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Lagrimas de cera quente

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Quando tinha 5 anos, Powder conheceu a morte através dos seus pais e de outras centenas de mineradores e defensores que perderam a vida naquela ponte. Quando tinha 7 anos, Powder conheceu a solidão completa. Ela havia matado em um único golpe seus irmãos e seu pai adotivo. E na mesma noite sua irmã mais velha a abandonou.

Nos anos seguintes ela conheceu o terror de ter uma mente frágil e fragmentada. Os fantasmas de quem ela decepcionou ou matou a atormentam dia e noite. Eles a machucavam com palavras e a convencia a se machucar com objetos também.

Silco a mandou se tornar mais forte então. Se Powder era fraca então ela tinha que ser outra coisa. Uma mais forte.

E assim Jinx nasceu.

Mas ninguém amava Jinx da mesma forma que amava Powder. Ninguém amava Powder da mesma forma que amava Jinx. E mais uma vez ela se viu sozinha.

Até Mel Medarda aparecer quando ela tinha 11 anos. A conselheira a tirou das garras de Silco, a trouxe para Piltover e fez dela sua filha. E pela primeira vez em muito tempo na sua curta infância, Powder/Jinx, se sentiu completa.
 
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Powder estava no seu quarto, sentada na sua banca de trabalho focada na pintura das velas. Enquanto isso, do outro lado da bancada, estava Mel, finalmente terminando de trançar os fios finos para a fita “Pronto” Mel disse, dando um último nó na ponta e entregando para Powder “Ficou bom?”

“Bem melhor do que o ano passado”

Mel riu com a lembrança “Pelo menos eu aprendi” Powder revirou os olhos e terminou o seu trabalho confeccionando a vela “Tem certeza que quer ir sozinha, querida?” Mel questionou “A Elora pode te acompanhar ou até um defensor disfarçado”

“De jeito nenhum, eles seriam reconhecidos pelo andar” Powder brincou, mas depois se virou para sua mãe adotiva “Eu consigo fazer isso. É só hoje. Na próxima sua perna já vai ter sarado”

Pois é, a perna de Mel. Ela estava em uma visita de rotina em um dos laboratórios da universidade de Piltover e uma explosão inofensiva aconteceu. Mel acabou torcendo o tornozelo por algum milagre da magia. Elora tinha dito a Powder que Mel nunca se machucou nenhuma vez na sua vida.

“Eu vou ficar bem” Powder disse abraçando Mel “São só velas”

Não são só velas.

Era a noite de lua azul. Acontecia em períodos completamente aleatórios, a lua ficava em um tom azulado. Os céticos de Piltover acreditavam que isso era efeito dos gases tóxicos misturados com a neblina que davam o tom azulado à lua. Mas os “religiosos” de Zaun, acreditavam que o fenômeno era um aviso de Janna.

Ela viajava até o céu na sua forma de pássaro e cobria a lua com suas penas azuis para avisar os mortais que o véu entre o mundo dos espíritos e o mundo dos vivos estava muito fino e era para todos tomarem cuidado. Durante a noite, as pessoas usavam capuzes ou roupas pesadas junto com máscaras para não serem reconhecidas pelos espirros, assim as almas não iriam atrás deles em busca de respostas ou de vingança.

E para garantir que os mortos soubessem por onde começar sua jornada para o mundo dos espíritos. As pessoas acendiam velas nos seus locais de morte. Em teoria, a chama da vela os ajudaria a encontrar conforto.

Depois que Mel adotou Powder, elas passaram a entrar escondidas na subferia, se aproveitando que todos estavam mascarados para deixarem velas para: Violet, Mylo, Claggor, Vander, Benzo, Connel e Felicia.

Powder não sabia se acreditava ou naquele ritual estranho, mas de alguma forma aquilo a fazia se sentir em paz. E Mel sempre a acompanhava e estava lá para garantir que ela não confundisse as vozes da cabeça com fantasmas de verdade.

