando o quanto Jinx estava assustado — Rowan me desculpa!— Tudo bem Sarah — a amiga gargalhou — É normal a Mel agir assim, é só instinto de proteção — acariciou a cabeça da pequena gata — Não é fofinha?Mel olhou diretamente para Rowan e miou como quem pudesse entender o que ela dizia— Mel, como você é cara de pau! — Sarah gargalhou sob os miados contestados da felina— Ela também tá tentando te proteger, sabia? — Rowan afirmou enquanto acariciavam o pelo de Jinx o acalmando— Sério? — Sarah ergueu uma das sobrancelhas— Claro! Os gatos são muito protetores com seus donos, eles também não gostam de perder espaço e atenção para outro animal — colocou Jinx sob o banco que logo recebeu o afago dos dedos de Sarah em sua cabeça — Vamos tentar fazer a aproximação deles de outra forma— Como?— Observou a amiga pegar de dentro da sua bolsa o que parecia ser um novelo de lã— Isso é mesmo um novelo de lã?— Sim, gastei tanto com brinquedos pro Jinx, mas ele se grudou tanto nesse novelo que nem ligou para os brinquedos— A Mel também prefere qualquer coisa aleatória do que os brinquedos — gargalhou— Vamos ver como eles reagem — Rowan jogou o novelo de lã no chão e Jinx saltou do banco em direção a linha colorida dando tapinhas até desenrolar bastante e rolar no chão se enroscando nela.Sarah colocou Mel no chão a deixando livre para brincar, a primeiro instante os grandes olhos verdes da felina seguiam aquela bolinha de lã para todos os lados, foi se aproximando com cautela do novelo notando o gato mordiscando a linha, ainda receosa deu um tapa na bolinha de lã e a viu se desenrolar, seguiu repetindo o mesmo movimento algumas vezes, até tomar confiança e sair correndo atrás da linha a desenrolando cada vez mais, aos poucos ela foi se aproximando de Jinx que balançava o rabo de um lado para o outro a encarando com os grandes olhos amarelos assustados, rodeou o gato mexendo o narizinho e de repente deu um bote no rabo do gato, dando leves mordidinhas, fazendo Sarah e Rowan sorrirem feito bobas— Que fofinhos! — Sarah apertou as mãos sob as bochechas— Agora que são amigos, vão poder fazer companhia um para o outro enquanto estivermos estudando — disse Rowan empolgada — Falando nisso tô tão ansiosa para as aulas, principalmente a de transfiguração, dizem que a professora Macgonagall é uma lenda — Rowan soltou um riso — E você por qual aula tá mais ansiosa?— Tô ansiosa pela aula de defesa contra as artes das trevas! — saltou do banco com a varinha nas mãos a movendo como se estivesse lançando um feitiço — Quero ser a melhor da turma nessa matéria— Uau, você parece determinada! — Rowan sorriu— Além do mais se quiser encontrar Jacob vou precisar dominar esse tipo de magia — disse de maneira firme — Quem sabe o que posso encontrar pela frente— Você é bem corajosa! — Rowan apoiou as mãos sob o queixo— Quando Jacob e eu éramos mais novos, sempre brincávamos assim! Ele era o bruxo das trevas e eu auror — sorriu com a lembrança — Uma vez ficamos de castigo por um mês quando quebramos sem querer a máquina fotográfica do meu pai— Como vocês fizeram isso? — perguntou Rowan entre risos— Essa máquina era aquelas de tripé, a gente tava pulando por cima dos móveis e sem querer eu esbarrei na máquina e ela espatifou no chão, aí o resto da história você já pode imaginar — se sentou e apoiou as mãos sob os joelhos — Jacob disse para o papai que foi ele quem quebrou a máquina, ia receber o castigo sozinho — engoliu a seco — Mas aí eu disse que tinha empurrado ele por isso ele se desequilibrou e caiu— Ele te protegia bastante — os olhos da garota se apertaram num sorriso caloroso— Sim! — respondeu com um sorriso orgulhoso— Eu queria ter um irmão! — Rowan apanhou o novelo de lã e o enrolou, enquanto Jinx se distraia lambendo a cabeça de Mel que ainda mordia o seu rabo — Meus primos são todos mais velhos que eu, então nunca tive alguém para brincar quando pequena — se sentou ao lado de Sarah e guardou o novelo em sua bolsa — As vezes me sinto sozinha sem outra criança da minha idade por perto sabe, e quando se mora numa fazenda fica ainda mais difícil! — encolheu os ombros— Agora você tem uma irmã — deu a volta com seu braço no ombro de Rowan a abraçando— Você é mesmo um amor! — Seus olhos brilharam por baixo da lente do óculos, enquanto abraçava a amiga— Assim você me deixa sem graça Rowan — as bochechas de Sarah coraram — Sério! Você nunca mais vai se sentir sozinha se depender de mim — sorriu para a amiga— Obrigada, Maninha! — Rowan apertou um pouco mais as costelas da garota de cabelos castanhos em seus braçosO barulho da porta da cabine abrindo lhes chamou atenção, uma garota mais velha com vestes pretas e um brasão com o desenho de um leão em tons de vermelho e dourado entrou na cabine— Olá, garotas! Meu nome é Angélica Cole, sou monitora da casa da Grifinória — se apresentou de maneira formal — Vocês são? — pegou uma prancheta com um pergaminho que continha os nomes de todos os primeiranistas— Sou Rowan Khanna — a garota ajeitou os óculos enquanto se apresentava de maneira descontraída— E eu sou Sarah Granger — a garota de cabelos castanhos corou as bochechas demonstrando timidez— Certo! — rabiscou a lista checando os nomes nela contidos — Já estamos chegando, coloquem suas vestes e não esqueçam de identificar as bagagens e as caixinhas de transporte — disse de maneira firme mas educada— Não vamos poder levar nossas coisas? — Sarah perguntou enquanto alisava os cabelos sem conseguir encarar Angélica— Não! Mas serão levadas aos seus respectivos quartos logo após a seleção das casas, se certifiquem de identificar tudo que não teremos problemas Ok? — ergueu as sobrancelhas enquanto encarava Sarah ainda cabisbaixa— Ok — disse a garota entrelaçando os dedosRowan acenou com a cabeça enquanto Sarah ouviu o barulho da porta da cabine se fechar.Sarah e Rowan se entreolharam e deram gritinhos empolgadas, logo seguindo as instruções da monitora, se despediram dos felinos e seguiram para fora do trem, ao atravessarem a porta se depararam com outros alunos com as mesmas vestes pretas como as delas, antes que pensassem em interagir um homem barbudo e tão alto quanto um gigante apareceu diante dos alunos, conforme se aproximava alguns alunos chegaram a ficar estáticos com os olhos arregalados, o garoto ao lado de Rowan tremia feito uma vara verde e estava tão pálido que parecia que ia desmaiar— Atenção! Alunos primeiranistas todos aqui por favor — a voz do homem soou grave porém ele parecia muito gentil — Não tenham medo! Sou um gigante incapaz de fazer mal a um verme cego — sorriu divertidoRisos tomaram conta da plataforma e aos poucos os alunos foram se aproximando do gigante.— Muito bem! Agora podemos nos conhecer — esboçou um sorriso caloroso — Sou Rúbeo Hagrid, guardião das chaves das terras de Hogwarts. Sejam todos bem vindos! — o gigante parecia tão empolgado quanto os alunos— Você é mesmo um gigante? — perguntou uma garota de cabelos rosados— Na verdade sou meio gigante! Papai era pequenininho de tudo, aos seis anos de idade eu já era maior que ele — gargalhou alto colocando as mãos sob a barriga — Alguém mais tem alguma pergunta?Mais da metade dos alunos ali presentes ergueram suas mãos— Ok, eu não esperava por isso! — coçou a cabeça — Vamos fazer o seguinte, ao longo do ano sei que terei a oportunidade de responder todas essas perguntas e nos conhecermos melhor! — sorriu novamente — Agora sigam-me ou vamos nos atrasar para a cerimônia de seleçãoO gigante os guiou pela plataforma até saírem da estação de trem de Hogsmead, seguindo por um caminho sombrio com árvores disformes cheias de galhos despontandos que mais pareciam braços de monstros, iguais aos das histórias infantis para trouxas que Sarah tinha ouvido algumas vezes de suas avós, todos os alunos pareciam tensos e até mesmo Rowan apertava o braço da amiga vez ou outra, quando ouvia barulho de alguém pisando num galho seco, emitindo sons que mais pareciam de ossos se quebrando. A tensão só diminuiu quando Hagrid indicou uma frota de pequenos barcos e pediu que os alunos entrassem nos barcos— Apenas três alunos por barco! E chegaremos com segurança em Hogwarts — orientou os alunos que seguiam apressados em direção aos barcosQuase todos os barcos já estavam ocupados e Sarah e Rowan tiveram que correr para encontrar um onde ainda tivesse lugar para as duas.— Aqui Sarah! — Rowan encontrou um barco vazio e acenou para Sarah que procurava do outro ladoA garota de cabelos castanhos seguiu em direção da amiga que já havia entrado dentro do barco, quando se aproximou da beirada olhou para o barco de trás. O rosto corou e um friozinho se instalou no seu estômago, os cabelos curtos e bagunçados soprados pelo vento e aqueles olhos…Suspirou. Agora conseguia ver a cor deles, o tom entre o púrpura e o violeta cintilou conforme foi atingido pelo brilho da lua cheia.— Sarah! — Rowan chamouNo mesmo instante a garota olhou diretamente para Sarah que a encarava ainda paralisada sob a plataforma, os olhares se cruzaram e o coração de Sarah falhou uma batida, a quentura nas bochechas subiu até as orelhas, se desesperou de tal modo que acabou deixando o pé transpassar pelo vão entre o barco e a plataforma e teve sorte dos barcos ainda estarem presos deixando o vão tão pequeno que seu corpo não transpassou direto, dando tempo dela se agarrar a lateral do barco.— Sarah! — Rowan gritou enquanto se levantava do barco — Alguém ajuda, por favor! — segurou a mão da amiga tentando a puxar para dentro antes que o restante do corpo escorregasseSarah sentiu a água gelada do lago atravessar seu calcanhar e mesmo com Rowan puxando sua mão não conseguia tomar impulso suficiente para subir no barco, notou os alunos dos barcos dos fundos se levantado para ver a cena enquanto os cochichos aumentavam seguidos de alguns risos. Chegar em Hogwarts encharcada de água não estava em seus planos, muito menos pagar aquele mico, ainda mais na frente da garota de olhos púrpura, mal teve coragem de olhar em sua direção para ver a reação dela.Logo seu corpo começou a ser puxado para fora e não era devido nem a força que ela ou a amiga faziam, era como se levitasse no ar, no instante em que olhou para baixo notou que de fato estava suspensa, os movimentos da varinha do guarda caças só parou quando finalmente sentiu seus pés apoiados na parte interna do barco— Hey, cuidado mocinha! — o homem guardou a varinha em suas vestes — Parece que você é tão atrapalhada quanto eu! — esboçou um sorriso simpático— Ai que vergonha! — se sentou e colocou a mão sob a testa enquanto ouvia os risos das outras crianças— Tudo bem, Não se preocupe! — o gigante apoiou a mão sob o seu ombro — Tenho certeza que todos aqui já devem ter passado por situações constrangedoras, ninguém está salvo não é? — disse em bom tom para que todos ouvissem fazendo os risos cessarem no mesmo instante — Você se machucou? — voltou sua atenção para Sarah— Não! — respondeu ainda com as bochechas coradas — Estou bem, obrigada Hagrid — ergueu a cabeça encarando o guarda caças e esboçou um sorriso tímido— Não tem de quê…Qual seu nome?— Sarah! Sarah Granger! — falou o sobrenome receosa de qual seria a visão de Hagrid sobre seu irmão— Sim! — sorriu e acenou com a cabeça — É um prazer te conhecer! Seu irmão adorava meus quadradinhos de chocolate, sempre que me visitava eu fazia pra ele — cochichou em seu ouvido — Depois de se instalar quero que me visite para provar minha receita nova — piscou para a garota— Vai ser um prazer — a garota sorriu empolgadaAinda estava muito envergonhada pelo que tinha acontecido mas ao mesmo tempo ficou feliz em saber que Hagrid tinha afinidade com seu irmão, o guarda caças por sua vez ainda tentava convencer o garoto que tremia feito vara verde desde que desembarcaram a entrar no barco, sem êxito, os outros alunos começaram a pressionar o garoto e a garota de cabelos rosados se pronunciou novamente— Você não vai querer ficar aí não é? — perguntou erguendo uma das sobrancelhas — Quer dizer está bem no meio de uma trilha sinistra e um lago cheio de criaturas desconhecidas — esboçou um sorriso malicioso — Tenho certeza que o castelo é mais seguroOs olhos castanhos do garoto se arregalaram percebendo que a garota de cabelos rosados tinha certa razão e pulou para dentro do barco de Sarah e Rowan.O guarda-caças respirou aliviado e acenou para a garota de cabelos rosados em agradecimento, logo adentrou em um barco sozinho que ficava à frente dos outros, saindo a frente guiando os alunos, os outros barcos não demoraram a se deslocar pelas águas escuras do lago.Rowan tentava procurar ao menos pela sombra de alguma criatura mágica, Sarah praguejava mentalmente pelo seu descuido.Ambas foram tiradas de seus pensamentos com o gemido do garoto que dividia o barco com elas, se entreolharam e Sarah foi a primeira a tomar iniciativa— Você está bem? — perguntou se aproximando devagar do garoto — Eu sou Sarah Granger e essa é Rowan Khanna — indicou a amiga que fez um aceno com a mão— Percebemos que você está nervoso, mas tente se acalmar tudo aqui é novo para todos nós — Rowan completou esboçando um sorriso— Eu não devia estar aqui! — O garoto grunhiu apavorado— Calma! Qual é o seu nome? — Sarah perguntou com a voz mais branda possível— Ben Cooper! — disse guiando os olhos castanhos ao redor morrendo de medo de que algo o atacasse— Você é nascido trouxa? — perguntou Rowan — Quer dizer, você é filho de pessoas que não têm o dom da magia, certo? — Usou uma linguagem mais acessível para que o garoto entendesse— É isso mesmo, meus pais não são bruxos! Na verdade acho que eu também não sou, isso foi um engano — gemeu nervoso— Se fosse um engano, você não estaria em Hogwarts — Rowan pontuou— Ok! Eu posso fazer algumas coisas que as pessoas não conseguem fazer mas aqui não é o meu lugar — Entrelaçou os dedos na capa preta— Claro que é! — Rowan contestou— Rowan, acho que ele está com medo! — Sarah cochichou — Olha Ben! — Sarah o encarou — Sei que não deve ser fácil viver num mundo sem magia e do nada você descobre que é um bruxo! Minhas avós também não são bruxas, então conheço um pouco do seu mundo, se quiser podemos te ajudar a se adaptar, não é Rowan? — Perguntou a amiga esboçando um sorriso confortante para BenAntes que Rowan pudesse responder algo o garoto gemeu novamente— Obrigado, mas não quero! Só quero ir para casa, isso tudo foi um engano! — repetiu as mesmas frases enquanto sua voz ficava mais esganiçadaAs amigas se entreolharam percebendo que não seria nada fácil convencer o garoto, mas estavam dispostas a ajudá-lo— Tudo bem, vamos tentar de outra forma? — Rowan se aproximou do garoto — do que você tem medo?— De tudo — o corpo do garoto estremeceu — Eu tive que passar no meio de uma viga de tijolos para entrar na plataforma. Entrei numa cabine onde o menino sentado na minha frente comia um sapo de chocolate que se mexia sozinho. A garota que estava do meu lado disse que ia me ajudar com o nó mal feito da gravata e apontou uma varinha no meu rosto, e quando finalmente consegui fugir dali outra garota com cara malvada ameaçou jogar uma azaração em mim se eu não saísse da cabine dela, então a gente sai do trem e é recebido por um gigante, passamos por aquele caminho sombrio para chegar aqui e descubro que tem criaturas dentro desse lago, e se alguma delas nos atacar? — grunhiu desesperado— Tudo é diferente para você, eu entendo, mas Sarah e eu podemos te ajudar! — a voz suave de Rowan alcançou seus ouvidos— Verdade! Posso te ajudar com o que sei do mundo trouxa e fazer as comparações com o mundo bruxo, logo você vai ver que não tem tanta diferença! — Sarah apoiou a mão sob o ombro do garoto— E eu posso te ajudar a estudar magia de forma adequada para que não se machuque! — Rowan arqueou as sobrancelhas e ajeitou os óculos— Então o que me diz? — Sarah perguntou— Ok! Vocês parecem ser legais! — esboçou um sorriso amarelo.— Então amigos? — Sarah estendeu a mão para o garoto— Amigos! — apertou a mão de Sarah e repetiu o mesmo gesto com RowanO trio não conseguiu prosseguir a conversa no instante em que seus olhos se guiaram até o grandioso castelo de Hogwarts, as luzes acesas nas inúmeras janelas pareciam brilhar como as estrelas do céu, era lindo e nenhum deles podia negar que suas expectativas haviam sido superadas naquela noite.******************************Hagrid tinha de manter os alunos juntos e devolver os desgarrados ao bando vez ou outra; era tanta coisa para ver que os primeiranistas paravam para acenar para os quadros que se mexiam e tocar as espadas de mármore das estátuas.Chegaram à base de uma pequena escadaria e no topo da mesma viram uma bruxa elegante com vestes formais e um chapéu pontudo bem alinhado ao seu cabelo preso em um coque firme. Seus óculos quadrados eram minúsculos, mas permitiam ver o olhar severo que ela mantinha por de trás deles.— Crianças, apresento a vocês a Profa. Minerva McGonagall, vice diretora de Hogwarts — Hagrid disse com certo ar de imponência.— Então essa é a professora de Transfiguração — Sarah sussurrou baixinho para Rowan e Ben. — Ela parece tão...— Incrível! — respondeu Rowan.— Assustadora — Ben disse ao mesmo tempo.Sarah tapou a boca tentando conter um riso baixo mas não pode escapar do olhar repreensivo da professora.O guarda caças seguiu adiante adentrando pela grande porta do salão comunal, fazendo os alunos se esticarem na ponta dos pés a fim de enxergar o que havia lá dentro, mas a porta se fechou antes que pudessem enxergar alguma coisa— Atenção todos! — A voz aguda da professora os chamou atenção — Como Hagrid já disse sou a professora Minerva Macgonagall, serei responsável por guiá-los até a cerimônia de seleção — seus olhos azuis percorreram pelos rostos dos alunos e ela esboçou um meio sorriso, parecendo orgulhosa — Sigam-me!As grandes portas de madeira se abriram e foi inevitável que os olhos dos alunos se guiassem para o teto encantado, encaravam as nuvens e as estrelas no céu límpido e azul, enquanto o silêncio antes estabelecido pela professora, se quebrava com murmúrios de empolgação, alguns chegaram a tropeçar pelo caminho com o vislumbre daquele belo encantamento, até Ben havia parado de tremer e admirava o teto boquiaberto.— Como isso é possível! — murmurou desacreditado— É magia Ben! — Rowan sorriu orgulhosa — Mais especificamente um encantamento— É maravilhoso! — os olhos castanhos do garoto brilharamSarah observou a cena com um sorriso bobo nos lábios, estava feliz em ter conhecido Rowan e Ben e ainda que não soubesse muita coisa sobre eles, a conexão que tiveram havia sido especial, agarrou o braço de ambos enquanto eram guiados pela professora. Só quando pararam diante da mesa central que a garota de cabelos castanhos notou o tamanho daquele salão, as quatro mesas que iam de uma ponta a outra cada qual com grupos de alunos separados pelas famosas casas eram bem maiores do que imaginava, os veteranos pareciam animados com a chegada dos primeiranistas, Jacob havia lhe contado que foi o dia em que mais foi mimado na vida inteira.Assim que a professora parou no palco central e apanhou o chapéu marrom pontudo, acima de um banquinho de madeira, o silêncio voltou a se estabelecer, ela tirou do meio das vestes um pergaminho, ajeitou os óculos caídos sob o nariz e ergueu a cabeça em sua pose altiva— Ariana Patel — a voz aguda da professora chamou a garota que subiu as escadas até o palco um tanto receosaOs grandes olhos negros da garota se guiaram para o rosto da professora que acenou a cabeça com um meio sorriso a encorajando a se sentar. Colocou o chapéu na cabeça da garota e o que pareciam ser marcas de amassados se tornaram contorno de olhos e boca— Aham! O que temos aqui — a voz do chapéu soou fazendo todos arregalaram os olhos — Lufa-Lufa! — disse assertivo enquanto os alunos com o brasão de texugo faziam festa recebendo a nova companheira de casaEnquanto a professora prosseguia a lista Sarah sentiu as mãos trêmulas de Ben apertarem seu braço, e quando olhou para o garoto ele estava novamente pálido— Calma Ben! — tentou acalmar o amigo— Eu não quero esse treco na minha cabeça Sarah! E se ele ler minha mente — arregalou os olhos castanhos— De certa forma é isso que ele vai fazer mesmo!Antes que o garoto pudesse dizer algo, o chapéu gritou— Corvinal! — mandando André Egwu para a casa com o brasão de águia, permitindo os alunos da Corvinal comemorarem com assobios e aplausos— Ben Cooper! — disse a professora de transfiguração num tom um pouco mais alto a fim de sobrepor as vozes de alguns corvinos ainda empolgadosO silêncio tomou conta novamente do grande salão comunal e os olhos seguiram atentos de volta à seleção, mas o garoto não apareceu fazendo a professora inspecionar por cima dos óculos e chamar novamente seu nome— Ben Cooper! — franziu o cenhoO garoto havia travado, matinha os olhos fixos no chapéu e se não estivesse tão apavorado a ponto de não conseguir se mexer sairia dali correndo— Calma, ele não vai te machucar eu prometo — Sarah apoiou as mãos sob as costas do amigo e foi o guiando até a ponta do palco, encarou a professora de perto que acenou com a cabeça para ela— Venha senhor Cooper! — segurou em seu punho o guiando até se sentar, logo colocando o chapéu sob sua cabeça.— Ahh! — O chapéu se balançou na cabeça do garoto o deixando ainda mais pálido — Já sei onde te colocar, Grifinória!Os alunos com o brasão de leão vibraram com a chegada do novato, enquanto Sarah e Rowan comemoravam orgulhosas do amigo— Eu sabia que ele tinha coragem! — disse Rowan entre risos— Tô tão orgulhosa dele — Sarah completouSarah e Rowan viram Barnaby Lee ser o primeiro selecionado para a casa com o brasão de serpente que o recebeu com gritos e assobios. Badeea Ali seguiu para a casa da corvinal. Carlos Weasley foi selecionado para a Grifinória e notaram ele ser recebido com um abraço caloroso por um aluno mais velho com os mesmos cabelos de fogo e sardas, indicando familiaridade entre ambos. Chiara Lobosca seguiu animada para a Lufa-lufa com seus cabelos platinados, seguida por Diego Caplan e Emma Green. Ismelda Murk foi a segunda selecionada para a sonserina seguida de Liz Tuttle. Jae Kim fez companhia aos outros grifinórios, e Jackeline Peterson se juntou aos lufanos.Era divertido ver os colegas serem selecionados, mas estava ansiosa para poder chegar sua vez logo, olhou para as mesas das quatro casas. A mãe havia sido da Lufa-lufa, não tinha dúvidas de que dedicação e honestidade era o ponto forte dos lufanos. O irmão foi selecionado para a Grifinória e ele era de fato a pessoa mais corajosa e leal que conhecia. O pai era sonserino e suas características mais marcantes com certeza eram determinação e ambição. Não tinha ninguém em sua família na casa da corvinal, mas sabia que corvinos eram inteligentes e criativos, geralmente muito ligados às artes."Será que vou ser a primeira corvina da família?" — questionou admirando o uniforme com detalhes em azul — "A maioria das pessoas dizem que sou parecida com a mamãe, quem sabe a Lufa-lufa?" — sorriu notando a intimidade dos lufanos entre si —"Talvez eu seja como o Jacob, gosto de aventuras!” — pensou consigo admirando o espírito jovem dos grifinoros“ Ou talvez eu seja mais parecida com papai do que penso!” — notou as expressões altivas dos sonserinosMesmo depois de refletir não fazia ideia para onde seria selecionada, notou suas mãos suando e o nervosismo aumentando conforme a professora chamava mais alunos— Mérula Snyde! — a professora chamou erguendo o olhar a procura da garotaO coração de Sarah palpitou mais forte ao notar a garota de olhos púrpura caminhando em direção ao banco de madeira, se aproximou discretamente da escadaria, queria poder ver aqueles olhos de perto, mas antes que pudesse babar pela garota de novo, o chapéu a mandou para a sonserina mais rápido do que qualquer aluno, mesmo assim acompanhou Mérula com os olhos pelo salão até ser recebida pelos Sonserinos.Logo viram a irreverente Ninfadora Tonks ser selecionada para a lufa lufa, seguida da doce Penny Haywood.— Rowan Khanna — chamou a professora— Boa Sorte — Sarah sussurrou no ouvido da amiga e apertou sua mãoRowan sorriu para ela e seguiu até o banco de madeira, logo sentiu o chapéu se acomodar em sua cabeça, ele se remexeu de um lado para o outro e demonstrou incerteza, era possível notá-lo titubear antes de tomar sua decisão— Grifinória! — o chapéu disse depois de cerca de quatro minutos, gerando murmúrios entre os alunos e até mesmo entre os professores.Rowan caminhou contente ao encontro dos outros grifinoros, que batiam palmas e assobiavam entusiasmados.— Sarah Granger! — a voz da professora fez o corpo todo da garota se arrepiarSeguiu depressa pelas escadas e se sentou no banco de madeira sentindo seu coração pulsar mais rápido do que nunca, encarou novamente as quatro meses e dessa vez todos olhavam para ela, fechou os olhos quando sentiu o chapéu ser colocado em sua cabeça e imediatamente ouviu a voz do chapéu soando— Veja só o que temos aqui! — murmurou — É uma das mentes mais destemidas que já vi, qualquer pessoa que esteja do seu lado nunca vai se sentir só, lealdade é um dos seus pontos fortes, a sinceridade também é crucial na sua vida, e tem um coração tão cheio de bondade e gentileza que é capaz de encantar até a pessoa mais durona — a voz do chapéu soava cada vez mais convicta — Não vejo uma casa melhor para te colocar a não ser… Grifinória!Os olhos castanhos de Sarah cintilaram e ela saltou animada do banco em direção a mesa dos alunos com o brasão de leão, foi recebida com calorosos apertos de mão dos alunos mais velhos que festejaram por terem mais um membro na casa da Grifinória, logo a garota avistou os amigos e correu em direção a eles— Tô tão feliz que estamos na mesma casa! — apertou os dois entre seus braços— É maravilhoso, não é? — Rowan sorriu animada— Estou feliz também! — a voz de Ben soou abafada com o aperto que Sarah lhe deu — Não sei como ia ficar sem vocês duas para me protegerem— Que isso Ben!Você foi colocado na Grifinória, e um dos pontos mais fortes da casa é a coragem — Rowan pontuou — Você deve ter coragem aí dentro de você— Sinceramente não sei se fico feliz com isso Rowan — disse o garoto ainda com um olhar assustado— Porque? — a garota ajeitou os óculos e franziu o cenho— Antes eu não tinha que provar minha coragem para ninguém, e agora todos vão debochar ainda mais de mim, vou ser o garoto covarde da Grifinória! — resmungou um tanto chateado— Ben! Você não vai precisar provar nada para ninguém! — Sarah apoiou a mão sobre seu ombro— Te-tem certeza? — gaguejou— Sim! E Rowan tem razão, a coragem está aí dentro ou não teria sido colocado aqui — Sarah continuou tentando animar o amigo — Mas melhor não pensarmos nisso agora tá bem? O que importa é que estamos juntos e tudo vai dar certo! — esboçou um sorriso confortanteO trio se sentou sob os bancos de madeira e voltaram sua atenção novamente para a seleção vendo Tulipa Karasu e Talbott Winger serem selecionados para a casa da corvinal finalizando a lista de alunos do primeiro ano, ou quase todos, entre um buchicho e outro alguns colegas haviam passado despercebidos mas nada que fosse interferir afinal Sarah estava empolgada para fazer amizades principalmente com a garota de olhos púrpura, antes que pudesse pensar em espiar novamente a garota por cima dos ombros, a voz aguda da professora soou novamente— Agora que já fizemos a seleção doou a palavra ao nosso diretor Alvo Dumbledore! — sorriu para o diretor dando lhe passagem— Boa noite — a voz mansa do diretor chamou atenção de todos — Sejam todos bem vindos a Hogwarts! — percorreu com os olhos azuis por cima dos óculos pelo salãoO velho de barba longa e grisalha discursou sobre algumas regras que haviam na escola de magia e bruxaria de acordo com ele mesmo para garantir a segurança e boa convivência entre os alunos e funcionários, logo em seguida desejou as boas vindas aos primeiranistas e liberou o banquete, as mesas se tornaram repletas de comidas apetitosas, o cheiro entrava pelas narinas fazendo os alunos salivarem, os mais velhos fizeram as honras e logo em seguida o restante dos alunos começaram a se servir das delícias postas à mesa, muitos primeiranistas atacaram as sobremesas antes mesmo de se darem conta que precisavam repor as energias com alimentos adequados, qualquer criança sonhava em ter a oportunidade de se entupir de doces sem ouvir as reclamações dos pais, mas assim como uma família as casas eram organizadas, os alunos mais velhos costumavam cuidar para que os mais jovens se alimentassem direito.O trio se serviu de forma que nenhum deles precisou da "orientação" dos alunos mais velhos— Então esse é o famoso Dumbledore? — perguntou Ben enquanto enchia o prato com purê de batatas — desde que descobri quem eu era que só escuto falar o nome dele— Sim Ben! Ele é o diretor daqui — Rowan respondeu esperançosa que Ben lhe perguntasse mais sobre o famoso bruxo — Ele é um grande bruxo, um dos mais poderosos de todos os tempos! — Completou— Porque ele é tão famoso assim? — Ben perguntou— Pode deixar que te conto tudinho!— disse a garota empolgada.Rowan contava sobre a vida do diretor com propriedade citando até mesmo as datas dos feitos de Dumbledore, prendendo totalmente a atenção de Ben que mantinha os olhos fixos na amiga enquanto devorava uma coxa de frango.Sarah notou que a amiga idolatrava o diretor do mesmo jeito que seus pais, assim como eles Rowan contou que Dumbledore havia salvado o mundo mágico duas vezes, além de ter lutado contra Gerardo Grindelwald um dos bruxos das trevas mais poderosos de todos os tempos, o colocando na prisão, mesmo que os detalhes sobre a batalha contra Grindelwald houvessem impressionado Sarah, ela não conseguia deixar de pensar nas desconfianças do irmão a respeito do diretor. Se por um lado Rowan e os pais enchiam a boca para falar do quanto Dumbledore era justo e bondoso, Jacob encarava que todo o mistério por volta da vida do diretor, era mais do que apenas ser um homem "reservado".Sarah apertou os olhos observando o diretor como quem quisesse ler seus pensamentos, divagou de maneira que já não prestava mais atenção no que os amigos conversavam, tomou um susto ao ser surpreendida pelo diretor a encarando com um sorriso discreto enquanto erguia a taça em sua direção, a fazendo corar as bochechas e soltar um sorriso amarelo antes de se voltar para a mesa.— O fato é que acho Dumbledore genial! Não é Sarah? — Rowan tentou chamar a atenção da amiga— Hã? — perguntou chacoalhando a cabeça tentando se concentrar no que a amiga dizia— Sarah você tá bem? — perguntou Ben arregalando os olhos— Sim, eu tô sim — coçou a cabeça — Eu só me distrai um pouco — sorriu sem graça— É impossível não se distrair nesse lugar — Rowan sorriu para a amiga— Fico imaginando que até agora vimos apenas uma parte do castelo — esfregou os dedos na manga da capa — Como devem ser os outros lugares? Nosso salão comunal? Nosso quarto? E a torre de astronomia? Dizem que é a mais alta de Hogwarts, por Merlim tô muito curiosa — disse empolgada— Você parece ansiosa — Disse Rowan ajeitando os óculos — é por isso que não tá comendo?— É Sarah? Porque não tá comendo? — perguntou Ben enquanto lambia os dedos — Essa comida tá magnífica, é a melhor coisa desde que cheguei aqui — limpou a boca com o guardanapoAmbos notaram Sarah suspirar e deixar os ombros pesarem— O que foi você parece triste! — Perguntou Rowan— O Ben tem razão a comida tá mesmo uma delícia, me fez lembrar da comida da minha mãe — mordeu o interior da bochecha— Você tá com saudades de casa não é? — Ben olhou para a amiga com ternura, que acenou com a cabeça — Acho que todos nós estamos, minha mãe não cozinha tão bem mas também lembrei dela quando comi esse doce — mostrou o doce em tons de marrom e textura crocante as amigas — A propósito o que é esse doce?Sarah e Rowan se entreolharam e os risos soltos começaram a sair até não conseguirem mais segurar e gargalharem alto deixando o amigo confuso— O que foi porque vocês estão rindo? — mordeu uma lasca do doce— Esse doce se chama cacho de barata — Rowan conseguiu falar enquanto tirava o óculos para limpar as lágrimas provocadas pelo riso exagerado— Espera! — Ben engoliu a seco — É só o nome, né? não é feito de barata de verdade, não pode ser — limpou o suor que escorria da testaAs garotas acenaram com a cabeça,confirmando o que o grifano temia, no mesmo instante ele largou o doce e sentiu seu estômago revirar— Ah que nojo! — colocou a mão sobre a boca sentindo ânsia de vômito — Em pensar que a comida era a única coisa que não me assustava aqui — praguejouAs gargalhadas de Rowan e de Sarah eram tão contagiantes que o amigo desfez a cara emburrada e aos poucos abriu um sorriso, até mesmo os alunos mais próximos cochichavam entre risos, notando a maneira como os três interagiam, chegava a ser curioso, qualquer um que os visse daquele jeito jamais poderia imaginar que haviam se conhecido a tão pouco tempo.— Fico feliz que estejam se divertindo! — aquela voz familiar soou atrás dos ombros de Sarah.A garota notou os risos cessarem e os olhos dos amigos se voltaram para os pratos de comida, enquanto Angélica Cole encarava a garota de cabelos castanhos fazendo suas bochechas ficarem ruborizadas— Você não comeu nada? — encarou o prato da garota — Come alguma coisa ok? — fixou os olhos nos da primeiranista e esboçou um sorriso de lado— Atenção todos os primeiranistas — sua voz grave chamou atenção dos alunos — Em quinze minutos encerraremos o jantar e os acompanharei até o salão comunal da GrifinóriaA garota se virou e seguiu até um garoto de olhos claros que aparentava ter a mesma idade que ela— Uau, ela é bem… — Rowan disse— Assustadora? — Ben completou— Eu ia dizer firme — Rowan sorriu — De qualquer forma precisamos nos apressar — limpou a boca com o guardanapo e serviu a sobremesaSarah por sua vez finalmente conseguiu comer e terminou bem a tempo de serem levados até ao salão comunal da Grifinória. Os alunos foram organizados por Angélica e pelo garoto de olhos claros que se apresentou como Scott Butler, também monitor da Grifinória, após as apresentações ambos os guiaram para fora do salão não demorando a seguirem pelos infinitos corredores cobertos por arcos suntuosos, passaram por algumas estátuas de armaduras que se moviam sozinhas impressionando os primeiranistas, logo chegaram as grandes escadas que mudavam de lugar e mesmo com os avisos de atenção de Angélica, cerca de meia dúzia de grifinoros acabaram se dispersando do grupo ao interagirem com os quadros vivos, a monitora resmungava toda vez que isso acontecia enquanto Scott pacientemente resgatava os alunos perdidos entre as escadas. Quando finalmente conseguiram chegar no sétimo andar se depararam com mais um quadro, nele havia uma mulher gorda de cabelos longos e pretos, com uma tiara repleta de folhas e frutas, os lábios estavam pintados num tom vermelho vivo e usava vestes gregas, o fundo da pintura também seguia as origens da arquitetura grega.Assim que Angélica se aproximou da pintura uma voz aguda soou— Oh vejam só! — a mulher do quadro se moveu e abriu um sorriso largo — Temos carinhas novas em hogwarts!Ben agarrou o braço de Rowan enquanto tremia de medo, nunca imaginou que uma pintura pudesse se mexer, muito menos falar. Sarah e Rowan não podiam estar mais empolgadas vendo com os próprios olhos o que apenas tinham ouvido dos familiares.— São primeiranistas — Scott sorriu— Oh queridos sejam todos bem vindos — A mulher disse simpática— Obrigada pela recepção, mulher gorda! — Angélica se virou para os alunos — Agora prestem atenção, essa é a passagem para o salão comunal da Grifinória— Para entramos precisamos de uma senha — completou Scott — É muito importante que vocês memorizem ou irão correr o risco de ter que apreciar o talento lírico da mulher gorda — cochichou entre risos— Ok, chega de conversa! — Angélica tomou a frente — Mingau de coruja! — disse em bom tom O retrato da mulher foi afundando abrindo um espaço na parede por onde Angélica entrou caminhando firme em suas botas de cano alto, sendo seguida pelos alunos que cochichavam cautelosos com receio de serem advertidos pela monitora— Ela é realmente genial para uma garota de apenas quinze anos! — Scott comentou com o trio que acenava com a cabeça concordando com o monitorLogo os alunos se aglomeraram no salão comunal o ambiente tinha formato circular, cheio de poltronas macias, mesas de madeira e um quadro de avisos com comunicados da escola. A sala toda era adornada em tons de escarlate e ouro as paredes decoradas com tapeçarias retratando as aventuras de diversos bruxos famosos, a imagem de um leão, símbolo da casa, estampava a parede central acima de uma lareira quentinha, haviam também algumas estantes com livros que fizeram os olhos de Rowan brilhar.O salão tinha um clima aconchegante e depois de um dia tão agitado como aquele se jogar sobre as poltronas aveludadas era o desejo de qualquer um, mas ainda se mantinham firmes sob o olhar de Angélica, mesmo com pouca diferença de idade a monitora realmente sabia como colocar ordem nos primeiranistas.— Agora que já conheceram o salão comunal, desejo que todos aproveitem seus anos aqui — os olhos escuros contrastavam com os vitrais das janelas — Acreditem! o tempo voa — esboçou um sorriso discreto— Angélica tem razão! — Scott apoiou a mão em seu ombro — Mas acredito que já passamos da hora de dormir — sorriu sem humor — O dormitório masculino está à direita e o feminino à esquerda.Se despediu da colega de turma e das primeiranistas e guiou os garotos escadas acima. Angélica teve que pigarrear notando que o colega havia chamado atenção de algumas garotas que cochichavam entre risos com comentários sobre a aparência do monitor.Sarah bocejou com todo aquele alvoroço, realmente nunca havia se interessado por garotos, sob as ordens de Angélica seguiu em direção ao dormitório ao lado de Rowan, aos poucos o amontoado de garotas foi se dividindo, e Sarah e Rowan vibraram ao descobrirem que seus quartos eram de frente um para o outro, se despediram rapidamente assim que Sarah tentou abrir a porta do seu dormitório sentiu a mão de Angélica pressionar a porta a fazendo se fechar novamente.— Espera! — A voz firme da garota a fez tremer — Eu fiz alguma coisa errada? — abaixou a cabeça e sentiu seu rosto arder em chamas— Hey, calma! — Angélica apoiou as mãos sob os joelhos a fim de encará-la — Desculpa se te assustei, é que preciso ser firme, sabe! — sorriu descontraída — Afinal tenho pouca diferença de idade com vocês primeiranistas.— Entendo! — os olhos castanhos de Sarah se ergueram para o rosto da monitora e esboçou um sorriso tímido— Enfim, não é sobre isso que quero falar com você — comprimiu os lábios — Você é a irmãzinha do Jacob não é? — perguntou— Eh, eh sim — a voz da Grifinora tremeu— Eu era amiga do seu irmão! — esfregou os dedos no tecido da saia— Sério? — os olhos de Sarah cintilaram— Sim! Bom, pelo menos até o momento em que ele se isolou de todo mundo — mordeu o interior da bochecha notando que a Grifana suspirou cabisbaixa — Me desculpe! — ergueu o rosto da garota com a ponta dos dedos — Olha, o que quero dizer é que pode contar comigo, sei que talvez alguns alunos impliquem quando souberem que você é irmã de Jacob…se isso acontecer é só me chamar ok? — apoiou a mão sob o ombro da garotaSeguiu pelo corredor enquanto Sarah ainda digeria toda aquela conversa, na verdade ela não havia falado muito mas resolveu não pensar sobre isso naquele momento, porém precisava dizer alguma coisa, a monitora havia sido muito gentil com ela— Obrigada! — disse em bom tom antes que Angélica alcançasse as escadas— Boa noite Sarah! — a garota esboçou seu sorriso de lado — Durma cedo! Amanhã será mais um dia agitado. — Se virou e desceu as escadas.A Grifana sorriu consigo mesma e entrou em seu quarto, mal cruzou a porta já ouviu o miado desesperado de Mel, os olhinhos verdes da pequena felina por trás da grade de proteção da casinha de transporte chamavam pela dona, saltou em sua direção e a tirou da casinha, logo a gata se aninhou em seu peito e esfregou a cabecinha em seu queixo pedindo por carinho, Sarah averiguou as malas enquanto acariciava o pelo da felina.— Parece que está tudo certo! — falou consigo mesma — E você?— Ergueu a gatinha e a encarou — tá com fome, meu amor? — sorriu ao ouvir o miado agudo da filhote em respostaSarah apanhou o sachê da gata e despejou sob sua vasilha, tomou um banho quente e se sentou sobre a cama encarando a mala enquanto secava os cabelos, estava cansada demais para pensar nisso e decidiu arrumar suas coisas no dia seguinte, agarrou Mel e a colocou sob seu peito, não demorou a gata se enrolou feito uma bolinha e adormeceu junto a sua dona.

----- CHAPTER BREAK -----

A plataforma 9 ¾ era o único lugar que nunca tinha ido com os pais, fato que fazia Mérula sentir um certo alívio, pelo menos não teria lembranças ou expectativas, ao menos era o que ela esperava. O expresso para Hogwarts era maior do que imaginava mas a quantidade de alunos transitando por ali conseguia ser superior a qualquer coisa, todos ao redor se despediam de suas famílias e antes que seu peito apertasse de novo ergueu a cabeça e entrou no trem.Seguiu diretamente para o fundo e não demorou a descobrir que aquele era um território exclusivo dos veteranos.Tinha a audácia necessária para se misturar com eles, talvez até fizesse amizades e seria perfeito aprender com os mais velhos, mas antes mesmo de colocar o pé para dentro da cabine um garoto alto de cabelos escuros travou a passagem— Sai fora pirralha, aqui é a área dos veteranos — bateu a porta e saiu andando para o outro lado— Idiota! — resmungou seguindo para o lado contrárioDepois de andar pelo trem todo percebeu que o esquema etário era uma regra e teria que se acomodar nos primeiros vagões junto de outros primeiranistas, fungou e continuou andando, passou por uma cabine com crianças saltitando feito sapos de chocolate, sacudiu a cabeça em negação, de empolgação excessiva já bastava Barnaby. Olhou pelo vidro da outra, onde os garotos estavam sem tênis e teve que tapar o nariz com o cheiro que transpassava pelo vão da porta. Mais uma com nerds obcecados jogando quiz de perguntas e respostas. Era literalmente um show de horrores cada cabine parecia pior que a outra, pensou em entrar em uma das vazias mas teve medo de acabar presa com algum idiota a viagem toda.Até que viu um garoto saindo aos tropeços de uma cabine com os olhos arregalados e uma expressão de pânico no rosto se aproximou mais e lá dentro tinha uma garota de cabelos pretos extremamente lisos e uma franja comprida que cobria parte das sardas em seu rosto. Ela estava com a testa franzida e a varinha nas mãos, tudo levou Mérula a acreditar que ela era o motivo daquele garoto sair correndo dali. E sinceramente aquilo a fez encarar a si mesma, provocar medo em outras pessoas era a melhor forma de mostrar quem está no controle.— Hey! — a voz da garota a tirou de seus pensamentos — Você não é a filha dos Snydes? — Perguntou arqueando a sobrancelha que não estava coberta pelo cabelo— Sou sim! — Respondeu erguendo o queixo — Quem era o idiota? — recostou sob a porta— Um sangue ruim — franziu o nariz— É absurdo saber que temos que tolerá-los — revirou os olhosComo comensais da morte, os pais compartilhavam dos pensamentos de Lorde Voldemort, Sangues ruins eram uma ameaça para sangues puros como ela, e não deviam ser dignos de estudar magia— Exatamente e depois da queda de Lorde Voldemort tudo ficou ainda pior — cruzou os braços sob o peito— Verdade— Posso até ter que tolerá-los em Hogwarts mas enquanto não estamos lá, me nego a dividir a cabine com qualquer um deles — soltou um risinho sarcástico— Você tem razão, a propósito parece quase impossível encontrar uma cabine com pessoas como nós— Acabou de achar, entra aí — a garota se aproximou ajudando Mérula a passar sua mala para dentro da cabineAssim que ajeitou suas coisas Mérula estendeu a mão para a garota— Mérula Snyde — a cumprimentou— Ismelda Murk — a garota apertou sua mão — Quer saber? Acho que devemos proteger nossa cabine — recostou sob a lateral da porta — E a melhor forma de fazer isso é barrar a passagem— Você tem razão — Mérula recostou na outra lateral — Se os veteranos fazem isso porque não podemos— É isso aí garota — ergueu a mão no alto batendo contra o palmo de Mérula— Putz! O Barnaby — resmungou ao ver o garoto entrando no trem— Quem? — arqueou a sobrancelha— É um amigo meu! Ele é um dos nossos, admito que é um pouco idiota mas enfim— Se é um dos nossos então tudo bem — deu de ombrosMérula juntou os dedos sob os lábios e assobiou chamando a atenção do amigo, que seguiu animado em direção a cabine— Tem certeza que ele é só um pouco idiota? — Ismelda encarou o garotoMérula soltou um risinho— Hey Mérula! — o garoto parou diante da porta — E garota que não sei o nome — piscou para Ismelda— É Ismelda, idiota! — cruzou os braços sob o peito e bufou enquanto sua bochechas coraram de leve— Eu nunca conheci alguém com o sobrenome “idiota” — falou sério— Meu sobrenome não é esse, o idiota foi pra você — Ismelda aumentou o tom de voz e ficou ainda mais vermelha— Mas meu sobrenome é Lee. Barnaby Lee — o garoto a olhou de soslaio— Por Merlim, esse garoto é uma anta — Ismelda esbravejou— Vocês vão se acostumar — Mérula soltou um riso — Espero — massageou a têmpora — Agora vamos colocar sua mala para dentro BarnabyO garoto entrou na cabine e começou a puxar a mala enquanto Mérula empurrava pelo lado de fora. De repente sentiu seu calcanhar arder com o peso de algo duro esbarrando neles— Aí — resmungou e ergueu a cabeça pronta para xingar o desastre ambulante que tinha a atingido daquele jeitoQuando ergueu os olhos adiante notou uma garota de longos cabelos castanhos pouco a sua frente ouviu apenas a voz doce e empolgada da menina pedindo desculpas e esbarrando em pelo menos mais três outros alunos— Olha por onde anda,idiota — gritou irritada mas a garota já estava distante e provavelmente nem chegou a ouvirPorém o cheiro suave de lilases daqueles cabelos tomaram o espaço todo causando um friozinho na sua barriga, garotas de cabelos castanhos e cheirosos costumavam ser seu fraco— Mérula você não vem? — A voz de Barnaby a fez voltarSacudiu a cabeça e seguiu para dentro da cabine se juntando aos outros.*******************************Depois de desembarcarem foram recebidos por Hagrid que os guiou por uma floresta sinistra aos olhos de quase todos os colegas, ao mesmo tempo que era engraçado ver os outros primeiranistas saltando toda vez que um galho espetavam as costas, também era estranho não sentir medo algum e saber que já tinha passado por situações realmente apavorantes.Quando chegaram nos barcos, logo pulou para dentro de um ocupando o lugar da frente, Barnaby e Ismelda seguiram logo atrás dela. O perfume familiar a fez erguer a cabeça e ver aqueles cabelos castanhos.Não podia ser! Estreitou os olhos em direção a garota, mas era o mesmo cheiro, a mesma cor o mesmo comprimento, era o desastre ambulante que a atropelou no corredor do tremO friozinho se instalou em sua barriga de novo e sacudiu a cabeça desviando o olhar, ajeitou a franja que esvoaçava com o vento e olhou para o céu procurando distração nas constelações mas uma pontada de curiosidade atingiu seu âmago e voltou os olhos para a garota.Ela tinha um rosto arredondado e bochechas coradas, a franja na altura dos lábios tão delicados como os de uma princesa, os olhos eram castanhos claros mas o entorno da íris era quase verde, e tinha sardas discretas sob a região do nariz.O frio no estômago de Mérula atingiu sua coluna arrepiando os pêlos atrás do pescoço, e seus pensamentos se embaralharam formando um nó daqueles bem dadosMas de repente o rosto da garota sumiu do seu campo de visão e a água do lago se agitou, logo percebeu que o corpo dela havia ficado preso entre o vão do barco e da plataforma, os calcanhares afundados na água fria do lago, e os risos dos colegas aumentando conforme a garota se debatia pedindo por ajuda.Tudo tinha acontecido rápido demais e antes de organizar seus pensamentos, o guarda caças havia tirado a garota daquela situação e a ajudado a entrar no barco.— Estamos prontos! — a voz grossa do homem a chamou atençãoEle já estava sentado no primeiro barco guiando os estudantes até o enorme castelo há alguns metros de distância.*****************************Durante todo o caminho viu os colegas deslumbrados com o castelo e embora concordasse que ele era realmente esplêndido a única coisa que ansiava era pela seleção das casas. A distância da porta principal do salão comunal até a bancada do chapéu seletor parecia ainda mais longa do que imaginava, era fato que aquele salão era imenso, mas tinha suspeitas que a ansiedade estava tornando o caminho mais longo.Quando finalmente chegaram os alunos se espremiam tentando ficar o mais perto possível e teve que dar umas duas ou três cotoveladas no estômago de uns e outros que tentavam passar a sua frente.Estar logo na primeira fileira lhe dava uma visão privilegiada mas nem mesmo essa vantagem a permitiu relaxar. Viu Barnaby e Ismelda serem selecionados para a sonserina e por mais que tenha ficado contente pelos amigos, a ansiedade revirava em seu estômago sabendo que ainda teria que esperar até chegar sua vez.“E se eu não for para a sonserina?” Um calafrio percorreu seu pescoço.“Acabarei com a honra da minha família” suspirou“Não, não pode ser nada diferente de sonserina” cerrou o punho“Eu sou tão poderosa quanto papai e mamãe” encarou o chapéu seletor “Vão se orgulhar de mim”Quando finalmente a professora McGonagall chamou seu nome, embora o pulso estivesse cada vez mais acelerado, subiu pelas escadas com os ombros e o queixo erguido. Encarou mais uma vez o chapéu nas mãos da professora e se sentou.“Olha o que temos aqui” a voz do chapéu soou em sua cabeça “determinada e ambiciosa, se souber usar isso pode alcançar o poder que tanto deseja”Mérula estufou o peito e soltou um risinho de lado, não precisava de um chapéu para confirmar o quão poderosa ela seria, mas de certa forma era muito legal ouvir aquilo.“Vejo em você a restauração da reputação para a casa que está destinada”Arqueou as sobrancelhas sem entender direito o que o bendito chapéu estava querendo dizer, mas seu corpo se agitou quando o chapéu finalmente anunciou em bom tom a palavra que mais havia ansiado desde que embarcou no expresso para Hogwarts— Sonserina!Os outros alunos aplaudiram e ela caminhou pomposa em direção a mesa se juntando aos outros sonserinos.Se sentou ao lado de Barnaby e Ismelda e decidiram que seria divertido tentar adivinhar para qual casa os alunos que restavam iam seguir. A primeira a tentar acertar foi Ismelda que errou feio ao apostar Ninfadora Tonks na Corvinal. Barnaby também errou apostando Penny Haywood na Grifinória. Rowan Khanna foi definitivamente uma empata chapéu e por isso foi descartada como aposta.— Agora é sua vez Mérula — Ismelda disse— Sou boa nisso vai ser moleza — soltou um risinhoA professora chamou por Sarah Granger e Mérula notou alguns alunos mais velhos da sonserina cochichando entre si mas não deu muita atenção, quando seus olhos se voltaram para o palco de seleção, uma ruga preencheu o meio de sua testaNão podia ser! Piscou algumas vezes aturdidaMas era. Era a garota de cabelos castanhos, o desastre ambulante que esbarrou no seu calcanhar e depois quase atravessou o lago negro. Inclinou o corpo para frente e olhou fixamente para aquele rosto.Sarah Granger! Esse era o nome dela — colocou a mão sobre o queixo — Tinha algo a intrigando sobre aquela garota mas não fazia ideia do que eraOs olhos dela reluziram quando o chapéu foi colocado em sua cabeça, e o tom verde perto da íris parecia ter desaparecido mas a verdade era que ainda estava lá, mais escuro, se fundindo com o castanho.— E aí pra qual casa você acha que ela vai? — Ismelda a faz voltar— Éhhh….— coçou a nuca— Você não disse que era fácil — Barnaby debochou— Vai logo, Mérula! Ou vai perder sua vez — Ismelda disse— Cala boca vocês estão me desconcentrando — Mérula resmungou e voltou a encarar a garota— Lufa-lufa — mexeu o nariz— Você acha? — Barnaby arqueou as sobrancelhas — Pra mim ela tem mais cara de Sonserina— Tá doido? Nada a ver — a voz de Mérula saiu como se alguém tivesse espetado um alfinete na sua pelePor um instante imaginou como seria irritante ver aquele rosto de princesa de contos de fadas todo dia no salão comunal, por mais que o cabelo dela fosse cheiroso pra caramba, definitivamente aquela garota não fazia parte do seu mundo.— Grifinória — O chapéu anunciou o erro na aposta de Mérula— Você errou — Ismelda gargalhouMérula revirou os olhos— É, eu devia ter percebido — encarou a garota seguindo com seus longos cabelos castanhos para a mesa da Grifinória — Só podia ser, cara de metida ela já tem — bufou— Caramba Mérula você nem conhece ela — Barnaby disse— E daí! Meus pais sempre me disseram que Grifanos são metidos— Isso você tem razão! — Ismelda disse — Minha irmã é da Grifinória e ela é insuportável,a perfeita Annalena Murk — bufou e revirou os olhos— Ainda bem que eu não fui pra Grifinória então — Barnaby soltou um risinho frouxo.****************************O peito de Mérula martelou inquieto assim que colocou os pés no salão comunal,tudo era exatamente do jeito que os pais tinham lhe contado, as paredes com pedras rústicas, as lâmpadas e cadeiras esverdeadas, os sofás em couro, e as grandiosas tapeçarias…Caramba aquelas tapeçarias eram realmente surpreendentes, passou alguns minutos as admirando desejando um dia ter um quadro com sua imagem fixada ali.Talvez tivesse passado mais tempo imersa naqueles desenhos tecidos com fios prateados se não fosse pela visão das janelas estampando as profundezas do lago negro, os seres que habitavam ali rodavam há poucos metros das vidraças, era tão lindo que parecia até a pintura de um misterioso naufrágio subaquático.Depois dos avisos dos monitores, subiu diretamente para o seu quarto, atirou a mala e em seguida o próprio corpo em cima da cama, encarou o teto esmeralda por um tempo, depois as paredes, os móveis, as cortinas, o acolchoado e finalmente a mala…respirou fundo e os ombros finalmente relaxaram, apesar de ser simples o quarto tinha a mesma essência do que costumava ocupar na mansão dos pais, o cheiro amadeirado e fresco, o esmeralda brilhante dos detalhes dos móveis em contraste com o cinza opaco, a meia luz cintilando como ondas suaves, há tempos não se sentia tão à vontade.Embora nada apagasse as lembranças do último verão na casa dos tios, vendo os próprios desenhos entre chamas virando pó, enquanto a tia empinava o nariz com aquela justificativa ridícula “Estavam espalhados, achei que fosse lixo”Aqui fez questão de colocá-los na mesa bem ao lado de uma fotografia sua com os pais. Os gibis com as as aventuras de Circe deixaram seu esconderijo no fundo da mala para a prateleira acima dos livros didáticos. Talvez pudesse mostrá-los a Ismelda mais tarde, Barnaby nunca havia se impressionado com sua coleção de livros, mas tinha muito orgulho de cada volume que conseguiu juntar, antes e depois do incidente. Sempre detestou deixar os quadrinhos fora de exposição naquela casa, mas aqui poderia vê-los empilhados com as lombadas coloridas organizadas numericamente.Por fim organizou as roupas passando os dedos pelo emblema de serpente bordado em sua capa um tanto orgulhosa, tinha certeza que seu primeiro dia oficial em Hogwarts seria o melhor de todos, afinal ela já conhecia mais feitiços que qualquer primeiranista, e já tinha treinado algumas vezes com as varinhas dos pais nada poderia dar errado.