No entanto, ela faria isso sozinha pela primeira vez em muito tempo.

Uma máscara cobrindo a parte dos olhos, capa preta (com alguns detalhes em roxo e azul, por que ela gostava) e roupas simples para não ser percebida pelos homens de Silco. O motivo pelo qual ela só podia voltar nesse evento. Silco é um homem que guarda muito rancor por muito tempo.

‘É só manter a calma e não correr’ Jinx ficou se levando enquanto caminhava pelo túnel que levava até a beira do rio ‘Nada vai acontecer hoje. É só mais uma noite’

Repetir isso para si mesma não vai mudar o que você fez, Jinx

Ela parou por um instante de caminhar quando ouviu sua irmã morta. O homem atrás dela que também ia levar uma vela para a beira do rio esbarrou nela “Ei! Olha para onde anda!” Ele disse desviando de Jinx e fazendo.

“Desculpa” Jinx murmurou.

Quieta como um rato que você é

Jinx balançou a cabeça tentando calar Violet e continuou o caminho. Tinham outras pessoas lá na beira do rio seguindo pelo mesmo percurso para honrar os perdidos. Os mortos que só ouviram a notícia da morte, mas o corpo nunca foi velado adequadamente pelas famílias ou foi perdido em algum desastre.

A maioria das famílias ali eram de mineradores aonde o corpo foi soterrado, navegadores que se perderam no mar ou presos por Piltover e enterrados como o indigentes.

As velas para esses mortos são colocados em um pequeno barco de madeira e entregues para o rio.

Essa vela era para Violet.

Nem se preocupou em descobrir como eu morri

Nem se preocupou em me vingar

Só se preocupou em viver uma vida de conforto

Jinx pegou a vela que ela pintou e esculpiu na casa Medarda. Eram detalhadas com as cores que simbolizavam sua irmã: Rosa para o cabelo, Azul acinzentado para os olhos e Vermelho para sua cor favorita. Com um toque a mais, Powder esculpiu cordas de uma arena de ringue em relevo ao redor de toda a base da vela, por que sua irmã era uma lutadora.

VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO?!

Jinx colocou as mãos nos ouvidos tentando abafar o som da voz da sua irmã.

VOCÊ É UMA JINX!

Mesmo que fosse verdade, ela não podia dar ouvidos para a alucinação.

VOCÊ NÃO É A MINHA IRMÃ!

UMA VELA NÃO VAI MUDAR O QUE VOCÊ É!

As mãos de Jinx tremeram enquanto ela procurava pela sua caixa de música na bolsa. Foi uma luta para ela conseguir, ela deveria está com aquilo desde o começo daquela viagem

QUEM DEVERIA ESTÁ MORTA ERA VOCÊ!

Ela deu corda e deixou a melodia fluir.

Dear friend across the river

My hands are cold and bare

As vozes começaram a se acalmar e quanto a melodia tocava. Jinx ficou murmurando a letra da música enquanto o pequeno objeto na sua mão girava.

Dear friend across the river

I'll take what you can spare

I ask of you a penny

My fortune, it will be

Finalmente em paz ela continuou o seu pequeno ritual, pegando o pequeno barco de madeira e acendendo a vela com seu isqueiro. A cera começou a derreter e pingar na base, assim que estava bom, Jinx prendeu a vela no local.

I ask you without envy

We raise no mighty towers

Our homes are built of stone

Ela se levantou com o barco nas mãos e a vela brilhando fortemente. Jinx caminhou até que a água atingisse seus joelhos.

So come across the river

And find the world below

“Essa vela é para Violet, que não caiu sem lutar” Jinx disse colocando o barco na água “Siga seu caminho até Janna” Oração feita ela deu um pequeno impulso para a embarcação seguir pela correnteza do rio até atravessar a neblina.

A voz de Violet se foi finalmente da sua cabeça. Pelo menos até amanhã, ela não veria mais sua irmã.
 