----- CHAPTER BREAK -----

Os primeiranistas ainda esfregavam os olhos e bocejavam enquanto recebiam as orientações dos monitores, mas Angélica falava alto o suficiente para mantê-los acordados enquanto Scott fazia piadas a fim de arrancar risos e animar os jovens bruxos, antes de serem dispensados para o café Angélica alertou os primeiranistas que os professores não gostavam de atrasos.Sarah despertou aos poucos enquanto tomava o café da manhã, embora não estivesse acostumada a acordar tão cedo sabia que os horários em hogwarts eram rígidos e de certa forma teria que largar seus hábitos noturnos até se adaptar a rotina, não demorou a terminar o café e seguiu empolgada ao lado dos amigos para sua primeira aula de feitiços.Ao chegarem os três se sentaram na mesma bancada. Rowan novamente acalmava Ben lhe explicando um pouco sobre as aulas, o garoto estava apavorado em ter que usar a varinha e a amiga o tranquilizou dizendo que provavelmente as primeiras aulas seriam teóricas. Sarah notou que aquela aula seria junto com os lufanos reconheceu de imediato a garota de cabelos rosados e a loira de trança lateral, pensou em se aproximar e começar uma conversa com elas mas ainda não se sentia confiante o suficiente para tomar certas atitudes, a verdade é que a timidez às vezes a atrapalhava na hora de fazer amizades, de qualquer maneira não teve muito tempo de pensar nisso, logo um homenzinho de capa e vestes perfeitamente alinhadas cruzou o meio da sala até a mesa central, subindo em uma pilha de livros que ficava sobre a mesa e pigarreando— Bom dia a todos — a voz do professor chamou atenção dos alunos — Sou o professor Fílio Filtwick responsável pelas aulas de feitiços — acenou com a cabeça — Sejam todos bem vindos a hogwarts, ao longo do ano espero poder conhecê-los melhor — esboçou um sorriso — Mas não podemos perder tempo não é? Então vamos deixar a conversa para depois, quero que todos saiam daqui ainda hoje conjurando um feitiço — disse animado— O senhor quer dizer, que vamos mesmo usar a varinha ainda hoje? — a garota de cabelos rosados não conseguiu conter sua empolgação e se agitou na cadeira— Claro que sim senhorita…— Tonks — respondeu a Lufana— Usaremos a varinha com certeza, meus métodos de ensino sempre valorizam tanto a teoria quanto a prática — ergueu o óculos caídos sobre a ponta do nariz e se voltou para o quadroTodos os alunos vibraram com a notícia e Ben encarou Rowan de braços cruzados enquanto a garota esboçava um sorriso sem graça— Abram o livro padrão de feitiços na página sete — o professor ordenou — Como podem ver há uma breve introdução sobre a matéria, mas antes de tudo gostaria de saber se alguém se arrisca a dizer O que é um feitiço? E para que serve? — escreveu a pergunta no quadro— Aqui professor! — Rowan levantou a mão rapidamente— Sim senhorita…— Khanna, senhor! Rowan Khanna — se apresentou de maneira firme e se levantou a fim de ganhar atenção dos colegas — feitiços são palavras que com certo poder em sua pronúncia e bom manuseamento da varinha, são capazes de grandes e poderosos feitos, todos vêm sendo utilizados para a comodidade do dia a dia de um bruxo — estufou o peito orgulhosa— Isso mesmo! — sorriu satisfeito — E a senhorita seria capaz de me dizer um feitiço e qual sua funcionalidade? — perguntou— É claro professor! — sorriu pomposa — Currente Calamo! faz com que uma pena escreva sozinha, apenas escutando a voz de seu dono— Perfeito! Parabéns senhorita Khanna — as pequenas mãos do professor aplaudiram a jovem bruxa — vinte pontos para GrifinóriaOs grifinoros se entreolharam animados e comemoraram com sorrisos e acenos para Rowan.— Currente Calamo! Será o primeiro feitiço que iremos aprender — A voz do professor os chamou atenção para o quadro novamente no qual ele havia escrito o feitiço assim como sua pronúncia e o movimento da varinha para executá-lo — Temos algum voluntário? — se voltou para os alunos e arqueou as sobrancelhasVários alunos levantaram a mão empolgados exceto Ben que em vez disso deslizou o corpo para baixo tentando se esconder, Filtwick ajeitou os óculos e se colocou na ponta dos pés olhando por cima da bancada encarando Ben— Que tal o senhor? — apontou para o garotoTodos se voltaram para Ben e suas bochechas coraram imediatamente— E-eu? — murmurou — É melhor não! — sua voz estremeceu— Não seja tímido senhor…— Cooper, meu nome é Ben Cooper! — disse encarando as mãos sob a bancada— Vamos lá! — sorriu simpático — não se sinta pressionado, se não der certo na primeira vez tentamos de novo — tranquilizou o garotoSarah e Rowan acenaram com a cabeça para o garoto que finalmente tomou coragem de alcançar a varinha, encarou o professor e apertou a varinha entre os dedos ainda trêmulos— Mantenha firme senhor Cooper — o professor orientouBen ajeitou o braço e respirou fundo enquanto o professor se aproximava— É só sacudir sobre a pena e dizer o feitiço com clareza — mostrou o movimento com a própria varinha— Currente Calamo — a voz do garoto soou firme enquanto ele executava o movimento com a varinhaNo instante seguinte viu a pena se erguer sob o papel e arregalou os olhos surpresos em direção ao professor— Muito bem senhor Cooper agora diga alguma coisa! — o professor ajeitou os óculos sob o rosto— Ben Cooper — o garoto disse o próprio nome e viu a pena se movimentar rapidamente escrevendo sob o papel— Parabéns Senhor Cooper, o senhor conseguiu! — o professor aplaudiu o garotoSarah e Rowan sorriram para o amigo orgulhosas enquanto aplaudiam junto com os colegas— Agora quero que todos peguem suas varinhas! — o professor se virou e seguiu novamente até a pilha de livros — Prestem atenção! — arregaçou as mangas da camisa — E repitam o movimento e a pronuncia com clareza — mostrou o movimento com a varinha para que os alunos o imitassemSarah notou a pena de alguns alunos se levantarem e após suas ordens começarem a escrever. Rowan foi uma das primeiras a conseguir, e sorriu para a amiga orgulhosa. Agarrou a varinha em suas mãos e sentiu seu coração disparar, esperava por aquele momento desde que recebeu sua carta de admissão em hogwarts, respirou fundo e sacudiu a varinha enquanto pronunciava o feitiço com clareza mas a pena não se moveu nem um centímetro sequer.— O que tá acontecendo Sarah? — Rowan perguntou — Porque você ainda não conseguiu?— Eu vou conseguir! — disse afoita ao notar que o comentário da amiga havia chamado atenção dos outros alunos e agora todos olhavam para elaNão demorou muito o professor seguiu em direção aos buchichos dos alunos e notou a garota um tanto nervosa— Certo, qual o seu nome, senhorita? — perguntou se aproximando da bancada— Sarah Granger — a garota respondeu sem conseguir encarar o professor— Vou ajuda-la, me observe — sacudiu a varinha mostrando mais de perto o movimento exato— Certo eu vou conseguir! — apertou a varinha entre os dedos sentindo sua mão suarRepetiu o movimento mais algumas vezes sem sucesso— Se não conseguir hoje não tem problema senhorita Granger! Temos tempo para aprender — disse o professor tentando acalmá-la— Eu vou conseguir! — moveu a varinha novamente fracassando — Tenho que conseguir — sua voz soou trêmula enquanto ofegava notando os buchichos entre os alunos aumentaremA cada tentativa falha ficava mais nervosa, as vozes dos colegas começaram a ecoar em sua cabeça não queria mais ficar ali, mal conseguiu encarar o professor, agarrou os livros e a varinha e saiu correndo pela porta da sala.Os passos da Grifana seguiam apressados pelos corredores, o momento que tanto esperou havia sido um desastre, depois do desaparecimento do irmão prometeu a si mesma que seria forte, mas o fato era que se Jacob pudesse a ver naquele momento ficaria desapontado.Depois de cruzar a escadaria apoiou as mãos sob os joelhos parando por um instante para tomar fôlego.Se sentou na ponta das escadas e encarou a varinha em suas pequenas mãos— Porque não funcionou? — engoliu a seco tentando entender os motivos de seu fracasso — Sei que não treinei em casa como a Rowan, mas o Ben também não treinou e conseguiu — apertou a varinha entre os dedos — Ele estava com medo e mesmo assim conseguiu e eu…— fechou os olhos e suspirou — talvez eu esteja com mais medo que ele— Senhorita Granger! — a voz aguda e familiar soou acima de sua cabeçaArregalou os olhos de imediato e quando olhou para cima viu a figura imponente da diretora de sua casa— Professora McGonagall! — o rubor de suas bochechas se assemelharam ao tom escarlate do brasão em seu uniforme — Eu posso explicar — se levantou rapidamente— Estou esperando — disse a professora ajeitando os minúsculos óculos— É que eu- eu me perdi…— mentiu— Se perdeu? — a professora arqueou as sobrancelhas — Talvez seja viável transfigura-la num mapa assim conseguiria chegar na aula a tempo — comprimiu os lábios enquanto a encarava com seus olhos azuis — Ao menos sabe qual será sua próxima aula?— Ahh espera só um minuto — abriu o livro e retirou um pergaminho com o horário das aulas o entregando a professora — Aqui!— A senhorita perdeu sua primeira aula de feitiços! — disse a professora apoiando a mão sobre a cinturaSarah abaixou a cabeça enquanto entrelaçou os dedos das mãos, não tinha coragem de contar a verdade a professora.— Estudar em hogwarts é um privilégio senhorita Granger eu acredito que a senhorita saiba disso — perguntou a professora— Sim professora, me desculpe… — ergueu os olhos castanhos para a professora — Isso não vai acontecer de novo, prometo!— Espero! ou terei que tirar pontos da Grifinória! — respondeu a professora — Sua próxima aula é de Herbologia vou acompanhá-la para garantir que não se perca.— Ok professora! ObrigadaAs duas seguiram pelo caminho a professora um pouco mais a frente da garota que ainda permanecia quieta, logo chegaram a estufa onde eram ministradas as aulas de Herbologia. Se depararam com os alunos mais velhos saindo da aula entusiasmados.— Pomona! — McGonagall deu um toque na porta— Oh Minerva querida! — tirou as luvas cobertas de terra e seguiu até a amiga — O que a trás aqui? Vejo que trouxe com você uma jovem estudante — apertou os olhos num sorriso para Sarah— Sim Pomona, vim acompanhar a senhorita Granger até sua primeira aula de Herbologia — olhou para Sarah e arqueou a sobrancelhas— Ah é claro, mas ainda faltam alguns minutos para a aula começar! — Sprout alertou— Sim, por isso mesmo a senhorita Granger vai ficar estudando até seus amigos chegarem — indicou para a garota o canto da sala que continha uma pequena mesa ao lado de uma plantação de Flitterbloom.Sarah seguiu até o local sem questionar, por mais que admirasse a professora de transfiguração tinha que concordar com Ben que às vezes ela parecia assustadora, logo se sentou e notou as professoras se afastando enquanto conversavam, abriu o livro de herbologia na primeira página e começou a estudar, porém seus pensamentos pulsavam tirando o foco a ponto de não conseguir chegar até a terceira linha da página sem se distrair, não ouvia mais os burburinhos das professoras e por um minuto acreditou estar sozinha até ouvir a professora de herbologia cantarolando, espiou com o canto dos olhos e notou a mulher há alguns metros de distância, com as luvas cheias de terra enquanto cuidava das plantações, logo se aproximou das Flitterblooms verificando suas raízes, fato que fez a Grifinora ainda mais dispersa do livro e atenta aos movimentos da professora.— Senhorita Granger! — A professora lançou um olhar de canto para a garota— Sim professora! — Sarah tomou um susto e sentiu as bochechas queimarem— Receio que minhas atividades estejam a distraindo — ergueu a sobrancelha— Me desculpe professora! — o rosto corou por completo — Tenho andado dispersa, principalmente hoje.— Tudo bem querida — a mulher sorriu simpática — Sei que para alunos do primeiro ano é muito mais interessante aprender na prática.— Sim — sorriu tímida — Essas plantas são Flitterblooms, certo?— Sim, fico surpresa de alguém da sua idade reconhecer tão depressa — retirou a planta do vaso com cuidado — mesmo sendo plantas caseiras, muita gente ainda confunde com o visgo do diabo.— Minha mãe tem algumas em casa, na verdade eu costumava ajudá-la antes do Jacob desaparecer — suspirou pesado— Oh querida, eu sinto muito! — a professora lamentou pela situação — Não consigo imaginar o quanto deve estar sendo difícil para vocês— Tem sido complicado mesmo, principalmente para a mamãe — engoliu a seco— Eu soube — suspirou enquanto colocava terra no vaso — E sinto não ter conseguido ir visitá-la ainda. May foi uma das minhas melhores alunas, ela não é só uma bruxa extraordinária, mas também uma pessoa muito boa e gentil.— Ela sempre falou muito da senhora, era a professora preferida dela — disse a garota com um sorriso tímido— Ohh! — as bochechas da professora coraram — sua mãe é um doce— A senhora também lembra do meu pai? — os olhos castanhos fitavam a professora a espera de resposta— É claro que sim! — colocou a planta no vaso cobrindo bem a raiz com terra — Na verdade vim conhecer melhor seu pai depois que começou a se interessar pela sua mãe, por causa dela ele finalmente parou de matar minhas aulas — esboçou um sorriso divertido — Mas de certa forma eu até o entendia o pobrezinho não levava jeito com as plantas.— Papai nunca foi bom com plantas mesmo! — apertou os olhos enquanto sorriu — Na verdade Jacob consegue ser pior, fico imaginando como ele se virava nas aulas de Herbologia — perguntou curiosa— Vejo que a nossa conversa será longa senhorita Granger! — apanhou um par de luvas no compartimento abaixo da plantação e estendeu em direção a garota — Que fique claro que não costumo confiar minhas Flitterblooms nas mãos de alunos do primeiro ano, mas a senhorita parece ter herdado o dom de sua mãe.Sarah agarrou o par de luvas empolgada e não demorou a reenvasar a primeira planta com sucesso. Sprout a mostrou como cortar os tentáculos secos sem danificar os outros, a conversa se alternou entre cuidados básicos com a planta até as histórias cômicas de Jacob correndo atrás de um bulbo saltador. Depois de passar um tempo com Sprout, Sarah entendeu por que ela era a professora preferida de sua mãe, a conversa descontraída sem formalidades e o riso frouxo da professora a deixava cada vez mais à vontade.— Perfeito, senhorita Granger! — avaliou os envasamentos que a garota havia feito — Vou creditar dez pontos para a Grifinória— Sério? — os olhos da garota reluziram— Sim! Fez um ótimo trabalho e bem a tempo — conferiu a hora no relógio de pulso — Em breve seus colegas chegarão, será sua primeira aula, está ansiosa? — perguntou enquanto tirava as luvas— Sobre isso professora preciso te contar uma coisa — comprimiu os lábios ainda insegura— Sim querida, pode falar!A Grifana apertou a capa sentindo o suor entre os dedos, acima de tudo Sprout continuava sendo professora e tinha certeza que seu deslize não passaria sem consequências, lembrou das queixas de Jacob que Hogwarts era uma escola muito rígida e até mesmo os professores mais legais não deixavam de seguir as regras, acabou sendo salva pelo barulho dos alunos seguindo porta a dentro.— Seus colegas chegaram! — disse a professora notando os alunos se espalhando pela estufa— Nos falamos depois, professora, não quero atrapalhar a aula! — soltou o ar aliviada— Tem certeza querida? — insistiu a mulher— Tenho sim, não é nada importante — sacudiu as mãos— Certo! — A professora se virou e seguiu em direção ao centro da salaConforme os alunos entravam na estufa os olhares e buchichos se tornavam cada vez mais indiscretos, Sarah encolheu os ombros e sentiu seu rosto corar, nunca se sentiu tão envergonhada por ter tomado uma atitude sem pensar. Só conseguiu se sentir menos ridícula quando viu Rowan e Ben adentrando pela porta, os olhos de ambos inspecionavam o espaço e não demoraram a encontrar a amiga, logo acenaram para ela e seguiram em sua direção.— Por Merlim Sarah! — Rowan sussurrou do seu lado — Estávamos preocupados, você está bem? — apoiou a mão sobre o ombro da amiga— E porque saiu correndo daquele jeito? — perguntou Ben — Poderia ter acontecido alguma coisa com você, esse castelo tá cheio de coisas estranhas — roeu as unhas nervoso— Eu estou melhor!!! — respondeu esfregando os dedos na capa — Mas não dá pra falar sobre isso agora, depois conto tudo, prometo!Ambos acenaram com a cabeça e os três se voltaram para a professora que nesse ponto já havia se apresentado aos alunos e falava sobre a matéria de Herbologia— Não prestei atenção no nome dela — disse Ben encolhendo os ombros— Ben! Comigo do seu lado nem precisa se preocupar com isso — disse Rowan ajeitando os óculos — O nome dela é Pomona Sprout é chefe do departamento de Herbologia e professora responsável pela casa da Lufa-Lufa…— Continuou falando baixinho até a professora pedir atenção de todos.Sprout explicou aos alunos a importância da Herbologia no mundo mágico e fez questão de comparar a funcionalidade das plantas mágicas com as plantas comuns assim facilitando o entendimento para os alunos nascidos trouxas, pela primeira vez Ben conseguiu entender perfeitamente a explicação de um professor, logo a professora guiou os alunos para um plantio de acácias deixando Rowan extasiada com sua explicação minuciosa, após ouvir as dúvidas, os alunos finalmente se dividiram em trios e iniciaram o processo de plantio.Embora os olhares e buchichos continuavam ao decorrer da aula, Sarah decidiu ignorar a atitude dos colegas, de certa forma saber que Rowan e Ben estavam ao seu lado a deixava mais confiante, a conversa com a professora Sprout também havia a confortado, conseguiu executar as orientações para o preparo da terra e adubo com sucesso, tudo parecia caminhar tranquilamente até notar dois colegas que não paravam de encara-la.— Ela é a irmã do garoto desaparecido, deve ser perturbada como o irmão, por isso saiu correndo daquele jeito — a voz do garoto saiu um pouco mais alta do que esperava chamando atenção dos outros— Ela é mesmo a irmã do garoto desaparecido? — uma das garotas tentou sussurrar— É sim, eu li no profeta diário…— respondeu a outra — O nome dele era Jacob Granger!Sarah engoliu a seco e sentiu seu rosto esquentar, teve vontade de sair correndo de novo, mas sabia que tal atitude seria motivo para mais comentários, os olhos começaram a queimar tentando segurar as lágrimas que insistiam em brotar.Sprout notou a agitação da turma enquanto apanhava as sementes.— Que agitação é essa! — A voz da professora soou firme fazendo os alunos se calarem de imediato — Não tolero essa falação na minha aula.Embora o burburinho tivesse cessado, os olhares ainda se voltavam para Sarah, a garota se continha ao máximo que podia, só então Sprout notou que seus olhos estavam marejados.— Já chega de conversa! Senhorita Khanna por favor distribua as sementes de acácia — estendeu o saquinho com as sementes para Rowan — Aguardem instruções para o plantio — ordenou enquanto seguia em direção a Sarah.— Senhorita Granger! — apoiou a mão sob o ombro da garota — Preciso de sua ajuda.— Sério? — esfregou os olhos secando os resquícios das lágrimas tentando disfarçar — Mas e se eu fizer alguma coisa errada? — Esfregou os dedos na capa ainda insegura— Me ajudou com as Flitterblooms ainda pouco — ficou de frente para a garota e encarou os olhos castanhos — Confie mais em si mesma — abriu os lábios num sorriso reconfortante— Ok, vamos lá — a garota apertou os olhos num sorriso tímido seguindo a professoraSprout não demorou a orientar todos como fazer o plantio, Sarah seguia as instruções da professora sempre deixando o vaso num ângulo visível para os outros alunos, enquanto a professora explicava sobre as propriedades da planta e perguntava aos alunos sobre as principais utilidades da planta. Rowan conseguiu mais dez pontos para a Grifinória ao responder que a seiva extraída dos frutos podem ser utilizadas na poção da paz.Quando Sarah se deu conta Sprout estava finalizando a aula, percebeu então que se sentiu mais segura ao lado da professora, embora alguns olhos arregalados ainda a seguiam enquanto organizava os vasos abaixo da janela, não conseguiria enfrentar aquela situação sem a atitude empática da professora. De certa forma sabia que assim que descobrissem seu parentesco com Jacob suas chances de desfrutar de um ano letivo tranquilo cairiam por terra, mas nunca imaginou que fosse se sentir tão mal.

----- CHAPTER BREAK -----

— Isso deve ser brincadeira — Mérula resmungou baixinho encarando o campo de treinamento enquanto Madame Hooch passava por entre os alunosAos cinco anos de idade teve sua primeira experiência de vôo em vassoura com o pai, e embora o frio na barriga da partida tivesse a empolgado, conforme a vassoura atingiu altura ela abriu um berreiro pedindo pra descer logo, desde então evitou subir em vassouras o máximo que pode, além do mais desaparatar parecia ser mais maneiro.— Caramba! a gente se deu bem — Barnaby cutucou o braço dela — Aula de vôo é com certeza bem melhor que ficar trancado numa sala repetindo feitiços— Diga por você — torceu o narizBarnaby arqueou as sobrancelhas sem entender direito o mal humor da garota, mas ele quase nunca entendia mesmo— Vamos lá formem duas filas, e fiquem ao lado de suas vassouras — a voz firme da professora chamou a atenção dos alunosTodos a obedeceram de imediato e Mérula seguiu resmungando baixinho, fazer a vassoura subir de encontro aos seus dedos não foi nada difícil, enquanto alguns colegas tiveram que ordenar diversas vezes ela só precisou chamar uma vez, estufou o peito orgulhosa com o elogio da professora que foi instantâneo.— Agora montem na vassoura e segurem firme — continuou a professora depois que todos estavam com as vassouras em mãos — dêem um leve impulso com os pés, fiquem no ar alguns minutos e curvem o corpo para frente para descerem — apitou autorizando os alunos a saírem do chãoBarnaby subiu um pouco desengonçado mas assim que atingiu altura dominou com facilidade, Ismelda estava nitidamente concentrada e por mais que voo parecesse não ser seu forte ela se saiu muito bem, seguindo as orientações da professora à risca.Mérula ainda estava no chão e o vão entre seus dedos suavam sem parar, pensou por um instante e se recusar a fazer aquela aula ridícula mas, quando viu que todos os colegas já estavam voando, seu orgulho falou mais alto e impulsionou os pés, bambeou logo de cara, mas até então quase todos tinham feito a mesma coisa, olhou para o horizonte e decidiu que não tinha nada no mundo que ela não conseguisse fazer, aquele frio na barriga da partida a deixou extasiada, mas conforme sentia seu corpo cada vez mais leve e distante do chão o pulso acelerou— Qual é? É só voar baixo — repetiu para si mesma e continuou olhando fixamente para o horizonte— Aí Mérula! — a voz de Ismelda surgiu acima de sua cabeça — Porque tá voando tão baixo?Mérula olhou para cima e viu a amiga pelo menos a um metro de distância dela— Ahhh eu tô pegando embalo pra subir — apertou os dedos contra cabo da vassoura notando que os outros alunos estavam olhando pra ela também— Não é tão alto assim — olhou para cima vendo os outros — Eu consigo! — Respirou fundo e subiu, as pernas mais bambas do que se tivessem lhe lançado locomotor wibblyQuanto mais subia, mais tinha certeza que ia ter um colapso a qualquer momento, mas depois de alguns minutos insistindo em olhar para o horizonte e tentar deixar o corpo o mais rígido possível chegou na mesma altura que os amigos estavam— Isso é muito maneiro! — Barnaby zigazeou em torno dela — Não acha, Mérula?— Para de rodar em volta de mim, idiota — Mérula vociferou sentindo sua cabeça girar com as voltas que o amigo fazia— Por que você tá tão tensa? — Ismelda perguntou reduzindo a velocidade e parando ao seu lado— Eu não tô tensa! — Mérula apertou os dedos contra a vassoura, sentindo o leve variar de altitude que a vassoura fazia enquanto pairava no ar.— Então porque tá aí parada? — pendeu a cabeça para o lado curiosaMérula praguejou mentalmente, não conseguia contar a Ismelda que tinha medo de altura, mas o que atingiu seu âmago foi ver Barnaby fazendo gracejo envergando levemente a vassoura enquanto fazia a curva. Queria ser boa como ele, ser confiante como Ismelda, mas não conseguia, não conseguia nem mesmo admitir para Barnaby seu amigo de berço, que tinha medo…na verdade pavor de altura.Chacoalhou a cabeça e inflou o peito em busca de ar“Vamos Mérula, você não é mais uma criancinha” — impulsionou o corpo determinada a acabar com aquela palhaçada de medo naquele instanteMas assim que moveu o tronco a vassoura avançou desenfreada e ela desequilibrou. O instinto gritou em seu peito e se agarrou ao cabo da vassoura, ficando pendurada como um bicho preguiça. Não demorou que os outros alunos se aproximassem para ver o que tinha acontecido.— O que estão fazendo? — A professora ergueu a cabeça com os zunidos dos alunos e viu a garota pendurada na vassoura — Wingardium Leviosa — Sacudiu a varinha enquanto se aproximava.Mérula se agarrou ainda mais na vassoura dificultado o trabalho da professora e por mais que a mulher afirmasse que era seguro soltar, a sonserina parecia incapaz de discernir o que ela falava, mas para sua sorte a professora logo a fez repousar agarrada ao cabo de vassoura.— Saiam todos da frente — A mulher afastou os alunos e seguiu até Mérula que ainda estava imóvel — A senhorita está bem? — perguntou apoiando as mãos no joelho— A senhora deveria perguntar isso para a vassoura professora — Um dos garotos debochou fazendo os outros soltarem risinhos maldososMérula finalmente conseguiu entender o que as vozes ao seu redor diziam, os dedos agora estavam tremendo de raiva e o sangue borbulhou dentro do seu corpo, apoiou os punhos sob a grama e se levantou encarando aquele moleque idiota.A professora chamou a atenção de todos encerrando aquele burburinho e deixando claro que não queria mais aquele tipo de atitude em sua aula e um monte de outras bobagens que Mérula mal prestou atenção porque não via a hora de sair dali e fazer o garoto pagar pelo que fez.Como consequência pelo alvoroço a mulher mandou todos polirem vassouras e chamou Mérula para uma conversa particular— Você está bem querida? — perguntou averiguando se a garota tinha se ferido— Estou professora — Mérula respondeu firme— Escuta sei que alguns bruxos tem mais dificuldade que outros para voar, e é normal ter medo…— Eu não tenho medo! — Mérula cruzou os braços sob o peito e franziu a testa— Tudo bem Mérula, só quero que saiba que sou sua professora e estou aqui para te ajudar em qualquer dificuldade que tenha, entendeu? _ apoiou a mão em seu ombro— Eu não preciso de ajuda! — fungou — Eu só me desequilibrei, sei que até jogadores famosos de quadribol já desequilibraram e não foi o fim do mundo — resmungou— A senhorita tem razão! — A professora falou firme — Sua mãe também sempre foi sagaz e determinada — soltou um meio sorrisoFoi como se a espada de Sir Cadagon atravessasse seu peito.As pessoas achavam que falar dos seus pais era positivo, mas ela só sentia ainda mais falta deles com aquelas conversas e fazia questão de encera-las o mais rápido possível.— Eu sei — respondeu seca — Posso ir agora? — teve que se conter para não revirar os olhosA professora assentiu e ela se juntou aos amigos que já estavam se retirando da aula após polirem as vassouras***************************— Porque você não disse pra gente que tinha medo de altura? — Ismelda perguntou enquanto esperavam no pátio pelo horário da próxima aula— Porque eu não tenho medo! — resmungou nervosa— Mérula, não precisa ter vergonha — Barnaby insistiu — Nós somos seus amigos— Caramba Barnaby! Eu já disse que não tenho medo — gritou — Eu só escorreguei da merda da vassoura o que tem demais nisso? Eu sou a bruxa mais poderosa de Hogwarts não tenho medo de nada — cerrou o punho contra o concreto do banco — E aquele idiota vai me pagar — rosnou— Falando nele — Barnaby apontou o garoto vindo na direção delesMérula se levantou na mesma hora e caminhou em sua direção, rangendo os dentes de raiva— E aí Mérula, Não sabia que você tava namorando — sorriu debochado — Agarradinha na vassoura — provocou riso em mais três colegas que os acompanhavamMérula seguiu a passos firmes, procurando a varinha entre as vestes e quando a encontrou apertou o cabo com firmeza e apontou na fuça do garoto— Cara de lesma — falou a azaração com firmezaJá tinha praticado uma vez contra o primo e estava doida para repetir o estrago, lembrou do garoto chorando que nem um bebê e vomitando lesmas a noite toda.No instante seguinte a pose do sonserino se desfez, apertou a barriga e fez uma careta, quando abriu a boca todos acharam que ele ia vomitar, e de fato vomitou… uma lesma enorme— Isso é pra você aprender a nunca mais zombar da bruxa mais poderosa de Hogwarts, seu babaca — franziu os lábios e o encarou desafiadora — A propósito qualquer um aqui que abrir a boca pra falar de mim, terá o mesmo destino — falou alto para que todos ao redor pudessem ouvir e enfiou a varinha no bolso.Enquanto se dirigiam até a sala de poções Ismelda não cansava de dizer o quão legal tinha sido aquela azaração,e Barnaby ria sem parar lembrando da cara do garoto quando cuspiu a primeira lesma. Mérula estufou o peito contente por impressionar os amigos e mostrar quem manda, de fato todos os sonserinos primeiranistas que presenciaram aquela cena e era fato que tinha sido pelo menos uns noventa por cento da turma, abriam espaço para ela passar como se fosse uma rainha. Digna do título que atribuía a si mesmo “a bruxa mais poderosa de Hogwarts” agora era só questão de tempo para que os primeiranistas das outras casas entendessem o mesmo e assim por diante.Quando chegaram na sala Ismelda e Barnaby sentaram no fundo, nenhum deles era muito fã de poções, Mérula por sua vez sentou na primeira bancada, era apaixonada pela matéria, e sabia que ia se sair bem, afinal sempre ajudou a mãe a preparar suas poções, ela ia impressionar o professor e começar a ganhar sua fama ali.Ajeitou suas coisas e logo abriu o livro de poções aproveitando o tempo para estudar antes da chegada do professor, mas no instante seguinte notou a aproximação de outros alunos, se manteve firme e atenta ao livro, não queria papo com ninguém, porém assim que sentaram ao seu lado o aroma doce e suave, fez os pelos da sua nuca arrepiarem.“Não pode ser! — ergueu a cabeça discretamente e pela visão periférica teve sua confirmação“É aquela garota de cabelos castanhos do trem, a tal de Sarah…Qual é mesmo o sobrenome dela? “ — mordeu a ponta do lábio — “Qual é Mérula?”— Praguejou — “Ela é só uma garota bonita, não tem nada demais”— deu de ombros e voltou sua atenção para o livro.

----- CHAPTER BREAK -----

“Atrasos não são tolerados sem uma ótima justificativa” a voz de Angélica martelou na cabeça de Sarah enquanto ela e os amigos corriam para a aula de poções, Rowan puxava Ben pelo braço enquanto o garoto ainda terminava de comer uma tortinha de abóbora do café da manhã.— Dizem que o professor Snape é o mais intolerante com atrasos — Sarah resmungou— Isso é o de menos — respondeu Rowan — Dizem coisa muito pior dele— O que dizem dele — Ben tremeu— Esquece Ben — Rowan continuou puxando o garoto pelo braço pelos corredores das masmorras— Por favor me diz que ele faz com quem chega atrasado — o rosto do garoto estava pálido— Ele não vai fazer nada Ben — Sarah tentou acalmá-lo — Rowan só estava brincando não é? — fez um sinal para a amiga a fim de evitar que Ben empatasse e eles realmente se dessem mal— Sim! Era só brincadeira Ben — Rowan esboçou um sorriso amarelo— Carambolas! Eu não gosto quando vocês fazem isso — resmungou— Carambolas? — as duas se entreolharam e começaram a rirBen não demorou a se unir as duas, por mais que tivessem suas diferenças era evidente o quanto gostavam de estar juntos, o afeto que tinham criado um pelo outro em tão pouco tempo era o que os dava coragem para enfrentar as dificuldades.O riso exagerado do trio foi interrompido por um grupo de sonserinos que passaram pisando firme quase os atropelando.— Nossa que pressa é essa! — Ben arqueou as sobrancelhas— É mesmo estamos atrasados! — disse Rowan Exasperada— Não estamos não! — retrucou Ben — Meu relógio é adiantado dez minutos justamente para não perder a hora — esboçou um sorriso amarelo— Por Merlim Ben — disse Rowan colocando o palmo contra a testa — Corremos que nem doidos à toa— Porque você não nos avisou? — perguntou Sarah— Ué vocês saíram feito duas doidas me puxando pelo braço que nem tive tempo de falar! — ergueu os ombros — Depois ainda ficaram me colocando medo com esse tal de professor Snape!— Ele tem um ponto Rowan! — Sarah esboçou um sorriso frouxo— Ah certo! Mas vamos logo antes que a gente se atrase de verdade! — seguiu a frente guiando os amigosAo entrarem na sala notaram a mudança na temperatura e na umidade do ar, assim como o cheiro de musgo que adentrava pelas suas narinas, a iluminação era opaca em comparação às outras salas. Rowan não demorou a examinar os livros na prateleira lateral e o quanto poderia aprender com eles, Ben se sentia num filme de terror e esperava que a qualquer momento algo pudesse ataca-lo, Sarah apenas observava aquele novo ambiente também deslumbrada com suas peculiaridades, até o momento que seus olhos encontraram a íris púrpura da sonserina que a desestabilizou a ponto de quase ultrapassar o lago. Sentiu seu corpo tremer por inteiro e o coração começou a palpitar mais forte, a respiração se tornou ofegante e sem pensar muito agarrou o braço dos amigos os guiando até a mesa que a garota estava sentada.— Vamos sentar aqui! — disse tentando chamar atenção da garota que manteve os olhos fixos no livro que estava lendo— Eu não gosto de sentar na frente! — Ben grunhiu — Não quero que esse tal de Snape me note— Dessa vez eu preciso concordar com o Ben! — Rowan arqueou a sobrancelha — Não acha melhor sentarmos no fundo?— Que besteira! — Sarah resmungou — Vamos sentar aqui mesmo pessoal— Já que você insiste! — Rowan deu de ombros— Ok mas na próxima aula eu escolho os lugares — Ben contestou— Genial! — Sarah sorriu sem humorComeçaram a arrumar os livros e os caldeirões, embora Sarah quisesse puxar conversa com a garota de íris púrpura sentia seu rosto corar só de pensar em tomar atitudeNotou a garota tão concentrada que achou melhor não incomodar, mesmo que quisesse dizer algo sabia que precisaria de tempo até conseguir, o fato era que não poderia perder a oportunidade de estar perto da sonserina, mesmo que por hora só a observasse, aquela garota a intrigava de uma forma que ninguém nunca havia feito.Cruzou as pernas e passou os dedos entre os cabelos, na esperança de chamar a atenção da sonserina mas a garota manteve os olhos fixos no livro,aquilo fez a ansiedade revirar em seu estômago, agarrou a varinha entre os dedos sem nem mesmo saber o que fazer com ela, então começou a vira-la entre os dedos, uma, duas, três vezes, enquanto o nervosismo corróia seu corpo inteiro, até a mão da sonserina repentinamente agarrar seu punho, arregalou os olhos surpresa e o rosto queimou por completo, sabia que estava mais vermelha que um pimentão, quando finalmente teve coragem de encarar os olhos púrpura da garota, seu corpo amoleceu, eram os olhos mais lindos que já havia visto se sentiu perdida no meio de uma tempestade, qualquer um se assustaria com aquele olhar mas ela simplesmente só queria se perder cada vez mais, logo os outros sentidos começaram a aguçar, o cheiro do perfume da garota adentrou pelas suas narinas era um cheiro suave de flor de cravos misturado com alecrim deixando a Grifinora extasiada, os dedos firmes apertavam seu punho mas a pele era tão macia como veludo, Sarah sentiu como se o tempo tivesse parado permanecendo imóvel sem qualquer tipo de reação, encarou os lábios da sonserina se comprimindo e logo em seguida se abrindo para dizer algo que foi interrompido pela batida de porta do professor entrando pela sala. A sonserina largou seu punho de imediato e virou para frente enquanto bufava. Sarah só conseguiu se dar conta do que fazer quando ouviu a voz firme do professor— Não permito brincadeiras com varinhas nem feitiços idiotas nessa aula! — disse enquanto se colocava diante da turmaOs comentários sobre o mestre de poções foram comprovados naquele instante não só sua postura fria com os alunos mas também seu semblante lhe fazia parecer ainda mais mal humorado do que diziam.— Ele é mesmo assustador — Ben gemeu baixinho— Ben o Snape é a terceira pessoa que você acha assustadora desde que chegamos — Rowan soltou um riso baixoSnape não perdeu tempo com apresentações muito menos com boas vindas aos primeiranistas, logo pediu que os alunos abrissem os livros e aquecessem os caldeirões, deu algumas dicas sobre o preparo da poção para Winggenweld e deixou que os alunos seguissem as instruções do livro.Sarah arregaçou as mangas da capa e começou a ler os ingredientes, não demorou a buscar por eles nas prateleiras, pela primeira vez naquele dia Sarah tinha oportunidade de provar que não era uma fracassada, queria fazer algo sozinha dessa vez sem apoio de professor algum. Seguiu para a bancada e começou a esmagar a moly com o cabo de uma faca, em seguida cortando o ditamo e a casca de Winggentree em pequenas fatias, adicionou o muco no caldeirão junto com a moly amassada assim como indicado no livro, quando estava prestes a adicionar o Ditamo ouviu a voz de Rowan— Sarah! O que você tá fazendo aí? — Perguntou a amiga confusa — Seu caldeirão não é esse!— Merda! — disse a garota colocando a mão sobre a testa ao ver que estava preparando a poção no caldeirão da garota de olhos púrpura — E agora?— Corre pra cá rápido! — sussurrou Rowan — Aproveita que ela não tá olhandoSarah recolheu os ingredientes e se esgueirou até o seu caldeirão— Acho que é melhor avisar ela que me enganei de caldeirão e já coloquei dois ingredientes! — disse a garota de cabelos castanhos— Sim, quando ela voltar você avisa. A propósito como conseguiu achar os ingredientes tão rápido? — perguntou a amiga franzindo o cenho — levei um tempão para encontrar o muco de verme gosmento— Foi fácil estava bem ali na primeira prateleira na parte de cima — mostrou o frasco com o ingrediente— Primeira prateleira? Espera! me deixe ver— Rowan pediu o frasco a amiga — Sarah isso é secreção de bandinho— Por Merlim, sério? — apoiou a mão sobre a testa e soltou um riso — Estou mesmo atrapalhada hoje.— Por sorte você não colocou na sua poção ou causaria um grande estrago…Antes que terminasse a frase as duas arregalaram os olhos e se viraram para o caldeirão da garota de olhos púrpura— Droga! — disseram em uníssono ao verem a garota jogar as cascas de Winggentree e o caldeirão começar a borbulhar.— Precisamos avisar ela — Sarah cochichou— Precisamos tirar ela dali Sarah — Rowan pontuou— O que está havendo? Coloquei tudo certo! — disse a garota mexendo com a colher— Você precisa sair daqui — Sarah segurou em seu ombro tentando puxá-la para trás— Me deixe em paz! — a garota a empurrou contra o chão e voltou a mexer a poção vendo as bolhas aumentarem cada vez mais!— Tem que estar certo! — resmungou a garota sentindo o suor lhe escorrer pela testa— Você precisa sair! — Sarah gritou ainda caída sobre o chão— Mas que gritaria é essa? — O professor caminhou até a bancada da sonserina notando que a poção estava prestes a explodir — Sai daí agora Senhorita Snyde…Antes que ele terminasse a frase a poção explodiu caindo sobre o braço da garota e respingando em algumas partes do seu rosto, não demorando a causar vergões em sua pele— Senhorita Snyde o que fez? — perguntou o professor irritado— Foi você! — A sonserina seguiu com os punhos cerrados em direção a SarahA garota mal havia acabado de se levantar e sentiu o punho da sonserina apertando o tecido da gola de sua camisa.— Você sabotou minha poção! — gritou enfurecida— Calma eu posso explicar! — apoiou as mãos sobre o ombro da sonserina tentando ganhar espaço — Foi sem querer eu confundi seu caldeirão com o meu— Que desculpa mais esfarrapada — comprimiu os lábios e franziu o cenho enquanto mantinha um olhar mortal sob a Grifana— Você fez de propósitoOs murmúrios dos alunos começaram a se espalhar pela sala, e os olhares de julgamento se voltavam novamente para a Grifana, seguidos de alguns risos e apontamentos em direção a sonserina!— Calem a boca idiotas! — A garota de olhos púrpura gritou com raiva— Já chega — A voz do professor soou mais firme fazendo todos se calarem de imediato — Todos estão dispensados, menos vocês duas! — apontou para Mérula e Sarah.Grifanos e sonserinos recolheram mais que depressa seus materiais, nem mesmo os curiosos queriam esperar para ver onde aquilo ia dar. As garotas esperavam sentadas lado a lado Mérula bufava tentando limpar o resto de poção que escorria pela sua pele, enquanto Sarah encarava os dedos das mãos apertando a barra da saia, nervosa com toda aquela situação.Snape apertou os dedos contra as têmporas e resmungou baixo, antes de se virar de frente para as alunas.— Comecem a explicar! — cruzou os braços e fez careta— Foi tudo culpa dela, professor! — Mérula apontou para a Grifana — Eu simplesmente coloquei meus ingredientes conforme as instruções do livro e ela era a pessoa mais próxima de mim — encarou Sarah que ainda se mantinha cabisbaixa — Tenho certeza que sabotou minha poção.— O que tem a dizer a seu favor senhorita…— Granger, professor!O homem a olhou dos pés à cabeça com desdém, tinha certeza que estava sob seus julgamentos gratuitos. Jacob contava sobre o quanto o professor costumava ser injusto principalmente com os Grifanos ,muitas vezes punindo os alunos por prazer, em compensação sempre defenderá alunos da antiga casa.Sabia que estava num beco sem saída, o mais inteligente e correto a ser feito era admitir a culpa e torcer para que tanto o professor quanto a garota de olhos púrpura entendessem que tudo aquilo havia sido um acidente.— O que tem a dizer? Vamos logo não tenho o dia todo — vociferou o professor— E…eu coloquei um ingrediente errado na poção da Mérula — sua voz soou baixa— Eu sabia! — Mérula gritou — Você vai se ver comigo! — cerrou os punhos enquanto encarava a Grifana com um olhar malicioso— Mas não foi de propósito eu juro! — olhou para a garota se justificando antes mesmo do professor dizer algo — Eu me enganei de caldeirão e acabei me confundindo com um ingrediente — fez uma pausa para respirar enquanto encarava os olhos púrpura da sonserina sentindo seu coração pulsar cada vez mais rápido — Era para a minha poção dar errado não a sua, quando percebi o que tinha feito tentei te avisar, mas a poção já estava borbulhando.— Mentirosa! — a sonserina bufou e bateu os punhos contra a mesa — Você fez de propósito!— Não, eu não fiz! Eu juro…— a Grifinora tentou argumentar sentindo a garganta apertar — A propósito eu tentei te tirar de lá antes de explodir, se não fosse tão teimosa não teria acertado em você! — respondeu de forma direta só se dando conta que havia dito aquilo alto quando viu o rosto da sonserina ficar completamente vermelho de raiva— Como ousa falar assim com a bruxa mais poderosa de Hogwarts? Sua fedelha! — a garota vociferou contra a Grifana novamente e revirou os olhosSarah franziu o cenho e respirou fundo, havia passado por um dia pavoroso, estava cansada de abaixar a cabeça para todo mundo, naquele momento decidiu que não iria ouvir calada as grosserias da sonserina.— Hã! Se você não percebeu temos a mesma idade, então se eu sou fedelha você também é — colocou toda coragem que ainda lhe restava para fora— Agora você tá ferrada! — Mérula se levantou num impulso e antes que conseguisse fazer o que queria foi interrompida pelo professor— Já chega vocês duas! — Snape vociferou batendo os punhos contra a mesa — Sente-se senhorita SnydeMérula hesitou por um minuto mas logo se sentou a contra gosto— Sabia que seria problema no momento em que pisou nessa sala — Snape olhou para a Grifana e proferiu as palavras num tom de desprezo — Menos 50 pontos para Grifinória — anunciou de forma firme— O que? Isso é injusto — Sarah contestou enquanto a sonserina cruzava os braços com um sorriso malicioso no rosto— A senhorita confessou que foi a responsável por isso — apontou para a mesa cheia de gosma verde escorrendo — E causou transtorno a senhorita Snyde— Se deu mal — a Sonserina gargalhou debochada— Mas foi um acidente — tentou argumentar com o professor— Chega,Senhorita Granger! ou prefere perder mais pontos? — perguntou irritado— Não! Por favor professor não tire mais pontos da Grifinória por minha causa — respirou pesado e abaixou a cabeça— Melhor assim! Senhorita Snyde está dispensada — disse o professor enquanto ajeitava sua mesa— Obrigada professor! — Mérula esboçou um sorriso debochado e antes de sair esbarrou no ombro de Sarah — Isso ainda não acabou — sussurrou em seu ouvidoSarah arregalou os olhos e sentiu seu coração bater rápido, tinha algo naqueles olhos púrpura que a deixavam intrigada.— E eu posso ir embora professor? — perguntou ao ouvir a sonserina bater a porta— É óbvio que não! — debochou — Tem esfregão e balde ali atrás — apontou para uma porta nos fundos da sala — Você só sai daqui quando terminar de limpar a bagunça que fez, entendeu? — encarou a garota de cima a baixoPensou em argumentar mas não queria perder mais pontos, se os colegas já a evitavam por causa do irmão, quando soubessem que prejudicou a casa perdendo pontos seria oficialmente excluída.— Entendi — seguiu em direção a porta nos fundos da sala enquanto ouvia os passos do professor seguindo em direção a saída sem ao menos se despedir.Depois de uma hora limpando o lugar finalmente havia acabado, estava exausta, não sabia que resto de secreção de bandinho impregnava onde quer que caíssem, teve que esfregar o chão e a mesa diversas vezes até conseguir se livrar da substância. E ainda tinha Mérula, a garota não parecia estar brincando quando prometeu vingança, o horário do jantar já havia terminado e seu estômago roncava de fome, pensou em pedir a McGonagall um prato de comida, mas teve medo de levar outra bronca ao contar o motivo de não ter jantado no horário certo, fechou os olhos e esfregou a palma da mão contra a testa, a cabeça latejava de tantos pensamentos, a única coisa que desejava era tomar um banho e deitar.— Ok pelo menos não pode ficar pior que isso! — suspirou— Senhorita Granger! — ouviu uma voz familiar que fez seus olhos se abrirem de imediato.— Droga! — disse ao ver as professoras McGonagall e Sprout com os braços cruzados sob o peito — Porque eu abri a minha boca?Correu em direção às duas tendo certeza que já sabiam do ocorrido, esfregou os dedos sob a capa e parou diante delas— Entre querida! — Sprout a guiou para dentro da sala de transfiguraçãoA sala era extremamente organizada, tudo estava em seu devido lugar assim como a mesa da professora que continha os livros organizados por tamanho e os tinteiros colocados numa linha reta com as pontas das penas viradas para o lado esquerdo.McGonagall tratou de ir direto ao assunto sem formalidades, a professora costumava ser direta em suas falas e ações.— Soube a pouco que você não se atrasou para a aula de feitiços, mas sim que saiu correndo no meio da aula — disse a mulher erguendo a sobrancelha — Porque mentiu pra mim senhorita Granger?— É que eu…— gaguejou tentando se explicar — Eu fiquei com medo professora — sua voz quase não saiu — Tive medo da senhora brigar comigo.— E não imaginou que Filtwick me contaria sobre essa situação?Afinal sou a diretora da sua casa — comprimiu os lábios — Filio quase teve um ataque do coração quando viu você disparar pelo corredor— Desculpa professora…— respirou fundo— Era isso o que você estava tentando me dizer mais cedo não era querida? — Sprout apoiou a mão sob seu ombroA garota acenou com a cabeça ainda cabisbaixa— E porque não disse? Seria mais fácil contar a verdade do que ser descoberta dessa forma não acha? — perguntou McGonagall com as mãos apoiadas sob os quadris— Eu só…— respirou fundo — É que tem sido difícil lá em casa depois que Jacob desapareceu — sua voz embargou e percebeu que não conseguia dizer mais nem uma palavra sobre o assunto abaixou a cabeça tentando esconder as lágrimasAs professoras se entreolharam preocupadas com o estado emocional da garota. Sprout se aproximou e acariciou os cabelos da garota.— Tudo bem querida! Não fique assim — ergueu a cabeça da garota e secou as lágrimas com um lenço que tinha no bolso— Pomona tem razão, mas preciso que entenda que quando tiver qualquer problema precisa me procurar — McGonagall apoiou as mãos sob os joelhos e olhou nos olhos da garota — Não precisa ficar com medo, entendeu? Como diretora da sua casa estou aqui para ajudar os alunos.— Entendi professora! — respondeu ainda secando as lágrimas— Então estamos entendidas, certo? — Perguntou McGonagall— Sim! Na verdade quero contar mais uma coisa — apertou os dedos contra o tecido da capa— Pode dizer — respondeu Sprout — Estamos aqui para ajudá-la— Fiz a poção de Mérula Snyde explodir por acidente, tentei explicar ao professor Snape mas ele não acreditou em mim e tirou 50 pontos da Grifinória — ergue os olhos castanhos para a professora — Ele me mandou limpar a sala, quando terminei o horário do jantar já tinha acabado— Tudo bem, vamos fazer o seguinte conversarei com Snape depois sobre isso, mas o importante agora é que vc se alimente — disse McGonagall enquanto ajeitava os óculos — Vá para o quarto e logo lhe entregarão seu jantar— Obrigada professora — a garota esboçou um sorriso tímido e se despediuCaminhou rápido em direção a torre da Grifinória agradecida por poder jantar e finalmente descansar mas antes que pudesse cruzar o primeiro corredor ouviu passos adiante— Olha quem está aqui! — Os olhos púrpura apareceram entre a meia luz do corredor— Mérula! — a Grifinória a encarou enquanto cerrava o punhoA Sonserina a encarou de volta enquanto se aproximava, desta vez acompanhada por dois sonserinos, uma garota de pele branca com as bochechas cobertas por sardas, cabelos extremamente lisos e pretos, sua franja longa caía sob os olhos e um garoto de cabelos castanhos, olhos verdes e ombros largos, ambos a seguiram cercando a grifana.— Sai fora Mérula! Não quero confusão — disse a garota tentando evitar confronto — Te disse que foi um acidente se você não quer acreditar não posso fazer nada — tentou abrir passagem se esgueirando para o lado esquerdo de Mérula— Você não vai a lugar nenhum — a sonserina partiu para cima da garota a empurrando contra a paredeSarah sentiu suas costas se chocarem contra o concreto gelado enquanto a sonserina bloqueava a passagem com os braços, as mãos espalmadas na parede e seu rosto estava tão próximo do da Grifinória que podiam sentir a respiração uma da outra, fazendo a garota sentir um arrepio percorrer pela espinha.Sarah nunca havia conhecido alguém tão intimidadora quanto Mérula, embora estivesse assustada com o empurrão que recebeu de surpresa, não pensou nem por um minuto em abaixar a guarda, continuou encarando a sonserina mesmo que seus dedos estivessem amarrotado a saia toda de tanta força que apertava.— Te disse que não tinha acabado,Granger — os olhos cintilaram maliciosos — A propósito sabia que já tinha ouvido seu sobrenome antes, você é a irmã de Jacob Granger o garoto desaparecido — soltou um riso debochado — Seu irmão é um fracassado assim como você— Não ouse falar assim do meu irmão — a Grifana elevou o tom de voz— Eu falo de quem quiser! — revirou os olhos — Sou a bruxa mais poderosa de Hogwarts — Empinou o nariz — Não ouse levantar a voz pra mim ou eu vou…— Vai fazer o que, Mérula? Não tenho medo de você — apertou ainda mais os dedos contra a saia enquanto deixou escapar uma arfada nervosa.A Grifana sabia que perderia feio em uma briga com Mérula, tanto num confronto com as varinhas afinal a sonserina dominava alguns feitiços enquanto ela não havia conseguido nem sequer fazer uma pena escrever sob um pergaminho, tanto num confronto braçal, embora Mérula fosse mais magra e basicamente do mesmo tamanho que ela, nunca havia batido em ninguém, diferente da garota que parecia ser especialista em quebrar narizes.O rosto de Mérula se contorceu de raiva e ela bateu o punho contra a parede ao lado do rosto de Sarah, fazendo a garota dar um sobressalto, causando um riso maquiavélico no lábios da sonserina.— Mas devia ter! Chega de falação — aproximou mais o corpo do da Grifana — Já passou da hora de pagar pelo que fez! — Fez um aceno com a cabeça onde os colegas de casa seguiram até a garota e cada um segurou em um braço apertando com firmeza— O que estão fazendo? — Sarah tentou se mover impulsionando o corpo a fim de se soltar— Não perca seu tempo! — A sonserina sorriu debochada — Vamos ver como esse rostinho bonito vai ficar depois de uma azaração — apertou o queixo da garota e depois deslizou o dedão pelo meio sentindo a pele macia.Os olhares se cruzaram novamente e Mérula pareceu um tanto incomodada com a petulância da Grifana, era evidente que a garota estava tremendo de medo mas não deixava de encará-la por um minuto sequer, aqueles olhos castanhos a deixavam a ponto de ter um ataque de nervos, ninguém no mundo era capaz de irritá-la tanto assim.— Segurem firme! — disse aos colegas enquanto levantava a varinhaIniciou um movimento circular e no momento em que começará a pronunciar a azaração sentiu a varinha escapar por entre seus dedos— Expelliarmus — a voz firme de uma garota foi responsável por acabar com aquela situação— Angélica — A Grifinora reconheceu a monitora aparecendo sob a meia luz do corredor— Soltem ela agora — ordenouOs sonserinos soltaram a garota de cabelos castanhos de imediato,e sem demora foram se afastando com os olhares intimidadores da monitora. Sarah correu para perto de Angélica que segurou em seus braços a olhando de frente— Eles te machucaram? — colocou a mecha de cabelo caída sobre o rosto atrás da orelha da garota averiguando se estava tudo bem— Não! — disse a garota ainda ofegante — Estou bem!— Certo! estou aqui, agora não vão mais te perturbar — disse a monitora segurando na mão da mais nova a colocando atrás de si— Uma monitora do quinto ano — Mérula sorriu debochada — Você é tão patética Granger que precisa de uma monitora para te defender — gargalhou enquanto encarava Angélica— Você pelo contrário é muito corajosa não é Snyde? — a mais velha debochou — teve que trazer seus amiguinhos para poder se garantir — olhou a sonserina por cima a deixando um tanto irritada— Não preciso de ninguém para me garantir — franziu o cenho e estufou o peito —Sou a bruxa mais poderosa de Hogwarts! — cruzou os braços e empinou o nariz— Se enxerga Snyde! Não está nem perto de ser a bruxa mais poderosa de Hogwarts nem de lugar nenhum — revirou os olhos— Cala a boca sua idiota — a sonserina esbravejou contra a garota— Chega, já estou cansada da sua falta de educação, Snyde! — Angélica elevou o tom de voz— Você sabe que está encrencada— E porque eu estaria encrencada? — revirou os olhos— O que fizeram com a Sarah é relevante o suficiente para perderem pontos — colocou a mão sob a cintura— Mas você não pode tirar pontos de alunos de outras casas, não é? — a sonserina esboçou um sorriso de lado— Tem razão! Mas os professores podem, e como monitora confiam na minha palavra, afinal eu presenciei a cena, isso já basta! — ergueu as sobrancelhas enquanto cruzava os braços sob o peito— E você acha mesmo que vai ser fácil assim? — disse a garota dando passos para trás tentando escaparAngélica encarou a garota, nervosa com sua audácia, se não fosse monitora lhe daria uns safanões, mas assim que a sonserina se virou para correr esbarrou em ninguém menos que a professora McGonagall— Aonde pensa que vai senhorita Snyde! — a voz da professora fez a garota paralisar — Quem vai ser a primeira a me explicar que balbúrdia é essa no corredor— Professora! que bom que chegou — Angélica seguiu até a professora puxando Sarah pela mão — vou lhe explicar exatamente o que está acontecendo— Estou esperando senhorita Colle — cruzou os braços sob o peito e ergueu a sobrancelha— Estava terminando minha ronda certificando que todos tinham ido para cama e me deparei com a senhorita Snyde e seus colegas acuando a senhorita Granger — encarou Mérula— Continue — a professora franziu o cenho— Esses dois seguravam ela pelos braços — apontou para os sonserinos — Enquanto Snyde ameaçava acerta-la com uma azaração, cheguei bem a tempo de evitar que ela conjurasse o feitiço— É mentira — Mérula gritou — E-ela está mentindo professora — gaguejou— Acalme-se senhorita Snyde — disse a professora já impaciente com aquela situação— Como você consegue ser tão cínica garota? — Angélica balançou a cabeça indignada com a atitude da sonserina— A senhorita Colle não tem motivos para mentir — a professora argumentou contra as caretas de Mérula — Mas antes de tomar qualquer atitude quero ouvir a senhorita Granger — se direcionou para a garota de cabelos castanhos— Foi isso mesmo, professora — encarou a sonserina — Eu estava indo para meu dormitório como a senhora havia pedido, quando encontrei a Mérula que começou a me acusar sobre a situação que aconteceu na aula de poções,e eles me encurralaram e me seguraram — apontou para os sonserinos — quando a Mérula ia lançar uma azaração em mim a Angélica apareceu e tirou a varinha dela— Dedo duro! — Mérula vociferou contra a Grifinora— Já chega senhorita Snyde — A professora aumentou o tom de voz — Não tem mais porque negar, assuma seus erros e aceite as consequências— Mas eu nem lancei feitiço nenhum — gesticulou com as mãos, nervosa — Arg! Ela não tem um arranhão sequer — franziu o cenho enquanto encarava a professora— As palavras também machucam,senhorita Snyde, sei que compreende isso! — afirmou a professora com um olhar severo — 50 pontos serão retirados da casa da sonserina— O que? 50 pontos? — bateu o pé contra o chão irritada— Sim! 30 da senhorita e 10 de cada um de seus colegas — disse a professora de maneira firme — Agora quero que apertem as mãos em sinal de paz.— O que? Não aperto a mão dela de jeito nenhum — ambas disseram em uníssono e cruzaram os braços sob o peito enquanto viravam de costas uma para a outra— Ficaremos aqui até decidirem fazer o que pedi — insistiu a professoraAmbas resmungaram e aos poucos foram se virando de frente a contragosto, Sarah foi a primeira a estender a mão— Vamos acabar logo com isso Snyde — bufou ainda com o rosto virado para o outro lado— Que fique claro que só estou fazendo isso porque quero ir pro meu quarto — estendeu a mão enquanto revirava os olhosSarah tocou nos dedos compridos da garota e um arrepio lhe percorreu a espinha, era a segunda vez que sentia o toque de Mérula e havia sido tomada por uma sensação estranha como se fosse se desmanchar ali mesmo, quando sentiu o calor do palmo contra o seu teve que entreabrir os lábios para poder respirar direito, seus olhos seguiram instintivamente para os da garota e se surpreendeu ao perceber que já estava sendo encarada por aqueles olhos púrpura, sentiu seu rosto corar e soltou a mão da garota de imediato, recolhendo os dedos diretamente para a ponta da saia a apertando, enquanto a sonserina esfregava o dedo contra a manga da capa.— Perfeito! — McGonagall respirou aliviada — Agora todos podemos dormir em paz. Senhorita Granger, como está perto do seu salão comunal então deixarei que siga sozinha— Sim professora!— Senhorita Colle preciso que vá até a cozinha, Pittz lhe explicará o que tem que fazer— Certo professora!— Senhorita Snyde, Senhor Lee e Senhorita Murk eu os acompanho até às masmorras— Ótimo — Mérula bufou e antes de seguir a professora esbarrou no ombro de Sarah — Você me paga Granger!Sarah revirou os olhos e bufou, embora a sonserina a tirasse do sério estava cansada demais para entrar num novo confronto, seguiu pelas escadas até a torre da Grifinória, cruzou a porta do salão comunal ainda atordoada, só queria que aquele dia terrível acabasse logo, até notar Rowan e Ben conversando sem notar sua presença— Já está ficando tarde — Disse o garoto olhando no relógio de pulso — E ela ainda não voltou, será que aconteceu alguma coisa?— Não vou deitar enquanto ela não voltar! — Rowan encarou o amigo — Na verdade a gente devia estar lá fora atrás dela— Rowan, você sabe que podemos nos encrencar não é? — entrelaçou os dedos nervoso— Que se dane!— Rowan disparou — Sarah é nossa amiga, ela nos uniu, se não fosse ela conversar comigo naquela loja de animais provavelmente estaria sozinha enfiada com a cara nos livros, é muito mais fácil lidar com livros do que com pessoas — esfregou os dedos contra o suéter— Você tem razão, se não fosse por ela eu estaria assustado pelos cantos do castelo sem amigos — Ben suspirou — Vamos atrás dela — se colocou em pé e ao se virar para a porta viu Sarah parada em frente— Sarah! — Rowan sorriu ao ver a amiga e correu em sua direção, seguida por Ben— Você está bem? — perguntou Rowan enquanto envolvia os braços em volta do corpo de Sarah— Agora estou! — disse a garota com um sorriso tentando conter a emoçãoOs três seguiram até as poltronas em frente a lareira e se sentaram— Estava limpando a sala até agora? — perguntou Ben — Deve estar exausta, toma aqui preparamos um pouco de chá pra você — entregou uma xícara com a bebida a garota— Obrigada Ben! — apanhou a caneca e deu um gole na bebida — Na verdade terminei de limpar a sala já faz um tempo— E porque demorou tanto? — Perguntou Rowan arqueando a sobrancelha— A professora McGonagall e a professora Sprout me chamaram para conversar, elas meio que me pegaram na mentira — corou as bochechas— Mentiu pra McGonagall ? — Rowan se espantou — O que você disse a ela?— Eu disse que tinha me perdido no caminho para a aula de feitiços — mordeu o interior da bochecha — Mas o professor Flitwick contou tudo pra ela— Você não devia ter mentido pra ela! — disse Ben limpando a boca cheia de farelos de biscoito que havia trazido na bagagem — Nem saído correndo daquele jeito sozinha…A propósito você ainda não nos contou por que saiu daquele jeito — ergueu as sobrancelhas— Ben tem razão — Rowan disse enquanto chegava mais perto da amiga— Eu…— Sarah encolheu os ombros e suspirou— Tudo bem! — Rowan apoiou sua mão sob o joelho da amiga — Não precisa falar sobre isso agora se não quiser, mas saiba que estaremos aqui quando precisar desabafar. Não é Ben?— Isso mesmo! — confirmou o garoto apoiando a mão sob o seu ombro— Obrigada! Vocês são incríveis sabia? — os encarou com um sorriso.O apoio dos amigos fez a garota se emocionar mais uma vez,estava admirada como em pouco tempo Rowan e Ben haviam se tornado não só seus melhores amigos mas também sua família, eles cuidavam um do outro, e se tinha alguém que ela confiava o suficiente para dividir seus medos eram neles.— Vocês lembram quando eu falei do meu irmão? — esperou que concordassem com a cabeça. — Quando eu era pequena vivia correndo atrás dele pedindo para que me ensinasse feitiços, e ele prometeu que me ensinaria quando fosse um pouquinho mais velha. Mas aí ele... — teve que tomar fôlego antes de dizer aquela palavra — sumiu. E agora eu acho que não consigo fazer isso sem ele.Os amigos permaneceram em silêncio por um tempo e depois de se entreolharem Rowan foi a primeira a falar— Sinto muito Sarah! — acariciou as costas da amiga — Olha se quiser podemos treinar feitiços no campo de treinamento — tentou animar a amiga — tenho certeza que aos poucos você vai conseguir superar isso— Rowan tem razão! — continuou Ben — Tive sorte com esse feitiço, mas provavelmente não vou ter tanto sucesso nos outros — riu de si mesmo — Podemos treinar os três juntos, o que acha? — sugeriu animado— Agradeço muito por vocês se importarem tanto comigo, mas não sei se consigo! — comprimiu os lábios — É complicado— Nós entendemos — a voz de Rowan soou calma — Mas se você não tentar não vai saber se consegue ou não— E se eu falhar? — ergueu os olhos castanhos em direção aos da amiga— Vamos tentar de novo, no seu tempo e com calma as coisas vão se acertar — Rowan encarou a amiga com um sorriso reconfortante — Somos seus amigos Sarah, não vamos te deixar desistir de si mesma— Verdade! Olha pra mim — disse Ben se levantando e caminhando até um dos quadros — Ainda ontem eu tinha medo desses quadros se movendo agora eu só me assusto quando eles falam, isso já é uma evolução! — esboçou um sorriso divertido — Vamos estar do seu lado SarahOs lábios da garota se abriram num sorriso e acenou com a cabeça sentindo a emoção lhe atingir novamente e antes que pudesse dizer algo sentiu os braços dos amigos envoltos em seu corpo.— Que bonito — aquela voz firme mas doce os surpreendeu fazendo todos olharem em direção a entrada do salão comunal — Eu sinto muito atrapalhar esse momento entre amigos — disse Angélica com uma das mãos na cintura e na outra segurando um recipiente que exalava um cheiro gostoso — Mas a senhorita precisa comer alguma coisa — caminhou até Sarah a entregando o recipiente — E vocês dois precisam ir para a cama — encarou Rowan e Ben.— Nós ainda não terminamos — Rowan tentou argumentar sendo interrompida pela monitora— Amanhã terão tempo de conversar mais Khanna — disse de forma firme — Agora subam! — colocou as mãos sob a cintura e ergueu a sobrancelha esquerdaSubiram as escadas sem reclamar embora fosse nítido o descontentamento em seus rostos— Agora vamos cuidar de você — Angélica puxou uma poltrona e se sentou de frente para Sarah — Como está o seu jantar?— Está ótimo — disse a garota lambendo os beiços — Obrigada por trazê-lo para mim — esboçou um sorriso tímido— Que bom! — Angélica sorriu — Era o mínimo que podia fazer depois de tudo que você passou hoje.Sarah sentiu suas bochechas esquentarem ao notar que a fofoca sobre suas tentativas desastrosas de conjurar um feitiço simples haviam se espalhado a ponto de chegar nos ouvidos da monitora— Então você já está sabendo do que aconteceu hoje de manhã? — buscou confirmação nas palavras da morena— Sim! Os alunos do primeiro ano costumam falar muito pelos corredores — sorriu sem humor — Ótimo, não vai demorar para que Hogwarts inteira saiba que sou uma fracassada — soltou um suspiro e deixou os ombros pesarem — Acho que talvez eu não mereça estar aqui— Não, Sarah! — disse a monitora de maneira firme — Não vou permitir que você pense isso, você merece estar aqui como qualquer aluno.— Não consegui executar um feitiço simples — resmungou — Jacob e meus pais ficariam envergonhados se soubessem disso— Então está aí o problema! — a garota cruzou as pernas em cima da poltrona — Você não tem que fazer isso por seus pais nem pelo Jacob, tem que fazer por você mesma! — encarou os olhos castanhos da mais nova— Angélica eu acho que não consigo sem o Jacob — suspirou— Olha, uma vez o Jacob me disse que tinha certeza que você ia ser uma bruxa extraordinária — Sério? — esfregou as mãos uma contra a outra— Sim! Ele me contou que ainda novinha você fez uma flor nascer com sua risada — disse a monitora tentando animar a garota— É verdade — esboçou um sorriso fraco — mas eu nem sabia o que tava fazendo, aconteceu algumas vezes meio sem querer— Sei que as coisas não estão sendo fáceis para você… — apanhou as mãos da garota — E que sente falta do apoio dos seus pais e do seu irmão, mas preciso que entenda que você ter falhado não é vergonha nenhuma pra eles — levantou o queixo da garota com a ponta dos dedos a fim de encará-la — Talvez não seja a melhor hora para lhe contar isso, mas pouco antes de desaparecer Jacob parecia saber que algo poderia acontecer com ele, então me pediu pra cuidar de você.Sarah engoliu a seco, embora fosse doloroso saber que Jacob talvez estivesse predestinado, os pedaços quebrados dentro dela pareciam se juntar novamente ao ouvir Angélica dizer o quanto o irmão se preocupava com ela, tirando de sua cabeça pensamentos induzidos pelas inúmeras matérias do profeta diário. Lembrou da sensação que teve ao ler umas das matérias sensacionalistas de Rita Skeeter, a mulher não hesitava em despejar seu veneno nas matérias que escrevia sobre o que chamou de "desequilíbrios mentais" do garoto. Sarah lembrou que o pai tomado pela raiva invadiu o profeta diário atrás da jornalista e por pouco não foi levado para Azkaban.— Sarah! — a voz da monitora a chamou atenção — Você tá me ouvindo? — Segurou o rosto da garota entre as mãos — Não vou deixar você desistir de si mesma, não é só porque prometi pro Jacob mas também porque gosto de você, entendeu?A garota acenou com a cabeça enquanto as lágrimas escorriam pelas bochechas, num impulso envolveu os braços em torno do pescoço de Angélica, apertando a monitora num abraço— Obrigada Angélica — soluçou sob o pescoço da monitora— Hey! Não precisa chorar — acariciou os cabelos da garota — O que acha de tentar conjurar o feitiço de novo? — sugeriu enquanto limpava as lágrimas do rosto da garotaA grifana acenou com a cabeça concordando, e esticou a mão em direção a sua varinha, enquanto a monitora colocava um pedaço de pergaminho e um tinteiro com pena na mesa à frente de Sarah.A garota apertou a varinha entre os dedos sentindo sua mão suar respirou fundo e encarou Angélica— Sei que você consegue! — apoiou a mão sob o joelho da garota— E se eu não conseguir? — Perguntou a garota apertando os dedos contra a barra da saia— Então vamos tentar até você conseguir!Sarah encarou aqueles olhos avelãs da monitora e sentiu seu rosto esquentar, comprimiu os lábios nervosa e respirou fundo desviando o olhar para o pergaminho a sua frente.— Currente Calamo — sacudiu a varinha com firmeza na direção da penaA garota sentiu seus dedos vibrarem e manteve o punho firme, notando a pena seguir diretamente para o pergaminho, seus olhos se arregalaram e ela disse seu nome em voz alta em seguida a pena deslizou sob o papel marcando o pergaminho com o nome da garota — Eu consegui! — comemorou entusiasmada enquanto o brilho tomava conta de seus pequenos olhos castanhos.— Tá vendo! — Angélica sorriu orgulhosa — Eu sabia que você ia conseguir.Sarah abriu um sorriso largo e logo voltou sua atenção para a pena caída sob o pergaminho ainda eufórica, sacudiu novamente a varinha e pronunciou o feitiço.— Preciso treinar! — os olhos brilharam ao notar que havia conseguido novamente— Hey, calma aí senhorita — a monitora segurou o dorso de sua mão — Já está muito tarde, é hora de ir pra cama, amanhã você pode treinar maisA grifana ergueu os olhos castanhos para monitora enquanto fazia bico.— Nem adianta! Esses olhinhos de gato não me comovem — Angélica tentou disfarçar uma risada — Vamos, já está tarde demais e você teve um dia agitado, precisa descansar.Sarah guardou o pergaminho e a pena e enfiou a varinha no bolso, seguindo Angélica escadas acima. Não demorou para se despedir da monitora e entrar no quarto depois de agradecê-la mais uma vez.Ao deitar na cama sentiu seus músculos finalmente relaxarem, percebendo que Angélica tinha razão, depois daquele dia o descanso era mais que merecido, agarrada ao travesseiro sorriu antes dos olhos pesarem, apesar de tudo, estava feliz por estar em Hogwarts.