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A segunda parada de Jinx era um pouco mais perigoso, mas quem não gostava de um pouco de emoção? Os mortos com certeza adoram emoção.

Quando alguém morre em um lugar muito perigoso, as pessoas quase nunca se arriscam para colocar velas lá. Obviamente existiam pessoas como a Jinx, que era exceção e não se importavam em invadir propriedade privada ou um laboratório ilegal de drogas.

O antigo armazém foi reconstruído e virou um dos principais laboratórios de Cintila de Silco. Mas isso não impediria Jinx de colocar três velas em uma das dispensas do segundo andar.

Vai explodir a gente de novo

Mylo disse agachado na beirada do prédio ao lado.

Finalmente aprendeu a fazer esse pulo?

Só acredito vendo

Jinx pegou distância e correu até a beirada saltando para o armazém de fachada “Isso!” Ela comemorou “Bem mais fácil do que da última vez” A última vez ela estava com Mel e por pouco não caia de cara do chão.

Parabéns, pirralha, agora pode andar com os adultos de verdade

Jinx revirou os olhos com o comentário de Claggor e continuou seu caminho até a entrada do terraço. Ela desceu as escadas com sua pistola nas mãos. Jinx era maluca, mas não entraria em um lugar completamente desarmada. Chegando à porta que levava ao segundo andar, Jinx ouviu sons de luta do outro lado. Por segurança ela abriu uma fresta da porta para olhar.

‘São os fogolumes’ Jinx analisou todo o cenário à sua frente. Ela já tinha ouvido falar deles, um grupo composto principalmente por adolescentes que estavam destruindo os laboratórios de Silco ‘Pelo jeito eles ficaram mais ousados e decidiram atacar junto um dia principais. Mas tinha que ser justo na noite de lua azul?’ Jinx bufou em desaprovação.

Você poderia ajudar eles querida

Vander disse atrás dela ‘Péssima ideia, chamaria atenção desnecessária’

Mas eles precisam de ajuda, Powder

Você pode ajudar

Só tentei não matá-los como você nos matou

Ouvir isso do próprio pai era devastador. Mas aquele fantasma estava certo, Jinx poderia ajudar e conseguia ajudar. Ela não era a frágil Powder, ela era a Jinx.

Quando Ekko sugeriu atacar aquela fábrica na Lua Azul, muitos concordaram e outros descordam. Seria como brincar com a boa vontade dos mortos. Entretanto, os homens de Silco estariam vulneráveis o suficiente para eles destruírem aquele laboratório em específico, que estava fabricando uma variante do Cintila que poderia ser mais fatal para os usuários e duas vezes mais viciante. Dadas as circunstâncias, eles tinham que se arriscar a incitar a ira dos mortos do que deixar Zaun cada vez mais frágil aquela droga.

E como planejado, tinha menos guardas no lado de fora, invadir foi fácil. Mas os homens lá dentro estavam se dopando com a droga, não estavam sentindo dor e quando a batalha explodiu, eles estavam atacando como animais selvagens.

Era só questão de tempo até aqueles soldados encurralarem os fogolumes e matarem todos eles. Ekko já estava pronto para mandar todos recuarem e saírem em retirada, quando uma porta de saída de incêndio abriu ferozmente e uma completa desconhecida começou a atirar nos homens de Silco.

Ela usava roupas escuras com detalhes de roxo, rosa e verde, um capuz cobrindo a cabeça e uma máscara cobrindo seus olhos.

“Hora da revange” Ekko ouviu ela murmura enquanto atirava. As balas dela eram energizadas, quando atingiam os capangas de Silco, eles eram eletrocutados até caírem no chão. Não os matava, a quantidade de Cintila no sangue deles não permitia, mas com certeza não se levantaram tão cedo para mais uma rodada “Ei! Atenção!” Ela gritou correndo na direção de Ekko apontando sua pistola. Por um segundo ele pensou que ela iria atirar nele. No segundo seguinte ela atirou. No terceiro segundo a bala passou raspando a máscara de coruja de Ekko. No quarto segundo a bala atingiu em cheio um dos capangas que estava atrás dele “De nada, aliás”

A batalha tinha acabado, todos estavam caídos ou presos nos cristais químicos dos Fogolumes “Obrigado pela ajuda” Ekko disse finalmente, tentando parecer firme atrás da sua máscara “E quem você seria?”

“... Jinx, meu nome é Jinx” Ela respondeu “Não se preocupem comigo, só quero acender as velas” Ela mostrou dentro da sua bolsa, seis velas ornamentada para a noite “Uma dica, podem destruir todos esses maquinário contaminando o Cintila com esses seus cristais de açúcar colorido” Todo pingo de admiração que Ekko teve por ela sumiram quando ela disse aquilo “Tão eficiente quando explodir”

Ekko olhou para Scar, tentando encontrar alguma resposta. Scar apenas concordou com a cabeça afirmando a teoria de Jinx sobre a sabotagem. Jinx deu um bufo divertido e com um sorriso presunçoso foi até uma das paredes laterais da fábrica. O local ficou em completo silêncio enquanto Jinx fazia mais um ritual fúnebre como qualquer outro zaunita.

Para Mylo, sua vela tinha detalhes em vermelho, marrom e verde, com casinhas esculpidas por toda a base da vela. Para Claggor, tinha roxo e verde e flores esculpidas na base.

Mylo sempre quis voltar para sua casa, um pequeno complexo de casas dos mineradores que foi consumida pelo Cinza e não podia mais ser habitável. Enquanto isso, Claggor sempre gostou da ideia de ver flores não tóxicas por Zaun.

Por fim, uma vela para Vander. Simples, sem detalhes em cores ou formas esculpidas. Ele era um homem que gostava da simplicidade da vida e queria aproveitá-la melhor, uma pena que a situação em que a cidade se encontrava não permitia tal conforto.

A cera quente das velas escorreu no chão para que Jinx pudesse finalmente prendê-las ali “Essa vela é para Mylo” Ekko sentiu o ar nos seus pulmões sumir quando ouviu o nome do seu antigo amigo de infância “Que mesmo falando muita merda, era uma boa pessoa” Agora ela conseguia ver a semelhança nela, na luz das velas ele notou o tom de azul do seu cabelo, um azul natural que era impossível ser comparado com tons artificiais de cabelo tingido “Essa vela é para Claggor, que podia ser grande e forte, mas era gentil e tinha um bom coração… Essa vela é para Vander, um lutador que caiu. Sigam seus caminhos até Janna”

Jinx ficou parada por um instante enquanto as vozes na sua cabeça silenciaram. Ela finalmente se levantou e ignorou completamente os fogolumes, fazendo seu caminho para a entrada da frente aonde poderia finalmente ir embora.

Ekko ficou parado olhando as velas recém acessas. Então foi ali que eles morreram. Ekko devia ter imaginado, devia ter ido com Powder naquela noite, mas ele estava tão desolado com a morte de Benzo que nem buscou saber exatamente o que aconteceu.

Todos esses anos, ele acendia as velas na beira do rio.

“Ekko? Você está bem chefe?” Scar perguntou segurando o ombro do líder.

“Era a Powder” Ele disse finalmente “Ela veio acender velas para eles…” Agora sua mente ficou nublada de perguntas, a quanto tempo ela vinha para acender as velas? Quantas vezes eles deviam ter se esbarrado na rua, mas nunca reconheceram um ao outro? Eles se viriam de novo? Por que ele não falou nada? Por que ele não fez nada “Coloquem o restante dos cartuchos quintech no maquinário. Prendam os capangas e deixam eles aqui para encararem Silco” O líder dos Fogolumes tomou o controle do garoto que estava com saudades da sua melhor amiga.