----- CHAPTER BREAK -----

Mérula jogou o corpo contra o sofá do salão comunal, e apertou as têmporas com força tentando se livrar da lembrança daqueles olhos castanhos irritantes da grifana. Além de ter que ouvir a professora McGonagall dando sermão durante o caminho todo, ainda perdeu uma quantidade significativa de pontos para a sua casa.
— Arg! — rangeu os dentes não aguentando mais — Eu vou matar aquela garota
— Calma, Mérula! — Barnaby disse sentando na poltrona à sua frente
— Que calma o que? Ela é um desastre ambulante, vai me pagar pelo que fez — franziu os lábios
— A Mérula tem razão — Ismelda falou sentada ao lado de Barnaby — Aquela garota precisa ser colocada no lugar dela, você viu o jeito que ela desafiou a Mérula?
— Eu vi! — Barnaby arqueou as sobrancelhas — Ela foi bem corajosa, de encarar a gente, afinal eram três contra um né
— Cala a boca idiota! — Mérula cerrou os punhos sob as coxas — Ela não tinha chance contra mim, se não fosse aquela monitora intrometida — franziu os lábios
— É verdade, ela apareceu do nada! — Ismelda franziu a testa
— E a gente se deu mal, então é melhor deixar isso pra lá — Barnaby encolheu os ombros
— Tá maluco? Se tem uma coisa que não vou fazer é deixar pra lá, eu vou me vingar dela custe o que custar, ela está prestes a conhecer a bruxa mais poderosa da escola! — apoiou os braços sobre os joelhos e deixou um risinho malicioso escapar
— O que você pensa em fazer? — Ismelda perguntou
— Só posso dizer que vai ser digno de passar uma noite na enfermaria — Mérula soltou um riso maquiavélico
— Tenho que admitir que você é uma gênia do mal — Barnaby coçou o queixo — Mas às vezes me dá medo — franziu o lábio
— Ahh por favor Barnaby! — Mérula revirou os olhos — Mas quer saber,você tem razão eu sou uma gênia do mal e vou fazer aquela garota se tremer toda só de ouvir o meu nome — os olhos púrpura brilharam maliciosos**************************************
Logo pela manhã os monitores Felix Rosier e Anai Saeko ordenaram aos primeiranistas que permanecessem no salão comunal, gerando um burburinho acalorado entre eles
— Chega de falação — Felix falou em tom alto o suficiente para que os alunos prestassem atenção nele — Hoje é o dia de receber os presentes que suas famílias mandaram
— Ahh caramba! O que será que meus pais mandaram? — Barnaby arregalou os olhos curioso
— Espero que o meu seja parecido com o colar da mamãe — os olhos de Mérula cintilaram
— Hã? Como assim? — Ismelda franziu a testa confusa mas antes que um dos amigos conseguisse lhe explicar Félix se aproximou
— Sério? Sonserinos não ficam cochichando por aí — revirou os olhos para os três — Não me envergonhem
— É que a Ismelda não sabe como funciona a tradição — Mérula disse de forma firme mas educada — Nós íamos explicar para ela
— Ahhh! — Félix bufou — Odeio ter que explicar para primeiros sonserinos — acenou com a mão para Anai — Explica pra ela enquanto distribuo os adornos
Anai se aproximou do trio, ela era alta, tinha um corpo curvilíneo e cabelos longos e pretos amarrados num rabo de cavalo.
— É simples — disse de forma firme e educada — Cada sonserino recebe um adorno da família geralmente são anéis ou colares, esses itens são de matérias diferentes de acordo quantas gerações já passaram pela sonserina, como você é a primeira da sua geração o seu será feito de aço, o material mais simples, seus amigos por outro lado vão ter materiais mais nobres por conta das gerações anteriores, entendeu? — perguntou mantendo o semblante sério
— Sim! Valeu — coçou a nuca e deu um sorriso tímido
— Não tem de que — a garota deixou um sorriso de lado escapar
— Nossa, ela é bem mais legal que o Félix — Barnaby falou
No mesmo instante o monitor resmungou pedindo silêncio e repetindo o quanto ele odiava buchichos, mas Mérula já não estava prestando atenção em nada desde que viu seu nome em um dos pacotes na mão de Félix, a ansiedade dava cambalhotas em seu estômago.
Quando finalmente colocou as mãos no pacote o abriu com cuidado e encontrou uma caixinha com a gargantilha de serpente que tanto ansiava,era feito em prata da lua com pequenos diamantes cravejados sob o pingente, sorriu enquanto ajustava o colar no pescoço.
Porém notou que no fundo do pacote havia outra caixinha e um envelope com o selo de Gringotes a carta que o acompanhava dizia "Senhorita Snyde, por meio desse envio o anel de Josephy Snyde registrado na sua herança"
Os olhos brilharam antes mesmo de abrir a caixinha e quando o fez o brasão de sua família brilhava mais que a casca de ovo de ocami naquele anel.
Por mais que algumas lembranças de sua infância fossem nubladas, nunca esqueceria daquele brasão, afinal ela tinha ajudado o pai a criar,mesmo sendo pequena ele a contou sobre a importância da família ter seu próprio brasão.
Depois pegou folhas e penas coloridas entregando a ela e pedindo que fizesse o desenho de um brasão bem bonito para representar a família Snyde.
Mérula lembrou que passou horas entretida e quando entregou ao pai ele sorriu e elogiou seu desenho, mesmo sendo simples e com várias linhas tortas, ele valorizou cada detalhe e redesenhou o esboço criando o brasão de sua família que mais tarde foi colocado no anel que ele costumava usar no dedo mindinho.
Barnaby também recebeu dois anéis um referente a casa e outro com o brasão de sua família, junto a uma carta do avô.
Porém Ismelda terminou de mãos vazias, isso acontecia com certa frequência com “primeiros sonserinos” as outras casas não seguiam essas tradições, a família de Ismelda sendo Grifana sequer deviam saber delas, o que não era justificativa alguma, e muito menos faziam Ismelda ficar menos magoada.
— Eles nem se importaram! — Ismelda resmungou cabisbaixa enquanto seguiam para a primeira aula
— Eles podem te mandar depois, Ismelda! — Barnaby apoiou a mão em seu ombro tentando reconforta-la
— Eu não quero receber depois, queria receber hoje igual a todo mundo — cerrou os punhos
— Seus pais foram sem noção mesmo — Mérula franziu a testa
— Se meu tio estivesse vivo, nunca teria esquecido — os ombros de Ismelda pesaram — Ele também era da sonserina, morreu na guerra — comprimiu os lábios e engoliu a seco
Mérula e Barnaby se entreolharam sem saber direito o que dizer, foi então que Mérula percebeu que os três compartilhavam de sentimentos de abandono, cada um a sua forma e no auge da tensão daquele momento não conseguiu pensar em mais nada além apoiar o mão sob o ombro de Ismelda e dizer
— Parece que somos um trio de ferrados! — soltou um risinho derrotado — E ferrados devem ficar juntos, então se depender de mim você não vai mais se sentir sozinha
— De mim também! — Barnaby apoiou a mão no outro ombro dela e sorriu
Ismelda olhou para os dois amigos e acenou com a cabeça deixando um sorriso escapar, era a forma que melhor encontrou de agradecer, nenhum deles era bom em expressar sentimentos mas estavam criando laços de confiança e carinho ao seu próprio modo.*************************************
Durante a aula de transfiguração Mérula recuperou todos os pontos que havia perdido, respondendo perguntas e sendo a primeira da turma a conseguir transfigurar um rato num cálice de água, impressionando os colegas e até mesmo a professora.
Embora soubesse que tinha um talento natural, a prática com a varinha dos pais havia lhe tornado extremamente habilidosa, no entanto ali entre os outros primeiranistas era evidente que se destacava e poderia fazer um esforço mínimo que ainda seria a melhor aluna da turma.
Não se podia dizer o mesmo da Grifana, viu a garota se enrolando para conjurar a transfiguração, ora o cálice estava coberto de pelos, ora com bigodes, ora com um rabo que balançava de um lado para o outro.
A início Mérula soltou risinhos debochados da própria carteira mas quanto mais via a grifana se enrolar toda, mais sentia uma vontade visceral de deixa-la ainda mais constrangida.
A ideia surgiu em sua cabeça tão rápido que foi tentador demais para deixar a oportunidade passar, aproveitou um momento de distração da professora e seguiu próxima a carteira da garota se abaixando com cautela, tirou do bolso três pequenas bolinhas explosivas, que havia comprado no beco diagonal com o dinheiro que sobrou das compras do material escolar.
As posicionou no chão e com um movimento da varinha elas rolaram até pararem abaixo da carteira da grifana. Soltou um risinho malicioso e seguiu sua atenção para o rosto da grifana, a concentração daqueles olhos castanhos irritantes fizeram seu pulso tremer, desejando ainda mais ver a garota completamente atordoada.
Quando a Grifana estava prestes a conjurar a transfiguração de novo, Mérula agitou a varinha atingindo as bolinhas fazendo as se romper e causar um barulho alto e estalado que fez a grifana saltar da cadeira.
Para o deleite da sonserina, a magia da varinha de Sarah atingiu a mesa da professora fazendo o cálice com água chacoalhar e derramar por toda a madeira.
— Senhorita Granger, o que pensa que está fazendo? — McGonagall perguntou franzindo a testa
— Eu…eu…
Mérula viu a garota gaguejar e olhar para os lados procurando entender de onde tinham vindo aqueles estalos e quando se virou para trás a encarou,o castanho ficou mais intenso fazendo o verde em torno da íris quase desaparecer, parecia uma chama crescendo prestes a explodir, chegou a ser interessante vê-la daquele jeito
— Foi a Mérula — a Grifana se voltou para a professora — Ela me assustou com estalinhos e me fez perder o controle da varinha — acusou fazendo uma careta
— É uma acusação muito séria, senhorita — McGonagall arqueou as sobrancelhas — Alguma prova?
— Eu…eu… — suspirou — Não tenho provas, mas sei que foi ela — franziu os lábios e cerrou os punhos ao lado do corpo
Embora estivesse listando em sua mente diversas formas de calar a boca da grifana, Mérula conseguiu manter a postura e se fez de desentendida com total cinismo, colocando a mão sob o peito como que dissesse “Eu?”
— Senhorita Snyde? — McGonagall perguntou séria
— Como eu poderia ter feito algo se nem sai da minha carteira — Perguntou piscando os grandes cílios
— Ahh por favor, Mérula, isso é sério? — Sarah a encarou nervosa — Você pode ter usado a varinha
— Por favor, digo eu Granger! — Mérula soltou um risinho debochado — Você acha mesmo que vou perder meu tempo com uma pessoa insignificante como você? — revirou os olhos
— Sua mentirosa! — Sarah rangeu os dentes e bateu o pé contra o chão
Por mais que Mérula estivesse se corroendo de vontade de continuar aquele embate, se segurou ao máximo, ver a Grifana atordoada a deixou extremamente satisfeita, sentia o gostinho da vingança e era tão doce.
— Chega! senhorita Granger — McGonagall disse com a voz firme — A senhorita não pode acusar uma pessoa sem provas, menos vinte pontos para a Grifinória por seu descuido
— Mas professora…— tentou argumentar
— Chega! — McGonagall se manteve firme — Agora sente-se e tente ao menos fazer a transfiguração corretamente — olhou para o cálice com cauda na mesa dela
Mérula recostou sob cadeira e mordeu a ponta do lábio, enquanto recebia a fúria daqueles olhos castanhos fixos nos seus, fez questão de balançar a cabeça negativamente e soltar um risinho debochado.
Algumas horas depois o jantar estava na mesa e embora a situação agora parecia em pé de igualdade, Mérula não se conformava com a petulância de Sarah que continuava a encarando de longe, sabia que ia ter que fazer muito mais para a garota entender com quem estava se metendo. Olhou para o suco de abóbora da garota e tirou o pacote de vomitilhas do bolso
— Aproveite a noite na enfermaria, Granger! — soltou um risinho malicioso, pronta para realizar mais uma etapa de sua vingança.