Assim que todos os cristais que os fogolumes usavam como arma entraram dentro do complexo maquinário que fabrica cintila, tudo começou a tremer e ameaçar explodir. Foram quase cinco segundos de panico até tudo parar. Os cristais estavam endurecendo e destruindo silenciosamente todo o laboratório.

“Não acredito que funcionou!” Um dos fogolumes disse comemorando “E esses caras estão tão chapados que nem vão atrás de ajuda até amanhã” Ele disse olhando para os capangas de Silco presos em uma corda “Silco nem saberá o que o atingiu”

“O que faremos com esses cadernos?” Skar perguntou para Ekko.

Os cadernos estavam cheios de fórmulas e cálculos complexos, sem dúvida relacionados aos estudos sobre a variante da droga “Vamos levar para o esconderijo” Ekko falou simplesmente “Recolha todos. Vamos queimá-los aonde ninguém vai vasculhar as cinzas”

“Tudo bem” Skar deu os ombros “Nenhuma baixa essa noite, missão cumprida. Acho que podemos ir para casa agora” Foi como se uma chave tivesse virado na mente de Ekko “Ekko! Aonde você está indo?!”

A pior parte era que ele não sabia direito.

Ele só começou a correr.

A correr atrás dela.

Há quanto tempo ela tinha saído mesmo? Dez, talvez 20 minutos. Ela não deveria ter ido longe.

Eram seis velas na sua bolsa. Três estavam no laboratório agora e os outros três? Talvez um seja para Vi, mas ninguém sabia aonde ela havia morrida “O rio” Ele concluiu, pegando o caminho pelos becos até chegar aonde havia vários outros barcos e velas “Cadê você?” Ele murmurou olhando para as máscaras e tentando identificá-la, mas nenhuma era dela.

Ela ainda estava lá em cima. Se ela não foi para o rio aonde ela poderia ter ido?

Aonde mais?

O Ultima Gota estava lotado como sempre, e como sempre tinha um rio de velas por toda a parte de Zaun. Mas nenhum parecia com as velas personalizadas que Powder fez para Mylo e Claggor, só eram velas comuns.

Aonde mais?

Aonde ela iria?

Qual outro local?

Benzo’s veio a mente dele em um clarão. A loja estava fechada desde que Ekko fugiu para a árvore, mas a fachada continuava a mesma. Ela poderia ter ido para lá.

Ele continuou correndo, pedindo desculpas por esbarrar em uma ou duas pessoas enquanto corria.

No final das contas ele acertou, ela veio mesmo para o Benzo’s, tinha uma vela meio queimada na frente da loja, junto a outras vezes para outras pessoas que morreram naquelas proximidades. Mas Powder não estava mais lá. Ele perdeu tempo indo para o rio enquanto ela deixava uma vela para o homem que foi como um pai para Ekko.

A vela que ele colocou no início da noite estava quase apagando.

A vela que ela deixou para Benzo tinha desenhos de pássaros, Benzo sempre foi muito religioso e tinha muita fé em Janna. Por toda a base da vela, estavam esculpidas engrenagens e bugigangas.

“Uma vez eu vi ela, sabia?” Benzo falou com orgulho uma vez para ele “Quando eu era criança, vi ela andando sobre a água, reconhecendo as velas… Ela é muito mais bonita do que nessas pinturas”

Ekko caiu de joelhos no chão. Todos esses anos, Powder colocava uma vela para Benzo também e ele nunca a viu. Talvez essa tenha sido sua punição por ser tão cego. Ele deveria ter falado com ela lá na fábrica.

Quanto tempo desperdiçado.
 
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“Essa vela é para Benzo, que não foi um pai para mim, mas foi um pai para um garoto bom. Siga seu caminho até Janna”

Ela se levantou e continuou seu caminho. As vozes pararam, mas seu coração batia como um tambor acelerado. Era a última parada que Jinx faria naquela noite e depois voltaria para casa.

Jinx ficou dando corda na pequena caixa de música o tempo todo, tentando focar sua mente em qualquer coisa, menos no que estava prestes a fazer seguindo por aquele caminho. Ela ficou cantarolando a letra da música de ninar que sua mãe cantava.