----- CHAPTER BREAK -----

O professor estufou o peito orgulhoso enquanto via os pedaços do vaso quebrado em suamesa se juntarem sob os comandos da varinha de Sarah, era notável o quanto a garotahavia se esforçado ao longo das semanas, e em pouco tempo havia se tornado uma dasmelhores alunas da turma.— Perfeito, Senhorita Granger — disse o professor entusiasmado — Estão vendo turma? Asenhorita Granger conseguiu! Sei que reparo não é um feitiço tão simples quanto os que jáaprendemos, mas a prova que vocês conseguem está aqui! — Mostrou o vaso intacto —Parabéns senhorita Granger — aplaudiu a garota incentivando os colegas a aplaudiremtambém.Sarah sentiu suas bochechas esquentarem, estava com tanta vergonha que mal conseguiuencarar os colegas mas notou que Rowan e Ben sorriam orgulhosos enquanto aplaudiam,ambos sabiam o quanto a garota tinha se esforçado, havia passado boa parte do seu tempo alternando entre a biblioteca e o campo de treinamento. Por outro lado pode notar odesdém no rosto de Mérula Snyde, a garota mantinha os braços cruzados sob o peitoenquanto fazia caretas e revirava os olhos, era óbvio que a sonserina iria ignorar o sucessode outra pessoa que não fosse ela mesma, de certa forma a rivalidade entre as duas setornava cada vez mais visível, depois da situação no corredor Mérula não hesitou emcolocar vomitilhas no suco de abóbora da grifinora que teve que passar a noite toda naenfermaria, Sarah por sua vez resolveu se vingar colocando pó de arroto na bebida dagarota que acabou indo parar na detenção após arrotar repetidas vezes na aula detransfiguração.A grifana passou semanas tendo que se sentar sozinha durante as aulas e no refeitório depois de ser alvo dos chumbinhos fedorentos que a sonserina deu um jeito de colocar no bolso de sua capa, nem os amigos conseguiam chegar perto dela sem se incomodar com o cheiro.Mérula por sua vez ganhou um nariz roxo depois de abrir um pacote misterioso deixado em sua porta e se deparar com uma xícara que morde nariz.No fim das contas era nítido que nenhuma delas estava disposta a dar o braço a torcer.— Senhorita Granger! — o professor a tirou de seus pensamentos — Será que pode ajudaros outros alunos?— Claro que sim, professor! — respondeu com um sorriso.— Perfeito, ajude o senhor Lee por favor! — apontou para um dos capangas de MérulaSarah sentiu a palma de sua mão suar, sabia que não podiam machucá-la dentro da sala deaula, mas parecia imprudente ajudar Barnaby Lee, por um instante pensou em pedir aoprofessor se poderia ajudar outra pessoa, mas não queria parecer uma covarde diante dagangue de SnydeErgueu a cabeça e ainda que os dedos estivessem tremendo seguiu diretamente para abancada do garoto que se sentava entre Mérula e a outra garota que os acompanhavanaquela noite.— Oi! — se aproximou do garoto ainda receosa — O professor pediu para te ajudar— Ele não precisa da sua ajuda, Granger! — Mérula interferiu antes mesmo que o garotopudesse responder algo— Não sei se você notou mas estou falando com ele, então não se meta! — a grifanarespondeu enquanto revirava os olhos— Arg! — a garota cerrou os punhos — Sua abusada acha mesmo que vai falar assimcomigo? — a encarou— Você vai fazer o que Mérula? — retrucou encarando aqueles olhos púrpura — Você podeser valentona, mas sei que não é burra o suficiente para fazer alguma coisa na frente dosprofessores.— Mérula a garota só está tentando ajudar! — respondeu o Sonserino um tanto receosoSarah franziu o cenho surpresa com a atitude do garoto, ele não parecia tão malvadoquanto da última vez— Você está do lado dela, seu traidor? — disse a garota apontando o dedo próximo aorosto do amigo— Só estou dizendo que você não precisa pegar pesado assim, foi o professor quemmandou ela aqui você não ouviu? — comprimiu os lábios tentando encontrar a melhor formade falar com a amiga— Que se danem vocês dois! — deu de ombros e voltou a lerSarah bufou impaciente, a sonserina era a única pessoa no mundo que conseguia irritar aponto de sentir seus nervos à flor da pele— Acho que agora consigo te ajudar! — voltou sua atenção para o colega de turma — No que você está com dificuldade? — continuou séria— Não sei ao certo, mas acho que não estou conseguindo mentalizar como os pedaços vãose juntar — respondeu o garoto— É complicado mesmo — sorriu sem humor — Tente focar nos pedaços maiores estávendo? — mostrou as partes maiores do vaso para o garoto — juntando eles fica mais fácilencaixar os pedaços menores em seguida.— Isso não tinha passado pela minha cabeça — confessou — Mas é genial, vou tentar.O garoto teve que fazer mais de uma tentativa, mas a grifana se manteve firme, o incentivando e dando dicas sobre a posição da varinha para efetuar o feitiço com sucesso.Logo os cacos do vaso foram se juntando até se formar inteiro novamente.— Caramba deu certo! — o Sonserino arregalou os olhos espantado— Deu sim — Sarah sorriu orgulhosa de si mesma— Obrigado Granger! — o garoto coçou a cabeça ainda sem graça— Não tem de que! — respondeu de forma diretaA grifana estava surpresa com as atitudes do garoto, pensou que talvez ele não fosse tãomalvado quanto Mérula, porém isso não era o suficiente para confiar nele, de qualquermaneira estava pronta para sair dali o mais depressa possível, por sorte seu desejo foiatendido, no mesmo instante o professor encerrou a aula. A garota correu até sua bancadae recolheu os livros e a capa, logo seguindo ao lado de Rowan para fora da sala, ambasconversavam corredor a fora até ouvirem um grunhido— Para com isso, por favor! — Ben tremia enquanto tentava tirar a goma de mascar queMurk havia jogado em seu cabeloMérula já havia se juntado a ela e ambas debochavam do garoto o chamando de sangueruim, ao se deparar com aquela situação Sarah sentiu seu rosto queimar, caminhou até àsgarotas se colocando na frente delas, bloqueando sua passagem— O que você quer? — Mérula perguntou de forma cínica— Quero que vocês parem de mexer com o meu amigo, na verdade eu exijo que vocêsparem agora — encarou os olhos púrpura de Snyde— E você vai fazer o que se a gente não parar? — Murk debochou— Vou acabar com vocês duas — franziu o cenho enquanto rangia os dentes— Isso é uma ameaça? — Mérula estufou o peito— Entenda como quiser Snyde! O fato é que não vou deixar vocês humilharem meu amigo— respondeu de forma firme— Prepare sua varinha, te espero no pátio do relógio depois do almoço! — tencionou amandíbula encarando aqueles olhos castanhos.************************O pátio estava cheio, muitos alunos costumavam ir para lá depois de almoçarem, porémSarah notou que o movimento naquele dia em especial estava maior, assim como osbuchichos e olhares em sua direção, algo que não era surpreendente, mesmo com osavanços que teve nas aulas os outros alunos evitavam ficar próximos a ela, "ninguém queriaser visto andando com a irmã do garoto amaldiçoado ", depois de algumas semanas em Hogwarts descobriu que era assim que as pessoas chamavam Jacob, porém não tinha tempo para pensar naquilo, buscou a varinha entre as vestes ainda um tanto nervosa, pensou por um instante que talvez todos aqueles estudantes não estivessem ali por acaso, o que a deixou ainda mais estressada.— Sarah você tem certeza que é uma boa ideia duelar com a Mérula — Rowan perguntou— É claro que tenho Rowan, você não ouviu o que ela falou pro Ben? — apertou a varinhaentre os dedos— Sarah, eu não ligo pra isso, sei que é uma ofensa horrível para alguém como eu mas…—respirou fundo — Ela pode te machucar! — grunhiu de medo— Ela não vai me machucar, não se preocupe! — tentou tranquilizar o amigo — Eu melhoreibastante e já conheço alguns feitiços e azarações sei que ela conhece mais,mas estoupronta para encará-la — disse convicta —Além do mais se não a encararmos ela vaicontinuar nos perturbando— Sarah vocês já estão se confrontando desde que se conheceram e ela ainda não paroude pegar no seu pé — disse Rowan exasperada — Pelo contrário ela tem pegado cada vezmais pesado com você, o Ben tem razão, ela pode te machucar! Desiste disso por favor —apoiou a mão sob o ombro da amiga— Não! — a garota relutou — Eu não vou desistir disso, sei que vocês querem me protegermas não posso deixar ela sair impune dessa.— Então vamos falar com um professor, ou melhor com a Angélica — sugeriu a amiga— Eu não quero incomodar a Angélica com isso, ela tem outras coisas para fazer, e alémdo mais a Mérula nunca vai parar de implicar com a gente se ficarmos chamando osprofessores e monitores para resolver essas situações.— Sarah, não acho que isso vai adiantar — Rowan insistiu — Além do mais aquelesamigos dela também tem implicado com a gente— Rowan tem razão — Ben completou ainda apertando a ponta do suéter contra os dedosnervosos — Tudo isso começou por causa da Ismelda Murk, ela começou a me aterrorizardurante a aula de feitiços, quando o professor Filtwick pediu que eu a ajudasse.— Ele pediu pra você ajudar o garoto, não foi?Ele foi agressivo com você? — Rowan perguntou a amiga— Até que ele foi educado, nem parecia o mesmo daquela noite no corredor — Respondeu atenta a movimentação dos alunos no pátio— Sério? — Rowan se surpreendeu — Mesmo assim não é viável confiar nele—Sim, penso da mesma forma! — A garota de cabelos castanhos afirmou convicta ao verSnyde cruzar a entrada do pátio acompanhada de Ismelda e Barnaby.A sonserina caminhava a passos firmes que faziam sua capa esvoaçar, os olhos púrpuraseguiam com o mesmo brilho malicioso da noite que se confrontaram encarando a grifanaa ponto de fazer seu corpo estremecer por completo. Sarah apertou a varinha entre osdedos e comprimiu os lábios ao notar a garota parar a sua frente.— Achei que você não viria — a sonserina debochou — Parece que você gosta mesmo deser humilhada, Granger! — gargalhouSarah sentiu seu rosto queimar e apertou a ponta da saia entre os dedos— Se quer saber eu aprendi muito desde a última vez, não sou mais a mesma garota bobaque você conheceu! — ergueu a varinha na frente do rosto — Chega de conversa e vamosresolver isso de uma vez por todas Mérula.As orelhas da sonserina ficaram vermelhas e ela emitiu um som estranho que mais pareciade um animal raivoso enquanto empunhava a varinha mantendo o pulso firme.— Vai se arrepender de ter nos desafiado Granger! — Ismelda ergueu a varinha logo emseguida— Não! — Mérula empurrou o braço da amiga para baixo — Isso é entre eu e ela.— Mas você disse…— Ismelda tentou argumentar— Esquece o que eu disse Ismelda — falou impaciente — Agora cala a boca e me deixaterminar com issoAlunos de todas as idades fecharam uma roda ao redor das duas, olhando curiosos para oque estava prestes a acontecer.Sarah, com a varinha erguida, pensou consigo mesma qual feitiço deveria usar, dandotempo de sobra para que Snyde fizesse o primeiro movimento— Depulso — a sonserina atacouSarah sentiu uma fisgada violenta em seu ombro esquerdo e teve que segurar firme paranão cair encarou os olhos púrpura da garota que mantinham aquele brilho de malícia— Estupefaça — A sonserina sacudiu a varinha novamente, porém foi surpreendida comseu feitiço sendo bloqueado pela barreira de proteção que a grifana criou em volta de siMérula franziu o cenho e resmungou irritadaSarah se endireitou ainda se recuperando do primeiro golpe que sofreu, e em seguidasacudiu a varinha na direção da sua adversária— Flipendo — lançou o feitiço na direção da coxa da garota que a fez cambalearMérula grunhiu ao sentir o feitiço lhe atingir, apoiou a mão sob a coxa e cerrou os dentesapontando a varinha em direção a garota de cabelos castanhos— Eletricus — os olhos púrpura voltaram a brilhar enquanto via o lampejo de luz azuladaatingir o peito da grifinora fazendo seu corpo se desestabilizar com a descarga elétrica e serimpulsionada a alguns metrosO cotovelo da grifana bateu contra o chão abruptamente enquanto seu corpo tremia, sentiuo sangue quente escorrer pelo dorso de sua mão, só então notou que tinha esfolado não sóa mão mas boa parte do braço com o impacto que recebeu ao cair no chão, sentiu suarespiração falhar ao olhar para cima e se deparar com os olhos púrpura de Snyde— Acabou, Granger! — disse a sonserina esboçando um sorriso maquiavélico enquantoencarava a grifana — Da próxima vez que pensar em me desafiar lembre desse momento.Os dedos de Sarah alcançaram a varinha enquanto a sonserina estava distraída segabando.— Expeliarmos!Mérula arregalou os olhos enquanto sentiu sua varinha escapar entre os dedos, e emboraseu primeiro instinto foi o de procura-la desesperadamente pelo chão, não conseguiu tirar os olhos da grifana que se colocava em pé a sua frente, notou um leve esfolado sob olábio superior da garota e o sangue escorrendo entre os dedos que apertavam a varinha demadeira escura.Pela primeira vez notou fúria dentro daqueles olhos castanhos e sentiu seu corpo tremer pordentro, sabia que estava prestes a perder sua dignidade.— Agora acabou, Snyde — ergueu o queixo e guardou a varinha entre as vestes deixando a sonserina perplexa— Com certeza acabou!Ambas sentiram o sangue gelar ao ouvir a voz da professora McGonagall vinda da entradado pátio, a mulher seguiu até o amontoado de alunos que abriam espaço conforme elacaminhava— Quero todos voltando a suas atividades — a professora ordenou — Menos vocês duas— franziu o cenho e comprimiu os lábiosNum instante o pátio estava vazio, Sarah e Mérula haviam se sentado lado a lado no bancoem frente a fonte como a professora havia ordenado. A Grifana ergueu a manga da capae apanhou um pouco de água da fonte a fim de limpar seu machucado, assim que a águacaiu sob o sangue já seco sentiu a pele arder a fazendo esboçar uma careta de dor, decidiumanter a manga da capa erguida até que pudesse passar na enfermaria para fazer umcurativo, começará a se deparar com as consequências de seus atos a partir daquelemomento, e sabia que um ralado no braço seria o mínimo dos problemas, embora estivessepronta para aceitar desejou que a conversa com McGonagall não demorasse, ergueu acabeça a fim de esperar pelo sermão da professora, porém se surpreendeu com os olhospúrpura da sonserina a encarando, notou a garota comprimir os lábios ao ser descoberta evirar o rosto para o outro lado o mais depressa possível.— Comecem a se explicar! — disse a professora parada a frente delas com os braçoscruzados sob o peito— Granger me desafiou professora, disse que ia acabar comigo e com a Ismelda — acusou a garota— Ah você diz como se fosse a inocente da história — retrucou a encarando— Mas eu sou inocente, foi você quem começou — a sonserina debochou— Você é mesmo muito cínica garota — A grifana apertou os dedos sob a capa — Seráque não se cansa de mentir? Porque não diz a professora que vocês duas estavamchamando o Ben de sangue ruim?— Cala a boca Granger, você não tem provas disso — empurrou os ombros delaSarah sentiu suas orelhas queimarem de tanta raiva e devolveu o empurrão que recebeufazendo a sonserina bufar nervosa, partindo para um confronto corporal.— Já chega! — ordenou a professora fazendo com que ambas se soltassem — Será quevocês duas não vão parar nunca com esse pé de guerra? — franziu o cenho aborrecidanotando as garotas ainda fazendo caretas uma para outra— Mas professora, não é certo elas ofenderem o Ben e…— Sarah tentou argumentar— As duas agiram de maneira tola e inconsequente! — a professora a interrompeu — Estou muito decepcionada com vocês!Sarah e Mérula abaixaram a cabeça e encolheram os ombros com o sermão— Trinta pontos serão tirados de cada uma e as duas cumprirão detenção estãoentendidas? — se manteve firme— Sim professora! — responderam em uníssono— Agora voltem para suas tarefas — respirou fundo — E sugiro que vocês comecem a seentender pois vão cumprir detenção juntasAmbas se entreolharam dos pés a cabeça e reviraram os olhosA professora balançou a cabeça negativamente e seguiu em direção a saída do pátio,ambas estavam tão presas em seus próprios pensamentos que mal notaram que estavamsozinhas.— Argh, eu não acredito que vou ter que cumprir detenção por sua culpa! — Mérula cruzou osbraços sobre o peito emburrada — Pessoas como você e aquele seu amigo esquisito nemdeveriam estar em Hogwarts pra começar — bufou fazendo sua franja esvoaçar.— Pois eu acho que quem não deveria estar em hogwarts é gente preconceituosa feito você— a garota comprimiu os lábios irritada— A professora McGonagall deve estar maluca se acha que vou me dar bem com você — encarou aqueles olhos castanhos que a tiravam do sério —Vamos acabar essa detenção o mais rápido possível e depois nem pense em cruzar meu caminho de novo! — se colocou em pé e seguiu a passos firmes sem sequer olhar para trás.Sarah respirou fundo enquanto pegava o pergaminho com seus horários e praguejoumentalmente ao se dar conta que sua próxima aula seria de poções, embora houvesseprogredido em todas as outras aulas, ainda não tinha conseguido avanços nas aulas depoções, na verdade ela era uma catástrofe, apoiou a mão sob a testa e sentiu o palmo suarnão sabia ao certo o que a deixava mais nervosa a confusão que fazia com os ingredientes,a cara de desdém do professor Snape sempre destilando veneno com suas palavras ácidas, ou a lembrança da sua primeira aula desastrosa. Embora seu maior desejo fosse arrumar uma desculpa para não ter que ir para a aula, sabia que já estava encrencada o suficientepara realizar tal desejo, enfiou o pergaminho dentro de um dos livros e seguiu a passosapressados diretamente para as masmorras, entrou pela porta da sala de poções aindadistraída com seus pensamentos largou os livros sob a mesa apoiando os cotovelos logoem seguida enquanto as mãos foram direto para a cabeça ao sentir os fios de cabeloencostar no ferimento do dorso soltou um gemido de dor— Droga! — Olhou para o ferimento ainda cheio de sangue — Esqueci de passar naenfermaria!— Dia difícil?Os olhos castanhos da garota se ergueram em busca da dona daquela voz e viu umagarota da sua idade de cabelos dourados e orbes azuis sorrindo para ela, notou o tomamarelado nos detalhes do uniforme da garota e o símbolo de um texugo no brasão,conhecia bem aquelas vestes lembrando dos álbuns de fotos da mãe vestida com o mesmouniforme.— Me desculpe! Eu não te vi aí — sorriu de volta para a garota—Tudo bem! você entrou tão distraída que achei melhor não incomodar — disse a garotaolhando para o ferimento na mão da grifana — Como você se machucou? — as orbes azuis se arregalaram parecendo cada vez mais curiosa— Ehh que eu… — titubeou — cai e ralei a mão — coçou a nucaEmbora a Lufana parecesse amigável, Satah achou mais prudente não contar averdade afinal havia acabado de conhecer a garota.— Posso ver? — perguntou ainda observando de longe?— Sim! — deu de ombrosA garota se aproximou dela e segurou sua mão avaliando o ferimento.— Acho que podemos arrumar algo para cicatrizar isso, por aqui mesmo! — encarou a garota — Mas primeiro precisamos limpar essa feridaSarah apenas acenou com a cabeça e em seguida foi puxada pela Lufana até um lavatórioque havia nos fundos da sala, que nunca havia notado até aquele momento— Deixa a mão esticada para limpar direitinho — disse a garota enquanto abria a torneira— Vou pegar uma coisa e já volto — seguiu em direção ao armário de poções de Snapeapontando a varinha e lançando um feitiço para destrancarSarah soltou um gemido ao sentir a água atingir a ferida a fazendo arder, mas ao mesmotempo se sentiu aliviada ao ver o ferimento limpo.A lufana não demorou a voltar até o lavatório com ataduras e uma poção de cor púrpura.Depois de secar as mãos estendeu-a em direção a Lufana.— Essa poção é muito boa, vai cicatrizar rapidinho — derramou um pouco da poção sob oferimento— Aí! — sentiu sua pele arder novamente enquanto o líquido agia— Eu esqueci de avisar que ia arder! — disse a Lufana com um sorriso sem graça —Desculpa!— Tudo bem! Só quero que cicatrize o mais rápido possível — respondeu depois de comprimir os lábios ainda sentindo o ferimento latejarA loira pegou um pedaço de atadura e com cuidado envolveu o machucado da garota.— Está pronto! — Entregou o vidrinho com o resto da poção — usa ela por mais dois diasantes de dormir, ok?— Ok, nem sei como te agradecer — corou— Não precisa! — esboçou um sorriso doce— Você foi tão legal comigo e nem sei seu nome! — perguntou a grifana enquanto caminhavam até as carteiras— Meu nome é Penny! Penny Haywood — balançou as tranças douradas— E o seu?— Sou Sarah…— Hesitou por um instante, dizer seu sobrenome sempre gerava um certodesconforto, pois não sabia qual seria a reação das pessoas, mas Penny parecia ser gentil— Sarah Granger! — finalmente consegui falar— Você é irmã do Jacob Granger? — a garota arregalou os olhos e um silêncioconstrangedor se instalou— Sim — olhou para os próprios dedos se entrelaçando sem coragem de encarar alufana— Se as pessoas soubessem o quão difícil é responder essa pergunta… — Suspirou —Não é que eu tenha vergonha dele ser meu irmão, pelo contrário, mas as pessoascostumam julgar mesmo sem ter conhecido ele — encolheu os ombros— Entendo! — apoiou a mão sobre o ombro dela — Também tenho uma irmãzinha eela é tudo pra mim! Ficaria muito chateada se ouvisse as pessoas falando coisas sobre ela!— Obrigada Penny! — encarou as grandes orbes azuis da garota e sorriuNo mesmo instante se viraram ao ouviram o rangido da porta se abrindo e meia dúzia delufanos entraram conversando eufóricos, todos que passavam cumprimentavam Penny comum aceno até que um garoto parar diante dela— Penny! Você perdeu a briga que teve agora pouco no pátio do relógio — disse parecendoainda mais eufórico que os outrosUm arrepio atingiu sua nuca, era óbvio que aquele garoto falava sobre seudesentendimento com Mérula, virou o rosto de lado disfarçadamente com medo do lufanoreconhece-la.— Sério! — As orbes azuis da garota brilharam — Me conta tudo agora, Diego! — pediuempolgada— Parece que finalmente alguém deu uma lição na Mérula Snyde — continuou falando demaneira rápida — Foi um duelo e tanto e quando parecia que a Mérula ia sair por cima, agarota levantou e conseguiu tirar a varinha dela com Expeliarmos— E ela atacou a Mérula? — Penny perguntou hipnotizada— Não, só a desarmou, mas isso foi o suficiente para deixar a Mérula desequilibrada, afinalse quisesse a garota podia ter acabado com ela — deu uma risada sarcástica. —Sinceramente, no lugar dela não sei de iria conseguir parar por ali, mas estou feliz que elatenha. A Mérula tem sido um saco, mas acho que todo duelo deve ser justo, e não temsentido nenhum em atacar alguém desarmado.— Você viu quem foi? — Penny se debruçou na mesa, esperando ansiosa pela resposta docolega.— Quem me dera! — Diego se lamentou. — Tinha um monte de gente na frenteatrapalhando, só consegui ver que o uniforme era da Grifinoria. Mas não deve ser difícilencontrar ela depois, a Mérula deixou um machucado feio na mão dela quando jogou amenina no chão com um feitiço. Aposto que está na enfermaria agora, mas espero que nãotenha sido tão ruim quanto parecia, ainda quero agradecer pessoalmente.Sarah afundou ainda mais na sua cadeira, escondendo a mão de baixo da mesa enquantorezava que Diego não olhasse para sua direção. No entanto, para sua infelicidade, haviaoutra lufana olhando para ela com o canto dos olhos.— Sério que você não viu mais nada? — Penny perguntou desapontada.— O cabelo dela era castanho — Diego deu de ombros —, e acho que ela é do primeiroano também, pela altura. Pelo o que eu ouvi da discussão das duas foi ela quem desafiou aMerula para um duelo, a Ismelda tentou ajudar, mas as duas queriam se enfrentar sozinhas.Devem ter tido uma briga feia antes daquilo, porque estavam realmente com raiva.Penny olhou de canto de olho para Sarah que parecia procurar um buraco para se enfiar detanto que se encolhia— Eu imagino — respondeu voltando sua atenção para Diego — De qualquer forma é bomque alguém tenha enfrentado a Mérula, quem sabe ela para de perseguir outrosprimeiranistas— Eu duvido muito! — Diego comprimiu os lábios — E tenho certeza que vai ameaçarqualquer um que ouse debochar dela. Quer saber de uma coisa — se aproximou de Pennye sussurrou perto de seu ouvido — Acho que essa agressividade dela tem a ver com o queaconteceu com os pais, você não acha?Antes que Penny pudesse responder a garota sentada na mesa da frente chamou por Diego— Ah eu tenho que ir — esboçou um meio sorriso — Depois nos falamos melhor Penny! —disse enquanto se afastava.Penny se virou para Sarah que ainda tentava se esconder, a loira apoiou os braços sob amesa e ergueu a sobrancelha encarando a grifana que esboçou um sorriso sem graçaenquanto entrelaçava os dedos nos fios de cabelo— Parece que minha história foi por água abaixo não é? — Disse ainda sem conseguir encarar a lufana — Me desculpa Penny, eu tive receio de te contar… — Suspirou profundamente— Tudo bem, Sarah! — Apoiou a mão sob o ombro da grifana a interrompendo — Nãoprecisa se explicar, mas agora que eu já tô sabendo, me conta porque vocês estavambrigando? — apoiou o queixo sobre as mãos esperando ansiosa pelo história completa— Ok! Eu te conto — Sarah sorriu ao ver os olhos azuis da garota brilhando como os deuma criança — Seu amigo Diego tinha razão nossas brigas não são de hoje! Na verdadetudo começou aqui, quando acidentalmente eu explodi uma poção no rosto dela—gesticulou com as mãos enquanto falava— Aí caramba! Eu queria ter visto isso — a garota soltou uma risada espontânea e logotapou a boca — Desculpa é que deve ter sido engraçado— Tudo bem! Na verdade eu tava apavorada demais na hora que aconteceu, mas admitoque depois eu e meus amigos não conseguimos evitar dar umas boas risadas — sorriu coma lembrança— E depois o que aconteceu? — Penny voltou a encará-la com aquele olhar infantil— Desde então ela não parou de me perseguir e de uns tempos para cá tem perseguidomeus amigos também — revirou os olhos ao lembrar dos insultos e provocações da sonserina — Hoje ela chamou meu amigo Ben de sangue ruim — notou a Lufana arregalaros olhos desacreditada — Quando vi já tinha desafiado ela para um duelo, se tem umacoisa que não suporto é ver valentões mexendo com pessoas inocentes — comprimiu oslábios nervosa— Nossa a Mérula realmente baixou o nível dessa vez e olha que já ouvi e vi muita coisa arespeito dela — Penny sacudiu a cabeça ainda inconformada com as atitudes da colega— Eu nunca conheci alguém como ela, parece que não se importa em magoar os outros —Suspirou profundamente— Mas escuta, você foi uma Heroína além de defender seu amigo colocou ela no lugar dela— apoiou a mão sob o ombro da garota e sorriu — Vou te confessar uma coisa, sei quevocê já ouviu coisas ruins sobre seu irmão, todos ouvimos,mas eu ouvi algumas boas e peloque dizem ele tinha tanta bravura quanto você.Sarah sentiu um nó lhe apertar a garganta e seus olhos se encheram de lágrimas, comcerteza a melhor coisa que aconteceu em seu dia foi conhecer Penny, conseguia enxergaruma amizade incrível começando, apenas sorriu para a garota pois não conseguiria dizernada até se recompor.— Posso te fazer uma pergunta Penny? — disse a grifana— Claro que sim! — respondeu a garota— Eu ouvi, seu amigo Diego dizendo que a culpa do comportamento agressivo da Mérulatem a ver com o que aconteceu com os pais dela — ergueu as sobrancelhas curiosa — Oque aconteceu com eles?— Ah Você não sabe? — Penny comprimiu os lábios— Não! — Sarah notou uma tensão no olhar da garota— Os pais dela estão presos em Azkaban! São comensais da morte, estão lá porquemataram dois aurores — a loira sussurrou para que os colegas ao lado não ouvissemSarah arregalou os olhos desacreditada logo sentindo um arrepio percorrer sua coluna, se viver sem seu irmão era difícil, imaginava como seria viver sem seus pais, depois de ouvir aquilo conseguia entender muitas das atitudes de Mérula— Eles pegaram prisão perpétua — continuou a loira — Isso aconteceu pouco antes delaentrar em Hogwarts.Sarah começou a sentir um aperto em seu peito, sua cabeça parecia girar era difícilprocessar o que Penny contava, desde que conheceu Mérula jurava que ela não passavade uma garota mimada e egoísta, mas a única coisa que conseguia pensar naquelemomento era naqueles olhos púrpura vendo os pais sendo levados para longe dela parasempre.— Eu sei que é horrível a gente querer que ela se de mal, mas ela faz questão de sermalvada com todo mundo — deu de ombros— Então talvez ela não seja tão má, talvez só esteja quebrada por dentro — Sarah dissenum sussurro quase como se estivesse falando consigo mesma, porém num tom audível osuficiente para que a loira respondesse— Olha! Não sei se é bem assim — ergueu as sobrancelhas — Ninguém tem coragem de se aproximar dela para descobrir isso, e sinceramente eu não julgo.Ela parece inalcançável como se tivessecriado uma cerca de arame farpado em torno de si mesma e qualquer um que tente seaproximar sai ferido demais para querer tentar de novo — buscou os olhos castanhos dagarota — Acho melhor você não se arriscar— Você tem razão — Sarah sacudiu a cabeça tentando evitar aqueles pensamentos— Sarah! — a grifana ouviu seu nome e assim que se virou viu Rowan e Ben correndo emsua direção— Rowan, Ben! — correu de encontro aos amigos os abraçando— Você tá bem? — Perguntou Rowan aflita— Te procuramos por toda parte — Ben completou — Achamos que aquela psicopata daMérula tinha dado um sumiço em você!— Ben! — Rowan chamou sua atenção— Ué vai dizer que você não pensou isso? — comprimiu os lábios— O que importa é que você tá bem agora — Rowan examinou a amiga e notou o curativona mão — Pelo visto já até passou na enfermaria— Mas nós passamos por lá e não te vimos! — Ben arqueou as sobrancelhas confuso— Na verdade eu não fui pra lá ainda, mas estou bem — Sarah sorriu com a preocupaçãodos amigos— E esse curativo? — Rowan perguntou confusa— Ah isso foi a minha nova amiga, deixa eu apresentar ela pra vocês — segurou o braço deRowan a guiando até a mesa onde Penny estava— Pessoal essa é a…— Penny Haywood! — Rowan interrompeu a colega— Ué vocês já se conhecem? — Perguntou a garota de cabelos castanhos— Na verdade não, mas já ouvi falar muito de você — Rowan acenou com a cabeça para aloira — É a aluna mais popular do nosso ano e também a melhor aluna em poções — deuum sorriso tímido— Não sei se sou tão popular assim e ainda estou aprendendo poções, mas obrigada! — asbochechas da garota coraram de imediato— Rowan tem razão, todo mundo que entrou na sala te cumprimentou, se isso não é serpopular então não sei o que é — Sarah soltou um riso divertido— E vocês são Rowan e Ben — Penny concluiu — Sarah falou muito de vocês, querem sesentar aqui? — indicou os bancos na lateralBen e Rowan se entreolharam sem acreditar que realmente estavam sendo convidadospara se sentar ao lado de Penny Haywood, Sarah os incentivou com um aceno de cabeça eum sorrisoNão demorou para que Rowan começasse a falar sobre curiosidades dos pocionistas maisfamosos, deixando Penny totalmente vidrada naquelas histórias. Ben também ficouentusiasmado quando viu que Penny era mestiça e tinha muito conhecimento sobre omundo trouxa, desde que havia chegado em Hogwarts não tinha conversado por tantotempo com alguém sem falar uma vez sequer sobre magia.Sarah por sua vez, com a ajuda da Lufana conseguiu não causar acidentes na aula depoções, ao terminarem seguiram juntos pelo redor do pátio médio.— Qual é a próxima aula de vocês? — perguntou a LufanaSarah começou a puxar o pergaminho de dentro do livro mas antes que o tirasse Rowanrespondeu— É de Transfiguração — ajeitou os óculos sob o rosto— Que pena a minha é de herbologia — disse a loira — acho que nos vemos mais tardeentão— Se quiser pode jantar com a gente! — Rowan fez o convite— Seria um prazer mas…— a loira parou de falar ao ouvir uma voz chamando por Sarah— Pelas Barbas de Merlin! — Angélica apareceu definitivamente do nada como semprecostumava fazerEntrou no meio dos primeiranistas os cumprimentando rapidamente, parando bem próxima de Sarah segurando em seus ombros e a encarando fixamente fazendo com que seus olhos castanhos se arregalassem enquanto suas orelhas queimavam— Eu fiquei sabendo do problema que você se meteu! — franziu os cenho— Me desculpa Angélica, eu perdi mais pontos, é sobre isso que você veio falar não é? —disse a grifana entrelaçando os dedos nos próprios cabelos— Não! — a monitora ergueu a sobrancelha esquerda — Quer dizer, sabe que não estoufeliz com isso, mas depois conversamos, a sós — olhou discretamente para os outrosprimeiranistas.Penny, Ben e Rowan se entreolharam sem graça e a loira decidiu seguir para sua aula deherbologia, os Grifanos por sua vez acharam melhor dar privacidade para Sarah conversarcom a monitora, prometendo encontrá-la durante a aula. Angélica acenou com a cabeçaaprovando a atitude dos primeiranistas e logo voltou sua atenção para Sarah.— Minha maior preocupação é saber se te machucaram? — examinou o corpo da garotabuscando por algum ferimento e comprimiu os lábios ao ver a mão enfaixada— Só foi um ralado! — Sarah sorriu travessa mostrando a mão enfaixada— Espero! — Angélica continuou séria — Presta atenção, não quero mais você se metendoem briga— Mas Angélica, a Mérula chamou o Ben de sangue ruim eu não podia ficar sem fazer nada— disse a grifana ainda inconformada— Por que não me chamou? Sabe que eu poderia resolver isso sem que você semachucasse, e a Mérula ia se dar mal sozinha — gesticulou com as mãos enquanto falava— Eu sei, e agradeço muito por você me defender, mas precisava resolver isso sozinha —ergueu os olhos castanhos para a monitora — Se eu não começar a encarar a Mérulasozinha ela sempre vai ficar no meu pé!— Como você é parecida com seu irmão — respirou fundo e não conseguiu evitar o sorrisoafrouxar em seus lábios — Entendo e respeito isso, mas você precisa me prometer que vaitomar cuidado com essa garota, certo? — apanhou as mãos da grifana as segurando com delicadeza, fazendo a vermelhidão das orelhas se espalhar para as bochechas— Ok, eu prometo! — Sarah sorriu contente em perceber o quanto Angélica a tratava deigual para igualA monitora sabia ponderar muito bem as situações, mostrava que se preocupava com ela e embora não deixasse seus erros passarem sem consequências, entendia suas decisões erespeitava sua personalidade. Diferente dos pais e até mesmo de Jacob, Angélica não atratava como uma criança— Fiquei sabendo que a McGonagall pegou vocês duas no flagra — Angélica sorriuenquanto ajeitava a gola da camisa da grifana a fazendo comprimir os lábios e respirarofegante— Foi mesmo, eu senti meu coração alcançar a garganta quando ouvi a voz dela —debochou de si mesma tentando não demonstrar o quanto ficava nervosa com Angélica tãopróxima dela daquele jeito — Mas o pior nem foi a detenção, o pior é que vou ter quecumprir junto com a Mérula— Isso é bem a cara da McGonagall, ela acha que vocês convivendo vão encontrar coisasboas uma na outra e se tornarem amigas — sacudiu a cabeça em negação — Por mais queela seja minha professora favorita, não concordo com esse método dela — comprimiu oslábios e continuou rindo— Eu também não! A Mérula e eu nunca vamos ser amigas — Sarah revirou os olhos sóem lembrar das interações horríveis que teve com a sonserina até o momento — Somos como água e óleo!— De qualquer forma, cumpra certinho a detenção e depois vemos um jeito de vocêrecuperar os pontos que perdeu — se agachou um pouco colocando as mãos sob osjoelhos para encarar Sarah — Agora preciso ir, nos vemos mais tarde no salão comunal —piscou para a garota e se despediu.***************************Sarah andou a passos largos até alcançar os amigos na porta da sala de transfiguração,ainda pensando no encontro que teve com sua monitora, e estava determinada a recuperarnaquela aula uma parte dos pontos que havia perdido. Ao entrarem na sala havia poucoslugares porém conseguiram se sentar próximos, enquanto ajeitava suas coisas sob acarteira Sarah notou Mérula e seus amigos se ajeitarem no lado oposto da sala, revirou osolhos ao notar que a sonserina basicamente expulsou um garoto do lugar onde estava sobameaças, a grifana chegou a cerrar o punho e comprimir os lábios mas dessa vez pensouantes de agir.McGonagall entrou na sala e todos os aviões de papel desapareceram de imediato, aprofessora colocou os livros sob a mesa e ajeitou seu chapéu pontudo, alternando seu olharentre os grupos de alunos, logo se posicionando à frente de sua mesa.— Boa Tarde! Antes de iniciarmos a aula quero fazer algumas modificações que consideronecessárias — encarou Sarah e logo em seguida direcionou seu olhar para Mérula.Os buchichos começaram a surgir de imediato e antes que a grifana pudesse especularcom os amigos, ouviu a professora chamar seu nome, a garota engoliu a seco e comprimiuos lábios nervosa sem ter ideia do que a professora pretendia, respirou fundo e se levantou— Sim professora!— Se sentará ao lado da Senhorita Snyde hoje! — indicou o local onde deveriam se sentarSarah sentiu seu coração palpitar mais rápido e encarou a sonserina que já a fitava com osolhos arregalados, ambas respiraram fundo e seguiram em direção a carteira indicada pelaprofessora, ao se sentarem reviraram os olhos uma para a outra mantendo uma expressãoemburrada no rosto.— Senhorita Khanna, junte-se ao senhor Lee!Rowan acenou com a cabeça para a professora e ao passar por Sarah comprimiu os lábiosem desespero.— E por último Senhor Cooper se juntará a senhorita Murk — disse a professora esboçandoum meio sorriso— Porque eu tenho que me sentar com ele? — Ismelda questionou a professora— Não que eu deva satisfações acerca de meus métodos de ensino, mas já que faz tantaquestão de saber, Senhorita Murk, acredito que novas interações se fazem necessárias afim de alcançarmos maior potencial — disse a mulher de forma firme — Mais algumquestionamento? — Perguntou a professoraIsmelda acenou negativamente com a cabeça revirou os olhos se sentando novamente, Benpor sua vez seguiu tremendo de medo até a carteira onde Ismelda estava. Sarah e Rowanse entreolharam de longe aflitas pelo que poderia acontecer com o amigo— Gostaria de deixar claro que não vou tolerar comportamentos agressivos dentro dosdomínios de Hogwarts — disse a professora se dirigindo a sala toda — Espero que issofique claro!A maior parte da sala que estava presente durante a briga olhou diretamente na direção daGrifana e da sonserina, Sarah sentiu suas orelhas queimarem de vergonha.— Abram os livros na página vinte e sete — disse a professora enquanto apanhava umcálice transparente o colocando sobre a mesa — Aguamenti! — sacudiu a varinha e o recipiente se encheu de água límpida — Hoje aprenderemos Aguamenti é uma transfiguração um tanto complicada então precisam se dedicar — disse ela mostrando mais de perto o cálice — Leiam as orientações e estarei a disposição para dúvidas, e para dar um incentivo extra a primeira dupla a conseguir ganha vinte pontos para cada um!Sarah e Mérula se entreolharam pela primeira vez desde que haviam se sentado lado alado, o instinto competitivo de ambas havia sido desafiado, além do o benefício de recuperar os pontos para suas respectivas casas.— Arg!— a sonserina resmungou —Se eu estivesse com a Ismelda seria moleza ganharesses pontos— Se eu estivesse com Rowan ou Ben também seria moleza! — Sarah retrucou— Quanto a Khanna não posso dizer nada ela é realmente inteligente, mas acha mesmoque teria chance com Cooper ? Ele é um fracassado — Mérula debochou — Só tenho pena da Ismelda porque nunca vai conseguir ganhar mas tenho certeza que vai arrumar um jeito de se divertir aterrorizando aquele idiota— Você é desprezível, sabia? — Sarah bufou irritada — Se o Ben se machucar juro que aIsmelda não vai ficar impune— Sério? — disse a sonserina aproximando o rosto do de Sarah — E o que você vai fazer?— fixou as orbes púrpura nos olhos castanhos da garota a fazendo comprimir os lábiosnervosa— Vou avisar a professora para ficar de olho na Ismelda,você ouviu o que ela disse? Quenão vai aceitar comportamentos agressivos, além do mais vai confirmar todo o motivo danossa briga e vocês vão acabar perdendo mais pontos ainda — disse a garota de formafirme — Achou que eu fosse cair na sua pilha não é? Pois eu não caio mais! — sorriudebochada — Então avisa sua amiguinha para nem pensar em mexer com o Ben ou eu falocom a professora agora!Mérula resmungou e começou a escrever num pedaço de pergaminho o bilhete paraIsmelda e o arremessou em sua mesa, ao pegar o bilhete Ismelda fez uma careta eassentiu com a cabeça— Pronto! Satisfeita? — Perguntou para a grifana— Muito! — Sarah esboçou um sorriso malicioso— Droga Granger! Você arruinou minhas chances de recuperar os pontos para minha casa— disse a garota ainda bufando de raiva — Prometi ao meu monitor que ia recuperar essespontos mas por sua causa não vou conseguir, ele vai ficar uma fera comigo!— Hey, eu não tenho culpa de nada!Acha que tô feliz de ter que fazer par com você? — agrifana revirou os olhos— Parece que é a única coisa que concordamos, que não queremos estar perto uma daoutra — disse a sonserina de forma sériaAmbas ficaram em silêncio por um tempo percebendo que pela primeira vez teriam que seunir se quisessem mesmo ganhar os pontos— Escuta — Sarah tomou coragem e iniciou a conversa — Nós duas precisamos recuperaresses pontos mas só vamos conseguir se trabalharmos juntas— Que seja! — A sonserina bufou impaciente enquanto abria o livro na página indicada— Podemos ler juntas, assim economizamos tempo! — Sarah sugeriuA sonserina apenas acenou com a cabeça mostrando que concordava e a grifana seaproximou mais dela sentindo o perfume de flor de cravo tomar seu olfato lembrando daprimeira vez que sentiu aquele cheiro, notou a franja da garota caída sob a testa e seusolhos púrpura encarando as páginas do livro, por mais que odiasse admitir toda vez queficava muito perto da sonserina sentia um frio na barriga que não sabia explicar, suas bochechas coraram ao ver aqueles olhos púrpura se guiarem das páginas do livro diretamente para os seus.— Então você não vai ler? — Mérula perguntou erguendo a sobrancelha esquerda ao notara garota completamente perdida— Ah sim é claro! — comprimiu os lábios e voltou sua atenção para o livroConforme avançavam descobriram que Aguamenti consistia em transformar moléculas dear em água, sendo assim uma das transfiguração mais difíceis para primeiranistas, depoisde entenderem melhor sobre a transfiguração e os movimentos de varinha, iniciaramalgumas tentativas. Sarah notou que alguns alunos já conseguiam formar gotículas em seuscálices e alertou Mérula sobre isso— Droga! Não podemos perder esses pontos Granger! — disse a sonserina um tantoeufórica— Nós vamos conseguir Mérula! — encarou a garota — Precisamos nos concentrar omáximo que der.É complicado, eu sei! — coçou a nuca — mas…— Complicado? Só se for pra você! — Mérula interrompeu a garota — Eu consigo fazermagia até de olhos fechados!— Ah, então faz agora, quero ver! — Sarah cruzou os braços sob o peito e revirou os olhosMérula estendeu a varinha enquanto tentava executar o feitiço, sua testa franzia e os lábios contorciam, por mais que se concentrasse a única coisa que conseguia era fazer caretas cada vez mais esquisitas a ponto de causar risos nagrifana— Tá rindo de que? — Mérula esbravejou contra a garota— Das suas caretas e da forma totalmente errada que você tá fazendo o movimento coma varinha, enfim tem inúmeras coisas que me fazem rir — a grifana sorriu debochada— Tenta você então, já que se acha tão esperta!Sarah estendeu a varinha e começou imitar um movimento de ondas suaves seguindo dadireita para esquerda.— Tá vendo? é esse o movimento que tem que fazer! — disse para a sonserina enquantotentava executar o feitiço— Ah é? E por que não tô vendo nada acontecer? — Mérula revidou com sarcasmo— É porque você tá tirando a minha concentração — a garota de cabelos castanhoscontestou irritada— Você é ridícula Granger! — gargalhou alto — A professora disse pra gente imaginar aágua fluindo, será que não consegue nem isso?Sarah bufou cansada do sarcasmo da sonserina, era quase quase impossível se concentrarcom a garota debochando dela daquele jeito. Mérula continuou suas tentativas enquantoresmungava cada vez mais irritada por não estar conseguindo e Sarah olhou para onde oscolegas estavam sentados para ver se algum deles tinha feito algum progresso.Rowan tinha seu livro aberto em cima da mesa e ajudava Barnaby Lee a acompanhar aleitura enquanto demonstrava a pronúncia correta do encantamento. Barnaby coçava acabeça e pedia pra menina repetir a cada instante as coisas que ele não havia entendidodireito, e nenhum dos dois parecia pronto para pegar na varinha e começar a fazer suastentativas. Do outro lado Ben parecia usar o seu livro como escudo ao invés de ler qualquercoisa, Ismelda balançava a varinha com certa agressividade, repetindo o feitiço de novo ede novo até que pequenas gotas começassem a sair e assustarem o grifinoro ao molharemseu cabelo de surpresa.— Aguamenti! — Ismelda apertou a mão na varinha e disse de forma firme e clara para quetodos da sala pudessem ouvir e um pequeno jato de água saiu de sua varinha, se tornandomais forte a cada minuto até que enchesse a taça completamente.Alunos da sonserina cochicharam entre si e elogiaram Ismelda baixinho, mas a atenção dagarota estava em Ben.— O que está fazendo? — ela perguntou. — Você nem começou a tentar o encantamentoainda! Não me diga que ainda nem acabou de ler esse textinho?O garoto grunhiu assustado sem ao menos conseguir responder o que a sonserina lheperguntava, Ismelda revirou os olhos e puxou o livro das mãos do garoto o colocando comviolência sobre a mesa.— Pega logo essa varinha! — ordenou, vendo o grifano tremer tanto que quase nãoconseguia segurar a própria varinha — Para de tremer garoto! — aumentou o tom de vozA sonserina segurou o punho do garoto ajeitando seu braço e começou a guiar seus movimentos, imitando ondulações com a varinha— É esse movimento que precisa fazer, como se fosse uma onda, entendeu? — perguntouimpaciente enquanto o garoto acenava com a cabeça positivamentePor mais que o menino estivesse tentando, parecia extremamente nervoso, deixando avarinha cair algumas vezes fazendo a sonserina esbravejar com ele cada vez mais.Sarah notou que Ben e Ismelda não eram os únicos com problemas para se entenderem,Rowan seguia explicando minuciosamente as instruções do livro ao sonserino, porém ogaroto começou a insistir que já haviam lido o suficiente— Espera! Ainda não terminamos — Rowan insistiu com o garoto — Você precisa entenderque nessa transfiguração estamos tentando transformar o ar em água, por isso exige tantaconcentração, é importante que o feiticeiro conheça perfeitamente o que estátransformando, tá vendo? isso tá escrito no primeiro capítulo do nosso livro — indicou olocal daquela informação— Ah mas se eu não posso ver o ar, como consigo transformar ele? — Barnaby coçou anuca confuso— Justamente por isso é tão complicado, mas existem algumas técnicas que…— Rowantentou explicar, porém acabou perdendo o foco quando viu o sonserino balançando avarinha a sua frente— Você devia tentar! — sugeriu enquanto fazia ondulações com a própria varinha — Dadireita pra esquerda certo? — perguntou se referindo a direção do movimentoRowan acenou com a cabeça e se deu por vencida apanhando sua varinha.Depois de inspecionar o progresso dos amigos Sarah voltou a atenção para sua parceiraque resmungava sem parar depois de várias tentativas frustradas— Droga!Porque isso não funciona?! — disse a garota impaciente — E porque você tá aíparada Granger? — Notou a grifana distraída— Calma, eu só estava vendo como as outras duplas estão se saindo — Revirou os olhos— Você é idiota? — A garota bufou — Parece que você não está nem aí pra ganhar essespontos! — franziu o cenho e comprimiu os lábios— Você sabe que eu quero tanto quanto você! — a garota entrelaçou os dedos cabisbaixa— Então você precisa se concentrar — a sonserina manteve a cara emburrada— Você tá certa! mas precisamos nos ajudar também — disse a garota entrelaçando osdedos nas pontas dos cabelos ainda sem conseguir encarar a colega — Você continuafazendo os movimentos errados! — olhou para a varinha de Mérula— Eu já fiz o que você falou, tô fazendo ondas, não tá vendo? — Perguntou enquantomovimentava a varinha— Precisa ser mais suave! — Sarah ponderou— Isso é o mais suave que consigo, e não tô brincando! — A sonserina mordeu a ponta dolábio inferiorSarah soltou um riso discreto e deslizou sob o banco se aproximando mais de Mérulaseguindo com a mão em direção a da garota envolvendo os dedos sob o dorso e segurandocom firmeza, a sonserina arregalou os olhos púrpura ao sentir o toque da menina em suapele, os olhares se cruzaram por um instante e logo voltaram a se fixarem na varinha dasonserina, Sarah guiou a mão de Mérula ajudando a garota a suavizar seus movimentosrepetindo o gesto algumas vezes.— É assim! — encarou os olhos púrpura novamente sentindo suas orelhas arderem —Agora é só dizer o feitiço— Ahh! — a sonserina travou por um instante — Eu acho que já consigo fazer sozinha— Certo! — Sarah soltou a mão da garota e coçou a nuca um tanto sem graçaMérula movimentou a varinha e disse o feitiço num tom firme, logo gotículas começaram asair de sua varinha respingando no cálice, e embora não tivesse conseguido executar ofeitiço completo seus olhos se arregalaram em surpresa— Você viu Granger? — disse empolgada — Eu quase consegui — estufou o peito orgulhosaSarah acenou com a cabeça e esboçou um sorriso doce— Você precisa conseguir também! Senão não conseguimos os pontos — continuou asonserina— Você tem razão,mas tô com dificuldade pra imaginar a água fluindo! — contorceu os lábios— Faz o seguinte! — a sonserina largou a varinha sob a carteira e voltou sua atenção paraa grifana — tenta fechar os olhos e imaginar a água surgindo, isso me ajudou muito nocomeço— Ok! — a garota agarrou a varinha e a posicionou no ângulo adequado, antes demovimentá-la fechou os olhos e tentou imaginar uma torneira se abrindo.Respirou fundo, ignorando os outros alunos recitarem seus encantamentos, até quepudesse ouvir em sua mente a água descendo.— Aguamenti — pronunciou da melhor forma que podia e se surpreendeu quando gotas deágua molharam as mangas de seu uniforme.Virou rapidamente para olhar Merula, que observava com cuidado sua varinha.— A gente tá na mesma agora, o que falta? — coçou a nuca um pouco confusa— Não sei — a grifana ergueu a sobrancelha — Mas acho que precisamos continuartentando— Você tem razão Granger! Aposto que consigo antes de você — Empinou o nariz e deuum meio sorriso— Porque você tem que transformar tudo numa competição? — A garota de cabeloscastanhos resmungou — Não importa quem conseguir primeiro, o que importa é as duasconseguirem e trabalharem juntas — disse elevando o queixo e cruzando os braços sob opeito— Você tá falando igual a professora McGonagall! — Mérula a analisou de cima a baixoSarah já abria a boca para dizer que era uma honra enorme ser comparada com suadiretora em qualquer coisa que fosse, quando a voz da própria McGonagall preencheu seusouvidos:— Temos nossos vencedores!O rosto de Mérula perdeu a cor e as duas se viraram o mais rápido possível para ver quemhavia ganho, se surpreendendo ao verem a professora parada na frente da mesa de Rowane Barnaby analisando seus copos perfeitamente cheiosO rosto de Mérula continuou a se contorcer mudando de uma expressão para outra emsegundos, primeiro de dúvida, depois de surpresa e por fim de raiva.— Droga! Não acredito que eles conseguiram primeiro, a culpa é toda sua Granger —esbravejou contra a garota— E o que eu fiz? posso saber? — Sarah manteve os braços cruzados sob o peito efranziu o cenho— Você ficou enrolando para fazer a leitura! — acusou— E o tempo que perdemos com as suas implicâncias comigo não conta? — Sarah rebateu— É bizarro o como você consegue culpar os outros por tudo e nunca repara que a maiorculpada é você mesma.— Como ousa falar assim comigo? — A sonserina a encarou fazendo uma careta e elevou o tom de voz — Perdemos os pontos por sua causa— Não! Nós perdemos por sua causa — Sarah revidou no mesmo tomAmbas estavam com as orelhas vermelhas enquanto se fuzilavam com os olhos atéouvirem novamente a voz da professora— Parabéns Senhorita Kahnna e Senhor Lee pelo excelente trabalho em parceria.Conseguiram vinte pontos para a grifinória e vinte pontos para a sonserina — declarou a professora os aplaudindo seguida dos aplausos da turmaOs olhos das garotas se arregalaram sem acreditar no que tinham acabado de ouvir,estavam tão obcecadas em conseguir os pontos que mal se deram conta de que não eramas únicas que poderiam realizar tal tarefa, a vermelhidão em suas orelhas se espalharampara as bochechas, aos poucos foram encolhendo os ombros e abaixando a cabeça, cada uma dando um jeito de disfarçar a vergonha que sentiam de si mesmas. Depois de tudo oque havia acontecido, um silêncio constrangedor se instalou no ambiente e a aula pareceudemorar para terminar mais do que o habitual, quando finalmente ouviram a dispensa daprofessora arrumaram os livros rapidamente mas antes que pudessem se levantar parairem embora a professora as chamou, ainda sem conseguirem olhar uma nos olhos da outraseguiram até a mesa da professora.A mulher ajeitou os óculos que haviam escorregado para a ponta do nariz antes de começar a falar— Gostaria de saber como foi a experiência de trabalharem juntas? — questionou de formasériaO silêncio permaneceu entre elas e nenhuma parecia ter coragem de começar a falar, aprofessora esboçou um meio sorriso e ajeitou o chapéu— Entendo que a autoavaliação não é uma tarefa fácil, mas pude notar que vocês conseguiram se entender melhor e acabaram ajudando uma a outra com suas dificuldades.— encarou as alunas com suas orbes azuis — Vocês quase conseguiram executar o feitiço completo e isso é um progresso e tanto comparado a forma como se portaram mais cedo, por isso lhes desejo parabéns!— Obrigada professora! — disseram em uníssono— A senhora tem razão quando diz que ganhamos mais cooperando uma com a outra —Sarah entrelaçou os dedos e guiou os olhos em direção a Mérula esperando que a garotadissesse algo— Ahh, tá vendo Granger quando você me escuta as coisas saem bem! — Mérula aencarou com um sorriso de lado— O que? — Sarah ergueu a cabeça de vez e a encarou indignada— Acredito que a senhorita deva agradecer a senhorita Granger também ela a ajudou comsuas dificuldades em relação aos movimentos da varinha — disse a professora com certapaciência— A senhora viu isso? — Mérula deu um sobressalto espantada— Claro que sim senhorita Snyde — afirmou a mulher— Ahh não, que vergonhoso! — a sonserina colocou a mão sob o rosto— Vergonhoso porque posso saber? — Sarah a interrompeu— Ora essas Granger sou a bruxa mais poderosa de hogwarts — ergueu a cabeça orgulhosa — Não devia precisar da ajuda de ninguém, muito menos a sua — empinou o nariz e cruzou os braços— Está errada senhorita Snyde — disse a professora de maneira firme — Até bruxospoderosos precisam de ajuda, e a senhorita ainda tem muito o que aprender para se tornartão poderosa assim, uma das principais lições é cooperação e humildade — encarou agarota de forma sériaSarah cruzou os braços e sorriu satisfeita com as palavras de McGonagall— Em resumo espero que tenham aprendido a lição e a partir de agora comecem a seentender melhor! Aliás terão tempo para descobrirem mais qualidades uma na outra durante a detenção — esboçou um sorriso discretoAmbas deixaram os ombros pesarem ao lembrar da detenção que teriam que cumprir juntasantes de serem dispensadas de vez pela professora.*************************Chegando no grande salão comunal, a grifana procurou pelos amigos e não demorou aavistar Rowan acenando com a mão enquanto Ben já se servia de um prato cheio de frangoe purê de batatas, a garota seguiu até eles o mais rápido que pôde, havia acontecido tantascoisas naquele dia que mal teve tempo de conversar com os amigos.— Que bom que vocês ainda estão aqui! — Disse a garota parando em frente aos amigosum tanto ofegante— Achou que a gente não fosse te esperar? — Rowan perguntou — Na verdade já estavapreocupada, você demorou pra sair de lá — entregou um prato a amiga e começaram a seservir— A professora McGonagall quis conversar com a gente — disse a garota enquanto escolhia os alimentos para colocar em seu prato — A propósito Parabéns Rowan, você e oBarnaby fizeram um ótimo trabalho— Ahh eu nem sei te dizer como isso funcionou na verdade! — Rowan sorriu um pouco semjeito enquanto se sentavam ao lado de Ben— Aposto que foi esquisito no mínimo! — Ben resmungou entre uma garfada e outra —Pelo menos pra mim foi apavorante ter que ficar do lado da Ismelda por tanto tempo.— Ela te ameaçou de alguma forma Ben? — Sarah perguntou franzindo o cenho— Não! Mas ela é assustadora mesmo quando não está ameaçando ninguém — o garotose arrepiou todo ao lembrar da sonserina gritando com ele toda vez que derrubava avarinha — Ela é maluca! Genial eu admito mas maluca— Genial? — Sarah e Rowan disseram em uníssono— Sim, ela é muito inteligente — o garoto acenou com a cabeça enquanto cortava o frango— Na verdade se eu não estivesse com ela provavelmente ela teria ganhado os pontos, agarota nitidamente sabia o que estava fazendo! — disse o garoto aparentando um tantoimpressionado— Não é a toa que ela foi a primeira a conseguir — Rowan pontuou— Isso é realmente impressionante! — Sarah fez uma expressão de surpresa — E vocêRowan como foi com o Barnaby?— Como eu disse, não sei direito como funcionou, mas preciso admitir que se o Barnabynão tivesse insistido para começarmos a usar a varinha talvez eu estivesse até agora lendoaquele livro — A garota soltou um riso divertido — E você com a Mérula? Como foi? —perguntou ajeitando o óculos— Olha! Nós brigamos pra caramba mas admito que conseguimos ajudar uma a outra nofim das contas — mordeu a parte de dentro da bochecha — A professora McGonagall aténós deu parabéns pela cooperação— Pode parecer maldade mas eu não imagino a Mérula ajudando alguém! — Ben disseenquanto escolhia sua sobremesa— Mas ela ajudou e não posso ser injusta, na verdade as vezes eu acho que ela é tãoinsegura quanto a gente! — Sarah levantou um novo ponto de vista — talvez todos sejamassim, não é?Ambos a olharam um tanto confusos e deram de ombros, a conversa prosseguiu para outrorumo ao longo do jantar até Sarah ter que se despedir deles e seguir para a detenção.*****************************A Profa. McGonagall havia lhe dado instruções de como chegar lá, passando pelos porões eenquanto andava naquela direção percebeu que havia uma grande concentração de alunoscom o uniforme amarelo brilhante como o de Penny.Enquanto passava na frente de uma pilha de barris gigantes viu Angélica e pensou emparar para contar como havia sido a aula com McGonagall e pedir por ideias do que poderiafazer para recuperar o restante dos pontos que ainda estava devendo à Grifinoria; mas aose aproximar viu que havia uma outra garota conversando com ela com as mãos apoiadasna cintura. Diminuiu o passo pra reparar melhor no que estava acontecendo e nenhuma dasduas pareceu notar sua presença ali. A garota de cabelos loiros sorriu de lado ao ouviralguma coisa que Angélica falava e gesticulou em resposta, com os olhos castanhosfocados na figura da grifana. Sarah deduziu que ela também fosse monitora, a julgar pelobroche pendurado em suas vestes, e passou direto pelas duas até encontrar a pintura decesta de frutas que McGonagall descreveu para ela, logo depois dos Barris de madeira.Mérula já estava lá, olhando o quadro com os braços cruzados na frente do corpo e umalinha dura acima da sobrancelha— Ahh é você Granger! — disse a garota com certo desdém — Não pense que vai ficar naminha cola — disparou antes mesmo que a grifana pudesse dizer alguma coisa— E quem disse que eu quero ficar perto de você? — A garota fez uma careta e revirou osolhos — Como você consegue se achar tanto assim? Na verdade acho que depois do que aprofessora McGonagall disse hoje você deve rever isso — debochou— Cala a boca! — Mérula bufou irritada e seguiu em direção ao quadro fazendo cócegas napêra entre as frutas abrindo a passagem para a cozinhaSarah a seguiu ainda tentando disfarçar o riso, havia percebido que da mesma forma queMérula usava para irritar as pessoas também se irritava com certa facilidade quando provocada.Ao se deparar com o enorme salão que a cozinha era instalada desviou sua atenção completamente para o lugar as mesas eram tão grandes quanto as do principal salãocomunal e ficavam na mesma disposição e quantidade, havia uma lareira no final do salãoao centro e muitas panelas, frigideiras e conchas espalhadas pelo espaço, mas o que maishavia chamado a atenção de Sarah eram os trabalhadores da cozinha.— São elfos domésticos? — sua voz tinha um tom de surpresa— Não! São unicórnios — debochou a sonserina encarando um olhar perdido da grifana —Pelas barbas de Merlin, é claro que são elfos! Vai dizer que você não sabia disso? — dissea sonserina irritada— Não! Eu…— corou as bochechas — Nunca me disseram nada! — disse enquantoobservava as criaturas com braços e pernas esguias, orelhas pontudas e altas e olhos degrandes dimensões.Conforme notava as criaturas andando de um lado para o outro carregando pilhas de pratose panelas, algumas perguntas surgiram em sua cabeça, afinal como ela podia não saberdaquilo? Hogwarts havia comprado os elfos? Onde eles dormiam? Porque nunca tinha vistoum antes se tinham tantos ali?— Qual seu problema, heim? — Mérula perguntou notando suas expressões confusas— Não é nada! — sacudiu a cabeça tentando ignorar aquela sensação — A professoradisse que devíamos procurar por Pitts certo?— Acho que foi isso que ela falou mesmo — a sonserina deu de ombros — Só queroacabar com isso logo — bufou — Qual de vocês é o Pitts? — aumentou a voz num tomautoritário fazendo todos os elfos paralisarem— Não precisa gritar — Sarah fechou a cara, mas Mérula sequer se deu o trabalho deresponder.— Hey, você! — apontou o dedo para um dos menores elfos do grupo, que se encolhia etremia diante a presença das duas. — Vá buscar o Pitts e diga que McGonagall nosmandou aqui.— Pitts está ocupado e pediu para que não o incomodasse, minha senhora — respondeu oelfo num fio de voz.— Pois diga que pare de fazer seja lá o que o mandaram e venha falar com a gente —revirou os olhos. — Não ouviu eu ordenar? Elfos deveriam respeitar os bruxos! — continuouesbravejandoA pobre criatura se encolheu ainda mais e puxou as orelhas tentando tapar o rostoenquanto seus braços e pernas tremiam sem parar— Olha o que você fez! — Sarah tomou a frente da sonserina seguindo para mais perto doelfo notando o mesmo se esquivar apreensivo — Calma! — se abaixou ficando na altura dacriatura mostrando um sorriso simpático — Eu não vou te machucar — esperou que acriatura se sentisse confiante para se aproximar — Meu nome é Sarah, qual é o seu? —descansou as mãos sob os joelhos— Elrond — o elfo disse ainda com a voz trêmula se aproximando devagar— É um prazer conhecê-lo Elrond — inclinou a cabeça ainda com um sorriso acolhedor noslábios — A professora McGonagall mandou a minha… colega e eu até aqui paracumprirmos a detenção, será que você pode avisar Pitts que já estamos esperando porele?— É claro que sim, senhorita!Sente-se enquanto espera — indicou o banco logo seesgueirando pela lateral ainda encarando Mérula com certo receioSarah agradeceu o elfo e se sentou sob um dos bancos próximos à mesa de frente para asonserina— Já pode agradecer! — encarou a colega de forma sarcástica— Você é ridícula! — Mérula revirou os olhos enquanto sentava no banco de frente para agrifana e apoiava os cotovelos sob a mesa — Não percebe a ousadia que deu para esseelfo não é?— Você que é desprezível! — contestou — O que achou que fosse conseguir tratando eledaquela forma?— É um elfo! — resmungou — Todos eles devem ser tratados com firmeza, se afrouxar asrédeas logo encontram uma forma de desobedecer seus mestres — torceu os lábios — Nós tínhamos um em casa, papai nunca deixou que ele o enganasse— Enganar? Até onde sei elfos são fiéis aos seus donos — Sarah questionou— Isso é meio que verdade, mas eles podem encontrar brechas para não obedecer, precisaser muito específico quando se dá ordens a um elfo! — a garota explicou ainda mantendo onariz empinado.— Eu acho que as pessoas deviam tratar elfos com mais respeito — apoiou os cotovelossob os joelhos e encarou a sonserina — Existem bruxos que são muito cruéis com seuselfos, e isso não é certo! — entrelaçou os dedos das mãosMérula revirou os olhos e antes que pudesse responder algo Elrond havia voltadoacompanhado de outro elfo este tinha olhos menores, o nariz mais achatado e tinha algunssinais na cabeça e nos braços, seu corpo era mais volumoso comparado a maioria dos elfosque tinha ali e suas expressões eram firmes bem diferente do outro.— Até que enfim! — Mérula reclamou — Você demorou demais! Tá achando que tenhotempo de sobra é? — tentou encurralar novamente Elrond que tremeu atrás do outro elfo— Se tinha tempo de sobra não tem mais! — trovejou o elfo troncudo. — Se pensa que vaificar aí parada dando ordens na minha cozinha é melhor se preparar para ter detençãodobrada.Mérula arregalou os olhos e seu rosto rapidamente se tingiu completamente de vermelho.Sarah comprimiu os lábios para evitar soltar um riso e antes que pudesse perguntar algo oelfo que se apresentou como Pitts já havia dispensado o outro e as guiado até o local ondeos pratos eram lavados.— Só podem ir embora quando terminarem! — deixou claroAs garotas olharam para a pilha de pratos que parecia não ter fim e deixaram os ombrospesarem— Mas são muitos pratos! Nós duas não vamos dar conta, será que não tem mais alguémpra ajudar? — Sarah tentou argumentar— Não — disse de maneira firme — Da próxima vez pensem duas vezes antes se meteremem encrenca, a detenção não é brincadeira! — saiu resmungando as deixando a sósAmbas se aproximaram do lavatório analisando toda aquela louça tentando tomar coragempara começarem.— Isso é um absurdo! — a sonserina reclamou — Onde já se viu colocar alunos para lavarem louça, mamãe e papai vão saber disso — bufou irritada— Para de reclamar Mérula, até parece que você nunca lavou uma louça — debochou— Para que fazer uma coisa que meus pais podem pagar alguém para fazer? — empinou onariz— Você deve tá brincando né? — a grifana começou a rir enquanto tirava o curativo quePenny havia feito em sua mão— E você sabe lavar louça por acaso? — perguntou— Claro que sim! — esboçou um meio sorriso. — Minha mãe é uma chefe de cozinhaincrível, meu irmão e eu costumávamos ajudar ela na cozinha. A gente sempre discutiasobre quem tinha que lavar a louça, mas eu acabava fazendo mais vezes — seu rostoardeu de vergonha com as lembranças que lhe vinham. — Jacob dizia que eu nãocozinhava muito bem e que mamãe não tinha coragem de me dizer.— Se sua mãe fosse mesmo uma chefe de cozinha tão incrível assim ela teria dinheiro prapagar ajudantes ao invés de ficar te explorando — Mérula fez careta, hesitando em pôr asmãos em um prato com resto de comida molhada.— Ela tinha vários ajudantes, se quer saber — retrucou empinando o nariz. — Minha mãetrabalhou por anos num dos melhores restaurantes bruxos, Catchlove Bistrô, e era a chefe de cozinha. Mas ela gostava de cozinhar com a gente também, ela fazia questão depreparar todas as nossas refeições, mesmo que estivesse ocupada.— Pera, o que? — Merula ergueu uma sobrancelha, aproveitando a conversa para largarimediatamente o prato sujo. — Sua mãe é a chefe de cozinha no bistrô da Greta?— Você conhece lá? — Sarah retornou a pergunta e viu o rosto de Mérula mudar de cor.— Eu e minha mãe íamos lá às vezes — comentou. — É o restaurante favorito dela — agarota abaixou a cabeça e deixou um suspiro escapar, já faziam alguns meses que nãorecebia notícias dos pais— Eu…soube dos seus pais! — Sarah tentou buscar os olhos da garota — Sinto muito! —apoiou a mão sobre o ombro delaMérula franziu o cenho e comprimiu os lábios enquanto dava um solavanco com o ombrorecusando o toque da garota— Não preciso da sua pena Granger — contestou encarando a garota— Só estou tentando te dar apoio, ninguém devia passar por isso sozinha — disse agrifana lhe devolvendo o olhar— Pois eu prefiro assim! — a sonserina permaneceu com sua postura dura e fria — chega de falar disso — bufouSarah acenou com a cabeça e engoliu a seco enquanto enchia a esponja de sabão, notou asonserina arregaçar as mangas do suéter e seus olhos se arregalaram ao ver marcas noseu punho esquerdo— O que é isso no seu braço? — quando notou seus pensamentos já haviam saído pelobocaO rosto da sonserina empalideceu e ela puxou a manga do suéter escondendo os punhos— Não é nada! — virou o rosto— Eu te machuquei durante o duelo? — a grifana perguntou um tanto aflita— Até parece que você conseguiria me machucar com aqueles feitiços ridículos que usou — esboçou um sorriso debochadoSarah comprimiu os lábios e balançou a cabeça em desaprovação, sabia que nãoconseguiria fazer a sonserina falar sobre aquilo, embora tivesse certeza que um de seusfeitiços havia sido responsável por aquelas marcas, enfiou a mão no bolso do casaco e tirouo frasco com a poção que Penny havia lhe dado e outro fraco do mesmo tamanho e formatoe dividiu o líquido.— Toma! — estendeu o frasco em direção a sonserina— O que é isso? — Mérula apanhou o frasco com o líquido púrpura e o abriu levantando próximo ao nariz tentando identificá-lo— É uma poção para curar ferimentos! Veja o meu já está bem melhor — mostrou a mãoferida ainda cicatrizando— Você está tentando me sabotar por acaso? — Mérula ergueu uma das sobrancelhas ebalançou o líquido o observando atentamente— Será que pra você tudo tem que ter uma má intenção? — A grifana aumentou o tom devoz um tanto irritada— Ok! — a sonserina enfiou o frasco dentro do bolso do suéter sentindo seu rosto corarSarah esboçou um sorriso de lado e abriu a torneira deixando a água escorrer pelo pratoenquanto o ensaboava, sentiu uma fisgada em seu machucado e não conseguiu evitar aexpressão de dor— Deixa que eu lavo! — Mérula jogou a flanela de secar louça sob o peito da garota e tomou suafrente apanhando a esponja — Com esse machucado você só vai terminar amanhã, nãotenho todo esse tempo pra perder — começou a lavar os pratos um a um— Ok! — Sarah esboçou um sorriso tímido enquanto tentava disfarçar seus olhares em direção a MérulaA grifana notou que por mais que Mérula se expressasse de uma forma um tanto bruta, havia gentileza dentro dela, no final das contas a professora McGonagall estava certa, talvez Mérula e ela não fossem "água e óleo" como havia pensado!