Um idiota esbarrou nela enquanto ela andava “Ei!” Ela gritou.

“Desculpe!” Ele respondeu enquanto continuava correndo para Janna sabe aonde.

“Ue, não é cara do laboratorio? O que ele está fazendo?” Jinx balançou a cabeça dispersando sua mente daquela cena “Não, foco” E assim ela continuou seu caminho.

Dear friend across the river

My hands are cold and bare

Dear friend across the river

I'll take what you can spare

I ask of you a penny

My fortune, it will be

I ask you without envy

We raise no mighty towers

Our homes are built of stone

So come across the river

And find the world below

Já devia ser a 14º vez que ela cantava, mas mesmo assim ela ainda sentia seu coração tentando sair da sua caixa torácica. Finalmente ela chegou à última parada: A Ponte do Progresso.

Tinham centenas de outras velas naquela ponte, centenas de outras pessoas morreram naquele dia. Jinx se lembrava, quando entrou na casa dos Kiramman’s e viu as fitas daquela tragédia, do sentido de ódio que sentiu. Alguém do lado dos mineradores, que estavam protestando pacificamente, deu o primeiro tiro jogando um coquetel molotov nos defensores, desencadeando toda a tragédia.

Jinx seguiu pela ponta até quase a metade, antes de se virar para colocar suas duas últimas velas na direita. Ela se lembrava muito bem aonde eles estavam naquele dia.

Duas últimas velas.

As duas últimas pessoas que ela amava e que não estavam mais lá.

Como Connel e Felícia eram pai e mãe, esposa e esposo que morreram juntos, suas velas tinham que estar juntas ainda unidas pelo matrimônio que não teve um final feliz. Mel insistia em fazer as fitas, ela dedicava horas e horas para fazer aquele laço, uma forma dela participar pelo menos em um aspecto da antiga vida da sua filha adotiva.

Jinx prendeu a fita nas bases da vela em um unico laço.

“Essa vela é para Connel, que mesmo cansado contava historias incriveis de ninar. Essa vela é para Felicia, que tinha uma voz de um anjo. Sigam seus caminhos para Janna” Oração feita, hora de partir.

Mas Jinx não se movia. Ela não conseguia controlar suas pernas para se mover, só conseguia encarar a chama e ver a cera derretendo.

Em um ato impulsivo, ela tirou a mascara e o capuz “Eu sei que não devia tirar a mascara para não ser assombrada por fantasmas, mas… Pai, mãe. Eu adoraria ser assombrada por vocês também. Adoraria ouvir vocês me ajudando também”

As lágrimas começaram a escorrer junto da cera.

“Minha jovem” Uma velha apareceu segurando o ombro de Jinx “Ponha a mascara de volta. Você não fez nada de errado”

"Quem disse?"

"Eu disse. E se eu disse é por que sei" Ela falou. Jinx enxugou as lágrimas e colocou a máscara de volta. A velha a ajudou a se levantar "Sabe querida, no final das contas não importa quem fez o que. É tudo cera" Ela gesticulou para as velas "No final das contas todos nós viramos cera"

"Mas eu me importo"

"Então que bom que se importa"

Ela saiu de perto de Jinx e continuou seu caminho para colocar sua própria vela entre as outras.

Quando o véu entre o mundo dos espíritos e o mundo dos vivos ficava mais fina, Janna subia aos céus como um pássaro e tingia a lua com suas penas azuis. Os zaunitas colocavam máscaras para não serem reconhecidos pelos espíritos vagantes que não encontraram paz. E para que os mortos pudessem finalmente lamentar a própria morte, as pessoas acendiam velas para eles.

As velas choravam com o fogo.

São suas lágrimas que derretem na cera.

Fim?
 
Obrigada por lerem e por terem dado uma chance a fanfic
 
Escrito por: Gizza ou Rainha_fanfic

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