----- CHAPTER BREAK -----

Mérula terminou de sombrear a última pétala das flores em torno da serpente, ergueu o desenho contra a luz e soltou um sorrisinho orgulhosa, seus desenhos ainda estavam longe de serem perfeitos mas tinha feito um progresso importante desde que aprendeu a sombrear e distribuir pontos de luz.— Ficou muito bom! — Ismelda elogiou— Valeu! Além de ser a bruxa mais poderosa de Hogwarts pelo visto também sou a mais talentosa — colocou o desenho dentro da pasta e levantou — E mais exibida — Barnaby resmungou baixinho— Cala a boca idiota — passou por trás da poltrona onde o amigo estava sentado e lhe deu um cascudo — Vou deitar — anunciou aos amigos— Sério? Desde quando você dorme tão cedo? — Ismelda arqueou as sobrancelhas — Ainda mais numa sexta feira— Eu não vou dormir — Mérula deu de ombros — Só não tô mais afim de ficar aqui, vocês sabem que odeio quando isso aqui tá lotado — acenou com a cabeça indicando o salão comunal cheio de sonserinos animados demais para o seu gosto.Assim que entrou no quarto apoiou a pasta em cima da mesinha de cabeceira, tirou as botas e afundou o rosto no travesseiro.Por mais que o tempo que passou desenhando tivesse lhe ajudado, a situação que tinha acontecido na cozinha ainda perambulava seus pensamentos.— Porque ela me deu aquela poção sendo que nem tinha curado as próprias feridas ainda? — fungou e cruzou os braços sob o peito — Ela deve ser mais idiota do que imaginei — revirou os olhos— E aquela história da mãe dela trabalhar na Greta? Porque eu nunca vi ela por lá? — arqueou as sobrancelhas — Deve ser mentiraNo mesmo instante começou a imaginar como seria ver Sarah Granger com um avental cor de rosa, era lógico que ia ser rosa, ela era aquele tipo de garota bonequinha, cheia de frescuras.Sim ela com certeza estaria com um avental rosa, preparando um cupcake de ruibarbo.Ruibarbo.Era seu preferido quando criança, a mãe sempre fazia questão de comprar quando iam no restaurante de Greta, por um instante sentiu o peso atingir seu peito, a falta daquela época onde tudo era mais fácil e menos confuso, falta de só se lambuzar com chantilly rosa enquanto admirava o sorriso orgulhoso da mãe.A verdade era que aquilo fazia tanto tempo que nem lembrava o gosto do tal cupcake, não sabia se provasse de novo ia gostar tanto, mesmo antes dos pais serem presos sua vida estava completamente caótica e muitas coisas simples deixaram de impressiona-la. E agora que tinha imaginado Sarah Granger sua maior rival preparando um cupcake de ruibarbo, teve certeza que nunca mais queria prová-lo.Não sabia em que momento começou a odiar tanto aquela garota, lógico que tudo começou com seu caldeirão explodindo na aula de poções mas até então a grifana era tão insignificante quanto qualquer outro que ousasse desafia-laLembrou da garota tremendo no primeiro confronto que tiveram e o quanto ela desejou ve-la daquele jeito mais vezes, jurou que depois da pegadinha das vomitilhas Sarah ia evitar cruzar seu caminho mas provocou o efeito contrário, se sentiu uma idiota por ter caído na pegadinha do pó de arroto e ainda mais da xícara que morde nariz que a grifana havia armado para ela.O fato de Sarah ser extremamente atrapalhada ao ponto de mal conseguir fazer uma transfiguração nos primeiros dias, e depois de alguns meses se transformar em uma das melhores alunas da sala, capaz de impressionar não só os professores mas também os colegas, deixou Mérula ainda mais zangada.A forma como ela defendia os amigos sem pestanejar, como uma perfeita cavaleira da justiça era profundamente irritante.Mas com certeza o auge de tudo foi o duelo que tinham travado naquela tarde. Como aquela garota inútil tinha ficado tão boa a ponto de derrotá-la num duelo?O sangue escorrendo pelos dedos da grifana e a fúria daqueles olhos castanhos, ficaram impregnados na mente de Mérula.E depois na aula de transfiguração, mal conseguia acreditar que passaram todos aquele tempo sem se matar, a verdade foi que quis gritar com a professora McGonagall com aquela ideia idiota de obriga-las a trabalharem juntas.Juntas.A palavra rodopiou sua cabeça, teriam que ficar juntas por um longo tempo na detenção, aquele pensamento fez seu estômago revirar. Ter que encarar o rostinho de boneca daquela garota insuportável a deixava louca.Pegou a poção do bolso do casaco e colocou sob seu braço machucado, rangeu os dentes sem saber se era pela ardência em sua pele ou pela forma como a grifana olhou para aquela mancha.Ela era mesmo muito egocêntrica para acreditar que tinha feito aquilo.Mérula praguejou e apertou os olhos com força, seria melhor que aquele machucado fosse consequência do duelo que tinha travado. Sacudiu a cabeça no mesmo instante e agarrou o travesseiro, não queria pensar naquilo.Mas o fato era que Sarah Granger era diferente, o modo como falava, como a olhava diretamente nos olhos, como a desafiava e até mesmo como às vezes tinha aquelas atitudes estranhas de ser extremamente gentil, estava claro que a grifana era sua Nêmesis.Sim! Sarah Granger havia bagunçado com ela e precisava acabar com aquilo,precisava mostrar o porque nunca se deve mexer com uma Snyde!

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